4 de out. de 2017

Deduragem de colegas foi o que mais doeu no reitor da UFSC e o fez desistir

O bilhete de suicida do reitor
A última pessoa a falar com o reitor Cao Cancellier foi um ex-aluno dele, o jovem advogado Rafael Melo.

Eram 10 da manhã da segunda-feira 2 de outubro, apenas 38 minutos antes do dramático suicídio que o transformaria num mártir para quem não gosta dos desmandos da Lava Jato.

Os dois se encontraram por acaso na pracinha do Beiramar Shopping, o cenário mauricinho escolhido por Cau para tirar a própria vida, aos 59 anos.

Melo ia apressado quando viu num banco o magnífico reitor professor doutor Luis Carlos Cancellier de Olivo solitário, murmurando pra si mesmo, fumando muito.

O advogado logo notou que “ele estava com o torso curvado como se sentisse dor, meio alheio a tudo ao seu redor”, conforme contou no velório do antigo mestre, no saguão da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na noite da mesma segunda-feira.

Melo já sabia que o até então ficha limpa Cancellier tinha virado um pária na comunidade universitária.

Respingou no reitor o maior escândalo de Floripa em décadas: a Operação Ouvidos Moucos (deflagrada pela PF em 14 de setembro para apurar o possível desvio de grana no programa EAD (Educação à Distância), tocado pela UFSC entre 2008 e 2016. Teto do caso, 80 milhões de reais).

O jovem advogado lembra que ele vestia uma blusa esportiva bege de magas compridas, mas não percebeu a tragédia em andamento: “Tentei confortá-lo dizendo ‘sei o que o senhor está passando, tenho certeza que vai provar sua inocência’, mas ele não me deu muito papo”.

Os dois trocaram um aperto de mão. O advogado seguiu para a Livraria Saraiva, no piso Sambaqui (cada andar do shopping leva o nome de uma praia local). Pelo recibo da compra ele sabe que saiu da loja 10h17 em ponto.

Já o reitor Cancellier, proibido de entrar na UFSC desde que fora afastado do cargo 18 dias antes, por decisão da 1ª Vara Federal de Floripa, entrou no shopping para morrer.

Uma testemunha cruzou com ele no elevador panorâmico e o viu subindo para o andar mais alto, o L4, chamado piso Campeche.

Dona Dinete Sardá também o viu. Ela subiu alguns andares ao lado dele. Tudo que sentiu foi o cheiro desagradável de cigarro que ele exalava. Os dois nada se disseram.

E lá de cima, às 10h38, Cao se jogou de cabeça pra baixo, da altura de sete andares.

Na queda, passou por três pisos de garagens e pelos andares Jurerê e Joaquina, até se estatelar ao lado da escada rolante, no Sambaqui.

“Eu vinha chegando para fazer compras quando vi uma barraca escondendo o cadáver”, contou no velório o ex-deputado Murilo Canto, 80 anos, amigo do reitor.

Beiramar Shopping

“Não dava para reconhecer o corpo porque ele teve o rosto destruído”, disse, horrorizado com a visão. Pior é o que Canto não viu: na terça o corpo foi enterrado nu, porque estava muito deformado para ser vestido.

Ainda no shopping, os peritos identificaram o corpo pela impressão digital da habilitação dele.

Na carteira havia um bilhete suicida. Foi entregue à família. Seu inteiro teor ainda não foi divulgado – só a parte que o transforma em “mártir de um estado policialesco”.

Antes do meio-dia a notícia chegou aos quatro cantos da ilha de quase 500 mil habitantes, como se Cao fosse um popstar.

Reitor pop não é exagero. Responda depressa: como se chama o reitor da federal da sua cidade? Difícil lembrar, né?

Mas, em Floripa, é possível. O reitor sempre é imensamente popular porque um em cada 10 habitantes da ilha trabalha ou estuda na UFSC. As gerações de profissionais saídos da instituição comandam a economia local – só a incubadora de tecnologia gerou empresas que hoje respondem por 45 % do PIB da cidade.

Vira e mexe Cao estava na TV falando da instituição, cujo orçamento era de 1,5 bi e ranqueada em sexto entre as melhores do país.

Ele parecia ter muitos amigos. Quase mil deles passaram pelo velório na primeira noite, desfiando um rosário de lágrimas.

Na hora de maior dor, uma estudante do curso de Letras fez um protesto tipo eu sozinha. Foi o maior bafão. A moça exibiu um cartaz: “Cadê os 80 milhões?” (valor mencionado pela PF que induz as pessoas a pensar num rombo maior do que as malas de Geddel, mas que na verdade é apenas a verba dos últimos 10 anos do programa sob suspeita).

O velório de Cancellier
Em seguida, num supremo desrespeito, a jovem bateu com o cartaz no caixão. Acabou escorraçada por um grupo de veladores.

Dava para sentir no ar, além do perfume das coroas fúnebres, a grande dúvida: Cao se matou porque seria culpado ou porque foi um inocente colhido numa tempestade perfeita midiático-policial ?

Preso sem processo

Ora, gente, que pergunta boba: ele não era réu de coisa nenhuma!

Nem processado. No caso dele tudo começou de pernas para o ar, direto na cadeia – o crime a PF ia tentar encontrar.

O certo é que alguém na PF achou que ele tinha que sair da UFSC pra poder fazer seu trabalho. O MPF e a Justiça concordaram com a tese e paft, cadeia nele.

Para os amigos, familiares e muitos colegas, Cao não fez nada do que disseram.

Ele começou a carreira como jornalista. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro aos 25, em 1985, trabalhou nos 15 anos seguintes entre a Câmara Federal e o Senado, como assessor parlamentar do ex-senador Nelson Wedekin (então no PMDB) – um dos poucos a defendê-lo desde a primeira hora, até o discurso final durante as pompas fúnebres.

Um dirigente histórico dos comunistas foi ao enterro, mas era de uma corrente adversária. Fez questão de dizer que ele abandonou a militância de esquerda e deu uma guinada pro outro lado – segundo vários relatos, Cao nunca escondeu que votou em Aécio, apoiou o impeachment, alinhou com Temer e se dizia fã de Sérgio Moro.

A estrela do show

Ser atropelado por desmandos conduzidos pela delegada PF Érika Marena, uma das queridinhas de Moro e do procurador Deltan Dallagnol – foi ela quem batizou a Lava Jata – é uma das ironias do drama.

No filme “Polícia Federal” o papel da delegada Érika cabe à atriz Flávia Alessandra. Ela esteve cotada para ser diretora da PF até novembro do ano passado, quando foi removida da força-tarefa de Curitiba. Promovida para baixo, acabou em Floripa, longe dos holofotes.

O caso da UFSC é o primeiro degrau notável da nova etapa da carreira dela. Cao, seu primeiro peixe graúdo desta fase – e ela já brilha de novo no livro de feitos da PF.

Érika pediu a prisão de Cao num vapt, baseada apenas na delação de dois colegas dele, como adiante veremos. No dia do anúncio ela segurava o microfone e enfrentava as câmeras com orgulho, como se tivesse prendido Bin Laden redivivo e acabado com a Al Qaeda.

