16 de nov. de 2017

Damous à Dra Dodge: mexa-se contra a Globo!

Por que o MPF não pede aos EUA o que se apurou contra a Globo?


PHA: Eu converso com Wadih Damous, Deputado Federal (PT-RJ). Ele foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-RJ. Deputado, já há base para pedir a cassação da concessão da Rede Globo de Televisão?

Wadih Damous: Olha, Paulo, se eu fosse seguir métodos lavajatianos, eu diria que sim. Embora o delator tenha apresentado o caminho por onde as provas podem ser obtidas. E o Ministério Público Brasileiro eu espero que descruze os braços e aja com a mesma presteza com que age quando há algo delatado contra o PT... Então eu diria para você o seguinte: falta pouco para que nós cheguemos ao momento em que poderemos pedir a cassação da concessão da Rede Globo.

Os dados obtidos pela Justiça americana podem ser transferidos e servir de prova na Justiça brasileira?

Podem e devem, agora, tem que haver um pedido para isso. O Brasil tem um termo de cooperação com os EUA e basta exercer essa cooperação. Pedir à Justiça americana que transfira essas informações, esses documentos para que aqui se dê início a uma investigação e que, ao final, demonstrando aquilo que está sendo relatado, se possa pedir a cassação da concessão da Rede Globo.

A Lava Jato já não tem trocado informações no âmbito de um acordo com os EUA de empresas brasileiras com o Ministério Público americano?

Quando é do interesse da Lava Jato, ela investiga e pede as informações em relação às empresas que, por esse ou por aquele motivo, a Lava Jato entende ligadas ao PT, o que não é o caso da Globo. Cabe ao Ministério Público exercer o seu direito constitucional e pedir essa cooperação para que se abra uma investigação.

Os passos da Justiça brasileira... Digamos que o MP se mexa e que a PF se mexa: quem tem o poder de cassar uma concessão de uma emissora?

O próprio Poder Executivo.

A cassação da concessão não depende do Congresso, depende de quem dá a concessão?

Depende de quem dá a concessão. Do Poder Executivo.

Não é possível que o PT ou a sociedade brasileira com alguns congressistas exerçam sobre o MPF algum tipo de ação efetiva que não seja apenas reclamar, para fazer com que o MPF se mexa?

Olha, Paulo... A denúncia é muito grave, porque há um monopólio nas telecomunicações brasileiras. A Dra Raquel Dodge, eu espero que ela abra investigações e exerça esse acordo de cooperação com os EUA para a transferência dessas provas.

Então eu posso dizer que o Deputado Wadih Damous vai oficiar a Dra Dodge para que ela comece a se mexer, digamos assim?

Isso. Pode.

A FIFA pode, ela própria, desfazer contratos de exclusividade que a Globo (agora se sabe que de modo ilegal) obteve das Copas de 2026 e 2030?

Demonstrando essa relação, o pagamento de propina, a FIFA pode e deve!

No CAf



PT faz representação criminal contra a Globo no caso FIFA

O Partido dos Trabalhadores decidiu apresentar à Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, Representação Criminal para que seja apurada oficialmente a notícia de que a Rede Globo praticou crimes em série, valendo-se de empresas e bancos em paraísos fiscais, para obter vantagens ilícitas na compra de direitos de transmissão de torneios internacionais de futebol.

A representação tem base nos depoimentos do empresário argentino Alejandro Burzaco à corte de Nova Iorque. O delator coloca a Rede Globo no centro do escândalo da FIFA mencionando pagamento de propinas de US$ 15 milhões a dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol, da Conmebol e da Fifa.

O delator citou nomes, valores, locais de encontro, contratos, configurando sem dúvida os chamados “indícios robustos” de prática criminosa, expressão que os comentaristas da Globo gostam de utilizar, de forma leviana, para se referir às acusações por delações contra o PT e contra Lula.

É inexplicável para o Brasil que o escândalo da FIFA seja investigado judicialmente nos Estados Unidos, na Suíça, na França e em outros países, há três anos, e tudo o que temos aqui seja uma suposta “investigação interna” em que a Globo tenha apurado em silêncio e absolvido a si mesma.

O monopólio da Globo na transmissão de torneios nacionais e internacionais, supostamente obtido por meios ilícitos, faz um tremendo mal ao futebol brasileiro, uma paixão nacional que mobiliza milhões de torcedores e impulsiona grandes negócios, especialmente nos setores de publicidade e comunicações.

Atuando como dona da bola, a Globo impõe seus interesses comerciais, estipulando datas e horários de jogos, prejudicais os atletas, os clubes e o público; determinando quais partidas e de quais clubes serão transmitidas e quais serão ignoradas; interferindo diretamente nas decisões das federações estaduais e da Confederação Brasileira de Futebol.

O Ministério Público, que apresentou seis denúncias contra Lula com base exclusivamente em notícias de jornal jamais confirmadas ou provadas, que se mobiliza para investigar a morte do cachorro da ex-presidenta Dilma, não pode ficar inerte diante de fatos que realmente escandalizam a sociedade.

Temos certeza de que a abertura dessa necessária investigação terá efeito pedagógico para a Rede Globo e a mídia que a segue. Em primeiro lugar, porque será respeitado o princípio da presunção da inocência, que a Globo sistematicamente atropela ao acusar, julgar e condenar Lula e o PT.

Também será adotado certamente o equilíbrio editorial. Os argumentos da defesa e as eventuais provas de inocência da Globo não serão censurados no “Jornal Nacional”, diferentemente do que ocorre em relação ao PT, Lula e Dilma, que tiveram até a prisão pedida em editoriais e artigos de sua rede.

A Globo aprenderá também que, no devido processo legal, quem acusa tem de provar e ninguém pode ser condenado com base apenas em delações premiadas.

E talvez aprenda, finalmente, que deve prestar contas de seus negócios à Justiça e de suas decisões editoriais ao público, pois, mesmo sendo uma empresa privada, opera, comercializa e lucra muito por meio de uma concessão que pertence ao país e não à família Marinho.

O PT considera que a investigação oficial do escândalo FIFA no Brasil é essencial para combater o crime e a impunidade, além de ser um gesto fundamental para devolver o futebol ao povo brasileiro.

Brasília, 16 de novembro de 2017
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Policía israelí apunta contra Netanyahu por corrupción

La policía de Israel podría tener suficientes pruebas para imputar al primer ministro de ese país, Benjamín Netanyahu, por casos de corrupción.
La policía cree que las evidencias en su poder bastan para imputar a Netanyahu por soborno, por haber recibido regalos estimados en cientos de miles de euros de un hombre de negocios israelí, Arnon Milchan, que reside en Estados Unidos, según informó este domingo el Canal 10 de la televisión israelí, cita Sputnik.

Netanyahu y su esposa Sara recibieron en grandes cantidades puros cubanos, champán francés y piezas de joyería a lo largo de varios años.

El primer ministro alega que Milchan es un amigo de su familia desde hace muchos años y por lo tanto no es extraño que le hiciera regalos propios de un amigo.

Pero la policía halló que Netanyahu pidió al embajador de Israel en Washington, Ron Dermer, que a su vez pidiera al entonces secretario de Estado, John Kerry, un visado de residencia en Estados Unidos para Milchan.

