1 de out. de 2017

A igreja da prosperidade e a mais-valia espiritual


J.A.F tem 32 anos e trabalha como diarista em casas alheias. Ela tem um único sonho, que persegue desde quando era bem pequena: ter a sua própria casa. “Quando era menina eu comecei um cofrinho de moedas. Dizia que era dali que sairia a casa que eu iria comprar para minha mãe e para mim. Hoje ainda tenho o cofrinho, e com ajuda de deus eu vou conseguir”. A mãe já morreu. Tuberculose. E J. embarcou numa profunda depressão. Foi nessa fase da vida que ela encontrou a igreja. “Eu tava passando e o pastor estava na porta. Ele me chamou e disse que ali eu encontraria a paz. Não sei como ele percebeu que eu estava muito mal”. Pois ela entrou e veio a paz. Depois de abraçar a fé ela melhorou da depressão, conseguiu voltar a trabalhar e já tem até um carro. “Eles lá disseram isso bem claro. Se a gente trabalhar bastante, a gente consegue chegar lá”.

Esse “chegar lá” é a ponta de lança da teologia da prosperidade, essa que carregou para o sagrado o que há de mais profano no mundo: o fetiche da mercadoria. Muitas igrejas realizam cultos específicos com o intuito de chamar a riqueza para os fiéis. Não é sem razão que crescem sem parar, arrebanhando cada vez mais gente. Num mundo marcado pela exploração, pelo individualismo e pela solidão, essas igrejas conseguem dar uma centralidade para almas em escombros, típicas do espírito do tempo.

Mas, o crescimento dos cultos pentecostais, geridos pela ideia de prosperidade, nada tem a ver com a religião. Eles estão muito mais ligados ao modo de produção capitalista, mantendo milhares de pessoas justamente na batalha pela prosperidade, girando a roda do capital. O mais importante é observar que, no mais das vezes, as pessoas realmente melhoram de vida, porque estão mais centradas, mais determinadas e incluídas em um grupo que as impele para frente. Nos cultos, quem é exorcizado é o diabo, o demônio, satanás, belzebu, como se fosse essa entidade mágica a responsável pelas dores e pelos fracassos. Então, o verdadeiro culpado pelo drama dos trabalhadores – o capitalismo – segue intocado, esquecido e apagado. Se é o demônio que se apossa da pessoa e a impede de prosperar, basta que a comunidade, em comunhão, garanta a expulsão do malvado, para que a vida comece a melhorar.

É bom que se diga que todas as pessoas que buscam na religião um bálsamo para as dores, lá estão porque realmente creem. Sentem-se acolhidas e não acreditam que muitos pastores ou pastoras estejam ali para roubar seu dinheiro. Acham que o dízimo, que oferecem de bom grado, servirá para abrir as portas do céu, ainda que seja apenas o céu do líder da igreja. E como, de alguma maneira, a vida melhora mesmo, não se importam de aplicar seu tempo na esperança de conquistar coisas boas.

Marx, ao analisar o modo capitalista de produção fala desse tempo a mais que o trabalhador deixa com o patrão. Na jornada de trabalho, no geral, muito mais da metade é lucro do patrão. A famosa mais-valia, ou mais-valor. Ludovico Silva, um filósofo venezuelano, vai dizer que assim como o patrão surrupia a mais-valia do trabalhador no local de trabalho, o sistema como um todo rouba uma mais-valia ideológica quando o trabalhador está em casa, vendo televisão. Pensando estar se distraindo ou usando seu tempo livre para curtir um bom programa de TV, ele está na verdade sendo consumido pela máquina de vender mercadorias. Ainda que fora do local de trabalho, segue prisioneiro do capital. Pois essas igrejas pentecostais que atuam com a teologia da prosperidade fazem algo bem parecido. A pessoa está lá, pensando estar em sintonia com deus, com o sagrado, mas ao final, não consegue se desvencilhar do desejo de ter coisas, de amealhar mercadorias. Isso significa que ainda está presa no sistema, gerando uma espécie de mais-valia espiritual. Sua própria relação com deus acaba mediada pelo tanto de coisas que pode conseguir.

Não é também sem razão que são os líderes dessas igrejas os que, totalmente tomados pelos interesses seculares, adentram no jogo político garantindo postos de poder nas câmaras de vereadores, assembleias, câmara dos deputados, senado e estado. Geralmente aliados ao grande capital. Raros – se é que há - estão atuando na defesa dos trabalhadores.

Outra maneira de atuar na defesa do capital é a aposta no fanatismo, que leva o fiel a ficar sem discernimento e sem pensamento crítico. Aceitando a palavra do líder como a única verdade, a pessoa torna-se capaz dos atos mais violentos, agindo sempre em nome da salvação da humanidade. Algo assim como o que estamos vivendo hoje no Brasil, com a série de ataques a pessoas ligadas à religião de matriz africana. Não por acaso a violência centra foco nos deuses do povo negro. Bramindo um “deus” específico, que é o único salvador, pessoas atacam outras pessoas, matam e discriminam.

Foram os iluministas franceses, em particular, Voltaire (1694 — 1778), que polemizaram sobre o fanatismo, ligando essa prática a intolerância e à violência, justamente porque a Europa vivera até pouco tempo uma série de guerras envolvendo católicos e religiosos. Mas, naqueles dias, como hoje, o que realmente estava em questão não era a fé ou deus: era o poder. Com o crescimento do protestantismo, o status do papa, que era quem decidia a vida de todo mundo – inclusive dos reis – estava ameaçado. E era a igreja católica a que detinha também muita terra e riqueza. Então, enquanto nas batalhas morriam as gentes comuns, a aristocracia tramava para um ou para outro lado, sempre de olho na riqueza que poderia amealhar.

É por isso que se faz necessário uma boa análise sobre o “fanatismo” que vivemos no Brasil. Observando bem vamos ver que não são apenas ataques esparsos a outras religiões, o que poderia caracterizar uma contenda verdadeiramente religiosa. Não. Os tentáculos dessas lideranças pentecostais – justamente por estarem em cargos de poder  - se estendem para a vida cotidiana. O projeto da Escola sem partido, buscando atuar na educação. A tentativa de barrar o debate sobre gênero e o ataque aos homossexuais, interferindo na vida pessoal, a lei que permite ensino de religião confessional, tentando arrebanhar a criança para a fé, a proposta de obrigatoriedade das músicas religiosas nas rádios e TVs, atuando como mais-valia ideológica e disputando o mercado musical. Tudo isso configura a intervenção e o fortalecimento desse fanatismo, em “nome de Jesus”, em todos os segmentos da sociedade. O objetivo final pode ser justamente submeter, pela violência, toda uma população, sob o pretexto da salvação das almas.

Mas o que move o motor do fanatismo é algo bem mais prosaico do que deus. Trata-se do vil metal, dinheiro, borofa, bufunfa. A aposta é manter o rebanho ocupado na “guerra santa” pela moralidade e os bons costumes, enquanto o capital avança em mais uma onda de acumulação e expropriação. Assim, no Congresso, onde manda a bancada da bíblia, aliada a do boi e da bala, os deputados vão realizando as reformas exigidas pelo capital que manterão ainda mais cativos os trabalhadores. “Trabalhe, não pense”, diz o presidente, que fala como um gentil homem do século 16. E não poderia haver mote melhor para o Brasil desses dias. Enquanto uma legião de pessoas que trabalha e não pensa se digladia com exposições artísticas, homens nus, mães de santo e grita por intervenção militar, o capital segue impávido pelas estradas, quase sem obstáculos.

Sendo assim, talvez fosse hora de olhar com mais cuidado para esse fenômeno, vendo-o como se expressa na luta de classes. Não basta ridicularizar nas redes sociais. As pessoas estão se fanatizando, isso é claro como o sol. São poucos agora, mas podem crescer. E se levarmos em conta de que o que está por trás do fenômeno é o processo de acumulação capitalista, o tema fica ainda mais urgente. A imposição do poder sob a força das armas sempre é uma alternativa possível, mas não podemos esquecer que, para isso, é preciso que seja montada toda uma atmosfera capaz de respaldar as ações violentas. Esse é o cenário que estamos vendo crescer sob nossos olhos. É tempo de ver e começar a agir em consequência.

