2 de dez. de 2017

Lula: Fome está voltando ao Brasil por irresponsabilidade dos golpistas

Foto: Ricardo Stuckert


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Temer e Alckmin projetam o palanque da coalizão golpista. E agora,“cabeças pretas”?


O jogo está quase feito. No encontro que tiveram neste sábado, Temer e Alckmin começaram a projetar o palanque comum que reunirá as forças do golpe de 2016 em torno da candidatura do tucano. O desembarque dos tucanos do governo será “cortês e elegante”, disse Temer. O governador  foi no mesmo tom: “presidente, conte conosco”. Se tudo vai terminar em casamento, por que vão deixar os cargos?  Para tentar enganar você, eleitor, com a ilusão de que o PSDB mudou de lado. Vem aí o bloco dos golpistas unidos, mas isso não significa que serão mais facilmente serão vencidos. Eles virão mas eles virão com uma máquina de guerra para ganhar. Juntando todos os partidos da centro-direito, querem isolar Lula, impedido que firme qualquer aliança mais ao centro. E juntos  terão um colossal tempo de televisão, a máquina do governo federal e a do poderoso governo paulista, as centenas de prefeituras do PMDB, dinheiro gordo do fundo eleitoral  e mais o que vão ganhar, por fora, das forças do capital. Mesmo assim, a polarização é boa para Lula.  Mais que em qualquer outra eleição, fará sentido para a população o velho bordão do “nós contra eles”.

É claro que não vão anunciar isso agora.  Alckmin terá, primeiramente, que mostrar alguma capacidade de reação nas pesquisas para selar o apoio do PMDB e atrair os demais partidos da coalizão governista, como o PSD, que cozinha a candidatura do ministro Meirelles (por sinal muito sem graça nas fotos do encontro desta manhã no interior paulista), e as outras siglas do Centrão, como PR, PP, PTB e outros mais. A Temer, Alckmin deverá garantir que na campanha defenderá  a herança de seu governo, que ele chama de legado,  e preservará a figura do próprio Temer, que 86% dos brasileiros consideram corrupto. Isso significa também a promessa de ajudar a encontrar uma fórmula que garanta a Temer o foro especial para depois que deixar o cargo,  quando terá de responder na Justiça às acusações que a Câmara impediu que fossem investigadas no curso do mandato. Talvez com a criação do posto de senador vitalício ou com a extensão do foro do STF a ex-presidentes. E algum rateio prévio do eventual futuro governo também será negociado, pois que a especialidade do PMDB é manter-se no poder mesmo sem ganhar eleições com nome próprio.

Tudo bem encaminhado mas haverá um problema com o próprio PSDB. Os chamados “cabeças pretas” da bancada, que brigaram tanto para que o partido deixasse o governo de Temer, que votaram contra  as duas denúncias e resistem a votar a favor da reforma previdenciária, não devem aceitar passivamente esta aliança, que fará de Alckmin o candidato de Temer e defensor de seu governo. Não parecem dispostos a ir para a campanha, disputar a renovação de seus mandatos, associados  ao governo que desmantelou as políticas sociais, vem desqualificando as relações de trabalho com a reforma trabalhista e entregando o patrimônio nacional da bacia das almas. Ou seja, o risco de cisão  do PSDB continua existindo, mesmo com a troca de Aécio Neves por Alckmin na presidência do partido e com a saída dos ministros tucanos.  Pelo contrário, os  tais “cabeças pretas”, se são sinceros, terão mais motivos para se rebelar com a efetivação da aliança Temer-Alckmin.

Tereza Cruvinel
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Vaia a Temer em SP: a fórmula da politicagem não funciona na rua


Escrevi, logo cedo, que Geraldo Alckmin, para colher o apoio da politicalha reunida por Michel Temer – inclusive a de muitos dos seus tucanos -, tinha um problema.

O apoio de Temer é, para qualquer candidato, uma mina de verbas e cargos, mas um poço escuro em efeito eleitoral.

Poucas horas depois, numa cerimônia de entrega de casas, Alckmin teve a prova do que Temer é capaz de fazer com um palanque.

Segundo o Estadão, ”quando ele disse que ’em 18 meses de governo, o Brasil não parou’, a plateia rompeu em vaias”.

Em Americana, cidade da região de Campinas, onde o prefeito é do PMDB, eleito com 72% dos votos no primeiro turno. Logo, distante de ser algum “reduto petista”. Lá, em 2014, Alckmin (53%) e o “pai do pato”,  Paulo Skaf, tiveram, juntos, 80% dos votos.

A cara de ambos e a de Meirelles – para quem sobraram vaias, também – capturada na foto de Marlene Bergamo, da Folha, que reproduzo acima, dispensa legendas.

Alckmin corre o risco de salgar até mesmo suas terras paulistas com Temer.

E, pode acreditar, a maioria dos deputados tucanos, preocupados com isso, não quer nem saber de votar a reforma da previdência. Nem agora e nem em 2018.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Romário protegeu a Globo na CPI e ganhou espaço na emissora: isso é propina

Romário no canal da Globo: sou candidato a governador
Já virou um mantra da hiprocrisia a nota que William Bonner lê ao final de cada nova revelação sobre propina paga pela Globo para ter os direitos de transmissão da Copa do Mundo: “o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina.”

A nota tem o mesmo valor que a declaração que Pablo Escobar dava quando, confrontado com acusação de tráfico, negava e dizia que era empresário. A Globo sempre pagou propina ou esteve envolvida em irregularidades para obtenção de contratos.

Um ex-auditor da empresa, Roméro C. Machado, escreveu um livro, “Afundação Roberto Marinho”, para descrever o que ele chama de zona, desorganização, uma empresa que desenvolveu a cultura da sonegação.

A Globo incentivava a criação de empresas de fachada por funcionários com altos salários —para que recebessem mais, sem pagar imposto, e ajudando a empresa a aumentar suas despesas para diminuir a tributação.

Também para pagar o que não poderia ser contabilizado, como comissão (propina) para obter contratos, exatamente como no caso da Fifa.

Uma das ações que Roméro auditou envolve a Petrobras. Segundo ele, a Fundação Roberto Marinho obteve ilicitamente verba da estatal, “envolvendo comissão paga a dois conhecidos membros do mundo dos escândalos: Romeu Onaga e Alan Barbosa.”

O auditor conta que, para abafar o caso, foi sozinho à Petrobras, “usando todos os meios de que dispunha e de diversos conhecimentos, chegando até o Sr. Duque Estrada (diretor) e ‘adjunto’. E, dentro do sigilo que se fazia necessário para o momento, foi-me garantido que o próprio presidente da Petrobras (e vice-presidente da Fundação Roberto Marinho), sr. Hélio Beltrão, iria abafar o caso, evitando que o nome da Fundação viesse a público no escândalo”.

Hélio Beltrão é um caso que demonstra que, na cultura da Globo, favores podem ser retribuídos por mais de uma geração. Maria Beltrão, apresentadora do Estúdio I da Globonews, é filha de Beltrão.

O autor Romério Machado publicou seu livro em 1988, com a promessa de que publicaria mais dois sobre o a Globo e a Fundação. Mas a trilogia não terminou, e até onde se sabe ele não foi processado, embora o primeiro volume tenha narrações altamente comprometedoras.

Romero diz que executivos da Globo permaneciam em seus postos ou eram protegidos em razão da vulnerabilidade dos donos da emissora.

“Fazer auditoria, na Globo, e não pegar ladrão era quase impossível. E, às vezes, eu me perguntava: Para que tanta técnica? Para que tanto estudo tributário? Para que refinado Management, Business and Administration, se na Globo a coisa era policialesca e rastaquera? Era como pescar num barril”, diz ele, que foi auditor fiscal antes de entrar na emissora.

