18 de dez. de 2017

“Afinal, de qual Bolsonaro o povo está falando?”

Agora, o personagem inflado prepara-se para passar pelo grande teste. A participação de uma figura tão deplorável, cruel, tirana e desrespeitosa em uma eleição presidencial não é nada bom para a política.


Nos corredores do anexo II da Câmara fica o gabinete de um político, que ganha espaço na mídia por suas opiniões agressivas e incitações ao ódio. Um homem que está no Congresso Nacional há 27 anos, conta com diversos assessores, mais de R$ 360 mil/ano de verba de gabinete e teve apenas duas leis aprovadas nesses 324 meses de mandato parlamentar. Este é Jair Messias Bolsonaro, carioca que carrega no nome a promessa de salvador, de mito como chamam seus seguidores, mas que tem uma folha corrida de pedidos de cassação, processos no Conselho de Ética e ações judiciais, como a que é réu no Supremo Tribunal Federal por incitação ao estupro e injúria.

Na Câmara, Bolsonaro escolheu um lado para apoiar: o dos patrões e contra o povo, que agora jura defender e pede a confiança. Votou contra a aprovação da política de cotas – raciais, gênero sexual, socioeconômicas – (inclusive ironizou e apresentou outro projeto, que disse que iria votar contra, “rebatendo” a política e sugerindo que fossem reservadas 50% das cadeiras do Congresso para negros e pardos), disse não ao programa Mais Médicos – que em quatro anos beneficiou 63 milhões de brasileiros e levou médicos para regiões mais distantes do país, onde jamais nenhum profissional chegou -, foi contra a efetivação da política do salário mínimo no Brasil. 

Votou, sim, pela PEC da Morte, de Temer – aquela que congela por 20 anos os recursos para saúde e educação – pela reforma trabalhista, se absteve na votação da lei das terceirizações (por que será?), foi favorável à venda de nossas petroleiras – o pré-sal que financiaria nossa saúde e educação – a preço de banana para as empresas internacionais do petróleo, entre outras que prezam por interesses pessoais e das instituições que o patrocinam.

Será que seus eleitores conhecem todos os atos, posições e votos de Bolsonaro? Que além da volta do “porte de arma” para as chamadas pessoas de bem, ele e seus filhos – também políticos – empregaram por muito tempo com seus cargos públicos, diversos familiares, inclusive sua ex-mulher? Bolsonaro fala uma coisa e prega outra. Adepto do nepotismo, do mau uso do recurso público, acredita que seus gritos e frases polêmicas podem esconder sua verdadeira postura na Câmara: a de quem se acostumou com o poder e não quer largar o osso.

Bolsonaro é um fenômeno provocado pela intolerância e ódio na política e pelo aumento dos dramas da população, acionados à violência pública. Durante anos, a elite política, a mídia e o judiciário optaram por semear o ódio contra o PT, o que resultou no golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita por 54 milhões de votos em 2014. As ruas tomadas por manifestantes que se diziam “contrários a tudo isso que está aí” e disseminavam ódio – e muitas vezes pauladas – aqueles que se diziam favoráveis à democracia, à presidenta eleita, esses plantaram “justiça” e colheram “Bolsonaros”, a semente do fascismo.

Agora, o personagem inflado prepara-se para passar pelo grande teste. A participação de uma figura tão deplorável, cruel, tirana e desrespeitosa em uma eleição presidencial não é nada bom para a política. Mas pelo menos parcelas mais expressivas do povo brasileiro terão oportunidade de conhecer, não o mito construído, mas o que construiu nestes anos estes indivíduos. De fato, de qual lado esteve quando chamado a votar como representante de uma parcela do povo que o elegeu.

Alexandre Padilha é médico, foi secretário municipal da saúde na gestão de Fernando Haddad e ministro nas gestões Lula e Dilma.
No Fórum




Nulidade: em 26 anos, Bolsonaro nunca foi citado em relatório sobre “cabeças” do Congresso

O relatório “Os Cabeças do Congresso Nacional”, divulgado anualmente pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), dá a dimensão do tamanho de Jair Bolsonaro no cenário político nacional.

A publicação, produzida desde 1994, elenca os 100 parlamentares mais influentes do Congresso. Os deputados e senadores são escolhidos após exames minuciosos das atividades parlamentares, apresentações de proposições, resultados de votações e relatorias de matérias relevantes, entre outros aspectos, de acordo com metodologias da Ciência Política.

“A ideia da série partiu da premissa de que a disputa política é assimétrica, isto é, alguns atores são mais poderosos que outros, daí a necessidade de identificá-los. Poderoso aqui é entendido como alguém hábil, experiente, especializado, ou que detém recursos – materiais, econômicos, organizacionais, humanos, técnicos, partidários, ideológicos ou regionais – e capacidade de convertê-los em poder e, portanto, em liderança. No Parlamento, como na sociedade, há os que lideram – geralmente em menor número – e os liderados, em maior número”, explica a introdução da publicação.

Deputado federal há 26 anos, Jair Bolsonaro nunca fez parte da lista.

Sequer foi citado entre os políticos em ascensão, relação com 50 nomes que podem estar entre os cabeças no próximo ano. Segundo a pesquisa do Diap, Bolsonaro não passa de um liderado, um sujeito pequeno entre os “cabeças” do Congresso.

Para quem pretende disputar a presidência da República, a posição não é nada confortável. Ele poderá até alegar “discriminação”, como fez ao explicar a esquálida produção legislativa ao longo da carreira – em mais de duas décadas foram apenas dois projetos aprovados.

Porém, a pesquisa elaborada pelo Diap não leva em conta critérios partidários, éticos ou morais. Traz nomes de vértices opostos no quadrante ideológico, como Pauderney Avelino e Jandira Feghali. Há parlamentares com a ficha limpa e outros denunciados na “Operação Lava Jato”.

