23 de out de 2017

Recado do Nassif: Brasilianas e as Universidades Brasileiras


Apresentação do Projeto Brasilianas do GGN-PUCSP, visando montar um projeto para o país a partir da produçào das universidades.

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Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras — JTT#20 23/10/2017


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Governantes criminosos e desobediência civil


A existência do governo Temer, por si só, expressava a morte moral do Brasil. Temer não tem nenhuma dignidade política e pessoal, não tem nenhum senso de honra, de dever, de responsabilidade. Conduz o país a um processo contra-civilizatório, degradando direitos, investindo contra a educação, a saúde, o meio ambiente, a ciência e tecnologia, a cultura, a soberania, a moralidade e a dignidade nacional. Agora se apresenta com a face infame de escravocrata. Não tem o menor respeito pela dignidade das pessoas e nenhum sentimento de culpa ou de arrependimento. Se os tivesse, ou renunciaria pedindo desculpa ao povo brasileiro ou se suicidaria.

Se o Brasil já estava moralmente morto, nas duas últimas semanas, o Supremo Tribunal Federal e o Senado decidiram realizar as exéquias desse corpo mal-cheiroso e o fizeram com danças macabras e palavras invocativas do mal, amaldiçoando o povo e brindando o triunfo da legalização da existência de governantes criminosos nas três esferas do poder. O féretro não levou o morto para os Campos Elíseos, mas para o Tártaro. O Brasil poderá ficar neste lugar desgraçadamente terrível por muito tempo, nas profundezas úmidas, frias e escuras, para penar os crimes de seus governantes e a falta de dignidade e coragem do seu povo. Neste lugar tenebroso, há uma lápide com a seguinte inscrição: "Tucano algum jamais será punido".

O Brasil só poderá ser resgatado das profundezas se algum dia o povo julgar a si mesmo, guiado por líderes corajosos. Neste juízo, o povo terá que descobrir que pode confiar apenas nas suas lutas, que é preciso ter coragem e virtudes e que a indignação precisa ser libertada do seu momento subjetivo para tornar-se fúria real, devastadora se for preciso, pois somente os povos que tiveram momentos de fúria contra as indignidades, as injustiças, as misérias, as desigualdades e as humilhações foram capazes de criar as fortalezas da coragem em suas almas, sempre dispostas a marchar para o combate quando os direitos são negados ou ameaçados.

Nos campos devastados do Brasil moralmente morto as pessoas estão muito estranhas. Estão indignadas subjetivamente, passivas, sentindo-se desmoralizadas e desmobilizadas. Estão como que aguardando um acontecimento do destino ou um patrocínio dos deuses para tirá-las desse torpor. Estão solitárias em meio a uma multidão na qual todos são estranhos entre si. As pessoas sentem frio na alma, se vêem derrotadas pela história, esvaziadas de esperanças, enfraquecidas na fé. Estão como que a aguardar um Ciro, o Grande, para que as libertem do cativeiro, não da Babilônia, mas de si mesmas, da sua própria apatia, da sua imobilidade.

Sim, porque os povos, em toda a história, sempre precisaram de líderes para que os conduzissem. E o que se vê hoje são partidos e sindicatos progressistas e de esquerda semimortos, prostrados, acovardados, desorientados, sem tática e sem estratégia. Quem poderia ser o Ciro libertador? Lula? O próprio Ciro, o Gomes? Haddad? Boulos? Talvez Lula seja a única esperança, a esperança possível. Tire-se Lula da frente e pouco sobrará dos semivivos e semimortos. Não nos iludamos. A luta será feroz e quem não estiver preparado sucumbirá.

Luta e desobediência civil

É preciso sair da letargia enquanto há tempo. É preciso sair do frio enregelante da solidão e da internet para encontros calorosos, criando círculos de debates e de lutas, grupos, movimentos. A militância precisa romper nas bases a passividade e desorientação das direções partidárias. Contra o burocratismo, os interesses mesquinhos e o exclusivismo das cúpulas, é preciso construir uma unidade militante nas lutas, mesmo que não se tenha a perspectiva de um candidato presidencial único. A história dos progressistas e democratas só se tornará edificante no Brasil se a síndrome de Caim e Abel das esquerdas for derrotada.

É preciso transformar a indignação em ação para dizer com ela que não se aceita esse processo anti-civilizatório, anti-social, anti-cultural, anti-nacional e escravocrata que esse governo, o STF e o Congresso estão impondo ao povo brasileiro. Não é  possível obedecer essas instituições que fizeram da Constituição e das leis letra morta para fazer valer a vontade arbitrária de interesses conspiradores.

A desobediência civil é um direito consagrado nas democracias para enfrentar leis injustas e inatuais e para desobedecer autoridades arbitrárias e corruptas. Direito defendido por pensadores e ativistas como John Locke, Thoureau, Gandhi, Luther King, Hannah Arendt. Direito abrigado nas Constituições americana e alemã.

Não se pode obedecer a um STF casuístico, que abre mão dos seus deveres constitucionais para entregá-los a antros corrompidos como a Câmara e o Senado. Não se pode obedecer a um STF de um Gilmar Mendes, que é estafeta de Aécio e conselheiro noturno de Temer. Não se pode obedecer ao governo ilegítimo de Temer. Não se pode respeitar as determinações políticas e arbitrárias de um juiz Moro, alegre conviva de Aécio e de Temer, dois quadrilheiros, segundo as investigações.