Ele narra que ouviu do diretor do Departamento de Educação da Fundação Roberto Marinho, Calazans Fernandes, uma história cabeluda sobre a permanência do José Carlos Magaldi na secretaria-geral da Fundação, o homem que efetivamente tocava a entidade.

“Uma das formas que o Magaldi encontrou de subjugar o Dr. Roberto é insinuando sempre que ele é homossexual, devasso, e que um fato obscuro, envolvendo um dos filhos do Dr. Roberto, que atirou num rapaz, amante do pai, foi resolvido e abafado por ele, Magaldi. O Dr. Roberto, com medo, permite ao Magaldi e à sua turma, todo tipo de bandalheira aqui na fundação”, escreveu.

Sob administração de Magaldi, foi editado um livro, com 3.500 exemplares, com quadros e imagens “altamente libidinosas”, de Sérgio Murad, o Beto Carrero, o do parque. Quando Roberto Marinho soube, mandou destruir, e Magaldi, naturalmente, obedeceu, mas, segundo Calazans contou a Romero, o objetivo não era mesmo publicar o livro, mas pressionar Roberto Marinho

“A grande intenção dele não era editar o tal livro. Era, antes de tudo, que o Dr. Roberto soubesse da edição e entrasse em pânico, com medo que a igreja viesse a saber, ou que este livro fosse público envolvendo o nome da Fundação.”

Paginas do livro proibido, “Dez casos de amor”, são publicadas na obra do auditor Roméro Machado, que lhe foram confiadas para que fizesse auditoria e constatasse o mau uso do dinheiro pela Fundação — foi dinheiro jogado fora, mas Magaldi continuou firme no posto.

No escândalo da Fifa, quase 30 anos depois, emerge a figura de Marcelo Campos Pinto, o diretor que negociava direitos de transmissão do futebol. Campos Pinto tinha uma empresa de fachada que funcionava no mesmo endereço da Globo, na rua Jardim Botânico, Rio de Janeiro, e procuração para gastar como quisesse até 4 milhões de reais.

É a pessoa citada como interlocutora da Globo para as transações de propina. Ele foi afastado e até agora não deu entrevista, mas continua influente na emissora. Ou, o que é mais provável, a influência está acima dele.

Um caso que passou despercebido foi a participação do senador Romário, ex-jogador de futebol, campeão do mundo em 1994, no programa Bem, Amigos, da Sportv, da Globo, no final de setembro.

O programa, apresentado por Galvão Bueno, fugiu completamente de seu espírito quando Romário anunciou que é candidato a governador do Rio de Janeiro. O ex-árbitro de futebol Arnaldo César Coelho, também dono de uma retransmissora da Globo, a de Resende, no sul do Rio, deu corda assunto e perguntou se o partido dele tem candidato a presidente. “Tem. É o Álvaro Dias”, afirma.

O Partido de Romário, Podemos, não tem relevância nem para ser assunto de programa político. Por que estaria num programa de esportes? A resposta está ligada ao que disse um deputado que participou da CPMI sobre o futebol.

“Eu quis convocar o Marcelo Campos Pinto, mas houve uma confusão, o requerimento não foi aprovado e nem houve relatório”, disse o Major Olímpio à TV Record, numa reportagem sobre o escândalo da Fifa. A CPMI presidida por Romário inviabilizou a convocação do executivo da Globo, chave no esquema de corrupção da Fifa. Veja o requerimento do deputado ao final.

A entrevista de Romário ao programa de Galvão Bueno, para anunciar sua candidatura a governador, pode até ser considerada uma afronta à lei eleitoral e não faz sentido exceto se olhá-la como parte de um acerto para poupar o ex-diretor da Globo na CPMI.

É assim que a Globo opera.

Miriam Dutra passou quase 25 anos na Europa recebendo salário da Globo e não trabalhando na maior parte do tempo apenas porque a distância interessava ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Mirim tem um filho cuja paternidade era atribuída a Fernando Henrique Cardoso.

Miriam ficou na Europa, situação que definiu como “exílio”e me disse, em entrevista, que, durante esse tempo, a Globo teve empréstimos do BNDES e outras vantagens na política de comunicação do governo. Não apenas no governo, mas também no Congresso Nacional.

O vice-presidente de relações institucionais da emissora na década de 90, Evandro Guimarães, chamado em Brasília senador da Globo, chegou a vetar um deputado escolhido pelo PMDB para presidir a Comissão de Comunicação da Câmara.

Era Carlos Apolinário, evangélico, que a Globo não queria na comissão que define as concessões de radiodifusão por entender que havia vínculo entre ele o bispo Edir Macedo, já então empresário emergente no ramos das comunicações, o único que chegou a ameaçar efetivamente o grupo da família Marinho.

A voz de William Bonner pode ser usada à exaustão para negar as acusações contra o grupo  Globo, mas as atitudes da emissora contrariam o discurso. É como ouvir uma uma pessoa dizer que a terra plana ou que o sol é que gira em torno do planeta.


Joaquim de Carvalho
No DCM
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Datafolha: Lula amplia liderança em todos os cenários e no 2º turno


Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fortaleceu sua liderança e o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) está isolado em segundo lugar da corrida presidencial, segundo indica pesquisa do Datafolha.

A constatação coincide com o momento em que o PSDB tenta emplacar o nome do governador Geraldo Alckmin (SP) como o candidato das forças de centro no pleito de 2018, contrapondo-o aos extremos da esquerda e direita, personificados respectivamente em Lula e Bolsonaro.

Além disso, o apresentador Luciano Huck, alvo de especulações para a mesma tarefa, disse que não será candidato.

O instituto fez 2.765 entrevistas entre 29 e 30 de novembro, em 192 cidades. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

Como houve alterações em cenários, só é possível comparação com levantamentos anteriores nas simulações de intenção espontânea de voto no primeiro turno e estimuladas no segundo.

O tucano, hoje, está em quarto lugar na disputa em um cenário com a maior gama de candidatos colocada, empatado numericamente com o ex-governador Ciro Gomes (PDT, 6%) e tecnicamente com o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa (sem partido mas cortejado pelo PSB, 5%) e o senador Alvaro Dias (Podemos, 3%).

Aqui, Lula lidera com 34% e Bolsonaro o segue com 17%. Marina Silva (Rede) aparece numericamente acima do pelotão encabeçado por Alckmin e Ciro, mas tecnicamente empatada com ambos.

Na simulação em que o nome de Alckmin é substituído pelo do prefeito paulistano João Doria, que disputava a indicação tucana, o desempenho é semelhante.

Quando a intenção de voto é questionada sem apresentação de nomes, Lula surge com 17% das citações e Bolsonaro, com 11%. Todos os outros pontuam de 1% para baixo. O “ninguém” tem 19% e não sabem afirmar em que candidato votariam, 46%.

Lula ganha em todos os cenários de segundo turno. Ele ampliou em quatro pontos percentuais sua vantagem, em relação à pesquisa feita no fim de setembro, no confronto com Alckmin (52% a 30%), Marina (48% a 35%) e Bolsonaro (51% a 33%).

O tucano empata tecnicamente com Ciro (35% a 33%) e Marina ganharia de Bolsonaro (46% a 32%).
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Moro contra-ataca?

