26 de out de 2017

A internet não é como você pensava

A websérie documentário Xploit Internet sob Ataque trata das questões invisíveis que regem os caminhos da internet. Das leis em tramitação no Congresso Nacional, dos seus direitos enquanto usuário, de como a coleta indiscriminada dos seus dados pessoais afeta a sua vida.

Indicada para concorrer aos prêmios de “Melhor Roteiro de Não Ficção” e “Melhor Série de Documentário” do III Festival Internacional de Webséries do Rio (Rio WebFest 2017) com concorrentes do Brasil e do mundo, Xploit coloca a Internet em uma outra – e preocupante – perspectiva.

Xploit conta a história da origem da rede mundial de computadores e a sua transformação de um repositório de conhecimento e inovação a um espaço de consumo e perseguição política, alvo de ataques constantes por parte de governos e corporações de telecomunicações.

A história desenvolve-se a partir de depoimentos de figuras como Richard Stallman, criador do GNU que hoje é a base para maioria dos sistemas operacionais livres, James Banford, jornalista e consultor para jornais como o The New York Times para assuntos relacionados a NSA, além de outros jornalistas, ativistas e advogados especializados na pauta.

Nos seus seis episódios, a série aborda assuntos como a origem do Marco Civil da Internet – uma lei tida como referência mundial que foi construída em uma inédita plataforma colaborativa ainda durante os anos do governo Lula. Também expõe as tentativas de desfigurá-la promovidas pelo lobby das operadoras de telecomunicações e alavancado pela figura do então deputado Eduardo Cunha.

A seguir, a série fala da estrutura física da internet e de como isso se tornou um instrumento imperial dos Estados Unidos; do passado desconhecido de algumas das aplicações mais comuns da rede, da perseguição política a ativistas e de como as relações atribuladas entre agentes do Estado e a periferia se estenderam ao ambiente digital.

Xploit coloca a Internet como a conhecemos sob uma outra – e preocupante – perspectiva, àquela que não tem como palco os monitores, mas as câmaras legislativas e os escritórios das grandes empresas de telecomunicações.

Na Rio WebFest a série Xploit Internet sob Ataque também participa na categoria “Voto Popular”(http://bit.ly/XploitVoto). A série completa já está disponível para quem quiser assistir (http://bit.ly/XploitSerie) e tentar compreender de como funciona essa Internet que não está visível nos monitores dos computadores, tablets e smartphones.

Com um dos menores orçamentos dentre os concorrentes e com uma equipe bastante reduzida a série do coletivo Actantes/TV Drone só foi possível graças ao apoio do escritório da Fundação Heinrich Boll no brasil e a ajuda da Rede TVT que liberou o acesso a parte do seu banco de imagens para completar a produção.

“A maioria dos equipamentos que tínhamos era emprestado, a locução foi feita por membros do coletivo e amigos em uma casa de coworking onde nosso escritório funciona. Apesar de ter membros com algum histórico na área audiovisual, não somos uma produtora. Nosso foco é o ativismo em torno de pautas relacionadas à internet e aos direitos civis. Queríamos fazer um material didático, despretensioso mas que fosse atraente e rico em conteúdo.” Disse Fabrício Lima, diretor e co-roteirista da série que, assim como os outros membros do coletivo tive que acumular várias funções para realizar a empreitada”





André Takahashi
No Blog do Miro
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Povo não cabe no projeto que a elite quer

"Nenhuma política terá sucesso se não se afirmar como nacional e a partir dos interesses do povo, e não apenas da elite".

Estaria o nacionalismo condenado e viveríamos um mundo sem fronteiras nacionais, regido pela globalização, pela abertura dos mercados – principalmente financeiros – a caminho de um governo mundial?

Pode parecer piada de mau gosto, mas, no fundo, o substrato de toda a fundamentação, há décadas da avalanche da globalização, está no bordão do fim. Não da história, mas do conceito de nação e de sua própria existência, pelo menos como ente estatal, já que seria muita pretensão desconhecer as nações. Seria como se voltássemos e regredíssemos à Idade Média.

No nosso caso, nunca nossas elites – a não ser para usurpar o poder – conviveram ou aderiram ao nacionalismo. E, muito menos, à nação. Só o fazem para exercer ou tentar a hegemonia cultural, impondo sua visão do que seja a nação, sempre a partir de seus interesses e visão do mundo. Sempre foram inimigas mortais dos governos dito nacionalistas, seja Getúlio, JK, Jânio com sua política externa independente, Jango e, pasmem, Geisel.

Mas nunca conseguiram apagar da memória nacional o sentimento nacionalista, que guia nossa construção nacional, nossa aventura de construir, nos trópicos, uma civilização.

Fizeram de tudo, até mesmo negar que tínhamos condições históricas, humanas e culturais de nos tornarmos uma nação. Foi com muita luta política, social e cultural que, década após década, construímos o sentimento que hoje, de novo, se impôs como um fato histórico indiscutível e indestrutível: somos uma nação soberana e independente, somos uma cultura, um povo com presença no mundo. Somos assim reconhecidos.

Mas não basta. Uma nação só se caracteriza quando impõe, defende ou constrói poderes para defender seus interesses e fazer parte do mundo, não apenas como membro do concerto das nações, mas como uma força política, econômica, cultural e militar, que também molda e organiza o poder mundial.

O pensamento militar nunca foi único ou consolidado na nossa história. Pelo contrário, até 64 debatia-se entre visões entreguistas e nacionalistas. Sob a ótica entreguista, vamos recordar que, durante quase meio século, nossas elites rurais e seus porta-vozes na imprensa e na política defendiam que o Brasil jamais se industrializaria e não seria uma potência. Estávamos “destinados” a ser um país agrário-exportador, cópia cultural da Europa. Hoje, cópia dos Estados Unidos e igualmente exportador – de minerais, energia, alimentos. Nada muito diferente do passado.

A vertente nacionalista nos deu condições para a criação da Petrobras, Eletrobrás, Telebrás, BNDES, que são as bases do Brasil que existe hoje.

Não foi por nada, ou apenas por Geisel, que o estamento militar e interesses empresariais construíram o II Plano Nacional de Desenvolvimento, que consolidou nossa indústria de base, a ciência e a tecnologia – temas indispensáveis para se falar em desenvolvimento nacional. Era um imperativo, inclusive, para a sobrevivência da ditadura militar e de seu projeto nacional autoritário e conservador. Sem inclusão do povo e, por isso, fracassado.

Sem o povo não há nação e sem a nação não há Brasil e sua presença no mundo. Nenhuma política de crescimento econômico numa nação continental como a nossa, com mais de duzentos milhões de habitantes, com os recursos e as riquezas naturais que temos e nosso nível de desenvolvimento tecnológico, terá sucesso se não se afirmar como nacional e a partir dos interesses do povo e não apenas da elite econômica e política.

O povo trabalhador se constitui em sujeito, ator da história do país e isso acontece de formas e maneiras totalmente diversas, personificando seus interesses e sonhos em ideias, forças, lideranças, partidos, movimentos, revoltas ou rebeliões. É por isso que se trata de uma perigosa ilusão qualquer tentativa de fazer uma nação sem o povo. Não há caminho para construir poderes nacionais, sejam eles políticos, econômicos, culturais ou militares, sem o povo.

Mesmo uma força militar, sem o apoio popular, não tem sobrevida estratégica no longo prazo. Acaba desaguando em algum conflito militar, como a história nos ensina.