Hoje, da parte que se sabe do bilhete suicida, Cao escreveu “minha morte foi decretada quando fui banido da universidade”, como se lê na foto. A doutora Érika não tá nem aí. Já mandou avisar que a investigação continuará.

E que prisão espetacular: 105 agentes foram mobilizados para prender o reitor e seis professores no campus universitário, numa das cidades mais pacatas do Brasil.

Cao foi levado de casa por agentes originalmente lotados em São Luiz do Maranhão.

Em nome da PEC da economia, não tinha ninguém mais de perto pra tarefa??? A turma da terra de Sarney foi trazida a Floripa só para a perigosa missão de meter o reitor num uniforme laranja de presidiário? Ele foi algemado nos pés e mãos por agentes mascarados.

Pior: nu, Cao foi submetido a uma revista anal. A conferir se Geddel, Sérgio Cabral ou Eduardo Cunha passaram por tamanha humilhação.

Cancellier
Uma explicação plausível é que o pessoal não ia vir de tão longe para pouco. Como a PF estava proibida de apresentá-lo à imprensa, como muitas vezes faz, descontaram nele com a revista.

Pouca gente defendeu Cao nos 18 dias entre a prisão e a morte – a maioria esperando para ver as cartas na manga da Polícia Federal.

Lula deu o maior apoio

Com ele suicidado, choveram manifestações de apoio e passou de vítima a mártir.

O procurador-geral do Estado, João dos Passos Martins, divulgou uma nota de confronto, exigindo investigação. A posição foi entendida por muitos como pessoal, embora assinada pela instituição, já que os dois eram amigos desde a juventude, focas no mesmo jornal.

Em menos de 12 horas a morte ecoou pelo Brasil. Até o ex-presidente Lula saiu em defesa de Cao, aproveitando para cravar que vivemos os tempos difíceis da Lava Jato – ele sabe bem.

Logo que se estabeleceu o link com a Lava Jato pela presença da delegada Érika, e ela usando os mesmos métodos de Dallagnol, os defensores de Cao partiram para o ataque, como se o caso dele fosse o primeiro.

Outra ironia do caso: ele não tinha o perfil preferido das vítimas dos procuradores e delegados da cruzada nacional contra corrupção. Era um homem limpo, discreto, manso e, acima de tudo, bem mais à direita do que os alvos do pessoal.

Com sua imagem de conciliador e de fazer acordos com todo mundo, era muito criticado pela estudantada vermelha. Só chegou a reitor com o voto de funcionários e professores, cujo peso foi maior do que o dos alunos.

Cao fez carreira meteórica na UFSC, em 12 anos chegou a reitor. Ele formou sua chapa à reitoria em 2015, com o apoio da direita, para varrer a influência de PT, PSOL e PSTU no comando da universidade – decisão certa, já que eram os últimos dias do governo Dilma.

Ele foi nomeado ainda pelo ministro de Educação dilmista, Aloysio Mercadante, mas tomou uma baita vaia dos jovens. Paciente, aguentou calado e até garantiu voz aos adversários na cerimônia.

Cao ficou em cima do muro nos últimos dias de Dilma, à espera de Temer. Logo começou a se entender com o atual ministro, Mendonça Filho, alinhando-se aos novos tempos. Era pró parcerias com a iniciativa privada – mesma coisa que chamar o capeta no ambiente radicalizado do ensino público.

Para dizer a que lado do planeta Cao parecia agradar mais, aqui vai um indicador: quando estudantes picharam o muro da facu com alusões aos 80 milhões, quem saiu em defesa do reitor foram os saradões do MBL.

No fim, perderam todos: o desmonte do programa EAD pelo governo Temer se dá pelo corte de verbas. Ocorre que mesmo com bons resultados (só a UFSC formou 3 mil desde 2008), o programa está condenado por ter nascido no hoje amaldiçoado governo Lula.

“Provas robustas” e fajutas

A paulada da PF no reitor deve deixar o EAD mais raquítico ainda – impossível saber se a busca de um problema policial no programa educacional veio antes ou depois da raquitização, ou se é sua pá de cal.

O que já se sabe com certeza é que a PF nunca teve e não tem contra o reitor as “robustas provas nos autos”, como fez acreditar de início.

Se elas não existem, muito menos podem ter como base “gravações e documentos” implicando Cao na suposta tentativa de impedir investigações da corregedoria da UFSC, depois ampliadas pela CGU e pelo TCU.

A menção a estes dois órgãos na denúncia da PF deixa mais confiantes os repórteres que vão reproduzir as acusações. Dá mais credibilidade, afinal, os dois são reconhecidos bastiões da moralidade pública.

O truque da PF para ralar um alvo como Cao é simples.

O pessoal que acusa convoca a imprensa e anuncia os nomes dos suspeitos, oferecendo alguns números. Em seguida, mostra que o MPF concordou com as investigações iniciais e promete desvendar o caso – em geral, ainda não sabe direito o que aconteceu. A Justiça fornece um juiz que concorda em prender os suspeitos e deixá-los à mercê dos delegados e procuradores.

Aula de fofocas

Quando foi a vez de Cao, tudo o que a PF tinha como prova contra ele eram duas delações – ou, no popular, deduragem.

Uma foi do corregedor da UFSC, Rodolfo Hickel do Prado.

Para justificar a sua, ele se queixou à delegada que o reitor lhe retirou uma gratificação de mil reais mensais. Seria represália por ele, corregedor, não revelar dados da investigação que fazia no EAD ao reitor.

A outra foi da professora Taisa Dias. É pífia. Não passa de dois parágrafos curtos. Ela teve um bate boca com Cao e se sentiu ameaçada – quem conhecia bem o homem jura que ela ficou falando sozinha já no primeiro parágrafo.

Mas, seja como for, as duas fofocas tiveram o condão de jogar Cao na cadeia e do alto do shopping.

O depoimento da professora vale tanto como a lufada de ar que acaba de passar pela janela.

O depoimento do corregedor vale no máximo os mil reais que ele resmunga ter direito.

O crime de obstaculização parece ser a pedalada fiscal de Cao.

Vejamos: a demissão do corregedor e sua imediata recontratação, numa reclassificação que incluiu quase 100 servidores no pacote, é que resultou na perda de gratificação, para todos.

Frete para lugar nenhum

No fim, Cao foi para a tribunal da opinião pública como chefe de um desvio de 80 milhões. Na verdade, investigava-se se alguns professores ou servidores, e não o reitor, dividiram uns caraminguás por fora, ou se o frete de um ônibus foi o mais caro do que o de uma van.

Não há nada nos autos que justifique sequer o custo da operação policial contra a “orcrim” (os delegados adoram esta abreviação para organização criminosa).

O corregedor Rodolfo Hickel do Prado
Só para trazer agentes de todo canto do país, metodologia da PF, gastou-se mais do que com os fretes supostamente superfaturados dos estudantes do EAD.

Numa frase: a PF usou um tiro de canhão para matar uma formiga.

Vapt vupt os 80 milhões (lembre-se, mais do que as malas e caixas do Geddel) encheram os olhos e as manchetes da mídia. Um reitor em algemas e a história virou um must, todo dia realimentada.

