17 de dez. de 2017

A derrota estratégica do complexo jurídico-midiático

Foto: Ricardo Stuckert
Preparando-se para condenar e talvez prender Lula, o complexo jurídico-midiático estará selando uma derrota estratégica que se repercutirá nos anos futuros de forma ainda mais retumbante do que o Peronismo para os argentinos ou o Gaullismo para os franceses.

A inviabilização de Lula é a inauguração e não pós mortem, como costuma ser o caso pela perda do grande líder, do Lulismo; um inesgotável e vitorioso movimento que ecoará através dos tempos.

Mas por que se trata de uma derrota acachapante para o esquema que pretendia sepultar a esquerda brasileira? Porque o objetivo estratégico não era e nunca foi o de arruinar o Lula pessoa física e de cassar o seu CPF, mas o de não deixar pedra sobre pedra sobre o Lula líder, de enxovalhar o seu legado, a sua honra e a dos seus. Esse objetivo estratégico pelo qual a grande mídia se empenhou por vários anos JAMAIS será alcançado. O que pode a Globo agora que os seus feitiços já não funcionam mais? Implorar e de joelhos num editorial que Lula seja preso. E o que há de novo nisso? A derrota de ter que explicitar o que quer de forma direta, demonstrando que as suas forças se esvaíram.

De fato o esforço midiático de arruinar Lula produziu o contrário, agigantou perante a injustiça das ruas o líder perseguido. Confrontado como diz Luis Nassif à verdadeira bacanal em que se converteu o exercício do Poder no Brasil, o povo constata com clareza de que lado está a razão. E não há volta.

Ora, a lógica da exclusão de Lula das eleições de 2018 acentua o problema e mina irreversivelmente a idoneidade, já corroída, dos seus algozes e do golpe. A explicitação ostensiva da injustiça por um Judiciário que deveria zelar pela justiça, é a derrota estratégica da direita brasileira da qual esse Judiciário se tornou a última esperança. Há aí um ponto final da viabilidade política do golpe no curto prazo e do projeto do conjunto da direita no longo prazo. Não podemos prever quando o fruto podre cairá no chão, mas já se constata que podre está e não subsistirá ao tempo. Imaginemos o que será a votação da Reforma da Previdência com Lula condenado! Ou a que destino está reservado a candidatura Alckmin...

Pior para os golpistas, a antecipação recorde do julgamento para o dia 24 de janeiro, dia por dia, o aniversário de um ano do acidente vascular cerebral de Dona Marisa, o uso na UFMG pela PF de verso da música O Bêbado e o Equilibrista, utilizada como tema nas despedidas do Reitor Cancellier, para batizar a operação e as conduções coercitivas repetidas e impunes, apesar de flagrantemente ilegais, rompem com a tradição do humanismo cristão do país e vão tingindo o conjunto da estratégia golpista de um escárnio tão repugnante que não encontra paralelo na nossa cultura senão no que se entende por satanismo.

Projetemo-nos em 2018 quando os efeitos do arrocho orçamentário estarão nas ruas transfigurados em miséria das maiorias e em dificuldades materiais imprevisíveis para as classes médias e quando teremos um Lula (a pessoa física, mas não o líder) assediado e possivelmente preso por forças que se posicionaram no lado tenebroso da força.

Há quem fale em necessidade de insurreição. Mas o Brasil nunca foi um país de insurreições e isso não ocorrerá. Talvez se fiem nessa verdade histórica achando que porque não haverá insurreição não haverá nada. Trabalham na superestrutura política, com vilipêndio, sem perceber que a modelagem última das instituições é a vontade coletiva das maiorias e que, cedo ou tarde, essa irrompe como um novo ordenamento, como ocorreu na ditadura.

Mas a corrosão e a podridão estão vomitadas na rua. E nada mais há que possa ser feito para limpá-la. E o julgamento de Lula está agendado para o dia 24 de janeiro em homenagem a Dona Marisa, um imperdoável escárnio.

À nossa revelia vamos sendo tangidos para a luta mitológica que refundará o Brasil.

No dia 24 de janeiro, condenado e humilhado, tratado com a crueldade inenarrável de um julgamento em data de sofrimento pessoal maior, Lula fundará, no meio do povo gaúcho, terra de Getúlio, e em vida o Lulismo!

Dará frutos cem por um!

Ion de Andrade
No GGN
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Mais um xenofóbico ataca nordestinos

Polícia Civil investiga ofensas contra nordestinos e injúria racial feitas por estudante da UFRPE em Garanhuns


Um caso de ameaça, injúria racial e de xenofobia contra nordestinos vem sendo investigado pela Polícia Civil, em Garanhuns. De acordo com boletim de ocorrência registrado na 1ª Delegacia, no último dia 07 de dezembro, um estudante da UAG (campus da UFRPE em Garanhuns) teria, via áudios de WhatsApp, feito ameaças e proferido comentários ofensivos, de cunho xenofóbico e racista contra seu vizinho e também contra os nordestinos.

Vítima e acusado residem no bairro da Boa Vista e estudam na mesma universidade. De acordo com informações colhidas pelo blog, o fato inicialmente seria tipificado na Polícia Civil apenas como uma simples ameaça, o que geraria um TCO . Entretanto, no desenrolar da ocorrência, o universitário acusado enviou as mensagens com conteúdo racista e com ofensas contra o Nordeste e um inquérito policial será aberto.

"O que você vai ser da vida? Um nordestino cabeça chata que nunca vai ter espaço no Sul e no Sudeste. Porque as Pessoas no Sul e no Sudeste gostam de pessoas brancas e a colorimetria lá é cruel. Se você for encardidinho ninguém vai te aceitar pra trabalho", fala o acusado em um trecho de um dos áudios que tem circulado nas redes sociais. Em uma das partes mais impactantes da gravação, o estudante diz ter nojo e ódio dos nordestinos. "Eu posso morar na Europa porque eu sou branco. Eu peguei nojo dos nordestinos, ódio, e eu estou indo embora daqui, porque aqui só tem matuto, analfabeto, ignorante, pobre demais. O serviço de telefonia daqui é horrível , a luz daqui é horrível, as casas são mal construídas. Nordestino é sub-espécie e sub-raça Eu odeio o Nordeste, pode me chamar de xenofóbico. Vocês acabaram com minha sanidade mental, seus desgraçados"

Acompanhe as falas agressivas do xenofóbico:



Em outro trecho obtido pelo blog o acusado ameaça a vítima dizendo que se ela procurar a polícia vai colocar fogo na casa da mesma. Em mais um áudio, o universitário diz ter um revólver e fala claramente em matar o vizinho e colega de faculdade. "Tenho um 38 e vou matar você. Vou esfolar sua cabeça, vou te degolar", ameaçou.

Ainda segundo informações colhidas junto a uma fonte da Polícia Civil, outra pessoa também teria sido vítima de comentários semelhantes por parte do estudante da UAG. Ele foi intimado e ouvido e pode pegar de um a três anos de prisão, caso fique caracterizados no inquérito a injúria racial e as ofensas contra a vítima e os contra os nordestinos. É que o Artigo 140, do Código Penal, em seu parágrafo 3º diz que: se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) a pena - reclusão é de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997). O estudante autor dos polêmicos áudios, segundo apurou o blog, é natural do Paraná e veio para Garanhuns cursar Medicina Veterinária na UFRPE.

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O Brasil deu nisso: no Grêmio!

E o Brasil é a Pátria de chuteiras!


Na decisão de um campeonato mundial fajuto, ​​o Grêmio não deu um único chute NO gol.