Moro instrumentalizou a Lava Jato para fins políticos, cometendo uma série de arbitrariedades e ilegalidades persecutórias para favorecer seus amigos do PSDB. Não se pode respeitar uma operação cujo objetivo principal foi tirar uma presidente eleita para colocar uma quadrilha no governo e, cujo desfecho, consiste em inviabilizar a candidatura Lula, salvando Aécio, Temer, Jucá e tantos outros.

Sem lei e com a Constituição rasgada, o Brasil está entregue à violência, ao desmando, ao crime organizado que se instalou nos altos poderes da República. Não se pode aceitar que estas autoridades, que trilham as sendas da ilegalidade e do crime, punam arbitrariamente uns e salvem os maiores corruptos do país. O Brasil vive um estado de ilegalidade geral e de arbítrios seletivos. É preciso enfrentar com destemor os desmandos das autoridades, no Congresso, nos tribunais e nas ruas.

A desobediência civil se justifica porque o STF, o Congresso e o Executivo violaram a Constituição e porque todos esses poderes estão sob suspeita de serem instrumentos de conspirações noturnas, urdidas em visitas furtivas, em encontros ardilosos em porões escusos. Não se pode aceitar que esses poderes com a credibilidade e a legitimidade comprometidas decidam que Lula não pode ser candidato. Este é o ponto que em breve definirá se o Brasil poderá ou não ser resgatado das profundezas terríveis do Tártaro. Este é o ponto que definirá se as esquerdas, os democratas e os progressistas serão vistos pela história como pessoas corajosas e dignas ou se serão lembradas nos memoriais da vergonha e da covardia.

Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).
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As madalenas do golpe


Miriam Leitão, sexta-feira, e Ricardo Noblat, hoje, lembram-me uma expressão – comum nos meus tempos de guri:  a de “fazer cara de Madalena Arrependida”, quando se fazia algo errado e desastroso e fingia-se não ter nada com aquilo.

Até os títulos se parecem: Miriam escreve “Quanto (Temer) custa” e Noblat “O preço de manter Temer”.

Têm razão, sim: o país está pagando caro por este desastre político, econômico e civilizatório representado pela ascensão, há quase um ano e meio, de uma figura que todos, depois da sordidez da traição conspiratória e da evidente aliança com Eduardo Cunha, indigna sequer de respeito pessoal.

Noblat diz que Temer, aquele a quem achava “um senhor elegante”, entre outras coisas com a portaria do trabalho escravo (daqui a pouco falaremos sobre esta outra “esperteza”), “parou o relógio da História. Atrasou os ponteiros. Ganhou mais alguns votinhos para permanecer impune”.

Miriam, envenenada por sua hipocrisia, ataca o Governo impiedosamente, mas sempre se referindo à “chapa Dilma-Temer” como se, coitada, não soubesse que as políticas do usurpador são a negação completa de quase tudo o que o que significava o governo petista. E, quando não é traição “original”, é o aprofundamento brutal do que já tinha sido cedido por conta das pressões do “mercado”, do qual a jornalista sempre foi um dos porta-vozes.

Os dois, amplificados pelo poder que lhes dão as Organizações Globo, são dos principais artífices da demolição de um governo que, com todos os defeitos que pudesse ter, não empurrava o país para um século atrás.

Aos dois, certamente, não se pode negar o direito  humano de mudar seus pensamentos, dede que nisso haja a sinceridade de reconhecer os erros e, neste caso, o atentado irresponsável à ordem democrática.

Porque é impossível travar uma discussão honesta sobre qualquer problema quando se parte do cinismo como suporte.

O jornalista Bob Fernandes, na semana passada, pontuou isso de forma claríssima (veja o vídeo ao final) antes mesmo de Leitão e Noblat publicarem seus artigos:

Espantoso é jornalista não ter entendido antes quais forças pilotavam o impeachment. Quem, o que e como tomaria o Poder.Espantoso é quem é do ramo não saber das consequências. Ou pior: fazer de conta não saber a que rumos e gambiarras a gambiarra “pedalada fiscal” nos arrastaria.

Quem abre a Caixa de Pandora do golpismo, quem rompe o lacre da ordem institucional não pode reclamar dos demônios que surgem.

A exorcização deles, agora – e não será simples – depende da restauração do rito democrático, que está severamente ameaçado, só não vê quem não quer.

Claramente, de um lado, a ser mutilado por um poder extrapolítico, fortemente autoritário e classista (judicial, prima facie, ou militaresco), com a interdição de quem lidera com folga todas as pesquisas de intenção de voto.

E, depois da absolvição de Michel Temer, esta semana, da putrefação da própria ideia de que se deve ter eleições ou só resta mesmo a “solução” autoritária.

Noblat devia levar mais a sério a frase de Sócrates que usa como epígrafe de sua coluna, hoje: “As pessoas precisam de três coisas: prudência no ânimo, silêncio na língua e vergonha na cara.”



