15 de dez de 2017

Glaucos, enfim, admite que assinou recibos apresentados por Lula

Se no caso triplex Sergio Moro teve de fazer "piruetas jurídicas" para condenar Lula, nesta ação penal envolvendo a Odebrecht, o leitor não deve esperar menos do que um verdadeiro espetáculo circense


Se na sentença do caso triplex o juiz Sergio Moro teve de dar umas "piruetas jurídicas" para condenar Lula, nesta segunda ação penal - na qual a Lava Jato afirma que o petista recebeu um apartamento da Odebrecht e a prova disso é que ele não teria pago os aluguéis, mas, sim, "falsificado" os recibos - o leitor não deve esperar menos do que um verdadeiro espetáculo circense.

Quem está na corda bamba, se esforçando ao máximo para não deixar a narrativa cair por terra, é o réu Glaucos da Costamarques, primo distante de José Carlos Bumlai. Ele é o elo que liga a Odebrecht a operações que supostamente teriam beneficiado Lula.

Diante de Moro nesta sexta (15), pela segunda vez, Glaucos impôs algumas derrotas à turma de Deltan Dallagnol. Ele atestou a veracidade de provas levadas aos autos pela defesa de Lula e ainda disse expressamente que é dono do apartamento atribuído ao ex-presidente pelos procuradores.

O GGN já mostrou, com base em um relatório da Polícia Federal que teve seu verdadeiro teor abafado pela grande mídia, que Glaucos possivelmente colabora com a Lava Jato, na condição de um delator informal, porque a Receita encontrou movimentações supeitas em suas contas. E essas movimentações envolvem depósitos que somam mais de R$ 8 milhões, que ele recebeu de seus filhos. (Leia mais aqui)

A Lava Jato, como se sabe, é especialista em arrastar familiares para o olho do furacão como forma de pressionar os investigados a colaborar. Paulo Roberto Costa é o exemplo mais lembrado.

Glaucos é réu, assim como Lula e o advogado Roberto Teixeira, além de executivos da Odebrecht, porque comprou um imóvel que seria ofertado para o Instituto Lula. Mas, na mídia, a segunda parte da denúncia da Lava Jato ganhou mais espaço: a compra de um apartamento vizinho ao do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, também por Glaucos, a pedido de Bumlai.

Pois foi na esperança de cair nas graças de Moro que Glaucos disse ao juiz que entre fevereiro de 2011 (quando fez o contrato com Marisa Letícia), e novembro de 2015 (quando Bumlai foi preso), Lula não pagou o aluguel pelo espaço.

O problema na história de Glaucos, até então, era o fato de que ele mesmo declarou o recebimento dos aluguéis em seu imposto de renda, todos os anos.

Quando a defesa de Lula surgiu com os comprovantes de pagamento, a Lava Jato e os jornais que funcionam como porta-vozes dos procuradores entraram em polvorosa. Trataram os recibos como peças falsas e insuficientes para atestar a versão de Lula. Abriu-se um incidente de falsidade.

Foi no âmbito deste incidente de falsidade que Glaucos foi chamado para depor novamente diante de Moro, nesta sexta-feira (15). A missão do réu era desmontar todas as provas que foram levantadas em favor de Lula e contra a narrativa criada pela Lava Jato. Além dos recibos, existem:

- Sírio Libanês negando que Roberto Teixeira tenha visitado Glaucos no hospital em data referida por este último. Glaucos afirma que, no Sírio, Roberto lhe informou que a partir de novembro de 2015, o aluguel seria pago. 

- E-mail trocado entre Glaucos e o contador responsável pela declaração do imposto de renda de Lula, no qual o primeiro expõe os valores de aluguel recebidos ao longo de 2013.

A questão principal neste segundo depoimento de Glaucos era saber se ele confirma que assinou os recibos apresentados pela defesa de Lula. Ele disse que sim, a assinatura era dele.

Ele reafirmou que não recebeu aluguel entre fevereiro de 2011 e novembro de 2015. Mas agora surgiu com um fato novo: uma explicação do por quê declarava no imposto de renda um aluguel que ele não recebia.

A história é que Bumlai ressarcia Glaucos pelo menos em relação aos impostos. Como? Em transações particulares, como compra de cavalos. Nem Moro, nem o Ministério Público perguntaram se ele tinha provas dessa versão.

Moro se preocupou em saber como Glaucos explica que o Sírio Libanês não resgistrou a visita que ele diz ter recebido de Roberto Teixeira. 

Foi assim que o réu-delator informal ajudou a Lava Jato a explicar a falta de prova:

"Ele entrou sem se identificar. Porque a entrada no hospital ... é... a... a... entrada no hospital, onde a gente faz o crachá lá na frente é falha. E eu vou dar ao senhor um exemplo. Quando eu estava internado, meus filhos alugaram um flat na rua lateral do hospital, bem na frente do pronto socorro do hospital. Eles saiam dali sem se identificar e entravam pelo pronto-socorro. Eu vou explicar para o senhor... Nem toda entrada é fiscalizada. A principal é, as outras não são."



Glaucos admitiu que o e-mail apresentado pela defesa de Lula sobre os valores de 2013 é verdadeiro.

E deixou para o final uma frase que a defesa de Lula, em nota, chamou de contraditória, já que nela, Glaucos admite que é dono do apartamento que a Lava Jato atribuiu ao ex-presidente.

Disse Glaucos, sobre a conversa que diz ter tido com Roberto Teixeira, em novembro de 2015:

"Com esse negócio que aconteceu [o estouro da Lava Jato], a prisão do Zé Carlos [Bumlai] e tudo, ele [Bumlai] já não me pagou [o valor gasto na compra do apartamento], eu não vou mais receber esse dinheiro. Então, daqui para frente, eu vou assumir, o apartamento é meu. Até aquela data, na minha cabeça, eu tinha comprado para o Zé Carlos e ele estava me devendo o dinheiro do apartamento. Mas dali para frente, como comecei a receber o aluguel e tudo, o apartamento era meu. (...) O aparamento, na minha cabeça, é meu."



Em nota, a defesa de Lula escreveu:

"A verdade hoje confirmada pelos depoimentos é que os recibos de locação, como sempre foi afirmado pela defesa do ex-Presidente Lula, são autênticos, foram emitidos pelo Sr. Glaucos da Costamarques com declaração de quitação em favor da D. Marisa, que é prova mais plena do recebimento dos aluguéis de acordo com a lei brasileira, confirmada por outros documentos existentes nos autos, como a movimentação nas contas do proprietário envolvendo valores em espécie. Também ficou claro mais uma vez que o apartamento não é do ex-Presidente Lula e que não há qualquer valor proveniente de contratos da Petrobras relacionado ao imóvel, ao contrário do que consta na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal."

