28 de nov. de 2017

Senado fará audiência sobre máfia do futebol, Globo inclusive, a pedido de Lindbergh


A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática aprovou, nesta terça-feira (28), requerimento do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) de realização de audiência pública sobre denúncias de que a TV Globo teria, por meio do pagamento de propinas a dirigentes do futebol brasileiro e internacional, atuado para obter a exclusividade na transmissão de grandes eventos esportivos.

Lindbergh propõe que sejam convidados para a audiência o executivo Marcelo Campos Pinto, ex-diretor da Globo Esportes, e um representante do Grupo Globo.

O senador argumenta que caso sejam comprovadas as denúncias que estão sendo investigadas no âmbito da Justiça norte-americana, a atuação da emissora teria provocado distorções no mercado, prejudicando de forma desleal a concorrência, afetando ainda outros setores econômicos ligados a esse mercado.

“Este caso está tendo repercussão internacional, a partir de acordo de delação premiada feito pelo executivo argentino Alejandro Burzaco na justiça norte-americana. A Globo teria pago, junto com a Televisa (grupo de comunicação mexicano) e a TyC (grupo de comunicação argentino do qual o delator foi executivo), U$ 15 milhões de dólares em propina para transmitir as Copas de 2026 e 2030”, aponta Lindbergh no requerimento.

No caso da Globo, o acordo envolveria, segundo Burzaco, a exclusividade na transmissão destes eventos para o Brasil.

O senador também menciona que, segundo o depoimento de Burzaco à justiça dos EUA, a Globo teria conseguido, ainda por meio do pagamento de propinas, os direitos de transmissão da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana por cinco anos seguidos. Burzaco vem colaborando com a justiça norte-americana como testemunha de acusação nas investigações envolvendo o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, que encontra-se em prisão domiciliar em Nova York (EUA).

O caso é investigado lá porque ele e outros dirigentes do futebol brasileiro e mundial utilizaram bancos e empresas norte-americanas para movimentar dinheiro.

TV Globo nega

Por meio de nota oficial divulgada no dia 15 de novembro, o Grupo Globo nega ter efetuado pagamentos fora do âmbito contratual nas negociações de transmissão de eventos esportivos. Afirma ainda que após dois anos de investigações, não é parte de qualquer processo judicial e que encontra-se à disposição das autoridades norte-americanas para que os fatos sejam esclarecidos.

No Viomundo
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Fifagate: investigações fecham cerco a Ricardo Teixeira

Ricardo Teixeira: cerco se fecha para o ex-presidente da CBF
Em 2016, o FBI enviou uma nota à Polícia Federal brasileira alertando que Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, havia viajado em um jato privado da CBF para um paraíso fiscal no Caribe. Na lista de convidados no voo, porém, aparecia o nome de outro brasileiro, desconhecido das autoridades: Murilo Ramos. Agora, com a cooperação da França, os norte-americanos descobriram que Ramos era, de fato, um dos representantes do banco Pasche, usado por Teixeira em Mônaco e instituição suspeita de ter sido usada para receber propinas do Qatar para a Copa do Mundo de 2022.

Murilo Ramos atuava no Rio de Janeiro em uma espécie de representação do banco de Mônaco. Ele garantiu ao Estado que jamais entrou no voo citado pelo FBI. Mas o caso revela o papel da cooperação internacional no cerco que está sendo feito a Ricardo Teixeira.

Atualmente, o ex-dirigente está na mira da Justiça francesa, do FBI, de Andorra, do Brasil, da Suíça e da Espanha. Em cada uma das jurisdições é alvo de inquéritos sobre diferentes aspectos de sua gestão na CBF. Mas, segundo investigadores, as operações identificadas mostram ampla sofisticação e o quebra-cabeça começa a se compor graças à cooperação entre diferentes países.

Na Espanha, Ricardo Teixeira é suspeito de ter montado uma organização criminosa para desviar recursos dos amistosos da seleção brasileira. O esquema foi descoberto depois que passou a contar com a cooperação do Ministério Público de Andorra, que obrigou os bancos locais a apresentar os dados sobre as transações do brasileiro. Agora esse processo será transferido ao Brasil para que Teixeira possa eventualmente ser processado no País.

Nos Estados Unidos está sob análise o contrato que ele assinou com a Nike, além de propinas que teria recebido em troca de direitos de transmissão para torneios nacionais. O inquérito, nesse caso, tem a colaboração da Suíça, onde pelo menos três contas bancárias ligadas a ele foram descobertas.

A suspeita é de que Ricardo Teixeira seja o elo entre o Catar e o pagamento de propinas entre dirigentes, em 2010, com transferências a partir de Mônaco direcionadas a Nicolás Leoz, Jack Warner e Mohamed Bin Hammam, todos ex-cartolas da Fifa banidos do futebol. Esses dados, por sua vez, estariam com a Justiça francesa, que colabora com o FBI e a Justiça brasileira para fechar o cerco.

O que fica claro pelas investigações é que Ricardo Teixeira contou com a ajuda dos próprios bancos para escapar de um controle maior. Em entrevista ao Estado, a ex-gerente de contas do banco Pasche, Celine Martinelli, revelou que tinha ordens de seus superiores para esconder nos documentos oficiais os cargos de Teixeira no futebol e omitir qualquer relação que pudesse chamar a atenção das autoridades. Ela afirma que se recusou a assinar um crédito para o brasileiro nestas condições.

Obstáculo

Um dos obstáculos nas investigações, porém, é o Brasil. Decisão de uma juíza federal do Rio de Janeiro, em 2015, proíbe o MPF de trocar informações sobre o ex-cartola com a Justiça norte-americana. O MPF entrou com um recurso e aguarda uma decisão do STF.

Mesmo assim, uma das revelações da troca de informações pode ainda respingar na atual gestão da CBF. Em um e-mail da direção da instituição a um hotel de luxo em Montecarlo em 2014, por exemplo, solicita-se duas reservas de quartos. Uma em nome de Ricardo Teixeira e outra em nome de Murilo Ramos, que já não trabalha mais no banco.

