28 de set. de 2017

Palocci, um traste humano


É óbvio ululante que a “carta-testamento” do Antonio Palocci não teve o PT como destinatário real, mas sim seus carcereiros de Curitiba. Está claro, também, que a carta é apenas uma trapaça de um velhaco desesperado e sem compromisso com a verdade e com a dignidade, com a honra e com a história alheia.

Com a vilania, ele somou pontos na negociação de “contrapartidas” com seus carcereiros. As vantagens não serão desprezíveis: a proteção de parte significativa do formidável patrimônio que ele amealhou no mundo do crime, assim como a redução considerável dos anos no cárcere.

Palocci se esmerou em elaborar um documento com altíssimo poder semiótico. Não são fortuitas, em nenhuma hipótese, as inúmeras descrições no texto recheadas de sentidos e significados:

- “... as situações que presenciei, acompanhei ou coordenei, normalmente junto ou a pedido do ex-Presidente Lula”;

- “... a evolução e o acúmulo de eventos de corrupção ... principalmente a partir do segundo governo Lula”;

- “... destacar o choque de ter visto Lula sucumbir ao pior da política no melhor dos momentos de seu governo”;

- “... toda uma rede de sustentação corrupta e alheia aos interesses do cidadão”;

- “Nós, que nascemos diferentes, que fizemos diferente, que sonhamos diferente, acabamos por legar ao país algo tão igual ou pior dos costumes políticos”;

- “... onde Lula encomendou as sondas e as propinas, no mesmo tom, sem cerimônias, na cena mais chocante que presenciei do desmonte moral da mais expressiva liderança popular que o país construiu em toda nossa história”;

- “Até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do ‘homem mais honesto do país’, ...?”;

- “Afinal, somos um partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade?”;

- “... pude acompanhar de perto a evolução de nosso poder e nossa deterioração moral”.

Uma passagem, entretanto, sintetiza o poder semiótico da carta do Palocci:

... ‘o cara’, nas palavras de Barack Obama, dissociou-se definitivamente do menino retirante para navegar no terreno pantanoso do sucesso sem crítica, do ‘tudo pode’, do poder sem limites, onde a corrupção, os desvios, as disfunções que se acumulam são apenas detalhes, notas de rodapé no cenário entorpecido dos petrodólares que pagarão a tudo e a todos”.

Palocci se assumiu como roteirista da Globo e da oligarquia golpista, condição que deverá lhe render benefícios adicionais, além daqueles que receberá dos carcereiros de Curitiba.

A carta é o roteiro que a classe dominante buscava para a narrativa de desconstrução da imagem, do significado e do legado dos governos civilizatórios do ex-presidente Lula. Tem o poder de um míssil nuclear para aniquilar Lula e o PT.

Palocci escreveu que já virou essa página. “Ao chegar ao porto onde decidi chegar, queimei meus navios. Não há volta”.

Não é improvável que, depois de colaborar para destruir Lula e o PT, o “italiano” se auto-exilie na Itália [país em que deve ter cidadania], para viver com os milhões amealhados e oferecidos em “contrapartida” pela Lava Jato.

Seja onde e como ele viver, entretanto, Palocci não perderá, durante nada menos que toda a eternidade, a condição de traste humano.

Jeferson Miola
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Enquanto mídia discutia recibos, Moro impedia Lula de produzir provas de inocência

Juiz indeferiu pedido para reconstruir o caminho do dinheiro que a Odebrecht, para ajudar a Lava Jato, afirma ter gastado em benefícios ao ex-presidente

Foto: Lula Marques
Enquanto a grande mídia passou o último dia tentando colocar em xeque os recibos apresentados pela defesa de Lula como comprovante de pagamento por anos de um aluguel que a Lava Jato considera vantagem indevida ao petista, o juiz Sergio Moro despachava de Curitiba negando uma série de diligências que poderiam ajudar o ex-presidente a provar que ele não recebeu pagamentos da Odebrecht.

Um dos principais pedidos barrados por Moro foi feito não só pela defesa de Lula, mas também pelos defensores do advogado Roberto Teixeira, também réu na ação penal que envolve não só o aluguel de um imóvel em São Bernardo do Campo, mas a compra de um espaço que o Instituto Lula nunca usou.

Eles solicitaram uma perícia para reconstruir o caminho do dinheiro desviado de contratos da Odebrecht com a Petrobras e supostamente empregados na compra do imóvel do Instituto, conforme aponta o Ministério Público. Mas Moro decidiu rejeitar o pedido, alegando que, em seu entendimento, recursos da Petrobras não têm nenhuma conexão direta com a denúncia.

"Não há afirmação da denúncia de que os recursos provenientes dos contratos da Petrobrás com a Odebrecht foram utilizados diretamente para aquisição dos imóveis", reafirmou.

O entendimento já sido questionado pela defesa de Lula, pois se não há conexão entre recursos da Petrobras e as acusações de Lula, o processo não deveria sequer estar tramitando em Curitiba. 

Para Moro, "o que a denúncia afirma é que, nesses contratos, haviam acertos de propinas, que integravam um caixa geral de propinas do Partido dos Trabalhadores com o Grupo Odebrecht, sendo que parte delas foi utilizada para as referidas aquisições."

O juiz ainda disse que "dinheiro é fungível e a denúncia não afirma que há um rastro financeiro e físico entre os cofres da Petrobrás e o numerário utilizado para aquisição dos imóveis, mas sim que as benesses recebidas pelo ex-Presidente fariam parte de um acerto de propinas do Grupo Odebrecht com dirigentes da Petrobrás e agentes políticos e que também beneficiaria o  ex-Presidente."

Dessa forma, Moro indica que, mais uma vez, dará valor a delações premiadas em detrimento de provas materiais. O mesmo ocorreu com a sentença do caso triplex, quando o magistrado utilizou depoimentos da OAS para condenar Lula a 9 anos de prisão, mais pagamento de multas que superam R$ 16 milhões - valor correspondente ao "caixa geral" de propina de Léo Pinheiro com o PT.

Também no caso triplex, Moro usou o fato de os procuradores de Curitiba não terem conseguido reconstruir o caminho do dinheiro que supostamente beneficiou Lula como mais um elemento a atestar a lavagem de dinheiro. O argumento do Ministério Público foi que crimes de colarinho branco, praticados por pessoas experientes, não deixa rastros.

No processo da Odebrecht, Moro afirmou que só vai discutir na sentença "se a ausência desse rastreamento físico é necessária ou não para a caracterização dos crimes de corrupção ou de lavagem."

Sistema Drousys e My Web Day

No despacho assinado no último dia 27, Moro reafirmou que a defesa de Lula está impedida de extrair cópias dos sistemas de comunicação e registro de propina no exterior da Odebrecht, o Drousys e o MyWebDay. Para a equipe do ex-presidente, o aceddo integral aos sistemas mostraria que Lula nunca foi beneficiado com pagamentos.

Para negar acesso integral e cópias, Moro disse que há dados relativos a outras investigações que não podem ser concedidos à defesa de Lula ou qualquer outro réu. 

Numa canetada só, ele ainda indeferiu que uma análise sobre os requisitos jurídicos da cooperação internacional que trouxe os materiais da Suíça e Suécia ao Brasil, além de impedir que se conheça se os dados dos dois sistemas confirmam ou não as delações da Odebrecht.

Tentando contornar a blidagem ao Drousys e MyWebDay, a defesa de Lula ainda requereu acesso ao processo que originou o acordo de leniência da Odebrecht. Moro indeferiu. Ele permitiu conhecimento apenas à cópia do acordo final e da decisão pela homologação. "O acesso ao próprio processo é inviável pois, nos referidos autos, são e podem ser juntadas provas relativas a outos fatos e a investigações em andamento."

Tradução

Contrariando a defesa de Lula, o juiz indeferiu até mesmo um singelo pedido de tradução de documentos juntados aos autos pelo Ministério Público Federal, que encontram-se em inglês, espanhol e alemão. Pela Código de Processo Penal, segundo Moro, a tradução só deve ser feita se "necessária". Então, o juiz considerou que os termos em lingua estrangeira que estão nos documentos são de "fácil compreensão". "Então em princípio a tradução pretendida é desnecessária, motivo pelo qual indefiro o requerimento, salvo se melhor demonstrada a necessidade ou a dificuldade de compreensão da Defesa no prazo de cinco dias."