Deu um único chute ​​na direção do gol: de uma bola parada, um pouco além da linha do meio campo que se perdeu no Golfo Pérsico.

O Grêmio é o melhor time do Brasil.

E não sabe formar uma barreira para impedir o gol de falta do CR7...

Renato Gaúcho fez milagres e é o melhor técnico do Brasil.

O time do Grêmio é muito ruim, com duas ou três exceções - goleiro, um zagueiro, o Artur e o Luan, de vez em quando.

Ah, o Grêmio estava cansado.

Quem não está?

O Grêmio ficou nervoso.

Então é melhor só disputar o campeonato gaúcho.

O Grêmio exprime a devastadora união da Globo Overseas, da MaFIFA, com a CBF (submetida à devastação consecutiva de quatro ladrões: Havelange, Teixeira, Marin e Del Nero), a Poliça Federal do Senvergóvia, o Ministério Público (sic) e a classe política - o PT inclusive - , que deixou o câncer propagar-se.

E o Brasil é a Pátria de Chuteiras!

Um futebol sem craques.

Um futebol sem espectadores.

Um futebol que fala grosso com a América do Sul e fino com a Europa.

Um futebol que se espelha na dupla Renato Augusto com Paulinho!

E a subnutrida crônica exportiva trata o Neymarketing como se fosse o Cristiano Ronaldo e o Tite, o Guardiola!


Na porta da Globo e dos ladrões da CBF.




PowerPoint do Grêmio:

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Bolsonaro, o filho e a carta branca pra matar


Quanto mais o fascista Jair Bolsonaro abre a boca na sua pré-campanha presidencial, mais morde a língua. Nesta quinta-feira (14), em visita a Manaus, ele ficou empolgado com os fanáticos que foram recebê-lo no aeroporto e ergueram um boneco inflável de 12 metros em sua homenagem e rosnou do alto de um carro de som: “Se alguns dizem que eu quero dar carta branca para a Polícia Militar matar, eu respondo: Quero, sim”. A declaração causou histeria na plateia, que reagiu aos gritos de “mito, mito”, mas pode resultar em mais um processo contra o deputado federal por estímulo ao ódio e à violência. Temendo os riscos, pouco depois o valentão mais uma vez recuou.

Segundo nota da Folha, “um dia após dizer que daria ‘carta branca’ pra PM matar, o presidenciável e deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) recuou e disse em discurso em Manacapuru (85 km de Manaus) que a autorização será para ele ‘não morrer’. ‘Eu não quero dar carta branca pro policial matar, eu quero dar carta branca pro policial não morrer'". Em entrevista à rádio da cidade, o bravateiro argumentou que “não dá para fazer política de combate à violência, de segurança pública, tendo ao lado os direitos humanos”. Para agradar os ruralistas, famosos por seus métodos violentos contra os trabalhadores rurais, ele também atacou os ambientalistas.

Por enquanto, o pré-candidato da extrema direita só faz discursos pregando o ódio e a violência. Já o seu filho parece se encontrar em outro patamar. Segundo uma notinha postada na revista Época nesta sexta-feira (15), “a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, investiga um dos filhos do deputado Jair Bolsonaro por ameaça de morte. O também deputado Eduardo Bolsonaro foi denunciado por uma integrante da Juventude do PSC, partido dos dois congressistas, à Delegacia da Mulher de Brasília. Ela entregou aos policiais civis cópias de mensagens de texto trocadas por meio de um aplicativo, em que o parlamentar afirma que vai acabar com a vida dela e lhe dirige palavras como ‘otária’, ‘abusada’, ‘vagabunda’ e ‘p...’”.

Altamiro Borges
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Lula e o julgamento pelo conjunto da obra

Foto: Ricardo Stuckert
Em determinados momentos da história, quando a luta de facções políticas sai dos trilhos da legalidade constitucional e se concentra, sobretudo, num dos poderes - que deveriam ser harmônicos na sua dependência recíproca - o edifício legal do regime desanda. Neste contexto de crise costumam aparecer, ao lado da rotina “que matiza todo o horror”, como disse Roberto Bolaño sobre o Chile de Pinochet,  as “anomalias simbólicas”. Elas concentram a pós-verdade de todo um ciclo. Assim foi com o julgamento de Dimitrov, preso pelos nazistas (1933), sob a falsa acusação de ter incendiando o “Reichtag”; com o caso Dreyfus, um oficial de artilharia do exército francês, de origem judia, condenado por alta traição (1894); com o julgamento de Bukharin, executado pelos Tribunais stalinistas em março de 1938, acusado de conspirar com a Alemanha, contra URSS.

Nenhum deles foi julgado pelas acusações formais, contidas nos respectivos processos, mas pelas necessidades históricas de um poder que, naquele momento político, buscava um “sentido” de legitimidade para usar o monopólio da força.  A analogia do processo contra Lula, no caso do triplex de Guarujá, com os três processos mencionados, é somente uma, mas é decisiva: Lula não está sendo julgado, no processo que entrará em pauta em 24 janeiro próximo, pelas acusações formais constantes nos autos, mas pelo que ele, Lula, significa hoje para não permitir a naturalização do golpismo institucional que derrubou a Presidenta Dilma, uma Presidenta honesta vitimada por uma Confederação de Investigados e Denunciados, que hoje governa o país.

O que será definido no dia 24 é se as elites golpistas, mancomunadas com o oligopólio da mídia e os grupos rentistas da burguesia e da classe média alta, vão tolerar a continuidade de Lula como liderança democrática, ou seja, se vão ou não, condená-lo num processo sem provas, por aquilo que os julgadores imaginam que ele tenha feito de ilegal como Presidente da República. Seu julgamento será feito com base no “conjunto da obra” e certamente influirão mais, na sua provável condenação, as grandezas de Lula e menos os seus defeitos e erros.

A condenação de Lula neste processo, simplesmente para dar tempo para a impugnação da sua candidatura, é uma aberração jurídica que certamente vai custar muito caro à democracia brasileira, porque, na verdade, a direção superior do golpe  – mídia oligopólica, centros de inteligência privada do capital financeiro e setores majoritários dos partidos tradicionais, estão se “lixando”, tanto para a neutralidade formal do Estado de Direito, como para a maior ou menor taxa de corrupção dos seus agentes. O que eles querem é as reformas, custem elas sangues e lágrimas em profusão, de quem perde ou sobra.

Todos os grandes líderes do país, nos últimos 50 anos, certamente usaram os mesmos métodos de governabilidade que Lula usou, estimulados e permitidos pelo  nosso sistema político falido, mas nenhum deles fez dez por cento do que Lula fez, pelos excluídos, os pobres, os sobrantes, os assalariados de renda baixa do setor público e privado. Lula poderá ser condenado por isso, mas não pelas provas relacionadas com o Triplex de Guarujá, num processo liderado por um Juiz  que se tornou inquisidor e que foi guindado à condição de herói nacional, tão falso como a sua sentença prenhe de ilações e conclusões arbitrárias. O que Lula fez, os ricos e seus representantes não chamam mais de “socialdemocracia”, mas de “populismo”.

O populismo pós-moderno, porém, que hoje hipnotiza uma boa parte da sociedade, com a consigna de que no liberalismo financeiro do mercado mundial “todos podem” - um dia -  “serem ricos”, não suporta as conquistas sociais e trabalhistas do século passado. Por isso desenham, para o futuro, o seu populismo da utopia do mercado perfeito, no qual a representação política não tem a menor importância, pois pode ser golpeada de todas as formas, desde que o mercado assim exija. Estaremos no limite do liberalismo democrático e social da Revolução Francesa e de Weimar? Talvez sim, mas a história não é tão linear que não nos dê uma margem de esperança.

