9 de nov de 2017

A Justiça dos 3 T’s


“A revolução sem sangue é aquela em que você usa as instituições dentro das suas próprias missões para mudar o caminho civilizatório do nosso país”. A pérola pseudo-“pacifista” é de autoria do senhor Rodrigo Janot, em palestra no 2º Congresso Nacional dos Auditores de Controle Externo, em Cuiabá. Como o peixe morre pela boca, o ex-procurador da República acabou por definir o que ele, e seus agentes de Curitiba, estão fazendo com o Brasil.

As reservas de petróleo do Iraque alcançaram 153 bilhões de barris, informou o ministro do Petróleo do país, Jabar al-Luaibi, no início de 2017, segundo a mídia na época. Em 2015, segundo o Instituto Nacional de Óleo e Gás da UERJ, o pré-sal do Brasil já continha 176 bilhões de barris de petróleo e gás, o que não apenas se confirmou, mas aumentou. Os dois países estão entre os maiores detentores de reservas de petróleo do mundo, naturalmente alvos da cobiça do Império norte-americano.

Os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003 e, desde então, mobilizaram entre 100 mil e 150 mil soldados até 2010, quando “encerraram” a guerra. O custo do assalto ao petróleo do Iraque, sem contar a Guerra do Golfo, chegou US$ 800 bilhões, segundo o Congresso norte-americano, ou US$ 3 trilhões considerando os impactos adicionais na economia. Os mortos na guerra chegaram a mais de 100 mil iraquianos, entre civis e militares, até julho de 2010 e cerca de 4.500 mil soldados yanques.

De fato, considerando as dimensões do “custo-benefício” da apropriação da mais disputada riqueza mundial, o senhor Rodrigo Janot tem razão em suas observações. Ele também acerta quanto aos métodos utilizados, realmente bem mais “em conta” quando se refere a utilização das “instituições dentro das suas próprias missões para mudar o caminho civilizatório do nosso país”. Nos dois casos, leia-se por “caminho civilizatório” a submissão econômica, a destruição do Estado e o fim da soberania nacional dos países atacados.

Em março de 2017, segundo o articulista José Carlos Lima, no portal GGN, a Operação Lava Jato já acumulava R$ 140 bilhões de prejuízo ao pais, enquanto trombeteava “recuperação” de R$ 200 milhões. No mesmo artigo o autor destacava danos de cerca de 13% do PIB, relativos aos setores de petróleo e gas, ou seja, algo na casa dos trilhões de reais. A “tempestade nos trópicos” comandada por Janot, Moro e Dallagnol, entre outros, também atingiu a indústria de defesa, naval e o nível de empregos.

No artigo “Duas guerras”, de janeiro deste ano, escrevemos que “as duas maiores e mais agressivas guerras imperialistas em desenvolvimento neste momento no mundo ocorrem na Síria e no Brasil”. “As duas, no entanto, utilizam-se de estratégias, métodos e ferramentas diferentes – uma tradicional, outra assimétrica, o que dificulta percepção dos brasileiros”. Mas, dissemos que “ambas têm o mesmo objetivo, que é a destruição das infraestruturas, das forças produtivas dos respectivos países”.

Também no artigo, advertimos que “no caso do Brasil, a guerra assimétrica conta com agentes internos capturados e uso das instituições, em especial do judiciário, incluindo juízes e procuradores, e da mídia”. “A mídia, em especial a Rede Globo, funciona como a artilharia tradicional, atirando diariamente contra instituições, políticos e lideranças”. “A Operação Lava Jato cumpre o papel de “mariners” ocupando “territórios” selecionados e destruindo segmentos industriais e lideranças empresariais e políticas”, concluía o artigo.

Em seu falatório, voltando ao ex-procurador Rodrigo Janot, ele ainda tentou convencer o público presente dizendo que “o Brasil de hoje é um Brasil muito diferente de dez anos atrás”. “Há dez, 15 anos atrás, todo mundo dizia: a Justiça brasileira é a Justiça dos ‘3 Ps’. Quem é mais velhinho aqui vai lembrar disso. É pobre, preto e prostituta”, disse ele. Janot até poderia ter razão se a Justiça do “3 Ps” não tivesse se transformado na Justiça dos ‘3 Ts’ – traição, totalitarismo (um leitor sugeriu “T” de TV Globo) e trambiques, situações cada dia mais evidentes.

Fernando Rosa
No Senhor X
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A escolha do PSOL

Com Nildo Ouriques, pela revolução brasileira
Era 2004. Tudo conspirava para uma acomodação por conta da eleição de Lula. Eu estava na direção do Sintufsc, e começamos uma luta feroz contra o governo por conta da reforma da previdência. Nossa crítica a Lula nos custou muito. Perdemos amigos, enfrentamos a fúria de colegas que eram parceiros históricos. Mas, tínhamos claro que nosso primeiro compromisso era com os trabalhadores. Nunca nos furtamos a isso. Combatemos sem piedade. Fomos derrotados. Tudo bem. A vida seguiu.

Naqueles dias vivíamos, eu e outra colega, um processo difícil de censura e assédio moral na Agecom, onde trabalhávamos. Estava duro. Então, recebemos o convite para começar um trabalho de estudo sobre a América Latina, coordenado pelo Nildo Ouriques, com a participação de Beatriz Paiva. Não hesitamos e lá fomos nós construir uma história de belezas.

Foi no mês de julho de 2004 que nasceu o Observatório Latino-Americano, espremido numa pequena salinha do Serviço Social. Ali, começamos essa experiência incrível que desembocou na criação do IELA, em 2006. Remando contra vento e maré, fomos realizando coisas. Pesquisas floresceram, trabalhos de extensão foram criados, diálogos com a sociedade foram iniciados, a América Latina sendo exposta como esse espaço geográfico cheio de maravilhas, até então praticamente desconhecido. O IELA transformou-se em um lugar de criação do conhecimento e, para além dos trabalhos de investigação e de extensão, começou a recuperar os mais importantes pensadores do continente em uma coleção editorial chamada Pátria Grande.

Cada dia desses 13 anos de trabalho foi um desafio, cumprido com alegria, com entusiasmo, com profundo amor pela Pátria Grande.

E o motor de todo esse processo sempre foi Nildo Ouriques. Um sonhador, um realizador, uma criatura de extrema generosidade, comprometido com a partilha do conhecimento. Um cara de uma capacidade de trabalho incrível, motivador, instigante, capaz de superar, com incrível tranquilidade, todos os obstáculos, que nunca foram poucos.

E assim, no IELA, cada sonho sonhado foi se fazendo, ora aos trancos e barrancos, ora mais suave. Mas, tudo que nossa mais louca imaginação apontou se fez, por mais impossível que parecesse. Porque havia paixão, havia compromisso. E segue havendo.

Sempre comparei o Nildo com uma pandorga, esse instrumento da meninice que nos ensina a brincar e amar o infinito. E assim ele é, feito a pandorga, voado alto no céu, loucamente girando ao sabor das tormentas, mas sempre firmemente preso a terra, à realidade, ao mundo que precisamos mudar.

Nesses anos todos de parceria no IELA travamos muitas batalhas, demos muitas risadas, choramos, atravessamos os difíceis pântanos da intolerância e da incompreensão. Nunca esmorecemos.

Por isso, agora, ver o Nildo disputar a candidatura para a presidência da República pelo PSOL não me surpreende. Porque essa ousadia é a marca do Nildo. Sempre apontando para o horizonte, para o infinito, tal qual a utopia. O impossível se realizando, o caminho se abrindo, e ele avançando. Espero firmemente que o partido que ele escolheu para sua militância não se intimide e acolha sua candidatura. Tenho certeza absoluta que será como um vento forte, varrendo a mediocridade da pequena política. Porque conheço e respeito essa capacidade abissal que o Nildo tem de enfrentar a vida e os problemas. Sei do seu brilhantismo, da sua capacidade, da sua força e do profundo amor que ele tem a esse país, aos trabalhadores e a essa ideia generosa de Pátria Grande.

Com ele eu vou, por qualquer caminho, sem titubeio. Construindo a revolução brasileira. E vou segura, porque sei quem ele é e o que é capaz de fazer.  

Que o PSOL escolha o Nildo. Vai ser bom!

