13 de set de 2017

Coletiva com os advogados do ex presidente Lula em Curitiba


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Lula fala a multidão após depoimento para Sérgio Moro


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A Papuda aguarda Temer


Se conseguir chegar ao fim do mandato, Temer sairá do Planalto para o Complexo da Papuda

Assim que entrei no táxi hoje de manhã, ouvi um comentário do motorista mais do que anunciado. “O senhor viu o que aconteceu? Até bombeiros estão presos por corrupção. Aonde chegamos. Eu sempre tive grande respeito pelos bombeiros.” Também não perdi tempo e respondi de bate pronto: “O senhor viu as últimas notícias sobre o Temer? Foi aberto um novo inquérito contra ele no STF, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Pela primeira vez na história, temos um presidente processado pelo Supremo. Já responde a três inquéritos”. Ele disse que sabia. E os dois concordamos que com o presidente da República, mesmo processado por crimes graves, firme no cargo, o mau exemplo vem de cima. Eu, cá com meus botões, fiquei pensando na famosa frase de Dostoievski. “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Em nossa triste realidade, “se Temer não cai, até bombeiro se corrompe”.

Diz o usurpador ou ilegítimo (como prefere Trajano) que “o Estado Democrático de Direito existe para preservar a integridade do cidadão, para coibir a barbárie da punição sem provas e para evitar toda forma de injustiça”. E adverte que “garantias individuais estão sendo violentadas diuturnamente”. Eis outra frase de efeito: “Facínoras roubam do país a verdade”. É bastante curiosa a visão que Temer tem do Estado Democrático de Direito. Quando Dilma Rousseff foi afastada da Presidência com base numa acusação frágil e tortuosa, de crime de responsabilidade fiscal, seu vice-presidente, em lugar de se mostrar solidário, conspirou nos bastidores para garantir os votos necessários ao impeachment. Michel Temer fez letra morta do Estado de Direito e traiu Dilma sem nenhum pudor. Com o auxílio do comparsa Eduardo Cunha, controlou os votos na Câmara e no Senado. Sem medo de errar, poderíamos dizer que facínoras surrupiaram o poder.

Mas o cipó de aroeira vai voltar no lombo de quem mandou dar. Um dos três inquéritos do STF contra Temer está paralisado porque a Câmara recusou a denúncia da PGR por corrupção passiva. Mas será retomado assim que Temer deixar o Planalto e perder a imunidade. Outro inquérito, por obstrução de justiça, está aberto e deve redundar em denúncia do procurador-geral da República. Agora, o STF abriu novo inquérito pelo recebimento de propinas na edição do “decreto dos portos”. Como agravante, a Polícia Federal, após investigar suspeita de desvio de dinheiro público por políticos do PMDB, concluiu que Michel Temer é o chefe do chamado “quadrilhão”. Ele teria sido beneficiado com pelo menos R$ 31,5 milhões em vantagens indevidas. O dinheiro veio da Odebrecht e do grupo J&F, controlador da JBS. Temer, segundo a PF, tinha poder de decisão “na articulação com empresários beneficiados nos esquemas, para recebimento de valores, sob justificativa de doações eleitorais”.

Ao contrário do que diz Michel Temer, o Estado Democrático de Direito vigora em nosso País e dá amplas garantias ao Presidente da República, que só pode ser processado pelo STF com a devida licença do Legislativo. Como Temer tem a Câmara e o Senado sob absoluto controle graças a arranjos suspeitos e condenáveis, certamente deve sobreviver às novas denúncias da PGR. Hoje, no Congresso, está tudo dominado. Mas a impunidade do ilegítimo tem horizonte curto. Terminará com o fim de seu mandato. E não será de motivo de espanto se, em janeiro de 2018, Temer sair do Palácio do Planalto direto para o Complexo Penitenciário da Papuda.

Octávio Costa
No Ultrajano
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Funaro: não sobra um do quadrilhão

Doleiro do Cunha implode a República da Cloaca!

Ainda soltos...
É melhor dividir por tópicos porque Funaro fez um estrago na República.

1 – Ele diz que tem provas que o filho do ex-ministro Edison Lobão é sócio, através de laranjas, de várias pequenas usinas hidrelétricas no Pará.

2 – Funaro afirma “tinha uma conta corrente entre eu e Geddel. Às vezes eu repassava valores quando solicitado e às vezes fazia remessas mensais”. Segundo ele, somente entre fevereiro de 2014 até maio de 2015 tem registros e comprovantes que repassou R$ 11,4 milhões a Geddel, provenientes de propina em negócios da Caixa onde o político baiano era vice-presidente.

3 – Funaro apresentou documentos que comprovam que atuou para liberar junto à Caixa R$ 2 bilhões para uma concessionária do grupo Bertin na obra do Rodoanel de São Paulo. Nesta operação a propina foi de R$ 40 milhões. Segundo o delator foi dividida entre ele, Geddel e Eduardo Cunha.

4 – Funaro escracha Moreira Franco: “dando dinheiro Moreira faz qualquer coisa”. Segundo Funaro, com a ajuda de Moreira a CIBE obteve empréstimos de R$ 300 milhões. A propina de 4% foi dividida da seguinte forma: 60% para Moreira; 25% para Cunha; e 15% pra Funaro. O doleiro ainda disse que o operador de Moreira Franco na Infraero era André Luiz Marques, conhecido como André Bocão.

5 – Além de dizer que Michel Temer sempre soube de tudo, se beneficiou de muito dinheiro, Funaro apontou como operadores do presidente quatro pessoas: José Yunes (ex-assessor especial), Wagner Rossi (ex-ministro da Agricultura), Marcelo Azeredo, além do coronel João Batista Lima Filho. Para Funaro, Yunes era o maior operador, e usou a empresa do coronel Lima para escoar propinas do contrato de Angra 3, enquanto Rossi e Azeredo operavam as propinas do Porto de Santos e outras.

6 – Funaro apresentou documentos que comprovam o pagamento de propina, a pedido de Eduardo Cunha, aos seguintes políticos:

Michel Temer – R$ 1,5 milhão
Henrique Eduardo Alves – R$ 4,95 milhões
Sandro Mabel – R$ 2 milhões
Gabriel Chalita – R$ 9,8 milhões
Toninho Andrade (atual vice-governador de Minas Gerais (PMDB)) – R$ 9,8 milhões
Manoel Júnior – R$ 150 mil
Cândido Vaccarezza – R$ 700 mil
Soraia Santos (PMDB-RJ) – R$ 1 milhão
Alexandre Santos (ex-deputado do PMDB-RJ) – R$ 1 milhão
Marcelo Castro (PMDB-PI) – R$ 1 milhão

Funaro diz que a lista é muito maior e ficou de apresentar outros comprovantes envolvendo outros políticos.

7 – Funaro mostrou documentos que comprovam que ele repassou 5 milhões de francos suíços do empresário Jacob Barata Filho ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB). O repasse foi feito a pedido de Eduardo Cunha na campanha de 2014, e saiu de uma offshore cujo nome é Tuindorp Enterprise, no Banco Audi, na Suíça. Ele informou até o número da conta. Após uma operação dólar-cabo, efetuada por um doleiro chamado Tony, a quantia foi sacada no Brasil e entregue ao senhor Milton, operador de Jorge Picciani. Para comprovar o que afirmou, além do extrato da conta, Funaro entregou as mensagens que trocou com Eduardo Cunha no celular que não foi apreendido pela Polícia Federal no dia da operação.

8 – Funaro confirmou a versão que recebeu dinheiro para manter o silêncio sobre Michel Temer. Valor: R$ 100 milhões pagos por Joesley Batista, que tinha como intermediário Geddel Vieira Lima.

9 – Segundo Funaro, ele transferiu para Michel Temer, via Eduardo Cunha, R$ 13,5 milhões em propina sendo R$ 7 milhões da JBS, R$ 5 milhões de Henrique Constantino, do grupo Gol, e R$ 1,5 milhão do grupo Bertin.