O que importa para estar na lista é o poder, a capacidade de influenciar os demais congressistas. “Os ‘Cabeças’ ou protagonistas do Congresso são os parlamentares que exercem real influência no processo decisório e sobre os atores nele envolvidos”, diz o documento do Diap.

Inexpressivo entre seus pares, Bolsonaro encasquetou em se tornar presidente, usando para isso o machismo, o racismo, a homofobia e o ódio contra qualquer manifestação que possa ser atribuída à esquerda.

É tão preparado para assumir o comando do país quanto aquele tiozão viciado na Globo News e que repassa pelo Whatsapp notícias fantasiosas sobre a presença de tropas venezuelanas e bolivianas prestes a invadir o Brasil.

O tiozão, aliás, seria um nome melhor que o de Bolsonaro. Pelo menos no seu currículo não constariam 26 anos de atividade parlamentar com todas as vantagens inerentes ao cargo e quase nenhum benefício oferecido à sociedade.

Marcos Sacramento
No DCM
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Dallagnol, os recibos de Lula e a tática do meninão que leva a bola embora ao ver que perderá o jogo

Ma-oeeee
A Lava Jato inaugurou um novo tipo de Direito no Brasil (mais um): o do Menino Mimado Dono da Bola, MMDB.

É inspirado naquele tipo de moleque que vai jogar com os outros e, ao perceber que tomará um vareio, apanha a redonda, encerra a partida e sai gritando que ganhou em direção ao tapete da mãe.

Os super heróis de Curitiba desistiram de periciar os 31 recibos de aluguéis do apartamento em São Bernardo do Campo, que seria propina da Odebrecht, apresentados pela defesa de Lula. 

A justificativa é a de que eles são “ideologicamente falsos” — ou seja, visariam acobertar o verdadeiro dono do imóvel. Não haveria nada a fazer.

O Ministério Público Federal deixa de insistir na realização da prova técnica”, afirma a força-tarefa na petição.

A defesa de Lula periciou os documentos e o resultado foi sua autenticidade. Por que a Lava Jato não contestou e produziu seu laudo?

Porque, provavelmente, alguém calculou que poderia dar bode. Para evitar o vexame, foi mais fácil essa saída no grito — que, na verdade, é mais cara, dada a vergonha de quem não conseguiu provar nada.

Ao longo dos últimos meses, os procuradores, especialmente Deltan Dallagnol, o das bochechas rosadas, insuflaram a imprensa amiga com essa novela.

Em outubro, um pedido do Ministério Público Federal a Sergio Moro era peremptório: “imperativa se apresenta a realização de perícia para aclarar aspectos pontuais com relação à confecção dos recibos”.

Era preciso “verificar se houve adulterações e/ou montagens”. Dallagnol chegou a declarar em entrevistas que aquele era “o menor dos problemas”.

Quais eram os principais? Jamais saberemos. Mas temos convicções.

A Lava Jato continua sua caminhada rumo à desmoralização completa. Mais por culpa dela mesma do que de seus adversários.

Quando você tem mais de 9 anos, sair com a pelota debaixo do braço e se declarar vencedor deixa de ser uma gracinha para ficar ridículo. A solução continua sendo algumas palmadas no intelecto dos rapazes.

Kiko Nogueira
No DCM
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Joaquim Barbosa e Moro, as faces diferentes do punitivismo


Se os excelsos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) quiserem conhecer a natureza real das delações premiadas, devem convidar delatores para uma audiência privada, sigilosa, para que relatem o ambiente da prisão de Curitiba e o papel dos procuradores – não apenas os de lá mas aqueles ligados à Procuradoria Geral da República.

O medo os mantêm calados, Mas, daqui a alguns anos, depois de cumpridas as penas, essas histórias virão à tona e mancharão definitivamente a imagem da Justiça nesse período.

Não se sabe se o fato de ter sido exposto na delação da JBS, mas o nome de Marcelo Miller sempre é citado como o batedor, o sujeito incumbido de espalhar o terror nos prisioneiros para induzí-los a delatar.

E não havia preferências. De criminosos óbvios e executivos sem nenhuma noção das ilegalidades cometidas, todos  recebiam o tratamento da tortura psicológica até abrir o bico para dizer o que os procuradores queriam que dissessem.

Havia as conversas preliminares, nas quais os procuradores infundiam terror, os anos de condenação a que estariam sujeitos.

Se o prisioneiro tivesse noção de direito e alegasse que sua atuação nada tinha de criminosa, era contestado. O procurador alegava mudança na jurisprudência, dizia que a Justiça sempre ficaria do lado da Lava Jato e apontava o vingador Sérgio Moro segurando a corda da giulhotina.

As condições eram as mesmas. Especialmente no caso da delação maciça da Odebrecht, a condição para uma delação favorável seria admitir que cometeu crime e, de alguma forma, envolver Lula.

Os peixes mais graúdos tinham outros caminhos, através dos advogados que integravam a milionária cadeia produtiva da indústria da delação.

Nenhum governante minimamente informado trata de dinheiro. Fernando Henrique Cardoso sabia dos financiamentos de campanha, assim como Lula, Fernando Collor e outros presidentes. Não há um caso sequer de presidente negociando propinas ou financiamentos. O caso mais explícito conhecido até agora é o do inacreditável Michel Temer indicando o seu caixa para Joesley Batista. Assim, os candidatos a delatores tinham que se virar ou fazendo afirmações inverossímeis, ou afirmações óbvias não acompanhadas de provas.

