13 de jan de 2018

Fake news


Desde o aparecimento dos pseudo-conceitos de 'notícias falsas' e 'pós-verdade' tenho insistido que são pseudo-conceitos porque não tem valor heurístico. Afinal, o que é a 'pós-verdade'? O que é uma 'notícia falsa'? Naturalmente, em termos epistemológicos, é o ponto de partida para a típica falsa polêmica, como a do 'fim da história', que não vai legar a lugar nenhum.

Este tipo de falsa polêmica tem, sim, objetivos políticos e ideológicos sempre muito concretos. E, como avisei por aqui, não demorou muito para verificarmos as verdadeiras intenções desta campanha contra as 'notícias falsas' e o império da pós-verdade'. Primeiro, a definição pelos oligopólios das tecnologias da informação e da comunicação como Facebook de critérios internos para definir o que são notícias falsas e quais são as fontes destas informações, em geral, fontes consideradas alternativas.

Logo depois, a decisão por decreto de diversos governos como o da França e do Brasil de tomar medidas policiais contra as chamadas 'notícias falsas'. O problema, como tenho dito aqui, é que nenhuma destas regulamentações está disposta a regulamentar quem comprovadamente mais espalha 'notícias falsas', a imprensa corporativa e os oligopólios como Google e Facebook, que pagos por governos ou por grandes corporações, controlam o fluxo das informações de modo a ocultar algumas delas e viralizar outras, mediante o pagamento de milhões para as contas destes oligopólios.

Vale ver a entrevista com o jornalista e professor Sergio Amadeu.

Jornalista Sérgio Amadeu, membro do comitê Gestor da Internet no Brasil, fala sobre os perigos dos algoritmos na censura das redes sociais.



Elias Machado
No Esquerda Caviar



Lula é o maior alvo de fake news porque a direita consome as mentiras contadas sobre ele

A Ferrari de ouro que pertence a Lula: os boçais acreditam
O levantamento publicado pela revista Veja que constatou ser Lula o alvo número 1 de fake news não é surpresa para quem estuda o fenômeno em todo o mundo.

É que, em geral, fake news são mais consumidas por eleitores de direita, que são mais estúpidos, como definiu o criador de fake news o criador de sites de notícias falsas que mora na Macedônia.

Suas publicações interferiram no resultado da eleição nos Estados Unidos e também na aprovação do Brexit.

O jovem, identificado como Christiam, da pequena cidade de Veles, disse que criou o site para ganhar dinheiro, com publicidade virtual, que remunera na proporção dos acessos ao site.

“Nos Estados Unidos, o Google paga melhor”, afirmou. As notícias falsas que interessavam ao eleitor de Donald Trump eram muito acessadas. “Por quê?”, perguntou o repórter. “Porque o eleitor de Trump acredita em qualquer coisa, é muito desinformado”, disse ele, que tentou criar outros sites para buscar audiência nos eleitores de Hilary Clinton e Bernie Sanders, de centro e centro esquerda. “Eu acho que os apoiadores de Trump são mais estúpidos”, afirmou.

Vale o paralelo com o Brasil. Aqui o eleitor de direita acha que Lula está na lista da Forbes como um dos mais ricos do mundo, tem Ferrari de ouro e o filho dele é sócio da Friboi. Também acredita que o Triplex do Guarujá pertence a Lula e que ele passou o Reveillon lá.



A fake news da Globo no caso de Huck no Faustão dá uma medida do que o grupo fará em 2018

Fake News
Em seu perfil no Twitter, a Polícia Federal avisou, em tom retumbante, que “dará início nos próximos dias em Brasília às atividades de um grupo especial formado para combater notícias falsas durante o processo eleitoral”.

“A medida”, segue o texto, “tem o objetivo de identificar e punir autores de ‘fake news’ contra ou a favor dos candidatos”.

A comissão que vai cuidar do assunto incluirá representantes da Justiça Eleitoral e membros do Ministério Público, além do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Temos, desde já, um caso exemplar a servir como ponto de partida: o da apresentação de Luciano Huck no Faustão, em que ele se vendeu abertamente para as eleições.

O PT entrou com uma representação na Justiça, acusando campanha antecipada, pedindo pagamento de multa.

Em resposta, a Globo alegou que o programa havia sido gravado no dia 11 de novembro e ido ao ar sem conhecimento superior. Tá bom.

Era mentira, claro, como apontou Fernando Brito, do Tijolaço:

Se você olhar o vídeo oficial, da própria emissora, verá que a “entrevista” se inicia com uma pergunta sobre se choveu ou não no reveillon e qual dos filhos deu mais trabalho na festa. Huck chega a falar em estar no palco “nos primeiros dias de 2018”.



É evidente que o programa é recente, tão evidente quanto ter sido autorizado – ou determinado – pela direção da emissora.

Mas ninguém vai pedir explicações, como ninguém foi indagar desde quando e quanto Luciano Huck recebe de publicidade da Petrobras para apresentar um merchandising da empresa em seu programa, como se divulgou aqui.

Não é do interesse público, já que a empresa é pública e Huck se tornou um personagem público e político?

Mas se faz o silêncio, nada inocente.

O combate às fake news só fará sentido se a velha mídia responder pelos absurdos que comete.

A cascata deslavada da Globo sobre seu funcionário padrão e grande esperança branca dá uma noção do que o grupo será capaz de fazer em 2018.

Kiko Nogueira
No DCM

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