O juiz levanta o sigilo de mais um depoimento de suposta propina a Lula um dia depois de seu amigo Carlos Zucolotto Jr. ser exposto na CPI da JBS

Moro: a melhor defesa é o ataque?
Na sexta-feira 1º, o juiz Sergio Moro retirou o sigilo do depoimento de Gerson Almada, ex-vice-presidente da construtora Engevix, que afirma genericamente ter conhecimento de uma conta em Madri, na Espanha, supostamente criada em benefício do ex-ministro José Dirceu e do ex-presidente Lula.

A conta seria administrada pelo lobista Milton Pascowitch e abastecida com dinheiro de propinas de contratos da Petrobras. O depoimento de Almada à Polícia Federal aconteceu em junho passado. O ex-executivo teria citado repasses ilegais de 2,4 milhões de reais da construtora para Dirceu. Embora ainda não tenha acatado a denúncia apresentada pela força-tarefa em maio, Moro decidiu levantar o sigilo do depoimento.

A decisão levanta uma dúvida. A divulgação extemporânea do depoimento de Almada justamente neste momento seria uma maneira de desviar o foco das acusações do advogado Rodrigo Tacla Durán durante depoimento na quinta-feira 30 à CPI da JBS, em andamento no Congresso? Antigo representante da Odebrecht, Tacla Durán, que vive hoje na Espanha, voltou a acusar Carlos Zucolotto Jr, amigo e padrinho do casamento de Moro, de negociar vantagens financeiras para azeitar sua delação premiada com representantes da força-tarefa da Lava Jato. A mulher do juiz, Rosângela, trabalhou no escritório de Zucolotto.

Parentêses: às vésperas do depoimento de Tacla Durán, Rosângela tirou do ar a página no Facebook “Eu MORO com ele”, de bastante sucesso durante as manifestações a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

No depoimento à CPI, o advogado apresentou registros de trocas de mensagens de celular com o amigo de Moro. Se tiver sua autenticidade confirmada, a conversa apresentada demonstra que a entrada em cena de Zucolotto teria resultado em uma redução de 15 milhões para 5 milhões de reais da multa que a força-tarefa pretendia cobrar de Tacla Durán em troca da delação.

O advogado de 44 anos trabalhou para a Odebrecht de 2011 a 2016 e é acusado pelo Ministério Público de participar de esquemas de lavagem de dinheiro e pagamento de propina. Foi preso em novembro de 2016, na 36ª fase da Lava Jato, por ordem de Moro. Depois de solto, mudou-se para a Espanha. Sua extradição ao Brasil foi negada pela Justiça do país europeu e ele é considerado "foragido" pela força-tarefa de Curitiba.

O advogado negociou a delação com o Ministério Público, mas não chegou a assiná-la, pois teria de confessar crimes que, segundo diz, não cometeu. Decidiu então partir para o ataque, com acusações aos métodos da força-tarefa, suspeitas sobre Moro e denúncias de uma “indústria da delação” em Curitiba.

Sérgio Lírio
No CartaCapital
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Reflexões sobre a desativação da página “eu Moro com ele” de Rosângela Moro


O que deve estar passando na cabeça da pessoa que foi cooptada pela narrativa da Lava-Jato, narrativa de que a Operação visa extinguir toda a corrupção no país, e em plena efervescência do Governo mais corrupto da História, assistimos que a mulher de Moro desativa seu perfil no Facebook: "Eu Moro com ele", desativa bem no dia em que o ex-Advogado da Odebrecht Tacla Duran dá um depoimento bombástico na CPMI da JBS no Congresso, cria perfil no Twitter e compromete a imagem da Operação e de Moro?

Claro que argumentos diversos aparecerão, que não há associação entre o término da página e o depoimento de Tacla.

Dentre estes argumentos destaco:

1) A notícia do depoimento só circulou, praticamente, via Internet progressista e muitos dos seguidores da Rosângela Moro nem sabem quem é Tacla Duran e nem que houve o depoimento;

2) Ou os que sabem/ouviram falar argumentam que o depoente é um foragido da polícia, foragido de Moro, que é um corrupto, coisas do tipo, portanto, pessoa não confiável e que, portanto, apresenta provas falsas.

Mas a questão central é outra, é pensar na pessoa que acompanha a Rosângela Moro e compartilha suas postagens e a história que mistura a Operação e a fantasia do casal perfeito.

O que a Mulher de Moro argumentou para tirar "Eu Moro com ele" do ar foi: "a página cumpriu o seu papel".

Não tem mais nada a cumprir o casal perfeito para seus seguidores? Que os seguem como se fossem um casal perfeito de um filme ultrarromântico? Bem em meio ao caos da corrupção do Governo Temer abandonam seus seguidores?

E como é que ficam seus seguidores se repentinamente se quebra o elo social entre o Herói Moro e a parcela da sociedade que acredita no Juiz, no seu incansável combate à corrupção, que necessita/ se acostumou ouvir e ver as mensagens e vídeos que Rosângela posta sobre ações do Marido? Ainda mais que a caça aos corruptos parece necessitar mais a cada dia de Moro para não se arruinar no imaginário dos seguidores de Moro.

Vão aceitar o casal pacificamente que alguém venha dizer que Moro está sendo ameaçado por corruptos? Por isto do fechamento da página?

Ou vão ouvir calados (o casal) as decepções dos que se sentem traídos? Porque este elo entre Moro e a sociedade, que acredita ou foi levada a acreditar nele desapareceu repentinamente da Internet.

A mim me parece que há uma facilidade e irresponsabilidade enormes entre criar um mito, utilizar dos incautos para benefício próprio e satisfação pessoal do ego do casal e dos que patrocinaram a criação do mito e tudo terminar, a relação Juiz e seus seguidores, numa simples frase: “a página cumpriu o seu papel”.

É desonesto demais, mesmo sabendo que na verdade se produziu um mito de barro, um mito que cumpre um papel específico, que não é o que se diz ser, se noticia e se fez/faz parecer aos incautos ou anticorrupção ou antiesquerda ou anti PT ou anti Lula e Dilma ou anti Comunismo, Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, etc.

Mexer com sentimentos, crenças, com imaginários humanos não é uma simples criação e abandono da criação do mito, de uma relação, mesmo que fabricada pelo Sistema em prol do Sistema; há sequelas psicossociais nos traídos, nos que foram levados à defesa intransigente do Herói de barro.

Infelizmente, a Rosângela Moro e o Moro são muito mais, para mim, uma imagem produzida de si mesmos no holofote das comunicações oligopolizadas à-serviço de interesses particulares do grande capital e sem a dimensão social dos atos que praticaram e praticam, neste que é o tempo das celebridades efêmeras, os 15 minutos de fama do Andy Warhol, só que aqui celebridades que destroem a cada dia mais a realidade socioeconômica e cultural de um país inteiro.

Imagem de Moro possível de se criar e de se apagar quando se vê confrontada a imagem no espelho já distorcido/ envelhecido, não mais capaz de argumentar sem perder a altivez e já pulsando a certeza de que o contraditório nasce, de que surge um mito perdendo suas asas, perdendo a capa de herói, mito que vai aos poucos se tornando gente, que vai, aos poucos, perdendo a aura de intransponível, de sobrenatural e de dono da verdade absoluta: do implacável e incorruptível xerife do combate à corrupção.

Heróis fabricados têm prazo de validade. Servem a um objetivo específico e precisam sair de cena quando o espetáculo já não tem plateia, ou já ficou repetitivo demais para ser encenado com o mesmo Ator. Moro já é um Ator entrando em papeis repetitivos e sem o glamour e plateia de seu auge na carreira de herói de um filme só.