Ao Estado, Murilo Ramos confirmou que trabalhou nesta posição e que, por Ricardo Teixeira ser cliente do Pasche, era "obrigado" a receber o ex-cartola para falar de suas aplicações e opções de investimentos. Mas insiste que a conta foi aberta antes de sua chegada ao banco e que a decisão não partiu dele.

Murilo Ramos também aparece em uma lista que, em 2016, o FBI passou à Polícia Federal sobre um voo do jato privado da CBF entre os Estados Unidos e o Rio de Janeiro. A informação consta em um relatório paralelo que o presidente da CPI do Futebol, o senador Romário, preparou no ano passado. No jato estava Ricardo Teixeira, mesmo que já não ocupasse o cargo de presidente da entidade. A aeronave, entretanto, fez uma escala em um paraíso fiscal do Caribe, antes de seguir viagem ao Brasil.

"As informações partilhadas com a Polícia Federal, ressalte-se produzidas pelo Federal Bureau of Investigation - FBI, confirmam que o Cessna 680, prefixo PPAAD, chegou a Orlando, Flórida no dia 31 de janeiro de 2014, vindo de Boa Vista, Brasil (SBBV), com dois tripulantes, Giulio Munhões Marchetti e Sérgio Ferreira Siqueira", disse o relatório. "Segundo o FBI, a mesma aeronave saiu de Opa Locka, Flórida, no dia 10 de fevereiro de 2014, com os mesmos dois tripulantes e os seguintes passageiros: Murilo Ramos, Ricardo Terra Teixeira e sua filha Antonia Wigand Teixeira, com destino a Barbados e rota final Rio de Janeiro".

Murilo Ramos, porém, garante que jamais entrou em um avião ao lado de Ricardo Teixeira. Na ocasião do voo citado, diz que de fato estava nos Estados Unidos no mesmo período que o ex-presidente da CBF e que teria tido o seu voo de linha cancelado para retornar ao Brasil. Segundo ele, um convite havia sido feito para que embarcasse no jato privado. Mas ele teria recusado. Ramos garante ter comprovantes da Anac de que ele não estava na aeronave e que comprou um outro bilhete por outra empresa aérea.

A CPI, com ou sem Murilo Ramos no voo, apontou que existem "provas cabais quanto ao uso de aeronave vinculada à Confederação Brasileira de Futebol em viagens, por demais suspeitas, para países considerados verdadeiros paraísos fiscais, notadamente, Barbados".

"As circunstâncias de uma aeronave oficial da CBF voar para Barbados sem qualquer justificativa e, principalmente, com o conveniente desconhecimento de Marco Polo Del Nero, conforme depoimento prestado à CPI, salvo melhor juízo, confirmam a tese de que o jato da entidade vem servindo para transporte de valores ocultos à fiscalização da lei, o que configura crime contra o sistema financeiro nacional (Lei 7.492/86), contra a ordem tributária (Lei 8.137/90), e de lavagem de dinheiro (Lei 9.613/98)", completou a CPI.

A defesa de Ricardo Teixeira insiste que a conta é declarada e que nela estão recursos "absolutamente lícitos". O banco Pasche não retornou os pedidos de esclarecimento feitos pelo Estado desde a semana passada.


No R7
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O Ministério Público virou abrigo de verdugos a buscar aplauso de uma gentalha embrutecida

Imagem do vídeo da Globo, com Rosinha e Adriana



Sem mais, nem menos, eis que o programa “Fantástico” da Rede Globo exibe imagens de Sérgio Cabral e Garotinho, ex-governadores do Rio de Janeiro, na prisão em que se encontram. Presos estão, sem culpa formada, porque seriam, ao ver de juízes deformados pela tal “opinião pública”, tão perigosos quanto Hannibal Lecter, o assassino serial engaiolado no filme “O silêncio dos inocentes”.

As imagens dos políticos preventivamente presos teriam sido obtidas com apoio imprescindível de membros do Ministério Público do Rio de Janeiro, aquela mesma instituição que convidou Kim Kataguiri para palestrar sobre “bandidolatria”. Desviaram-se criminosamente de sua função de fiscalizadores da execução penal para exporem a intimidade de pessoas presas preventivamente.

Há algo de muito doentio com nossas instituições persecutórias, aí incluído o judiciário com competência penal, porque há muito deixou de ser isento para comungar, com o ministério público e a polícia, a cosmovisão falso-moralista e punitivista. Hoje, quem cai nas garras dessa troika, que não espere justiça. Não espere imparcialidade.

Saiba que corre o risco de ser exposto, junto com sua família, à execração pública, conduzido de baraço e pregão diante das câmeras  de televisão. Pouco interessa se o caso contra si é frágil ou forte; a gravidade da acusação que pesa é medida pela audiência que possa ser atraída, composta de um público cúpido em se deleitar com a desgraça alheia. Se o suspeito exposto é uma personalidade pública, a audiência vai ao delírio, para regozijo da mídia e, sobretudo, dos meganhas travestidos de juízes, promotores e investigadores.

A schadenfreude virou sentimento legítimo. Nunca, depois do iluminismo, se festejou tanto, nestas terras, o suplício exposto de alvejados pelo sistema persecutório, quanto nos dias atuais, em tempos de Lava-Jato. Falta só amarrá-los na roda e esquartejá-los em praça pública. E a massa celerada ovaciona o ministério público que lhe proporciona tamanho show.

Pouco lhe interessa que o próximo a cair nas malhas dessa instituição sem freio e sem critério pode ser cada um daqueles que ali estão em espasmódico orgasmo de ira descontrolada. Porque, para virar alvo de promotores ou procuradores falso-moralistas e redentoristas, basta estar no lugar errado, na hora errada.

E, em tempos de Lava-Jato, os Dallagnóis da vida assumem abertamente que “sem exposição” não seria possível responsabilizar os alvos de sua sacrossanta operação. Na falta de provas, de argumento técnico, o delírio das massas legitima a repressão.

