21 de jan de 2018

Sadia e Perdigão lançam linha de alimentos feitos de sobras para os pobres


A marca BRF, que é dona da Sadia e Perdigão, anunciou que pretende criar uma linha destinada à “população de baixa renda e comerciantes de alimentos de todo país” feita a partir de sobras da Sadia e Perdigão. A linha recebeu o nome de Kindelli e deve começar a ser vendida ainda no início desse ano.

A comida feita de restos foi descrita cinicamente pelo vice-presidente de operações no Brasil da BRF como uma oportunidade para “aproveitar melhor o excedente de matéria-prima”, ou seja, transformar subprodutos da indústria de alimentos em comida para populações pobres. Dessa maneira, com a Kidelli o que esse gigante da indústria alimentícia fará é vender presunto, empanados, mortadelas, linguiças e hambúrgueres feitos a partir de sobras que deveriam ser destinadas ao lixo, e não ao consumo humano.

Tudo em nome de aumentar os seus já imensos lucros. Essa é mais uma faceta da barbárie capitalista. Depois do escândalo da JBS em que se soube que carnes podres eram vendidas normalmente, agora é a vez da BRF comercializar alimentos feitos de matéria-prima mais que duvidosa. A empresa sabe que o país está descarregando a crise econômica criada pelos ricos nas costas dos trabalhadores, que veem seu poder de compra decair. Querem lucrar ainda mais com essa situação, oferecendo produtos feitos daquilo que deveria ir para o lixo.

Enquanto isso de acordo com dados da ONU 1/3 de todos os alimentos que são produzidos mundialmente, inclusive com qualidade, são desperdiçados, muitas vezes para manter os preços em uma escala lucrativa, ou mesmo apodrecendo nas prateleiras dos supermercados. Além disso, o consumo de alimentos industrializados aumentou cerca de 400% no Brasil e está intimamente associado às doenças crônicas como diabetes e hipertensão.

Assim se vê como o capitalismo é irracional quando se trata de garantir as necessidades mais básicas da humanidade, como é a alimentação. A superação desse sistema de miséria e irracionalidade para a ampla maioria da humanidade, acabando com os lucros de gigantes como a BRF, não deve ser encarado como algo utópico, mas como uma necessidade.

Simone Ishibashi
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