11 de set. de 2017

Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras #14 11/09/2017 | Um grito na "Festa da Dependência"


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Manchetômetro: nem o PiG suporta o Temer

Recuperação da economia é furada!


Manchetômetro, boletim do Laboratório de Estudos de Mídia da UERJ (será que é por isso que o Meirelles quer fechar a UERJ?) publicou um novo resumo da cobertura do PiG sobre a economia e a política do Brasil.
O relatório leva em consideração os textos nas capas e nas páginas de opinião do Estadão, da "Fe-lha" e do "Globo Overseas" e todas as matérias divulgadas pelo jornal nacional durante o mês de agosto.
Ao analisar os dados do Manchetômetro, é possível constatar:
 O PiG não quer mais saber de política. A "Fe-lha", por exemplo, teve quase 300 matérias negativas sobre o tema, contra menos de 50 positivas.
 A recuperação da economia também não engana mais ninguém. O "Globo Overseas" publicou três vezes mais matérias negativas que textos neutros sobre o assunto.
 O PiG não aguenta mais o governo federal! Foram cinco vezes mais matérias negativas que favoráveis. Os textos sobre o legislativo seguem números semelhantes. Entretanto, matérias sobre o Judiciário, a Polícia Federal e o Ministério Público são neutras, em sua maioria.
 Ninguém suporta o Temer! Ainda que o PiG continue a pintar Lula, Dilma e o PT de forma negativa (como o Conversa Afiada mostrou em agosto), a quantidade de matérias contra o MT é surpreendente.
 Os jornais (que, segundo o Miro Borges, ninguém mais lê) continuam a enfiar a Reforma da Previdência goela abaixo nos leitores...

O relatório completo do Manchetômetro pode ser visto em manchetometro.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Boletim-M-Agosto.pdf.
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Al Jazeera denuncia o papel da Globo no golpe


Mídia brasileira, monopólio e manipulação política. O Programa The Listening Post da rede de tv Al Jazeera, nessa semana abordou o monopólio da mídia brasileira e as consequências desse acumulo de poder econômico e midiático para a política e a sociedade brasileira.

O programa mostra os dois anos de uma turbulência política que revelou uma profunda corrupção no país que de forma oportunista conta com o poder da mídia brasileira.

Midia Ninja em pareceria com o Forum Nacional da Democratização da Comunicação colaborou com The Listening Post, o programa de Al Jazeera English, para criar uma versão legendada em português do seu episódio especial sobre a mídia brasileira.

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Procuradores voltam a perseguir Lula com denúncia repetida


Mais uma vez membros do Ministério Público Federal abusam de suas prerrogativas legais para tentar constranger o ex-presidente Lula e manipulam o sistema judicial brasileiro para promover uma perseguição política que não pode mais ser disfarçada.

A nova denúncia do Ministério Público sobre a edição da Medida Provisória 471/2009 não é apenas improcedente, mas injurídica e imoral. Os procuradores que a assinam tentam explorar novamente um tema que já foi objeto de ação penal e julgamento na primeira instância há mais de um ano.

A Medida Provisória 471 foi editada em 2009, para prorrogar a vigência de incentivos fiscais que tornaram as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste responsáveis por 13% dos empregos na indústria automobilística brasileira, e por mais de 10% das exportações de automóveis pelo país.

​São absolutamente corretos os trâmites da medida, desde a edição até a aprovação pelo Congresso Nacional, que a converteu em lei sem votos contrários. Somente a sanha persecutória de determinados procuradores contra o ex-presidente Lula pode explicar a tentativa de criminalização de uma política de desenvolvimento regional iniciada em governo anterior ao dele.



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Ministro do STJ muda de posição após prefeito contratar filho de colega de tribunal


Napoleão Maia chegou a decidir que o processo estava encerrado há um ano e que isso era "incontornável", mas depois mudou de ideia. O ministro disse que não há relação com a troca de advogado.

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Napoleão Maia, mudou de posição para beneficiar temporariamente um prefeito do interior do Maranhão, após ele ter contratado o filho de um ministro do tribunal para atuar na causa.

Napoleão Maia ganhou fama depois de reagir dessa maneira quando a imprensa publicou que ele seria citado por delatores.

- Que sobre eles desabe a ira do profeta!


No STJ, ele é relator de um processo que discute a condenação por improbidade do prefeito de Bacabal, no interior do Maranhão. José Vieira Lins é acusado de usar dinheiro público para se promover.

Por duas vezes, Napoleão decidiu contra o prefeito. O motivo é uma discussão de prazos. Em março de 2016, passou a vigorar o novo Código de Processo Civil, que dava mais tempo para entrar com recurso do que o código anterior. Para evitar confusões, os ministros do plenário do STJ se reuniram naquele mês e definiram as regras para transição.

Foi baseada nestas regras que uma Turma de cinco ministros do tribunal, por unanimidade, disse que o prefeito perdeu os prazos.


Houve então o recurso, que caiu no gabinete do ministro Napoleão. Na primeira primeira decisão, Napoleão disse que o prazo foi perdido. Para ele, valia o Código de 1973, assim como a Turma havia decidido.

Napoleão ainda minimizou o impacto do recurso apresentado pelo prefeito:


Essa decisão é de 20 de março de 2017. Três dias depois, Napoleão tomou um medida incomum.