Fernando Brito
No Tijolaço
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Eleita senadora, Cristina Kirchner diz que sua frente política emerge como 'principal força de oposição' na Argentina

Partido de Macri venceu na província de Buenos Aires, na capital do país e aumentou participação no Parlamento; ex-presidente diz que lutou contra 'maior e inédita concentração de poder da qual se tem memória desde a restauração democrática'


A ex-presidente da Argentina e agora senadora eleita Cristina Kirchner afirmou na madrugada desta segunda (23/10), ao reconhecer a derrota para o ex-ministro da Educação do país, Esteban Bullrich, candidato do governo, que a Unidade Cidadã (UC), lista eleitoral que formou para disputar estas eleições regionais, se tornou a principal força de oposição à administração de Mauricio Macri.

"Fomos capazes de somar votos, capazes de crescer apesar de termos enfrentado a maior e inédita concentração de poder da qual se tem memória desde a restauração democrática, e devemos estar orgulhosos", disse Cristina aos apoiadores. A UC “é a principal força opositora contra o modelo político e social de ajuste”, afirmou.

Para a ex-mandatária, a UC enfrentou “a maior e mais inédita concentração de poder de que se tenha memória desde a restauração democrática” e, mesmo assim, conseguiu “mais votos que nas PASO [eleições primárias que definiram os candidatos ao pleito de outubro]”.

Cristina fez um discurso pedindo união de outras forças que se opuseram ao macrismo. “Não estamos sós, há também em outras províncias outras claras e firmes lideranças políticas com as quais as oposições firmes e claras avançaram em todo o país”, disse.

Resultado

Com 99,22% das urnas apuradas, Bullrich tinha 41,38% dos votos, contra 37,25% de Cristina. Três vagas estavam em disputa e, pelas regras eleitorais argentinas, a lista eleitoral com mais votos tem direito a duas, com a terceira ficando com o segundo colocado geral. Por este motivo, estão eleitos Bullrich e Gladys González, pelo Cambiemos, e Cristina, pela UC.

O Cambiemos ganhou 9 assentos a mais no Senado (terá o total de 24); os peronistas perderam 3 (23); os kirchneristas perderam 8 (10); o grupo político do ex-candidato à presidência, Sergio Massa, perdeu 1, no total de 72 que formam a Câmara Alta.

Na Câmara dos Deputados, o macrismo levou mais 21 (agora terá 107 assentos); os kirchneristas perderam 10 (67); os peronistas, ganharam 5 (38); os massistas perderam 16 assentos (22). A Câmara Baixa argentina tem 257 cadeiras.

Macri

O presidente da Argentina disse considerar que o resultado, favorável à coligação que apoia seu governo, é um sinal de “forte apoio” a seu projeto político.

"Acreditamos no nosso compromisso sério e profundo com a mudança", disse o presidente a apoiadores no centro de campanha do Cambiemos. Ele foi o responsável por fazer o discurso de encerramento das eleições.

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Lula ao Mundo: quem deu o Golpe foi a Globo!

"Ninguém sabe cuidar do povo necessitado como eu!"


O Conversa Afiada reproduz entrevista do Presidente Lula ao jornal espanhol El Mundo:

Lula da Silva: "Nadie sabe cuidar como yo del pueblo necesitado"

Mira a los ojos, sonríe y da un manotazo en la mesa al decir que Brasil tiene solución. Al "presidente más popular del planeta" -decía Obama- le pesa un pasado de glorias, un presente de acusaciones y un futuro con dos objetivos: volver a gobernar y probar su inocencia.

Cuando dejó la presidencia en 2010 Brasil estaba en pleno crecimiento, 32 millones de pobres ascendieron de clase, Petrobras era uno de los motores económicos. ¿Qué ha sucedido para que el país haya dado un giro de 180 grados?

Lo que nos ha pasado es que hemos tirado a la basura la palabra mágica: credibilidad. Un concepto que vale para la familia, para el barrio, para el equipo de fútbol. Cuando el que gobierna habla y el pueblo no le cree, las cosas no suceden.

¿Cuándo se perdió esa credibilidad?

Hasta 2013 el país crecía, tenía pleno empleo, mantenía las políticas sociales, preparábamos la Copa del Mundo, los Juegos Olímpicos, pero en el mes de junio sucedieron aquellas manifestaciones que fueron como el 15M de España o una especie de Primavera Árabe brasileña.

Desde entonces sociólogos y politólogos analizan junio de 2013. ¿Ustedes lo han sabido entender?

Le confieso que todavía no sé interpretar qué fue lo que sucedió porque en aquel momento la presidenta Dilma tenía un 75% de popularidad. Sucedieron cosas que escaparon de nuestro control como el manejo que hicieron los medios de las movilizaciones. Las televisiones convocaban las manifestaciones, llegaron a retirar la telenovela de la noche para dar la cobertura de la gente en la calle. En toda la historia de movilizaciones de Brasil los medios nunca se habían comportado de esa manera.

La gente reivindicaba mejor educación, más inversión en hospitales y menos gastos en grandes eventos...

La educación y la sanidad vivían uno de sus mejores momentos. Y claro que la gente tiene derecho a exigir más, pero la situación actual es mucho peor y nadie sale a la calle a protestar porque los medios tampoco lo incitan.

