11 de nov. de 2017

Mídia lança operação salva William Waack e decreta a morte de Lula, literalmente


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Não, Aécio. Entraram pela porta dos fundos e vão ficar no ‘puxadinho’




O ainda senador Aécio Neves, hoje, na convenção do PSDB, saiu-se com esta frase, que serve de título à matéria do Estadão: “Vamos sair do governo pela porta da frente, como entramos“.

Eu tinha acabado de escrever sobre a morte do escritor Moniz Bandeira, relembrado seu amigo Leonel Brizola e não pude deixar de sentir certa tristeza por saber que ninguém vai reagir a isto dizendo umas verdades como as que o velho gaúcho diria.

Ninguém vai falar:

“Não, Aécio, tu não entraste no Governo pela porta da frente, entrastes pela porta dos fundos do golpe”.

Não te finjas de leão, porque o que tu és é um rato, um rato que roeu a democracia brasileira quando não aceitou tua derrota e, no minuto seguinte, em lugar de se curvar à vontade do povo brasileiro, fostes tramar para derrubar o governo.

Mas nem entrar pela porta dos fundos tu conseguirias, pois o porteiro que a te abriu foi Eduardo Cunha.

Foste tu que ajudastes a pôr em marcha a máquina de moer a política e as reputações e acabou sendo tragado por ela, embora, em matéria de reputação, tivesses pouco a ser moído.

Ainda assim,  o que restou de ti fede tanto que teus amigos famosos dos salões e das noitadas – Hucks, Dórias, Ronaldinhos e assemelhados – sumiram, apagaram as fotos a teu lado e não querem teu nome lhes marcando as testas.

Tu não vais sair do governo deixando nada para trás, senão este odor, mas vai levar indicações, cargos e tudo o mais que puderes tirar de Temer como tiraste do tal Batista, dizendo que mataria até seu primo para não ser delatado.

Até aos teus apunhalas, como fizeste com o Tasso, que há quinze dias salvou seu mandato inútil.

Sairás pela porta dos fundos, a mesma por onde entrou, sais como um rato que abandona o navio do golpe, não pela porta da frente.

Porque a porta da frente chama-se democracia e só se abre para os que têm o voto e a confiança do povo.

Mas, como disse certa vez o próprio Brizola, o Congresso é um “clube amável, com vossa excelência pra cá, vossa excelência pra lá”. Não haverá um que lhe aponte o dedo e diga:

Vossa Excelência, na política, é um rato.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Altamiro Borges: “no Brasil, a mídia é feudal”


O jornalista Altamiro Borges, coordenador do Centro de Estudos Barão de Itararé, traçou um panorama da mídia em entrevista aos jornalistas Leonardo Attuch e Paulo Moreira Leite.

Para Altamiro, a concentração do poder mídia mostra claramente que o Brasil é um País "feudal" na mídia. "É família. No Brasil, o capitalismo não chegou nos meios de comunicação. O Brasil é feudal na mídia", afirmou.

Ao avaliar o processo que levou à deposição da presidente Dilma Rousseff e à assunção de Michel Temer ao poder, Altamiro classificou como um golpe parlamentar-judicial-midiático. Segundo ele, o papel da mídia foi preponderante sobre os demais.

"Nós não teríamos este Parlamento que nós temos, que é o pior desde a redemocratização, se não fosse a mídia. Por que a bancada sindical, que defende s interesses dos trabalhadores, caiu e a bancada da bala triplicou? Por que a bancada dos mercadores de religião triplicou? É um fenômeno que tem a ver com a mídia", diz o jornalista.

"Se você pegar hoje a televisão brasileira está esparramando sangue, é só programa policialesco. Programa que diz que tem que matar, que bandido bom é bandido morto, que violência se resolve com violência. Então, os heróis desses radialistas é que foram eleitos. A mídia criou o clima para esta questão da ordem", afirma.

"O golpe de 2016 se baseou em fraudes. Fraude da pedalada. A mídia internacional, que não estava contaminada pelo golpismo da mídia brasileira, tinha uma postura muito melhor que a mídia brasileira. Ela fala que ninguém é impixado por pedalada, manobra contábil. O golpe baseou-se na corrupção, mas esse tema ficou desmoralizado, porque afinal de contas quem deflagrou o processo do impeachment [Eduardo Cunha] está na cadeia, condenado, e levou para o poder uma quadrilha", diz Altamiro.

"No meu entender, a questão central do golpe é a mudança de projeto. O projeto que foi derrotado quatro vezes consecutivas na urna teve que dar uma rasteira", afirmou.

Altamiro Borges também comenta sobre a crise do modelo de negócio da mídia, provocada pela internet, e sobre a importância dos estudos do centro Barão de Itararé.

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Istoé defende o assassinato de Lula


Queridas historiadoras do futuro, continuo com grandes esperanças em vocês.

Espero que, um dia, vocês possam ler estes posts e eles lhes sirvam ao menos como registro das coisas que aconteciam no Brasil em nossa época.

No dia 10 de novembro de 2017, uma das principais revistas brasileiras, a Istoé, publicou uma coluna em que se pede, sem meias palavras, a morte da principal liderança popular do país, o homem que aparece à frente, com quase 40% das intenções de voto, em todas as pesquisas.

Naturalmente, é um crime. Espera-se que o Ministério Público Federal, além de nossas polícias, tão pressurosos em investigar a morte do velho cão da presidenta Dilma, se interessem em punir esse crime sórdido contra a paz e a segurança do nosso país.

A razão alegada pelo colunista da Istoé para dizer que “Lula precisa morrer” é a mais sórdida do mundo. Lula tem de morrer exatamente por causa do carinho e respeito que milhões de brasileiros, inclusive este blogueiro, insistem em lhe dedicar.

Ou seja, se a gente respeita o presidente Lula, então é justamente por isso que ele deve morrer.

A Istoé deixa bem claro que nós, os brasileiros que pretendemos votar em Lula, não merecemos nenhum respeito.

Nossa liderança política deve morrer.

É um crime hediondo e uma declaração de guerra civil.

Para vocês, historiadores, entenderem o contexto político e midiático desta barbaridade, eu fiz uma pequena crônica sobre a Istoé.

Em dezembro de 2016, a revista organizou um evento para homenagear personalidades que ela considerava os “brasileiros do ano”.