Sem ser provocado, ele mudou por conta própria a decisão. A ideia era reforçar que o recurso estava rejeitado porque o prefeito perdeu o prazo e, assim, o caso estava encerrado. O termo técnico para isso é "trânsito em julgado".


Nessa decisão, Napoleão foi duro ao ponto do dizer duas coisas: que o processo estava encerrado há mais de um ano e que essa situação era "incontornável".

Mas não demorou muito e o ministro mudou de ideia. No meio do caminho, o prefeito de Bacabal trocou de defesa e quem assumiu a causa foi o advogado Otávio Noronha.


Otávio é conhecido pelo sobrenome. Ele é filho de João Otávio de Noronha, colega de Napoleão como ministro do STJ. Noronha, o pai, é também corregedor nacional de Justiça, no Conselho Nacional de Justiça.


Como advogado da causa, Otávio Noronha argumentou, entre outras coisas, que o período de transição do código velho para o novo causou confusão.


O argumento do filho do ministro João Otávio de Noronha foi suficiente para convencer o colega Napoleão Maia.

Depois da Turma de cinco ministros do STJ ter rejeitado o caso e o próprio Napoleão ter duas vezes negado os recursos, o ministro se sensibilizou pela confusão citada pelo advogado e decidiu rever o caso.

Napoleão citou a decisão do Plenário do STJ, que estabeleceu as regras para os prazos, mas disse que não estava claro como aplicá-las e por isso era preciso, de novo, analisar o caso.

O ministro não só reabriu o processo como, numa canetada, decidiu suspender a condenação do tal prefeito, em decisão de junho deste ano.


O processo ainda será julgado pela 1ª Seção do STJ e, até lá, os efeitos da condenação estão suspensos. O parecer do Ministério Público Federal é de que o STJ já definiu as regras e, no caso do prefeito, ele perdeu o prazo.

"Não há dúvida a ser sanada, porquanto a decisão originariamente atacada foi proferida em momento anterior à vigência do novo código. Este o critério estabelecido nos enunciados nº 2 e 3 do STJ, e não o critério pretendido pelo agravante/recorrente, que defende a tese de que a referência temporal deveria ser o término do prazo previsto na legislação anterior", diz o MPF.

Procurado, o advogado Otávio Noronha disse que a questão é controversa e por isso o tribunal analisará o caso. "O recurso foi na transição dos Códigos e é uma matéria nova que deverá ser enfrentada pelo tribunal. É um assunto relevante", disse.

Ele afirmou, ainda, que sua atuação é transparente e não há relação com a atuação do pai. "Me causa estranheza levantar uma hipótese dessa. Tenho procuração nos autos, trabalhando de forma correta. Peticionamos em nosso nome, não há qualquer tipo de dúvida em relação à lisura de nossa atuação".

A assessoria do ministro Napoleão disse que a 1a Seção do STJ deverá levar o caso a julgamento no dia 13 de setembro. De acordo com a chefe de gabinete do ministro, Mariana Costa, cabia discussão sobre os prazos e, por isso, o ministro decidiu suspender o recurso até a decisão da Seção.

"Isso porque, o recurso foi interposto no primeiro dia da vigência do novo CPC, que tem prazo recursal mais alargado; assim, restou discutível qual o prazo aplicável ao referido processo. Ademais, o novo CPC trouxe ao ordenamento jurídico um recurso inédito, chamado de INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA, o que se aplicaria perfeitamente ao caso concreto. Desse modo, achou-se melhor suspender o recurso e levar para o colegiado decidir, o que será feito no próximo dia 13 deste mês", disse a chefe de gabinete.

De acordo com a assessoria do ministro, Napoleão aplica esse entendimento em casos similares e não há relação entre a decisão e o advogado. "Registro, ainda, que caso haja interesse, poderia constatar a posição do Ministro Napoleão sobre essas questões procedimentais para conhecer recursos, ele tem inúmeros votos afirmando a necessidade de se julgá-los pelo seu mérito, no que segue, aliás, a ideologia dominante do CPC/15. Portanto, a posição judicante do Ministro segue a sua percepção doutrinária, sem qualquer relação com as partes ou seus advogados".

Filipe Coutinho
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El inolvidable legado de Allende a 44 años de su partida + Doc


Cinco frases para recordar a Salvador Allende

1. “La historia es nuestra y la hacen los pueblos”.

2. “Ser joven y no ser revolucionario es una contradicción hasta biológica”.

3. “Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre para construir una sociedad mejor”.

4. “Algún día América tendrá una voz de continente, una voz de pueblo unido. Una voz que será respetada y oída; porque será la voz de pueblos dueños de su propio destino”.

5. “Si me asesinan, el pueblo seguirá su ruta, seguirá el camino con la diferencia quizás de que las cosas serán mucho más duras, mucho más violentas, porque será una lección objetiva muy clara para las masas de que esta gente no se detiene ante nada”.



 



Spécial Chili

Pocos días después del golpe de estado de 1973, un equipo de la televisión francesa preparó un reportaje sobre lo que se estaba viviendo en Santiago. La nota, en colores, incluyó algunas de las primeras imágenes del entierro de Pablo Neruda y de la situación del Estadio Nacional.

Incluye entrevistas con José Toribio Merino y Silvia Ripamonti, madre de Manuel Pellegrini y tía abuela del ex Ministro de Educación, Felipe Bulnes (2011), expresando el sentir de la oligarquía chilena sobre lo sucedido en el Golpe.