Apesar de todas as evidências do caminho errado, voltamos ao passado e, mais uma vez, querem porque querem descontinuar a nação. Sob o silêncio cúmplice ou imposto, os militares se calam, como manda a Constituição.
Grande parte da elite – inclusive a industrial, na ânsia de retomar o controle total sobre o poder – se submete ao capital financeiro e principalmente aos donos da informação e da formação da notícia e da opinião pública.

Os usurpadores do poder usam e abusam do poder judicial/policial, rasgam o pacto político e social de 1988 e voltam a pregar abertamente a entrega do país a preços vis ao capital internacional, cujas premissas de atuação foram extremamente nocivas a muitos países, como mostra a última crise global de 2008-2009.

Para eles, o Brasil não tem saída a não ser se integrar no mundo norte-americano, sob sua hegemonia – inclusive a cultural. Não bastasse a já nefasta dominação que exercem sobre o país via monopólio da informação, agora tentam partidarizar a educação com suas ideias e conceitos sobre a vida e a nação.

Irresponsáveis e ignorantes das lições da história, acreditam que podem, a partir da força e do controle da informação, dominar o povo brasileiro, seu destino e futuro como nação. Não cabe em seu projeto de poder e de país um povo como o brasileiro.

Estão profundamente enganados. Tal pensamento e desejo são uma vã ilusão, que logo lhes custará caro. Porque não é possível – e nunca será – fazer com que 200 milhões de brasileiros alcancem o bem-estar social e cultural numa economia agro mineral exportadora, submetida às finanças internacionais e aos interesses da banca mundial, tendo eles mesmos – a nossa elite – como sócios menores.

A minoria rica – menos de 1% da população – e os 10% dos que participam de seu banquete acreditam que podem iludir o povo brasileiro e sua classe trabalhadora.

Nada aprenderam com a história e não se dão conta que a memória nacionalista está mais viva do que nunca e retomará o protagonismo de sempre na busca de justiça social e liberdade.

Estão aí a Escócia, o Curdistão e a Catalunha a provarem quão presente é o nacionalismo quando a opressão e a tirania se impõem sobre um povo, colocando em risco sua identidade nacional, sua cultura, língua, riquezas, patrimônio e seu bem-estar social. Nada, nenhuma força no mundo consegue oprimir e dominar um povo em busca de sua nação e de seu destino.

Zé Dirceu
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Maiores sonegadores da Previdência devem perto de R$ 1 trilhão à União, afirma CPI

Somente dívida de empresas é de R$ 450 bilhões. Relatório recomenda mudança de regras para cobrança de grandes empresários

Sonegadores
Em sessão de quase 12 horas, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência apresentou ontem (23), no Senado, o relatório das investigações feitas pelos senadores com instituições diversas ao longo de seis meses. A constatação a que eles chegaram foi de que a Previdência Social não possui déficit, se forem retiradas dessa conta despesas que não fazem parte do setor. Segundo eles, bastaria o governo executar os grandes devedores da União por sonegação previdenciária para arrecadar perto de R$ 1 trilhão.

“Esse argumento de déficit está sendo utilizado pelo governo Temer para, com o apoio do empresariado, conseguir aprovar a reforma que eles querem e que só vai tirar mais direitos dos trabalhadores e prolongar o tempo de serviço de todos”, afirmou o presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), ao final da reunião.

Segundo o relatório, quando são separadas da lista dos grandes devedores apenas as empresas privadas, estas devem R$ 450 bilhões. Dados da Procuradoria da Fazenda Nacional, entretanto, comprovaram que deste volume somente R$ 175 bilhões correspondem a débitos recuperáveis, em função dos programas de isenção fiscal.

“Esse débito decorre do não repasse das contribuições dos empregadores, mas também da prática empresarial de reter a parcela contributiva dos trabalhadores, o que configura um duplo malogro; pois, além de não repassar o dinheiro à previdência esses empresários embolsam recursos que não lhes pertencem”, explicou Paim.

Entre as propostas apresentadas no relatório, está o aumento para R$ 9.370,00 do teto dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), que atualmente é de R$ 5.531,31, assim como a consolidação da competência material da Justiça do Trabalho para a execução das contribuições previdenciárias não recolhidas no curso do vínculo empregatício apenas reconhecido na sentença.

Outro item sugerido foi a recriação do Conselho Nacional de Seguridade Social – que participará da formulação e fiscalização da proposta orçamentária da Seguridade. O documento ainda recomendou que a Desvinculação das Receitas da União (DRU) deixe de ser aplicada nas receitas da Seguridade Social.

E que seja permitida a flutuação da alíquota de contribuição das empresas, que poderá aumentar ou ser reduzida sempre que a empresa reduzir em 5% ou mais seu quadro de pessoal.

Punição para empresários

Os senadores pediram, ainda, punibilidade para os crimes contra a ordem tributária, que atualmente ocorre com o pagamento do tributo devido e termina protegendo as empresas. O texto faz críticas à atual forma como é administrada a previdência e mostra erros à proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre a reforma do setor, em tramitação na Câmara dos Deputados.

Conforme a investigação da CPI, demonstrada no relatório, foram encontradas inconsistências de dados e de informações anunciadas pelo Executivo. “Desenham um futuro aterrorizante e totalmente inverossímil, com o intuito de acabar com a previdência pública e criar um campo para atuação das empresas privadas”, ressalta o documento.

“A Previdência Social brasileira sofre com a conjunção de uma renitente má gestão por parte do governo, que, durante décadas retirou dinheiro do sistema para utilização em projetos e interesses próprios e alheios ao escopo da previdência e protegeu empresas devedoras, aplicando uma série de programas de perdão de dívidas”, afirmou o relator, senador Hélio José (Pros-DF).

“Como se não bastasse, os dados coletados provam que foi ignorada  lei para que empresas devedoras continuassem a participar de programas de empréstimos e benefícios fiscais e creditícios. Buscou-se, enfim, a retirada de direitos dos trabalhadores vinculados à previdência unicamente na perspectiva de redução dos gastos públicos”, acrescentou o parlamentar.

Pedido de indiciamento

A leitura do relatório foi iniciada às 9h30 de ontem e concluída depois das 22h. No final da leitura, Hélio José decidiu incluir em seu relatório sugestão para que sejam indiciados os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e da Casa Civil, Eliseu Padilha, por terem fornecido “dados enganosos e não confiáveis” à CPI. “Foram mentirosos e falaciosos para defender a necessidade da Reforma da Previdência junto aos parlamentares e junto à população brasileira”, acusou.

O relatório foi objeto do pedido de vistas coletivas e está previsto para ser votado ou amanhã (25) na comissão, no período da manhã, ou na próxima terça-feira (31). O documento será encaminhado oficialmente a todas as entidades do setor, todos os parlamentares, para o Executivo e representantes do Judiciário.

“Queremos que fique bem claro que o diagnóstico com a verdade sobre os dados apurados em várias instituições está aqui, neste trabalho. E que os parlamentares que resolverem votar pela reforma da Previdência proposta pelo governo tenham consciência do risco que estão correndo perante a opinião pública e saibam exatamente que estarão decidindo contra o Brasil”, disse Paim.

Hylda Cavalcanti
No RBA
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Disney Channel terá seu primeiro personagem abertamente gay em um seriado

A emissora teria consultado especialistas em desenvolvimento infanto-juvenil para descrever com precisão esta experiência na visão de um adolescente LGBTQ.


Pela primeira vez em sua história, o canal Disney Channel apresentará um personagem assumidamente gay. No primeiro episódio da segunda temporada da série Andy Mack o personagem Cyrus Goodman, que é vivido pelo ator Joshua Rush, de 15 anos, começará a descobrir sua identidade sexual.