Como primeiro homenageado, vinha Michel Temer, cujo discurso de agradecimento terminou com essas belas palavras:
“Vamos alcançar o crescimento e o pleno emprego. O prêmio serve de mobilizador e motivador para que nós salvemos o País”.
O segundo homenageado foi Sergio Moro, que usou seu discurso para fazer um agradecimento especial ao Supremo Tribunal Federal:
Moro também destacou o trabalho do Judiciário e elogiou a atuação do Supremo Tribunal Federal. “Recebo este prêmio não como um reconhecimento pessoal, mas como o reconhecimento de um trabalho institucional, que envolve a primeira instância, as cortes de apelação, o Superior Tribunal de Justiça e o STF. O cidadão pode confiar na Justiça brasileira essa confiança é essencial. Recebo este prêmio muito humildemente”.
Na matéria sobre o evento, a revista não poupa elogios ao juiz:
Ovacionado pela plateia, o juiz federal Sergio Moro recebeu prêmio na categoria Justiça (…)

Seu trabalho tem lhe rendido o título de ‘herói brasileiro’, que ele rejeita, mas que beira à celebridade, sendo aplaudido aonde vai, seja no mercado, no restaurante ou no cinema.

Apesar dos apelos da população, o juiz não pretende entrar na carreira política (…)
Outros homenageados daquela noite: os atores Grassi Massafera e Antonio Fagundes, e o autor de novelas Benedito Ruy Barbosa, todos da Globo.

Além de Michel Temer, dois outros políticos receberam prêmios de “brasileiros do ano”: o então prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o recém-eleito João Dória.

A disposição dos convidados para as imagens principais da cerimônia tinha sido meticulosamente calculada. O presidente Michel Temer ficaria em primeiro plano, ao lado do governador Geraldo Alckmin. Logo atrás, o público poderia ver Aécio Neves e Sergio Moro. Os dois últimos não resistiram à atração mútua e trocaram afagos e sorrisos que iriam provocar bastante polêmica nos dias seguintes.

Em reportagens anteriores, o Cafezinho já identificou que a Editora Três, que publica a Istoé, foi umas das que registrou aumentos mais espetaculares no recebimento de verbas de publicidade federal.

Mas isso não vem ao caso.

A revista conseguiu reunir, naquelas imagens, a nata do golpe.

Pedro Parente, presidente da Petrobrás, Flavio Rocha, dono da Riachuelo, e Aécio Neves, proprietário do aeroporto de Claudio, também foram “premiados”, ou pelo menos aparecem, em vídeo, recebendo algum tipo de homenagem.

A revista divulgou um vídeo do evento com um pouco mais de 2 minutos, do qual eu recortei as melhores partes: o discurso de Moro e Temer, que você pode assistir abaixo (é apenas 1 minuto, assista, é muito instrutivo):



Eu separei também algumas fotos do evento que achei mais interessantes. Gostei especialmente da sequência de apertos de mão entre Sergio Moro e alguns políticos, como Serra, Meirelles, Alckmin e Kassab:






Quase um ano  e alguns milhões de desempregados depois, as coisas mudaram um pouco. Sergio Moro hoje é rejeitado, segundo pesquisas de institutos pró-Lava Jato, como o Ipsos, por 41% da população. Michel Temer, que falara em seu discurso em “salvar o Brasil”, tem uma rejeição, segundo o mesmo Ipsos, de 95%.

Lula, por sua vez, cresceu em todas as pesquisas, e já tem entre 30% e 40% da preferência dos eleitores.

Nesse mesmo entretempo, a Istoé vem recebendo cada vez mais recursos públicos federais, para defender reformas rejeitadas, segundo pesquisas, por mais de 80% da população.

Esse é o contexto para entendermos o último texto do colunista da Istoé, Mario Vitor Rodrigues: Lula deve morrer, que abre com o seguinte parágrafo.
Pelo bem do País, Lula deve morrer. Eis uma verdade incontestável. Digo, se Luiz Inácio ainda é encarado por boa parte da sociedade como o prócer a ser seguido, se continua sendo capaz de liderar pesquisas e inspirar militantes Brasil afora, então Lula precisa morrer.
Queridos historiadores do futuro, queridas brasileiras do presente, tirem suas conclusões.

Miguel do Rosário
No Cafezinho
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PSDB purga o pecado do Golpe


Nas últimas horas o senador Aécio Neves foi posto no pelourinho, tomando chibatadas de todo lado, de adversários, companheiros de partido e apoiadores. Os desatinos maiores têm sido cometidos é por ele mesmo, como este último, de destituir o senador Tasso Jereissati da presidência interina do partido para tentar evitar o desembarque tucano do governo. Além de Alckmin, FHC também não foi consultado. No “pinga fogo” de ontem na Câmara, o deputado Rocha (AC) chegou a pedir que ele deixe o PSDB para não continuar a envergonhar o partido. Mas o inferno do PSDB não é obra exclusiva de Aécio. É a consequência da participação dos tucanos no golpe e no governo de Michel Temer. Constatado o tamanho e a gravidade do erro, a tentativa de corrigir o rumo produziu esta fratura exposta.

Todos, entretanto, são responsáveis pela derrocada do partido que foi fundado por herdeiros da luta pela democracia, como FHC, Covas, Richa e Montoro. Em 1988, eles se rebelaram contra os descaminhos (pautados pela corrução e o fisiologismo) tomados pelo PMDB que todos abrigara na resistência à ditadura. Depois governaram o país por oito anos. Todos são responsáveis, ainda que Aécio, ressentido com a derrota em 2014, tenha sido o principal artífice da união com o PMDB e o DEM para derrubar Dilma e entronizar Temer no Planalto. Havia resistência interna ao impeachment mas os demais dirigentes cederam ao revanchismo de Aécio e evitaram um debate interno, corajoso e franco, sobre as consequências do embarque no golpe. Pelo contrário, ajudaram a calar os integrantes da bancada que tentaram se opor.

Todos sabiam que, apesar dos discursos trovejantes a corrupção de petistas, ele e outros também poderiam ser alcançado pela Lava Jato. Ninguém disputa, ou disputava, eleições neste país sem ajoelhar-se e beijar a cruz na relação promíscua com os donos do dinheiro. Apostaram na impunidade mas Aécio, por mais encalacrado, enroscou-se definitivamente com Temer e sua turma para salvar a pele. Entrou para a turma do Jaburu e deixou os interesses do PSDB em segundo plano, queixam-se os tucanos. Apontada a necessidade de deixarem o governo, Aécio foi para o tudo ou nada dentro do partido, destituindo Tasso.

