24 de out de 2017

Acusado de explorar trabalhadores, presidente da Riachuelo denuncia “plano comunista” no Brasil


Um espectro ronda o Brasil: o espectro do anticomunismo. Em artigo publicado no domingo, na Folha de S.Paulo, o presidente da Riachuelo, Flávio Rocha, denuncia um “sibilino e ardiloso” plano das frentes comunistas para dominar corações e mentes no país. A revolução subliminar estaria demonstrada até mesmo nas exposições que “promoveram o contato de crianças com quadros eróticos e a exibição de um corpo nu, tudo inadequado para a faixa etária”. O texto é um convite a uma realidade paralela pré-Queda do Muro de Berlim.
O autor realmente acredita nisso? A resposta positiva é só a melhor das possibilidades.
Tamanho delírio leva qualquer leitor minimamente atento a uma pergunta básica. O autor realmente acredita nisso? A resposta positiva é só a melhor das possibilidades. No Brasil, só 11% da população frequentou exposições de arte em 2016, segundo pesquisa divulgada pela Fecomércio-RJ. Dos 44% que não tiveram NENHUM contato com programas culturais, 80% têm na TV a atividade mais procurada. Pouco importa. Na cabeça da versão tupiniquim do Comando de Caça aos Comunistas, as instituições culturais são hoje instrumentos de doutrinação das massas com o objetivo de atacar trincheiras como “o Judiciário, as Forças Armadas, partidos ditos conservadores, aparelho policial, Igreja e, por último, mas não menos importante, a família”.

SÃO PAULO, SP, BRASIL, 22.09.2017 - O empresário Flavio Rocha, proprietário da Riachuelo, posa para entrevista à Folha em sua residência no Jardim Europa, na zona oeste de São Paulo (SP). (Foto: Keiny Andrade/Folhapress)
Flávio Rocha, da Riachuelo, em entrevista à Folha de S.Paulo em setembro. A marca, cuja missão é “fazer da moda um instrumento de inclusão”, é acusada de explorar trabalhadores em confecções.

Delírios como este sempre foram lidos com frequência em comentários de portais. De um tempo para cá, é como se Olavo de Carvalho tivesse se multiplicado em postos-chave das colunas de opinião, chamadas de capa dos jornais, fábrica de memes e alertas histéricos em fan pages de gosto duvidoso. O descolamento da realidade seria cômico, não fosse trágico, à medida que abandona a gritaria das redes e ganha eco na voz de representantes empresariais.

Como chegamos até aqui?

Até pouco tempo, mas bem pouco tempo mesmo, grupos conservadores se organizavam em torno da bandeira anticorrupção para tirar da frente os entraves, políticos e econômicos, que impediam o avanço de suas pautas.

Como defender menos controle do Estado (ou das leis) sobre a atividade econômica e social não dava voto, era preciso demonizar a atividade política e escancarar o aparelhamento de órgãos estatais para ousar defender em voz alta programas de privatização e afrouxamento de normas em vigor, das relações trabalhistas às áreas de proteção ambiental.

Mas, uma vez liberado o caminho e abraçado o programa de reformas (ou desmonte?) do governo da salvação nacional, o discurso em defesa da moralidade se tornou a primeira vítima da própria contradição – seja em razão da ficha corrida dos novos ocupantes do Planalto, seja pela impopularidade das medidas encomendadas aos novos gestores. Resultado: em cerca de um ano, o presidente eleito pelo mercado para colocar em movimento o trator das reformas tem hoje menos popularidade do que o mosquito da dengue.

O fiasco do governo Temer deixou sem roupa quem pedia mudanças de comportamento ético em público e, no privado, fingia ignorar os vícios da velhíssima política – além das queixas, à boca pequena, do custo elevado da mão de obra, do excesso de direitos sociais, das políticas distributivas, das ações afirmativas e da petulância dos filhos da empregada que queriam, veja só, estudar na USP. Visto hoje, o filme “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert, parece antes o epílogo de um país interrompido do que o prenúncio de uma nação possível.

Em seu artigo, Flávio Rocha replica o perigo do discurso politicamente correto e da ideologia de gênero nas escolas – como se algum professor ensinasse mudanças de sexo nas aulas de geometria – e diz não ter nada contra transsexuais, até emprega alguns. Admite, assim, que minorias podem até servir como força de trabalho, mas não venham com conversa de empoderamento – o que a elite econômica não quer é concorrência.

Enquanto vende seu macartismo em artigo de jornal, o dono da Riachuelo lança uma ofensiva contra o Ministério Público do Trabalho que há anos promove inspeções nas fábricas da empresa no Rio Grande do Norte e denuncia violações trabalhistas. Trabalhadores do grupo disseram à Repórter Brasil que ganham valores inferiores ao mínimo, fazem turnos recorrentes das 7 às 22 horas e não recebem horas extras, além de enfrentarem uma pressão excessiva pelo cumprimento de metas.

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Em seu Instagram, Rocha divulgou fotos das manifestações “espontâneas” 
feitas por trabalhadores e agradeceu o apoio contra as acusações de exploração.
Foto: Instagram

Se ouvisse a própria voz, Rocha entenderia melhor o conceito marxista de estrutura e superestrutura que tanto deplora e confirma. O executivo desfila do mesmo lado dos grupos que, cobrados pelo apoio a políticos que nem promoveram a salvação nacional nem criaram perspectivas à classe trabalhadora, hoje assustada pelo índice de desemprego e com o esgarçamento das políticas sociais, agora apontam os dedos para espantalhos instalados na chamada guerra cultural.
Se você é contra ração humana na merenda, você é comunista.
Se é feio dizer, em público, que é melhor ser escravizado do que não ter onde trabalhar, é mais fácil acusar uma vertente do pensamento esquerdista (ou comunista ou politicamente correto) a quem ousa apontar o absurdo das propostas. Não é a única.

Se você é contra ração humana na merenda, você é comunista. Se você flagrou jatos de água em moradores de rua e denunciou, você é de extrema esquerda. Se confessou em voz alta que um dia, ainda que em décadas passadas, apertou 13 na urna e confirmou, esquece: vai levar a vida toda o selo de petralha sem direito a réplica. E a culpa é sua, que não votou no Aécio, aquele que prometia matar o primo antes de ser delatado.

SÃO PAULO, SP, BRASIL, 13.03.2016 -  Manifestantes contrários ao governo de Dilma Rousseff (PT) pedem o seu impeachment e o fim da corrupção, neste domingo (13), na av. Paulista, em São Paulo (SP). O protesto contra a presidente Dilma Rousseff em São Paulo neste domingo (13) é o maior ato político já registrado na cidade, superando inclusive a principal manifestação pelas Diretas Já, em 1984.(Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
Manifestação contra o governo Dilma em março de 2015, em São Paulo. Os movimentos organizadores, agora, bradam em defesa das famílias.

Curioso que quem acusa essa força “ardilosa” de querer dominar corações e mentes nas trincheiras de valores burgueses seja exatamente quem tenta a todo custo tomar espaços na sala de aula e dizer o que deve ser ensinado, como o Movimento Escola sem Partido; ou quem agora ocupa veículos de comunicação para fazer proselitismo político, religioso ou promover aquilo que aprenderam em institutos (muito bem financiados) de vertentes de um só pensamento; ou quem se espalha pelas redes, com sites de fachada e robôs militantes, para dizer o que é arte ou não, jornalismo ou não, humor ou não, como o MBL – entusiasta declarado, aliás, das pretensões políticas do dono da Riachuelo.

