14 de jan de 2018

O que preocupa Bolsonaro




"Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio-moradia eu usava pra comer gente, tá satisfeita agora ou não? Você tá satisfeita agora?".

As palavras são de Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. Ele respondia a uma repórter da Folha que o questionou, de forma educada, sobre o uso de verbas da Câmara.

Não foi a única grosseria da entrevista, concedida na quinta-feira. Em outros momentos, o deputado usou palavrões após ouvir perguntas sobre a sua evolução patrimonial.

"Porra, você está enchendo o saco, porra", disse. "Vocês fizeram uma bomba de merda", acrescentou. "Sai fora que vocês não vão ter resposta nenhuma", concluiu.

Nos últimos dias, os repórteres Camila Mattoso, Italo Nogueira e Ranier Bragon mostraram como a família Bolsonaro multiplicou os bens na política - o capitão tem dois filhos deputados e um vereador.

O jornal também revelou que o chefe do clã nunca abriu mão do auxílio-moradia, apesar de ter apartamento próprio em Brasília. Ele ainda deu um cargo de assessora à mulher de seu caseiro em Angra dos Reis.

As reportagens mostraram que Bolsonaro segue o figurino padrão no Congresso: enriqueceu na política e aprendeu os truques para ampliar as vantagens de parlamentar. Isso explica o descontrole do deputado ao se ver sob escrutínio.

Embora esteja no sétimo mandato, o capitão sustenta seu marketing na ideia de que é diferente dos outros políticos. Ele se apresenta como um campeão da ética, imune aos escândalos que atingem os colegas. "Sou o diferente, sou o intruso do poder", repetiu, em vídeo divulgado na quarta-feira.

Esse discurso tem atraído eleitores que podem não concordar com sua pregação radical, mas veem nele uma alternativa à sujeira dos grandes partidos. Se ficar claro que a propaganda era enganosa, a imagem do "Bolsomito" corre o risco de derreter antes do previsto.

Bernardo Mello Franco
No fAlha

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