15 de nov de 2017

A agonia da Abril, a decadência da 'Veja' e a hora da Globo

Nesta segunda-feira (13), o Grupo Abril – que edita várias revistas, entre elas a fascistoide “Veja” – divulgou um comunicado preocupante aos seus funcionários. Sem maiores explicações, informou que o executivo Walter Longo vai deixar a presidência da empresa após apenas dois anos no cargo. Ele será substituído por Arnaldo Figueiredo Tibyriçá, vice-presidente jurídico da corporação há 15 anos. A abrupta mudança atiçou o pânico nas redações do Grupo Abril, sinalizando que novas demissões podem ocorrer nas próximas semanas. No mercado editorial há consenso de que a empresa passa por uma fase de enormes dificuldades financeiras. Alguns especialistas garantem que ela está agonizando, beirando a falência.

Segundo uma notinha publicada na Folha, “a empresa está implementando neste momento um processo de reestruturação na tentativa de reverter os prejuízos causados pela crise econômica e pelas transformações no mercado de mídia. Enxugou o portfólio de produtos e reduziu praticamente pela metade o número de funcionários. O corte mais recente foi anunciado na segunda-feira da semana passada (6): o fechamento da revista de moda Estilo, versão brasileira da marca americana InStyle”. Diante do clima de medo, inclusive entre os jornalistas que ainda insistem em chamar o patrão de companheiro, o presidente do conselho de administração do Grupo Abril, Giancarlo Civita, divulgou uma nota lacônica, tentando aparentar tranquilidade.

Entre outras baboseiras, o neto do fundador da Abril, Victor Civita, e filho de Roberto Civita, criador da revista Veja, agradece a colaboração do agora defenestrado Walter Longo, afirmando que os seus serviços “foram fundamentais para mostrar ao mercado que a Abril é uma empresa dinâmica e multidisciplinar e que a sua força e importância estratégica seguem contando com o total apoio dos principais agentes do segmento de comunicação e mídia”. Pura bravata do famoso embusteiro. Como afirma o blogueiro Luiz Nassif, que conhece bem os bastidores desta decadente empresa, “a troca de presidente da Editora Abril é mais um capítulo da sua agonia”.

“A mudança faz parte de uma nova tentativa de reequacionar as dívidas do grupo. No ano passado houve uma outra reestruturação, acertada com os credores fora do âmbito recuperação judicial. A empresa trocou o prédio da Marginal por um edifício menor, no Morumbi, fechou diversas revistas e lançou uma modalidade de assinatura, dando direito a todas as publicações. O ajuste foi insuficiente. Este ano precisou recorrer aos bancos para bancar a folha. E não teve recursos para bancar os direitos de um grupo de funcionários demitidos. Agora, entra em uma segunda rodada de negociações com os bancos. Mas, aparentemente, não conseguiram identificar um modelo de negócios sustentável. Veja continua alardeando uma tiragem de 1,2 milhão. No mercado, não se acredita que a venda efetiva seja superior a 500 mil”.

Altamiro Borges



A hora da Globo


Não vejo Jornal Nacional, por recomendação médica, mas fui ver o VT da edição recente, sobre o escândalo da Fifa.

É pânico em estado puro.

Sem nenhum outro argumento, o JN anunciou, em quatro oportunidades, num jogral constrangido de seus apresentadores, que uma "investigação interna" nada encontrou que corroborasse a denúncia de pagamento de propina feita, nos Estados Unidos, pelo empresário argentino Alejandro Burzaco.

"Investigação interna" é, obviamente, uma fantasia ridícula pensada às pressas para ser colocada no Jornal Nacional, uma vez que a outra alternativa - não falar sobre o assunto - deixou de ser viável, por causa das redes sociais.

Qualquer mentecapto, mesmo entre os que veem o JN todo dia, percebeu que nunca houve investigação interna nenhuma, mas a construção de uma desculpa esfarrapada para segurar as pontas enquanto a turma decide como sair dessa enrascada com a cabeça em cima do pescoço.

Explica-se: o crime de perjúrio, nos Estados Unidos, é gravíssimo, e o processo de delação, ao contrário do que ocorrer na República de Curitiba, existe para gerar consequências práticas dentro do processo legal. Em suma, o Judiciário americano não usa a delação para fustigar inimigos, mas para produzir provas.

Burzaco não iria acusar a Globo e outra meia dúzia de ultrapoderosos grupos internacionais de mídia se não tivesse como provar o que está dizendo.

E como a Globo não tem como amansar juízes dos EUA com diáfanas premiações do tipo faz-a-diferença, é certo que, pela primeira vez na vida, os Marinho correm um risco real de se dar mal.

A conferir.

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A “propina que não houve” da Globo (e Televisa) foi de R$ 50 mi, diz delator (+ vídeo)




Agora há pouco no UOL, o repórter James Cimino revela que o advogado Alejandro Burzaco relatou à justiça dos Estados Unidos que a Globo e a Televisa (do México) teriam, em março de 2013, pago US$ 15 milhões (cerca de R$ 50 milhões em cotação atual) em propinas à Torneos y Competencias (TyC), para serem repassados a Julio Grondona, vice-presidente executivo e Presidente Financeiro da FIFA, morto em julho de 2014.

O pagamento seria parte da venda de direitos de transmissão das copas de 2026 e 2030. Os direitos eram vendidos à subsidiária holandesa da  “Torneos”, a T & T Sports Marketing BV, em sociedade com a Traffic – do empresário e sócio da Globo em uma emissora, J. Háwilla –  que os revendia à Globo e à emissora mexicana, enviando dinheiro para uma conta no banco suíço Julius Baer – o mesmo que operou para Eduardo Cunha – destinada a Grondona.

Burzaco disse ainda que teve uma reunião com Marco Polo del Nero, atual presidente da CBF e procurado pela Interpol, José Maria Marin – preso nos EUA – e o próprio Háwilla, onde se reclamava do “o atraso do pagamento de propinas relacionadas à venda dos direitos de transmissão da Libertadores e Copa Sul-Americana”.