Nunca vi um partido lavar sua roupa suja no plenário da Câmara com tanta falta de cerimônia como ontem. O discurso de Rocha foi curto e grosso. “O senador Aécio Neves envergonha o PSDB. Chegou a hora de ele deixar o partido, tomar seu rumo para não nos envergonhar mais”. Daniel Coelho, de Pernambuco, também fez um discurso vigoroso, informando que nem Fernando Henrique foi previamente consultado sobre a destituição de Tassso, que teria sido arquitetada com Temer e os peemedebistas. O deputado Marcus Pestana, aliado de Aécio, tomou sua defesa, alegou a isonomia necessária na disputa interna, num discurso com voz trêmula. Não é fácil justificar tantos desatinos.

Purgam os tucanos o pecado de terem atentado contra a democracia que ajudaram a construir. Purgam o pecado da hipocrisia, por terem derrubado Dilma em nome da moralidade, para levarem ao poder um governo de corruptos.

Aliás, os dois principais partidos do golpe estão sendo igualmente castigados. Segundo a última pesquisa Datafolha, na preferência atual dos eleitores o PSDB tem 4%, o PMDB 5% e o PT, 18%. O PMDB não terá candidato a presidente, mesmo tendo a Presidência, e corre o risco de desaparecer em alguns estados. A diferença é que o PMDB nunca teve projeto político. Seu objetivo sempre foi alcançar a máquina do Estado para dela se servir, não para viabilizar qualquer programa. Por isso, diferentemente dos tucanos, que ainda têm o que perder, eles se entendem, não largam o osso e não brigam entre si.

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​Aderbal e o deputado nu

“​N​ão há mais do que um templo no mundo e esse templo é o corpo humano”​

Três Graças ou desgraças? - PHA (Metropolitan Museum - Nova York)
O Conversa Afiada reproduz do Globo notável artigo de Aderbal Freire-Filho​, ​autor e diretor de teatro​ que tem em cena, no momento, a peça "Céus"​​:​

Tem um deputado nu sendo manipulado. E quando tocam no seu pé ele dança e canta que tudo está no seu lugar, graças a Deus, para desespero do artista que compôs essa musica e não aceita que seja usada como trilha sonora de cena tão indecente. A imprensa fotografa e filma o deputado nu com uma tatuagem no ombro em que ele diz temer, não se sabe o quê. Porque o deputado nu não teme nada, nem ninguém, ele pode fazer o que quiser. Sua performance se completa com imagens pornográficas, que ele manipula no celular. Proíba-se o artista com seu corpo nu no Masp, mas deixe-se livre o deputado nu, correndo nu com uma mala cheia de dinheiro que deve levar para o presidente nu. O máximo de decoro: veste-se uma tornozeleira no deputado nu. Não importa que faltem tornozeleiras, o deputado nu tem prioridades, prerrogativas, foros especiais, fura-se a fila das tornozeleiras, manipula-se a tornozeleira do deputado nu.

Para o deputado nu, estuprar é um prêmio, as mulheres se dividem entre as que merecem e as que não merecem ser estupradas. O deputado nu, enquanto canta e dança, quer manter seu escravo preso a um tronco e açoitado. O deputado nu tirou a roupa com que se disfarçava de ministro, para participar da grande exposição. As portas estão abertas e nenhum aviso proíbe as crianças de entrarem no salão central do grande Museu da Republica das Bananas. É arte de vanguarda, futurista, venha ver o deputado nu com o bolso cheio de dinheiro. Um manifesto para o deputado nu! Que pode ser escrito com trechos de outros manifestos. Como do manifesto “Basta, pum, basta” do poeta Almada Negreiros: o deputado nu é horroroso! Ou do manifesto antropófago: o que atropelava a verdade era a roupa. Vê quem quer: to see or not to see, that’s the question.

Vista-se a “Maja desnuda”, “As três graças”, as odaliscas de Matisse, as banhistas de Renoir, as taitianas de Gauguin, proíba-se Picasso, Courbet, queime-se a obra de Victor Arruda, comprem panos pretos para cobrir milhares de obras de artistas de todas as épocas. Será muito mais barato do que vestir o deputado nu.

A nudez do deputado nu custa mais do que os vestidos luxuosos de princesas, do que os ternos importados do ex-governador nu. A nudez do deputado nu está estimada em pelo menos R$ 12 bilhões.

O banco não retira o patrocínio da exposição do deputado nu. Muito pelo contrário.

Enquanto isso, no país invadido e achincalhado, os artistas podem dizer: por acaso, não sabem que foi o som da lira de Anfião que construiu os muros de Tebas, que foram artistas como Niemeyer que construíram as paredes que cercam essa exibição de imoralidade, que, sem Bach, Deus seria menor? A pedofilia, o estupro e todas essas monstruosidades não estão muito mais presentes entre aqueles que estão distantes dos museus e dos teatros e das exposições da arte de todos os tempos?

Então, que os artistas representem peças de teatro, façam performances, pintem, componham canções, dancem com seus corpos de nudez cristalina, não a nudez de terno e gravata da hipocrisia e do cinismo. Como disse o poeta romântico alemão Novalis, “não há mais do que um templo no mundo e esse templo é o corpo humano”. Querem nos afastar da arte que nos criou, que construiu nossas cidades e nossa civilização. Dá nisso: num Brasil que a cada dia reconhecemos menos.
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Judith Butler | Caminhos divergentes | Conferência completa


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Xadrez da Maçonaria no Brasil - uma contribuição — 5


Ao iniciarmos esta quinta parte, deixo aqui, para os que não tiveram a oportunidade de ler as partes 1, 2, 3 e 4 deste artigo, ou mesmo o “Xadrez da Maçonaria no Brasil”, de Luís Nassif, a sugestão de que o façam, de preferência antes dessa.


Hoje iremos falar sobre como a Maçonaria atua infiltrada nas empresas estatais. Na verdade, o termo certo não é esse, pois os maçons, antes de estarem infiltrados nessas empresas, eles as dominam. Como exemplo, traremos para esse debate o caso da maior empresa brasileira.

No caso da Petrobras, o mais interessante é que, apesar de alguns maçons relatarem a liderança do “irmão” Monteiro Lobato na campanha “O petróleo é nosso”, e o próprio envolvimento da Maçonaria na criação da Petrobras ser do conhecimento de muitas pessoas, oficialmente, ela, a Maçonaria, não reivindica isso pra si. Deve haver uma explicação.

Mas não há dúvida de que o domínio da Maçonaria sobre a Petrobras sempre existiu e vai continuar existindo, mesmo que ela venha a ser privatizada.