No Brasil de 2017, a contestação do caminho único entre o subemprego ou a miséria ganhou outro nome. Segundo o presidente da Riachuelo, o real perigo contra a nação é “um plano urdido nas esferas mais sofisticadas do esquerdismo” com tópicos da mesma cartilha que visa a hegemonia cultural como meio de chegar ao comunismo.

Vale lembrar, essa mesma esquerda prestes a completar sua hegemonia saiu esmagada da última eleição municipal. Em outros tempos, tanto o acordão desenhado em Brasília, com Supremo, com tudo, como as campanhas que contradizem o próprio discurso em defesa da gestão e da antipolítica gerariam um caldo de revolta popular com consequências graves, nas urnas e nas ruas, aos responsáveis.

A criação de fantasmas imaginários, como a suposta perversão da obra de arte, chega em boa hora como um grito estratégico para desviar as atenções. Incapazes de elaborar projetos e perspectivas, os grupos agora organizados em discursos ensaiados em (surpresa!) cartilhas decoradas prometem abrigo em defesa das famílias, como se elas corressem mais riscos de serem solapadas por uma tal ideologia de gênero nas escolas do que pela miséria e todas as portas da destruição abertas por quem se beneficia de tal desigualdade. Mas não ouse pensar isso em voz alta. O perigo pode ser você.

Matheus Pichonelli
No The Intercept
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Carta a Temer


Você e seus asseclas do Planalto pagarão caro pela extrema aventura de destruírem os fundamentos morais da República. Seus cargos não serão eternos, assim como o controle dos recursos públicos que desviam do povo para simularem defesa. Quando se defrontarem com o julgamento que a maioria da Câmara dos Deputados manobrou para evitar, na base de favores espúrios, merecerão o que mais  de 90% dos brasileiros exigem, ou seja, a cadeia. Por isso não hei de me empenhar agora com o fora Temer. É perda de tempo. Vou esperá-los em 2018.

Suponho que, se caráter não for de origem genética ou por afinidade, você e seus asseclas terão de olhar diretamente, todos os dias, nos olhos de suas mulheres, de seus filhos e de seus amigos, sendo inevitável neles um rastro de desconfiança.  Por algum caminho, por uma conversa casual, por um pedaço de jornal, por um lance na internet vazarão informações de que algo muito suspeito terá acontecido com vocês, já que não podem explicar o inexplicável. O que farão? Vão comprá-los também como fez com dois terços da Câmara?

É certo que você, Temer, carregará a maldição histórica de levar as marcas indeléveis de Joaquim Silvério dos Reis. Em dois momentos, você submeteu o país a uma dupla humilhação. Primeiro, manipulou grande parte do Congresso para comprar o impeachment de Dilma, sem qualquer prova de crime. Segundo, manipulou grande parte do mesmo Congresso para evitar um julgamento a fim de esconder, estas sim, as provas de seus próprios crimes. É difícil encontrar exemplo similar na história de tal audácia  entre países civilizados.

Não vou chamar você e seus asseclas de bandidos. Isso ficará a cargo da Justiça brasileira depois de 2018, quando você será o maior cabo eleitoral de algum candidato que exprima a indignação do povo diante de seus crimes. Entretanto, como sua capacidade de manobrar o orçamento é quase infinita, é necessário extrema vigilância para que não acabe de vez com o país. A quantidade de favores que usa para manipular o Congresso e a mídia constitui um desafio para as denúncias da parte sã do Congresso e do Ministério Público.

Você, particularmente você, Temer, mudou não  apenas a geografia política de Brasília mas também sua expressão arquitetônica. O Planalto não é mais o lugar da extraordinária arte de Niemeyer e de Lúcio Costa, admirada em todo o mundo, mas o lugar da infâmia, da traição e do absurdo. Não é absurdo que, para comprar votos barrando denúncia conhecida pela população inteira, você promova venda de estatais e de aeroportos, retire impostos de petrolíferas, reduza a proteção ambiental e as proteções contra o trabalho escravo?

Como você traiu as centrais sindicais em relação à promessa de mudar na margem a infame lei aprovada contra a CLT, seus aliados explícitos, agora, são os ruralistas e a nata dos empresários retrógrados. Num acordo implícito com a grande mídia e o governo, Fiesp, Confederação do Comércio e Confederação da Agricultura queimam vastos recursos públicos em publicidade de promoção pessoal e institucional com o fim único de transferir dinheiro para televisões e jornais. É um total descalabro, ainda ignorado pelo Ministério Público.

Todos que tem conhecimento mínimo de história sabem que esses eventos, por mais extravagantes que sejam, são temporários. Sim, Temer, breve você irá para o lixo da história. Não importa a proteção que venha a ter do Legislativo a curto prazo. Nem confie muito na desídia do Judiciário. Como escreveu Max Weber a propósito da organização do judiciário a partir da Idade Moderna, o controle burocrático dele vai apenas até o ponto em que surge uma sublevação do povo. Nesse caso, sai o juiz comum e entra a justiça do cádi.

Jose Carlos de Assis
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No Brasil, jornais dão espaço para nazistas defenderem Hitler. É crime, mas quem se importa?


O jornal O Tempo, de Minas Gerais, achou por bem dar espaço a um nazista defender suas “teorias”. Um bom espaço.

Faz, no novo normal brasileiro. Do repórter ao editor, passando pelos donos, ninguém questionou e a coisa simplesmente foi publicada.

Afinal, estamos em tempos de MBLs, Frotas, Bolsonaros e Felicianos evacuando um discurso fascista numa boa diariamente. Kataguiri, até ontem, era colunista da Folha de S.Paulo.

Hoje sua milícia ataca a “mídia de extrema esquerda”, que inclui a publicação dos Frias. Assim se legitimam as barbaridades.

A Lei 7.716/89 prevê no seu artigo 20: “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

O parágrafo 1º prevê o crime de divulgação do nazismo, com 2 a 5 anos e multa. O Tempo deveria ser acionado e responder por isso.

Na matéria, ficamos conhecendo um tal Harryson Almeida Marson, de 29 anos. Ele participou de manifestações em favor do impeachment de Dilma e “é bastante ativo” nas redes sociais.

O Facebook censura fotos de mães amamentando e de quadros com nu, mas Marson pode postar suásticas à vontade.

Provavelmente assessorado por um advogado, a conversa dele é articulada. O que não significa nada — Goebbels também falava de maneira clara e calma quando queria.


Marson jamais vai admitir, por exemplo, que quer se livrar de gays, judeus, negros e quem não for ariano.

Prefere a distinção entre “um homossexual que faz influência nas pessoas com sua arte que jamais será esquecida e um homossexual que ilude a população com vitimismos utópicos e tenta influenciar o jovem a ser como ele”.

O Holocausto é um “holoconto” (“Não houve informação sobre extermínios maciços em Auschwitz”) e Hitler foi “um homem que trouxe prosperidade a um Estado amante de seu povo”. Ah, bom!

