14 de set de 2017

"No 150º aniversário de 'O Capital', ainda vale a pena ler Marx"

Principal obra do filósofo alemão é possivelmente uma das mais citadas mundo afora – mas não necessariamente a mais lida. Em entrevista à DW, jornalista econômico aponta os prós e contras do livro na era da globalização.

Karl Marx nasceu em Trier, na Alemanha, em 1818
Há exatos 150 anos era lançado O capital, de Karl Marx (1818-1883), um obra que hoje tem um status quase mítico. Com base em seu conteúdo – ou pelo menos em seu nome – travaram-se revoluções e ergueram-se sistemas político-sociais. Ainda hoje, o gigantesco retrato de Marx ocupa lugar de honra na principal praça de Pequim, ao lado de outros pensadores do comunismo. Mas que relevância ainda podem ter as ideias marxistas no mundo contemporâneo?

O jornalista alemão Bernd Ziesemer, autor do livro Karl Marx für jedermann (Karl Marx para todo o mundo), publicado em 2012, defende a tese que Marx pode ser visto como teórico pioneiro da globalização.

Em entrevista à DW, Ziesemer, que foi editor-chefe do jornal econômico Handelsblatt, considera, porém, que O capital se baseia num erro de raciocínio e não é necessariamente a obra marxista de leitura obrigatória.

Em 2012 o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) publicou uma série com o fim de aproximar grandes economistas do cidadão comum. Quem ficou encarregado de Karl Marx foi justamente o senhor, um defensor do livre-mercado. Como isso ocorreu?

Bernd Ziesemer: Há dois motivos: na minha juventude eu não era liberal econômico, mas sim comunista, e na época lia Karl Marx com os óculos ideológicos de um esquerdista. Mais tarde, de fato, me desenvolvi como liberal e conservador e sempre tive a intenção de me ocupar dos livros que havia lido na juventude. E foi o que eu fiz. Na época, disse ao FAZ: "Provavelmente sou a única pessoa na Alemanha que leu as principais obras de Marx duas vezes."

Na China, aprendi na disciplina escolar Economia Política que o operário vende sua força de trabalho ao capitalista e recebe um salário em troca. A diferença entre o valor que ele gerou e o seu ordenado é a mais-valia. O capitalista tenta manter o salário tão baixo quanto possível, a fim de maximizar a mais-valia. Em algum momento, essa exploração fica tão insuportável que os operários se rebelam e derrubam o capitalismo. Isso vale como um resumo aproximado de O capital?

Pode-se dizer que sim, embora O capital seja uma obra incrivelmente ramificada. Mas a tese central é, de fato, que os trabalhadores são explorados, que a única saída é a revolução. Quando Karl Marx escreveu O capital, ele tinha duas metas: queria contradizer a economia clássica num ponto central, e queria dar ao movimento operário uma base teórica para a derrubada do capitalismo.

Durante toda a vida, Marx de fato esperou o colapso do capitalismo e profetizou a vitória do comunismo. Nenhum dos dois ocorreu. Qual foi seu erro de raciocínio?

Acho que toda a teoria dele se baseia num erro de raciocínio. Ele viu na mão de obra como a única fonte de valia, deixando de perceber que o capitalismo não funciona através da exploração dos trabalhadores, mas sim de um constante avanço tecnológico. No cerne de sua teoria, ele subestimou as outras fontes de riqueza, ou seja, a inovação, a iniciativa empresarial e o progresso tecnológico.

É interessante que há trechos em O Capital, ou também no Manifesto comunista, em que ele diz que a vitória mundial do capitalismo fará desaparecer todas as velhas tradições e resquícios feudalistas. Por isso avancei a tese que podemos entender Karl Marx como primeiro verdadeiro teórico da globalização.

Bernd Ziesemer
Bernd Ziesemer: comunista na juventude e, depois, liberal
(Foto: Martin Kess / Divulgação)
Karl Marx teria sido melhor economista se não se visse um revolucionário praticante?

Ele praticamente viveu três vidas. A mais importante delas era, para ele, a de revolucionário. Em segundo lugar, foi economista, e em terceiro, filósofo. Durante o trabalho em O capital, que se prolongou por mais de dez anos, em algum momento ele notou que chegara a um beco sem saída, que não conseguia dar o grande lance. Não se deve esquecer que O capital foi planejado em três volumes, mas só o primeiro foi publicado durante a vida do autor. O segundo volume, Friedrich Engels conseguiu até certo ponto concluir, com base nos esboços preliminares. O terceiro é, na verdade, só um aglomerado de pensamentos formulados pela metade. Nesse sentido, não existe uma obra econômica conclusa de Karl Marx.

É verdade que Marx não tinha nem o dinheiro para enviar a primeira parte de O Capital ao editor pelo correio?

Correto. Em cartas a Engels, ele escreveu diversas vezes: o açougueiro está à porta e quer que as contas sejam pagas, e nós não temos um só shilling em casa. E se não me enviares dinheiro imediatamente, vou ter que ir para a prisão. Também ao escrever O capital, ele tinha bem pouco dinheiro à disposição. Sua situação econômica só mudou mais tarde, quando Engels recebeu a herança da família e praticamente concedeu uma espécie de pensão a Marx. Nos últimos anos de vida, Marx podia contar com um rendimento relativamente garantido, mas no meio tempo houve essas fases da mais amarga pobreza.

Ele certamente não poderia imaginar que, 150 anos depois da publicação de O capital, ainda seria reverenciado num país bem distante. O retrato de Marx continua pendurado na Praça da Paz Celestial de Pequim. Como o senhor vê o papel dele na China?

Acho que o marxismo chinês se desenvolveu, em grande parte, sem conhecimento preciso da obra de Karl Marx. A meu ver, nos primórdios do Partido Comunista da China, muitas das ideias marxistas não tiveram a menor influência; parte de suas obras nem havia sido traduzida. Minha impressão é que existe uma veneração a Karl Marx na China, mas que ela não se baseia num conhecimento difundido da obra dele.

Estudantes de economia devem ler O capital? Quão atual é Karl Marx?

Não é preciso ler Marx para ser um bom economista. A maioria de suas teorias ou ficou superada com o passar do tempo ou já era equivocada desde o início. No entanto ainda vale a pena ler Karl Marx, pois há um grande número de pensamentos interessantes. Se tem necessariamente que ser O capital, não sei, pois, sobretudo nos primeiros capítulos, é uma leitura bem árida e maçante. Na verdade, eu sempre recomendaria que se leia o Manifesto comunista, que é muito bem escrito e faz parte do cânon da literatura na Alemanha. Portanto eu o recomendaria mais do que O capital.