El 8 de noviembre Netanyahu fue investigado por la policía por quinta vez durante cuatro horas. La policía considera que todavía será necesario interrogarlo algunas veces más.

De acuerdo con Hispantv, la implicación de Netanyahu, así como de su esposa, Sara, en varios casos de corrupción y fraude ha provocado masivas protestas en Israel y ha hecho caer la popularidad del primer ministro en gran medida, hasta el punto de que los últimos sondeos ponen de relieve que la mayoría de los israelíes, el 66 %, cree que debe renunciar.

No CubaDebate
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70% não ligam para as opiniões de FHC, diz pesquisa


A depender de uma pesquisa divulgada pela Veja nesta quinta (16), Fernando Henrique Cardoso não será visto ao lado de muitos candidatos na eleição de 2018. Isso porque a larga maioria dos entrevistados (70%) declarou que não dá valor às opiniões manifestadas pelo ex-presidente sobre a crise política e econômica atual. Além disso, outros 40% disseram que poderiam até perder a vontade de votar em alguém apoiado por FHC.

O estudo feito pelo instituto Paraná Pesquisas quis aferir se as declarações do tucano "são importantes para analisar o momento político anual". Apenas 24,6% disseram que sim. Os outros 5,6% não souberam ou não quiseram opinar.

Um total de 49,4% disseram ainda que não mudariam seu voto por causa de Fernando Henrique. E só 7,4% disseram que teriam mais vontade de votar em alguém apoiado pelo ex-presidente.

No GGN



IBOPE: o brasileiro acha o Brasil um horror!

Impeachou a Dilma e considera o ladrão presidente pior ainda!


O Conversa Afiada ressalta alguns pontos de uma pesquisa do IBOPE, realizada antes de saber que a Globo Overseas integra uma máfia internacional de propinas:

- o Brasil não é uma Democracia

- os políticos não representam a sociedade

- não vou votar em quem votei

- o Brasil precisa de um líder autoritário

- ​73% não confiam no ladrão presidente

- foi a favor do impeachment da Dilma

- Temer piorou tudo

- a inflação subiu

- os juros subiram

- o desemprego aumentou

- não vai pra rua

- não adianta protestar

- a Lava Jato não vai resolver o problema da corrupção

- o Brasil caminha na direção errada

- o pior da crise não passou

- a Justiça prefere os ricos

- só a intervenção do Estado resolve os problemas do país

- o Bolsa Família é ótimo

- deve haver protecionismo econômico contra os estrangeiros

- quanto maior renda e o nível de instrução, mais o brasileiro se informa na internet do que na televisão

- entre os que têm ensino superior, 82% se informam na internet

- quem tem entre 3 e 5 salários mínimos de renda, televisão e internet empatam como fonte de informação

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Força, guerreiro: um tributo a Ives Gandra e a tragédia de ser um homem branco, rico e hétero

Guerreiro do povo brasileiro

A tragédia do jurista Ives Gandra da Silva Martins está comovendo o Brasil.

Num texto corajoso, em que o autor se desnuda por inteiro, ele expõe o drama de ser homem, branco, rico e heterossexual.

Sim. É terrível. 

O desabafo foi publicado num blog do jornal O Povo, do Ceará, intitulado Portugal Sem Passaporte.

“Não Sou: – Nem Negro, Nem Homossexual, Nem Índio, Nem Assaltante, Nem Guerrilheiro, Nem Invasor De Terras. Como faço para viver no Brasil nos dias atuais?”, pergunta-se.

“Na verdade eu sou branco, honesto, professor, advogado, contribuinte, eleitor, hétero… E tudo isso para quê?”

Isso é apenas o começo, a protofonia da peça. É difícil conter as lágrimas.

Uma pergunta primordial fica no ar: como é que Deus impõe a um fiel servo (ele é membro da Opus Dei) tal provação?

Mais: por que o Senhor, em sua infinita sabedoria, não fez de Ives uma mulher negra nordestina gay favelada da tribo ianomâmi? Por que não lhe concedeu essa bênção?

Que desígnios misteriosos são esses?

Acompanhe o desabafo desse guerreiro:

Hoje, tenho eu a impressão de que no Brasil o “cidadão comum e branco” é agressivamente discriminado pelas autoridades governamentais constituídas e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que eles sejam índios, afrodescendentes, sem terra, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.

Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, ou seja, um pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco hoje é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior (Carta Magna).

Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que eles ocupassem em 05 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado, e ponham passado nisso.

Assim, menos de 450 mil índios brasileiros – não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também por tabela – passaram a ser donos de mais de 15% de todo o território nacional, enquanto os outros 195 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% do restante dele. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados.

Aos ‘quilombolas’, que deveriam ser apenas aqueles descendentes dos participantes de quilombos, e não todos os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição Federal permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito. 

Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um Congresso e Seminários financiados por dinheiro público, para realçar as suas tendências – algo que um cidadão comum jamais conseguiria do Governo! Os invasores de terras, que matam, destroem e violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que este governo considera, mais que legítima, digamos justa e meritória, a conduta consistente em agredir o direito. (…)

Desertores, terroristas, assaltantes de bancos e assassinos que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. (…)

E são tantas as discriminações, que chegou a hora de se perguntar: de que vale o inciso IV, do art. 3º, da Lei Suprema? Como modesto professor, advogado, cidadão comum e além disso branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço nesta sociedade, em terra de castas e privilégios, deste governo.

Gandra não está só. Sua dor extrapola as fronteiras brasileiras.

O ator americano Bo Burnham compôs um hino em tributo a essa parcela da humanidade jogada às traças.

Posto o vídeo abaixo, com trechos da letra traduzida na sequência.  



Andando por aí

Não tenho ninguém com quem falar

Há todos

E então só fico eu

Se eu pudesse mudar

Você não acha que eu faria isso?

Só Deus sabe

Por que ele me amaldiçoou fazendo de mim

Um homem branco hétero

Eu conto meus problemas

Outras pessoas se entediam

(…)

Eu sei que a estrada parece difícil à frente

As mulheres querem direitos

Os gays querem crianças (o quê?)

Vocês não podem nos deixar em paz?

(…)

Todo mundo acha que minha vida é fácil

Só porque é verdade

Não significa que esteja certo

Então puxe uma cadeira

E deixe de lado seu tridente

Me dê uma chance

Para mostrar o que é

Ser um homem branco hétero

A Constituição do meu país

Foi escrita à mão pela minha raça

(…)

Homem branco hétero

Eu sei que a estrada parece difícil à frente

As mulheres querem direitos

Os negros querem

Não ser chamado de “os negros” (desculpe)

Vocês não podem nos deixar em paz?

Homem branco hétero

Saiba que a estrada parece difícil à frente

As mulheres querem direitos

Os negros também

Costumávamos ter todo o dinheiro e a terra

E ainda temos

Mas não é tão divertido agora

Kiko Nogueira
No DCM
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Globo negociou propina com cartolas "para muito além de 2022", diz testemunha

Rede Globo era meio-campo na negociata para viabilizar a continuidade dos milhões em propinas para os direitos de transmissão de emissoras, após a troca da Presidência da CONMEBOL

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No terceiro dia de audiências do julgamento "FIFAgate" no Tribunal Federal do Brooklyn, em Nova York, o jornalista que vem acompanhando o caso e transmitindo ao vivo pelo Twitter, Ken Bensinger, do BuzzFeedNews, narrou que o esquema de propina da Globo com os cartolas para a tramissão dos campeonatos da Libertadores e Sul-Americana estavam sendo negociados "para muito além de 2022".