Cíntia Alves
No GGN
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As aventuras de um “bunda suja”: para Geisel, Bolsonaro era “fora do normal” e um “mau militar”


Roberto Simon, diretor para a América Latina da FTI Consulting, em Nova York, empresa de consultoria empresarial global, postou em suas redes sociais trechos de um depoimento de Ernesto Geisel, o quarto general da ditadura.

As conversas com Geisel foram compiladas pela Fundação Getúlio Vargas e viraram um livro fundamental para entender aquele período. 

As entrevistas foram concedidas à cientista política Maria Celina d’Araújo e ao antropólogo Celso Castro entre julho de 1993 e abril de 1994. A obra foi lançada em 1997, um ano depois da morte de Geisel.

Ele governou o Brasil de 1974 a 1979. Às páginas 112 e 113 (o catatau tem 494 no total), Geisel fala de Jair Bolsonaro, à época um deputado que já chamava a atenção pela indigência mental.

O contexto são as “vivandeiras” do regime militar. Geisel se queixava de que “há muitos dizendo: ‘Temos que dar um golpe!” E emenda: “Não é só o Bolsonaro, não!”.

Em seguida: “Presentemente, o que há de militares no Congresso? Não contemos o Bolsonaro, porque o Bolsonaro é completamente fora do normal, inclusive um mau militar“.

Eduardo Reina escreveu no DCM sobre a expulsão de Bolsonaro da Escola de Oficiais após um plano terrorista.

Jair vive de uma mistificação de uma época brutal sob qualquer aspecto e de uma posição auto outorgada de herdeiro daqueles déspotas.

Na verdade, o “capitão” era considerado um “bunda suja”, o termo empregado pelos militares de alta patente — como Geisel — para designar aqueles que não galgaram posições na carreira. A história se repete como farsa.


Kiko Nogueira
No DCM
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Tacla Duran: Moro sabe o meu endereço, sim!

Então, por que não ouve o Duran, "Judge Murrow"?


O advogado Tacla Duran, aquele que não vem ao caso para o "Judge Murrow", deu mais uma declaração bombástica - desta vez, a Cristiano Zanin Martins, advogado do Presidente Lula.

Vale lembrar que o "Judge Murrow" recusou TRÊS VEZES pedido da defesa de Lula para que Duran fosse ouvido como testemunha em ação que envolve a suspeita de que documentos da Odebrecht teriam sido fraudados.

Moro dizia desconhecer o endereço de Duran.

O que, agora, cai por terra:



No CAf
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Tiroteio na caserna?


Um parlamentar da base do governo do Rio Grande do Sul acaba de nos informar com exclusividade – mas por motivos óbvios sob o véu do anonimato – que o General Antônio Hamilton Mourão será lançado presidente no intuito de sifonar as intenções de voto no Deputado e presidenciável Jair Bolsonaro ainda no primeiro semestre de 2018. Segundo a fonte, observadora privilegiada, “Bolsonaro será desidratado pela Globo”.

Ainda segundo esse parlamentar gaúcho, o “fogo (muy) amigo” conquistaria também “os votos do PSDB e da ‘direita refinada’, que tem ojeriza à falta de bons modos e cultura do Deputado Bolsonaro”.

A expectativa dos mentores desta articulação é a de que “Mourão seja certamente o nome capaz de competir com o ex-presidente Lula no segundo turno, pois o Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não vai crescer”, afirma o parlamentar gaúcho.

Em tom de confiança, a mesma fonte afirmou que “agora a direita pode votar em um militar sem ter que tampar o nariz. Ao que consta, Mourão seria muito querido pelos militares de alta patente, que rejeitam francamente Bolsonaro, tido como um bufão. Além disso, Mourão é culto, com formação sólida. Tem especialidade em diversos temas. É de uma linha bem conservadora, mas parece que a maioria moderada o respeita muito”.

Para o parlamentar, “ao contrário de Bolsonaro, Mourão realmente pode dizer que fala pelas Forças Armadas, sem objeção visível. Ele teria usado a crítica a Temer, com a posterior demissão, como forma de dizer que sempre foi oposição ao atual presidente e que abomina a corrupção”.

A propósito deste episódio, nunca é demais lembrar que o Genaral Mourão também declarou que “se a Justiça não resolve”, ele será candidato a presidente para “drenar o pântano da corrupção”. Segundo a fonte, “já em meados do ano não restará a Bolsonaro mais que um dígito nas pesquisas”.

O parlamentar gaúcho revela ter ligado para um amigo na Presidência da República e para outro no Ministério da Defesa para checagem. Ambos confirmaram a articulação. Ainda segundo o parlamentar, “(Mourão) será certamente o candidato mais forte contra Lula. Ele é honestíssimo, ao contrário de Alckmin e mesmo de Bolsonaro. Encarnaria muito melhor o anseio difuso da sociedade por ‘combate à corrupção’, bem como o desejo latente em amplos setores da sociedade por uma reação autoritária contra ‘a criminalidade’. Mourão, e não Bolsonaro, será o adversário mais forte de Lula. Deve ir com ele para o segundo turno”, profetiza a fonte.

Ladino, Mourão e seus padrinhos na política pretendem explorar o discurso moralista das tropas e da sociedade, fustigando à exaustão todas as contradições do discurso “ético” do deputado Bolsonaro. Para começar, voltarão as baterias para (i) o nepotismo – que chega a ser caricato no caso de Bolsonaro; (ii) o seu histórico de insubordinação, que o levou mesmo à reserva prematuramente, ainda nos anos 80; (iii) o desprezo esnobe com que lhe “brinda” a alta oficializada das três Forças; e todas os “deslizes” do deputado – e filhos! – na sua longa caminhada junto a “generosos” – mas interesseiros – doadores de campanha (nos caixas 1, 2, 3 e 4!).

Tiroteio na caserna?

Wellington Calasans e Romulus Maya
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Entenda como suspensão de Del Nero pela Fifa pode implodir a CBF


A Fifa baniu Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, de todas atividades do futebol por 90 dias, com possibilidade de se estender por mais 45 dias. Comitê de Ética Independente da entidade anunciou a decisão nesta manhã de sexta-feira (14/12) após uma investigação que se arrasta desde 2015. Del Nero deixa a presidência da CBF e no seu lugar assume o paraense Antonio Carlos Nunes, o Coronel Nunes, vice-presidente mais velho da confederação nacional.