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
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Com mostra do MBL, a UFSC do reitor Cancellier vira cobaia de modelo de agitação de direita

Os kataguiris na UFSC
Um reitor submetido a uma prisão abusiva, humilhante e que se suicida. Uma vice-reitora que assume interinamente, recebe pressões e se afasta por 60 dias por licença de saúde. Um corregedor-geral, pivô do caso que resultou em suicídio do reitor, também se afasta por 61 dias por licença de saúde. Um chefe de gabinete da Reitoria que pede desligamento do cargo. Afinal, o que está acontecendo na Universidade Federal de Santa Catarina, uma das cinco brasileiras mais bem avaliadas em ranking das melhores instituições de ensino superior da América Latina?

Em março de 2014, sob o pretexto de combater o uso de drogas no campus, policiais federais tentaram prender estudantes em um bosque da UFSC. Houve reação e confronto. Professores apoiaram os estudantes e tentaram negociar com os policiais, sem sucesso. O episódio, que ficou conhecido como “Levante do Bosque”, terminou com o indiciamento de 34 pessoas, inclusive professores, e do diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Paulo Pinheiro Machado.

Esta semana, pessoas estranhas à UFSC colocaram a universidade no centro de um insólito episódio, que pode ser o embrião de um novo modelo de provocações. Com o apoio do Movimento Brasil Livre (MBL), “plantaram” na universidade uma “Semana Vítimas do Comunismo: a maior tragédia do século XX”, de 6 a 10 de novembro, com aparente viés pedagógico, mas sem rigor científico, honestidade intelectual e que serviu até mesmo para um dos palestrantes refutar teorias consolidadas no meio acadêmico, como a questão de gênero.

Não se trata, portanto, de impedir o debate sobre um dos mais importantes e controversos fatos da história, mas do pretexto de defender causas humanitárias para contrabandear ideias reacionárias. Ou seja, um cavalo de Troia. E setores da esquerda, ao tentar retirá-lo do campus, aumentaram a repercussão, principalmente na mídia. Não parece distante, portanto, o dia em que será requisitado espaço na universidade para debater ideias criacionistas e defender que a Terra é plana. No Brasil do golpe, tudo se tornou possível.

Uma das palestras, anunciada para o auditório do Centro Socioeconômico (CSE) da UFSC, chegou a ser cancelada. A reação foi liderada por um movimento denominado Coletivo Floripa Contra o Estado de Exceção, que já vinha recolhendo assinaturas para denunciar os constantes ataques à autonomia da universidade e que pedia uma rigorosa investigação no processo que resultou na morte do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Para lembrar as palavras do ex-senador Nelson Wedekin (PMDB), o reitor foi “empurrado das alturas para a morte” por “mãos visíveis e invisíveis”.

Cancelado na última hora, o debate no CSE foi transferido para o auditório Teixeirão, do curso de Engenharia Elétrica, no Centro Tecnológico, tradicional reduto mais à direita no espectro político da universidade.

Mas os organizadores do evento conseguiram, por intermédio de advogados, um mandado de segurança da Terceira Vara Federal de Florianópolis, que obrigou a UFSC a ceder o espaço anteriormente reservado, no CSE. Segundo a decisão judicial, a universidade “deve significar para a comunidade em que se encontra, local de plural manifestação democrática, que respeita a diversidade de ideias e opiniões”.

Todos parecem mandar na UFSC, menos as autoridades eleitas pela comunidade universitária (Reitoria e Conselho Universitário, por exemplo, que até o momento não se manifestaram oficialmente sobre o episódio). A Constituição de 1988 garantiu autonomia às universidades, ou seja, “capacidade de autodeterminação e de autonormação dentro dos limites fixados pelo poder que a institui”. Salvo engano, isso significa que não precisa de decisões judiciais para resolver questões administrativas que se refiram ao que deve ou não ser realizado em seu espaço de produção de saberes.

Não parece o caso. A UFSC virou uma espécie de Casa da Mãe Joana e o Judiciário, mais uma vez, arvora-se no poder que a todos se sobrepõe e decide desde a exibição de uma peça de teatro ou um show até quem pode ou não ser candidato à presidência da República. Em outro extremo, omite-se quando deveria defender a Constituição, como no caso da destituição de uma presidenta eleita, tirada do cargo por uma gangue de notórios corruptos que hoje reina soberana sobre a nação, vendendo o patrimônio do povo brasileiro e destruindo direitos sociais e trabalhistas como nunca antes se viu no país (nem mesmo na ditadura militar de 64). Os exemplos de uma atuação do Judiciário que pode ser classificada como política e ideológica, se multiplicam pelo país.

O diretor do Centro Socioeconômico, Irineu Manoel de Souza que suspendera o evento naquele local, justificou a medida alegando que a iniciativa era “completamente alheia às atividades de sala de aula, às linhas de pesquisa sobre o pensamento liberal ou mesmo às atividades de extensão da comunidade acadêmica” e que atendia somente “a interesses político-partidários externos”. Também a Agência de Comunicação da UFSC, que chegou a divulgar o evento, retirou a notícia, posteriormente, de sua página. O mais famoso colunista político do Estado classificou o cancelamento como “atitude fascista”, ao mesmo tempo em que uma decisão legítima do reitor interino ganhou manchete de capa no mesmo jornal como tendo sido uma “manobra”.


“Semana Vítimas do Comunismo”

O evento virou pretexto para reportagens, comentários e programas de debates na mídia, que colocaram a universidade na defensiva. Ao tentar impedir, foi acusada de “censura”, porque à mídia não interessa analisar atores abertamente partidários de ideias fascistas, excludentes, contrárias aos direitos humanos e às causas humanitárias que simulam defender. Um truque hábil, em que o algoz se faz passar por vítima.

Como se vê, o suicídio do reitor pode não ter sido um ato isolado, pois os ataques à universidade prosseguem. E as motivações, aparentemente, são maiores do que aquelas a que as notícias se referem, afinal, em todo o país, as instituições públicas estão sendo sucateadas, denunciadas e vendidas ao setor privado. Quem acompanha o meticuloso xadrez do golpe sabe que nenhum lance é ingênuo e boa parte da mídia tem exercido o papel de esconder e supervalorizar fatos, e também legitimar atos induzidos como se produzidos espontaneamente.

A realização da Semana Vítimas do Comunismo parece mesmo ter motivações estranhas à comunidade universitária. Como indica o cartaz que o promove, é uma realização do vereador Bruno Souza (PSB), da Victims of Communism – Memorial Foundation e Mises Brasil. Até o cônsul da Ucrânia (onde o nazismo ressurge com força) no Brasil, Valerii Hryhorash foi convidado para ser um dos palestrantes, juntamente com Cristofer Correia, coordenador do Governo da Vontade Popular da Venezuela e Daniel Arturo Lezama, coordenador do Student for Liberty (SFL-Venezuela). Na lista, entre outros, Hélio Beltrão, presidente do Instituto Mises-Brasil; Raphael Lima, do Canal Ideias Radicais e Anselmo Heidrich, autor de “Não culpe o capitalismo.

Segundo informam os organizadores, a Victims of Communism Memorial Foundation “foi instituída em 1994 por aprovação unânime do Congresso Americano, e se dedica desde então a divulgar a história e o legado dos regimes comunistas. O Instituto Ludwig Von Mises – Brasil é uma associação voltada à produção e disseminação de estudos econômicos e de ciências sociais que promovam os princípios de livre mercado e de uma sociedade livre e próspera”.

Além de palestras previstas para vários locais da capital catarinense, os organizadores montaram exposições de fotografias das vítimas do comunismo na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e na Câmara de Vereadores. Na Assembleia, por triste ironia, realizada no hall do Plenarinho Paulo Stuart Wright, deputado catarinense assassinado por anticomunistas.

O vereador Bruno Souza, membro do Partido Socialista Brasileiro (quanta ironia!), um dos organizadores da “Semana Vítimas do Comunismo” é um parlamentar que não costuma se destacar por defender os direitos humanos e causas que favoreçam a população mais pobre.  E, claro, sente-se muito à vontade ao lado de ídolos como Kim Kataguiri, que aterrissou na Ilha especialmente para prestigiar o evento e denunciar o que considera censura e truculência da esquerda no país. Em pleno golpe da direita mais reacionária e corrupta, ora vejam!