Nos 18 dias de seu calvário, Cao parecia o gaiteiro de bailão que durante uma briga generalizada leva uma cadeirada na cabeça: veio desabando, enquanto tentava assimilar o cadeiraço.

Tirado de casa e jogado na prisão, tirado da UFSC e jogado às feras no ringue da opinião pública, ele desabou de vez: se refugiou num psiquiatra e nos remédios de tarja preta.

O lado Cao jornalista tentou se defender na mídia amiga. Deu entrevistas para ex-colegas do jornalismo e até escreveu para o jornal O Globo. Mas era só seu “jus sperneandi”, como os advogados dizem daqueles que esperneiam até morrer.

O fogo da mídia foi incessante e ele sabia que jamais reverteria o estrago.

Na quarta-feira da última semana de sua vida, ele almoçou com dois de seus melhores amigos, Wedekin e o médico Ricardo Baratieri.

Os amigos perceberam que ele oscilava entre a confiança em reverter as acusações de que fizera ouvidos moucos às denúncias de corrupção, e o mais completo desânimo.

Na quinta, teve uma pequena vitória na Justiça. Obteve o direito de entrar na UFSC por três horas, para participar de trabalhos com estudantes – nada pior do que sentir o gostinho e ter que sair escorraçado.

Na sexta ainda foi ao advogado pagar a primeira de quatro prestações de sua defesa.

No mesmo recebeu ligação de um fotógrafo, amigo dos tempos do jornalismo. Queixou-se: “Nunca senti tanta dor na vida”. O amigo conta que chorou ao ouvir o tom de voz do reitor.

Para outro amigo, queixava-se da vergonha que sentia. Da humilhação de “ser inocente” e o dramático “não poder provar”.

Sandálias da humildade

Reclamou das delações, mas não falou em revanche.

Lembrou que ele mesmo tinha votado no corregedor para aquele cargo. Pedia pro pessoal esquecer e aguardar sua defesa.

Estóico, recusava-se a criticar os colegas que o imolaram, ficando no limite de negar as acusações, dando uma lição de humildade.

Para um professor de engenharia que foi ao enterro ele dissera que “doeu” e que “não adiantava lutar”.

O certo é que Cao ia ficar sangrando em praça pública enquanto a PF cozinhasse a orcrim em banho maria – lembremos que a última grande operação federal em Floripa, um baita crime ambiental, levou mais de 10 anos pra dar em pizza.

Qualquer um desanimaria, né?

Seu último gesto parece ter sido decisão só dele, a ninguém comunicada.

Na segunda, sozinho, caminhou até a praça pra esperar o shopping abrir.

Uma vez com a decisão tomada, o fim foi rápido.

Cao pulou do piso Campeche, para entrar de vez na história de Floripa.

Renan Antunes de Oliveira, em Florianópólis (SC)
No DCM

Veja também: Homenagem da UFSC ao Reitor Cancellier
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Homenagem da UFSC ao Reitor Cancellier

 Imperdível — 
assista ao pronunciamento do Des. Lédio Rosa de Andrade 

Fascistas são assassinos


Recomendo que assistam ao vídeo da Sessão Solene Fúnebre do Conselho Universitário da UFSC com o corpo presente do Reitor Luis Carlos Cancellier. É emocionante e parece que o combate ao fascismo começará por Santa Catarina.

Sessão na íntegra:



Marcos Videira
No GGN



Pronunciamento do senador Nélson Wedekin

Luiz Carlos Cancellier de Olivo, o Cao, está morto.

Nas estatísticas oficiais a morte de Cao será contada como suicídio.

Mas ninguém se iluda. Mãos visíveis algumas, que podem ser identificadas sem que seja necessário levar ninguém à prisão, e mãos invisíveis, muitas mãos invisíveis, o empurraram das alturas, de modo que os seus ossos se quebrassem, o sangue jorrasse na hemorragia incontrolável, e a vida se extinguisse rapidamente no choque terrível. Instantes depois do baque surdo, o coração cheio de bondade, de tolerância, de respeito ao próximo, parou de bater.

Que mãos eram essas? Mãos de quem talvez saiba o que é vingança, mas sabe pouco do que seja justiça. Mãos de quem só têm a si mesmo como honestos e virtuosos, senhores do bem e do mal, da reputação de quem mal conhecem e que não têm curiosidade de conhecer. Mãos de quem, tendo o poder de prender, ignoram a gravidade do delito suposto, e para quem tanto faz ter o cidadão ficha limpa ou antecedentes criminais. Mãos de quem, sendo ciosos da imagem de suas respectivas instituições, desprezam, entretanto, a imagem das demais, como deuses de um alcorão, uma bíblia fundamentalista.

Mãos de quem, tendo o poder de prender sem flagrante, e de começar uma investigação pela coerção, constrangimento e prisão dos suspeitos, não chegam a perceber que o método rústico revela a incapacidade de cumprir seus deveres e obrigações com inteligência, método e moderação.

Mãos de quem, ciosos de seu poder e autoridade, ao invés de exercê-los com critério, partindo do pressuposto inalienável de que o cidadão pode ser culpado, pode ter só parte de culpa, ou nenhuma culpa, pensando que seu juízo e sua intuição são infalíveis, só têm olhos para as evidências que confirmem as suas suspeitas.

Mãos de quem, ainda ontem frequentavam os bancos da faculdade, mas para quem a presunção da inocência – pináculo do estado de Direito, pilar da democracia, conquista da civilização – é um inútil ornamento da lei.

Mãos de quem não abrigam em seus corações nenhum sinal de bondade, de compreensão pelo outro, e em suas cabeças nenhum raciocínio a respeito da proporção dos seus atos, nenhuma projeção dos seus efeitos e suas consequências, para o ser humano, a instituição, a comunidade.

Mãos de quem em nada parecem saber que a prisão é, em toda circunstância, a não ser nas ditaduras, desonrosa. Em nada parecem saber que abate, constrange e humilha, aprisionar, examinar alguém em corpo nu, vesti-lo em roupa de prisioneiro, e que tudo isso adentra pelo terreno da barbárie, ainda mais quando se faz sem flagrante, sem a sentença, antes mesmo de ser réu.

Mãos de quem se aproveitam de uma época inglória e insana, de uma sociedade exaurida pelos escândalos públicos, e que em boa parte, têm espuma e sangue nos lábios, e para quem tudo é joio, e trigo só eles são, tendo na ponta da língua os chavões da época, de condenação geral aos bandidos de verdade, mas levando juntos os que passaram perto e os inocentes que têm o azar de atravessar o caminho.

Um pouco de humildade, um pouco de humanidade não lhes faria mal. Não conheço nenhum desses agentes da lei, e não desejo conhecê-los, porque tenho medo deles. Que autoridades são essas que ao invés de proteger nos causam medo e terror? Quem são eles, assim destituídos de humanidade e razão? É preciso agir com a mão assim pesada, com tal crueldade, com tal virulência e desumanidade?

Não se passa o país a limpo assim, senhores e senhoras. Digo de novo o que já escrevi: os senhores, as senhoras, estão jogando o bebê fora junto com a água do banho.