"Spécial Chili"
Francia, 1973, color, 20 min.
Periodista: Jacques Segui
Fecha original de emisión: 3 de octubre de 1973
Ubicación original: material extra de la edición francesa del dvd de "Calle Santa Fe", de Carmen Castillo
Traducción y subtitulado: Matías Wolff


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A Ditadura Militar e a corrupção


Pra quem não acredita em corrupção durante a ditadura: uma edição de outubro de 1976 do jornal semanal "Movimento" não pôde chegar até seus leitores. Trazia reportagem mostrando o ditador de plantão "Geisel em um mar de lama", apontando mais de 2.000 casos de corrupção no período entre 1964 e 1976, como mostra esse exemplar da Iconografia da História.

Os militares recolheram os jornais e a sede do jornal, em São Paulo, foi fechada por seis meses, sob "suspeita de terrorismo". Em seguida, o jornal passou a ser censurado previamente. Todo o material a ser editado tinha de ir primeiro para a Polícia Federal em Brasília, provocando sérios problemas para a publicação.

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Onde passa um boi, passa uma boiada

As relações do governo Temer com a bancada ruralista rifam o futuro do Brasil

Temer em agosto, durante reunião com a Frente Parlamentar da Agropecuária, a bancada ruralista
Nos anos 90, o escritor Antonio Callado dizia que “o Brasil não anda pra frente porque aqui se rouba as rodas do carro”.  Quase uma década antes, o cantor e compositor Cazuza compôs a música-manifesto, conclamando o Brasil a mostrar sua cara: “Qual é o teu negócio? /O nome do teu sócio /Confia em mim.”

Em parte, é só observamos atentamente os movimentos que mataremos a charada. Lá trás, diziam que nosso sócio era o FMI. Hoje, com um presidente obcecado pelo poder, sem compromisso com o povo, porque entende que dele não recebeu de fato o voto para ocupar a Presidência da República, e com lealdade àqueles que não querem pagar o pato e ainda com uma Câmara Federal composta por 204 deputados (bancada ruralista ou a chamada bancada do boi), equivalente a 40% da Casa – número suficiente para a votação de matérias de interesse do governo –, é sentar e ver o que acontece.

Quem está dando as cartas no Congresso? Faço ressalva aos que trabalham pelo desenvolvimento do País e compreendem que é possível crescer e preservar. Mas há o grupo que acredita que mesmo tratando da coisa pública o interesse é privado e política se faz à moda antiga, assim como regras de trabalho devem ser pautadas no tempo que, a propósito nem regra havia, a não ser a da força bruta e do dinheiro. Por isso, se mantém na agenda do Congresso o desmonte do conceito do trabalho escravo, que é caracterizado pela jornada exaustiva, pelo trabalho forçado, pelas condições degradantes e pela servidão por dívida.

A diferença é que no passado, a relação era por captura ou por compra. Hoje, ela se dá pelo aliciamento. E o que definia a prática no passado era a etnia, hoje é a condição de vulnerabilidade. Mas a escravidão é praticada com outra “roupagem” e a quem interessa que ela se perpetue?

Se é com Lava-Jato que tentamos mostrar o dinheiro sujo que deixou mais pobres os pobres e mais ricos os já endinheirados do país, é com “marco temporal” que Temer, ao assinar o parecer da Advocacia-Geral da União que veda a revisão dos limites de terras já demarcadas, definindo, portanto, que as comunidades indígenas só têm direito aos seus territórios caso estivessem em posse deles na data da promulgação da Constituição Federal, de 5 de outubro 1988,  joga para o esquecimento todo o processo de expulsão que esses povos já sofreram no passado.

O parecer da AGU torna o procedimento uma prática oficial do governo na demarcação de terras, ignorando completamente que para os indígenas, terra representa sobrevivência física e cultural. Quem ganha com isso?

E os retrocessos não param por aí. Mudanças no licenciamento ambiental podem estar por vir. A proposta, em tramitação na Comissão de Finanças da Câmara Federal, foi apelidada de “licenciamento flex”.  Há sérios riscos para o trabalho de fiscalização do meio ambiente. O próprio relatório do Ibama diz que sem um amparo em uma regra básica, a futura lei vai "potencializar conflitos normativos" e uma "guerra ambiental" entre os estados. Entre vários problemas levantados, a futura lei restringe a capacidade da autoridade ambiental em cancelar licenças já concedidas. Onde passa um boi, passa uma boiada, não é verdade?

Não custa lembrar que esse governo tem sido bem benevolente com a bancada ruralista e já abriu mão de mais de 10 bilhões de reais em arrecadação nos próximos anos com a medida provisória publicada pelo presidente Temer que concedeu benefício a produtores rurais – número confirmado pela Receita Federal.

Redução de alíquota da contribuição paga por produtores para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), usado para auxiliar no custeio da aposentadoria dos trabalhadores rurais e quitação de dívidas previdenciárias com descontos nas multas e de forma parcelada... está tudo no pacote. A troco de que mesmo?

