20 de dez. de 2017

Vídeo mostra ex-deputado João Pizzolatti (PP) bêbado após acidente em SC

Jovem de 23 anos foi levado em estado grave ao hospital. Ex-deputado não foi conduzido à delegacia


O ex-deputado federal João Pizzolatti (PP) se envolveu em um acidente grave na SC-421, rodovia que liga Blumenau a Pomerode, em Santa Catarina, nesta quarta-feira (20) à tarde. Ele dirigia um Volvo XC60 com placa de Balneário Camboriú e bateu em um Fiat Mobi. O motorista do veículo, um jovem de 23 anos, ficou preso às ferragens e foi levado em estado grave ao hospital. Pizzolatti estava bêbado ao volante.

O ex-deputado federal João Pizzolatti se envolveu em um acidente grave na SC-421, rodovia que liga Blumenau a Pomerode, em Santa Catarina, nesta quarta-feira (20) à tarde (Foto: reprodução)

Dois vídeos que circulam pelas redes sociais, gravados por moradores da região, mostram o ex-deputado desnorteado e cambaleando. Questionado sobre o que aconteceu, disse: “Não sei, cara. Se eu tiver responsabilidade, eu assumo”. Uma das pessoas pergunta se ele reconhece estar bêbado. “Tô”, afirmou.



Sob gritos de “bêbado”, “cachaceiro”, Pizzolatti foi socorrido pelos bombeiros. De acordo com a Central de Polícia de Blumenau, o ex-deputado foi encaminhado a um hospital da região e não havia sido encaminhado à delegacia.



Procurado, o advogado de Pizzolatti, Michel Saliba, disse que entrou em contato com familiares do ex-deputado federal em Santa Catarina e foi informado de que Pizzolatti tem sofrido problemas em decorrência do alcoolismo. Saliba também foi informado de que a família deverá internar Pizzolatti numa clínica de recuperação para dependentes de álcool.

A condutora de um terceiro veículo que se envolveu no acidente não se feriu.

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A tempestade perfeita na imprensa convencional


Golpes precipitam mudanças drásticas nos costumes. Uma vez instalado, um golpe muda a opinião pública, os hábitos, a economia, as alianças, a lógica institucional, as próprias instituições (que lhe serviram de substrato) e a percepção geral das palavras e das coisas. Se um golpe não mudasse nada disso, ele não seria um golpe, seria um acordo.

A primeira constatação que decorre disso é: a população brasileira rechaçou o golpe. Não existe uma pesquisa sequer que não confirme esse dado. Ato contínuo, esta mesma população rechaçou seus protagonistas, um a um. Não é preciso citar: são eles os donos das maiores rejeições de opinião pública já registradas.

Por outro lado, as vítimas políticas do golpe, o PT e a esquerda, foram alçados à condição de bastiões de resistência democrática (não sou eu quem diz isso, são as pesquisas).

Um imenso e poderoso recall ideológico foi feito através do golpe para desespero de seus agentes: o segmento progressista que habitava o poder há 13 anos reforçou de maneira espetacular sua re-conexão com a entidade povo. 'Povo' voltou a ser sinônimo de 'esquerda', se é que um dia deixou de ser - não considerando o serviço de destruição de reputações da imprensa convencional.

Imprensa convencional, eis uma plataforma de texto a ser debatida. Porque se o golpe empurrou para a vala da história a direita que não soube perder - historicamente protegida pelo controle seletivo da informação - ele também desacreditou de maneira violenta a própria imprensa "tradicionalista". Houve uma migração definitiva de plataformas, técnica e conceitual.

Aos dados. Ficou evidente o papel da imprensa no golpe. A população brasileira, por mais dócil que seja, percebeu esse movimento. Esse dado, no entanto, não dispõe de embasamento estatístico direto como aquele que disponibiliza o derretimento da direita. Isso se explica pelo fato de os institutos de pesquisa serem diretamente ligados aos veículos em questão. Seria como se o Datafolha perguntasse ao entrevistado se este confia no Datafolha.

Mas as pesquisas expressas digitais, os debates nas mídias digitais, os comentários em redes sociais, a própria percepção da população nos deslocamentos urbanos e na vida social em si são suficientes para acender o sinal de alerta para esta imprensa que se vê em uma encruzilhada histórica em companhia de seus patrocinadores estatais de turno - afinal, uma regra básica do mercado publicitário é que a marca fica associada ao meio que a veicula e vice-versa.

O fenômeno merece uma explicação técnica, basicamente linguística. Em primeiro lugar, convém não subestimar a capacidade intelectual dos cidadãos que constituem a opinião pública: um cidadão que domina uma língua humana nativa tem condições de elaborar interpretações sobre a conjuntura social que o cerca. Ponto.

Segundo ponto: diferentemente do que acredita um certo pensamento brasileiro, majoritário no mercado - e que ainda trata a interpretação de texto nos moldes de Roman Jakobson e seu fluxograma da comunicação, uma teoria superada há décadas - este cidadão é capaz de cruzar dados e ponderar sobre agrupamentos de sentido (de discurso), mesmo que não faça isso de maneira consciente.

Ele tem condições de entender que todo o processo de elaboração do golpe e seu consequente "logro" foi estimulado e, de certa maneira, "arquitetado" pela imprensa convencional. E, mesmo que ele não leia os jornais, ele assiste telejornais, ouve rádio e acessa a internet.

De uma maneira ou de outra, este cidadão acompanhou esse movimento e é com base nisso que ele rejeita furiosamente o golpe, bem como reanima sua adesão à entidade Lula e ao pensamento residual da esquerda.

Qual a consequência óbvia disto? A consequência é que a imprensa convencional passa por um momento inédito de falta de credibilidade. Ela se desmancha como o segmento político que ela própria ajudou a levar ao poder. Há, no entanto, de se fazer uma explicação técnica para isso também.

O discurso (o sentido dos enunciados) não é apenas uma superfície límpida em que associa o fato ao texto. O discurso tem um viés, faz parte de sua natureza ter uma "direção" persuasiva (não é à toa que o 'sentido' se chama "sentido": o sentido é uma direção, um caminho, uma seta). Sem essa direção, o discurso, a rigor, não existe. Isso, inclusive e com outras palavras, já foi dito nos primeiros anos das faculdades de jornalismo brasileiras: não existe 100% de objetividade nem 100% de neutralidade.