A pressão maior era sobre familiares. Se o prisioneiro tivesse uma empresa limitada e colocasse um filho como sócio – por exigência da legislação -, ainda que com participação irrisória, o procurador chantagearia, ameaçaria envolver o filho. Várias delações foram obtidas dessa maneira.

O juiz que entendia de medicina

Os exemplos desses tempos de terror não se esgotam na Lava Jato. Ainda há muito a se escrever sobre o período em que o espírito de Torquemada assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal, na figura de Joaquim Barbosa, na AP 470, do “mensalão”.

O sadismo de Joaquim Barbosa beirava o desequilíbrio. Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato exercem suas arbitrariedades friamente, têm método, sabem quando usar a mídia, sabem quando atender os advogados mais próximos, usam o terror para fins políticos explícitos, sempre de um olho na repercussão midiática.

Já Joaquim Barbosa não atuava por motivação política nem para atender à demanda de escândalos da mídia. Era pelo prazer, pelo orgasmo de infligir sofrimento, em uma revanche diuturna contra a vida. É o exemplo maior do espaço que a guerra midiática abriu para as figuras mais desequilibradas, da malandragem explícita do MBL, às personalidades mais sádicas do Judiciário.

O episódio mais emblemático envolveu a figura unanimemente reconhecida como a mais inocente, de José Genoíno.

Na condição de presidente do PT, Genoíno assinou contratos de empréstimo do partido com o Banco Rural. Até Ministros que votaram por sua condenação reconheceram que a assinatura foi de boa fé.

Condenado, remetido à papuda, Genoíno ficou sob a guarda do juiz Ademar Silva de Vasconcelos, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal. Barbosa o considerou condescendente demais e pressionou o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Dácio Vieira, para transferir o processo para o juiz substituto Bruno André Silva Ribeiro.

A atuação conjunta de Barbosa e Ribeiro é a repetição de movimentos psicológicos similares em torcidas de futebol ou no efeito-manada que une linchadores, a estranha solidariedade que junta personalidades desequilibradas em um ritual sádico.

Certa manhã, na Papuda, o médico José Ricardo Teixeira examinou Genoíno e notou alteração no seu eletrocardiograma. Genoíno havia sido transportado do Hospital Sirio Libanês para a Papuda, logo após uma cirurgia de alto risco.

Telefonou para a gerente da administração penitenciária, Larissa Feitosa, responsável pela Papuda, que imediatamente informou o Secretário de Saúde do Distrito Federal da necessidade de transferir Genoíno para um hospital, já que o presídio não tinha condições de atender a emergências cardíacas.

Estava a caminho da Papuda, quando o juiz Bruno lhe telefonou:
  • Que história é essa de encaminhar o Genoíno. Ele é o MEU preso!
  • Doutor, estou indo para lá para ver a situação dele.
E Bruno:
  • Pois eu também.
Chegando a Papuda, o juiz Bruno entrou na cela de Genoíno. No corredor, ficaram Larissa, o médico, o vice-diretor, os seguranças.

Bruno saiu da cela com o diagnóstico pronto:
  • Basta uma dieta.
E apregoou seus conhecimentos de medicina: tinha sido técnico em enfermagem.
Saiu de lá, e o médico José Ricardo insistiu com Larissa
  • Minha conduta é encaminhar.
Foi-lhe recomendado para ficar de olho em Genoíno e reavaliar.

No dia seguinte, quando Larissa chegou na Papuda, o médico tinha feito outro eletro eletrônico, e o quadro tinha piorado. Havia agora três alterações.

Larissa não vacilou. Ligou para o Secretário de Saúde informando que iria encaminhar Genoíno para uma clínica especializada. Imediatamente o Secretário ligou para diretora do Incor. Larissa ligou em seguida, informando sobre o quadro de Genoíno. A médica não vacilou:
  • Não pense duas vezes, traga o paciente.
Quando chegou o coordenador do sistema penitenciário, para coordenar a reunião que deveria decidir sobre a transferência. Nada havia a decidir.
  • A decisão não é de vocês, é decisão médica, informou Larissa.
Entrou na cela para comunicar a decisão a Genoíno.
  • Pode ser que o senhor chegue lá e não tenha nada ou que esteja infartando. Estamos tratando o senhor do mesmo modo que trataríamos qualquer cidadão.
Genoíno concordou com a transferência.

Foi colocado em uma viatura descaracterizada. Larissa ia no banco da frente, ajudando a driblar os cones da penitenciária.

No caminho, ligou o técnico em enfermagem Bruno.
  • Que história é essa?
  • Doutor Bruno, deu três alterações.
O juiz Bruno  rumou, então, para a Papuda e informou que ele havia dado autorização para retirar Genoíno. Assim que terminou o atendimento, Joaquim Barbosa ordenou sua volta à prisão.

Daqueles tempos cabeludos, restam demonstrações inesquecíveis de coragem e algumas exceções de bom jornalismo. Como a do advogado Luiz Fernando Pacheco, que ousou enfrentar Barbosa no próprio STF, em um episódio que descompensou de tal modo a personalidade complexa de Barbosa, que apressou sua aposentadoria; do jornalista Felipe Recondo, que ousou fazer jornalismo em plena tempestade midiática. E Larissa Feitosa, exemplo maior.

Cada qual, em determinado momento, cumpriu com suas obrigações em relação à profissão que abraçaram.

A repetição indefinida de casos similares no Judiciário mostra muito mais que coincidência. É resultado direto de uma epidemia social cujo vírus foi o ódio alimentado diuturnamente por uma campanha midiática irresponsável.