Bensinger ironizou: "Em um comunicado na terça-feira, a Globo disse que não 'faz ou tolera pagamentos de propinas'. Mas hoje, Burzaco disse que a TV Globo pagou parte dos US$ 15 milhões de suborno para os direitos 2026 e 2030 da Copa do Mundo".

A informação foi dada na tarde desta quarta-feira (15) por Alejandro Burzaco, empresário argentino da Torneos y Competencias (ex TyC) e, após se entregar, uma das maiores testemunhas de acusação dos investigadores. 

Ele arrolou a Globo, até então mencionada apenas indiretamente, e também a Televisa, a Media Pro, a Fill Play, a Traffic e a Fox Sports. E, ainda, narrou encontros do então diretor da Globo Esporte, Marcelo Campos Pinto, com cartolas do esquema (Julio Humberto Grondona, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero) para negociar as propinas.

Nesta quarta, o repórter do BuzzFeedNews seguiu transmitindo trechos dos depoimentos dados no Tribunal Federal do Brooklyn pelo Twitter. Como grande parte das acusações se tratavam de figuras argentinas do futebol, muitas mensagens foram publicadas em espanhol pelo jornalista. 
O GGN noticiou que a TV Globo, Televisa e Torneos [y Competencias] concordaram em pagar US$ 15 milhões ao vice-presidente da FIFA na época, Grondona, pelos direitos de transmissão das Copas do Mundo 20126 a 2030 no Brasil e na América Latina. 

Mas em outro dos pontos altos das acusações dos depoentes, Ken Bensinger trouxe outro contra a rede Globo: o esquema de corrupção da FIFA e emissores de televisão da América não tinha data para acabar. 

Durante um jantar no Hotel Cipriani, no Rio de Janeiro, em 2014, o empresário argentino e o dirigente esportivo paraguaio, Juan Ángel Napout, ex-presidente da CONMEBOL, e outros empresários do futebol tratavam de "estender para a Globo e Torneos [y Competencias] os contratos da Libertadores e da Copa Sul-Americana muito além de 2022", narrou o jornalista, sobre o depoimento de Burzaco.

"E, claro, os subornos. Sempre os subornos", completou:
No terceiro dia de audiências, quando os polêmicos depoimentos do argentino ainda seguiam pela agenda do Tribunal de Nova York, o repórter trouxe detalhes sobre o acordo pela Globo, Televisa e Torneos de pagamento de US$ 15 milhões a Julio Humberto Grondona, que foi vice-presidente Executivo da FIFA.

O dirigente argentino que também ocupava a Presidência Financeira da FIFA recebeu as quantias pelo banco Julius Baer, na Suíça. "As três companhias se encontraram em Zurique, durante um encontro do comitê executivo da FIFA. Burzaco não informou os nomes dos dois funcionários da Televisa e da TV Globo presentes. Ele chamou as empresas de "parceiras". A propina para Grondona foi paga de uma só vez, disse Burzaco, e os US$ 15 milhões entraram por uma 'sub-conta' no banco Julius Baer da Suiça", publicou. 

No post, Bensinger conta que em junho, um ex-banqueiro do Julius Baer e do Credit Suisse, Jorge Arzuaga, se declarou culpado de ajudar Burzaco a esconder pagamentos a Grondona, usando subcontas nos bancos @

Os detalhes dessas negociatas foram contados pelo argentino Burzaco ontem no Tribunal: 

"Quando [Eugenio] Figueredo assumiu a Presidência da CONMEBOL [em 2013], os funcionários decidiram que os subornos da Libertadores e Sul-Americana não seriam mais retirados dos preços dos contratos dos torneios, mas que deveriam aparecer já com os valores somados, disse Burzaco. Para isso, a T&T vendeu seus direitos à sua subsidiária T&T holandesa abaixo do preço do mercado e, em seguida, recebeu o pagamento da TV Globo pelos direitos de transmissão dos torneios. Uma parcela desse dinheiro foi usada para pagar propinas aos funcionários da CONMEBOL, disse Burzaco".

Burzaco conta que, em outra ocasião, segundo o repórter, em setembro de 2014, o argentino se encontrou com Napout, Luis Bedoya, então vicepresidente de la CONMEBOL, e Hernan Lopez e Carlos Martinez, da Fox Sports, em um restaurante grego em Miami para discutir a extensão dos direitos da Libertadores e Sul-Americana e quanto custaria. 

"Mas uma das preocupações, disse Burzaco, foi a questão dos pagamentos da TV Globo pelos direitos de T&T holandesa, que era a tática para gerar a propina. Todos naquele almoço sabiam que parte do financiamento para os subornos veio desse acordo", seguiu contando o repórter.

Daquela negociata, milhões de propinas foram distribuídos aos envolvidos: 

Nos vocabulários para o esquema de propinas, chamavam o então vice-presidente Executivo e Presidente Financeiro da FIFA, Grondona, de "El Papa" e Ricardo Teixeira como "Brasileiro". Nas publicações, o jornalista do BuzzFeedNews afirmou que o depoimento de Burzaco seguiria hoje, no quarto dia de julgamento do FIFAgate.

Patricia Faermann
No GGN
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Em Floripa, Lagoa da Conceição vira palco de violência homofóbica contra namorados artistas

Espancados por um grupo de rapazes, Arthur sofreu hematomas na face, testa e nuca, e seu companheiro Thomas constatou fratura no septo nasal e traumatismo craniano

Mulher Popita: "Vocês não vão nos derrubar. nossa luta é em cena nas ruas, na luta. E machistas, homofóbicos, fascistas, não passarão!"
Com as marcas da violência homofóbica ainda estampadas no rosto, o estudante de Artes Cênicas da Udesc, Arthur Rigoski Gomes, 21 anos, estreou na noite de véspera do feriado da República, no teatro do SESC-Prainha, em Florianópolis, a peça Atroz, de Jean Genet. Para ele e o namorado Thomas Dadaam, 27 anos, estudante de Filosofia da UFSC, encenar a obra do “poeta do amor homossexual”, encorajadora de todos os que desviam do padrão dominante, ganhou um sentido muito maior do que um trabalho de conclusão de disciplina. No último domingo, o casal foi covardemente espancado por um grupo de cinco rapazes enquanto conversava com outras pessoas na Lagoa da Conceição. O processo judicial contra os espancadores e a sublimação dos gays pela arte são a resposta política dos jovens à agressão fascista.