Na mesma semana em que o MBL e parceiros destacam as vítimas do comunismo, realizou-se o VII Congresso Catarinense de Direito Administrativo, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Durante o Congresso, o manifesto do Coletivo Floripa Contra o Estado de Exceção foi mencionado pelo professor Luiz Henrique Cadermatori, secretário de Aperfeiçoamento Institucional da UFSC, que discursou em homenagem ao reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), ministrou palestra sobre “Abuso de Autoridade”.

Um tema que a Universidade Federal de Santa Catarina vem experimentando como amarga rotina.

Celso Vicenzi
No DCM
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¿Qué se esconde detrás de la empresa con derechos de transmisión de los mundiales de fútbol?

El partido de Serbia y Brasil es transmitido en una tienda de electrodomésticos en São Paulo durante el mundial de fútbol de 2014.
Foto: Lalo de Almeida/ The New York Times.
En los últimos años, las autoridades estadounidenses y suizas han realizado investigaciones sobre la corrupción en el fútbol a nivel global que han vinculado a decenas de hombres y empresas que, según los procuradores, conspiraron para ilegalmente enriquecerse a partir de los acuerdos de transmisión y patrocinio relacionados con los eventos futbolísticos más grandes del mundo.

Una empresa que nunca se había mencionado en ninguno de los autos acusatorios, pero de la que se había hecho referencia indirectamente, es una entidad poco conocida con sede en el cantón suizo de Zug: Mountrigi Management Group, una empresa de tres personas que muestra cómo se dieron algunas de las transacciones más importantes en la cúpula del deporte más popular del mundo.

Mountrigi —empresa que toma su nombre del monte Rigi, el cual está ubicado en Suiza, es apodado “la reina de las montañas” y que fue la musa de una serie de pinturas que realizó el afamado paisajista J. M. W. Turner— amasó discretamente los derechos exclusivos de transmisión de los partidos de la Copa del Mundo en buena parte del continente americano, de México a Argentina, hasta 2030.

Lo más común es que esos acuerdos de derechos se anuncien de manera pública después de un proceso formal de licitación, pero eso no sucedió en esta ocasión. Los detalles del arreglo inusual aparecieron por primera vez en un acuerdo declaratorio que involucraba a una empresa acusada en la pesquisa encabezada por Estados Unidos, detalles que surgieron de nuevo cuando las autoridades suizas acusaron este octubre al exsecretario general de la FIFA de haber aceptado sobornos a cambio de contratos lucrativos de televisión.

“He seguido de cerca el sector durante dieciocho años y nunca había oído hablar de” la empresa, señaló Frank Dunne, editor de TV Sports Markets, un respetado boletín informativo de la industria, en referencia a Mountrigi Management Group.

En gran parte de América, el fútbol se sigue con una devoción casi religiosa, lo cual vuelve extremadamente lucrativo el contrato de Mountrigi, ya que involucra los derechos de transmisión para dieciséis naciones. No obstante, hasta que se dieron a conocer las investigaciones sobre corrupción en el seno del fútbol a nivel mundial, muchas personas dentro de la industria desconocían de la diminuta empresa que parece haber encontrado una mina de oro en su acuerdo con la FIFA.

Las autoridades en Estados Unidos ayudaron a revelar que Mountrigi es en realidad una filial de la gigantesca cadena mexicana de televisión Grupo Televisa.

Mountrigi pagó cerca de 190 millones de dólares para afianzarse las transmisiones de los mundiales de 2018 y 2022, según Dunne. Los contratos para los torneos de 2026 y 2030 probablemente costaron más, pero mucho menos que la cantidad que valen en la actualidad. Desde que se dio a conocer el acuerdo, la nueva dirigencia de la FIFA ha anunciado que la Copa del Mundo se expandirá de 32 a 48 equipos a partir de 2026. Entre los países que se han postulado para organizar el torneo ese año están Estados Unidos, México y Canadá, que hicieron una oferta tripartita.

La gran mayoría de la dirigencia de la FIFA fue relevada del cargo después del escándalo de corrupción, el más grande desde que se creó el organismo hace 113 años. Los dirigentes actuales del órgano con sede en Zúrich se rehusaron a dar detalles sobre el acuerdo con Mountrigi y tanto esa empresa como Televisa se negaron a realizar declaraciones.

Para llegar a este acuerdo con la FIFA, Mountrigi recibió el apoyo de Alejandro Burzaco, un empresario argentino, según varias personas que tienen conocimiento de las negociaciones y pidieron mantener el anonimato al no estar autorizadas a dar declaraciones. El año pasado, Burzaco se declaró culpable de haber sobornado a dirigentes del fútbol a cambio de que la empresa que presidía obtuviera los derechos de transmisión de los torneos más importantes de la región. La empresa, Torneos y Competencias, accedió a pagar 112,8 millones de dólares para llegar a un acuerdo con el Departamento de Justicia estadounidense.

En los documentos de los tribunales relacionados con la admisión de culpa de Torneos y Competencias, los fiscales señalaron que una de las filiales de una de las mayores televisoras de Latinoamérica había ayudado a pagar millones de dólares en sobornos para obtener los derechos para transmitir en Argentina, Paraguay y Uruguay los próximos cuatro mundiales. Mountrigi, la filial de Televisa, fue la que recibió esos derechos y de inmediato se los vendió a Burzaco.

Durante años, Burzaco había canalizado millones de dólares en sobornos para Julio Grondona, quien fue el responsable del comité de finanzas de la FIFA y uno de sus líderes más importantes hasta su muerte en 2014.

Televisa afirmó el año pasado que ninguno de sus empleados o los de Mountrigi había “no han hecho ningún pago indebido a funcionarios de la FIFA relacionados con la adquisición de derechos de transmisión de partidos de fútbol”.

Los derechos en cuestión también están siendo investigados en Suiza, donde las autoridades señalaron que un empresario anónimo había sobornado al exsecretario general de la FIFA Jérôme Valcke a cambio de “otorgar los derechos de transmisión a ciertos países para los mundiales de la FIFA de 2018, 2022, 2026 y 2030”.

Los derechos de Mountrigi, y los que fueron cedidos a Torneos y Competencias, son los únicos que corresponden a los descritos en la denuncia suiza. Niclas Ericson, el ejecutivo de la FIFA responsable de la división de televisión en esa época, no respondió a una solicitud para obtener mayor información.

El abogado de Burzaco, Sean Casey, se rehusó a comentar al respecto cuando se le preguntó si su cliente era el empresario anónimo acusado en Suiza. La oficina del procurador general de Suiza señaló que no podía hacer comentarios.

A la derecha, el director del equipo París Saint-Germain Nasser al-Khelaifi tras salir de las oficinas del procurador en Suiza, cuestionado por haber sobornado a un oficial de la FIFA. Foto: Fabrice Coffrini/Agence France-Presse/ Getty Image.
A la derecha, el director del equipo París Saint-Germain Nasser al-Khelaifi tras salir de las oficinas 
del procurador en Suiza, cuestionado por haber sobornado a un oficial de la FIFA. 
Foto: Fabrice Coffrini/ Agence France-Presse/ Getty Image.

Los suizos también acusaron al empresario catarí Nasser al-Khelaifi, presidente del club francés de fútbol Paris Saint-Germain, de haber sobornado a Valcke a cambio de un paquete por separado, que incluía los derechos de transmisión de los Mundiales de 2026 y 2030. Al-Khelaifi, quien niega las acusaciones, se reunió con los fiscales suizos el 25 de octubre.

Estados Unidos ha acusado a más de cuarenta personas y negocios por una serie de delitos relacionados con corrupción futbolística, y también ha hecho públicos los detalles de los acuerdos por los derechos de transmisión que tradicionalmente habían sido resguardados tras bambalinas con muy poco escrutinio externo.

Desde que se expuso a un poderoso grupo de empresarios brasileños y argentinos, algunas de las empresas más grandes del mundo dedicadas a los derechos de transmisión deportiva, entre ellas WME-IMG y Lagardère Sports and Entertainment, han logrado incursionar a un mercado que había estado cerrado para ellas durante décadas.