Em julho, ele já havia brilhado na Folha com uma camiseta do Pink Floyd, gente fina, revelando que é religioso, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Embora disfarçado, é ódio em estado puro, do tipo que nos transformou nessa cloaca. Os idiotas saíram do sofá, encontraram outros iguais a eles e estão nas ruas, nas escolas e nas portas dos museus.

O filósofo Karl Popper é autor da famoso paradoxo: a “tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância”. Na Alemanha, por razões óbvias, esses monstros não têm vez.

Em agosto, dois turistas chineses foram presos quando faziam a saudação nazi em frente ao Reichstag, em Berlim.

Semanas mais tarde, um americano de 41 anos fez a mesma coisa em Dresden. Tomou um soco na cara de um pedestre e acabou respondendo a um processo por violar as leis locais.

No Brasil, eles ganham as páginas da imprensa.

Kiko Nogueira
No DCM
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Juízes que criticaram golpe parlamentar serão investigados por CNJ

João Otávio Noronha
Dia negativamente marcante no Conselho Nacional de Justiça. Por votação unânime, os conselheiros votaram pela “abertura de investigação” contra os magistrados André Nicolitt, Simone Nacif, Cristiana Cordeiro e Rubens Casara – os três últimos colunistas no Justificando – porque ao discursaram em ato contra o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Para os conselheiros, que seguiram o voto do corregedor nacional de justiça, João Otávio Noronha, os magistrados fizeram “política partidária”, o que seria vedado pela Constituição.

O julgamento marca a opção política do Conselho. Os quatro magistrados foram acusados de violar a lei da magistratura por participarem em carro de som do ato Funk Contra o Golpe, promovido pela Furacão 2000, na praia de Copacabana em plena efervescência da discussão do processo de impeachment, apontado por inúmeros intelectuais, movimentos sociais e entidades de direitos humanos como um golpe parlamentar. 

O contexto político de atos envolviam também manifestações favoráveis ao impeachment com presença de juízes. Apenas para citar um exemplo, em um ato que ficou conhecido pela postura de Janaína Paschoal pedindo a “morte da república da cobra”, magistrados subiram no palanque para discursar. Newton de Lucca, desembargador do TRF-3, por exemplo, chegou a puxar coro da multidão contra o ex-presidente Lula.



Nem Newton, nem qualquer magistrada ou magistrado brasileiro que tenha participado de atos a favor do impeachment foram ou serão importunados pelo Conselho Nacional de Justiça. A preferência do órgão e do seu corregedor foram especificamente com os poucos juízes de direito que se postaram politicamente contra o que consideraram – junto com incontáveis pessoas e organismos internacionais – um golpe parlamentar.

No julgamento, em primeiro lugar tomou a palavra o advogado e notório criminalista Cezar Roberto Bittencourt, que lembrou caso semelhante na América Latina de perseguição a magistrados que se posicionam criticamente no processo político – “O que ficou claro para todos nós é que houve uma festa popular. Eu quero lembrar que isso parece com uma coisa que aconteceu em Honduras, onde quatro juízes que disseram que foi golpe foram afastados e tiveram que ir até a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Não vejo, com o devido respeito, nenhuma atuação partidária. Pelo contrário, houve uma manifestação popular com entusiasmo. Eles representaram bem a magistratura no meio social”.

Contudo, o corregedor relator decidiu pela investigação. Em voto repleto de lições de moral, Noronha deixou nítido sua conotação política em consonância com o impeachment e opositora à postura dos magistrados:

As imagens e o som dizem tudo. Tudo que aconteceu. (…) Não se admite e nem se pensa que qualquer juiz fosse calado ou mesmo como cidadão. Acontece que ser juiz não é ser um cidadão comum. O juiz tem normas de comportamento, como o engenheiro, o perito. (…) A Constituição que veda o juiz a dedicar-se a atividade político e partidária permite que ele vá permite ao juiz na sua neutralidade tomar partido a favor dessa ou daquela posição? Que isenção teria um juiz que diz que aqui está repleto de coxinhas?

Para o corregedor geral, coxinha, uma gíria comum na internet para denominar pessoas conservadoras é uma invenção do ex-presidente Lula para difamar militantes do PSDB e de outros partidos “que eles reputam de direita”. Ao final, Noronha chega a colocar em xeque a honestidade do trabalho dos magistrados e sentencia que “as instituições merecem respeito”.

Quem é coxinha? Todos sabem que é um apelido que o Presidente Lula atribuiu aos militantes do PSDB e de outros partidos que eles reputam de direita. (…) Pode um juiz numa manifestação colorida dizer que “eu falo como magistrado”? É cabível um juiz ocupar tribuna e hostilizar a Suprema Corte brasileira? Se nós não nos respeitamos, quem há de respeitar a justiça brasileira? (…) Que confiança eu posso ter num juiz de coloração partidária que amanhã estará na Justiça Eleitoral deferindo candidatos de um ou outro partido? As instituições merecem respeito. 

O corregedor foi seguido pelos pares que demonstraram certa propensão à condenação. “Imagens tão fortes que claramente revelam uma conduta inadequada”, afirmou o conselheiro Márcio Schiefler Fontes, o qual destacou, de outro lado, que os quatro juízes desempenham suas funções de maneira exemplar. Já o conselheiro Arnaldo Hossepian classificou o processo como importante para investigar o que ele chamou de “prosetilismo político”. O último voto foi proferido pela Presidente do Conselho e do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, que acompanhou o corregedor.

A decisão manifestamente partidária da corte provocou reação negativa entre os juristas. O Professor Doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e desembargador aposentado, Geraldo Prado, resumiu as incoerências e seletividade do caso:

“Não se passa pela transição do autoritarismo para a democracia sem graves lesões, feridas que insistentemente reabrem, sangram e doem. É assim também na magistratura. Juízes e juízas não são superiores a quem quer que seja, em termos de cidadania. Tampouco são inferiores. Por isso, em praticamente todos os Estados da nossa tradição cultural que, nos anos 80/90 do século passado, superaram as ditaduras, os magistrados conquistaram o direito de se expressar com liberdade sobre os temas da cidadania. Foi o que fizeram quatro dos mais democraticamente comprometidos magistrados do Poder Judiciário brasileiro. Nenhum deles, obviamente, seria competente para julgar causas advindas do processo de impeachment em curso. Não fizeram nada diferente do que fizeram centenas de outros, que publicamente, pelas redes sociais, em sua maioria apoiaram o impeachment. Instaurar procedimento no âmbito do CNJ declaradamente por isso é o mesmo que declarar que os quatro são cidadãos apenas em parte… e somente eles, os outros não. A título de investigar os limites da manifestação pública de magistrados, o CNJ, em minha opinião, deixou de conferir à Constituição, no que toca à liberdade de expressão de juízes, interpretação coerente com a democracia. Se não foi intenção do CNJ estabelecer uma espécie de “controle hierárquico sobre a opinião pessoal dos magistrados”, o efeito prático da decisão de abertura do procedimento é o mesmo, a que se soma algo que é conatural aos processos punitivos: a seletividade. O CNJ funcionou, a meu juízo indevidamente, como instância recursal do tribunal de origem. Confio que no mérito, se não for revista de imediato a mencionada decisão, o órgão constitucional de autogoverno do Judiciário arquivará o processo, restituindo aos quatro magistrados sua cidadania plena. Não tenho como acreditar em algo diferente.”