Mesmo que o banimento por meio da Fifa seja provisório, a saída de Del Nero do futebol pode ser definitiva. Pesa contra o dirigente as denúncias no julgamento de José Maria Marin e mais dois cartolas do futebol sul-americano na Corte de Brooklyn nos Estados Unidos, onde o atual presidente da CBF foi acusado de receber propinas de 6,5 milhões de dólares nos contratos de direitos de transmissão e marketing de campeonatos no Brasil e América do Sul.

Como Del Nero não arreda pé do Brasil desde 2015, portanto não pode ser preso pela Justiça americana, e não há em curso uma investigação no país contra o dirigente, a decisão da Fifa se torna nesse momento o único meio para Del Nero ser banido do futebol.

Não por acaso, o dirigente armava nos bastidores da CBF, desde novembro, um plano para convocar nova eleição na entidade em abril de 2018, um jeito de continuar no poder para mais uma mandato até 2023 e, por tabela, tentar uma nova reeleição, com mandato até 2027.

Apoiado por presidentes das 27 federações estaduais e boa parte dos 40 clubes (Séries A e B do Brasileirão), seu mandato atual terminaria apenas em abril de 2019.

Fora de cena, banido pela Fifa, seu poder de manobra diminui entre os cartolas do brasileiro. A estrutura da CBF, que tem o politico Walter Feldman na secretaria-geral, pode ruir se os clubes iniciarem um movimento contra o atual comando.

Del Nero foi alvo de uma CPI no Senado, encabeçada pelo senador e ex-jogador Romário, que foi abafada por ação da Bancada da Bola, parlamentares que defendem interesses de dirigentes de futebol – entre eles, Romero Jucá e Zezé Perrella.

Entenda o caso Del Nero

Del Nero foi indiciado dezembro de 2015 pelo departamento de Justiça dos EUA por nada mais nada menos sete crimes – três de fraude, três de lavagem de dinheiro e mais um por integrar uma organização criminosa. Assim que os federais americanos confirmaram o iniciamento do dirigente brasileiro, o Comitê de Ética da Fifa abriu uma investigação interna e não deu celeridade ao processo. Mas quando o julgamento do Fifagate começou em Nova York, em novembro, a casa de Del Nero sofreu um abalo considerável. Todas as citações a Del Nero foram enviadas à Fifa e à justiça de Zurique.

A situação de Del Nero se complicou com o julgamento de Marin, ex-presidente da CBF, que é julgado junto com o ex-presidente da Conmebol, o paraguaio Juan Angel Napout, e o ex-chefe do futebol peruano Manuel Burga. Os três são os únicos dos 42 acusados no escândalo de corrupção na Fifa que estão nos Estados Unidos e se declaram inocentes.

Marin e Del Nero, chefes da CBF
Marin e Del Nero, antigos companheiros de cartolagem no futebol brasileiro

O julgamento

O ex-presidente da CBF entre 2012 e 2015 é acusado de sete crimes: três de fraude, três de lavagem de dinheiro e por integrar uma organização criminosa. O governo americano afirma que Marin negociou para receber 6,55 milhões de dólares em propinas relacionadas à concessão dos direitos de transmissão da Copa América, Copa do Brasil e Libertadores.

Mas seu advogado, Charles Stillman, insistiu que não há provas para condenar o ex-dirigente brasileiro.

“Marin estava em campo, mas não jogou”, declarou Stillman ao júri.

“Com todo o respeito, Marin era o monarca que fazia os brindes, enquanto Marco Polo (Del Nero) comandava tudo”, acusou Stillman, referindo se ao atual presidente da CBF e que na época era o vice de Marin. Em março de 2012, Ricardo Teixeira, presidente da CBF por mais de duas décadas, anunciou sua renúncia de maneira surpreendente, pressionado pelas denúncias de corrupção.

Del Nero era visto como sucessor natural, mas quem assumiu a presidência foi Marin devido à regra interna da CBF, que outorga o cargo ao vice-presidente de maior idade da entidade.

O governo americano afirmou que, após a renúncia de Teixeira, Marin e Del Nero passaram a dividir entre eles as propinas e que as menções “Brasileiro” ou “MPM” nas contas das empresas que pagavam subornos em troca de contratos eram referências a ambos.

Stillman não comentou as gravações secretas usadas como prova pela promotoria, nas quais Marin conversa sobre subornos pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil e da Copa América com o empresário brasileiro J. Hawilla.

O advogado, porém, afirmou que se seu cliente tivesse algo a esconder, não teria recebido propinas em contas em seu nome nos Estados Unidos.

Confira a nota da Fifa sobre a punição a Del Nero:

O dirigente Marco Polo Del Nero foi banido de todas as atividades relacionadas a futebol por 90 dias pelo Comitê de Ética independente da Fifa.

O responsável pela câmara de julgamentos do Comitê de Ética baniu provisoriamente o presidente da CBF, Sr. Marco Polo Del Nero, por um período de 90 dias. A duração do banimento pode ser ampliada para um período adicional, desde que não exceda 45 dias

Durante este período, Marco Polo Del Nero está banido de todas as atividades relacionadas ao futebol tanto em nível nacional quanto internacional. A punição passa a valer imediatamente.

A decisão foi tomada após pedido do Comitê de Ética por investigações sobre o Sr. Del Nero, em respeito aos artigos 83, parágrafo 1, e 84, parágrafo 2, do Código de Ética da Fifa.

No Chuteira F.C.
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A tungada de Temer nos sócios do Aeroporto de Confins


Esse é o mercado e a segurança jurídica apregoada pelo impeachment: uma tungada escandalosa nos sócios do aeroporto de Confins, em Belo Horizonte.

É jogada bilionária. Falta saber o que estão vendendo.

Na privatização, houve uma estimativa de crescimento da demanda de Confins, para fixação do valor da concessão. O país estava em fase de crescimento. Veio a crise e a queda da demanda  – mas queda de demanda pela crise faz parte do risco do negócio.

Agora, o governo Temer decide reabrir Pampulha para vôos longos. É evidente que irá desviar vôos de Confins, arrebentando com o plano de negócio inicial e com qualquer veleidade de segurança jurídica.

Pela rapidez do negócio, por atropelar análises de outros órgãos do governo, é corrupção na veia.

Falta entender a lógica.

Pampulha é administrada pela Infraero, estatal. Obviamente o jogo não é para favorecer a Infraero.

Pode ser que esteja a caminho uma privatização rápida de Pampulha, mas é duvidoso que a corrupção caminhe por aí. Seria melhor privatizar primeiro, porque sairia mais barato. Depois, haveria a transferência dos vôos permitindo uma valorização pós-venda. E o dinheiro da propina sairia dali. Por isso, também não é uma hipótese sólida.