O que seria um passeio de mãos dadas ao pôr-do-sol da paradisíaca Lagoa da Conceição para revigorar as energias e preparar os produtores culturais para a semana de trabalho tornou-se um pesadelo. Ambos conversavam com uma turma de oito pessoas que encontraram a caminho do Mercado Público, quando apareceu um segundo grupo de cinco rapazes que se aproximou deles e, segundo os agredidos, logo começou a dirigir-lhes ofensas e ameaças relativas a sua opção sexual. “Usaram a palavra viado como forma de xingamento e nós reagimos repetindo: ‘Isso é homofobia!’”, conta Arthur. Foi aí que a violência física, com socos, chutes e pontapés se sobrepôs à violência verbal. Quando se recobrou do choque inicial das pancadas, com o rosto coberto pelo sangramento do nariz, Arthur se deu conta da situação: “Saio de casa para ter um momento feliz e de repente me vejo todo machucado e o meu namorado caído no chão, desacordado”.

Arthur tem vários hematomas e lesões na face, na boca, na testa, na perna, sente fortes dores nas mandíbulas, além dos golpes na cabeça e na nuca, mas Thomas sofreu lesões mais graves. No hospital, ele constatou através de radiografia e laudo médico fratura no septo nasal, traumatismo craniano, com perda de memória recente e o pequeno ferimento que tinha no braço transformou-se em uma grande inflamação. Logo com o primeiro golpe na cabeça, o estudante desmaiou e teve que passar a noite em observação no Hospital Celso Ramos até o amanhecer de segunda. Na terça-feira, eles foram ao IML fazer exame de corpo de delito e na quinta-feira (16/11), Thomas fará uma ressonância magnética para ter um diagnóstico mais preciso da cabeça. Por causa do longo período que passou desacordado, ele não lembra o que ocorreu quando começaram as agressões físicas. Mas Arthur, que se manteve mais consciente, ainda ouviu, enquanto eram surrados, os rapazes fazerem ameaças do tipo: “Vai ficar pior pros viados” ou “Daqui pra frente vai virar norma bater em viado”. Pessoas que presenciaram o espancamento ajudaram a socorrer o casal, chamaram um táxi e confirmam também essas agressões verbais.

O horror, contudo, não parou na covardia física. Ao chegarem a 5ª Delegacia de Polícia, acompanhados de amigos, os jovens foram tratados novamente com discriminação e despreparo, segundo eles: “Quando chegamos, o escrivão primeiramente se recusou a registrar o B.O., dizendo que estávamos muito alterados e exaltados. De fato, eu tinha acabado de recobrar a consciência, estava muito perdido e o Arthur sangrava muito. Mas os amigos ajudaram a argumentar e ele então concordou em fazer o B.O., mas determinou que entrássemos sozinhos na sala”. O policial então trancou a porta à chave e começou, segundo eles, “a se alterar verbalmente, a gritar, dizendo para nós pararmos de nos vitimizar”. Conforme Thomas, o mau humor culminou com um soco na mesa, o que foi presenciado e até filmado pelos amigos que os acompanhavam. Esse tratamento desrespeitoso e discriminatório recebido na Delegacia, levou-os a prestar queixa na Corregedoria da Polícia. Com apoio da advogada popular Daniela Felix, que deve assumir o processo, eles abriram Boletim de Ocorrência no 5° DP contra a agressão física, porque no Brasil não existe crime de homofobia.



Quando sofreu a covardia, os dois estavam de mãos dadas. “Nós nos comportamos como um casal normal de namorados que de fato somos”, defende Arthur. “Temos uma vivência de casal. A gente nunca escondeu isso e nem pretende esconder, ainda mais agora, a gente vai continuar sendo um casal”, afirma Thomas, que é também formado no Curso de Cinema da Unisul. Emocionado, ele se mostra muito triste ao ver que o carinho entre os dois gera ódio e produz agressão para pessoas que não respeitam os outros. “Nosso amor é um alvo para eles extravasarem toda a sua violência e agressividade”.

Arthur e Thomas procuraram os Jornalistas Livres depois de verem os comentários homofóbicos dos leitores do site do G1 (onde a notícia foi publicada primeiramente) que, segundo eles, representou um segundo espancamento. “Não gostaríamos de nos expor dessa forma para esse tipo de público”, explicam. Com a experiência, eles também consideram importante encorajar outras pessoas a falarem e denunciarem esse tipo de covardia que “tortura, humilha, mata”.

“Saio de casa para ter um momento feliz e de repente me vejo sozinho, todo machucado, sangrando e o meu namorado no chão, desacordado”

Desde a agressão, vários amigos que já haviam passado por linchamentos semelhantes procuraram os dois para relatar seus casos. Enfatizam que esses e outros crimes de homofobia, cada vez mais frequentes em Florianópolis, desmentem a lenda da cidade como paraíso homossexual. “Vemos que aqui é um lugar para homossexual com dinheiro. A comunidade LGBT marginal sofre, apanha, é morta, vira estatística”, lamenta Arthur. “Floripa não é de fato um espaço de vivência de mil maravilhas, como se diz por aí. A gente sente na pele essa opressão”, salienta ele, enquanto dá a última pincelada no rosto do ator que vai representar no palco o empoderamento desse universo feminino marginalizado e vai junto com o diretor e o resto do elenco gritar, sob o aplauso entusiasmado da plateia: “Machistas, fascistas, não passarão!”.

Raquel Wandelli
No Jornalistas Livres
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Facebook é acusado de falta de transparência ao reduzir alcance de páginas de 'má qualidade'

Desde o começo do ano, o Facebook vem diminuindo o alcance de páginas e de publicações brasileiras que considera abrigar "conteúdos de má qualidade".


Neste domingo (12), Cláudia Gurfinkel, líder de parcerias com veículos de mídia do Facebook para a América Latina, afirmou que sites com "quantidade enorme de anúncios dentro da página e pouco texto" e postagens "caça-cliques" têm seu alcance reduzido intencionalmente na plataforma.

Ela era uma das palestrantes na mesa "Plataformas, jornalismo e política" no festival 3i - Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente, que aconteceu no Rio de Janeiro.

O Facebook não divulga que páginas nem que postagens tiveram seu alcance restringido - ou seja, páginas ou postagens que passaram, por meio de algoritmos, a aparecer menos no mural de notícias de cada usuário. Também não informa que páginas tiveram seu conteúdo limitado ou tampouco lhes dá direito de resposta.

Gurfinkel disse à BBC Brasil que os critérios para a redução de alcance de páginas, porém, "estão publicados e divulgados" nas plataformas de divulgação do Facebook.

A reportagem apurou que veículos de imprensa brasileiros já tiveram seu alcance diminuído na plataforma porque publicaram notícias com manchetes consideradas "caça-clique" pelo Facebook.

"Se um veículo de credibilidade estiver adotando esse tipo de prática simplesmente para conseguir clique, ele também pode sofrer algum tipo de punição", afirmou Gurfinkel.

Segundo ela, parte dos indícios são identificados por meio de "machine learning" - ação do sistema que se aprimora automaticamente a partir da identificação de um padrão de comportamento, quando há várias repetições de um mesmo tipo de postagem - e outros são identificados por meio da análise de pessoas contratadas para isso.

O Facebook também diminui o alcance de páginas que pedem curtidas por meio de posts "enganosos" - ou seja, que prometem coisas em troca de curtidas -, sites de pornografia e endereços que levam para sites "diferentes daquilo que estava sendo prometido".

As ações não endereçam especificamente "fake news" (notícias falsas), mas sim todas as páginas do Facebook com "conteúdos de má qualidade", segundo Gurfinkel. "Priorizamos conteúdo de boa qualidade dentro da plataforma. Queremos que a comunidade seja uma comunidade bem informada."

