5 de dez de 2017

Honduras: a ditadura da nova direita próxima do fim?

Policiais rebelados confraternizam com manifestantes. Observadores internacionais confirmam fraude eleitoral. Só os EUA ainda apoiam o “presidente”
Honduras, primeiro país em que os conservadores latino-americanos derrotaram (por golpe de Estado) os governos à esquerda, em 2009, parece prestes a viver nova reviravolta. Na noite de ontem, segunda (4) avançando pela madrugada, milhares de manifestantes tomaram as ruas, desafiando o toque de recolher decretado pelo governo do presidente Juan Orlando Hernández. Protestam contra os sinais evidentes de fraude nas eleições que supostamente reelegeram “JOH”, como é conhecido o presidente de direita. Os protestos contaram com uma adesão inesperada: integrantes das tropas de elite “Cobra” aderiram às manifestações. Um comunicado emitido em nome da Polícia Nacional e lido por um deles diz: “Nosso povo é soberano. Não podemos confrontá-lo e reprimir seus direitos”.

O isolamento do governo tornou-se ainda maior porque as acusações de fraude foram endossadas por observadores internacionais, levados a Honduras pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e União Europeia. “A margem estreita [do resultado], somada às irregularidades, erros e problemas sistemáticos que cercaram esta eleição, não autorizam nossa missão a ter certeza dos resultados”, diz uma nota assinada por Jorge Quiroga, ex-presidente da Bolívia e líder dos observadores da OEA. Washington mantém-se aferrada a JOH, seu firme aliado, mas – sinal dos tempos – a esta altura, a queda do governo parece ser questão de dias ou horas.

Os novos fatos são ainda mais emblemáticos porque Honduras tornou-se, desde 2009, uma espécie de laboratório da política adotada pelos EUA e pelos conservadores para retomar o poder em seu antigo quintal. Em junho daquele ano, o então presidente Manuel Zelaya foi preso em sua residência, levado ao aeroporto e deportado para a Costa Rica. A deposição foi fruto de uma trama entre o Ministério Público e a Suprema Corte de Justiça. Zelaya foi acusado de “traição nacional” por tentar alargar a democracia hondurenha. Meses antes, ele havia proposto que nas eleições daquele ano os eleitores também fossem consultados sobre a proposta de convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. Seus opositores alegaram que se tratava de um estratagema para conseguir direito à reeleição. Foi uma ação-relâmpago: apenas 48 horas se passaram entre o pedido de deposição, pelo Ministério Público, e a decisão da Suprema Corte.

O ato foi considerado um golpe pelo Conselho de Segurança da ONU e Honduras foi suspensa da OEA. No entanto, seis meses depois, os EUA aproximaram-se do governo ilegítimo, por iniciativa da secretária de Estado, Hillary Clinton. Esta atitude deu aos golpistas condições de forjar, em janeiro de 2010, uma pleito de “legitimação”. Com liberdades constitucionais suspensas e uma onda de violência contra os partidos e movimentos opositores (agora reunidos na Frente Nacional de Resistência), o Partido Liberal, de direita, voltou ao poder. Foi eleito presidente Porfirio Lobo, velho político e latifundiário.

Em 2014, Lobo foi sucedido por Juan Orlando Hernández, do mesmo partido. Em meio a imensa pobreza que devasta o país, seu mandato teve duas marcas. Por um lado, o controle absoluto sobre as instituições, por meio de ações ilegais. O Tribunal Eleitoral e a Suprema Corte tiveram sua composição alterada, para abrigar correligionários do presidente. Em 2017, este segundo órgão violou abertamente a Constituição e autorizou JOH a concorrer a um segundo mandato, alegando “proteger os direitos humanos”.

A violação de direitos foi precisamente a segunda marca do governo do Partido Liberal. Tornou-se famoso o caso da líder indígena e feminista Berta Cáceres, de projeção internacional, assassinada em março de 2016 por lutar contra a construção de uma hidrelétrica. Infelizmente, não foi um caso isolado. Segundo relatório da Anistia Internacional, centenas de ativistas foram mortos e milhares tiveram de deixar o país devido à perseguição política desencadeada a partir do golpe. Entre eles estão ativistas de esquerda, defensores dos direitos humanos e do ambiente, integrantes dos movimentos LGTB. Apesar das constantes denúncias, o governo norte-americano continuou, durante todo o tempo, a apoiar JOH. Um foco principal de colaboração foi o financiamento e treinamento direto das forças de segurança brutais, associadas a execuções extrajudiciais de opositores.

As eleições realizadas há dez dias foram marcadas pela fraude desde o início. A oposição lançou um outsider: o apresentador de TV Salvador Nasrallah, ligado a um pequeno Partido Anticorrupção. Os sinais de que haveria manipulação de urnas surgiram semanas antes do pleito. A revista britânica Economist recebeu gravações de um encontro em que governistas tramavam claramente “estratégias” e “técnicas” para permitir múltiplos votos de seus correligionários, alterar cédulas ou destruir boletins eleitorais desfavoráveis.

Ainda assim, Nasrallah surgiu como vencedor (por 45% dos votos contra 40%) nos primeiros boletins eleitorais, divulgados horas depois do fechamento das urnas. Foi então que algo inédito grotesco ocorreu. O Supremo Tribunal Eleitoral, controlado por JOH, suspendeu toda a divulgação de resultados parciais, alegando que só poderia pronunciar-se quando a contagem final dos votos indicasse um vencedor seguro.

Os números começaram a “reaparecer” no final da semana passada, agora indicando uma suposta “virada” de JOH. Nasrallah denunciou-os e chamou a população às ruas. O governo respondeu com toque de recolher. Só nos protestos oito manifestantes foram mortos pelas forças de repressão.

A persistência dos manifestantes, apesar da repressão brutal, parece estar surtindo efeito. Somada a ela, a nova atitude da polícia e a posição dos observadores internacionais podem inviabilizar o governo. Mas o desfecho ainda é incerto. O fracasso da primeira experiência de golpe “judiciário” na América Latina repercutirá certamente em toda a região. E os Estados Unidos parecem incapazes de se emendar. Dois dias após as eleições fraudadas, segundo a agência Reuters, o Departamento de Estado abriu caminho para que o governo receba milhões de dólares em “ajuda”, ao “certificar” que as autoridades estão empenhadas em “combater a corrupção e proteger os direitos humanos”…

Antonio Martins
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​Sem confronto, Lula está perdido​!​


O cenário de Lula como candidato imbatível é motivo de atenção máxima neste momento. O resultado da última pesquisa convida à justa celebração de todos os que se opõem à quadrilha do Planalto. Ao mesmo tempo, acende um sinal de alerta diante da disposição dos golpistas de fraudar a vontade popular seja de que jeito for.