Resta a hipótese do achaque puro e simples, a criação de dificuldades para a venda de facilidade. Faz parte do modo de operação de Eduardo Cunha, o grande mentor de Temer. Uma multinacional estrangeira negou propina e Cunha tratou em embaraçar a operação com as armas que ele tinha na Câmara.

Tendo o controle do Executivo, o jogo fica imensamente facilitado.

Quando apoiaram o impeachment, Globo, Folha, Estadão, Supremo não sabiam disso? Evidente que sabiam. Mas, como diz o notável Luís Roberto Barroso, agora tudo mudou e a corrupção será extirpada da face do país. Mas é corrupção sem possibilidade de envolvimento de Lula. Então, tudo bem.

Luís Nassif
No GGN
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Gentili e Bolsonaro, os misóginos punidos


O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e o “humorista” Danilo Gentili têm vários pontos em comum. Foram participantes ativos da cavalgada golpista que depôs Dilma Rousseff e levou ao poder a quadrilha de Michel Temer. Eles também comungam de várias ideias fascistas, destilando ódio e preconceito em seus respectivos palanques – no parlamento e na mídia. Ambos são racistas, homofóbicos e misóginos – têm aversão às mulheres. Agora, felizmente, eles têm outra coisa em comum. Os dois acabam de ser derrotados pela deputada Maria do Rosário (PT-RS), uma das principais vítimas destes dois seres patéticos.

Segundo matéria postada nesta quinta-feira (14) no site da revista Veja, “Danilo Gentili terá que retirar das redes sociais vídeo contra a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). Inicialmente, o pedido da parlamentar à Justiça havia sido negado. Ao recorrer, ela conseguiu decisão favorável ainda em junho e o humorista deveria apagar o vídeo em 24 horas sob pena diária de 500 reais. Em novo recurso, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiu mais uma vez a favor da deputada. Para o desembargador Túlio Martins, o vídeo de Gentili é misógino, ‘representando agressão despropositada a uma parlamentar e às instituições, materializando-se virtualmente em crime que, se for o caso, deverá ser apurado em instância própria’”.

Na primeira vez em que foi punido, em junho, o “humorista” do SBT gravou um vídeo em que rasgava a notificação da Justiça, enfiava o papel picado dentro das calças e colocava de volta em um envelope com a frase: “com um cheirinho especial”. O gesto obsceno, típico do fascistoide que adora os holofotes, foi encarado como uma provocação. Agora, ele sofre nova derrota na Justiça. “Constata-se que, a princípio, o conteúdo apresentado naquilo que seria um vídeo humorístico em verdade não é notícia, nem informação, nem opinião, nem crítica, nem humor, mas apenas agressão absolutamente grosseira marcada por prepotência e comportamento chulo e inconsequente”, reagiu o juiz. Na sua página no Facebook, Maria do Rosário festejou o resultado. “Ofensa tem preço”, postou. Já o “humorista” metido a valentão, retirou o vídeo do seu canal no YouTube.

Outro metido a valentão, o “presidenciável” Jair Bolsonaro também foi recentemente derrotado na Justiça e tenta escapar da punição. Segundo matéria da revista Época, postada nesta quarta-feira (13), “O deputado federal apelou ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal no caso da condenação que o obriga a indenizar a deputada Maria do Rosário (PT-RS) em R$ 10 mil por danos morais. A ação foi ajuizada pela petista após o discurso em que Bolsonaro afirmou que não mereceria ser estuprada. Ele havia recorrido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e perdeu... Jair Bolsonaro é processado criminalmente pela Procuradoria-Geral da República por incitação à violência”.

Altamiro Borges
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Com 45% dos votos Lula ganha no 1º turno, revela pesquisa

CUT-Vox confirma: Ninguém ganha do Lula

Se a eleição fosse hoje, Lula, o melhor presidente que o Brasil já teve, venceria no primeiro e segundo turnos todos os candidatos, mostra nova rodada da pesquisa CUT-Vox Populi


O empenho de parte do Judiciário e da mídia em perseguir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não mudou a percepção da maioria dos brasileiros sobre quem é o candidato certo para corrigir os rumos do país e promover desenvolvimento econômico e social, com justiça e distribuição de renda.

Se a eleição presidencial fosse hoje, Lula venceria todos os candidatos no primeiro e no segundo turnos, aponta pesquisa CUT-Vox Populi, realizada entre os dias 9 e 12 de dezembro. Tanto na simulação espontânea quanto na estimulada, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores, o ex-presidente tem mais votos do que a soma dos demais candidatos.

Na simulação do voto espontâneo para presidente, que indica uma intenção mais sólida dos entrevistados votarem em determinados candidatos, Lula teria 38% dos votos.

Juntos, os demais candidatos, considerando, inclusive, quem citou “outros”, têm 22% das intenções espontâneas de voto. O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tem 11%; o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), e Marina Silva (Rede-AC), 2%, cada; o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE), 1%, cada. Um percentual de 5% dos entrevistados pela CUT-VOX disse que votaria em “outros” candidatos; ninguém/brancos e nulos, 17%; e, não sabem ou não responderam, 24%.

Nesse cenário, Lula continua imbatível no Nordeste, com 63% das intenções de voto. No Centro-Oeste/Norte ele tem 33%; no Sudeste, 30%; e, no Sul, 17%.

Pesquisa estimulada

Na pesquisa estimulada com cinco candidatos na disputa, Lula teria 45% das intenções de votos contra 31% da soma dos demais candidatos. Bolsonaro teria 15%; Marina, 7%; Alckmin, 6%; Ciro, 3%. Ninguém, brancos e nulos, 14%; e não sabem ou não responderam, 11%.

Também nesse cenário, Lula é o preferido pelo povo do Nordeste, com 68% das intenções de votos; do Centro-Oeste/Norte, com 48%; e do Sudeste, 36%. No Sul, ele tem 21% das intenções de voto.

Lula é também líder absoluto entre as mulheres, 46% (homens, 43%); os maduros 50% (entre os jovens tem 44% e entre os adultos, 43%); os mais pobres, que ganham até 2 salários mínimos, 58% (42% entre os que ganham mais de 2 SM e até 5 SM; e 24% entre os que ganham mais de 5 SM); e os que estudaram até o ensino fundamental, com 55% das intenções de votos (39% entre os que estudaram até o ensino médio; e 28% do ensino superior).

