2 de jan de 2018

Procurador do caso Tacla Duran pede novo inquérito que pode atingir Lula

MPF quer que delação informal de executivo da Engevix, feita com base em "deduções", seja apurada pela PF


Um dos últimos atos do procurador da República Roberson Pozzobon em 2018 foi enviar ao juiz Sergio Moro um pedido de instauração de inquérito policial para apurar uma suposta conta bancárias na Espanha que um ex-funcionário da Engevix disse ter abastecido com propina para José Dirceu e Lula. O documento, com a solicitação, foi revelado pelo Estadão na segunda, 1, mas foi assinado ainda em 18 de dezembro e 2017 por Pozzobon e o procurador Julio Motta Noronha.

O pretenso delator é o ex-vice-presidente da Engevix, Gerson Almada, que está sob a ameaça de virar réu a qualquer instante. Ele foi denunciado pelos procuradores de Curitiba e acabou pedindo a Moro para prestar o depoimento no qual citou Lula e Dirceu antes que o juiz decida se ele vai ou não responder a uma ação penal. 

Almada admitiu, contudo, que não tem provas documentais do que diz sobre Lula. A "revelação" de que o ex-presidente possivelmente foi beneficiado pela suposta conta no exterior foi feita por "dedução". O GGN abordou o assunto neste post aqui.

Pozzobon é o procurador citado no escândalo envolvendo o ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, que estourou em 2016. 

Duran revelou que Carlos Zucolotto, amigo de Sergio Moro, cobrou propina para ajudar num acordo de delação com a Lava Jato de Curitiba. 

Após Zucolotto discutir os termos da delação com Duran por meio de mensagens que foram periciadas e entregues à CPMI da JBS, Pozzobon e outros membros da Lava Jato enviaram a Duran a minuta do acordo exatamente com o valor de multa sugerido pelo amigo de Sergio Moro, cerca de 5 milhões de dólares.

A Lava Jato está convicta de que Duran ajudou a Odebrecht a operacionalizar o sistema de pagamento de propina no exterior. O ex-advogado está na Espanha, de onde conseguiu ter sucesso contra um pedido de extradição feito por Moro.

O juiz de Curitiba insiste em processar Duran no Brasil. Os procuradores da Lava Jato deveriam ter viajado para colher no exterior o depoimento do advogado, no dia 4 de dezembro, depois de Duran prestar depoimento à CPMI. Pozzobon e outros dois procuradores não compareceram.

No final de dezembro, no mesmo dia em que a defesa de Lula divulgou uma conversa com Duran na qual o advogado se compromete a prestar depoimento em ação penal contra o ex-presidente, falando sobre fraude no sistema Drousys da Odebrecht, os procuradores reagiram com mais uma ação penal.

No pedido enviado a Moro, os procuradores não citam Lula. Mas o Estadão, porta-voz da Lava Jato em Curitiba, mancheou que o inquérito servirá para apurar "conta de propinas atribuída a Dirceu e Lula na Espanha". A solicitação foi feita no âmbito da denúncia apresentada contra Almada, que também envolve Dirceu e João Vaccari. A Lava Jato sustenta que a UTC e Engevix pagaram propina aos petista por meio da empresa Entrelinhas, entre 2011 e 2012. 

Autos nº: 5018091-60.2017.4.04.7000

No GGN

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.