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
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‘Mãos Limpas deu lugar a multidão de esquemas’

Antigo sistema ruiu e corrupção apenas mudou de forma; nova política se voltou contra ação de procuradores na Itália


Vinte e cinco anos depois do início da Operação Mãos Limpas, uma multidão de esquemas de propina tomou o lugar do sistema centralizado que existia até 1992. A política deixou de guiar a economia e, agora, é esta que comanda e estabelece novos formas de corrupção na Itália. A conclusão é do jornalista italiano Gianni Barbacetto é dos autores do livro Operação Mãos Limpas, cujo prefácio foi feito pelo juiz Sérgio Moro. Barbacetto critica ainda a decisão de magistrados, como Antonio Di Pietro, que entraram para a política. “Era um excelente magistrado; tornou-se um péssimo político.” O jornalista estará nesta semana em São Paulo para participar do seminário Desafios Políticos de um Mundo em Intensa Transformação, uma parceria entre o Instituto Teotônio Vilela (ITV) e a Fundação Astrojildo Pereira.

Após 25 anos da operação, onde estão as pessoas que apoiavam Mãos Limpas?

Em 1992, Mãos Limpas, os magistrados de Mãos limpas tinham o apoio de 90% da sociedade italiana, seja da esquerda, seja da direita, porque todos tinham o objetivo de derrotar um sistema que era corrupto. Isso mudou após a vitória de Silvio Berlusconi. Em 1994, nas eleições, Berlusconi usou Mãos Limpas para substituir os partidos políticos que estavam no governo. Em poucos meses, o cenário mudou. Ele se tornou investigado na Mãos Limpas. Berlusconi havia vencido a eleição dizendo ser um empresário de fora do meio político, não comprometido, que era o novo, como se fosse uma alternativa ao sistema corrupto. Muitos italianos – a maioria – acreditaram nele de boa-fé.

O juiz Gherardo Colombo, da Mãos Limpas, disse que a operação acabou quando as investigações chegaram ao cidadão comum. O senhor concorda?

O apoio dos cidadãos terminou quando perceberam que as investigações podiam chegar a quem não pagava impostos. Mas essa é parte da verdade. A outra é que enquanto o velho sistema político era atacado, todos à direita e à esquerda eram a favor da Mãos Limpas, porque esperavam tomar o lugar do velho sistema. Com Berlusconi criou-se uma nova direita, diversa da Democracia Cristã. Quando viram que até mesmo ela seria investigada, pois a corrupção também afetava os novos atores, disseram: “Agora basta”. E isso ocorreu também com o PDS (ex-Partido Comunista Italiano), que teve homens envolvidos em corrupção. Assim, a operação era boa enquanto investigava os velhos políticos, mas quando se voltou contra a direita e a esquerda, todos disseram “basta”.

Qual foi a mensagem à sociedade o fato de que nenhum grande político italiano foi para a cadeia?

Eu não comemoro quando alguém vai parar na cadeia. O problema, porém, é o senso de Justiça. As pessoas dizem que tudo aquilo não serviu para nada. Na Itália aconteceu isso. Mãos Limpas durou pouco mais de dois anos. As apurações seguiram, mas com Berlusconi o sistema se compactou – com a ajuda do PDS – e surgiram uma série de leis sob medida e ad personam para retirar dos magistrados instrumentos processuais, como a reforma sobre a falsificação de balanços de empresas. Houve uma ação da política contra Mãos Limpas.

Alguns meses após o começo da Mãos Limpas, as investigações se multiplicaram. Mais de 70 sedes de procuradorias abriram inquéritos.

Essa multiplicação não provocou impunidade?

O problema da multiplicação das investigações aconteceu porque Tangentopoli (o esquema de corrupção) era um processo ‘científico’. Era automático. Toda obra pública era regulada por um sistema que previa a propina. Não era possível haver um contrato sem pagar propina. Sempre havia um porcentual dado aos partidos e dividido entre eles. Mas as investigações não foram feitas todas com o mesmo padrão de Milão. Em algumas procuradorias ocorreu uma corrida em que juízes jovens, que queriam fazer carreira, abriram investigações e cometeram erros. Não chegaram a lugar nenhum.

Na próxima semana o senhor estará no Brasil. Muitos enxergam semelhantes entre Mãos Limpas e Lava Jato. O que significa para um País descobrir sua elite política nessa situação?

Eu sou muito cauteloso com esses paralelos. Conheço pouco os fatos do Brasil. Na Itália, a maioria, no início, era a favor da Mãos Limpas, enquanto no Brasil uma parte considera a Lava Jato uma operação de limpeza e outra parte a chama de golpe de Estado. Essa divisão na Itália não existia. Isso só aconteceu na Itália três anos depois, quando começaram a dizer que os juízes da Mãos Limpas faziam uma operação política.

Deslegitimar Mãos Limpas foi uma estratégia consciente dos partidos políticos italianos?

Com Berlusconi sim. Mas, no início, cinco partidos italianos se dissolveram como neve ao sol. Desapareceram porque as pessoas não mais votavam neles, porque era claro que havia um sistema corrupto. Após isso, o sistema político se renovou e reagiu. Berlusconi fez a luta contra os juízes.

O fato de magistrados que participaram das investigações, como Antonio Di Pietro, terem entrado na política foi um erro?

Para mim, sim. Os magistrados devem ficar longe ds política até porque não sabem fazer política. Di Pietro demonstrou que era um ótimo magistrado, um grande investigador e um péssimo político.

É possível ainda descrever a Itália como o país da ‘impunidade permanente’?

Creio que sim. A corrupção continua. O que mudou foi a forma. Enquanto em Tangentopoli os partidos haviam criado uma sistema democrático, que se repartia as propinas entre eles segundo a proporção dos votos recebidos, hoje, em vez disso, qualquer um pode criar um esquema de corrupção. Há uma multiplicação de esquemas sem um sistema que a controle. Um tesoureiro do antigo Partido Social Democrata Italiano me disse: “Nós impedíamos que roubassem”. No sentido de que recolhiam a propina e a usavam para a política. A política governava a economia e decidia sobre a economia. Hoje é a economia que governa a política, que decide qual obra pública será feita. É o empresário faz amigos políticos e guia a política e não o contrário.

Marcelo Godoy
No Desacato
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Eduardo Cunha está realmente preso?


O editor chefe da Época — da Globo, Diego Escosteguy, mais conhecido como Kim Kataguiri das redações, fez uma revelação insólita no Twitter: a entrevista de Eduardo Cunha à revista, capa desta semana, “não foi concedida na Papuda nem em qualquer local do sistema prisional”.

Das duas, uma: Cunha está fora da prisão ou saiu da cana para papear com os jornalistas da publicação, que pertence ao grupo Globo. Seja qual for a alternativa, é ilegal.

A matéria com um dos maiores mentirosos da República teve repercussão nula. Falta agora a Época esclarecer como foi o encontro com Eduardo Cunha.



No DCM
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Crise e legado da Revolução Russa | Zé Paulo Netto, Lenina Pommeranz e Luis Fernandes


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Silêncio, muxoxo e gaguejos. A reação da direita ao Datafolha


O domingo de sol, ao menos aqui no Rio, pode ser a desculpa.

Mas a grande maioria dos comentaristas políticos da grande mídia está em silêncio, depois de uma quinzena em que decretou que “agora, Lula acabou”.

E vem o Datafolha e mostra o “defunto” não apenas vivo como esbanjando saúde, com taxas de crescimento eleitoral mais do que vigorosas.

Os demais candidatos, candidatos a candidato e factóides  pararam ou até retrocederam um pouquinho.

Não apenas isso: a tão brandida como intransponível rejeição a Lula cai seguidamente e, nas simulações de 2° turno, dependendo do adversário (Doria e Bolsonaro, por exemplo, chega a repetir seu melhor resultado eleitoral, o de 2006: 48% dos votos totais e 60% dos válidos.

Os poucos que falam algo – aquele site que, por uma questão sanitária evito citar o nome – chama de “esquizofrênica” a pesquisa da Folha, enquanto os datafolhistas oficiais culpam os pobres pelo favoritismo do “monstro”.

Os partidos convencionais – ou o que resta deles – está baratinado.

Como estão baratinados os dois partidos mais importantes do Brasil: a mídia e o PC, Partido de Curitiba.

