25 de dez de 2017

Dallagnol e as igrejas batistas: como o fundamentalismo religioso-político do PR é bancado com dinheiro público

O procurador Deltan Dallagnol, da Igreja Batista do Bacacheri, em Curitiba
Recebemos o seguinte email a respeito da matéria sobre a influência das igrejas batistas de Curitiba sobre o procurador Deltan Dallagnol e seus homens da Lava Jato:

Li há pouco por indicação de uma amiga o excelente artigo sobre o antipetismo das igrejas batistas. Como sou ligada às pessoas de Curitiba, peço sigilo sobre meu nome porque posso perder meu emprego. Conheço bem as pessoas envolvidas e elas podem facilmente me identificar, pelos motivos que ficarão evidentes a seguir.

1) Os seminários é que disseminam o fundamentalismo de inspiração fascista. 

2) Há pouco mais de uma dúzia de casos, mas só para citar o exemplo central, dentre os mais críticos: a Faculdade Teológica Batista do Paraná (situada na av. Silva Jardim, 1859, Curitiba). Centro do fundamentalismo fascista (ser antipetista é o de menos), esse seminário batista é uma dessas instituições que aproveitam a brecha de uma fiscalização rarefeita para, mediante um verniz de pesquisa científica, obter dinheiro público através de bolsas de estudo e demais subsídios. Digo e provo, pois de acordo com a Portaria Normativa/MEC nº 17, de 28 de dezembro de 2009, que dispõe sobre o mestrado profissional no âmbito da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes): “O corpo docente do curso deve ser altamente qualificado, conforme demonstrado pela produção intelectual constituída por publicações específicas”.

3) Ora, com financiamento também vindo dos EUA, através de missionários americanos, o seminário tem função eminentemente política, de extrema direita. O mestrado é tanto uma isca quanto uma espécie de legitimação para doutrinação. A referida instituição religiosa não atende minimamente aos critérios exigidos pela portaria, conforme qualquer um pode facilmente verificar, inclusive porque os dados estão disponíveis no próprio site da instituição (http://ftbp.com.br/). A relação de docentes possui um link direcionado para os currículos lattes, o que permite livre exame aos interessados, e a conseqüente constatação dos fatos.

4) O problema é que há docentes inaptos, segundo o nível de excelência exigido pela Capes. Os fraquíssimos registros acadêmicos do Diretor Geral, Jaziel Guerreiro, somente chamam à atenção pelo tom folclórico, sobretudo pelo título de sua pesquisa de doutoramento: “Sai, Satanás”. Mas os problemas são mais amplos. Luiz Roberto Soares Silvado, cujo suposto doutorado é também um curso livre com nome fantasia de “doutorado”. A qualificada produção intelectual dos docentes desse “Mestrado Profissional”, preconizada pela Capes, por sua vez é inexistente. Soares Silvado lista, como produção científica mais recente, um livro de “Esboços de Sermões” (“é pastor coordenador geral da Igreja Batista” segundo a apresentação do Lattes). Como “trabalhos completos publicados em anais de congressos”, importante item de avaliação para o CNPq, indica publicação de uma devoção religiosa no “Congresso da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil”. Mark Alan Ellis ainda é pior, pois não tem publicação alguma de qualquer espécie. E muitos outros seguem no mesmo nível.

5) Outro ponto interessante de análise é que as poucas publicações dos demais professores desse corpo docente em revistas, aspecto mais valorizado pela Capes, são os artigos na revista “Via Teológica” (ISSN 1676-0131), justamente a revista cujos editores e membros da comissão editorial são em grande parte os próprios docentes do programa de mestrado da Faculdade Teológica Batista do Paraná! Trata-se, portanto, não de um rigoroso programa de estudos, mas de um mecanismo endógeno marcado pelo “compromisso doutrinário com a Convenção Batista Paranaense” (conforme as instruções dadas aos interessados em submeter, subscrever e publicar artigos, vide http://ftbp.com.br/viateologica/?page_id=8).

6) O oportunismo desse grupo de bispos e obreiros, com expressiva participação de missionários norte-americanos, em obter vultosa verba da Capes (dinheiro público, portanto), sob o simulacro de programa de mestrado, contudo, é apenas um detalhe. Esses seminários, com o protagonismo desse, do Paraná, é que forjam os pastores que reproduzem, como as escolas islâmicas xiitas e wahabitas, o radicalismo de direita. Isso precisa ser denunciado.

7) O problema maior, contudo, é que isso é induzido de fora. Vale a pena consultar o lattes dos americanos, que possuem ligações com pessoas do partido republicano, dos EUA. Tudo é inconsistente nesses sujeitos (que podem até ter contato direto com agências americanas CIA, mas não tenho como provar).

8) O currículo de Alan Doyle indica um docente cujo mestrado foi obtido sem defesa de dissertação e um doutorado validado a posteriori; caso também de David Allen Bledsoe, “um orientador de Trabalhos de Conclusão de Curso no Mestrado Profissional”, que possivelmente pleiteia titulação com cursos supostamente de doutorado sem reconhecimento formal no Brasil (embora cite a PUC, no Lattes). É amplamente conhecido o fato de que agremiações fundamentalistas americanas oferecem cursos rápidos de extensão com título de Ph.D. Esses problemas também ocorrem, sem querer esmiuçar muito, com Mark Alan Ellis, um docente sem mestrado e com doutorado emitido por uma instituição não-reconhecida pela Capes (esse é que deveria ser alvo de um jornalista investigativo, suspeito isso pelas coisas que ele diz).

9) Já estou me estendendo muito. Meu objetivo não é detalhar nada, mas apenas mostrar que “embaixo desse angu tem caroço”. Minha experiência in loco diz, no entanto, que a disseminação fascista nasce nos seminários. 

10) Não precisa ser detetive para ver que a aprovação desse curso junto a CAPES/MEC foi irregular. Políticos de Curitiba ajudaram (e, conforme falam, até o Magno Malta que é batista também). Para uma denúncia sobre o fisiologismo nos processos de avaliação da Capes vale a pena ler a crítica do professor Alfredo Storck (UFRGS) à nomeação do Coordenador da Área Filosofia/Teologia da CAPES, no site da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof): “Para que as avaliações trienais transcorram no clima de serenidade e confiança de que necessitam, faz-se necessário o respeito tanto às regras formais que norteiam o processo de indicação de coordenadores quanto o respeito às práticas tradicionamente reconhecidas pelas comunidades acadêmicas. Quebras inesperadas e de expectativas apenas geram insegurança quanto ao respeito futuro das decisões das áreas e em nada contribuem para fazer avançar o sistema de avaliação.”


dallagnol foto
Dallagnol na igreja

Kiko Nogueira
No DCM
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Fé demais não cheira bem: como as igrejas evangélicas lavam dinheiro


O uso de igrejas como canal de lavagem de dinheiro não é propriamente uma novidade. Mas, com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o depósito de R$ 250 mil numa conta da Assembleia de Deus, a lavagem de dinheiro alcançou uma igreja tradicional, fundada no Brasil há mais de cem anos.

“É impossível auditar as doações dos fiéis. E isso é ideal para quem precisa camuflar o aumento de sua renda, escapar da tributação e lavar dinheiro do crime organizado”, diz o desembargador Fausto de Sanctis, aquele da operação Satiagraha, um dos maiores especialistas brasileiros estudos sobre lavagem de dinheiro.

O desembargador De Sanctis lançou nos Estados Unidos uma obra sobre o tema: “Churches, Temples, and Financial Crimes”  – A Judicial Perspective of the Abuse of Faith (Igrejas, Templos e Crimes financeiros – Uma perspectiva judicial do abuso de fé).

A obra ainda não foi traduzida para o português, mas trata das investigações policiais realizadas no Brasil, entre elas a da Universal do Reino de Deus, a Igreja Mundial do Poder de Deus e a Renascer em Cristo, igrejas grandes, mas com menos de 40 anos de história.

O dono de uma grande incorporadora de Santana, Zona Norte de São Paulo, contou-me que há alguns anos vendeu uma cobertura para o líder da Igreja Deus É Amor e teve muito trabalho, não para receber, porque o pastor pagou em dinheiro vivo, mas para passar a escritura no nome dele.