Em situação mais ou menos normal, seria crível pensar que um governo completamente desmoralizado e rejeitado como este não teria outra coisa a fazer senão já ir arrumando as gavetas para entregar o poder a quem ele pertence: o povo. A contradição entre a vontade nacional e a manutenção da quadrilha de ​M​i​S​hel​l​ no Planalto assusta até comentaristas internacionais tarimbados.

Mas a situação não é normal, longe disso.

O Brasil está à mercê de um governo usurpador sem escrúpulos e fantoche dos rentistas nacionais e estrangeiros. O ​C​ongresso atual lembra uma casa de messalinas insaciáveis e dispostas a se entregar ao melhor pagador. A base de sustentação da gang ​Mishelleira é reforçada por uma mídia obediente e um judiciário domesticado. ​A​ essa turma de ladravazes e seus porta-vozes pouco importa a rejeição monumental expressa nas pesquisas de opinião.

Fatos não mentem. Ridículo dizer que o país vive uma democracia quando um emissário de multinacionais petrolíferas circula pelo ​P​arlamento e gabinetes palacianos livre, leve e solto para negociar –​ ​e conseguir! — uma isenção de mais de um trilhão de reais para rapinar à vontade o petróleo brasileiro.

Também é ingenuidade indesculpável acreditar numa ​J​usti​ss​a​​ em que um ministro como Gilmar Mendes pinta e borda, atropela seus pares e distribui habeas corpus de acordo com interesses bem confessos e conveniências de parentesco.

A contaminação é generalizada. Tacla Durán, um ex-advogado da principal empreiteira pilhada em atos de corrupção, vai ao ​C​ongresso e acusa amigões de um juiz ​- ​Sergio Moro, ele mesmo​ -​ de montar um esquema milionário de “delações à la carte”. Exibe documentos, reconstitui situações com datas, mensagens eletrônicas e evidências gritantes. Nada se faz. Os órgãos supostamente encarregados de zelar pela lisura do ​J​udi​ss​iário se calam despudoramente.

Como se mais nada faltasse, a Polícia Federal encontra-se privatizada de fato: com seu novo diretor, ​Senvergóvia, ​está rebaixada à condição de empresa de segurança particular do ladrão-chefe da República.

Agora, sabe-se ainda que um desembargador ​em Brasília atua como advogado particular dos saqueadores no planalto. Direto de sua pena saem decisões a jato, ou à la carte, para anular sentenças opostas à quadrilha do PMDB, PSDB, DEM e seus satélites.

A chamada grande mídia, como de praxe, abafa tudo isso. Faz o mesmo diante do escândalo monumental de subornos envolvendo a Rede Globo ​Overseas ​e eventos do futebol. O propinoduto internacional ​já produziu dois cadáveres, há outros tantos por aparecer, mas nada disso vem ao caso.

Vergonha e honestidade são verbetes banidos há muito tempo do dicionário deste pessoal. A roubalheira corre solta, imune à reprovação patente da maioria do povo brasileiro.

Não se trata simplesmente de manifestações de “ódio”, embora ele também exista por parte dos adversários de tudo que se aproxime da vontade popular. São sobretudo manifestações de interesses de classe, direcionados a ​fazer o Brasil ​retroagir à condição de ​C​olônia submissa administrada por bucaneiros a soldo do grande capital em crise mundo afora. É briga de cachorro grande.

Governos não caem por gravidade; precisam ser derrubados.

Em democracias razoavelmente estabelecidas, isto pode acontecer pelo voto.

No caso de um ambiente de exceção, como o brasileiro, os instrumentos vão além disso. Honduras é o exemplo mais recente. Para se perpetuar no poder, uma clique usurpadora acaba de manipular as urnas, suspendendo as apurações até ser fabricada uma falsa maioria no papel a favor do títere de plantão.

É em coisa parecida que ​T​emer e seus tonton-macoute disfarçados de “excelências” sonham em transformar o Brasil.

Para tanto nada tem sido racionado. A sentença contra Lula já está encomendada em prazo recorde​​. Na hipótese de ela não funcionar, o tal semipresidencialismo​ está no forno. Se isto falhar, as eleições podem ser canceladas. O roteiro está pronto; a ninguém cabe o direito de alegar surpresa ou espanto.

Ignorar a truculência dos golpistas é condenar o país a viver de novo a situação do período Dilma Rousseff, quando a presidenta anestesiava apoiadores alegando que por ser honesta nunca seria liquidada.

Agora, as cantilenas sobre negociação, perdão a golpistas e outras platitudes apenas servem para desmobilizar o povo. Ou se parte para o embate direto, ou o destino da candidatura Lula e de eleições livres será exatamente igual o desfecho do governo Dilma Rousseff.

Os partidos de oposição, as centrais sindicais, os movimentos sociais já desperdiçaram tempo demais brandindo palavras de ordem ao vento sem transformá-las em ferramentas de mobilização popular.

Tampouco vale brincar com chamamentos a uma greve geral ​que só se torna ​conhecida no dia de seu cancelamento.

O ex-ministro José Dirceu sugeriu a formação de comitês em defesa da candidatura de Lula. Pode ser um caminho.

Outros certamente estão à mesa, incluindo a resistência localizada às reformas patronais na área do ​T​rabalho e da ​P​revidência.

Sob o signo da unidade pela volta à ​D​emocracia e eleições limpas, o indispensável é envolver o povo das ruas, das fábricas, dos bancos, das universidades, das ocupações no campo e na cidade, bem como o contingente de milhões de desempregados que não para de aumentar indiferente às manipulações estatísticas.

Este é o jogo jogado a céu aberto. A cada novo dia, as tropas golpistas esgrimem suas armas, no sentido figurado e literal.

Cabe à oposição mostrar as suas enquanto é tempo. Sem confronto, na política inclusive, o destino já está escrito ​- ​e ele não serve aos brasileiros.

​Joaquim Xavier​



Sem radicalização, o tombo será da escada

Não é a mera vontade dos atores políticos, mas é a história que abre as portas para a ascensão (ou descenso) das forças progressistas e democráticas da sociedade. Se há um entendimento claro da História, a vontade das forças políticas é capaz de fazer a sociedade deter a marcha dos reacionários (na acepção das palavras, aqueles que reagem às mudanças), reconquistar conquistas (no atual momento, é esse o problema) e aprofundar a Democracia política e social. Se a vontade for contra a História, a força estará contra o inimigo.