Cíntia Alves
No GGN
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General recomenda que insatisfeitos se manifestem, mas 'ordeiramente'

O general Edson Leal Pujol, comandante militar do Sul, substituto do general Mourão
O comandante militar do Sul, general Edson Leal Pujol, afirmou nesta terça-feira (26) que as pessoas que estão insatisfeitas com a situação política do país devem se manifestar, mas "ordeiramente".

"Se vocês estão insatisfeitos, vão para a rua se manifestar, mostrar, ordeiramente. Mas não é para incendiar o país, não é isso", afirmou o general durante uma reunião-almoço organizada pela Associação Comercial de Porto Alegre.

A declaração foi dada em resposta a uma pergunta de um participante da reunião que questionou: "General, o país está à deriva. Quem nos mostrará o caminho?". O público era formado majoritariamente por empresários.

Leal Pujol respondeu ao questionamento afirmando que cabe à própria população mostrar o caminho e recomendou que os insatisfeitos se manifestem.

"Se os nossos representantes não estão correspondendo às nossas expectativas, vamos mudar. Há uma insatisfação geral da nação, eu também não estou satisfeito", disse o general.

Termômetro

Na sequência, Leal Pujol afirmou que a população é o principal termômetro para os Poderes Executivo, Legislativos e Judiciário. E lembrou que, nos últimos três meses, não houve nenhum protesto significativo em capitais como São Paulo, Rio, Brasília e Porto Alegre.

"Não estamos gostando, mas estamos passivos. (...) Quero saber quantos de vocês foram pra rua se manifestar? Não adianta nós usarmos só as mídias sociais", disse.

O general ainda destacou que ele não pode se manifestar por causa da hierarquia militar: "Eu não posso ir pra rua".

Ao final da declaração, o general ressalvou que intervenção militar não seria uma solução e que que o papel das Forças Armadas é "seguir a legislação".

João Pedro Pitombo
No fAlha
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Globo usa Aécio Neves para fazer ataque sórdido a Lula, ao PT, à esquerda e à Constituição


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Ibope: 72% do Nordeste quer Dilma de volta; no país, 59%


Os números da pesquisa CNI/Ibope, divulgados agora, são impressionantes. A aprovação do governo está na margem de erro, confirmando o que várias outras pesquisas indicaram.

Um número me chamou a atenção. A maioria das pessoas (59%) acha o governo Temer pior que o governo anterior, apesar da manipulação monstruosa da mídia, em especial da Globo, que continua tentando jogar a culpa das desgraças atuais em Dilma. Apenas 8% dos entrevistados acham o governo Temer melhor que o anterior.

No Nordeste, o percentual da população que acha o governo Temer pior que o anterior chega a 72%, contra apenas 4% que acha Temer melhor.

Esses números revelam que a maioria esmagadora da população rechaça o golpe. É sintomático que os institutos não façam mais nenhuma pergunta sobre a legalidade do impeachment, ou qualquer pergunta mais direta sobre o apoio ao impeachment.

Estão apavorados sobre possíveis resultados.

Confira os números abaixo, estratificados.


Miguel do Rosário
No Cafezinho
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O que você precisa saber antes de falar que a esquerda é totalitária 4/5


Bem diferente do que diz o discurso conservador, a consolidação da democracia no Ocidente como conhecemos hoje só foi possível devido às demandas da esquerda.

A Democracia Direta e a Experiência Russa



“Lênin proclama a vitória da Revolução Russa”, de Valentin Serov (1917)
A Comuna de Paris acabou destruída brutalmente em poucas semanas. Foi uma carnificina: cerca de 20 mil pessoas terminaram executadas. Número que superava, inclusive, os mortos durante o sempre lembrado Terror jacobino. A ferocidade da reação conservadora/liberal demonstrou o perigo que a proposta de autogestão representava na época. A derrota militar, contudo, transformou-se em vitória simbólica e o espectro do socialismo continuou assombrando a Europa.

Em 1917 estourou uma nova revolução, dessa vez na Rússia. Em fevereiro daquele ano, a secular autocracia czarista ruiu. A Revolução de Fevereiro, como o evento ficou conhecido, foi um caso peculiar. Não havia uma coordenação central, um grupo ou uma liderança que desse direção ou base ideológica aos acontecimentos. Como lembrou o historiador Daniel Aarão Reis: “eram uma concepção, uma tradição – e uma prática – que vinham abaixo sem um processo de amadurecimento de alternativas institucionais”.

A historiadora Sheila Fitzpatrick escreveu que se formou algo análogo a um vácuo de poder. Contudo, vácuo de poder não existe. Com a ruína das instituições czaristas, quem tomaria as rédeas da política? Para explicar esse movimento, Leon Trotsky propôs o conceito de Poder Dual. Segundo o revolucionário, haveria um poder da elite, liberal, representado pelo Governo Provisório; e um poder popular, agrupado em torno do Soviete de Petrogrado.

Estudos mais recentes, como o já mencionado professor Daniel Aarão Reis, mostraram que o processo foi um pouco mais complexo. Aarão questiona a noção de que haveria dois polos de poder. Para o historiador, a crise da Monarquia Russa teria favorecido às forças centrífugas, que não estariam subordinadas nem ao Soviete de Petrogrado e nem ao Governo Provisório: “o desafio era fazer dos sovietes um poder unificado. Brotando em toda a parte, tinham os freios nos dentes e exerciam sua respectiva autonomia, o que desde cedo, foi um complicador. (…) Havia ali um reconhecimento da legitimidade das instâncias centrais, mas não uma obediência automática às suas orientações. Nesse sentido, seria mais fácil falar de uma “rede” de conselhos, de uma multiplicidade de poderes, e não de uma dualidade de poderes”. Na mesma linha, Eric Hobsbawm afirma que o vácuo revolucionário havia sido preenchido por um Governo provisório impotente de um lado, e de outro “uma multidão de conselhos de base (Sovietes) brotando espontaneamente por todos os lados, como cogumelos após as chuvas”.

A desagregação do poder central não ficou restrita aos Sovietes. A aprovação da ordem de serviço número 1 determinava que as decisões nas Forças Armadas seriam tomadas por um colegiado de soldados, que teriam total liberdade de expressão. A democratização das Forças Armadas quebrava a espinha dorsal da instituição, baseada na hierarquia a na disciplina. No interior, os camponeses seguiram o mesmo caminho, conformando instancias deliberativas locais, que também não se sujeitavam ao Governo Provisório: “como o comitê do vilarejo Sotnursk lembrou às suas autoridades regionais: Nós elegemos vocês. Vocês têm que nos ouvir!” (Sarah Badcok)

Do ponto de vista institucional, a Rússia estava sendo fragmentada por estes múltiplos poderes. Mas a fratura principal era entre duas concepções diferentes de democracia: a liberal e a socialista. Nesse aspecto, a ideia de Poder Dual faz sentido. Em tese, como vimos, práticas de democracia direta podem perfeitamente coexistir com um sistema representativo. Mas na Rússia, esses modelos buscavam a hegemonia e, assim, entravam em choque. Em abril, por exemplo, Lênin passou a defender a famosa fórmula “todo poder aos Sovietes”. Na prática, isso queria dizer que as decisões seriam tomadas pelas instâncias locais e o governo seria a caixa de ressonância desses anseios. Nessa concepção de democracia, a política pluripartidária não faria sentido, pois o governo seria um executor das deliberações que viriam de baixo.

O problema é que ao mesmo tempo em que os Sovietes brotavam como cogumelos, o Governo Provisório fortalecia a democracia representativa, tirando os partidos da ilegalidade e prometendo convocar uma Assembleia Constituinte. Cedo ou tarde, haveria conflito.

Em outubro os bolcheviques finalmente chegariam ao poder e esta contradição ficou evidente. Ora, os bolcheviques era um partido político; partido é elemento constitutivo da democracia representativa. Será que depois de conquistar o poder eles o transfeririam para os Sovietes? Se essa era realmente a intenção, como seria feito? E os demais partidos, aceitariam um sistema político que os eliminaria? O que aconteceria se os comitês tivessem concepções diferentes?

As primeiras medidas adotadas pelo CCP iam na direção do fortalecimento da democracia direta. Lênin precisava ampliar as bases de sustentação política e oficializou algumas decisões que já haviam sido decididas pelos conselhos: como a jornada de trabalho de oito horas, o direito dos povos não russos à autodeterminação, aboliu as distinções civis e estabeleceu o controle operário das empresas. Por outro lado, a Assembleia Constituinte foi mantida e os outros partidos passaram a apostar nela para ampliarem sua influência.