“Ele não queria de jeito nenhum. Passaram-se alguns anos até que eu disse: pastor, não dá mais”, contou o empresário. Só assim a cobertura saiu do nome da incorporadora e foi para o do pastor David Miranda, falecido recentemente.

O poder das igrejas tem levado a disputas ferrenhas, no caso daquelas que promovem algum tipo de processo eleitoral para escolher sua direção.

Um pastor com direito a voto numa grande igreja evangélica me disse que, quando havia eleição, evitava beber água no local de votação, com medo de que algum adversário tivesse colocado sonífero.

Na igreja de Eduardo Cunha, este problema não existe mais. Manuel Ferreira, líder nacional da Assembleia de Deus – Ministério Madureira, mudou o estatuto há alguns anos e transformou a presidência num cargo vitalício.

Assim, ele e os filhos — Abner, que comanda a igreja no Rio de Janeiro, e Samuel Ferreira, o chefe em São Paulo –, só deixarão o posto depois de mortos e serão sucedidos pelos filhos.

A vitaliciedade e hereditariedade não impedem que os Ferreira participem ativamente da atividade democrática externa. Um missionário da igreja, Samuel Aragão, gravou um vídeo em que diz que o apoio nas eleições é em troca de cargos no governo e de outras vantagens.

Em 2012, na eleição para vereador, Samuel Ferreira dividiu São Paulo em regiões e as entregou a candidatos de vários partidos, nem todos evangélicos. Em 2014, a igreja fez campanha para alguns deputados federais. No Rio de Janeiro, um deles era Eduardo Cunha.

Samuel Ferreira se apresenta com roupas de grifes e, em seus deslocamentos pelo Brasil, utiliza avião particular, nada de voos comerciais. Há 10 anos, Ferreira era o responsável pela igreja em Campinas.

Ganhou poder, ao ser escolhido para governar a igreja no Estado, e perdeu peso, com uma redução no estômago que eliminou metade dos seus quase 150 quilos. Em Campinas, quem manda agora é o filho, nomeado pastor, apesar de bastante jovem.

Com mais de cem anos de história, a Assembleia de Deus comandada pela família Ferreira é uma dissidência da Assembleia de Deus original, chamada Missão.

Nesta Assembleia de Deus, existe eleição, mas desde 1988 ninguém bate o pastor José Wellington. Dois filhos de José Wellington estão na política. A filha é deputada estadual em São Paulo e o filho, deputado federal.

“O que as lideranças das igrejas querem é o poder, e nenhuma aliança na Assembleia de Deus é feita de graça”, contou-me ex-deputado federal eleito muitas vezes com o apoio das igrejas evangélicas.

A promiscuidade das igrejas com o poder não é exclusiva do universo evangélico. Nessa história, se feito um exame de DNA, a paternidade será encontrada na Igreja Católica – até porque é muito mais antiga –, citada no livro do desembargador Fausto de Sanctis sobre lavagem de dinheiro por causa do escândalo do banco do Vaticano.

O papa Francisco fez lá uma limpa recentemente. Mas essa limpeza vai durar até quando?  Num ambiente religioso, a fé pode não mover montanhas, mas é usada para comprar todo tipo de riquezas.

Serve também para vender o voto do eleitor, e agora, como indica o depósito da propina na conta da Assembleia de Deus, negociar o poder de lavar mais branco.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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A maior mentira da Humanidade


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Globo vai perder a exclusividade já na Copa de 2022

"O que diabos você está fazendo? Não vai votar no Catar?"

O constrangido Blatter na cerimônia que "definiu" o Catar como sede da Copa 2022. Vão agradecer à Globo na festa de abertura?
O Conversa Afiada acompanha com atenção os desdobramentos do escândalo da MaFifa, no qual a Globo está enterrada dos pés à cabeça.

Na última sexta-feira, 22XII, a Justiça dos EUA condenou o ex-presidente da CBF José Maria Marin em seis das sete acusações movidas contra ele.

Marin é aquele que a Globo subornou com a inestimável ajuda de Marcelo Campos Pinto.

Como contou Jamil Chade no Estadão, ao ser surpreendido pela polícia em seu quarto de hotel em Zurique, na Suíça, em maio de 2015, Marin ouviu dos agentes que a mala que ele estava preparando seria pequena demais. "Faça uma maior. Existe o risco de que isso não termine muito cedo".

É certo entre os investigadores que a condenação de Marin anuncia um inferno para Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero.

Mas, e a Globo?

Neste domingo, 24/XII, David Conn traz no Guardian novos detalhes sobre como os dirigentes sulamericanos fizeram lobby para escolher o Catar como sede da Copa do Mundo de 2022, em esquema regado a propina paga por emissoras de TV (quais emissoras, amigo navegante? Ó, dúvida cruel...):

As revelações mais surpreendentes e tentadoras do julgamento da Fifa no Brooklyn, em Nova York, não têm nada a ver com a condenação de dois dos três réus na última sexta-feira. Eles eram peixes pequenos diante dos tubarões dos negócios envolvendo o futebol.

Com muitas evidências vivas de suborno endêmico na venda de direitos de televisão para campeonatos da América do Sul, essa realidade miserável já havia sido admitida por 23 executivos do futebol nas Américas.

Ainda assim, quase ao mesmo tempo, um dos réus revelou que importantes barões do futebol sulamericano ligados à Fifa receberam propinas para votar a favor do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022. As alegações foram deixadas de lado, levando apenas a mais perguntas, no momento em que os réus José Maria Marin e Juan Ángel Napout, condenados por terem recebido propina por acordos com TVs da América do Sul, aguardavam para receber suas sentenças e o juri continuava a deliberar sobre o terceiro réu, Manuel Burga.

As denúncias sobre o Catar foram feitas anteriormente a partir de evidências mostradas por Alejandro Burzaco, um dos executivos envolvidos na negociação dos direitos de transmissão, preso pelas autoridades dos Estados Unidos após se declarar culpado pelo pagamento de propina a dirigentes de futebol. As revelações de Burzaco foram fundamentais para condenar Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Napout, paraguaio e ex-presidente da Confederação Sulamericana de Futebol, a Conmebol. Eles foram considerados culpados por receber propina pela negociação dos direitos de transmissão da Copa América e da Copa Libertadores - além disso, no caso de Marin, a Copa do Brasil.

Mas Burzaco também declarou que um dos mais importantes executivos da Fifa, Julio Grondona, presidente da Federação Argentina de 1979 até a sua morte, ainda no cargo, em 2014, era especialmente corrupto. Burzaco disse que enquanto ele estava distribuindo propinas em 2011 para a Copa América, Grondona disse que ele deveria ter mais R$ 1 milhão, que deveriam ir para a o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

(...) Burzaco disse ter viajado para a votação (de escolha da sede da Copa-2022) em dezembro de 2010 com Grondona, Teixeira e o paraguaio Nicolás Leoz, presidente da Conmebol por 27 anos, e não era "nenhum segredo" que todos eles votariam no Catar. Ele afirmou no depoimento que durante os primeiros momentos da votação Grondona e Teixeira repreenderam Leoz, dizendo: "O que diabos você está fazendo? Não vai votar pelo Catar?" Leoz, então, votou pelo Catar, de acordo com Burzaco. Ele também disse que Grondona estava irritado com reportagens adversas e que ele [Burzaco] tinha visto seu compatriota exigir que executivos do Catar pagassem $80 milhões ou escrevessem uma carta atestando que nunca pagaram propina a ele.

(...) Marin foi presidente da CBF por três anos, tendo assumido o controle em março de 2012 no lugar de Teixeira, que pode ser condenado com muito mais rigor por montanhosos recebimentos de propina. Genro de João Havelange, um corrupto brasileiro que foi presidente da Fifa de 1974 a 1998, Teixeira, que se agarrou ao comando da CBF por 23 anos, sempre negou ter cometido qualquer crime e continua em seu país sem qualquer intenção de encarar a justiça dos EUA.

(...) Outro peixe grande que ainda está fora de alcance, mas tem seu nome nas acusações, é Jack Warner, que por 21 anos foi presidente da Concacaf, responsável pelo futebol nas Américas do Norte e Central e no Caribe.

O resultado dessas denúncias terríveis segue desconhecido, assim como as novas acusações de que Leoz, Teixeira e Grodona receberam propinas para votar a favor do Catar.