Isso não é um manual comunista, mas a simples realidade num país que, em poucos anos de governos progressistas, reverteu uma História desigualdade de classes, tirou a fome do dicionário dos pobres, deu a eles perspectiva de futuro e avançou tecnologicamente em setores que seriam o grande impulso a uma economia que viveu na órbita do Imperialismo.

Isso, na verdade, é um manual de sobrevivência.

Em 2005, a Presidenta Dilma Rousseff – ainda Presidenta porque foi deposta por um golpe – apenas foi eleita porque houve radicalização na base. Ela foi obrigada a falar mais alto na eleição porque, mobilizadas pelas eleições, as classes sociais que tinham muito a perder com um governo tucano radicalizaram antes. Foi a mobilização dos setores progressistas que a levaram ao Palácio do Planalto novamente. Foi a radicalização das esquerdas que deteve a tropa da direita radicalizada.

Uma vez eleita, sem maioria no Congresso e com medo do agravamento da crise econômica, Dilma desmobilizou as bases e tentou empreender um programa que atraísse a Direita. Tirou dos seus pés o único pilar que a sustentava: a mobilização popular. A direita forçou o tombo.

Falar em conciliar agora é tirar a escada dos pés do pintor que tenta dar uma nova cor ao quadro político. A Direita faz testes das chances de inúmeros candidatos capazes de polarizar com Lula na disputa, mas isso está longe de significar que os artífices e os executores do Golpe estarão rachados lá na frente, na hora que as urnas se abrirem – ou não abrirem (isso vai depender do que acontecer até lá, porque a Direita está e continuará radicalizada e jura para as classes médias que o fantasma comunista, em desuso no mundo inteiro, está à espreita).

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vence; ou é proibido pela Justiça de concorrer; ou eleições não acontecem.

Esse é o quadro real para as forças progressistas se não houver radicalização do lado de cá, como há radicalização do lado de lá. Não haverá futuro para o Estado-Nação (que se dissolve nas mãos dos decretos de Temer que escancaram o Brasil para a Metrópole) e para os seus pobres (que voltam às ruas com fome, com as mãos postas para receber uma esmola e com os olhos sem esperanças).

E a radicalização é organizar bases de resistência e de conscientização. O discurso não poderia ser mais concreto: cada dia, a quadrilha que se instalou no poder suprime um direito conquistado em todo o período anterior da República.

Não é hora de falar em conciliação, simplesmente porque as classes não querem conciliar. É um chamado inglório, para quem o fizer, e desmobilizante.

Não se pode cometer duas vezes o mesmo erro em período tão curto de tempo.

Por ele, pagamos com um tombo. Agora, vamos cair da escada.

Maria Inês Nassif

No CAf
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Paisagens de uma nação avacalhada


O Brasil é uma nação avacalhada pela avalanche reacionária, autoritária e antidemocrática irrompida nas chamadas “jornadas de 2013” que cumpriu seu propósito original 3 anos depois, em 2016, no golpe que derrubou a Presidente Dilma.

A cleptocracia, governo de ladrões co-habitado pelo PSDB e liderado pela quadrilha do Temer, cometeu e segue cometendo crimes de lesa-pátria; continua atentando contra os direitos do povo brasileiro e comprometendo o futuro do país.

A organização criminosa do PMDB, todavia, não é a responsável exclusiva por esta tragédia nacional. O ativismo tucano na gênese do golpe foi fundamental para o êxito da conspiração tramada por Cunha, Temer, Padilha, Moreira, Geddel, Jucá.

É necessário sempre remarcar a responsabilidade de toda a canalhada tucana – empresarial, financeira, religiosa, jurídica, política e parlamentar – na gestação do golpe e na avacallhação da política, da economia e da sociedade brasileira no pós-golpe.

Aécio, FHC, Serra, Alckmin, junto com seus sócios nacionais e estrangeiros, jogaram o Brasil no precipício. Sem a movimentação golpista deles [logo após a derrota eleitoral de 2014] em aliança com o empresariado, com a mídia monopólica [sobretudo a Rede Globo], com setores do judiciário [PF, MP e STF] e com o capital financeiro, o golpe não teria sido concretizado.

O personagem que capitaneou este processo – Aécio Neves – cujos laços com a criminalidade ficaram conhecidos, ainda preserva poder e influência no partido e na cleptocracia governamental. Ele presidia e era quem mandava de fato no PSDB até 2 semanas atrás, e continua influenciando as escolhas políticas do governo.

Sem a colaboração ativa também do STF, o golpe não teria sido perpetrado. A Suprema Corte, integrada à estratégia midiático-golpista, lavou as mãos; foi cúmplice do golpe. Decidiu ater-se à formalidade do rito do impeachment e recusou se pronunciar sobre a aberração jurídica de um processo conduzido pelo gângster Eduardo Cunha apesar da inexistência de fato determinado, como exige a Constituição.

Dali em diante, o país entrou numa espiral de retrocessos e atrocidades. O regime de exceção se aprofundou, e hoje é difícil saber se o Brasil está fora da normalidade ou se está sob a vigência de um “novo normal”, no qual vicejam características típicas de Estados policiais, autoritários, ao lado de lógicas neofascistas.

A cada dia o golpe se propaga. Não passa um único dia sem ocorrer algum novo ataque ao povo, à economia nacional, à soberania do país e ao Estado de direito. O arsenal do golpe parece inesgotável. Quando se imaginava que destruição da CLT seria o fim do fim do poço, os golpistas responderam com a liberação do trabalho escravo.

Na última semana os sinais deste “novo normal” coloriram as paisagens de uma nação tragicamente avacalhada:

- procuradores da Lava Jato, possuídos pelo delírio salvacionista que os caracteriza, criaram a Liga da Justiça, inspirada nos “meta-humanos” do filme norte-americano homônimo. Eles são a Justiça, acima das instituições, das Leis e da Constituição;

- o juiz Marcelo Bretas, versão Sérgio Moro do Rio de Janeiro, se exibiu nas mídias sociais ostentando o porte de uma arma mortífera, de alto poder destrutivo. O efeito simbólico da imagem do juiz-Rambo não é diferente da imagem de um chefe do crime organizado com uma metralhadora em punho: ambos têm sua própria Justiça;

- Gilmar Mendes, juiz tucano do STF, aplica o estranho critério da Justiça para [e entre] amigos para conceder o 3º habeas corpus ao empresário mafioso dos transportes do Rio de Janeiro, Jacob Barata Filho – que é seu compadre, sócio do seu cunhado e cliente do escritório de advocacia de sua esposa. A filha do Barata foi casada com o filho da esposa do Gilmar, a senhora Guiomar Mendes;

- Rodrigo Tacla Duran, ex-Odebrecht, indicou que Carlos Zucolotto pediu US$ 5 milhões de suborno para facilitar delação premiada que seria avalizada por alguém da força-tarefa da Lava Jato conhecido pela sigla “DD”. Seria apenas mais um caso de corrupção, não fosse Carlos Zucolotto padrinho de casamento de Sérgio Moro e sócio do escritório de advocacia da esposa dele, Rosângela Moro, que no passado recebeu honorários do próprio Rodrigo Tacla Duran. Chama atenção, no caso, a inapetência da Lava Jato e da Rede Globo em averiguar se a identidade de “DD” corresponde a “Duis Dinácio Dula da Dilva”, como já se ironiza na praça, ou se pode significar Dolores Duran ou, quem sabe ainda, Deltan Dalagnoll, o pregador fanático.