O colunista Rodrigo Mattos, também do UOL, reproduziu documentos que provam a existência de vínculos contratuais entre a Globo e a subsidiária holandesa da “Torneos”, empresa do delator, por  pelo menos 11 anos, de 2005 a 2016 .

Nada disso, claro conta das “exaustivas investigações” feitas pela própria Globo, que diz ser honestíssima baseada no argumento de que é honestíssima, ora, pois, pois.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A Revolução Russa e o adeus a Lenin (Imagens raras)


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Odeia a globalização?


Experimente o Localismo, não o nacionalismo

Não é preciso nem dizer, mas há mudanças em curso na economia política do mundo. Onde há globalização, há quem proteste contra a globalização. Isso não é nada novo, mas está se tornando convencional.

A antítese da globalização, o nacionalismo, e a busca dos interesses de seu próprio país em relação aos de todos os demais, efervesceu novamente na Europa. E não é apenas a Europa, claro. Nos EUA, o presidente Donald Trump está (entre outras iniciativas) reconsiderando o compromisso norte-americano com o livre comércio.

No restante do mundo, a experiência da globalização mostra que ela produz vencedores e perdedores. Isso varia geograficamente e em diferentes áreas econômicas, e aparece em diferentes aspectos de nossas vidas.

E assim, alguém em Londres pode descobrir que sua casa vale mais. À medida que o capital estrangeiro flui para comprar grandes faixas da capital do Reino Unido, ele aumenta sua riqueza, enquanto outros podem ser empurrados para fora do mercado. Em alguns setores do mercado, os salários podem estar em declínio como resultado da concorrência global, migração, precarização ou automação. Em última análise, no entanto, não é uma questão de saber se a globalização causa essas mudanças, mas é que as pessoas sentem que sim.

Paredes e lamentos 

A globalização não é, contudo, uma questão meramente de comércio, migração e terceirização estrangeira. Para muitos, a Grã-Bretanha parece estar à venda conforme uma proporção crescente de empresas do Reino Unido e ativos respondem a proprietários estrangeiros.

A teoria econômica sugere, portanto, que a nação será cada vez mais administrada em benefício do capital estrangeiro, ao invés dos cidadãos. Além disso, há o risco de o influxo de capital estrangeiro valorizar a taxa de câmbio, dificultando a exportação, reduzindo a produção industrial e reduzindo o emprego nos setores afetados.

Para protegê-los de forças além de seu controle, cidadãos em todo o mundo estão buscando cada vez mais a proteção pelo Estado-nação. Consequentemente, o surgimento do que é muitas vezes chamado de nacionalismo. Como Abraham Lincoln observou:

O objeto legítimo do governo é fazer por uma comunidade de pessoas o que elas precisam que seja feito, mas não podem fazê-lo, ou não podem fazê-lo bem, por si mesmos em suas capacidades separadas e individuais.

É evidente que nenhum indivíduo ou comunidade pode se opor às forças do capital global, e os governos ocidentais parecem avessos em dar à mão-de-obra os meios para se proteger, por exemplo, ao aumentar os direitos laborais e a sindicalização. No entanto, na busca por um governo forte para protegê-los, os cidadãos correm o risco de conceder ao Estado muito poder sobre suas vidas.

Não é de modo algum garantido que as políticas que se adequam a um governo doméstico forte serão melhores do que as que se adequam às corporações multinacionais de propriedade estrangeira. Além disso, a história indica que o medo do capital global pode ser cooptado por políticos inescrupulosos para o medo de outras nações ou medo de outros povos.

Pensar localmente

Em vez de nacionalismo, portanto, podemos recorrer ao localismo. No contexto do Reino Unido, isso pode ser a devolução com o poder real (financeiro) localizado, com esse poder implementado através do governo local e de negócios locais.

Uma economia de grandes empresas (operada em benefício de proprietários globais) é aquém do ideal para o indivíduo e a sociedade. Em contraste, uma sociedade de muitos pequenos negócios locais é mais resiliente, mais empoderadora e mais em consonância com o espírito do capitalismo e do mercado. Devemos também ter em mente que o aumento da concentração das empresas (em menor número, mas maiores) é um motor de crescente desigualdade. Se um negócio é muito grande para falhar (ou ser permitido a falhar), então o governo falhou em seu dever de manter os negócios pequenos.

A teoria econômica indica que aqueles sem participação em uma comunidade além da extração de lucro evitam sofrer efeitos adversos localizados, como desemprego, pobreza, escassez e desalojamento. A teoria econômica indica que aqueles que vivem e trabalham em uma comunidade têm uma participação maior em sua prosperidade.

O governo também pode considerar como podemos prevenir que aqueles que sequer moram no país possam elevar os preços do mercado imobiliário.

A proteção local contra a exploração por interesses globais requer a combinação correta de políticas globais e locais. E políticas do governo local requerem financiamento adequado. Por poder financeiro local não quero dizer impostos locais. Isso tem o potencial de fragmentar a nação, como tem, até certo ponto, na União Europeia (quer percebida correta ou incorretamente).

Se financiarmos a educação ou a assistência social com os impostos locais haverá, por exemplo, a tendência de um nivelamento por baixo, uma vez que as autoridades locais serão motivadas a terem um desempenho abaixo do esperado para incentivarem famílias vulneráveis a irem morar em outro lugar. Os impostos devem ser coletados a nível nacional e compartilhados proporcionalmente (com base no perfil demográfico) para as autoridades descentralizadas.

Não há espaço aqui para discutir em detalhes outras possíveis políticas de localismo, mas existem muitas maneiras de promover propriedade e empoderamento local. Isso poderia incluir moedas locais, estímulos para habitação social, propriedade de serviços públicos pela autoridade local ou apoio a lojas de rua de propriedade local. No entanto, não é uma combinação de políticas que sugiro, mas é uma ênfase.