A semana é de arranjar novas revelações “sensacionais” que tentam a, ao menos na aparência, evitar que o “duro de matar” do Lula seja o assunto de botequim.

Vão, como se vê, insistir na tática que levou a estre quadro, para eles, apavorante.

E Lula vai, ao contrário, retomar sua programação  de viagens, apostando no contato direto com a população, que é o canal que não lhe podem – ainda – fechar. E passa a uma fase mais propositiva, dentro em pouco, com a apresentação de projetos e metas para arrancar o Brasil da crise.

Ao contrário da pancadaria, que seguirá sendo a pauta burra da direita, que visivelmente já enjoou a população e  perdeu grande parte da credibilidade.

Enquanto isso, o país segue sua trilha de lama, com a revelação continuada das podridões de Moro e os esquemas sujíssimos do Ministério Público  na montagem das delações seletivas.

E, distantes dos nossos olhos, prepara-se no Tribunal Regional Federal a “eleição” de quem não pode ser presidente do Brasil.

Como no retorno de Getúlio, só pensam na máxima de Carlos Lacerda de que Lula não pode ser candidato, porque se for, vencerá e se vencer governará.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Em universidade de Santa Catarina, aluno denuncia racismo por causa de cabelo black power


Uma professora e um aluno do curso de design da Universidade Federal de Santa Catarina estão envolvidos numa disputa por conta do uso do cabelo dele, black power, como exemplo durante uma aula em que a classe debatia analogias e metáforas.

Parentes do estudante João Francisco concordaram com sua identificação e um deles definiu o episódio como “um terrível ato de racismo dentro de sala de aula”.

O estudante tentou registrar queixa na delegacia, mas foi aconselhado pelo escrivão a não fazê-lo. Em seguida, segundo um primo do aluno, a professora compareceu à polícia — também para registrar queixa.

O Viomundo preserva o nome dela por não ter tido a oportunidade de ouví-la antes desta publicação.

João é negro e filho de professores da Universidade Federal do Pará. A professora é branca.

Durante a aula, ela diz que se trata de uma experiência positiva e, portanto, João não tem motivos para acreditar que é vítima de bullying.

Ela passa, então, a convidar colegas do estudante a buscar definições do cabelo que ele usa: algodão, arbusto, juba de um leão, mola e caracol, dizem eles.

Durante o exercício, que define como “brincadeira”, a professora tinha como alvo chegar à definição de “ninho”.

“O cabelo black power é ninho e que nesse ninho, além de proteger, esconde muita coisa”, afirma.

O uso deste estilo de cabelo remete aos anos 60, nos Estados Unidos, quando os negros norte-americanos lutavam por seus direitos civis.

O movimento black power falava entre outras coisas em autonomia, auto-confiança e afirmação da identidade negra, com o resgate da herança africana.

Incluia das ideias socialistas de Angela Davis e dos Panteras Negras ao retorno à origem islâmica pregada pela Nação do Islã, de Malcom X.

Nas Olimpíadas de 1968, no México, quando os medalhistas dos 200 metros Tommie Smith e John Carlos levantaram os punhos cerrados durante a execução do hino dos Estados Unidos, tornaram-se símbolo mundial do movimento — curiosamente, atletas norte-americanos que protestam agora contra a persistência do racismo no país, tem se ajoelhado durante a execução do hino.

No Brasil, onde os negros passaram a alisar os cabelos para mimetizar os brancos, usar o cabelo black power tem crescentemente se tornado parte da afirmação de identidade subjacente à luta contra o racismo, a violência policial e por direitos civis.

Um recente estudo da Oxfam sobre desigualdade no Brasil demonstrou que, ao ritmo atual, a igualdade salarial entre brancos e negros no Brasil só será alcançada em 2089.

Um colega de João Francisco gravou dois trechos da aula, reunidos abaixo (o corte é quando a professora fala em ninho):



No Viomundo
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Vida em Resistência TV Web #2


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Barcelona e Messi viram as costas para o povo da Catalunha (+ vídeos)


Este domingo em que o Barcelona derrotou o Las Palmas por 3 a 0 num Camp Nou deserto passará para a história como o dia em que o clube que se autoproclama “mais que um clube” colocou o interesse esportivo acima do sentimento de seus milhões de torcedores. Mesmo com a Catalunha golpeada pela brutal repressão que deixou centenas de feridos entre as pessoas que tentavam exercer o direito democrático de votar no referendo que decidia se a região se tornaria independente da Espanha (e que foi considerado “ilegal” pelo governo em Madri), o time entrou em campo e jogou como se nada de grave estivesse acontecendo do lado de fora.

“Jogamos com portas fechadas como forma de protesto, para chamar a atenção do mundo para o que está acontecendo hoje na Catalunha”, disse o presidente Josep Bartomeu, que completou: “Não entrar em campo nos custaria seis pontos de penalização, os três da partida e mais três de punição.” O volante Sergio Busquets, catalão de nascimento como outros quatro jogadores do elenco (Sergi Roberto, Piqué, Jordi Alba e Aleix Vidal), também se apegou ao prejuízo esportivo que o time teria se não tivesse jogado para justificar a realização da partida. “Teríamos perdido seis pontos, é muita coisa.” Com sete vitórias em sete jogos, o Barça tem cinco pontos de vantagem sobre o vice-líder Sevilla e seis em relação ao Atlético de Madrid.

A decisão de jogar, e ainda por cima com o estádio vazio, foi muito criticada por dirigentes e sócios do clube, e também por oposicionistas a Bartomeu como o ex-presidente Joan Laporta. “Jogar com portões fechados é ser cúmplice dos que praticam a violência indiscriminada e impedem o exercício pacífico dos direitos democráticos”, escreveu numa rede social. Outro ex-dirigente, Xavier Sala i Martin, foi mais duro: “Bartu (referindo-se a Bartomeu): não queremos seis pontos que estão manchados pelo sangue de velhos e jovens que mostraram a coragem que você não tem!”

Quando começaram os conflitos na cidade, com a Guarda Civil e a Polícia Nacional agredindo pessoas que iam votar e fechando locais de votação, a Federação Catalã de Futebol determinou a suspensão de todas as partidas na região. O Barça, então, solicitou à Liga Profissional de Clubes o adiamento do confronto com o Las Palmas. Mas a LFP, presidida por Javier Tebas, um confesso defensor de ideias de ultradireita, rechaçou o pedido alegando que tinha a garantida das forças de segurança de que havia condições para a realização do jogo.

Aqui cabe uma explicação sobre a constante tensão no relacionamento entre as duas partes: Tebas vive dizendo que o Barcelona será excluído do Campeonato Espanhol se a Catalunha se declarar independente. Os dirigentes do clube argumentam que isso não faz sentido, e citam dois exemplos para embasar sua opinião: um time de Andorra disputa o Campeonato Espanhol da Primeira Divisão, a Liga ACB, e o Monaco, que está sediado num Principado independente, participa do Campeonato Francês e representa a França nas competições europeias.

A Junta Diretiva do Barcelona não engoliu a decisão, e o clube então resolveu unilateralmente que não haveria jogo – ainda mais que o Las Palmas, que fica sediado nas Ilhas Canárias, divulgou um comunicado apoiando a unidade da Espanha e anunciou que a bandeira do país seria bordada na camisa dos jogadores.

A coisa pegou quando o caso chegou ao vestiário. Alguns jogadores, com Piqué como líder, não queriam jogar. Outros eram favoráveis a disputar a partida, posição que acabou prevalecendo.

Foi então que Bartomeu anunciou que o jogo seria com portões fechados, o que foi visto por seus críticos como uma medida para impedir manifestações políticas dentro do estádio (torcidas organizadas exigiam a suspensão da partida e ameaçavam invadir pacificamente o campo para impedir que o jogo fosse realizado). Ato contínuo, o vice-presidente Carles Villarubí e o diretor Jordi Manés se demitiram por discordar da decisão de o time entrar em campo.

As lágrimas de Piqué. E Messi, um ET na Catalunha

O zagueiro Piqué não se escondeu nem antes do referendo no dia da votação. Defensor da independência da Catalunha, ele foi votar logo cedo, divulgou nas redes sociais a imagem do momento em que votava e criticou a violência usada para intimidar quem queria votar. “O que está acontecendo é uma vergonha, as imagens dizem tudo.”