¿Pero han reconocido errores del Gobierno de Dilma Rousseff?

Sí, claro que fallamos. Nuestra mayor equivocación fue exagerar en las políticas de exoneración de las grandes empresas. El Estado dejó de recaudar para devolver a los empresarios y en 2014 salía más dinero del que entraba. Entre 2011 y 2014 se exoneraron 428.000 millones de reales [114.000 millones de euros] y cuando Dilma intentó acabar con esa ayuda el Senado no lo permitió. El segundo error vino cuando la Presidenta anunció el ajuste fiscal y traicionó al electorado que la había elegido en 2014, al que le habíamos prometido que mantendríamos los gastos. Así empezamos a perder credibilidad. El año 2015 fue muy parecido a 1999 cuando Fernando Henrique Cardoso tenía una popularidad del 8% y el país había quebrado tres veces. Pero en esa ocasión el presidente de la Cámara era Michel Temer y él sí le ayudó a gobernar. Nosotros teníamos a Eduardo Cunha que se encargó de rechazar cada reforma que proponía Dilma. Fue quien sacó adelante un impeachment ilegítimo. Teníamos al enemigo en casa.

¿Se arrepiente de no haberse presentado en 2014?

No me arrepiento porque ante todo soy leal a la democracia y a Dilma Rousseff. Ella era la mandataria y tenía derecho a ser reelegida. Pero lo he pensado muchas veces y me consta que Dilma también. Lo que pasa es que no soy el tipo de persona que se lamenta, hay que mirar hacia adelante y quiero volver a ser presidente para demostrar al mundo que Brasil puede funcionar.

Como futuro candidato del PT en las elecciones de 2018. ¿Cuál es su fórmula para recuperar al país?

Brasil tiene que volver a ser gobernado pensando en la mayoría y no en unos pocos, por eso lo primero que pienso plantear es un referéndum revocatorio de muchas de las medidas aprobadas por Michel Temer. Es criminal tener una ley que limita durante 20 años la posibilidad de inversión del Estado. En Brasil todavía faltan cosas básicas como saneamiento, tratamiento del agua, viviendas. Tenemos un potencial de inversión en infraestructuras que puede resolver buena parte de la generación de empleo y recuperar la economía. Brasil no depende ni de EEUU ni de China sino de sus propias decisiones. Cuando los pobres vuelvan a estar en el presupuesto del Estado, el país volverá a crecer y recuperaremos la confianza internacional. El capital es cobarde y sólo vendrá cuando sepa que puede ganar.

La reacción de los mercados ante el Gobierno de Temer ha sido más positiva que con los últimos años de Rousseff.

Claro, pretenden privatizar el país. Sólo hay que ver lo que quieren hacer con Petrobras. El petróleo era nuestro pasaporte para el futuro, si lo venden nos dejan sin soberanía. Es una pena que destruyan así nuestra empresa.

Para muchos lo que la ha destruido ha sido la corrupción y los desvíos millonarios de dinero que se hacían a través de la petrolera.

Pongamos que ha sido así. Que arresten a todos los corruptos, pero que no quiebren la empresa y acaben con el trabajo de miles de personas.

Usted pretende presentarse a las elecciones de 2018 y tiene una condena en primera instancia de nueve años y seis meses de prisión por lavado de dinero y corrupción pasiva relacionada con el escándalo de Petrobras.

Me presento a mis 72 años porque hay mucha gente que sabe gobernar pero no hay nadie que sepa cuidar del pueblo más necesitado como yo lo hago. Conozco sus entrañas, cómo viven, qué necesitan. Si creían que una condena me iba a quitar la idea de ser candidato han conseguido el efecto contrario. El juicio al que estoy sometido es una farsa. Ni la Policía Federal ni el Ministerio Público han encontrado una sola prueba para acusarme, por eso digo que la sentencia del juez Sérgio Moro es eminentemente política. En un primer juicio decían que tenía un apartamento en la playa y que en él había dinero de Petrobras. Cuando entramos con un recurso el mismo juez que me condenó después dijo que nunca había dicho que el apartamento era mío y que era dinero de Petrobras. Entonces si no es mío, ni hay dinero de Petrobras, ¿por qué me condenan?. La única respuesta que tengo es que lo hacen porque son rehenes de la prensa. Hoy en Brasil los medios tienen más poder que el Ministerio Público y por primera vez un juez se comporta de acuerdo con la opinión pública. Encontraron dinero en casa de Aécio Neves, en la del gobernador de Río de Janeiro, Sérgio Cabral, en la del ex ministro Geddel Vieira Lima, pero en mi casa, nada. Han revisado cuentas en bancos de todo el mundo para encontrar algún desvío de dinero, y nada. Pero mañana, tarde y noche la prensa me destruye y se niega a publicar que no hay pruebas contra mí.

Sin embargo quien fuera su brazo derecho, Antonio Palocci, dijo hace unas semanas al juez Moro que usted había hecho un pacto de sangre con Odebrecht, una de las principales constructoras acusadas de desvío de dinero de Petrobras.