E me parece que com o fechamento de “Eu Moro com ele” Moro e Rosângela estão saíndo pelo escurinho do cinema de cena para ninguém ver, antes do Sistema descarta-los de vez.
Triste é ver que os órfãos da encenação ficarão sem explicação plausível para a fuga no escurinho do cinema do casal com a melancólica, preguiçosa e lacônica frase de um filme sem final: “A página cumpriu o seu papel”.

E que o aventureiro artista de um filme só: a Lava-Jato, legou-nos Temer, o caos econômico e social e um bando de doidos sem rumo e sem controle dos seus atos cotidianos!

Fim!

(Numa sociedade desenvolvida e responsável não se criariam moros e nem heróis de barro).

Alexandre Tambelli
No GGN
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Tese reprovada de Janaína Paschoal: uma ode à vulgaridade intelectual

Janaína na Comissão do Impeachment ao lado de Miguel Reale Júnior
Além de seu papel na formulação do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Janaína Paschoal tem pouca notoriedade nos círculos dos juristas brasileiros.

Talvez por isso tenha entrado em guerra com o Departamento de Direito Penal da USP e seu chefe, Salomão Shecaira: um desejo incontrolável de reencontrar os holofotes da imprensa.

A autora do impeachment foi em setembro a última colocada em um concurso público para vaga de Professora Titular na Universidade de São Paulo, e, inconformada, resolveu recorrer ao Twitter para chorar suas pitangas.

No microblog, foi incisiva: acusou o vencedor do concurso, Alamiro Velludo, de ter copiado as ideias de um doutorando anterior, Leandro Sarcedo, e Shecaira de ter sido conivente ou relapso.

A reação dos acusados foi imediata: Velludo negou plágio, Sarcedo disse não se sentir lesado, e Shecaira apresentou queixa-crime por difamação. O documento de acusação foi revelado nesta quinta-feira (30).

Em meio à confusão, o DCM obteve uma versão digitalizada da tese apresentada por Janaína na ocasião do concurso. Intitulada “DIREITO PENAL E RELIGIÃO: as várias interfaces de dois temas que aparentam ser estanques”, a obra de 306 páginas propõe analisar situações em que Direito e religião entram em choque.

O resultado, no entanto, é um pastiche de generalizações, acenos à direita conservadora e filosofia de boteco que raramente chega a alguma conclusão. Não à toa, foi reprovado pela banca examinadora do concurso por sua “lamentável profundidade”.

“Ela ainda tem que agradecer por ter sido aprovada na média, pelos Memoriais”, explicou a fonte que entregou o documento ao DCM. “Sinceramente, [os membros da banca] estavam a ponto de rachar [o bico] durante a defesa da tese”.

Memoriais são uma espécie de relatório final apresentado no final do trabalho contando como foi fazer a pesquisa.

O texto de Janaína consegue a proeza de ser simultaneamente maçante, com devaneios teóricos admitidos pela própria autora, e histérico, entre teorias conspiratórias do “Estado Irreligioso” prestes a ser instalado a qualquer momento.

A certa altura, diz ela:

“A intelectualidade brasileira muito se refere à liberdade religiosa, mas, a bem da verdade, propugna um Estado ateu, o que, como ocorreu em um Estado teocrático, constitui totalitarismo. (…) Os cientistas costumam se colocar em um pedestal, como se ao se dignarem a falar com ignorantes somente o fizessem na condição de ministradores de aulas.”

Esse tom ressentido com a academia brasileira acompanha cada página do trabalho. Para Janaína, o “pensamento do Estado Ateu” seria uma agenda secreta das universidades, uma trama para acabar com as religiões.

Pior ainda é o contraponto que ela encontra para ilustrar a “moderação” no trato da religião: o jurista Miguel Reale, que tentou até o fim de sua vida justificar o fascismo à brasileira.

Janaína enxerga no ultraconservador Reale “um dos maiores pensadores que este país já conheceu”, citando-o como parâmetro no que deveria ser a “experiência metafísica”.

Por dezenas de vezes, retoma obras suas e de seu filho, Miguel Reale Júnior, até mesmo em momentos nos quais os argumentos parecem ter saído de algum comício do MBL.

“A homofobia já seria crime, pois, quando alguém olha o homossexual como inferior, está, na esteira da decisão do Supremo Tribunal Federal, praticando racismo”, escreve, citando Júnior.

Há dezenas de pérolas, igualmente absurdas, salpicadas pelas páginas. Temas como a política americana, os culpados pelos atentados de 11 de Setembro e pelo surgimento da máfia, comparações entre aborto e pena de morte, o estupro corretivo, similaridades entre perseguições ao público LGBT e à polícia, a “ditadura” da medicina moderna – até mesmo argumentos anti-vacinação… Opiniões abundam.

Janaína se sente livre para soltar seus grandes insights sem oferecer dados ou estatísticas que demonstrem o que está dizendo, fiando-se apenas em argumentos de autoridades e sua inquestionável genialidade lógica.

Falsos paralelismos pululam. Em uma página, a ciência torna apenas outro conjunto arbitrário de dogmas, uma “nova religião”.

Em outra, um médico que se recusa a fazer um aborto corre o mesmo risco penal que outro que esquece a tesoura dentro do paciente.

A salada conceitual servida pela musa do impeachment, picada e revirada, serve bem ao propósito de justificar arroubos reacionários que explodem de vez em quando.

A certa altura, discutindo a importância de tratar das religiões em sala de aula, diz uma Janaína assustada:

“Não é possível afirmar com segurança que, após uma aula, em que ouve ser seu direito fundamental fazer um aborto, uma jovem grávida não vá se dirigir a uma clínica para passar pelo procedimento. Do mesmo modo, não é possível assegurar que um jovem, depois de ouvir que o indivíduo tem direito a se drogar até morrer, não vá sair de uma palestra e usar algum tipo de entorpecente, ou mesmo vendê-lo.”

A única coisa possível de se afirmar com segurança, nesse cenário, é o absurdo do estudante que ouve que “pode se drogar até morrer” e decide virar traficante. Ou da menina que, podendo ditar sobre a própria vida, escolhe não refletir sobre isso.

O objetivo de fundo do texto parece ser, a todo momento, justificar a inação do Estado diante da violência contra as minorias. “Precisamos priorizar o diálogo”, diz Janaína a cada dois parágrafos, mas basta uma situação concreta se apresentar para que o contorcionismo comece.

O combate à homofobia nas escolas seria uma ferramenta do “materialismo marxista” para padronizar os jovens e impor o ateísmo.

A legalização do casamento gay na Holanda seria a causa do aumento no número de assassinatos do público LGBT daquele país. A introdução da educação laica causaria um aumento na discriminação religiosa.

A inversão atinge patamares delirantes, especificamente, ao tratar do “estigma” contra o catolicismo:

“As religiões, em geral, restam estigmatizadas por intelectuais e formadores de opinião, em clara confusão entre Estado laico e Estado ateu. No entanto, dentre todas as religiões, o maior estigma recai sobre as cristãs e, dentre estas, sobre a religião católica, ao que me parece, em uma espécie de resposta a todos os abusos e crimes perpetrados.”

Para ela, somente as religiões africanas estariam protegidas contra esses “discursos discriminatórios, pois esse tipo de prática é considerada politicamente incorreto (sic)”. Ela argumenta que essas crenças têm o sofrimento “supervalorizado” por outros pesquisadores.

Há, por fim, uma procissão de acenos à direita conservadora embrenhados na tese, às vezes de forma sutil (frases plantadas como “o indivíduo é a minoria das minorias”, advindas do libertarianismo), às vezes de forma evidente (como os incontáveis acenos ao Projeto Escola Sem Partido).