Logo na abertura dos trabalhos da Assembleia, os Bolcheviques apresentaram a Declaração dos Direitos dos Povos Trabalhadores e Explorados, que delineava as principais características que o novo regime deveria seguir. Foi a última tentativa de conciliar os dois modelos. A maioria dos deputados, porém, rejeitou, pois feria o princípio de soberania da assembleia eleita.

A aposta de oposição na democracia liberal deu resultado. Os Sociais Revolucionários (SRs) conquistaram 267 deputados, número muito maior que as 167 cadeiras assegurada pelos Bolcheviques. Havia uma clara crise de legitimidade, proporcionada pela coexistência de dois modelos políticos distintos. Os Socialistas Revolucionários tinham a legitimidade do voto, enquanto os Bolcheviques dominavam grande parte dos Sovietes. Caso a conformação da democracia representativa tivesse continuidade, ela fatalmente iria desmontar os conselhos locais e concentrar poder. Caso os Bolcheviques quisessem adotar a fórmula “todo poder aos Sovietes”, teriam que acabar com o pluripartidarismo. Obviamente, que àquela altura, qualquer um dos caminhos escolhidos levaria a uma guerra civil.

E foi exatamente o que aconteceu. Lênin recorreu aos Sovietes e votou a dissolução da Assembleia. Eram vozes dissonantes competindo por uma soberania indefinida. A Guerra Civil tornou a descentralização política inviável e fortaleceu aqueles que defendiam soluções autoritárias dentro do partido. O pêndulo político deslizava para o outro lado. Os partidos oposicionistas foram declarados como inimigos da revolução e do povo Russo. A administração da Justiça passou para os Sovietes e, na prática, passou a ser administrada pelo governo.

Foi criado uma polícia política, a Tcheka. A economia passou a ser administrada e planejada centralmente, colocando um ponto final em qualquer possibilidade de autogestão nas fábricas. “Os Bolcheviques, de fomentadores da desagregação e da ruptura, convertiam-se, agora, em força centrípeta, campeões de um processo rápido de centralização autoritária da sociedade”. (Daniel Aarão Reis). “Foi no contexto da Guerra Civil que os bolcheviques tiveram sua primeira experiência de governo, e isso sem dúvida moldou o desenvolvimento subsequente do partido em muitos aspectos importantes. Mais de meio milhão de comunistas serviram no Exército Vermelho (…). Para o contingente que se filiou durante a Guerra Civil, o partido era uma irmandade guerreira no sentido mais literal. Os comunistas que serviam o Exército Vermelho levaram o jargão militar para a linguagem política partidária, e fizeram das túnicas e botas dos exércitos, quase que um uniforme para membros do partido nos anos 1920/30” (Sheila Fitzpatrick).

A Guerra Civil, que surgiu para solucionar o conflito entre dois modelos distintos de democracia, acabou enterrando os dois. A partir desse momento a Revolução iria se burocratizar, se afastar da soberania popular, e, com o advento do stalinismo, a Ditadura do Proletariado seria convertida numa ditadura sobre o proletário.

“Uma nova burocracia se instalou no Estado, inteiramente sob o modelo que Lenin havia instituído em 1904 para a organização do Partido. Se conforme este modelo as autoridades centrais do Partido deviam vigiar, dirigir e determinar todas as expressões de vida dos camaradas do Partido e do movimento operário em geral, a nova burocracia devia vigiar, dirigir e determinar todas as expressões de vida do conjunto da população, não só na vida do Estado mas também no processo de produção e de circulação, mesmo toda a vida social, todo pensamento e todo sentimento das massas” (em “A Ditadura do Proletariado”). (…) “Sem dúvida, liberdade de circulação e de domicílio, liberdade de escolher a sua profissão e o seu serviço são liberdades ‘liberais’, assim como a liberdade de imprensa e de reunião, etc. Mas isto não quer dizer que os operários renunciem a essas liberdades, mas que elas não lhes são suficientes, que eles pedem ainda liberdades maiores à sua comunidade socialista”.

Eduardo Migowski
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Impopularidade de Temer vai encarecer os votos na Câmara


Disponível agora em dados detalhados, a pesquisa CNI Ibope vai dando mais detalhes sobre o grau de descrédito de Michel Temer.

Seus 3% de “ótimo e bom” são zero por cento de ótimo.

Apenas 6% dos brasileiros têm algum nível de confiança nele.

A relação entre sua aprovação/desaprovação é disparado a mais desfavorável de toda a história recente do Brasil.

Nem Sarney, nem Collor no impeachment alcançaram seu nível de desprestígio, como você vê no gráfico que montei a partir dos números da pesquisa.

O Governo Temer é sustentado apenas pelo apetite do mercado financeiro, a quem ele entrega o país e os direitos do povo brasileiro e por um congresso corrupto e fisiológico que dele arranca favores e dinheiros.

Ah, sim, e pelos tucanos que não desgrudam do poleiro.

O fato de 59% já considerarem o Governo Dilma melhor que este – embora “melhor que este” não seja elogia é revelador de que a população está compreendendo que ele foi derrubado para que ascendesse uma súcia de canalhas.

Eles, porém, não ligam a mínima para que este país tenha um governo-detrito.

Esfregam as mãos com a pesquisa que sai agora, pouco antes da votação da segunda denúncia contra Temer.

É que vai ficar mais caro o voto e mais lucrativo o crime.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Las últimas horas de Víctor Jara: “Latiendo como una campana”

El relato del abogado Boris Navia
El abogado y militante comunista, quien se desempeñó durante la Unidad Popular como jefe del departamento de personal y miembro del consejo superior de la Universidad Técnica del Estado (UTE) hasta el 11 de septiembre de 1973, nos relata las últimas horas con vida de Víctor Jara.

“Desde la UTE nos llevaron prisioneros al Estadio Chile. Me tocó entrar por Unión Latinoamericana. Había un túnel de soldados y los oficiales les ordenaban golpearnos con patadas, con culatazos, llevábamos las manos en la nuca, pero en verdad nos pusimos las manos en la cabeza para evitar que nos golpearan el cráneo”, relata el abogado Boris Navia, que compartió tormentos el 11 de septiembre junto a Víctor Jara.

“Víctor iba cuatro o cinco lugares antes que yo, también saltando porque nos hacían saltar para que nos agotáramos, y de repente un oficial que estaba parado sobre una tarima, con uniforme guerrero, porque andaban todos dispuestos para la guerra, con cascos hasta los ojos, el rostro pintado, granadas en el pecho, pistolas, corvos, ametralladoras… Ese oficial descubre a Víctor Jara y dice: ‘¡A ese hijo de puta me lo traen para acá!’. Un soldado lo saca de la fila, pero suavemente… Entonces el oficial protesta: ‘¡No lo traten como señorita, carajo!’. A la voz del oficial, el soldado toma el fusil y le da un feroz culatazo en la espalda.

Víctor trastabilla pero no alcanza a caer. Le da un segundo culatazo. Víctor cae casi a los pies del oficial, que había bajado de su tarima: ‘¡Vó’ soy el hijo e’ puta… yo te enseñaré a cantar canciones chilenas, no canciones comunistas, hijo e’ puta!’. Y empieza a golpearlo, con sadismo. Víctor trata de protegerse el rostro, pero lo golpea, una, dos, diez patadas, qué se yo.

Víctor se arrolla y el torturador parece que se desespera y se desequilibra cuando ve que Víctor se levanta y, en lugar de pedir clemencia o algo así, simplemente contesta con una sonrisa… De improviso, en esa histeria fascista, saca la pistola, y nosotros pensamos que le descerrajaría un tiro. En el intertanto, toda la fila que estaba saltando deja de hacerlo. Los conscriptos que nos custodiaban dejan de gritar y de golpearnos, y todo el mundo queda transido frente a esa escena de horror…

El oficial saca la pistola y comienza a golpearle con el cañón en la cabeza. Y vemos como la sangre de Víctor le empapa el pelo, la frente, y le empieza a correr por su cara. Ese rostro ensangrentado como un verdadero Cristo, se nos quedó grabado… Y lo golpea, lo increpa, pero de repente se da cuenta que hay cientos de ojos mirando, y dice: ‘¡Y qué pasa con estas mierdas que no avanzan! ¡Avancen, huevones! A este carajo me lo lleva a ese pasillo, y al menor movimiento, lo matas. ¿Me entiendes, carajo? Lo matas…’.