Mãos não só de autoridades, mas de uma imprensa que primeiro atira e só depois pergunta quem vem lá, quando e se pergunta. Uma imprensa que toma como verdadeira, em princípio, a palavra da autoridade, não mediada, não contextualiza. De blogueiros, ativistas e pessoas “comuns” que, raivosos, expelem argumentos chulos, pensamentos prontos, clichês preconceituosos, manifestações de atraso e ignorância, e de ódio, muito ódio nas redes sociais. Mãos de quem confunde moral com moralismo de baixo custo, que a todos rotula, por método, costume e um certo prazer sádico.

Cancellier almoçou lá em casa há menos de uma semana. Com o filho Mikhail, Ricardo Baratieri, Arlete e Nara Micaela. Ao final, nós estávamos reconfortados. Cancellier nos pareceu lúcido, fazendo um esforço genuíno para compreender que tinha sido vítima de uma dessas armadilhas do destino, uma coincidência infeliz. Ele parecia razoavelmente recuperado do golpe sofrido.

Um turbilhão que tudo arrasta, um vendaval que se solta, uma cilada da vida: assim pareceu Cancellier encarar o seu drama pessoal. Ele aparentava uma calma estranha, uma misteriosa resignação. Quando soube de sua morte ontem, compreendi imediatamente: ele já havia engendrado o seu destino, fingiu serenidade, para que ninguém quisesse interromper o plano que já tinha traçado. Alguém já disse que não há pior vergonha do que a de não ter feito o que lhe imputam. Muito pior que a desonra, é o sentimento de quem não a merece.

Podem ficar tranquilos todos e cada um dos mais de cem agentes públicos e autoridades do Estado que, de alguma forma contribuíram para desenlace trágico, dando ou cumprindo ordens, assinando as portarias, os despachos, cumprindo as frias formalidades da “lei”, que este homem singular, Cancellier, que não cultivou em vida a raiva, a mágoa, o ressentimento, também não os levará para a eternidade.

Conduziram-no ao camburão, abriram as portas do cárcere um homem que não queria mal a ninguém, que não fazia mal a ninguém. Um homem de coração generoso e aberto, um democrata na teoria e mais ainda na prática, um homem de diálogo e conciliação, um campeão da harmonia e da paz. Ah, Cancellier, como você, querido amigo e querido irmão fará falta, ainda mais nesta terra brasileira nunca tão dilacerada pela dissensão e a intolerância, apequenada nos conflitos políticos de uma República abastardada, no facilitário do ódio, na insensatez arrogante de muitas das suas elites.

Como fará falta sua voz calma e pacificadora, em busca da palavra certa em favor do diálogo e do entendimento, na instituição que você respeitou, protegeu e amou mais do que qualquer outro, a quem você emprestou o seu talento e capacidade de trabalho, esta Universidade Federal de Santa Catarina, o palco involuntário de uma tragédia que marcará para sempre e indelevelmente a sua história.

Abraço caloroso, Mikhail, Júlio, Acioly, Cristiane, familiares, amigos. Choremos o passamento de Cao Cancellier e sigamos o seu exemplo, de uma vida dedicada ao bem, à justiça, à liberdade e à paz entre os homens. Descanse Cao em algum lugar, na dimensão possível. E rezemos para que esta tragédia que nos causa tamanho torpor, tal comoção, que nos fere tão fundo na alma, de alguma maneira seja uma lição que nos afaste da barbárie, nos contagie com um pouco de fraterna humanidade, nos dê força para enfrentar esta provação.

Abraço sentido e caloroso, reitora Alacoque, pró-reitores, diretores, servidores e alunos. Universidade, sem bem interpreto o pensamento do amigo e irmão que se foi de forma tão despropositada, é lugar onde se privilegia o conhecimento e o saber, a extensão e pesquisa. É o lugar dos crentes e dos ateus, dos socialistas e dos liberais, da direita e da esquerda, dos negros, indígenas e brancos, dos pobres e dos ricos, das mulheres e dos homens, dos hétero e dos homossexuais. Aqui se encontram, convivem e aprendem para a vida e a cidadania, todas as tribos da comunidade nacional e planetária.

Todos os que se acham superiores moralmente, politicamente, esqueçam. Somos todos iguais ou parecidos em defeitos e qualidades. Experimentem, como o Cao fazia o tempo todo, calçar de vez em quando as sandálias da humildade. A Universidade não é o lugar apropriado para a guerrilha política, para o “nós” contra “eles”. Aqui podem e até devem se bater as facções, as narrativas históricas, mas ninguém é dono do futuro e só uma busca é possível e legítima: a de uma sociedade próspera, justa, livre e fraterna. Universidade rima com verdade e liberdade.”





Pronunciamento do desembargador Lédio Rosa de Andrade





Entrevista: Luiz Carlos Cancellier, reitor da UFSC

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Parecer da Receita não mostra irregularidade em apartamento ocupado por Lula

Documento da Receita Federal mostra que as "movimentações suspeitas" na conta de Glaucos da Costamarques vieram, em parte, de empréstimos milionários de seus filhos. Já sobre as compras do apartamento em São Bernardo do Campo e do imóvel para o IL, o relatório é inconclusivo


Um documento da Receita Federal que está em posse dos procuradores de Curitiba desde o final de 2016 possivelmente explica a motivação de Glaucos da Costamarques para mudar seu depoimento sobre a compra de um imóvel ofertado ao Instituto Lula e de um apartamento vizinho ao do ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP). 

Mais do que isso: o parecer da Receita - só vazado à imprensa agora - é, afinal, inconclusivo sobre as duas operações, ou seja, não detectou irregularidades na compra dos imóveis, jogando a missão no colo da Lava Jato. 

À Polícia Federal, Glaucos havia negado irregularidade nas duas operações. No mês passado, porém, decidiu mudar o discurso e afirmar, diante de Sergio Moro, que não recebeu o aluguel do imóvel ocupado pela família de Lula entre 2011 e 2015. O depoimento - um trunfo da Lava Jato na reta final do processo - ocorreu às vésperas do encontro entre Lula e Moro, e acabou sendo contrariado, há alguns dias, quando a defesa do petista apresentou os recibos dos pagamentos.

Desde então, a Lava Jato tem abastecido a imprensa com documentos e informações que tentam desqualificar os recibos revelados pelos advogados de Lula.

É nesse contexto que o Estadão usou o relatório da Receita para manchetar, nesta quinta (4), que há "movimentação suspeita em contas de laranja de Lula". O título leva o leitor a crer que a Receita tem provas de que Glaucos pode ter sido usado por Lula para lavar recursos recebidos indevidamente da Odebrecht.

Mas quem se prestou a ler as 32 páginas do relatório descobriu que parte das movimentações financeiras estranhas de Glaucos está relacionada a empréstimos milionários que ele recebeu de seus filhos, ano a ano.

Em 2010, foram R$ 480 mil de Gustavo da Costamarques e mais R$ 1,189 milhão de Fernando. Em 2011, o pai recebeu mais um total de R$ 3,1 milhões dos dois filhos. Em 2012, mais R$ 3,6 milhões. 