La única verdad que dijo Pallocci es que quería el beneficio de la ley. Una delación como ésa, bajo presión, con la persona que declara presa, no puede ser aceptada por las instancias superiores de la Justicia. No se puede encarcelar a un ciudadano durante tres años y ofrecerle libertad o reducción de pena a cambio de que cuente algo que no sabe. Varios abogados me han dicho que el Ministerio Público les dice a sus clientes que la delación sólo vale si tienen algo contra Lula. Primero me juzgaron por un apartamento que no es mío y me condenaron. Ahora me juzgan por un terreno del Instituto Lula que tampoco me pertenece, después va a ser por una casa de campo que tampoco es mía, luego por unas obras del estadio del Corinthians... Así, todos los días inventan algo pero yo sigo liderando las encuestas electorales. El pueblo confía en mí porque sabe quién soy y lo que he hecho por ellos. Me respalda mi honor y mi honestidad y a los 72 años ya no tengo el derecho de ponerme nervioso. Ellos hacen su juego y yo el mío. Ellos me acusan a través de la prensa y yo me defiendo con el pueblo. Es una pena lo que me están haciendo a mí y a mi familia. Todo este proceso apresuró la muerte de mi mujer. A mis hijos les invade la casa la policía y no encuentran nada pero nadie nos pide disculpas.

¿Usted se siente más cerca de los populismos latinoamericanos o de la socialdemocracia europea?

Respeto a la socialdemocracia europea, son el ejemplo del estado de bienestar, de la defensa de los derechos de los trabajadores, pero en Brasil construimos Estado a nuestra manera, ni mejor ni peor. Lo de los populismos latinoamericanos me parece una tontería. ¿Qué significa ser populista? ¿Hablar la lengua del pueblo y defenderlo? Nunca me he considerado un populista pero sí un presidente extremadamente popular.

El Partido de los Trabajadores dijo que apoyaba incondicionalmente al Gobierno de Maduro, pero usted se mantuvo callado.

No doy ningún apoyo incondicional. Hay muchas cosas con las que no estoy de acuerdo con Maduro, también me sucede con presidentes de otros países. Defiendo para Venezuela lo mismo que para Brasil y es que maneje sus asuntos sin la injerencia externa. No entiendo por qué a Europa le preocupa tanto Maduro, al fin y al cabo ha sido elegido democráticamente y los venezolanos tendrán que resolver sus problemas entre ellos.

¿Y qué me dice de Trump?

Soy muy cuidadoso a la hora de analizar a las personas. Puedo decir que me sorprende que el presidente de un país del tamaño y de la importancia de Estados Unidos se ponga a hablar de todo. Hay cosas que tiene que decir un funcionario de Estado, un secretario, quizás sea porque acaba de llegar y todavía le quedan cosas por aprender. Pero no se puede gobernar el mundo a golpe de Twitter.

¿Cuál es su opinión sobre la situación de Cataluña?

Como les debe pasar a ustedes, lo primero que me viene a la cabeza es decir lo complicado que es hablar de este asunto. Normalmente las tesis separatistas suceden en las regiones más ricas, los pobres nunca quieren separarse -se ríe-. Entiendo perfectamente que el nacionalismo catalán tiene una historia larga, pero yo prefiero una España unida. Y quizás sólo me atrevería a darle un consejo al Rey, al que conozco y tengo mucho cariño, y es que en una situación de tensión como la que están viviendo, él no debería tomar partido, su rol es el de ser un mediador. Es un papel más simpático y el que le corresponde a un rey.

La semana pasada dijo que Lula era más que una persona una imagen asumida por millones de personas. ¿Qué refleja?

Lo que quise decir es que más allá de mi persona, Lula es una idea de que los pobres pueden tener acceso a un buen trabajo, a un salario digno, a entrar en la universidad. Siempre digo que el mejor efecto de mi Gobierno no fueron las obras que hice, sino hacerle descubrir al pueblo que podía ser sujeto de la Historia.

Si le condenaran en segunda instancia y no pudiera presentarse a las elecciones, ¿el PT tiene alguna oportunidad sin Lula da Silva?

Espero poderme presentar, pero nadie es imprescindible. Hay miles de Lulas.
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Ética no Jornalismo

Como nasce uma notícia?


Às 20h30 do dia 20 de outubro de 2017, os Jornalistas Livres publicaram a seguinte reportagem: “Caetano processa MBL e Frota por acusação de pedofilia” (https://jornalistaslivres.org/…/caetano-processa-mbl-e-fro…/).

Foi matéria exclusiva, escrita e ilustrada por nós, jornalistas livres, Vinícius Segalla e Gustavo Aranda, depois que tivemos acesso ao processo em questão, protocolado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Depois que escrevemos e ilustramos, a Laura Capriglione, uma das fundadoras e editoras dos Jornalistas Livres, releu o texto, aprimorou o conteúdo, sugeriu um título melhor, alterações nas artes e reproduções dos documentos que pretendíamos publicar.

Depois disso, outros jornalistas livres criaram chamadas para o Facebook, cards de divulgação em redes sociais, sugeriram e executaram (executamos) também aprimoramentos no conteúdo a ser publicado.

Daí, então, publicamos. O fizemos por gosto, não por dinheiro. Ninguém ganha um tostão pra escrever ou editar pros Jornalistas Livres. A gente faz porque faz.