Tarso Genro
No Sul21
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Nota de Tacla Duran em resposta aos imbecis da Lava Jato


Esta é a segunda denúncia do Ministério Público de Curitiba contra mim desde que decidi me defender publicamente, esclarecendo fatos e exibindo evidências até então inexplicavelmente omitidas. É a prova cabal de uma vingança sem limites, onde a lei, desvirtuada, se transforma em arma. Virão muitas outras denúncias, não tenho dúvida, cujo único objetivo é o de me condenar à revelia.

Minha extradição foi negada, mas inexplicavelmente até hoje meu processo, acompanhado das devidas provas, não foi remetido para a Espanha. Permanece em Curitiba, contrariando parecer da Secretaria de Cooperação Internacional do Ministério Público Federal e ignorando leis e acordos internacionais como os de Mérida e Palermo.

Todos sabem que o fórum adequado para me processar não é Curitiba e, por isso, não me pronunciarei, porque seria colaborar com esta manobra patrocinada por quem se considera acima da lei, menospreza a decisão da Justiça Espanhola e tenta impedir que eu seja processado corretamente por um juízo neutro e isento. Prestarei todos os esclarecimentos sobre mais esta denúncia ao juiz que cuida do meu caso na Espanha, para que ele tenha conhecimento pleno de tudo o que está acontecendo, pois este é o foro onde devo me defender.

Madrid 16 de dezembro de 2017.

Rodrigo Tacla Duran
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Abril está falindo. “Veja” vai sobreviver?

Na quarta-feira passada (13), o Grupo Abril, que edita a asquerosa revista “Veja”, iniciou um novo “plano de reestruturação” – nome fantasia de mais uma sacanagem contra os trabalhadores. De acordo com o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, cerca de 130 profissionais foram demitidos e o facão pode atingir 170 funcionários. O decadente império da famiglia Civita também confirmou a entrega de parte dos imóveis que ocupa na Marginal de Pinheiros e especula-se que várias revistas da editora devem ser extintas. Há boatos de que a empresa encontra-se em estado pré-falimentar. Sem dinheiro em caixa, ela inclusive propôs parcelar o pagamento da rescisão contratual dos demitidos.

Diante da forte boataria, o novo presidente-executivo do Grupo Abril, Arnaldo Figueiredo Tibyriçá, apressou-se em garantir que a empresa não irá fechar. Em nota, ele apenas comunicou que “demos os primeiros passos de uma reorganização que, infelizmente, envolveu o desligamento de alguns colaboradores" e que visa “alavancar os negócios atuais”. No seu linguajar tecnocrático, que pouco se importa com a situação dos funcionários, ele negou os rumores sobre um pedido de recuperação judicial, o que levaria a empresa a ser administrada por interventores. “Quanto aos boatos de que estaríamos num processo de recuperação judicial, garanto que isso não faz parte da minha missão porque a superação de nossos desafios não requer medidas desse tipo”.

O comunicado oficial, porém, não convenceu os funcionários e nem a entidade da categoria. “O Sindicato dos Jornalistas enviou diretores para a empresa tão logo soube do ocorrido para conversar com os jornalistas e combater as demissões. O número de jornalistas demitidos ainda é incerto: falou-se em 17, e a empresa afirmou que foram 14. O sindicato manifestou sua oposição às demissões, e ainda mais às condições em que ocorreram: a empresa comunicou aos trabalhadores que não pretende pagar no prazo legal as verbas rescisórias (dias trabalhados, aviso prévio, 13º salário e 13º proporcional, férias vencidas e férias proporcionais, folgas devidas e outros direitos)”.

“Pela lei, a empresa tem de pagar as verbas até o 10º dia corrido após a demissão, mas está apresentando aos demitidos um texto para a pessoa assinar aceitando o parcelamento em 10 meses, em parcelas iguais, sem qualquer correção. Na última parcela, a empresa se comprometeria a quitar a multa de um salário a mais, imposta por lei (multa do art. 477 da Consolidação das Leis do Trabalho), quando se chega ao 11º dia após a demissão sem a quitação integral das verbas. O parcelamento corresponde ao ‘acordo’ que a empresa propôs aos jornalistas há mais de três meses, sem aceitar qualquer negociação, e que foi rejeitado pelos jornalistas da empresa em assembleia e pelo SJSP. Por isso, a entidade não aceitou homologar as duas demissões ocorridas antes de 11 de novembro nessas condições”.

“Agora, a orientação da entidade para qualquer trabalhador demitido é que se recuse a assinar qualquer documento de parcelamento de verbas rescisórias e procure imediatamente o sindicato, para que a entidade possa levar uma luta coletiva que garanta o pagamento integral de todos os direitos. ‘Não podemos aceitar que uma empresa de propriedade de bilionários, que acumularam uma fortuna com o trabalho de milhares de pessoas que construíram a editora Abril nas últimas seis décadas, agora demita parte de seus trabalhadores e sonegue os seus direitos, usando na prática o dinheiro dos demitidos para financiar as atividades da empresa’, disse Paulo Zocchi, presidente do sindicato”.

Em tempo: Na edição da semana passada, a revista Veja obrou mais uma das suas capas terroristas contra o ex-presidente Lula. Com base em um depoimento vazado do ex-ministro da Fazenda, o “cachorro” Antonio Palocci, ela afirmou que o dirigente líbio Muammar Gaddafi doou secretamente US$ 1 milhão à campanha presidencial do petista em 2002. Não há qualquer prova sobre a acusação, apenas a informação de que o ex-ministro “prometeu entregar os comprovantes da operação”. O factoide serviu para a revista do esgoto afirmar que a legislação eleitoral brasileira proíbe o recebimento de recursos financeiros de procedência estrangeira e para insinuar que a denúncia serviria para cassar o registro do PT. Será que mais este serviço sujo da “Veja” resultou em alguns “pixulecos” do covil golpista para salvar o falido e decadente Grupo Abril?

Altamiro Borges
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As estranhas relações do filho de Miriam Leitão, Vladimir Netto, da Globo, com o poder

Vladimir Netto com Miriam e Moro
Vladimir Netto é repórter do Jornal Nacional, vice presidente da Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos, Abraji, e uma subcelebridade nacional.

Filho de Miriam Leitão, ficou relativamente famoso em 2016, quando lançou “Lava Jato: o juiz Sérgio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil”.

É uma homenagem a Moro e aos procuradores, sem meias palavras. Nem a Folha conseguiu engolir a babação de ovo.

Netto, segundo a resenha, “não esconde sua admiração” por Sergio Moro e pela “força tarefa”:

Moro exibe “rigor e coragem” ao conduzir o caso “com maestria”, diz o jornalista, que o descreve no livro como integrante de uma geração “que trabalha com afinco em busca de resultados”.

O ministro Teori Zavascki, responsável pelos inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal), é apresentado como um ser infalível: “Busca sempre a razão, pesa prós e contras e estuda os detalhes de cada processo para tomar decisões bem fundamentadas”. (…)

Também fica sem explicação convincente a decisão de Moro de divulgar as gravações das conversas que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve com Dilma e outros aliados em março, e que Netto reconhece ter sido “a mais polêmica de suas decisões”.

No estranho mundo de Vladimir, na galáxia da Globo, é perfeitamente normal esse tipo de expediente. Há dezenas de fotos com o magistrado que promoveu a super herói em eventos literários.