Janaína se dá até mesmo ao trabalho de sair de sua linha argumentativa apenas para negar Karl Marx, quando pode.

Na luta contra o totalitarismo da “ideia aparentemente libertária de neutralidade”, Janaína incorre no proselitismo conservador com o qual o Brasil se acostumou, ainda que escrito de forma mais bem articulada que a dos capangas verde-amarelos.
É algo que, por mais bem aceito que seja em comícios e caminhões de som, dificilmente vai convencer os decanos da mais velha escola de Direito do país a cederem um assento à mesa.

Em sua própria tese, Janaína admite saber disso. “Escolha certa? Escolha errada? Fosse pelo certo e pelo errado, jamais se apresentaria uma tese sobre as relações entre Direito Penal e religião em uma Universidade Brasileira”, escreve.

O martírio é poético.


Renato Bazan
No DCM
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Big Bang em xeque: físico brasileiro explica teoria alternativa sobre o universo


O físico brasileiro Juliano César Silva Neves, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou em entrevista à Sputnik Brasil, a sua inovadora teoria sobre a origem do universo, que exclui a necessidade de um Big Bang, aceito pela maior parte da comunidade científica como melhor explicação para o início de tudo.

"Antes da visão cíclica, nós temos que resolver o problema da singularidade. Por Big Bang, eu quero dizer singularidade inicial. O modelo cosmológico que eu propus aceita, claro, a expansão do universo, aceita outros dados, como a radiação cósmica de fundo. A minha questão principal é o Big Bang, o Big Bang como a chamada singularidade inicial", disse o cientista, explicando que essa singularidade consistiria em um estado onde as grandezas físicas, geométricas, calculadas a partir da Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, não têm um valor definido. "Como os matemáticos falam, essas grandezas tendem ao infinito".

Neves conta que essa questão é encarada como um problema da relatividade, que a maioria dos pesquisadores acreditam poder ser resolvido com uma teoria quântica da gravidade, que acabaria com a singularidade. No entanto, segundo ele, é possível resolver a singularidade inicial sem recorrer a uma teoria quântica, o que foi exatamente o que ele fez em seu trabalho, publicado recentemente na revista General Relativity and Gravitation.

"Esse estado inicial não é mais divergente. Ele não é um estado onde grandezas físicas e geométricas têm valores ilimitados ou infinitos. E nem, necessariamente, precisa ser o estado inicial. O que eu descarto é essa ideia do Big Bang. Então, ao invés de um estado singular, apenas um ricochete. E se existiu um ricochete, uma transição, houve uma fase anterior à atual expansão cósmica. Se o universo está expandindo atualmente, a fase anterior à atual fase de expansão foi uma fase de contração. Aí, sim. Aí, a gente pode, a partir disso, tentar também construir uma visão cíclica, onde o universo passa por sucessivas fases de contração e expansão."



De acordo com o físico da Unicamp, o evento do Big Bang poderia ser aceito por ele se esse termo tivesse uma definição diferente da que se refere à singularidade. Isso porque, ele afirma, quando essa fase de transição entre uma contração e uma expansão não é singular, o que se tem é uma "física bem comportada em todo o trajeto", ela funciona integralmente.

"O problema de você assumir uma singularidade é assumir a sua ignorância. A singularidade, acima de tudo, é a total ignorância da física. Porque a física não funciona na singularidade."

Antes de Juliano Neves, outros cientistas já pensaram em uma cosmologia sem o Big Bang. Há uma originalidade em seu trabalho, no entanto, que se deve ao emprego de alternativas utilizadas por ele em pesquisas sobre buracos negros regulares, sem singularidade no horizonte de eventos, para explicar também a cosmologia.

"Esse foi o caminho longo que eu usei. Sair dos buracos negros e ir até a cosmologia para salvar a cosmologia do horrível Big Bang", afirmou o pesquisador.

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Nildo Ouriques falou sobre a “necessária Revolução Brasileira”

Da esquerda para a direita: Aurélio Fernandes, Nildo Ouriques e Bicalho.
Foto: Roberto Bitencourt da Silva.
O professor da Universidade Federal de Santa Catarina, economista e pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL, Nildo Domingos Ouriques, esteve nesta quarta-feira no Rio de Janeiro, para atender compromissos de sua campanha à indicação partidária.

Na agenda, ocorreu evento na UERJ, que foi marcado por uma instigante conferência proferida pelo professor, assim como por um diálogo profícuo com estudantes, professores e ativistas do PSOL e de demais círculos políticos não partidários de esquerda.

Aproveitando o ensejo político-partidário, o evento também correspondeu ao lançamento do livro “Crítica à razão acadêmica – reflexão sobre a universidade contemporânea”, volume 2, da Editora Insular, organizado por Nildo Ouriques e pelo também professor Waldir Rampinelli.

A universidade pública que acolheu a Nildo e aos interessados em sua palestra é um retrato do Brasil e, sobretudo, do Rio de Janeiro. Professores e técnico-administrativos com salários atrasados (4 salários), livrarias fechadas, por motivo de falência, pouca circulação de estudantes, em função de uma greve dos servidores (greve que não merece esse nome, já que não há salários para sequer satisfazer o deslocamento dos funcionários ao trabalho. É mais oportuno chamar de locaute promovido pelo governo estadual).

Um quadro desolador. No banheiro, que apresenta condições lastimáveis de abandono, um rabisco na parede dizia assim: “Estamos em guerra”. Alguém deixou essa resposta: “Foda-se, ninguém liga”. A UERJ absolutamente sucateada pela irresponsabilidade dos governos estadual e federal, pelos projetos deliberados destes governos em destruir a universidade.

Nesse triste cenário, a avaliação do pré-candidato Nildo Ouriques é de que a UERJ “expressa, de maneira mais aguda, o drama da universidade brasileira”, devido às “políticas de austeridade e à guerra de classes imprimida pela burguesia contra o povo”.

Em função dessas medidas adotadas pelo governo Michel Temer (PMDB) e por muitos governadores de estado, como Pezão (PMDB) no Rio, “a única coisa que funciona no Brasil de hoje são os portos para escoar as nossas riquezas para fora”. No mais, segundo Ouriques, “está tudo sendo destruído: segurança, saúde, educação etc.”

Especificamente em relação ao papel a ser desempenhado pela universidade, em consonância com o programa da “necessária Revolução Brasileira”, preconizada pelo psolista, “é decisivo acabar com o academicismo bocó e eurocêntrico da universidade” e orientá-la no sentido de um compromisso em “superar o subdesenvolvimento e a dependência”, tal “como defendia Darcy Ribeiro”, afirmou Ouriques.

A respeito do cenário político nacional mais abrangente, Nildo Ouriques teceu críticas ao perfil de atuação do Poder Judiciário: “É claro que o juiz Sérgio Moro persegue os petistas. Tem alguma coisa nele aí que não gosta de pegar tucano”. Ademais, em sua percepção, trata-se de um “absurdo que a justiça não atue sobre o PSDB, sobre José Serra, um agente do imperialismo dos Estados Unidos”.

Considerando que Moro “é o queridinho das classes médias”, que assinalam “uma crise moral no País”, Ouriques argumentou que tais setores da sociedade brasileira “não entendem que essa crise é fruto das relações sociais do capitalismo”. Na ótica do professor, “vivemos sob o domínio imperialista dos EUA” e a “crise política e econômica traduz uma guerra de classes movida pela burguesia”: com a “supressão da CLT, possivelmente dos direitos previdenciários, o regime da superexploração do trabalho está funcionando a pleno vapor”.