No dia seguinte (21/10), diversos veículos da imprensa independente reproduziram a matéria – com o devido crédito.

Às 11h30 do mesmo dia seguinte (21/10), a hashtag #CaetanoPedófilo se tornou trendtopic (número 1) do twitter no Brasil.

Às 17h43 do mesmo dia seguinte (21/10), o jornal Folha de S.Paulo publicou a seguinte reportagem: “Chamado de pedófilo, Caetano Veloso processa MBL e Alexandre Frota” (http://www1.folha.uol.com.br/…/1929107-chamado-de-pedofilo-…).

A Folha de S.Paulo chupinha a informação exclusiva dos Jornalistas Livres. Não traz nenhum fato que avance na história publicada pelos Jornalistas Livres. Simplesmente, após a publicação dos Jornalistas Livres, o jornal entra em contato com a assessoria de Paula Lavigne, dela obtém algumas aspas e publica a matéria, sem nunca citar os Jornalistas Livres.

Se você não é jornalista e/ou não é iniciado no meio, vai ter que acreditar em mim: esse tipo de postura violenta a ética profissional.

Se você é jornalista, obviamente sabe disso, mas não deve ter se espantado. Tanto nós quanto os outros jornalistas livres que trabalharam nessa matéria não esperávamos nada diferente da Folha de S.Paulo. É notória a política de “não precisa dar crédito quando o jornal é menor que a gente”.

Agora, não conhecemos e por isso precisamos respeitar por princípio a Isabella Furtado Menon, que assina a matéria e não dá o crédito da informação que publicou, e que virou a notícia mais lida do jornal em que ela escreve no dia 21/10.

Por isso, gostaríamos de dar a palavra para a repórter poder explicar melhor como funciona o processo de trabalho na redação da Folha.

O que aconteceu, Isabella Furtado Menon?

Gustavo Aranda e Vinícius Segalla
No Jornalistas Livres
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Como a esquerda ajudou a Globo a crescer e a chegar a 100 milhões de espectadores diários

Lula no Jornal Nacional
A Globo iniciou campanha para exaltar a audiência da emissora — 100 milhões todos os dias — e abre oportunidade para o debate: como chegou a essa audiência, que guarda paralelo apenas em países totalitários, como Coreia do Norte?

No Brasil, esse monopólio também existe, conquistado com a mão forte de um grupo que se habituou a emparedar políticos medrosos e contar com o apoio de um Judiciário conivente.

Não há como deixar de mencionar que, em 13 anos de governo, o PT não moveu um dedo no sentido de criar mecanismos para que haja pluralidade na comunicação.

Pelo contrário.

No período de maior fragilidade da emissora, o governo petista ajudou a socorrê-la.

Primeiramente, com verbas polpudas de publicidade.

Segundo levantamento divulgado em 2015 e nunca desmentidos, a Rede Globo e as cinco emissoras de sua propriedade receberam R$ 6,2 bilhões em publicidade federal entre 2003 e 2015.

Durante o governo Lula, segundo a revista Carta Capital, as emissoras da Globo chegaram a ficar com 59% da verba de publicidade do governo federal.

Foi proporcionalmente mais do que o governo de Fernando Henrique Cardoso destinou, em 2002, às emissoras da família Marinho (49%).

O resultado reforça o que, segundo o senador Roberto Requião, lhe disse José Dirceu, ainda chefe da Casa Civil, no início do governo Lula.

Requião teria sugerido o fortalecimento de uma emissora pública. Mas Dirceu disse que não havia necessidade, já que a Globo apoiava o governo.

Alguns anos depois, quando foi questionada sobre a implementação de mecanismos para regular a mídia — como existem em países da Europa –, a presidente Dilma Rousseff respondeu que a melhor regulamentação seria o controle remoto.

Bastava o telespectador mudar de canal.

Não, não é assim.

No livro A História Secreta da Globo, de Daniel Herz, já falecido, que lecionou na Universidade Federal de Santa Catarina, vê-se como a emissora construiu um império a partir de práticas ilegais, já na década de 60, principalmente no governo dos militares.

No documentário Muito Além do Cidadão Kane, cujos direitos de veiculação em TV aberta no Brasil pertencem à Record — mas nunca foi exibido –, também se toma conhecimento de como a emissora se fortaleceu a partir da redemocratização, no governo da chamada Nova República.

O DCM publicou uma série de reportagens que fiz que também revela a força da emissora, em período mais recente, quando deixou de ser punida por sonegar impostos para a aquisição de direitos de transmissão da Copa do Mundo, em 2002.

Nesse período, a Globo, apesar de acusada de sonegação, teve algumas de suas concessões renovadas. A deputada Luiza Erundina, então no PSB, hoje no PSOL, chegou a se movimentar para cobrar providências do governo.

Levantou oficialmente informações junto ao Ministério da Comunicação, então chefiado por Paulo Bernardo, mas parou por aí.

Na nova campanha, a Globo diz que fala para 100 milhões de uns — um seria você.

Não há como negar — dos militares ao PSOL, todos ajudaram a Globo nos últimos 52 anos.