Segundo turno

Na simulação com Marina e Alckmin, Lula venceria ambos com 50% dos votos. A candidata da Rede teria 13% e o governador de São Paulo, 14%.

Na simulação com Bolsonaro, Lula teria 49% e o deputado carioca, 18%. 

Estimulada com dez candidatos

Na estimulada com dez candidatos, Lula teria 43% das intenções de voto contra 33% da soma dos demais candidatos.

Bolsonaro teria 13% das intenções na estimulada; o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, 7%; Marina, 5%; Alckmin, 4%; Ciro, 2%; o senador Álvaro Dias (Podemos-PR) e o atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD-GO), 1% cada. Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) e João Amoêdo (Partido Novo-RJ) não pontuaram. O percentual de ninguém/branco ou nulo foi de 13%; e o de não sabem/não responderam, 11%.

Neste cenário, Lula também é o primeiro colocado nos recortes por região, gênero e classe social. Ele tem mais votos que todos os outros no Nordeste, 67% (Centro-Oeste/Norte, 46%; Sudeste, 35%; e, Sul, 18%). É o escolhido também pela maioria das mulheres (45%) e dos homens (41%); pelos maduros, 47%; jovens, 43%; e, adultos, 42%. E, novamente, é o preferido pelos mais pobres, que ganham até 2 salários mínimos (56%) e que estudaram até o ensino fundamental (53%).

Lula, o melhor e mais admirado presidente do Brasil

Para 47% dos entrevistados pela pesquisa CUT-Vox Populi, Lula é o melhor presidente que o Brasil já teve.

É o mais trabalhador e líder político para 59% dos entrevistados; o  mais capaz de enfrentar uma crise para 55%; é humilde e se preocupa com as pessoas, para 54%; é bom administrador/competente, 53%; é sincero/tem credibilidade, 42%; e é honesto para 32%.

E mais: Lula tem mais qualidades (50%) que defeitos (41%); fez mais coisas certas (56%) que erradas (37%) e, nos 13 anos de governos do PT, com Lula e Dilma, a vida melhorou para 54% dos entrevistados. Outros 30% responderam que não melhorou nem piorou e 14% que piorou.

A CUT-Vox Populi entrevistou 2.000 pessoas, em 118 municípios de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior, e abrangeu todos os estratos socioeconômicos. A margem de erro é de 2,2%, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

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Pesquisa indica que 56% dos brasileiros acham que Lula tem direito de se candidatar

A maioria dos brasileiros acha que quem deve julgar o ex-presidente é o povo, nas urnas, e não alguns juízes, com o Sergio Moro.


Para os entrevistados pela pesquisa CUT-Vox Populi, realizada entre os dias 9 e 12 de dezembro, quem deve julgar Lula é o povo brasileiro. Ou seja, nem o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Criminal Federal do Paraná, que condenou o ex-presidente sem provas no “caso triplex”, ou outros juízes, como os do TRF-4, que marcaram o julgamento do recurso do ex-presidente contra a condenação de Moro para o dia 24 de janeiro, têm o direito de impedir a candidatura de Lula, aponta a pesquisa.

Segundo a CUT-Vox Populi, independentemente de votar ou não em Lula, 56% dos brasileiros acham que ele deveria ter o direito de se candidatar na próxima eleição. Outros 34% acham que ele deve ser impedido de se candidatar e 10% não souberam ou não quiseram responder.

Apesar dos esforços de boa parte da mídia tradicional, que veem antecipando a condenação de Lula em centenas de manchetes, 48% afirmaram que quem deve julgar o ex-presidente é o povo brasileiro, nas urnas, e não Moro ou outros juízes. Outros 42% discordam, acham que Lula deve ser julgado pelos juízes e 10% não sabem ou não responderam.

O fato de Moro, do Ministério Público do Paraná e da Polícia Federal terem investigado Lula durante quase três anos sem encontrar malas de dinheiro, contas no exterior, nem sequer gastos extraordinários nos cartões de crédito é percebido pela maioria dos entrevistados. Para 40% dos brasileiros, Moro não provou sequer que o triplex do Guarujá pertence ao ex-presidente. Outros 33% acham que ele provou e 27% não sabem ou não responderam.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, esse resultado “evidencia o caráter do processo essencialmente político contra Lula”.

Perguntados se Lula é tratado por Moro e por outros juízes de maneira mais rigorosa do que o presidente Michel Temer (PMDB-SP) ou o senador Aécio Neves (PSDB-MG), 40% responderam que sim! Esse sentimento é mais forte no Nordeste, onde 54% dos entrevistados consideram parte da Justiça tendenciosa.

Para Vagner, é a confirmação de que o povo já entendeu que Moro e seus amigos perseguem Lula.

A pesquisa CUT-Vox Populi entrevistou 2.000 pessoas, em 118 municípios de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior, e abrangeu todos os estratos socioeconômicos.

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TV diz que filha de Edir rejeitou um dos três irmãos adotados; rapaz morreu de overdose


Jornalistas da emissora portuguesa TVI sustentam que Viviane não quis ficar com o caçula das crianças, o que contraria tanto as leis portuguesas quanto as brasileiras

Os irmãos Luis e Vera. Falta Fabio na foto. 
Foto: reprodução TVI
Enquanto a mídia comercial brasileira, de forma suspeita, continua a ignorar o tema, a reportagem da emissora portuguesa TVI revela mais detalhes da escabrosa denúncia de tráfico internacional de crianças contra a Igreja Universal. Ontem, na terceira da série de dez reportagens, as jornalistas Alexandra Borges e Judite França acusam a filha de Edir Macedo, Viviane, de ter rejeitado um dos três irmãos que adotou, entregue a outro pastor da Universal, Romualdo Panceiro, braço direito do dono da Record, e levado para o Rio de Janeiro.

O caçula dos três irmãos, Fábio, morreu em julho de 2015, aos 19 anos, vítima de uma overdose em Los Angeles, nos Estados Unidos, segundo a imprensa portuguesa, que, ao contrário da brasileira, está investigando o caso, assim como o Ministério Público. Já começam a aparecer, inclusive, outras mães que acusam abertamente a igreja Universal de ter “roubado” seus filhos. No episódio de ontem à noite, as jornalistas da TVI sustentam que Viviane não quis ficar com o mais novo das crianças, entregando-o a Romualdo, o que contraria tanto as leis portuguesas quanto as brasileiras: em caso de adoção, irmãos não devem ser separados.