Luís Nassif
No GGN
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Globo não é dona da Mapfre e empresa não é a maior do setor

Denúncia feita pelo blog Conversa Afiada não procede e documento apresentado não cita que uma empresa da Globo seria dona da companhia de previdência privada


A informação de que a Globopar, empresa do Grupo Globo, seria dona da Mapfre, empresa que oferece planos de previdência privada, não procede. A denúncia foi feita pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog Conversa Afiada e replicada pela Fórum e outros sites como Brasil 247 e Diário do Centro do Mundo.

O site de fact-checking “Boatos” destrinchou o documento apresentado que seria a “prova” das ações da Globo na Mapfre. De acordo com o site, o documento é, na verdade, um “ato de concentração” e aponta que a Globopar era sócia majoritária da seguradora Roma e tinha intenção de vender ações para a Mapfre. A citação às duas empresas não dá conta de confirmar que uma poderia ser a detentora da maior parte das ações da outra.

O fact-checking esclareceu ainda que, diferentemente do que foi publicado, a Mapfre não é a maior empresa de previdência privada do país. Rankings do seguimento apontam que a empresa está da 12ª colocação. A maior empresa do ramo é a BrasilPrev.

No Fórum
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Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras — JTT#28


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Zanin: MPF desiste de fazer "perícia" em provas de Lula

Esse é o modo de a Lava Jato dizer que Lula é inocente


A Força Tarefa da Lava Jato protocolou petição nesta data (18/12) nos autos do Incidente de Falsidade nº 5043015-38.2017.4.04.7000 por meio da qual desistiu de realizar a tão propalada perícia nos 31 recibos de aluguéis apresentados pelo ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A defesa juntou as vias originais dos recibos para serem periciados, mas o MPF, após verificar que os documentos são autênticos, desistiu da perícia. O Sr. Glaucos da Costamarques confirmou em seu depoimento que assinou os recibos. Uma perícia preliminar por nós apresentada também confirmou que os documentos são autênticos e que não foram assinados em uma única oportunidade.

Quem emitiu os recibos e concedeu quitação à D. Marisa pelos aluguéis de 2011 a 2015 foi o Sr. Glaucos da Costamarques, sendo absolutamente descabido atribuir a Lula ou aos seus familiares a prática de qualquer falsidade.

A versão do Sr. Costamarques de que não recebia os aluguéis é incompatível com os esclarecimentos que ele prestou em 2016 à Receita Federal e à Polícia Federal. Nas suas contas circularam valores em espécie compatíveis com o recebimento dos aluguéis, não tendo ele ou o MPF feito qualquer prova de que tais valores não têm essa origem.

Além disso, se a palavra do Sr. Costamarques merece crédito segundo a visão do MPF, os procuradores deveriam reconhecer que ele é o proprietário do apartamento, conforme suas declarações, que afastam a absurda tese apontada na denúncia de que o imóvel seria de Lula e teria sido comprado com recursos provenientes de 8 contratos firmados pela Petrobras.

Mais uma vez fica claro que as acusações feitas contra Lula estão alicerçadas em factoides e construções por associação e sem provas por parte da Lava Jato de Curitiba. No caso dos recibos, os procuradores deveriam pedir desculpas a Lula após suas manifestações terem estimulado setores da imprensa a publicar notícias de que uma perícia iria constatar a falsidade dos recibos.



No CAf
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‘Não é razoável crer no mantra fácil dos governistas’

‘Faltam ideias originais’, diz Luís Costa Pinto


Em que creem os que creem? (*)

Aécio Neves, que é um desqualificado e por isso perdeu o direito de ter o nome precedido da designação de mandato que o povo de Minas Gerais lhe concedeu em 2010, jamais se livrará da culpa original. Foi ele quem iniciou e viabilizou a sucessão de ousadias que terminaram por golpear as instituições republicanas. O ano de 2017 chega ao fim sob densa neblina, jamais vista desde a redemocratização em janeiro de 1985. Por ironia da História, o avô do malsinado Aécio era há 33 anos o fiel depositário da esperança e da reconstrução do Brasil. Hoje, onde havia fé, há cacos e destroços.

No apagar das luzes do ano legislativo, quadra vergonhosa repleta de retrocessos e de violenta caçada a direitos individuais e coletivos, Michel Temer instalou no Palácio do Planalto o sinistro Carlos Marun. Tem shape de tenor, voz de barítono e propensões a clown de palácio inglês. Lugar-tenente do encarcerado Eduardo Cunha, facínora que idealizou o roteiro do golpe parlamentar de 2016 consumado com prazer e auxílio capital de Neves, o deputado Marun concluiu ser impossível reeleger-se deputado por Mato Grosso. Logo, curtirá temporada de um ano em regime aberto no Palácio do Planalto com licença para celebrar alianças vis em busca de votos de deputados e senadores e liberado para arrebentar os traidores do credo palaciano.

Mas, afinal, qual a fé do Planalto?

Em que creem os que creem ser verdade as platitudes quase obscenas, de tão pueris, saídas da boca dos porta-vozes do discurso oficial?

Aécio, considerado pelo Ministério Público uma espécie de sócio de Temer no achaque a Joesley Batista, da JBS (aqui, no hiperlink, resumo didático feito pelo site de Exame sobre o caso), e Marun, obreiro de Eduardo Cunha nas chantagens que levaram ao impeachment, são correia de transmissão das mensagens do governo ao Congresso. Qual o plano, afinal?

O ano termina sem que se admita viabilidade política para a aprovação da reforma da Previdência – não porque o país não precise mudar as regras da aposentadoria de seus cidadãos, mas porque não há credibilidade nenhuma na camarilha encastelada no poder para liderar debate de tamanha complexidade e envergadura.