O que o cidadão "leitor" de fatos, textos e imagens infere diante de tudo isso que se apresenta de maneira quase rudimentar? Que a imprensa convencional está no mesmo lugar técnico de "produção de sentidos" (de direções) que o segmento político agora tão rejeitado por ele. É uma percepção estrutural, uma percepção não do "o quê", mas do "como".

A clareza que o golpe propiciou em termos das escolhas políticas (completamente aferíveis- repito - via pesquisas de opinião) também contaminou a percepção do cidadão com relação à informação que ele deve consumir ou deixar de consumir.

O estrago foi grande. O jornalismo já enfrentava a imensa dificuldade tecnológica de repensar suas plataformas junto à internet. De quebra, havia o esgotamento do próprio conceito da prática de jornalismo, com redações hierarquizadas e prospecção excessivamente seletiva de fatos políticos.

Esta crise estrutural foi tão violentamente sentida pelas editorias e redações a ponto de, sábado último, o editor executivo da Folha de S. Paulo, Sérgio Dávila, chegar a dizer que "o jornalismo profissional [sic] continuará sendo a lente a tornar nítida a distinção entre notícia e falsidade". Isso é a materialização do desespero pela fatia de mercado que jamais voltará ao seu nicho de origem. Convenhamos: em pleno século 21, um executivo advogar a propriedade da verdade para sua empresa de comunicação? Beira o risível.

O que ocorreu, portanto, foi a tempestade perfeita para esta linguagem que dominou o século 20. A crise da imprensa - e de sua interface de conteúdo - é tão grave que sucedem acontecimentos dramáticos para ela: o racismo de William Waack, o escândalo Fifa-Globo, o escândalo Globo-Mapfre (a empresa de comunicação é dona da maior empresa de previdência privada no país), a misoginia de José Mayer, a receita publicitária de todos os veículos em declínio (ainda que mantida artificialmente pela Secom), a estrutura de teledramaturgia que não mais se sustenta, o preço do papel etc.

Não bastasse, ainda, os problemas estruturais e financeiros, há o problema do esgotamento da linguagem. A gravidade desse esgotamento é tal que permitiu, ainda, um teste de natureza técnica, em tempo real, com um desses veículos: a "pegadinha do Estadão".

Este missivista que voz perturba a leitura escreveu uma carta em flagrante tom de deboche para o Estadão e viu esta mesma carta ser publicada como um grande elogio ao governo e à imprensa. Estava ali confirmada, de uma certa maneira, a precariedade do instrumento 'interpretação de texto' para um veículo dotado de concessão, que se pretende um filtro técnico de informações com vistas à utilidade e ao debate públicos. A carta continha absurdos inomináveis, verdadeiras aberrações estatísticas, além de informações publicamente falsas.

O corolário desta verdadeira demolição por que passa a imprensa convencional atende pelo nome de mídias digitais. Elas herdaram a busca por informação qualificada. São, por assim dizer, a nova fonte de referências primárias e secundárias, respeitadas pelos protagonistas políticos da esfera democrática, pelos intelectuais, por artistas, debatedores e, sobretudo, pela imprensa internacional - que já entendeu onde buscar a leitura real de Brasil neste momento. O prestígio de que hoje gozam as mídias digitais, portanto, é também inédito.

Da mesma maneira que ficou clara a rejeição ao golpe, o reconhecimento pelo trabalho de resistência crítica ao golpe realizado pelas mídias alternativas se consolida como um importante valor no cenário da opinião pública. Isso é um patrimônio da sociedade, não uma briga infantil entre plataformas (como a imprensa brasileira parece ler o fenômeno). Não admira que a imprensa convencional se sinta tão ameaçada: eles mesmos se veem obrigados a prospectar informações dentro da cena digital para conseguirem dialogar minimamente com a realidade que lhes escapa.

Até as famosas "fontes", esse instituto invulgar do jornalismo histórico, sofreram um impacto com as consequências do golpe. Hoje, as fontes das mídias digitais são mais confiáveis que as da imprensa convencional, tão acostumadas estas últimas a "plantarem" informações e percepções interessadas.

Os ventos, portanto, mudaram de lado e sopram agora em direção ao novo mundo do texto e do debate público. Uma linguagem que nasce e se consolida merece ser celebrada. Torna-se patrimônio civilizatório, um fórum permanente que empodera e dá voz a múltiplas leituras, não somente aos anunciantes. O signo das mídias digitais é a própria liberdade de expressão em seu sentido máximo, é desse valor que decorrem todas as suas qualidades, consequências e desafios.

Um golpe é definitivamente terrível para uma sociedade, isso é evidente. Mas a reboque de suas brutais consequências, há sempre um conjunto de "efeitos colaterais" que surpreende e cria as condições para um retorno ao protocolo democrático. O desejo das pessoas por informação qualificada é como um vírus: qualquer substância que o combata o fará voltar mais forte e mais resistente. Isso é do funcionamento da linguagem. Isso é do funcionamento da história.

Gustavo Conde é músico, linguista e professor. Lida com teorias do humor e com os processos de produção do sentido político. É autor do Blog do Conde, espaço de discussão de temas políticos, acadêmicos e literários
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A entrevista de Lula à mídia


Lula concedeu entrevista para a imprensa agora de manhã, no Instituto Lula. Participaram 14 jornalistas da mídia nacional, de blogs e de agências internacionais. Ao lado, Fernando Haddad.

Lula abriu a entrevista afirmando que o Brasil só vai voltar à normalidade quando o povo eleger o presidente e montar um governo com a legitimidade que apenas um eleito tem.

Sobre a condenação em janeiro e na eventualidade uma prisão.

Minha condenação será a negação da Justiça. A Justiça vai ter que fazer esforço monumental para transformar mentira em verdade e para julgar pessoa que não cometeu crime. A sentença do juiz Moro, aos olhos de centenas de juristas, é quase uma piada. Tenho tranquilidade de ser absolvido. Eu peço uma única prova.