Para a Receita, alguns anos foram especialmente atípicos porque, aparentemente, recursos entraram e saíram das contas de Glaucos sem clareza. Mas em nenhum momento o relatório diz quem são os agentes implicados nessas movimentações.

"(...) há razoável suspeita de que em alguns anos (especialmente 2010, 2011 e 2013), além da possibilidade de sonegação de receitas, as contas bancárias de Glaucos da Costamarques podem ter sido utilizadas apenas como interposição para passagem de expressivos valores de terceiros."

A Glaucos, a Receita solicitou informações a respeito de alguns créditos de origem obscura. Dois deles somam R$ 435 mil e foram identificados como provenientes de um de seus filhos. O terceiro, de R$ 420, ainda precisava ser apurado.

Já em relação à aquisição do imóvel em São Paulo e do apartamento 121, no mesmo prédio onde Lula reside há mais de 2 décadas, o relatório da Receita é inconclusivo: diz que a Lava Jato precisava "aprofundar" as investigações, sem apontar irregularidades.

SOBRE O IMÓVEL PARA O INSTITUTO LULA

A Receita Federal - que usa a denúncia da Lava Jato para nortear o relatório - apontou que, de fato, Glaucos recebeu R$ 800 mil pela compra e revenda para a DAG de um imóvel em São Paulo que foi recusado pelo Instituto Lula. E deixou a cargo dos investigadores o aprofundamento da apuração. 

"(...) tal ganho de R$ 800 mil, sobre uma suposta 'cessão de direitos' que teriam sido adquiridos junto à 'ASA' (antiga proprietária) sem custo algum, tudo no mesmo ano de 2010, tem de ser melhor esclarecida pela investigação", diz o documento.

A força-tarefa acredita que a Odebrecht repassou o recurso usado pela DAG na operação.

APARTAMENTO 121, EM SBC

A análise da Receita sobre o comprador, o vendedor e a corretora imobiliária que intermediou a venda do apartamento 121, em São Bernardo, mostra que tudo ocorreu sem nenhum tipo de ressalva.

Também confirma que Glaucos declarou à Receita a renda com o aluguel, de 2011 a 2015. Hoje, ele diz que essa declaração foi uma fraude. 

A versão corrobora o depoimento prestado a Moro, no sentido de afirmar que Lula não pagava o aluguel porque era, conforme acredita a Lava Jato, o proprietário oculto do imóvel.

Glaucos disse que fez a compra do apartamento por R$ 504 mil, a pedido de José Carlos Bumlai, que não tinha recursos para fazê-lo. A análise da Receita mostrou que Glaucos ajudou o primo distante com um empréstimo de R$ 450 mil, em 2011.

Após os recibos do aluguel assinados por Glaucos vir à tona, o réu e delator informal passou a alegar que assinou todos os comprovantes referentes ao ano de 2015 numa tacada só. Ele não rebateu a procedência dos papéis relativos aos anos de 2011, 2012, 2013 e 2014.

Desde então, ele só conversou com a reportagem do Estadão. Na ocasião, se recusou a explicar a origem dos recibos por orientação de seu advogado. Apenas reafirmou que o que ele havia dito a Moro, contra Lula, era a "verdade".


Cíntia Alves
No GGN
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Quem é o brasileiro que quer Lula preso?

Uma questão de metodologia de amostragem da pesquisa Datafolha pode explicar o paradoxo da maioria dos brasileiros querer, ao mesmo tempo, Lula presidente e Lula preso.


O paradoxo Lula

O jornal Folha de São Paulo nas edições de 01 e 02 de outubro de 2017 trazia um paradoxo. A maioria dos brasileiros quer Lula presidente, a maioria dos brasileiros quer Lula preso.

Na edição da Folha de São Paulo da segunda-feira – 02 de outubro de 2017 – parecia ter sido planejada para criar um anticlímax nas hostes petista. Logo após a edição do domingo anterior, quando noticiou que Lula ganharia as eleições de 2018 qualquer que fosse seu adversário – inclusive o juiz Sergio Moro, o jornal trazia a manchete: “maioria no país quer Lula preso”.

A manchete forçava um pouco a barra – uma maioria de 54% precisa ser relativizada quando uma “grande minoria” de 40% tem opinião contrária. Na verdade, a relativização estava lá – mas era preciso ler o texto.

A informação indiscutível – 89% da população querem a investigação de Michel Temer, o presidente de facto do Brasil, passou desapercebida.

Estava estabelecido o paradoxo. Apesar da impertinência da questão – a prisão de uma pessoa não é decidida em uma enquete de opinião pública – e da forma como foi apresentada, em manchete de jornal, pudesse, inclusive, ser considerada até uma forma de pressionar indevidamente o Judiciário.

Como era possível ao, mesmo tempo, o povo desejar Lula presidente e Lula preso?

Mas talvez não haja paradoxo algum.

Ocorre que, para entender isso, é preciso examinar o perfil da amostra das pesquisas do Datafolha. Foram realizadas duas pesquisas simultâneas: uma de intenção de voto – que virtualmente elegia Lula – e outra sobre ”temas políticos” que trazia a questão: “considerando o que foi revelado pela Operação Lava-Jato e seus desdobramentos até o momento, na sua opinião, Lula deveria ou não ser preso?”.

Vejamos o perfil da amostra.

Quem é o brasileiro que quer Lula preso?

No que diz respeito às distribuições por gênero, idade e população por região do Brasil, a amostragem da pesquisa seguiu escrupulosamente o Censo IBGE de 2010.

Quanto à distribuição por renda familiar, é bem mais difícil de se comparar contra dados oficiais, mas parecia bastante coerente – a maioria 82% com renda até 5 salários mínimos – 47% até 2 salários mínimos.

Havia uma discrepância clara no que se referia à formação étnica da amostra – com menos brancos e mais pretos, indígenas e orientais – além outras denominações – do que identificado no Censo 2010. Era uma amostra que privilegiava as minorias em detrimento da representação dos brancos – perto de 48% pelo Censo IBGE de 2010 e 34% na pesquisa Datafolha. Em relação aos pardos, não havia distorção maior – eram a maioria com 42% na pesquisa e 43,4% no Censo 2010.

Porém, como os resultados não foram estratificados por etnia, não é possível determinar-se qual influência sua distribuição pode ter exercido. Talvez acabe sendo mesmo apenas uma curiosidade.

O brasileiro superior

O que chamava a atenção era a estratificação por grau de instrução. O perfil da amostra parecia inicialmente ser mais escolarizado do que seria de se esperar – 20% com curso superior, 46% com o nível médio e 34% com grau de ensino fundamental.

datafolha set17 -3

Em outras palavras, 66% da amostra possuía grau de instrução médio ou superior.

O ”Portal Brasil em Síntese” do IBGE traz dados sobre o grau de instrução da população brasileira colhidos nas PNAD – pesquisa nacional por amostra de domicílios. Os dados, porém, são estratificados por anos de estudo e não por grau – fundamental, médio e superior.

É possível, no entanto, fazer-se uma aproximação.

IBGE 1

Por ela, em extremo, a população com instrução de nível médio e superior ficaria em 44%.