Ah, mas olha, o governo precisa da ajuda e da compreensão do trabalhador porque o país passa por momentos difíceis...  A gente não pode esquecer que o presidente Temer, por ocasião do aumento da tributação sobre combustíveis, disse: "A população vai compreender, porque esse é um governo que não mente. A população compreende”. O que, com certeza ela já sabe é quem está pagando o pato. Afinal de contas, numa empoeirada cabeça de quem detém o poder, não é a população o elo mais fraco?

Agora, a (pen) última cartada foi acabar por decreto com a Reserva Nacional de Cobre e seus Associados (Renca) na Amazônia. Uma área rica em minérios, na divisa entre o sul e o sudoeste do Amapá com o nordeste do Pará. Depois do estrondo feito no andar térreo, nova canetada para modificar o decreto, não sem antes dizer que o povo não entendeu nada e fez do decreto uma grande confusão, claro, porque afinal de contas, ninguém estaria pensando em dar algum lucro aos ruralistas com desmatamento de uma gigantesca reserva brasileira. E logo esse governo?

Só que quem faz um pouco a lição de casa, entende...

Trabalho escravo, expulsão de comunidades indígenas, força do poder, corrupção, jogos de interesse, desigualdades....  Passado e presente. Até quando será nosso futuro?

Carlos Bezerra Jr., médico, deputado estadual (PSDB-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo
No CartaCapital
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Os conflitos de interesse no governo Temer


A Esplanada dos Ministros Latifundiários

Eliseu Padilha tem fazenda em parque estadual; Blairo Maggi quer venda de terras para estrangeiros, exceto soja e milho; levado ao poder por ruralistas, Temer entrega o território brasileiro

No Mato Grosso, o ministro Eliseu Padilha possui 6 mil hectares de terras dentro de um parque estadual. É investigado por crime ambiental. No Rio Grande do Sul, é investigado por grilagem. Ele é o braço direito de Michel Temer, à frente da Casa Civil.

À frente da Agricultura está o ministro Blairo Maggi, produtor de soja e milho. Ele é a favor da venda de terras para estrangeiros – desde que não sejam as de soja e milho. O ministro também privatizou os armazéns de grãos. Ele é dono de armazéns.

A lógica do conflito de interesses perpassa o governo Temer. E tem na questão agrária uma de suas expressões mais salientes. De Olho nos Ruralistas mostra neste vídeo de 12 minutos um pouco dessa história. A história de uma Esplanada dos Ministros Ruralistas.

Desde o início do governo interino a gestão Temer volta-se para o interesse do poder econômico. A derrubada de Dilma Rousseff foi patrocinada também pela bancada ruralista. Que está instalada no governo e empoderada no Congresso.

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A “justiça” usa óculos escuros


A foto de Rodrigo Janot de óculos escuros, num canto de um bar em Brasília, em meio a engradados de cerveja, em íntimo convescote com o advogado de Joesley Batista é a imagem da falência da Procuradoria Geral da República.

A decisão do ministro Edson Fachin de mandar prender apenas os empresários da JBS e deixar livre o procurador Marcelo Miller completa o cenário da absoluta decadência do judiciário brasileiro.

O Supremo Tribunal Federal (STF), desde sua anuência ao golpe de Estado, tornou-se um jazigo habitado por togados insepultos, enquanto a Procuradoria Geral da República (PGR) virou um balcão de traição aos interesses nacionais e, suspeita-se, de negócios milionários.

Em 10 de junho, Giovanni Vincenzo di San Felice V, Conde de Bagnolo, colaborador do blog Senhor X, afirmou que “a recente delação bombástica do empresário Joesley Batista, da JBF, produziu um abalo de sísmicas proporções no cenário nacional, aprofundando a crise que já não era pequena”.

“Novos personagens foram introduzidos no cenário e, no calor dos embates sobre o destino do governo Temer; alguns permanecem como atores menores, outros no anonimato, sem a devida atenção que merecem”, escreveu.

Segundo ele, “a maioria dos atores políticos procura desempenhar seus papéis em torno das revelações, enquanto o governo Temer estertora, produzindo um enredo de autêntica ópera bufa”.

A ópera bufa, então, está finalmente revelando o papel da PGR e de seu chefe Rodrigo Janot, assim como do juiz Sérgio Moro, em resumo, da Operação Lava Jato, na deliberada ação contra o Estado brasileiro.

Não é de hoje que pesa sobre a Lava Jato a suspeição de ter sido encomendada a partir das escutas telefônicas pelas agências norte-americanas de inteligência, que espionaram autoridades e empresas nacionais.

“Desde 2015, juízes do STF, além de Sergio Moro, não saem do Instituto Wilson, conhecido think tank da CIA, e uma das instituições que, através desses seminários, dentre outras atividades, deu importante apoio ao golpe no Brasil”, escreveu Miguel do Rosário, em seu blog O Cafezinho.

Assim como Rodrigo Janot e Sérgio Moro em oportunidades anteriores, confirmando a regra, na semana passada foi a vez do juiz Luís Roberto Barroso cumprir o ritual da cooptação a que o judiciário nacional tem sido alvo desde algum tempo.

“Para onde quer que se olhe no Brasil, onde há dinheiro público, há algo de errado. Petrobras, Eletrobras, BNDES, Caixa Econômica, fundos de pensão. Não é algo localizado”, declarou o ministro em palestra no Instituto Wilson, segundo registrou o portal da BBC online.

O “surpreso” e cândido ministro do STF, evidentemente, também cumpriu com a “obrigação contratual” de citar a condenação recente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo crime de corrupção.