Em última análise, a única alternativa viável à escolha atualmente disponível, a escolha de Estado Grande ou Negócios Grandes, é Estado Pequeno e Negócios Pequenos, ou mais apropriadamente Governo Local e Negócios Locais. A busca pelo localismo exigirá uma mudança sistêmica na forma como o governo nacional molda a sociedade, mas sugiro que não seja possível promover a justiça social em um contexto capitalista de nenhuma outra maneira.

Kevin Albertson, Professor de Economia na Universidade Metropolitana de Manchester (Reino Unido). 

Este artigo foi originalmente publicado em The Conversation. Leia o original aqui.
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A GloboNews e “Os Transgressores”


Liguei na GloboNews hoje, 12/11, à tarde. Desde 2014 e da campanha pró-impeachment, passei a assistir cada vez menos à emissora, por não suportar a mesmice da pauta neoliberal, na economia, e reacionária, em relação aos direitos sociais, que passou a rechear os horários do canal noticioso do Grupo Globo.

Estava sendo transmitido o GloboNews Documentário. Quando liguei a TV, o tema era Paulo Freire e seu papel fundamental para a educação e a alfabetização. Depois, o filme abordou a militância do estilista Carlos Tufvesson e sua luta contra a homofobia.

Na sequência, o documentário passou a tratar da trajetória de Celso Athayde e da criação da CUFA, a Central Única das Favelas. Por fim, a retratada foi Lucinha Araújo e a Sociedade Viva Cazuza, que dá assistência a crianças e adolescentes portadores do vírus da AIDS.

Centrado nesses quatro personagens — Paulo Freire, Carlos Tufvesson, Celso Athayde e Lucinha Araújo — e em suas lutas por causas sociais, é, indiscutivelmente, um documentário favorável à inclusão e contra a intolerância.

Uma coprodução da Cinética Filmes com a GloboNews e a Globo Filmes, de 2017, o documentário tem por título “Os Transgressores” e foi dirigido por Luis Erlanger, jornalista de longa trajetória no jornal “O Globo” e na TV Globo.

Por que resolvi escrever este texto?

No auge da campanha pró-impeachment, em que o Grupo Globo buscou, por todos os meios, insuflar as pessoas a ir às ruas de verde e amarelo, contra o PT, Dilma e Lula, documentários como este não eram usuais na programação dos veículos “globais”. Era necessário fazer vistas grossas à presença da extrema-direita nas ruas.

Ao lado do antipetismo, estavam intolerantes e violentos: racistas, misóginos e homofóbicos. Gente simpatizante de Bolsonaro e que vota em parlamentares da bancada BBB, da “Bala, Bíblia e Boi”.

Neste momento, o Grupo Globo está buscando dissociar-se da extrema-direita. A mesma extrema-direita com a qual somou forças para que o golpe de 2016 fosse consumado.

Nos atos de 2015 e 2016 a favor do impeachment, cartazes homofóbicos, racistas e contrários aos direitos humanos estavam nas ruas, junto com aqueles de ódio aos “petralhas”, às esquerdas e aos movimentos sociais.

Cartazes com frases como “Fora Dilma e leve o PT junto”, “A nossa bandeira jamais será vermelha”, “A culpa não é minha, eu votei no Aécio,” e “Chega de doutrinação marxista, basta de Paulo Freire” proliferavam. Tudo isso com o aval do Grupo Globo, que os endossava ou os escondia, no caso daqueles empunhados pela direita mais intolerante e extremista.

Mais de um ano depois de consumado o golpe, o Grupo Globo quer enganar a quem? Quer esconder que esteve aliado à extrema-direita para golpear a democracia? E, junto com a democracia, os direitos sociais e os direitos humanos?

Quer esconder que apoiou a chegada ao poder deste projeto excludente do (des)governo de Temer?

A família Marinho apoiou o golpe civil-militar de 1964 e o regime ditatorial militar, que durou duas décadas. Apoiou o golpe de 2016 e a campanha virulenta que visou à destruição do PT, de Dilma, Lula e de todas as esquerdas.

E agora resolveu endossar campanhas antirracistas, anti-homofóbicas e em defesa dos direitos humanos.

Mas continua a favor de um projeto neoliberal de enxugamento do Estado, de privatizações do patrimônio público a preços vis, e de retirada de direitos trabalhistas e sociais.

Não é possível deixar-se enganar pelo “canto da sereia”.

O Grupo Globo foi golpista em 1964 e 2016. E continua sendo a #GloboGolpista.

Kátia Gerab Baggio é historiadora e professora de História das Américas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
No Viomundo
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Tacla Durán e a Odebrecht: por que o Brasil deve prestar atenção no que ele tem para dizer

Tacla Duran na Espanha
O acordo de delação premiada que executivos da Odebrecht fizeram com a Justiça no Panamá está sendo contestado por advogados daquele país em razão da inconsistência das declarações.

O advogado Francisco Carreira declarou a um jornal local, A Crítica, que os depoimentos dos delatores têm se apresentados parciais e essa falta de informação cria dúvidas na população.

A empresa mentiu ao dizer, num primeiro momento, que havia doado 59 milhões de dólares para campanhas de políticos panamenhos.

Em seu depoimento, prestado na semana passada, o ex-diretor da empresa no Panamá, André Rabello, admitiu que o valor da propina foi maior: 86 milhões de dólares.

Até essa cifra é contestada. Pode ser mais. Isso porque os executivos da Odebrecht admitiram o pagamento de suborno a equipes do ex-presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, mas não falaram nada a respeito do atual, Juan Carlos Varela, que também teria recebido recursos da empresa brasileira para sua campanha, em 2014.

A Odebrecht é uma das maiores empresas no Panamá e continua operando no país, com contratos com o governo atual. 

No acordo de delação premiada firmado lá, a empresa se comprometeu a devolver aos cofres públicos 220 milhões de dólares, mas só desembolsou até agora 10 milhões de dólares.

O restante será pago ao longo de 12 anos.