Cyrus é o melhor amigo da protagonista, Andi, e perceberá que se sente atraído pelo mesmo menino que ela. Ao longo desta temporada, ele deve embarcar na descoberta e, eventualmente, na aceitação como homossexual.

“Andi Mack é uma série sobre jovens descobrindo quem eles são e todos envolvidos na produção tomaram cuidado para ter certeza que o episódio será apropriado para todas as idades e para que ele passasse uma mensagem poderosa de inclusão e respeito pela humanidade”, afirmou a direção do canal em nota oficial à imprensa.

Esta é a primeira vez em que a emissora do Mickey Mouse trata o assunto com maior profundidade e, segundo a Vulture, a emissora teria consultado especialistas em desenvolvimento infanto-juvenil para descrever com precisão esta experiência na visão de um adolescente LGBTQ.

Neste ano, a gigante do entretenimento transmitiu o seu primeiro beijo gay em seu outro canal, o Disney XD, durante a série animada “Star vs. as Forças do Mal”. Em uma cena que apresentou muitos casais se beijando, um deles era formado por dois homens.

No Fórum
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Juízes não podem ser processados por manifesto contra impeachment, aponta parecer


O professor de Direito da UFF (Universidade Federal Fluminense), Rogério Dultra elaborou, ainda no ano passado, um parecer jurídico que integrou o processo da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro sobre quatro juízes que se manifestaram contra o golpe em Dilma Rousseff, no dia da votação do impeachment no Congresso.

O parecer de Dultra, feito gratuitamente, contraria a opinião manifestada pelo Conselho Nacional de Justiça, que decidiu levar adiante o processo contra os juízes André Luiz Nicolitt, Cristiana de Faria Cordeiro, Rubens Roberto Rebello Casara e Simone Dalila Nacif Lopes. Eles discursaram em um carro de som durante manifestação ocorrida na Avenida Atlântica, em Copacabana, organizada por movimentos sociais. 

Para o CNJ, os magistrados feriram artigo da Constituição que veda aos juízes o direito de se dedicar à atividade político-partidária. Dultra, após fazer reflexões e pesquisas nas áreas de Ciência Política, Sociologia, História e Teoria Constitucional Brasileira, fez outra interpretação.

"Tendo votado à baila as acusações contra este grupo de magistrados no CNJ, é bom frisar que a manifestação política não é vedada aos juízes pela Constituição, mas sim a 'dedicação à atividade político-partidária', o que não foi o caso em tela, conforme argumento exaustivamente no parecer", explicou Dultra em mensagem ao GGN.

O professor salientou que nenhum dos quatro juízes é filiado a qualquer partido. E mesmo que fosse, "não basta a ligação ao partido político para que a 'atividade político-partidária' se complete ou se caracterize de forma plena. Ela precisa consistir numa atividade cuja finalidade precípua seja alcançar a vitória eleitoral e ocupar cargos no Estado."

"A atividade político-partidaria é, portanto, o sinônimo inafastável da atividade político-eleitoral. A finalidade da ação politica aqui não é a mesma dos grupos de pressão, dos movimentos sociais ou dos lobbies, mas sim a de alcançar o poder. A atuação recai diretamente sobre as ações capazes de garantir vitória política através do sufrágio."

Dultra ainda observou que a manifestação em Copacabana "não se tratou propria e especificamente de 'atividade político-partidária', dentro das limitações determinadas pela vedação constitucional para a participação dedicada de juízes em afazeres político-partidários."

"O fato de o ato ter sido organizado por um conjunto de movimentos sociais, inclusive com a participação de indivíduos filiados partidos políticos de diversa posição estratégica e ideológica, isto por si só não autoriza a afirmação de que se está diante da dedicação à atividade político-partidária."

A ministra Cármen Lúcia manifestou opinião contrária. Ela apontou que a função do juiz impõe limitações aos cidadãos que ingressam na carreira.

“São limites que a vida nos impõe para que tenhamos um marco civilizatório, uma vida em sociedade. Já é passada da hora de discutirmos no Poder Judiciário como um todo — tanto para o STF quanto para a juíza de Espinosa (MG). Não é possível que continuem havendo manifestações muito além dos autos, e dos altos e baixos das contingências políticas da sociedade. E se é certo que o juiz já não fica mais dentro do gabinete, da sua casa, também é certo que há de haver convivência sem que haja qualquer tipo de exorbitância ou desbordamento das suas atividades, porque o Poder Judiciário não dispõe de armas ou de tesouro, mas da confiança da sociedade que o legitima”, afirmou a ministra.

Leia o parecer de Rogério Dultra aqui.

Arquivo

No GGN
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55% dos novos votos a favor de Temer saíram da Frente Parlamentar da Agropecuária

Um dos eleitores do ladrão presidente
Porcentagem na 1ª votação, em agosto, tinha sido de 51%; 137 dos 251 votos ontem foram de integrantes da FPA: entre eles, 112 votaram contra Dilma e duas vezes a favor de Temer

Aumenta a porcentagem de deputados, entre os decididos a preservar o mandato de Michel Temer, que fazem parte da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Nesta quarta-feira, na Câmara, 54,58% dos votos a favor do presidente saíram dessa frente, o braço institucional da bancada ruralista. Isso significa um total de 137 parlamentares entre os 251 que livraram Temer de outra investigação. O levantamento foi feito pelo De Olho nos Ruralistas.

Em agosto, na primeira votação que aliviou Temer, 51% dos votos saíram da FPA. É praticamente a mesma porcentagem (50%) dos integrantes da frente que ajudaram a derrubar a presidente Dilma Rousseff, em 2016. O observatório fez em setembro um levantamento completo dessas duas votações: “Frente Parlamentar da Agropecuária compôs 50% dos votos do impeachment e 51% dos votos para manter Temer“.

O governo Temer tem se reunido sistematicamente com os ruralistas, inclusive na sede da FPA, para atender as demandas dessa base parlamentar. Isso inclui medidas contra povos indígenas, unidades de conservação, fiscalização ambiental, perdão de dívidas e multas.

112 DEPUTADOS MAIS DO QUE FIÉIS

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), foi um dos 112 deputados da frente que votaram a favor de Temer em três votações: em outubro (a de ontem), em agosto e, em abril de 2016, na votação que derrubou a presidente Dilma Rousseff – acusada de pedaladas fiscais – e permitiu que o então vice-presidente chegasse ao poder.

Segue abaixo a lista desses 112 deputados. Um deles, o excêntrico Wladimir Costa (SD-PA), conseguiu emplacar o irmão, no dia 5 de setembro, na superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Tapajós, com sede em Santarém (PA).