Em artigo neste final de semana, o jornalista Ricardo Amaral alerta que “não podemos perder o foco da indignação: o mal da Lava Jato não está nos delatores, sejam eles cínicos, oportunistas ou desesperados”.

Diz ele que “o mal está em uma exceção aberta no sistema judicial brasileiro, com o patrocínio da Globo e a conivência dos tribunais superiores, que suspende o estado direito para perpetrar a caçada contra Lula e o campo político que ele representa”.

“O preço é a revogação da soberania nacional e de tudo o que o povo brasileiro conquistou desde 2003”, conclui ele, apontando para o centro da luta neste próximo período.

Exceto as Forças Armadas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e as entidades populares e associativas, nem todas, as instituições brasileiras estão falidas, perderam o sentido de sua existência para atender à sociedade e ao país.

Qual país no mundo conviveria com uma PGR “independente” e acima do Estado Nacional, um STF acovardado e, ao mesmo tempo inútil, e uma Polícia Federal seletiva e persecutória?

É hora, portanto, de aprofundar a denúncia da ação criminosa e antinacional desses setores, impedir o exercício despótico de seu poder e “refundar” uma nova ordem institucional no país.

Fernando Rosa
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Versão Fantástica


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História Geral da Arte — Toulouse-Lautrec


Toulouse-Lautrec

Henri de Toulouse-Lautrec foi uma figura trágica na história da arte. A vida boêmia que levou nos bordéis e casas noturnas de Paris forneceu a inspiração para suas melhores obras, e suas ousadas pinturas do famoso Moulin Rouge refletem efetivamente toda a energia da vida noturna da época.

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Napoleões

Napoleão Bonaparte era um escritor frustrado. Tinha escrito contos e poemas na juventude, escreveu muito sobre política e estratégia militar e sonhava em escrever um grande romance. Acreditava-se, mesmo, que Napoleão considerava a literatura sua verdadeira vocação, e que fora a sua incapacidade de escrever um grande romance e conquistar uma reputação literária que o levara a escolher uma alternativa menor, conquistar o mundo. 

Estive pensando no que isso significa para os escritores de hoje e daqui. Em primeiro lugar, deve levá-los a pensar na enorme importância que tinha a literatura nos séculos 18 e 19, e não apenas na França, onde, anos depois de Napoleão Bonaparte, um Vitor Hugo empolgaria multidões e faria História não com batalhões e canhões, mas com a força da palavra escrita, e não em conclamações e discursos, mas, muitas vezes, na forma de ficção. 

Não sei se devemos invejar uma época em que reputações literárias e reputações guerreiras se equivaliam dessa maneira, e em que até a imaginação tinha tanto poder. Mas acho que podemos invejar, pelo menos um pouco, o que a literatura tinha então e parece ter perdido: relevância. Se Napoleão pensava que podia ser tão relevante escrevendo romances quanto comandando exércitos, e se um Vitor Hugo podia morrer como um dos homens mais relevantes do seu tempo sem nunca ter trocado a palavra e a imaginação por armas, então uma pergunta que nenhum escritor daquele tempo se fazia é essa que hoje fazem o tempo todo: para o que serve a literatura, de que adiantam as palavras, onde está a nossa relevância? 

Depois que a literatura deixou de ser uma opção tão respeitável e vigorosa para um homem de ação quanto a conquista militar ou política – ou seja, depois que virou uma opção para generais e políticos aposentados, mais um consolo para a perda de poder do que poder – ela nunca mais recuperou o seu pé de igualdade. Ou, digamos assim, sua respeitabilidade, na medida em que qualquer poder, por armas ou por palavras, pode ser respeitável. Hoje, a literatura só participa da política, do poder e da História como subalterna e como instrumento. Ou como cúmplice. 

Acho que todos nós que escrevemos no Brasil, principalmente os que têm um espaço na imprensa para fazer sua pequena literatura ou simplesmente dar seus palpites, temos essa preocupação. Nunca sabemos exatamente do que estamos sendo cúmplices. Podemos estar servindo de instrumentos de alguma agenda de poder sem saber, podemos estar contribuindo, com nossa indignação ou nossa gozação, para legitimar alguma estratégia secreta, sem querer. Ou podemos simplesmente estar colaborando com a grande desconversa nacional, a que distrai a atenção enquanto a verdadeira história do País acontece em outra parte, longe dos nossos olhos e indiferente à nossa crítica. Não somos relevantes, ou só somos relevantes quando somos cúmplices, conscientes ou inconscientes. 

Mas comecei falando da frustração literária de Napoleão Bonaparte e não toquei nas implicações mais importantes do fato, pelo menos para o nosso amor-próprio. Se Napoleão só foi Napoleão porque não conseguiu ser escritor, então temos esta justificativa pronta para o nosso estranho ofício: cada escritor a mais no mundo corresponde a um Napoleão a menos. A literatura serve, ao menos, para isso: poupar o mundo de mais Napoleões. Mas existe a contrapartida: muitos Napoleões soltos pelo mundo, hoje, fariam melhor se tivessem escrito os romances que queriam. O mundo, e certamente o Brasil, seria outro se alguns Napoleões tivessem ficado com a literatura e esquecido o poder. Não me peçam para citar nomes.