José Padilha comprou os direitos para produzir uma série na Netflix. No Twitter, Vladimir faz seu merchã. Jactou-se de estar há 34 semanas na lista dos mais vendidos da Veja. Para um fã, garantiu que o segundo volume sai no ano que vem. Por seu lado, Vladimir faz palestras sobre a operação de Curitiba. A agência DMT o vende. 

Ele também não pensou duas vezes quando postou uma selfie com Gilmar Mendes no avião.

O senhor à esquerda é chefe da mulher de Vladimir

“Olha quem encontrei no voo de São Paulo para Brasília na manhã deste domingo”, escreveu na legenda, ao lado de GM, ambos sorridentes.

Gilmar, presidente do TSE, é o superior da mulher de Vladimir, Giselly Siqueira, assessora-chefe de Comunicação do TSE. A partir de fevereiro, ele será substituído por Luiz Fux — e é possível que tenhamos alguns retratos bonitos de Fux com Netto.

O conflito de interesses é explícito. Como esperar que um repórter como Vladimir possa ter alguma isenção na área que cobre no meio de tanta promiscuidade? Que tipo de “reportagem investigativa” ele faz?

Aí entra a aposta na burrice da audiência. A velha máxima de PT Barnum, inventor do circo moderno: ninguém nunca perdeu dinheiro por subestimar a inteligência do público.

É isso que garante que Vladimir Netto — ou César Tralli com seus jabás, para ficar num outro exemplo recente — possa fazer tudo às claras e ainda aparecer na televisão como mais um paladino na luta contra a corrupção, brilhando em retratos com outros paladinos.

E com mamã também, por supuesto.


Kiko Nogueira
No DCM
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Sociedade Frankenstein


Embora todos conheçam a história de Frankenstein, poucos atentam para o verdadeiro sentido e profundidade da crítica de Mary Shelley. A escritora inglesa, do início do século XIX, produziu uma das mais profundas e atuais análises da nossa sociedade. O “monstro” de Frankenstein combina uma força física descomunal, com uma falta de localização histórica e com o desconhecimento de limites éticos. Esta mistura o leva ao campo da selvageria. Note que o monstro de Mary Shelley é capaz de fazer breves raciocínios. Tem em si sentimentos como saudade, desejo, raiva e até amor. Mas o monstro, privado de sua história, sem um sentido de continuidade entre o passado, o presente e o que poderia ser seu futuro, não consegue compreender o que é efetivamente o humano. Não consegue ser humano. Não consegue ser.

Dois fatos no mês que passou deveriam ter levado a toda a humanidade a um processo de reflexão sobre a profunda transformação em curso. Em primeiro lugar, a gigante Google criou um algoritmo chamado “alpha-zero”[1], que em quatro horas aprendeu sozinho a jogar xadrez. Alpha-zero venceu os programas de computador criados e aperfeiçoados pelo homem nos últimos 20 anos. Não apenas venceu, mas ganhou por 28 a zero. Não perdeu nenhuma partida. Veja que não estamos falando apenas da capacidade de cálculo da máquina, pois os programas vencidos estavam também em computadores. Estamos falando de um algoritmo que literalmente aprendeu a jogar xadrez sozinho e bateu TODA a criação humana, seja da experiência acumulada do jogo e dos jogadores nos últimos 4000 anos, seja do crescimento e aperfeiçoamento de programas criados pelos próprios homens.

E fez isto em apenas quatro horas.

No mesmo momento, saiu o relatório de Philp Alston[2] para a ONU a respeito da pobreza nos EUA. O país mais rico do mundo e a única superpotência mundial tem o maior índice de mortalidade infantil entre todo o mundo desenvolvido, tem a menor expectativa de vida, e está na posição 35 de 37 países com respeito a pobreza e desigualdade. Na sociedade que supostamente atingiu o pico do desenvolvimento material no nosso tempo, um quarto dos seus jovens (25%) está vivendo na pobreza. Esta sociedade tem menos médicos e doutores por pessoas (do que os países desenvolvidos) e está em 36 lugar no mundo em relação ao acesso à água potável e saneamento básico de sua população.

Por qualquer nível humano de comparação, os EUA estão muito mais próximos das sociedades do século XIX do que de qualquer ideal de humanidade no século XXI. E estamos falando da sociedade mais rica e materialmente desenvolvida do planeta. Ainda assim, não satisfeitos em retornarem aos níveis de desigualdade do início do século XX, os norte-americanos estão para aprovar um corte de impostos que beneficia apenas o 1% mais rico da população deles. Todos os estudos mostram o desastre social que vai acontecer e diversos políticos, economistas, professores e artistas têm vindo à público chamar a atenção para o fato de que a imensa maioria da população será fortemente prejudicada. Assim como no Brasil, parece estar acontecendo um processo completo de torpor intelectual. Não se trata apenas do anti-intelectualismo quase medieval, se trata da incapacidade dos cidadãos atuais de se situarem no tempo e no espaço e de fazerem escolhas racionais para si.

Mary Shelley explicou isto. O desenvolvimento material do monstro de Frankenstein era imensamente superior a qualquer outro ser humano. O monstro era mais forte, praticamente imortal e inclusive capaz de raciocínios simples. A sociedade capitalista, onde o consumo gera demanda para o desenvolvimento econômico em níveis nunca antes vistos pelo ser humano, faz uma disparada de nossas capacidades materiais e, ao mesmo tempo, inibe o desenvolvimento humano. Somos exatamente o monstro de Frankenstein. Estamos privados de raciocínios mais aprofundados e, desde a queda do muro de Berlim, estamos sofrendo um processo de desconstrução do nosso passado. Aliás, de qualquer passado. O mundo do “Carpe Diem” é o mesmo mundo do “a terra é plana”, do “você tem que morrer por pensar isto” e do “eu faço porque o Pastor mandou”.

A Escola de Frankfurt explicou o surgimento do fascismo nestas bases. A sociedade de consumo desorientou o homem alemão, ofertando materialmente uma gama de capacidades sem que ele tivesse condições psicológicas, sociológicas ou mesmo históricas para compreender seu lugar no tempo, as relações com outros seres humanos e mesmo aceitar a sua finitude. Este homem desorientado procura um sentido para sua existência, procura alguém a seguir e age, a partir daí, como quem descobriu a única verdade do mundo. Todo o resto, todo aquele que difere é uma ameaça ao mundo como este desorientado entende. E aí a ignorância, o medo e a incapacidade de se compreender vira violência. É exatamente Mary Shelley.

Estamos no limite da criação de inteligências artificiais que alterarão – sem nenhuma capacidade nossa de previsão – toda a humanidade. Ao mesmo tempo, estamos cobrindo obras de arte nos museus por intolerância. Criamos mais informação em um dia, hoje no mundo, do que toda a informação criada pelos nossos ancestrais nos últimos milhões de anos. E ainda assim, pessoas gritam como se estivessem possuídas por um demônio em forma de galinha ou de macaco e um pastor cobra dinheiro para “salvar” esta “pobre alma” que se joga ao solo, imita o macaco, baba e revira os olhos em “cultos” nas nossas cidades.

A maior desigualdade humana não é, pois, entre ricos e pobres. Entre nações com muitas capacidades materiais e as desprovidas delas. A maior desigualdade humana é entre o desenvolvimento de suas forças produtivas e seu nanismo moral, histórico, político e social. Não deveria ser surpresa que pessoas que desconhecem sua história e seu papel na sociedade retomem ideias e medos do início do século XX. Não chega a surpreender que estejamos caminhando, no mundo todo, de volta ao fascismo. O monstro de Frankenstein também voltava para procurar o seu criador. E neste processo deixava um rastro de violência.