A empresa foi criticada pela quantidade de notícias falsas disseminadas por meio da rede durante as eleições dos Estados Unidos no ano passado.

Na época, Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, escreveu que era "improvável" que a plataforma tivesse influenciado as eleições americanas. Depois, a empresa passou a adotar uma série de medidas para coibir notícias falsas - em maio, anunciou que manchetes "caça-cliques" seriam exibidas "com menos frequência" e que isso começaria a ser testado em outros idiomas, "incluindo o português".

"Manchetes com retenção de informações são aquelas que intencionalmente deixam de fora detalhes cruciais, ou enganam as pessoas, forçando-as a clicar para descobrir a resposta (...) Já manchetes que exageram são aquelas que usam linguagem sensacionalista nos detalhes de uma história e tendem a fazer a história parecer algo maior do que realmente é", diz o comunicado.

O Facebook elenca no texto dois exemplos do que considera manchetes que seriam "caça-cliques": "Quando ela olhou debaixo de seu sofá e viu ISSO…" e "UAU! O chá de gengibre é o segredo da juventude eterna. Você TEM que ver isso!".

Esses títulos, segundo a empresa, deveriam ter seu alcance reduzido porque retêm ou exageram informação.

Alcance controlado

Na palestra deste domingo (12), Gurfinkel respondia a uma pergunta feita por Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP (Universidade de São Paulo), que percebeu que houve diminuição no alcance de uma página política no Facebook.

Ele é coordenador de um estudo produzido pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP (GPoPAI-USP).

O grupo monitorou a evolução de mais de 200 milhões de compartilhamentos de 20 sites de abril a outubro de 2017. Só as matérias políticas foram consideradas.

A página Folha Política, que tem 1,7 milhões de seguidores no Facebook, teve uma queda vertiginosa nos compartilhamentos de suas postagens na plataforma. Em maio, os itens da página tiveram 3,3 milhões de compartilhamentos. Em outubro, esse número caiu para 37 mil. O número de publicações diminuiu de 808 a 477.

A página, de direita, publica links para sites como "Política na Rede", que não explicita seu dono nem quem são os autores dos textos curtos, publicados sem fontes jornalísticas. A BBC Brasil procurou o administrador da página na tarde desta segunda, sem sucesso.

Para Ortellado, a redução de alcance promovida pelo Facebook é tanta "que equivale a censura". "A gente pode concordar ou não que não era um site bom. Mas será que a gente quer que uma empresa defina o que deve chegar até nós?", questiona. "Uma empresa privada está decidindo o que a gente lê e o que a gente não lê."

O monopólio, por parte do Facebook, do poder de decidir que conteúdo chega ao mural de notícias dos usuários é criticado por pessoas como o historiador britânico Niall Ferguson. Para ele, cujas ideias são alinhadas à direita, os usuários não deveriam deixar a cargo da empresa a autoridade de retirar discursos de ódio da plataforma, por exemplo.

"Pessoalmente, defendo a liberdade de expressão sob o risco de me sentir ofendido pelo que os outros dizem, (mas) decidindo eu mesmo o que bloquear em vez de deixar isso para o 'Cidadão Zuck'", afirma, em referência a Mark Zuckerberg.

Gurfinkel diz que "não é que essas páginas sejam eliminadas ou que desapareçam, mas passam a ter distribuição um pouco mais limitada dentro da plataforma".

Segundo o estudo, vários sites da "grande imprensa", que servem como parâmetro para a investigação, também tiveram uma redução expressiva de compartilhamentos no período, de até 50%.

A investigação considera o número de compartilhamentos medidos em cada período de um mês, e não o total de compartilhamentos das reportagens, que podem seguir sendo compartilhadas meses depois.

Fake news

Nos Estados Unidos, o Facebook fez parcerias com empresas de checagem de notícias para identificar o que consideram ser notícias falsas. Ainda não existe essa parceria no Brasil - de acordo com Gurfinkel, isso deve ser trazido ao país "muito em breve".

Nesta segunda (13), o jornal The Guardian publicou uma reportagem em que jornalistas que atuaram no projeto americano falaram anonimamente sobre o trabalho, que acreditam ter falhado. Eles reclamam da falta de estatísticas para avaliar os resultados de seu empenho para impedir a disseminação de notícias falsas.

No Brasil, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se prepara para divulgar até dezembro um conjunto de novas regras de comportamento online para partidos e candidatos nas redes sociais durante as eleições - um dos desafios é determinar critérios objetivos para a determinação de que uma notícia ou história seja falsa.

Juliana Gragnani
No BBC Brasil
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Outra carta da Dorinha

Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Dorinha continua à frente da sua ONG (ou, como ela chama, “ONG soit qui ma y pense”) as Socialites Socialistas, que luta pela implantação no Brasil do socialismo na sua etapa mais avançada, que é restauração do tzarismo. Dorinha, inclusive, já descobriu um garçom em Braz de Pina descendente dos Romanov que aceita ser tzar pelas gorjetas e desde que conte tempo para o INPS . A ONG é financiada pelo seu quarto marido, cujo nome ela ainda não decorou. Dorinha não revela sua idade. Diz que pegou, sim, o Getúlio Vargas no colo, mas que ele já era presidente na ocasião. E nega que tenha introduzido o biquíni nas praias brasileiras, fazendo o Padre Anchieta errar a métrica. Depois de tantas plásticas Dorinha está pensando em fazer um teste de DNA para saber se ela ainda é ela, pois desconfia que só o que sobrou de autentico foi o botox. Dependendo do resultado do teste, ela se lançará como candidata a presidência da Republica e... Mas deixemos que a própria Dorinha nos conte. Sua carta veio, como sempre, escrita com tinta lilás em papel violeta, cheirando a “Mange Moi”, um perfume proibido em muitos países.

“Caríssimo! Beijos catetéricos. Sim, minha campanha está nas ruas, seguida, por enquanto, apenas por cachorros. Nas pesquisas, estou empatada com os que não sabem ou não quiseram opinar, mas as pesquisas ignoram um grande segmento da população, formado pelos meus ex-maridos. Para concorrer em 2018 só sobrarão candidatos que a Odebrecht não quis comprar, o que nos leva a desconfiar que têm algum defeito. Restarão candidatos tão chatos que quando falam em comícios o publico aplaude microfonia. Estou ditando esta carta de dentro de uma banheira jacuzzi e quem escreve é o meu personal Silvester, que só tem dois problemas com o português, as vogais e as consoantes. Estou pronta para concorrer! Ponto de exclamação, Silvester. Aquele ponto com topete. Conto com os votos dos que não querem o Lula mais na presidência mas também ninguém muito Alckimin. Como se não bastasse tudo isso, tem um redemoinho desta jacuzzi que está começando a ficar muito íntimo, reticências. Três pontinhos, Silvester.

Da tua Dorinha”.