A questão-chave é se essas evidências, oferecidas quase de passagem em uma corte do Brooklyn, têm bases sólidas ou são apenas uma anedota de segunda mão sobre um barão da Fifa que não está vivo para responder. E se o FBI, que agora acrescentou duas condenações à lista de 23 culpados, continuará a investigação.
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Clã Sarney afunda no Maranhão

Nos últimos três anos, o Maranhão passa por sensíveis transformações. Classificado historicamente como um Estado com piores índices de desenvolvimento humano no país, ele presencia a construção de escolas dignas onde antes existiam salas degradadas. Um projeto ousado de alfabetização, em parceria com o MST, permite que as pessoas possam finalmente ler e escrever. Obras são inauguradas todos os meses levando infraestrutura aos municípios antes abandonados. O resultado destas e de outras mudanças impactam o imaginário popular e tem garantido altos índices de aprovação ao governador Flávio Dino (PCdoB), que nas eleições de outubro de 2014 obteve um feito histórico ao derrotar a oligarquia medieval e fisiológica de José Sarney.

Outro efeito já desponta com a aproximação do pleito do próximo ano. O clã Sarney, sempre tão poderoso e autoritário, começa a definhar. Reportagem publicada neste domingo (24) pela Folha apresenta um cenário alentador para a continuidade dos avanços no Estado. “A eleição de 2018 ruma para ser um divisor de águas na história do Maranhão. Depois de meio século de influência política, o clã Sarney tentará retornar ao Palácio dos Leões vendo sua base derreter e aliados históricos debandarem em razão das derrotas nas últimas duas campanhas. Sinal dos tempos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve apoiar o nome de José Sarney (MDB) para fazer frente ao que pode se tornar o ocaso de sua era”, relata a jornalista Thais Bilenky.

“Em uma demonstração de que a família chega a essa encruzilhada sem sucessores à altura, José Sarney precisou convencer seu principal ativo, a filha, Roseana, a disputar o governo. O cenário para ela é adverso. Dos 217 municípios, Dino conta com o apoio de 180 prefeitos. Quadros historicamente ligados a Sarney, como o ex-ministro Gastão Vieira e os deputados Pedro Fernandes (PTB), Cleber Verde (PRB) e André Fufuca (PP) estão com o governador”. A matéria aponta que, diante das dificuldades, o velho cacique também deverá apostar em outras candidaturas para pulverizar a disputa e provocar o segundo turno. “Outros nomes afinados com o ex-presidente prometem surgir até junho, quando Roseana terá de formalizar se é de fato candidata ou não”.

A derrota do nepotismo

A mesma repórter, em outra matéria, apresenta elementos que demonstram a rápida deterioração do poder do clã Sarney. “Em uma demonstração do momento de virada na política maranhense, o Tribunal de Justiça do Estado quebrou uma tradição de décadas e não apontou a desembargadora Nelma Sarney para a sua presidência. Por ser a mais antiga da corte, a juíza, casada com Ronald, irmão do ex-presidente José Sarney, esperava ser aclamada presidente para o biênio 2018-2019, mas foi surpreendida pela candidatura de José Joaquim Figueiredo dos Anjos, anunciada pouco antes da eleição, em outubro. Em votação secreta, ele obteve apoio de 16 colegas, ela de dez. Um se absteve”. O resultado é mais um indicador do enfraquecimento da oligarquia no Estado.

“Ex-presidente do TRE-MA (Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão), em 2009, a desembargadora Nelma Sarney tem contra si seis processos no CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Em um deles, de setembro, a Corregedoria Nacional de Justiça a questiona por suposto nepotismo ao ter votado na eleição do juiz do TRE na vaga da classe de advogado, em que concorreu Frederico Augusto Costa Lima, sobrinho de seu marido. A eleição interna foi questionada no Tribunal Superior Eleitoral inicialmente porque os outros dois candidatos não se enquadravam nos critérios da disputa, uma por não ter dez anos de advocacia e o outro por ter parentesco com desembargador. No TSE, o ministro Herman Benjamin, porém, constatou que, na verdade, os três cotados eram inaptos para o cargo por nepotismo – dois sobrinhos e uma filha de juízes”.

Altamiro Borges
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Xadrez das organizações que dominam o Rio de Janeiro


Vítima do clima persecutório que tomou conta da Justiça, após a manipulação política da Lava Jato, paradoxalmente o ex-governador fluminense Anthony Garotinho é o exemplo mais clamoroso da relevância da justiça federal – e do Ministério Público Federal – contra o crime organizado incrustado nos poderes de alguns estados.

O desabafo que fez nas redes sociais, na tarde de sábado, é a manifestação mais completa, até agora, sobre a tomada do Rio de Janeiro por uma aliança política que junta todos os poderes e a mídia.


Pelo retrato traçado por Garotinho, o crime organizado se instalou no Executivo estadual, através do ex-governador Sérgio Cabral; espalhou-se pelo Legislativo, pelas mãos de Jorge Picciani; foi blindado no Judiciário, pela influência do desembargador Luiz Zveitter e pela prevaricação do Ministério Público Estadual; tudo isso sob a proteção incondicional das Organizações Globo.

Trata-se de um depoimento essencial por dois motivos.

Primeiro, pelo fato de Garotinho ter começado a denunciar o esquema em 2012, não sendo levado a sério. Todas suas denúncias revelaram-se corretas.

Depois, porque Garotinho diz possuir provas documentais do que fala. Partindo de quem está sendo alvo de uma pesadíssima campanha persecutória, movida pelos poderes estaduais, é duvidoso que esteja blefando.

Suas denúncias atingem os seguintes personagens:

Sérgio Cabral

Em 2012, na CPMI de Carlinhos Cachoeira, Garotinho tentou incluir Sérgio Cabral, apontando-o como beneficiário das propinas da construtora Delta, de Fernando Cavendish. Não logrou êxito, nem quando entrou com uma queixa-crime contra Cabral.

Instalada no Rio de Janeiro, as Organizações Globo passaram todo o período desqualificando a CPMI, para proteger Roberto Civita, o dono da Abril que se meteu em parcerias criminosas com o bicheiro Cachoeira, e o próprio Cabral. Tanto que, na época, seu nome pouco aparece.

A blindagem a Cabral só caiu quando houve um acidente de helicóptero. E, no celular de uma das vítimas, estavam as fotos da chamada “gang dos guardanapos” celebrando em um restaurante fino de Paris a compra das Olimpíadas. As fotos se constituíram no documento mais expressivo desses tempos de corrupção.

Luiz Zveitter e o Tribunal de Justiça

Em 2012, ainda, foi divulgado um áudio de conversa de Cavendish, jactando-se de comprar políticos, senadores e magistrados. Afirmava que nunca seria preso porque pagava propinas em todas as obras, inclusive nas obras do Tribunal de Justiça do Rio.

Garotinho conta ter ido atrás do contrato da obra. Assinaram, pela Delta Dionisio Gonzaga, e pelo TJ o presidente Luiz Zveitter, o poderoso desembargador considerado unha e carne com a Globo.

Garotinho teria solicitado, então, ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) um relatório sobre a obra. Recebeu com conclusões contundentes. Apontava superfaturamento, anotava que o edital não passou pelo crivo da assessoria jurídica do Tribunal, havia indícios de fraude fiscal e tributária. E – principalmente – sinais claros de que a licitação era dirigida para a Delta.

O edital foi aprovado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), antes de cinco dos conselheiros serem afastados por suspeita de corrupção. Mas técnicos do Tribunal apresentaram voto divergente apontando:

·      Pagamento de R$ 33 milhões a mais do que o que havia sido contratado;

·      Vários itens pagos não haviam sido realizados.

·      Alguns itens foram atestados como concluídos sem estarem.

As obras foram bancadas por dinheiro do fundo do TJ do Rio, implantado pelo próprio Garotinho em sua gestão.

As represálias teriam ocorrido imediatamente. Temendo que protocolasse a denúncia, uma pessoa procurou Garotinho, em nome de Zveitter. Teria sido recebida, segundo Garotinho, para preservar imagem de pessoas que poderiam ser inocentes, já que Cavendish citava Ministros, desembargadores e juízes.