Para Ouriques, o Brasil encontra-se em franco processo de desindustrialização, “aprofundando a dependência e o subdesenvolvimento em níveis nunca vistos”. Nesse sentido, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, “um sem indústria”, é retrato daquele processo.

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Saiba mais:
- Vídeo da palestra de Nildo Ouriques na Uerj (29/11/2017. Fonte: webpágina no Facebook Nildo Ouriques): https://www.facebook.com/nildopsol/videos/1925097324407397/

- Entrevista com Nildo Ouriques: A “Revolução Brasileira” de Nildo Ouriques.
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Ainda em relação a questões de natureza mais propriamente econômica, Ouriques sublinhou que, desde o Plano Real, o Brasil tem se tornado “uma república rentista”, dotado “de altíssimas taxas de juros”, que têm elevado o endividamento do Estado, estrangulado o orçamento público e a “capacidade de investimento estatal”.

Em sua percepção, o cenário de curto prazo promete a promoção de “um verdadeiro abismo social, com explosões sociais que ocorrerão de maneira inexorável”. Dessa forma, na avaliação do psolista, “o descrédito do sistema político é amplo, envolve a todos os partidos, inclusive o meu partido, que não tem relação direta com isso. Mas, é um descrédito saudável, tá tudo em disputa”.

Ainda de acordo com o pré-candidato, encontramo-nos em “uma hora de alta responsabilidade”: ou a “esquerda ocupa esse espaço ou será a direita. As massas querem preto no branco. A esquerda não pode continuar vacilante. A gente tem que dizer claramente que esse sistema não presta, dizer a verdade, romper com esse sistema”. O petismo, em sua interpretação, sendo “sistêmico, não oferece quaisquer alternativas”.

Sobre eventuais acusações de que a sua bandeira da “Revolução Brasileira” pretende transformar o Brasil em uma Venezuela, Nildo Ouriques destacou que “Revolução não se exporta. É feita pelas massas, atendendo às suas necessidades e particularidades”.

Entre outras propostas que levaria a cabo na hipótese de alcançar a eleição à Presidência, Ouriques afirmou que “precisamos fazer a reforma agrária, a auditoria da dívida, limitar as remessas de lucros do capital estrangeiro, adotar uma política externa efetivamente independente, acabar com a lei de responsabilidade fiscal e promover a integração latino-americana”.

Nildo Ouriques destacou ainda que a “movimentação militante no interior do PSOL", em torno da sua pré-candidatura à Presidência, "está crescendo pelo País”. A indicação pelo partido será decidida em congresso a ser realizado em dezembro. O pré-candidato Nildo Ouriques concorre com a ex-deputada federal Luciana Genro. Há ainda apelos entre setores do partido pela escolha do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos.

Roberto Bitencourt da Silva – historiador e cientista político.
No GGN
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A ‘coerência’ de Alckmin: saímos do Governo, mas apoiamos o Governo


A entrevista de Geraldo Alckmin a Mariana Godoy, na Rede TV, é o tucanismo em seus mais típico comportamento: o muro.

Ele sugere que o “desembarque” do PSDB do Governo é mera formalidade:

“O PSDB não vai virar oposição, de jeito nenhum; nós temos responsabilidade e, para votar medidas que nós entendemos que é de interesse do povo brasileiro, que vai ajudar o Brasil a sair da crise, nós não precisamos ter ministérios, vamos apoiar da mesma forma”

Então, ficamos assim: se não se opõem às políticas do governo Temer, porque raios estariam saindo governo Temer?

O paradoxo verbal revela a verdade real: Alckmin quer ser o candidato do Governo. Portanto, o candidato de Temer, mas não quer este rótulo fatal.

Temer, por seu lado, manobra para criar seu “salvo-conduto” pós governo, e se dispõe a guardar seu ódio a Alckmin, bem registrado hoje na Folha por Igor Gielow:

Temer não esquece que Alckmin não trabalhou em seu favor na votação das duas denúncias da Procuradoria-Geral da República que derrubou na Câmara, além de sempre ter sido contra a presença de ministros do PSDB na Esplanada.

O jogo é jogado sempre tendo em mente que a população pode ser facilmente engambelada, com a mídia e as máquinas partidárias.

Afinal, o apoio de Temer não é um trunfo, mas um “mico” eleitoral.

O discurso de serenidade que Alckmin adota – um ponto de inegável superioridade dele em relação a João Dória – dificilmente sustentará ao longo dos 11 meses que restam até as eleições as defesas contra o fato de “ser o candidato do Temer”.

É provável que não venha a ter essa condição única, porque o ‘centrão’ não quer ficar debaixo das asas tucanas.

O fato objetivo é que a candidatura Alckmin ganha força no mundo da articulação política.

Começa agora uma operação para mostrar que pode ganhar votos da população, fora de São Paulo, onde os terá.

No resto do Brasil, não tem. E, com Temer, será mais difícil conseguir.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Sobre depoimentos, manchetes e agenda da mídia


Vamos supor que, em determinado país, houvesse uma megaoperação judicial destinada a “limpar” a política, liderada por um magistrado alçado à posição de salvador da Pátria. Que dessa operação nascesse a derrubada de uma presidente eleita pelo povo, a denúncia e prisão de inúmeros políticos, empresários e operadores associados e ainda a quase-criminalização do partido que, até então, era o maior daquele país. Que, em consequência do rearranjo de forças assim produzido, o país mergulhasse num momento de acelerado retrocesso nos direitos sociais e nas liberdades, além da desnacionalização da sua economia.

A megaoperação pautou o noticiário da mídia por anos. Manchete após manchete - e foram muitos milhares dela - a mídia contribuiu para criar a aura de heroicidade em torno do tal juiz. Mesmo com eventuais atropelos, endossou a narrativa de que o país estava sendo passado a limpo.

Eis que surge um depoimento, com apresentação de provas materiais, indicando que o tal justiceiro de terno preto age motivado por outros interesses que não a justiça. Que a megaoperação é enviesada de nascença; que seus efeitos políticos não são consequências das investigações, mas, ao contrário, as investigações são orientadas para obter os efeitos políticos desejados. Que há até uma busca de ganhos pessoais pelo círculo do juiz-herói: que ironia, a redezinha de corrupção formada em torno do sacrossanto combate à corrupção. Denúncias que já tinham surgido antes, mas que agora aparecem sustentadas em evidências mais fortes do que a mera aplicação da lógica.

E o que faz a mídia, diante de tamanho plot twist? Investiga o que o depoimento implica? Reavalia o significado da megaoperação judicial? Exige cautela até que as denúncias sejam de fato comprovadas (em desacordo com seu comportamento em casos que envolviam outras personagens, mas tudo bem)? Desacredita o depoimento com base em outros elementos?

Não. A mídia simplesmente ignora. A Folha, por exemplo, baniu Tacla Durán da capa. Deu uma matéria pequena, no meio de página par, sem as acusações centrais a Moro e à Lava Jato. Parece que o sentido do depoimento era defender Michel Temer.

O pior: isso nem surpreende. Já faz muito tempo que a mídia brasileira perdeu a vergonha na cara.

Luís Felipe Miguel
No GGN
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Os esqueletos no armário de Geraldo Alckmin


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, passou os últimos dias reunindo forças para assumir o comando do PSDB e apaziguar a crise interna vivida pelo partido nos últimos tempos. O motivo não é segredo para ninguém: sua vontade de disputar o Palácio do Planalto em 2018 como o candidato tucano.