Estamos vivendo anomalia jurídica e política.

Falando do apartamento.

Começou com uma mentira de um jornal e uma revista. A mentira foi transformada em inquérito pela Polícia Federal. O resultado é mentiroso e foi enviado para o Ministério Público. O MP mentiu e o Moro aceitou. Tudo teria sido resolvido se Moro tivesse feito papel de juiz.

O problema é que o processo todo está subordinado a uma imagem pública que se estratificou. Eles estão sem rota de fuga. Mentiram e não tem como sair, nem a imprensa, a TV, rádio, jornal. Moro está em situação muito delicada.

A única chance que tem é pedir provas.

Não é possível alguém ser apontado como dono de uma coisa que não é dono. Tem que ter algum documento.

Tudo baseado na grande mentira do Power Point montado pelo Dallagnol.

São centenas de delações e até agora não existe uma única prova.

Conheço dezenas de casos de pessoas que, na delação, eles perguntavam: e o Lula, ele sabia?

Duvido que, na história do Brasil, tenha tomado as atitudes para combater a corrupção que nós tomamos.

O fato de facilitar o combate à corrupção exige responsabilidade. É para isso que pessoas são concursadas, têm estabilidade, ficam eternamente nos cargos., É uma carreira importante de Estado, com pessoas com QI acima da média. Mas precisa ter caráter também.

Por isso estou muito tranquilo para o dia 24.

Eu prefiro a condenação moral dos que me condenaram, a grande imprensa que mentiu.

Imagine se o Tacla Duran tivesse denunciado o PT. Nos seríamos capa, contracapa.

Há conluio para fazer com que mentira vença. Mas tenho certeza absoluta de que a inocência vai vencer. De um ser humano que só tem um problema nesse momento: ter mais chances de vencer as eleições que qualquer outro.

Sobre o pacto de poder na crise

Não existe orçamento mais competido do que este que Temer está gastando. Todo dinheiro cortado da educação, saúde, é para comprar apoio.

Não faz muito tempo, importante saber as condições que cheguei na presidência. Não tinha um economista neste país que não dissesse que o país quebrado. Eu tinha um grupo de 30 economistas, e com gente muito importante. Ás vezes falava para o pessoal>: como querem que eu seja candidato se dizem que o país quebrado.

Inflação estourando, dependência do FMI.

Não era situação fácil. Minha chance de ganhar agora é porque visível ao povo que posso consertar o país.

Tem coisa em economia, que os yuppies do mercado não fala. É preciso que quem esteja falando de economia tenha credibilidade junto à sociedade. Há um misto de cumplicidade da seriedade de quem está falando com a seriedade de quem está fazendo.

Se não tem credibilidade política e não faz coisa séria, não dá certo. E se tem credibilidade, mas não tem a política, também.

Em qualquer comparação, o Brasil está entre os 10 do mundo. País com esse potencial extraordinário de mercado interno, 16 mil km de fronteira seca com toda América Latina, potencial enorme de cooperação com continente africano, porque mar é solução.

Tem que ter governo que pensa o Brasil, pense estrategicamente modelo de desenvolvimento, o que é possível fazer. E não tem como pensar o Brasil sem pensar no povo brasileiro.

Não pode pensar em projeto estratégico virando as costas para quem está perto de você. A relação comercial do Brasil com países ricos é muito estável. Com a Argentina, quando chegamos, era US$ 7 bi. Chegou aUS$ 39 bi, demonstrando espaço de crescimento onde as pessoas mais precisam comprar de você do que vender. Cabe a quem governa o país pensar nessas coisas.

Não pode ser governante e pensar em vender para pagar dívidas. Quando acabar você não tem patrimônio do Estado, está zerado. Não pode ter qualquer participação na indução de políticas públicas.

Sou contra o estado empresarial, todo mundo sabe. Colocar cara concursado, com estabilidade para ser patrão, é muito ruim. Mas estado não pode perder seu papel de indutor da economia. É o estado que pensa estrategicamente qual a parte do Brasil que deve receber uma universidade, uma indústria, um centro de pesquisa, uma escola técnica.

E o estado pode não só pensar, como induzir que bancos de desenvolvimento possam garantir esses investimentos.

Como resolve o problema do Estado ter poder de influir na economia, se não tem o instrumento.

Na crise de 2008 liguei para o Obama perguntando se tinha bancos públicos. E contei como era o Brasil, como BNDES, CEF, BB. Ele: nem fala em bancos públicos aqui. A conclusão é que nós tivemos uma solução mais rápida para indústria automobilística do que eles nos EUA.

Falam da dívida pública brasileira, mas todas cresceram porque todos os Estados, na época da crise, colocaram recursos para vencer a crise.

Não estou dizendo que é facil, mas acho que tem outras formas de fazer economia crescer.

1. Estado não pode perder sua capacidade de ter influência nas decisões econÕmicas do país.

2. Estado não é neutro, é indutor, porque tem milhões de brasileiros que necessitam da voz do Estado e dos gestos. Quem não precisa do Estado são os que mais mamam no Estado. São eles que estão fazendo o Temer o desmonte dos direitos dos trabalhadores. Querem que sobre mais recursos para eles.

Quando se fala no teto da Previdência Social, converse com a Laura Tavares, filha da Maria Conceição, especialista em Previdência social.

Se a Presidência tem problema de ajuste, não tem problema fazer ajuste. Envolve todos, trabalhadores, empresários, estado e discuta. E, através da negociação, procura ajustar.

O problema é que quando nós criamos, na Constituição de 88, a aposentadoria dos trabalhadores rurais, arrumamos o dinheiro. Foi Pedro Malan que introduziu a ideia de colocar a Previdência em cima do orçamento da União.

Briguei muito com o Guido para tirar.

No mundo do trabalho, se precisar ajuste na CLT faz trabalhando, faz contrato coletivo de trabalho. O que não pode é destruir um marco legal que dá sustentabilidade aos mais fragilizados e achar que trabalhador e empresário, em uma mesa de negociação, vão estabelecer a normalidade negocial.

No Brasil tem meia dúzia de sindicatos em condições de negociar.