Posteriormente, Cavendish reiterou as denúncias, mas desta vez em delação premiada. Até hoje não houve um desdobramento sequer delas.

Como represália, por duas vezes a Justiça do Rio tentou cassar sua esposa Rosinha, prefeita de Campos. A primeira tentativa foi derrubada por liminar do Ministro Og Fernandes; a segunda, por liminar de Herman Benjamin.

Não é coincidência que, após ter denunciado o esquema de Campos, na primeira ação julgada pelo Tribunal do Rio de Janeiro, eu tenha sido condenado pelo desembargador Cleber Ghelfenstein por difamação contra... Eduardo Cunha. Segundo o magistrado, eu teria equiparado Cunha a sonegadores.

Montaram, então, um esquema pesado em Campos – já descrito pelo GGN em reportagens do ano passado. Dois juízes de direito, um delegado da Polícia Federal e um policial civil aposentado seriam os integrantes da organização acionada por Zveitter. Sobre eles, se falará mais abaixo.

A Operação Chequinho

Primeiro, deflagram a Operação Chequinho, visando encontrar irregularidades na distribuição do cheque – um programa para famílias pobres que antecedeu o próprio Bolsa Família. Resultou na prisão de Garotinho. A violência com que ocorreu a prisão, com Garotinho sendo arrancado à força de um hospital, chamou atenção para o juiz Glaucenir Silva de Oliveira, uma dessas bestas-feras que o punitivismo deixou à solta. E não apenas para ele, mas para a crueldade ímpar com que a Globo e alguns de seus jornalistas – como Arthur Xexéo - fuzilaram a família Garotinho, não poupando sequer as lágrimas da filha.

Segundo narrou Garotinho, na operação Chequinho o delegado Cassiano entrava da casa de beneficiários do programa, de bermudas, fazendo por lá mesmo as oitivas. Não permitia à pessoa entrar em contato com advogado, em ficar calada. Segundo ele, quando o processo saiu das mãos do juiz Ralph Manhães, várias dessas testemunhas, cidadãos humildes, declararam ter sido coagidas, muitas delas assinando os depoimentos sem terem lidas. O delegado saia da casa das pessoas, ia à lan houve, imprimia os documentos e as constrangia a assinar.

A alegação do juiz Glaucenir, para a truculência contra Garotinho, foi a de que um emissário dele o teria procurado com uma proposta de suborno. Garotinho abriu um processo contra o juiz, que não conseguiu provar o ocorrido.

Mesmo processando e sendo processado por Garotinho, Glaucenir não se deu por impedido de julgá-lo novamente.

A operação Caixa Dágua

A segunda investida foi na chamada Operação Caixa D´Agua, um monumento à arbitrariedade.

A operação nasceu de uma delação, acusando Garotinho de receber R$ 3 milhões da JBS, através do caixa 2. A denúncia foi feita pelo promotor eleitoral. Nela, ignorou completamente o fato de que foi doação oficial para o PR, registrada no site do Tribunal Regional Eleitoral, com dados sobre o número do cheque e o valor – no vídeo, Garotinho mostra os dados oficiais. Depois, a doação foi repassada para Garotinho, tudo de modo oficial.

O promotor fez uma falsa denúncia, desconsiderando as informações oficiais do TRE, encaminhou ao mesmo juiz Glaucenir, que endossou a acusação. Não havia uma informação sobre contrapartidas, indícios de crime alguma. Apenas um delator e uma falsa denúncia. E levou à prisão de Garotinho e da esposa Rosinha.

Segundo Garotinho, o delator tinha negócios com a prefeitura, na gestão do seu adversário político, prefeito Rafael Diniz.

Na delação, acusou Garotinho de ter recebido doações não declaradas nas eleições de 2010, 2012 e 2016. Segundo Garotinho, na mesma delação ele informava não se lembrar dos doadores nem dos valores. Nem tinha documentos para embasar as acusações.

Mesmo assim, foi arrancado do programa que mantem na rádio Tupi Pelo delegado federal Paulo Cassiano.

Os personagens do jogo

Após o episódio traumático da prisão de Garotinho, sendo retirado à força de um hospital onde tratava de problemas cardíacos, sob cobertura total da Globo, com Xexeo ridicularizando até o choro da filha, o GGN resolveu investigar o caso.

Em um conjunto de matérias (clique aqui) levantamos os antecedentes e desdobramentos daquela operação destrambelhada. E encontramos um jogo complexo, de estruturas políticas controlando a prefeitura de Campos, envolvendo o prefeito, dois juízes de direito, um promotor de Justiça, um delegado da Polícia Federal e um policial civil aposentado, todos de valendo das prerrogativas do cargo, sem serem submetidos a nenhuma espécie de controle das instâncias superiores – comprovando uma ofensiva verticalizada contra Garotinho, iniciando nas autoridades municipais e se desdobrando nos órgãos superiores do estado até bater no guarda-chuva maior das Organizações Globo.

O jogo começava com o procurador eleitoral que fazia a denúncia, que era aceita pelo juiz Glaucenir. Este tomava a decisão de mandar prender Garotinho e, depois, passava o caso para o juiz estadual Ralph Manhães, acompanhado do promotor Leandro Manhães.

Como era supostamente crime eleitoral, de âmbito federal, as investigações eram realizadas pelo delegado federal Paulo Cassiano.

Segundo informações apresentadas por Garotinho nas redes sociais:

1.     O delegado Cassiano tem irmão e irmã em cargos de confiança na gestão atual de Campos, do prefeito Rafael Diniz. Foi denunciado à corregedoria da PF, sem que nenhuma medida tenha sido tomada.

2.     A delação que o incriminou foi homologada no dia 17 de novembro. A sentença saiu no mesmo dia. No dia 14 de novembro, a empresa do delator teria obtido da prefeitura o quinto aditivo a um contrato, no valor de R$ 2,7 milhões. Ao longo do ano, recebeu mais de R$ 5 milhões a título de reformas de escola e creche.

3.     Desde 2015, o promotor Leandro Manhães responde a procedimento de investigação criminal no âmbito do MPE – sem que nenhuma medida tenha sido tomada até agora.  Segundo Garotinho, relatório do serviço de inteligência da Polícia Civil o teria apontado como verdadeiro dono do Patio Norte, empresa responsável pela remoção de veículos acidentados e por leilões judiciais da cidade. Na gestão Rosinha, a empresa foi devolvida ao município. Com Rafael Diniz, entregue novamente ao esquema. Em 2015 Garotinho informou o MPE das irregularidades. Nenhuma providência foi tomada, sequer gerando impedimento da atuação de Leandro contra a pessoa que o denunciou.

Ex-prefeito Eduardo Paes

A metralhadora giratória de Garotinho não se deteve apenas no grupo que o ataca. Segundo ele, dispõe de documentação mostrando conta do ex-prefeito Eduardo Paes no Panamá, tendo o pai como laranja. A conta teria saldo de US$ 8 milhões.

A corrupção de Paes teria ocorrido através das organizações sociais da saúde e dos gastos com as Olimpíadas – muito maiores do que os gastos do estado.

O PF José Mariano Beltrame

Não escapa da denúncia nem o ex-Secretário de Segurança de Cabral, José Mariano Beltrame, ex-integrante da inteligência da Polícia Federal. Garotinho o acusa de uma compra de veículos para a Polícia Militar, modelo Gol, cada qual saindo por R$ 150 mil. No mesmo período, caminhonete top de linha custava R$ 120 mil.

A compra foi feita contra parecer jurídico da própria Secretaria de Segurança.

Organizações Globo

Garotinho diz que, quando o deteve, a PF o conduziu em um carro não caracterizado, com policiais com roupas comuns. E eles teriam retido vários pen drives que ele trazia consigo.

Um dos pen drives conteria a íntegra da delação premiada de J. Hawila ao FBI. Segundo Garotinho, haveria vários documentos comprovando o envolvimento direto da família Marinho com o suborno de dirigentes esportivos.

A Globo e as armas do deboche


Em 2004, uma jovem procuradora   com uma ação contra a Globo, obrigando-a a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta, por informações distorcidas sobre crianças com deficiência em suas novelas.