O que chamou a atenção dos advogados é o o silêncio da empresa quanto ao governo atual, e por isso já existem, segundo o advogado panamenho Francisco Carrera, bancas preparando ação para contestar o acordo na Justiça.

Segundo ele declarou em um programa de televisão no Panamá, uma das falhas do acordo é que os procuradores não interrogaram os executivos da Oderecht a respeito das declarações de Rodrigo Tacla Durán.

“Como é do conhecimento público, o advogado brasileiro-espanhol Rodrigo Tacla Durán implicou o atual presidente Juan Carlos Varela no escândalo da Odebrecht, ao apontar que parentes do chefe de Estado receberam dinheiro da construtora, que foram colocados na campanha eleitoral”, observa o jornal.

Para o advogado, o grande problema da Procuradoria do Panamá, responsável pelo acordo, é que faltam recursos para fazer uma investigação a partir do que dizem os delatores.

Tacla Durán está na Espanha e, segundo advogados dele com quem eu conversei, o problema não é este.

É falta de interesse para investigar.

Haveria no País um grande acordo, para não envolver o atual presidente e manter tudo como está, inclusive os contratos do governo com a Odebrecht.

As declarações de Tacla Durán, muitas vezes acompanhadas da extratos bancários, cópias de e-mails e outros documentos, têm provocado um terremoto em vários países — estranhamente, não no Brasil.

Em Andorra, por exemplo, principado vizinho à Espanha, Tacla Durán se tornou testemunha protegida da Justiça.

Ele era acusado de realizar operações suspeitas através da Banca Privada de Andorra, BPA, em transferências para políticos de vários países — BPA não fez pagamentos a políticos brasileiros. Mas contou que seu papel no caso era de advogado, responsável pelas contas abertas pela Odebrecht, e entregou documentos que tinha. Resultado: deixou de ser réu e passou a testemunha.

Sua colaboração com a Justiça de Andorra é considerada tão forte que o principal jornal da Espanha, o El País, a tomou como base para uma série de reportagens que está tendo repercussão na Europa e, principalmente, nos países da América Latina onde a Odebrecht opera. É chamada de Odebrecht Papers.

Nessa série, estão publicadas as informações que colocam em cheque o acordo de delação da empresa no Panamá.

No Brasil, segundo Tacla Darán, os acordos fechados pela empresa, com a ajuda do ex-procurador Marcelo Miller, também são inconsistentes.

Ele tem documentos que mostram que houve fraude nos documentos juntados, como extratos bancários adulterados ou montados, e a omissão de contas bancárias.

Tacla Durán tem depoimento marcado para o dia 30, na CPMI da JBS, através de videoconferência.

Procuradores que participaram do acordo de delação da Odebrecht têm se manifestado contra esse depoimento. O juiz Sergio Moro, de Curitiba, também coloca em dúvida a credibilidade de Tacla Durán.

Mas o depoimento do advogado é fundamental para os interesses do Brasil, caso o que se queira seja buscar a verdade, e não tomar a Odebrecht como instrumento para perseguição política.

Nos países onde tem colaborado — e isso inclui os Estados Unidos —, Tacla Durán tem esclarecido pontos obscuros da relação da Odebrecht com o poder público ou com poder influencia o público, e isso inclui não apenas o mundo político, mas também o Judiciário, os procuradores e os meios de comunicação.

Por que seria diferente no Brasil?

Joaquim de Carvalho, de Madrid
No DCM
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Globo tinha contrato com empresa de delator que a acusa de pagar propinas


A Globo comprava os direitos de transmissão da Libertadores da empresa Torneos Y Competencias, que era controlada pelo executivo Alejandro Burzaco, que acusou a emissora de pagar propina a cartolas sul-americanos; informação foi divulgada nesta quarta-feira, 15, pelo jornalista Rodrigo Mattos; a Torneos, empresa de Burzaco, era dona de parte da empresa T & T Sports Marketing BV, que adquiriu todos os direitos da Libertadores; documentos obtidos no caso 'Panama Papers' mostram que a Globo e a T & T mantinham relação contratual por 11 anos, de 2005 a 2016 quando foi rompido elo pelo escândalo na Conmebol; em média, a emissora pagou US$ 16 milhões por ano pela Libertadores, preço bem abaixo do padrão do mercado brasileiro pela competição

A Globo comprava os direitos de transmissão da Libertadores da empresa Torneos Y Competencias, que era controlada pelo executivo Alejandro Burzaco, que acusou a emissora de pagar propina a cartolas sul-americanos. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 15, pelo jornalista Rodrigo Mattos, do UOL.

No 247
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Cerveja: 16 mitos e verdades

Escolha sua preferida. Tem cerveja para todo gosto!
Uma das bebidas mais populares e consumidas do mundo. E, para mostrar que não faltam motivos para a celebrações, Daniel Wolff, sommelier de cervejas e diretor a rede de loja especializada em cervejas artesanais Mestre-Cervejeiro.com, elencou algumas curiosidades sobre a ‘queridinha’ dos brasileiros.

1 – Cerveja em lata é pior que em garrafa (mentira)

Geralmente, a lata costuma manter a cerveja fresca, conservando aromas e sabores, por um período de tempo maior. Isso porque, como o material é opaco, o líquido não sofre com a exposição ao sol.

2 – Cerveja é sempre amarga (mentira)

Existem três famílias de cervejas, desmembradas em mais de 100 diferentes estilos, alguns deles com chocolate, com frutas, como cereja, pêssego e framboesa. O que vai determinar o amargor da cerveja é a variedade do lúpulo e o tipo de torra do malte utilizado nela. Mas, no geral, temos disponíveis hoje cervejas que vão de extremamente adocicadas às com bastante amargor.

A Double IPA, exemplo de cerveja mais amarga.
A Double IPA, exemplo de cerveja mais amarga.