Região Norte:
-> Jéssica Sales (PMDB-AC)
-> Silas Câmara (PRB-AM)
-> André Abdon (PP-AP)
-> Francisco Chapadinha (Pode-PA)
-> Hélio Leite (DEM-PA)
-> José Priante (PMDB-PA)
-> Josué Bengtson (PTB-PA)
-> Wladimir Costa (SD-PA)
-> Lucio Mosquini (PMDB-RO)
-> Luiz Cláudio (PR-RO)
-> Marinha Raupp (PMDB-RO)
-> Nilton Capixaba (PTB-RO)
-> Carlos Henrique Gaguim (Pode-TO)
-> Dulce Miranda (PMDB-TO)
-> Lázaro Botelho (PP-TO)

Região Nordeste:
-> Arthur Lira (PP-AL)
-> Marx Beltrão (PMDB-AL)
-> Antonio Imbassahy (PSDB-BA)
-> Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)
-> Benito Gama (PTB-BA)
-> Claudio Cajado  (DEM-BA)
-> Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA)
-> Danilo Forte (PSB-CE)
-> Genecias Noronha (SD-CE)
-> André Fufuca (PP-MA)
-> Cleber Verde (PRB-MA)
-> Hildo Rocha (PMDB-MA)
-> Juscelino Rezende Filho (DEM-MA)
-> Benjamin Maranhão (SD-PB)
-> Efraim Filho (DEM-PB)
-> Hugo Motta (PMDB-PB)
-> Rômulo Gouveia (PSD-PB)
-> Átila Lira (PSB-PI)
-> Júlio Cesar (PSD-PI)
-> Beto Rosado (PP-RN)
-> Walter Alves (PMDB-RN)

Centro-Oeste:
-> Alberto Fraga (DEM-DF)
-> Izalci Lucas (PSDB-DF)
-> Alexandre Baldy (Pode-GO)
-> Célio Silveira (PSDB-GO)
-> Daniel Vilela (PMDB-GO)
-> Jovair Arantes (PTB-GO)
-> Lucas Vergilio (SD-GO)
-> Magda Mofatto (PR-GO)
-> Pedro Chaves (PMDB-GO)
-> Roberto Balestra (PP-GO)
-> Carlos Marun (PMDB-MS)
-> Elizeu Dionizio (PSDB-MS)
-> Geraldo Resende (PSDB-MS)
-> Tereza Cristina (PSB-MS)
-> Adilton Sachetti (PSB-MT)
-> Carlos Bezerra (PMDB-MT)
-> Fabio Garcia (PSB-MT)
-> Nilson Leitão (PSDB-MT)
-> Professor Victório Galli (PSC-MT)

Região Sudeste:
-> Marcus Vicente (PP-ES)
-> Bilac Pinto (PR-MG)
-> Bonifácio de Andrada (PSDB-MG)
-> Carlos Melles (DEM-MG)
-> Diego Andrade (PSD-MG)
-> Domingos Sávio (PSDB-MG)
-> Fábio Ramalho (PMDB-MG)
-> Leonardo Quintão (PMDB-MG)
-> Marcelo Aro (PHS-MG)
-> Marcos Montes (PSD-MG)
-> Marcus Pestana (PSDB-MG)
-> Mauro Lopes (PMDB-MG)
-> Misael Varella (DEM-MG)
-> Newton Cardoso Jr (PMDB-MG)
-> Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG)
-> Raquel Muniz (PSD-MG)
-> Renzo Braz (PP-MG)
-> Saraiva Felipe (PMDB-MG)
-> Toninho Pinheiro (PP-MG)
-> Zé Silva (SD-MG)
-> Aureo (SD-RJ)
-> Cristiane Brasil (PTB-RJ)
-> Francisco Floriano (DEM-RJ)
-> Paulo Feijó (PR-RJ)
-> Roberto Sales (PRB-RJ)
-> Soraya Santos (PMDB-RJ)
-> Baleia Rossi (PMDB-SP)
-> Bruna Furlan (PSDB-SP)
-> Eli Correa Filho (DEM-SP)
-> Evandro Gussi (PV-SP)
-> Fausto Pinato (PP-SP)
-> Guilherme Mussi (PP-SP)
-> Herculano Passos (PSD-SP)
-> Milton Monti (PR-SP)
-> Nelson Marquezelli (PTB-SP)
-> Paulo Pereira da Silva (SD-SP)

Região Sul:
-> Alex Canziani (PTB-PR)
-> Alfredo Kaefer (PSL-PR)
-> Dilceu Sperafico (PP-PR)
-> Evandro Rogerio Roman (PSD-PR)
-> Giacobo (PR-PR)
-> Hermes Parcianelloo (PMDB-PR)
-> Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR)
-> Luiz Nishimori (PR-PR)
-> Nelson Meurer (PP-PR)
-> Sergio Souza (PMDB-PR)
-> Takayama (PSC-PR)
-> Alceu Moreira (PMDB-RS)
-> Covatti Filho (PP-RS)
-> Darcísio Perondi (PMDB-RS)
-> Mauro Pereira (PMDB-RS)
-> Renato Molling (PP-RS)
-> Celso Maldaner (PMDB-SC)
-> João Rodrigues (PSD-SC)
-> Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC)
-> Ronaldo Benedet (PMDB-SC)
-> Valdir Colatto (PMDB-SC)

OUTROS 25 RURALISTAS VOTARAM COM TEMER

A votação que livrou Michel Temer, nesta quarta-feira, contou ainda com o voto de outros 25 integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária. Entre esses 25 deputados, a maioria votou a favor de Dilma Rousseff no ano passado – mas agora defende Temer – ou não esteve em uma das votações (contra Dilma, em 2016, ou a favor de Temer, em agosto).

Estes são os 11 deputados que defenderam Dilma, no ano passado, mas apoiaram Temer nas duas votações ocorridas este ano:

-> Jozi Araujo (PTN-AP)
-> Elcione Barbalho (PMDB-PA)
-> Lúcio Vale (PR-PA)
-> Simone Morgado (PMDB-PA)
-> Edio Lopes (PR-RR)
-> João Carlos Bacelar (PR-BA)
-> José Rocha (PR-BA)
-> Domingos Neto (PMB-CE)
-> Paes Landim (PTB-PI)
-> Aelton Freitas (PR-MG)
-> Leonardo Picciani (PMDB-RJ)

O deputado Vicentinho Júnior (PR-TO) só não compõe esse grupo porque esteve ausente na primeira votação que livrou Temer, em agosto. Ontem votou a favor do presidente.

O deputado César Halum (PRB-TO) votou contra Dilma e, em agosto, contra Temer, mas desta vez decidiu defender o presidente. Outros cinco deputados também contribuíram para o impeachment da presidente, mas não estavam na votação de agosto. Ontem eles defenderam Temer:


-> Wilson Filho (PTB-PB)
-> Roney Nemer (PP-DF)
-> Gilberto Nascimento (PSC-SP)
-> Osmar Serraglio (PMDB-PR)
-> Giovani Cherini (PDT-RS)

Note-se, acima, a presença de Osmar Serraglio (foto), ministro da Justiça durante o governo Temer, e líder jurídico da Frente Parlamentar da Agropecuária.

O deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) faltou à sessão que julgou Dilma, em 2016, e votou a favor de Temer nas duas votações de 2017.

Segue lista de outros seis deputados da FPA que ajudaram a barrar o processo contra o presidente no plenário. Entre eles Reinhold Stephanes, que foi ministro da Agricultura durante o governo Lula:

-> Raimundo Gomes De Matos (PSDB-CE)
-> Ezequiel Fonseca (PP-MT)
-> Reinhold Stephanes (PSD-PR)
-> Edmar Arruda (PSD-PR)
-> Celso Jacob (PMDB-RJ)
-> André Amaral (PMDB-PB)

Alceu Luís Castilho
No De Olho nos Ruralistas
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Protesto contra arbítrio judicial na mídia? Só contra a Justiça do Trabalho


Enfim, na grande imprensa, alguém se levanta para protestar contra  o fato de que os juízes acharem que  “não são obrigados a seguir a “literalidade” da lei”.

Ou seja, que estão livres para interpretá-la conforme sua “livre convicção”, para buscar a “vontade concreta da lei” a partir das “balizas constitucionais e legais”.