Luís Fernando Veríssimo
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STF deve ignorar suspeição de Janot. Tonto, Planalto celebra vitória de Pirro


STF deve rejeitar suspeição e fortalecer PGR

Prisão de Geddel é sinal de agonia do presidente

Não há luz no fim do túnel: só falsos brilhantes

Até aqui o Judiciário tem sido mais parte das crises que afligem a República brasileira –onde abundam réus e são escassos os projetos públicos dignos de assim serem chamados– do que caminho para o desenho de soluções viáveis. Na próxima quarta-feira 13 de setembro, quando o plenário do Supremo Tribunal Federal aprecia o recurso de Michel Temer que argui a suspeição do procurador-geral Rodrigo Janot para denunciá-lo em processos, pode-se virar uma página e dobrar uma esquina dessa História.

Diz-se em Brasília que a estátua granítica da deusa Têmis, responsável por velar o prédio do STF na Praça dos Três Poderes e cujos olhos são vendados, mas parece ouvir bem, já escutou o provável veredito da arguição: por maioria folgada, ou até por unanimidade, a Corte vai indeferir o pleito. Como os áulicos palacianos fazem questão de celebrar os toscos ardis antes de receberem sinais seguros da eficácia de seus balões de ensaio, a equipe de governo descobrirá que segue a crise política em ritmo de Nação encurralada.

A prisão do empresário Joesley Batista e de seu valete boçal, Ricardo Saud, e a recusa do ministro Luiz Edson Fachin de também aceitar o pedido de encarceramento do ex-procurador Marcello Miller, solicitação feita pela PGR, não compõe o quadro alvissareiro para o Palácio do Planalto. A placidez com que sanguíneo e mercurial Geddel Vieira Lima embarcou em Salvador, desembarcou em Brasília e regressou ao Presídio da Papuda depois do estouro de seu bunker financeiro soteropolitano, é outro sinal de agonias iminentes para Temer e a intrépida trupe que o cerca. Somado a tudo isso, a segunda denúncia virá, assinada por um Janot revigorado pela provável decisão unânime do Supremo e aí já reinvestido de uma representação classista que o fará falar de novo pelo conjunto do Ministério Público – e não vocalizando o patético discurso personalista que ensaiou, provavelmente testando voos solo mais ambiciosos.

Se havia intenção política pessoal no desairoso comportamento de Janot que levou à trapalhada da delação da JBS, a arrogância e a estreiteza da visão do entourage do Planalto levaram Temer ao cometimento de erros em série. E isso permitiu a imediata recuperação de seus antagonistas na PGR. Ao contrário do que imaginam, a partir da assunção de Raquel Dodge ao cargo, dia 18, e em razão dessa recuperação do vigor de Rodrigo Janot em meio à crise que quase quebra a banca de sua credibilidade, o horizonte planaltino está opaco em pleno setembrino céu azul de fim de seca em Brasília.

Se numa aresta da Praça o STF precisa se reposicionar, na outra o Planalto lutas desesperadamente para sair das cordas, na terceira delas o Congresso Nacional joga gasolina na crise: a base governista ligou o taxímetro e põe preço escorchantes para dar cada passo que lhe é pedido e assim seguir abrindo caminho para as pretensões da equipe ministerial. Não há projeto – e sim soluços e solavancos tentando empurrar o país até o primeiro trimestre de 2018 quando todos desembarcarão do bólido pilotado por condutor trêfego, afinal o pesadelo de todos é ser vitimado numa derrapagem em curva mal calculada. Hoje, como se diz nos becos acarpetados da Câmara dos Deputados, até há quem esteja disposto a matar um ou outro (em sentido figurado) pelos balões de ensaio lançados por Temer e seus ministros mais próximos. Ninguém, contudo, está disposto a morrer por eles.

É um cenário inimaginável: o Brasil só descende, só cai, só piora. Indicadores descontrolados dão outra impressão e um ou outro anuncia ver já luz no fim do túnel. São falsos brilhantes, são vaga-lumes.

Luís Costa Pinto
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Casamento MBL & Bolsonaro: os jovens à frente da campanha do cancelamento da mostra no Santander

Felipe Diehl
O caso do cancelamento de uma exposição no Santander Cultural em Porto Alegre abre um precedente grave na violação à liberdade de expressão no Brasil e à democracia.

O banco se dobrou a pressões de uma militância de extrema direita indigente, unida a políticos como o prefeito Nelson Marchezan Jr, do PSDB, e o deputado estadual Marcel Van Hattem, do PP.

“Entendemos que algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo”, afirmou a instituição em nota.

“Pedimos sinceras desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra”.

Dois cidadãos de bem foram decisivos nessa censura à moda nazista (leia aqui sobre a perseguição da Alemanha hitlerista à “arte degenerada”).

Eles representam a face mais visível da intolerância, da violência e da estupidez.

Felipe Diehl e Rafael Silva Oliveira (conhecido como Rafinha BK), são autores de vídeos que viralizaram, com mais 500 mil visualizações no Youtube.

Ligados ao MBL, cada um deles filmou sua invasão à mostra, com comentários que ajudaram a estigmatizar as obras como exemplos de “pedofilia”, “zoofilia” e “ataque às religiões cristãs”.

Esses argumentos foram adotados subsequentemente por milhares de idiotas úteis e “defensores dos valores da família”.

