30 de jan de 2018

Glaucos: Imóvel usado por Lula não tem relação com Petrobras


A defesa de Glaucos da Costamarques entregou ao juiz Sergio Moro as alegações finais do incidente de falsidade sobre os recibos de um apartamento alugado à família de Lula, em São Bernardo do Campo. E, no documento protocolado no último dia 24, os advogados de Glaucos afirmam que não há nenhuma relação entre a compra do imóvel e recursos desviados da Petrobras. Ao contrário disso, eles chamam de "ilações" as acusações dos procuradores de Curitiba, que acreditam que o apartamento foi adquirido com dinheiro da Odebrecht.

"A acusação, então, neste aspecto, no que diz respeito ao acusado GLAUCOS, não pode sequer admitir ilações no sentido de que o dinheiro utilizado na compra do apartamento 121 do Ed. Hill House teria advindo de qualquer operação ilegal dessas pessoas, nem da Petrobras, nem da Odebrecht, nem de qualquer outra empresa ou pessoas relacionadas na acusação. A compra foi feita com o seu dinheiro, com o produto do seu suor, na condição de homem simples e honesto, que se vê enredado num fatídico acontecimento que lhe perturba como jamais imaginado."

Ainda segundo o documento, "GLAUCOS adquiriu o imóvel com recursos próprios, a pedido de JOSÉ CARLOS BUMLAI, com quem mantinha estreita amizade e confiança. GLAUCOS jamais teve qualquer contato com as pessoas da Petrobras ou das empreiteiras envolvidas no assunto, não as conhecia e isto foi confirmado por todos os envolvidos."

Contrariando a Lava Jato, Glaucos afirma ainda que "sua relação com o expresidente LULA jamais foi estreita, apesar de terem sido apresentados e terem tido parcos e ocasionais (já narrados) encontros, sempre acompanhando BUMLAI, por iniciativa dele. (...) mesmo se diga em relação à ex-primeira dama MARISA."

Segundo a acusação, Glaucos comprou o apartamento vizinho ao de Lula com o lucro de uma outra operação, esta envolvendo compra e revenda de um imóvel em São Paulo, e onde haveria dinheiro indiretamente da Odebrecht. O imóvel foi oferecido ao Instituto Lula, que rejeitou a proposta de se erguer naquele espaço.

Glaucos, ajudando a acusação, sustentou que não recebeu valores referentes ao pagamento de aluguel entre 2011 e 2015. A Moro, depois de confrontado com os recibos apresentados pela defesa de Lula, Glaucos admitiu que assinou os documentos mas insistiu que, na prática, o ex-presidente não pagava aluguel. Na versão do Ministério Público, Lula não desembolsava os valores da locação do imóvel porque estava recebendo uma vantagem indevida.

Esta é a segunda ação penal em que Lula é acusado de receber propina, agora por causa de contratos da Odebrecht com a Petrobras.

Caso Triplex

A versão de que o imóvel de Glaucos não tem relação com a Petrobras guarda semelhanças com o caso triplex.

No processo do apartamento no Guarujá, Lula tentou reverter a condenação em segunda instância alegando, entre outros pontos, que Moro havia admitido que não havia qualquer conexão entre contratos da Petrobras e o triplex. Isso, para a defesa do petista, significa que a ação jamais deveria ter tramitado em Curitiba.

Ainda assim, os desembargadores do TRF-4 condenaram Lula por unanimidade.

Arquivo


Paulo Whitaker/Reuters
No GGN

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