Además de los derechos que vendió a Torneos y Competencias como parte del acuerdo con Burzaco, Mountrigi no ha firmado acuerdos en ninguno de los otros territorios que tiene en su poder para los eventos de 2026 y 2030. Esto quiere decir que la empresa puede generar más ganancias de las que planeó a partir de la expansión del mundial y de un posible torneo con Estados Unidos, México y Canadá como anfitriones en 2026. Para la FIFA, cuyos ingresos superiores a 5000 millones de dólares dependen en un 90 por ciento de las copas celebradas cada cuatro años, el acuerdo de transmisión podría salirle caro.

“Han expandido el mundial y no tienen la oportunidad de acceder a un valor incremental en todas las áreas en las que ese valor es probable que genere un gran ingreso”, mencionó Dunne.

La corrupción en el fútbol a nivel global que han vinculado a decenas de hombres y empresas que, según los procuradores, conspiraron para ilegalmente enriquecerse a partir de los acuerdos de transmisión y patrocinio relacionados con los eventos futbolísticos más grandes del mundo. Foto: FIFA.
A partir de los acuerdos de transmisión y patrocinio relacionados con los eventos futbolísticos 
más grandes del mundo decenas de hombres y empresas se han enriquecido ilegalmente. 
Foto: FIFA.

Do NYTimes
No Cuba Debate
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Vazamento de vídeo foi para denunciar o racismo!

Designer espera processo da Globo

Robson e Diego: deixar passar seria falta de caráter
Via R7:

O designer gráfico Robson Cordeiro Ramos conversou com o R7 sobre o vídeo em que William Waack, âncora do Jornal da Globo, aparece fazendo um comentário racista. Ele e o amigo e ex-funcionário da TV Globo Diego Rocha Pereira são os responsáveis por gravar e divulgar as imagens.

Robson contou ele e o amigo estavam indignados com a atitude de Waack e decidiram divulgar as imagens para um grupo de líderes do movimento negro. A intenção, segundo o designer, era mostrar como um jornalista sério também pode ser racista.

— Achava muita falta de carácter deixar passar isso, principalmente por conta do movimento negro, do que a gente acredita, ainda mais sendo um âncora de um jornal falar uma coisa dessas.

Segundo ele, a demora na divulgação das imagens (um ano após a gravação) se deu por acaso. Há uma semana, Robson encontrou o vídeo guardado em seus arquivos e decidiu compartilhar.

Com a repercussão do caso, o designer e o amigo negam terem feito isso em busca de dinheiro ou fama.

— A gente nem sabia a proporção que ia isso ia tomar, tínhamos soltado apenas para a galera se indignar junto com a gente. Quando ele chegou para mim, até mostrei para a imprensa, mas, na época, ninguém deu vazão. A gente chegou a ouvir “se não é do (William) Bonner não interessa”. Se a gente soubesse, tinha soltado antes.

Robson e Diego tem recebido apoio de outras pessoas pelas redes sociais mas já esperam represália da emissora.

— Sabemos que a Globo vai nos processar.

Procurada para comentar o caso, a TV Globo não se manifestou até o momento.

(...)

No CAf
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Após vexame em entrevista, Bolsonaro imita Lula e lança “carta aos brasileiros”

Ele
Ninguém pode acusar Bolsonaro de ausência de megalomania e noção.

A sua última jogada de gênio é imitar Lula.

Na quarta, 8, ele divulgou sua versão da Carta ao Povo Brasileiro, batizada de Comunicado aos Cidadãos do Brasil.

É uma resposta óbvia ao vexame diante de Mariana Godoy em entrevista à RedeTV. Jair diz, no plural majestático, que “entendemos o interesse da sociedade pela equipe de acadêmicos e profissionais que estão integrando nosso time”.

“Nesse sentido, podemos antecipar que já contamos com um sólido grupo, composto por professores de algumas das melhores universidades do Brasil e da Europa”.

Nomes?

Misteriosamente, talvez com receio de queimar o filme, JB não cita seu guru Olavo de Carvalho.

Apenas uma estrela é revelada: “Nos últimos dias o Dr. Adolfo Sachsida foi apresentado pela imprensa como o ‘conselheiro’ do deputado Jair Bolsonaro. Conforme nota já divulgada, houve sim conversas com o talentoso economista.”

O “talentoso” Sachsida, adepto da Escola Sem Partido, tem alguns vídeos espetaculares na YouTube, entre os quais a mistificação auto indulgente de todo extremista de direita de que o nazismo era de esquerda. “Hitler adorava Marx”, afirma.

O fã declarado do torturador Ustra e da ditadura militar garante  que “nenhum dos membros dessa equipe defende ideias heterodoxas ou apreço por regimes totalitários”.

A nota, cujo impacto foi zero, foi divulgada no site direitista “Antagonista”, que tem entre seus quadros Felipe Moura Brasil, pupilo de Olavo, ex-blogueiro da Veja e defensor de toda e qualquer estupidez que o candidato profere.

Como tudo o que é ruim sempre pode piorar, a coisa teve a colaboração de seus filhos Eduardo, Flávio e Carlos, não exatamente famosos por suas virtudes intelectuais.

Nas redes, Eduardo afirmou que “tem se encarregado pessoalmente com pessoas da área econômica para aproximá-las de Jair Bolsonaro”.

Tudo está sendo feito “nos bastidores, de maneira discreta, sem esperneio ou holofotes”.

JB, como Lula, tenta acalmar o “mercado”. Se, no caso de Lula, havia um medo de que ele desse uma guinada à esquerda, no de Bolsonaro o pânico é, sobretudo, de sua burrice.

E aí não há cartinha de amor que resolva. Talvez uma junta médica.

Kiko Nogueira
No DCM
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Considerações sobre o episódio William Waack


No GGN e no Facebook meu artigo sobre William Waack bombou de críticas pesadas. Consideram que coloquei o coleguismo acima do fato, que todo mundo está falando do racismo, logo não teria motivo para apresentar outros ângulos da sua personalidade.

Tenho dentro de mim um anjo (seria diabo?) provocador, que detesta até o fundo da alma os movimentos de manada, os linchamentos seja contra quem for.

Em um exercício de autoanálise, vou tentar entender porque ajo assim, em vez de embarcar nas asas da unanimidade.

Antecipadamente, explico que não tenho nenhuma relação pessoal com Waack, com quem cruzei uma ou duas vezes em eventos, limitando-nos a meros cumprimentos. Nossa última conversa foi justamente aquela narrada no artigo, lá pela segunda metade dos anos 80.

Também não aprecio seu radicalismo no exercício do jornalismo. Um intelectual pode ser radical na defesa de suas ideias, não o jornalista, a quem cabe levar informações amplas ao seu público.

A primeira razão para fazer o contraponto é romper com o quadro de informação monofásico. Se todos batem no racismo de Waack, qual a contribuição para as informações do exercício de repisar o mesmo tema? Apenas mostrar que sou mais um dos muitos indignados com o racismo.

Daí a iniciativa de mostrar ângulos positivos de sua personalidade, que eu mesmo testemunhei. Se a unanimidade fosse em relação à louvação, a novidade seria apresentar o contraponto negativo. Tudo pela ampliação das informações, não pela redundância.

A segunda razão é o respeito pelo sujeito caído. Quando fui alvo da mais incessante campanha de difamação já ocorrida na Internet, alimentada por blogueiros da Veja, em um período em que havia pouco contraponto e que a Veja infundia medo – porque Roberto Civita autorizou seus jornalistas a investirem sobre qualquer colega que ousasse fazer o contraponto e os demais veículos não davam o direito do revide -, nenhum desses colegas teve coragem de sair em minha defesa. Ao investir no contraponto, no caso Waack, tento apenas me mostrar melhor do que eles.

A terceira razão é que Waack foi nitidamente alvo de uma armação. A partir dela, está fora do jogo. Qual é o sentido prático de bater em quem não conta mais? Apenas explicitar o ódio que condenamos aqui, quando perpetrado pela direita? Se bradamos que defendemos a civilização contra a barbárie, qual a razão para nos comportarmos como os bolsominions, os Augustos e companhias?