O título do artigo é duríssimo: “Juízes fora da lei”.

Você está pensando que é um protesto contra Rosa Weber dizer que não existem provas, mas a jurisprudência permite condenar José Dirceu? Ou contra a turma do MP da Lava Jato dizer que não tem provas mas tem convicções? Ou contra as “cognições sumárias” de Sérgio Moro.

Enganou-se.

O protesto é do guru econômico da Globo, Carlos Alberto Sardenberg, mas contra os juízes do trabalho, que definiram pontos em que, no entendimento deles, a reforma trabalhista de Michel Temer se confronta com  a Constituição e ou com princípios da Consolidação das Leis do Trabalho.

Ora, para defender direitos do trabalhador, é inadmissível a interpretação da lei pelos princípios da Justiça. Mas apenas contra ele. Ou será que Sardenberg diria isso da ação da Lava Jato:

“(…)trata-se de um tipo de ideologia que domina boa parte do Judiciário brasileiro. Pode ser assim resumida: o juiz não está lá para aplicar a lei, mas para fazer justiça. Pode parecer muito bonito, mas a ideia é falsa. A verdade é o contrário: fazer justiça é fazer respeitar a lei e os contratos. Não há como escapar disso sem gerar uma enorme insegurança, uma ampla fonte de injustiças e de autoritarismo.”

Mas, a levar-se a sério o que diz o sabe-tudo da Globo, como seria essa história de se condenar alguém pela propriedade de um apartamento que nunca esteve em seu nome? Ou porque teve a “intenção” de doar um prédio a um Instituto? Ou porque tem os recibos de que pagou um aluguel mas estes recibos, claro, têm de ser falsos, porque se está “convencido” que foi um empreiteira quem o deu?

A verdade é que a mídia brasileira é quem se arroga à condição de “fazedora de leis”, que são burocráticas e debilitam o país quando protegem os fracos contra os fortes mas, quando interessa, podem ser torcidas em nome do que o sistema considera “fazer justiça”.

Aliás, no fundo, o que eles gostariam mesmo é de acabar com a Justiça do Trabalho, a única que ainda tem alguma preocupação com o “povão”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Desarrollan parche para solucionar problema de eyaculación precoz

La eyaculación precoz afecta al 30 por ciento de la población mundial.
Virility Medical, una startup israelí de dispositivos médicos, terminó con éxito una prueba clínica que emplea el parche de un solo uso como solución contra la eyaculación precoz.

El desarrollo se coloca en la piel antes de iniciar el coito para que pueda ser controlado por una aplicación de smartphone, la cual envía una corriente eléctrica de baja frecuencia que contrae el músculo responsable de la eyaculación.

Esto retrasa la llegada del clímax sexual dentro de los parámetros establecidos anteriores por el usuario, según el comunicado de Fuente Latina, organización dedicada a difundir los avances científicos y tecnológicos de Israel.

El reciente ensayo clínico se llevó a cabo con 20 hombres en la Clínica para la Disfunción Sexual del Campus Hospitalario Rambam de Haifa, donde los participantes experimentaron un retraso de la eyaculación, con un tiempo desde el inicio del coito 3.5 veces mayor.

La segunda prueba se hará con 30 y 45 pacientes, a fin de que sea aprobada por los reguladores sanitarios en los distintos mercados del mundo, con la finalidad de que pueda ser empleado por la población masculina en los próximos dos años.

El ingeniero biomédico y fundador de Virility Medical, Tall Gollan, reveló que al conocer que la inyección de botox en músculos de ratones machos es efectiva para posponer la eyaculación decidió trabajar en un procedimiento más simple.

“El músculo en particular que entra en juego en una relación sexual está cerca de la superficie de la piel, por lo que puede ser estimulado eléctricamente”, comentó.

La compañía israelí prevé que el parche tenga un potencial mayor al de la píldora de Viagra, pues asegura que de las disfunciones sexuales más comunes entre los honores es la eyaculación precoz, pues afecta a 30 por ciento de la población mundial.

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A lista dos jornalistas que apoiaram o golpe e hoje fingem que descobriram agora que Temer é um lixo


A grande imprensa empenhou seus jornalistas na venda de que o impeachment de Dilma era sinal de que as instituições estavam funcionando.

Boa parte deles hoje diz o contrário de ontem.

É verdade que alguns ainda orgulhosamente apoiam o golpe, como é o caso de Reinaldo Azevedo e outros da extrema-direita. Mas boa parte dos profissionais do Grupo Globo, que recentemente demitiu gente com décadas da casa, parece ter caído em si.

Não é bom senso. É porque o patrão mandou.

Fizemos uma seleção de colunistas do golpe que resolveram parecer surpresos diante daquele sujeito que eles ajudaram botar no poder.

1. Míriam Leitão

No dia 19 de outubro, Míriam Leitão publicou um texto chamado “Quanto custa”, perguntando se ainda vale a pena manter o governo Michel Temer no poder.

A repercussão fez a Secretaria de Comunicação do presidente mandar uma resposta no mesmo dia, jogando a culpa da atual crise política em Rodrigo Janot.

No dia 22, Míriam chamou a portaria de muda a legislação sobre o trabalho escravo de “viagem ao passado” e afirmou, dois dias depois, que “as manobras de Temer para manter-se no cargo corroem a confiança na economia”.

Colunista econômica que mais atacou o governo Dilma Rousseff e a Petrobras, Míriam afirmou no seu blog no Globo em 2015 que as pedaladas não foram para beneficiar programas sociais, mas para “ricos através de subsídios do BNDES”. Ela chegou a publicar em seu site que a contabilidade fiscal seria “destrutiva”.

Míriam demorou a acordar.

Iniciado o governo Temer, Leitão publicou que o “pior ficou pelo retrovisor”. Insistiu na tese de que a economia apresentou sinais de melhora, embora o nível de desemprego ainda atingisse 14 milhões de brasileiros.

Agora, a jornalista global acusa o próprio Michel Temer de “abandonar a agenda das reformas”, de gastar muito dinheiro público e de ser um presidente que mantém uma “conta imensa” pra permanecer no poder.

Quanto custa manter Míriam no poder?

2. Ricardo Noblat

Quando Michel Temer assumiu, Ricardo Noblat foi integrante de um Roda Viva especial com o presidente primoroso em perguntas lambe saco.

Chamou Temer de “senhor elegante” pelo Twitter e perguntou quando ele tinha conhecido Marcela, rendendo muitos memes na internet.

Com as denúncias de Joesley Batista na delação da JBS, Noblat chegou a publicar uma barriga no Globo de que Michel Temer renunciaria ao cargo. Depois do furo que virou furada, publicou no dia 23 de outubro o texto “O preço de manter Temer”.

No texto, acusa o presidente de ter “ambição desmedida, ausência de escrúpulos e oportunismo infame” ao tentar aprovar uma portaria que revoga a atual legislação de trabalho escravo. Diz que o Brasil levou mais de 100 anos para firmar um pacto “contra o monstruoso” crime da escravidão.

Temer estava na festinha de 50 anos de jornalismo de Noblat. Fingir que não conhecia o homem é chamar os leitores de bobos. O que, convenhamos, não é um problema para o sujeito.

3. Merval Pereira

O imortal  publicou no dia 24 de setembro que só agora a “democracia está em xeque”, falando do perigo do uso das Forças Armadas e do caos armado no Rio de Janeiro.