Depois de jogo, ele não conseguiu segurar as lágrimas quando falava com os jornalistas. “Jogar hoje foi uma das experiências mais duras da minha vida. Se eu queria jogar? Minha opinião importa pouco, o Barcelona decidiu jogar e pronto. Posso entender perfeitamente que sócios do clube não aceitem que tenhamos jogado, mas não acho que o slogan ‘mais que um clube’ cairá por causa disso.”

Em seguida, falou sobre a violência policial e o que sentia. “A Espanha ficou muitos anos sem poder votar durante o Franquismo, e as pessoas precisam entender que quando se vota é possível votar ‘sim’, ‘não’ ou ‘em branco’. Tenho muito orgulho do povo da Catalunha, que se comportou sempre de maneira pacífica ao longo deste processo.”

Piqué não teve força para convencer a equipe a não jogar. Messi certamente teria, por ser o dono do time e uma estrela mundial. Mas o craque argentino, que vive em Barcelona desde que tinha 13 anos (fez 30 em junho), se omitiu e foi para o campo comemorar mais dois golzinhos.

Messi parece não conhecer a cidade onde já passou mais da metade da sua vida, tampouco entender o sentimento das pessoas que moram lá. Um outro exemplo recente: no dia 11 de setembro, o dia nacional da Catalunha, enquanto as ruas ferviam sob os pés de quase dois milhões de pessoas que marchavam em defesa da independência, ele subia no Instagram fotos da festinha de aniversário de seu filho.

Símbolos do clube que jogaram com ele, como Puyol e Xavi, estiveram alinhados com Piqué e criticaram o ataque violento ao direito de votar perpetrado nas ruas de Barcelona. Xavi, inclusive, fez fotos das agressões e gravou um vídeo para divulgar sua opinião. “É inadmissível que, nos dias de hoje, num país democrático as pessoas não possam exercer o direito de votar”, disse.

Assim como neste domingo o Barcelona não honrou seu slogan “mais que um clube”, Messi perdeu a chance de fazer um golaço muito mais importante do que os dois que celebrou em um estádio às moscas.

No Chuteira FC











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‘Como é possível governar pagando uma quadrilha?’, diz filósofo italiano

Para Antonio Negri, a experiência petista se exauriu, mas o professor diz que não ser possível governar o País sem a herança de Lula

Antonio Negri
Antes de se tornar uma das mais importantes vozes críticas da esquerda mundial, o filósofo italiano Antonio Negri, de 84 anos, passou quatro anos e meio preso sob a acusação de participar da morte do líder democrata-cristã Aldo Moro. Eram o fim dos anos 1970, anos de chumbo na Itália. Saiu da cadeia ao ser eleito deputado. Professor de filosofia do Direito e Teoria do Estado na Universidade de Pádua e depois na Universidade de Paris VIII e no Collège International de Philosophie, Negri conhece a realidade brasileira - esteve nessa semana em São Paulo participando de seminário 1917, o Ano que Abalou o Mundo e do lançamento do livro homônimo, organizados pela editora Boitempo. Aqui, ele fala sobre Lula, de Antonio Palocci, o futuro do PT e da esquerda no ano do centenário da revolução russa.

Após cem anos da revolução, qual é o futuro da esquerda socialista. Seria o do PD italiano, seria o de Jean-Luc Mélenchon, na França, ou do Podemos epanhol?

Parece-me que essa esquerda se divide em coisas diversas. O PD italiano é hoje uma força social-democrática clássica, como o SPD (partido socialdemocrata) alemão. Podemos é uma experiência completamente diversa, de populismo de esquerda, organizado com base em uma movimento que balançou a ordem tradicional espanhola. Mélenchon é um outro tipo de populismo que se apresenta na França à esquerda, em relação a Macron (Emmanuel Macron, presidente francês), que está na direita. O confronto aqui opõe Mélenchon a Macron, e não este com os fascistas (referência ao partido de extrema-direita Front National, de Marine Le Pen). Não creio que todos eles tenham um destino comum. Quem deve ter um destino comum é a social-democracia, que está indubitavelmente em uma crise extrema, de derrotas sucessivas, que não se resolvem nunca, pois perdeu a própria identidade. A derrota do partido social-democrata alemão é um clássico. Todos esperavam um debate entre Merkel (primeira-ministra conservadora alemã, Angela Merkel) e o presidente Schulz (Martin Schulz, líder do partido social-democrata), mas o debate mostrou que as duas posições se sobrepunham, demonstrando que, para a social-democracia, há um espaço reduzido na Europa hoje. Essa perda de identidade começou nos anos 1980 e precedeu a queda do muro de Berlim e o fim da União Soviética. Há crise, declínio e uma perda de identidade radical. Mas isso não afeta Podemos e Mélenchon, que são fenômenos que nascem da crise da social-democracia.

Podemos e Mélenchon criaram novas identidades?

Não gosto muito dessa palavra. Identidade é algo muito complexo e difícil de se construir. Mas novos posicionamentos no espectro político eu diria que sim. Podemos fez isso de uma maneira mais sólida, sobretudo porque Podemos não é só de Madri, mas também de Barcelona. São várias forças consolidadas em um processo de transformação da esquerda.

Se a luta de classe e as organizações revolucionárias são coisas do passado, qual seria o papel do trabalho na política que pode ser chamada de esquerda?

Mas eu não penso que a luta de classe tenha terminado. A luta de classe é feita sempre por duas partes. Há uma classe burguesa e outra proletária. Quando se diz que a luta de classes acabou, entende-se que terminou a luta de classes proletária. Mas a burguesa continua. O neoliberalismo é uma forma de luta de classes feita e conduzida pela burguesia. E que é hegemônica hoje em dia, sem dúvida. Que a luta de classe tenha acabado me parece estranho. Também o constitucionalismo deveria acabar, porque o constitucionalismo nasce do quê? Nasce de uma luta por meio da qual se chega a um acordo. A Carta Magna inglesa (assinada pelo rei João da Inglaterra, em 1215, após a revolta dos barões), fundamento do constitucionalismo, é um fenômeno de luta de classe. Portanto é preciso prestar atenção antes de dizer que a luta de classes acabou, até porque quando a luta de classe da parte da burguesia se torna tão dura e feroz e, quando essa hegemonia tenta se impor de forma forte, a resistência se torna inevitável.

A exceção de Grécia e Portugal, a imensa maioria dos governos europeus estão nas mãos de conservadores. Ao mesmo tempo, eles conheceram um crescimento da extrema direita. Esse crescimento seria mais uma reação à globalização?

O crescimento da extrema-direita é resultado da crise que começou em 2008, que é uma crise econômica global. Pode-se dizer que é um consequência da globalização também, mas o problema é essencialmente europeu, pois a política central europeia, a de Bruxelas, acompanhada pela liderança conservadora do liberalismo alemão, impulsionou a crise forma muito grave. Não houve nenhuma intervenção keynesiana, não houve nenhum nenhuma tentativa de diminuir a crise por meio de uma política de consumo ou de investimentos. Houve apenas uma luta entre posições liberais conservadoras e governos que não eram de esquerda, mas centristas ligados a uma política keynesiana. A resistência hoje na Europa está posicionada em uma linha keynesiana. A esquerda é keynesiana hoje na Europa.

Nos anos 2000, a ação dos movimentos antiglobalização foi pensada como uma forma de se opor aos efeitos dessa política. Após quase 20 anos, foi a extrema direita que ganhou consenso e voto fazendo discurso contra o establishment. Por que a extrema direita recebeu os votos de quem está insatisfeito com a globalização?

Parece-me que há uma crise, uma incapacidade de resistir à crise. O número de pobres e miseráveis cresce de forma absurda em diversos países, não há políticas que façam frente a isso. Os partidos socialistas estão em crise . É claro que somente a demagogia da direita nacional, essencialmente nacional, e, portanto, contra a globalização tem uma resposta, que é uma resposta demagógica, pois não tem política econômica, não tem nada atrás de si, pois a política econômica deveria ser de grande intervenção para aliviar a pobreza, e a extrema direita não o fará jamais. São políticas demagógicas que são feitas na ausência de uma esquerda.