O que não significa, de modo algum, que a pesquisa Datafolha contenha qualquer tipo de manipulação ou incorreção dos dados, deixemos claro. Como tem apenas três estratos – fundamental, médio e superior, a diferença com os dos do IBGE pode ter surgido da forma como o Datafolha alocou as respostas relativas a médio e superior incompletos.

Há ainda um estrato que está presente na pesquisa Datafolha e está ausente nos dados do IBGE Brasil em Síntese – a escolaridade da faixa da população entre 16 e 24 anos. Mas essa faixa, até pela pouca idade, não iria aumentar os índices de educação de nível médio e, principalmente, a de nível superior da amostra. Provavelmente ao contrário.

Mesmo assim, pode haver uma diferença de 22 pontos percentuais entre a amostra do Datafolha e o levantamento da PNAD 2015. E 22 pontos percentuais são uma diferença considerável.

Lula preso

Basta ver como responderam os mais instruídos?

69% dos que têm instrução superior e 61% dos que têm nível médio querem Lula preso. O índice cai para 37% entre dos de instrução fundamental.

datafolha set17 -1

A amostragem do Datafolha privilegiaria a opinião dos estratos mais educados da população, em detrimento dos de menor grau de instrução. Daí o Lula preso estar em maioria.

Lula presidente

E por que, aparentemente, a distorção na representatividade por grau de instrução não afeta a eleição de Lula?

Por vários fatores combinados:

1 – existe algo em torno de 30% de eleitores com nível de instrução médio e superior que votam em Lula e, por óbvio, não o querem preso.

2 – os votos dos eleitores de instrução de nível médio e superior que não votam em Lula, e que por consequência o quereriam preso, se dividem entre os seus adversários, enquanto os votos dos de instrução fundamental se concentram em Lula.

3 – os eleitores de nível superior demostram um alto grau de rejeição a todos os candidatos – 24% votariam branco ou nulo – mas isso não leva a uma mudança de opinião quanto continuarem querendo que Lula seja preso.

datafolha set17 -2

Não há paradoxo algum

Conclusão, caso o estrato da população com grau de instrução fundamental esteja realente subrepresentado na pesquisa Datafolha, a afirmação de que “maioria no país quer Lula presopoderia não ser tão majoritária assim.

A opinião pública continuaria dividida, de uma forma ou de outra, mas com uma maior representação do estrato menos instruído, mais próxima da do IBGE, talvez a maioria se invertesse a favor da não prisão de Lula.

O que seria coerente com a eleição de um presidente com alto índice de rejeição, mas enfrentado adversários igualmente tão ou mais rejeitados. Uma eleição que teria também altos índices de votos brancos e nulos. Como, aliás, a pesquisa Datafolha de intenção de votos mostra.

Por fim, parafraseando Joãozinho Trinta: parece que quem quer Lula preso é intelectual, o povo quer mesmo é Lula presidente.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia
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100 años de Violeta Parra


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Conversas com Che

Sempre que vem chegando o nove de outubro eu convoco el Che para uma charla. Ele vem. Chega mansinho e se boleta no meu alpendre, nas cálidas noites desse mês de primavera. Então, cevando um bom mate, vamos falando sobre as coisas do mundo. Conto tudo o que se passou desde a última conversa, falos dos ataques do império. Ele cospe no chão e pragueja em argentino.

Esse ano cumprirão 50 anos do seu assassinato em La Higuera, Bolívia. A gente sempre fala disso. Da tristeza do nunca mais, da interrupção dos planos e sonhos. Mas, também falamos dos avanços dos trabalhadores e dos revolucionários de todo o mundo. Ele gosta de saber que a Bolívia hoje é um estado plurinacional, e que os indígenas tem constituído um poder capaz de fazer avançar suas demandas.

Ele lembra bem do dia em que morreu. Executado por um soldado boliviano que sequer sabia muito bem quem era o homem que matava. Lembra do tremor da mão do garoto, dos olhos perplexos, lembra de ter sentido um queimor e, depois, o silêncio.

O corpo do jovem guerrilheiro argentino, que ajudou na vitória cubana e nas lutas africanas por libertação, virou poeira cósmica, energia. Mas suas ideias seguem reverberando tanto tempo depois. Os homens da CIA que decretaram sua morte, cortaram suas mãos e desapareceram com o corpo. Como se isso pudesse fazer desaparecer toda uma proposta de um novo tipo de ser humano, ético e solidário, capaz de se comprometer com cada irmão caído.

Aqui, no alpendre, entre um mate e outro, vamos relembrando tudo o que já se passou no mundo desde que ele se foi. E o quanto sua figura e seu ideário ainda evoca libertação, paixão, amor pela vida.

Ele olha pra mim e sorri. "Não há silêncio". Sim, comandante. Não há. As gentes empobrecidas e exploradas pelo capital seguem resistindo e clamando por um tempo novo. Novas lutas, novas propostas, novas práticas.

Nessa semana de lembranças de sua caída, milhares de pessoas no mundo estarão lembrando, estudando, conhecendo, construindo projetos, lutando. "Ainda goteja a fonte do crime", grita Mahmoud Darwish, o poeta palestino. E acrescente: "Rebelem-se". É o que seguimos fazendo, até que chegue o grande meio-dia.

No amargo do mate, que ronca uma última vez, a lição mais profunda: "Há que estudar, estudar e estudar. Há que ser perfeito. Há que se mover por grandes sentimentos de amor".

Vamos tentando, comandante. Vamos tentando.

Elaine Tavares



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Entrevista com a historiadora e professora da Universidade Federal Fluminense, Virgínia Fontes




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Senado x STF. Quando não se faz o certo, na hora certa, tudo vira errado


O adiamento da votação no Senado  sobre a decisão do STF que afastou Aécio Neves e o colocou sobre prisão domiciliar noturna é uma tentativa patética de emendar o mau soneto que é o comportamento do Judiciário e um retrato vergonhoso do que se tornou o parlamento brasileiro.

Diz-se que é uma solução para evitar o conflito entre os poderes, mas é de fato a preparação de mais um degrau da desmoralização de ambos, uma vez que o terceiro, o Executivo, não parece ter mais degraus a descer com os 3% de avaliação positiva de Michel Temer.

Porque, como escrevia Cecília Meirelles, é isto ou aquilo.

Ou se fez um acordo para o Supremo – como já fez no caso Renan Calheiros – recuar de suas decisões e, assim, admitir que ela foi errada ou, ao mantê-la, obrigar o Senado a referendá-la, vergar-se à abolição, na prática, do que diz a Constituição, no seu artigo 53: ”os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável”.

Porque só alguém muito cínico pode dizer que afastamento do mandato e “recolhimento domiciliar noturno” não são, na prática, cassação do mandato e prisão.

Aécio Neves foi flagrado combinando uma entrega de dinheiro, referindo-se jocosamente à possibilidade de um assassinato e seu primo igualmente flagrado pegando as malas geddélicas.

Mas como Aécio é tucano, a coisa ficou barata, embora menos que o “ficou de graça” da quase dezenas de inquéritos a que ele responde por estas e muitas outras estrepolias.

Mas, então, quatro meses depois do que era flagrante, deu-se o rompante que não houve quando, numa manobra evidente, regida por um presidente da Câmara cujo afastamento havia sido pedido quatro meses antes o afastamento, quando foi ao Supremo o pedido de suspender o processo de impeachment.