Procurados pelo Justificando, os magistrados preferiram não se manifestar.

Assista a sessão de julgamento na íntegra:



No Justificando
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Delator acusa irmão de ministro do STF de pagar propina

"Eu falava e tratava da propina com Luciano Lewandowski", disse o operador Lúcio Funaro sobre o irmão do ministro Ricardo Lewandoswski.


O irmão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, é acusado de pagar propina pelo delator Lúcio Funaro, operador do mercado financeiro ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha.

Trata-se do economista Luciano Lewandowski, acusado por Funaro de pagar propina para conseguir investimentos, devolvendo uma comissão em "dólar papel".

O depoimento consta da leva de documentos enviada pelo Supremo Tribunal Federal à Câmara dos Deputados, que julgará um pedido de abertura de denúncia contra o presidente Michel Temer e que, por isso, publicou os documentos em seu site.

O caso é citado por Funaro como um dos episódios de corrupção ocorridos entre 2003 e 2006 na Prece, fundo de pensão dos funcionários da empresa de águas do Rio. Naquela época, o fundo era área de influência de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Funaro disse que era o operador.

O depoimento não cita valores específicos ou datas dos episódios. Em sua delação premiada, Funaro disse que a Prece injetou dinheiro em investimentos indicados por Luciano Lewandoswki. Em troca, recebeu comissão que, segundo o delator, foi dada a Eduardo Cunha. Ele não citou valores, apenas um percentual de 5% a 6%.

Assim falou Funaro no depoimento:



Entre os documentos divulgados pela Câmara, há um vídeo de Funaro citando o caso. Ele disse que a comissão paga por Luciano Lewandowski foi acima da média. Afirmou, ainda, que o irmão do ministro era o interlocutor com quem "falava e já tratava da propina".

Com a homologação da delação de Funaro, caberá à Procuradoria-Geral República decidir se inicia uma investigação, uma vez que a palavra do delator, por si só, não pode ser considerada prova definitiva, de acordo com a lei.

Procurado, Luciano Lewandowski não quis se manifestar. O BuzzFeed News pediu uma posição ao ministro Ricardo Lewandowski desde a última quarta-feira (18), mas não obteve resposta. O advogado de Eduardo Cunha, Délio Lins e Silva Júnior, negou a acusação. A corretora Rio Bravo negou a acusação de Funaro. Ressaltou, ainda, que Luciano Lewandowski deixou a empresa em abril de 2003.
"A Rio Bravo nega veementemente qualquer envolvimento ou relacionamento com o pagamento de propina para pessoa ou entidade conforme apontado."

Filipe Coutinho
No BuzzFeed
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Corrupção não diminuiu na Itália, diz juiz da “Mãos Limpas”


A cara de “pimpões” de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol expõe como a vaidade os diferencia dos juízes italianos da Operação Mãos Limpas italiana.

Mas não é só isso que os separa.

Enquanto os dois superheróis tupiniquins defenderam o “prende mais, prende mais, prende mais”, os magistrados italianos mostraram que o combate à corrupção depende menos de perseguição policial-judicial do que da mudança das estruturas sociais e políticas.

No insuspeito Estadão, patrocinador do evento que os reúne em São Paulo, registra-se que o  ex-promotor e  ex-magistrado italiano Gherardo Colombo, “que conduziu a Operação Mãos Limpas, afirmou, nesta terça-feira, 24, que a grande investigação – iniciada nos anos 80 – contra empresários e políticos, não resultou na redução da corrupção naquele país”.

 “Olhando retrospectivamente hoje, podemos entender que a corrupção na Itália não diminuiu absolutamente. Me demiti 14 anos antes da minha aposentadoria, pois acredito que seja absolutamente necessário olhar outra fonte que é importante, que é a frente da educação”

Como o Colombo do século XV, também este coloca o ovo em pé: diz o óbvio, mas que ninguém consegue pensar, de tão simples.

O grau de corrupção de um país é igual ao nível de educação, inclusive a política, de sua população.

Quando não se vende o voto, não adianta ter dinheiro para comprá-lo. Quando se tem partidos que funcionam e representem algo, os aventureiros endinheirados (como Sílvio Berlusconi) não se criam.

Quando, ao contrário, se destrói os valores do humanismo, da fraternidade, da solidariedade, da felicidade coletiva pela asquerosa ideologia do “agregar valor” e do “bem sucedido” que a classe dominante vende pelos meios de comunicação, tem-se um país de corruptos, públicos e privados, a começar dos grandes, que vendem o trabalho de seu povo e a riqueza de seu país.

O país que retrocedeu, na economia e no comportamento social, desde a Lava Jato é agora todo desta gente, porque vive a era do desemprego e da entrega de seu patrimônio.

E é a estes que a histeria judicial dos dois “pimpões” tem ajudado, ou não é?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Poder, sexo e milhares de grampos ilegais: Mato Grosso mergulha na paranoia política

Poder, sexo e milhares de grampos ilegais: Mato Grosso mergulha na paranoia política

O governador Pedro Taques durante entrevista, em 2015
Nos últimos meses, Mato Grosso vive uma espécie de paranoia política. Basta um avião da Polícia Federal pousar em Cuiabá para dezenas de autoridades, jornalistas e blogueiros locais começarem a discutir quem será o próximo preso. Afundado em uma série de escândalos criminosos, o mais recente deles atinge em cheio a gestão do governador Pedro Taques (PSDB) e trata de milhares de interceptações telefônicas clandestinas. Ex-procurador conhecido por prender barões do crime, hoje Taques é alvo de investigações para saber se ele mesmo não seria autor de um esquema que grampeou a cúpula de poder do Mato Grosso. A preocupação no Estado é tamanha, que o vice-governador Carlos Fávaro (PP) temia ser um dos alvos do esquema batizado de “grampolândia”. Fávaro contratou um hacker para monitorar possíveis invasões aos computadores de seu gabinete. Meses depois, descobriu que esse profissional de contra-inteligência havia sido interceptado ilegalmente por policiais militares. Agora, suspeita-se que o próprio vice também tenha sido grampeado. Pelos cálculos de fontes do Judiciário, o esquema de escutas clandestinas coloca sob suspeita cerca de 70.000 interceptações telefônicas ocorridas entre janeiro de 2014 a setembro de 2017.

Quando foi informado, em 2015, pelo então secretário de Segurança, o promotor de Justiça Mauro Zaque, sobre a existência da “grampolândia”, o governador Taques decretou: “meu Governo acabou”! A constatação foi feita durante um encontro com Zaque em outubro daquele ano. Munido de uma série de documentos, o secretário afirmou que adversários políticos do tucano, advogados e um jornalista eram gravados irregularmente. “Avisei o governador sobre os grampos em duas oportunidades. Em fevereiro e em outubro de 2015, quando apresentei as provas. Nessa segunda vez eu disse a ele: e agora ‘nhonhô’, você queria provas? Estão aí! O que você vai fazer? Nada foi feito e eu pedi exoneração do cargo”, explicou Zaque ao EL PAÍS. Apesar do alerta deste promotor, as apurações só começaram de fato neste ano, depois que a seccional de Mato Grosso da Ordem dos Advogados do Brasil apresentou ao Tribunal de Justiça quatro notícias-crime que levantavam suspeitas sobre as irregularidades cometidas pelo governo estadual, pelo Ministério Público e pelo Judiciário.