Foi alvo de duas colunas de Xexéo tentando desmoralizá-la. A procuradora reagiu, e ameaçou processar Xexéo. De dentro da própria Globo, recebeu o recado de seu porta-voz:

- Cuidado que Xexéo tem espaço no jornal e se especializou em transformar pessoas em personagens grotescos, como fez com Rosinha Garotinho.

Foi o que fez com a filha do casal Garotinho, Larissa, zombando das lágrimas de uma filha pela situação a que estava exposto o pai.

As lições do caso

A Lava Jato e o movimento do impeachment colocaram nas mãos da Globo um poder absoluto. Com o mero controle das manchetes e da cobertura do Jornal Nacional, com a capacidade de retaliar ou de premiar, a Globo se tornou uma influência decisiva junto ao Poder Judiciário e, especialmente, junto ao Ministério Público Federal.

Só avança inquérito que recebe o aval da Globo. E aparecer em um dos jornais da emissora é a aspiração máxima de um grupo de procuradores ativistas de Twitter.

Os Zveitter mantêm seu poder, porque a Globo quer. Uma reportagem da Globo tiraria o TCE do comodismo atual, mas a Globo não quer. Uma organização criminosa viceja em Campos de Goytacazes. E a Globo fecha os olhos, porque inimigos dos meus inimigos são meus amigos.

O papel central de um grande veículo de mídia, em países civilizados, é o de combater as disfunções dos demais poderes. A denúncia séria de veículos sérios é peça central nos processos de auto-regulação de um país. São os batedores que farejam o mal feito, alertam a opinião pública e, através dela, acionam-se os demais poderes.

A bandeira anticorrupção da Globo tem lado. E ela usa de acordo com critérios comerciais, não critérios cidadãos. É o que explica o arrefecimento da campanha contra Temer, coincidindo com aumento da publicidade oficial. Ou os rios de dinheiro despejados nela pela suspeitíssima Confederação Nacional do Comércio – que coopta não apenas o grupo, mas seus jornalistas.

É o que explica, igualmente, que, no estado sede do maior grupo de comunicação da América Latina, tenha vicejado o mais nefasto esquema de corrupção do país.

Hoje em dia, a corrupção fluminense é o maior argumento em favor da federalização dos crimes estaduais, do papel do MPF e da PF. Mas toda essa ação tem limites: o Executivo e o Legislativo. Acima disso, entra-se no território protegido da Globo.

E mostra que um dos pontos centrais de legitimação da mídia – o de, através do “furo”, não esconder sujeira debaixo do tapete – é exercido, atualmente, só pela imprensa alternativa. Combate à corrupção que tem lado, é briga de quadrilha.

Luís Nassif
No GGN
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Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras — JTT#29 — Retorspectiva 2017


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Polêmica sobre indulto natalino é desserviço à causa da Justiça


Vivemos um momento histórico muito estranho. Parece que tudo pode dar origem a uma polêmica nacional. Qualquer coisa provoca as expressões “isto é contra a lava jato” ou, pior, quando nos deparamos com a máxima “isso vai destruir e inviabilizar a lava jato, pois é a favor dos corruptos e da corrupção”.

Na maioria das vezes, essas expressões são exaustivamente proferidas por integrantes do Ministério Público Federal e policiais federais, responsáveis pela “lava jato”. Até o juiz Moro já as proferiu.

Diante do novo Decreto de Indulto, novamente o MPF se apressou em propagar suas manifestações absolutas, sentenciando os riscos que atingirão a “lava jato”.

Nada mais fora de propósito.

O Decreto de Indulto, anualmente assinado pelo presidente da República, tem origem no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, órgão colegiado, do Ministério da Justiça, composto pelo Ministério Público, magistratura e advocacia, dentre outros.

Integrei esse colegiado por oito anos e testemunhei a forma isenta como se conduz na elaboração do projeto de indulto. Ele elabora um texto básico que contempla o indulto, a comutação de pena, as condições para sua concessão, os casos em que é vedada sua aplicação etc.

Após, o texto é encaminhado à Presidência da República, que o aprova, adapta e assina.

O instituto do indulto natalino tem fundamento humanitário, é impessoal, seus critérios são abstratos, generalizados e jamais se dirigem a determinado condenado.

Importante salientar e repetir à exaustão que o indulto não é automaticamente concedido, mas examinado, caso a caso, depois de ouvir o Ministério Público, pelo juiz da Vara de Execuções Criminais, a quem cabe aplicar ou não a benesse.

Portanto, não é o presidente da República que decide quem será indultado, mas um dos milhares de juízes competentes para tal.

De todo modo, a forma como se ataca o instituto do indulto natalino e como tal ataque é repercutido pela mídia e redes sociais, polemizando e confundindo a opinião pública, revela-se um grande desserviço à causa da Justiça, que jamais poderá se divorciar da misericórdia e das raízes humanitárias que a fundamentam num Estado Democrático de Direito.

Luiz Flávio Borges D’Urso, advogado criminalista, mestre e doutor em Direito Penal pela USP
No Conjur
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Gilmar e Moro são as duas faces da moeda do Golpe


Num país polarizado como o nosso, juízes, em boa parte, ou se tornaram moralistas irascíveis na persecução penal, não fazendo concessões a garantias processuais, ou passaram a reagir frouxos feito bola de gude em boca de banguela, abandonando quaisquer critérios, para decidir ao sabor da ocasião e da cara do freguês. Difícil é, em nossos dias, encontrar o magistrado equilibrado, que respeita a soberania popular no critério da lei, ora para endurecer, ora para preservar algum pragmatismo para garantir julgamento justo de cada um segundo suas especificidades pessoais.

Com o golpe parlamentar, perdemos o sentido da segurança jurídica. Os julgados se converteram em gritos de guerra, espaços em que a visão individual do julgador atropela o interesse público: juízes ou são do tipo ferrabrás que decretam o estado bélico contra tudo que lhes pareça leniente, ou são oportunistas que mobilizam sua artilharia contra as normas postas para beneficiar este ou aquele réu. Não há meio termo, não há o uso da razão na aplicação da lei. Usa-se com mais frequência o fígado, a bronca contra os que pensam diferente de si.

De um lado, temos, hoje, os Moros e os Glaucenires da vida, heróis em causa própria; do outro, Gilmar Mendes e sua jurisprudência de ocasião. Cada um tem sua claquete. A de Moro e de Glaucenir se confunde com a de Bolsonaro e a de Gilmar está mais para uma metamorfose ambulante: quando mira os petistas com uma bronca de fazer Moro corar, a direita vibra; quando se fantasia de garantista, a esquerda intelectual o vê como tábua de salvação no mar de fascismo revolto.

Previsíveis são apenas juízes do tipo Moro ou Glaucenir. Não que com isso façam genuflexão para a segurança jurídica. A insegurança de todas e todos é sua marca principal: ninguém escapa de suas gadanhas. O primeiro a ser agredido é o Estado de Direito e suas garantias constitucionais. Na guerra contra a “corrupção”, não valem nada. A perspectiva de ser qualquer um colhido pelo arbítrio, como por um raio em céu de brigadeiro, é o que torna esses juízes todo poderosos.

Com Gilmar, depende. Trabalha sempre como bom jogador de buraco. Não desdenha as cartas do lixo, pensando na canastra futura. Para fazer ativo jurisprudencial a ser usado em caso de algum amigo precisar, mostra-se benevolente com os inimigos. Isso explica porque é capaz de soltar José Dirceu, como solta Aécio Neves. Como bom constitucionalista que é, sabe que benefícios extraordinários só conseguem se legitimar na aparência de alguma isonomia. Não que a queira, mas porque dela precisa para arrancar seus corrompidos das gadanhas dos Moros e dos Glaucenires da vida. Liberar José Dirceu, para ele, não passa de indesejável, porém inevitável dano colateral. Se pudesse garantir a Aécio o Nirvana e mandar José Dirceu para o inferno, estaria no mundo que pediu a Deus. É bom lembrar que o golpe, de que Gilmar foi um dos articuladores, se alimentou dessa bipolaridade social, só por vezes escamoteada na intenção de aprofundar, jamais de afrouxar o golpe.