E por falar em privatização, vale lembrar que na virada do século, já no segundo governo do Sr, Frenando Henrique Cardoso, o francês Henri Philippe Reichstul, enquanto presidente da Petrobras, numa clara tentativa de preparar a empresa para privatização, quis trocar o nome da empresa para Petrobrax (isso mesmo, com “x” no final, ao invés do “s”).

Quem conhece símbolos maçônicos sabe bem o significado da letra X na Maçonaria.  E o uso muito comum que se faz dela nas logomarcas de empresas e instituições públicas e privadas.

Até aí, tudo bem. Não dava para esperar nada muito diferente por parte do PSDB depois do que fizeram na “privataria tucana”. Mas o que vocês me dizem quanto à Sra. Dilma Rousseff nomear, “logo de cara”, no início do primeiro ano do seu primeiro governo, o mesmo  Henri Philippe Reichstul  como conselheiro do seu governo. Difícil acreditar, não? Então, vejam o que a CUT - Central Única dos Trabalhadores, ligada ao PT, disse a respeito desse episódio.


Sinceramente, eu fico me perguntando: como é que um sujeito que conduz uma gestão tão desastrosa à frente da maior empresa estatal do país é nomeado “conselheiro” de um governo que lhe fez ferrenha oposição e vice versa? É muito esquisito, vocês não acham?

Não quando se trata da ingerência da Maçonaria a nível internacional nos assuntos da Petrobras. Basta lembrar o que já mostramos aqui (vide parte 2 de “Uma Contribuição ao “Xadrez da Maçonaria no Brasil”), que a ex-presidente da Petrobras no governo Dilma, a Sra. Maria das Graças Silva Foster (mais conhecida com o nome pelo qual prefere ser chamada: Graça Foster), é mulher de um cidadão inglês chamado Colin Foster, que é, “tão somente”, a maior autoridade residente no Brasil da Grande Loja Unida da Inglaterra. Esse que aparece no meio da foto. Não se pode dizer que ele “está com o rei na barriga”, pois não é esse o caso dele.

Mas não é “só” deste modo que a maçonaria interfere na gestão da Petrobras. No início do terceiro mandato à frente do governo do Paraná, o Sr. Roberto Requião, o mesmo que andou “twittando”, por esses dias, que não tinha nada a ver com a Maçonaria, recebeu dois dos “maçons petroleiros” dos mais altos graus, que lá estiveram fazendo lobby para a indicação de um deles para a Diretoria de Abastecimento no lugar do ex-diretor, agora delator, Paulo Roberto Costa.

Você não acredita que a Maçonaria faça uma coisa dessa, não é? Então, pode conferir.

Detalhe para não gerar dúvidas: a data que aparece no link (28 de outubro de 2011) é posterior à saída de Requião do governo, mas a referência no texto (07 de março de 2007) é a que vale. Texto esse que comete um erro, se não proposital, de atribuir ao Sr. Alan Kardec o posto de diretor de refino, que não era o caso. Ele queria ser diretor, mas não conseguiu. Apesar do peso pesado que ele levava junto consigo na campanha para a diretoria da Petrobras, o lobby maçônico do Paulo Roberto era muito mais forte do que o do Alan Kardec.

O governador Roberto Requião recebeu os executivos Alan Kardec Pinto e José Inácio Conceição ligados à Maçonaria e  Petrobrás. Da esq. para a dir.: O governador Roberto Requião, o vice governador Orlando Pessuti, o Inspetor Geral da Ordem dos Maçons José Inácio Conceição, o diretor da Sanepar  Natálio Stica e o o gerente executivo de Refino da Petrobrás Alan Kardec Pinto. Foto Julio Covello-SECS
Foto: O governador Roberto Requião recebeu os executivos Alan Kardec Pinto e José Inácio Conceição ligados à Maçonaria e Petrobrás. Da esq. para a dir.: O governador Roberto Requião, o vice governador Orlando Pessuti, o Inspetor Geral da Ordem dos Maçons José Inácio Conceição, o diretor da Sanepar Natálio Stica e o o gerente executivo de Refino da Petrobrás Alan Kardec Pinto.

No texto referente às fotos feitas no encontro, o cargo do Sr. Alan Kardec já foi “corrigido”.

Mas o Sr. Alan Kardec não saiu de mãos vazias não. Pois, em março de 2008, ele e muitos outros “irmãos maçons petroleiros” ganharam, como “prêmio de consolação”, uma empresa subsidiária (na verdadeira acepção da palavra, qual seja, aquela que recebe subsídios), inteira, a PBio - Petrobras Biocombustível SA, com tudo que tem (e o que não tem) direito.

Vejam no link abaixo, uma troca de emails como os "maçons petroleiros" se vangloriam da sua própria "força e prestígio junto a Lula”. Não sei como isso foi aparecer no Google, mas veio numa pesquisa normal. Foi só digitar “maçons petroleiros”. Se você quiser conferir, faça o mesmo. Mas faça já, pois não sei por quanto tempo isso ainda vai estar disponível.


Reparem na importância que os “maçons petroleiros” deram ao “trabalho silencioso” do Grande Oriente de São Paulo, e à tal “reinserção política proposta pelo Eminente Benedito Marques Ballouk Filho”, aquele que lhes apresentei no final da parte 4. Se você ainda não viu, dá um pulo lá pra conhecer como a Maçonaria atua no “submundo” político- partidário.

Pois bem, essa empresa já nem existe mais, pois, depois de tanto prejuízo que deu, ela acabou sendo esfacelada. Mas cumpriu seu papel. Qual era esse? O mesmo que foi trilhado ao longo de todo o governo Lula: “dar migalhas aos pobres e encher o cofre dos ricos”.

Provavelmente, você deve estar se perguntando: mas porque esse cara está dizendo isso?

Elementar. A empresa foi criada com a desculpa de que iria tocar os negócios da Petrobras na área de biocombustíveis. No caso do biodiesel, ela incentivou pequenos agricultores familiares a plantarem oleaginosas, incluindo a mamona que o Requião mastigou como se fosse chiclete. Esses, “ficaram a ver navios”. Já os grandes empresários do setor sucroalcooleiro, que venderam participação acionária para a PBio, esses, “lavaram a égua”.

Teria mais a dizer sobre a “PBio”, mas não quero correr o risco de me perder a falar das mazelas dessa empresa e sair do foco que é a “atuação política da Maçonaria na Petrobras”.