A narrativa em torno dos grampos clandestinos investigados nos últimos seis meses é típica de uma trama cinematográfica. Envolve dinheiro, poder e sexo. Até agora, o principal suspeito de ser o mandante das interceptações é Paulo Taques, primo do governador Pedro Taques e que foi seu secretário da Casa Civil. Hoje, Paulo está preso juntamente com outras nove pessoas sob a suspeita de tentar obstruir as investigações.

Antes de ocupar um dos principais cargos na administração estadual, o primo do governador foi o coordenador jurídico da campanha de Taques. Em Cuiabá, os rumores são de que Paulo sempre se utilizou de esquemas de arapongagem, que ele levou essa prática para a campanha do tucano e, posteriormente, para o seu Governo. Algo que nega.

As apurações mostram que Paulo pagou 50.000 reais a um policial para que ele comprasse um equipamento de gravação de ligações telefônicas. O advogado também seria o responsável por alugar a central da “grampolândia”, um escritório em um prédio comercial Cuiabá de onde parte dos policiais militares faziam as interceptações ilegais, batizadas de “barriga de aluguel”. Seus alvos eram políticos, advogados e um jornalista. “Barriga de aluguel” é quando são inseridos em uma investigação os nomes de suspeitos que não têm nada a ver com o fato investigado. Um exemplo: uma pessoa é investigada por corrupção. Ao invés de se pedir a interceptação das linhas telefônicas vinculadas apenas a essa investigada, inclui-se no requerimento uma série de outros números que não sejam diretamente do alvo.

O promotor Mauro Zaque, ex-secretário que denunciou 'grampolândia'
Uma das pessoas grampeadas no esquema de barriga de aluguel foi Tatiane Sangali, uma ex-amante do primo do governador. Ela foi grampeada em duas ocasiões. Uma ilegal. A outra legal. Para grampeá-la legalmente, Paulo Taques entregou um documento a delegados informando que Sangali teria o intuito de constrangê-lo e que ela poderia dopar a ele ou o governador para fotografá-los nus com outros homens. Ele ainda alegou aos investigadores que Sangali estava planejando se casar com João Arcanjo Ribeiro, um famoso bicheiro mato-grossense que está preso na Penitenciária Federal de Mossoró condenado a 82 anos de prisão por crimes como homicídio, lavagem de dinheiro e contrabando. O casamento seria uma maneira de forçar com que Arcanjo fosse para uma penitenciária de Cuiabá e, em seu Estado de atuação, começasse a arquitetar o assassinato do hoje governador.

Um dos responsáveis pela prisão de Arcanjo foi justamente Pedro Taques. Na época, em 2003, ele era procurador da República em Cuiabá e conhecido por atuar firmemente contra os barões do crime no Mato Grosso. Só entrou para a política sete anos depois, quando se elegeu senador. Foi um dos precursores do movimento que prega maior participação de juízes, promotores e procuradores na vida política do país.

Apesar do grampo contra Sangali, não se comprovou que ela tinha pretensões de matar o governador. “Como havia a questão da ameaça contra o governador, durante 45 dias a Tatiane foi grampeada legalmente. Mas nada se comprovou. O que sabemos é que, antes dessa história da ameaça, ela também foi grampeada de maneira irregular”, afirmou o delegado Flávio Stingueta, um dos policiais que coordenaram as apurações.

Temos de perguntar: ‘a quem interessa grampear tantos adversários políticos do governador?'
Delegado Flávio Stringueta

Até o momento, o governador aparece lateralmente na investigação. O delegado Stringueta, contudo, diz que tudo leva a crer que Pedro Taques seria o mandante do esquema. “Temos de perguntar: ‘a quem interessa grampear tantos adversários políticos do governador? Fazendo uma construção ideológica chega-se à conclusão que ele é o maior beneficiado. Mas ainda não encontramos as provas”, disse o policial.

Até agora, o escândalo, que só foi noticiado em maio deste ano e gerou as primeiras prisões em junho, não derrubou Taques do cargo. Mas o enfraquece ao ponto de colocar em dúvida se ele conseguirá concluir o seu mandato, previsto para terminar em dezembro de 2018.

Ramificações

Como parte das gravações clandestinas eram feitas por policiais que atuavam em conjunto com o Ministério Público, surgiu a suspeita de que promotores e até juízes poderiam estar vinculados a essas fraudes. Até agora, não se comprovou a participação de nenhum deles.

Além de Paulo Taques, outras nove pessoas foram presas, incluindo a cúpula da segurança pública do Estado. Nesse grupo estão o ex-secretário da Segurança e delegado da Polícia Civil Rogers Jarbas, e quatro coronéis da PM: seu ex-comandante-geral Zaqueu Barbosa, o ex-chefe da Casa Militar Evandro Lesco, o adjunto dele Ronelson Barros e o ex-secretário de Justiça e coronel Airton Siqueira Júnior. Também foram detidos o major Michel Ferronato, o sargento João Ricardo Soler, o cabo Gerson Corrêa Júnior, o cabo Euclides Torezan e a mulher de Lesco, a personal trainner Helen Christy Carvalho. No caso dela, a suspeita é de que ela ajudou o marido a se encontrar com os demais investigados mesmo no período em que ele estava cumprindo prisão domiciliar.

A detenção desse grupo criminoso só foi possível por conta de uma traição. O tenente coronel José Henrique Soares havia sido cooptado para preparar uma armadilha para o desembargador Orlando Perri, o magistrado que julgava os casos vinculados à “grampolândia”. Foi-lhe prometido uma promoção, caso filmasse diálogos com Perri que pudessem comprometer o desembargador em um eventual julgamento. Uma câmera chegou a ser instalada em sua farda. Mas Soares decidiu contar o que sabia ao magistrado e deu embasamento jurídico para as prisões.

Agora, depois de seis meses tramitando no Judiciário estadual, o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça. No último dia 16, o ministro Mauro Campbell, avocou as seis investigações e ainda não se decidiu sobre qual andamento dará a cada um dos casos. Há três possibilidades. Uma, de devolver todas as investigações para o Tribunal de Justiça. Outra, de dividir os processos entre o TJ e o STJ, separando as condutas entre quem tem foro privilegiado (como o governador) e quem não tem. E a última, é de coordenar sozinho as apurações, possivelmente determinando que a Polícia Federal assuma a responsabilidade.

O populista

Enquanto assiste ao desenrolar da maior crise de sua gestão negando qualquer envolvimento, Pedro Taques segue uma rotina de governador populista. Criou a Caravana da Transformação, um programa que segue por todas as regiões do Mato Grosso levando principalmente atendimentos gratuitos na área de saúde. A estratégia é evitar que o clima negativo notado principalmente em Cuiabá, se espalhe para o interior. É nessa hora que Taques tira a gravata e a camisa comprida, coloca uma camiseta polo com símbolos oficiais do Estado e tira fotos com alunos da rede pública, índios, casais recém-casados nos mutirões populares e, principalmente, com alguns dos pacientes beneficiados pelo projeto. Em dez edições, cerca de 300.000 pessoas já foram atendidas. Sendo que 35.000 passaram por cirurgias de cataratas, conforme os dados oficiais.