Muito mais proveitoso é saber quem armou e por que abandonou o companheiro ferido no campo de batalha. E entender que os males brasileiros não estão nos jornalistas que, por convicção ou oportunismo, tornam-se raivosos e linchadores para atender à demanda da mídia por ódio e rancor – e, no caso do Waack, a radicalização era por convicção. Tenho respeito pessoal e profissional por pessoas que se impõe pela própria personalidade e competência, e não pelo jogo de mesuras aos chefes. E, mesmo discordando da maior parte de suas ideias, admito que Waack é dessa natureza, assim como Olavo de Carvalho – muito melhor do que os que copiaram seu estilo, manias e preconceitos, para se oferecer ao novo mercado que se abria.

O problema é quem define as regras do antijornalismo.

Talvez a Globo tenha entendido que seu objetivo político se torna mais palatável com o proselitismo revestido de uma vestimenta mais neutra. Talvez tenha sido mais um capítulo da disputa interna por poder. Mas a Globo continuará a ser a questão nacional por excelência, não seus jornalistas.

De qualquer modo, o episódio me remete à decisão profissional mais fácil que tomei em minha vida: recusar um convite da Globo para ser comentarista, lá pelos idos de 1987. Havia um almoço me esperando, com o Alberico, Alice Maria – a notável criadora da Globonews. Antes, recebi um telefonema do Paulo Henrique Amorim, com quem já trabalhara na Veja, me cumprimentando.

Pensei pouco e recusei. Aceitar mudaria minha vida imediatamente. Me tornaria conhecido em todo o país, abriria um amplo mercado de palestras etc. Preferi ficar com meu programa Dinheiro Vivo, na TV Gazeta.

Duas razões pesaram. A primeira, saber que minha opinião seria restringida pela linha editorial da Globo. A segunda, o medo de ficar amarrado a um bom emprego e me acomodar. E, em um dia qualquer do futuro, ser surpreendido com uma demissão humilhante, por um motivo qualquer. Na época, não imaginei que as novas tecnologias abririam a possibilidade de estratagemas sofisticados, de vazar conversas para as redes sociais.

Luís Nassif
No GGN
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Ministério Público Eleitoral abre investigação contra o prefeito de Salvador

Acusado de receber recursos de caixa dois da Odebrecht, ACM Neto nega irregularidades

Ele
O Ministério Público Eleitoral na Bahia instaurou investigação para apurar a denúncia de que o prefeito de Salvador, ACM Neto, recebeu R$ 1,8 milhão por meio de caixa dois da Odebrecht nas eleições de 2012. ACM Neto nega irregularidades.

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Judith Butler no Brasil | Quem tem medo de falar sobre gênero?


Legendado (PT-BR)
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Contra o desmonte da Caixa Econômica Federal


A luta contra o desmonte da Caixa Econômica Federal é tema de entrevista coletiva com Jair Pedro Ferreira, presidente da Federação Nacional dos Funcionários da CEF (Fenae). A atividade ocorreu na sede do Barão de Itararé, em São Paulo.

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William Waack no corredor polonês da mídia


Não vou julgar a infelicidade da declaração racista de William Waack.

Sei que sua imagem é antipática. Ele tem a arrogância das pessoas bem preparadas – e Waack é um intectual sólido, que se destaca ainda mais no mundo da TV. Por suas opiniões muito marcantes – parciais, diria – é respeitado e odiado. Provavelmente não chega a ser amado.

Vou contar sobre o William que conheci.

Tive dois episódios marcantes com ele, que me revelaram a marca do seu caráter.

Fui colega de Waack no curso de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

No 3º ano tivemos uma professora carne de pescoço. Provavelmente porque eu já trabalhava na época, na revista Veja – que dava aos seus jornalistas o status que a Globo daria depois aos seus -, a professora tratou de pegar no meu pé. Mas foi uma marcação tão cerrada que chegou aos ouvidos do então Secretário de Redação da Veja, o Edgard Catoira, que queria tirar satisfações com ela, julgando que fosse marcação com a Veja. Tive que demovê-lo, explicando que era problema meu.

Aliás, foram tão marcantes minhas brigas com ela que, no aniversário de 30 anos da ECA, fui convidado com outros pioneiros para falar da escola. Os alunos levantaram a ficha de cada um na escola. De mim, souberam que tinha o hábito de ficar tocando violão no Centro Acadêmico, acompanhando o Getúlio – um bedel baiano bom de samba; era campeão de pimbolim e tênis de mesa; e que tinha uma briga com a professora. Mas nada foi encontrado de positivo, nem que procurassem.

A professora colocou como trabalho de semestre a elaboração de um jornal laboratório. Montou 4 ou 8 grupos de alunos – um para cada página do jornal, que não me lembro se tinha 4 ou 8 páginas -, e o grupo indicou um editor. Fui indicado editor pelo meu grupo que tinha, entre outros, o Waack, então repórter esportivo de um jornal carioca, não me recordo se O Globo ou o JB.

No dia da avaliação do jornal, faltei na aula, viajando a serviço. Durante todo o período de preparação do jornal, a professora estimulou uma competição do óbvio Paulo Markun comigo. Na hora da avaliação, o Markun aproveitou minha ausência para descer a ripa não no grupo, mas no meu trabalho de editor. Foi interrompido pelo Waack, do alto de seus mais de 1,80 metros, que berrou:

- Se alguém falar mal do Nassif na sua ausência, quebro a cara!

O segundo momento foi quando ele se tornou editor do Jornal do Brasil. Minha seção “Dinheiro Vivo”, na Folha, ganhou repercussão, especialmente com o Plano Cruzado. E o JB passou a republicá-la também.

Já em guerra com a Folha, e com o Saulo Ramos, Ministro da Justiça, descobri uma jogada dele com o Ronald Levinsohn, ex-proprietário da Caderneta de Poupança Delfin, em liquidação extrajudicial. Saulo se especializara em montar jogadas com as massas falidas. Tentei publicar na Folha, e não consegui. Mandei então para o William, que publicou no JB.

Já preparado para ser demitido da Folha, tinha apresentado uma proposta para o JB para ser exclusivo da coluna, que seria ampliada. A proposta foi bem aceita pelo Marcos Sá Correa, na época diretor de redação.

Marquei a ida para o Rio, para assinar o contrato.

Chegando na redação, senti que a Mirian Leitão me evitava. Era a titular do Informe Econômico e começara no jornalismo econômico como minha repórter no programa Cash, produzido pela Abril Vídeo. O Waack passava maus bocados porque, muito competitiva, a Mirian tinha o hábito de todo dia fazer chegar à direção notícias que o Waack não tinha coberto no dia a dia da Editoria.

Fui até a mesa do Waack, que abriu o jogo.

- Acho que melou o seu contrato. O Levinsohn tinha negócios com a casa e eu não sabia.

Fui até o Marcos cumprir tabela. Lá ele me explicou que o jornal se desinteressara porque, na coluna, eu estimulava muito os leitores a recorrerem à justiça, e o carioca não tinha esse hábito. Ah, bom!

Fingi que acreditei e voltei para São Paulo de mãos abanando. Mas com a sensação revigorada de que o colega dos bancos da USP mantinha a espinha ereta. Certamente preservou o estilo, que acaba por se tornar incômodo para chefias que exigem o “yes, man”.

Agora, consegue o feito de se tornar uma unanimidade inédita: velha e nova imprensa se unem para tirar casquinha. Se fosse pequeno, não mereceria essa atenção.

Luís Nassif
No GGN
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Xadrez da Maçonaria no Brasil - uma contribuição — 3


Ao iniciarmos esta terceira parte, deixo já a sugestão para os que não tiveram a oportunidade de ler as partes 1 e 2 deste artigo, ou mesmo o “Xadrez da Maçonaria no Brasil”, de Luís Nassif, que o façam, de preferência antes dessa.


Nesta parte 3, iremos detalhar como a Maçonaria atua dentro de (quase) todos os partidos políticos no Brasil e por consequência, nos poderes executivo e legislativo. E deixaremos no ar a seguinte pergunta: por que a imprensa brasileira não trata essa questão da mesma forma que o faz a imprensa estrangeira?

