25 de jan de 2018

Lula e os três patetas


"As evidências contra o Sr. Silva estão longe dos padrões a serem levados a sério, por exemplo, no sistema jurídico dos Estados Unidos”.

Você já deve ter lido este trecho, extraído de uma página de opinião do New York Times publicada um dia antes do “julgamento” de Porto Alegre. O texto, como se diz, viralizou nas redes. Explica-se: a putrefação da mídia oficial brasileira obriga o recurso a estrangeiros para quem pretende se informar sobre o que pensa o pessoal do dinheiro grosso.

O trecho do NYT ganha ainda mais interesse quando se sabe que os Estados Unidos são o paraíso dos tribunais. Lá, até um hambúrguer pedido mal passado, mas servido fora do ponto, pode custar à lanchonete uma bela indenização ao freguês. Basta o comensal inconformado provar que comandou uma coisa e lhe empurraram outra. A prova, eis a questão. O que não dizer quando está em questão a liberdade de alguém.

A comparação mostra o tamanho do descalabro cometido por três patetas fantasiados de toga alocados em Porto Alegre. Nem precisa ser americano para perceber. A indigência de argumentos revelou-se por completo quando uma reportagem de jornal de terceira linha, por acaso o Globo (por acaso?), virou o ovo da serpente acusatória.

A partir dela, um bando de juízes e procuradores de araque construiu um edifício imaginário de mentiras encimado por um tríplex destinado a guilhotinar a soberania popular.

Um imóvel que não pertence ao suposto dono, atos indeterminados, lavagem de dinheiro sem dinheiro e outras barbaridades que ofendem até primatas.

Para embrulhar o pacote, ressurgiu a versão barboseira (isso mesmo, revisor, de Joaquim Barbosa!) do domínio do fato.

Se levada ao limite, esta “teoria” autoriza até cassar o eleitor que votou num político posteriormente flagrado como ladrão. Afinal, o sujeito que apertou o botão na urna foi o responsável por colocar um meliante no posto onde cometeu os crimes. Tinha que saber que era delinquente, ora, bolas.

Parece absurdo, mas o Brasil destes tempos de golpe tornou-se especializado na matéria – desde que a serviço de interesses bastante conhecidos. Mais adequado seria classificar de sem-vergonhice pura e simples. Ela alcançou tal extremo que, enquanto endurecia a pena de Lula, a “tchurma” de Porto Alegre amolecia a do delator Léo Pinheiro. Aquele cuja opinião mudou da água para o vinagre para incriminar Lula.

Para completar a obra, no mesmo dia a procuradora Raquel Temer Dodge pedia o arquivamento de um inquérito contra o tucano José Serra alegando prescrição de crimes.

A bandalheira é escancarada. A mensagem também. A conspiração envolvendo Judiciário, Congresso, Executivo, a mídia oficial e os tubarões financeiros partiu de vez para o tudo ou nada. Não é força de expressão. Nem aparências importam agora, como bem ilustraram os três patetas de Porto Alegre ​- ​retrato acabado da falência irremediável do judiciário brasileiro nos moldes atuais.

Está certo o PT, Lula sobretudo, em insistir na candidatura. Mas qualquer pretensão de que a trilha de recursos judiciais venha a dar resultados por si só não é apenas ilusão. É depor as armas por antecipação jogando para a plateia. Armas que, no sentido literal, doravante serão usadas pelos golpistas e suas tropas com ainda menos complacência. Sobre isso, é só esperar para conferir.

Como diz Mino Carta, bobagem pensar em mudança verdadeira sem escorrer sangue na calçada. É dramático, mas esse é o jogo de 2018.

Joaquim Xavier
No CAf

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