Em 2000, as pessoas ligadas ao movimento de Chiapas, no México, pensavam que a forma da resistência ao poder passava pela articulação em rede. Esse tipo de organização hoje em dia se tornou uma das formas mais usadas pela direita, que se reorganizou com esse instrumento...

Mas eu não creio que isso seja assim na Europa ou nos Estados Unidos, malgrado a força que a direita de Trump teve neste ano por meio de redes. Mas também ali os movimentos de esquerda são fortes, como os que lutam contra o racismo. Na Europa, a grande resistência de esquerda fora dos partidos socialistas é uma resistência que se organiza há anos sob a forma de redes. A direita aprendeu a utilizá-las assim como a esquerda. Não existe um anjo celeste que atribui à direita uma capacidade maior do que a esquerda.

A política de Trump transforma a política em guerra?

É fora de dúvida que a direita adquiriu uma forma belicosa. O discurso de Trump é um discurso de luta de classe, que se esconde por trás de uma terrível demagogia. Uma demagogia nacional que, entre outras coisas, está destruindo a globalização. E esse é o nosso problema. Hoje estamos diante de pessoas que - à direita ou à esquerda -, pensavam que o mercado mundial livre seria uma coisa boa, buscam se defender da China.

Para Trump a guerra não seria mais a ultima ratio?

Digamos que se ele pensa dessa maneira é um louco. Eu não seria o único a dizer que ele é um louco. Muitos democratas dizem o mesmo e também muitos conservadores. Obviamente ele não percebe o que significa usar de forma maciça a energia atômica.

Isso não é uma consequência de que é sempre mais distinguir as ações de guerra das ações policiais?

De fato, escrevi isso em Multidão. Ali mostro claramente no que se tornou a guerra. Trump é o efeito de um certo capitalismo duro e absolutamente decidido a vencer sua luta de classe e de uma demagogia vencedora sobre o plano dos valores nacionais.

A paz ainda é uma condição para a liberdade da multidão?

A paz é sempre uma condição para a liberdade. Para Lenin também era. A paz é fundamental. É sobre ela que se pode construir um regime democrático. A guerra é sempre uma destruição do regime democrático. Não é coincidência que os militares em vários países não fizeram a guerra, mas negaram a democracia.

O historiador Tamás Krauzs diz que os mortos durante os grandes expurgos stalinistas tiveram um papel importante na queda do regime soviético. A esquerda já acertou suas contas com seu passado?

A esquerda da qual falávamos acertou essa conta há muito anos. A esquerda alemã fez isso em 1959, em Bad-Godesberg (refere-se ao congresso em que o SPD alemão abandonou o marxismo). A esquerda italiana, o que era o Partido Comunista Italiano, tornou-se um partido de centro, o PD. Veja a que ponto a derrota soviética foi absorvida e não representa hoje nem mesmo um trauma. Mas existe ainda como trauma na reconstrução de movimentos sociais, onde existe a vontade de evitar os impasses soviéticos, sem esquecer que a revolução soviética é uma coisa que se deve sempre ser recordada, pois sem ela não haveria o welfare na Europa, não teríamos o keynesianismo. Teríamos somente uma burguesia má e feroz, como hoje. Houve um século que foi coberto pela revolução de outubro, que bateu os nazistas e libertou a Europa, pela resistência comunista em cada um dos países. Esse é o trauma verdadeiro que procuramos negar.

Quando o senhor fala de Eric Hobsbawn e de seu século breve, o senhor diz que esse século tornou-se bastante longo, no sentido que é possível fazer nas praças novos formas de organização popular e que a autonomia produtivo do trabalho cognitivo traga uma novo projeto de transformação social?

Sobre isso não tenho dúvida. Exatamente como fez no passado Lula, representante de uma classe operária metalúrgica com características sociológicas precisas. Hoje devemos esperar que a retomada seja feita pelos novos operários. E quem são os novos operários? São essa classe de trabalhadores precários, de capital intelectual fundamentalmente, que hoje em dia ocupa o mercado. O mercado do trabalho é feito por essas novas pessoas desde o fim dos anos 1980.

A cooperação é central na vida desses trabalhadores, mas essa cooperação seria uma forma de obter consenso?

Não. É uma coisa diferente. É uma cooperação no trabalho.

Não se trata pois de consenso. Seria, portanto, diferente essa cooperação do ação comunicativa do filósofo Jurgen Habermas?

A ação comunicativa de Habermas é uma ação neutra, que se abre sobre a sociedade pública e não tem qualificação de nenhum gênero. A cooperação dos trabalhadores hoje é um fato no qual se verifica antes de tudo a autonomia dessas cooperação. Esse é um termo absolutamente fundamental. Um operário metalúrgico, um operário como Lula, era um operário que tinha necessidade do patrão para se organizar e se reunir com outros. Hoje o operário, chamemo-lo de novo trabalhador, não o chamemos de operário para não confundir as coisas. O novo trabalhador é alguém que se organiza socialmente para produzir, e o tipo de produção que ele faz é um tipo de produção que é de mercadoria, mas sobretudo de subjetividade. Aqui lembro de Foucault (Michael Foucault, filósofo francês): um dos elementos absolutamente centrais na teoria foucaultiana é o fato que hoje se trabalha na construção cooperativa de subjetividade.

Já que falamos de Lula, o que as bruxas de Macbeth lhe revelam sobre o futuro de Lula?

Não sei se suicídio ou uma tentativa desesperada de luta. Eu penso que Lula seja o maior homem político da América Latina na segunda metade do século 20. Ninguém é comparável a Lula. Foi alguém que conseguiu construir nesse país continente uma força popular necessária aos governos.

Mas e agora?

Não se governa sem Lula. Não se governa sem o que Lula deixou. Ele conseguiu pôr o Brasil na cena mundial, em ruptura com os americanos. Essas são coisas fundamentais que Lula fez e para as quais eu tiro o chapéu. Não creio que o capitalismo brasileiro tenha uma autonomia e uma capacidade inventiva para conseguir manter a herança de realidade popular que Lula trouxe ao Brasil. Destruir sua figura é um absurdo.

É o que está acontecendo?

Sim, eu sei que está acontecendo. Porque a direita não tem cérebro. Está destruindo a única coisa que ela devia salvar.

Mas o problema não é judiciário? O problema não é que Lula recebeu propinas e deve pagar por isso?

Eu não sou contrário a isso (que a Justiça puna os corruptos), desde que isso valha para todos. Se a Justiça bate em alguém é certíssimo, porém deve atingir a todos da mesma maneira. Eu não sei se a relação entre Justiça, jornais e TVs é igual para Lula e para os outros. Esse é um problema que devemos nos pôr se vivêssemos em uma democracia ideal.

A política feita pelo PT de governar o País se exauriu?

Sim. Eu creio que sim. E creio que no Brasil existe uma situação dramática de todos os pontos de vista.

Por que, professor?

Porque não há uma direita que seja capaz de interiorizar o passado desse país, isto é, essa democracia que se quer e não se quer, e que Lula a interpretou e a fez viver de um ponto de vista popular, com a adesão das grandes massas à democracia.

O ex-capitão do Exército e deputado Jair Bolsonaro, um ex-paraquedista, segundo as últimas pesquisas, deve ser bem votado na próxima eleição presidencial. Quais seriam as causas desse fenômeno, o crescimento da extrema-direita?

Isso acontece porque, à direita, falta uma posição política capaz de se opor, porque para fazer essa operação, com toda probabilidade, seria necessário aceitar que passamos 20 anos de hegemonia lulista. A direita sabe digerir e engordar, e os bons capitalistas sabem que precisam da força de trabalho. O capitalismo precisa de duas coisas: dar o trabalho e receber do trabalho.

Isso seria reflexo da onda na Europa e nos Estados Unidos?

Provavelmente não. Creio que o fenômeno brasileiro seja diferente. Existe uma queda geral de regimes de esquerda na América Latina, com fenômenos bastante contraditórios, como nos países andinos, como essa grande chaga que é a Venezuela. Mas creio que tudo isso tenha uma espécie de autonomia. A América Latina não sofre seguramente influência da situação europeia, muito fechada em si mesma, no problema da construção europeia e de sua colocação global.

O senhor conhece os programa sociais dos governos petistas. O senhor acha que eles não foram suficientes para criar uma nova identidade para a esquerda?