O Brasil foi apossado por uma bandidagem jurídica, política, midiática e empresarial que se protege aprofundando o regime de exceção.

Garantir que a eleição de 2018 seja limpa e democrática, com a presença de Lula na urna eletrônica, é condição essencial para que o povo brasileiro possa interromper este processo devastador para revogar os retrocessos, restaurar a democracia e dar início à restauração econômica, política e social do país.

Jeferson Miola
No Blog do Miro
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“Bandido bom é bandido morto”: a tese de Bolsonaro vale para os militares propineiros denunciados no MPM?

O heroi da caserna
No mês passado, durante campanha em Belém, Jair Bolsonaro exaltou as Forças Armadas, um velho mote seu, e garantiu que os militares “voltarão ao poder pelo voto”. 

Embora seja considerado “bunda suja” pelo Exército — termo usado para aqueles que não subiram na carreira —, o ex-capitão legislou em favor da corporação em seus 26 anos na Câmara. Não emplacou nada.

Bolsonaro quer milicos em seu “governo” porque, entre outras coisas, vende-os como incorruptíveis e moralmente superiores aos políticos. É a mesma balela dos fascistoides que pedem intervenção.

Por isso não é de se estranhar o silêncio dessa turma diante da denúncia do MPM (Ministério Público Militar) no RJ.

Onze pessoas são acusadas dos crimes de estelionato e violação de dever funcional com fim de lucro em um esquema de pagamentos de propina que causou prejuízo de pelo menos R$ 150 milhões aos cofres públicos.

Três coronéis da reserva, um da ativa e dois majores, além de cinco civis, estão sob a mira do STM (Superior Tribunal Militar).

A roubalheira funcionou entre setembro de 2005 e dezembro de 2010. Houve fraudes em procedimentos de dispensa de licitação e em contratos celebrados entre o DEC (Departamento de Engenharia e Construção) do Exército e fundações privadas.

“Os envolvidos nessas atividades ilícitas acreditavam estar isentos de qualquer suspeita em razão da natureza técnica dos serviços prestados e pela posição funcional de alguns de seus integrantes”, declara o MPM.

Há gente de patente mais alta na jogada?

De acordo com o Uol, “o juiz-auditor responsável pelo caso afirmou que ‘em razão da gravidade da situação e a fim de evitar argumentos futuros de nulidade (o que poderia levar a perda do criterioso trabalho desenvolvido pelo MPM), mostra-se prudente, no momento, a remessa do feito à Superior Instância para análise do envolvimento (ou não) dos oficiais-generais’.

Os quartéis têm aberto as portas para a candidatura de Bolsonaro, recebido como o messias. A tese do “bandido bom é bandido morto” vai valer para os amigos?

Mais fácil o mito alegar que a corrupção é fruto de esquerdopatas infiltrados.

Kiko Nogueira
No DCM
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Corrupção no Exército?

Ministério Público Militar denuncia 11 por esquema que desviou R$ 150 milhões

O STM (Superior Tribunal Militar) em Brasília vai analisar denúncia do MPM 
O STM (Superior Tribunal Militar) em Brasília vai analisar denúncia do MPM

O MPM (Ministério Público Militar) no Rio de Janeiro denunciou 11 pessoas, entre militares e civis, pelos crimes de estelionato e violação de dever funcional com fim de lucro em um esquema de fraudes e pagamentos de propina que causou um prejuízo de pelo menos R$ 150 milhões aos cofres públicos.

Entre os denunciados estão três coronéis da reserva do Exército brasileiro, um coronel e dois majores da ativa, além de cinco civis. A denúncia chegou em fins de novembro para análise do STM (Superior Tribunal Militar), a mais alta corte da justiça militar do país.

De acordo com denúncia assinada pelo procurador da Justiça Militar Edinilson Pires, o esquema funcionou entre setembro de 2005 e dezembro de 2010 e envolvia fraudes em procedimentos de dispensa de licitação e em contratos celebrados entre o DEC (Departamento de Engenharia e Construção) do Exército e fundações privadas.

Os contratos estavam sob a coordenação e a fiscalização do Centran (Centro de Excelência em Engenharia de Transportes), também conhecido como Assessoria 7 do DEC (A7/DEC).

Como funcionava o esquema

Os primeiros indícios de irregularidades surgiram durante investigações a respeito de fraudes em convênios firmados pelo IME (Instituto Militar de Engenharia) e o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes), durante os anos de 2004 e 2005. Somente neste esquema específico foram desviados R$ 11 milhões dos cofres públicos. Seis oficiais do Exército e nove civis respondem a uma ação penal tramita na Justiça Militar sobre o caso.

"Os envolvidos nessas atividades ilícitas acreditavam estar isentos de qualquer suspeita em razão da natureza técnica dos serviços prestados e pela posição funcional de alguns de seus integrantes", afirma o MPM.

Para entender o funcionamento do esquema agora denunciado, o MPM dividiu em três os grupos de envolvidos nas fraudes:
  • o primeiro grupo é formado oficiais coordenadores do Centran, em razão da parceria firmada entre o DEC e o DNIT;
  • o segundo grupo é composto por sócios de empresas de fachada, que supostamente prestavam serviços; 
  • o terceiro é formado por oficiais da reserva e civis que representavam  duas fundações de apoio ao Exército e uma fundação ligada à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
O grupo de empresários utilizava parentes e amigos como laranjas para a administração de empresas que participaram de procedimentos licitatórios do DEC, mediante indicação dos oficiais supervisores do Centran.