10 – Funaro aceitou pagar pelo acordo de delação premiada R$ 45 milhões, que serão em quitados em 10 parcelas semestrais, terá que cumprir dois anos em regime fechado, e mais 6 em prisão domiciliar, com regime progressivo a cada dois anos (fechado, semiaberto e aberto). Ele também se compromete a cumprir 4 anos de serviço à comunidade. Tudo isto e muito mais já está assinado e homologado.

Com todos estes denunciados com bilhões em suas contas o juiz Sérgio Moro abre um processo contra Lula sobre um triplex que não é dele e o condena! Isto é judiciário que se apresente???

No CAf
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Temer e Cunha tramavam “diariamente” queda de Dilma, afirma delator


A afirmação consta de um dos anexos da colaboração do corretor, já homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na qual ele descreve a relação com a cúpula do PMDB

O corretor Lúcio Funaro disse em sua delação premiada que, na época do impeachment, o então vice-presidente Michel Temer tramava “diariamente” a deposição de Dilma Rousseff com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A afirmação consta de um dos anexos da colaboração de Funaro, já homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na qual ele descreve a relação com a cúpula do PMDB e nomeia os “operadores” de Temer em supostos esquemas de corrupção.

Conforme Funaro, Cunha sempre foi o arrecadador de propinas para o chamado “quadrilhão” do PMDB, enquanto Temer atuava no núcleo político, viabilizando interesses de empresas que pagavam subornos ao grupo.

Funaro afirmou que a relação de Cunha e Temer oscilava, dependendo do “momento político”. “Na época do impeachment de Dilma Rousseff, eles confabulavam diariamente, tramando a aprovação do impeachment e, consequentemente, a assunção de Temer como presidente”, exemplificou o corretor num dos trechos do anexo.

Temer e seu partido romperam com Dilma meses antes de o afastamento dela ser aprovado e confirmado, mas o agora presidente sempre rejeitou a pecha de “conspirador” ou “golpista”.

Procurado, o Palácio do Planalto ainda não comentou as declarações de Funaro.

Com a palavra, Eduardo Cunha

“Enquanto não for levantado o sigilo, a defesa de Eduardo Cunha não comentará os supostos termos de delação”.

A íntegra do anexo Temer na delação:

MICHEL TEMER- INTERMEDIAÇÃO DE PAGAMENTOS DE PROPINAS PARA INTERPOSTOS DO PRESIDENTE – PAGAMENTOS POR PROJETOS DE LEIS – ENTREGA DE VALORES.

QUE conhece MICHEL TEMER pois este é sócio do mesmo clube que o COLABORADOR em São Paulo, o Alto de Pinheiros.

Ainda que quando TEMER era Secretário de Segurança Pública em São Paulo, morava na mesma rua que o COLABORADOR, na Rua Alberto Faria, Alto de Pinheiros em São Paulo capital.

QUE nunca teve contato a não ser social com MICHEL TEMER nessas ocasiões.

Que posteriormente foi ter contato com MICHEL TEMER quando já tinha operações de financiamento com órgãos públicos e relacionamentos políticos principalmente do PMDB na esfera federal.

QUE MICHEL TEMER sabia da relação próxima do COLABORADOR com EDUARDO CUNHA e que tinha muito trânsito dentro do PMDB e da bancada de EDUARDO CUNHA.

QUE CUNHA constantemente informava o COLABORADOR sobre suas conversas com TEMER, expondo detalhes de planos e prospecções de negócios que poderiam arrecadar valores para campanhas.

QUE CUNHA fazia a interface com MICHEL TEMER, pois o PRESIDENTE queria evitar ao máximo exposição e vínculos com negócios ilícitos.

QUE teve alguns encontros com MICHEL TEMER, quando estava com CUNHA, como em um comício em Uberaba em 2012 de apoio a campanha do DEPUTADO FEDERAL PAULO PIAU para prefeito de Uberaba e em um culto em São Paulo, na época da campanha de GABRIEL CHALITA, na Igreja Assembleia de Deus do Bispo Samuel Ferreira.

QUE embora nunca tenha conversado diretamente com TEMER sobre dinheiro, pois esta interface era feita por CUNHA, recebia informações de divisões de propina, prospecções de negócios e instruções através de CUNHA.

QUE TEMER participava do esquema de arrecadações de valores ilícitos dentro do PMDB, podendo citar a campanha de GABRIEL CHALITA e uma doação da JBS feita somente para os SENADORES do PMDB, e nenhum valor a membros da CÂMARA.

QUE nessa doação especifica, temer reassumiu a PRESIDÊNCIA do partido, afastando VALDIR RAUPP da PRESIDÊNCIA e entrando nas negociações para resolver esse impasse.

QUE o fato de DEPUTADOS aliados de MICHEL TEMER, como CUNHA e HENRIQUE EDUARDO ALVES não estarem recebendo valores, implicaria no não recebimento de TEMER e de atrito com grandes aliados e arrecadadores.

Que EDUARDO CUNHA lhe passava informações como detalhes das negociações na eleição de GABRIEL CHALITA para prefeito de São Paulo e a negociação do apoio do CHALITA para o PT no segundo turno em troca de secretarias que TEMER ia ter direito a indicar.

QUE uma dessas secretarias foi depois ocupada por uma filha de Temer chamada Luciana.

QUE o deputado EDUARDO CUNHA relatava negociação de cargos intermediada por TEMER, alegando que “Michel tem acesso a isso”.

QUE CUNHA era a pessoa que tinha mapeado todas as pessoas que poderiam utilizar para seu projeto de poder, onde cada uma tinha influência, e utilizava isso para ele e seu grupo de caciques do PMDB se mantivessem no poder.

QUE o COLABORADOR era o principal operador de EDUARDO CUNHA, devido a sua capacidade de alavancagem e arrecadação de valores muito superiores que os outros operadores do PMDB.

QUE a divisão de cargos do PMDB era dividida entre cargos que eram de indicação da câmara e cargos que eram do senado.

QUE os líderes das casas solicitavam os cargos de acordo com a vontade de suas bancadas.

Como o PMDB tinha a maior bancada, e assim liderança tinham muita força para indicações.

QUE alguns cargos de grande destaque eram distribuídos a senadores e deputados devido a sua importância dentro do partido.

QUE por exemplo, EDUARDO CUNHA tinha a presidência de FURNAS e o SENADOR VALDIR RAUP, a indicação do diretor de obras MARCIO PORTO.

QUE de 2007-2010 a hierarquia dentro do PMDB era a seguinte; HENRIQUE EDUARDO ALVEZ como o líder, e fazendo a interface de EDUARDO CUNHA para pleitos junto ao GOVERNO do PT.

Ainda, que nessa época EDUARDO CUNHA tinha um bom relacionamento com ARLINDO CHINAGLIA e CANDIDO VACAREZZA, tendo sido nomeado PRESIDENTE DA CCJ, principal comissão dentro da CÂMARA DOS DEPUTADOS.

Que foi nesse período que houve um embate entre o GOVERNO e o DEPUTADO EDUARDO CUNHA, que culminou em CUNHA nomeado o EX PREFEITO DO RIO DE JANEIRO LUIZ CONDE para a PRESIDENCIA DE FURNAS.

Que a relação de EDUARDO CUNHA com MICHEL TEMER era mais velada, fechada, preservando o PRESIDENTE, motivo pelo qual o COLABORADOR não tratou dos assuntos ilícitos diretamente com TEMER.

Já com HENRIQUE EDUARDO ALVES, a relação era mais aberta, a qual acabou oportunizando um bom relacionamento entre o COLABORADOR e HENRIQUE EDUARDO ALVES.

QUE em 2015, após a eleição de EDUARDO CUNHA para presidente da CÂMARA, o mesmo exigiu da PRESIDENTE DILMA a nomeação de HENRIQUE EDUARDO ALVES para o MINISTERIO DO TURISMO.