O governo Lula ficou muito limitado por suas contradição, não há dúvida. Ele errou em duas coisas fundamentais. A primeira é a reforma constitucional (ele se refere à reforma política). Como se pode aceitar uma Constituição na qual a corrupção é necessária para fazer qualquer lei? Esse é um erro extraordinário. A justificação de Lula é: "Estávamos há muito pouco tempo em uma situação democrática para nos dar o luxo de reformar a Constituição". A segunda é o fato de não ter organizado os instrumentos midiáticos e de cultura popular que fossem à altura da estrutura esmagadora da grande produção midiática da burguesia. Esses são dois erros que eu aponto às pessoas do PT. Esses são erros que, infelizmente, devem ser pagos. Não é possível ter uma Constituição desse tipo, na qual cada igreja protestante elege o seu deputado, na qual se pode ter um presidente com 70% dos votos nacionais e não ter uma maioria parlamentar. São coisas que são incompreensíveis para qualquer constitucionalista europeu desde o século 19.

É enlouquecedor?

Sim, é uma loucura. Isso precisava mudar.

A experiência do PT deve ser reformada ou arquivada?

Eu não sei. Sei que na Europa, a corrupção se conhece desde sempre. Sou professor de direito constitucional. Estudei a histórica constitucional de todo o mundo. A corrupção existe em todo o mundo. Nos Estados Unidos, o lobby constituiu-se em poder. Quando me encontro diante da miséria, não porque a quantidade é pequena, mas porque os personagens são míseros - e também os juízes -, vejo que se trata de uma comédia. De uma trágica comédia, cujos personagens são figuras da commedia dell'arte (teatro popular surgido na Itália renascentista). Como professor de direito constitucional, eu me pergunto: Como é possível que alguém, para governar um país, precise ter dinheiro para pagar essa quadrilha de deputados.

Parece que há um paralelo entre o que foi descoberto aqui e o que havia na Itália durante a operação Mãos Limpas?

É profundamente diferente, porque os italianos eram ladrões. Aqui existem marionetes. Na Itália havia aqueles que pagavam os partidos. Os italianos eram ladrões. Aqui são marionetes. E, depois, de fato, consegue-se um apartamento... Ora, por favor, me poupe.

O senhor veio a São Paulo para um seminário sobre os 100 anos da Revolução Russa. O senhor diria que Lenin ainda conta em nossos dias, mas qual Lenin, aquele conspirativo de O que Fazer? ou aquele considerado libertário de Estado e Revolução?

Eu creio que ainda aquele de O que fazer? não seja um Lenin de se jogar fora. A concepção de partido que ele exprime em O que fazer? é uma concepção muito diferente daquele que depois foi o partido bolchevique e os partidos da 3.º Internacional. A concepção que Lenin tinha em O que fazer? era a construção de uma organização sob a base do tipo de fábrica que existia. O partido devia reproduzir a fábrica e os operários esperavam isso. Hoje, evidentemente, Lenin de O que fazer?, se o tomamos do ponto de vista da fábrica ele se tornou nada. Mas se o analisamos do ponto de vista que hoje cada organização política deve respeitar a composição do trabalho, desse ponto de vista também O que Fazer? tem o seu valor. E também a ideia que a liberdade pode existir somente quando o Estado não existe mais, bem essa é uma coisa que eu penso que não podemos deixar somente para os anarquistas, em suma, como desejo. Eu digo desejo, não utopia (risos).

O senhor falou muito em seu livro Multidão...

Agora saiu outro, Assembly (sua nova parceria com o cientista político americano Michael Hardy, Oxford University Press), faz um mês. Ali começo um discurso sobre organização sobre os modelos que nasceram a partir de 2011.

Em seu livro Multidão o senhor usa os Federalist Papers de James Madison. Como aqueles que desejam construir novas estruturas democráticas devem usar a slições de Madison?

Creio que a coisa absolutamente fundamental em O Federalista, que eu estudei em meu livro O Poder Constituinte, é a teoria do equilíbrio (pesos e contrapesos). Essa é a coisa fundamental. Creio que hoje, a estrutura do constitucionalismo, superando a figura dos partidos em parte, poderia reconquistar os novos contrapoderes. O grande problema da democracia é sempre aquele de entender quem são os sujeitos. Esse é o ensinamento de Madison: quais são os check que permitam equilibrar as coisas. O único medo - terrível medo - é o desequilíbrio. E aqui retornamos ao problema da direita brasileira, que quer reduzir a experiência de Lula a um sonho macbetiano.

Lula foi condenado a 9 anos de prisão...

E eu fui condenado a 28 anos.

O que muda para Lula?

Muda que ele não poderá fazer política. E que, provavelmente, também acabará na prisão.

E para a esquerda?

A esquerda ficará sem um líder essencial e fundamental.

Há pouco tempo um instituto ligado ao PT e constatou que boa parte dos trabalhadores em São Paulo queriam apenas se tornar empresários, ter um negócio...

Sei o que você quer dizer. Creio que a pressão hoje desses ideais do empreendedorismo seja absolutamente falsa, ilusório e mistificador. Vivo em uma região, em Veneza, em que na primeira metade dos anos 1970 aconteceu esse primeiro ataque neoliberal que destruiu fábricas grandes, onde a luta operária era muito forte, como no ABC paulista ou mais. As fábricas foram praticamente destruídas. E se deu um grande impulso ao empreendedorismo individual e com base nisso cresceram enormes sistemas industriais, como Benetton. Onde? A partir de casa. Cada um era empresário em casa. Essa ideia empresarial resistiu até o momento que chegou a crise. Chegou ao ponto que a ilusão dessa nova democracia industrial individualista (se mostrou) ilusória.

E como a esquerda pode enfrentar essa ilusão?

Que é isso, a esquerda nem mesmo compreendeu isso. A grande crise da esquerda não está no fato de que União Soviética acabou ou na globalização. A grande crise da esquerda está no fato de que ela não compreende como mobilizar o trabalho. A grande crise da esquerda está no fato de que crê até mesmo que as pessoas devem se tornar empresárias de si mesmo. Não. É a multidão que se torna empreendedora. É a metrópole que produz. São as relações que produzem. É o fato de reunir cultura e capacidade técnica, grandes escolas, capacidades de comunicação entre as pessoas e modificações dos corpos e de cérebros. E esse é o hoje o problema da esquerda. A esquerda, enquanto não conseguir fazer isso, deverá sempre sofrer a ilusão de que existem indivíduos que, com muito esforço, colocam para trabalhar a mulher a mãe e o filho e conseguem se tornar empresários.

Professor, para concluir, nesta semana Antonio Palocci, que foi ministro da Fazenda de Lula, fez acusações graves em uma carta ao PT. Palocci está na cadeia há um ano. A defesa de Lula diz que ele confessa para buscar benefícios legais. Dizem que o colocaram na cadeia para confessam..

Eu creio que isso é verdade. As pessoas são colocadas na cadeia, em particular em prisão preventiva, para que falem e cedam. Isso me parece que seja uma coisa que qualquer procurador ou juiz sabe que se faz assim. Se faz também na China. Somente nós duvidamos que as coisas sejam diferentes. Eu fui colocado na cadeia sem processo por quatro anos e meio. Quatro anos e meio! Obrigaram-me que eu fosse eleito deputado (pelo Partido Radical Italiano). Saí da prisão por causa disso. Se não, teria ficado oito anos, pois a lei permitia 12 anos de prisão preventiva. Tive sorte de sair porque fui eleito deputado. Entende? Palocci é, segundo me contaram, alguém que podia ser como Sansão, que é preciso cortar-lhe os cabelos para que se torne prisioneiro dos filisteus.

Mas não é possível que mesmo alguém na prisão fale a verdade?

É possível tudo. Mas digo que na prisão não estão as condições melhores para se dizer a verdade. Eu lhe asseguro. Dou minha garantia: quatro anos e meio de cárcere preventivo.

Marcelo Godoy
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O Datafolha é de fazer a direita arrancar os cabelos


Não é “oficial”, mas montei um gráfico com os números já divulgados do Datafolha.

Dispensa explicações.

Como a Folha admite que 35% é o mínimo que Lula atinge nos cenários propostos, é “daí para pior”.