Zhang Danhong
No CartaCapital
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Força da denúncia de Janot é delação de Funaro, não a de Joesley


Li as 245 páginas da denúncia apresentada por Rodrigo Janot contra Michel Temer, Eduardo Cunha, Henrique Alves, Geddel Vieira Lima, Rodrigo Rocha Loures, Eliseu Padilha e Moreira Franco e o que nela se percebe é que a delação de Lúcio Funaro deu a ela o que faltava em toda a história bandida que, já há tempos, sabe-se que marca o preço cobrado pelo PMDB para permitir que Lula e – durante algum tempo – Dilma Rousseff pudessem governar o país. Deu valores, datas, locais e recebedores de centenas de milhões de reais que eles cobraram por favorecimentos a  grandes grupos empresariais.

A denúncia se inicia com a velha cantilena dos “espaços” pedidos pelo PMDB a Lula, estendendo-se 18 páginas para reconhecer que, de outra forma não há como  um “governo conquistar ampla base política e de ter êxito na aprovação de suas medidas no parlamento. Alianças, negociações e divisão de poder são da essência da política e é dessa forma que usualmente se obtém maioria para governar.

Só depois é que a peça adquire musculatura, com a citação dos negócios feitos, os recebimentos efetuados, com datas, locais e identidade dos recebedores, além de documentos que mostram as transferências de valores para o exterior.

Para os acusados que ainda estão soltos (além de Temer, apenas Moreira Franco e Eliseu Padilha) é um festival de indícios, inclusive na profusão de contatos telefônicos e cibernéticos sobre os desvios que lhes  são imputados. Se fosse no governo do Sudão, a esta hora, Moreira e Padilha seriam ex-ministros.

Quanto a Temer, que só pode ser processado por crimes ocorridos no exercício da Presidência, aí é que entram as gravações/delações da JBS, para provar que a organização criminosa que ele chefiava continuou ativa depois de sua ascensão ao poder e que estimulava a distribuição de “cala-bocas” a Funaro e Cunha.

Em relação a ele, a novidade é desenhar, com nitidez, o “conjunto da obra” da quadrilha que comandava.

Em meio a esta sordidez descrita, sobra sordidez àquele que a descreve. Janot vale-se de um suposto acordo que, por interferência de Temer, a atual direção da Petrobras teria firmado com a termelétrica dos Batista para achar um “vínculo” com o “escândalo da Petrobras” que lhe permitisse buscar a prevenção de Sérgio Moro para processar os dois “ex-colaboradores” Joesley Batista e Ricardo Saud.

Um “troço” jurídico indescritível, que faria o juiz de Curitiba prevento para todo e qualquer ilícito que acontecesse na empresa, até o final dos tempos. Só mesmo se o Supremo Tribunal Federal estiver mais acoelhado diante de Moro do que já se sabe que está (daqui a pouco mostro um lance pitoresco que o ilustra) para aceitar a tese absurda.

É apenas o retrato da pequenez demagógica de Rodrigo Janot, que busca com isso garantir a interdição permamente de Batista e Saud, graças as “alongadas prisões de Curitiba”e, quem sabe, se proteger dos “rabos” que sua desastrada negociação com eles deixou.

Temer tem o escudo da maioria, ou pelo menos um terço, da Câmara. Mas o que resta do seu “núcleo duro”, Moreira e Padilha, ficam em situação insustentável.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A ofensiva contra os Novos Judeus do Reich tupiniquim

Foto: Ricardo Stuckert
Mais uma vez, as forças reacionárias, antipopulares e corruptas que tomaram de assalto o país lançam uma ofensiva hedionda contra o PT.

Não é algo casual. Tal ofensiva, baseada em delações sem provas, requentadas e contraditórias, surge justamente no momento em que os crimes e o fracasso retumbante da quadrilha golpista se tornam cada vez mais evidentes aos olhos da Nação.

Numa espécie de truque de prestidigitação midiática, tentam ocultar dos olhos do povo os milhões de dinheiro sujo do bunker de Geddel, um dos principais articuladores do golpe. Num ato de suprema canalhice, tentam associar esse dinheiro ao PT.

Tentam ocultar também as ilegalidades e as irregularidades das investigações e das delações promovidas pelo MPF e seu Procurador-Geral, que, por seu cunho nitidamente partidarizado, parecem servir mais a objetivos políticos escusos e à fogueira das vaidades de alguns de seus dirigentes que à causa republicana de um verdadeiro e isento combate à corrupção.

Não por acaso, após se ver enredado numa trama canhestra revelada pelas gravações de Joesley et caterva, o Procurador–Geral resolve, mais uma vez, oferecer denúncia sem provas contra o PT, numa clara manobra diversionista.

Não por acaso, surgem, num timing político perfeito, as delações de Palocci, sem nenhum lastro fático e motivadas pelo natural desespero de quem sabe que acusações vazias a Lula e ao PT representam um invariável passaporte para reduções de penas e relaxamento de prisões.

Palocci fez um “pacto de sangue” com o engodo institucionalizado da Lava Jato partidarizada. Tentou falar dos negócios escusos do sistema financeiro e mídia. Foi ignorado.

Deixaram claro que só aceitariam uma delação que condenasse Lula, Dilma e o PT. Após um ano de tortura psicológica, sucumbiu. Num país civilizado, seus algozes seriam submetidos aos rigores da lei. Não obstante, entre os nossos seguidores de Carl Schmitt, tudo isso é muito natural.

Agora, surge o supremo cinismo. A acusação referente à edição da MP nº 471/2009. Ora, essa MP somente prorrogou, até 2015, os incentivos fiscais que já haviam sido concedidos para o setor industrial pelo governo FHC.

Ela permitiu a dinamização de áreas economicamente deprimidas e possibilitou que Estados como Bahia, Goiás, Pernambuco e Ceará tivessem um significativo incremento de empregos no setor industrial, que passaram de 0,26% do total nacional, em 1999, para impressionantes 13,07%, em 2009.

Assim sendo, a referida MP deu uma contribuição inestimável para o desenvolvimento do Brasil e para a diminuição de suas desigualdades regionais.

Quando foram criadas por FHC, essas regras eram do interesse público. Mas, quando foram apenas prorrogadas por Lula, se transmutaram automaticamente em “propina”. É assim que funciona a cabeça cínica, hipócrita e ignorante dos acusadores de Lula.

Aliás, ninguém até agora explicou direito aquela história de FHC “passar o chapéu”, no Palácio do Alvorada, para construir seu Instituto.

Em dezembro de 2002, FHC ofereceu um jantar no palácio da Alvorada ao PIB. Presentes, entre outros, Emilio Odebrecht. Na ocasião, FHC passou o chapéu para construir seu Instituto. Resultado da arrecadação em apenas uma noite: R$ 7 milhões. Em valores de hoje, R$ 17,64 milhões.

Isso mesmo. FHC fez uma reunião num prédio público, ainda na presidência, para pedir dinheiro às empreiteiras e aos banqueiros para seus fins privados. O jantar, caríssimo, com finos vinhos franceses, foi pago com dinheiro público. Todo o mundo achou lindo. Ninguém sequer insinuou que podia ser propina por serviços prestados (muitos).