Que nesse momento GEDDEL VIEIRA LIMA se aproximou deste grupo do PMDB, não ficando mais apenas restrito às operações da CEF.

Que deste momento até a metade de 2015, EDUARDO CUNHA era uma das pessoas com mais poder no pais.

QUE não tinha um relacionamento com JOSE YUNES, tendo apenas uma transação em 2014, envolvendo valores que a ODEBRETCH iria doar para MICHEL TEMER.

QUE dirigentes da ODEBRECHT utilizaram o doleiro ALVARO NOVIS para fazer com que os valores destinados a TEMER chegassem nas mãos de YUNES.

QUE assim, o COLABORADOR recebeu um telefonema de GEDDEL pedindo que o COLABORADOR retirasse uma remessa de um milhão de reais.

Que GEDDEL informou que precisava que os valores fossem enviados para Salvador.

QUE GEDDEL lhe informou que o dinheiro que iria retirar com JOSE YUNES era referente a uma doação via CAIXA 2, da Odebrecht acertada juntamente o ELISEU PADILHA e MICHEL TEMER.

QUE estes valores eram de MICHEL TEMER, o qual estava enviando uma parte do dinheiro arrecadado para GEDDEL.

QUE o COLABORADOR concordou em fazer a retirado, tendo GEDDEL informado o telefone do YUNES para o contato.

QUE o COLABORADOR ligou para o YUNES e combinaram a retirada no escritório de YUNES em uma casa de muro de vidro no Itaim em São Paulo.

Que foi em seu carro junto com um segurança até o escritório, tendo sido recebido por YUNES, em uma sala onde havia o documento de Diplomação de YUNES como Deputado Federal e um Diploma de Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo.

QUE após conversaram e trocaram cartões, a secretária e o motorista de JOSE YUNES entregaram um caixa contendo um milhão de reais.

QUE nunca fez entregas de valores a YUNES.

Que o COLABORADOR retornou com os valores até o seu escritório e pediu para que um funcionário fosse até a Bahia fazer a entrega para GEDDEL.

O dinheiro foi entregue em Salvador por um funcionário de logística de transporte de valores do doleiro TONY, o qual retirou os valores em São Paulo e no dia seguinte fez a entrega em Salvador na sede do PMDB da Bahia.

QUE TEMER e GEDDEL são amigos muito antes do presidente MICHEL TEMER assumir a PRESIDENCIA. QUE GEDDEL tinha grandes expectativas que iria ser nomeado ministro.

QUE GEDDEL foi líder do PMDB na câmara por vários anos, inclusive na época em que MICHEL TEMER foi presidente da casa, tendo uma extensa relação de convivência e amizade dentro do PMDB.

QUE tem conhecimento que além de YUNES, WAGNER ROSSI e MARCELO AZEREDO eram grandes operadores de MICHEL TEMER.

Ainda que TEMER tem uma relação muito próxima com a empresa CONSTRUBASE, de VANDERLEI NATALE, podendo citar como exemplo um fato ocorrido em 2003/4, época em que EDUARDO CUNHA tinha o controle político da CEDAE, no Rio de Janeiro, e a CONSTRUBASE tinha obras com a CEDAE de que não tinha recebido.

QUE MICHEL TEMER solicitou para CUNHA que recebesse o presidente da CONSTRUBASE, WANDERLEI, para que CUNHA conseguisse que a CEDAE quitasse a dívida com a CONSTRUBASE.

Que não participou da reunião sobre a CEDAE, tendo CUNHA lhe relatado o fato.

Ainda que TEMER tem grande influência no porto de Santos, sendo que tem negócios com a empresa RODRIMAR, por isso teve grande envolvimento com a Medida Provisória dos Portos, de n° 595, a qual teve as duas sessões mais longas da Câmara Federal, em 2013.

QUE essa MP envolvia interesse de grandes grupos, pois seu conteúdo além de validar os contratos, prorrogação os contratos com aqueles preços e obrigava os portos a seguirem determinações dessa MP.

QUE essa referida MEDIDA PROVISORIA, foi feita para beneficiar os grupos já instalados nos Portos, tendo EDUARDO CUNHA como o articulador e o responsável pela arrecadação frente a algumas empresas tinham interesse na redação dessa MP.

QUE HENRIQUE EDUARDO ALVES pautou e conduziu a votação, tendo TEMER diretamente influenciado a MP, com o intuito de defender os interesses dos grupos ligados.

QUE CUNHA narrava os pleitos e intervenções de MICHEL TEMER no andamento dessa MP.

QUE após a provação da MP acredita que tenham recebido uma comissão pela aprovação da mesma as seguintes pessoas dentre outras: TEMER, CUNHA, HENRIQUE ALVES (que era presidente da câmara a época), o MINISTRO DOS TRANSPORTES, tendo conhecimento de repasses por GONÇALO TORREALBA proprietário do Grupo Libra.

Que desconhece como foi operacionalizado o pagamento de propina a EDUARDO CUNHA e HENRIQUE ALVES geralmente eram feitos em espécie, tem conhecimento desse fato por relatos do DEPUTADO EDUARDO CUNHA, narrando que tinha atendido aos pleitos do GRUPO LIBRA e SANTOS BRASIL.

Que dentre os grandes investidores interessados, estavam o GRUPO SANTOS BRASIL, o GRUPO LIBRA, ligado ao EDUARDO CUNHA.

QUE a SANTOS BRASIL contribuiu muito para o PMDB. Ainda a ELDORADO e a RODRIMAR tinham interesse em ter um terminal no Porto de Santos.

QUE TEMER tem um histórico de operar no porto de Santos, tendo influência de indicar o presidente e outros cargos.

QUE MARCELO AZEREDO foi indicado ao posto que ocupou em empresa ligada ao PORTO DE SANTOS por TEMER.

QUE MICHEL TEMER operou no Ministério da Agricultura em duas ou três épocas diferentes, tendo conhecimento que se beneficiou na gestão de WAGNER ROSSI.

A indicação de WAGNER ROSSI para o MINISTERIO DA AGRICULTURA foi de MICHEL TEMER.

QUE WAGNER ROSSI era amigo pessoal DO PRESIDENTE MICHEL TEMER e já havia ocupado cargos em órgãos ligados ao PORTO DE SANTOS por indicação de Temer.

QUE WAGNER tinha negócios junto com JBS no qual MICHEL TEMER foi beneficiado.

QUE esses negócios com o Ministério da Agricultura envolviam facilitação nas inspeções, na obtenção de licenças para exportação, autorização para plantas exportarem, a não fiscalização da JBS e maior rigidez nas inspeções em outros frigoríficos.

QUE JOESLEY sempre lhe falava que WAGNER ROSSI estava à frente do Ministério, mas que se reportava ao TEMER.

QUE após um tempo saiu o indicado de TEMER e surgiu a oportunidade de mudar o MINISTRO, para se alinhar aos interesses de JOESLEY.

QUE assim CUNHA pediu que o COLABORADOR perguntasse a JOESLEY se ele tinha interesse, já que já tinham outros negócios da CAIXA, e que CUNHA somente iria indicar alguém para o cargo se JOESLEY tivesse interesse, para não “ocupar esse espaço no governo se não interessasse a JOESLEY”.

QUE o COLABORADOR foi até JOESLEY e falou “olha, eu tenho chance de indicar o Ministro da Agricultura. Você tem interesse?”. JOESLEY respondeu que tinha interesse e indagou quem seria.

QUE o COLABORADOR lhe informou que seria ANTÔNIO ANDRADE -Deputado Federal de Minas Gerais, hoje vice-governador de Minas.

QUE não o conhecia à época, mas CUNHA informou que iria indicar um deputado da bancada de Minas Gerais que obedecesse a CUNHA.

QUE quem bancou a indicação de ANTONIO ANDRADE foi EDUARDO CUNHA e a bancada de Minas Gerais.

QUE após a indicação do MINISTRO, JOESLEY começou a fazer pedidos impossíveis o que gerou atrito com CUNHA.