O capital acumulado pela Globo, com as práticas conhecidas, permite a contratação de quadros qualificados e da manutenção de uma estrutura sem paralelo nos concorrentes.

Com isso, mantém audiência que fez dela um espécie de arena principal do debate político.

E a esquerda tem a ver com a consolidação desse modelo, que de democrático não tem nada.

Desde que Lula venceu, em 2002, tornou-se um hábito o presidente eleito comparecer à bancada do Jornal Nacional e dar a sua primeira entrevista exclusiva.

Dizer como pretende governar.

O poder se exerce com símbolos, e não há nada mais simbólico do que o presidente falar à Globo logo depois de sua eleição.

No Brasil, a Globo deixou faz tempo de ser uma concessão. O país é que se tornou uma concessão da emissora.

Já passou a hora de mudar de canal. Mas essa não é uma mudança que se faz apenas com o controle remoto.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Governo Temer acaba esta semana

Afirmação independe de derrubada da denúncia

‘Haverá uma imensa crise de liquidez política’

Temer se verá convertido numa espécie de “Geni” nacional
A marcha inexorável para o fim

Em política, ter poder é projetar expectativa futura a fim de granjear apoios com base nessa perspectiva. Com isso, ganha-se cacife para convencer interlocutores (os players desse showbizz) da capacidade de entregar algo a alguém em data certa e definida. Em torno dessa capacidade vão se formando maiorias. A regra básica do jogo consiste em dar forma e consistência de programa às ideias esparsas que se assentam no resultado das votações parlamentares (mesmo que tudo pareça uma geleia, ou uma colcha de retalhos). Se esse conjunto de ideias, mesmo amorfo, está em sintonia com os anseios da população – também conhecida como “eleitores” – o líder da engrenagem se fortalece com a ampliação gradativa da popularidade. O objetivo derradeiro é ver tal chancela convertida em votos populares.

É simples assim. Mas é complexo.

Tomando por fato consumado a equação descrita acima, obra milenar dos gregos que criaram esse sistema espetacular chamado “democracia”, há escassa margem para errar ao dizer que o governo Michel Temer termina tão logo sejam computados os votos da sessão convocada para a próxima 4ª feira (25.out.2017). Qualquer que seja o resultado do painel de votação. A sessão se destina a analisar o pedido de autorização para que o Supremo Tribunal Federal possa processar Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência) por corrupção passiva e obstrução de Justiça.

Caso a Providência Divina aja em consonância com o desejo de mais de 90% dos brasileiros, o que não ocorreu na 1ª denúncia, o tempo de Temer no Palácio do Planalto se esgota porque não obterá 172 votos a seu favor no plenário da Câmara. Sendo assim, acaba porque termina e a partir daí inicia-se novo ciclo na República. Mas, levando em conta números do domingo anterior à sessão, isso será muito difícil de ocorrer. As planilhas mais pessimistas de apoiadores do Planalto estimavam entre 200 e 220 votos contra a denúncia do Ministério Público. Os cálculos mais entusiasmados somavam de 250 a 260 pró-Temer, com sutis defecções em relação à votação de agosto quando o plenário arquivou o 1º pedido de processo.

Contudo, mesmo que vença nominalmente no plenário e siga despachando no gabinete presidencial até 31 de dezembro de 2018, Michel Temer sabe que terminada a votação da 2ª denúncia do MP contra ele, encerra-se também a fase em que podia ter representado alguma expectativa de poder. Ou seja, estará consumada a equação de perde-perde da República brasileira. À velocidade da luz, Temer se verá convertido numa espécie de “Geni” nacional.

Os cheques pré-datados distribuídos por ele e por seus diletos comandados a partidos, parlamentares, centrais sindicais conservadoras e a corporações empresariais na Praça dos Três Poderes serão sacados todos ao mesmo tempo. Haverá uma imensa crise de liquidez política. No sistema financeiro as crises de liquidez quebram bancos – mesmo vetustas instituições – por ausência absoluta de credibilidade. Na realpolitik, quebram governos, derrubando-os.

A garantia de reformas destinadas a trazer dinamismo à economia, ou mesmo aquelas cuja missão é tão-somente fechar as contas na boca do caixa do Tesouro Nacional, como da Previdência Social, vai se dissipar no ar como névoa seca nas alvoradas brasilienses. No Congresso, vozes dóceis que hoje afagam o sucessor de Dilma Rousseff posto na cadeira na esteira da deposição da presidente eleita em 2014 converter-se-ão em lamuriantes madalenas arrependidas a chorar a perda de credibilidade junto ao eleitor. Todos porão em Temer a culpa do naufrágio político. Consolidado esse cenário, até os 3% de avaliação positiva que a atual gestão ainda conserva irão perecer indulgência plenária dos brasileiros. Incapaz de projetar expectativa de poder e de amalgamar qualquer programa viável, o governo também conhecerá seu fim.

A diferença do 1º para o 2º cenário é o tempo de exposição do corpo insepulto na pedra fria e malcheirosa em que será transformada a Esplanada dos Ministérios.