Sob esse aspecto, volto a pedir para que vocês vejam como a ingerência da maçonaria é tratada em Portugal. Segue, então, um vídeo de não mais que 13 min. de uma reportagem feita pela RTP - Rádio e Televisão de Portugal, que, diga-se de passagem, é uma empresa estatal que concorre de igual pra igual com os canais privados. Vejam como o assunto é levado ao conhecimento do público português em horário nobre. Não é de madrugada, não! (RTP: Maçonaria infiltrou todos os governos da era democrática)

Muito se comenta, e é verdade, que não existe uma única maçonaria no Brasil (nós falamos sobre isso na parte 2), mas não há como negar que o GOB - Grande Oriente do Brasil, (fundado em junho de 1822 como a primeira obediência maçônica da América Latina), ligado, oficialmente, ao Distrito América do Sul Divisão Norte da Grande Loja Unida da Inglaterra, é a mais representativa obediência maçônica brasileira.

É também inegável que o GOB é uma instituição conservadora. Mas, apesar disso, o Grande Oriente do Brasil abriga entre seus membros pessoas que, ideologicamente, se posicionam mais à esquerda. Para tanto, vamos mostrar, mais uma vez, a já famosa lista de 110 maçons ilustres do GOB. Ressalte-se que essa lista foi feita por um membro do próprio GOB. (Vide “Uma pausa pra falar da Maçonaria X Intervenção”, neste Jornal GGN).

Vejam que a maçonaria está presente em (quase) todos os partidos políticos (sejam eles de direita, esquerda ou centro). Veja também que nomes como os dos petistas Antônio Palocci, João Paulo Cunha (ex-presidente da Câmara Federal), Luís Eduardo Greenhalgh e Tião Vianna, atual governador do Acre e irmão do senador Jorge Viana (além de outros políticos considerados de esquerda como Alceu Colares, Aldo Rebelo e Fernando Gabeira), estão ao lado de políticos de toda classe (ideológica).

Vamos por ordem alfabética (dos anos 50 pra cá): Ademar de Barros, Almir Pazzianotto, Álvaro Dias, Antônio Carlos Magalhães, Ciro Gomes, Divaldo Suruagy, Enéas Carneiro, Ernesto Geisel, Esperidião Amin, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Francisco Dornelles, Geraldo Alckmim, Germano Rigotto, Gilberto Kassab, Gilmar Mendes (por que não?), Golbery do Couto e Silva, Jânio Quadros, João Batista Figueiredo, José Roberto Arruda, José Serra, Mário Covas, Michel Temer, Mozarildo Cavalcante, Newton Cardoso, Orestes Quércia, Paulo Maluf, Renan Calheiros, Roberto Jéferson, Roberto Requião e Valdir Raupp.

Que lista, não? Pena que o autor da mesma resolveu priorizar nomes de artistas, caso contrário, sobraria espaço para incluir outros políticos, talvez nem tão famosos, mas, ainda assim, muito atuantes, como Wagner Rossi, ex-ministro da Agricultura dos governos Lula e Dilma, e seu filho, Baleia Rossi, atual líder do PMDB na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Também valeria a pena incluir nessa lista um sujeito chamado Demóstenes Torres. Dá pra acreditar que um cara como esse, ainda enquanto senador, deu palestra no “Templo Nobre do Grande Oriente do Estado de Goiás” com o sugestivo título "A Favor da Moralidade - Contra a Corrupção"? (Demóstenes Torres é maçom?)

Sem levar em conta que muitos dos políticos citados passaram por mais de um partido, temos aí representados nesta lista a seguintes agremiações: PT, PCdoB, PSDB, PMDB, DEM (ex-PFL), PP, PTB, PDT, PSD, PODEMOS (ex-PTN), e um tal PTC - Partido Trabalhista Cristão de Fernando Collor de Mello. Todos esses partidos estão representados no conservador GOB.

Então, o que se passa? Ora, é muito simples. Percebendo o risco de perder a hegemonia, e não havendo melhor alternativa para se manter no poder, a maçonaria, ou uma parte dela, não hesitará em “cair para a esquerda”, como foi o caso da aliança de um partido ultraconservador como o PL - Partido Liberal de José Alencar e Valdemar Costa Neto com o PT em 2002. Só que, antes mesmo do primeiro turno, é preciso tranquilizar as elites, fazendo o candidato “progressista” assumir compromissos não tão progressistas assim. Vide a “Carta ao Povo Brasileiroe o que disse dela o Sr. Emílio Odebrecht, quinze anos depois, já com a operação Lava Jato em curso.

Nos planos estadual e municipal, isso também ocorre, dentro, é claro, daquilo que afeta a oligarquia local, qual seja, a manutenção do status quo, principalmente, em relação à licitação de obras públicas e à concessão de serviço público nas áreas de transporte, coleta de lixo, alimentação escolar, etc. Mas isso vou deixar para os jornalistas investigativos locais.

Cabe aqui uma menção (honrosa) a um grupo muito pequeno de pessoas que se identificam como integrantes da maçonaria progressista brasileira. É um grupo, realmente muito pequeno, mas de qualquer forma, vale destacar e reconhecer a luta que travam por suas ideias e seus ideais. 

Pra quem tiver tempo, vale a pena conhecer a opinião de um maçom consciente sobre o posicionamento das duas alas, conservadora e progressista, na eleição presidencial de 2014. Os comentários feitos ao final do artigo também são muito bons, apesar de extensos. 

Bom, vem aí a eleição presidencial de 2018. E já temos vários políticos da lista dos 110 ilustres lançando a sua candidatura, a saber: Álvaro Dias, Ciro Gomes e Geraldo Alckmim. Na verdade, Geraldo Alckmim não é maçom. Ele é da Opus Dei, outra sociedade secreta, ligada à ala ultraconservadora da Igreja Católica.

Por que será que eles não mostram, em suas campanhas na televisão, que estiveram palestrando em uma Loja maçônica?  Vejam os candidatos Aécio Neves e Geraldo Alckmim em visita à Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo. Melhor fez o José Serra que, embora não diga que faça parte, ao menos, colocou na TV a homenagem que prestou à “família maçônica”. 



Vejam também o candidato Álvaro Dias palestrando no “Templo Nobre da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo” no dia 08 de julho do ano passado, quando foi apresentado como maçom, iniciado em 23 de novembro de 1974 e placetado (?) em 25 de setembro de 2012 na Loja “Apóstolo da Caridade” em Curitiba, loja essa que segue o Rito Escocês Antigo e Aceito. 



O candidato Ciro Gomes ainda não deixou escapar nenhum vídeo na internet. Mas, certa vez, por ocasião da briga do irmão Cid Gomes com Eduardo Cunha chegou a comentar que: “falar a verdade nesse país custa muito caro”. Eu, sinceramente, espero que não.

Não é só aqui, no mundo inteiro é assim, a maioria dos políticos esconde a condição de integrante da maçonaria. Vide o caso do candidato da extrema esquerda à presidência da França, Jean Luc Mélenchon

Mas, por que será que os políticos maçons agem desse jeito? Afinal, não deveria ser uma honra pertencer à maçonaria? Um grupo tão seleto de pessoas de bem. De “homens livres e de bons costumes”, como eles se auto proclamam? Por que não se apresentar como tal?

Então, voltamos à pergunta inicial: e por que a imprensa brasileira não trata a ingerência da maçonaria na política brasileira da mesma forma que o faz a imprensa estrangeira? O que se passa? Não sabem disso? Com a palavra os nossos jornalistas investigativos independentes.

Luiz Cláudio de Assis Pereira
No GGN
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Renúncia a Trilhões com vendas do Pré-sal. Esse, um epitáfio do impeachment


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Lá e aqui

A operação Lava Jato e a campanha das mãos limpas na Itália se parecem em poucos pontos, mas são pontos fundamentais. As duas começaram com cavaleiros destemidos dispostos a combater a corrupção em seu país - o procurador Di Prieto lá, o juiz Moro aqui. Nos dois casos algumas leis foram, digamos, dribladas para tocar os processos. Moro levou ligeira vantagem sobre Di Prieto no quesito fins que justificam meios.