QUE não ficaram acertados valores, pois iriam valorar cada pleito atendido.

QUE JOESLEY tentou ”atravessar”, o COLABORADOR e CUNHA através de contatos diretos com o MINISTRO.

QUE CUNHA reclamou para o COLABORADOR que JOESLEY tentou contato direto com o MINISTRO, o qual não o recebeu.

QUE o COLABORADOR passou uma mensagem para JOESLEY chamando-o de “moleque” já em janeiro de 2014.

QUE o MINISTRO ANTONIO ANDRADE avisou CUNHA um dos compromissos agendados com JOESLEY, e CUNHA foi até o MINISTERIO.

QUE quando CUNHA entrou encontrou JOESLEY, o qual reclamou que o COLABORADOR havia sido muito áspero com ele, tendo CUNHA respondido que tinha sido a seu mando, pois aquilo não era o combinado e que JOESLEY estava dando uma ‘missão que era impossível. Nós estamos aqui para trabalhar em conjunto”.

QUE assim JOESLEY viu que não iria conseguir acesso com o MINISTRO sem a ajuda de CUNHA.

QUE os benefícios que a JBS obteve junto ao MINISTERIO nas quais o COLABORADOR participou da aprovação foram a exportação de despojo, que é um pedaço do gado que não é utilizado no Brasil, mas que na China e em alguns países asiáticos eles comem.

Operação que foi aprovada e uma outra operação foi a proibição do uso de uma substancia que se chama ivermectina, pois quando aplicada ao gado causa problemas em um teste que é feito na carne que é exportada, a qual assim é rejeita e causa um prejuízo muito grande para o frigorífico.

QUE esta operação precisou da ajuda do ALOÍSIO MERCADANTE, que na época era o Ministro da Casa Civil, quem solicitou essa ajuda foi JOESLEY.

QUE ANTÔNIO ANDRADE cuidou do trâmite dentro do MA, mas ele sozinho não conseguiu. QUE dentro do Ministério da Agricultura, tinha a indicação por CUNHA de um funcionário que se chamava RODRIGO FIGUEIREDO, que era quem fazia interface, pois o Ministro não tinha tempo.

QUE nessas duas operações foram 7 milhões de reais de propina creditados na conta interna do COLABORADOR na JBS.

Que desses valores, R$3.000.000,00 foram repassados para ANTONIO ANDRADE e R$ 1.500.000,00 para EDUARDO CUNHA, sendo que TEMER E HENRIQUE ALVES receberam parte dessa propina, que essa distribuição foi que mantinha a força política de CUNHA.

QUE a propina foi paga pela JBS ao COLABORADOR em conta interna, já a parte referente ao MINISTRO ANTONIO ANDRADE foi entregue ao operador dele MATEUS MOURA, e a parte de EDUARDO CUNHA foi paga a pessoa de sua confiança chamada ALTAIR .

QUE essas medidas que beneficiaram o Grupo JBS no âmbito do MINISTÉRIO DA AGRICULTURA são:

— Oficio Circular número 2, datado de 5 de Fevereiro de 2014, o qual revoga a circular número 279, de 2004. Esse oficio proíbe os Entrepostos de Carnes e Derivados (ECD) de exportarem despojos de boi, autorizando somente os frigoríficos habilitados a exportar. Esse ato gerou uma série de medidas Judiciais por de ECD associações contra o oficio.

— Proibição do uso, produção e importação de Ivermectina, datado de 30/05/2014.

Ainda, que o COLABORADOR Intermediou doações do GRUPO CONSTANTINO para a campanha de GABRIEL CHALLITTA, para beneficiar um pleito de MICHEL TEMER, pois EDUARDO CUNHA não tinha interesse em nada relacionado a prefeitura de São Paulo e nem tinha um relacionamento próximo com GABRIEL CHALITA.

QUE ainda houve uma entrega de R$ 500.000,00, a pedido de CUNHA para a campanha do PAULO SKAF ao governo de São Paulo, em um escritório na Avenida 9 de Julho em São Paulo, para DUDA MENDONÇA para atender o presidente TEMER.
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Depoimento de Lula a Moro

Lula pergunta se pode considerar Moro imparcial













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ZéDirceu


O preço do silêncio

Hoje percebemos o quão caro nos custou o silêncio e o abandono do companheiro Zé Dirceu e de todos os outros às “instituições” que - naquele momento e como agora - diziam estar em pleno funcionamento. Não percebíamos, então, a serviço de quem funcionavam.

Quando nos deparamos com o espetáculo grotesco que foi o julgamento da AP 470, televisionado e comentado 24 horas por dia, com interpretações teratológicas da “Teoria do Domínio do Fato”, do absurdo de uma ministra da Suprema Corte condenar sem provas mas embasada "na literatura jurídica" um homem à perda da sua liberdade, privando-o do convívio com sua família, impondo o silêncio de suas ideias e de sua participação política no país. Chocadas, nos perguntamos onde estava o Direito, a Justiça e que tipo de instituição era aquela que expressamente condenava inocentes.

Esperamos ouvir os gritos e protestos daqueles que se dizem operadores do Direito, das ditas instituições e organismos que falam em nome da defesa da lei e da Constituição. Nada escutamos, apenas o silêncio da omissão e da covardia. Poucos foram aqueles que se ergueram diante da tirania do Judiciário que cometeu um falso processo, deturpando conceitos jurídicos, negando provas de inocência e o direito de defesa .

Iniciava-se na AP 470 - e no silêncio diante do arbítrio do Judiciário - o processo de mais um golpe de Estado no Brasil. Desta vez, porém, sem tanques de guerra contra a população, mas com os velhos aliados de togas da oligarquia predatória do país.

Tentaram destruir o homem, que foi abandonado por muitos de seus companheiros. Mas a lealdade deste homem é ao povo brasileiro, à luta pela igualdade social e pelo desenvolvimento do país. Por isso, Zé Dirceu não se enverga, luta pela causa dos mais humildes, possui a honra e a dignidade que só os heróis têm.

Poucos são os seres humanos como Zé Dirceu, desprovidos de egoísmos e pequenos sentimentos mesquinhos. Sua força na luta e altivez da sua honra são muitas vezes confundidas com arrogância: é o preço que tão nobre caráter paga por dedicar sua vida a lutar por um Brasil mais justo.

Já nós, o povo brasileiro, pagamos um alto preço por nosso silêncio, por nossa omissão!

Nosso país é surrupiado, nossas riquezas e futuro estão sendo roubados! Enquanto isso, continuamos a assistir o espetáculo grotesco desse Judiciário, que condena líderes valorosos sem prova e dá prêmios a homens criminosos.

O resultado do silêncio diante dos arbítrios do Judiciário na AP 470 e na Lava-jato foi a instituição de uma ditadura disfarçada, na qual estamos todos sujeitos à tirania de inúmeras togas e, consequentemente, a uma insegurança jurídica jamais vista.

Exigir que o TRF4 meramente aplique a lei ao julgar o recurso de Zé Dirceu se converte em ato revolucionário, diante da ditadura das togas que enclausuram nossas lideranças em falsos enredos jurídicos, em masmorras do silêncio e encarceram seus corpos.

Por um ato revolucionário!

Exige-se a aplicação correta da lei e da Constituição deste país para que seja declarada a absolvição de Zé Dirceu!

Giselle Mathias, advogada, Brasília

Denise da Veiga Alves, advogada, Brasília

Cleide Martins, , Brasília

Andréa Matos, química, Rio de Janeiro

Vera Lúcia Santana Araújo, advogada, Brasilia

Maria Lúcia de Moura Iwanow, professora, Brasília

Psicanalistas pela Democracia



Camarada Zé Dirceu

Vivemos tempos sombrios!

Hoje, mais uma vez, você caminhará na direção de seus algozes.

Provavelmente eles não olharão em seus olhos. As meninas de suas íris terão brilho e encararão a toga amarrotada de vergonha.