Algumas observações , quase óbvias.

A perseguição beneficiou Lula em grande escala. Passar de 30 apara 35% significa que cada cinco eleitores de Lula viraram seis.

Se estes seis virarem sete, chegam a 41% e vence, provavelmente, no primeiro turno, dado o grau de rejeição à política que a mídia incutiu na população.

Bolsonaro, aparentemente, chegou no seu teto, inacreditavelmente alto.

Mesmo se o esvaziarem, não têm certeza de que alguma parte de seus votos migrem para Lula.

Marina Silva é quase um voto nulo ou branco, é a fuga do debate político, quase uma desculpa para abstenção.

Dória, como me disse um amigo, é um avião que deu todo o o motor e chegou à metade da pista sem velocidade para decolar e acelerado demais para abortar a corrida.

Até mesmo um arranjo para que ele reflua a uma candidatura a governador, se não quiser se aventurar fora do PSDB terá um sabor de “é, não deu” e uma desconfiança imensa pelo seu comportamento de traidor do padrinho Alckmin.

E sinaliza que aventuras “Huck”  e outras que tais não terão melhor resultado.

O resto é só o resto.

O mais significativo, porém, é o empate técnico num suposto “segundo turno” entre Lula e Moro.

Embora improvável ( e se tentado será um strip-tease das intenções do juiz, visível até para cegos) mostra que a exclusão de Lula da disputa eleitoral arrastará toda a legitimidade do processo.

O povão é muito mais decente que a classe média e mais inteligente que os doutores de  “punhos de renda”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Novo áudio de Joesley


Conversas gravadas entre os delatores da JBS no período em que eles negociavam a colaboração premiada.

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Uma polêmica incompreensível


As redes sociais se fartaram com o debate a respeito da nota oficial do Partido dos Trabalhadores, de Aécio Neves e do STF. Poucas vezes se viu um documento tão bem feito ser alvo de furiosas manifestações - algo que só se explica pelo clima de ódio e ressentimento que se instalou no país há bastante tempo.

Urge dissecar o documento do PT e verificar se os reclamos e queixumes tem alguma procedência. 

1. Dissecando, em trechos, a referida nota

1.1. "Aécio Neves é um dos maiores responsáveis pela crise política e econômica do país e pela desestabilização da democracia brasileira.

Derrotado nas urnas, insurgiu-se contra a soberania popular e liderou o PSDB e as forças mais reacionárias da política e da mídia numa campanha de ódio e mentiras, que levou ao golpe do impeachment e à instalação de uma quadrilha no governo.

Para consumar seus objetivos políticos, rasgaram a Constituição e estimularam a ação político-partidária ilegal de setores do Judiciário e do Ministério Público.

Aplaudiram todas as arbitrariedades cometidas contra lideranças do PT e dos setores populares, as violações ao devido processo legal e ao estado de direito democrático.

Compactuaram com o processo de judicialização da política, que visou essencialmente a fragilizar os poderes eleitos pelo povo. [...]"

O primeiro trecho da nota oficial do PT é irretocável e preciso. Acusa Aécio de golpista e de responsável pela desestabilização política e econômica do Brasil. Bate no PSDB e na mídia e aponta a campanha de ódio que insuflaram em setores do aparato estatal e da população para criar o clima favorável ao golpe.

1.2. "[...] As repetidas violações ao direito criaram um monstro institucional que tem como cérebro a mídia, comandada pela Rede Globo, e tem como braços os setores do MP e do Judiciário que muitas vezes acusam, punem ou perdoam por critérios políticos.

Aécio Neves defronta-se hoje com o monstro que ajudou a criar.

Não tem autoridade moral para colocar-se na posição de vítima.

Vítimas são as brasileiras e brasileiros que sofrem com o desemprego, a recessão, o fim dos programas sociais e a volta fome ao país, sob o governo de que Aécio Neves é fundador e cúmplice.

Por seu comportamento hipócrita, por seu falso moralismo, Aécio Neves merece e recebe o desprezo do povo brasileiro.

Ele terá de responder um dia, perante a Justiça, pelos gravíssimos indícios de corrupção que o cercam. Terá de ser julgado com base em provas, dentro do devido processo penal. [...]"

O segundo trecho da nota é indiscutivelmente irrepreensível, como o primeiro. Continua denunciando Aécio, a mídia venal e a Globo por empreenderem o golpe que jogou milhões de brasileiros na rua da amargura. Ressalta que Aécio tem que ser julgado e que merece o desprezo do povo brasileiro. 

1.3. "[...] Mas a resposta da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a este anseio de Justiça foi uma condenação esdrúxula, sem previsão constitucional, que não pode ser aceita por um poder soberano como é o Senado Federal.

Não existe a figura do afastamento do mandato por determinação judicial. A decisão de ontem é mais um sintoma da hipertrofia do Judiciário, que vem se estabelecendo como um poder acima dos demais e, em alguns casos, até mesmo acima da Constituição.

O Senado Federal precisa repelir essa violação de sua autonomia, sob pena de fragilizar ainda mais as instituições oriundas do voto popular.

E precisa também levar Aécio Neves ao Conselho de Ética, por ter desonrado o mandato e a instituição.

Não temos nenhuma razão para defender Aécio Neves, mas temos todos os motivos para defender a democracia e a Constituição."

O terceiro e último trecho da nota, seguindo a linha dos trechos anteriores, é igualmente irretocável. Denuncia a decisão inconstitucional do STF - que faz parte do pérfido contexto em que o Poder Judiciário se coloca acima das leis e dos demais poderes para aplacar a sanha moralista que assola o país - e defende que Aécio responda por seus atos com a cassação do mandato feita pelos próprios parlamentares e não de forma ilegal pelo Supremo. 

2. Após ler o documento, algo que 90% das pessoas não se deu ao trabalho de fazer, o que temos?

É absolutamente inusitado que uma nota tão bem feita, tão precisa, tão cirúrgica e certeira em sua avaliação política e jurídica, tenha causado tanto furor. A posição do PT é corretíssima e se apresenta de forma coerente e precisa em todos os trechos do referido documento. 

Os moralistas de plantão, à direita e à esquerda, pretendem aplacar o seu ódio dando ainda mais poder aos togados e destruindo de vez o que resta da Constituição? A luta do PT, desde fins de 2014, tem sido insistente na defesa da legalidade e contra os abusos que vem sendo promovidos, em escala industrial, por promotores e juízes que se pretendem enquanto semi-deuses e Varões de Plutarco da república. 

Mantendo essa coerência e defendendo a legalidade, sem abrir mão de seus princípios e sem abrir mão da responsabilização de Aécio, ao mesmo tempo em que denuncia a intromissão indevida do Poder Judiciário em searas que não são da sua alçada, o PT ganha pontos no médio e no longo prazos

3. Reequilibrando as forças 

A gritaria a respeito desse assunto apenas demonstra que muita gente está confundindo a política com a moral, ou melhor dizendo, com o moralismo medieval que está empesteando o Brasil já há bom tempo. Golpistas são os outros; quem denuncia os golpistas não pode agir igual a eles

É preciso reequilibrar a balança do poder e "quebrar a crista" desses togados irresponsáveis que se omitiram e permitiram que o povo brasileiro fosse alvo de um pérfido golpe de estado. O Poder Judiciário, de longe o mais hermético e reacionário do país, não pode e não deve ditar os rumos da política. 

4. Tática e estratégia 

Corroborar a decisão inconstitucional do STF, a respeito do afastamento cautelar de Aécio, significaria no máximo um ganho tático.

Aécio está morto politicamente e jamais será presidente da república; nem sequer ao Senado tem condições de disputar no pleito do ano que vem e o máximo que conseguirá é ser deputado federal. É um morto-vivo; um zumbi; um cadáver político insepulto. 

Estrategicamente é muito melhor preservar o que ainda resta da legalidade constitucional e colocar um freio nos justiceiros medievais. A política tem que prevalecer sobre os setores não eleitos ou caminharemos cada vez mais em direção ao despenhadeiro. 

5. Omissão ou posição?

Por fim, e para aqueles que dizem que a nota foi inoportuna, é preciso dizer que um partido como o PT tem o direito de fazer várias coisas, menos de se omitir a respeito de um assunto tão importante. O PT seria criticado de qualquer forma (com nota, sem nota e com quaisquer conteúdos que viesse a defender).