O terremoto provocado pelas revelações das mãos limpas, que derrubou partidos, carreiras politicas e reputações na Itália, não teve contrapartida exata na Lava Jato. Aqui os partidos ficaram de pé - só em crise de identidade, sem saber bem o que são e com quem podem se juntar - e carreiras políticas não apenas sobreviveram ao bombardeio da Lava Jato como estão conseguindo enfraquecê-la. Não demora e a faxina moral duradoura que a Lava Jato prometia ao País não passará de nostalgia. Lembra do Moro? E pensar que um juiz de província quase liquidou a República...

Na Itália, houve suicídios de envolvidos em escândalos denunciados pelas mãos limpas. Aqui o único suicídio provocado pela Lava Jato foi o de um inocente injustamente acusado. O que as mãos limpas e a Lava Jato tem indiscutivelmente em comum é que, na busca por uma moral absoluta, desnudaram mais do que esquemas de corrupção e de bandidagem corporativa, fizeram - sem querer - retratos de corpo inteiro do capitalismo de compadres em vigor nos seus países. Itália e Brasil têm a mesma história de sociedades dominadas por sistemas excludentes de poder que se fecham contra qualquer ameaça de mudança. Não cabe dizer que na Itália é pior porque lá tem o complicador da máfia. Nós também temos máfias, que só não ousam dizer seu nome.

Na confusão política e econômica deixada pelas mãos limpas na Itália, brotou, como um cogumelo venenoso, o Berlusconi. O Moro é o nosso Di Prieto, a frustração com as mãos limpas é a frustração com a nossa Lava Jato derrotada, o capitalismo viciado da Itália é o nosso capitalismo mafioso... Resta a grande questão: quem será o nosso Berlusconi?

Luís Fernando Veríssimo
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William Waack foi vítima de fogo amigo?

A Globo já afastou William Waack da apresentação do Jornal da Globo, numa decisão tão contundente quanto rápida. Na nota, disse que “é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações”.

A Revista Fórum se não foi o primeiro veículo a publicar a história, foi um dos primeiros. Porque a história surgiu no Twetter e o redator, Julinho Bittencourt, por um acaso, seguia alguém que teve acesso ao vídeo logo que foi postado.

Antes de autorizar a publicação, assisti ao vídeo algumas vezes. Autorizar uma publicação dessas não é uma decisão fácil. Mas não havia chance de aquele vídeo ter sido editado. A redação da Fórum decidiu então por publicá-lo.

Depois dessa decisão, a apuração continuou. Quem era a pessoa que estava com Waack e que, de certa forma, mesmo constrangido, deu risada da frase racista de Waack? Fórum fez uma matéria para explicar quem era Paulo Sotero. (leia abaixo)

E fomos dando toda a repercussão do caso, até a queda de Waack que foi prevista neste blogue logo ao final tarde. Quem está na rede há muito tempo, sabe que uma tsunami dessas não pode ser contida nem pela toda poderosa Globo. Foi um massacre.

Mas antes mesmo de Waack cair conversei com uma pessoa que trabalhou na Globo por mais de uma década e que me garantiu ter conversado com alguns colegas da emissora. Sua tese: isso tem cheiro de golpe.

Waack é um profissional caro e chato. Ninguém mais na Globo o suportava. Nem mesmo a audiência. Nem mesmo Ali Kamel. Mas Waack é alguém que tem um certo poder e demiti-lo sem mais nem menos não seria tarefa fácil nem pra Kamel.

Como Waack sempre faz esse tipo de graça canalha, qualquer um que quisesse detoná-lo, saberia que uma pesquisa iria revelar vídeos como este.

Ou ainda, essa pessoa pode ter guardado este vídeo para o momento oportuno.

Ou seja, agora começa uma nova apuração. Quem soltou este vídeo racista de William Waack? E com que interesse?

Não é algo tão difícil de descobrir e pode ser algo tão demolidor quanto o próprio vídeo.

Renato Rovai
No Blog do Miro



Quem é Paulo Sotero, o que ri da piada racista de William Waack?

Companheiro de piada racista do jornalista da Globo é diretor de uma instituição norte-americana. O vídeo, inclusive, foi gravado há exatamente 1 ano, em 8 de novembro de 2016, durante a cobertura da vitória de Donald Trump


O assunto desta quarta-feira (8) é, definitivamente, a declaração racista de William Waack, jornalista da Globo, que vazou em um vídeo nas redes sociais. Pouca atenção se deu, no entanto, ao homem que ri quando o âncora fala que as buzinas que o incomodavam era “coisa de preto”. O homem ao lado de Waack responde que “sim” quando o jornalista faz a “piada”.

Trata-se de Paulo Sotero, um dos principais apoiadores do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff em território norte-americano. Ele é diretor do Brazil Center no Woodrow Wilson Center, uma instituição dos Estados Unidos de estudos de geopolítica. Ele estava com Waack, na ocasião, para comentar a vitória do presidente Donald Trump. A transmissão em que o jornalista fez a declaração racista foi ao ar há exatamente um ano, em 8 de novembro de 2016.

Fórum apurou que Sotero, que já foi correspondente da Globo, não é tão odiado quanto Waack na emissora, mas é considerado um dos jornalistas mais “chatos” que já passou por lá.

Ao site BuzzFeed Brasil, Sotero disse que não se lembrava do vídeo e que – apesar de o vídeo mostrar que ele ri e concorda – não “brinca” com racismo.

No Fórum
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Paradise Papers têm dados de offshores do Grupo Globo, Editora Abril e RBS

Documentos citam membros da família Marinho

Presidente da RBS é ligado a trust caribenho


Entre os mais de 13,4 milhões de documentos investigados nos Paradise Papers o Poder360 identificou registros de offshores e trusts relacionados a empresas de comunicação brasileiras. Entre elas, a Editora Abril e o Grupo Globo.

No caso do Grupo Globo, membros da família Marinho são apontados como diretores da Global International Company Limited. A TV Globo Ltda. aparece como principal acionista. De acordo com os documentos, a offsfhore é controlada pela família, pelo menos, desde 1983.

A offshore mantida pelo Grupo Globo foi registrada nas Bahamas. Ao longo dos anos, a diretoria da empresa sofreu algumas alterações, mas sempre com a presença dos Marinhos.

Nos documentos estão o patriarca Roberto Marinho (1904-2003) e os filhos Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho.


Os arquivos foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung a partir de 2 escritórios especializados em offshores e em bancos de dados de 19 paraísos fiscais, que mantêm esses registros de maneira secreta. Paraíso fiscal é como se convencionou classificar países nos quais cobra-se pouco ou nenhum imposto.

Não é ilegal brasileiros serem proprietários de offshores, desde que devidamente declaradas à Receita Federal e ao Banco Central.

O Grupo Globo foi contatado pelo Poder360. Enviou, por meio de sua assessoria de imprensa, a seguinte resposta: “A Globo International, com sede nas Bahamas, era de titularidade da Globo Comunicação e Participações S/A (GCP) e sua função era a venda de programação internacional. Foi extinta em 2011, e sua atividade passou a ser realizada pela GCP diretamente”.

Apesar de solicitado, não foi enviado documento que comprove a devida declaração ao Fisco por parte dos membros da família Marinho ou da TV Globo Ltda.

RBS

O envolvimento do Grupo Globo com offshores em paraísos fiscais vai além da família Marinho. O chairman e presidente do Grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, é ligado a um sub-trust administrado pela Appleby. O Grupo RBS é a maior afiliada da Rede Globo no Brasil e é responsável pela programação no Rio Grande do Sul.

Documentos analisados nos Paradise Papers mostram que o sub-trust é vinculado ao AF Wealth Preservation Trust. De acordo com o site Justia Trademarks, o trust é dedicado a prover soluções em segurança financeira para clientes internacionais.

Dados obtidos pela investigação mostram o modo de operação da empresa. A AF Wealth Preservation Trust (chamada Master Trust) recebe os ativos dos aplicadores (settlor). Cada settlor se torna proprietário de um sub-trust. Neste caso, Sirotsky é o settlor.

Esses sub-trusts, por sua vez, são administrados pela Appleby (trustee) e protegidos por uma entidade identificada como R&H. Os beneficiários destes sub-trusts podem ser o próprio settlor e/ou sua família.

Registros mostram que a empresa se dedica, entre outros objetivos, a minimizar os riscos associados à propriedade das apólices de seguro offshore, administração de ativos em busca de potenciais credores e fornecimento de soluções de segurança financeira.