Não estou dizendo que tenha sido. Agora, imagina se tivesse sido o Lula ou a Dilma. Era impeachment na certa, com direito a horas de reportagens no Jornal Nacional, capas das principais revistas semanais e a centenas de artigos de raivosos colunistas.

Neste momento, criam um escarcéu em torno de um terreno que a própria acusação reconhece que nunca foi do Instituto Lula. Porém, se a Odebrecht tivesse feito a doação de um terreno para o Instituto FHC, ninguém teria achado nada de mais, assim como não acharam nada de mais que FHC “passasse o chapéu” em pleno Palácio do Alvorada.

Ninguém também decidiu investigar o papel de alguns países, principalmente dos EUA, no golpe e na Lava Jato partidarizada. Testemunhas brasileiras estão prestando depoimentos sigilosos às autoridades norte-americanas, sem o conhecimento de advogados de defesa envolvidos nos processos.

Empresas brasileiras estão sendo processadas nos EUA, por supostos ilícitos cometidos no Brasil, e obrigadas a pagar multas bilionárias. Petrobras, Odebrecht e várias outras empresas nacionais estão perdendo todo o acesso a um mercado externo vital para seus interesses e os interesses do Estado brasileiro, que agora será ocupado por empresas estrangeiras, inclusive norte-americanas.

Ninguém dá um pio. Ninguém se mexe. Parece que o nosso sistema de inteligência, a quem cabe a função de contrainteligência, só funciona para monitorar os opositores do golpe e os movimentos sociais.

Somos motivos de riso para diplomatas estrangeiros que sabem muito bem como funciona o jogo pesado da geopolítica mundial. Eles assistem com assombro a nossa passividade e ingenuidade com o desmonte de um país antes respeitado chamado Brasil.

De fato, essa contraofensiva moralmente hedionda e juridicamente vazia contra o PT, que se segue ao êxito extraordinário da Caravana de Lula pelo Nordeste, intenta mascarar o monumental fracasso do golpe que a quadrilha corrupta e a oligarquia reacionária cometeram contra a democracia brasileira.

Com efeito, o golpe destruiu nossa democracia, nossa economia, nossos empregos, nossos salários, nossos direitos trabalhistas, nosso Estado do Bem-Estar. Destrói nossa saúde, nossa educação, nossa soberania, nossa autoestima, nossa esperança, nossa alegria.

O golpe transformou a antiga sexta economia mundial, respeitada no plano internacional, numa republiqueta de bananas e numa plataforma colonial dependente. O golpe vende o Brasil, seu patrimônio, suas riquezas, seu futuro. O golpe vende a vida de nossos filhos e netos.

Para ocultar essa espantosa destruição, intenta-se destruir o PT, pois eles sabem muito bem que Lula o PT representam a única grande força democrática e popular capaz de deter essa ação predatória da agenda ultraneoliberal imposta ao país sem um único voto.

Não querem enfrentar democraticamente o PT nas urnas, querem transformá-lo no inimigo interno a ser destruído. Os novos judeus do Reich tupiniquim. Não querem o debate político de ideias e propostas, querem amordaçar os críticos do golpe.

Temem a quinta derrota eleitoral consecutiva que fatalmente viria. Querem uma “democracia” sem oposição real, sem protestos, sem vida, na qual os excluídos não tenham voz e voto.

Mas o povo brasileiro não se esquecerá do legado dos governos progressistas e populares. Não se esquecerá do papel central que o PT desempenhou na luta contra a ditadura e pela democracia. Não se olvidará da participação crucial do PT em todas as grandes lutas da população mais simples do Brasil.

Não se esquecerá dos 24 milhões de empregos que foram gerados. Não se esquecerá dos 42 milhões de compatriotas que saíram da pobreza. Não se esquecerá da fome finalmente saciada.

Não se esquecerá do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida, do Mais Médicos, do Prouni, do Fies, da abertura das universidades para pobres, negros e índios e de tantos outros programas que incluíram os historicamente excluídos num país para todos. E que agora estão sendo asfixiados pelos golpistas.

Sem o PT e a liderança popular de Lula não haverá democracia real no Brasil. Haverá apenas fraude eleitoral e engodo político. Haverá um pleito sem escolhas efetivas.

Sem Lula e o PT, o povo brasileiro será forçado a escolher entre a direita “apolítica” e a extrema direita caricata.

Em qualquer hipótese, sem Lula e o PT teremos um Reich neoliberal.

Sem o PT e a liderança popular de Lula não haverá futuro. Haverá apenas o retrocesso a um passado de exclusão, fome, miséria, desigualdade e dependência.

Apesar das grosseiras injustiças, das ofensivas cínicas e hipócritas contra Lula e seu partido, contra o inimigo interno, contra os novos judeus do Reich tupiniquim, o povo brasileiro sabe que seu caminho de lutas sempre foi iluminado pela estrela do PT.

E o futuro pertence a que sempre esteve do lado do povo. O Auchswitz jurídico-político do Brasil terá vida curta.

Marcelo Zero
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“Se eu chegar lá, soldado meu não senta no banco dos réus”: Bolsonaro mostra as armas em BH

Bolsonaro em BH: “Se matar preciso for, que mate”
Jair Bolsonaro fez campanha em Belo Horizonte na manhã dessa quinta-feira, dia 14. Foi recepcionado por cerca de duzentas pessoas que o aguardavam no saguão do Aeroporto Internacional de Confins.

Um esquema de segurança foi montado por causa dos fãs, que o carregaram nas costas aos gritos de “mito” etc.

De acordo com o jornal O Tempo, de MG, ele foi levado até um carro de som que estava estacionado em uma vaga destinada à Polícia Federal. Ali discursou.

Bolsonaro tem reunião com o prefeito Alexandre Kalil, lança uma biografia oficial escrita pelo filho Flávio, participa de palestra em uma universidade e almoça com empresários.

É urgente parar de tratar Bolsonaro como uma piada. Ele é uma ameaça real à democracia, cultivada durante anos de pancadaria mono obsessiva em cima do PT, do “bolivarianismo”, de imbecilidades da Guerra Fria repaginadas.

Cresce como o anti Lula “de verdade”, muito mais bem posicionado nas pesquisas do que os candidatos do PSDB, que vivem de golpes e não de votos.

A mídia ajudou a parir essa excrescência, assim como forneceu o adubo para o MBL. Quem vai embalar pode ser você.