“Isso aqui é uma putaria, uma perversão. O curador dessa obra, Gaudêncio Fidelis, deveria estar preso”, afirma Diehl. “Eu vou continua filmando, pode chamar a polícia”, declara Rafinha BK, batendo boca com um segurança.

Rafinha BK
Os dois são velhos conhecidos de agitprops fascistas no Rio Grande do Sul. Como era de suspeitar, são fãs de Jair Bolsonaro.

Em seu Facebook, Diehl se apresenta como chefe do movimento “Direita Gaúcha”. Em maio de 2016, promoveu com amigos um “rolezinho reaça” no campus da UFRGS.

Vestindo camisetas com estampas de Bolsonaro, eles espalharam em centros acadêmicos de disciplinas como Letras, Ciências Sociais e História cartazes de seu ídolo. Acabou em confusão.

Em fevereiro último, foi expulso de um debate organizado pelo PC do B no auditório do Centro Cultural da UFMG. “Fui até lá para debater e acabei sendo agredido por não concordarem com meu posicionamento. Muitas pessoas usam camisas do Lula e da Dilma, por exemplo. Por que usar camisa do Bolsonaro é uma provocação?”, alegou.

Rafinha BK está proibido de entrar na Assembleia Legislativa de Porto Alegre, acusado de agredir a deputada Juliana Brizola.

Em junho, Rafinha foi parar na delegacia após se envolver numa briga com servidores durante protesto em frente à prefeitura.

A repórter Vitória Famer, então na rádio Guaíba, foi atacada nas redes. Ela contou quem é BK:

Ao receber a informação de que Arthur do Val, integrante do MBL e youtuber do canal MamãeFalei, havia sido encaminhado para a 17ª Delegacia de Polícia após confrontos com sindicalistas que protestavam em frente à prefeitura de Porto Alegre, fiz o meu trabalho como sempre faço: fui apurar todos os lados da história para levar aos ouvintes da Rádio Guaíba a melhor informação possível.

E para fazer isso, só me deslocando para a delegacia para ouvir os detidos.

Apurei que havia dois seguranças profissionais (o Rafael Silva Oliveira, mais conhecido como Rafinha BK, e o Marcio Gonçalves Strzalkowski, agressor confesso do professor Geovani Ramos Machado), além de assessores de um deputado estadual, dando apoio ao Arthur do Val.

O deputado mencionado é Marcel Van Hattem, do PP, que se referiu ao Queermuseu como “aberração” em suas redes sociais.

“Tenho amigos gays e de vários ouvi hoje a indignação por serem confundidos nessa mostra com quem é pedófilo ou adepto da zoofilia”, escreveu o animal.

Essa gente decidiu o que é arte. Parabéns aos envolvidos.

Kiko Nogueira
No DCM
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Da idade do Kim, na idade da treva


Viramos num país de black blocs.

O fato de serem blocs de direita (e os originais não são?) e vários deles serem engomadinhos e “institucionais” não reduz o estrago que provocam, nas coisas e nas mentes, afastando as pessoas da política e das discussões sobre o essencial neste país.

Parece que a única divisão que existe é a entre velhacos e histéricos.

Como nos tempos de criança, tudo virou uma disputa entre “bandidos e mocinhos”, num enredo primário próprio de mentes infantis e, quando vem a idade, estúpidas.

Nossos “men in black” abduziram o debate político e o reduziram a uma missão de extermínio.

O acaso revelou a sordidez do acordo de Joesley, mas em quantos outros a sordidez ficou guardada nos encontros com bandidos em tenebrosas transações penais. Joesley escondeu provas? Mas o que dizer de só agora, meses depois de sua premiação por delatar, tenha sido fornecido o acesso ao computador pessoal de Marcelo Odebrecht?

Não podemos dizer nada, porque  se estabeleceu  não apenas o monopólio da verdade nas mãos dos órgãos persecutórios (polícia e Ministério Público) como a eles se deu, pelos acordos de delação, o poder de moldar esta verdade.

A onda moralista simplesmente nos afogou num copo d’água que começou com o “padrão Fifa” e passou a um “padrão Moro”.

Não obstante, enquanto a pilantragem continua correndo solta – ou o dinheiro de Geddel era antigo? – seu combate vai servindo de cobertura para a liquidação de todos os setores promissores da economia brasileira.

De cara, a Petrobras e o pré-sal, em seguida a construção pesada, um dos únicos campos industriais onde tínhamos presença mundial e, agora (alguém tem dúvidas?) o mercado de carnes processadas.

Os moralistas destroem a economia e a velhacaria cuida de  liquidar os direitos sociais. Em poucos dias, entra em vigor a reforma trabalhista e haverá nova ofensiva pela contrarreforma previdenciária.

Dos guris que foram para a rua em 2013, sobrou-nos o Kim Kataguiri.

Realmente, não eram apenas 20 centavos.

Fernando Brito
No Tijolaço
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MBL e Santander

Página do Santander Cultural foi tomada por críticas do MBL à exposição Queermuseu, 
que foi cancelada neste domingo
O MBL nasceu no rastro das manifestações de 2013 como uma organização que, de acordo com seus fundadores, era apartidária e tinha como propósito principal o fim da corrupção no país. Não demorou muito para que se descobrisse que parte de suas ações contou com dinheiro vindo de partidos como o PMDB, o DEM e o PSDB [1]; eles passaram a ter acesso às galerias do congresso em momentos-chave recebendo crachás de forma irregular de líderes partidários [2]; não hesitaram em fazer aliança com Eduardo Cunha pela "moralização" e pelo "impeachment", resultando na infame foto com o deputado cassado [3]; e, claro, logo depois vários de seus membros foram eleitos para cargos públicos filiando-se a partidos como PSDB, DEM e PRB.