Segundo um powerpoint obtido pela investigação, uma das ferramentas usadas pela AF Wealth Trust para proteger os ativos de seus clientes é entregar apólices de seguro de vida offshore. A reportagem obteve acesso ao documento assinado pelo chairman da RBS:


O Poder360 pediu que o executivo comprovasse que o sub-trust foi devidamente declarado ao Fisco. Por meio de sua assessoria de imprensa, Sirotsky negou qualquer irregularidade:

“Desde 2013, Eduardo Sirotsky Melzer tem uma participação como investidor na AF Wealth Preservation. A operação está regular com a Receita Federal”. Da mesma forma que o Grupo Globo, ainda que solicitado, não foi apresentado documento que reforçasse a regularidade fiscal.

Editora Abril

O grupo Abril, cujo título mais famoso é a revista semanal “Veja”, está relacionado a quatro offshores registradas em Cayman, um paraíso fiscal caribenho. Documentos investigados pela reportagem relacionam o conglomerado à Editora Abril S.A.; à Abril Investments Corporation; à Mogno Corporation e ainda à Cedro Corporation. Todas as empresas são vinculadas à sede do grupo, em São Paulo.

Os arquivos a que o Poder360 teve acesso indicam a participação da Editora Abril na liquidação da Mogno Corporation e da Cedro Corporation. O liquidatário, responsável pelo processo, é apontado como Manoel Bizarria Guilherme Neto, diretor do Grupo Abril.


Os nomes das offshores constam em várias listas de clientes da Appleby e em extratos de movimentações financeiras mantidos pela administradora. A maior parte das transações foi efetuada em 2006.

A Editora Abril é responsável pela publicação de 25 revistas no Brasil.

Por meio da assessoria de imprensa, o Grupo Abril enviou a seguinte nota:

“As citadas empresas, exceto a Mogno Corporation (que não pertence nem nunca pertenceu ao Grupo), foram abertas, registradas e encerradas devidamente junto aos órgãos competentes, tanto no Brasil quanto no exterior, assim como suas respectivas contas. Elas foram divulgadas nos balanços contábeis publicados. A Abril esclarece também que não possui nem nunca possuiu trusts em nenhum lugar do mundo”.

Mídia e offshores

Empresas brasileiras de comunicação e jornalistas já foram citados em outras reportagens internacionais sobre firmas em paraísos fiscais:

Panama Papers: documentos sobre offshores criadas pela firma panamenha de advocacia Mossack Fonseca estão relacionados a, ao menos, 14 empresários e diretores de empresas de mídia, seus parentes ou jornalistas. O material foi divulgado em maio de 2016. Da mesma forma que nos Paradise Papers, a investigação global Panama Papers foi coordenada pelo ICIJ.

SwissLeaks: em março de 2015 ficou conhecida uma lista de empresários de mídia e jornalistas com registros de contas na Suíça. O chamado SwissLeaks publicou 1 conjunto de dados bancários vazados em 2008 de uma agência do “private bank” do HSBC em Genebra.

Paradise Papers

A série de investigação jornalística Paradise Papers é um trabalho colaborativo de 96 veículos em 67 países – o parceiro brasileiro da investigação é o Poder360. Entre outros veículos associados estão os jornais “The New York Times” (EUA) e “The Guardian” (Reino Unido). A reportagem está sendo apurada há cerca de um ano.

Os textos do Paradise Papers começaram a ser publicados no domingo (6.nov.2017). A coordenação geral da apuração é do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), organização sem fins lucrativos e com sede em Washington, nos EUA.

O Poder360 publicou uma extensa explicação sobre como foi produzida a série Paradise Papers e a razão de publicar a documentação, ainda que em alguns casos as operações com offshores possam ser baseadas em trâmites legais.

A política do Poder360 nesta investigação foi a de publicar as informações de todas as pessoas e empresas politicamente expostas no Brasil, mesmo que os titulares comprovassem ter declarado seus negócios à Receita Federal. A divulgação, entretanto, tomou o cuidado de deixar explícito quais foram os casos em que não há óbices legais.

No caso das empresas de mídia, pelo que informaram as citadas nesta reportagem, seriam operações legais diante das regras brasileiras.

O ICIJ e o Poder360 entendem que o acesso a empreendimentos no exterior é um privilégio de poucas pessoas. Em geral, a razão para ter uma empresa ou um trust num paraíso fiscal é pagar menos impostos, algo quase nunca acessível a todos os cidadãos de um determinado país. Daí a relevância jornalística e o interesse público na divulgação dos dados – sem com isso permitir a inferência de que todas as operações sejam ou contenham algo de ilegal.

Ana Krüger
No Poder360
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Argumento para liberar cassino é fluido: ele não dá nota fiscal

Os militares estão preocupados. De fato, a safra de motivos para preocupação ultrapassa muito a de qualquer dos outros governos problemáticos, na combinação de diversidade, corrosão nacional e duração. Com o agravante de que a incompetência do governo só se equipara à do pior dos governos, o de Collor.

A síntese da preocupação dos altos comandos, como Laís Alegretti e Rubens Valente a formularam na Folha, está na "falta de tranquilidade no atual quadro político e econômico, e com o impacto desse cenário nas eleições de 2018". Situação em que o Brasil se arrisca a "explodir" economicamente — expressão usada na nota do Conselho Militar de Defesa —, com os dirigentes políticos voltados apenas para as eleições de 2018.

Os interesses eleitorais no Brasil do nosso tempo não são, salvo casos escassos, projetos político-partidários. São a forma aparente, a ponta de lança, de diferentes objetivos do poder econômico e, nos últimos anos, planos de correntes religiosas nem todas autênticas. Menos simples na realidade, essa configuração se expressa o tempo todo. Daí que mais preocupante seja o fato de estarem os políticos entregues a temas alheios à gravidade da situação. Como, na Presidência, a pretensão de atenuar a imagem do presidente insuportável; no Congresso e entre governadores, a volta dos cassinos, entre os demais desvios.

Sob tudo isso está a dinheirama. Oculta, correndo na rede de dutos que liga todos os recantos de Brasília, mas não só lá. Imaginação não falta. A proposta de reabertura dos cassinos, por exemplo, por fim encontrou uma resposta às críticas de antissocial: os impostos gerados pelo jogo iriam para um fundo destinado à segurança pública. Outros se lembraram que a assistência à saúde é o mal mais reclamado, e a anexaram à segurança. Henrique Meirelles, que há tempos pensa em obter dos cassinos o que seus saberes não conseguem para a economia, quer a bolada para fantasiar o seu êxito. E lá vai o dinheiro correndo, fácil e grosso, nos dutos que acionam o projeto do jogo, como sabe José Serra.

Cassino não dá nota fiscal. Sua arrecadação pode ser vista como obra de ficção. É argumento tão fluido que o presidente do Senado e defensor do projeto, Eunício Oliveira, conseguiu ficar a favor-contra. Prometeu incluir o projeto na pauta de votação. E logo lhe veio a ressalva: com a condição de que os impostos pagos sigam em linha reta para o fundo de segurança e para a saúde pública. Não para o Tesouro, de onde os desviem "ajuste fiscal". A euforia de Michel Temer e dos governadores murchou. Mas o ânimo depende mais dos dutos.

O dinheiro das privatizações de Fernando Henrique também se destinava aos fins mais nobres. Sumiu. Nenhum fim de tal quilate viu ao menos um centavo. E Fernando Henrique, Malan, Armínio, Franco jamais informaram o país do destino dado ao dinheiro. Parte dele cobriu rombo de banco particular. Os políticos que parecem só tratar de eleição não estão preocupados com e como os comandos militares. Continuam ocupados.

Mau sinal

Saiu da Procuradoria-Geral da República, semana passada, a informação aqui comentada de que o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo, negou a Raquel Dodge a autorização para investigar possível compra de sentença por Joesley Batista. Não houve o pedido. Dodge quis autorização para perícia prévia de um grampo, aprendendo com o ministro que para isso era só dirigir-se à Polícia Federal. A notícia falsa comprometia Lewandowski e resguardava Dodge. Na era Janot, disso não se viu.

Janio de Freitas
No fAlha
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