Eles, juízes de uma causa só, olharão de esgueiro para as câmeras de TV e disfarçadamente fecharão suas pálpebras avermelhadas pela injustiça. Mas se manterão falsamente firmes.

E você empurrará o cabelo para trás e lembrará da bandeira do Brasil, da estrela do PT e do dia primeiro de janeiro de 2003. Você não abaixará sua cabeça!

Você será culpado por sonhar um Brasil para seu povo. Por organizar um partido que mudou a história do país e por um governo que devolveu aos trabalhadores o lugar de sujeito na história.

Você será declarado perigoso porque foi altivo, estabeleceu relações solidárias e companheiras e soube juntar gente para formar coletivo e andar por caminhos abertos pelas próprias mãos.

Escreverão com caneta vermelha que tu és um transgressor desde muito jovem. Que não respeitou a ordem, que pegou em armas e consolidou um pensamento de solidariedade entre os povos.

Será acusado de ter amizade com os sem terra, de formar dirigentes partidários, de ser companheiro dos sindicalistas e defender as mulheres os negros e a comunidade LGBT.

É causador de uma vitória espetacular chamada Lula, de construir um governo com a cara do Brasil real e implantar programas revolucionários para o momento do país.

Será incriminado por gostar da juventude e reconhecer nela o vigor das mudanças.

Camarada Zé Dirceu, és meu companheiro de muitos anos. Carregamos muitas bagagens. Brigamos, divergimos, mas o resultado foi sempre a soma. Fizemos planos, tabelamos e muita coisa deu certo.

Sofremos a solidão da cela, o desterro das ruas, a frieza de quem ficou e a amargura dos dias sem sol. Mas não desanimamos nem nos entregamos. Nos escoramos uns nos outros.

Agora assisto o seu caminhar para um julgamento já definido e não posso fazer nada. A impotência aflige todos nós. Sei das razões políticas para tal ato, mas a alma entristece em ver você pagar mais uma vez por todos nós.

Fique tranquilo, camarada: seus filhos sentirão orgulho de você!

Seus amigos e companheiros falarão de você com brio e dignidade!

É claro que ainda existem recursos para serem usados. É claro que é possível retardar o processo para fazer justiça.

Mas, consumando a condenação, sei que muita gente gostaria de dividir com você o cumprimento da sentença.

Entendo, não é possível.

Então leve nossas memórias e cultive a esperança. Ainda há tempo.

No mais, com altivez e repetindo a crença no amanhã, digo: vá em frente, camarada Zé Dirceu. Nos encontraremos onde estiver um brasileiro lutando por justiça, solidariedade e igualdade.

Abraços

João Paulo Cunha
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De quantas denúncias Temer precisa para renunciar?


Temer, o primeiro ocupante da presidência na História do Brasil acusado de comandar uma quadrilha,  começa o dia de hoje reunindo-se com seus líderes aliados na Câmara.  Tivesse ele algum respeito pela instituição da Presidência, que usa como escudo, anteciparia aos líderes sua decisão de renunciar para estancar a sangria, não a dos investigados pela Lava Jato, mas a do país que se esvai numa crise política e econômica alimentada, principalmente, por sua vulnerabilidade. A reunião, sabemos todos, será para combinarem o enterro da segunda denúncia que está a caminho. 

Afogado por uma maré de acusações nas últimas horas, Temer foi despojado do benefício de qualquer dúvida sobre a importância e a urgência de ser investigado e processado, e por decorrência  afastado do cargo. E isso dependerá novamente da Câmara.  A Polícia Federal o acusou de chefiar uma organização criminosa, o PMDB da Câmara, de ter recebido propinas relacionadas com a liberação de recursos do FI-FGTS da CEF, de ser o destinatário dos R$ 500 mil que a JBS entregou a Rodrigo Loures e ter ganhado R$ 20 milhões em contratos da Petrobrás/PAC SMS. Ele ganhou também em contratos para a construção da usina Angra 3,  acrescentou o delator Lucio Funaro. O ministro do STF Roberto Barroso autorizou investigações sobre favorecimento à empresa Rodrimar com o decreto dos portos.  Em resposta ele chamou de fascínoras os que o investigam ou delatam.

E hoje pela manhã, vai combinar com seus líderes o enterro de mais uma denúncia.  É provável que tenha êxito, se der mais carne aos aliados, ampliando o rombo fiscal novamente. Enterrada a segunda, entretanto, a terceira denúncia poderá vir, subscrita por Raquel Dodge, a sucessora de Rodrigo Janot na Procuradoria  Geral da República.  O inquérito autorizado por Barroso, sobre o decreto dos portos, será concluído na gestão dela.  Loures,  antes de ser flagrado com a mala de dinheiro, tricotou a inserção de muitos interesses neste decreto. No mesmo bar em que se encontrou com Ricardo Saud, da JBS, marcou encontro com o enviado da Rodrimar. Dificilmente isso não terminará numa terceira denúncia.

Sepultada a segunda, o país continuará sangrando, à espera da terceira. O Congresso continuará travado e os agentes econômicos vão se manter tolhidos pela incerteza política. Se quisesse mesmo que o país recobrasse alguma estabilidade, até que as urnas relegitimem a Presidência, Temer faria ao Brasil o favor de renunciar.

Não haveria eleição direta, mas a escolha indireta de um presidente tampão.  Seria alguém do bloco vitorioso no golpe, que tem a maioria parlamentar, mas, ainda assim,  seria melhor que ter no Planalto um presidente carimbado como chefe de quadrilha.

Ele já não está no cargo para implementar a agenda que não foi aprovada pelas urnas de 2014,  honrando o pacto com os que, para isso,  derrubaram a presidente eleita Dilma Rousseff.   A agenda avança no que depende apenas do Executivo mas já fracassou no que depende da aprovação do Congresso, como a reforma da Previdência.  Usando a Presidência apenas para se defender e salvar a própria pele, Temer já deixou de ser útil até mesmo aos que o colocaram lá. Mas ele não vai renunciar, é claro, porque fora do cargo iria mais rapidamente fazer companhia a alguns de seus amigos que estão presos.

Tereza Cruvinel
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História Geral da Arte — Van Gogh


Van Gogh

Vincent Willem van Gogh (1853-1890) nasceu em Zundert, uma pequena aldeia holandesa, no dia 30 de março de 1853. Filho de um pastor calvinista era uma criança rebelde e insociável. Van Gogh torna-se depressivo e sofre seguidas crises nervosas, passa longos períodos de solidão. Em 1880 vai para Bruxelas, e com o dinheiro que o irmão lhe manda, estuda anatomia e perspectiva. Passa os dias desenhando. Em 1881 muda-se para Haia, onde é acolhido pelo pintor Mauve. Pinta aquarelas, onde aparecem marinheiros, pescadores e camponeses. Escreve para o irmão “Eu não quero pintar quadros, eu quero pintar a vida”. Em julho de 1882 pinta seu primeiro quadro a óleo. No ano seguinte volta para a casa dos pais, onde passa os dias lendo e pintando. Van Gogh encontra-se com a saúde precária e segue os conselhos de Toulouse-Lautrec, vai para o campo e em fevereiro está em Arles, pintando ao ar livre. Pinta mais de 100 quadros, entre eles, “Girassóis” (1888) e “Armand” (1888). Convida Gauguin para trabalharem juntos, mas Van Gogh tem crises de humor. Há relatos que sua amante teria se envolvido com Gauguin e ao descobrir discute e agride o amigo com uma navalha. Arrependido corta um pedaço de sua orelha e manda num envelope para a mulher que motivou a briga. É recolhido para o hospital e em seguida vai para casa e pinta o “Auto Retrato com a Orelha Cortada” (1888). Van Gogh deixa Saint-Rémy em maio de 1890. Vai para Auvers, sob os cuidados do Dr. Gachet que o examina e diz que a situação é grave. Pinta mais de 200 desenhos e mais de 40 quadros, entre eles, “Os Ciprestes”, “Trigal com Corvos” e “Retrato do Dr. Gachet”. No dia 27 de julho, Van Gogh sai para o campo de trigo com um revolver na mão, no meio do campo dá um tiro no peito sendo socorrido, mas não resiste. Morreu em Alvers, França, em 29 de julho de 1890. No dia de sua morte, no sótão da Galeria Goupil, em Paris, 700 quadros amontoavam-se sem comprador. A fama só veio após sua morte. Grande parte de sua história está descrita nas 750 cartas que escreveu para seu irmão Theo, e que evidenciava a forte ligação entre os dois.