O Tempo fez uma seleção de declarações do candidato para seus seguidores:

“Se eu chegar lá, soldado meu que vai para a guerra não senta no banco dos réus”

“Se o Estado bota uma arma na cintura de vocês ou um fuzil no peito, é para usá-lo”

“O combate à violência vai começar por aí, dando retaguarda jurídica aos nossos homens e mulheres da segurança pública poderem trabalhar. E se matar preciso for, que mate”

Política internacional

“Venezuela, Colômbia, Cuba, Bolívia, é outra conversa. Seremos líderes de fato na América do Sul”

“Não podemos entregar nosso subsolo para estatais chinesas”

Santander

“Esses picaretas do Santander vão conhecer o poder da força contra quem quer sodomizar nossas crianças”

Minorias e sexualidade

“Escola não é lugar para criança aprender sexo, a família vai ser respeitada”

“Vai ter dia dos pais e dia das mães. Não tem esta historinha de família multicultural. A maioria tem que fazer valer a sua condição e nós somos a maioria”

“Não vai ter esta historinha que a minoria fale pela maioria. Respeitaremos a minoria, mas quem mandará será a maioria”

“A maioria é que tem que fazer a sua posição, e nós somos a maioria”

Economia e Brasil

“Esse Brasil tem jeito, nós temos como mudar esse atual estado e tirar o país da mão dos canalhas”

“Ficam me perturbando sobre economia, mas quem era o economista do Itamar Franco? Era o FHC, não era economista”

‘Minas Gerais terá mar’

“Nós vamos explorar as nossas riquezas, quem sabe até abrindo uma saída para o mar para Minas Gerais”

“Graças a Deus eu não entendo de economia como estes caras entendem. Porque eles colocaram o Brasil no fundo do poço”

Ministérios e Direitos Humanos

“Vai ter um montão de militares nos meus ministérios. O Lula e a Dilma colocaram guerrilheiros quando chegaram lá”

“Deixo bem claro que essa canalhada dos Direitos Humanos não vai ter um centavo”



Kiko Nogueira
No DCM
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Nota da bancada do PT na Câmara dos Deputados


A segunda denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer, apresentada nesta quinta -feira ao Supremo Tribunal Federal, pelos crimes de obstrução à Justiça e organização criminosa, soma-se a uma série de outras que revelam como o Brasil está sob comando de uma verdadeira organização criminosa.

O STF já analisa pedido de inquérito contra Temer, por causa de suspeitas em torno da edição do Decreto dos Portos, medida que envolve pessoas da intimidade do presidente, como o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, flagrado carregando mala com R$ 500 mil. Há denúncias sobre compra de votos tanto para a eleição à presidência da Câmara do peemedebista e hoje presidiário Eduardo Cunha, como para garantir o impeachment da presidenta legitima Dilma Rousseff.

É um governo manchado por escândalos, como a apreensão recorde, pela Polícia Federal, de mais de R$ 51 milhões em um bunker ligado ao ex-ministro de Temer Geddel Vieira Lima, hoje preso.

Toda essa sucessão de escândalos só confirma que o atual governo não tem legitimidade para fazer as propaladas “reformas”, que retiram direitos e desmontam o Estado brasileiro. É um governo que não tem legitimidade para empreender o anunciado programa de privatizações, que entrega patrimônio público aos estrangeiros a preços irrisórios e compromete a soberania e o futuro do País. É um governo corrupto e ilegítimo que deve ser afastado o quanto antes, para o bem do povo brasileiro.

A Bancada do PT na Câmara vai ser empenhar na luta pelo afastamento de Michel Temer. A Bancada conclama o povo brasileiro a manifestar-se nas ruas, sindicatos, igrejas e em todos os espaços públicos em prol do movimento pelo afastamento de Temer. É o futuro do Brasil que está em jogo.

Brasília, 14 de setembro de 2017

Carlos Zarattini (PT-SP), líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados
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Por que José Dirceu resiste?


Ele sabe que voltará à cadeia e que permanecerá preso até o derradeiro de seus dias, a não ser que o STJ ou o STF ponham fim ao caos jurídico instalado pela Operação Lava Jato. Ou que haja uma grande mudança política no país.

Também tem plena consciência que sua prisão perpétua, acompanhada pela de Lula, é o objetivo final da aliança entre setores da tecnocracia judicial, a mídia monopolista, os partidos de direita e o grande capital.

Quando esse processo draconiano se encerrar, por absolvição ou delação, por casuísmo, acordo ou cumprimento parcial de pena, provavelmente todos os demais réus e suspeitos estarão livres.

Talvez falte coragem para prender o ex-presidente. Mas José Dirceu é o troféu do qual as forças mais reacionárias não podem abrir mão.

Seu encarceramento indefinido, da forma mais brutal e indigna, tem o valor simbólico do encurralamento e destruição da esquerda brasileira, da geração resistente e do Partido dos Trabalhadores.

E exatamente porque tem plena consciência do que está em jogo, o ex-presidente nacional do PT resiste.

Não inventa mentiras e não trai.

Não capitula nem esmorece.

Não abandona a luta política, ocupando seu lugar do jeito que é possível, ainda que nas piores condições.

Como já ocorreu em outros momentos de sua geração, Dirceu sabe que seu sacrifício, por mais cruel e doloroso que seja, é uma obrigação ideológica e política para manter elevadas a moral e a esperança das fileiras que dirigiu por décadas.

Se vergasse ou quebrasse, rasgaria sua biografia e levaria milhares, muitos milhares de lutadores e lutadoras ao mais profundo desânimo.

Por isso resiste.

Por sua história pessoal, construída desde a luta revolucionária nos anos 60, e a memória de tantos companheiros seus tombados em combate.

Por compromisso em derrotar moralmente seus algozes e os do povo brasileiro, que são os mesmos.

Por dever histórico de jamais decepcionar ou frustar a combativa militância que dá vida à esquerda brasileira.

Por sua esperança de que melhores dias virão, e por isso vale a pena lutar.

Por convicção de que seu comportamento frente à escalada repressiva faz parte dos esforços para a realização dessa esperança.

Não importa o quanto elevem sua pena ou quantas vezes mais o condenem, em um espetáculo de perseguição e injustiça, Dirceu irá resistir.

Seus companheiros sabem disso.

O povo brasileiro sabe disso.

Mais que todos, seus inimigos sabem disso e por essa razão exibem tanta fúria, esse sentimento tão próximo ao desespero dos que serão, mais cedo ou mais tarde, condenados pela história.

Breno Altman
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Mídia Contra-Hegemônica na América Latina


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Seremos uma ruína regida por bandidos e carrascos?


Não há dúvida possível de que havia lama em imensa quantidade na política.

Havia, não. Há, como nunca, vê-se pelos geddéis acumulados no apartamento de Salvador.

Nunca deixou de haver, desde as capitanias.

Mas ocorreu com o Brasil algo parecido à mecânica quântica, onde de um fenômeno quântico existe só pelo simples fato de observá-lo e a forma com que se observa.

A lama só vaza onde os donos do MP e do Judiciário desejam. Literalmente,  vazamento seletivo.

O processo de destruição da esquerda por suas concessões à “politica como ela é”, sem a qual não teria governado, acabou por ter rachaduras laterais, por onde foram se aprofundando fissuras que levaram aos “efeitos colaterais” sobre o PSDB (onde se encarregam de por o “cola-tudo” da omissão e do esquecimento) e do PMDB, onde a deterioração moral de seus líderes, reduzidos a um “quadrilhão”  aproxima tudo de uma catástrofe.

O dramático para o povo brasileiro é que estre processo moralista não é um processo saneador, mas devastador.