Claro, Dilma Rousseff não era tucana.

Agora, estamos fadados, com o perdão da expressão, a termos o STF ou o Senado “esculhambados” em sua autoridade e independência.

É mais provável, dada a repugnância que a figura de Aécio desperta, agora que se tornou peça inservível à direita, é que saia o Senado de rabo entre as pernas e a ditadura do Judiciário avance mais um passo.

Porque agora temos um poder, não eleito, que não apenas não precisa estar adstrito à lei, mas pode fazer o que quer, como quiser, na hora em que quiser.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Programa Pensamento Crítico - Racismo e Capitalismo


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Ministério Público deu aval à condenação de blogueira que chamou Lula de "ladrão"


O Ministério Público que atua junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo havia se manifestado a favor de derrubar uma decisão de primeiro grau que absolveu a blogueira Joice Hasselmann dos crimes contra a honra e injúria em relação a Lula. Ela foi alvo de queixa-crime após publicar um vídeo chamando o ex-presidente de "ladrão" e "corrupto".

A manifestação favorável do MP foi ignorada pela juíza Maria Fernanda Belli, relatora do recurso de Lula e presidente da 2ª Turma Recursal Criminal do Colégio Recursal Central da Capital.

A magistrada anotou que "o Ministério Público atuante nesta instância pugnou pelo provimento do recurso, destacando que os comentários, de fato, superaram o direito de informar, esclarecendo que há indícios de prática criminosa, que autorizam o recebimento da queixa crime."

Mas, no entendimento da juíza, Joice tinha o direito de chamar Lula de ladrão e corrupto porque isso expressa a indignação da sociedade face às investigações da Operação Lava Jato, que teriam levantado "fortes indícios" de corrupção praticada pelo ex-presidente.

"É evidente que as investigações envolvendo o querelante, embora não sejam objeto desta ação, dela não estão totalmente divorciadas, justamente porque os comentários da apelada exprimem seus sentimentos de indignação e repulsa em relação a tais fatos, existindo fortes indícios da prática de crimes, sobretudo corrupção passiva e lavagem de dinheiro, não se olvidando que o apelante foi recentemente condenado."

"(...) a apelada pode exercer seu direito de crítica e de expressão, ainda que utilize expressões consideradas “ríspidas”, “ácidas” ou “mordazes”, sem que isso caracterize o crime contra a honra. Ao contrário, os comentários pungentes, categóricos apenas demonstram o intuito crítico da querelada, que externa seu inconformismo com os acontecimentos políticos", acrescentou.

A sentença em favor da blogueira foi proferida na segunda, 2 de outubro. Está em anexo.


No GGN
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Como vai funcionar a cláusula de barreira aprovada pelo Congresso

A partir de 2018, os partidos terão de receber uma porcentagem mínima de votos para terem representação na Câmara


O Senado aprovou na noite de terça-feira 3 uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que recria uma cláusula de barreira para os partidos político terem representação na Câmara dos Deputados. O texto foi aprovado de maneira unânime e expressa – em dois turnos realizados no mesmo dia, sem abstenções ou votos contrários. Este cenário foi fruto de um acordo entre as principais siglas para fazer a regra valer já para as eleições do ano que vem. O prazo para isso é 6 de outubro, um ano antes do pleito de 2018, cujo primeiro turno está marcado para 7 de outubro.

O objetivo da PEC é reduzir o número de agremiações no Parlamento, o que pode facilitar a formação de consensos, diminuindo os custos políticos para os presidentes da República conseguirem aprovar projetos. Cabe lembrar que muitos dos casos de corrupção descobertos nas duas últimas décadas tiveram como origem justamente a compra de votos e distribuição de cargos pelo Planalto na tentativa de fazer avançar projetos de lei e emendas constitucionais.

O texto foi aprovado em formato de PEC pois o Supremo Tribunal Federal (STF) havia derrubado, em 2006, uma cláusula de barreira criada por lei ordinária. Com a cláusula escrita na Constituição, não devem ocorrer recursos contra sua legalidade. A cláusula de barreira é a primeira medida de reforma política aprovada neste ano.

Na prática, o que o projeto de lei fará é restringir o acesso dos partidos a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV na propaganda eleitoral. As exigências do projeto são gradativas até 2030.

Só terá direito ao fundo e ao tempo de propaganda a partir de 2019 o partido que tiver recebido ao menos 1,5% dos votos válidos nas eleições de 2018 para a Câmara, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação (nove unidades), com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada uma delas. Se não conseguir cumprir esse parâmetro, o partido poderá ter acesso também se tiver elegido pelo menos nove deputados federais, distribuídos em um mínimo de nove unidades da federação.

Nas eleições seguintes, em 2022, a exigência será maior: terão acesso ao fundo e ao tempo de TV a partir de 2027 aqueles que receberem 2% dos votos válidos obtidos nacionalmente para deputado federal em um terço das unidades da federação, sendo um mínimo de 1% em cada uma delas; ou tiverem elegido pelo menos 11 deputados federais distribuídos em nove unidades.

Já a partir de 2027, o acesso dependerá de um desempenho ainda melhor: 2,5% dos votos válidos nas eleições de 2026, distribuídos em nove unidades da federação, com um mínimo de 1,5% de votos em cada uma delas. Alternativamente, poderá eleger um mínimo de 13 deputados em um terço das unidades.

Nas eleições de 2030, a cláusula de desempenho imposta a partir de 2031 sobe para um mínimo de 3% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação, com 2% dos votos válidos em cada uma delas. Se não conseguir cumprir esse requisito, a legenda poderá ter acesso também se tiver elegido pelo menos 15 deputados distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação.

No CartaCapital
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Por que o PiG esconde o cadáver do Reitor






Por que a mídia esconde a tragédia do reitor da UFSC? Porque é cúmplice de sua morte

Quanto tempo o Jornal Nacional desta terça, 3, dedicou à tragédia do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier?

Zero.

Repito: zero.

A repercussão do suicídio foi escondida na mídia. A razão é uma só: ela é cúmplice.

O estado policialesco em que vivemos é resultado de anos de doutrinação e emburrecimento iniciados com o mensalão e com a indignação coletiva que frutificou.

As capas canalhas da Veja, os jograis de William Bonner, o vômito de ódio de colunistas deseducaram e deram subsídio para milhares de cretinos que evoluíram para o fascismo sem medo de ser felizes.

Temos um juiz absoluta e desavergonhadamente parcial como heroi. No nosso novo normal, ele vai a premieres de filmes em que ele mesmo é protagonista e tudo bem. A cobertura é do Oscar.

Procuradores são convidados de honra de jantares de artistas da Globo. Bolsonaro fala em fuzilar organizadores de exposições. Deputados flagrados vendo pornografia em plenário querem espancar artistas “tarados”.

Desse caldo sai uma delegada, Érika Malik Marena, ex-Lava Jato, que submete um professor ao que ele chamou de “humilhação e vexame”.

“Você fica nu diante de uma série de pessoas. Você fica exposto. Fica numa condição de subjugação completa”, disse ele, num depoimento comovente.