No fim de semana, notas dispersas em colunas da velha mídia impressa diziam que Elsinho Mouco, competente alfaiate de ofício convertido em responsável pelo marketing de Temer, o mais malquisto e malvisto ocupante do Planalto em todos os tempos, instalará um placar eletrônico na Esplanada dos Ministérios a ser chamado de “empregômetro”. Elsinho entregará assim às gigantescas hordas de insatisfeitos um alvo a ser atacado. Sê-lo-á: registrem a aposta. Como bom alfaiate em sua primeira encarnação profissional, o publicitário sabe que nem sempre a camisa de melhor caimento no freguês é aquela cujo corte foi objeto do desejo. Cairá melhor a roupa cortada sob medida para cada momento, simples assim.

Talvez embalado na crença de ser verdadeira e honesta a esperança do ministro Henrique Meirelles, para quem o Brasil crescerá acima de 3% do PIB em 2018 e reduzirá o número absoluto de desempregados a 7 milhões (hoje esse total tangencia 13 milhões), o Mouco poderá perpetuar o nome no desabonador rol dos publicitários oficiais como criador do maior totem de “marketing reverso” da literatura política brasileira. É aconselhável que ouça opiniões diversas, análises diferentes, mais descrentes.

Não é razoável crer no mantra fácil dos governistas, que o repetem a fim de transformá-lo em evangelho. Faltam ideias originais, análises acuradas, espírito público e foco na contemporaneidade naquelas almas que penam em busca dos aplausos perdidos e perseguem a porta de entrada na História. Em Brasília, desconhecem eles, essas portas são giratórias.

É um desalento percorrer as ruas da capital da República nesse fim de ano: há moscas e miséria por todo lado. O mormaço da desesperança se reproduz por todo o país, basta que saia às ruas.

As moscas chegaram tardiamente a Brasília, posto que a chuva desse ano demorou a cair. Em geral, as larvas eclodem em novembro. Esse ano, a eclosão auxiliada pela umidade coincidiu com os cestos mais fornidos nos depósitos de lixo da cidade, em razão dos restos de confraternizações de Natal. Os insetos, assim, disputam os rejeitos com as hordas de miseráveis que chafurdam em busca de algo para comer – há 20 anos não se via tantas pessoas com tamanha avidez em busca de restos de alimentos nos lixos brasilienses. A miséria voltou, e é palpável.

Moscas e miseráveis parecem conferir contornos de metáfora trágica à ascensão de Carlos Marun ao posto de garçom das carcaças do Estado brasileiro nesse fim de festa de uma turma que confraterniza retalhando o que era público. Mascaram o desmonte nacional com discursos implausíveis.

Há fome nas ruas. Cidadãos que haviam ascendido nos estratos sociais, entre 1995 e 2011, e surfado na onda da estabilidade política e econômica, já não podem mais abastecer o automóvel familiar comprado às custas de sacrifício e exposto com orgulho como prova material daquela ascensão: o preço dos combustíveis aniquila a classe média.

Há uma epidemia de meios-empregos – a mudança nas leis trabalhistas, com a revogação da CLT pela “reforma” de 2017, faz com que ocorra redução salarial vertiginosa em muitos lares nesse fim de ano e traz perspectivas devastadoras para 2018.

O botijão de gás de cozinha atinge preços alarmantes e em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Recife já se verifica regresso ao uso de fogões a lenha (e a gravetos colhidos em quintais e praças públicas). No Recife, o atendimento a queimados aumentou 60% no Hospital da Restauração, onde se localiza a maior emergência pública do Nordeste. A grande maioria desses queimados acidentou-se no manuseio de fogareiros artesanais ou na manipulação de botijões abastecidos clandestinamente.

O deficit habitacional brasileiro voltou a crescer depois de uma década. Há famílias migrando de casas para a soleira de viadutos. Há fome, enfim.

No último sábado, 16 de dezembro, o jornal francês Le Monde publicou reportagem flagrando a dissolução da esperança brasileira e comparando-nos à França de “Os Miseráveis” dado o fosso que separa as classes sociais brasileiras. Acerta, o Le Monde. Erra quem fecha os olhos ao que já é perceptível e palpável nas ruas.

Em que creem aqueles que insistem em crer no discurso oficial?

(*) “Em que creem os que não creem” é o título de um livro que registrou a troca de correspondências, de março de 1995 a março de 1996, entre o semiólogo Umberto Eco e o cardeal italiano Carlo Maria Martini. Com largo diapasão ideológico e religioso, os dois travaram um debate dialético sobre os dilemas do mundo moderno e do homem nesse mundo. O diálogo epistolar foi registrado em livro – obra imperdível. O título desse artigo bebe provocativamente nessa fonte.

Luís Costa Pinto
No Poder360
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"A legalidade nos mata", dizem os golpistas

A antecipação forçada do julgamento do ex-presidente Lula pelo Tribunal Regional Federal [TRF4] é um movimento tático que poderá definir a dinâmica política do próximo período.

O objetivo estratégico da oligarquia golpista é evitar a vitória do Lula no pleito de 2018 a qualquer custo, porque a eleição dele poria fim ao golpe e ao regime de exceção.

O golpe, com sua selvagem agenda anti-povo e anti-nação, não foi empreendido para durar pouco tempo; ainda resta muito para colonizar e pilhar por completo o país.

Todas as alternativas eleitorais testadas pelo establishment para continuar o golpe mostraram-se, todavia, infrutíferas.

Nenhuma candidatura mostra-se capaz de derrotar Lula se a eleição de 2018 for limpa e democrática e transcorrer no marco de verdadeira legalidade.

Testaram tudo, e nada surtiu efeito favorável aos seus objetivos: desde figuras burlescas como Luciano Huck e João Dória, até personagens manjados da direita, extrema-direita e das linhas-auxiliares do reacionarismo - Alckmin, Bolsonaro, Marina etc.