Por isso anunciam, para sua audiência de sádicos, que 2018 será o ano da “batalha final” da Lava-Jato, um clímax imperdível, a coincidir com as eleições gerais e, claro, com prometido potencial de influenciá-la em proveito de quem, por juizecos e promotorecos, são tidos como merecedores da confiança popular.

Não escondem que o teatro sórdido montado contra personagens de visibilidade tem finalidade política. Depois de terem virado heróis nacionais por força de midiática atuação à margem da Constituição e das leis processuais, querem se assenhorar do Estado como um todo, avalizando, ou não, quem se candidate a cargo eletivo. Cria-se, assim, o index personarum prohibitorum do ministério público.

Resta-nos prantear essa instituição, que traiu sua mui promissora missão constitucional de promotora dos valores democráticos e dos direitos fundamentais, para se tornar um cínico verdugo a buscar aplauso de uma gentalha embrutecida, sem escrúpulos. Tudo em nome de um primitivo conceito de moralidade que não se sustenta diante dos abusos cometidos, da ambição desmedida e da ganância por desproporcionais vantagens pela função mal e conspiratoriamente exercida.

Triste fim do ministério público a que pertenci em atividade com tanta honra. Vulgarizou-se. Amesquinhou-se. Tornou-se um trambolho, um estorvo para as forças democráticas deste país. Gordo e autossuficiente, deleita-se no seu bem-estar, sem preocupação com milhares de brasileiras e de brasileiros impactados pela baderna política e econômica que causaram; brasileiras e brasileiros que não moram no Lago Sul de Brasília, não moram em Ipanema ou no Leblon do Rio de Janeiro e nem nos Jardins de São Paulo.

Não têm recursos para planos de saúde eficientes que nem o Plan-Assiste do Ministério Público da União e nem para colocar filhos em escola privada. Será que os promotorezinhos e os procuradorezinhos pensam que essa população se alimenta de blá-blá-blá moralista? Acabaram os empregos, acabaram-se os direitos — “MAS temos o combate à corrupção!” É esse discurso que vai encher a barriga dos que foram esmagados pelo golpe do “mercado” e de seus interesseiros lacaios? Não acredito…

Um ministério público que precisa de aplauso para trabalhar descarrilhou. A repressão penal, lembra Foucault, por tangenciar perigosamente os fundamentos do Estado democrático de Direito e toda nossa autocompreensão civilizatória, precisa ser levada a efeito, em nossos dias, com discrição e até certa vergonha. Porque se houve grave lesão a bem jurídico fundamental, foi todo o sistema de prevenção que falhou. Falhou a educação, falhou a vigilância, falharam os legisladores e falhou a própria justiça que não soube cumprir seu papel de exemplo.

Claro que é muito mais fácil apontar para um culpado e extirpá-lo para deleite de um público que se diz ofendido, do que perquirir as causas do comportamento desviante e propor medidas concretas para seu enfrentamento, que não seja mais repressão midiática. Mas, preguiçoso trabalha dobrado.

A sociedade que se contenta com o atalho da persecução penal e festeja seus verdugos não superará seus vícios, mas afundará na barbaridade e na ignorância e, por isso, será o terreno fértil para aproveitadores inescrupulosos.

A corrupção não diminuirá, apenas se organizará para driblar os falso-moralistas. E um dia inexoravelmente cairá a máscara desse ministério público que nada fez a não ser barulho e tanto nos envergonha. Trabalharemos dobrado para nos desvencilharmos desse trambolho e enfrentarmos seriamente a tal corrupção.

Eugênio Aragão
No DCM
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Globo demitiu o filho do Roberto Marinho?

Vice-presidente Jorge Nóbrega será o novo presidente?

O coveiro de fraque
O amigo navegante sabe que o Conversa Afiada dispõe, entre infalíveis informantes, de um especialmente afiado: o Valdir Macedo!

O Valdir Macedo está convencido de que a Globo Overseas se cansou da infinita incompetência de seu presidente executivo, o filho mais velho dos filhos do Roberto Marinho, e teria decidido demiti-lo.

Iria para o lugar o atual Vice-Presidente executivo e membro do Conselho de Administração, Jorge Nóbrega.

Ele já manda em tudo.

Menos nos jornalistas e nos artistas.

Agora, passaria a mandar em tudo.

Ele já é uma espécie de "tutor" dos netos do Roberto Marinho.

Ele tem a fama de ser um administrador do tipo "suave", sereno, mas implacável.

Vai passar a faca nos artistas e nos jornalistas - se a informação do Valdir se confirmar.

O anúncio oficial deve ser feito antes do Natal.

O que seria, para artistas e jornalistas, o mesmo que enviar um peru envenenado para receber Papai Noel.

Nóbrega terá o desafio de fechar a Globo Overseas com o mínimo de sequelas, diante da iminente condenação de todos membros da máfia da Globo na FIFA.

Nóbrega entende de finanças e sabe que, no primeiro trimestre do ano que vem, a soma de Google com Facebook já terá mais anúncios que a Rede Globo: o Google vai googlar a Globo.

Nóbrega sabe que o "negócio" fundamental da Globo - produzir entretenimento e jornalismo em troca de publicidade - começa a dar prejuízo a partir do primeiro trimestre do ano que vem.

A Globo vai viver de gordura (de lucros passados), da receita (declinante) com a tevê por assinatura e dos juros de suas aplicações financeiras.

(Por isso ela e a Cegonhóloga defendem com tanto entusiasmo a "reforma" da previdência: para sobrar dinheiro e o Meirelles pagar os juros dos rentistas...)

Nóbrega será o "coveiro de fraque"...

Como diz aquele amigo navegante: o direito de herança enterrou o PiG!

Não é isso, Otavím?

Não é isso, Johnny Saad?

Hein, Sílvio?

Não foi isso, seu Victor Civita?