"Todos os denunciados tinham conhecimento de que as empresas eram de fachada e que elas não possuíam capacidade técnica em engenharia de transportes. Algumas dessas empresas, inclusive, foram criadas especificamente para serem utilizadas na empreitada criminosa", afirma o MPM.

Essas empresas apresentaram propostas de preço em processos de dispensa de licitação realizados pelo DEC, mas instruídos com informações e documentos apresentados pelo Centran, e em processos de seleção realizados pelas fundações, assim como emitiam notas fiscais ideologicamente falsas e firmaram contratos falsos, diz a denúncia.

"Nas investigações, foram identificadas 14 empresas de fachada, nove delas também envolvidas no desvio de recursos dos convênios IME/DNIT. Diligências realizadas pelo encarregado do Inquérito Policial Militar concluíram que o desenvolvimento dos projetos era coordenado pelo Centran, que indicava às fundações as pessoas físicas ou jurídicas a serem contratadas, bem como solicitava a essas mesmas fundações o pagamento em favor das pessoas indicadas pelo coronel ou pelo major."

Ainda de acordo com a denúncia, as fundações não tinham capacidade técnica para prestar assessoramento em consultoria de transportes, razão pela qual subcontrataram os serviços das 14 empresas de fachada.

"Os coordenadores do Centran, em conluio com os secretários das fundações e sócios das empresas de fachada, enganaram a administração do DEC pois instruíram os processos de dispensa de licitação com documentos ideologicamente falsos, assim como superfaturaram os preços dos serviços a serem executados e atestaram falsamente acerca da capacidade técnica das fundações", diz o MPM.

Após celebrados os contratos respectivos, entre o DEC e as fundações, as fraudes ocorriam de três formas: os serviços não eram executados pelas empresas de fachadas; ou contratava-se serviços já executados em outros contratos celebrados pelos DEC; ou havia superfaturamento, os serviços efetivamente executados tinham custo muito inferior ao pactuado em contrato.

À espera da decisão do STM

Em decisão em que justifica a remessa dos autos ao STM, o juiz-auditor responsável pelo caso afirmou que "em razão da gravidade da situação e a fim de evitar argumentos futuros de nulidade (o que poderia levar a perda do criterioso trabalho desenvolvido pelo MPM), mostra-se prudente, no momento, a remessa do feito à Superior Instância para análise do envolvimento (ou não) dos oficiais-generais". Não há indícios, por enquanto, de participação de generais no esquema de corrupção, afirma o MPM.

O STM irá decidir sobre o recebimento da denúncia, podendo, inclusive, devolver os autos ao órgão judiciário de primeira instância para análise da denúncia e demais requerimentos do MPM, caso entenda que realmente não haja envolvimento de oficial general.
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Gilmar diz que "excessos" na Lava Jato mudaram opinião sobre prisão em 2ª instância


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta segunda (4) que a Corte deve revisar a prisão em segunda instância. Gilmar deu voto favorável à execução de pena a partir de confirmação da sentença em tribunal recursal no ano passado. O placar terminou apertado, em 6 a 5. Agora o ministro mudou de opinião e disse que isso ocorreu a reboque da Lava Jato.

Para ele, existe um excesso em prisões provisórias, "especialmente no contexto da Lava Jato que tem tornado a prisão em segunda instância "dispensável", já que os investigados são lançados em uma celas da Polícia Federal por tempo indeterminado, sem nem precisar de condenação.

"(...) passou a ocorrer a prisão provisória de forma eterna, talvez até com o objetivo de obter a delação”, disse. “É preciso saber ler estrelas. Ou se muda isto ou você empodera de maneira demasiada a Justiça de primeiro grau e o Ministério Público, em detrimento das instâncias superiores.”

Criticado nas redes sociais por ter libertado o empresário Jacob Barato Filho pela terceira vez, Gilmar ainda disse que “nadar contra a corrente não é apenas uma sina nossa, é nosso dever. Se estivermos sendo muito aplaudidos porque estamos prendendo muito, porque negamos habeas corpus e tudo o mais, desconfiemos. Não estamos fazendo bem o nosso job [trabalho]. Certamente estamos falhando”, comentou. “Quem quiser colher aplausos fáceis tem que escolher outra profissão", acrescentou.

As declarações foram feitas durante um evento no Superior Tribunal de Justiça. Na mesma oportunidade, Cármen Lúcia, presidente do STF, defendeu o "ativismo judicial" e disse que a iniciativa não deve ser encarada como algo ruim, mas como magistrados cumprindo sua função.

A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com uma ação no STF pedindo um novo debate sobre o tema. A medida foi uma resposta a declarações de Cármen Lúcia, que havia sinalizado não ter nenhum interesse em colocar o assunto na pauta de votação tão cedo.

No GGN
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Em Londres, indignação com perseguição a Lula




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Meirelles e o voto do dinheiro


A entrevista de Henrique Meirelles à Folha, ontem, como era fácil antecipar, criou uma crise com  os tucanos na já complicada tentativa de  votação da reforma da previdência, pela qual Michel Temer abre os cofres do Governo.

Não que Alckmin desperte alguma paixão e por ela mereça defesas ao “caia fora” que o ministro da Fazenda lhe dá na entrevista.

Mas porque Meirelles não consegue conter a arrogância com que, em nome do “mercado” exige o alinhamento dos políticos.

Ainda na semana passada, ao garantir que a previdência seria votada de qualquer maneira, levou uma “rabanada” de Rodrigo Maia: “Se o ministro trouxer os votos, votamos”.

A certeza que tem o campo conservador de que a candidatura Lula será excluída transformou-o num picadeiro de ambições e traições.

Meirelles decreta-se candidato. Luciano Huck e João Doria, politicamente desclassificados de uma disputa eleitoral verdadeira, permaneceriam, segundo diz Eliane Cantanhêde “na espreita”, esperando que Alckmin não se firme nas pesquisas.

Todos dão de barato que, com a ausência de Lula, basta conseguir ser candidato para vencer.

Estão certos de que o dinheiro, pela voz do “mercado”, é quem ditará o vencedor de uma eleição onde o favorito, pensam eles, será previamente cassado da disputa.

É por isso que, mesmo não tendo mais que 1% dos votos populares, Meirelles é um personagem a eliminar.

E a reforma  da previdência é, neste momento, o lugar onde cortar suas asas.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A herdeira do banqueiro e as disputas em torno de uma herança milionária


Meses atrás a imprensa se impressionou com a “socialite”, que se dizia herdeira de um grande banqueiro suíço, sócio do Credit Suisse, que decidira doar R$ 500 mil para a campanha de Lula. Aqui no GGN mostramos que o avô não era Peter Paul Luchsinger, mas Pedro Paulo Arnaldo Luchsinger e jamais foi banqueiro na vida.