No programa, Fábio aparece em vídeo, aos 4 anos de idade, sendo instigado a repetir trechos da Bíblia e até o endereço da sede da Igreja. Em 2014, o próprio pastor havia revelado, ao site da Universal, os problemas do filho adotivo com as drogas, mas culpou a “antiga responsável” por ele em Portugal pelo problema, em um relato pouco esclarecedor, para dizer o mínimo.

“Nós adotamos o Fábio em 1998, quando ele tinha 2 anos. Ele era português e quando tinha 6 anos, a Justiça de lá determinou que ele deveria voltar para a antiga responsável por ele. Eu estava em São Paulo quando isso aconteceu. A Marcia ia visitá-lo em Los Angeles, onde ele morava, mas não tínhamos condições de continuar nessa rotina. A mãe que pegou a guarda dele dos 6 até 19 anos trabalhou a cabeça dele contra a gente, dizendo que nós é que não queríamos ficar com ele. Ela mudou de casa e perdemos o contato com ele. Quando ele completou 18 anos, essa mãe o colocou na rua. Foi quando ele conheceu a droga e passou a dormir na rua. Em 2013, fomos transferidos para Los Angeles e, em dezembro passado, ele achou a Marcia no Facebook. Ele pediu ajuda. Nós o trouxemos para cá (Los Angeles), mas mesmo aqui conosco ele teve uma overdose. Não foi fácil, já que, depois de 13 anos, o filho que havia sido entregue no Altar de Deus volta para a gente cheio de problemas. Nós oramos por ele intensamente, até que, recentemente, eu fui inaugurar uma igreja em Boston e ele foi comigo. Nesse dia, ele chorou por 40 minutos, como nunca havia feito antes. Então, decidiu mudar. Ele disse para mim: ‘Pai, eu quero me batizar.’ Hoje, ele já é outra pessoa, assiste aos cultos todos os dias e está cada vez mais envolvido com as coisas de Deus.”

Fábio com o pastor Romualdo.
Foto: reprodução facebook

Um ano depois, porém, Fábio morreu. Na época, a mulher do pastor, Marcia, postou no facebook que o rapaz “estava dormindo e teve uma parada cardíaca” e que não importa como a pessoa morre.



Mas a imprensa portuguesa afirma que a causa da morte do adolescente foi uma overdose. Ontem, o jornal sensacionalista Correio da Manhã, o maior em circulação no país, soltou a notícia em manchete.


O Correio também publicou que a avó de duas crianças gêmeas procurou o jornal para denunciar que a IURD levou suas netas. Acolhidas no Lar da Universal em Lisboa porque a mãe não tinha condições de cuidar delas, as meninas Cristela e Daniela, de um ano, foram dadas à adoção mesmo tendo o pai interessado em sua guarda. “A primeira vez que fui ao lar correram comigo. Não me deixavam ver as meninas e fui atendida pela janela”, disse Odete, funcionária pública aposentada. O Diário de Notícias informou que as mães de dez crianças que teriam sido levadas do lar pretendem acionar o Estado português por ter permitido a saída delas do país.

O mais estranho da história até agora é que os dois filhos adotivos de Viviane, Luis e Vera, no vídeo que gravaram para defender a igreja, dizem, em uma fala aparentemente lida, que o irmão acabou de falecer, quando sua morte ocorreu dois anos atrás. “Estamos tristes por algumas razões. Acabamos de perder o nosso irmão, por um problema de coração”. Confira.



O canal informativo SIC apontou as inconsistências entre a história das crianças contada por Viviane em seu diário na internet e a versão dos próprios filhos adotivos. Nas postagens de 26 de janeiro do ano passado, que foram tiradas do ar, Viviane diz que a adoção foi negada pelas autoridades portuguesas porque, na época, a soma das idades dela e do marido, o pastor Julio Freitas, era inferior a 50 anos, o que, pelas leis do país, é um impeditivo. Já Luis e Vera afirmam ter sido “adotados de uma forma legal por uma família americana”.

Em nenhum dos relatos a filha de Edir Macedo menciona a existência de uma terceira criança.

A versão em cache dos textos deletados do diário de Viviane

Uma coisa bate inteiramente com a reportagem: os irmãos afirmam ter o sobrenome “Katz”, como o da ex-secretária de Edir Macedo, Alice, que as jornalistas acusam ser a pessoa que tirou irregularmente as crianças de Portugal para entregar à filha e ao genro dele nos Estados Unidos.

O envolvimento de Fábio com as drogas não é o único entre as crianças adotadas pelos pastores e bispos da Universal. Outro neto adotivo de Edir, Filipe, filho de Cristiane e de Renato Cardoso, contou ao próprio avô, em entrevista, sobre seu envolvimento com a cocaína, do qual se dizia arrependido. Não se sabe ainda se Filipe também foi adotado em Portugal.

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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O Segredo dos Deuses — 4/10 — Igreja Universal do Reino de Deus


O lar que funcionava ilegalmente em Camarate servia para os bispos e pastores da IURD escolherem as crianças que queriam adotar. No caso de Vera, Luís e Fábio, revelamos várias provas da ilegalidade da adoção. A babysitter revela que as crianças eram vítimas de maus-tratos. Anos depois, Viviane e Júlio querem devolvê-las ao lar e é Alice que acaba por ficar com elas.

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Moro admite que recebeu diária de hotel da Petrobras para participar de evento, ferindo o Código da Magistratura

Moro e Bretas em palestra na Petrobras
Junto com o colega Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio de Janeiro, Sergio Moro foi um dos palestrantes do “4º Evento Anual Petrobras em Compliance” na sede da companhia.

O evento foi realizado no dia 8 de dezembro.

A defesa de Lula contestou a presença de Moro, dizendo que ele teria se tornado suspeito para julgar processos contra o ex-presidente por ter dado orientações à Petrobras, parte interessada em três ações que correm em Curitiba.

Moro rebateu afirmando no despacho que a sua atuação “não gira exclusivamente em torno” de Lula e que não houve aconselhamento jurídico.

“As sugestões apresentadas pelo julgador, além de terem presente somente os casos já julgados, visam o presente e o futuro e não o passado“, afirmou.

Moro também afirmou não ter recebido nenhuma recompensa, questionamento que também foi feito.

Mas admitiu que a empresa custeou parte de sua estadia no Rio.

“A participação do ora julgador no evento não foi remunerada, sendo apenas pagas diretamente pela Petrobras as despesas de deslocamento e de uma diária de hotel em quarto comum, como é de praxe para convidados de outras localidades. Assim, não houve cobrança de qualquer valor pelo julgador”, falou.

Ora, julgador.

O Código de Ética Magistratura diz o seguinte: “É dever do magistrado recusar benefícios ou vantagens de ente público, de empresa privada ou de pessoa física que possam comprometer sua independência funcional”.

