31 de jan de 2018

Jornais do PiG encolhem 73% em três anos!


Os principais jornais diários do Brasil continuaram a registrar perdas em suas tiragens impressas em 2017. A queda no ano passado foi de 146.901 exemplares na circulação média diária para 11 dos principais veículos nacionais.

A tendência vem se repetindo há 3 anos.

De 2015 a 2017, a redução na circulação média diária impressa foi de 520 mil exemplares.

Em dezembro de 2014, a tiragem impressa total desses 11 diários era de 1.256.322 exemplares em média por dia. Em dezembro de 2017, o número havia caído para 736.346 –o equivalente a uma redução de 41,4%.

Este levantamento considera, em ordem de tiragem impressa, Super Notícia (MG), Globo (RJ), Folha (SP), Estado (SP), Zero Hora (RS), Valor Econômico (SP), Correio Braziliense (DF), Estado de Minas (MG), A Tarde (BA) e O Povo (CE). A Gazeta do Povo (PR) parou de circular em versão impressa diária em 2017 –no início do ano passado sua circulação média era de apenas 26,6 mil exemplares por dia.

Os dados utilizados neste post são do Instituto Verificador de Circulação (IVC), que faz a auditoria das tiragens dos jornais citados.





Quando se levam em conta as perdas na tiragem impressa e o pequeno ganho nas assinaturas digitais, chega-se a uma perda de 488 mil leitores pagantes nos últimos 3 anos. No cômputo geral, todos os veículos perderam circulação. Eis os dados:


A circulação digital desses jornais poderia compensar em parte a perda de venda das edições impressas. Exemplos do exterior, como o New York Times, inspiram as publicações brasileiras. O Times passou de 2 milhões de assinantes digitais em 2017.

No Brasil, entretanto, o boom das assinaturas pagas de edições on-line dos jornais ainda não chegou com o vigor que se observa no mercado norte-americano.

Nos últimos 3 anos, de 2015 a 2017, os 11 jornais brasileiros registraram 1 aumento modesto na venda de assinaturas digitais. O saldo é positivo, mas de apenas 31.768 cópias.

Como se observa os dados de 2015 e de 2016, nota-se que houve pouco avanço de leitores digitais que pagam para ter acesso aos principais veículos jornalísticos. Clique nas imagens para ampliá-las:


AUDIÊNCIA DIGITAL É GRANDE

Apesar de estar encolhendo quando se trata leitores pagantes nas suas versões impressas e digitais, os principais veículos jornalísticos brasileiros são potências na internet.

O conteúdo aberto –todos têm uma parte cujo acesso é gratuito– atrai milhões de visitantes aos sites de Folha, Globo, Estadão e outros.

Essa predominância dos veículos que praticam jornalismo profissional também pode ser vista no número de seguidores que cada 1 tem nas principais redes sociais.

Levantamento realizado na semana passada mostra o seguinte acervo de seguidores dos principais jornais diários no Facebook:
  • Folha: 5.954.066
  • Globo: 5.574.463
  • Super Notícia: 48.972
  • Estado: 3.711.606
  • Zero Hora: 2.572.606
  • Estado de Minas: 187.910
  • Correio Braziliense: 712.925
  • Valor Econômico: 982.096
  • Gazeta do Povo: 1.380.478
  • A Tarde: 203.976
  • O Povo: 1.311.636
Esse exército de seguidores não tem ajudado a turbinar os assinantes digitais. Todos os principais jornais têm planos especiais e promoções para atrair novos leitores.

Eis os valores mensais que cada veículo cobra (clique no nome dos veículos para ter acesso ao site de assinaturas):

Folha
assinatura da versão digital: R$ 29,90 assinatura combinada impressa e digital: R$ 104,90

O Globo
assinatura da versão digital: R$ 29,90 assinatura combinada impressa e digital: R$ 99,90

Valor
assinatura da versão digital: R$ 42,90 assinatura combinada impressa e digital: R$ 79,90

Estadão
assinatura da versão digital: R$ 10,90 assinatura combinada impressa e digital: RS$ 130,00

Correio Braziliense
assinatura da versão digital: R$ 19,90 assinatura combinada impressa e digital: R$ 58,31

Zero Hora
assinatura da versão digital: 19,90 assinatura combinada impressa e digital: R$ 67,90

Quem visita os sites de todos esses jornais listados acima notará uma idiossincrasia: o valor da assinatura apenas da versão impressa nunca é informado. Quem desejar descobrir precisa fazer uma ligação telefônica.

Trata-se de uma decisão deliberada dos veículos de matar aos poucos a plataforma impressa.

Outro fato que merece menção: quem deseja assinar qualquer jornal precisa realmente estar com muita vontade. Os sistemas são lentos e cheios de exigências que irritam o consumidor que gostaria de apenas clicar e dar o número do seu cartão de crédito.

No caso do jornal gaúcho Zero Hora o sistema é curioso. Para saber o valor do pacote de assinatura impressa e digital o consumidor é obrigado a deixar seu número de telefone para que o jornal ligue de volta.

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