A nossa geração está vivendo a desorientação e violência da mudança. Mas se você tem filhos e netos, deveria estar preocupado por eles. A geração deles viverá a mais completa transformação humana de que se tem notícia desde o surgimento do Estado. E eu não sei se eles estão preparados para o mundo que surge. E não sei exatamente porque nossa educação foca naquilo que se tornará totalmente obsoleto em alguns anos, e deixa de lado tudo o que poderia dar ao monstro um sentido para sua existência. Se o mundo será das máquinas ou se será dos obtusos e violentos, eu não sei. Se eles viverão num universo ao estilo de Matrix ou num mundo como mostrado em Mad Max, me parece insondável. Seja como for, estamos abrindo mão, como espécie, daquilo que nos fez humanos e claramente não estamos preparando as gerações futuras para os desafios que elas enfrentarão.

O futuro me assusta muito.



Fernando Horta
No GGN
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Invenções

Fernando Pessoa, como se sabe, não era um poeta português, era vários poetas portugueses. Escrevia sob outros nomes, e a cada poeta inventado, que chamava de heterônimo, dava uma biografia e um estilo diferente. O que pouca gente sabe é que, pelo menos uma vez por ano, Pessoa reservava uma mesa num café de Lisboa para reunir seu plantel, e servia bebidas e pastéis de Belém para todos – que ninguém via, ou só ele via.

Os frequentadores do bar se espantavam com aquele homem numa grande mesa vazia que falava sozinho enquanto bebia e comia. Não podiam saber que Pessoa conversava com suas criaturas invisíveis, que comentavam a vida e os tempos, e muitas vezes trocavam insultos, pois o único traço comum aos heterônimos – Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Bernardo Soares – era que um não suportava o trabalho do outro. Pessoa não tomava partido nas discussões, apenas recomendava tolerância e paz, enquanto comia todos os pastéis.

Um dia, no meio de um desentendimento entre os heterônimos sobre o papel da poesia na política, aproximou-se da mesa um homem que Pessoa achou remotamente familiar. Talvez um colega de escola? O homem pediu para sentar-se. Pessoa disse que todas as cadeiras estavam ocupadas, e o homem pegou uma cadeira da mesa ao lado. Anunciou seu nome. Identificou-se como “um poeta menor” e disse que lamentava não ter sido convidado para aquela reunião.

– Mas você não é meu heterônimo – protestou Pessoa.

– Não – disse o homem. – Você é meu heterônimo.

– O quê?!

– Eu inventei “Fernando Pessoa”, e vi minha criação tornar-se mais conhecida do que eu. “Pessoa” todos conhecem. É o maior poeta de Portugal. Eu, quem conhece?

Pessoa lembrou-se de onde vira aquela cara antes. Numa obscura antologia de poetas provincianos, ilustrando um poema horrível.

Foi Álvaro de Campos quem expressou a perplexidade do grupo, depois de alguns segundos de silêncio atônito diante daquela revelação.

– Quer dizer que nós somos invenções... de uma invenção?!

O homem explicou:

– Eu só inventei “Fernando Pessoa”. Ele inventou vocês por conta própria. Eu, pobre de mim, não teria a capacidade. Mal posso com um heterônimo, que não para de escrever. O que dirá de cinco.

Ricardo Reis virou-se para Pessoa, ou “Pessoa”, e protestou.

– E você, ó Pessoa. Não vai dizer nada? E essa confusão em que nos meteu?

– Eu só estava pensando – disse “Pessoa”, pegando o último pastel – que desta vez não vou ser eu a pagar a conta.

Luís Fernando Veríssimo
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Deputado tucano, amigo de Aécio, aprova sozinho projeto na Comissão de Educação

Ele



O deputado Caio Narcio (PSDB-MG) chegou ofegante na noite da última quarta-feira (13) ao plenário da Comissão de Educação da Câmara, da qual é presidente, e aprovou em pouco mais de um minuto um polêmico projeto sobre a autorização de cursos à distância na área de saúde.

Sem nenhum deputado no plenário da comissão, Narcio sentou-se à mesa ao lado de uma secretária e do deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG).

Respirando com dificuldade devido ao cansaço de quem chegou correndo, ele anunciou: “Em discussão. Não havendo quem queira discutir, aqueles que o aprovam permaneçam como se acham. Aprovado”.

Imediatamente após a deliberação, o deputado suspira e afirma: “Nada mais havendo a tratar, agradeço a presença de todos, convoco reunião deliberativa no dia 20 de dezembro, quarta-feira, às 10h, para tratar dos itens de pauta. Está encerrada esta sessão” (veja no vídeo acima).

Naquele dia, a sessão da Comissão de Educação havia se iniciado às 10h32, com a sala lotada. Os deputados votaram um requerimento – que acabou rejeitado – de retirada de pauta do projeto sobre ensino à distância. Em seguida, às 11h26, Narcio teve de suspender a sessão devido ao início de votações do Congresso Nacional no plenário da Câmara. Pouco mais de dez horas depois, às 21h45, o presidente voltou à sala da comissão e aprovou o projeto em pouco mais de um minuto.

A atitude de Narcio provocou protestos de integrantes do Conselho Nacional de Saúde e motivou um recurso da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) com o objetivo de anular a decisão.

Segundo a deputada, os demais membros da Comissão de Educação receberam um e-mail “enviado às pressas” e não tiveram tempo de se deslocar do plenário da Câmara para a sala da comissão.

“Ele chamou em cima da hora e, ofegante, aprovou o projeto, que ainda estava sendo negociado. É imoral o que ele fez, é antiético, é algo fora da liturgia parlamentar, é um desrespeito com a educação brasileira”, afirmou.
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71% dos juízes são foras da lei


Os números pedidos pela presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármem Lúcia, aos tribunais de justiça de todo o país mostra quão estarrecedor é o quadro de super-salários no Judiciário.

71,4% dos juízes – 11,6 mil do total de 16 mil existentes no país – ganha acima do teto de R$ 33,763  por mês que Cármem e seus colegas de STF recebem  e estão, portanto, com vencimentos fora da lei constitucional.

De acordo com tabulação feita por Marlen Couto, em O Globo, este grupo recebe, em média, R$ 42,5 mil mensais, por cabeça. E 52 ultrapassam R$ 100 mil.

São eles que vão ensinar ao pais o que é legalidade e o que é ética?

É claro que uma minoria não está entregue à farra de vantagens, mas 71%, sete em cada dez juízes não tem condições morais em falar de moralidade, ao pedirem – como a “escrava” Luislinda Valois – ou aceitarem,  em seu próprio benefício, arranjos e vantagens que os colocam como privilegiados.

Não é muito diferente a situação de seus “parceiros da pureza” do Ministério Público.

São os homens da lei brasileiros, que vergonha!

Que noção podem ter das carências, dos sofrimentos, das privações dos cidadãos a quem julgam, a quem mandam prender, mais de 700 mil deles, atualmente?

E se a D. Cármem Lúcia quiser falar algo, que só fale depois de cobrar ao valente Luiz Fux, o topetudo ministro que sacramentou a indecência do “auxílio-moradia” sem moradia.

Para por ordem na casa dos outros é bom começar na sua própria.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Desespero na Globo

Desespero na Globo: irmãos Marinho “queimam caravelas” com “kamikaze TRF-4”!