Também não quero me estender muito. Então, pra finalizar, deixo aqui a pergunta feita à Petrobras pelo jornal Folha de São Paulo no dia 26 de abril de 2014, que até hoje está sem resposta: “A Petrobras atendeu pedido de patrocínio encaminhado em 3/10/2012 ao diretor de abastecimento José Carlos Cosenza para o VI Encontro Nacional de Maçons Petroleiros orçado em R$ 2,2 milhões apresentado por Valter Martins Martins Ramos? Qual o valor repassado? A Petrobras foi, de alguma forma, procurada pelo sr. Paulo Roberto para tratar desse assunto? Qual foi a participação do ex-diretor na negociação desse assunto?

Veja no link abaixo a postura de uma empresa que, a princípio, em princípio e a rigor, deveria prestar contas ao público sobre as “iniciativas extraempresariais” que incentiva. http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/carta-sobre-ref-brasil-resposta-a-folha-de-s-paulo.htm

Na próxima, falaremos sobre a participação da Maçonaria na ascensão e queda do PT; o papel que ela tem desempenhado na Lava Jato, e as alternativas que a Maçonaria tem à direita, à esquerda (?) e ao centro, para as próximas eleições presidenciais. Por hora, é só.

Luiz Cláudio de Assis Pereira
No GGN
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Vida em Resistência #4 | Terra Indígena Rio dos Índios, de Vicente Dutra/RS | parte 2


Vida em Resistência TV Web: Programa sobre as realidades das comunidades indígenas da região Sul

Assista à segunda parte do episódio que traz entrevistas da comunidade Rio dos Índios, de Vicente Dutra/RS.

Na apresentação da jornalista Julia Saggioratto, você fica por dentro de como está a comunidade que há 32 anos luta pela demarcação de seu território tradicional, pela preservação da Mãe Terra, da sua cultura e dos seus costumes.

Essa é uma produção do Portal Desacato e da Cooperativa Comunicacional Sul, com apoio do Conselho Indigenista Missionário - Cimi.

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Promotor e Defensoria pedem condução coercitiva de delegado

Após indiciar 18 jovens presos no CCSP por associação criminosa, delegado do Deic falta a duas audiências do caso

Delegado Barbeiro durante depoimento na Câmara dos Deputados, em março
Foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados
Ninguém respondeu ao chamado do funcionário do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na tarde desta sexta-feira (10/11). Nem os policiais fardados que aguardavam sua vez em pé, nos corredores da 3ª Vara Criminal do Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da cidade de São Paulo, nem as demais testemunhas sentadas nas cadeiras das salas de espera.

O funcionário riscou o nome no alto da folha de sulfite que carregava e deu meia volta. Ao entrar na sala de audiências, avisou: o delegado Barbeiro mais uma vez havia faltado.

Delegado do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), Barbeiro foi quem autuou, por associação criminosa e corrupção de menores, em 4 de setembro do ano passado, 18 jovens que haviam sido detidos no Centro Cultural São Paulo antes de uma manifestação contra o presidente Michel Temer (PMDB). Na época, o delegado considerou que a posse de objetos como vinagre e materiais de primeiros socorros comprovavam que os jovens pretendiam cometer atos de violência na manifestação.

O promotor de justiça Fernando Albuquerque Soares de Souza, que acolheu a conclusão do inquérito do delegado e denunciou os 18 jovens à Justiça, viu-se hoje numa situação embaraçosa ao saber que o delegado havia faltado novamente à audiência, mesmo tendo sido intimado.

Se insistisse em ouvir o delegado que havia arrolado, o promotor Soares obrigaria a juíza Cecília Pinheiro da Fonseca a suspender a audiência, como já havia ocorrido um mês antes, em 22 de setembro. É que todas as outras testemunhas, por terem sido arroladas pela defesa, só poderiam ser ouvidas após as testemunhas da acusação. O promotor, então, recomendou que o delegado fosse conduzido coercitivamente na audiência seguinte, mas aceitou desistir da testemunha.

Barbeiro, porém, não ficou livre de comparecer ao fórum. Advogados da Defensoria Pública, que representam parte dos 18 réus, fizeram questão de arrolar o delegado como testemunha de defesa e também pediram à juíza que, na próxima audiência do processo, Barbeiro seja levado à força para o Fórum – “conduzido sob vara”, no linguajar dos operadores do direito. Prevista no Código de Processo Penal, a condução coercitiva pode ser aplicada a qualquer pessoa que se recuse a comparecer em juízo mesmo após ter sido intimada.








Às 17h07, a Ponte ligou para o celular do delegado Barbeiro e perguntou por que ele havia faltado à audiência. O delegado se recusou a responder:

Ponte – Doutor, meu nome é Fausto, sou repórter da Ponte Jornalismo.

Delegado Barbeiro – Ah, sim.

Ponte – Estou ligando para saber por que o senhor não pode comparecer nas duas audiências do caso dos meninos presos no Centro Cultural São Paulo.

Barbeiro – Perdão… puxa vida… agora não estou me lembrando.

Ponte – O caso do Centro Cultural São Paulo, dos 18 jovens detidos. Teve uma primeira audiência, teve uma segunda hoje e a informação é de que o senhor não foi. O senhor sabe dizer por que não foi em nenhuma dessas duas audiências?

Barbeiro – Sim. Desculpa. Perdão, você é da onde?

Ponte – Meu nome é Fausto. Sou jornalista. Trabalho na Ponte.

Barbeiro – Ah, sim. Ô, Fausto, deixa eu te falar. Eu não posso te falar agora. Eu estou dentro da viatura em diligência, tá? É um outro caso. Depois, se você quiser encaminhar um pedido de explicação, aí a gente responde sem problema nenhum, só que agora estou no meio de uma diligência, na viatura inclusive.

Ponte – Mas o senhor não consegue nem responder só essa pergunta?

Barbeiro – Não consigo fazer isso agora, me desculpa, tá? Se eu parar agora para falar com você, vou perder a concentração no trabalho aqui, tá bom?

Manifestantes pedem a absolvição dos 18 presos, nesta sexta, diante do Fórum Criminal
Foto: Fausto Salvadori/Ponte
Após falar com o delegado, a Ponte procurou a CDN Comunicação, responsável pela assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do do governo Geraldo Alckmin (PSDB) e perguntou sobre a ausência do delegado. A SSP respondeu por meio de uma nota:

A Polícia Civil informa que o delegado Fabiano Fonseca Barbeiro não compareceu às audiências em função de compromissos profissionais e sua ausência foi devidamente comunicada à Justiça.