Diogo Costa
No GGN
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E o G1 teve que engolir mais uma

Foto: Ricardo Stuckert
Lula tem 36%, Bolsonaro, 16%, e Marina, 14%, aponta pesquisa Datafolha para 2018

Pesquisa sobre a eleição presidencial de 2018 tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Instituto ouviu 2.772 pessoas nos dias 27 e 28 de setembro.

Pesquisa do Instituto Datafolha foi divulgada neste sábado (30) pelo jornal "Folha de S.Paulo" com índices de intenção de voto para o primeiro turno da eleição presidencial de 2018. Veja os resultados dos oito cenários pesquisados:

Cenário 1 (com Doria):

  • Lula (PT): 36%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 16%
  • Marina Silva (Rede): 14%
  • João Doria (PSDB): 8%
  • Alvaro Dias (Podemos): 4%
  • Henrique Meirelles (PSD): 2%
  • Chico Alencar (PSOL): 1%
  • João Amoêdo (Novo): 1%
  • Em branco/nulo/nenhum: 16%
  • Não sabe: 2%
 (Foto: Arte/G1)  (Foto: Arte/G1)

Cenário 2 (com Alckmin):

  • Lula (PT): 35%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 17%
  • Marina Silva (Rede): 13%
  • Geraldo Alckmin (PSDB): 8%
  • Alvaro Dias (Podemos): 4%
  • Henrique Meirelles (PSD): 2%
  • Chico Alencar (PSOL): 1%
  • João Amoêdo (Novo): 1%
  • Em branco/nulo/nenhum: 16%
  • Não sabe: 2%
 (Foto: Arte/G1)  (Foto: Arte/G1)

Cenário 3 (sem o PT, com Doria):

  • Marina Silva (Rede): 23%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 18%
  • Ciro Gomes (PDT): 10%
  • João Doria (PSDB): 10%
  • Alvaro Dias (Podemos): 5%
  • Henrique Meirelles (PSD): 2%
  • Chico Alencar (PSOL): 1%
  • João Amoêdo (Novo): 1%
  • Em branco/nulo/nenhum: 26%
  • Não sabe: 3%
 (Foto: Arte/G1)  (Foto: Arte/G1)

Cenário 4 (sem o PT, com Alckmin):

  • Marina Silva (Rede): 22%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 19%
  • Geraldo Alckmin (PSDB): 10%
  • Ciro Gomes (PDT): 10%
  • Alvaro Dias (Podemos): 5%
  • Chico Alencar (PSOL): 2%
  • Henrique Meirelles (PSD): 2%
  • João Amoêdo (Novo): 1%
  • Em branco/nulo/nenhum: 26%
  • Não sabe: 3%
 (Foto: Arte/G1)  (Foto: Arte/G1)

Cenário 5 (com Haddad e Alckmin):

  • Marina Silva (Rede): 22%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 19%
  • Geraldo Alckmin (PSDB): 9%
  • Ciro Gomes (PDT): 9%
  • Alvaro Dias (Podemos): 5%
  • Fernando Haddad (PT): 3%
  • Henrique Meirelles (PSD): 2%
  • Chico Alencar (PSOL): 2%
  • João Amoêdo (Novo): 1%
  • Em branco/nulo/nenhum: 25%
  • Não sabe: 3%
   (Foto: Arte/G1)

Cenário 6 (com Alckmin e Doria):

  • Marina Silva (Rede): 20%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 17%
  • Geraldo Alckmin (PSDB): 9%
  • Ciro Gomes (PDT): 9%
  • João Doria (PSDB): 7%
  • Alvaro Dias (Podemos): 5%
  • Fernando Haddad (PT): 2%
  • Henrique Meirelles (PSD): 2%
  • Chico Alencar (PSOL): 1%
  • João Amoêdo (Novo): 1%
  • Em branco/nulo/nenhum: 24%
  • Não sabe: 3%
 (Foto: Arte/G1)  (Foto: Arte/G1)

Cenário 7 (com Moro e Joaquim Barbosa):

  • Marina Silva (Rede): 17%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 15%
  • Sérgio Moro (sem partido): 9%
  • Geraldo Alckmin (PSDB): 8%
  • Ciro Gomes (PDT): 7%
  • João Doria (PSDB): 6%
  • Joaquim Barbosa (sem partido): 5%
  • Alvaro Dias (Podemos): 3%
  • Fernando Haddad (PT): 2%
  • Henrique Meirelles (PSD): 2%
  • Chico Alencar (PSOL): 1%
  • Rodrigo Maia (DEM): 1%
  • João Amoêdo (Novo): 1%
  • Em branco/nulo/nenhum: 20%
  • Não sabe: 3%
 (Foto: Arte/G1)  (Foto: Arte/G1)

Cenário 8 (com Lula e Ciro):

  • Lula (PT): 35%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 17%
  • Marina Silva (Rede): 13%
  • Geraldo Alckmin (PSDB): 8%
  • Ciro Gomes (PDT): 4%
  • Alvaro Dias (Podemos): 4%
  • Henrique Meirelles (PSD): 2%
  • Chico Alencar (PSOL): 1%
  • Em branco/nulo/nenhum: 15%
  • Não sabe: 2%
 (Foto: Arte/G1)  (Foto: Arte/G1)
O Datafolha ouviu 2.772 pessoas em 194 cidades entre quarta (27) e quinta (28). A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e índice de confiança de 95% - o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%.

Segundo turno

Em relação ao segundo turno, foram feitas nove projeções. São elas:


Cenário 1

  • Lula: 46%
  • Alckmin: 32%

Cenário 1
Intenções de voto em %
46463232LulaAlckmin01020304050

Cenário 2

  • Lula: 48%
  • Doria: 32%
Cenário 2
Intenções de voto em %
48483232LulaDoria0102030405060

Doria
32


Cenário 3

  • Lula: 44%
  • Marina: 36%
Cenário 3
Intenções de voto em %
44443636LulaMarina01020304050

Marina
36

Cenário 4

  • Lula: 47%
  • Bolsonaro: 33%
Cenário 4
Intenções de voto em %
47473333LulaBolsonaro01020304050

Bolsonaro
33

Cenário 5

  • Lula: 44%
  • Moro: 42%
Cenário 5
Intenções de voto em %
44444242LulaMoro01020304050

Moro
42

Cenário 6

  • Alckmin: 37%
  • Ciro: 29%
Cenário 6
Intenções de voto em %
37372929AlckminCiro010203040

Ciro
29

Cenário 7

  • Doria: 34%
  • Ciro: 32%
Cenário 7
Intenções de voto em %
34342929DoriaCiro010203040

Doria
34

Cenário 8

  • Marina: 47%
  • Bolsonaro: 29%
Cenário 8
Intenções de voto em %
47472929MarinaBolsonaro01020304050

Cenário 9

  • Alckmin: 44%
  • Haddad: 17%
Cenário 9
Intenções de voto em %
44441717AlckminHaddad01020304050

Haddad
17

Rejeição

O instituto também pesquisou a rejeição aos possíveis nomes na disputa. Veja os números:
  • Lula (PT): 42%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 33%
  • Geraldo Alckmin (PSDB): 31%
  • Rodrigo Maia (DEM): 30%
  • Fernando Haddad (PT): 29%
  • Ciro Gomes (PDT): 27%
  • Marina Silva (Rede): 26%
  • Henrique Meirelles (PSD): 25%
  • Sérgio Moro (sem partido): 25%
  • João Doria (PSDB): 25%
  • Chico Alencar (PSOL): 24%
  • João Amoêdo (Novo): 23%
  • Alvaro Dias (Podemos): 22%
  • Joaquim Barbosa (sem partido): 21%
  • Votariam em qualquer um/não rejeitam nenhum: 2%
  • Rejeitam todos/não votariam em nenhum: 3%
  • Não sabem: 3%
Rejeição
Em %
42423333313130302929272726262525252525252424232322222121223333LulaBolsonaroAlckminMaiaHaddadCiroMarinaMeirellesMoroDoriaAlencarAmoêdoAlvaroBarbosaNão rejeitam nenhumRejeitam todosNão sabem051015202530354045

Lula
42

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