3 – Cerveja deve ser sempre translúcida (mentira)

As cervejas dos estilos Weizenbier, Witbier e Dubbel, por exemplo, são alguns exemplos de cervejas de aparência mais turva. Isto é uma condição normal, decorrente do processo de produção – se ela é ou não filtrada, ou se passa pela técnica chamada de dry-hopping.   

4 – Bolhas nas paredes internas do copo são indício de boa carbonatação (mentira)

As bolhas nas paredes internas podem ser indícios de que a higienização do copo não foi muito bem feita ou que ele está guardado há um tempo e precisa ser higienizado novamente. (eca).

Vai um choppinho aí?
Vai um choppinho aí?

5 – Não existe diferença para o produto entre garrafas âmbares, verdes e transparentes (mentira)

A cor da garrafa interfere na durabilidade do produto. Quanto mais clara for, maior a exposição da cerveja aos raios solares e consequentemente maior o impacto negativo nos aromas e sabores da bebida. Entre garrafas transparentes, verdes ou âmbares, a melhor opção é a âmbar.

6 – Cerveja artesanal é muito alcoólica (mentira)

Depende do estilo. Há as mais alcoólicas e as menos alcoólicas, as mais amargas e as menos amargas, as mais e as menos encorpadas. Isso vai depender do estilo da cerveja. O fato de ela ser artesanal relaciona-se apenas aos processos de produção e à variedade e qualidade dos insumos nela utilizados.

Cerveja Doroteia, feita pelo Márcio Milhoratti em Santos/SP. A mais deliciosa cerveja Pilsen que eu já provei!
Cerveja Doroteia, feita pelos amigos Márcio Milhoratti, o João Batista e o Pérsio,
em Santos/SP. A mais deliciosa cerveja Pilsen que eu já provei!

7 – Cervejas escuras são mais intensas (mentira)

A cor de uma cerveja é resultado das variedades de malte utilizadas em sua receita. Quanto mais intensa a tosta do malte, mais escura será sua cor e isso será transmitido ao produto final. Por isso o espectro de cores das cervejas vai do amarelo-palha ao preto opaco, passando pelo avermelhado e marrom. No entanto, este é apenas um aspecto sensorial, e existem cervejas claras muito potentes como as Belgian Tripel, e cervejas escuras mais leves e refrescantes como as Schwarzbier.

8 – Cerveja engorda (mentira)

Alguns estilos de cerveja são menos calóricos que outros, dependendo do processo de produção e do teor alcoólico. O impacto na cintura de quem está degustando vai depender também da quantidade ingerida. Porém, fazendo um comparativo com doses iguais, a cerveja geralmente tem menos calorias do que o vinho, a cachaça ou até mesmo o suco de laranja. O ideal para quem evitar engordar é beber com moderação, dar preferência a estilos menos encorpados e com teor alcoólico mais baixo, além de optar por petiscos leves para acompanhar, como palmito com azeite e orégano, queijos brancos e rolinhos de peito de peru com rúcula.

Especialmente se você for solteiro(a).
Especialmente se você for solteiro(a).

9 – Cerveja deve ser consumida só muito gelada (mentira)

Cada estilo de cerveja tem a sua temperatura ideal de serviço. Há aqueles em que o indicado é beber em temperatura de adega, entre 12°C e 16°C, como as inglesas do estilo Barley Wine, que são potentes, complexas e encorpadas. Já outros estilos menos intensos mas igualmente aromáticos, como as India Pale Ale ou Bock, atingem seu maior potencial na faixa dos 7 a 10°C.  E mesmo as American Lager, comumente chamadas de tipo Pilsen no Brasil, não devem ser consumidas a 0°C. Isso porque, em temperaturas muito baixas, as papilas gustativas ficam anestesiadas e os aromas da bebida menos voláteis, fazendo com que deixemos de sentir características importantes da bebida.

10 – Não existe diferença entre chope e cerveja (mentira)

A origem do produto é de fato o mesmo. Igual processo de fabricação, mesmos insumos utilizados. Mas o armazenamento e o tipo de serviço são diferentes, o que interfere nas características da bebida. O chope, ‘Beer on tap’ – cerveja na torneira – ou ‘Draft Beer’ – expressão que denota a retirada do líquido do barril, por ser retirado direto da chopeira, costuma ser mais aerado, mais cremoso. A maioria das cervejas, diferente do chope, são pasteurizadas. Por isso, tendem a ser menos frescas e com sabores e aromas menos presentes.

Os ingredientes para uma boa cerveja.
Os ingredientes para uma boa cerveja.

11 – O local de origem da água influencia no produto final? (mentira)

As características da água influenciam, sim, no produto final, ou seja, se ela é mole ou dura, a quantidade e os tipos de sais minerais presentes nela, o seu pH, etc. Contudo, a origem da água em nada influencia. Isso porque é possível trabalhar todos esses aspectos, modificando quimicamente a água que será utilizada na fabricação, deixando-a mais alcalina, por exemplo, favorecendo a produção de certos estilos de cerveja e, assim, influenciando produto final.

12 – Cerveja precisa de colarinho? (verdade)

Toda cerveja deve apresentar alguma quantidade de espuma, que é um elemento fundamental para avaliar a saúde da bebida e ainda ajuda na preservação de sua temperatura. Se uma cerveja não tem espuma é porque não está bem carbonatada – tendo um defeito de fábrica -, houve algum problema no armazenamento ou ela não foi servida da maneira adequada. O tipo de espuma e a sua estabilidade variam de estilo para estilo. Alguns, principalmente os ingleses, têm pouca formação de espuma e ela permanece como uma fina camada. Já as belgas, por exemplo, têm uma formação bastante expressiva e a permanência no copo faz parte do visual.

Dá até para decorar a casa com tanta cor de cerveja!
Dá até para decorar a casa com tanta cor de cerveja!