Alckmin foi diretamente beneficiado pela derrocada política do último colega de partido que tentou o cargo, o senador Aécio Neves (PSDB-MG). O mineiro perdeu seu cacife depois ter sido acusado de pedir R$ 2 milhões ao dono da JBS e de seu primo, Frederico Medeiros, ser flagrado recebendo malas de dinheiro do operador da empresa, Ricardo Saud.

Mas e o paulista, em sua segunda disputa, não possui nada para assombrá-lo? Confira 6 episódios que você precisa saber (ou lembrar) sobre Alckmin:

1- Citado por 3 delatores da Odebrecht:

O vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, encaminhou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 22 de novembro, um pedido de abertura de inquérito contra o governador Geraldo Alckmin devido às delações de três ex-executivos da Odebrecht. Benedicto Júnior, Carlos Armando Paschoal e Arnaldo de Souza e Silva disseram que a Odebrecht repassou,  por meio de caixa 2, um total de R$ 10,3 milhões para as duas candidaturas de Alckmin ao governo de São Paulo: R$ 2 milhões em 2010 e outros R$ 8,3 milhões em 2014.
R$ 10,3 milhões para as duas candidaturas de Alckmin ao governo de São Paulo
Embora o ex-procurador-geral Rodrigo Janot tenha solicitado a abertura de inquérito em abril e o ministro Edson Fachin tenha ordenado o envio de documentos para o STJ, responsável pelo julgamento de governadores, até o momento as investigações não foram iniciadas e aguardam, agora, a autorização da ministra Nancy Andrigui.

O que o governador disse: Desde que as acusações se tornaram públicas, o governador nega ter recebido doações por caixa dois.

2- Desvio de verba da merenda escolar:

A Operação “Alba Branca”, da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual de São Paulo, deflagrada em janeiro de 2016, investiga um esquema de fraude na compra de alimentos para merenda de prefeituras no interior de SP e do governo estadual. Segundo integrantes da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), que fizeram delação premiada, políticos tucanos, com cargos de confiança no governo do estado, cobravam propina de contratos feitos entre creches e escolas públicas de ao menos 22 cidades entre 2015 e 2016. O total desviado ainda é desconhecido, mas os delatores contaram que a taxa cobrada variava entre 5% e 25%. Entre os que teriam recebido propina no esquema estão: o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Fernando Capez (PSDB) e o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin, Luiz Roberto dos Santos, conhecido como Moita; entre outros.
“O Estado de São Paulo foi vítima no caso”
Em maio de 2016, foi criada uma CPI sobre o caso na Assembleia Legislativa de SP. A comissão, porém, encerrou os trabalhos em dezembro de 2016 sugerindo o indiciamento de 20 pessoas, mas sem responsabilizar nenhum político. A CPI da Alesp, no entanto, pediu o indiciamento de Moita.

O que o governador disse: Em seu novo site, inaugurado em outubro, Geraldo Alckmin disse que “jamais teve qualquer relação com as fraudes na compra de refeição de escolas”. O governador disse ainda que “o Estado de São Paulo foi vítima no caso”.

GUARULHOS, SP, 29.03.2016:  GOVERNO-SP - O governador Geraldo Alckmin durante visita as obras da Linha 13-Jade, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que ligará a capital ao Aeroporto Internacional de Guarulhos e terá 12,2 km de extensão. Geraldo Alckmin foi hostilizado devido a Operação Alba Branca, que investiga supostas fraudes em contratos de merenda em escolas estaduais. (Foto: Luciano Amarante/Folhapress)
Geraldo Alckmin é recebido por manifestação que questiona uso da verba de merenda durante visita à CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em março de 2016.
Foto: Luciano Amarante/Folhapress

3- A seca em SP:

Entre 2014 e 2015, São Paulo viveu uma das maiores secas de sua história e teve problemas com o abastecimento de água. Foi necessário utilizar água do chamado “volume morto” do Sistema Cantareira por 19 meses. Alckmin nunca fez um decreto oficial de racionamento, mas, em diversas áreas do estado, pessoas relataram dificuldades para utilizar água.
“Fomos administrando”
O governador só foi admitir o problema publicamente em janeiro de 2015, quase um ano depois do início da crise, durante entrevista coletiva: “O racionamento já existe. Quando a ANA [Agência Nacional de Águas] determina que você tem que reduzir de 33 para 17 [metros cúbicos por segundo a quantidade de água que é retirada das represas] no Cantareira, é óbvio que já está em restrição”.

O que o governador disse: Recentemente, em seu novo site, inaugurado em outubro, Alckmin disse que o governo enfrentou a seca sem fazer racionamento. “Foi a maior seca da história e não tivemos racionamento. Fomos administrando”, disse.

4- Escolas ocupadas:

Em setembro de 2015, o governo do estado anunciou a intenção de dividir os colégios estaduais de SP por ciclos de ensino. Assim, a maioria das unidades ofereceria aulas de apenas um dos três ciclos do ensino básico – anos iniciais (1º ao 5º) e finais (6º ao 9º) do ensino fundamental e ensino médio. Só que estudantes e professores foram contrários à medida, que implicava na transferência de cerca de um milhão de alunos, e ocuparam 196 escolas para protestar.

A PM foi acionada para desocupar algumas unidades e foram registrados vários  episódios de violência.

A Polícia Militar foi acionada para desocupar algumas unidades e foram registrados vários  episódios de violência. Após uma série de protestos, Alckmin decidiu suspender a reorganização das escolas e o então secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, deixou o cargo.

O que o governador disse: Ao suspender a iniciativa polêmica, Alckmin disse: “Entendemos que devemos aprofundar o diálogo. Isso fecha um ciclo que permite a gente ajudar no ensino infantil. Vamos dialogar escola por escola.”

Policiais conduzem estudante durante tentativa de desocupação
PMs “conduzem” aluno em tentativa de desocupação de escola estadual em São Paulo, em
dezembro de 2015. Estudantes ocuparam várias unidades em protesto contra medida do 
governo estadual.
Alice Vergueiro/Folhapress

5 – Restrição de acesso a dados públicos:

Em alguns casos, os documentos deveriam ficar restritos por 100 anos.

Em outubro de 2015, a Folha descobriu que o governo paulista havia classificado como “ultrassecretos” documentos do Metrô, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). Antes disso, o portal iG tinha obtido negativas semelhantes de acesso à informações da Sabesp e o jornal O Estado de São Paulo em relação a dados da Polícia Militar e da secretaria de Administração Penitenciária. Devido ao sigilo imposto, eles não poderiam ser consultados. Em alguns casos, os documentos deveriam ficar restritos por 100 anos.

O que o governador disse: Questionado à época sobre o caso do metrô, Alckmin disse que “se não houver nenhum risco para os usuários do Metrô, nenhum problema, vai ser tudo liberado”. Alguns dias depois da polêmica, ainda em outubro de 2015, Alckmin criou uma comissão para avaliar os documentos sob sigilo e revogou a classificação secreta dos documentos.

 6 – Suspeita de corrupção nos Trens e Metrô:

Em 2013, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) fez um acordo de leniência com a empresa alemã Siemens. As revelações da empresa motivaram uma investigação que resultou no caso que ficou conhecido como “cartel dos trens e do metrô”. Segundo o MPF, o cartel foi articulado entre 1999 e 2008, período dos governos de Mário Covas (que morreu em 2001) e também de Geraldo Alckmin (2001-2006) e José Serra (2007-2011), respectivamente.

