29 de jan de 2018

O auxílio moradia do casal Bretas: na Bíblia do juiz não existe o trecho em que Jesus fala de hipocrisia


O juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato do Rio de Janeiro, é um evangélico praticante que gosta de citar a Bíblia em suas sentenças.

Bretas postou um versículo no último final de semana.

Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e nela medita de dia e de noite.

Bretas precisa meditar e praticar mais.

De acordo com o Painel da Folha, ele foi inquirido pela Ouvidoria da Justiça Federal por receberem, ele e a mulher, Simone Diniz Bretas, auxílio moradia, o que é proibido a casais de juízes que morem juntos.

Como ele conseguiu? Entrando na Justiça com mais quatro colegas.

Na ação, Bretas alegou que que a determinação do conselho fere a Lei da Magistratura e confere tratamento díspar a integrantes da mesma classe. Ganhou.

Recentemente, ele já havia dado uma declaração no Twitter sobre o tema, aparentemente extemporânea, mas que tinha endereço certo, como se vê agora.


O que Bretas faz é, no mínimo, imoral — e especialmente constrangedor para um sujeito que vive de apontar o dedo para os pecados alheios em nome de Deus, numa necessidade de aparecer patológica.

Numa conta conservadora, a União gasta R$ 437 milhões por ano com auxílio-moradia de juízes e procuradores. Em artigo para a Folha, Conrado Hubner Mendes, professor de direito constitucional da USP, fala em R$ 1 bilhão.

A mamata lhe dá uma renda extra de cerca de R$ 10 mil. Outro irmão em Cristo, Deltan Dallagnol, faz especulação imobiliária com o Minha Casa Minha Vida, programa criado para pessoas de baixa renda — o que não é caso do procurador, muito pelo contrário.

Um passagem do Evangelho de Lucas lhes cairia bem.

Nesse meio tempo, tendo-se juntado uma multidão de milhares de pessoas, ao ponto de atropelarem umas às outras, Jesus começou a falar primeiramente aos seus discípulos, dizendo: “Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”.

Kiko Nogueira
No DCM



Bretas, o do duplo auxílio-moradia, aluga imóvel ao Bradesco por R$ 10 mil

É incrível a desfaçatez duplicada do juiz federal Marcelo Bretas ao defender que tanto ele quanto a mulher, também juíza, Recebam mais de R$ 8.700 como auxílio moradia, para trabalharem na mesma cidade onde residem e têm, pelo menos, um bom imóvel próprio no Rio de Janeiro.

É que se depreende do processo 1016977-14.2014.8.26.0405, da 6a. Vara Cível de Osasco, São Paulo, onde é a sede do Bradesco, seu inquilino. Bretas e Simone, sua mulher, requereram judicialmente a revisão do aluguel, de R$ 10.685,80 mil para R$ 20 mil, naquela cidade porque é lá a sede do banco, embora o imóvel fique aqui.

Bretas e a mulher perderam a ação, por dois motivos: o contrato é de 20 anos e eles perderam o prazo para revisão e a perícia indicou que o valor era absolutamente justo. Pela sentença da juíza Renata Soubhie Nogueira Borio (aqui, em PDF),vê-se que o casal Bretas comprou o imóvel em 2002, do próprio Bradesco – segundo ela, a preço abaixo do mercado – com o compromisso de locá-lo por 20 anos, sendo o prazo para revisão o marco de 10 anos.

Como se vê, o casal já contava, em 2002, com recursos para a compra de um “baita” imóvel, que lhe rendeu, em aluguéis, considerado o valor mencionado em contrato, valores equivalentes a R$ 2 milhões, não levando em conta a capitalização dos recebimentos feitos há 15 anos, isto é, o investimento do que receberam.

O casal judicial tem o direito de fazer negócios e de ganhar dinheiro. Mas não o de considerar moral, tendo as posses que têm, sangrar os cofres públicos com um duplo “auxílio-moradia” e muito menos dizer que negá-lo é “um ataque à magistratura”, como diz, num acesso de corporativismo, o presidente da Associação dos Juízes Federais do Rio e do Espírito Santo, Fabrício Fernandes, em nota oficial, (ver abaixo), onde diz que criticar Bretas interessa a corruptos.

E aceitar passivamente o que fazem juízes assim ajuda aos imorais no trato com o dinheiro público.

Fernando Brito



Associação de juízes sai em defesa de Marcelo Bretas: “Tentativa de confundir os cidadãos”

A Associação dos Juízes Federais do Rio de Janeiro e Espírito Santo (AJUFERJES) emitiu uma nota em defesa do juiz Marcelo Bretas, que ganhou na Justiça o direito de receber dois auxílios moradias.

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