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Vida em Resistência


Vida em Resistência: Programa de TV Web sobre as realidades das comunidades indígenas da região Sul

Assista ao primeiro vídeo da série com entrevistas da comunidade Goj Veso, de Iraí/RS.

Na apresentação da jornalista Julia Saggioratto, você fica por dentro de como está acontecendo a construção da escola indígena nessa região e mais informações sobre a vida das famílias.

Essa é uma produção do Portal Desacato e a Cooperativa Comunicacional Sul, com apoio do Conselho Indigenista Missionário - Cimi.

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Informativo Paralelo #53 - Brasil e a festa da dependência

Informativo Paralelo #53 - Brasil e a festa da dependência

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Fachin deve usar voto de Gilmar contra suspeição de Janot

STF discute nesta quarta pedidos de Temer após reviravolta na delação da J&F


O ministro Edson Fachin deve recorrer nesta quarta-feira (13/9) a um voto do ministro Gilmar Mendes em 2010 para defender, no plenário do Supremo Tribunal Federal, a rejeição do pedido do presidente Michel Temer para afastar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de suas investigações.

A tese utilizada por Gilmar – um dos principais críticos da gestão Janot que chegou a afirmar que o MP está em estado de putrefação – foi referendada pela maioria do STF no julgamento do habeas corpus  97544 e estabelece que não é possível ao Judiciário legislar para incluir causa não prevista pelo legislador em suspeição.

Com isso, Fachin deve usar esse precedente para rebater argumento de Temer de que Janot estaria suspeito de atuar em seus casos por inimizade capital – questão que não está prevista no regimento do STF e nem no Código de Processo Penal.

No fim de agosto, ao rejeitar monocraticamente o pedido de Temer de suspeição de Janot, Fachin já explicou que os pontos lançados pela defesa do presidente não permitem concluir pela “existência de relação de inimizade capital entre o presidente da República e o procurador-Geral da República, tampouco que o chefe o Ministério Público da União tenha aconselhado qualquer das partes.” Temer recorreu e levou o caso ao plenário.

Outro ponto que Fachin vai levantar é que o uso de metáforas não é capaz de respaldar a suspeição de um magistrado. Temer questiona declaração do chefe do MP alegando que “enquanto houver bambu, vai ter flecha. Até o dia 17 de setembro estarei lá na PGR, e até lá, a caneta está na minha mão, e vou continuar no mesmo ritmo que estou”. O ministro não vê a medida como indicação de parcialidade.

Ministros dizem que a tendência é de que a suspeição seja rejeitada pela maioria. São esperados votos contra o pedido de Temer dos ministros: Edson Fachin, Celso de Mello, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Luiz Fux e Alexandre de Moraes. Nos bastidores, ministros admitem desgaste de Janot por problemas na delação da JBS e criticam principalmente o encontro dele com advogado de delatores em um bar da capital, no fim de semana. São esperadas fortes críticas. O julgamento ocorre a quatro dias da saída de Janot do comando da PGR.

Além da suspeição, os ministros vão discutir uma questão de ordem apresentada por Fachin a partir de pedido dos advogados de Temer que discute se o Supremo tem previsão constitucional ou não para congelar a atividade do Ministério Público Federal até que sejam resolvidas questões preliminares levantadas pela defesa.

O objetivo de Temer é suspender o andamento de uma eventual nova denúncia até que episódio dos novos áudios da JBS seja esclarecido. De acordo com interlocutores, diante do mal-estar provocado pela reviravolta na colaboração da JBS, a questão traz preocupação para Fachin reunir maioria no plenário. Nos bastidores, ministros ouvidos pelo JOTA não descartam um pedido de vista neste caso. O ministro Luís Roberto Barroso não estará na sessão.

Na avaliação de ministros, o caso é importante não só porque envolve o andamento das investigações do presidente Michel, mas também porque o entendimento  do Supremo pode abrir precedente a ser adotado em todas as instâncias para que os alvos travem investigações alegando problemas como contaminação das provas ou suspeição de magistrado. Dentro dessa questão, ministros indicam que pode surgir um novo debate sobre a validade das provas da JBS – questão mais complexa e que deve expor mais divergências no tribunal.

A grande preocupação no STF é que os debates mostrem uma corte dividida e desgaste ainda mais a imagem da Corte.

O pedido de suspeição de Temer contra Janot foi apresentado ao Supremo depois que a PGR denunciou o presidente por corrupção passiva – acusação que acabou travada pela Câmara que não autorizou o processamento do presidente. O caso ganhou novo tom depois de que os delatores da JBS entregaram novos áudios e a Procuradoria abriu procedimento para revisar o acordo de delação. As gravações, além de menções a ministros do Supremo, indicavam que o ex-procurador Marcello Millir pode ter feito jogo duplo, orientando os colaboradores nas negociações com a Procuradoria.  Depois do caso, Janot pediu a prisão de Joesley Batista, Ricardo Saud e do próprio Miller. Os delatores da JBS estão presos temporariamente, mas Fachin negou a prisão de Miller.

Márcio Falcão
No Jota
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Defesa de Lula usa escândalo do "amigo" de Sergio Moro na apelação do triplex

Quando a delação informal serve à condenação de Lula, Moro valoriza a palavra do criminoso. Mas quando as acusações caem sobre o próprio juiz e os procuradores da Lava Jato (como no caso Duran-Zucolotto), aí Moro diz que palavra de criminoso, convenientemente, não merece crédito


A defesa do ex-presidente Lula lançou mão do popular "pimenta nos olhos dos outros é refresco" e expôs que Sergio Moro caiu em contradição quando usou delação informal de executivos da OAS para condenar Lula no caso triplex, mas não quis dar "crédito" às palavras de um "criminoso" quando as acusações atingiram em cheio a força-tarefa da Lava Jato.

Na apelação enviada à segunda instância no último dia 11, a banca de advogados de Lula ironizou a mudança de postura de Moro. Sustentou que quando um pretenso delator diz algo contra Lula, Moro acha válido e usa as declarações, mesmo que sem provas, para condenar o petista. Mas quando um outro delator informal denuncia obscuridades no mercado de delações de Curitiba, Moro, convenientemente, afirma que "a palavra de pessoa envolvida, em cognição sumária, em graves crimes e desacompanhada de quaisquer provas de corroboração não é digna de crédito."

A defesa fez referência ao escândalo envolvendo o amigo pessoal de Sergio Moro, o advogado Carlos Zucolotto Jr. Ele foi acusado por Rodrigo Tacla Duran, um réu da Lava Jato foragido na Espanha, de ter cobrado propina para conseguir um acordo de delação premiada com os procuradores de Curitiba. Moro, Zucolotto e os membros do Ministério Público Federal negam as acusações.

"Ora, quando o indivíduo traz informações que, em tese, são negativas ao Magistrado ou à Força Tarefa  – que formam um mesmo time – estas são descreditadas por ele ocupar a posição de acusado. Agora, quando a palavra do indivíduo – não importando se é investigado, réu ou condenado – converge com a tese acusatória e diz o que o juízo e os procuradores querem ouvir, esta é considerada como se verdade fosse", disparou a defesa.

Para os advogados, "soa até cômico o Magistrado afirmar que 'a palavra de pessoas envolvidas com crimes não é digna de crédito' quando se atesta que toda a Lava Jato é baseada e sustentada pela palavra de criminosos confessos da Justiça que, a fim de atenuarem suas penas, firmaram acordos de colaboração com o Ministério Público — ou, no caso de Agenor Franklin e Léo Pinheiro [da OAS], obtêm os mesmos benefícios sem a necessidade sequer de formalizar uma delação."