O episódio permitiu que viessem à tona informações perdidas sobre uma disputa judicial em torno da fortuna acumulada por Roger Ian Wright, o banqueiro que morreu com toda a família em acidente de jatinho em Trancoso.


Quando morreu com toda a família, em um acidente trágico em Trancoso (BA), o banqueiro Roger Ian Wright deixou uma fortuna estimada em US$ 700 milhões mais US$ 200 milhões em obras de arte.

Wright foi um inglês que aportou no Brasil, tornou-se sócio do Banco Garantia, depois montou seu próprio fundo, o Arsenal, com o qual administrava algumas das grandes fortunas brasileiras.

No acidente da TAM de 1996, perdeu a esposa Barbara Luchsinger Wright, com quem teve dois filhos, Felipe e Verônica. A mãe de Bárbara, Cecília Alves Pereira, morreu de infarto, poucos dias após a morte da filha.

Wright constituiu uma segunda família. Em maio de 2009, um acidente de seu jatinho em Trancoso levou o restou da família, incluindo os dois filhos do primeiro casamento, a nova esposa e os novos filhos.

E aqui começa uma história que certamente envolverá uma boa disputa jurídica.

Wright deixou uma fortuna estimada em US$ 700 milhões em ativos financeiros e US$ 200 milhões em obras de arte. No acidente morreram todos seus descendentes, esposa, filhos e netos. É aqui que começa o enredo de uma novela que poderá se estender.

O casal Pedro Paulo e Dalva

/Users/luisnassif/Dropbox/Capturas de tela/Captura de tela 2017-12-04 18.29.50.pngPedro Paulo Luchsinger nunca foi Peter Paul, nem sócio do Credit Suisse, muito menos banqueiro ou abonado.

Era filho de família antiga na Suíça, radicada em Glarus. Parte dela migrou para o Rio Grande do Sul no século 19.

Seu avô era Johann Rudolf Luchsinger, com o nome abrasileirado para João Rodolfo; a mãe, Maria Luiza Bier Luchsinger, gaúcha, mas radicada na Suíça, nesses imbróglios da migração do final do século 19.

Um filho deles, Paulo Arnold Luchsinger, nascido e morto em Zurique, teve um filho, Paulo Arnold Rudolf Luchsinger, que teve, como filho único, Pedro Paulo Arnaldo Luchsinger, nascido em Zurique, mas mudando-se criança para Porto Alegre, o sogro de Roger Ian Wright.

Nos anos 70, já radicado no Rio, Pedro Paulo tinha uma lavanderia industrial em Jacarepaguá. E, como cliente, o pensionato de uma senhora, Maria Thereza Azeredo Echandi, também dona de um antiquário na travessa Madre Jacinta. Senhora caridosa, criou inúmeras crianças, e entrou cedo na vida da jovem Dalva Machado Leonardo.

Dalva era uma dos onze filhos de um comerciante de Marataízes, cidade praieira do Espirito Santo. O pai tinha alguma posse, um posto de gasolina, um mercadinho. Mas engravidou uma jovem e foi denunciado pela própria esposa. Foi preso, a família se desfez e seus onze filhos se espalharam pelo país.

Aí apareceu Maria Thereza, frequentadora de Marataízes, e levou as irmãs Dalva e Dalila para serem criadas no seu pensionato se tornando sua mãe adotiva de fato.

Anos depois, Dalva voltou para Marataízes e lá soube que Pedro, já separado da esposa, perguntava insistentemente por ela.

Voltou para o Rio, reencontrou Pedro e se casaram no dia 22 de dezembro de 1987, ele com 60 anos, ela com 30, passando a se chamar Dalva Leonardo Luchsinger

Os negócios de Pedro já iam mal. A partir de 1990, segundo Dalva, ele se tornou totalmente dependente dela. Quando o dinheiro acabou de vez, Dalva levou o marido para morar em Marataízes, na casa que restara da sua família. E chamou uma irmã e a sobrinha Andrea, então com 9 anos, para morar com eles e ajudar a cuidar de Pedro.

Pedro Paulo tinha a aposentadoria brasileira, uma aposentadoria suíça e a filha, Bárbara, ajudava o pai com uma quantia mensal. Dalva bancava a casa e ele algumas compras esporádicas.

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Algum tempo depois, Dalva conseguiu um bom emprego na Itália, uma história um pouco confusa, para trabalhar como assessora pessoal de um juiz de direito em uma cidade do interior do país. Foi apresentada por amiga influente na Itália.

Voltava duas vezes por ano ao Brasil, mas mandava mensalmente dinheiro para ajudar no sustento da casa e de Pedro Paulo. Nesse período, a convivência maior de Pedro foi com Andrea que lhe fazia companhia.

Pedro almoçava fora de casa, ia todo dia à praia e Andrea cuidava da sua saúde, providenciando as consultas médicas e controlando os remédios que ele tomava. Pedro Paulo lhe deu a primeira bicicleta, o material escolar e, mais tarde, quando ela se casou, a ajudou a cuidar dos seus filhos, que tratava como netos.

E era excepcionalmente mão aberta. Quando foi conferir seu extrato, Dalva se deparou com muitas mulheres amparadas por ele.

Até sua morte, em 1996, Barbara telefonava diariamente para conversar com o pai. Acolhia o pai e a esposa na casa que tinham em São Paulo. Em um casamento mais refinado, ela mesmo tratou de presentear Dalva com o vestido para a cerimônia. E Dalva testemunhava os pequenos entreveros pessoais com o irmão e a sobrinha, como no dia em que Roberta se apresentou como filha de Roger e Barbara em uma festa da família Gerdau, provocando reações da prima Verônica.

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Com o segundo filho, Roberto, a relação não era amistosa. Romperam no início dos anos 90 por conta de disputas em torno da fazenda que fazia parte da herança da esposa, filha de fazendeiros de Miraí. Poucas vezes se falaram. A neta Roberta – a “socialite”, segundo a mídia – ligava periodicamente pedindo ajuda financeira ao avô para pagar faculdade e cobrir outras despesas.

Quando o avião de Roger Wright caiu em Trancoso, matando toda a família, a vida de Pedro Paulo mudou.

No acidente morreram todos os descendentes de Bárbara Luchsinger Wright, filhos e netos. E sobraram apenas dois ascendentes diretos dos filhos Felipe e Verônica: o avô materno, Pedro Paulo, e a avó paterna, Ellen Marion Wright, inglesa.