Y el soldado arrastra a Víctor muy mal herido. Después comprobaríamos que tenía dos o tres costillas rotas, a pesar que se protegía con sus manos, los puntapiés penetran. Tenía un ojo reventado, prácticamente fuera, hinchado. Y el soldado lo deja en el pasillo de entrada por el ingreso de Unión Latinoamericana”.

La tortura y el terrorismo

“En la gradería sur, podíamos seguir viendo a Víctor, quien permanece ahí el día miércoles 12 hasta el jueves 13. Durante la noche, no le dan ni agua ni alimento alguno, nada. Está sangrando, había perdido mucha sangre, y durante la noche del 12 para el 13, es exhibido como trofeo frente a los personeros de otras ramas castrenses que llegaban al estadio. Recuerdo perfectamente bien a una delegación de la FACH…

Quien lo exhibía era el oficial llamado ‘el Príncipe’ -Edwin Dimter, pensamos que es él-. Era muy teatral, histriónico, de repente se paraba cuando ya habíamos tres o cuatro mil presos, y desde una de las graderías gritaba: ‘¡A ver, ustedes, la escoria marxista, los vende patria, los come mierda de allá! ¿Me escuchan?’. Y había que contestarle: ‘¡Sí, señor!’. Histriónicamente, se aclaraba la garganta y decía: ‘¡Ah, me escuchan todos, tengo voz de príncipe!’. Era el más sádico, andaba con un linchaco con el que acostumbraba golpear a los presos en la espalda, testículos…

Él exhibía a Víctor, y todos lo castigaban, lo golpeaban, hacían escarnio del cantor. Incluso, un oficial de la FACH le dijo: ‘¡Fuma hueón!’. Andaba con un cigarrillo a medio consumir, y lo tiró cerca de Víctor. Y él le dice que no fuma. Y le grita: ‘¡Vas a tener que fumar, hueón!’. Víctor estira temblorosamente su mano y cuando va a coger la colilla, el oficial se la aplasta con la bota izquierda, y con la derecha empieza a triturarle la muñeca: ‘¡A ver si vai a poder tocar la guitarra ahora, hueón!’, y lo golpeaba ferozmente…”

“Víctor permanece en  ese pasillo hasta el jueves 13, a medio día. Está muy mal, desfalleciendo, la sangre empieza a secarse en su rostro… Lo arrastramos hacia las graderías, y allí le limpiamos la sangre. Le dimos agua -que era lo único que teníamos-, y con un corta uñas empezamos a cortarle su pelo ensortijado. Un carpintero se sacó su chaquetón y así le tapamos la camisa campesina. Intentábamos disfrazar a Víctor. Y cuando hacemos listados para el traslado al Estadio Nacional, le ponemos su nombre completo para que no apareciera ‘Víctor Jara’, sino ‘Víctor Lidio Jara Martínez’… No teníamos qué darle, nosotros mismos no habíamos comido nada casi.

Hablamos con un soldado, un estudiante de la UTE dijo: ‘Parece que lo conozco’, y se acercó a él. ‘Oye, el que está ahí es Víctor Jara. ¿No tienes nada? Un pedazo de galleta, de pan’. ‘No - dijo - no tengo nada’. Contestó de mal modo, pero luego volvió, y volvió con un huevo crudo… Se lo dimos y Víctor lo perforó con un fósforo y empezó a chuparlo. ‘Así comía los huevos en mi Lonquén’, y cuando terminó - lo chupó íntegro -, dijo: ‘Ahora mi corazón vuelve a latir como campana’… Permanecemos con él.

Es jueves 13 y ya había 5.000 presos políticos… Logramos conseguirle un lugar para dormir. En la cancha se podía dormir estirado. Le conseguimos un lugar allí. Víctor estaba muy maltrecho. Los demás dormíamos sentados con la luz de los reflectores en nuestras cabezas. Víctor está mal, pero había recuperado su ánimo”.

“Duerme esa noche con nosotros… Y el viernes 14 empieza el traslado. Teníamos el presentimiento que a Víctor lo iban a matar. Queríamos de todas maneras llegar con él vivo al Estadio Nacional, esperanzábamos que en ese recinto no hubiese tanta crueldad, tortura y muerte… Pasamos, nos hicieron formar, y alcanzamos a salir a la calle el medio día del viernes 14, con Víctor, saltando, con culatazos, y todo lo demás… pero cuando estamos en la calle hubo una balacera enorme, y nos hicieron volver al recinto.

Permanecemos con Víctor la noche del viernes 14, ya estaba más repuesto, nos habían dado un tazón de porotos o lentejas, estábamos mejor… Pudimos hablar, y le preguntan qué sensación tenía de ver el estadio que lo había aclamado el 69, cuando ganó el primer lugar en un festival de la Universidad Católica con Plegaria a un labrador… y Víctor empieza a preguntar si sabíamos de Ángel Parra, de la gente de la Peña… Ya se sabía de la muerte de Allende. Y nosotros insistíamos: ‘¿Qué vas a hacer?

Un cantante revolucionario, militante comunista. ¿Qué va a ser de tu vida en esta dictadura? ’. Ya algo se sabía de lo que estaba ocurriendo en las calles, y él contestaba con un rostro muy sombrío: ‘La gringa - refiriéndose a Joan - con las niñas se van a tener que ir’. Pero insistíamos: ‘¿Y qué vas a hacer tú’. Decía: ‘No sé. Yo volveré a mi tierra… Soy de Lonquén’…”.

Papel y Lápiz

“Llega el sábado 15, hay traslados, y en ese minuto se sabe que dos personas de nuestra universidad saldrán en libertad. Sentados en las graderías - incluso sigue pintada de blanco hasta hoy -, fue en el último asiento donde estuvo Víctor… Él me pide papel y lápiz. Yo tenía una libreta donde quedaban pocas hojas en blanco. Se la paso y un lápiz, y Víctor empieza a escribir, y escribía rápido, concentrado, muy rápido. Escribía como con la incertidumbre que venía o del presentimiento… Y le decimos: ‘Víctor se van a ir los mensajeros’.

Efectivamente, se iban yendo; le estábamos entregando los papeles, y Víctor seguía concentrado escribiendo, y escribía y escribía… Después desistimos de exigirle, y que se fueran no más los que salían en libertad… Y estando Víctor escribiendo, llegan dos soldados que cumplían órdenes de un oficial del ejército”.

“Arriba, divisamos en el palco del sector norte a oficiales de la Marina… Víctor es arrastrado por esos soldados y… lanza la libreta. Yo la recojo y me la guardo en el bolsillo interior de mi chaqueta, y me olvido. Seguimos con la vista a Víctor, no teníamos la posibilidad de movernos mucho, estábamos vigilados… nos acercamos lo más que pudimos al sector donde estaba y vemos que un gordo oficial de la Marina empieza a insultarlo, y Víctor algo dijo o no, o simplemente con esa sonrisa… y el oficial da orden de golpearlo y empiezan otra vez… Vemos la sangre en su rostro y la última mirada que lanza hacia los presos, en una suerte de visión de despedida… Logra levantarse dos veces y después ya no. Es la última vez que lo vemos con vida… Inconsciente, lo arrastran…”.

Los últimos minutos

“Siempre pensé que Víctor había muerto por los golpes, porque lo golpearon mucho, con las culatas de los fusiles, pero no… más tarde, Osiel Núñez, presidente de la Federación de Estudiantes, a quien también tenían aparte, logró verlo a las cuatro de la tarde. La última vez que nosotros lo vimos debe haber sido entre las 12 y la una. El doctor Bartulín, médico de Allende, también lo vio vivo antes que lo llevaran a los camarines donde lo asesinan… Esa fue la última vez que lo vemos con vida.

Después supimos que fue llevado a un camarín, donde juegan a la ruleta rusa con él… ¿Cómo constatamos que fue asesinado el día 15? -yo digo entre las dos y las seis de la tarde-, porque cuando salimos del estadio por la puerta principal hacia la Alameda, en el foyer vimos un espectáculo realmente dantesco: había un montón de cadáveres… veinte, treinta, no sé cuántos más, y encabezando, dos rostros: Litré Quiroga y Víctor Jara… Salimos del Estadio Chile, con la congoja tremenda de saber que habían asesinado a Víctor, nuestro querido cantor, y con la muerte de Allende, dos cargas emocionales enormes”.