PHA
No CAf
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Curta Mulheres 02


Antonieta de Barros (1901-1952) foi professora, cronista e feminista. Em 1935, tornou-se a primeira mulher negra a assumir um mandato popular no país. O curta documental da cineasta Flávia Person, de Santa Catarina, emociona e informa. Com vocês, o segundo filme do projeto Curta Mulheres, que traz um curta-metragem por semana ao longo de 12 meses. Todos dirigidos por mulheres nos últimos cinco anos. São, ao todo, 52 filmes de diretoras de todo o país. Apoie as minas: assista, indique, compartilhe.



Direção: Flávia Person • SC • 2016 • p&b • 15 min. • Documentário.

Depois de dois anos do lançamento, “Antonieta”, de Flávia Person, uma produção da Magnolia Produções e da OMBU, já foi visto por milhares de pessoas e participou de 32 festivais e mostras no Brasil, México, Ucrânia, Uruguai, Espanha, Argentina, África do Sul, Equador, Colômbia e China. Recebeu também o prêmio de melhor curta-metragem no REcine 2017 – Festival Internacional de Cinema de Arquivo.

E agora a história de Antonieta vai alcançar muito mais pessoas! A partir de amanhã vai poder ser visto gratuitamente, na íntegra, no Hysteria, uma plataforma de conteúdo criada e produzida por mulheres, dentro da Conspiração Filmes, que busca estimular a presença feminina na direção audiovisual.

O filme foi convidado a ser o segundo curta dirigido por uma mulher a estar na plataforma. Ao todo, serão 52 curtas. O lançamento acontece também neste Mês da Consciência Negra. Nosso agradecimento a tod@s que acompanharam várias etapas desta história e que agora vai ainda mais pro mundo. Viva Antonieta viva!

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Dayane de Andrade, a “socialite Day McCarthy”, foi presa nos EUA e fichada por “manter ou frequentar casa de prostituição”


Dayane Alcântara Couto de Andrade, a “Day McCarthy”, que xingou de “macaca” a filha de 4 anos dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, se apresenta nas redes como “socialite e escritora de sucesso”.

É uma fraude entre tantas.

Dayane foi em cana nos EUA. Segundo o jornal Regional Inquirer de setembro de 2015, ela morava nos arredores do condado de Henrico, na Virgínia.

Foi detida depois de ter sido denunciada por vários crimes. Em sua ficha policial, aparece como “mantenedora ou frequentadora de prostíbulo” — “Bawdy Place”, em inglês.

“Bawdy Place” é qualquer lugar dentro ou fora de um edifício que é usado para a prostituição.

Na Virgínia, a polícia tem voz de prisão para pessoas que se prostituem em esquinas, motéis ou mesmo em suas casas ou apartamentos.

No DCM

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Crônica: Juiz achado na rua


Sem dúvida, a formação dos juízes deve ser humanística e para isso eles precisam sair de seus gabinetes, ainda que os muros virtuais de processos tentem impedir. O juiz precisa sentir como a vida acontece nas ruas!
A frase era lançada pelo último juiz palestrante, no curso para formadores da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados que ocorria no chuvoso novembro brasiliense. Uma afirmação certeira, mas que não deixava de soar um pouco contraditória para mim.

Estávamos em um anfiteatro moderno, com acústica adequada, climatização perfeita e poltronas estofadas, acesso à internet, café, suco, água e acepipes à disposição. Lembrei, enquanto digitava anotações em meu notebook, que poucos dias antes eu havia estado em uma unidade prisional, para fiscalização ordinária. Na ocasião a temperatura era de 37 graus centígrados, mas a sensação dentro das galerias alcançava os 44 graus, no limite do suplício.

Ao adentrar pelos corredores de cimento batido em direção ao pátio central, fui me informando com os agentes penitenciários, que suavam às bicas, assim como eu, sobre um preso, jovem de 25 anos, que no local havia sido morto. Fora enforcado, num acerto de contas ainda em investigação pela polícia e que comprovava a falência do sistema. Esse fato, aliado a uma tentativa de fuga no dia anterior me fez escolher aquele pavilhão para inspecionar, porque com minha presença eu poderia não só avaliar o clima, mas também mostrar que me importava com a situação carcerária. A decisão, de quando e em quais lugares se deve pisar dentro da prisão é sempre difícil.
Todo juiz da execução penal que entra num presídio ou numa penitenciária por este país sabe que de uma forma ou de outra vai encontrar ilegalidades e condições indignas de vida, em maior ou menor grau, mas vai encontrar.
Além disso presenciará a precariedade de trabalho dos agentes penitenciários. Isso incomoda, porque como juiz ele terá o dever de agir, essa sua função, encaminhando requisições, demandando junto ao governo e até mesmo representando perante as autoridades responsáveis para que medidas urgentes sejam tomadas, no mínimo para reduzir a gravidade da situação.

Ciente desse meu dever, rumei para o pavilhão em questão. A construção era a mais antiga do complexo e continha um amontoado de gente. Sim, um amontoado, porque mais de 100 detentos onde a capacidade é de um terço disso, só pode ser um amontoado. Em razão da tentativa de fuga, algumas galerias estavam sem pátio de sol e os detentos permaneciam 24h fechados. Sobre isso eu havia conversado prévia e separadamente com o diretor e alertado para a previsão legal, observando que o pátio de sol devia ser retomado imediatamente, ao que ele concordou.

Logo que cheguei no centro do pavilhão e os detentos me viram, a maior parte se dirigiu para as grades para comigo falar. E com eles falei. Mais, distribuí folhas e canetas para que cada um pudesse colocar no papel seu próprio pedido.

Entre eles descobri um preso com aqueles ferros e parafusos de acidentados numa das pernas e que estava detido fazia 11 meses, sem atenção médica e sem que a prisão houvesse sido comunicada ao juiz processante, o que mais tarde naquele mesmo dia foi feito e ensejou na imediata soltura. O estagiário que me acompanhava estava agitado, sendo chamado simultaneamente por alguns detentos. Eu o coloquei ao meu lado e disse que todo e qualquer pedido seria direto comigo e que ele apenas anotaria, sempre sob minha ordem.

