26 de jan de 2018

Marcelo Bretas assume posição política de oposição a Lula


Ainda há quem acredite que o Dr. Marcelo Bretas não tem aspirações políticas. Para mim, a dúvida já não existe. Sua estratégia em se tornar cada vez mais popular já foi analisada, por exemplo, em artigo publicado no Jornal GGN no qual uma fonte ligada ao juiz afirma que suas aspirações políticas são reais e altas, como a presidência da república.

Bem, a tirar por tweets recentes publicados na conta do Dr. Bretas, está ficando difícil para ele negar suas intenções políticas como afirma quando questionado sobre o assunto publicamente. Ao que parece, ele já nem tenta mais esconder suas posições partidárias, por exemplo.

Cerca de duas semanas após ter dito a emblemática frase “A Justiça precisa ser temida” em entrevista à Miriam Leitão, na Globo News, o Dr. Marcelo Bretas repetiu a expressão em seu Twitter, dessa vez relacionando-a ao julgamento do ex-presidente Lula na Operação Lava Jato em segunda instância, o que já denota uma posição partidária do juiz da 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro.

Em sua conta na rede social, Dr. Marcelo Bretas escreveu que “A Justiça deve ser REVERENCIADA por TODOS e TEMIDA pelos CRIMINOSOS” ao compartilhar uma nota do site O Antagonista. O texto comenta uma reunião entre petistas e o TRF-4 para tratar de ameaças de conflitos durante o julgamento de Lula em Porto Alegre no dia 24 de janeiro e ainda afirma que juízes do Rio Grande do Sul têm recebido ameaças e teriam tirado suas famílias do estado. Foi a oportunidade que o Dr. Bretas encontrou para, mais uma vez, expor seu posicionamento em relação ao comportamento Justiça.


Quando dita pela primeira vez, na entrevista à Miriam Leitão, a afirmação de Dr. Bretas foi amplamente criticada e gerou até um manifesto assinado por mais de cem advogados e professores de Direito (https://www.conjur.com.br/2018-jan-11/advogados-professores-direito-assi...) que se opuseram a pregações punitivistas de setores do Judiciário e do Ministério Público. Mas, como podemos ver, Marcelo Bretas não deu ouvidos.

O juiz não só repetiu a frase no Twitter como usou a mesma rede social nos dias que se seguiram para atacar outros integrantes do PT. “É impressão ou há senadores da República conclamando grupos de pessoas para atos de violência?”, postou Dr. Bretas, referindo-se a Lindbergh Farias. O senador havia postado um vídeo apoiando a declaração de Gleisi Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores, que convocou a esquerda a se fortalecer e não aceitar a condenação de Lula, se isso vier a acontecer.


Para mim, está claro que o juiz Marcelo Bretas está começando sua atividade política enfrentando aquele que ele considera seu maior oponente. O fato de ele entrar publicamente em discussões com membros de peso do PT só comprova que seu projeto político já está sendo colocado em prática. Não me parece que haja tempo hábil para alguma candidatura ainda em 2018. Mas, tanto em relação à política quanto a sua popularidade por conta da Lava Jato, este pode estar sendo um momento favorável para iniciar uma trajetória nesse sentido com objetivos a médio e longo prazo.

O senador Lindbergh Farias respondeu ao Dr. Bretas no Twitter, lembrando que um juiz federal não deveria se posicionar politicamente em público e ainda apontou como a acusação que recebera era injusta e não condizia com seu vídeo ao qual o juiz se referia naquela postagem, já que Lindbergh não havia incitado violência em seu discurso.

Ao finalizar o debate que ele mesmo havia iniciado, o juiz Marcelo Bretas disse que falava naquele momento “como cidadão”, como se fosse possível apagar e ativar sua função no Judiciário, conforme sua conveniência. Não se pode, Dr. Bretas, não quando se está em contato com o público. O sr. mesmo se descreve como “Juiz Federal” em seu perfil no Twitter. Como quer desvencilhar esta função de seus posts? A mesma tentativa foi feita na entrevista à Miriam Leitão, quando disse que falava “em nível pessoal” e não respondia pelo Poder Judiciário. Ora, se o sr. não fosse o responsável pelos julgamentos da Lava Jato no Rio de Janeiro, não estaria dando entrevistas na TV “como cidadão”, não é mesmo? Então, não se pode tentar iludir a si e aos espectadores de que uma coisa não está ligada à outra.


E é claro que Gleisi também se manifestou no Twitter sobre a discussão. A presidente do PT retwitou o post do Dr. Bretas lembrando as afirmações do juiz sobre temer a Justiça e sua marcante foto com um fuzil. Gleisi Hoffmann questionou: “Isso é ou não é uma incitação à barbárie?” Ela ainda mencionou as declarações juridicamente questionáveis do Dr. Bretas e sua clara oposição a um partido político determinado. “Isso é ou não uma violação do estado de direito?”, finalizou.


Antes de toda essa discussão, o Dr. Marcelo Bretas já mostrava, ainda que de maneira mais discreta, que tinha a intenção de se fortalecer politicamente. Em dezembro de 2017, ele respondeu a um tweet de Marina Silva, chamando-a de “candidata”. Mas o juiz apagou sua publicação um tempo depois. Na ocasião, a ex-PT e hoje filiada ao partido Rede Sustentabilidade, tinha publicado um post apoiando que a Justiça prendesse quem deve ser preso, independente de posicionamento político.


E então, observando tantos posicionamentos públicos, tantas discussões com membros de um único partido político e o apoio público a uma candidata à presidência, é possível acreditar que não haja intenções políticas por parte do juiz federal Marcelo Bretas? É possível acreditar que ele não pretende se candidatar um dia a um cargo público? É possível se convencer de que ele não está colocando Lula como seu oponente?

Qual seria, então, o objetivo do Dr. Bretas ao se posicionar publicamente sobre política? Ninguém cobra dele esse tipo de declaração. É uma manifestação completamente desvinculada de seu cargo e ainda pode contradizê-lo em julgamentos futuros. Deve haver um objetivo muito forte para ele tomar a iniciativa de se expor dessa maneira. E o que poderia ser senão a meta de se candidatar?

Será que esse projeto será revelado em breve? Ou o juiz deve esperar se fortalecer mais enquanto se alia a políticos com carreira estabelecida? Seu apoio à Marina Silva já indica um partido preferido? E por que ele apagou esse tweet? Mudou de estratégia no meio do percurso? A qual cargo o juiz Marcelo Bretas vai se candidatar inicialmente? Aguardamos para saber se veremos as respostas a estas questões em caráter oficial ou primeiro no Twitter.

Luís Nassif
No GGN

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