Acreditar em Gilmar é tão temerário quanto acreditar nos juízes justiceiros. São as duas faces da mesma moeda, a que comprou a degeneração de nossas instituições e permitiu que o arrastão de trombadinhas se alojasse no Planalto. Se hoje esse articulador do golpe está de bem com as garantias constitucionais, é pela necessidade de acercar os seus do poder e, logicamente, afastar dele os que foram expulsos pelo uso fraudulento do impeachment.

Não que as contradições do golpe não mereçam ser exploradas, mas a guerra aberta por Moros e Glaucenires contra Gilmar não merece nosso aplauso, do mesmo jeito que o revide de Gilmar no CNJ contra os justiceiros não é uma briga das forças democráticas. A estas, compete assistir ao embate, sem nele se tornarem atores. Os que são brancos, que se devorem. Não há, aqui, uma luta do bem contra o mal ou vice-versa. Há duas expressões do corrompimento institucional a se degladiarem. Só isso.

Sobra para a sociedade, nessa decadência de um judiciário que quer desapropriar a política dos políticos, a certeza da necessidade de ampla revisão do quadro constitucional que restabeleça a soberania popular e imponha a responsabilização tanto dos que se portam com excesso de poder e falta de decoro na função judicante, quanto os que desta se aproveitam para desequilibrar o jogo democrático a favor deste ou contra aquele ator político de sua predileção ou de sua bronca.

Eugênio Aragão
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Apesar da fama de discreto, Marcelo Bretas mostra que tem gostado de ser popular


O primeiro traço que tem me chamado a atenção no comportamento do juiz Marcelo Bretas é como ele tem se mostrado à vontade com a fama. Não que isso me surpreenda, sempre achei que por trás da imagem de seriedade, havia um ego sendo impulsionado. Para mim, isso ficava nítido quando ele era reconhecido ao circular pelas varas e tribunais. Chegava orgulhoso, contando quem o havia cumprimentado ou parabenizado por alguma sentença recente. Além disso, sempre demonstrava o desejo de sair do interior, chegar a uma vara na capital e trabalhar em casos de visibilidade. Soava como um sonho. Como podemos ver, foi alcançado.

Então, o que me surpreendia em sua visibilidade midiática inicial era ele ser taxado como discreto, quando começou a ganhar destaque na operação Lava Jato. Chegou até a parecer avesso a entrevistas, como foi publicado pela BBC, que tentou entrevistá-lo, mas não obteve resposta. Mas, como podemos ver, ele não tem resistido muito ao mundo da fama. Recentemente, chegou a ser entrevistado na Globo pelo Pedro Bial. Durante a conversa, ele chegou a dizer que não foi fácil convencê-lo, que pensou meses sobre isso. Mas que diferença isso faz agora, se, no fim das contas, ele estava lá, na frente do Brasil inteiro, conversando com um dos apresentadores mais famosos e respeitados do país?

Antes disso, ele já vinha se aproximando do público, inclusive pelo Twitter, desde quando verificou sua conta como oficial, em outubro. O perfil não era usado há muito tempo, mas parece que agora o juiz tem interesse em interagir com a população. Ou percebeu que pode se fortalecer pela opinião pública, que, em geral, tem apoiado suas condenações até o momento.

Minha visão, porém, é que é muito delicado um juiz federal ter tanta visibilidade. Afinal, ele nunca sabe quem julgará amanhã. Quantos casos a internet já não se viu de tweets postados que depõem contra a pessoa anos depois? Por exemplo, entre os posts do dr. Bretas - que condena políticos e empresários por corrupção – encontramos menções a políticos, como Marina Silva e Rodrigo Maia. Se acontecer de um dia ele vir a julgá-los, como defender sua imparcialidade?

Aliás, esses foram dois de seus tweets apagados. Em pouco mais de um mês, ele tinha acumulado mais de 40 posts, mas a maioria foi deletada e agora seu perfil não conta nem 30 tweets.

Além disso, já não tem sido difícil encontrar entrevistas do o dr. Marcelo a jornais de grande visibilidade no país, como Estadão e O Globo, ótimas oportunidades para notar seu gosto pela popularidade. Sempre que pode, ele solta frases de impacto que virarão manchetes em vários sites no dia seguinte, como em sua entrevista ao site El País, quando disse que no Brasil nasceu “uma nova forma de fazer justiça” e que “a Lava-Jato” é eterna. Doa a quem doer”. Não consigo ver, nessas declarações, qualquer intenção que não seja se promover.

Não posso deixar de citar, é claro, a presença do juiz da Lava Jato no Rio de Janeiro na pré-estreia do filme “Polícia Federal – A Lei é Para Todos”, apesar de ele sequer ser retaratado no longa. Parecia que sua função era fazer companhia a Sérgio Moro. Enquanto o principal juiz da operação chegava à sessão sob flashes e aplausos, era possível ver Bretas alguns passos atrás, apenas seguindo o mesmo caminho.

Meu último ponto de questionamento para este primeiro tema sobre o qual venho refletindo é aquela manifestação de apoio que o juiz Bretas recebeu em agosto, reunindo artistas, políticos, juízes e procuradores. Apesar de realmente ter participado do evento com certa discrição pública, sua família não fez a menor questão de esconder o orgulho em ter recebido apoio de personalidades conhecidas e influentes. Sua mulher, Simone Diniz Bretas, e seu filho Caio colocaram a foto da manifestação em seus perfis do Facebook, como imagem de capa.

Luís Nassif
No GGN
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¿Raúl Castro solo dijo que se va?

El presidente de Cuba, Raúl Castro, ratificó el 21 de diciembre de 2017, que dejará el cargo en abril próximo, cuando inicie sus labores la nueva legislatura de la Asamblea Nacional del Poder Popular (Parlamento).

Cuando la Asamblea Nacional se constituya habré concluido mi segundo y último mandato al frente del Estado y del gobierno, y Cuba tendrá un nuevo presidente, aseveró el mandatario en la clausura de la sesión plenaria del órgano legislativo.

Sin embargo, no fue lo único importante que significó, aunque los medios apenas lo mencionan:

Valoró los estragos en Cuba por huracán Irma 

Raúl Castro señaló que el huracán Irma dejó a su paso por el territorio cubano una estela de pérdidas por 13 mil millones 185 mil de dólares, pero ningún ciudadano quedó abandonado a su suerte.

En su intervención ante el Parlamento, el mandatario recordó que Irma fue el evento meteorológico más poderoso de la historia del Atlántico y en el caso de Cuba asoló 12 provincias; es decir, a la mayor parte del territorio nacional.

Fueron cuantificados daños en instalaciones de educación, salud, turismo, viales, redes eléctricas y de telecomunicaciones, cultivos varios, unidades pecuarias y avícolas.

Por primera vez, acotó, un fenómeno de esa naturaleza produjo la interrupción del sistema eléctrico nacional en todo el país.

Tales sucesos pusieron de manifiesto el espíritu de resistencia y victoria del pueblo, que con organización, disciplina y solidaridad enfrentó el evento y la etapa de recuperación, apreció el jefe de Estado.

Nadie, enfatizó, quedó desamparado; el gobierno revolucionario adoptó medidas para facilitar la adquisición de materiales de construcción y bienes de consumo de primera necesidad con destino a los damnificados.

Pese a las pérdidas materiales, se logró preservar los servicios de educación y salud, así como sostener la estabilidad epidemiológica, indicó el dignatario, quien lamentó la muerte de 10 personas durante el embate del huracán.

Según aclaró, el perjuicio material y financiero fue calculado en pesos (moneda nacional) a partir de su paridad con el dólar estadounidense.

Ratificó, además, que el gobierno priorizará en 2018 y en los años siguientes la edificación de viviendas más sólidas y resistentes en las comunidades con mayores afectaciones.

Lo anterior será una prioridad en el Plan de la Economía Nacional para el próximo año y en los venideros, dijo el gobernante, que solicitó potenciar la fabricación local de materiales de construcción como una vía para solucionar 'el viejo problema de la vivienda'.

Asimismo apreció la destacada actuación de las estructuras y mecanismos institucionales creados en el país para actuar ante emergencias.

Los resultados en el enfrentamiento de Irma y las experiencias acumuladas ante fenómenos similares, aseguró, confirman la vigencia y la validez de la doctrina de Guerra de Todo el Pueblo y la organización del sistema defensivo territorial para resistir ante cualquier evento extremo a manos de la naturaleza o de cualquier otra índole.

