7 de jan de 2018

Fake News: Ancelmo Gois na mira de Luiz Fux

Fake News – notícias falsas – essa está despontando para ser a palavra do ano de 2018, no Brasil. O título deste texto é uma delas. Mas poderia não ser.

Fake News se tornaram tão importantes para resultados eleitorais que, no âmbito de TSE, planeja-se a criação de um grupo de trabalho formado pelo próprio TSE, pelo Ministério Público e pela Policia Federal para combatê-las nas eleições de 2018.

Tal notícia – o TSE como guardião da verdade noticiosa – imediatamente acendeu o sinal de alerta na blogosfera progressista, escolada que está com a censura judicial e os processos intimidatórios. Motivos, por certo, não lhe falta. Seria mais um cheque em branco na mão do nosso politizado Judiciário para decidir quando teria ou não ocorrido divulgação de falsa notícia e, a partir de então, a deflagração das já indefectíveis conduções coercitivas e prisões preventivas. Além das buscas e apreensões de equipamentos.

As fake news, porém, estão por aí a entupir as redes sociais e são facilmente identificáveis como tais. Bastaria descrever-se alguns modelos de falsas notícias para guia do tal grupo de trabalho. Como contribuição, apresento, para discussão, dois casos que, se me perguntassem, eu diria tratar-se de fake news.

O caso da “conexão cubana” que planejava agir armada em Porto Alegre – RS no dia 24 de janeiro de 2018. Dia do julgamento de Lula em segunda instância no TRF da 4ª região.

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Para quem disponha de quinze minutos para pesquisar na internet, não é difícil rastrear como, um caso real, um acidente fatal envolvendo cubanos de Miami que estariam no Brasil a turismo ou buscando imigração, torna-se primeiramente uma investigação da CIA e do FBI e, logo após, a tal ”Conexão Cubana”. Quem conta um conto aumenta um ponto e o limite é o limite da imaginação e da má-intenção. Daí para frente, é só deixar que os robots ou os “cabeças-fracas” repercutam acriticamente a fake news até ela se tornar “verdade”.

Fake news padrão. Mais um produto do mercado do anti-petismo alinhado com o momento de outra fake news – o factoide do prefeito de Porto Alegre solicitando intervenção do Exército e da Força Nacional de Segurança para conter possíveis perturbações à ordem pública motivadas pelas manifestações em torno do julgamento de Lula em Porto Alegre. Uma fake news alimentando outra.

Como agiria o TSE em relação ao prefeito de Porto Alegre? E em relação aos sites que divulgaram a tal “Conexão Cubana”? Creio que promover pânico na população – principalmente com fins político-partidários – já é tipificado criminalmente.

Mas as fake news podem ser ainda mais rudimentares.

O caso Eduardo Cunha arrecadando fundos para o “filme de Lula”.

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Aqui há uma não-notícia. Seria o mesmo que eu declarar que “em determinado momento da minha vida, em 1978, propus casamento a Sonia Braga, mas ela achou melhor não”.

Fake news da qual poderia desculpar-me dizendo trata-se antes de wishful thinking. Todavia, com o mesmo valor da “notícia” de Ancelmo Gois no Globo. Ocorre que o Globo é o Globo e Ancelmo é uma grife do jornalismo nacional. Como agiria em relação a isso o ministro Luiz Fux – quem demandou a criação do grupo anti-fake news e que será presidente do TSE, a partir de fevereiro de 2018?

Basta ver o efeito causado para perceber-se que tal não-notícia não é inconsequente do ponto de vista eleitoral.

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Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia

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