Estou convencido que é possível ganhar eleições, juntar um grupo de pessoas sérias, alguns empresários que pensam o Brasil, que apostam na produtividade, no Brasil, que quer indústria forte. É possível convencer milhares de pequenos empreendedores individuais para construir uma economia na base da produtividade.

Se tem governo que acredita no que está fazendo, quando empresa como Veja, Estadão, resolve montar parque gráfico novo, contratar empréstimo, o que estão dizendo: estão fazendo dívida porque acreditam no crescimento do jornal e vai ganhar mais dinheiro.

Vale para o Estado. Se elaborar política econômica e não tenho dinheiro para o investimento, tenho capacidade de me endividar, o compsulsório, parte do dinheiro das reservas. Vou fazer 200 bilhões de dólares em investimentos prioritários e o país vai crescer e voltar a ser competitivo.

Agora, se eu não tenho projeto, casei com a dona Marisa e para fazer dinheiro vou vender a geladeira, o bule. É o que estão fazendo para Brasil.

A incapacidade de pensar aumentou a sede mercadológica deles. Poderiam ser sócios das Casas Bahia. Não tem noção do que foi a construção da indústria naval no Brasil. Tratam a Petrobras como empresa de petróleo. É muito mais. É gas, petroquímica, força na indução de pesquisas, no estímulo às pequenas e médias empresas.

Se tiver projeto para país.

É por isso que sou confiante.

Sobre o dia 24

Tenho que viajar para Etiópia a convite da União Africana, para um debate sobre as melhores experiências de combate à fome no mundo. Teria que sair daqui no dia 26, porque a palestra é no dia 28.

Não sei se vou ou não a Porto Alegre.

Como réu, não vou ficar participando de manifestações. O que espero é que o PT e os que quiserem me ajudar divulguem o máximo que puder o processo, a acusação e o direito. Que debatam nas faculdades de direito no Brasil inteiro. Está sendo feito material em inglês e espanhol. O mundo precisa saber o que está acontecendo.

Meus acusadores vão ficar ridicularizados.

Às vezes fico tentando encontrar modelo de processo para comparar ao meu. O mais forte que me vem à cabeça é a invasão do Iraque. O Bush sabia que o Iraque não tinha armas químicas, assim como o Toni Blair. Sustentaram a mentiram e conseguiram invadir um país por conta de uma mentira.

E o Sadam Hussein é outro exemplo. Durante tantos anos ele contou mentiras para aquele povo, adorava blefar com história de armas químicas. Ele acreditava na própria mentira e não teve coragem de chamar a agência internacional para dizer que não tem armas e acabe com isso. E ele não teve coragem. Ele preferiu ser achado em um buraco como um rato do que admitir para o povo que mentiu e não tinha arma.

Ele tinha um poço de petróleo, descoberto pela Petrobras, com 80 bilhões de barris. Quando Petrobras descobriu, logo ele deu um chega pra lã para a Petrobras, trocou por exportação de Passat. Poderia ter construído um país. Preferiu destruir e se enterrar em um buraco.

Comparo essas mentiras ao que o MPF e PF contaram a meu respeito e Moro aceitou.

Se eu não acreditar na democracia, o que vou fazer? Propor luta armada na minha idade? Prefiro continuar acreditando na Justiça.

Sobre a destruição do governo Dilma

Presidente tem que ficar de fora dos acordos políticos, inclusive para poder agir se houver impasse.

Vivemos coisa atípica em 2014. Vínhamos de um mundo diferente, que começou com as manifestações de 2013 que, em um primeiro momento, tratamos como se fosse manipulação da imprensa em cima de 3 mil meninos lutando pelo Passe Livre. Depois achamos que era o povo querendo mais. Hoje tenho muita desconfiança sobre o que foi 2013. Ali começou processo de desmonte do nosso governo, da ideia de afastar o PT e a Dilma do governo.

A campanha de 2014 foi uma campanha com uma dosagem de ódio que não estávamos acostumados a ver no Brasil.

Aécio plantou vento e está colhendo tempestade.

Tentei ajudar a discutir o futuro governo em 2014, mas a Dilma é que poderá dizer.

No dia da apuração das eleições, quando deu resultado final, tinha algo estranho no semblante da Dilma. Sai de lá com ideia de que tinha alguma coisa deixando minha querida amiga Dilma desconfortável. Eu disse para ela que era importante montar o governo ainda em novembro, porque do jeito que estava o andar da carruagem, se esperasse para montar o governo poderia ter um governo nascendo velho.

Ela teve o tempo dela. A gente discutiu nomes e não foi possível ela colocar e ela era presidente da República. Houve momento muito delicado quando Dilma apresentou reforma. Aquilo foi um choque para aquela parte da sociedade que entrou na campanha no segundo turno, porque não queria a volta da direita.

Leva tempo para recompor crença das pessoas. Facilitou os adversários chamando a gente de estelionatários. Nosso povo chamando a gente de traidor.

Em política eu tenho dosagem de pragmatismo muito grande. Aprendi muito cedo a diferença entre teoria e prática. Não pode colocar teoria sem testar na prática porque, se cometeu erro, não tem tempo de consertar.

Vamos montar governo melhor do que eu tive em 2003 e 2010.

Parte das pessoas que participaram comigo estão muito melhores. Haddad tinha como experiência a Universidade. Agora, a prefeitura de São Paulo.

Sou muito otimista com o que vai acontecer neste país. Vamos ganhar a eleição, vou dizer para o povo o que vai acontecer. Não vou fazer eleição dizendo meias verdades.

A gente vai ter que discutir seriamente o referendo revogatório ou uma nova Constituinte.

Nossa Constituinte teve mais de cem emendas parlamentares. Arrancaram nossa Constituição e fizeram outra.

A elite brasileira, que perdeu a discussão na Constituinte, fez uma nova Constituição.

Se quiser pensar estrategicamente e de forma soberana este país, não pode a cada vitória eventual mudar a Constituição. Porque os políticos judicializaram a política. E o Judiciário politizou a Justiça.

O povo tem que saber que para fazer as mudanças que o país precisa, a pessoa que vota em um Presidente progressista tem que votar em um deputado progressista. Tem que exigir por escrito o que ele quer fazer da vida.