Érika queria mantê-lo preso. Queixou-se da juíza que o liberou.

O ex-senador e advogado Nelson Wedekin fez um belo discurso na solenidade fúnebre do conselho da universidade em tributo a Cancellier.

Wedekin lembrou de “uma imprensa que primeiro atira e só depois pergunta quem vem lá, quando e se pergunta. Uma imprensa que toma como verdadeira, em princípio, a palavra da autoridade, não mediada, não contextualiza”.

Continuou: “De blogueiros, ativistas e pessoas ‘comuns’ que, raivosos, expelem argumentos chulos, pensamentos prontos, clichês preconceituosos, manifestações de atraso, ignorância, e ódio, muito ódio nas redes sociais Mãos de quem confunde moral com moralismo de baixo custo, que a todos rotula, por método, costume e um certo prazer sádico”.

Fomos da terra da impunidade ao paraíso dos justiceiros sem escalas.

Em Santa Catarina, o clima é de comoção. Mas esse sentimento deveria ser nacional. Deveria servir para um basta. Deveríamos estar na rua.

Mas não. Outros virão. Criaram uma sociedade doente. Como na brilhante tira de Laerte, amanhã a cadela do fascismo morderá a mão de quem a alimentou.

E então vai sair no Jornal Nacional, mas será tarde demais.


Kiko Nogueira
No DCM
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Caso de FHC com Miriam Dutra inspirou personagens no filme de Laís Bodansky


O premiado Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky, já recebeu inúmeras críticas, em geral muito positivas, mas nenhum jornalista enxergou no filme uma das inspirações da cineasta para compor a trama — que, de resto, trata da até aqui invencível herança brasileira do patriarcado.

É a história de Fernando Henrique Cardoso com Miriam Dutra, a jornalista da TV Globo que teve um filho cuja paternidade foi atribuída a ele.

“Essa história foi uma das inspirações sim. Passou por mim. Não só ela. Mas esta história ajudou a compor os personagens”, diz Laís, que também é autora do roteiro.

No filme, a mãe, uma socióloga de esquerda, decide contar à filha que, na verdade, o pai biológico dela é um homem com quem teve um caso em Cuba, e não o artista plástico que ela sempre viu como pai e a quem tanto ama.

Laís conta que, ao localizar esse ponto da história em Cuba, teve gente que pensou que a referência dela era José Dirceu, que viveu exilado na ilha. Sobre isso, Laís ri.  “Não foi Zé Dirceu”, afirma.

A mãe retratada pela cineasta paulistana é uma mulher atormentada por culpas que carrega e da quais, por comodismo ou conveniência, nunca quis se livrar.

Aí reside uma semelhança com Miriam Dutra, que eu conheci quando fiz a série de reportagens sobre o caso, revelado por ela mesma.

No filme, o pai biológico de Rosa, a filha da socióloga de esquerda, é um ministro brasileiro visto como pré-candidato a presidente nas eleições que se realizarão dois anos depois.

É uma referência a Fernando Henrique.

Na vida real, em 1993, Fernando Henrique era ministro de Itamar Franco, Miriam deixou a TV Globo em Brasília e foi para uma espécie de exílio em Portugal.

Ela tinha tido um filho e sua mudança para a Europa poupou Fernando Henrique Cardoso do constrangimento de ver revelado ao eleitor conservador brasileiro que o pai era ele.

No filme, o pai biológico de Rosa, interpretado por Herson Capri, diz a filha que não há necessidade de DNA. Rosa é mesmo filha dele.

Por ironia da vida (ou não), Herson Capri faz o papel de um personagem que tem muito do real Fernando Henrique numa história que é de ficção, depois que recusou o papel de Fernando Henrique no filme sobre o Plano Real, supostamente baseado em fatos.

Ele não diz, mas é possível interpretar sua recusa como uma decisão de evitar associar sua imagem a um filme que foi propaganda do PSDB — cuidado que Marcelo Serrado não teve ao mergulhar de cabeça no Sergio Moro de mentirinha, no filme sobre a Lava Jato.

Herson Capri preferiu seguir o caminho das sutilezas, tão bem trabalhadas no filme de Laís Bodanzky.

Na vida real, Fernando Henrique Cardoso, preso às estruturas do patriarcado, é bem diferente do que foi apresentado no filme sobre o Plano Real.

Nos dois primeiros volumes do seu “Diários da Presidência”, Fernando Henrique não cita Miriam Dutra.

Uma possível referência indireta está num relato sobre uma manhã do final de 1997, quando ele diz que estava tendo “problemas domésticos”.

Não diz que problemas são esses — “não vale a pena” -, mas conta que interferiu no seu humor. Era a época em que Miriam Dutra quis voltar para o Brasil e foi convencida pelos diretores da Globo, por ACM e o filho dele, Luís Eduardo, amigo de Miriam, de que deveria adiar seus planos.

Nas memórias, Fernando Henrique trata de aventuras amorosas até do filho, Paulo Henrique, mas não fala das suas. Muito diferente, por exemplo, de Getúlio Vargas, que, em seu diário, não esconde a amante que teve.

Na biografia de Roosevelt, sabe-se que o presidente dos Estados Unidos teve um caso com a prima.

A vida como ela é.

Fernando Henrique preferiu outro caminho.

Mas, ator da esfera pública, não escapou de alguns olhares, como o de Laís Bodansky, que viu nele inspiração para compor personagens, num filme sobre as estruturas patriarcais que aprisionam mulheres como a socióloga de esquerda mãe de Rosa e Miriam Dutra, mãe de Tomás.

Herson Capri, no papel de sociógo que pode virar presidente

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Jornalista da rede Globo mente descaradamente no programa Bem Estar


Após abandonar o espetáculo 'O Próximo Passo' do coreógrafo Ivaldo Bertazzo, o apresentador do Bem Viver da rede Globo, Fernando Rocha, cria em seu programa uma ficção movido por uma vingança pessoal. O Jornalista participava como cidadão dançante e fazia matérias para o programa de TV e decidiu abandonar o projeto após ser poupado em 3 minutos de uma das coreografias por estar com dificuldades, deixou os grupos de Whatsapp do projeto sem se despedir e levou ao ar uma matéria que gerou revolta nos participantes. Assistam:



Indignados com a postura do ex colega de grupo. 27 bailarinos amadores saíram em defesa da escola do Ivaldo Bertazzo e de seu método de trabalho. Entregaram uma carta ao departamento de jornalismo da TV Globo com o pedido de que fosse lida na integra pelo jornalista.

No programa desta segunda feira dia 02. Fernando foi obrigado a ler a carta, mas ele insistiu na mentira e encobre os fatos redigidos na carta. No vídeo feito pelos bailarinos mostra o próprio Fernando se contradizendo diversas vezes.

Esse fato pode ser pequeno, mas foi uma vitória de um grupo que não se calou perante o poder da Rede Globo e de seu jornalismo de factoides. O espetáculo o Próximo Passo estará em cartaz nesse fim de semana no Sesc Vila Mariana. O espetáculo é gratuito

Carlos Eduardo Maga
No Jornalistas Livres
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