Os detentos compreenderam e o tempo foi passando. Então, enquanto tirava dúvidas, mais atentamente comecei a perguntar como e quantos presos viviam nas celas. As respostas foram óbvias. Mas mais do que os detentos me diziam meus olhos é que me mostravam. Vi aqueles seres humanos confinados em úmidos calabouços, sem ventilação e camas suficientes, com colchões e espumas dispostos pelo chão e em cantos escuros, todos na espera de melhor sorte de destino, já sem ilusões.

Mantendo a serenidade, que jamais poderia me faltar, novamente fiquei face à face com o abismo, olhei para o abismo e o abismo me olhou. O que estávamos fazendo?! Que juiz era eu que não conseguia obrigar o estado a aplicar a lei de execução penal, a Constituição Federal? O que mais poderia eu fazer?

Pensando sobre isso tudo, voltei a prestar atenção na palestra na Capital Federal. Sim, era preciso que os juízes fossem para a rua, era preciso que eventos como aqueles fossem feitos na rua, nos centros de associações comunitárias, nas praças, em ocupações, nas prisões.

Nestes tempos de retrocessos nas garantias constitucionais, em que são cada vez mais frequentes autoridades que não cedem em nada, num orgulho típico de cavaleiros de Castela, ao ponto de colocar em risco todas as conquistas cidadãs, há muito que estudar, formar e aperfeiçoar.

Não estamos no fim, nem no começo do fim, talvez estejamos no fim do começo. A rua nos espera.

João Marcos Buch é juiz de direito da Vara de Execuções Penais de Joinville/SC.
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Irmãos Koch compram a Time Inc

Venta de Time alerta sobre los cambios políticos y económicos en los medios estadounidenses


La venta de Time Inc., dueña de una de las más emblemáticas publicaciones de Estados Unidos, muestra las desventuras de los medios impresos y genera dudas para la industria de las noticias en la era Trump.

En un acuerdo anunciado el domingo, Meredith Corp. editor de publicaciones como Better Homes and Gardens, acordó pagar 2.800 millones de dólares por Time y otras famosas revistas; entre ellas People, Fortune y Sports Illustrated.

El acuerdo está respaldado por los multimillonarios hermanos Charles y David Koch, conocidos por apoyar causas y candidatos conservadores y viejos antagonistas de los principales medios.

Los 650 millones de dólares vertidos por la sociedad Koch Equity Development (KED) fueron definidos como una inversión “pasiva”, según Meredith. KED no estará representada en la junta directiva ni tendrá injerencia editorial o gerencial, dijo Meredith.

El respaldo de los Koch generó inquietud, pues muchos temen que conservadores adinerados deciden financiar organizaciones de medios para alejarlos de lo que algunos consideran prejuicios izquierdistas.

“Los medios son una inversión horrible y si vas a hacerte cargo lo haces por razones que van más allá de las ganancias”, dijo Jeff Jarvis, ex periodista de Time y profesor de nuevos medios en la City University de Nueva York.

Jarvis dijo que no se opone a que conservadores inviertan en medios pero sostuvo que los Koch “parecen ser más propagandistas que periodistas”.

Charles Alexander, ex editor de Time, escribió en Nation que los Koch vertieron mucho dinero en campañas de negación del cambio climático y dijo temer porque eso sofoque la cobertura de ese tema.

Alexander dijo que multimillonarios con negocios incluyen gasoductos, energía, ganado y papel, entre otros, han “financiado una campaña de desinformación que busca convencer a la gente y a los políticos de que el cambio climático es algo que no debería preocupar”.

Angelo Carusone, presidente del grupo izquierdista de seguimiento de medios Media Matters for America, dijo dudar que la familia Koch se comporte pasivamente. “Eso yo no lo compro”, dijo Carusone. “¿Porqué habrían de invertir?. Ellos no respetan al periodismo. Odian a los medios”, afirmó.

El acuerdo entre Meredith y Time llega en medio de escaramuzas sobre la cobertura de la actualidad política en Estados Unidos.

Coincide, además, con un esfuerzo de Washington por relajar las medidas contra la concentración de medios. Críticos de la Casa Blanca dicen que están pensadas para favorecer a un amigo del presidente Donald Trump que busca comprar canales de televisión en estados en donde posee periódicos.

Trump, entretanto, está en guerra contra lo que llama “noticias falsas” de CNN y la semana pasada dijo haber rechazado su nominación como “Persona del Año” por Time; cosa que fue desmentida por la publicación.

“Será interesante ver quien es la ‘Persona del año’ el año que viene”, dijo Rebecca Lieb, analista de medios de Kaleido Insights.

Añadió que Time Inc. “necesitaba un rescate” pero indicó que no está muy claro como hará Meredith para revivir las revistas. “Esto es similar al acuerdo de (Rupert) Murdoch con The Wall Street Journal, cuando (el magnate) dijo que el periódico no sería influenciado por sus posiciones políticas”, evocó.

“De hecho colocó allí a sus representantes y el diario cambió significativamente su cobertura”, afirmó.

Dan Kennedy, profesor de periodismo de la Northeastern University dijo que uno de los he rmanos Koch integra la directiva de un canal de TV de Boston y ahí mostró “saber como actuar con responsabilidad”.

“Lo realmente triste de esto es que (el grupo) Time Warner optó por separarse de Time Inc. (en 2014) para concentrarse es sus negocios rentables y dejó a las revistas en un iceberg que se derrite”, añadió.

Samir Husni, académico de la Universidad de Mississippi, dice no ver motivaciones políticas en el negocio.

“Es como lo que pasó con los diarios en los 70 y en los 80. La misma consolidación ocurre ahora con las revistas”, dijo.

Para Husni “aún se puede hacer mucho dinero con las revistas” en tanto las empresas sepan adaptar el modelo de negocios en el papel y en lo digital.

Los Koch, dijo, “no son tontos” y no habrían invertido dinero sin tener expectativas de ganar.