Agora, com fundo partidário, estão vendendo nacos do fundo.

Quero discutir: porque povo pobre tem que pagar mais imposto de renda que o rico? Porque o rentismo não paga imposto de renda? Porque não pode pensar em política tributária em que os mais humildades paguem menos? Porque não se coloca em prática a questão sobre as grandes heranças?

Vamos mostrar os exemplos da Inglaterra, Estados Unidos, e não em Cuba.

Não mudei antes porque não tenho hoje, com 72 anos, a visão que tinha aos 40. O tempo existe para a gente evoluir. De fora do governo estou pensando de forma mais justa na política tirbutária.

Fiz duas políticas tributárias, mandei para o Congresso. Uma tinha a unanimidade dos empresários, sindicatos e lideranças. Não andou porque Serra não queria, porque lamentavelmente as pessoas não querem um país mais equânime. Tem que ter política tributária que torne estados mais iguais.

Não vai ser campanha apenas pedindo voto, mas discutindo projeto de Nação, que país a gente deseja. Por isso Haddad foi indicado pela Executiva nacional como coordenador do programa.

Eu não preciso ser candidato para fazer o que já fiz. Quero fazer outro.

Eu não tenho cara de radical. Estou mais sabido. Quando presidente eu sempre disse que sei quem são meus amigos e meus amigos eventuais, sei de onde vim e para onde vou.

Posso dizer: o povo pobre vai subir mais um degrau na escala social.

Sobre acordos políticos

Em política o ideal seria o PT eleger o presidente, o vice, os 27 governadores, os deputados. A segunda coisa ideal é juntar os partidos de esquerda, fazer maioria e governar. Se não tem um e outro, tem que compor com todos e fazer acordo programático.

Com Temer fizemos um programa mínimo que Tarso Genro ajudou a construir.

Se o candidato dizer que não fará acordo com ninguém, duvido que ele vá governar.

Sobre a corrupção e os erros do PT

Corrupção é problema grave mundial. Sabemos o que aconteceu na Espanha, França, Alemanha. Helmuth Kohn foi responsável pela unificação da Europa e apareceram denúncias de corrupção.

Aqui no Brasil, graças a Deus, temos instrumentos para combater a corrupção. Nós aprovamos quinhentas coisas para combater a corrupção.

Temos agora o presidente da Samsung preso e a empresa bombando. Aqui no Brasil se quebrou a indústria naval e a indústria da construção civil. E se criou uma palavra mágica, a propina. Muito do dinheiro que está fora, de empresários, é evasão fiscal. Ficou mais cômodo para empresários dizer que era propina, que foi achacado. Mentira! Eles estavam montando patrimônio no exterior.

País fantástico, porque tem medida provisória para lavar dinheiro roubado. Não trouxeram. Só legalizou.

Lembro da discussão do G20 para dificultar a vida dos paraísos fiscais. Queríamos que Suíça entrasse nessa relação, e eles querendo investigar Uruguai. Mas muita coisa foi feita para combater corrupção no mundo inteiro.

Não vou esquecer nunca o show que a Policia Federal deu no Instituto. Parecia que tinha bombas, armas químicas do Iraque. O que me deixa irritado? Acho absurdo a condução coercitiva, um atentado à democracia. Pode ter coagido se for convidado e não comparecer. Não convida e acorda o cidadão às 6 da manhã. E quando encontra dólares, fazem carnaval. Quando vão e não encontram porra nenhuma deveriam ter a honra de dizer que não encontraram nada.

Não vou morrer enquanto não pedirem desculpa. E quero ver William Bonner pedir desculpas na Globo.

Se pegar essa gente toda e fundir em uma prensa, não vão ter um homem mais honesto do que eu.

Sobre conspiração internacional

Em 2012 sumiu um contêiner da Petrobras com segredos da empresa. A empresa que fazia segurança era norte-americana. Foram punidos apenas três seguranças.

Acho que Ministério Público e juiz são subordinados à Secretaria de Estado norte-americano.

Quando pessoal cita Tecla Duran, o Moro diz que não pode acreditar em bandido. Como utiliza delações contra outros?

Tenho quase certeza de que a Globo está mais enrascada do que eu. A prova contra a Globo é muito mais contundente do que qualquer outra prova.

A única diferença entre Cristina e nós é que ela perdeu o cargo pelo voto e aqui não. Mas está sendo vítima da mesma perseguição do Brasil. E acontecendo em El Salvador. Coisa muito esquisita, latino-americana, esquisita essa sofisticação do comportamento do Judiciário e da Polícia na América Latina.

TV brasileira dá mais notícia sobre Trump do que de Cristina. É visível a semelhança com o que está acontecendo conosco aqui. Americanos nunca viram com bons olhos a independência da América do Sul, Mercosul. A ALCA foi desmontada em Mar del Plata. Aprovamos Unasul, conceito de defesa da Unasul, uma série de mecanismos institucionais que davam força à América do Sul.

Tenho mais desconfiança do que em qualquer outro momento sobre interesses de fora.

Se ganharmos as eleições, da mesma forma que há um viés de direita poderá haver outro de esquerda.

Tenho muito mais noção da importância da América do Sul e das relações com eles do que antes.

E tenho noção de que a diplomacia brasileira, apesar do extraordinário Celso Amorim, a máquina burocrática brasileira é muito pró-americana. É preciso que trabalhemos mais rápido e com mais força para consolidar mecanismos e instituições para fortalecer do ponto de vista político e econômico.

O Brasil tem que ter compartilhamento com países da América do Sul. Veja o salto de qualidade do crescimento econômico no Paraguai depois da união, financiado pelo governo brasileiro. Porque Brasil nunca quis que Paraguai se desenvolvesse. Construímos uma hidrelétrica. Como emprestei para construir, você vai me pagar até 2023.

Até lá você tem 50% da energia, mas só pode utilizar se for para você. Para tanto, economia tem que crescer. Como economia não tem energia, não cresce. Colocamos linhão lá e tem empresas indo para lá. E Brasil não vai ser rico cercado de pobres.