O colunista também deu repercussão às denúncias de Joesley Batista e da JBS, que atingiram o núcleo duro do PMDB. Merval Pereira, no entanto, continua obcecado com o lado que perdeu. Diz que Lula está frito se a Justiça agir da mesma forma que julgou José Dirceu.

No dia 31 de agosto de 2016, afirmou que o PT estava no “fim da linha”. Disse que “narrativa do golpe” do partido não colava mais pois estava “começando a se desfazer”. Ainda escreveu que Jose Miguel Vivanco, presidente da Human Rights Watch, disse que os brasileiros devem ficar “orgulhosos” de um processo de impeachment na “normalidade democrática”.

Para dar uma força a Michel Temer no começo da gestão, Merval Pereira chamou o fim do governo Dilma de “gestão caótica”. E o colunista do Globo defendeu que o presidente deveria exibir isso para fazer as reformas econômicas necessárias.

Parece que nem a “normalidade democrática” e nem as reformas duraram. E nada do imortal fazer um mea-culpa pelo apoio que ele próprio, Merval, deu ao governo Temer inicialmente.

4. Carlos Alberto Sardenberg

Guru da economia do grupo da família Marinho, Sardenberg ficou imortalizado por seus gráficos exagerados no Jornal da Globo de Waack, sempre atacando Dilma e o PT, e do otimismo com Temer no começo do governo. Agora, a roubalheira está tão no ar que até ele virou-se contra quem iria salvar o Brasil da corrupção.

Com a delação de Josley, Carlos Alberto Sardenberg sacramentou que a “calmaria acabou” e fez diversas colunas no jornal O Globo condenando o assalto aos cofres públicos feito por Michel Temer. Afirmou em julho que “reforma com corrupção não funciona”.

Mesmo com o parecer da CPI afirmando que não há rombo na Previdência, Sardenberg continua apoiando as reformas. Talvez ele nem saiba direito sobre o que está falando.

5. Time da GloboNews

Renata Lo Prete, Cristiana Lôbo, Gerson Camarotti, Leilane Neubarth e Andreia Sadi agora denunciam com afinco as denúncias sobre os dólares de Geddel Vieira Lima e a corrupção do PMDB.

O canal informativo da Globo omite o apoio que deu aos protestos do MBL de Kim Kataguiri. Chegou a exibir o pato amarelo inflado em todo o seu horário de noticiário, dando um espaço minúsculo para manifestações de esquerda.

Entre todos os âncoras e comentaristas, Camarotti lembrou em seu blog no G1 que Dilma “já estava inviabilizada por falta de governabilidade”. No dia seguinte do impeachment, em 1º de setembro de 2016, Gerson Camarotti classificou a fala da ex-presidente como “discurso de guerra”. O mesmo apresentador da GloboNews também afirmou naqueles dias o vermelho e a estrela, cores e símbolos do PT, estavam em baixa nas eleições.

Um ano depois, o Partido dos Trabalhadores é o que mais cresce no Brasil em número de filiados, enquanto o PMDB e o PSDB são os mais rejeitados. Lo Prete e Cristiana Lôbo repercutem os “furos” e comentários de Camarotti diretamente de Brasília.

6. William Waack

Embora não tenha escondido o sorriso quando Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, Waack agora nos brinda no final de noite com denúncias envolvendo Michel Temer.

Ele ainda torce pelo governo Maurício Macri na Argentina, mesmo com a vitória da ex-presidente Cristina Kirchner para o Senado, mas parece ter perdido as esperanças com o governo brasileiro.

7. Arnaldo Jabor

Depois de anos dedicado aos ataques contra lulopetismo, somente agora os ouvintes de Jabor na CBN descobrem que existe corrupção no governo Temer e por parte de tucanos como Aécio Neves. O próprio Jabor condenou a atitude do Senado ao “barrar a Lava Jato” salvando a pele de Aécio.

8. Diego Escosteguy

Responsável por divulgar vazamentos das operações da Polícia Federal e decisões do juiz Sergio Moro, Escosteguy até agora não conseguiu explicar como entrevistou Eduardo Cunha fora de “qualquer local do sistema prisional”, segundo ele mesmo.

Em março de 2016, Escosteguy antecipou com sadismo em sua conta no Twitter a condução coercitiva do ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo.

No especial da Época sobre o impeachment, o jornalista acusou Dilma de fazer “discurso moralista” ao denunciar o golpe. Tratou a turbulência política como uma “falha de comunicação” da ex-presidente Dilma Rousseff com aliados e ex-aliados.

Hoje ele questiona os erros do STF e continua dando show no Twitter, tratando seus seguidores como plateia de leilão de gado. Depois de tudo, é mandado para “novos desafios” por seus donos. A vida não é justa.

Pedro Zambarda de Araujo
No DCM
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Odebrecht reclama de vazamentos após Tacla Duran apontar indícios de fraude


Rodrigo Tacla Durán, em seu refúgio na Espanha
Extrato: a data está no padrão português
A Odebrecht reclamou ao ministro Edson Fachin de vazamentos de anexos da delação de seus executivos que deveriam ser mantidas sob sigilo.

Segundo nota publicada por Lauro Jardim, em seu blog em O Globo, Fachin encaminhou a reclamação à procuradora geral da república, Rachel Dodge, por considerar que a guarda do sigilo cabe a ela e seus subordinados, não a ele — o vazamento ocorreu no período de Rodrigo Janot.

Anexos da delação também estão sob a guarda do juiz Sergio Moro, em Curitiba, que facultou apenas aos procuradores  o acesso ao banco de dados da Odebrecht.

Quem vazou os documentos sigilosos cometeu crime, mas o que preocupa a Odebrecht é que documentos vazados começaram a ser contestados e, conforme reportagem conjunta do DCM e GGN, Rodrigo Tacla Duran, ex-operador do grupo, apontou que alguns documentos podem ter sido falsificados.

Com as contradições escancaradas, a defesa dos acusados também reclama acesso, para poder mostrar que as provas apresentadas nas denúncias podem ter sido fraudadas.

A suspeita é que os procuradores entram lá e pinçam apenas o que interessa à acusação. Pior: o que foi juntado apresenta sinais de adulteração.

O que disse Duran já é suficiente para colocar toda a delação sob suspeita. Quem fez as montagens? A  Odebrecht ou alguém ligado à Procuradoria?

Algumas dessas contradições foram registradas no livro de Duran, divulgados com exclusividade pela reportagem do DCM e GGN.

Por exemplo, nos anexos da delação de Leandra A. Azevedo consta ordem de pagamento, com data de 28 de setembro de 2012, de US$ 1.000.000,00 da conta da Innovation para a Waterford Management Gourp Inc.

Mas no extrato bancário supostamente montado, a transferência consta como saída de 27 de setembro de 2012, ou seja, antes da ordem de pagamento.

Nos extratos, também há somas erradas e alguns extratos apresentam datas no padrão brasileiro, com dia, mês e ano, e não americano, com mês, dia e ano.

Em um deles, do Meinl Bank de Antígua, o banco criado pela Odebrecht para pagar propinas no exterior, está escrito 14/out/2016 – out de outubro.

Em inglês, o correto seria oct, de october. O extrato é todo apresentado na língua inglesa, exceto na data, que pode ter sido montada, para se ajustar a alguma delação.

Esta é a suspeita.

Para que não restasse dúvida, a defesa de todos os acusados — isso inclui o ex-presidente Lula — reclama que deveria ter acesso franqueado ao banco de dados da empresa.

Mas Sergio Moro nega. Só os procuradores acessam esses anexos da delação — como foram vazados, a responsabilidade recai sobre eles.