No Cuba Debate
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Pedro Cardoso ensina a profissionais da comunicação o que é consciência de classe

O vídeo que mostra o ator Pedro Cardoso se recusando a participar de entrevista do programa “Sem censura”, da EBC, imediatamente se converteu no top of mind do momento. Também pudera. Em tempos sombrios, habitados por discursos conservadores, que destilam ódio e outros que tais, a posição de Cardoso é um oásis em meio a um cenário de terra arrasada. Nesta quadra terrível da nossa história, as declarações do ator foram vistas como uma voz fresca tal como o orvalho primaveril. Serviu de alento e esperança.


Pedro Cardoso nos ensina que nem tudo está “dominado” pela ignorância agressiva, expressão do escritor Salman Rushdie, e que a insurreição pode surgir de diferentes focos. A decisão do ator é ainda mais instrutiva para os profissionais da comunicação: muitos dos nossos colegas, principalmente os que atuam na TV, não se sentem integrantes de uma categoria profissional, mas sócios fundadores das empresas em que trabalham. Alçados à condição de celebridades/personalidades públicas, consideram que questões “comezinhas” como reivindicação por melhores condições de trabalho e de salário não é com eles, já que (alguns) ostentam remuneração astronômica. Para estes poucos, a posição do empregador/patrão é inafrontável.


Sabemos o quanto o espaço televisivo, e, por extensão, todos os suportes visuais, conferem uma aura estelar aos que nele operam. No Brasil, onde a TV se impôs como a grande máquina de produção dos discursos públicos, como o meio de comunicação de maior alcance, dar visibilidade às tensões internas do veículo tornou-se um interdito.


Ao desertar do estúdio da EBC e, ato contínuo, se perfilar aos grevistas no Rio de Janeiro, Pedro Cardoso pôs em cena os problemas de uma categoria profissional, solidarizando-se com aqueles que suspenderam suas atividades em protesto à proposta da empresa de congelamento dos salários, retirada de direitos e corte de benefícios do Acordo Coletivo de Trabalho 2017/2018 (jornalistas e radialistas retornam ao trabalho nesta segunda, 27). De lambuja, o ator fez duras críticas aos comentários racistas do diretor Laerte Rimoli, diretor presidente da EBC, direcionados à atriz Taís Araújo.


Este episódio nos leva a pensar nas rotinas de produção de trabalho jornalístico, nos bastidores da produção da notícia, ofuscados pelo glamour da cena do visível que tenta apagar a precarização que atinge todos os setores da profissão. A insurgência de Cardoso reclama para o o universo da comunicação e suas habilidades profissionais que conservem algumas de suas vértebras.


Numa fase de turbo capitalismo em que a imprensa como negócio (configuração que ganhou contornos definitivos desde 1875) abriu mão de se dirigir ao público e preferiu as audiências, é preciso lembrar que jornalismo na TV não é feito apenas por apresentadores sorridentes, carismáticos e atraentes que esculpem a vida cotidiana com tintas suaves, nos alimentando com doses suportáveis de realidade. Por trás e além deles, há dezenas e até centenas de pessoas laborando pelo trabalho informativo, expostas a toda sorte de exploração.


Rosane Borges, é jornalista, professora universitária e autora de diversos livros, entre eles “Esboços de um tempo presente” (2016), “Mídia e racismo” (2012) e “Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro” (2004).
No Jornalistas Livres

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Pimenta: Será que a Globo vai ter coragem de colocar câmera na cela do Ricardo Teixeira?


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Documentário: o suicídio de Reitor Cancellier e o ferir a lei em nome da lei

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“Decepcionado” com Aécio, Huck aceitou feliz quando o amigo lhe emprestou o avião do governo de MG

Nunca discutiram política
O caso do “rompimento” da amizade entre Luciano Huck e Aécio Neves é ilustrativo da miséria humana.

Em evento da Veja patrocinado por uma refinaria que deve bilhões em impostos, mais suja que pau de galinheiro, o apresentador e ex-candidato falou do senador.

“Levante a mão aqui quem na vida nunca se decepcionou com um amigo. Óbvio que eu me decepcionei”, afirmou.

“A gente nunca discutiu política, um não entrava na seara do outro, mas eu fiquei decepcionado, claro”.

Contou que não fala mais com Aécio: “Eu apanhei por causa de um erro que não cometi. Fiquei chateado. Eu tomei muita porrada por causa dele também”.

Aécio foi denunciado ao STF por corrupção passiva e obstrução à Justiça por fatos narrados na delação da JBS — mas todo o mundo mineral, como diria Mino Carta, sabia que era corrupto (o leitor do DCM não se surpreendeu com nada, certo?).

Huck é cínico a ponto de alegar que os dois nunca discutiram política. Sua presença no apartamento de Andrea Neves na noite em que o mineiro ficou sabendo que tinha sido derrotado em 2014 era em torno do quê? Bocha?

Huck se beneficiou largamente do relacionamento com Aécio Neves enquanto lhe foi útil, inclusive nos esquemas de mordomia bancados com dinheiro público.

Para ficar apenas em um exemplo, em 2004 ele utilizou aeronaves do governo de Minas Gerais para viajar pelo interior do estado.

Estava gravando um quadro de seu Caldeirão com a dupla Sandy e Junior.


Huck, Sandy e Junior em MG às custas do contribuinte

O programa mostrava os três percorrendo a Estrada Real, que Aécio promovia como grande atração turística do estado.

“O trio visitou locais históricos como os municípios de Ouro Preto e Santa Bárbara. Eles conheceram também paisagens exuberantes, como o Parque Natural do Caraça, e proporcionaram ao público cenas inusitadas como Sandy lavando louça e Junior montando em um jumento”, relata o site oficial da atração.

É evidente que o avião e o helicóptero não foram a única mamata proporcionada por Aécio na ocasião — e nem aquela foi a única vez em que o tucano quebrou um galho para Huck no usufruto do cargo.

Huck não viu nenhum problema em se beneficiar da grana do contribuinte mineiro. 

A dupla já compartilhou de tudo em décadas de intimidade. Alexandre Accioly, investigado na Lava Jato, é padrinho de um dos filho de Aécio e sócio de Huck em diversos empreendimentos. Vamos parar em Accioly.