Dilema Balta

Como havia ocorrido na primeira audiência do processo dos 18 do CCSP, em 22 de setembro, o Fórum Criminal da Barra Funda determinou um esquema de segurança reforçada, com policiais militares posicionados diante da primeira entrada do fórum, perguntando a todos onde iam e revistando bolsas e mochilas. Na calçada, diante da entrada, um grupo com cerca de 100 pesoas, entre ativistas, parentes e amigos dos réus, pediam a absolvição dos jovens com faixas, cartazes e batucada.

No interior do prédio, um dos réus, Érico Sant’anna Perrella, sentiu na pele o clima rigoroso que dominava o fórum quando, ao sair da sala de audiência para ir para ao banheiro, parou para conversar com uma pessoa. Ao sair do banheiro, viu-se cercado por cinco policiais e pela assistente da juíza, que lhes passou uma bronca:

“Isso aqui é muito sério. As regras precisam ser cumpridas. Quanto a gente sai para ir ao banheiro, não é para ficar batendo papo. O senhor entendeu?”

“Sim, senhora.”

Na audiência desta sexta, que começou às 15h e avançou até a noite, terminando às 20h, a juíza ouviu cerca de duas dezenas de testemunhas. Entre elas, o deputado federal Paulo Teixeira, o vereador Eduardo Suplicy e o ex-vereador e colunista da Folha de S.Paulo Nabil Bonduki, todos do PT. Na noite de 4 de setembro, os três foram até o Deic para garantir que os jovens detidos tivessem acesso a seus advogados e familiares – antes da chegada dos políticos, os detidos haviam permanecido incomunicáveis, dentro da delegacia, por mais de oito horas.

A defesa também arrolou o operador das câmeras do circuito interno do Centro Cultural São Paulo, que declarou não ter visto nada de estranho entre os frequentadores do espaço até a chegada da Polícia Militar. O depoimento contradisse a versão dos policiais, que dizem terem ido até o CCSP após “um popular” ter informado que havia visto um grupo de jovens mascarados portando objetos suspeitos e chamando a atenção no local. Há a suspeita de que a PM tenha armado uma operação para prender manifestantes anti-Temer, juntamente com o Exército, por meio do capitão (hoje major) de inteligência Willian Pina Botelho, que há cerca de dois anos vinha atuando como infiltrado entre manifestantes de esquerda e movimentos sociais de São Paulo. Tanto Exército como a Secretaria de Segurança Pública negam.

Botelho também foi arrolado como testemunha pela defesa dos 18 réus. Como passou a viver no Amazonas desde que foi promovido “por merecimento” a major, no Natal do ano passado, o militar deve ser ouvido à distância, por meio de carta precatória, no Fórum Ministro Henoch da Silva Reis, em Manaus.

O plano de ouvir Balta/Botelho, contudo, é algo que divide os defensores dos jovens. A maioria dos advogados dos réus é contra ouvir o militar, por acreditar que o depoimento do major é imprevisível e pode prejudicar a defesa. Um dos advogados comentou que considera a atuação de Botelho como infiltrado “politicamente escandalosa, mas juridicamente irrelevante” para o caso dos réus. Outros defensores pensam o oposto e, com base no envolvimento do Exército com a prisão dos jovens, buscam deslocar a competência do caso, levando-o para a Procuradoria-Geral da República, em Brasília.

A próxima audiência do caso está programada para 12 de dezembro.

Fausto Salvadori
No Ponte
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MBL ferra Frota. Cadê o valentão do pornô?

A guerra entre os fascistas mirins do Movimento Brasil Livre (MBL) e o patético Alexandre Frota está hilária. É pura baixaria. Por enquanto, o ator-pornô está levando a pior. Nesta terça-feira (7), em uma decisão judicial em caráter liminar, a 17ª Vara Cível de Brasília determinou que ele e a sua Associação Movimento Brasil Livre “se abstenham de utilizar a marca MBL ou de se identificarem como seus detentores”, fixando multa de R$ 1.000 para cada uso indevido. Ela exigiu que Alexandre Frota e seu grupelho retirem do ar o site movimentobrasillivre.com.br, no prazo de cinco dias, sob pena de multa de R$ 1.000 por dia.

Histérico, o ator pornô tem esbravejado nas redes sociais, detonando seus antigos amiguinhos do MBL. Ele já rebatizou a sigla dos atuais rivais para “movimento das bichinhas livres”. Disse ainda que seus líderes são “filhote de Jaspion” (Kim Kataguiri) e que precisam “tomar uma pirocada bem dada para parar de mentir”. As bravatas, porém, não foram suficientes para garantir a ele e ao seu grupo a marca MBL, conforme a solicitação apresentada ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Ele garante que a sua seita foi fundada em 2014 por “um grupo de amigos composto por Alessandro Gusmão, Daniel Araújo, Marcelo Tavares, Lúcia França, Paulo Gusmão, Vinícius Aquino e cerca de 40 outras pessoas descontentes com o rumo político-econômico do país”. Alexandre Frota seria o vice-presidente da tal associação, agora derrotada na Justiça.

Diante da decisão liminar, o “filhote de Jaspion” – também apelidado de “Kinta Kateguria” – festejou. Para ele, a sentença judicial representa a derrota da “tentativa patética de sequestrar o nome do movimento... É como se eu criasse a Associação Coca-Cola e entrasse no INPI exigindo que a marca fosse minha”. Segundo a Folha golpista, que já deu uma boquinha para Kim Kataguiri em suas páginas, a decisão da 17ª Vara Cível de Brasília deve encerrar a celeuma entre os grupelhos, que já dura dois anos. “Formado na esteira dos protestos de 2014 contra a então presidente Dilma Rousseff, o MBL original tentou registrar o nome duas vezes (em vão) em 2015 e uma terceira vez em junho, com decisão ainda em suspenso. O grupo homônimo fez a mesma demanda ao INPI, três meses depois, solicitação também em andamento”.

Em sua sentença contrária ao ator e seu grupo, a juíza Marcia Regina Araújo Lima afirma que “a proteção conferida à marca tem por objetivo evitar a concorrência desleal, a possibilidade de confusão ou dúvida nos consumidores, ou locupletamento com o esforço e trabalho alheios". Procurado pela Folha, Alexandre Frota – talvez em depressão – não respondeu. Mas ele comentou a decisão no Twitter. “Estou em luta contra DEM, PSDB, MBL, STF, todos unidos contra o Frota. Sensacional, falar a verdade do Brasil incomoda muito”. Em outra postagem, ele ainda debochou da sentença. “Derruba-se uma liminar como quem bebe um copo d'água. Não tenho dúvidas de que a verdade vem aí”. Força, Alexandre Frota. Bota pra ferrar no MBL! É divertido dar risada da escrotidão das seitas fascistas no Brasil.