Os fatos investigados, porém, abrangem um período maior. Além da Siemens, envolveu as empresas  Alstom, Daimler-Chrysler Rail, ADTranz, Mitsui e CAF. As suspeitas recaem em contratos de compra e de manutenção de trens e de linhas, além de construção de trechos das linhas 5-lilás e 2-verde do Metrô. Só em relação à obra linha lilás, a suspeita de desvio é de R$ 26 milhões. Desde 2014, já foram oferecidas 14 denúncias sobre o caso tanto no âmbito estadual como no federal. A mais recente é de junho deste ano e todas as ações são contra executivos. Até o ex-presidente da CPTM, Mário Manuel Seabra Rodrigues Bandeira, se tornou réu, embora negue as irregularidades. O envolvimento de políticos começou a ser investigado, mas foi arquivado no STF, em 2015, devido à falta de provas. Ainda não há condenações relativas a esses processos.

SÃO PAULO, SP - 17.10.2017: TRENS-SP - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, faz a entrega de mais dois novos trens para a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), para as linhas 7-Rubi e 11-Coral, na manhã desta terça-feira (17). (Foto: Charles Sholl/Raw Image/Folhapress)
Alckmin na entrega de novos trens da CPTM em outubro. A lista de denúncias de desvio de verbas e irregularidades é longa.
Foto: Charles Sholl/Raw Image/Folhapress

O que o governador disse: Quando a 14ª denúncia foi realizada, Alckmin disse que: “Uma licitação feita que teve grande participação, grande número de interessados, que o desconto foi mais de 30%, a CPTM prestará todos os esclarecimentos, mas tenho a impressão que a tendência é ser arquivada, não tem nenhuma razão para esse processo”. A Justiça, porém, aceitou a denúncia em 30 de junho de 2017 e instaurou um processo.

Juliana Dal Piva
No The Intercept
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Zucolotto, o advogado amigo de Moro, será convidado a explicar na CPI os “R$ 5 milhões por fora”

Zucolotto e Moro em show do Skank
Deputados e senadores que integram a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS estão reivindicando que na próxima semana seja convidado para depor o advogado do Paraná Carlos Zucolotto.

A CPMI ouviu ontem (30), por videoconferência, o depoimento do ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Durán. Os parlamentares consideraram graves as denúncias levadas pelo advogado, que está na Espanha.

Durán disse que o advogado Zucolotto, amigo e padrinho de casamento do juiz Sérgio Moro, pediu R$ 5 milhões “por fora” para conseguir aliviar a multa que teria de pagar, se firmasse acordo com a Operação Lava Jato.

Ele admitiu a deputados e senadores ter contratado profissionais da capital paranaense por ter sido aconselhado a colocar alguém que fosse “da patota de Curitiba” – dando a entender que podem existir acordos entre as bancas de advocacia daquela capital e a equipe da Lava Jato. “São graves os fatos e queremos ouvir a versão de Zocolotto”, disse o deputado Paulo Teixeira (PT-RS).

Tacla Durán evitou falar, durante seu depoimento, na mulher do juiz federal Sérgio Moro, Rosângela Moro, do escritório de advocacia de Zucolotto, que foi contratado por Duran, e disse que nada tem contra o magistrado. “Apenas acho que ele (Moro) tomou atitudes exageradas que me prejudicaram”.

Durán afirmou que os documentos de sua defesa que deveriam ter sido assinados pelo escritório nos autos do processo tiveram o nome de Zucolotto e da equipe retirado dos autos. E confirmou ter recebido uma proposta do advogado paranaense para que os pagamentos dos honorários advocatícios tivessem uma parte feita “por fora”, o que deu a entender, a seu ver, que se tratava de uso de recursos para um possível caixa 2 ou pagamento a terceiros.

Ao final da reunião da CPMI, também o deputado Wadih Damous (PT-RJ) pediu a palavra para denunciar o que chamou de “ataques” que têm sido feitos por integrantes do Ministério Público a ele e outros parlamentares da comissão. “Não deixarei passar em branco nem ameaças nem ironias feitas por redes sociais por membros do Ministério Público”, declarou.

Damous se dirigida à procuradora Monique Cheker, autora de uma nota no Twitter o criticando e dizendo que ele teria afirmado que os procuradores não deveriam ter autonomia funcional.

“Jamais disse isso, mas continuo afirmando que há um exagero na autonomia dos membros do MP. Quem tenta distorcer a afirmação de alguém está mentindo”, destacou o parlamentar.

Os integrantes da CPMI também destacaram que querem descobrir, daqui por diante, quem é o suposto técnico de Tecnologia de Informação da Odebrecht que desconectou o sistema interno da empresa, com documentos que segundo Tacla Durán, foram fraudados. O advogado disse não ter conhecimento de sobrenome nem contatos, mas sabe ser alguém chamado por Sebastião.

“Vamos agora tentar descobrir quem é o Sebastião e qual o seu envolvimento na modificação de documentos da Odebrecht”, afirmou Paulo Pimenta.

A oitiva durou mais de três horas e resultou em várias declarações que chamaram a atenção. Entre elas, a de que documentos entregues em delação premiada por executivos da Odebrecht foram adulterados e a confirmação de que a empresa realizou um grande encontro com seus executivos para acertar o que iriam dizer e como dizer em seus depoimentos nas delações homologadas (77 ao todo).

No DCM
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O povo não vive nas manchetes de jornais

Há dias seguidos, os jornais tem nos trazido notícias favoráveis ao governo. A economia cresceu e o desemprego caiu.

Não.

Manipulação da informação.

A economia, na verdade, vem caindo desde a injeção de R$ 40 bilhões com a liberação das contas inativas do FGTS. O crescimento do trimestre que se encerrou em setembro de 2017 foi de apenas 0,1%. Para se avaliar o grau da queda, basta dizer que no trimestre anterior o crescimento tinha sido de 0,7%. E que após a liberação das contas, houve um salto de 1,3% do PIB no primeiro trimestre de 2017. Com tudo isso, o crescimento do PIB esperado para o ano de 2017 deve ficar em torno de 0,7% – ou menos.

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Anos atrás e os jornais estariam ridicularizando o governo com o termo “pibinho da Dilma”. Hoje comemoram o “fim da recessão”.

Pelo menos, nas manchetes.

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Quanto ao desemprego, a palavra “recuou” esconde um engodo, considera a diferença entre trimestres e não a taxa anual. Considerando o período de 12 meses, o desemprego aumentou de 11,8% para 12,2%. Houve um aumento de 698 mil pessoas desocupadas. São hoje quase 13 milhões.

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E, ainda assim, o “recuo” 0,6 pontos percentuais no índice de desemprego trimestral – no trimestre que se encerrou julho de 2017, o desemprego havia sido de 12,8% – se deu em postos de trabalho informais – 7 em cada 10 não têm carteira assinada.

A manipulação da informação não é novidade na imprensa nacional. Nos governos do PT, um maluco somou as crianças de mais de 10 anos de idade com os velhos de 65 ou mais e as donas de casa que não tralhavam para “provar” que a taxa de desemprego de 4,5% era mentirosa.

Pois bem, a pergunta é: a quem enganam? Somente aos que se autoenganam.

Mas não ao povo.

Divulgada a pesquisa IBOPE de dezembro de 2017 sobre a percepção da economia e o que temos é um brasileiro desesperançado no futuro próximo. Enquanto, no final de 2016, cerca de 70% dos brasileiros esperavam um 2017 melhor – o brasileiro de então nunca desistia – hoje, 56% dos entrevistados creem que 2018 será igual ou pior a 2017.

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E 76% acham que 2018 ou não trará prosperidade ou será de maior dificuldade econômica.

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Esse é o povo que não precisa de ler manchete para entender o que se passa com seu bolso e concluir quem é o responsável por isso. Porca vita, porca miséria, governo ladro!

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Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia
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