Eles sabem demais uns dos outros. A razão para Huck pular fora de 2018 é que seus negócios com esse bando viriam, inevitavelmente, à luz. Aécio daria uma mão para isso acontecer.

Ao vazar agora, ele pode se fingir de “traído”. Palhaçadas como a de apagar as fotos do Instagram só acrescentam mesquinharia à sua biografia, e não grandeza.
Aécio não vale nada. Mas Luciano Huck, moralmente, consegue ser mais abjeto.



Kiko Nogueira
No DCM
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Doria será humilhado também pelo Serra?

O “prefake” João Doria, que abandonou a capital paulista e “acumulava milhas” em viagens pelo Brasil e pelo mundo, mostrou-se um político amador. Paparicado pela mídia venal, ele achou que emplacaria a sua candidatura presidencial detonando os tucanos de “pijama” do PSDB – como qualificou o ex-governador e vice-presidente da sigla, Alberto Goldman. Aliado aos fascistas mirins do sinistro Movimento Brasil Livre (MBL), o direitista avaliou que surfaria na onda conservadora em curso no país. Não deu certo. Ele virou alvo do fogo amigo no ninho e empacou nas pesquisas eleitorais. Acabou como a farinata da sua “ração para os pobres”.

Humilhado por Geraldo Alckmin, o “picolé de chuchu” que é profissional na arte da politicagem, João Doria anunciou na semana passada a sua desistência na disputa no PSDB. Agora ele insinua que deseja ser governador de São Paulo. Mas tudo indica que será novamente engolido pela briga interna. Acusado de “traidor” pelos caciques tucanos, o “prefake” deverá disputar a nova postulação com José Serra, o eterno candidato da sigla e um dos políticos mais eficientes no disparo do fogo amigo, dos dossiês demolidores. A falsa “humildade” do ricaço não será suficiente para enfrentar uma possível concorrência no ninho.

Segundo reportagem da Folha, o “prefeito paulistano já admitiu publicamente que o seu projeto presidencial perdeu força e que uma candidatura ao governo de São Paulo é hoje a mais provável. Ele sublinhou, contudo, que precisará do apoio do governador, com quem por meses disputou tacitamente a candidatura do PSDB à Presidência”. Falso como seu discurso apolítico, João Doria afirma que sua postulação “depende do partido, depende de Alckmin, que é uma liderança expressiva nacionalmente e, obviamente, aqui em São Paulo, é a maior liderança, para que possa se configurar”. Mas se depender do “picolé de chuchu”, famoso por ser um político vingativo e frio, ele está morto. E se depender de José Serra, um troglodita nas disputas internas, ele será triturado!

Entre os mercenários seguidores do “prefake” já há quem proponha que ele se finja de morto nos próximos meses. A orientação de seus aspones é que ele evite novas viagens e se concentre em São Paulo, principalmente nesta época de enchentes devastadoras. Há consenso de que seu desgaste com o sonho presidencial foi enorme. Ele se isolou no PSDB e perdeu popularidade até entre os seus ingênuos eleitores. A mudança da imagem de João Doria, porém, será uma obra difícil para os seus marqueteiros. Nas pesquisas mais recentes, os paulistanos já se mostram arrependidos com a eleição do “novato”. Até nos bairros da chamada classe média – ou da egoísta “classe mérdia” –, os seus índices de popularidade despencaram nas últimas semanas.

Talvez quem tenha sintetizado melhor a situação decadente do “prefake” foi o ex-administrador regional da Casa Verde e Cachoerinha, demitido truculentamente na semana retrasada após reclamar da falta de verbas para o combate às enchentes nas periferias de São Paulo. Para Paulo Cahim, a imagem de João Doria já está duramente abalada e será difícil recuperá-la, já que nos primeiros 11 meses da sua gestão ele “trabalhou muito, mas somando milhas voando pelo mundo” em função da sua ambição presidencial. Para o veterano tucano, que presidiu a legenda na região e foi chefe de gabinete durante a gestão de José Serra, João Doria é “desleal” e não merece confiança.

Altamiro Borges
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Análise do Manchetômetro sobre o Facebook

http://www.manchetometro.com.br/index.php/destaques/2017/11/24/13-a-20-de-novembro-2017/

Nesta semana foram publicados 5.964 posts nas 40 páginas monitoradas, totalizando 2.138.611 de compartilhamentos.

As páginas que mais postaram nesse período foram: Juiz Sergio Moro – o Brasil está com você, 521 posts; Catraca Livre, 519 posts; e Juventude Contra a Corrupção, 517 posts.

Chama a atenção que as páginas das categorias Política e Político veicularam mais posts no período do que as páginas dos conglomerados midiáticos.


Os 10 posts da tabela acima concentram 12% do volume total de compartilhamentos obtidos pelas 40 páginas monitoradas ao longo dessa semana. Repetindo a constatação da semana passada, o vídeo se apresentou como o recurso mais empregado nos posts (60%), seguido da foto (30%) e link (10%).

Os dados mostram que as páginas da nova direita seguem na liderança dos posts mais compartilhados.

Os dados mostram que as páginas da nova direita seguem na liderança dos posts mais compartilhados.

Nove dos dez posts da tabela pertencem a essas páginas. A única página neutra a compor o do rol dessa semana é a do Exército brasileiro.

Mais uma vez, as páginas dos deputados do Partido Social Cristão do Rio de Janeiro (PSC-RJ), Jair Bolsonaro e Marco Feliciano, se destacam como os únicos políticos a participar do ranking dos 10 posts mais compartilhados, e o Movimento Brasil Livre (MBL) como o movimento mais popular.

Observamos ainda que outro ator, ausente na lista da semana passada, essa semana emplacou quatro posts na lista dos 10 mais: o movimento Juventude Contra Corrupção (JCC).

É importante, contudo, notar um fato intrigante.

Os posts da JCC, assim como os do MBL, apresentam uma discrepância significativa entre o número de curtidas e o número de compartilhamentos.