Altamiro Borges
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Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira


                                                                                           .

Confirmada na tarde de ontem, às 14h, na cidade de Heidelberg, na Alemanha, a morte de um dos maiores nomes da pesquisa sobre a história política, o historiador e cientista Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira. Complicações renais, pulmonares e a fragilidade decorrente de seguidos problemas cardíacos foram decisivas para a morte deste verdadeiro brasileiro.

Moniz Bandeira deixa um filho, Egas Moniz, e a esposa Margot Ellisabeth Bender, alemã, com a qual falei na manhã deste sábado (11). Abatida, preocupada com a tristeza do filho Egas, a Sra. Margot ainda encontrou forças para narrar os últimos dias de vida do Professor Moniz. “Foi tudo muito rápido, Wellington, ele sentiu dores nas pernas na terça-feira e eu chamei a ambulância”, narrou a viúva. Pelo profundo respeito que tenho ao Professor Moniz, jamais publicaria detalhes do seu sofrimento.

No último gesto de amor à esposa Margot, Moniz Bandeira, prestes a entrar em coma induzido, tentou acalmá-la com uma frase que serve para todos nós que aprendemos a admirá-lo: “Eu vou viver muitos anos ainda, Margot”. A sua imortalidade estará presente até que tombe o último brasileiro nacionalista.

Foi a última análise, mais um certeira, de uma pessoa singular e profissional perfeccionista, reconhecido pelo seu rigor acadêmico e engajamento, que agora entra para o panteão dos imortais, sobretudo pela contribuição que deu à História, Política e Relações Internacionais. Muito produtivo até mesmo com a idade avançada, Moniz Bandeira lançou este mês os seus dois últimos livros “O Ano Vermelho” e “Lenin”, ambos em alusão aos cem anos da Revolução Russa.

Este texto não esgota o que tenho a falar sobre o Professor Moniz Bandeira. Estou profundamente triste com a dor desta notícia. Falávamos praticamente todos os dias, em vídeo. Uma amizade que me ajudou a olhar o mundo com outros olhos. Estávamos concluindo o corpo do livro “A arte da insurgência”, para o qual fui convidado a fazer a “escrita moderna” de artigos publicados por ele no final dos anos sessenta. Descanse em paz, imortal!

Wellington Calasans
No O Cafezinho
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Pudor, Doutor? Não tem, acabou. Serve Lula frito?


Era um regabofe, bancado pelo empresariado, nos salões do Graciosa Country Club de Curitiba, para dar uma medalha a Luiz Edson Fachin, do STF, esta figura que não cessa de encolher desde que abiscoitou a toga de ministro do Supremo Tribunal Federal e, sobretudo, depois que a morte de Teori Zavascki deixou-lhe a rica herança de Barão da Lava Jato.

Entre os comensais, toda a linha de comando da operação: Deltan Dallagnol, Sérgio Moro, seu amigo e revisor de suas sentenças, João Pedro Gebran Neto, e o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz.

Todos devidamente ciceroneados por Beto Richa, o polidenunciado governador tucano do Paraná.

Era, portanto, uma “social” da província, lugar mais que inadequado para se falar de julgamentos de processos que podem abalar a vida de toda a nação, não é?

Qual nada!  Gebran e Thompson Flores não se fizeram de rogados e deram entrevista ao repórter Vinicius Boreki, do UOL, meio que a prometer fazerem  seus “deveres de casa” e proclamarão a sentença (adivinhe com que teor) de Lula  antes que aquela de deveria ser a suprema juíza, a população, possa falar, em 2018.

É, diz Flores, “interesse da nação”, esperançoso que três votos de desembargadores anulem o que poderia ser o voto de dezenas de milhões de cidadão. O relator Gebran também não se furtou a falar – o que seria absolutamente justificável, dado o ambiente – e acenou com “boas notícias”: ‘talvez seja possível julgar antes das eleições”.

E todos entregaram-se, então, aos comes e bebes trazidos pelos garçons.

Já tinham provado Lula frito de entrada, porque decoro não faltava no cardápio.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Falta povo ao liberalismo brasileiro


Falta POVO no liberalismo brasileiro. O dia em que casar o discurso anti-Estado com as propostas pró-POVO, ampliando a visão Estado x empresas, será politicamente competitivo.

O fator POVO é fundamental por várias razões.

Primeiro, para incutir um pouco de alma no liberalismo brasileiro. Faltam aos liberais generosidade, solidariedade e outros sentimentos nobres que ajudam a legitimar ideias e partidos. O discurso da eficiência ganharia outro colorido, se os resultados fossem claramente destinados à melhoria de vida, dos serviços públicos e das oportunidades à população como um todo. Precisará ser mais Ricardo Barros e menos Eduardo Gianetti.

Segundo, por uma questão de visão de país.

Não se constrói um país sem uma identificação umbilical com seu povo.

Sem propostas para o desenvolvimento social, para o aprimoramento da sociedade, para a ampliação das oportunidades para o POVO, não existe projeto de país.

O Bolsa Família nasceu em cima de princípios anteriormente consagrados pelo liberalismo, pela noção da focalização, pelo uso de indicadores que ajudassem a focalizar a ação nos mais necessitados, pelo cartão que permite sacar dinheiro direto do banco, sem passar pelos coronéis locais.

Bastou ser bem-sucedida para sair do ideário liberal. O mesmo ocorreu com políticas como o REUNI, Ciência Sem Fronteias e outros.

Ora, qual a proposta alternativa? Não se consegue sair da visão fiscalista mais primária, como se superávit fiscal fosse objetivo final, e não o resultado do aumento da eficiência.

Terceiro, para consolidação da própria visão de empreendedorismo e de 4ª revolução industrial.

Há uma energia enorme escondida nas classes de menor renda, uma gana pela educação e pelo trabalho, vistos como únicas saídas para o estado de pobreza secular. A ampliação do ensino universitário, as bolsas de estudo, inclusive para faculdades no exterior, foram uma pequena amostra do extraordinário potencial da população, se exposta às mesmas oportunidades da classe média.

A 4ª Revolução Industrial prescinde dos operários de chão de fábrica. E exigem trabalhadores criativos. A cultura brasileira é fundamentalmente flexível. Falta o preparo. No entanto, o modelo educacional defendido pelo liberalismo é um oceano de ensino massificado cercando algumas ilhas preferenciais.