Sobre política externa

Quando eleito presidente da República, em 2002, primeiros países que visitei foram Argentina e Chile, para mostrar as prioridades. E tem que disputar em todos os organismos internacionais. Os BRICs podem ter muito mais força e Brasil pode ser peça importante. Precisa ter alguém para animar, puxando a torcida, dizendo que vai ser melhor. O Brasil tem que jogar esse papel, porque não tem contencioso com ninguém.

O problema do Brasil é uma elite perversa e pequena.

Vamos ter relação internacional muito ativa.

O fato de eu dar importância para um lado não significa que não estou dando importância para outro, como EUA em Inglaterra.

Sobre partidos que apoiaram impeachment

Diferença entre povo e partidos políticos. Não posso ser político que tenha ódio de uma parcela do povo. Continua sendo povo, continua tendo razões sendo contra ou a favor. E sempre temos que trabalhar para convencê-los. Já TVE 60% de rejeição e 80% de aprovação. Muda de acordo com acontecimentos.

Agora, as pessoas que compõem os partidos políticos é diferente. Eu, sinceramente, não posso aceitar que a Dilma tenha dado a força que deu a Kassab e ele trair da forma mais vergonhosa como traiu. Aquele Agnaldo, Ministro das Cidades. Era o fato da mentira.

Tive discussões e disseram que Kassab tinha três votos com Temer e dois com Dilma, tendo dois Ministérios.  Não á porque aliança com eles. Mas o partido muda de direção.

Vocês verão coisa engraçada. Partido que nunca vai mudar de nome é o PT, porque não somos legenda eleitoral, somos uma causa. Todo partido já mudou de nome. Agora, querem ser Agora, Depois, e Aí?

O Bolsonaro tem 28 anos de deputado e tenta passar a ideia de que não é político. Tive mandato de 4 anos e desisti de ser deputado. E ele diz que não é político, tendo filho, tio políticos.

Prezo muito partidos políticos. PMBD vai ser agora MDB. Acontece que as pessoas que foram motivo de orgulho nos anos 60 e 70 já morreram. Pode ser só M, só D, só B e não adianta. É o mesmo que Arena, PDS e DEM.

Quando é candidato e não tem perspectiva de futuro, pode fazer qualquer coisa.

O PT sabe que terá que construir alianças políticas para governar. Partido que tem candidato conhecido mais que notas de 10 reais, como eu, não precisa de aliança política para tempo de televisão. Mas precisa no Senado e na Câmara.

Não adianta você ser tão puro na atuação política, como Boulos, e não ter nenhum deputado.

Durante processo de campanha, precisamos o compromisso de fazer com o povo um debate em torno da campanha congressos.

Sobre o mercado

Vou escrever uma Carta ao povo, não ao mercado. Esse mercado injusto nunca reconheceu o que ganhou comigo. Quando entrei, a Bolsa de Valores tinha 11 mil pontos. Quando sai, tinha 77 mil pontos.

Quando cheguei, o país tinha 4 IPOs. No meu governo foram 150.

Outro dia recebi visita de um rapaz do Credit Suisse que me disse: o senhor tem noção do que significou para o mercado de capitais? O senhor legalizou centenas de empresas que viviam na bandidagem.

As empresas que quebraram tinham 170 mil trabalhadores, hoje tem 15 mil. Não poderiam combater a corrupção sem quebrar as empresas?

A paz vai ser mantida com a seriedade com que trato essas pessoas. Nunca desrespeitei uma pessoa. O que importa é uma relação respeitosa. Não quero saber se o cara gosta ou não de mim. Não estou propondo casamento.

E vamos voltar a valorizar o salário mínimo. E não é o salário mínimo que causa inflação. Nós provamos isso.

E ninguém venha me falar em responsabilidade fiscal, porque tenho de sobra e aprendi com uma mulher analfabeta: só gaste o que você tem e só faça dívida que você possa pagar.

Sempre me dei bem com Setubal, Trabuco, Lázaro, sempre muito respeitoso, civilizado. É só isso o que quero. E eles vão saber que haverá um presidente que mais uma vez vai dar uma vantagenzinha a mais para o pobre.

É uma ascensão do país como um todo.

É importante na campanha que fique claro: educação não é gasto. Este país vai investir em educação, em ciência e tecnologia, e quer criar uma consciência de que jamais será país desenvolvido e competitivo se não investir em educação. Conhecimento não pede concordata, não quebra. Adquirido, é para sempre. É esse conhecimento que vai dar ao Brasil oportunidade.

Se essa elite brasileira, que governou o país por 500 anos, eles terão que explicar porque foi o último país da América do Sul a ter uma universidade.

Luís Nassif
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Os amigos do golpe não têm amigos


Notícia sem contexto é desinformação ou informação pela metade. O Bom Dia Brasil, da Globo, hoje, informou que o deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) foi condenado por unanimidade, no Tribunal Regional Eleitoral do Pará por abuso de poder econômico e gastos ilícitos nas eleições de 2014. E ilustra a notícia com cenas dele votando pelo impeachment da Dilma. Mas, detalhe: em nenhum momento da reportagem menciona isso. Muito menos que ele havia tatuado a palavra “Temer” no ombro direito. Ou seja, quando esse pessoal é pego de calça curta, nunca tem amigos.

Confira:



Celso Vicenzi
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Alexandre Frota, o juiz e a “bunda”

O ator-pornô Alexandre Frota, um dos ícones dos “midiotas” que saíram às ruas para rosnar pelo impeachment de Dilma Rousseff, deve estar abatido. Nesta terça-feira (19), a juíza Tonia Yuka Kôroku, da 13ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, determinou que ele apague todas as postagens das suas redes sociais que fazem menção ao juiz Luís Eduardo Scarabelli, que foi chamado pelo canastrão de “ativista gay” e acusado de “julgar com a bunda”. Ele também deverá publicar em seus perfis na internet um texto-resposta escrito pelo magistrado. Caso descumpra a liminar, o ator decadente e patético será punido com multa diária de R$ 1 mil, até o limite de R$ 200 mil.