13 – Cerveja preta é só pra tomar no frio? (mentira)

O que vai dizer se uma cerveja é mais indicada para o frio são fatores como o corpo da cerveja – ou seja, o peso do líquido na boca – e teor alcoólico, que são duas características que passam uma sensação acolhedora. Existem cervejas claras, que, por serem alcoólicas e densas, são mais indicadas para o outono/ inverno. E cervejas escuras que trazem um leve amargor, são menos encorpadas e com menor teor alcoólico, que são perfeitas para as estações mais quentes.

Cerveja gostosa pode ser preta também. Esquece isso de que só a amarela é cerveja.
Cerveja gostosa pode ser preta também. Esquece isso de que só a amarela é cerveja.

14 – Faz diferença o tipo de copo que se usa pra beber cerveja? (verdade)

O copo pode influenciar na maneira como sentimos o aroma da cerveja, interferindo positiva ou negativamente na degustação. O copo também pode interferir visualmente, como por exemplo na retenção de espuma. O copo Weissbier tem um formato adequado para manter a formação do colarinho, enquanto a taça snifter concentra os aromas de cervejas mais complexas. Já o famoso pint tem um formato utilitário que possibilita o empilhamento, e sua boca mais larga permite beber em grandes goles.

Tipos de copos de cerveja e seus usos.
Tipos de copos de cerveja e seus usos.

15 – Cerveja só vai bem com comida de boteco (mentira)

É bem verdade que a cerveja vai muito bem com as deliciosas comidinhas de boteco, sim. Mas as variações de combinações são muito mais amplas. Tente por exemplo, combinar o prato Carneiro com Cuscuz Marroquino com uma cerveja do estilo Weizenbock, um chocolate meio-amargo com uma Stout, um queijo Brie com uma Tripel e um Emmental com uma IPA.

16 – Cervejas de alta fermentação (Ales) são mais intensas que de baixa (Lagers) (mentira)

A diferença entre cervejas Ale e Lager é o fermento utilizado na produção das cervejas dos estilos de cada uma dessas famílias. Basicamente, a levedura (fermento) das Ales age entre 15°C e 25°C e gera uma espessa camada na superfície do líquido no tanque de fermentação. Por isso também é conhecida como levedura de alta fermentação. Já a levedura Lager trabalha melhor em torno de 9°C a 14°C e como não apresenta esta camada na superfície, ficou conhecida como de baixa fermentação. Por exemplo a Bock é um estilo de cerveja da família Lager, mais potente do que uma cerveja do estilo Pale Ale, da família Ale.

No A Bússula Quebrada
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Sobreviver ou fazer sexo? Cientistas explicam quanto nosso coração aguenta


Apesar de várias opiniões, atividade sexual raramente causa parada cardíaca ou outros problemas cardiovasculares, revelam os cientistas.

"Paradas cardíacas são fenômenos extremamente perigosos, que frequentemente resultam em morte, no entanto conseguimos mostrar que raramente ocorrem durante atividade sexual. Possuímos provas de que as pessoas que sofrem doenças cárdicas não têm nada a temer", declarou Sumeet Chugh do Instituto do Coração de Los Angeles (EUA).

Segundo algumas investigações, o trabalho intenso do coração durante ato sexual pode resultar na morte de pessoas que sofrem de doenças cárdicas.

Para verificar essas teorias, Chugh e seus colegas observaram a vida e saúde de quase um milhão de pessoas durante os últimos cinco anos.

No período da pesquisa, 4,5 mil pessoas morreram devido a inesperadas paradas cárdicas, permitindo com que os autores identificassem se há alguma ligação entre morte e sexo.

Tal investigação mostra que a morte pode realmente ocorrer durante atividade sexual devido à parada cárdica. No total, 30 pessoas morreram por essa razão, no entanto esse número representa uma pequeniníssima parcela (0,7%) de todas as pessoas que morreram.

Mas, por outro lado, os cientistas conseguiram determinar que a atividade sexual frequente não influencia na possibilidade de morrer.

Assim, é possível dizer com toda certeza, acreditam especialistas, que pessoas com problemas cardíacos não precisam se preocupar na hora de fazer sexo, pelo menos se vão ou não morrer por problemas do coração.

Mas, cuidado, pessoas do grupo de alto nível de risco de parada cardíaca devem ponderar antes de resolver praticar atos sexuais.

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Portal Desacato comemora 10 anos com 7º Café AntiColonial em Florianópolis

Fundado em 2007, o Portal Desacato comemora neste ano 10 anos de comunicação independente e alternativa. Para celebrar a data, a Cooperativa Comunicacional Sul promove no próximo 22 de novembro, quarta-feira, mais uma edição do Café AntiColonial.


O evento, lançado em 2011 para a comemoração dos aniversários do Portal e já conhecido no calendário dos que rejeitam e lutam contra a colonização cultural, econômica e bélica que as grandes potências exercem sobre países como o Brasil, reúne pessoas e afetos em um evento comunicacional e social repleto de atrações artísticas e culturais.

Inspirado no slogan: Sonhamos Juntos, Sonhamos Livres! o evento deste ano tem como destaque o lançamento do Novo Desacato, da camiseta comemorativa e das produções que farão parte das realizações de 2018. Tudo regado com música – com a apresentação especial do cantautor Pippo Pezzini, bolinhos, doces, quitutes, sucos e muito amor pelo que se faz (estas delícias são por nossa conta).

O 7º Café AntiColonial é gratuito, democrático e aberto à participação de todos que, como a Cooperativa Comunicacional Sul, lutam e acreditam que outra informação é possível. Hoje, com 10 anos de afirmação da linha editorial, o Portal Desacato é o principal veículo de comunicação progressista de Santa Catarina.

Serviço:
O quê: 7º Café AntiColonial do Portal Desacato
Data: 22 de novembro de 2017
Horário: A partir das 18h30
Onde: Tralharia
Entrada gratuita

Manoela de Borba
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Ricardo Teixeira negocia delação e apavora Globo


Acusada por um delator argentino de pagar propina por direitos de transmissão no futebol, a Globo também acompanha com apreensão os desdobramentos de outro possível acordo de delação que deverá detalhar em minúcias a sua participação no esquema de corrupção.