De modo geral, as pessoas mais curtem do que compartilham os posts, e quando tomam a segunda decisão, ela tende a ser precedida pela primeira.

Em outras palavras, quase sempre o número de curtidas é bastante superior ao de compartilhamentos, isso quando as curtidas e compartilhamentos são feitos por seres humanos.

Esse dado incomum pode indicar a existência de robôs utilizados para inflar artificialmente o número de compartilhamentos dos posts da página.

Pesquisadores do Facebook têm enorme dificuldade de detectar o uso de robôs pelas páginas, pois eles não apresentam um padrão. Mas o trabalho dos robôs não é puramente um simulacro.

Ao contribuírem para a superestimação dos dados, eles alimentam o algoritmo de entrega do Facebook, de modo que a sua atuação resulta no aumento da visibilidade do conteúdo das páginas para as quais trabalham.

De uma maneira ou de outra, é importante notar a estratégia desses grupos em usar o Facebook para influenciar a opinião pública sobre suas posições políticas.

No tocante ao conteúdo dos posts, verificamos a predominância do pacote interpretativo anti-esquerdista, que associa o socialismo, e mais especificamente, o PT e os movimentos sociais a ele vinculados, ao ateísmo, à depravação, à incompetência e à corrupção.

Os atores que partilham desse pacote se colocam como uma alternativa aos que anseiam um governo patriótico, cristão, idôneo e em prol da família heteronormativa.

No post mais compartilhado da semana, Bolsonaro critica, em vídeo de 5 minutos, a cobertura midiática negativa que recebeu nas últimas semanas, e se defende das acusações das revistas Veja, e Isto É e do jornal O Globo.

O deputado rebate os rótulos de ditador e preconceituoso, tacha a grande imprensa de governista e parcial, e aproveita a deixa das capas das revistas para dizer que os reais “perigo” e “ameaça” são o socialismo, o kit gay e o MST.

Bolsonaro termina o vídeo com imagens de quando foi ovacionado em Vitória e exaltando sua candidatura para 2018 como uma opção para os cidadãos religiosos, honestos e patriotas.

O segundo, o quarto, o quinto e o nono posts mais compartilhados também têm forma de vídeo e são da página Juventude Contra a Corrupção.

Embora a foto da página seja do juiz Sergio Moro, ela parece ser um instrumento de campanha permanente para o Delegado Francischini (Solidariedade –PR), pois todos os vídeos contêm sua marca.

O segundo se dedica ao descaso com a saúde pública, a partir da reportagem da Record sobre a visita de um procurador da República a um hospital precarizado de Joinville-SC; o quarto denuncia a suposta fraude das urnas eletrônicas; o quinto é uma foto de Jorge Picciani com a frase “Brasil é um país onde 39 corruptos decidem o futuro de outro corrupto”; e o nono é um vídeo do Lula criticando a atuação do judiciário e argumentando por sua democratização.

No entanto, o conteúdo do vídeo é deturpado no post, e a legenda diz que o “corrupto” Lula “controlará” o judiciário se eleito.

O terceiro post é um vídeo de Marco Feliciano repudiando o novo episódio do grupo Porta dos Fundos, que coloca o personagem de Jesus numa cena de sexo.

O deputado diz que o vídeo é uma agressão ao cristianismo e acusa os criadores do site, Fábio Porchat e Gregório Duvivier, de grosseiros, vazios, destruídos, subversivos, ateus e petistas. Feliciano encerra o vídeo com a frase de efeito: “O nosso país nunca será ateu e a nossa bandeira nunca será vermelha”.

Já o MBL dedica-se a atacar o PT nos seus posts por meio de montagens de fotos. O sexto post do ranking responsabiliza Dilma e Lula pelo calote da Venezuela.

No sétimo, a página ironiza afirmando que enquanto o PT pede contribuições para a caravana de Lula, o Ministério Público solicitou o bloqueio de R$ 30mi em suas contas.

Em seguida, no mesmo post, o MBL aproveita para pedir doações aos seus fãs, quase que propondo uma espécie de silogismo: “não doe para eles, que têm dinheiro, doe para nós, que não temos”.

No décimo post, em vídeo, Kim Kataguiri defende o enrijecimento da legislação penal brasileira a partir de dados sócio-econômicos e de segurança pública, na tentativa de descontruir os argumentos da esquerda em prol da ressocialização dos condenados, que se baseiam na correlação entre desigualdade e violência.

No meio do vídeo, Lula e alguns empresários investigados na Operação Lava Jato são chamados de ladrões.

Por fim, o post do Exército Brasileiro, que ocupa o oitavo lugar no ranking, consiste em um vídeo comemorativo do dia 19 de novembro, com o hino à Bandeira Nacional e imagens da instituição.

Em resumo, a nova direita domina as páginas campeãs de compartilhamentos que examinamos.

Seu discurso é caracterizado, acima de tudo, pelo antipetismo, com especial atenção para a figura de Lula, alvo de inúmeras invectivas.

No antipetismo anti-Lula unem-se o discurso contra a corrupção e a defesa de valores sociais conservadores.

Com seus estilos próprios, tanto Bolsonaro quanto o MBL fazem esse movimento de fusão entre as duas pautas.

Os propósitos eleitorais de tal estratégia discursiva mal podem ser disfarçados.

O discurso contra a corrupção, construído historicamente pela grande mídia colocando o PT como principal agente e Lula como o maior responsável, e que mobiliza massas de classe média desde Junho de 2013, agora se une à defesa de valores cristãos e heteronormativos, típicos da agenda evangélica.

Ou seja, esses são prenúncios da campanha eleitoral do ano que vem.

Ataques ao potencial candidato Lula e formação de um eleitorado cativo para políticos como Bolsonaro e outros que o MBL venha a apoiar.

[1] O 5º post mais compartilhado pertencia ao Portal R7 e relatava a morte da menina vietnamita, eletrocutada pelo carregador do celular enquanto dormia. Como o tema não se enquadra em nossos interesses, descartamos o post, que foi substituído pelo próximo da lista.
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