Raúl también agradeció de manera especial la solidaridad internacional por parte de gobiernos, diversas organizaciones y amigos de Cuba.





Defensa del sistema estatal de la economía socialista 

Raúl Castro, ratificó al sistema estatal como forma principal de propiedad de la economía nacional socialista, aunque sin restarle importancia al sector no estatal.

Debemos asegurar la viabilidad del sistema estatal como forma principal de propiedad de la economía nacional socialista, subrayó el mandatario al clausurar la sesión plenaria de la Asamblea Nacional del Poder Popular (Parlamento) en su VIII Legislatura.

Raúl Castro aseguró, no obstante, que no se renunciará a las formas de gestión no estatales.

No renunciamos a las formas de gestión no estatales, ni retrocederemos ni nos paralizaremos, pero hay que asegurar el respeto a la ley, afianzar los resultados positivos y enfrentar con firmeza las ilegalidades, sentenció.

EE.UU. es responsable del deterioro de las relaciones con Cuba

Estados Unidos es el único responsable del deterioro que experimentan hoy las relaciones entre ese país y Cuba, aseguró Raúl Castro.

El jefe de Estado señaló que en 2017 se vivió un retroceso en las relaciones, el cual calificó de serio e irresponsable.

Raúl Castro aseguró que Cuba no es culpable en lo absoluto de la situación, marcada, además, por el recrudecimiento del bloqueo económico, financiero y comercial impuesto desde Washington, el regreso de la retórica agresiva e irrespetuosa y la arbitraria aplicación de medidas injustificadas.

Cuba defenderá las nobles causas de la humanidad

Raúl Castro, ratificó la posición de su gobierno de defender las nobles causas de los pueblos del planeta, al tiempo que condenó las políticas que ponen el peligro la paz mundial.

El mandatario reiteró que América Latina sufre los ataques imperiales y de las oligarquías dispuestas hacer retroceder la historia y el progreso de las naciones.

Contra Venezuela -explicó- desarrollan una guerra no convencional para anular la legitimidad del gobierno del presidente, Nicolás Maduro.

Otros tópicos:
  • Raúl Castro señaló que 2018 será un año complicado para las finanzas externas de Cuba, pero el país mantendrá el firme propósito de cumplir con sus compromisos internacionales en materia de deudas.
  • El gobierno continúa la labor para acabar con la dualidad monetaria existente en el país.
  • Aquí estamos y estaremos, libres, soberanos e independientes

Vea el discurso completo.


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Pai Uzêda

Um suposto pai de santo chamado Pai Uzêda é convocado para benzer o presidente da República e desfazer um trabalho de macumba feito para matá-lo. Mais uma amostra do primitivismo cultural de um país em que mesmo as religiões “oficiais” recorrem ao curandeirismo, e a maioria da população acredita em uma forma ou outra de magia negra. Características de uma sociedade atrasada, que jamais chegará ao nível de nações desenvolvidas em que crendices deste tipo são desconhecidas e...

Mas espera um pouquinho. Quase ao mesmo tempo em que o Pai Uzêda livrava o Temer do despacho malévolo e aproveitava para benzer o PMDB, que voltava se chamar MDB, talvez convencido de que o P é que estava atrapalhando, dois pilotos da Marinha americana viram um objeto voador não identificado, que deduziram ser uma nave de outro planeta em visita à Terra.

O fato deverá detonar outra temporada de aparições de óvnis, como a que aconteceu há alguns anos, quando eles vieram em enxames assustadores, e muita gente jurou ter tido contatos com seus tripulantes.

A volta dos óvnis não teria maior significado se o Pentágono e a CIA não apenas os levassem a sério, como teriam departamentos e laboratórios dedicados ao assunto, que inclui extraterrestres e suas intenções na Terra e todas as formas de comunicação paranormal.

Lembra do Uri Geller?

Foi um israelense (não sei se ainda está vivo) que ganhou notoriedade internacional com seus poderes: entortava talheres com as pontas dos dedos e consertava relógios à distancia. A CIA o testou e, convencida de que seus poderes eram reais, e que, como o Pai Uzêda, ele tinha acesso a forças secretas da natureza, o contratou.

Uma das utilidades imaginadas pelos militares americanos para Geller, juro que é verdade, baseou-se na sua capacidade de acertar e fazer funcionar relógios à distância, usando apenas o poder da sua mente.

Quem conserta relógios à distancia por que não pode desarmar e destruir foguetes nucleares a caminho dos Estados Unidos antes que cheguem ao alvo?

Não sei se a tese foi testada ou abandonada. Talvez o Trump esteja contando com o Geller, se ele estiver vivo, para deter os foguetes da Coreia do Norte.

Portanto, não faça pouco do Pai Uzêda, de despachos e benzeduras e outros apelos ao paranormal. Quando se trata de conjurar forças ocultas, nenhum país é mais atrasado ou ridículo do que outro. Sem esquecer que o “I” de CIA é de “Inteligence”.

Luís Fernando Veríssimo
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Estados Unidos manejam a Lava Jato para destruir o Brasil e a América Latina

Dilma Rousseff e Cristina Kirchner denunciaram que líderes nacionalistas e progressistas do continente estão sendo submetidos sistematicamente ao 'lawfare'


Num discurso feito em julho deste ano, no qual felicitava a si mesmo, o subprocurador geral estadunidense Kenneth A. Blanco, que dirigia a Divisão Penal do Departamento de Justiça (porque logo o Secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, o escolheu para encabeçar a Direção de Investigação sobre Delitos Financeiros), se referiu ao veredito condenatório ditado contra o ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, como o principal exemplo dos “resultados extraordinários” alcançados graças à colaboração do Departamento de Justiça (DOJ, por sua sigla em inglês) com os promotores brasileiros na operação “anti corrupção” chamada Lava Jato.

A unidade da Divisão Penal do DOJ que colabora com a Lava Jato é a Seção de Fraudes. De novembro de 2014 até junho de 2017, quem dirigia a Seção de Fraudes do DOJ era ninguém menos que Andrew Weissman. Ao deixar essa função, ele foi transferido e passou a formar parte do grupo de choque contra Trump encabeçado pelo Procurador Especial do FBI, Robert Mueller. Weissman tem sido, há muito tempo, o principal assessor de Mueller, e seu histórico de conduta indevida lhe valeu o apelido de “pitbull judicial de Mueller”.

Agora que se está ficando evidente o assalto judicial de Mueller contra a Presidência dos Estados Unidos, com cada vez mais membros de sua equipe ficando expostos por sua corrupção e atos ilegais, é de se esperar que sua operação latino-americana, a Lava Jato, terá a mesma sorte.

Como se sabe, Weissman foi retirado da equipe de caça às bruxas porque transcendeu à luz pública sua parcialidade a favor de Hillary Clinton. Agora cada vez que se menciona a Weissman na imprensa estadunidense é para fazer referência à profunda corrupção que inunda o Departamento de Justiça e o FBI.

Cristina recebe solidariedade de Dilma
Foto: Reprodução/Twitter

As ex-presidentas do Brasil e da Argentina, Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner, respectivamente, denunciaram na semana passada que os líderes nacionalistas e progressistas de todo o continente estão sendo submetidos sistematicamente ao que denominam lawfare, o uso da lei como arma de guerra, com o propósito de impor mudanças de governo e instalar chefes de Estado comprometidos com as políticas de austeridade neoliberal que vão destruindo a região. O discurso de Blanco demonstra que por trás do tal lawfare estão os mesmos interesses imperiais que buscam dar um golpe de Estado em seu próprio país, depor o presidente Donald Trump do seu cargo e instalar alguém ainda mais fiel aos interesses do mercado.

Em discurso mais recente, Blanco se jactou do papel do DOJ em toda esta farsa, durante um evento chamado Diálogo Interamericano, na palestra “Lições do Brasil: Crise, corrupção e cooperação global”. Na ocasião, Blanco deu as boas-vindas ao seu amigo Rodrigo Janot, quem foi há até pouco tempo, e durante anos, o Procurador Geral da República do Brasil, e um dos principais sicários da Lava Jato.

“É difícil imaginar, na história recente, uma melhor relação de cooperação que esta entre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e os procuradores brasileiros. Esta cooperação nos ajudou de forma substancial com uma série de temas públicos que agora estão resolvidos, e continuamos juntos em uma série de investigações”, afirmou Blanco.