Em se tratando de Moro, porém, tudo é permitido. Certo?

Kiko Nogueira
No DCM
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Revista detona Gilmar

As relações perigosas entre Gilmar Mendes e Joesley

Como magistrado, ministro do Supremo é implacável com a JBS e os irmãos Batista. Mas, em privado, a relação entre eles reúne um histórico de favores

Último encontro - Na imagem acima, Joesley (de paletó, sem gravata) chega ao IDP, em Brasília, acompanhado por Gilmar Mendes (no fundo),...
O ministro Gilmar Mendes, há quinze anos no Supremo Tribunal Federal (STF), é um homem de posses muito além de seu salário de 33 700 reais. Uma de suas principais fontes de renda é o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), do qual é sócio junto com seu filho Francisco Schertel Mendes, de 34 anos. O IDP, além de uma fonte de receita, passou a ser uma fonte de dor de cabeça para o ministro, depois que veio a público o caso da JBS e das traficâncias dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Isso porque, nos últimos dois anos, Gilmar e Joesley mantiveram uma parceria comercial e uma convivência amigável, a ponto de se visitarem em Brasília e São Paulo, trocarem favores, compartilharem certezas e incertezas jurídicas e tocarem projetos comuns. De 2016 a junho deste ano, a JBS transferiu 2,1 milhões de reais para o IDP em patrocínios que nem sempre foram públicos. Os valores de patrocínios de empresas iam parar, por vezes, na conta pessoal de Gilmar Mendes. É o que revela uma das mensagens obtidas por Veja, que na edição desta semana traz mais detalhes sobre a relação entre o juiz e o empresário.

Em entrevista na reportagem, o ministro Gilmar Mendes disse que Joesley Batista quis conhecê­-lo após um pedido de patrocínio ao seu instituto. Ele admite ter encontrado o empresário algumas vezes, mas garante que a relação nunca ultrapassou os limites éticos.


No Veja
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Lula cresce; Bolsonaro cai; Alckmin é rejeitado

Petista tem 41% e hoje seria vencedor

Alckmin tem 28%; Bolsonaro, 30%

No 1º turno, Lula está bem à frente

Lula lidera as pesquisas, com margem similar sobre Bolsonaro e Alckmin no 2º turno
Se as eleições para presidente fossem hoje, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria o vencedor no 1º e no 2º turnos, revela pesquisa do DataPoder360 realizada de 8 a 11 de dezembro.

Chama a atenção o desempenho quase idêntico no 2º turno de Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSC). O tucano perderia para Lula por 41% a 28%. Já o capitão do Exército na reserva seria derrotado pelo petista por 41% a 30%.

O DataPoder360 entrevistou 2.210 pessoas em 177 cidades. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Como foi a primeira vez que esta pesquisa investigou possíveis cenários de 2º turno, não há como comparar com situações passadas.

No caso das simulações de 1º turno, foram feitos três cenários. Em dois deles foram colocados apenas os pré-candidatos do pelotão da frente, os nomes mais competitivos – uma vez com Lula e outra sem o petista.

Lula enfrenta julgamento em 2ª Instância em janeiro e corre o risco de ficar impossibilitado de concorrer. Essa hipótese é incerta e há também a possibilidade de o ex-presidente chegar à eleição sustentado por recursos e liminares.

No cenário em que aparece contra os adversários mais tradicionais, Lula tem oscilado na faixa de 26% a 32% desde abril, quando o DataPoder360 foi lançado e começou a fazer pesquisas mensais. Agora em dezembro, o petista está com 30% contra 22% de Bolsonaro. Pode parecer uma diferença grande (8 pontos), mas isso fica matizado ao considerar a margem de erro da pesquisa.

Na realidade, Lula tem exatos 29,9%. Bolsonaro, 21,7%. Ao levar em conta a margem de erro, o petista pode variar 27,3% a 32,5%. Já o pré-candidato militar da reserva teria de 19,1% a 24,3%.

Eis o quadro geral:


Como se observa, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), aparece estável (com 7% a 8%) desde outubro, quando assumiu de maneira mais assertiva sua pré-candidatura ao Planalto.

Chama a atenção a possível postulante da Rede Sustentabilidade, Marina Silva. De maneira silenciosa, atingiu 10% das intenções de voto. Ciro Gomes (PDT) tem 6%. Os três nomes estão tecnicamente empatados na margem de erro.

CENÁRIO SEM LULA

Se o petista ficar fora da disputa, no cenário reduzido de candidatos, Bolsonaro segue líder absoluto, com folga no DataPoder360: registrou 23% e parece ter se estabilizado nesse patamar desde outubro.

Ciro Gomes, que em outubro e novembro teve forte exposição na mídia, chegou a ter até 14% em pesquisas passadas. Agora, está com 10% no cenário sem Lula. Marina Silva pontua também 10%. Alckmin tem 7% e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) aparece com 5%.

Importante notar: sem Lula, o percentual de “não voto” (indecisos, brancos, nulos e “não sabe”) dispara e vai a 46%. Se o petista está na lista, esse “não voto” cai para 26%.


CENÁRIO COM 10 PRÉ-CANDIDATOS

Os cenários testados pelo DataPoder360 são desenhados para tentar entender o que está pensando o eleitor agora – e não para prever o eventual resultado do pleito em outubro de 2018, o que seria impossível.

É por essa razão que pré-candidatos de pouca densidade eleitoral não estão sendo testados. Análises indicam que o entrevistado tende a ficar desinteressado quando há muitos nomes desconhecidos à disposição nesse tipo de levantamento, ainda num período longínquo da disputa do ano que vem.

Desta vez, entretanto, o DataPoder360 fez um teste com um cenário mais amplo. Ofereceu aos entrevistados 10 opções de nomes para o Palácio do Planalto. Também foi apresentada a opção “outros”.

O resultado trouxe uma certa diluição dos votos, mas ainda a manutenção de Lula na liderança (26%) e Bolsonaro como 2º colocado isolado (21%).

Uma conclusão plausível nessa simulação com muitos nomes é bem evidente: Bolsonaro perde menos do que Lula quando aparecem várias opções de candidato. Possivelmente, o eleitor conservador enxerga no capitão do Exército na reserva uma opção mais sólida do que os simpatizantes de Lula – que migram para outros políticos na lista.

