17 de jan de 2018

Dimas Toledo usou Furnas para “atender as necessidades de Aécio”, diz delação de Marcos Valério


Dimas Toledo tinha como função viabilizar recursos para “as necessidades de Aécio Neves”.
É o que está na delação premiada de Marcos Valério a qual a reportagem teve acesso e que aguarda homologação da Polícia Federal.

Principal personagem do escândalo que ficou conhecido como o “Mensalão Mineiro”, o delator, preso desde 2013 em Sete Lagoas (MG) e condenado a 37,5 anos por peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e pelo crime contra o sistema financeiro, aponta, no anexo 24, que o hoje senador Aécio Neves “usou os serviços” do ex-diretor da estatal para financiar a própria eleição a presidente da Câmara dos Deputados, usando recursos de fornecedores de Furnas.


Além de Marcos Valério, Dimas Toledo é apontado como o operador no esquema de corrupção que captava recursos para o senador Aécio Neves (PSDB-MG) em Furnas Centrais Elétricas em diferentes delações premiadas, como a do ex-senador Delcídio do Amaral, nas delações dos executivos da Odebrecht e na de Fernando Moura, ligado a Petrobras.

De acordo com o relatado por Henrique Valadares, ex-diretor da Odebrecht, Dimas participou, em 2008, das negociações para o pagamento de R$ 50 milhões no exterior, para que Aécio defendesse os interesses da Odebrecht nas usinas de Santo Antonio e Jirau, no Rio Madeira, em Porto Velho (RO).

Henrique Valadares chegou a contar que foi recebido em fevereiro daquele ano juntamente com o ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, no Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador de Minas Gerais, (Aécio Neves na ocasião). O assunto era o leilão que envolvia as duas usinas.

O delator contou que Aécio teria dito que Valadares seria procurado por Dimas Toledo para tratarem do pagamento. E depois da reunião, Marcelo Odebrecht teria dito a Valadares que acertou o pagamento de R$ 50 milhões para o tucano, sendo R$ 30 milhões da Odebrecht e outros R$ 20 milhões dados pela Andrade Gutierrez. De acordo com a delação, Dimas entregou a Valadares um papel com o nome de Alexandre Accioly, amigo de Aécio Neves, para que este recebesse os depósitos em uma conta de Cingapura. Accioly nega o fato.

A partir daí, os pagamentos para Aécio (codinome Mineirinho na relação de propinas) por parte das empreiteiras foi sempre via Dimas.

Reportagem da Agência Sportlight de Jornalismo Investigativo no último dia 9 mostrou que Dimas Toledo abriu uma offshore no paraíso fiscal do Panamá em pleno curso da Lava Jato.



Sobre a mesma delação, reportagem de setembro mostrou que dois anexos falam em desvio de verba do Banco do Brasil para a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).

Os anexos 10 e 39 tratam especificamente do patrocínio estatal para o vôlei brasileiro. Marcos Valério trata sobre o desvio do dinheiro que saia do Banco do Brasil e deveria ir integralmente para o patrocínio da CBV mas que, de acordo com o delator, tinha parte desviada em espécie para Ary Graça, então presidente da entidade, que, questionado na ocasião da publicação, negou.



A delação de Marcos Valério foi recusada pelo Ministério Público de Minas Gerais no ano passado. Este ano, a Polícia Federal confirmou a delação. A homologação de colaborações premiadas pela PF é alvo de controvérsia jurídica. No entanto, o caminho parece aberto para a aprovação em breve. Em votação no Supremo Tribunal Federal, o placar está em 4 x 0 para que a PF possa conduzir colaborações.

Outro lado:

A assessoria do senador Aécio Neves enviou a nota abaixo para a reportagem sobre a delação de Marcos Valério:

“São falsas as acusações feitas por Marcos Valério, condenado pela Justiça a quase 40 anos de prisão e que busca, reiterada e desesperadamente, benesses para amenizar sua pena. Muitas das acusações que agora faz contra o senador Aécio Neves, fez antes contra o PT e nunca foram provadas.

O próprio Ministério Público, em diversas oportunidades, já reconheceu e descartou declarações feitas por ele em razão da inconsistência e da falta de provas.

Com relação às falsas acusações, informamos que:

O senador Aécio Neves jamais recebeu recursos ilícitos. Todas as doações feitas às suas campanhas se deram de maneira legal e oficial, estando declarados junto ao TSE.

O engenheiro Dimas Toledo foi funcionário de Furnas por mais de 35 anos tendo ingressado na empresa, ainda na década de 60, e ocupado cargos em todos os níveis hierárquicos da estatal.

Lúcio de Castro
No Sportlight

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