(com informações de fontes muito bem situadas no BNDES e no próprio Grupo Globo)

Na data de ontem (14/12/2017) o Grupo Globo finalmente tomou a decisão de substituir do comando executivo das empresas o primogênito da família Marinho, Roberto Irineu Marinho, sob o pretexto de ter completado a idade de 70 anos.

Mais uma vez a empresa fez uso do eufemismo para escamotear a verdade dos fatos, usando o recurso das conjunções e adversativas em suas manchetes para esconder o fato de que o primogênito caiu: “Roberto Irineu Marinho se mantém presidente do Conselho do Grupo Globo, e Jorge Nóbrega assume presidência executiva.”

Mais à frente o comunicado ressalta que o novo CEO, ex vice-presidente Executivo do Grupo Globo, Sr. Jorge Nóbrega, assumiria a presidência executiva da empresa em função da aposentadoria do primogênito da família Marinho e que este teria feito a indicação do Sr. Nóbrega para o cargo.

Apesar da saída de Roberto Irineu Marinho do comando executivo ele ainda continuaria na presidência do Conselho de Administração, cargo que antes acumulava com a presidência executiva do Grupo.

É possível notar um claro interesse em criar um pretexto para a troca no comando, o atingimento da idade de 70 anos, bem como a ideia de que o poder de mando continuaria intacto, não só pela indicação e escolha do novo CEO como a permanência à frente da Presidência do Conselho de Administração.

Emblemática foi a declaração de que “A família Marinho não se afastará da Globo nem um milímetro”, dita por Roberto Irineu em um comunicado aos funcionários do grupo. É justamente o contrário, se não tivesse havido um afastamento da frente dos negócios esta fala sequer teria sido mencionada.

Outra declaração emblemática foi a de que “A gestão das nossas empresas também não mudará e nem nosso modo de ser. (…) Buscamos resultados de longo prazo, sem mirar exclusivamente no lucro do trimestre”. Aqui temos uma confirmação da informação antecipada por nós tempos atrás (aqui e aqui), quando afirmamos que o Grupo Globo entraria no vermelho já no 1º trimestre de 2018.

Na prática, o novo CEO será o responsável por todos os negócios do grupo, os novos projetos e as transformações das empresas (TV Globo, Globosat, Infoglobo, Editora Globo, Valor Econômico, Sistema Globo de Rádio, Som Livre, Globo.com e Globo Filmes), bem como as participações em outros negócios e as novas iniciativas.

Por trás deste repentino anúncio da troca de comando nas empresas do Grupo Globo travou-se uma intensa disputa nos bastidores da cúpula do Grupo, cujos herdeiros relutam em reconhecer que a gestão conduzida por eles foi desastrosa. Sob todos os pontos de vista de gestão empresarial.

A opção tomada de derrubar a presidente Dilma teve de ser acompanhada de uma intensa campanha que terminou derrubando o governo, mas também derrubou o PIB. Afetou, diretamente, o faturamento dos principais anunciantes. E, por conseguinte, seus investimentos em publicidade. Ou seja, um tiro no pé nos negócios da empresa.

A gota d’água que agiu como elemento catalisador para a troca de comando foi a “decisão kamikaze” (nas palavras de interlocutores dos Marinho!) da cúpula do jornalismo da emissora, ao orquestrar a antecipação do julgamento do ex-presidente Lula para o dia 24/01/2018. Passaram para toda sociedade e para todo mundo jurídico nacional – e internacional – a certeza de que o país estaria sob a égide de um verdadeiro Estado de Exceção.

Prevaleceu junto aos membros do Conselho de Administração a ideia de que a jogada de mão maquinada pelos irmãos Marinho e sua diretoria de jornalismo ultrapassou todos os limites de responsabilidade e previsibilidade. A ponto de ameaçar, seriamente, os negócios do grupo, tendo em vista que tal decisão foi como queimar caravelas; tornar quase impossível uma futura composição com os governos a serem eleitos. Isso sem contar a efetiva possibilidade de conflagração no sistema social em função desta medida tão absurda e arbitrária.

A partir da posse de Nóbrega no comando executivo das empresas haverá um processo mais acelerado de reestruturação interna. O foco imediato será o corte nos custos fixos (salários nos departamentos de jornalismo e novelas) e a venda de bens do ativo imobilizado (nesta semana o prédio da Rádio Globo foi desocupado e a operação foi transferida para Jacarepaguá).

Em paralelo a isso, ainda existe um assunto não definitivamente resolvido: o dos futuros pretendentes Murdoch e Daniel Dantas. Os Marinho e Murdoch em passado recente cogitaram da atuação da News Corp no solo brasileiro. O empresário australiano poderia adquirir uma parte da TV Globo em troca de assunção das dívidas de US$ 2,6 bilhões do Grupo Globo. Além do bilionário australiano que mira as empresas da Globo temos também o banqueiro Daniel Dantas do Opportunity.

Daniel Dantas poderia fazer o negócio da aquisição via banco Opportunity. Teria a vantagem de poder captar recursos no BNDES.



(i) ou já deram os recebíveis – de uma concessão pública!(1) – como garantia para a especulação que fazem no mercado financeiro; e/ou

(ii) já empenharam de forma secreta as ações – de uma concessão pública!(2) – para se financiarem; e/ou


(iii) repetindo prática reiterada da empresa (como com o grupo Time Life nos anos 60, na compra da emissora do grupo em SP, com a venda da NET ao mexicano Carlos Slim, etc.) já venderam as ações que têm na Globo – uma concessão pública!(3) – em um contrato de gaveta a um bilionário estrangeiro – algo ilegal e vedado expressamente pela Constituição. Nesse caso, permaneceriam apenas como testas de ferro no negócio, até o lobby pela mudança legislativa que permitisse a “regularização” dessa situação prosperasse. Partindo dessa premissa, seria o afastamento de João Roberto Marinho da presidência do grupo uma ordem direta do “gringo”? Teria perdido a paciência com as lambanças dos Marinho?

O grande desafio do Grupo Globo é gerenciar o endividamento de curto e médio prazo. A prioridade zero é o corte nos custos fixos e a venda de ativos, como participação em empresas (Sky) e a venda de emissoras de tevê. A estratégia do novo CEO Nóbrega será no sentido de seguir este plano e se ater apenas aos ativos geradores de caixa como os jornais e a emissora de TV.

Dentro deste cenário os novos gestores não podem se arriscar a participar de jogadas políticas temerárias ao estilo Kamikaze, que criem futuras retaliações contra os negócios ou interesses do grupo. E foi exatamente isto que ocorreu recentemente com a operação no TRF-4, que incendiou o ambiente político e também induziu a substituição do primogênito dos Marinho no comando do grupo.

* * *

Atualização: 

Fonte (1) – Romulus, adiciona isto aqui na atualização do seu post:

(que caiu como uma bomba onde tinha que cair!!)

– O imbróglio do FIFAGate vai impactar a renovação dos empréstimos bancários e obtenção linha para capital de giro.

– Os bancos irão pôr obstáculos à concessão de crédito para eles.

– O risco de default na Globo é muito alto.

– OUTRA: o banco Goldman Sachs, que no passado recente ajudou na restruturação da dívida da Globo, terá como nova presidente a Maria Silvia, no lugar de Paulo Leme.

– A mesma Maria Silvia que, antes de presidir o BNDES (onde não pode rolar o empréstimo SEM GARANTIA) já havia dado consultoria para reestruturar a dívida da Globo em sua consultoria independente em 2002/2003, agora terá que descascar novamente o abacaxi “Grupo Globo”, que em 2018 entra no vermelho, em especial no tópico CASH FLOW (fluxo de caixa).