Agora, a Odebrecht quer saber quem vazou os documentos que, em vez de ajudarem na composição de um enredo, serviram para colocar em dúvida muito do que disseram seus executivos.

O ministro Edson Fachin jogou a batata quente para a mão da procuradora Raquel Dodge.

Raquel contesta os métodos de trabalho da equipe de Janot ou de procuradores de Curitiba, que usavam inclusive o whatsapp para troca de mensagens que definiriam termos de acordos de delação premiada.

Não será, portanto, surpresa se Rachel Dodge abrir algum tipo de investigação para apurar os vazamentos no âmbito da Procuradoria Geral da República.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Bolsonaro e o 'Enola Gay'


A única maneira de lidar seriamente com Bolsonaro e seus seguidores é dar-lhes direta e imediata voz de prisão.

Por quê?

Porque são criminosos: é crime fazer apologia de tortura e de estupro; é crime a prática do racismo e da homofobia.

Além de tais crimes, é ilegítimo valer-se da 'liberdade de expressão' consignada pelo Estado Democrático de Direito para pregar publicamente a sua derrubada (neste sentido, aqueles que o fazem são fascistas).

Portanto, Bolsonaro e semialfabetizados seguidores, OS SENHORES ESTÃO PRESOS, e, pois, em acordo com as garantias constitucionais vigentes, contratem advogados.

Entretanto, há um elemento comum nesses crimes e que em verdade os produz, qual seja, A COVARDIA.

De fato, a covardia – visceral, sanguínea, absoluta – é o que aciona os crimes cometidos por Bolsonaro e corja, vale dizer, tais sujeitos borram as calças diante dos torturados, das mulheres, dos negros e dos homossexuais.

Para dizê-lo de uma vez: Bolsonaro e velhacos são em realidade o avesso do que aparentam em público, não se recusando a cometerem as piores vilanias a cada vez, por exemplo, que uma mulher lhes cruza o caminho e causa neles uma paúra terrível...

Glosemos (gozemos) então: 'BOLSONARO E FÃS TÊM MEDO DE MULHER!'

Todavia, os covardes e criminosos Bolsonaro e acéfalos não fazem a menor ideia de que os 'ideais' pregados por eles não interessam de maneira alguma à fase atual do Capital, vale dizer, o Anarcocapitalismo ('Neoliberalismo') não quer revolucionários, mulheres, negros e homossexuais (ou LGBTs) excluídos do Mercado.

Noutros termos, os indesejáveis por Bolsonaro e sequazes são muitíssimo desejáveis – claro, a título de 'empreendedores/\consumidores/\eleitores' – pelos bancos, pelas indústrias (o que restou delas), pelas mídias, pelos serviços, etc.

Glosemos (gozemos) novamente: 'BOLSONARO E FÃS SÃO INDESEJÁVEIS PELO CAPITAL!'

Caso então decidamos chamar as coisas pelos seus nomes, Bolsonaro e trupe estão pelo menos meio século atrasados, ou seja, eles expressam (ou supõem expressar) o 'modus vivendi' do Capital anterior à Segunda Guerra (1939 – 1945), período no qual o patriarcado e seus componentes 'naturais' (família heterossexual e com muitos filhos também heterossexuais; acentuada hierarquia entre homens e mulheres, favorável aos homens; supremacia econômica dos capitalistas; supremacia racial dos brancos; supremacia religiosa dos católicos, etc) ainda estruturavam, agenciavam e faziam operar as subjetividades, as sociedades e as culturas...

Ora, alguém precisa destapar os ouvidos de Bolsonaro e brucutus e fazê-los ouvir Hiroshima e Nagasaki!

Pois Hiroshima e Nagasaki (06 e 09 de Agosto de 1945) literalmente queimaram o 'modus vivendi' bolsonariano e abriram as portas do inferno da globalização tecnocapitalista, nada mais nada menos.

Desde então o 'Enola Gay' (bombardeiro B-29 que lançou as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki) sobrevoa os céus do mundo desertado das 'continências' que Bolsonaro e seus escoteiros mirins ainda batem em respeito ao patriarcado...

(Ironicamente o sinistro B-29 estadunidense traz em seu nome o vocábulo 'Gay', remetendo o fardado jeca brasileiro a um de seus mais recorrentes fantasmas.)

Pois é, Bolsonaro e infames: a sanitarista fantasia de vocês foi queimada e as cinzas voaram pelos ares, sem direito sequer à urna fúnebre.

Doravante – acreditem em mim – tudo está sob as asas do 'Enola Gay', o qual esparge alegremente sobre as subjetividades, as sociedades e as culturas o 'ENJOY!' do Capital e da Tecnociência, nada importando se os gozadores cá embaixo ou são homens, ou mulheres, ou pais, ou filhos, ou heterossexuais, ou homossexuais, ou brancos, ou negros, ou católicos, ou protestantes, ou muçulmanos, ou... qualquer coisa!

Logo, Bolsonaro e trupe, a 'supremacia' pregada por vocês não cabe no 'supermarket' capitalista-tecnocientífico, pois ela perdeu o bonde da História: não é mais rentável o bastante discriminar – atenção: em nome de uma suposta 'ordem natural' – e em seguida hierarquizar o que foi discriminado, lançando-se na sarjeta e/ou em campos de concentração (no fundo, são o mesmo) os que se recusam à diferenciação ontológica...

Como não rir?

Ao fim e ao cabo Bolsonaro é o 'Führer' do Exército de Brancaleone, tresloucadamente ignorante do fato de que o que ele defende não é mais defensável por aquilo que ele próprio defende em última instância (o 'capitalismo'), vale dizer, o idiota nada percebeu da dialética que fez com que o Capital, ao expandir-se necessariamente de modo global e transnacional, dissesse adeus ao pré-Capital (anterior à Segunda Guerra) e instalasse via 'Enola Gay' o pós-Capital (posterior à Segunda Guerra).

E vamos combinar: sob o 'Enola Gay' não há volta.

Assim, meus estupefatos leitores, aí estão Bolsonaro e seu Exército de Brancaleone dando água para os burros..., ou deveria eu dizer dando com os burros n'água?

José Marcus de Castro Mattos, Poeta, psicanalista
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Crônica de um país dominado pelo crime


O que se tem, nesse exato momento, é um vácuo político amplo no cenário brasileiro.

A grande lambança do impeachment esgotou os templários, que guerrearam na linha de frente. A terra começa a se assentar. E, agora, em cima da terra arrasada, observa-se um saque indiscriminado, com os órgãos de controle inertes, sem condições políticas e institucionais de agirem.

Os principais personagens do impeachment estão no seguinte estágio:

STF

Sem comando, sob a presidência frágil de Carmen Lúcia. Aliás, desde o primeiro momento se sabia da sua fraqueza. Mas a realidade virtual se impôs tanto sobre o mundo real, que a Globo chegou a apostar em Carmen Lúcia como alternativa política.

O STF está sendo agredido por todos os lados. E, internamente, não tem coesão para reagir. A cada dia, mais um Ministro ensaia seus voos solos, liquidando com a ideia de colegiado. Agora, é o inacreditável Alexandre de Moraes que vem se juntar ao onipresente Gilmar Mendes e ao diáfano Luís Roberto Barroso.

O único avanço que ocorreu foi uma pausa nas manipulações dos sorteios, muito mais por estar dando na vista do que por qualquer medida saneadora.