Procurado na semana passada, o governador não atendeu a reportagem justamente porque estava participando de uma dessas caravanas, na cidade de Tangará da Serra. Seu secretário de Comunicação, Kléber Lima, negou que Taques tenha participação no esquema da “grampolândia” e que o próprio governador determinou que as investigações fossem encaminhadas ao Ministério Público e pela própria PM, por meio de um inquérito policial militar. “O governador Pedro Taques reafirma que não mandou fazer, não tinha conhecimento da existência e, assim que tomou conhecimento, tomou os procedimentos que lhe competia”.

O secretário ainda disse que o tema “grampolândia” não é a única pauta da gestão tucana e acaba sendo retroalimentado pela oposição ao Governo – formada por representantes do PT e outras legendas de esquerda, além de aliados de políticos que já estiveram no poder e hoje são investigados por crimes, como o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e o ex-presidente da Assembleia Legislativa José Riva (PP). “Taques assume o Governo sucedendo um dos governos mais corruptos do Brasil, que era do Silval Barbosa”, afirmou. E concluiu: “Ele não veio para o Governo do Estado para cometer crimes. Ele só veio para combater crimes e os criminosos. Essa marca ninguém vai tirar do Pedro Taques”.

O secretário de Comunicação, Kléber Lima
Afonso Benites
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Viagem de Bolsonaro aos EUA foi um fracasso, diz pesquisador


O acadêmico Mark Weisbrot, codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington, e presidente da Just Foreign Policy, publicou um artigo nesta terça-feira destacando o fracasso da visita de Bolsonaro aos EUA. 

"O político brasileiro Jair Bolsonaro (PSC), que já foi comparado a Donald Trump, teve sua recente viagem aos Estados Unidos interrompida antes do previsto depois de ele ter cancelado uma participação em um debate na Universidade George Washington (GWU), em Washington. Bolsonaro é hoje o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto na disputa pela Presidência do Brasil em 2018.

O cancelamento não chegou a surpreender (houve alguns outros em Nova York). Uma carta assinada por dezenas de acadêmicos argumentou que a presença de Bolsonaro na GWU "ajudaria um extremista de direita, racista, sexista e homofóbico a conseguir reconhecimento internacional e consolidar a viabilidade política de sua candidatura".

Teria sido essa a finalidade de sua viagem. Mas a oposição e os protestos aqui deixaram claro que, na GWU, Bolsonaro teria que responder a perguntas que ninguém quereria enfrentar."

Weisbrot criticou ainda o golpe que derrubou Dilma Rousseff e a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz Sérgio Moro.

"A democracia brasileira sofreu um golpe devastador quando Dilma foi submetida ao impeachment e afastada de seu cargo por algo que um procurador federal concluiu que nem mesmo foi um crime.

A condenação de Lula deixou ainda mais claro que a corrupta elite tradicional brasileira está disposta a sacrificar o Estado de Direito e a democracia eleitoral para retomar o poder das mãos do PT, a quem ela nunca aceitou como membro de seu clube. Mas será que a elite vai conseguir se safar ilesa?"

No 247
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Frota perde ação contra ministra de Dilma e apela à baixaria para atacar o juiz

Inconformado porque Eleonora Menicucci foi absolvida, ex-ator e atual guru "intelectual" da direita saiu do fórum acusando o juiz de "julgar com a bunda"

Eleonora Menicucci comemora na saída do Fórum João Mendes.
Foto: Roberto Parizotti/CUT
A ex-ministra das Mulheres do governo Dilma, Eleonora Menicucci, foi absolvida hoje, em segunda instância, do processo por danos morais que está sendo movido contra ela pelo ex-ator e atual guru “intelectual” da direita Alexandre Frota. Em maio do ano passado, Eleonora havia criticado o ministro da Educação, Mendonça Filho, por ter sido capaz de receber o ex-ator no gabinete para ouvir seus “conselhos” sobre a educação no país.

“Receber esse senhor, que não só já assumiu ter estuprado, mas também faz apologia do estupro, me passa uma credencial péssima de quem está dirigindo a educação”, disse a ex-ministra, se referindo a uma entrevista em que Frota, diante de milhões de telespectadores, conta ter estuprado uma mãe-de-santo desacordada.

“Fiquei olhando aquele bundão e falei ‘vou comer, vou pegar’. Cheguei pra ela assim: ‘deixa eu te falar uma parada, não acredito nessas paradas que você faz, mas queria te dar um pega. E aí, tem jogo?’ Ela não falou nada e eu pensei ‘vou pegar’. Aí virei, botei a mãe-de-santo de quatro, levantei a saia, agarrei ela pela nuca, botei o boneco pra fora e comecei a sapecar a mãe-de-santo”. Segundo o ex-ator, a mãe-de-santo teria inclusive “desmaiado” por conta da pressão na nuca.

Fui julgado por um juiz ativista, ativista do movimento gay, o juiz  não julgou com a cabeça, julgou com a bunda

Após a polêmica causada pela fala, Frota afirmou que tudo não passou de “brincadeira”, “piada”. No entanto, o ex-ator não gostou da referência que Menicucci fez à entrevista e a processou. Em maio deste ano, a juíza Juliana Nobre Correia, da 2ª Vara do Juizado Especial Cível de Vergueiro, na cidade de São Paulo, chegou a condenar a socióloga e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) a pagar 10 mil reais de indenização apenas por dizer que Frota falou o que falou. Hoje, a sentença foi revista.

Houve confusão na entrada do Fórum, com manifestantes favoráveis à ministra sendo insultados por um pequeno grupo que apoiava Frota (sim, havia até mulheres no grupo). Na saída, o alvo do novo guru da direita foi o juiz Luis Eduardo Scarabelli. “Fui julgado por um juiz ativista, ativista do movimento gay, o juiz  não julgou com a cabeça, julgou com a bunda e deu a causa para a Eleonora, por enquanto. Entendeu?” Os advogados dele disseram que vão recorrer.



No twitter, Alexandre Frota voltou a atacar o juiz.



Já a ex-ministra das Mulheres saiu de alma lavada e sensação de que a Justiça foi feita. “Esta vitória é de todas as mulheres. Ela não me pertence, mas a todas as brasileiras. Ela representa a condenação do estupro e a absolvição total das mulheres. É uma luta pela democracia, em favor da justiça social, dos direitos humanos das mulheres”, disse. “Tenho a honra de ser uma mulher que já viveu dois golpes neste país e que hoje enfrenta esta luta, em nome de um compromisso com as mulheres brasileiras. Essas que me ensinaram a lutar.”