Todas as pesquisas eleitorais confirmam a hipótese de eleição do Lula já no primeiro turno. Quanto mais a Rede Globo e a Lava Jato o agridem, e quanto mais cristalinos ficam os terríveis prejuízos do golpe, maior é a esperança popular no retorno do Lula para salvar o Brasil.

Ante a inexistência de opção legal e eleitoral do bloco dominante para continuar o golpe e o regime de exceção, a oligarquia decidiu partir para a fase 2 do golpe, com a impugnação da candidatura presidencial do Lula.

Em 1871, diante dos avanços da Comuna de Paris, o então primeiro-ministro de Luiz Bonaparte, Odilon Barrot, declarou guerra à insurgência popular e ao avanço daquela pioneira experiência de organização comunal.

Para aniquilar a Comuna de Paris, o liberal-burguês Odilon Barrot não hesitou em declarar que “a legalidade nos mata!”.

Fez isso para justificar o uso de dispositivos inexistentes na Constituição da França para atacar ilegitimamente o povo organizado em barricadas e destruir a primeira experiência de organização social comunista e auto-gestionária da história.

Era preciso, na visão de Barrot e da classe burguesa francesa, empregar todos os meios ilegais para asfixiar a soberania popular e destruir a revolta social. Mesmo que para isso fosse necessário infringir as normas do Estado de Direito liberal-burguês, instituídas por ela própria, a burguesia nascente.

A democracia, como se vê, tem valor meramente formal e circunstancial para a burguesia, uma classe atavicamente golpista quando sente ameaçados seus interesses; ao passo que, para a esquerda, a democracia é um valor estratégico, é a base constitutiva para o convívio humano livre, plural e civilizado.

Com o banimento do Lula da eleição de 2018, a oligarquia golpista aposta que não deverá haver comoção social ou revolta popular diante da brutalidade jurídica desfechada contra o maior líder popular da história do Brasil.

É uma aposta arriscada que, de qualquer modo, encontra na literatura sociológica e antropológica do Brasil fundamentos que amparam esta tranquilidade criminosa dos dominadores.

O povo argentino, mobilizado nos últimos dias contra a tentativa de reforma previdenciária do também ultra-neoliberal e pró-capitais Maurício Macri, gritava: “Isto aqui não é o Brasil!”.
Já é passada a hora do povo brasileiro ser menos cordial, menos gentil e menos educado com a selvageria desta classe dominante canalha e escrava dos interesses das metrópoles estrangeiras.

Jeferson Miola
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Farra dos supersalários de juízes é uma forma de corrupção

"Globo" mostra que 71% dos magistrados furam teto constitucional

http://www.blogdokennedy.com.br/farra-dos-supersalarios-de-juizes-e-uma-forma-de-corrupcao/
A reportagem do jornal “O Globo” que mostra que 71% dos juízes do Brasil recebem acima do teto salarial é um serviço à transparência. O dado, publicado no domingo, abre uma caixa-preta do Judiciário _o poder mais fechado de todos, o que presta menos conta à sociedade.

A divulgação dessa informação permite à sociedade cobrar respostas do Congresso Nacional e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O teto constitucional de R$ 33.763 é furado graças a brechas legais que transformam pagamentos para moradia, alimentação, viagens e gratificações em verbas indenizatórias. Ou seja, criou-se uma forma legal de desrespeitar a Constituição.

A Lava Jato, por exemplo, criminalizou contribuições eleitorais que foram doadas legalmente. Na aparência, está tudo dentro da lei. Uma empresa contribuiu para o partido ou para o político, que deu em troca o chamado bônus eleitoral. No entanto, esse dinheiro tinha origem numa ilegalidade, segundo a Lava Jato. Parte dessas doações legais serviria a repasse de propina em troca de benefícios públicos.

Juízes e procuradores que ganham acima do teto constitucional usam um expediente muito parecido para furar o teto. Alegam que estão dentro da lei, mas o objetivo é aumentar o próprio salário de modo disfarçado.

O teto foi transformado em piso para uma minoria do Judiciário e do Ministério Público. A maioria fura o limite constitucional. A apropriação indevida de recursos, mesmo obtida por brecha legal, é uma forma de corrupção.

O Congresso e o Conselho Nacional de Justiça poderiam tomar várias medidas. O Senado já aprovou um projeto que determina quais penduricalhos poderiam ser pagos ou não. Na prática, faz uma limpa nessa farra das verbas indenizatórias.

Como mostrou a reportagem do “Globo”, é preciso que seja criada uma Comissão Especial na Câmara para analisar o que pode ou não furar o teto. Mas muitos deputados têm medo de contrariar magistrados e procuradores e fazem um bloqueio corporativo ao exame dessa questão.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deveria colocar esse projeto no topo da pauta em 2018. A moralização do país não pode ser seletiva.

O CNJ respondeu à reportagem do “Globo” que, por enquanto, só está publicando os dados sobre os supersalários. Ora, o CNJ pode fazer muito mais do que isso, porque muitas dessas verbas indenizatórias poderiam ser anuladas.

O conselho também deveria acabar com a farra da venda de férias dos juízes, que tem 60 dias de folga por ano. Até hoje a punição administrativa máxima a um juiz é o afastamento do cargo com pagamento integral de salário.

O CNJ é comandado pela presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia. Ela poderia tomar uma atitude em relação à farra do auxílio-moradia, penduricalho concedido a juízes por uma decisão liminar de 2014 do ministro Luiz Fux. O plenário do STF poderia julgar esse caso em definitivo.

São mais de R$ 4 mil pagos por mês a juízes e procuradores com base numa liminar de Fux. Mas o próprio Supremo se rende a um sentimento corporativo e varre essa sujeira para debaixo do tapete.