Nossa economia soterrou-se sob a avalanche, destruíram-se empresas, empregos, riquezas. O que resistiu, vende-se como carros velhos, cobertos de sujeira, ao valor da bacia das almas.

Mas há algo ainda pior: fizeram a lama salpicar sobre os nossos olhos, de tal forma que tudo o que olhamos, mesmos as melhores lembranças, nos aparece enlameado, sujo, sem valor.

Pretendem, assim, eliminar todas as referências que o povo brasileiro construiu e os tolos e ingênuos começam a falar em “novas políticas”, como se tudo o que se apresentou, nos últimos anos, como algo assim tenha se mostrado dócil ao status quo e, não raro, praticante dos mesmos pecados que diz condenar à fogueira.

Os personagens mais importantes da vida brasileira, hoje, são os bandidos e os carrascos.

Nem eu, nem ninguém que o perceba, quer entregar a sua vida, a vida dos seus filhos, o futuro de todos nem a bandidos, nem a carrascos.

Na lama não se funda coisa alguma, mas quase tudo se afunda.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A flecha de prata no quadrilhão

Ainda soltos
Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (14) uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer, desta vez pelos crimes de obstrução à Justiça e organização criminosa.

Foram denunciados:

  • Michel Temer (PMDB-SP), chefe do quadrilhão
  • Eliseu Padilha (PMDB-RS), ministro da Casa Civil
  • Moreira Franco (PMDB-RJ), ministro da Secretaria-Geral
  • Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-deputado
  • Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ex-deputado e ex-ministro
  • Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), ex-ministro
  • Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-deputado e ex-assessor de Temer
  • Joesley Batista, da JBS
  • Ricardo Saud, da JBS
De acordo com a denúncia, os integrantes do suposto esquema receberam valores de propina que, somados, superam R$ 587,1 milhões, arrecadados de empresas e órgãos públicos, entre os quais ais Petrobras, Furnas, Caixa Econômica Federal, Ministério da Integração Nacional, Ministério da Agricultura, Secretaria de Aviação Civil e Câmara dos Deputados.


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De novo, juiz assume papel de acusador no lugar do Ministério Público

http://www.blogdokennedy.com.br/apesar-de-trunfo-com-palocci-moro-nao-deixa-lula-sem-saida/
O depoimento de ontem do ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro confirmou a expectativa de que seria mais duro do que aquele dado em 10 de maio, no processo do apartamento no Guarujá. No entanto, mais uma vez, Lula conseguiu executar a estratégia jurídica e política pretendida.

Não foi um depoimento no qual Moro deixou Lula sem saída, apesar de o juiz e o Ministério Público terem obtido um trunfo com a fala do ex-ministro Antonio Palocci Filho na semana passada. Ver todo o depoimento confirma essa impressão. Trechos que vieram a público tornam a cena mais desfavorável ao petista.

Lula deu um escorregão ao dizer que Palocci era simulador e frio, porque isso é contraditório com elogios anteriores do ex-presidente ao ex-ministro. Mas ontem mesmo, levando em conta todo o depoimento, nota-se que Lula faz diversos elogios a Palocci e questiona o motivo de o ex-ministro passar a acusá-lo. Afirma que Palocci busca benefícios de eventual acordo de colaboração, fazendo um paralelo com o que ocorreu nas delações da JBS e citando que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, está hoje em situação difícil devido a mentiras e omissões de colaboradores.

Ao longo de pouco mais de duas horas, Moro questiona Lula durante cerca de uma hora e auxilia os dois representantes do Ministério Público que perguntaram. Fica evidente que Moro assume o papel que seria da acusação, que se mostra tímida perante o juiz e o ex-presidente.

Do ponto de vista jurídico, um dado importante foi o advogado de Lula, Cristiano Zanin, ter dito que cabe ao acusador o ônus de prova, lembrando que isso obedeceria a um processo constitucional ainda em vigor. Perguntas sobre o pagamento ou não de aluguel de um apartamento vizinho ao de Lula, usado pelo ex-presidente, dominaram o depoimento.

Quem conheceu Mariza Letícia, esposa do ex-presidente que morreu no início do ano, sabe que ela tinha autonomia para cuidar de tarefas da vida do casal. Mariza não era um bibelô de Lula. Logo, a questão do aluguel fica mais uma vez na palavra de acusadores contra a do acusado, semelhante à situação de Palocci.

Num lance puramente político, Lula pergunta ao final se poderia dizer aos filhos que era julgado por um juiz imparcial. Isso contraria Moro, que se sai bem e diz que sim. Lula sabe que será condenado por Moro. Ontem, o ex-presidente executou uma estratégia defensiva, à espera das cartas que Palocci poderá colocar na mesa se fechar delação premiada.

Também é prematuro considerar Lula acabado política e juridicamente, mas ficou evidente que está em situação mais difícil hoje do que estava em maio.


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História Geral da Arte — Vermeer


Vermeer

Johannes Vermeer nasceu em Delft, 31 de Outubro de 1632 -morreu em Delft, 15 de Dezembro de 1675 aos 43 anos) foi um pintor holandês, que também é conhecido como Vermeer de Delft ou Johannes van der Meer. Vermeer viveu toda a sua vida na sua terra natal, onde está sepultado na Igreja Velha de Delft. A obra de Vermeer deu forma à luz. Sua técnica exaltava a complexidade de simples momentos cotidianos. Iluminava as horas de vidas vulgares. Iluminou do mesmo modo nossa mente, ao reconhecermos sua excepcional exatidão em contornar trivialidades cruciais da vida. Com a luz.




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A imagem tortuosa que Doria construiu de si próprio


A construção de imagem de um político que aspire altos cargos é tarefa particularmente delicada. Trata-se da construção do seu caráter público, de um personagem permanentemente submetido a julgamentos por qualquer passo que dê. O resultado final é a soma dos episódios em que ele se envolve e que é acompanhada pelo público.

Ainda mais nesses tempos de redes sociais, selfies, velocidade de propagação da informação.

Em outros tempos, era trabalho mais fácil.

Fernando Collor era um político desconhecido do Brasil, quando saiu de Alagoas para disputar a presidência. E teve o auxílio da Globo na construção da imagem de caçador de marajás, em um período em que o país estava cansado da centralização em Brasília, no regime militar, e na esbórnia de distribuição de cargos públicos que caracterizou a partilha do butim pelos que ascenderam com Sarney. E que havia pouca informação circulando. A Folha foi o único jornal que trouxe algumas indicações sobre a personalidade de Collor.

Covas não tinha a physique du role, mas tinha os valores do caráter, aqueles mais facilmente captados pelo cidadão comum, como a lealdade, a firmeza, os grandes gestos (como no apoio à Martha contra Maluf), a coragem e a biografia, de quem resistiu contra a ditadura e teve papel central na Constituinte.

Queimou-se um pouco quando o gênio trapalhão de Jorge Serpa sugeriu a Roberto Marinho o "choque de capitalismo" que derrubou a candidatura Covas.

