5 de jan de 2018

A procura de um crime, mídia e Lava Jato demonizam filme de Lula

O ano é novo, mas as estratégias da Lava Jato para alimentar a mídia com notícias contra Lula continuam as mesmas. A conta-gotas, começam a vazar mensagens trocadas entre executivos da Odebrecht sobre o financiamento do filme "Lula, o filho do Brasil". E como a força-tarefa, aparentemente, ainda não encontrou indícios de crime nem descolou uma delação que substitua as provas nesse sentido, o jeito foi chamar atenção com um e-mail no qual um assessor de comunicação diz que a obra era "um tipo de louvação maléfico".

Quem leu a reportagem do Estadão desta sexta (5) de cabo a rabo descobriu que a opinião de quem emitiu a frase que demoniza o filme sobre Lula não tem a menor relevância para o caso. Na matéria do dia anterior, o leitor descobriu também que Marcelo Odebrecht não ofereceu nenhum vestígio de irregularidade cometida no apoio financeiro dado à produção. Preso, Antonio Palocci ficou em silêncio, muito provavelmente para valorizar o passe, já que está com dificuldade em fechar um acordo de delação.

Diz a Lava Jato que descobriu essas mensagens internas da Odebrecht num computador apreendido há quase 3 anos, mas que só foi destravado recentemente. 

Além do depoimento de Marcelo, as mensagens vazadas até agora não dizem nada comprometedor. Um dos e-mails afirma que a Odebrecht aceitou, afinal, contribuir com R$ 750 mil mas com a condição de não aparecer entre os patrocinadores do filme. Uma carta do cineasta Luiz Carlos Barreto, publicada em resposta à matéria do Estadão, denota que a imposição não foi aceita.

Já no filme "Polícia Federal - A Lei é Para Todos", todos os patrocinadores foram omitidos sem despertar nenhum interesse de investigadores ou da grande mídia sobre como e quem financiou a obra de 2017 feita em louvor da Lava Jato.

É no contexto de não querer deixar a Odebrecht aparecer entre os apoiadores que pode ser inserido o comentário do responsável pelo setor de comunicação da empresa, avaliando que a cinebiografia de Lula seria um "tipo de louvação maléfico" que acabaria como um "tiro no pé" do petista.

Foto: Reprodução/Estadão

Não seria de surpreender, dado o já conhecido modus operandi da Lava Jato, se um delator (ou aspirante a) de repente surgir com uma versão que atrela o financiamento ao projeto a uma contrapartida qualquer à Odebrecht junto aos governos petistas. De preferência, relacionada à Petrobras, porque aí a denúncia já sai com o endereço certo em Curitiba.

E se não ficar claro o ato de ofício praticado por Lula, se as contraprovas derem lugar às falas de co-réus ou se, no final de tudo, ninguém conseguir provar o que a Petrobras tinha a ver com essa história toda, será como a reprise de um filme que a gente já assistiu.



Produtor do filme sobre Lula desmonta suspeitas da Lava Jato

Luiz Carlos Barreto, um dos cineastas responsáveis pelo filme "Lula, o filho do Brasil", enviou um e-mail ao site Conversa Afiada desmontando as suspeitas criadas pela Lava Jato em concluiu com a grande mídia sobre o patrocínio da Odebrecht ao projeto.

"(...) quero deixar claro que jamais solicitamos ou nos foi oferecido qualquer espécie de tráfico de influência da área da Presidência da República junto a eventuais patrocinadores, cujos contatos foram estabelecidos diretamente pelos nossos agentes de captação", afirmou.

Em reportagens publicadas em 4 e 5 de janeiro, feitas sob a perspectiva dos investigadores, o Estadão dá a entender que a Odebrecht pode ter sido favorecida pelo governo petista em troca de doação para a realização do filme. O jornal destacou que a empreiteira não queria aparecer entre os patrocinadores, situação que, na prática, não foi aceita.

"Houve uma solicitação para que não incluíssemos o nome da empresa nos créditos do filme e dos materiais publicitários, condição essa que não foi, por nós, aceita, visto que é de praxe dar ao patrocinador, como uma das contrapartidas de seu investimento, seu logo nos créditos de apresentação do filme e também nos materiais publicitários", disse Barreto.

Ele ainda explicou que a produção não aceitou incentivos fiscais através da Lei Rouanet para não levantar polêmica de que Lula, ainda presidente, estaria sendo beneficiado por mecanismos de renúncia fiscal.

Leia, abaixo, a nota completa.