– Meu amigo, o que fecha uma empresa não são os números do Profit&Loss (lucros e prejuízos), mas os do cash flow! Sem cash flow a empresa simplesmente colapsa! O cash flow é o oxigênio do coração da empresa. É esta a preocupação do Grupo Globo em 2018.

– Fora o fato de que, se houver decretação judicial internacional da nulidade dos contratos da FIFA de 2026 e 2030, haverá uma debandada de grandes anunciantes. E a empresa JÁ RECEBEU os chamados (jargão contábil) “RECEBIMENTOS ANTECIPADOS”. Estes recebimentos antecipados são classificados como passivo circulante. É uma dívida que a empresa tem com os anunciantes.

– Caso os contratos da Copa caiam, os Marinho terão de devolvê-los aos anunciantes ou descontá-los em futuros anúncios. Ou seja, um dinheiro absurdo que não mais irá entrar no caixa! Viu o tamanho do problema?

– Fora o fato de diversas decisões criminosas – e.g., corrupção no futebol, uso de offshores, sumiço de processo da receita, conspiração para derrubar governos – terem sido deliberações pessoais dos 3 irmãos Marinho. Ao arrepio de tudo aquilo que uma gestão corporativa profissional recomendaria.

– Obs.: a expressão “ataque kamikaze” (TRF4 em 24/01) foi citada – textualmente! – no quebra pau do Conselho de Administração do Grupo Globo! Na cara do – recém-demitido – irmão Marinho!

– A investigação #FIFAGate trará impactos enormes no caixa de empresa. Bancos deixarão de ser uma opção para o grupo se financiar. E aí a Globo será presa fácil para os predadores: Murdoch, Daniel Dantas, Carlos Slim…

– Posso confirmar o que o Paulo Henrique Amorim antecipou, sobre o prejuízo certo no primeiro trimestre de 2018. Só que é pior: já estão falando que no 4º trimestre deste ano – 2017 – já haverá prejuízo! Coisa que será difícil de esconder com “mágica contábil”. Pois quem sabe – agora – a Miriam Leitão não vire uma ardorosa defensora de “contabilidade criativa”??

* * *

Mais sobre a corda no pescoço dos Marinho em:

Bomba: os Marinho colocaram a Globo na roleta do Cassino!

Por “Dom Cesar” & Romulus

No popular:

– Os Marinho estão saindo fora!

E, por isso, querem a grana toda…

– … in cash!

Com a moeda nacional desvalorizada, o país fica “barato” e o poder da “alavanca” de quem tem dólares torna-se muito maior.

Some a isso, ainda:

(i) a depressão econômica, barateando os ativos brasileiros no geral;

e, no particular…

(ii) a implosão de setores inteiros da economia nacional, via Lava a Jato.

Resultado: xepa!

E aí…

Quem tem dinheiro na mão – a tal da “liquidez”… – é rei!

“Aposta na aposta, na aposta, na aposta, na…”

– Os Marinho apostam no seu poder de viciar a “roleta do Cassino”, via Rede Globo para, ao final, ganharem também na sua aposta principal: a especulação financeira.

Haja alavancagem: um verdadeiro castelo de cartas!

“Castelo de cartas”… a espera de um sopro??

Romulus Maya
No Cafezinho
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As dúvidas sobre a ofensiva das semanais contra Gilmar


Confesso que ainda não entendi totalmente a ofensiva das semanais contra o Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Do lado da Veja, é evidente que a munição foi fornecida pelos porões da Lava Jato. E é possível entender a motivação da revista, mordendo e assoprando, e tendo de se equilibrar entre recuperar a imagem, depois do desastroso período Eurípides Alcântara, e, ao mesmo tempo, fazer o jogo das fontes.

Um pouco atrás, deu a capa com o advogado Adriano Bretas, o dono da chave do milionário mercado da delação premiada. Agora, a matéria sobre Gilmar.

A dúvida maior é em relação à IstoÉ.

A revista não costuma pensar na construção da imagem editorial. Sempre vive o momento como se não houvesse amanhã.

Nas últimas eleições, acertou o apoio a Aécio Neves. Depois do golpe, acertou com Eliseu Padilha apoio incondicional ao governo Temer. Gilmar é garantia de blindagem de Aécio e Temer. Porque o ataque da IstoÉ, em cima de um caso antigo?

Há uma explicação, mas que deixa a incógnita sobre o patrocinador.

Aparentemente, os patrocinadores entenderam que a defesa intransigente do garantismo, por Gilmar, para os tucanos, acabaria transbordando para Lula,  enfraquecendo a ação claramente persecutória de Sérgio Moro e do TRF4 contra Lula.

Mas quem são os patrocinadores? Aparentemente decidiu realizar prejuízo (imagem do mercado quando o investidor decide vender suas ações na bacia) com Aécio, Serra e demais cadáveres políticos. E jogá-los ao mar com Lula.

A propósito, de fonte bem informada: Antonio Palocci vai dançar com sua tentativa de delação, por alguns motivos óbvios:

A tal história do dinheiro de Kadafi para o PT em 2002 não bate. Se fosse em 1988 ou 1994 ainda teria algum sentido. Mas em 2002 o PT estava com caixa garantido e já tinha caído a ficha sobre Kadafi. Palocci não terá como apresentar provas.

Depois de 158 acordos de colaboração premiada, a Lava Jato arrisca-se a não ter ninguém preso. Soltar Palocci seria um tiro a mais no pé.

Luís Nassif
No GGN
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Militante de Bolsonaro, fã de Moro. Quem é a sargento que ameaça os militantes que forem a Porto Alegre

Com Bolsonaro: versão diminuta do ex-capitão
A policial que gravou e divulgou nas redes sociais vídeo para ameaçar os manifestantes que forem a Porto Alegre no ato em defesa de Lula já foi submetida a exame psiquiátrico. O laudo apontou um tipo de transtorno que não a incapacita para a vida civil nem a torna inimputável, mas revela uma tendência à agressividade e a imaginar que está sendo perseguida.

Flávia Cristina Abreu, militante de Jair Bolsonaro, foi submetida a exame em um inquérito policial militar realizado pelo Comando de Policiamento Militar de Porto Alegre, quando ela acusou o comandante do batalhão onde trabalhava, o 18º, em Viamão, de persegui-la.

O tenente-coronel Pedro Joel Silva da Silva, comandante na época, determinou a abertura do inquérito quando recebeu citação da Justiça em uma ação por danos morais que a subordinada movia. Flávia pedia indenização por, segundo ela, ser alvo de perseguição do comandante.

Ao se defender, o tenente-coronel disse que não tinha contato direto com ela, achou tudo muito estranho porque foi na mesma época em que combatia o crime organizado em torno do jogo ilegal e fazia mudanças no quartel.

O tenente-coronel, hoje na reserva, ganhou o processo civil na Justiça em primeira instância, aguarda o julgamento de recursos na segunda e foi isentado de qualquer culpa no inquérito policial militar. Já Flávia acabou respondendo por falsas acusações — no final, também foi absolvida. E não ganhou o processo por danos morais.

Flávia, que em suas postagens repete o slogan Força e Honra, tem uma razoável repercussão nas redes sociais. Sua página no Facebook tem mais de 14 mil seguidores, e ela se dedica a promover Bolsonaro e atacar políticos de esquerda.

No Halloween, em 31 de outubro, gravou um vídeo para dar os parabéns às deputadas Maria do Rosário, Manuela D’Ávila, Luiza Erundina e às senadoras Gleisi Hoffmann e Fátima Bezerra, entre outros.