Tinha inúmeros defeitos, é claro. E, como em todos os casos, a atividade não pública muitas vezes se chocava com a imagem pública.

Covas tinha uma enorme implicância com marqueteiros, porque eles não trabalham a construção de imagens permanentes. Apenas respondiam aos movimentos do dia da opinião pública, muitas vezes sem guardar coerência dos atos entre si.

Faço essa introdução para analisar João Dória Junior.

Doria percebeu a necessidade do novo na política. E montou a construção da sua imagem em três factoides: a imagem de gestor; a imagem de trabalhador; e a de campeão do antilulismo. Ressuscitou a conversa do "gestor gerente", que sempre funciona após períodos de cansaço com a política.

E passou a confiar em factoides para se safar de qualquer aperto.

O mais manjado é fazer um imenso barulho em torno de iniciativas irrelevantes, para compensar a falta de qualquer ação verdadeiramente transformadora na gestão pública.

Falta remédio na rede municipal; responde-se com uma doação empresarial sem nenhum peso, perto das carências apresentadas, mas que passa ao cidadão incauto a ideia de que o prefeito consegue que os empresários substituam os gastos públicos na gestão municipal.

Com a superficialidade dos que só entendem o marketing imediato, Doria conseguiu criar as bases de uma imagem pública das mais execráveis.

•   A agressividade e o impulso, incompatíveis com um homem público de nível. O episódio de jogar flores no chão, de taxar Dilma de anta e outras baixarias do gênero.

•   A imagem da crueldade. Tornou-se o prefeito que joga água gelada em sem-teto, no dia mais frio do ano; que proíbe crianças de repetir a merenda escolar; que monta uma praça de guerra contra dependentes químicos. Pode impressionar uma minoria doente da opinião pública. Mas não resiste à maioria.

•   O falso gestor. Cidade esburacada, suja, sem semáforos. E o prefeito viajando. Questionado explica que na era digital pode governar São Paulo à distância. Que ninguém lhe peça os relatórios de gestão que recebe para poder decidir, porque não existem. Doria sempre foi um comerciante bem-sucedido, que cresceu explorando o ego de CEOs. Nunca foi gestor.

•   O homem que decide. Os funcionários da prefeitura já se cansaram da equipe de Doria. Entram executivos do setor privado sem nenhum conhecimento das engrenagens do setor público, julgando que a lentidão dos processos é mera questão de incompetência do gestor público. Frente à realidade, só dão cabeçadas, atropelam controles, procedimentos, sendo obrigados a voltar atrás.

•   A deslealdade. Esse é a característica fatal, quando pega no homem público. Em Doria, o deslumbrado devorou o esperto. A maneira como está tratando seu padrinho, Geraldo Alckmin, é mais fulminante que as próprias falhas de gestão. Trai, se deslumbra com a possibilidade de ser candidato, é taxado de desleal, aí força uma filmagem conjunta, empurrando goela abaixo de um Alckmin contrafeito uma filmagem, para aparentar boas relações. É impressionante a falta de desconfiômetro.

•  O deslumbramento. A maneira como se mete em reuniões internacionais tirando selfies e videos com pessoas ilustres é digna de qualquer mocinha do interior.

Em suma, se subiu, ninguém sabe, ninguém. Mas está preparando uma queda retumbante. Conseguiu, em pouco tempo, construir uma das imagens mais execráveis da vida pública nacional.

Luís Nassif
No GGN
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Na GloboNews, jornalista pergunta o que falta no processo contra o Lula e ouve de jurista: “as provas”


Sensacional resposta dada pelo professor Guilherme Peña na Globo News, que é a rede que movimentou o Impeachment de Dilma e da caçada Lula.



No Central Político
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Filho de diretor da RBS é indiciado por homícidio e lesão corporal

Audi A3 foi abandonado na SC-401
A Polícia Civil indiciou Sérgio Orlandini Sirotsky, de 21 anos, pelo atropelamento de três pessoas na SC-402, em Florianópolis, no início de agosto. Ele foi indiciado por homicídio e lesão corporal, conforme o delegado responsável pelo caso, Otávio Lima. O advogado do suspeito, Nilton Macedo, afirmou que não recebeu oficialmente nenhuma informação sobre isso e que, por enquanto, não vai ser manifestar. O inquérito foi entregue à Justiça na terça-feira (12).

Sérgio Sirotsky, em foto publicada na sua rede social com o carro usado por ele no momento do acidente 
No início da manhã de 6 de agosto, quatro pedestres foram atropelados em Jurerê Internacional perto da saída de uma festa. A Polícia Civil relatou que um Audi A3, que pertece a uma empresa, atropelou três homens na rodovia, dois de 23 e outro de 32 anos. Em seguida, um SsangYong teria atropelado duas pessoas: Maicon Mayer, de 22 anos, que socorria as vítimas e Sérgio Teixeira da Luz, atingido pela segunda vez.

O delegado explicou que o caso do SsangYong é tratado em um inquérito separado. Sérgio Orlandini Sirotsky, que dirigia o A3, foi indiciado pelo homicídio de Sérgio Teixeira da Luz, de 23 anos, que morreu no hospital cinco dias após ser atropelado. No inquérito entregue ao fórum, não foi especificado se seria um homicídio culposo ou doloso. O suspeito também foi indiciado por lesão corporal em relação aos atropelados Rafael Machado da Cruz e Edson Mendonça de Oliveira.

Apesar de o inquérito já ter sido entregue, o delegado pediu mais prazo para conclusão da investigação. "Quero ouvir mais algumas pessoas, fazer a reconstituição", afirmou. Mesmo assim, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pode optar por fazer denúncia contra o suspeito antes desses procedimentos.

Depoimento à polícia

O A3 foi abandonado na SC-401 e levado para a 7ª Delegacia de Polícia da Capital. Sirotsky se apresentou à polícia três dias após os atropelamentos. Ele afirmou que teve um "branco" e ouviu apenas um barulho na colisão, sem notar que eram pessoas. Também afirmou que ingeriu dois copos de vodka com energético em um das duas festas que foi na madrugada.

"Não lembra como colidiu, mas confirmou que ouviu um estrondo e parou na sequência. Quando viu que muitas pessoas estavam indo em direção a ele, saiu do local", disse o delegado. Ele não foi preso.

O motorista do Ssangyong, Eduardo Rios, foi abordado na avenida Beira-Mar Norte logo após o acidente. O carro estava com o parabrisa quebrado e havia um pedaço de jeans no para-choque. Segundo a polícia, o teste do bafômetro deu 0,74 mg de álcool por litro de sangue. A defesa diz que não há confirmação de que ele estivesse embriagado. Rios foi liberado no dia seguinte.

Foi determinado pagamento de três salários mínimos de fiança para Rios. O entendimento foi de que ele deixou o local porque teria sido ameaçado e esperou a Polícia Militar.