O Poder Judiciário se comporta como se estivesse acima dos outros poderes e da própria sociedade. Tem uma sede de recursos incompatível com a situação econômica e social do país.

O cidadão comum tira do próprio salário o dinheiro para pagar as suas despesas. Não há justificativa para que juízes e procuradores não façam o mesmo recebendo uma remuneração bem acima da média salarial do país. Os aplicadores da lei deveriam dar o exemplo e não utilizar a própria lei para obter um ganho disfarçado e que contraria a Constituição.

Os combatentes da corrupção no Executivo e no Legislativo precisam fazer o mesmo serviço no Judiciário.
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Cultivo da maconha para uso medicinal vira projeto de lei no Senado


A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou parcialmente, nesta quinta-feira (14), a sugestão legislativa que pede a descriminalização do cultivo da maconha para consumo próprio. Um voto em separado da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), determinando a legalização do plantio da erva apenas para fins terapêuticos, foi aprovado em votação simbólica e derrubou o relatório do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), que recomendava o arquivamento total do texto. A proposta começa agora a  tramitar no Senado Federal como projeto de lei, com a seguinte redação inicial:


Como The Intercept Brasil mostrou, o relatório do senador Petecão havia sido marcado por trechos em que analisava superficialmente a questão, sem considerar o conjunto de informações e pleitos apresentados durante audiência pública sobre o tema. O  senador dizia, por exemplo, que a sociedade brasileira não estaria preparada para a descriminalização do uso da cannabis, usando até a “larica” como justificativa:

“(…) Cito a experiência de legalização da maconha no estado de Denver, nos Estados Unidos, onde o uso crescente da maconha incentivou o consumo de produtos alimentícios considerados prejudiciais à saúde (chocolates, biscoitos, bebidas energéticas, etc) e também de cigarros eletrônicos”.

Para Gabriel Elias, representante da Plataforma Brasileira de Política de Drogas, a aprovação é fruto de uma mobilização de ativistas online que pressionaram os senadores.

“Se não fosse essa pressão, o relatório não teria sido aprovado e não iria beneficiar as diversas famílias brasileiras que precisam da planta”, contou.

Uso social descartado

Marta Suplicy, autora do voto em separado vencedor, afirma que a maconha não deve ser permitida para uso recreativo, mas avalia que o consumo terapêutico “já passou da hora” de acontecer:
”A regulamentação da produção deste vegetal para o consumo de pessoas que necessitam das propriedades dos fitocanabinoides, é fundamental para minimizar os sintomas de uma série de doenças. Cerca de dois milhões de brasileiros sofrem de epilepsia. Um terço destes, aproximadamente 600 mil pessoas apresentam um tipo de epilepsia resistente aos tratamentos convencionais com os antiepilépticos clássicos. Para estes, extratos de cannabis têm se apresentado como a única solução”.
Bem diferente do relatório de Petecão, o texto vencedor aborda estudos científicos que demonstram os benefícios do princípio ativo da cannabis em tratamentos psiquiátricos, neurológicos e de câncer, além de servir como paliativo para dor. O relatório apresentado pela senadora lembra ainda que o óleo artesanal extraído da maconha provoca uma resposta terapêutica melhor do que os compostos industrializados e que os custos de produção, manuseio e extração da substância são muito baixos, o que a torna mais acessível às famílias brasileiras.

Marta Suplicy lembra ainda que um medicamento à base de cannabis importado custa em torno de R$ 1,5 mil. Assim, a depender da condição socioeconômica e até mesmo da quantidade de medicamento necessária, seu consumo é absolutamente inviável sem o cultivo próprio.

Ao tomar conhecimento de que a sugestão virou projeto de lei, Cidinha Carvalho, presidente da Associação de Cannabis Medicinal (Cultive), comemorou. Ela tem uma filha que é portadora da Síndrome de Dravet, que causa crises epiléticas e atraso no desenvolvimento psicomotor.
“Hoje tivemos uma vitória importante, mais um passo que foca o olhar na esperança, na dor e na luta de tantas famílias que ainda são ignoradas por nosso governo e criminalizadas pela lei”.
A Mesa do Senado agora vai distribuir o projeto de lei para uma das comissões da Casa. A senadora Marta Suplicy poderá assumir a relatoria do projeto ou indicar um outro colega para a função. Depois, a matéria poderá seguir para outra comissão ou ser encaminhada para o plenário. Em caso de aprovação pelos senadores no plenário, será enviada para a Câmara dos Deputados.

George Marques
No The Intercept
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Com o dedo de Geddel





Irmão de Geddel visita Padilha. Sujeira?

Na quinta-feira (14), a revista Época postou uma notinha bem minúscula: “Irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) esteve no Palácio do Planalto nesta tarde. Ele, de acordo com duas fontes, se encontrou com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Lúcio e Padilha são acusados pela Procuradoria-Geral da República de integrar a organização criminosa que foi apelidada de ‘quadrilha do PMDB da Câmara’. Lúcio também visitou a Secretaria de Governo, órgão já chefiado por Geddel. Aliás, vários assessores nomeados pelo ex-ministro, que está preso na Papuda, não foram exonerados na gestão de Antonio Imbassahy. Deverão ser mantidos nos cargos pelo futuro ministro, Carlos Marun”.

Já nesta sexta-feira (16), a Folha revela que a Polícia Federal achou muita estranha a relação do irmão de Geddel Vieira – que teve desbaratado um bunker com R$ 51 milhões em Salvador – com vários capangas do covil golpista. “A PF encontrou registros de ligações de dois ministros de Michel Temer e de uma funcionária do Ministério da Justiça para o deputado Lúcio Vieira Lima no mesmo dia em que o ministro Edson Fachin (STF) assinou um mandado de busca e apreensão para ser realizado no gabinete do parlamentar. Os telefonemas estão anotados em uma agenda do peemedebista. As ligações, realizadas no dia 11 de outubro, foram de Eliseu Padilha (Casa Civil), às 11h30, e de Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), às 14h22”.