“A cooperação entre o DOJ e o Ministério Público brasileiro levou a resultados extraordinários. Só em 2016, por exemplo, o FBI e a Lava Jato estiveram cooperando e se coordenaram nas resoluções de quatro casos relacionados com a Lei sobre Práticas Corruptas no Exterior (FCPA por sua sigla em inglês), ligado às empresas Embraer, Rolls Royce, Braskem e Odebrecht. O caso da Odebrecht em particular é notável, devido ao seu alcance e sua extensão”, continuou Blanco, que também lembrou que “os procuradores brasileiros conseguiram um veredito condenatório contra o ex-presidente Lula da Silva, acusado de receber subornos da empreiteira OAS em troca de contratos com a Petrobras. Casos como este são os que colocaram o Brasil no topo do ranking dos países que trabalham para combater a corrupção tanto dentro quanto fora do país”.

Blanco revelou, nesse discurso, que a cooperação entre o DOJ e os procuradores brasileiros é tão grande que “operam inclusive fora dos processos formais, como nos tratados de assistência judicial mútua”, que consistem em simples ligações telefônicas de uns para outros, para trocar informações ou solicitar evidências driblando as formalidades legais quando é necessário.

Procuradores e promotores de toda a região entram e saem dos escritórios do Departamento de Justiça estadunidense (o mexicano Raúl Cervantes, quem Blanco considera um “bom amigo”, a panamenha Kenia Porcell”, e muitos outros na Colômbia, no Equador e em vários países do continente) para falar sobre as ações “contra a corrupção”, segundo o discurso do subprocurador. Embora o mesmo não tenha citado os juízes Claudio Bonadio e Sérgio Moro – responsáveis pelas condenações a Lula da Silva e Cristina Fernández de Kirchner, respectivamente – sabe-se que ambos também são parte desse esquadrão de elite judiciário, e figuras centrais da nova política de choque para o continente.

Do El Clarín - Chile
No Carta Maior
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O Natal é a mãe de todas as fake news


O Natal é a mãe de todas as fake news.

Como você deve saber, a fábula do menino Jesus, da Virgem, dos três reis magos etc é um reempacotamento de celebrações pagãs.

A Superinteressante, a revista mais nerd do Brasil, falou da origem da coisa:

A história do Natal começa, na verdade, pelo menos 7 mil anos antes do nascimento de Jesus. É tão antiga quanto a civilização e tem um motivo bem prático: celebrar o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. Dessa madrugada em diante, o sol fica cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão. É o ponto de virada das trevas para luz: o “renascimento” do Sol.

Num tempo em que o homem deixava de ser um caçador errante e começava a dominar a agricultura, a volta dos dias mais longos significava a certeza de colheitas no ano seguinte. E então era só festa. Na Mesopotâmia, a celebração durava 12 dias. Já os gregos aproveitavam o solstício para cultuar Dionísio, o deus do vinho e da vida mansa, enquanto os egípcios relembravam a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos.

Na China, as homenagens eram (e ainda são) para o símbolo do yin-yang, que representa a harmonia da natureza. Até povos antigos da Grã-Bretanha, mais primitivos que seus contemporâneos do Oriente, comemoravam: o forrobodó era em volta de Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano.

A comemoração em Roma, então, era só mais um reflexo de tudo isso. Cultuar Mitra, o deus da luz, no 25 de dezembro era nada mais do que festejar o velho solstício de inverno – pelo calendário atual, diferente daquele dos romanos, o fenômeno na verdade acontece no dia 20 ou 21, dependendo do ano. Seja como for, o culto a Mitra chegou à Europa lá pelo século 4 a.C., quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio. Centenas de anos depois, soldados romanos viraram devotos da divindade. E ela foi parar no centro do Império.

Mitra, então, ganhou uma celebração exclusiva: o Festival do Sol Invicto. Esse evento passou a fechar outra farra dedicada ao solstício. Era a Saturnália, que durava uma semana e servia para homenagear Saturno, senhor da agricultura. “O ponto inicial dessa comemoração eram os sacrifícios ao deus. Enquanto isso, dentro das casas, todos se felicitavam, comiam e trocavam presentes”, dizem os historiadores Mary Beard e John North no livro Religions of Rome (“Religiões de Roma”, sem tradução para o português). Os mais animados se entregavam a orgias – mas isso os romanos faziam o tempo todo. Bom, enquanto isso, uma religião nanica que não dava bola para essas coisas crescia em Roma: o cristianismo.

Os primeiros cristãos não estavam interessados em comemorações natalinas. Não havia nenhum comando bíblico para fazê-lo e nenhuma data específica.

Mas, no século 4, quando as heresias concorrentes começaram a aparecer com força, houve uma necessidade de sublinhar o nascimento histórico de Cristo.

A primeira referência ao 25 ​​de dezembro é de 336 d.C., no reinado do imperador Constantino, devoto de Mitra. O mitraísmo era uma religião influente no exército romano.

Com o tempo, foram incorporados o Papai Noel, as renas etc. Os presentes surgiram na Idade Média, a partir de lendas nórdicas. 

O primeiro presépio do mundo teria sido montado em argila por São Francisco de Assis em 1223. Pegou. Quem não se emociona com aquela cena?

Uma colcha de retalhos muito bem urdida, chupada de outras tradições, sucesso absoluto há séculos.

Uma dica: guarde isso para você. Ninguém precisa de um chato metido a sabichão estragando a festa com choques de realidade e pavor.

Abrace o tio do pavê e a tia reaça. A vida real já é suficientemente dura. Feliz Natal. Com ou sem fake news.

Kiko Nogueira
No DCM
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Sites

Para quem já está jogando na prorrogação, como eu, o Natal e o Ano Novo sempre chegam como surpresas. O que, outra vez? E nos vemos compelidos a organizar um pensamento solene sobre a passagem do tempo e o fim que se aproxima.

Agora que meu sangue se encaminha para o lugar da sua quietude, como li certa vez num poema asteca, e que todas as garrafas que lancei ao mar com mensagens ao desconhecido voltaram sem resposta, ou com o texto corrigido.

Agora que descobri que nenhum dos meus gurus tinha a resposta certa e um até confessou que era surdo e nem ouvira as minhas perguntas e só fazia sim com a cabeça por boa educação, o que explica ele ter respondido sim quando eu perguntei se deveria seguir o “Bhagavad Gita”, o “Kama Sutra”, “O capital” ou uma combinação dos três.

Agora que não consigo mais distinguir a voz de uma secretária de outra no telefone pois todas são eletrônicas e iguais, e da última vez que implorei por um contato humano, alguma coisa viva — uma hesitação, um erro de concordância, um resfriado, até, em último caso, uma reação irritada — a voz disse “para reação irritada, digite 4”, agora que eu não quero mais respostas, agora que eu desisti, vêm me dizer que eu não estou sozinho, que há outros como eu cujo sangue outrora borbulhante atingiu um remanso e já não esperam mais nada salvo a resignação dos mortos num bom sofá com controle remoto e talvez pipocas, que abominam a despersonalização, principalmente das pessoas, a pulverização de todas as certezas, o espargimento de todas as dúvidas, a eterização de todas as coisas — e que eles têm um site no qual podemos trocar desânimos?

Mas me deram o endereço errado pois, na minha caça desesperada a ávidos de resignação e burrice programada como eu, dei num site que ensina a fazer bombas caseiras, um outro de onanistas compulsivos, cheio de erros porque presumivelmente todos os seus textos são digitados com uma mão só, outro de um homem que propõe a troca de fotografias do seu bigode ridículo com as de bigodes ridículos de todo o mundo com a possibilidade de casamento.

Eu tinha entrado num fascinante mundo doente, ao entrar na internet atrás da minha turma.

Na internet, tudo se volatiza e vira impulso, pelo ar o que sobra é isso, o ser humano reduzido às suas fomes e às suas esquisitices primevas, livre de qualquer controle ou compunção.

A cara mais terrível da liberdade: cara nenhuma, ou apenas a cara que se quiser escanear e mostrar na net, sem garantia de que seja mesmo a nossa.

Luís Fernando Veríssimo
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