2 de nov. de 2017

Aloysio e o Finados de um Governo morto


A reprodução, pelo Estadão, do depoimento do Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, admitindo que participou de reuniões com executivos da Odebrecht sobre um termo aditivo no contrato de construção do Rodoanel, no governo José Serra, e que pediu contribuições de campanha à empreiteira, que não existiram na sua contabilidade oficial de campanha, seria uma bomba, se o Brasil não fosse o Brasil, a Justiça não fosse a nossa Justiça e o PSDB não fosse um ente inimputável.

A conversa de que os R$ 500 mil de Odebrecht entraram em sua campanha sem que ele soubesse e as afirmações da Procurado Raquel Dodge dizer que é “incontroverso” o repasse para o caixa 2 da campanha tucana são absolutamente inócuas.

A manchete da Folha de hoje nem mesmo está mais na “home” do site. Aparece e desaparece num átimo. Não vem ao caso. Ele e o Serra, governador que fez o aditivo, estão pela idade, com as punições prescritas. Vão para o arquivo, embora continuem podendo fazer mal ao Brasil demolindo a legislação do petróleo e arruinando o status que o Brasil construiu no mundo.

Os escândalos entre os integrantes do Governo Temer não param nem mesmo num feriado. Um governo morto e insepulto não consegue parar de exalar seus miasmas nem mesmo nas baixas temperaturas de um dia santo.

É um zumbi, infectocontagioso, que inoculará bactérias infectantes em qualquer um que se mantenha em contato com ele.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Entrevista com Guilherme Boulos


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Xploit Internet sob Ataque — Documentário


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“Pânico na Band” não faz piada com seu fim

O programa “Pânico” sempre fez um “humorismo” invasivo, que debocha das pessoas, “brinca” com a desgraça alheia e difunde estereótipos machistas e racistas. No domingo passado (29), porém, ele evitou as piadinhas de mau gosto sobre o seu próprio fim. Preferiu o silêncio diante da notícia de que a Band não renovará seu contrato, previsto para terminar no final de 2018, devido à queda da audiência e à grave crise financeira vivida pela emissora da famiglia Saad. A cena curiosa, que reforça o ditado popular de que “pimenta no dos outros é refresco”, foi registrada por Mauricio Stycer em seu blog: “Assunto da semana no meio da televisão, a notícia de que a Band não pretende renovar com o ‘Pânico’ passou em branco pelo programa exibido na noite deste domingo”.

Como apontou Daniel Castro, do site “Notícias da TV”, a morte do quadro já era esperada. Ao longo de 2017, ele perdeu 35% dos anunciantes e deve fechar o ano com um rombo de R$ 15 milhões. A decisão da emissora é trágica para os trabalhadores. “Para mais de 50 pessoas que integram a equipe do ‘Pânico na Band’, o iminente fim do programa é um verdadeiro pesadelo profissional. Para Tutinha, Emílio e uma pequena parte dos humoristas, como Carioca, não há preocupações financeiras. No caso dos dois primeiros, porque já são milionários... Mas para dezenas de funcionários básicos, como redatores, editores, humoristas iniciantes e mesmo as modelos panicats, o fim do programa é crítico”, lamenta Ricardo Feltrin.

Em matéria postada no UOL nesta quarta-feira (1), ele mostra a gravidade da situação. “Quase todos vão ficar desempregados por um bom tempo, já que quase todas as TVs abertas e fechadas estão promovendo cortes de gastos e de pessoal justamente nos últimos meses. No caso dos artistas eles também perderão algo tão valioso quanto o salário: a visibilidade e os eventuais ganhos adicionais que ela permite. A coluna conversou em off com alguns funcionários e todos são unânimes em dizer que o clima atrás das câmeras é de muita tristeza e insegurança”. Há também revolta contra a famiglia Saad, que rasgou o contrato de forma arbitrária – o que pode gerar inclusive um processo na Justiça do Trabalho. Ainda de acordo com Ricardo Feltrin:

“Executivos da Band estão nos últimos dias em contato com Tutinha e Emílio, os donos do formato, para tentar negociar uma solução pacífica para rescindir o contrato... O que há é uma discussão que envolva de fato algum valor indenizatório a ser pago ao grupo, mas que seja menor que os estimados R$ 10 milhões previstos caso a rescisão seja litigiosa. Extraoficialmente, os executivos dizem não ter interesse em se engalfinhar em uma disputa judicial com Tutinha (também dono da rádio Jovem Pan) por dois motivos: 1) um processo desses acabará não sendo muito longo, mas será muito caro; 2) a Band está ciente de que vai acabar perdendo ação e no final das contas terá de pagar não apenas a rescisão total, mas juros, correção e até as custas do processo”.