Conforme relembra o site Consultor Jurídico, “Luís Scarabelli foi responsável por julgar o processo movido por Frota contra a ex-ministra Eleonora Menicucci, do qual o ator e hoje ativista saiu derrotado. Ao saber do resultado, ele partiu para o ataque ao magistrado, o que foi noticiado por diversos veículos. ‘Não há dúvidas que o ator Alexandre Frota utilizou de sua condição de pessoa pública e nacionalmente conhecida, fazendo uso de palavras totalmente descabidas e ofensivas na tentativa de retaliar o magistrado. Isso tudo diante da sua discordância com a decisão tomada pelo Colégio Recursal do Juizado Especial Cível Paulista”, diz o advogado Igor Tamasauskas, que atuou na defesa do juiz junto com a advogada Débora Cunha Rodrigues”.

Para o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Jayme de Oliveira, “a decisão restabelece a dignidade da magistratura e do juiz atingido por exercer sua função com zelo e dedicação”. Ela não deve, porém, restabelecer a sanidade do ator-pornô, que segue com suas posições fascistas de estímulo ao ódio para ganhar alguns minutos de fama e, talvez, para galgar algum mandato na política. Neste caso, nem uma prótese no cérebro deve fazer efeito.

Altamiro Borges
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Spotlight - Segredos Revelados




Cardeal Bernard Law, envolvido em escândalo de pedofilia nos EUA, morre em Roma


O cardeal americano Bernard Law, envolvido em um enorme escândalo de padres pedófilos nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (20), aos 86 anos, anunciou o Vaticano.

No início de 2002, o cardeal Law, na época arcebispo de Boston, reconheceu ter protegido um padre, Paul Shaney, contra o qual existiam várias provas de abuso sexual contra crianças.

Após o escândalo, Law abandonou a arquidiocese de Boston, mas foi nomeado arcipreste da basílica de Santa Maria Maggiore, cargo ligado à Cúria Romana (governo do Vaticano). O sacerdote permaneceu no cargo até 2011.

Bernard Francis Law nasceu, em 1931, em Torreón, no México. Foi ordenado sacerdote em 1961, e em 1973 tornou-se bispo de Springfield-cape Girardeau, no Missouri, e em 1984 foi promovido a arcebispo metropolitano de Boston. Em 1985, o papa João Paulo 2º o nomeou cardeal.

Uma investigação do jornal "Boston Globe" revelou como a hierarquia da Igreja Católica local, com o cardeal Law à frente, acobertou de forma sistemática, e geralmente cínica, os abusos sexuais cometidos por quase 90 padres de Boston e seus arredores durante várias décadas.

A série de reportagens rendeu o prestigioso Prêmio Pulitzer ao jornal e foi a base para o filme "Spotlight", vencedor do Oscar de melhor filme em 2016.

Centenas de vítimas testemunharam sobre os abusos.

Após o escândalo vir à tona, Law se viu obrigado a apresentar sua renúncia como arcebispo de Boston, mas João Paulo 2º o enviou para Roma e o nomeou, em 2004, arcipreste da Basílica de Santa Maria Maggiore, uma das mais importantes de Roma. O cardeal participou do conclave para que elegeu o papa Bento 16 em 2005.

Law viveu seus últimos anos no Vaticano e nunca se prestou a testemunhar perante a Justiça dos EUA, conforme solicitado, e não concedeu nenhuma entrevista sobre o escândalo.

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Mino e o desafio de Lula


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Processo disciplinar contra juiz Rubens Casara é anulado


O ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski anulou processo disciplinar que o juiz Rubens Casara sofria por protestar contra o impeachment de Dilma Rousseff. Lewandowski entendeu que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não é instância recursal e não pode ser usado para reformar decisão disciplinar. 

O processo disciplinar contra Casara foi instituído pela Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio, que se baseou na Lei Orgânica da Magistratura (Loman) que proíbe atuação política e partidária de juízes. 

O processo foi rejeitado pelo Tribunal, que determinou o arquivamento. Os desembargadores entenderam que a Loman também garante liberdade de expressão e pensamento, e também impede punição de membros da magistratura por opiniões. Na decisão, os desembargadores entendeream que os juízes apenas aderiram a uma das duas correntes que se formaram no país. No processo constavam Rubens Casara e outros juízes que haviam participado de protesto contra o impeachment em 2016. 

Entra então no circuito o CNJ, que resolveu revisar a medida por entender que o TJ-RJ atuou de forma contrária às evidências. Casara buscou o Supremo, questionando a medida, alegando que o CNJ tentava alterar conclusão jurídica do Tribunal, atuando como instância recursal, o que é vedado na Constituição e no regime interno da instituição. No tocante à participação no protesto, o jurista afirmou que foi uma ação política e não partidária, e agiu como cidadão, e não juiz.

Lewandowski entendeu que o CNJ não é instância recursal, e anulou o processo. “Os fatos não foram desconsiderados pelo tribunal fluminense que, todavia, não os enquadrava no conceito de atividade político-partidária vedada ao juiz. Dessa maneira, não poderia o CNJ instaurar a revisão disciplinar sob pena de inaugurar verdadeira instância recursal, inexistente pelo regimento e, como visto, pela própria jurisprudência”, disse ele.

No GGN
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O Segredo dos Deuses — 7/10 — Igreja Universal do Reino de Deus


Neste episódio, revelamos como Cristiane Cardoso ficou com Filipe, mas não com o irmão Pedro. A mãe, "Clara", garante que nunca foi ouvida nos processos.

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A “emenda Gilmar Mendes” é marola. É inconstitucional


A “emenda constitucional” do “cidadão” Gilmar Mendes, noticiada em alguns jornais, é um factóide e uma aberração.

Factóide porque não existe a menor possibilidade de que um “cidadão” – nem mesmo um “supercidadão” como o Ministro, propor emenda à Constituição.

O artigo 60 da Constituição Federal é claríssimo ao afirmar que só o presidente da República, um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal ou a metade das Assembléias Legislativas dos Estados o podem fazer.

Gilmar é muito poderoso, mas não tudo isso.

Juridicamente, é apenas uma “cartinha” ao Senado, com o mesmo valor de uma que eu ou você resolvêssemos escrever.

Politicamente, claro, tem outro peso. É um “balão de ensaio” cavilosamente lançado por Michel Temer para despertar a ambição de mando total dos parlamentares, que se assenhorariam formalmente do Poder Executivo.

