17 de jan de 2018

A disputa pela CEF e o bilionário Miguel Ethel


A disputa pelas vice-presidências da Caixa Econômica Federal (CEF) remete a um velho personagem, dos tempos de José Sarney: Miguel Ethel Sobrinho.

No governo Sarney, Ethel dirigiu a Diretoria de Hipotecas da CEF, até então um modesto economista do Investbanco — banco de investimentos criado por Roberto Campos, que revelou bons quadros, mas teve vida curta.

Ethel tornou-se amigo íntimo de Jorge Murad. Genro de Sarney. Quando ainda trabalhava no Investbanco, no atual prédio da Bolsa de Mercadorias, se vestia mal, andava sempre com a barba por fazer. Mas, por trás dos modos descuidados, havia um operador espertíssimo.

Até hoje mantém influência no BNDES, ANEEL, Sudam e Anatel. Na CEF, foi fundamental para a expansão do grupo Jereissatti, financiando a construção de diversos shoppings centers.

Depois, assumiu a presidência do La Fonte Participações S/A, a holding da familia Jereissatti. Conseguiu participar do leilão de privatização da telefonia sem dispender um centavo. O lance foi emprestado pelo BNDES, através da aquisição de debêntures da La Fonte, emitidas com essa finalidade.

Hoje em dia, Ethel é sócios de diversos shoppings, tem negócios com o notório ex-senador Gilberto Miranda, e uma fortuna estimada em mais de um bilhão de reais.

Um de seus passatempos favoritos são as viagens de fim-de-semana a Paris, apenas para jantar. É fanático por gastronomia e vinhos.

Tudo isso vêm à tona devido à disputa pelos cargos de vice-presidente da CEF. A Diretoria Hipotecária foi dividida entre as vice-presidências. Mas a lógica continua a mesma: morder.

Luís Nassif
No GGN

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