Luís Fernando Veríssimo
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Facão: Gazeta, SBT e RedeTV! botam pra ferrar

A crise da mídia tradicional, decorrente do caos econômico (que ela tenta esconder), da explosão da internet e da sua própria perda de credibilidade, continua produzindo vítimas entre os trabalhadores. Ela já não atinge mais apenas jornais e revistas – muitos que já fecharam ou outros que estão próximos da falência, com quedas de tiragem e sumiço de anunciantes. Agora a crise impacta com força as poderosas emissoras de televisão. Nos últimos dias, SBT, Gazeta e RedeTV! botaram para ferrar contra centenas de profissionais, anunciando demissões em massa, extinção de programas e cortes de direitos.

Segundo matéria de Keila Jimenez postada nesta terça-feira (14), “o SBT iniciou um grande processo de restruturação que envolve corte de gastos e a demissão de quase 200 funcionários. E as dispensas atingem em cheio o departamento artístico. Nesta segunda-feira, 13 de novembro, Carlinhos Aguiar recebeu a triste notícia de que não faz mais parte do cast da emissora, após 30 anos de casa. Ele foi dispensado e chegou a ir atrás de Silvio Santos no cabeleireiro Jassa para tentar reverter a demissão. Mas nada pode ser feito. Carlinhos fazia parte da equipe do ‘Programa Silvio Santos’, que terá mais baixas. As demissões também vão afetar elenco e produção de programas como ‘A Praça É Nossa’, ‘Eliana’, ‘Fofocalizando’ e o jornalismo da emissora. O ‘Programa Raul Gil’ e o ‘Domingo Legal’ podem acabar”.

Já Mauricio Stycer informa que “no esforço de reduzir custos em um ano ruim, a TV Gazeta, em São Paulo, decidiu terceirizar a produção do ‘Gazeta Shopping’, tradicional programa de ofertas comerciais, exibido de segunda a domingo em variados horários. Com a decisão, cerca de 40 funcionários estão sendo demitidos. A terceirização causou indignação interna não apenas pelas demissões, mas pelo fato de que o acordo com a produtora independente que vai realizar o programa inclui a cessão das câmeras da Gazeta... A TV Gazeta é gerida pela Fundação Cásper Líbero, que é também responsável pela gestão das rádios Gazeta AM e FM, o site ‘Gazeta Esportiva.net’ e a Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero”.

Por último, em mais este calvário de péssimas notícias para a mídia tradicional, o jornalista Ricardo Feltrin noticiou na semana passada que a RedeTV! passa por um período de enormes dificuldades. Até “celebridades” da emissora estão sendo atingidas. “É o fim (temporário) de uma era: a do colunismo social televisivo. Seu maior expoente sai do ar no próximo mês, quando seu contrato vence com a RedeTV. A emissora não vai renová-lo, segundo esta coluna apurou. O ‘Programa Amaury Jr.’ deixa a grade da RedeTV! após 15 anos ininterruptos no ar. A notícia pegou de surpresa o apresentador”. Ele se reuniu com os chefões da empresa, Amílcare Dallevo e Marcelo de Carvalho para discutir a situação. “Extra-oficialmente a emissora considera que o programa já cumpriu seu papel, mas a realidade envolve a crise econômica e os investimentos cada vez menores por parte de anunciantes”.

Altamiro Borges
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‘Tadinho’ do herói Temer


Lê-se na Folha que as mensagens publicitárias do PMDB, que irão ao ar a partir de hoje, vai apresentar Michel Temer como alguém contra quem “”a perseguição ultrapassou todos os limites”.

Em um dos vídeos, ao qual a Folha teve acesso, não há citação nominal ao ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, mas um narrador afirma que houve uma “trama” para “derrubar” Temer e que ela foi “desmontada”.

E segue, claro, dizendo que tentaram derrubá-lo mas “O Brasil está de pé”.

Francamente, uma estratégia publicitária destas, apresentando um homem rejeitado por 95% da população como um “tadinho” injustiçado consegue ser pior do que a do PSDB quando se apresentou como um partido no divã, arrependido de seus erros, isso logo após as malas para Aécio.

E o pior, com o “mártir”, de viva voz, procurando apresentar-se como o herói vitorioso de uma guerra, pois a figura aparece, diz a Folha, para pregar:

“A verdade é libertadora e não só nos livra das injustiças como nos dá ainda mais mais força, vontade e coragem para seguir em frente. É isso que vamos fazer com muita convicção, porque agora é avançar”

Faltou só o folclórico deputado Carlos Marun e aquele tatuado de hena do Pará fazendo o “backing vocal” com coreografia: “tudo está no seu lugar, graças a Deus”. Pena que o Benito de Paula desautorizou o uso de sua velha música.

Tudo isso, claro, com  algumas referências que, a esta altura, só vão fazer algum sucesso no facebook do Movimento Brasil Livre, pois Jair Bolsonaro, o neoneoliberal, não vai se associar ao moribundo: “Tiramos o país do vermelho“, diz o vídeo em uma referência à cor do PT”.

E a estratégia vai além da TV, como se viu ontem no discurso do empresário e  ex-sócio de Temer que disse que ele “venceu a guerra e aqui está, sobranceiro, ao nosso lado”, sob gritos de “viva a direita” e o “o Brasil está nos trilhos” gritados por uma platéia de vereadores e funcionários de Itu, lugar realmente apropriado para tal pretensão de grandeza.

O “low profile” que o bom senso recomendaria a Temer é deixado de lado pela pretensão que tem em se “cacifar” para um processo eleitoral onde ninguém quer tê-lo por perto – embora muitos queiram o poder da caneta e do dinheiro governista.

Como diz um amigo, um idiota só é completamente idiota quando se acha genial.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Família de Luiz Gushiken será indenizada por matérias publicadas pela revista Veja

Para STJ, textos foram publicados sem o devido cuidado de apuração.


A 3ª turma do STJ manteve decisão do TJ/SP que obrigou a Editora Abril a indenizar por danos morais a família do ex-ministro Luiz Gushiken, morto em 2013, devido a matérias publicadas pela revista Veja em 2006. Para o colegiado, as matérias foram publicadas sem o devido cuidado de apurar as informações, baseadas apenas em informações de uma fonte, ficando caracterizado dessa forma o dever de indenizar.

Segundo a relatora do recurso, ministra Nancy Andrighi, “o veículo de comunicação somente se exime de culpa quando busca fontes fidedignas, exercendo atividade investigativa, ouvindo as diversas partes interessadas e afastando quaisquer dúvidas sérias quanto à verossimilhança do que divulgará” – o que, afirmou ela, não ocorreu no caso.


De acordo com os autos do processo, a revista publicou informações de que um empresário estaria chantageando o então ministro Luiz Gushiken, fazendo ameaças de que revelaria contas ilícitas no exterior em seu nome, caso não tivesse pedidos atendidos pelo governo. Gushiken não foi ouvido pela reportagem e, segundo afirmou depois, tais contas nunca existiram.

Em primeira instância, a editora foi condenada a pagar R$ 10 mil por danos morais, valor que foi aumentado para R$ 100 mil pelo TJ/SP. Para o tribunal estadual, a revista não buscou o contraditório antes de publicar as denúncias, o que causou o dano à imagem do ex-ministro.

A ministra Nancy Andrighi destacou que o jornalista “tem um dever de investigar os fatos que deseja publicar” e, portanto, foi correta a decisão do tribunal de origem de manter a condenação por danos morais, tendo em vista a ausência de apuração dos fatos antes da publicação dos textos.