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Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina é preso em operação da PF




O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luís Carlos Cancellier de Olivo, e outras seis pessoas foram presas em Florianópolis na Operação Ouvidos Moucos nesta quinta-feira (14). Segundo a Polícia Federal, a ação tenta desarticular uma organização criminosa que supostamente desviou recursos para cursos de Educação a Distância (EaD) da UFSC. São investigados repasses de R$ 80 milhões.

A chefia do gabinete da reitoria da UFSC informou que foi surpreendida pela operação, que não teve acesso ao processo e que deve se reunir para decidir quais medidas devem ser tomadas.

A investigação da PF apontou que verba destinada ao EaD foi desviada, inclusive para pessoas sem vínculo com a universidade, como parentes de professores. O reitor foi preso por tentar barrar a investigação interna, segundo a PF.

Os mandados são cumpridos em Florianópolis, Itapema e Brasília.

Há buscas na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação ligada ao Ministério da Educação destinada a apoiar programas de pós-graduação e a formação de professores de educação básica. A Justiça Federal determinou que a unidade central da Capes, em Brasília, "forneça imediatamente à PF acesso integral aos dados dos repasse para os programas de EaD da UFSC".

Além da prisões, mais de 100 policiais cumprem cinco mandados de condução coercitiva, que é quando alguém é levado para depor, e 16 mandados de busca e apreensão. A operação também tem como objetivo afastar sete pessoas das funções públicas que exercem.

O trabalho é feito em conjunto com Controladoria Geral da União e Tribunal de Contas da União. "O nome da operação faz referência à desobediência reiterada da gestão da UFSC aos pedidos e recomendações dos órgãos de fiscalização e controle", informou a PF.

Com uma disputa apertada, Cancellier foi escolhido novo reitor da UFSC em 2015. A gestão começou em 2016, com duração até 2020. Cancellier foi diretor do Centro de Ciências Jurídicas desde 2012. Tem graduação, mestrado e doutorado em Direito, pela UFSC, além de especialização em gestão universitária e direito tributário. Também foi membro do Conselho Editorial da EdUFSC de 2009 a 2013, chefiou o departamento de Direito da UFSC de 2009 a 2011 e presidiu a Fundação José Arthur Boiteux entre 2009 e 2010. 

Investigações

Conforme a PF, as investigações começaram a partir de suspeitas de desvio no uso de recursos públicos em cursos de Educação à Distância oferecidos pelo programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) na UFSC.

Professores da UFSC, especialmente do Departamento de Administração, empresários e funcionários de instituições e fundações parceiras "teriam atuado para o desvio de bolsas e verbas de custeio por meio de concessão de benefícios a pessoas sem qualquer vínculo com a universidade", afirma a PF.

Em alguns casos, bolsas de tutoria foram concedidas para pessoas sem qualquer vínculo com as atividades de magistério, "inclusive parentes de professores que integravam o programa receberam, a título de bolsas, quantias expressivas, além disto também foram identificados casos de direcionamento de licitação com o emprego de empresas de fachada na produção de falsas cotações de preços de serviços, especialmente para a locação de veículos".

A PF afirma que um dos casos mais graves, professores foram coagidos a repassar metade dos valores das bolsas recebidas para professores envolvidos com as fraudes.

Além dos crimes identificados na UFSC, a investigação revelou vulnerabilidade no controle e fiscalização dos repasses efetuados pela Capes no âmbito do programa UAB.

Mandados

Devem ser cumpridos sete mandados de buscas e apreensões em setores administrativos da UFSC e de fundações constituídas para o fomento às atividades de ensino, pesquisa e extensão acadêmica.

Também ocorrem nove buscas e apreensões em endereços residenciais de docentes, funcionários e empresários.

Um dos alvos é um depósito de documentos ainda não analisados pelos órgãos de fiscalização no Norte da Ilha.

Os alvos da operação são investigados pelos crimes de fraude em licitação, peculato, falsidade documental, estelionato, inserção de dados falsos em sistemas e organização criminosa.
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Nacionalismo e patriotada

Vêm à tona as diferenças entre um e outra, na qual o Brasil é recordista mundial. Vale lembrar três décadas esperançosas e Getúlio Vargas

Nacionalista exemplar
Meu pai, Giannino, detestava o futebol e quando a seleção italiana ganhou seu segundo Mundial, em 1938 na França, ficou de péssimo humor dias a fio. “Essas vitórias só aproveitam ao fascismo, ainda bem que os franceses vaiaram a Azzurra”, tal seu estribilho. Ele era antifascista e os camisas negras acabariam por prendê-lo em 1944.

A família Carta chegou a São Paulo em agosto de 1946, meu irmão e eu fomos estudar no Colégio Dante Alighieri, que recuperara seu nome depois de ter sido chamado Visconde de São Leopoldo durante a Segunda Guerra Mundial, por ser a Itália inimiga do Brasil.

Aconselhou meu pai: “Tenha o cuidado de não se apresentar como nascido na terra de Dante, Michelangelo e Galileu, gigantes do pensamento humano, não estão à sombra de bandeira alguma, são vanguardeiros do mundo”.

Giannino era liberal à moda antiga, e isto bastava e sobrava para que o fascismo o considerasse subversivo. Excelente jornalista, levado à profissão, depois de se formar em Direito, pelo meu avô materno, Luigi Becherucci, ferozmente perseguido pelo fascismo.

Aprendi muito com meu pai e não somente em jornalismo. Ele era também professor de História da Arte e chegou a dar um curso na USP no final dos anos 40. Cortês, afável, cordial, discordávamos em política, mas o entendimento era perfeito em matéria de ética e estética, que, de resto, são a mesma coisa, segundo os gregos.

Meu pai tratou de me explicar a diferença entre nacionalismo e patriotada, e que aquele, praticado até as últimas consequências, recomenda condenar em perdão as pretensões nacionalistas da reação. Mussolini amparava seu nacional-socialismo na patriotada e de socialista nada tinha. Não excluo que o nosso Bolsonaro seja dessa estirpe.

O Brasil é campeão mundial da patriotada. O espetáculo que os estádios do mundo proporcionam é em geral patético, mas as arenas do futebol jamais se ornam com tantas bandeiras verde-amarelas como nos dias em que a Seleção adentra os gramados, e isso vale também para as praças de outros esportes.

Em lugar algum como no Brasil, o cidadão veste a camiseta dos times nacionais em quaisquer ocasiões, inclusive passeatas de propósitos políticos, enquanto não há oportunidades perdidas para cantar o hino de Duque Estrada e Francisco Manuel da Silva.

Pergunto aos meus desencantados botões até que ponto esse pessoal de canarinho sabe dos interesses do País. Poucos, muito poucos, respondem, e acrescentam, álgidos: em compensação, a larga maioria está sempre preparada para a patriotada.

Não cabe referência às quadrilhas no poder, atuam em seu exclusivo proveito, e o Brasil que se moa. Não deixarão, os golpistas, de se dizer patriotas, como convém aos canalhas, e haverá quem acredite.