“Nos esperaba el Estadio Nacional, donde sabemos que llegaron a haber cerca de 14.000 presos políticos. Cuando llegamos era un pandemonio. Los milicos ordenaban a través de los micrófonos que hiciéramos listados por empresas, otros decían por edad, etc., y me piden papel, y echo mano a la libreta, y en ese minuto recién descubrimos el último canto, el último poema de Víctor Jara, que tituló Estadio Chile, donde cuenta los horrores que vivíamos… Éramos un grupo muy pequeño de profesores de la UTE y el ex senador Ernesto Araneda, del Partido Comunista, y todos fuimos de la opinión que había que preservar el poema. Ernesto me dice: ‘Antes, haz unas dos copias.

Tengo entendido que sale en libertad un par de compañeros de esta escotilla’… Hice dos versiones y traté de memorizármelo por si me lo robaban. Se las entregamos a un muchacho joven y un médico, cuyos rostros ni siquiera recuerdo, no sé sus nombres, fue en el momento, y partieron… Yo me quedé allí, tranquilo, comentando el hecho… pero como a los 15 minutos me llaman. Me dicen: ‘Oye viejo, a lo mejor te vai en libertad’. Yo pensaba: ‘No tengo ningún pituto, nadie en las fuerzas armadas, ni nadie que pueda aclamar por mí’. No me dio mal presentimiento, salvo cuando ya en el pasillo, abren las rejas y me empujan”.

“Un conscripto me tira una frazada sobre la cabeza y me pega un culatazo. Pienso: ‘Esto va mal’… Al Velódromo, que en ese momento era un centro de tortura, me llevan caminando, y lo primero que veo son seis o siete presos colgando de las vigas con alambre, casi todos desnudos… Y al primero que veo es al muchacho al que le habíamos entregado el poema… El oficial, me dice: ‘¡Sácate ese zapato cabrón!’. Y yo me saco el de la izquierda, sabiendo que lo llevaba en la derecha. ‘¡Ese no, cabrón!’. Sabía todo… Así que pesca mi zapato y… me cuelgan también. Yo pensaba: ‘Queda uno’, y trataba de aguantar…

Lo que querían era que les dijera si había hecho más copias. No me logran sacar nada y, finalmente, me llevan amarrado a los camarines… Nunca supe si la otra copia del poema se había salvado, hasta dos o tres años después, el 75 ó 76, cuando desde Argentina llegó fotocopiado clandestinamente un libro del periodista Camilo Taufic: Chile en la hoguera, donde hay una versión de la muerte de Víctor… No soy especialista en las canciones de Víctor ni en su trayectoria, simplemente fui un mero testigo de las últimas horas de su vida. Me decían: ‘Te sacaste la cresta por nada, te sacaron la mierda por nada’… y no, ¡valió la pena!… Nunca he sabido el nombre de ese doctor.

Esa parte del relato está trunca. Y en el Estadio Chile, que hoy se llama Estadio Víctor Jara, están justamente esos versos, el estribillo de ese poema: ‘¡Canto que mal me sales cuando tengo que cantar espanto! Espanto como el que vivo, como el que muero, espanto…’.

Que se haga justicia

“José Paredes, ex conscripto, hoy pescador alcohólico de El Quisco, confesó la versión que Víctor es asesinado en un camarín, con la ‘ruleta rusa’. Dice que Pedro Pablo Barrientos metió dos balas en su revólver, y le dijo a Víctor, que estaba con sus manos atadas y de rodillas en el suelo: ‘Si andai con suerte, huevón, te salvai… Voy a disparar y si no sale en los dos primeros, te salvai’. Y dice que disparó y salió la bala… Antes, se dudaba de si las perforaciones eran una de entrada y otra de salida, pero hoy se sabe que le descerrajó dos balazos en la cabeza. Tras el primer tiro vino inmediatamente el segundo… Después rociaron su cuerpo a balas, incluso en la espalda.

Paredes señaló que con la fuerza de los disparos daban vuelta el cuerpo de Víctor… Está muy distante el día en que se haga justicia, si es que la hay. Yo creo que va a ser muy difícil… es la palabra de gente sencilla, ex conscriptos, contra la de oficiales que han vivido en la impunidad. Paredes dijo sus nombres: Hesse, Barrientos y otros. Dimter es cómplice. El ex coronel Manríquez -que ya murió-, había sido encargado reo como autor… pero insisto, va a costar mucho, mucho, que se haga justicia”.

No Cuba Debate

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O que você precisa saber antes de falar que a esquerda é totalitária 3/5


Bem diferente do que diz o discurso conservador, a consolidação da democracia no Ocidente como conhecemos hoje só foi possível devido às demandas da esquerda.

O Socialismo e a Democracia Direta





“A chamada”, de André Devambez (1906)
As revoluções do século XVIII favoreceram o desenvolvimento de um tipo de sociedade liberal, capitalista e, após a restauração, aristocrática na política. As camadas populares permaneceram excluídas. Os Direitos Universais do Homem e do Cidadão não passavam de ilusão. Como disse Alexandre Hamilton: “a verdade é que se trata de uma disputa pelo poder, não de liberdade” (citado em Robert Dahl, “A Constituição Norte Americana é Democrática?”) .

Nesse contexto, o socialismo emergiu como projeto político das classes populares que almejavam sua inclusão nos ganhos econômicos da sociedade industrial. Os socialistas não eram contra a modernização industrial, mas a viam como um processo dialético, contraditório. Ao separar o trabalhador dos meios de produção, a sociedade liberal permitia o enriquecimento de uma minoria à custa do suor da maioria. O operário era apenas uma peça na engrenagem industrial. A solução seria acabar com a dicotomia entre proprietário e empregado. Para isso, os principais recursos econômicos deveriam ser geridos pelos próprios trabalhadores, que decidiriam em assembleias locais os destinos coletivos. O ideal de democracia direta estava renascendo.

Havia, porém, uma contradição. Os socialistas viviam sob um sistema liberal capenga, que não lhes dava voz. O primeiro passo, para superação daquela realidade, viria da defesa da democracia representativa, que lhes possibilitasse o mínimo de participação política. Voltamos à velha formulação de Aristóteles. A democracia, como o governo dos menos afortunados, poderia ser um caminho possível. Aqui, porém, há uma inversão dos ideais gregos. Se para Aristóteles o fim das disparidades sociais seria o meio de se chagar a sociedade democrática, justa e virtuosa, para os socialistas, a meta seria a igualdade material e a democracia o meio para tal fim.

Noberto Bobbio destaca que a democracia é necessária ao socialismo, porém ela não é constitutiva. Ela é necessária, pois sem a participação política dos trabalhadores seria impossível alcançar as transformações profundas apregoadas pelos socialistas. Porém, ela não é constitutiva, pois a essência do socialismo é a emancipação do homem por meio da revolução das forças econômicas. Enfim, ao contrário dos gregos, no socialismo, a democracia seria um meio, não um fim. Mas nem por isso deixaria de ter a sua importância. Portanto, alargamento das bases sociais do Estado, através do sufrágio universal, seria a principal bandeira da esquerda na primeira metade do século XIX.

O projeto político socialista ficaria evidenciado em 1848, quando da proclamação da Segunda República francesa. Os socialistas recusaram o constitucionalismo liberal e assumiram as rédeas do governo, depondo o rei Luis Felipe. A primeira medida do governo popular foi a adoção do sufrágio universal masculino. Também foram editadas diversas medidas de assistência aos mais pobres e foram criadas as Oficinas Nacionais, para garantir emprego a todos os cidadãos.

Porém, mesmo valorizando os mecanismos de representação, a grande novidade do pensamento socialista foi a democracia direta. A ideia era criar meios de controle e de participação direta da população pobre nas instâncias centrais. Os trabalhadores, a partir de baixo, poderiam influenciar no centro de decisões políticas, econômicas e até nas empresas.

A Comuna de Paris, a despeito da sua efêmera existência, foi o grande laboratório do funcionamento de uma democracia socialista. Foi a partir dessa experiência que Marx propôs o conceito de “autogoverno” dos produtores. Ao contrário da democracia liberal, o autogoverno da comuna não fazia distinção entre poder executivo e poder legislativo. Se a democracia era direta, não haveria a necessidade do poder legislativo, que seria substituído pelos comitês locais de trabalhadores. O sistema eleitoral foi estendido para todos os órgãos do governo, incluindo o judiciário e as forças de segurança. Para que esse sistema pudesse funcionar, o Estado deveria ser descentralizado ao máximo. A proposta era dividi-lo em comunas, autarquias locais, que elegeriam representantes e os enviavam para uma assembleia nacional.