Altamiro Borges
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“Como vou comer, beber e calçar?”: Luislinda Valois tenta justificar pedido de salário de R$ 61 mil

Luislinda Valois e Aécio Neves
Após fazer alusão ao trabalho escravo para solicitar o acúmulo da aposentadoria como desembargadora com o salário de ministra dos Direitos Humanos (o valor chegaria a R$ 61 mil por mês), Luislinda Valois afirmou, em entrevista à Rádio Gaúcha, que tem “o direito de peticionar”.

— Como vou comer, beber e calçar? Só no meu IPTU em Brasília pago mais de R$ 1 mil. E tenho meu apartamento em Salvador, que pago uma pessoa para cuidar. Sou aposentada, poderia me vestir de qualquer jeito e sair de chinelo na rua, mas, como ministra de Estado, não me permito andar dessa forma. Tenho o direito de peticionar, a autoridade vai decidir e eu vou acolher. É algum pecado fazer analogia à escravidão? Não acho que errei, disse.

Diante da repercussão, ela desistiu do pleito horas depois.



No DCM
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Quem matou e quem mandou matar? Programa Tim Lopes lança especial sobre morte de jornalistas

Ao longo de 14.800 quilômetros e quatro meses, os repórteres Bob Fernandes e Bruno Miranda visitaram quatro estados brasileiros para descobrir quem puxou o gatilho e quem mandou disparar os 36 tiros que mataram seis jornalistas brasileiros em casos icônicos para a imprensa do país.


O resultado é “Quem Matou? Quem Mandou Matar? Polícia e Política no Assassinato de Jornalistas”, um documentário e uma série de reportagens especiais que inauguram o Programa Tim Lopes de Proteção a Jornalistas, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). A iniciativa foi criada para investigar assassinatos, tentativas de assassinato e sequestros de profissionais da imprensa e dar continuidade às reportagens interrompidas pelos autores dos crimes.

Os quatro episódios de violência formam um “microcosmo” do que é o jornalismo brasileiro atual, de acordo com Bob Fernandes. Os seis comunicadores mortos moravam em cidades afastadas dos grandes centros brasileiros e, em sua maioria, trabalhavam em rádios. Em muitos casos, os profissionais tinham que negociar diretamente com os anunciantes ou equilibrar vários outros trabalhos. Em todas as histórias, ainda há impunidade.

“Percebemos a fragilidade pessoal, profissional, econômica destes jornalistas e vimos o Brasil como está hoje. Não é de estranhar que esses casos aconteçam em um país que tem mais de 60 mil homicídios por ano. Os jornalistas não são intocáveis. Como escaparíamos disso?”, afirma ao Centro Knight.

O repórter explica que o caso de Gleydson Carvalho, radialista morto no Ceará em 2015 enquanto entrava no ar, foi escolhido para entrar no especial por sua peculiaridade e sua repercussão mundo afora. Rodrigo Neto e Walgney de Carvalho, mortos em Minas Gerais em 2013, são um exemplo por causa da forte reação do sindicato de jornalistas locais. A impunidade é o destaque do caso de Djalma Santos, morto na Bahia em 2015: na cidade onde o radialista trabalhava, não há promotor nem juiz. Finalmente, os assassinatos Paulo Rocaro e Luiz Henrique Tulu aparecem no documentário por causa da situação particular da cidade fronteiriça de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, onde estão em disputa os poderes da narco-política e do narcotráfico.