O Brasil já pôs em prática políticas nacionalistas a partir de Getúlio Vargas na sua primeira versão, quando criou Volta Redonda, deu origem à CLT e criou o salário mínimo. Eu teria preferido que não privasse tão intimamente com Filinto Müller e o general Góes Monteiro, mas ele encaminhava um projeto digno de um país industrializado.

Eleito democraticamente, prosseguiu pelo mesmo rumo e seu suicídio é uma confissão de impotência diante da implacável prepotência da casa-grande. Incapaz, entretanto, de impedir a eleição de JK.

Juscelino cometeu erros e acertos, de todo modo não traiu o País. Nacionalistas denodados houve no governo de João Goulart, que por sua ousadia pagou caro. E veio o golpe de 1964. De todo modo, por três décadas o Brasil viveu um momento amiúde difícil, porém esperançoso, à altura da contemporaneidade do mundo.

Tudo o mais nos conduz ao desastre dos dias de hoje. Ditadura por 21 anos, redemocratização de fancaria para se concretizar no entreguismo tucano, o parêntese alvissareiro do governo Lula, logo frustrado, enfim o impeachment de Dilma Rousseff e o Estado de Exceção de pura marca mafiosa. O nacionalismo de um tempo tornou-se cada vez mais uma quimera.

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Paroquialismo

Enquanto o capital se internacionaliza, as pessoas se retribalizam. Estaria havendo uma reação da paróquia contra o mundo. Poucos reacionários se definiriam como fascistas, ou “istas” de qualquer espécie. Como na velha piada: eu não sou racista, só tenho pavor a negro, judeu, árabe ou a qualquer outro. Outro. O racismo é uma filosofia, o pavor ao outro é um atavismo, um raciocínio intestinal. A paróquia acha que os empregos do lugar devem ser para os do lugar, e que quem não teve a sorte de nascer num país desenvolvido deve se resignar a ficar na sua tribo. Uma lógica simples, uma lógica de paróquia. Universalismo, direitos humanos, solidariedade, etc. são frases bonitas, mas são frases mundanas. A paróquia fala outra língua.

Culpem o meu coração mole, mas senti pena do George W. Bush quando derrubaram as torres do World Trade Center, há 16 anos. Bush fazia um confortável governo paroquial, enriquecendo os seus amigos e desdenhando do resto do mundo. Não estava lá para outra coisa. Apesar da economia incerta, podia contar com oito tranquilos anos na gerência da Fortaleza América, com frequentes viagens ao Texas. Não precisava nem de uma política externa, quanto mais de uma política externa inteligente. De um dia 11 de setembro para o outro, foi sugado para o mundo. Teve que trocar os simplismos paroquiais por nuance, sofisticação, a linguagem antiparoquial da diplomacia responsável. Só conseguiu a incoerência. Hoje, os Estados Unidos são presididos por Donald Trump, a paróquia retrógrada em pessoa. 

O paroquialismo no Primeiro Mundo é fatalmente uma regressão reacionária causada pela invasão dos refugiados (e no mundo muçulmano pode ser um abismo obscurantista). No nosso mundo, o paroquialismo tem outro sentido, e portanto outra cara. Aqui, recuperar um sentimento de nação é recuperar o paroquial no melhor sentido, da valorização do próximo e da sua humanidade próxima, em oposição não a um Outro ameaçador, mas ao universalismo abstrato do capital financeiro, o pior do mundo, e a uma elite sem consciência, além da classe política que ela merece.

Luís Fernando Veríssimo
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Tentar tirar Janot sugere dificuldade para desmonte factual das acusações

Celebremos. 

Parecia, ou era mesmo, um dos assuntos guardados na área de proteção. Por certo, foi um dos motivos destacados para a pretensão de Michel Temer de afastar o procurador-geral Rodrigo Janot, mesmo vendo-o a poucos passos da porta de saída (a da frente, até aqui). Eduardo Cunha raspou no assunto, de leve, nas armadilhas que, sob a forma de perguntas, da cadeia mandou a Temer. Não houve resposta. Uma decisão virtuosa de Sergio Moro, mais uma, poupou Temer de ver-se ante pontos de interrogação intransponíveis. Mas Lúcio Funaro, o intermediário profissional, o atrevido e ameaçador, não falhou. 

Michel Temer e Docas de Santos: tudo a ver, como diz o bordão. Rodrigo Janot mandou ao Supremo, com pedido de inquérito, a delação de Funaro sobre a emissão por Temer, em acerto de que participou Eduardo Cunha, de medida que resultou em concessões e vantagens contratuais para empresas na Companhia Docas de São Paulo, a Codesp de Santos.

Em mãos do ministro Luís Roberto Barroso, o inquérito foi autorizado. Esse avanço encerra a inércia ocupando-se de um só fato, mas há muito tempo Michel Temer é citado, não à toa, como "homem de Docas". O que isso significa, o Ministério Público, a Polícia Federal e o Judiciário poderiam ter dito ao país, ou ao menos aos paulistas, há anos. Sem precisar de delação.

Outros assuntos também importantes, como a participação em subornos na construção de Angra 3, levaram a defesa de Temer a pedir ao Supremo a suspeição e o consequente afastamento de Janot. O que não é muito gentil com a futura procuradora-geral, se implica a suposição de que, com ela, a vida de Temer ficaria mais leve.

Sobretudo, porém, a pretensão de tirar Janot da visão de Temer sugere dificuldade para o desmonte factual das acusações. Já as referentes a fatos da atualidade, quanto mais ao passado que entrasse no inquérito.

Enfim, celebremos. Sem negar o risco de pasmo com uma conclusão que reponha o assunto no seu ninho de silêncio produtivo e imoral.

Por falar em assuntos da área de proteção, Geddel Vieira Lima é um que, passadas mais de três décadas protegido, vê-se menos distante do mundo dos comuns.

Um esboço desse Geddel está no documentário "Geddel vai às compras", como lembra o jornalista Tiago Dantas. A propósito das compras de fazendas e imóveis, lá está que o patrimônio de Geddel aumentou 364% em quatro anos, entre 1994 e 98 (governo Fernando Henrique Cardoso).

Não faltou, portanto, quem mostrasse Geddel na melhor autenticidade —nem estou me gabando do processo que moveu contra mim, em vão. A sua corrupção, como a de tantos, não foi obra continuada apenas de corruptos e corruptores. Os mantenedores da velha área de proteção têm a mesma responsabilidade reconhecida aos delinquentes que vêm de longe.

Pode?

Sergio Moro considerou que Lula "não tinha o direito" de lhe perguntar se poderia dizer, aos netos e outros familiares, estar sob julgamento de um juiz imparcial. É uma pergunta que todo juiz pode ouvir, com algum ou sem nenhum abalo. A depender só do juiz e suas condições, não da pergunta.

A resposta de Moro foi, claro, "pode". Mesmo sem duvidar, nestes tempos indefinidos cabe esperar, até saber se a resposta foi mais para serenar Lula ou para confortar o próprio Moro.

Janio de Freitas
No fAlha
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