Essa, a aberração.

A proposta não tem o mínimo de realismo político, faz tanto sentido quanto a possibilidade de que os eleitores escolhessem, se este fosse o candidato a presidente, um traste como Temer ou o próprio Gilmar como cabeça de chapa presidencial

Fala em “dissolução da Câmara dos Deputados” pelo Presidente, coisa com a qual duvi-de-o-dó alguma maioria parlamentar venha a concordar, exceto se estabelecida num processo de confronto por uma Constituinte eleita para uma reforma política, distinta do Congresso Nacional.

Trata-se de uma flor – e ainda com odor nauseante – do recesso parlamentar, como dizia, nos anos 80, Thales Ramalho, o avô do “Centrão”.

A “Emenda Gilmar” não existe, mas suas intenções, sim.

Não é difícil imaginar o que daria um monstrengo destes: em 2014, ninguém menos que Eduardo Cunha seria consagrado como Primeiro-Ministro, e fácil.

Corresponde ao desejo da camada fisiológica da política de retirar do povo o poder de escolher os governantes, entregando-o aos “homens çábios“.

O mais trágico nisso é que estamos na dependência de um tipo abjeto  como Gilmar para dizer o óbvio diante de situações de arbítrio, como na proclamação do óbvio de que condução coercitiva só pode ser feita quando o cidadão recusa o comparecimento espontâneo à polícia.

Está claro que não o faz por consciência jurídica, mas porque faz parte do seu enfrentamento aos arroubos de poder policialesco do MP e da ala MM (Medíocres e Maus)  do próprio STF: Fachin, Barroso e  – não sabe sequer bem porque está ali – Rosa Weber.

Pelo poder – que ele deseja tanto quanto o trio mas sempre esteve mais perto dele que qualquer um dos três –  Gilmar Mendes presta-se ao papel de autor da “cartinha de sugestões” ao Senado.

Segue o exemplo de Temer: verba volant, scripta manent.

Fica nela o registro eterno de seu golpismo, como ficou o de seu parceiro, o ex-vice-decorativo.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Ipsos: Lula é o menos rejeitado entre os presidenciáveis


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu o ápice de aprovação na série histórica das pesquisas Barômetro Político Estadão-Ipsos, enquanto outros possíveis candidatos, como Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSC), sofrem desgaste na imagem. Em dezembro, Lula teve seu sexto mês seguido de melhora na avaliação, chegando a 45% de aprovação. A parcela da população que o desaprova, no entanto, ainda é maior: 54%.

Geraldo Alckmin aparece na pesquisa Ipsos com 19% de aprovação e 72% de desaprovação. No levantamento do mês anterior, as taxas eram, respectivamente, de 24% e 67%. Isso significa que o governador paulista teve uma leve deterioração na imagem no momento em que se preparava para assumir a presidência do PSDB.Jair Bolsonaro, que tem aparecido em segundo lugar em pesquisas de intenção de voto, atrás de Lula, é aprovado por 21% e reprovado por 62%, segundo o Ipsos. Houve piora de suas taxas em relação aos dois levantamentos anteriores.

A mesma tendência foi observada nos números relativos a Marina Silva, vista favoravelmente por 28% e desaprovada por 62% – desde outubro, a aprovação caiu oito pontos.

Rejeição ao juiz Sérgio Moro não para de aumentar e já tem empate técnico com a de Lula, em 53%. Recorde de rejeição entre os presidenciável fica com o ministro Henrique Meirelles, com 75%.

No mesmo período, a aprovação a Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e citado como possível presidenciável pelo PSB, caiu 11 pontos, de 48% para 37%.


No 247
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Extra! Extra! JN acaba de descobrir corrupção tucana em SP


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Medo e fuga: o último despacho de Moro ao TRF 4 negando a oitiva de Tacla Durán é revelador

Eles
O último despacho de Sergio Moro ao TRF 4 para impedir que a defesa de Lula ouça Tacla Duran é revelador do sentimento do juiz em relação ao ex-advogado da Odebrecht.

Transcrevo um trecho:  

“Aliás, referido acusado foragido já prestou declarações graves e desacompanhadas de provas contra a pessoa do ora magistrado e contra os Procuradores da República em Curitiba, com intuito, por ele mesmo declarado, de gerar impedimentos jurídicos, o que não contribui para sua credibilidade”.

Será que não está na hora de trazer Carlos Zucolotto Junior, o amigo de Moro, ex-sócio de Rosângela, para os autos? Como assim as denúncias de Tacla Durán são desacompanhadas de provas?

Algumas evidências que já foram expostas pelo próprio Tacla em matérias que Moro chama de “descuidadas” (as boas são as que a Lava Jato emplaca com os amigos da mídia) e em seu depoimento à CPI da JBS: 

1. Foto periciada de conversa nada republicana de Zucolotto com Tacla Durán.

Conversa periciada de Tacla e Zucolotto

2. Rosângela recebeu pagamento nominal por serviço prestado a Tacla Durán, conforme documento obtido pela Receita Federal e em mãos do MPF-PR.

3. Tacla Durán possui duas perícias relacionadas aos documentos dos sistemas Drousys, MyWebDay, além do Meinl Bank.

4. Perícias também mostram que os sistemas da Odebrecht foram fraudados ANTES, DURANTE e DEPOIS do bloqueio pelas autoridades. 

Moro menciona apenas os procuradores em Curitiba e não Marcelo Miller, de Brasília, alvo de acusações pesadas de Tacla Durán.

Sem querer, entregou Deltan Dallagnol, possivelmente o “DD”, e Carlos Fernando dos Santos Lima, comentaristas de redes sociais.

Kiko Nogueira
No DCM
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Zucolotto não dá entrevista e duas pessoas do escritório dele seguem o repórter


Dentro do projeto que une o Jornal GGN e DCM, "A Indústria da Delação Premiada", Joaquim de Carvalho traz mais uma grande reportagem diretamente de Curitiba. Lá, o primeiro-amigo Zucolotto se recusa a dar entrevistas, e funcionários dele seguem o repórter. Outras matérias da série podem ser vistas aqui.

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