"Em suma: a valoração da palavra do delator se dá conforme a conveniência de suas informações. Isso não pode ser concebido! Não em um Estado Constitucional Democrático. Pode esse Tribunal chancelar tamanho paradoxo?", indagam.

Para os advogados de Lula, o uso de delações sem provas correspondentes é motivo para que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região anule a sentença de Moro e absolva o ex-presidente, "em observância ao princípio constitucional da presunção de inocência". O juiz de Curitiba condenou Lula a 9 anos e seis meses de prisão, mais pagamento de multas e indenizações que superam os R$ 13 milhões. Cerca de R$ 10 milhões em bens já foram congelados.

A defesa ainda usa a absolvição de João Vaccari Neto no TRF4 como exemplo que a maioria da turma que julgará Lula já assinalou que delação sem prova não é suficiente para impor uma sentença condenatória. Trechos do voto do desembargador Leandro Paulsen no caso do ex-tesoureiro do PT foram utilizados. 

Arquivo


Cíntia Alves
No GGN
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O roubo foi maior, presidente


O inquérito do "quadrilhão" do PMDB implode o discurso de que Michel Temer seria vítima de perseguição da Procuradoria. Agora é a Polícia Federal, e não mais o Ministério Público, quem sustenta que o presidente está no topo de uma organização criminosa.

O relatório da PF faz um raio-x na atuação do chamado PMDB da Câmara. São quase 500 páginas de uma longa crônica de assaltos aos cofres públicos. O documento descreve falcatruas milionárias na Petrobras, na Caixa Econômica, em Furnas, no Ministério da Agricultura, na Secretaria de Aviação Civil e no Congresso.

De acordo com a investigação, o esquema operava em diversas modalidades: do pedágio em obras à venda de medidas provisórias, da fraude em licitações à cobrança de propina para liberar empréstimos.

Sua aposta mais lucrativa foi a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara, em 2015. Com um investimento de R$ 30 milhões, repassados pela JBS, o grupo teria subornado dezenas de parlamentares para conquistar a cadeira. Nela, ampliou o poder de chantagem e multiplicou o faturamento dos negócios.

A PF afirma que o "quadrilhão" reunia seis amigos de longa data. A Lava Jato já prendeu metade do time: Cunha, Henrique Alves e Geddel Vieira Lima, o homem de R$ 51 milhões. Os outros três estão no Palácio do Planalto: Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, todos protegidos pelo foro privilegiado.

Nesta terça, o presidente ensaiou fazer um pronunciamento para rebater as conclusões do relatório. Assessores conseguiram demovê-lo da ideia. Sem a opção de atacar Janot, ele teria que criar outra teoria conspiratória envolvendo a Polícia Federal, que é subordinada a seu governo.

Por fim, Temer divulgou uma nota em que protesta contra "toda forma de injustiça", chama os delatores de "bandidos" e afirma que "facínoras roubam do país a verdade".

Se o roubo se limitasse a isso, o país ainda estaria no lucro.

Bernardo Mello Franco
No Esquerda Caviar
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Da Tradição, Família e Propriedade ao MBL: a pátria da ‘suruba’ está sendo violentada intelectualmente


Herdeiros do grupo político-religioso Tradição Família e Propriedade (TFP), os líderes do Movimento Brasil Livre (MBL) aproveitaram a superficialidade das reivindicações que pegaram carona nas Jornadas de Junho de 2013 para colocar em curso o seu projeto de doutrinação ideológica. O grupo teve papel decisivo na “sacanagem política” que levou ao afastamento definitivo de Dilma Rousseff (PT) da presidência da República. É formado por jovens que há pouco saíram da puberdade, canalizando toda sua energia sexual no combate ao que identificam, genericamente, como “a esquerda”, sobretudo, a que julgam estar identificada com o “petismo” e o “lulismo”. Aliados políticos de Eduardo Cunha (PMDB) –  e financiados por partidos como o PMDB, o PSDB e o DEM –, os meninos do MBL refletem perfeitamente uma sociedade pautada pelo falso-moralismo, que está sendo violentada, diariamente, pela classe política, mas não tem coragem de denunciar seus verdadeiros agressores.

Em um país em que um senador compara o direito ao foro privilegiado a uma “suruba” – após admitir ter sido organizado um golpe parlamentar-jurídico para destituir uma presidente legitimamente eleita – “com o Supremo com tudo” – uma exposição intitulada “QueerMuseu: Cartografias das diferenças na arte brasileira” só poderia ser considerada obscena. A TFP dos dias de hoje – vulgarmente conhecida por MBL – tomou para si a responsabilidade de denunciar tal “perversão”. Mobilizou-se, nas redes sociais, para acabar com a “sacanagem toda”. Não! Não me refiro à “suruba” do Jucá e sim à exposição de arte, que traz obras Portinari, Volpi, Flávio de Carvalho e Ligia Clark.

Repaginada, a TFP/MBL se diz “liberal”, mas entre seus pares estão jovens confusos, que têm seus “rendimentos” pagos pelos pais ou pela própria máquina do Estado. Só nas últimas eleições já emplacou pelo menos sete vereadores e um prefeito. Estado mínimo? Só se for para os outros. Consideram-se entendidos em disciplinas importantes – como história e economia –, mas utilizam-se de fontes sem a mínima credibilidade entre os próprios “pensadores da direita brasileira” para “referendar” suas falácias. Por isso, constantemente são  ridicularizados por figuras do seu mesmo espectro ideológico, como o caricato e folclórico Olavo de Carvalho. Defendem o “fim da doutrinação” pregando, abertamente, uma cartilha política e econômica que, haja vista suas posições – ou a “falta delas” –, demonstram desconhecerem profundidade. O liberal Luiz Inácio Lula da Silva teria muito a ensiná-los, mas, como garotos mimados que são, jamais dariam o braço a torcer para ouvi-lo. Uma lástima, pois poderiam perceber que, na prática, o governo petista aplicou justamente a política econômica que eles dizem defender.

Aliás, eles dizem ter solução para tudo nesse país. Menos para resolver as suas próprias contradições. Temer e Aécio estão soltos. Impunes! Seriam os seus “bandidos de estimação”? Geddel “estaria do lado do Brasil” (leia-se do MBL), por ocasião dos ataques à EBC, durante o governo Dilma, mas, hoje, foi defenestrado pelo movimento. Está esquecido! Atirado à própria sorte. É assim que o movimento começa a “sair do armário”. Os que se dizem “apartidários” revelam-se, na verdade, profissionais da “suruba” legalizada. Não possuem nenhum pudor. Mas apresentam-se como moralistas beatificados pela mão invisível do “Deus Mercado”. Jamais teria sido possível entregar o país a investidores estrangeiros, retirando direitos trabalhistas e, em breve, previdenciários, sem uma base de sustentação legitimada pela sociedade civil. Foi assim, também, em 1964, quando os militares tomaram de assalto o poder, levando a uma ditadura que ceifou vidas e cometeu crimes bárbaros – como estupros – em nome do combate à “ameaça vermelha”. A TFP tem participação decisiva para a chegada dos generais/torturadores ao poder.

Não se engane! O doutrinador mais perverso é o sádico. Haviam muitos deles, na época do regime militar, abusando de jovens militantes grávidas em nome do “combate ao comunismo”. É fácil identificar um falso-moralista. Ele se diz “livre” de qualquer amarra política e ideológica para, sorrateiramente, impor, como natural, a sua visão de mundo. Não importa que, em sua vida privada, “use e abuse” da máquina pública, que tanto diz condenar. A liberdade dos outros não “acaba onde começaa deles”. Ela simplesmente não existe!Defendem a privatização do acesso à cultura, à educação, à saúde, mas, seem algum desses âmbitos, estiver sendo tratada umaorientação sexual, política ou ideológicaque contraponha-se adeles, reivindicamuma certa “autoridade metafísica”para legitimar suas obsessões autoritárias. O momento é propício a isso. Precisam – a todo custo – retirar o foco dos que estão a estuprar a pátria, com transmissão ao vivo e em horário nobre, pela emissora que transformou uma artista pornô em “rainha dos baixinhos”.