Outra característica em comum dos quatro casos é sugerida no título da série: a influência da política e da polícia. Em todos os episódios, há a acusação, indiciamento ou suspeita de políticos ou familiares terem sido mandantes dos crimes. E em metade dos assassinatos, há policiais suspeitos ou acusados de envolvimento nos episódios.

Em torno desses problemas, há uma questão maior e mais urgente, segundo Fernandes: o monopólio da mídia. “O monopólio enxuga empregos e tira a pluralidade. Imagine o que é trabalhar em um estado onde um grande chefe político é dono da televisão, do rádio e do jornal? Para onde vai o dinheiro da publicidade?”

O caso de Djalma Santos é ilustrativo da fragilidade econômica de jornalistas como ele. Além da rádio, ele também se desdobrava tocando uma empresa dedetizadora, uma criação de frangos num sítio, e o quiosque-bar onde foi sequestrado para ser assassinado. Antes de morrer, o radialista anunciava que seria candidato a vereador ou prefeito. Hoje, a principal linha de investigação do homicídio é crime político.

Durante o lançamento do filme no dia 28 de setembro, no Caixa Belas Artes, em São Paulo, Bruno Miranda, que trabahou no projeto como fotógrafo, comentou que a resistência das rádios no interior do país surpreendeu. “Nestes lugares, a internet ainda não tem tanta força e o jornalismo é muito forte nas rádios.”

Mas o que os dois repórteres encontraram em suas viagens confirmou uma tese: praticar jornalismo no país ainda é correr um risco. É o que Fernandes e Miranda ouviram do coveiro da cidade de Ponta Porã, Ponce Martins: “É uma profissão de perigo. Já enterrei quantos jornalistas?!”

Talvez o risco seja um dos motivos pelos quais os repórteres enfrentaram a maior dificuldade durante a produção do documentário: fazer com que colegas, familiares e outras testemunhas relembrassem os assassinatos. Depois de decidir quais casos seriam abordados, o desafio foi entrar em contato com os veículos nos quais as vítimas trabalhavam.  “Havia a questão do medo”, diz Fernandes. “Muitos ficaram receosos de contarem as histórias em vídeo. E as pessoas não queriam voltar a esses casos”.

Em Ipatinga, Minas Gerais, a dupla ouviu um relato contundente nesse sentido, da repórter do Jornal Vale do Aço Gisele Ferreira. Depois dos assassinatos de Rodrigo Neto e Walgney de Carvalho, ela fez a opção de não continuar com um jornalismo combatente e não buscar fatos obscuros sozinha. Ela e seus colegas querem “esquecer”. “A minha sede pelo fato e pela justiça era muito grande, mas a própria Justiça me mostrou que a vida vale muito mais. Eu quero ficar viva… eu quero viver…”

Para os autores do documentário, também ficou um peso ao lidar com histórias de colegas de profissão, como conta um dos diretores do filme, João Wainer. “O que queremos é que esse tipo de coisa não aconteça mais. Então estamos trabalhando em nome de toda a categoria. E estamos falando de proteger a liberdade de expressão, que é um direito constitucional”, diz.

O conteúdo audiovisual coletado nas viagens está reunido em quatro vídeos com os seis casos lançados na internet, além do documentário que junta os quatro casos. O filme completo é diferente dos episódios publicados no YouTube, que são mais curtos e dinâmicos.

Agora, o objetivo da associação é que mais pessoas assistam e debatam o resultado final obtido pelos autores. “Vencemos a primeira etapa ao contar essas histórias. Agora, o material produzido tem que ser disseminado”, diz o presidente da Abraji, Thiago Herdy.

Segunda fase em produção

Jornalista Bob Fernandes
A segunda fase do Programa Tim Lopes tem o objetivo de estabelecer um protocolo de reação rápida às eventuais mortes de outros jornalistas. O objetivo é que, toda vez que um comunicador for assassinado ou impedido de exercer sua profissão no Brasil, seja montado um pool de repórteres experientes de diferentes veículos para cumprir duas missões: investigar e reportar sobre a morte do colega e dar continuidade ao trabalho interrompido.

“Queremos mostrar que não se pode matar jornalistas no Brasil. É importante que a cidade que receber estes jornalistas saiba que ‘o Tim chegou’, que a imprensa está ali e que é uma instituição forte. Isso pode servir de inspiração para o enfrentamento da violência contra a imprensa em outros países”, disse Herdy durante o congresso da organização em julho, quando o programa foi anunciado.