O sumiço de Pedro Paulo

Pouco tempo depois do acidente de Troncoso, Roberto e a filha Roberta apareceram inesperadamente em Marataízes, acompanhados de uma advogada. Pedro Paulo estava tomando café na praia.

Queriam a todo custo que ele fosse para Miraí. Segundo a advogada, havia alguns problemas que só ele poderia resolver. Pedro Paulo consultou Andrea que lhe disse que seguisse o seu coração.

Ele prometeu:

- Vou lá conhecer minha bisneta, resolver o que tiver que resolver e semana que vem estarei de volta.

Não voltou mais. Seu telefone deixou de atender às ligações. Uma vez apenas Andrea conseguiu falar com ele, em uma ligação curta, que ele mesmo chamou e na qual se dizia vigiado. Outra vez, em uma viagem a São Paulo, conseguiu escapar do apartamento da filha, na rua Maranhão, e ir até o apartamento de uma cunhada na Albuquerque Lins. Lá, queixou-se do confinamento.

Pedro Paulo morreu no ano passado em Miraí. Foi enterrado em um caixão simples, fornecido pela prefeitura. Logo depois, sua neta Roberta aparecia em todos os jornais como a socialite que doaria R$ 500 mil para Lula.

A disputa pela herança

A disputa se dá pelas heranças de Verônica e Felipe. Pelo que se depreende dos inventários, a herança era constituída basicamente por imóveis e obras de arte. Provavelmente os valores financeiros acumulados por Roger não entraram na partilha.

O inventário de Verônica Luchsinger Wright corre em São Paulo. É o processo 011.09.114442-7. E a inventariante foi a avó paterna, Ellen.

O inventário de Felipe corre na 4ª vara de Família e Sucessões, no Fórum João Mendes em São Paulo. Nele consta o nome de Dalva Leonardo Luchsinger, a viúva do avô. A inventariante era Ellen. Roberto, o filho de Pedro Paulo, entrou com pedido de impugnação no inventário de Felipe, sustentando que ele teria morrido fora do avião, não havendo simultaneidade, razão pela qual solicitava a retirada de Ellen como inventariante inclusive dos bens de seu filho Roger.

O pedido foi rejeitado.

Na sentença, diz o juiz:

Caracterizada de maneira insofismável a comoriência das vítimas do acidente aéreo, resulta que os bens de Roger não passaram para o seu filho Felipe e muito menos deste para o avô materno Pedro, autor desta ação. Possível concluir que

Pedro não é herdeiro de Roger, nem tem qualquer interesse no inventário deste e, portanto, nada tem a reclamar.

A disputa, então, ficou sobre os bens de Felipe e Verônica.


Segundo o herdeiro Pedro, há valiosas obras de arte e alfaias nos imóveis deixados pela falecida, aos quais ele não tem acesso. Opõe-se à ocupação exclusive dos bens por parte da inventariante e alega que também tem direito à sua utilização. Afirma que os bens não constam das primeiras declarações e que há risco de dissipação. Requer seja expedido mandado de constatação dos bens móveis existentes nos imóveis indicados às fls. 192/193.


Resolvido o caso com a inventariante Ellen, com a morte de Pedro Paulo abriu-se nova disputa, agora com seus herdeiros.

A viúva Dalva retornou da Itália, injuriada com o fato de terem levado até os móveis de sua casa e não terem quitado uma dívida de 400 dólares que Pedro Paulo gastou com seu cartão.

Depois, se deu conta de que havia muito mais em jogo. Contratou um advogado, foi conferir oos inventários e, para sua surpresa, na certidão de óbito de Pedro

Paulo Luchsinger, fornecido pelo Registro Civil das Pessoas Naturais de Miraí, ele aparece como viúvo. O que poderia remeter o caso para a esfera criminal.

Nos próximos meses deverá ter início uma nova batalha, que tem um ingrediente a mais para apimentar o jogo: além da viúva, Pedro Paulo teve mais uma filha em Marataízes, que ajudou a criar. A moça tem 21 anos e ainda não foi informada sobre seus direitos à herança do pai.

Luís Nassif
No GGN
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Rejeição de Temer atropela Meirelles

O ministro Henrique Meirelles, czar da falida economia do covil golpista, segue com seu sonho de disputar a presidência em 2018. Ele ora com pastores evangélicos – alguns deles, famosos corruptores da religiosidade popular –, reúne-se com os líderes da cloaca empresarial e articula nas sombras com os partidos da base fisiológica do odiado Michel Temer. Considerado o queridinho do “deus-mercado”, ele também ocupa generosos espaços na mídia chapa-branca e rentista. Apesar de tudo, o bajulado “ministro” da Fazenda não decola nas pesquisas – até parece o “pibinho” anunciado com alarde na semana passada. No Datafolha divulgado neste sábado (2), Henrique Meirelles oscila entre 1% e 2% das intenções de voto.

Três fatores, no essencial, explicam as dificuldades do todo-poderoso czar da economia. Em primeiro lugar, a baixa popularidade do seu chefe, Michel Temer. Segundo o mesmo Datafolha, 71% dos brasileiros rejeitam o presidente ilegítimo. Os milhões gastos em publicidade na mídia mercenária não têm sido suficientes para melhorar a imagem do covil golpista. Apenas 5% consideram o governo ótimo ou bom. Ainda de acordo com a pesquisa, 87% dos entrevistados garantem que não votariam em um candidato apoiado pelo usurpador. Henrique Meirelles, o mais identificado com esta tragédia, afirma que defenderá o “legado” da quadrilha, o que só serve para aumentar ainda mais a rejeição da sociedade à sua pretensa candidatura presidencial.

Um segundo fator reside no desencanto econômico. Os golpistas prometeram que bastava depor Dilma Rousseff para o país voltar a crescer “instantaneamente”. Os ex-urubólogos da imprensa agora são otimistas de plantão e afirmam, diariamente, que o Brasil está melhorando. Mas os brasileiros, que não são “midiotas”, sentem na pele o aumento do desemprego, da inadimplência e da miséria. Segundo o Datafolha, 60% acham que a inflação vai piorar e 50% avaliam que o desemprego vai crescer ainda mais nos próximos meses. Henrique Meirelles é o símbolo desta tragédia e ainda é responsável por jogar todo o peso da crise nas costas dos trabalhadores – com as suas contrarreformas trabalhista e previdenciária e outras maldades.