No dia 7 de dezembro, postou uma foto com Bolsonaro em uma mesa de restaurante. Escreveu: Três coisas que eu admiro muito em pessoas iguais a mim: Honestidade, Sinceridade e Humildade.

Publicou foto dela própria em frente a um banner “Somos Todos Moro” e com camiseta da campanha em defesa da liberação das armas. Também publicou  material de campanha de Donald Trump e fotos ridicularizando a filósofa Judith Butler. Ajuda a promover Olavo de Carvalho e esteve na porta do Santander Cultural em Porto Alegre para protestar contra a exposição Queermuseu.

No vídeo em que ameaça os manifestantes que forem a Porto Alegre no dia 24 de janeiro, Flávia diz: “Venham aqui, vocês vão ver o que é o verdadeiro sangue farroupilha. Venham, mortadelas. Venham muitos porque não vai ter mimimi. Não vai ter choro. É linha, pau, gás e bomba”.

A valente Flávia não faz serviço externo, o negócio dela é mexer em papéis, em serviços internos. Mas tem uma língua grande, um olhar que procura ser assustador. No fundo, é uma versão diminuta de seu ídolo, o ex-capitão Jair Bolsonaro, que o general Ernesto Geisel definia como “completamente fora do normal, inclusive um mau militar”.

Na linguagem da caserna, um “bunda suja”, como são chamados pelos militares de alta patente os oficiais que não conseguiram postos mais elevados na carreira. Mas, no Brasil de hoje, ambos conseguem ter alguma repercussão.


Fotos retiradas de sua página no Facebook

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Caros Amigos chega ao fim


É o pior editorial que um jornalista pode escrever: anunciar o fim de um projeto acalentado por 20 anos. A revista Caros Amigos resistiu o quanto pôde, mas não resistiu ao golpe, ao cerco ideológico do governo ilegítimo, ao aprofundamento da crise deste ultraneoliberalismo que pune a nação com vingança, ódio e descaramento institucional contra os avanços e conquistas sociais. Circula esta, sua última edição, também diante de um mercado editorial em profunda transformação, com queda nas vendas em todos os nichos, e o avanço das mídias digitais, dominadas por grandes corporações e assoladas por fake news e ações de rapina ideológica. Mas também é da necessidade de bom jornalismo nesses tempos de “mídias da confusão” e ambiente digital bruto que a editora vai manter o site de Caros Amigos e continuar oferecendo nas bancas republicações de suas edições temáticas, produzidas ao longo dessa jornada.

A última edição de Caros Amigos aproveita para olhar para este contexto da era digital e suas “novidades”. A guerrilha virtual das fake news, robôs e novos hábitos de busca e consumo de informação, como os da plataforma de vídeos YouTube, que cria celebridades de conversas banais e por vezes racistas e discriminatórias e é contudo, sonho de fama das novas gerações. Como questiona o teórico da contemporaneidade Massimo Canevacci, em uma das reportagens, não era pra ser assim — para ele, a era digital cria a “personalidade digital autoritária” de um “fascismo sem controle”.

Esta edição tem ainda a história dos jornais da resistência, publicações que desafiaram ditadores, governos, censura e mesmo o mercado, para manter acesa a chama por um mundo mais justo e plural. E, ainda, artigos sobre a democratização da mídia e análise dos governos petistas e seus laços com projetos neoliberais, seus impactos na geopolítica na América Latina. Além das colunas dos colaboradores, que também se despedem de Caros Amigos, alguns deles, sem falhar em nenhuma das 248 edições. Fique aqui registrada uma profunda admiração e nosso agradecimento. A todos que passaram pelas páginas e redação de Caros Amigos, jornalistas, articulistas, são tantos; aos anunciantes que acreditaram na marca e ajudaram na sobrevivência, FNAE, CNTE, entre outros. Também aos caríssimos e fiéis leitores. Valeu a caminhada!

A revista se vai nesse vendaval de mudanças tecnológicas e seus impactos nas relações sociais, na comunicação de massa, na reorganização das sociedades e mercado. O site vai manter a chama dessa batalha no ciberespaço selvagem e sempre manipulável das novas plataformas e atores da informação. Embora de outra forma, o sonho continua.

Boa leitura!

Nas bancas de todo o Brasil ou se preferir na loja virtual.



Foram 20 anos na trincheira com "a primeira à esquerda", conforme o slogan da publicação.

Acompanhei com alegria seu lançamento.

Li com brilho nos olhos a primeira edição, com Juca Kfouri na capa, e as que se seguiram. Adorava as longas entrevistas, fantásticas, ao estilo "Pasquim". Nessa época, comprava todo mês. Achei incrível quando a direção decidiu fotografar a mesma criança para as capas das edições comemorativas de 1 ano, 2 anos e 3 anos. Caros Amigos foi também a primeira revista que eu assinei, com meu dinheiro, acho que aos 18 anos, no finalzinho de 1997. Por muito tempo, guardei a coleção completa das 36 primeiras edições. Também tive a oportunidade, como estudante de jornalismo, de participar de uma das entrevistas intermináveis, com o ator Pedro Cardoso, que acabava de interpretar Fernando Gabeira no filme "O que é isso, companheiro?", num período anterior a Agostinho Carrara, e que coincidentemente voltou ao noticiário no mês passado, manifestando-se contra o desmonte da EBC. Jovem, conheci muitos gigantes da imprensa brasileira por meio de suas páginas, colunistas e repórteres. O fundador Sérgio de Souza, Roberto Freire (o escritor e psicoterapeuta, não o político), seu filho Paulo Freire, Alberto Dines, José Arbex Jr., Frei Betto (esse eu já conhecia!), Marina Amaral, Guto Lacaz, Myltainho, João Pedro Stédile e tantos outros.

Acompanhei com agonia seu crepúsculo.

Reconheço com tristeza que já não lia a revista com assiduidade nem com o mesmo interesse. Nos últimos anos, me parecia faltar ali o tesão, a irreverência e a genialidade dos gigantes que encontrei nos primeiros tempos. Mas não era raro me deparar em suas páginas com análises maduras e críticas bem embasadas, sobretudo ao golpe. De vez em quando, encontrava o Wagner ou a Ciça, que invariavelmente traziam informações tristes, sobre dificuldades financeiras, quebra iminente, tentativas de renegociação. A equipe que a tocava nos últimos anos fazia dela sua militância e sua profissão de fé. O modelo de negócios ruiu, não sei dizer exatamente quando, mas tenho certeza de que o fim da Caros Amigos — e de outros jornais, revistas e sites que ainda se debatem pela democracia neste país — atende com carinho aos desejos mais íntimos do fascismo agora aquartelado no Jaburu, nos MBLs, no Escola Sem Partido, na Cidade Linda, na Justiça de Curitiba, no tribunal regional de Porto Alegre.

Caros Amigos sobreviveu a 2016, mas não suportou 2017. Sucumbiu por falência múltipla de órgãos. Sua última edição chega às bancas com esta capa (foto) e com um editorial de despedida que pode ser lido aqui: https://www.carosamigos.com.br/index.php/edicao-atual/11555-edicao-248-editorial-e-sumario

Muito obrigado aos que fizeram a revista ao longo dessas duas décadas e, por extensão, contribuíram para minha formação como jornalista e como cidadão.

"É pirueta pra cavar o ganha-pão
E a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão"
(Chico Buarque em "Meu Caro Amigo")

Camilo Vannuchi
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