Trata-se da delação que o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira trata com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Em maio de 2015, o FBI e a Procuradoria Geral dos EUA iniciaram uma longa investigação sobre a Fifa e Ricardo Teixeira foi um dos nomes acusados de abuso de poder contínuo. Além dele, o seu sucessor na CBF, Marco Polo Del Nero, também está sob investigação dos americanos e ambos evitam sair do país.

No início de 2017, o nome do cartola foi citado pelo ex-presidente da Conmebol, o uruguaio Eugenio Figueiredo, que revelou à polícia americana que Teixeira era o líder da divisão de propinas no futebol da América do Sul.

Ricardo Teixeira, que presidiu a CBF entre 1989 e 2012, tem contra si ordem de prisão da justiça espanhola. Ele é acusado de formar uma “organização criminosa” com Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, e com isso lavar dinheiro em comissões ilícitas de amistosos da seleção brasileira. Rosell foi preso no mês de junho.

No 247
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O cinismo da Globo ao alegar que não sabia das negociatas do ex-diretor delatado no caso FIFA

Marcelo Campos Pinto, da Globo, e Marco Polo del Nero
O empresário Alejandro Burzaco, um dos delatores do caso Fifa, acusou a Globo de ter pago propina por direitos de transmissão de competições ligadas à Conmebol, como Copa América, Libertadores e Sul-Americana.

Burzaco, que se entregou em 2015, disse que, por meio de sua empresa de marketing esportivo, subornava autoridades.

Segundo ele, Marcelo Campos Pinto, então diretor da área esportiva da Globo, se reuniu em 2012 num restaurante de Buenos Aires chamado Tomo Uno com Julio Grondona, presidente da AFA, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. No encontro, falaram de pagar 600 mil reais aos dois últimos.

Campos Pinto foi afastado da Globo três anos depois. Estava na casa desde 1994. Dava expediente na CBF e conduzia pessoalmente os contratos de mídia com as equipes nacionais.

Em 2011, com a implosão do Clube dos 13, conseguiu manter o futebol na Globo. A TV passou a ser a principal fonte de receita dos times.

No ano passado, segundo estudo do Itaú BBA, Globo e seus canais pagos injetaram R$ 1,210 bilhão nos 23 maiores deles, que arrecadaram R$ 3,113 bilhões no total.

A demissão foi em consequência do caso FIFA, que já despontava no horizonte. Em nota divulgada na terça, no entanto, a Globo garante que “se surpreende com o relato envolvendo o ex-diretor Marcelo Campos Pinto”.

“A ser verdadeira a situação descrita, o Grupo Globo deseja esclarecer que Marcelo Campos Pinto, em apuração interna, assegurou que jamais negociou ou pagou propinas a quaisquer pessoas”.

Ah, tá! Resolvida a questão.

O cinismo do comunicado é digno do grupo. A relação promíscua de Campos Pinto com os ladrões era absolutamente desavergonhada e conhecida. Quando tornou-se insustentável — graças à Justiça americana –, ele dançou.

Em 2015, Campos Pinto fez um discurso na festa de encerramento do campeonato paulista.

É uma elegia à picaretagem, sem qualquer meio tom, orgulhosa. Foi proferido no início de maio, alguns dias antes de Marin ser preso na Suíça a mando do FBI.

No palco, foi introduzido por Tiago Leifert. Reinaldo Carneiro Bastos, sucessor de Marco Polo Del Nero como presidente da FPF, mereceu lágrimas e voz embargada.

A Justiça americana investiga 24 anos de roubalheira. A Copa do Mundo é transmitida pela TV Globo desde 1970. 

Em 2011, Ricardo Teixeira ficou magoado com o que considerou uma traição. Fez chegar até alguns colunistas uma história de que tornaria públicas gravações de Campos Pinto manipulando horário de partidas para atender a seus próprios interesses.

As palavras de encorajamento de Pinto à quadrilha:

Mais importante do que comprar um campeonatos é conviver com o mundo do futebol. É um prazer imenso (…)

Excelentíssimo senhor Juan Ángel Napout, ilustre presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol. Excelentíssimo senhor Marco Polo Del Nero, presidente da Confederação Brasileira de Futebol, com quem tenho o privilégio de conviver assiduamente há mais de 11 anos.

Ilustríssimo presidente, ex-presidente, da Confederação Brasileira de Futebol, mas como muito bem acentuou Marco Polo, o eterno presidente José Maria Marin. (…)

2015 vai entrar na história do futebol brasileiro como um grande ano. O ano em que há poucas semanas o presidente José Maria Marin passou o bastão para o presidente Marco Polo.

Presidente Marin, em nome do grupo Globo, em meu nome, eu gostaria de agradecer todo o carinho, toda a atenção com a qual o senhor sempre nos brindou, sempre aberto a discutir os temas que interessam ao futebol brasileiro, dos quais me permito destacar, o novo formato da Copa do Brasil, que deu mais charme a essa competição promovida pela CBF, que é a verdadeira competição do futebol brasileiro. (…)

A sua visão de homem do futebol fez com que a CBF passasse a patrocinar essas competições e melhorasse o nosso futebol.

A Granja Comary, toda reformada, para a formação de nossos futuros craques. E por que não dizer da sede da CBF, a José Maria Marin? Presidente, o senhor inscreveu o seu nome na história do futebol, tendo sucedido um grande presidente, que foi Ricardo Teixeira.

Presidente Marco Polo, quero lhe dizer que repito as palavras de atenção e carinho, de colaboração, a você. Espero continuar essa parceria de sucesso que foi feita na Federação também na CBF. Desejo sucesso a você, não é uma dúvida, é uma garantia, dado o seu passado, de um homem que conhece profundamente o futebol.