Por último, pesa contra a sua ambição presidencial o seu próprio histórico, que não é dos mais palatáveis. Henrique Meirelles já foi ligado aos agiotas financeiros, como presidente internacional do BankBoston, e serviu ao “ético” empresário Joesley Batista, do Grupo J&F. Numa das gravações vazadas em junho passado, o atual presidiário trata Henrique Meirelles como “companheiro” e “maleável”, um aspone que sempre atendeu aos interesses da corporação empresarial. Além disso, pesam contra o ministro várias denúncias de corrupção, evasão de divisas e muita grana em paraísos fiscais. Com uma biografia como esta será difícil deslanchar nas pesquisas – vai ficar atolado como o “pibinho” na economia.

Altamiro Borges
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Entrevista de Manuela D'Avila






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Empresário com medo de virar réu pede audiência com PF e delata Lula sem provas

Ex-vice-presidente da Engevix não quis esperar Sergio Moro decidir se aceitaria ou não uma denúncia contra ele. Buscou a PF e disse que, por dedução, acredita que Lula e Dirceu são beneficiários de uma conta em Madri. Mas admitiu que não tem provas nem da existência da conta, nem de que os recursos iriam mesmo para os petistas


Virou moda entre empresários delatar o ex-presidente Lula de maneira informal para demonstrar boa vontade em colaborar com a Lava Jato e, quem sabe, cair nas graças do juiz Sergio Moro. Para isso, não é preciso nem dispor de "provas". É o que mostra reportagem do Estadão sobre o caso Engevix.

O ex-vice-presidente da empresa, Gerson Almada, foi denunciado pelos procuradores de Curitiba em 2 de maio. Com medo de ser transformado em réu por Moro, ele decidiu procurar a Polícia Federal e dizer que tem conhecimento de uma "suposta" conta em Madri, na Espanha, onde o lobista Milton Pascowitch supostamente depositava propina recebida a partir de contratos com a Petrobras.

A conta era de Pascowitch, mas os beneficiários? Os beneficiários eram Lula e o ex-ministro José Dirceu.

Só nos parágrafos finais é que o Estadão informa que Almada não tem provas de nada do que disse contra os petistas. Mais do que isso, ele só arrastou o ex-presidente para a delação com base em deduções. 

A moral da história é que há possibilidade de Pascowitch ter usado o nome dos petistas para pedir propina. Chegou até a dizer que a comissão serviria à "aposentadoria" de Lula.

SEM PROVAS

"(...) a Ecovix [da Engevix] firmou contrato com a PNBV [da Petrobras] no ano de 2009 ou 2010 para o fornecimento de 8 cascos replicantes para FPSO – Floating Production Storage and Offloading no valor de R$ 3,5 bilhões de dólares, cujo valor de comissão em favor de Milton Pascowitch seria  de 0,5%; que o declarante não detém elementos de informação e provas de que parte dessa comissão de 0,5% teria sido destinada ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva’", escreveu a Polícia Federal.

Sobre a conta na Espanha, a informação é que "Milton Pascovitch teria dito [a Almada] que ‘iria viajar para Paris e dali, para não deixar rastro, viajaria de trem para Madri/Espanha para ‘olhar a conta’ que ele administrava para ‘pessoas do PT’."

Almada usou a mesma estratégia de sucesso empregada por outros empresários na Lava Jato: não apresentou nenhuma prova do que disse contra Lula e Dirceu, muito menos evidência da existência da conta em Madri. Mas entregou papéis que atestariam pagamentos a Pascowitch em Nova York, mas em 2014 - ou seja, 4 anos depois dos fatos supostamente relacionados a Lula e Dirceu - e não há nenhuma informação no Estadão que explique porque o empresário depositou R$ 10 milhões ao lobista.

Nas sentenças contra Vaccari, que foram revertidas em segunda instância, Moro avalizou a estratégia ao admitir que uma delação pode ser considerada totalmente verdadeira quando o delator comprova pelo menos uma parcela dela.

A MOTIVAÇÃO

A motivação de Almada em delatar os petistas ficou mais clara neste parágrafo do Estadão: "A acusação da força-tarefa da Lava Jato foi ajuizada em 2 de maio e ainda não foi recebida por Moro. Gerson Almada pediu para falar antes de Moro decidir se coloca ou não os investigados no banco dos réus." 

Segundo os relatos, Almada também teria dito que a Engevix fez contratos dissimulados com a empresa Entrelinhas, com finalidade de pagar vantagens indevidas a Dirceu. Ele alegou que os serviços nunca foram prestados, mas que desembolsou R$ 900 mil. 

Ele ainda afirmou que tinha contato com Pascowitch desde 2005, e que o lobista foi quem deu a ideia de pagar Dirceu para ter acesso à Petrobras. 

"Almada afirma que ‘no início de 2014’  Milton Pascovitch teria dito que ‘iria viajar para Paris e dali, para não deixar rastro, viajaria de trem para Madri/Espanha para ‘olhar a conta’ que ele administrava para ‘pessoas do PT’", publicou o Estadão.

O depoimento à PF ocorreu em junho, mas que só foi revelado por Moro na última sexta-feira (1). "Além do executivo e de Dirceu, são acusados Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão do ex-ministro; João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT; e Walmir Pinheiro Santana, ex-executivo da UTC", acrescentou.

Cíntia Alves
No GGN
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Assista: Moro quer ter jurisdição sobre a Espanha


O juiz Sergio Moro quer ter jurisdição sobre a Espanha para processar o ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran. Ele foi denunciado na Lava Jato após negar um acordo de delação. Ciente de que seria condenado com base apenas em delação, decidiu se refugiar na Espanha, já que é cidadão com dupla nacionalidade, e saiu vitorioso de um processo de extradição.

O Tribunal Penal da Audiência Nacional, na Espanha, decidiu por unanimidade que Tacla Duran tem direito de ser processado naquele País e que, se Moro assim quisesse, deveria remeter os autos da ação penal por lavagem de dinheiro e corrupção ativa para o exterior.

Ocorre que, na Espanha, delação sem prova não é aceita. E, ao que tudo indica, isso motivou Moro a continuar o processo no Brasil. Ele já proferiu um despacho mandando que Tacla Duran se apresente para interrogatório.

Segundo Joaquim de Carvalho - que foi à Espanha em parceria com o GGN para produzir uma série de reportagens especiais sobre a indústria da delação na Lava Jato - a decisão de Moro contraria tratados internacionais e pode acabar gerando um impasse diplomático entre Brasil e Espanha.

Assista:



Joaquim de Carvalho
No GGN
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Ato de Abertura da Caravana Lula Pelo Brasil em Vitória, Espírito Santo. #LulaPeloBrasil #LulaPeloEspíritoSanto

Foto: Ricardo Stuckert


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