A relatora afirmou que a condenação não significa cerceamento à liberdade de expressão, mas sim uma consequência jurídica da divulgação de informações falsas.
“O direito à informação não elimina as garantias individuais, porém encontra nelas os seus limites, devendo atentar ao dever de veracidade, ao qual estão vinculados os órgãos de imprensa, pois a falsidade dos dados divulgados manipula em vez de formar a opinião pública.”
Nancy Andrighi lembrou que, para a jurisprudência do STJ sobre o tema, a obrigação de indenizar não é configurada quando o trabalho da imprensa cumpre três premissas: o dever geral de cuidado, o dever de pertinência e o dever de veracidade.

O recurso da editora também foi negado no ponto em que questionou o valor da indenização. A relatora citou precedentes para justificar que o valor estipulado pelo TJSP está dentro dos parâmetros seguidos pela jurisprudência, levando em conta a capacidade econômica do condenado.

Processo
REsp 1676393
Veja a íntegra da decisão.

Fonte: STJ
No Migalhas
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Diretor acusado de pagar propina no futebol recebeu procuração da Globo

Responsável pela aquisição dos eventos esportivos da Rede Globo nas últimas décadas, Marcelo Campos Pinto tinha procuração para negociar os contratos no Brasil e no exterior em nome da família Marinho, dona da emissora.

Ele
Marcelo Campos Pinto, responsável pela aquisição dos eventos esportivos da Rede Globo nas últimas décadas, tinha procuração para negociar os contratos no Brasil e no exterior em nome da família Marinho, dona da emissora. O documento, obtido pelo Jornal da Record, é datado de 12 de março de 2013. No mesmo mês da procuração, a Rede Globo, a Televisa e a Torneos concordaram em pagar US$ 15 milhões de propina para garantir os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030, segundo o ex-presidente da empresa Torneos Y Competencias, Alejandro Burzaco. As informações são de Luiz Carlos Azenha e Tony Chastinet no R7.

A revelação foi feita nesta quarta-feira (15) na audiência de julgamento do ex-presidente da CBF José Maria Marin, em Nova York. A operação do FBI para investigar a Fifa, deflagrada em maio de 2015, tirou o executivo das sombras e colocou os negócios dele no foco do FBI. A procuração, para tratar exclusivamente da negociação dos direitos de transmissão dos torneios da entidade máxima do futebol, demonstra o poder e a autonomia de que gozava Campos Pinto, então diretor de esportes da Globo.

Nos bastidores, Marcelo Campos Pinto era o poderoso chefe de esportes da Rede Globo com acesso direto aos dirigentes da CBF e da Fifa. Com a eclosão do escândalo, foi exposta a relação próxima do executivo com cartolas investigados e presos. O ex-diretor da Globo deixou a emissora dias depois da extradição de Marin para os Estados Unidos.

No Fórum
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Xadrez do CBF, FIFA e a Globo faz a diferença na Justiça


Peça 1 - as relações históricas com o MPF

Antes da Lava Jato e das jornadas de junho de 2013, já havia um acordo tácito entre a imprensa - Globo à frente - e procuradores.

Matérias penais sempre renderam leitura e audiência. A mídia ia atrás dos escândalos investigados, selecionava alguns e lhes dava visibilidade. Sua participação era duplamente vantajosa para o procurador contemplado. Dando visibilidade ao processo, reduzia as resistências dos juízes. E elevava o procurador, ainda que provisoriamente, ao status de celebridade.

Cunhou-se uma expressão no MPF: só vai para frente processos que a mídia bate bumbo.

Nas décadas 1990 e 2.000 a parceria produziu vários episódios de repercussão e algumas injustiças flagrantes, como o episódio do hoje desembargador Ali Mazloum.

No início do Twitter, era notável a quantidade de procuradores que colocava no perfil uma foto com um microfone da Globonews, como sinal de status, confirmando o extraordinário poder de persuasão dos holofotes da mídia.

Com o tempo, essa parceria foi institucionalizada. Os procuradores passaram a receber aulas de midia training - mais focadas em ensinar como poderiam impressionar o repórter e arrancar uma manchete, do que em discorrer sobre a missão do Ministério Público.

Gradativamente, o uso do cachimbo passou a entortar a boca do MPF. Ao se preocupar em atender às demandas da mídia, o treinamento ia amoldando sua forma de atuação àquilo que fosse mais atraente para os jornais. Um número cada vez maior de procuradores passou a buscar o endosso da mídia para seus processos.

Essa aproximação se ampliou com o endosso da Globo a prêmios como o Innovare – por si, uma iniciativa relevante – e “Faz a Diferença” - uma tentativa canhestra, provinciana (e eficiente) de cooptar pessoas através da lisonja.

No "mensalão" a parceria se consolidou.

O MPF descobre que, dando foco na aliança com a mídia, poderia passar do estágio das cooperações pontuais para uma parceria capaz de torná-lo um poder de fato, fugindo das limitações nem sempre legítimas impostas pelo Judiciário e Executivo.

Mundialmente, já estava em andamento a crise das instituições, atropeladas pela nova ordem midiática, com a velha mídia ou através das redes sociais.

A manipulação não veio de jovens procuradores deslumbrados, mas do cerne da organização.

As figuras referenciais do MPF, aliás, nos devem explicações sobre essa primeira incursão no ativismo político, que se baseou em falsificação de provas - o tal desvio da Visanet que nunca houve - para tentar derrubar o governo.

Essa falsificação passou por dois PGRs – Antônio Fernando de Souza e Roberto Gurgel -, um ex-procurador – Joaquim Barbosa – e um grupo de procuradores de ponta atuando nos grupos de trabalho.

Barbosa escandalizou-se com os abusos do impeachment. Mas cabe a ele o duvidoso mérito de ter inaugurado a manipulação dos processos para fins políticos e de autopromoção.

A trajetória do Procurador Geral Antônio Fernando de Souza, aposentando-se e ganhando um megacontrato da Brasil Telecom de Daniel Dantas - a quem ele poupou na denúncia -, sem nenhuma reação da corporação, já era um indício veemente de que alguma coisa estranha ocorria no âmbito do MPF.  Tudo pelo poder passou a ser a bandeira.

O clima de catarse, proporcionado pela aliança com a mídia, contra um alvo fixo - o governo do PT - abriu um leque de possibilidades inéditas para a corporação. Gradativamente trocou a velha senhora, a Constituição, pelo deslumbramento com o novo mundo que se abria, ofertado pelo Mefistófeles do Jardim Botânico.

Quando eclodiram os movimentos de rua de junho de 2013, a parceria foi formalizada. A Globo montou uma campanha contra a PEC 37 - que ninguém sabia direito o que era, mas sabia que era de interesse do MPF. Quando veio a Lava Jato, assumiu as redes da corporação.

Peça 2 - o novo padrão de parceria

Com a Lava Jato consolida-se definitivamente o novo padrão de parceria. E o MPF se torna um instrumento da Globo, conduzido pela cenoura e o chicote. Bastava dar foco nas investigações de seu interesse, e jogar no limbo as investigações que não interessavam, para tornar o MPF um instrumento dócil de seus objetivos políticos.