“Destaca-se que o gabinete recebeu ligações de 'Karla Cristina', atrelada ao Ministério da Justiça, com a observação de que a ligação foi efetuada no intuito de se confirmar o aniversário do parlamentar... Tal ligação apresentou estranheza por parte dessa equipe investigativa, uma vez que o deputado é pessoa pública, sendo a data do seu aniversário (19 de novembro) de conhecimento notório e facilmente encontrado em sites de busca na internet, bem como por tal fato não possuir qualquer relevância ou relação com as atividades fins do referido ministério”, detalha o relatório da PF.

O relatório da PF ainda destacou outros estranhos telefonemas do parlamentar “com indivíduos já citados em outras investigações da Operação Lava-Jato”. Foram registradas ligações de Lúcio Vieira para o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para o presidente do Senado, Eunício Oliveira, e para o senador Romero Jucá (PMDB-RR) – aquele que disse que era urgente derrubar Dilma Rousseff para “estancar a sangria” das investigações da Lava-Jato. O que será que está por trás destas ligações telefônicas e destes encontros sigilosos? O que o irmão de Geddel Vieira, o dono dos R$ 51 milhões encontrados no bunker de Salvador, está aprontando?

Altamiro Borges
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Jornalista americano desmascara Sergio Moro — assista


Jornalista americano desmascara Sergio Moro. Em entrevista ao canal Real News, o jornalista Brian Mier desconstruiu o mito Sergio Moro, a partir das recentes revelações de Tacla Duran que apontam para a existência de uma indústria das delações premiadas, sob o comando do juiz paranaense. Uma história envolvendo subornos, negociações para redução de penas, perseguição ao PT e total impunidade ao PSDB. Ao final da entrevista, o jornalista apresenta um cenário sombrio para 2018.



No Cafezinho
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Record tem documentos inéditos que incriminam a Globo na "MaFIFA"

J. Hawilla, Marín, Teixeira, Del Nero... "dezenas de vezes"...




O programa Domingo Espetacular da RecordTV exibiu nesse domingo 17/XII afiada reportagem de Heloísa Villela sobre o iminente julgamento de José Maria Marín, ex-presidente da CBF e aliado da Globo Overseas na MaFIFA por um júri popular, em Nova York.

Villela teve acesso a documentos inéditos e devastadores que mostram o papel de J. Hawilla, sócio da Globo, e Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo, na patifaria.

No CAf



Sem espetáculo, promotores americanos mostram como fazer à Lava Jato: Delações, gravações, fotos e o caminho do dinheiro que abasteceu os cartolas

Não houve vazamentos antecipados, para condenar os réus na mídia.

Não houve vazamentos para o New York Times, que poderiam facilitar a defesa dos ainda não investigados ou dos que estão em investigação.

Os promotores do caso Fifagate, em Nova York, que dependem de um júri para condenar — ou não –, acabaram dando uma aula involuntária à turma da Lava Jato, que condena na imprensa.

Os brasileiros, incluindo aí o juiz Moro, da boca para fora dizem ter como modelo… os Estados Unidos.

O fato é que a promotoria apresentou PRIMEIRO aos jurados delações, fotos, gravações e o caminho do dinheiro que abasteceu os cartolas acusados, dentre os quais o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, que — sempre segundo a acusação — recebeu parte da propina através da empresa Firelli, baseada em Miami. Ele nega.

O resultado do julgamento é incerto — e deveria ser assim.

Tudo vai depender da decisão de um júri, que deve deliberar nos próximos dias.

Enquanto isso, no Brasil, Ricardo Teixeira dá entrevista à Folha, Marco Polo del Nero dirigia até recentemente a CBF sem ser incomodado, Marcelo Campos Pinto continua por aí e a Globo… ora, a Globo…

O Ministério Público Federal? Sumiu!

PS do Viomundo: E cadê o Deltan Dallagnol deles? Cadê as postagens dos promotores norte-americanos fazendo política no Facebook? Cadê o agente do FBI propondo publicamente a condenação antecipada dos réus? Você sabe sequer o nome de um dos promotores do caso? Só no Brasil…

Luiz Carlos Azenha
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Leitura dinâmica (modo canalha)


Níveis de proficiência e rapidez na leitura (do menos para o mais)

Criança primeiro mês de alfabetização - duas linhas por dia

Criança 3 ou quarto ano do fundamental - vinte linhas por aula

Adolescente no ensino médio - 5-10 páginas por dia

Vestibulando - 30 páginas por dia

Acadêmico no início da faculdade - 30 páginas por dia, todos os dias.

Acadêmico em final de semestre - 100 páginas por dia no modo desespero

Operadores do direito - 100-120 páginas dia/modo normal podendo chegar a 200 páginas por dia em modo trabalho acumulado.

Mestrandos no início do semestre - 80 páginas dia "tá tranquilo"

Mestrandos com prazo para entrega da dissertação - 200-250 páginas por dia em modo "fudeu"

Doutorandos nos primeiros dois anos - 500 páginas por semana em velocidade de cruzeiro


Doutorandos em final de prazo - 300 páginas por dia podendo chegar a 400 ou desmaio, o que vier primeiro.

Mas não poderíamos imaginar que seríamos tão facilmente batidos ...

Desembargadores do TRF 4 no julgamento do Lula - 2000 páginas por dia em modo canalha mesmo.


Edit 1: só falei do tempo de leitura ... para ponderação e reflexão necessárias a um julgamento eu nem sei ...

Fernando Horta
No Esquerda Caviar
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