Eduardo Silveira de Menezes, é jornalista e doutorando em Letras pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel)
No Sul21
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O argumento aceito pelo Santander para cancelar exposição em Porto Alegre é mentiroso

Dizer, dizer e dizer mais uma vez sobre essas manifestações contra a exposição: “estão mentindo”.
Uma das razões aceitas pelo Santander para cancelar a exposição sobre diversidade sexual em Porto Alegre caiu por terra com a inspeção de dois promotores de justiça.

“Fomos examinar in loco, ver realmente quais obras que teriam conteúdo de pedofilia. Verificamos as obras e não há pedofilia”, disse o promotor da Infância e da Juventude de Porto Alegre, Júlio Almeida.

Ele viu algumas imagens que poderiam caracterizar cenas de sexo, mas isso não é crime.

Se houvesse esse entendimento, museus do mundo inteiro teriam que ser fechados.

No caso de Porto Alegre, segundo ele, se poderia pensar, no máximo, em uma classificação etária.

“Do ponto de vista criminal, não vi nada”, afirmou.

Se um promotor não viu nada, por que a gritaria de grupos levou a esse estado de coisas, com confrontos em Porto Alegre?

Não há como afastar a responsabilidade do Santander, não porque patrocinou a mostra, mas por que deu ouvidos a grupos que, confundindo sinais, buscam se promover.

Há muito tempo agem assim.

O ex-ministro da Educação Fernando Haddad já explicou dezenas, talvez centenas de vezes, que nunca houve kit gay para ser distribuído às escolas, mas até hoje continuam dizendo que havia e, para confundir a plateia, se mostra um material preparado pelo Ministério da Saúde para ser distribuído a caminhoneiros.

Não era destinado a crianças, mas a caminhoneiro, com linguagem escrachada.

Esses mesmos grupos conseguiram interditar o debate sobre ideologia de gênero.

Eu acompanhei a discussão do tema na Câmara Municipal de São Paulo, onde a proposta de tratar a ideologia de gênero como diretriz pedagógica foi rejeitada.

Não era iniciativa destinada a produzir uma fábrica gays e lésbicas nas escolas — como se isso fosse possível —, e destruir os valores da família, mas adotá-la como uma das diretrizes pedagógicas.

É um tema que, ouvi do jurista Luiz Flávio Gomes, já foi superado no mundo civilizado.

É uma forma de ampliar a visão sobre valores — do jeito que está, parece que não deu muito certo, com índices vergonhosos de violência contra mulheres, por exemplo, fruto de uma visão ideologicamente distorcida de gênero.

Acompanhei essa discussão na Câmara Municipal de São Paulo e ouvi de um vereador que votou contra a proposta:

“Parece que não é nada disso que os padres e os pastores estão falando, mas, se eu votar a favor, vou ficar mal com eles, e a gritaria é grande”, disse o parlamentar, depois de tirar fotografia ao lado de pessoas com a camiseta “Somos família”.

Agora, com o cancelamento da mostra em Porto Alegre, o medo da gritaria se repete.

É só olhar nas redes sociais para ver de onde partem os ataques.

O MBL é a linha de frente, a matilha.

Mas tem político por trás deles.

Gente que espalha mentiras como a de que, na mostra, “crianças eram vendadas e tocavam na genitálias umas das outras para terem a ‘percepção de gênero’ do coleguinha”.

Dois promotores estiveram lá e disseram: “é mentira”.

Quem espalha a mentira talvez saiba que é mentira, mas o que importa?

Esse tema rende, repercute, dá mídia.

Lamentável é o Santander, que cedeu à ignorância e ainda se desculpou, numa nota infame.

“Nós, do Santander, pedimos sinceras desculpas a todos aqueles que enxergaram o desrespeito a símbolos e crenças na exposição Queermuseu. Isso não faz parte de nossa visão de mundo, nem dos valores que pregamos. Por esse motivo, decidimos encerrar antecipadamente a mostra”.

Não é hora de se acovardar.

É hora de dizer, dizer e dizer mais uma vez: Estão mentindo.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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“Ataque da bancada ruralista aos povos indígenas é estruturado”, diz coordenadora do ISA


Adriana Ramos vê a frente como principal força do governo Temer; ela considera bizarro que se preocupem com terras indígenas “e não com o que vão fazer no resto do país”

A bancada ruralista foi a principal frente responsável por dar sobrevida ao governo de Michel Temer (PMDB). Dos 263 votos pelo arquivamento da denúncia contra o presidente no dia 2 de agosto, 129 foram dados por deputados da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). Coordenadora do Programa de Política e Direito Socioambiental do Instituto Socioambiental (ISA), Adriana Ramos acredita que essa bancada, hoje, configura a simbiose completa do governo: mantém Temer no Poder em troca das demandas do agronegócio.

Ela diz que essas demandas ameaçam por completo os direitos territoriais e de proteção ao meio ambiente. Que a bancada é retrógrada e tem como prioridade a desconstrução desses direitos. Isso tudo fora o perdão das dívidas ruralistas, como no caso do Funrural:

– Além de atentar contra os direitos territoriais, a bancada também busca criminalizar as instituições representativas ou de apoio aos povos indígenas, comunidades tradicionais e assentados da reforma agrária. Ou seja, buscam fragilizar a luta e a vida dessas populações em diferentes dimensões. É um ataque estruturado.

AMEAÇAS AOS DIREITOS DOS POVOS TRADICIONAIS

Adriana Ramos comenta que a principal moeda de troca do governo com a bancada ruralista são os direitos dos povos tradicionais. Ganhou força no governo Temer a tese do Marco Temporal, interpretação jurídica desenhada pelo Supremo Tribunal Federal em 2009 na decisão sobre a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

(Foto: Helio Carlos Mello/Jornalistas Livres)
A tese seria apenas uma das diversas ameaças a esses povos:

A força da tese vem da defesa que o setor rural faz dela. O porquê disso eu não sei dizer, acho bizarro que os proprietários de terra estejam preocupados com um percentual baixo de terras de uso coletivo em vez de discutir o que fazer e como ocupar o restante do país.

Segundo a coordenadora, a tese do Marco Temporal foi a forma que eles encontraram para restringir os direitos territoriais e ampliar seu potencial de receber recursos de indenização pelas terras tradicionalmente ocupadas:

– Quando as autoridades demonstram seu desrespeito com os direitos da população com decisões como o parecer da AGU que afeta os direitos indígenas, ou a decisão da Casa Civil de paralisar a titulação de territórios quilombolas, elas sinalizam para a sociedade que esses grupos são descartáveis, o que acaba por estimular a violência.

MAIS VENENO, MAIS PODER

Outra barganha de Temer junto aos ruralistas é uma Medida Provisória, prestes a sair da Casa Civil, que altera as regras do uso de agrotóxicos no país. A proposta possibilita a autorização de substâncias cancerígenas. Enquanto isso, o Senado também articula o enfraquecimento na fiscalização dos pesticidas, com o PL 209/2013, de autoria do ex-senador Ruben Figueiró (PSDB-MS).

Ex-senador Ruben Figueiró.
(Foto: Agência Senado)
Essa proposta quer excluir os Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde do processo de análise toxicológica. Para a coordenadora do ISA, os venenos são uma das faces retrógradas do agronegócio brasileiro:

Ele está estruturado em um modelo que é dependente dos agrotóxicos tanto técnica quanto economicamente. O pacote tecnológico disponibilizado para os agricultores impõe o uso e consumo de agrotóxicos, de modo que naturalizou o uso de pesticidas como se não fosse possível produzir sem eles.

Izabela Sanchez
No De Olho nos Ruralistas
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