Há enormes semelhanças entre a democracia dos conselhos (socialista) e a defendida por Rousseau. O filósofo afirmava que a vontade individual não pode ser delegada, por isso ele era contra a representação. Os socialistas também consideravam esse tipo de democracia uma abstração. O que eles queriam, como vimos, era um sistema político em que as decisões eram de fato tomadas de baixo para cima. Iniciaria com um diálogo entre os trabalhadores relativos aos problemas locais, passando pelos comitês e chegando à assembleia nacional, local em que as medidas seriam aplicadas. Seria a mais perfeita síntese da ideia da democracia como o sistema em que o indivíduo é ao mesmo tempo soberano e súdito. Porém a democracia dos conselhos tinha um problema que ficaria evidente ao longo da Revolução Russa: a excessiva descentralização. Os revolucionários haviam se inspirado em Rousseau, mas se esqueceram de um importante ensinamento do filósofo iluminista: na política, a soma das partes não forma o todo.

Eduardo Migowski
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Desigualdade, matança, avacalhação da Política, e a pergunta cínica: como aconteceu?


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PSDB e PMDB tem 75% de rejeição em pesquisa; taxa do PT é de 62%

A gente sabe onde eles estiveram no verão passado
Segundo a colunista Monica Bérgamo informa em sua coluna, uma pesquisa patrocinada pelo DEMo mostra que o PSDB e o PMDB são os partidos mais rejeitados pela população brasileira: 75%. A aprovação é de 13%.

A taxa do PT é de 62% de rejeição e 28% de aprovação.

O DEMo tem 60% de rejeição, provavelmente porque escapou de ter seu nome associado a Temer. A taxa de aprovação não foi informada.

A pesquisa do Democratas foi encomendada no momento em que o partido pretende mudar de nome e vestir a pele de cordeiro.

No Viomundo
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Ibope: 3% aprovam governo do Quadrilhão!


Pesquisa Ibope encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e divulgada nesta quinta-feira (28) mostra que o percentual de brasileiros que consideram o governo do presidente Michel Temer (PMDB) como ruim ou péssimo é de 77%. Na última pesquisa, de julho, esse percentual foi de 70%.

Ainda de acordo com a pesquisa divulgada hoje, 3% avaliam o governo Temer como ótimo ou bom. Em julho esse percentual foi de 5%. Outros 16% consideram o governo regular, ante 21% na pesquisa de julho.

O percentual dos entrevistados que disseram não saber avaliar o governo ou não quiseram responder foi de 3%. O Ibope ouviu 2.000 pessoas em 126 municípios de 15 a 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Este é o pior desempenho na avaliação do governo de um presidente da República desde o início da série histórica da pesquisa Ibope, em 1986, no governo José Sarney (PMDB).

A segunda pior reprovação alcançada na série de pesquisas foi do próprio Temer, no levantamento Ibope de julho, com 70% de ruim ou péssimo na avaliação do governo. A marca, porém, era igual à atingida pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em dezembro de 2015, durante seu segundo mandato.

Esta é a quarta piora consecutiva na avaliação do governo pelas pesquisas Ibope/CNI. A reprovação à gestão Temer cresceu de 39% em setembro do ano passado, um mês após o presidente ser efetivado no cargo com a confirmação do impeachment de Dilma pelo Senado, para 46% em dezembro do último ano, indo a 55% em março e 70% em julho.

92% dizem não confiar em Temer

A pesquisa também levantou o percentual dos brasileiros que dizem confiar em Temer. Este indicador também piorou, com 92 % de respostas "não confiam", ante 87% na pesquisa de julho. Apenas 6% disseram confiar no presidente e outros 2% disseram não saber ou não quiseram responder.

Para a maioria, governo Temer é pior que o de Dilma

O levantamento também ouviu os entrevistados sobre a comparação entre os governos de Temer e de Dilma. O presidente do PMDB teve sua gestão avaliada como pior por 59% dos entrevistados e como melhor por 8%. Na última pesquisa Ibope, em julho, esses percentuais foram de 52% (pior) e 11% (melhor).

Restante do governo Temer será ruim ou péssimo

Os pesquisadores também perguntaram a expectativa sobre o restante do governo Temer, cujo mandato se encerra no final de 2018. Entre os entrevistados, 72% afirmaram que o restante do governo Temer será ruim ou péssimo, 17% afirmou que será regular e 6%, ótimo ou bom.
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Xadrez da Maçonaria no Brasil


Peça 1 – general Mourão coloca Maçonaria na mira

As declarações do general Antônio Hamilton Mourão em uma Loja Maçônica do Distrito Federal foram amplamente cobertas pela mídia. Passou em branco o local da manifestação e as relações políticas da maçonaria no país.

Em Portugal, a Maçonaria teve papel central nas movimentações que resultaram na prisão e na destruição política de José Sócrates, ex-primeiro ministro de tendência socialista. Ressurgiu como poder político, não se sabe se efetivo ou superdimensionado pelo caráter misterioso dos maçons.

No processo de impeachment houve diversas manifestações de lojas maçônicas e há diversos maçons em cargos-chaves na administração pública.

Como filho e neto de maçons - meu pai chegou a ocupar alto cargo na Loça Maçônica Estrela Caldense, e abjurou para casar na Igreja com minha mãe - sempre a vi como um clube de autoajuda, muito distante da militância política no Segundo Império.

Meu avô foi levado para a Maçonaria por meu pai. Mudou-se para São Paulo em 1960. Em seu enterro, em 1984, quando chegamos em São Sebastião da Grama, estavam aguardando-os os irmãos maçons de Poços.

Mesmo assim, o tema ainda é insuficientemente explorado. E não se sabe se a Maçonaria é uma força organizada, ou seja, com os maçons obedecendo a movimentos políticos coordenados, típicos de partidos políticos e de associações conspiradoras, ou apenas um clube de autoajuda, uma espécie de Rotary Club com rituais.

Hoje em dia, a soma de manifestações políticas obriga a um foco mais próximo para entender a verdadeira dimensão do fenômeno maçonaria no Brasil de hoje.

Lanço algumas pinceladas, claramente insuficientes para uma avaliação definitiva sobre a Maçonaria, mas visando promover a discussão.

Peça 2 - A Maçonaria atual

Ao longo da história, a Maçonaria juntou brasileiros influentes das mais variadas extrações políticas. A lista de 100 Maçons Ilustre (https://goo.gl/FxS36c) traz, na letra A, os nomes dos ex-governadores Ademar de Barros, Alceu Collares, Antônio Carlos Magalhães, ao lado de políticos híbridos como Aldo Rebelo e Antônio Palocci.

A Maçonaria no Brasil tem três correntes: o Grande Oriente do brasil, o mais antigo, fundado em 1822; as Grandes Lojas e os Grandes Orientes Independentes, reunidos embaixo da Confederação Maçônica do Brasil, conforme se depreende de discurso do senador Mozarildo Cavalcanti (https://goo.gl/LSgpib).

O Grande Oriente do Distrito Federal é subordinado ao grande Oriente do Brasil. Foi criado em 1971. Havia a necessidade de 13 lojas para fundar um Grande Oriente. O primeiro Grão-Mestre do Distrito Federal foi Celso Clarismundo da Fonseca.

Em 1978 o Grande Oriente do Brasil transferiu sua sede do Rio de Janeiro para Brasília, comandado pelo senador goiano Osíris Teixeira. Hoje existem 73 lojas no Grande Oriente do DF, no coração do poder.

Nos últimos anos, o Grande Oriente comandou eventos políticos de peso, como homenagem às Forças Armadas, com presença de representantes das três forças; o movimento contra a intervenção federal em Brasília, a campanha da Lei da Ficha Limpa e vários eventos em favor da ética.

Nos 40 anos de fundação, houve evento comemorativo que contou com vários maçons ilustres, como o vice-governador do DF, Nelson Tadeu Filipelli, o então vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça Ministro Félix Fischer, o Ministro do STJ José de Jesus Filho, o Desembargador do TJ do Distrito Federal Lécio Resende da Silva.

No evento, propunha-se um novo estilo para a Maçonaria, conforme discurso do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR):

O tempo em que a maçonaria precisava se esconder já passou. O tempo em que ela foi perseguida pelos reis, pela Igreja e por outros grandes e poderosos já passou. A maçonaria vive um momento em que precisa, de fato, sintonizar-se com o século XXI, modernizar-se, mostrar para a sociedade o que faz - e só faz o bem, mas faz de forma que não é perceptível pela sociedade”.