Poder não conhece vácuo, e caso ocorra a improvável derrota presidencial na votação do dia 27 já há um ambicioso projeto nascido no Legislativo à espreita: tem contornos liberais, dialoga com a sociedade de forma mais ampla que o governo de plantão e parece estar mais afinado com os compromissos de rigor fiscal inexoráveis para sair dessa fase insossa de recuperação que tanto nos vendem e nunca chega. Inclusive, vão parar de vender esses lotes na lua: acabou a verba publicitária estatal para 2017. Se os veículos de comunicação toparem veicular alguma campanha agora terão de aceitar receber apenas em 2018. A crise de liquidez já se abate sobre a mídia chapa-branca.

Em paralelo a isso, como 2 corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, e certos da vitória mesmo que por margem menor de votos – situação incômoda e responsável por eclodir desconfianças de largo espectro – os palacianos passaram a vender a tese de um “combo de governo”: mantenha-se Temer, mas compartilhe-se o poder Executivo com o comando do Congresso, apelam.

Em períodos normais tal receita já não tinha chance de dar certo. Em ano eleitoral e com administração detentora de avaliação tão ruim, não haverá masterchef capaz de fazer esse caldo estabilizar. Quando vendem a ideia de transformar o presidente da Câmara em “um CEO” de Temer, que seria por sua vez “presidente do Conselho de Administração”, os áulicos palacianos desejam terceirizar as propostas impopulares e malsucedidas para o comando do Congresso e almejam fazer com que o chefe deles se cubra apenas das glórias – caso venham. Não recomendo que se case um tostão em aposta tão carente de crédito. Dará errado. Dentre todos eles, só Temer não disputará eleição em 2018.

A proposta, então, seria deputados e senadores defenderem a linha dura e entregarem os louros a quem retalhou o país à faca e vendeu filés, ossos e tripas no grande armazém de secos e molhados montado na Esplanada. Não tem risco de dar certo. Está nas digitais de 513 deputados o poder de decidir se dará errado já agora, a tempo de pôr um novo drive para rodar no hardware nacional e deixa-lo disputar o voto popular dentro de 1 ano, ou se dará errado ao longo dos próximos meses, levando tudo para o fundo do poço (onde não há mola, e sim alçapão).

Luís Costa Pinto
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O terrorismo midiático do TCU e da PF


O terrorismo midiático e a síndrome de abstinência de escândalos têm afetado dois órgãos de Estado: o Tribunal de Contas da União e a Polícia Federal.

O TCU montou um quadro técnico competente, que padece de uma frustração central: não poder investigar os próprios Ministros do TCU, que sempre dão a última palavra. Sua revanche é montar relatórios e marcar o gol.

Investigam determinada operação. Se for normal, será perda de tempo: não gerará matéria nem dividendos para os fiscais. Trata-se então, em qualquer hipótese, de atuar como órgão acusador.

É o caso da nova denúncia contra o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), de supostamente ter adquirido ações da JBS por um preço superavaliado (clique aqui).

Segundo a reportagem, para chegar ao chamado “preço justo” o TCU calculou a média dos 90 pregões anteriores.

Por definição, essas médias são arbitrárias. Por que não 30 dias? Por que não 180 dias?

Para compras de participação expressiva, o mercado jamais se vale dessa metodologia. Mesmo porque esses preços refletem a posição de acionistas minoritários, sem acesso ao conselho de administração e às instâncias de decisão da empresa.

Todas as avaliações de “preço justo” levam em conta o olhar para frente e não o retrovisor. Aliás, o retrovisor foi largamente empregado na primeira fase da privatização brasileira, a partir dos anos 90, para depreciar preços de ativos públicos.

Veja o exemplo:
  1. A Empresa A tem uma rentabilidade de 10 por ação por ano.

  2. Com investimento X, a rentabilidade poderá aumentar para, digamos, 15 por ação. Negocia-se, então, em torno desse novo referencial.
Todos os modelos de simulação adotados pelo mercado olham para a frente. Define-se uma taxa de retorno esperado pelo investidor se simulam as taxas de crescimento e os ganhos de acordo com indicadores prospectivos objetivos: preço dos produtos vendidos, ganhos de sinergia com aquisições, rentabilidade esperada.

Em cima disso, há metodologias como DCF, dividend growth model, absolute e relative valuation models, etc.

Todas essas metodologias mostrariam discernimento do BNDES nos investimentos. Tanto que todos eles apresentaram resultados superiores ao do IBOVESPA em vários períodos analisados.

Por isso mesmo, a denúncia do BNDES e do ex-presidente Luciano Coutinho é apenas fogo de artifício para gerar manchetes.

Os indiciamentos da PF

No fim de semana, a Polícia Federal promoveu o terceiro indiciamento do governador mineiro Fernando Pimentel e a enésima reportagem mencionando os indiciamentos. Todas em cima de um único fato: as delações de um marqueteiro detido no mesmo período em que ocorreu o escândalo do helicóptero com 500 quilos de cocaína.

Pela enésima vez: inquérito da PF não tem o menor valor legal. Seu único objetivo é gerar manchetes e fazer política. Todos os inquéritos anteriores foram derrubados, ou pelo Ministério Público Federal – a quem compete legalmente indiciar – ou pelos tribunais superiores.

Luís Nassif
No GGN
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Os Estatutos do Homem — Thiago de Mello

Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:

O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
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