O programa Tim Lopes foi concebido pelo jornalista Marcelo Beraba, primeiro presidente da Abraji, que se inspirou no Projeto Arizona, da organização americana Investigative Reporters and Editors (IRE). Em resposta à explosão de um carro bomba em 1976 que matou o repórter Don Bolles em Phoenix, os colegas do jornalista viajaram para Phoenix para terminar seu trabalho de investigação.

O nome do projeto brasileiro é uma homenagem ao repórter investigativo da TV Globo, Tim Lopes, que foi brutalmente assassinado em 2002 enquanto trabalhava em uma reportagem sobre bailes funk organizados por traficantes em uma favela no Rio de Janeiro. Sua morte, que fez 15 anos em junho passado, marcou a imprensa brasileira e motivou a criação de Abraji.

João Wainer espera que a iniciativa cause um ‘efeito Kiki Camarena’ - referência ao agente da Administração Federal Antidrogas (DEA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. Após sua morte no México em 1985, a pressão por justiça foi tão grande que os crimes contra agentes americanos foram inibidos. Para o jornalista, ainda não existe, por parte da imprensa, a cobrança contra a impunidade.

“O caso Tim Lopes foi muito diferente [dos que aparecem no documentário, em termos de pressão por justiça]. Quando acontece um crime em uma rádio pequena do interior, o máximo que dão é uma notícia. Falta acompanhamento dos casos de uma maneira constante”, afirma.

Coordenadora do programa, a jornalista Angelina Nunes explica que a associação já está em negociação com jornais de todas cinco regiões do Brasil e garante que as respostas têm sido positivas. O desafio agora é operacionalizar o projeto, já que a Abraji está entrando em um território ainda desconhecido no país.

Equipe do Programa Tim Lopes durante a estreia do documentário (Alessandra Monnerat/Knight Center)
“Vamos fazer um trabalho que não existe ainda. Não existe um acordo prévio do andar de cima. As empresas terão que ceder os repórteres e a divulgação também será em forma de pool. Não estamos acostumados a isso e por isso é tão fascinante”, diz Nunes.

Herdy ressalta que a segurança dos repórteres participantes do projeto é “uma obsessão” para a Abraji. Nesse sentido, Nunes reforça que os selecionados em cada redação deverão ter passado por um curso de segurança para jornalistas em área de conflito.

“Não é só chegar na cidade. Tem uma série de medidas que temos de tomar antes. Depois da morte do Tim Lopes, toda a imprensa ficou mais consciente disso e passou a tomar medidas de proteção diferentes”, afirma.

Para Beraba, a viabilização de um projeto como o Tim Lopes denota o crescimento da Abraji e, consequentemente, a melhoria da formação de jornalistas brasileiros e da cultura de colaboração entre redações do país.

“No começo da Abraji, não tínhamos condições de fazer um projeto como esse. Tínhamos o problema do financiamento, de não haver cultura de colaboração nas redações. E repetir no Complexo do Alemão [favela do Rio de Janeiro onde Tim Lopes foi morto] o projeto do Arizona seria um risco irresponsável. A associação então buscou melhorar a qualidade da nossa formação, defender a liberdade de expressão e a liberdade do acesso à informação”, disse Beraba durante o congresso da associação deste ano.

No Journalism in the Americas
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Página do Facebook aceitava encomenda de assassinatos

Com quatro mil seguidores, página com o nome “Caçadores de Queimados”, na Baixada Fluminense, recebia pedido de mortes e postava fotos das vítimas depois das execuções.


Uma quadrilha de milicianos do município de Queimados está sendo investigada pela Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). O grupo é acusado de receber encomendas de assassinatos. Oe envolvidos usavam um perfil no Facebook, o “Caçadores de Queimados”, por onde recebiam, além de mensagens de apoio, pedidos de execução. Depois de terminarem o serviço, eles ainda publicavam as fotos das vítimas. A notícia foi divulgada pelo “RJTV”, da Rede Globo.