Esta vitória é de todas as mulheres. Ela não me pertence, mas a todas as brasileiras. Ela representa a condenação do estupro

Eleonora Menicucci disse que saiu fortalecida com a vitória sobre o ex-ator. “Me sinto ainda mais comprometida com a luta pela democracia, pelo retorno do Estado de direito no nosso país, contra o golpe que tirou a primeira mulher presidenta, eleita e reeleita, e contra este clima de ódio que os golpistas instalaram em nosso país. Viva as mulheres brasileiras.”

Secretária de Comunicação da CUT-SP, Adriana Magalhães lamentou a violência dos manifestantes favoráveis a Frota diante do Forum. “Existem movimentos de direita que são patrocinados. Gente que esteve hoje no fórum, que defende estuprador, que defende intervenção militar no Brasil”, criticou.

A filósofa e teóloga feminista brasileira Ivone Gebara comentou o absurdo da situação. “Eleonora denuncia um crime e é acusada porque o denuncia. E o criminoso tenta sair impune. Isso é um testemunho de que a legalidade não funciona no país e que o regime do terror, da banalidade, é que está vencendo, sobretudo na política e nos meios de comunicação.”

No Socialista Morena
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Xadrez de como a mídia protegeu o Casino e jogou a culpa em Pimentel


Peça 1 – a Polícia Federal assume a linha editorial de O Valor

A Operação Acrônimo da Polícia Federal conseguiu um feito espetacular: decretar definitivamente a morte do jornalismo. O jornal Valor, um dos últimos resistentes, montou uma equipe de quatro repórteres, em tempos de escassez, para a reportagem “Mulher de Pimentel foi elo com grupo empresarial, diz PF”.

Não se trata de episódio nebuloso, que exigiu investigação, perspicácia e fontes especiais. Tratava-se apenas de analisar o inquérito da PF à luz dos fatos ocorridos entre junho e outubro de 2011, um dos temas mais comentados da mídia, porque uma guerra entre assessorias e suas fontes que chacoalhou a imprensa.

Bastaria uma mera consulta ao Google para oferecer aos leitores de o Valor uma notícia de qualidade.

A acusação - A PF acusa Fernando Pimentel, quando Ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC), de ter beneficiado o grupo Casino, ao impedir que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financiasse a fusão entre o Pão de Açúcar, de Abílio Diniz, e o Carrefour. Mais que isso, indicia sua esposa, na época assessora de comunicação do MDIC, e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho, justamente o maior defensor da fusão.

Os fatos – na época, a mídia se vangloriou do feito de ter impedido a operação BNDES-Abílio Diniz.

O maior responsável pelo fracasso da fusão foi a imprensa, mais especificamente as Organizações Globo, em editorial e através de seus colunistas.

Mas a lógica midiática funciona assim: a mídia tem o mérito de ter impedido a fusão entre Pão de Açúcar-Carrefour, e Pimentel tem a culpa de ter impedido a fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour.

Nem uma coisa, nem outra, como se verá a seguir.

Peça 2 – a lógica inicial

O Casino tornou-se sócio do Pão de Açúcar ainda nos anos 90. Em determinado momento da sociedade, Abílio Diniz acertou com o Casino transferir o controle do grupo até 2012.

Em 2011, com o mercado de consumo bombando, com a ajuda do Banco Pactual, de André Esteves, Abílio pensou em uma saída estratégica: associar-se ao Carrefour, que estava em dificuldades, e comprar a parte do Casino.

A estratégia era interessante. Os supermercados são a porta de entrada cada vez maior para os alimentos em geral. As redes francesas sempre tiveram papel relevante no escoamento da produção agrícola do país. Associando-se a uma marca mundial, o agronegócio e a indústria de alimentos brasileira poderia ter canais internacionais de escoamento.

Pode-se discutir se ocorreria ou não esse benefício ou se, a exemplo da Inbev, internacionalizaria o capitalista brasileiro, sem beneficiar o produtor. Mas a tese fazia sentido, a ponto de ser endossada por uma reportagem do Financial Times, de 1o de julho de 2011, quando o fato ganhou as manchetes:


A reportagem diz que os políticos brasileiros estão preocupados com o fato de o Brasil estar se consolidando principalmente um exportador de commodities.

"Então, estão entusiasmados (com a ideia de) criar campeões nacionais em outros setores, mesmo que sejam parcialmente controlados por estrangeiros", diz o texto, agregando que o know-how trazido pela rede varejista francesa poderia ajudar a ampliar ao exterior os negócios do novo empreendimento.

E o maior defensor da operação, aliás defensor histórico da lógica dos “campeões nacionais” era o então presidente do BNDES Luciano Coutinho – agora indiciado pela PF por supostamente ter atrapalhado a operação.

Peça 3 – a guerra midiática

A base da acusação da PF foi o fato do Casino ter bancado uma conta milionária do consultor Mário Rosa e parte do recurso ter sido pago a Carolina Oliveira, na época contratada pelo BNDES para ser assessora do MDIC, e que posteriormente se casaria com Pimentel.

Para reforçar a acusação, a PF compara os valores pagos a Mário Rosa, na casa dos R$ 2 milhões, com afirmações de Abílio, que teria se limitado a contratar a Máquina de Notícias por módicos R$ 50 mil.

Mentira evidente! Foi uma guerra milionária na qual Abílio não economizou recursos. Na biografia autorizada de Abílio, por Cristiane Correa, a guerra midiática é relatada assim:

“A briga foi amplificada na imprensa. Diariamente, reportagens e notas esmiuçavam o andamento do caso. Nesse campo, o Casino estava mais bem preparado do que Abílio. Havia quase três meses que a FSB, maior agência de comunicação do Brasil, fora contratada pela varejista francesa (o Casino recrutaria ainda outras empresas e especialistas, como a In Press e os consultores Mario Rosa e Eduardo Oinegue, mas cabia à FSB a coordenação do processo). Abílio, por sua vez, só começou a se preparar depois do vazamento do jornal francês, ao contratar a agência Máquina da Notícia (foram recrutados também os consultores Cila Schulman, Sergio Malbergier, Gustavo Krieger e Marcelo Onaga).” Inclusive apresentando o cappo do Casino, Jean-Charles Naouri como o Daniel Dantas francês.

Muito dinheiro rolou, sim. E sempre através das assessorias de imprensa.

Mais que isso, a guerra ganhou a mídia a partir de 1º de julho de 2011. O próprio inquérito da PF constata que no dia 22 de junho de 2011 a proposta foi analisada pela área técnica do banco. Doze dias depois, o parecer determinava que a aprovação estava condicionada à ausência de litígio entre Pão de Açúcar e Casino.

Essa foi a análise inicial e foi a decisão final do banco. Não houve incoerência. O enorme burburinho ocorrido na mídia visou exclusivamente valorizar os contratos das assessorias de imprensa e seus aliados.

Mais à frente, quando o BNDES oficialmente negou a operação, a decisão foi saudada como se fosse uma vitória da mídia. No entanto, a brilhante delegada do PF conclui que a cláusula de 22 de junho era a prova de que Abílio foi prejudicada pelo lobby do Casino.

Ora, o único lobby que ocorreu na época foi a contratação, pelo BTG Pactual, do ex-Ministro Antônio Palocci para atuar, visando reverter a decisão. O próprio Palocci acenou com a delação sobre as tratativas de Abílio e do Banco Pactual – que organizava a tentativa de fusão – para influenciar o governo.