Eventos em outras partes do país, como em Campo Grande, servem para mostrar a influência regional da Maçonaria (https://goo.gl/qfL7WV). Entre os maçons agraciados estava o presidente do Tribunal de Justiça José Aedo Camilo, do Procurador Adjunto do Ministério Público do estado, Benjamin José Machado, do presidente do Tribunal de Contas do Estado Élcio Gonçalves de Oliveira, do Secretário do Planejamento Luiz Advive Palmeira, do Secretário de Administração Adjunto Sérgio Luis Gonçalves.

Peça 3 - A diversidade ética e política

Os últimos eventos político-policiais mostraram que nem sempre os princípios éticos foram seguidos por todos os maçons. A quadrilha comandada por Michel Temer teve dois maçons ilustres, dois de seus principais operadores, Nelson Tadeu Filipelli e Sandro Mabel, que nos registros da Maçonaria utiliza seu nome real, Sandro Antônio Scodro. Era maçom também o ex-senador Demóstenes Torres.

Não se pode atribuir à Maçonaria uma ação homogênea.

Em São Paulo, há uma clara articulação visando eleger políticos maçons. A Assessoria Parlamentar do Grande Oriente de São Paulo é constituída pelo vice-governador Márcio França, o deputado federal Baleia Rossi e os deputados estaduais Welson Gasparini e Itamar Francisco Borges.

Por outro lado, havia um grupo autodenominado de Maçons Petroleiros (https://goo.gl/SBnYW1) que se organizou “em defesa dos interesses da Petrobras e da nacionalidade”. Criou 7 lojas denominadas Monteiro Lobato (um dos pioneiros da luta pelo petróleo) e, em 2008, se aliaram ao PT, parlamentares do PMDB, PTB, PCdoB e sindicalistas tentando tirar Paulo Roberto Costa de uma diretoria da Petrobras.

Os arquivos do governo do estado do Paraná guardam fotos de uma visita ao então governador Roberto Requião, por Alan Kardec e José Inácio Conceição, Inspetor Geral da Ordem dos Maçons.

As estripulias de Paulo Roberto já não eram segredo. O candidato do grupo era Alan Kardec, que dirigiu a Petrobras Biocombustíveis. Na época, sua indicação foi vista como vitória pessoal da Maçonaria. Infelizmente, não foi vitorioso no objetivo principal, que era tirar Paulo Roberto da Petrobras.

Peça 4 - As ligações internacionais

Historicamente, a Maçonaria brasileira nasceu da costela da Maçonaria de Portugal.

Recentemente, a Maçonaria adquiriu enorme protagonismo em Portugal, sendo apontada como personagem política central da crise que destruiu o grande nome da socialdemocracia portuguesa, ex-primeiro ministro José Sócrates.

Mas por lá há uma divergência clara entre duas linhas da Maçonaria: o Grande Oriente Lusitano, ou Maçonaria Regular, mais conservadora; e a Maçonaria Irregular, Liberal e Adogmática (https://goo.gl/MnLBJf).

Nasceu na Maçonaria Irregular a Lei do Serviço Nacional de Saúde, aprovada pela Assembleia da República em 1979.

A dissidência se deu nos anos 80, refletindo as disputas o pensamento da Grande Loja Unidade da Inglaterra, que não admite mulheres maçons e obrigava seus seguidores a adotar crenças religiosas. Enquanto a outra linha maçônica admite a participação de mulheres e aceita ateus e agnósticos.

Grão-Mestre da Obediência Maçônica Grande Oriente Lusitano, de tendência liberal, o português Antônio Reis definiu bem seu compromisso com a democracia:

“Vivemos em tempo de crise. A Maçonaria está atenta para se adaptar aos novos tempos?

Temos que estar muito atentos a estes sintomas de inquietação que vão proliferando, mas não podemos cair num certo catastrofismo, nem pensar que a democracia está condenada e que se caminha no sentido de uma certa anarquização das respostas políticas. Longe disso.

Há que aperfeiçoar a democracia e os partidos. Não vejo alternativas a uma organização democrática em que os partidos políticos continuam a ter um papel fundamental”.

Por outro lado, a Loja Mozart, que pertence à Grande Loja Regular Legal de Portugal foi apontada como diretamente envolvida com o serviço secreto português, nos ataques a José Sócrates.

Peça 5 - O destino manifesto

Do lado dos conservadores e dos progressistas, há inúmeras referências a uma espécie de destino manifesto dos maçons.

No artigo “Perspectivas para a Maçonaria no Século 21”(https://goo.gl/RNMAHh), preconiza-se:

O exemplo da burguesia revolucionária, que foi sábia o suficiente para reunir todos os ingredientes que possibilitaram o salto de qualidade, deve ser seguido, devidamente relativizado. Somos a única instituição no mundo capaz  de se apresentar diante da história como agentes catalisadores da mudança, sem que confundamos nossas ações com as ações próprias de um partido político. Na minha avaliação a maçonaria está acima e além da luta de classes. Ela e só ela!

Por sermos universais, podemos promover vários ensaios, encontros, congressos, etc… com todas as grandes inteligências do mundo, presentes na instituição. Se não estiverem, nós as traremos. Aqui é o lugar delas.

Poderemos forjar novas lideranças mundiais a partir de nossas lojas universitárias. Deveremos ir aos parlamentos, forças armadas, Academia, etc… e buscar todos que se sentem compromissados perante o desafio de promover a necessária harmonia entre os elementos que formam a complexa tessitura  de nossa marcha evolutiva. A exigência será a vocação para Homem-Humanidade. E, hoje, ser Homem-Humanidade é sonhar com um ordenamento social que desempenhe a função histórica de ultrapassar a emancipação provocada pela Revolução Francesa, superando os seus limites, isto é, criar uma emancipação universalmente humana e não apenas a de uma classe”.

De qualquer modo, são pouco claras as ligações de setores da Maçonaria brasileira com a dos países centrais.

O site "Três Janelas", ligado à Maçonaria, traz informações relevantes sobre as formas de articulação das Lojas Maçônicas brasileiras com a Grande Loja Unida da Inglaterra.


"O District Grand Lodge of South America Northern Division tem como Grão Mestre Distrital o RW Bro Colin Foster, como Grão Mestre Distrital Adjunto o W Bro John Collakis e como Grão Mestre Distrital Assistente o W Bro Ivan Clark.

A novidade desse ano foi à gravação de um vídeo sobre as atividades da maçonaria inglesa no Brasil, idealizado pelo Grão Mestre Distrital Colin V. Foster e que será distribuído no Brasil e Inglaterra. O vídeo abordará a maçonaria inglesa, a maçonaria brasileira, a maçonaria inglesa no Brasil, além de outros assuntos relacionados.

O Grande Oriente do Brasil sempre pautou o seu relacionamento internacional pelas normas estabelecidas pela Grande Loja Unida da Inglaterra, com a qual mantem estreito relacionamento desde o século passado".

Colin V. Foster é o marido de Graça Foster, ex-presidente da Petrobras. Motivo para que os fakenews que pululavam na Internet atribuísse propósitos conspiratórios à Maçonaria, que se infiltraria no governo através de Graça.

Colin é o Grão-Mestre Distrital da Divisão Norte da Grande Loja Unida da Inglaterra, cujo “Grand Master” é o Príncipe Edward George Nicholas Paul Patrick – primo da Rainha Elisabeth. Quem comanda a Grande Loja Unida da Inglaterra, junto com o príncipe, é Peter Lowndes membro do Royal Institution of Chartered Surveyors (RICS).

Peça 6 – levantando a bola

A intenção desse Xadrez inconclusivo foi levantar a bola, juntar mais dados e estudos para voltar ao tema.

Obviamente, como um Portal colaborativo, contamos com a colaboração de vocês.

Luís Nassif
No GGN
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Brasil não cresce se não reduzir sua desigualdade, diz Thomas Piketty


O Brasil não voltará a crescer de forma sustentável enquanto não reduzir sua desigualdade e a extrema concentração da renda no topo da pirâmide social, diz o economista francês Thomas Piketty.

Autor de "O Capital no Século 21", em que apontou um aumento da concentração no topo da pirâmide social nos Estados Unidos e na Europa, Piketty agora se dedica a um grupo de pesquisas que investiga o que ocorreu em países em desenvolvimento como o Brasil, a China e a Índia.

Os primeiros resultados obtidos para o Brasil foram publicados no início do mês pelo irlandês Marc Morgan, estudante de doutorado da Escola de Economia de Paris que tem Piketty como orientador.