A delegacia conseguiu apurar diversos homicídios cometidos pela quadrilha, a mando de moradores. O delegado responsável pelo caso, Luís Otávio Franco, disse ao “RJTV” que os “clientes” do grupo costumavam ter suas demandas atendidas: “(Os moradores) tiravam fotografias (das vítimas), passavam informações, o horário em que elas pudessem estar em determinado local e pediam que alguma medida fosse tomada, sabendo que essa medida seria a morte. (Após o contato), os elementos desse grupo matavam, tiravam fotografia dos indivíduos mortos e publicavam no grupo, como resposta aos moradores”, explicou o delegado.

Um dos moradores publicou na rede social elogios ao trabalho do grupo de extermínio e, em seguida, enviou a foto do próprio genro: “Muito bom! Estou torcendo para vocês passarem o rodo e me enviar (…) Ele está envolvido com o tráfico de drogas, já tentou matar a minha filha. Peço a sua ajuda. Ele tem que morrer”, pedia.

Os justiceiros de Queimados se declaravam “caçadores de gansos”, uma referência ao jargão policial, que classifica criminosos como “gansos”. Dispostos a executar traficantes e assaltantes, o esquadrão da morte ganhou seguidores. Antes de sair do ar – na última terça-feira, depois da morte do policial militar Rafael Von Held, em Queimados – a página já tinha cerca de quatro mil participantes.

O perfil era administrado por um homem que se identificava como Anderson Souza. Mas, de acordo com a Polícia Civil, o nome era falso. O bandido alimentava a rede social com imagens de personagens de filmes de terror e textos que sugeriam ameaças. Numa delas, a foto do palhaço Pennywise, do filme “It: A Coisa”, é seguida da mensagem: “Quem perdoa é Deus, porque comigo vacilão roda”.

A DHBF já conseguiu prender um integrante da quadrilha. Ainda segundo o delegado, os moradores que encomendaram as mortes também serão responsabilizados pelos crimes: “Já identificamos algumas pessoas que, efetivamente, induziram, instigaram e aplaudiram após o crime ter sido cometido”, disse o delegado.

No Fórum
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Tacla Duran diz que Odebrecht deu extratos falsos em delação


Os deputados Paulo Pimenta e Wadih Damous  fizeram o que o Dr. Sérgio Moro se recusa a fazer.

Os divulgaram ontem à noite a gravação da entrevista que fizeram com o ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Durán. Nela, ele confirma e detalha a afirmação de que parte dos documentos entregues pela Odebrecht em seu acordo de delação premiada é falsa.

Tacla Durán diz que os impressos fogem ao padrão do banco, o Melon Bank , que seria gerido, inclusive, por funcionários e operadores da empreiteira.

É, talvez, um indício da razão da teimosia da 13a Vara Criminal em negar às defesas dos seus réus o acesso ao tal Sistema Drousys, que reteria a contabilidade do Departamento de Operações Estruturadas da empresa, canal por onde escorria o dinheiro de propinas.

Seja como for, a procuradora Raquel Dodge tem autonomia para mandar que o novo grupo que ela criou para os casos da chamada “Lava Jato” tome o depoimento, de forma oficial, e Tacla Durán, porque foi em Brasília que as deleções da Odebrecht foram tratadas e lá, por Luís Edson Fachin, homologadas.

Se a Odebrecht forneceu documentos falsos, como ele sustenta, não há razão para que seus delatores sejam tratados de forma diferente da que é feita com os delatores da JBS, ou até com mais gravidade, porque a estes não é imputada falsidade documental.


Fernando Brito
No Tijolaço
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Tenho medo do guarda da esquina

Estudante da Paraíba recebe voz de prisão de PM por reproduzir frase de artista famoso

Liliane, Estudante da Universidade Estadual da Paraíba é acusada de apologia ao crime por escrever frase de Hélio Oiticica, anarquista e artista plástico durante a ditadura militar em mural da instituição.