CNJ

O comando passou às mãos suspeitíssimas do corregedor João Otávio Noronha. Trata-se de um antigo advogado do Banco do Brasil, que chegou ao Superior Tribunal de Justiça por conta de ligações políticas e que coleciona uma enorme fieira de sentenças polêmicas.

Valendo-se da fragilidade de Carmen Lúcia, Noronha deu início a uma campanha macarthista no âmbito do CNJ, contra juízes de pensamento político diferente do seu.

A Ministra que se vangloriava de defender os seus - "onde um juiz for atacado, lá estarei para defendê-lo" - isenta Aécio Neves e permite o ataque aos juízes que não compactuam com o pensamento do corregedor.

Mídia

Perdeu totalmente o rumo. O poder de que se revestiram é proporcional à crise econômica que assola os principais grupos.

Ficaram à reboque da Lava Jato. E valem-se de seu poder de pautar e serem pautados para vender proteção. Hoje em dia, os repórteres estão proibidos de mencionar os problemas de grandes anunciantes. É o que explica o estardalhaço da Operação Acrônimo ter se limitado à Odebrecht, e Gol e CAOA ficarem de fora.

Lava Jato

A perseguição a Lula se tornou escandalosa até para os veículos mais alinhados com o impeachment. Cada martelada na legalidade expõe a parcialidade da Justiça e a impotência do STF.

Governo Temer

À vontade. Uma organização criminosa explícita que expõe, com notável didatismo, a hipocrisia dos sistemas de poder no país. Eliseu Padilha desnuda a alma nacional em toda sua crueza: qual é o preço? Eu pago. E paga com emendas, portarias, leis, vendas de estatais, perdas de direitos.

A vontade nacional

Alguns dos negócios afetarão a vida do país por décadas, mas o país está dividido por corporações em todos os níveis.

Juízes, advogados, procuradores, imprensa se valem da máxima: mexeu com um, mexeu com todos! Em todos os núcleos institucionais, talvez seja a palavra de ordem mais ecoada. E não há uma força sequer para defender interesses nacionais ou interesses dos vulneráveis acima dos interesses corporativos menores.

No CNJ, a Ministra Carmen Lúcia anunciou a recriação de um grupo de trabalho para resguardar a liberdade de imprensa, exclusivamente dos grupos de mídia.

Os setores desorganizados ou vulneráveis ficam expostos a toda sorte de abusos.

Nesse período do impeachment e do pós-impeachment, recaíram ameaças sobre juízes e procuradores que ousaram se manifestar contra o golpe. Enquanto os setores majoritários gozam de liberdade para toda sorte de protagonismo político.

A legitimidade e a política

Por mais selvagem que seja o jogo político, por mais primário que seja o sentimento civilizatório nacional, não há jogo que se mantenha sem uma nesga de legitimidade

É bobagem achar que a falta de reações imediatas seja aceitação dos absurdos que estão sendo cometidos. De escândalo em escândalo, de impotência em impotência vai-se pavimentando a próxima etapa política, na qual inevitavelmente aparecerá um Bonaparte.

A única incógnita é sua extração política, mas será inevitável que o espaço seja ocupado por uma personalidade política autoritária, tais as disfunções do aparelho institucional brasileiro.

Luís Nassif
No GGN
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A dancinha de Carlos Marun na Câmara retrata o triunfo do Brasil canalhocrata


O deboche. A canalhice saltitante. A impunidade. O escárnio.

Carlos Marun comemorou o enterro da segunda denúncia contra seu chefe Michel Temer da maneira adequada a seu tipo de gente.

Saiu pelo plenário cantando “Tudo Está no Seu Lugar”, de Benito Di Paula, dando passinhos de dança.

Relator da CPI mista da JBS, Marun está sendo processado por improbidade administrativa quando era presidente da Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab).

Em denúncia do Ministério Público Estadual, aceita pela Justiça, ele é acusado, com outros 13 réus, de causar lesão ao erário em valores estimados em R$ 16,6 milhões.

Era pau mandado de Eduardo Cunha, hoje é de Michel Temer. É um vencedor.

Se na primeira denúncia Wladimir Costa brilhou, desta vez ninguém tira o cetro de Carlos Marun.

Tudo está no seu lugar. Graças a Deus.



Kiko Nogueira
No DCM
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Sem mostrar ao que vêm, novatos dividem desejo de Lula ser candidato

Quando João Doria passar por São Paulo, talvez não perceba, mas seus apoiadores estarão em menor número. Sua base eleitoral esfarinha aos poucos e sem cessar. O que é perceptível até pela diminuição de espaços e tempo que o projetam nos jornais e TV. Sem indício algum de que o desejo de se fazer conhecido resulte em mais notoriedade sua, por aí afora, do que em decepção do seu possível eleitorado. A agenda de Doria para a semana previu sua presença nesta quinta (26) em Aracaju e sexta (27) em Maceió. Para o que pode obter por lá, bastaria ir a quase qualquer um dos municípios paulistas.

Henrique Meirelles, posto diante da realidade de que a presunção e promessas de êxitos no comando da economia não se cumprem, passou-se para o caminho da salvação. Não a da alma. A do mais terreno voto: as igrejas evangélicas e sua comprovada potência eleitoral. Neste caminho, porém, outra ambição neófita busca converter o seu conceito para o de pessoa confiável também pelo eleitorado civil, que sempre desprezou. Meirelles e Bolsonaro estão em disputa entre si.

Jair Bolsonaro, o ex-tenentinho que planejou explodir as entradas de água potável no Rio, pensou que fazer falas de bom moço nos Estados Unidos desse à sua imagem, aqui, alguma dubiedade brasileira. Azeitada, em seu caso, com a evidência de filiação ao americanismo mais vulgar. Mas, entre outras cabeçadas agora sem capacete, oficializou a sujeição dando Trump, o abominável, como sua inspiração. Nem a direita mais monetária gostou.

Luciano Huck não vai nem fica. Não sabe que, em política, ir inclui a possibilidade de desistir com uma desculpa, e até mesmo na excepcionalidade de uma explicação honesta. E protelar decisão, além de sugerir inseguranças, quase sempre leva a perder oportunidades. Logo aparecerá outro aventureiro a comprovar a meia verdade de que em política não há espaço vazio (exceto Lula, nenhum político à esquerda pode empregar tal conceito). Existe, ainda, a velha crítica: "...viu o cavalo passar e não montou". O DEM já confirmou essa tradição: mal iniciou conversações com Huck, "desistiu dele, porque em três encontros não decidiu se quer ou não quer".

Nenhum dos quatro novatos da "renovação" (Bolsonaro pensa que é político veterano, sem jamais ter ido além de agitador de extrema direita) mostrou ainda ao que vem. Têm, em comum, o traço básico de serem portadores do desejo inconfessável de que Lula seja candidato. Por serem, todos, pretensos candidatos gerados na visão oportunista de que representar o anti-Lula é uma chance eleitoral como nenhuma outra. Em boa medida, suas candidaturas de direita e a candidatura de Lula são uma coisa só.

Obstruções

Se faltassem indicações do repúdio público a Michel Temer, seu canal uretral teria proporcionado uma resposta de autenticidade indiscutível. A reação imediata de quem recebia a notícia da internação de Temer era dominada pela desconfiança. Mais ou menos assim: "Será que é para influir na Câmara?"

Mesmo a hipótese de um mal físico é vista em Temer como provável ato de má-fé. A Câmara votaria a aceitação ou recusa do inquérito criminal contra ele. A obstrução urinária seria a saída do acusado de obstrução da Justiça, entre outras acusações.

Janio de Freitas
No fAlha
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