Querido Reinaldo, fico até um pouco emocionado em lhe homenagear como um pai de família, como um amigo carinhoso, como uma pessoa que veio construindo seu nome no futebol e que sabe realmente o alfabeto do futebol que é tão complexo. O parabenizo, e também ao Marco Polo, pelo Campeonato Paulista de 2015, recorde de público e de renda quebrados, jogos eletrizantes, semifinais inacreditáveis, com estádios lotados, duas finais de tirar a emoção de todos nós, com públicos presentes e audiências jamais vistas.

Parabéns a todos vocês. Parabéns ao presidente Modesto Roma, do glorioso Santos. Parabéns ao presidente Paulo Nobre, do não menos glorioso Palmeiras. E um detalhe importante para encerrar e não tomar o tempo de vocês. Dois clubes que lutaram com dificuldades financeiras extremas, mas graças a dedicação e competência de seus dirigentes, que mostraram que administrações austeras também podem ser campeãs. Parabéns.



Kiko Nogueira
No DCM
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Magno Malta e a Bíblia: ensinamento vale para os outros, não para ele

Lauriete e Reginaldo
Magno Malta e Lauriete, que era mulher do pastor Reginaldo
O senador Magno Malta se apresenta como defensor da família e, assim, tem conseguido sucessivos mandatos desde 1994. Ex-pastor evangélico, foi deputado estadual, deputado federal e é senador.

Mas há um capítulo de sua biografia que pastores evangélicos veem como escandaloso e atentatório aos valores que ele ele diz defender, os da família.

É o casamento dele com a cantora gospel Lauriete, do Espírito Santo.

Ela era casada quando foi para Brasília, eleita deputada federal com o apoio do marido, o pastor evangélico Reginaldo Almeida.

Logo depois de assumir o mandato na Câmara, Lauriete se separou, mas nunca disse o motivo. Para quem conhece os dois, a razão do divórcio, em 2012, seria o relacionamento com Magno Malta.

O então presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Theodorico Ferraço, chegou a dizer publicamente, após uma reunião: “O homem (Magno Malta) não é fácil, não. Em Brasília, todo mundo já sabe. De mãozinhas dadas e tudo mais”.

Magno já era divorciado e casou com Lauriete em cerimônia para poucos convidados. Logo depois, passou a exibir a tatuagem com o nome Lauriete no braço e, nas poucas vezes em que falou sobre o romance, se disse apaixonado.

Celso Russomanno, que é seu amigo, entrevistou o casal num programa de televisão e disse que viu a transformação de Magno Malta quando ele começou a namorar Lauriete.

“Os olhos deles brilhavam”, afirmou, enquanto Magno e Lauriete se acariciavam, com as mãos entrelaçadas.

O presidente da Associação dos Pastores de Vitória, Ozenir Corrêa, reprovou o segundo casamento de Lauriete e de Magno Malta;

“Biblicamente, o casamento é indissolúvel. Fisicamente, é um só. O próprio senador Magno Malta pregou por anos essa indissolubilidade, e agora caiu contra a sua própria verdade”, afirmou.

Um jornalista que é amigo de Magno Malta, Jackson Rangel, publicou uma nota na Folha de Vitória que dá ideia de como esse caso desceu aos padrões mais baixos do que pode se entender por comportamento civilizado:

Antes mesmo de assumir o namoro com Lauriete, Magno teria dito a respeito do marido dela, ex-deputado estadual e vereador, para justificar a separação e diminuir a pressão dos evangélicos:

“Ele é um canalha, vagabundo e nojento. Foi flagrado na cama com outro homem. E a empregada gravou tudo. Ela nunca desconfiou disso, mas agora está tudo muito claro. Eu estava ajudando ele acertar seus problemas no Tribunal de Contas da União, mas larguei tudo”.

Magno desmentiu a frase no dia seguinte, mas antes o jornalista seu amigo já tinha retirado a nota do ar. A declaração, no entanto, ficou na rede tempo suficiente para que fosse compartilhada e a versão ainda hoje seja repetida em sites evangélicos.

O que aconteceu com Magno Malta e Lauriete pode acontecer com qualquer pessoa — o casamento anterior se desgastar, terminar e surgir um novo amor. Não é desejável, mas acontece.

O  que chama a atenção nesse episódio é que, até alguns meses antes do namoro com Magno Malta, Lauriete parecia ter um casamento perfeito. Já durava 20 anos, ela e o marido Reginaldo tinham uma filha e eram bem sucedidos.

Lauriete fazia declarações públicas de amor ao marido, como em um vídeo gravado por ocasião do lançamento de um disco da cantora:

”Um beijo grande para o meu esposo Reginaldo, que incansavelmente tem estado do meu lado. Em tudo. Em todos os momentos. E eu louvo a Deus por sua vida, Reginaldo. Deus te abençoe. Eu te amo muito”.

Magno Malta, presidente de uma CPI no congresso que apura maus tratos a crianças e adolescentes, é um político que costuma alardear rígidos padrões morais.

E para chamar a atenção para suas bandeiras conservadoras, ele já protagonizou cenas de impacto. Em 2000, levou para depor no Congresso Nacional um homem mascarado.

O depoimento não era em si uma grande bomba — ele acusava um delegado de plantar provas para acusá-lo de tráfico de um quilo de cocaína—, mas a foto de Magno Malta ao lado do mascarado apareceu na primeira página de todos os grandes jornais e ajudou a avançar sua carreira político e se eleger senador.

No processo de cassação de Dilma Rousseff, Magno Malta foi irônico e cantou:

“Eu quero mostrar que eu sou cristão, vou mostrar que sou cristão e à presidente Dilma vou dedicar uma canção de uma grande compositora brasileira, intérprete da música sertaneja, chamada Roberta Miranda: “Vá com Deus, vá com Deus”.

Deus não sai da boca de Magno Malta.

Em nome dele, aprovou a convocação coercitiva do curador da exposição Queermuseu e do ator de uma performance no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).

Para evangélicos como ele, o casamento com Lauriete não é propriamente digno de quem parece dizer a todos que está na Terra com a missão de ensinar os outros a viverem.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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