Estudante da Paraíba recebe voz de prisão de PM por reproduzir frase de artista famoso

A aluna da Universidade Estadual da Paraíba, Liliane Maria, do curso de Letras, recebeu voz de prisão na sexta-feira (27) acusada de apologia ao crime e dano ao patrimônio público. O crime da aluna, segundo um policial militar do 4º batalhão, foi escrever em um mural da instituição de ensino a frase de Hélio Oiticica, artista plástico e anarquista: “Seja marginal, seja herói”. O policial também quis prender o professor Waldeci Ferreira Chagas, diretor do Centro de Humanidades (CH) da universidade.

Em defesa da aluna, a direção do Campus declarou Liliane estava se expressando em um espaço apropriado, destinado à livre expressão cultural e artística dos alunos, fruto de grande reivindicação da comunidade acadêmica. A frase de Oiticica já tinha sido escrita anteriormente por outros alunos e foi apagada pelo policial.

“A frase é um protesto e todas as minorias sociais devem se posicionar e lutar pelos seus direitos. Ele [o policial] tinha apagado a frase de manhã e à tarde eu escrevi de novo e ele me deu voz de prisão, sem mandado e sem motivo algum”, declarou Liliane. Na semana passada, acontecia o 2º Simpósio de Gênero, Sexualidade e Educação, onde os alunos expressaram suas ideias neste mural. O policial, que é ex-professor substituto do curso de Direito do CH, só não concluiu a prisão de Waldeci e de Liliane porque os participantes do simpósio e professores presentes impediram.

Segundo Liliane, ela explicou para o policial que tinha autorização para escrever no mural e ele a ignorou. Também relatou que ele apertou seus punhos com força, apesar dela pedir para ele largar. Este ocorrido mostra que a direita utiliza-se da atual situação para amedrontar setores críticos e que a constituição garante os poderes repressivos de policiais, com evidentes atos de abuso de autoridade.


Hélio Oiticica: produziu uma série de trabalhos conhecidos como marginália ou cultura marginal na década de 60, durante a ditadura militar no Brasil. Foi acusado de apologia ao crime na época, por sua arte ser considerada uma forma de transgressão dos valores burgueses e conservadores.

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O áudio da entrevista de Tacla Duran com Wadih e Paulo Pimenta

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Pavanas

Dizem que, na iminência de uma catástrofe (terremoto, furacão, erupção de vulcão), os bichos silenciam, pressentindo o que vem. Como interpretar não o silêncio, mas o desaparecimento gradual de insetos voadores observado em todo o mundo? Prenúncio de qual tragédia que se aproxima? Os cientistas que notaram o fenômeno não sabem explicá-lo. Se tivessem prestado atenção no estranho comportamento das abelhas, ultimamente, não se surpreenderiam com o atual sumiço dos insetos. 

Não sei se você já leu. Começou nos Estados Unidos, onde as abelhas estavam saindo das suas colmeias e não voltando. Nos Estados Unidos, poderia haver uma explicação lógica para o fato: as abelhas estariam simplesmente reagindo à eleição do Trump e emigrando. Mas o fenômeno se repete no resto do mundo. Ninguém sabe para onde vão as abelhas que não voltam. Não morrem, o que poderia ser atribuído aos agrotóxicos. Desaparecem. Se veículos espaciais estão vindo buscá-las (talvez os mesmos que as trouxeram), ainda não se viu nenhum.

As abelhas têm um apurado senso de orientação e poder de comunicação. Transmitem ao resto da colmeia as exatas coordenadas de um campo florido descoberto, através de uma dança. Apicultores tinham notado uma mudança nos movimentos das danças ultimamente, e não dado a devida importância à novidade. Talvez as abelhas já estivessem dançando pavanas para um mundo em agonia há algum tempo.  

A verdade é que os insetos parecem saber algo que nós não sabemos.

Mundo Mundo
(Da série “Poesia numa hora destas?!”)

Assim terminaria o mundo, mundo, vasto mundo, se o Eliot se chamasse Raimundo.

Não com um estrondo ou outro som, mas com uma rima do Drummond.

Juca

Quem gosta de futebol e bons textos deve ir correndo comprar o livro do Juca Kfouri, Confesso que Perdi. Juca é o nosso melhor comentarista esportivo, mas é mais do que isso: também tem enfrentado a politicagem da cartolagem com destemor e ganhado todas. Saboreie devagar.