O caso Rodrigo De Grandis é exemplar. Há indícios veementes de que o atraso na liberação de provas para o MP suíço visou blindar políticos paulistas envolvidos com os escândalos da Alstom.

Cobrado pelos suíços, o Ministério da Justiça solicitou diversas vezes os documentos, o que afasta definitivamente a hipótese de que a não entrega foi fruto de um esquecimento pontual da parte dele. Bastou a mídia tirar foco das investigações para o procurador ser inocentado.

A parceria consolidou-se com um padrão cômodo de acolhimento de denúncias por parte do MPF. Só é aceito como denúncia o que parte dos seus aliados da mídia. Denúncias de outras fontes, ainda que bem fundamentadas, são ignoradas.

Esse mesmo padrão viciado – embora menos óbvio – ocorreu com grupos jornalísticos de outros países. A ponto de os grandes escândalos recentes – do assédio sexual em Hollywood aos escândalos dos grupos de mídia com a FIFA – serem levantados por sites alternativos, como o BuzzFeedd e Intercept, bancado por bilionários do setor de tecnologia visando quebrar os tabus na cobertura da mídia tradicional.

No Brasil, essa estratégia, de só aceitar denúncias vindas da velha mídia, gerou o estilo viciado de investigações, com todo o sistema de investigação subordinado ao que é acordado pela Globo com o MPF e, subsidiariamente, com a Polícia Federal.

A maior prova dessa parceria foi a mudança da linha de cobertura do Jornal Nacional.

Dia após dia, passou a ser dominada pela cobertura policial-jurídica, de difícil compreensão pelo público mais amplo, mas essencial para o controle e direcionamento das ações do MPF.

Sacrificou-se a audiência em favor de um protagonismo político explícito, investindo na parceria com o MPF.

Peça 3 - as interferências diretas

O episódio da delação da JBS foi o corolário dessa atuação. Ocorreu dias depois do Ministério Público espanhol denunciar Ricardo Teixeira por corrupção na venda dos direitos de transmissão da Copa Brasil - da qual a única compradora foi a Globo.

Ou seja, um escândalo brasileiro, com personagens brasileiros, ocorrido em território brasileiro, e desvendado pelo Ministério Público espanhol. Outra parte do escândalo levantado pelo FBI. Uma terceira parte pelo Ministério Público suíço. E nada pelo Ministério Público Federal do Brasil.

Poucos dias antes, vazou a informação de que o Ministério Público espanhol tinha levantado a prova decisiva da corrupção da Globo: a compra dos direitos de transmissão da Copa Brasil, sem o uso de “laranjas”. Três pessoas sabiam disso na Globo: João Roberto Marinho, Ali Kamel e o vice-presidente de Relações Institucionais.


A saída foi o pacto de sangue com o Procurador Geral da República, dando endosso total à delação da JBS, levando a Globo a romper com a organização criminosa que ela levou ao poder.

No mesmo dia da conversa, o material foi encaminhado para o colunista Lauro Jardim. E à noite recebeu cobertura intensa e desorganizada, porque improvisada, do Jornal Nacional.

Quando teve início a campanha para a eleição da lista tríplice, dos candidatos a PGR, a Globo atuou como cabo eleitoral explícito de Rodrigo Janot, sendo cúmplice em várias armações contra Raquel Dodge. Como na reunião do Conselho Superior do Ministério Público, na qual Janot se baseou em interpretações falsas para acusar Dodge de pretender prejudicar a Lava Jato. E a manipulação foi endossada nas publicações da Globo.

Peça 4 - a organização criminosa

Têm-se, portanto, um poder de Estado sendo conduzido por uma organização privada, a Globo. Aí se entra em um terreno pantanoso: como se comporta essa organização na sua atividade corporativa?

É importante a diferença entre as palavras e os atos.

O gráfico abaixo foi produzido pelo relatório alternativo da CPI do Futebol, uma das muitas CPIs que apontavam explicitamente o envolvimento da Globo na corrupção esportiva. E que não deram em nada.


Ele se refere à quinta forma de corrupção na FIFA e na CBF, onde o ponto central, de onde fluíam os recursos para toda a cadeira criminosa, eram os patrocínios adquiridos pelas emissoras de TV.

Têm-se aí todos os ingredientes de uma associação criminosa. Conforme descrito pela CPI:

O núcleo diretivo da CBF está conformado nos seus principais dirigentes (presidente, vice-presidentes e diretores) que, com unidade de desígnios, executam planos criminosos, objetivando o enriquecimento ilícito.

O núcleo empresarial está assentado nas empresas contratualmente ajustadas com a entidade nos acordos comerciais, com combinação de preços para pagamento de vantagens indevidas.

O núcleo financeiro comporta determinadas empresas responsáveis pela transferência dos ativos ilícitos aos dirigentes e funcionários da CBF, além daquelas interpostas nos acordos comerciais celebrados entre a CBF e as contratadas (núcleo empresarial), cabendo as postadas de permeio o repasse de parte das comissões ao núcleo diretivo, como forma de propinas.

O esquema montado pela organização criminosa extremamente sofisticado e de difícil elucidação. Por isso, a atuação do FBI na prisão do ex-presidente JOSÉ MARIA MARIN, na Suíça, por crimes relacionados ao FIFA CASE, mesmo caso em que RICARDO TERRA TEIXEIRA, MARCO POLO DEL NERO e outros brasileiros foram denunciados pelo Departamento de Justiça Americano.


O papel da Globo não foi apenas o de provedora inicial dos recursos distribuídos pelas diversas peças da engrenagem criminosa. Foi fundamental também para a blindagem política de Ricardo Teixeira.

Na CPI da Nike, em 2001, o Senado Federal levantou 13 imputações de crime a Teixeira. Nada resultou no âmbito do Ministério Público Federal. Houve outras CPIs, outras descobertas retumbantes, enterradas sob o silêncio do MPF e da mídia.

Houve apenas um início de investigação, que parou em uma juíza da 1ª instância.

Peça 5 – a hora da verdade

Dia desses saiu a notícia, sem muito alarde, de que o ex-procurador Marcelo Miller vibrou quando a Lava Jato chegou em Aécio Neves. Miller não era um petista, longe disso; nem um anti-aecista. Mas estava nítido, para parte relevante da corporação, que a blindagem de Aécio tornava o MPF uma instituição de segunda categoria, porque restrita a um espaço delimitado.

Pelas redes sociais foi visível o alívio de procuradores, tirando de si (na opinião deles) a carga de terem espaço para agir apenas contra o PT.

Agora, se chegou à hora da verdade em relação à Globo.

As evidências de crime são enormes, e não apenas na confissão do lobista Alejandro Burzaco, à corte de Nova York. Há os inquéritos na Espanha, batendo direto na Copa Brasil. Há as investigações na Suíça.

E há uma nova Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, no maior desafio que um PGR enfrentou, provavelmente desde a Constituição: provar que o MPF é um poder de Estado de fato, e que não existem intocáveis na República.

São tão abundantes as informações que jorram do exterior, que não será possível esconder o fato debaixo do tapete, como foi feito em outros tempos com tantos inquéritos.

Do desafio de investigar a Globo se saberá se o MPF se assumirá como poder de Estado, ou se continuará atrelado a uma organização criminosa.

Luís Nassif
No GGN
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