O trabalho de Morgan, que incorpora informações de declarações do Imposto de Renda e outras estatísticas, sugere que a desigualdade brasileira é maior do que pesquisas anteriores indicavam e calcula que os 10% mais ricos da população ficam com mais da metade da renda no Brasil.

Defensor de reformas que tornem o sistema tributário mais progressivo, aumentando os impostos cobrados sobre a renda e o patrimônio dos mais ricos, Piketty chegou ao país nesta quarta (27) para conferências do projeto Fronteiras do Pensamento em São Paulo e Porto Alegre.

Leia a entrevista de Piketty:

O estudo de Morgan mostra que a renda da metade mais pobre aumentou junto com a dos mais ricos. Por que a concentração no topo da pirâmide é tão preocupante?

Porque, apesar dos avanços dos últimos anos, o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo. Em nossa base de dados, só encontramos grau de desigualdade semelhante na África do Sul e em países do Oriente Médio.

Houve um pequeno progresso nos segmentos inferiores da distribuição da renda, beneficiados por programas sociais e pela valorização do salário mínimo. É alguma coisa, mas os pobres ganharam às custas da classe média, não dos mais ricos, e a desigualdade continua muito grande.

Reduzir a desigualdade é só questão de justiça social ou de eficiência econômica também?

Ambos. O grau de desigualdade extrema que encontramos no Brasil não é bom para o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável.

A história dos EUA e da Europa mostra que só depois de grandes choques políticos como as duas grandes guerras do século 20 a desigualdade diminuiu e a economia cresceu com vigor, permitindo que fatias maiores da população colhessem os benefícios.

No Brasil, podemos concluir que as elites políticas e os diferentes partidos que governaram o país nos últimos anos foram incapazes de executar políticas que levassem a uma distribuição mais igualitária da renda e da riqueza. Acho que isso é precondição para o crescimento econômico.

Seus dados indicam que a fatia da renda nas mãos dos mais ricos vem se mantendo intacta no Brasil. Por quê?

Parte da explicação pode estar na história do país, o último a abolir a escravidão no século 19, como você sabe. Mas isso não é tudo. Diferentes políticas governamentais poderiam ter feito diferença.

O sistema tributário é pouco progressivo no Brasil. Há isenções para rendas de capital, como os dividendos pagos pelas empresas a seus acionistas. Impostos sobre rendas mais altas e heranças têm alíquotas muito baixas no Brasil, se comparadas com o que se vê em países mais avançados.

Alguns desses países fazem isso há um século, o que contribuiu para reduzir a concentração da riqueza. Se você olhar os Estados Unidos, a Alemanha, a França, o Japão, em todos esses países a alíquota mais alta do Imposto de Renda está entre 35 e 50%. [No Brasil, a alíquota máxima do Imposto de Renda é de 27,5%.]

Qual o risco de uma taxação maior das rendas mais elevadas provocar fuga de investidores para outras jurisdições?

A elite sempre tem um monte de desculpas para não pagar impostos, e isso também ocorre em outras partes do mundo. A questão é saber por que a elite no Brasil tem sido bem-sucedida ao evitar mudanças no sistema tributário.

Em outros países, as elites não aceitaram pacificamente pagar mais impostos. Foi um processo caótico e violento muitas vezes. Espero que o Brasil tenha mais sorte e possa fazer isso sem passar por choques traumáticos como as guerras. É deprimente ver que décadas de democracia no Brasil foram incapazes de promover mudanças nessa área.

Não sei o futuro. Mas posso dizer que é possível ter um sistema tributário mais justo, uma distribuição da renda e da riqueza mais equilibrada, e mais crescimento econômico, ao mesmo tempo. Essa foi a experiência de outros países.

Gastar energia para resolver esse problema não tiraria o foco de políticas sociais que poderiam contribuir mais para a redução da desigualdade?

Você precisa fazer as duas coisas. Morgan mostra que as políticas sociais adotadas nos últimos anos foram boas para os pobres, mas insuficientes. Você precisa melhorar as condições de vida deles e investir em educação e infraestrutura, mas precisa de um sistema tributário mais justo para financiar isso e reduzir a concentração da renda no topo.

Não estou aqui para dar lições a ninguém. Há muita hipocrisia no meu país quando se trata desse assunto. Mas acredito que no fim todos se beneficiam com um sistema tributário mais justo e uma sociedade menos desigual, mais inclusiva e mais estável.

Qual o foco do seu trabalho acadêmico no momento?

Estou procurando ampliar nossa base de dados com ajuda de outros pesquisadores, incluindo informações sobre o Brasil, a China, a Índia e outros países em desenvolvimento. Também quero examinar mais detidamente a evolução das atitudes políticas com relação à desigualdade.

Em países como os EUA e a França, temos visto a ascensão do nacionalismo e da xenofobia, e quero entender melhor o que significa. O maior risco criado pelo aumento da desigualdade é a ascensão do racismo e da xenofobia.

Se não resolvermos o problema da desigualdade de forma pacífica e democrática, vamos sempre ter políticos tentando explorar a frustração causada pela desigualdade, incentivando a xenofobia e pondo a culpa dos nossos problemas sociais em imigrantes e trabalhadores estrangeiros.

É um risco para a globalização e os fluxos de comércio. A eleição de Donald Trump nos EUA e a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia não foram uma coincidência. São os dois países ocidentais em que a desigualdade mais cresceu nos últimos anos.

Ricardo Balthazar
No fAlha
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Comprar votos contra o processo é o recurso de Temer

A corrupção é o meio posto em prática por Michel Temer para derrubar a segunda denúncia criminal em que a Procuradoria Geral da República o acusa de corrupção.

Desde o fim de semana estão acionadas as providências que caracterizam a prática, com seu primeiro ato – a coordenação preliminar – efetivado em reunião no Palácio do Jaburu com os também denunciados Eliseu Padilha e Moreira Franco e, ainda, parlamentares com funções no esquema.

A corrupção contra a denúncia se oculta sob as aparências do usual favorecimento a parlamentares, com cargos ou verbas.

A distinção entre esse uso imoral incorporado à Câmara e ao Senado e, agora, a prática adotada por Temer, não está nas maneiras de agir. Está na finalidade.

A frequente distribuição de verbas e cargos busca comprometer os beneficiados com o apoio aos governos, em assuntos pendentes de aprovação parlamentar. Substitui, sem suprir, o confronto de ideias, o valor de programas partidários, a lealdade aos compromissos com o eleitorado.

A distribuição de verbas e cargos para angariar votos pela recusa da Câmara ao processo criminal contra Temer não constitui relação entre dois Poderes, o Executivo/governo e o Legislativo. É apenas relação entre Legislativo e o indivíduo Michel Temer.

A denúncia por atitudes políticas, mas por atos, palavras, participação e ligações do cidadão Temer, mesmo que usando a condição (ilegítima) de presidente.

Como recurso de Temer, a distribuição de verbas e cargos é feita com o fim de beneficiar uma pessoa, para livrá-la de responder pelos crimes de que é acusada. À falta de elementos convincentes de defesa, comprar votos contra o processo é o seu recurso.

Trata-se, portanto, simplesmente do mais óbvio e vulgar SUBORNO pessoal. Crime também.

Esse suborno acentua a corrupção da atividade parlamentar. Além disso, na mesma medida em que almeja impedir o processo contra Temer, consiste em suborno para obstrução de justiça. E, embora a mobilização corruptora de parlamentares tenha fim apenas pessoal, os cargos distribuídos são remunerados pelo Tesouro Nacional e as verbas liberadas para deputados e suas emendas são subornos com dinheiro público. Corrupção múltipla.

Para derrotar na Câmara a primeira denúncia da Procuradoria-Geral da República, Temer liberou para deputados, no mês que antecedeu a votação, R$ 2,1 bilhões de dinheiro público.

Com as liberações anteriores, o total foi calculado por uns em R$ 4,2 bilhões, por outros em mais R$ 1 bi. Isso, quando Temer mal acabara de assinar tetos e cortes em saúde, em educação, em saneamento, em obras de necessidade premente. Desde segunda-feira, Temer está recebendo deputados por ele chamados para conversar. Ou melhor, negociar.

Michel Temer salva-se pela corrupção. Salva-se com o que diz a denúncia que quer negada.

Coitado

Mesmo no Brasil, o dia ainda tem 24 horas. E o Supremo Tribunal Federal determina que Aécio Neves "permaneça à noite no domicílio". Logo à noite?

Janio de Freitas
No fAlha
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