A denúncia não para aí. Desde os anos 90 é praxe o BNDES contratar uma pessoa para disponibilizar como assessor de imprensa do Ministro. O relatório da PF trata como se fosse manobra excepcional para beneficiar Carolina. Soma não apenas os salários do ano, mais os gastos com viagens nacionais e internacionais – a serviço – e computa tudo como se fosse ganho líquido da funcionária.

Peça 4 – cronologia de uma guerra que não houve

Como se viu, no dia 22 de junho de 2011, a área técnica do BNDES já tinha recomendado que o aporte na fusão Pão de Açúcar-Carrefour só fosse autorizado caso não houvesse conflito entre Abílio e o sócio Casino.

A guerra midiática que se seguiu foi no sentido de reverter a decisão do banco. E a principal arma do Casino foi a Globo. Confira-se na cronologia dessa falsa guerra:

30 de junhoBNDES diz confiar em entendimento de varejistas. Os jornais já sabiam que a operação só sairia se houvesse a concordância do Casino.

1o  de julhoBNDES reforça que oferta não é hostil. E que só apoiará Pão de Açúcar e Carrefour após entendimento amigável. Ou seja, o fato consumado era a decisão de não apoiar a fusão, sem o consentimento do Casino.

1o de julho – Cai por terra tese sobre fusão Pão de Açúcar/Carrefour. Os jornais já dão a operação por fracassada.

1o de julho – Mirian Leitão faz longo artigo criticando a fusão que já havia sido descartada pelo BNDES. Qual a lógica, se o próprio banco não havia concordado com a operação?

2 de julhoSob pressão, BNDES ameaça desistir da fusão Carrefour-Pão de Açucar. Uma manchete fantasiosa, já que a decisão do corpo técnico se deu antes de qualquer pressão.

5 de julho – Mirian Leitão diz que “BNDES deveria ter aguardado o desfecho da briga entre sócios”. Uma matéria fake em defesa do Casino, já que a área técnica havia condicionado a operação a um acordo entre os sócios.



24 de outubroBNDES vai retirar apoio à fusão Pão de Açúcar / Carrefour. Apenas formalizando o que a área técnica já havia recomendado.

24 de outubro – Mirian Leitão celebra que “opinião pública derrubou proposta de fusão”. Não era verdade, porque a recomendação do BNDES foi anterior à pressão da mídia. Matéria para valorizar a própria influência. Mas se atribui a mídia o fracasso da operação, porque não desmente a denúncia da PF, que atribui a decisão a Pimentel?

24 de outubro – em outro post, a incansável Mirian diz que “Dilma está certa: BNDES nada tem a fazer na fusão”.

24 de outubro – Elio Gaspari diz que governo deu ao BNDES a “missão heroica de salvar Abilio Diniz”. E acusa o Ministro Fernando Pimentel de.... apoiar Abílio Diniz. Preso por ter cão, preso por não ter cão.

24 de outubro – Em editorial, sob o título “Mais um desvio de função do BNDES”, O Globo critica a intenção que o BNDES nunca teve em apoiar a fusão.

Criaram um factoide – o suposto apoio do BNDES à fusão, que nunca houve -, montaram uma campanha pesada em favor do Casino, mas tão parcial que o único veículo que apresentou o outro lado, razões a favor da fusão, foi o Financial Times. Se vangloriaram de terem derrubado as pretensões de Abílio. Ajudaram claramente o grupo Casino. Celebraram o fato do governo supostamente ter voltado atrás graças à pressão da mídia. E, quando a PF atribui a frustração da operação a Pimentel, veículos e jornalistas não têm a grandeza de rebater as conclusões.

A contratação de Carolina ocorreu um ano após a decisão do BNDES.  E não há uma evidência sequer de que tenha influenciado qualquer decisão de Pimentel, ou que Pimentel tenha influenciado qualquer decisão do BNDES.

Luís Nassif
No GGN
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Novos cartazes com apologia a 'orgulho branco' são colados em Blumenau

Para a polícia, cartazes foram feitos por grupo que atacou advogado negro em setembro.


A Polícia Civil investiga a colocação de novos cartazes com mensagens supremacistas em Blumenau, no Vale do Itajaí. São pelo menos 10 cartazes em postes e pontos de ônibus de duas ruas no Centro da cidade. Uma suástica também foi pichada no bairro Ponte Aguda.

O caso está sendo investigado no mesmo inquérito instaurado para apurar ataques ao ativista e advogado Marco Antônio André, que teve cartazes racistas colocados em frente de casa em Blumenau em setembro.

“Tem a possibilidade de ser o mesmo grupo, por isso estamos investigando no mesmo inquérito. Os dois casos seriam o mesmo tipo penal, mas no caso do Marco foi mais racismo. Essa situação agora é apologia ao nazismo, com a suástica, com essa questão de hegemonia branca. Além de associação criminosa, se for o mesmo grupo”, detalha o delegado Lucas Gomes de Almeida, da 2ª Delegacia de Polícia de Blumenau.

Polícia diz que há mais de 10 cartazes no Centro de Blumenau (Foto: Jean Mazzonetto/NSC TV)
Polícia diz que há mais de 10 cartazes no Centro de Blumenau (Foto: Jean Mazzonetto/NSC TV)

"Foram colocados no fim de semana, provável que no domingo (22), pois foram colados em lugares de grande circulação de pessoas. Com a Oktober, se fosse no sábado teriam visto antes."

O delegado diz que não houve registro de boletim de ocorrência. Em setembro, o advogado Marco André registrou boletim na 1ª DP

Os cartazes têm mensagens contra o comunismo, de exaltação aos brancos e são assinados com o site de um grupo neonazista ucraniano.

“Acredito que seja para desviar o foco da investigação. Não há registro de atuação desse grupo em Blumenau, nem em Santa Catarina, mas estamos apurando”, disse Almeida.

Polícia acredita que cartazes foram colocados no domingo em Blumenau (Foto: Jean Mazzonetto/NSC TV)

Polícia acredita que cartazes foram colocados no domingo em Blumenau (Foto: Jean Mazzonetto/NSC TV)

Figura de Che Guevara também foi alvo de ataques (Foto: Jean Mazzonetto/NSC TV)

Figura de Che Guevara também foi alvo de ataques (Foto: Jean Mazzonetto/NSC TV)

Prorrogação do inquérito

O prazo de conclusão do inquérito sobre os ataques ao advogado Marco André terminaria na quinta-feira (26), mas o delegado vai pedir prorrogação.

“Não recebi ainda os resultados da perícia e tem agora essa nova situação”, diz o delegado. A perícia é para descobrir de quem são as digitais encontradas em um dos cartazes de setembro.

A polícia chegou a suspeitos, mas o delegado não informou quantos são nem se eles foram ouvidos para não atrapalhar as investigações.
“A gente está trabalhando na hipótese que as duas situações tenham sido feitas pelo mesmo grupo. Caso seja concluído de forma diferente, o relatório final fará essa diferenciação."

Cartazes racistas foram colados em Blumenau em setembro (Foto: Marco Antonio André/Arquivo pessoal)

Cartazes racistas foram colados em Blumenau em setembro (Foto: Marco Antonio André/Arquivo pessoal)


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