De Armas

As principais razões para ver Blade Runner 2049 são - não necessariamente nessa ordem - a trilha sonora e a Ana de Armas. A trilha espetacular é do inglês Benjamin Wallfisch e do alemão Hans Zimmer, mas mais espetacular é a cubana Ana de Armas no papel da companheira holográfica do herói. E o filme não é ruim.

Luís Fernando Veríssimo
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Ministro acusa sem base e nada fez contra causa primordial da violência

A denúncia do ministro da Justiça – "Há toda uma linha de comando que precisa ser investigada"– tanto se aplica ao governo de que ele faz parte e, sobretudo, ao presidente que o comanda, como é por ele associada à Polícia Militar do Estado do Rio. Da primeira destinação, todos e ele sabemos mais do que o suficiente. A segunda destinação deve ser dividida, como atitude de um ministro da Justiça e pelo seu teor.

A cidade do Rio, como se diria há algum tempo, está jogada às feras. É ataque de todos os lados. Justificados, em imensidão deles, oportunistas como política e como negócio, sensacionalistas como apelação de má imprensa/TV/rádio. Entregue às feras, sim, mas não, em expressão menos distante, entregue às baratas. Este é o caso do governo nacional.

Só de um governo assim viriam, desacompanhadas de qualquer sustentação, denúncias escandalosas e inquietantes que apenas deveriam tornar-se públicas com a apresentação das conclusões investigatórias e, sendo o caso, dos culpados. Assim é a ação policial responsável e é o dever do seu superior, como o ministro Torquato Jardim é da Polícia Federal.

"Fiz uma crítica pessoal, mas, se estou errado, que me provem", pensou Torquato Jardim estar abrandando sua atitude. O princípio essencial de que a prova cabe ao acusador, não ao acusado, decai no Brasil com velocidade a jato. Mas o ministro da Justiça ainda tem, entre seus deveres, o de protegê-lo. Além disso, não fez "crítica pessoal", falou como ministro, de assunto afeto à sua pasta. Não lhe cabe senão assumir o que disse e dar-lhe consequência, com as medidas e comprovações que a denúncia necessita e todos esperamos, no Rio e fora.

"Os comandantes dos batalhões são sócios do crime organizado": Torquato Jardim não dá chance a nenhum. Sozinho, o Batalhão de São Gonçalo, município vizinho de Niterói, já excede em provas da infiltração de práticas criminosas na PM: quase cem dos seus integrantes presos em uma única operação, o envolvimento até do comandante no assassinato de uma promotora, a ficha é péssima.

A frequente constatação de PMs integrando milícias, assaltando, matando a serviço do tráfico de drogas, isso não espanta mais. Oficiais mal preparados, fuzilando passageiros inocentes de carros de desavisados, permitindo ou conduzindo complacência de patrulhas com a criminalidade, coisas assim são bastante sabidas.

Entre as menos conhecidas há, por exemplo, os pagamentos de PMs para entrar na escala de motociclistas que vão fiscalizar o trânsito, carros e motoristas. A taxa alta exige que a recuperem de quem fiscalizem. E, depois, de outros obtenham o que os faz quererem a escala nas motocicletas.

Não são características da PM fluminense, estão disseminadas pelo país, em variados graus. Mas nem comprometem as PMs por inteiro, nem condenam todos os comandos a priori. E, acima de tudo, contribuem para a dificuldade de combater a criminalidade, mas não estão entre as causas primordiais da violência que explode em alguns bairros do Rio e se espalha mais pelo país todo.

Entre as causas primordiais estão a fácil entrada, a fácil distribuição, o fácil comércio e a fácil posse de armas de combate e suas munições. É o que permite o crescimento dos bandos, quadrilhas, ou "facções" no dizer paulista.

Os ministérios da Justiça e da Defesa são os responsáveis pelo arsenal ilícito que é o Brasil. Os ministros Torquato Jardim e Raul Jungmann nada fizeram para sustar o aumento desse arsenal e, portanto, da criminalidade armada e de suas organizações. Assim favorecem o crime, dentro e fora das PMs.

Janio de Freitas
No fAlha
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