A falta de pensadores

Direita e esquerda têm seus ideólogos, formados em torno de uma série de valores positivos e negativos.

A direita conseguiu se estruturar dentro de uma pauta moral medieval, mas, em todo caso, pauta. A esquerda tem os vários matizes, dos direitos humanos às guerras revolucionárias.

Já o liberalismo tupiniquim consagrou alguns porta-vozes fracos, com um discurso recorrente  anti-Estado e pró-políticas monetária e cambial, e não sai desse diapasão. São uma antologia de chavões.

Vez ou outra tentam desenvolver um discurso moral antagônico ao da direita troglodita. Mas são meras posições pessoais, pois não conseguem transformar esses princípios em propostas claras de políticas públicas. E tem uma ojeriza invencível por POVO. Qualquer política visando a melhoria da população é considerada populista, anacrônica, atrasada.

Com essa posição primária, superficial, preconceituosa, acabam comprometendo valores que são essenciais em qualquer modelo: a produtividade, a meritocracia no sentido amplo de igualdade de oportunidades, a criação de um ambiente desburocratizado, favorável ao empreendedorismo, ainda mais nesses tempos de profundas mudanças tecnológicas.

Os fóruns de participação

Nos últimos anos, houve proveitosa convivência dos lados social e empresarial em pelo menos dois fóruns relevantes: o da educação e o da inovação.

Na Educação, juntaram-se as ONGs do setor privado com sindicatos e associações da categoria, discutiram e tiraram um documento precioso, o Plano Nacional de Educação. Houve consenso sobre três pontos:

1. O professor tem que ter as condições ideais na escola.

2. Tem que ser bem remunerado.

3. Dadas as condições anteriores, sua produtividade tem que ser medida e resultados precisam ser cobrados.

E juntaram-se as duas pontas para trabalhar por aumento do percentual para educação no orçamento federal. Obviamente, esse trabalho foi interrompido pela ascensão da quadrilha Temer.

O segundo evento da maior relevância foram as conferências de inovação, que juntaram empresas, cientistas e técnicos em torno do mesmo projeto de país. O que gerou o MEI (Movimento Empresarial pela Inovação), com grandes empresas levantando conceitos de inovação para as pequenas e médias.

Trata-se de bandeira a ser levantada por qualquer partido moderno, liberal ou de esquerda.

Mas, para tanto, os liberais precisam se curar da síndrome Maria Helena Guimarães, a Secretaria Executiva do MEC, ex-Secretária da Educação de São Paulo, que acha que programas de qualidade são um manual que se aplica sem sair da sala e sem ouvir a ponta.

A noção de Estado

Assim como falta a parcelas da esquerda noções maiores sobre o funcionamento e o papel do mercado, há a mesma ignorância dos liberais sobre os limites de atuação do Estado. Em todos os grandes temas nacionais - energia, telecomunicações, logística, financiamento de longo prazo - analisa-se o Estado com a mesma ótica, de que ele seria substituível pelo mercado.

Nessa superficialidade, não conseguem entender sequer princípios de funcionamento do Estado regulador moderno. Não apresentam alternativas minimamente viáveis para a substituição do Estado no financiamento da pesquisa, na oferta de financiamento de longo prazo, nos investimentos em infraestrutura. Ou, a grandeza intelectual de reconhecer os setores em que o papel do Estado é imprescindível. Com isso, se enfraquecem até nas críticas relevantes contra o Estado, porque misturadas no caldeirão dos preconceitos ideológicos.

Qualquer restrição ao setor privado, não é analisado pela ótica interesse público x interesse privado, mas de Estado x mercado, mesmo quando o interesse público é explícito.

Mais que isso. No esforço de desmerecer todas as políticas bem-sucedidas do governo petista, ajudaram a criminalizar os fundos de participação do BNDES e da Finep, ponto central dos novos mercados, avalizando a análise burocrática do Tribunal de Contas da União.

Não saíram em defesa do BNDES, mesmo sabendo que é um órgão eminentemente técnico, trabalhando em uma área não atendida pelo setor privado.

O centro democrático

O fortalecimento do centro-democrático não virá dessas aventuras inconsequentes, com Dória ou Huck, ou o extraordinário blefe que é Paulo Hartung, o seguidor do manual do perfeito idiota fiscalista – o que desmonta um Estado inteiro para garantir um equilíbrio fiscal.

O centro-democrático se fortalecerá quando criar-se uma massa crítica de pensadores e políticos capazes de entender as características de um Estado moderno, de colocar o foco de todas as políticas públicas na promoção do brasileiro, desenvolvendo uma maneira diferente de entender o país, não como uma fazenda, mas como um organismo social e economicamente complexos.

Houve um tempo em que o PSDB tinha como aliados pensadores social-democratas que vicejavam na USP e que conseguiam contrapor ideias aos pensadores mais à esquerda.

Todos pularam do barco tucano.

É hora de começar a se pensar em uma convergência de ideias, acima das quizilas partidárias e eleitorais.

Luís Nassif
No GGN
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Após admitir que não houve crime, Moro libera acervo de Lula


Depois de inocentar Lula da acusação de lavagem de dinheiro e corrupção passiva por causa de contrato com a OAS para armazenamento do acervo presidencial, Sergio Moro decidiu autorizar o deslacre do material, que está guardado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Segundo informações de Mônica Bergamo, os "dez contêineres com objetos e as 400 mil cartas que o petista recebeu quando era presidente estavam trancados, à espera do desfecho judicial da acusação de que tinham sido armazenados e mantidos com dinheiro ilícito."

"Moro absolveu o ex-presidente e Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, da acusação de lavagem de dinheiro e corrupção passiva por aceitar que a OAS pagasse pela manutenção do acervo. O TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) ainda tem que decidir se mantém ou revê a sentença de Moro."

Okamotto já recorreu para que os termos de sua absolvição sejam alterados de maneira que fique claro que os procuradores de Curitiba não conseguiram provar as acusações feitas. Segundo dados do TRF4, a demanda foi parar no Supremo Tribunal Federal para análise do relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin.

Ainda de acordo com a colunista, Moro também marcou o depoimento de Lula no processo do sítio de Atibaia. O ex-presidente deve depor no dia 5 de fevereiro de 2018.

"Se a velocidade média de tramitação de processos sob a jurisdição de Moro for mantida neste caso, Lula deve voltar a depor ao magistrado em junho de 2018 - quando a campanha eleitoral à Presidência já pode ter atingido alta temperatura."

No GGN
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