Marina (7%), Ciro (5%) e Alckmin (4%) também perdem com a diluição de nomes pesquisados nesse cenário ampliado. Os pré-candidatos de pouca expressão ficam todos na redondeza de 1% a 2%.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (filiado ao PSD de Gilberto Kassab), tem feito uma pré-campanha mais agressiva nas últimas semanas. Seu nome, entretanto, ainda continua com baixa aceitação. Na rodada de dezembro do DataPoder360, ele pontuou apenas 1%.

A taxa de “não voto” somada aos que escolhem “outros” (sem dizer o nome) nesse cenário de 10 candidatos é de 31%.

POTENCIAL DE VOTO

O DataPoder360 perguntou a opinião dos entrevistados sobre os 5 principais pré-candidatos. Esse tipo de questão serve para avaliar a qualidade da intenção de voto de cada um deles, bem como a taxa de rejeição.

A maior rejeição combinada com o menor percentual de voto cristalizado é de Alckmin. Só 8% dizem que votariam “com certeza” no tucano. E 62% declaram que não votariam no representante do PSDB “de jeito nenhum”.

Lula tem 29% de eleitores que dizem que poderiam votar nele com certeza e uma rejeição de 46%. Bolsonaro, 21% de intenção de voto real e 50% de rejeição.


Se a pergunta é feita de maneira genérica, sobre votar em candidato do PT ou do PSDB, sem dar o nome, nota-se uma certa estabilidade nos percentuais apurados nos últimos meses.

A rejeição a “um candidato do PT” é hoje de 47%. Muito parecida à taxa para nomes do PSDB, de 49%.


No Poder360
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As fanfarronices da PF de Minas para a violência contra a UFMG


As explicações da Delegacia da Policia Federal de Minas Gerais ao Marcelo Auler, sobre as arbitrariedades contra membros da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) são duplamente preocupantes (clique aqui).

Primeiro, pelos argumentos invocados para explicar o suposto republicanismo dos delegados. É similar ao do dr. Guilhotin explicando os cuidados que toma com o réu antes de soltar a corda.

Depois, pela crença de que um leitor medianamente informado aceitaria as explicações. Só imbecis ou eleitores de Bolsonaro para aceitar os argumentos invocados.

Pelas informações prestadas, todas as denúncias estavam relacionadas com a concessão de bolsas para as pesquisas. Dos R$ 6,5 milhões concedidos para as pesquisas, há indícios até agora de desvio de R$ 100 mil.

A apuração dos desvios é tão simples que até um procurador da Lava Jato conseguiria chegar ao resultado final.

Há duas pontas no jogo: a ponta que autorizou e a ponta que recebeu o dinheiro. Identificar a pontas que recebeu é a tarefa mais simples do mundo. Basta rastrear o caminho do dinheiro e levantar a ficha da pessoa que sacou na ponta. Identificado o beneficiário, um dia em cana será suficiente para que abra o bico sobre seu cúmplice.

Ou os valentes delegados acham que um golpe de R$ 100 mil exige grande sofisticação?

O jogo desses valentões ficou assim. Em vez de enfrenar grandes traficantes, grandes chefes de quadrilha, super-bandidos, para valorizar seu currículo transformam um ladrão de galinha em perigosíssimo delinquente. Para dar mais farol na fanfarronice conduzem coercitivamente reitores, vice-reitores.

Seria o mesmo que mandar deter o Delegado Geral da PF por conta de um desvio em uma operação qualquer.

É evidente que foi um a ação política. O que explicaria a PF levantar o argumento do crime de alta periculosidade – e a juíza aceitar -, para o que tudo indica ser um furto facilmente localizável? E apresentar esses indícios como argumento para invadir residências de reitor, vice-reitor às 6 da manhã, mobilizando mais de 80 policiais? Se invasão de residência for atitude normal, Deus que nos livre do que eles consideram violência.

O fato da única pessoa poupada ser uma ex-Secretário de Aécio Neves, e também ser a única que responde a uma ação por improbidade, fecha o circuito.

Tratar essa violência como operação-padrão é legalizar toda sorte de selvageria.

Ontem conversei com um policial da PF, crítico dos delegados. Há uma crítica generalizada contra delegados que se apossam do trabalho de terceiros – investigadores, peritos -, e usam as informações com o objetivo político de se mostrar influentes.

Pergunto: é para esses sem-noção que se pretende permitir a delação premiada?

Seria conveniente se pensar na possibilidade de proibir os delegados de assistirem séries da Netflix.

Luís Nassif
No GGN
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Fogo e água

Acesso à água foi a principal condição para o desenvolvimento do Estado, e foi disputado em grandes embates jurídicos ou a tiros, nas ruas.

Em 1994 estávamos lá, cobrindo a Copa do Mundo. Nossa base de operações era San José, no extremo sul de uma península cuja ponta norte é São Francisco. A região é de cidades residenciais, muita gente vive lá e trabalha em São Francisco, mas se desenvolveu com as novas indústrias eletrônicas, principalmente de informática, e o contraste dos seus gramados bem cuidados e suas ruas arborizadas com as montanhas calcinadas em volta dá uma ideia do que significou a conquista dessa terra pela distribuição racional da água.  

À primeira vista, San José parecia ser tudo que o Henry Miller quis dizer quando chamou os Estados Unidos de “o pesadelo de ar condicionado”, antes de fugir para a Europa. Mas os encantos ensolarados do lugar se impõem sobre a aparente falta de alma e, afinal, o próprio Henry Miller acabou seus dias na costa do Pacífico, entregue às amenidades californianas. É onde nós todos deveríamos ir para morrer – não fosse o perigo constante de incêndio.

Ocupados em nos instalarmos em San Jose para a Copa, não nos demos conta do que estava acontecendo na nossa vizinhança, a perseguição e a eventual captura de O. J. Simpson – certamente a pessoa mais famosa a ser acusada de um assassinato no mundo desde que levantaram a hipótese de que Jack, o Estripador poderia ser um membro da família real inglesa. Simpson era um herói para os negros, mas não era necessariamente um herói do ressentimento racial. Casara com uma loira e transitava no mundo das celebridades brancas de Hollywood com naturalidade. Mas quando o utilitário Ford com Simpson dentro rodou pelas freeways de Los Angeles perseguido pela polícia, os negros no caminho vibravam à sua passagem e o incentivavam como se ele ainda estivesse num campo de futebol. Tudo, inclusive a tentativa de fuga, indicava que Simpson era culpado, mas o mais importante era que ali estava um afro-americano fazendo a polícia dos brancos correr atrás dele. Depois da prisão as pesquisas divergiam. A maioria dos brancos achava que Simpson era culpado, a maioria dos negros achava que não. Simpson foi absolvido. Nós ganhamos a Copa.

Luís Fernando Veríssimo
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