A respeito da notícia veiculada no site do jornal Estado de São Paulo (Estadão), na qualidade de responsável pela produção do filme “Lula, o filho do Brasil”, tenho a esclarecer o seguinte:

A captação de recursos necessários à realização do projeto teve como decisão central não se recorrer aos mecanismos de Renúncia Fiscal (leis Rouanet e audiovisual) para não nos acusarem de utilizar recursos públicos para contar a história de vida do Presidente Luiz Inácio (Lula) da Silva, em pleno exercício do cargo.

A partir dessa decisão principal e levando em conta o elevado custo da produção, inicialmente estimado entre 10 e 12 milhões de reais, tomamos outra importante decisão: não concentrar a nossa captação em poucos patrocinadores, pulverizando ao máximo a captação.

Esta nova decisão nos causou um alongamento no tempo para realizar as captações, todas registradas em contratos e devidamente documentadas.

No caso da Odebrecht, houve uma solicitação para que não incluíssemos o nome da empresa nos créditos do filme e dos materiais publicitários, condição essa que não foi, por nós, aceita, visto que é de praxe dar ao patrocinador, como uma das contrapartidas de seu investimento, seu logo nos créditos de apresentação do filme e também nos materiais publicitários.

Elucidadas essas questões, quero deixar claro que jamais solicitamos ou nos foi oferecido qualquer espécie de tráfico de influência da área da Presidência da República junto a eventuais patrocinadores, cujos contatos foram estabelecidos diretamente pelos nossos agentes de captação. Portanto, se alguém se arvorou em cobrar apoio à Odebrecht para o filme, o fez por sua auto-recreação.

Abaixo, segue a lista de patrocinadores, co-produtores e apoiadores do filme Lula, o Filho do Brasil, todos devidamente creditados no longa e nos materiais de divulgação.

Patrocinadores: Senai; Camargo Correia; GDF Suez; EBX; OAS; Brahma; Volkswagen; Odebrecht; Souza Cruz; JBS; Hyundai; Estre Ambiental S/A.

Co-Produtores: Globo Filmes; Tele-Imagem; Locall; EspaçoZ; Intervideodigital; Europa Filmes; Downtown Filmes.

Apoiadores: Ticket; Oi.

Luiz Carlos Barreto



A Lava Jato também vai investigar a Globo Filmes, co-produtora do filme de Lula?

À medida em que se aproxima o dia 24, a Lava Jato vai desencavando novas “denúncias” sobre Lula. Agora é o filme “O Filho do Brasil”, produzido por Luiz Carlos Barreto, o “Barretão”.

A PF investiga o financiamento. De acordo com o Estadão, Antonio Palocci e Marcelo Odebrecht foram chamados para prestar depoimento sobre a cinebiografia, que estreou em janeiro de 2010 e custou cerca de R$ 12 milhões.

Em dezembro, Palocci foi interrogado pelo delegado Filipe Hille Pace, relata o Estadão (Pace é aquele que afirmou na lata que Lula é o “Amigo” que aparece nas planilhas da empreiteira).

O ex-ministro declarou que “deseja colaborar na elucidação de tais fatos”, mas que naquele momento ficaria em silêncio. Valorizou o passe.

A Polícia Federal apresentou a Marcelo Odebrecht e-mails extraídos do seu computador no período de 7 de julho e 12 de novembro de 2008.

Num deles, ele se dirige aos executivos Alexandrino Alencar e Pedro Novis, também delatores.

“O italiano me perguntou sobre como anda nosso apoio ao filme de Lula, comentei nossa opinião (com a qual concorda) e disse que AA tinha acertado a mesma com o seminarista, mas adiantei que se tivermos nos comprometido com algo, seria sem aparecer o nosso nome. Parece que ele vai coordenar/apoiar a captação de recursos”, escreveu.

Não fica claro o que isso tudo significa — mas a ideia é essa, mesmo. Entra na conta do grande acordo satânico. Depois enfia num powerpoint e um abraço.

A participação da Odebrecht é sabida desde 2009.

A revista Época deu matéria sobre o longa, falando que “pelo menos dez empresas se comprometeram com a superprodução. É uma seleção de peso do Produto Interno Bruto. (…) São elas: AmBev, Camargo Corrêa, Embraer, GDF Suez, Nestlé, OAS, Odebrecht, Oi e Volkswagen. O empresário Eike Batista, do Grupo EBX, também faz parte da lista”.

O email de Marcelo Odebrecht deve servir, ao menos, para saber se o “italiano” é, de fato, Palocci. Basta descobrir quem estava ajudando na captação e foi responsável por pedir o patrocínio.

Segundo Barreto, a Globo Filmes é co produtora. Vai ser investigada também?

É difícil imaginar Palocci interessado em cinema. A não ser que o acordo de delação seja dos bons. Aí ele topa falar que o Kadafi fez uma ponta numa cena.

Kiko Nogueira

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