Mas estavam apenas começando.

Desde então, o MBL basicamente passou a agir como uma milícia de extrema direita, fazendo patrulhamento ideológico em escolas [4], atacando as ocupações estudantis que protestavam contra a absurda reforma educacional [5,6,7], divulgando o endereço residencial do falecido ministro do STF Teori Zavascki e incitando tumultos diante de sua casa e de parentes [8], espalhando propositalmente notícias falsas e desinformação (negando-se a desmenti-las ou, no mínimo, a oferecer algum embasamento para estas) [9], e, claro, produzindo e distribuindo memes contendo estatísticas falsas e calúnias contra opositores [se eu fosse linkar todos aqui, consumiria toda a Internet; basta visitar a página do grupo].

Mas quando julgávamos que o MBL (o "m" é de "milícia") não poderia ficar pior, eles dizem "hold my beer" e começam a pregar a pura censura, atribuindo a si mesmos a autoridade para determinar o que é Arte ou não e o que merece ser exposto ou não.

Foi o que fizeram com a exposição Queermuseum - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, promovida pelo Santander Cultural de Porto Alegre: protestando contra o que consideraram "zoofilia", "pedofilia", "putaria" e "sacanagem", o MBL passou a fazer pressão sobre o Santander Brasil pra que fechasse o espaço, incitando pessoas do país inteiro a encerrarem suas contas no banco como forma de forçar a instituição a atendê-los [10]. Pior: agrediram verbalmente os frequentadores da exposição - e ao menos um agência do banco foi pichada. [11]

Como não poderia deixar de ser, logo ganharam apoio do prefeito de Porto Alegre, o tucano Nelson Marchezan Jr., que teve apoio do grupo "apartidário" em sua eleição. Marchezan, vale lembrar, é o mesmo prefeito que foi à justiça exigir que protestos contra sua gestão fossem proibidos - e foi atendido. [12]

O mais triste? O Santander Cultural CEDEU ao MBL e encerrou a exposição, que contava com obras de Portinari, Adriana Varejão, Lygia Clark e Alfredo Volpi. A justificativa publicada por eles [13] é o mais puro retrato da submissão diante da censura - e o fato de a nota admitir que esta é a primeira vez que interferem em um evento é a prova de como esta milícia conservadora, estúpida e hipócrita está começando a moldar de forma perigosa o país. Aliás, é inacreditável que o instituto inclua em seu texto a seguinte passagem: "Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana."

Ora, o propósito da Arte não é "gerar inclusão" nem "reflexão positiva", mas expressar a visão de artistas e, se possível, provocar o público a refletir sobre esta - positiva ou negativamente. SEMPRE vai haver alguém ofendido por uma obra; se começarmos a usar este critério como base para condená-las, nada sobrará. Nada. Se o MBL ou qualquer indivíduo não aprova algum evento cultural, tem a simples opção de NÃO VISITÁ-LO - ou mesmo de defender que as pessoas o boicotem. Mas encerrá-lo? Jamais. Uma das coordenadoras do MBL justificou suas ações com o tipo de frase característica de quem combina ignorância e intolerância: "Não entendo que isto seja arte". [14]

Aliás, um dos integrantes do MBL que liderou a ação contra a exposição chegou a declarar: "“O curador dessa obra, Gaudêncio Fidelis, esse cara deveria estar preso”.

PRESO. Porque fez curadoria de uma exposição que ofendeu o MBL, que imediatamente reagiu com duas de suas características básicas: autoritarismo e violência.

Além, claro, do falso moralismo - e, como notou o roteirista Fernando Marés de Sousa em seu Twitter, é bom lembrar que um dos FUNDADORES do MBL, Pedro Ferreira, é cantor da banda Bonde do Rolé [15], cujo repertório inclui, entre outras coisas, esta preciosidade:
"Do piupiu do meu priminho eu puxava a pelezinha
Desde os três aninhos eu mostrava a calcinha
Se nasci pra ser devassa, ser devassa pode crer
Põe a jeba na minha frente que eu te mostro o que é fuder
Vem o puta pobre
e sessenta real a chupeta da sandrinha, aaah
Nêgo crescia os "óio" quando via a periquita
Batia na minha cara e botava a xalxixa(sic)
Punha o dedo no meu cu pra ver se tinha oxiúro
Subia e toma sol, nego lotava a laje e o muro" [16]
Hum. "Desde os três aninhos eu mostrava a calcinha", diz a letra da música do fundador do grupo que acusou uma exposição de "pedofilia".

Mas não se preocupe, Pedro Ferreira, pois não tenho qualquer intenção de pregar que você seja preso ou proibido de se apresentar. Ao contrário da milícia que fundou, sei respeitar as diferenças e valorizo a liberdade de expressão e artística.

Aliás, não é tristemente irônico que o MBL tenha conseguido censurar uma exposição sobre DIVERSIDADE? Nada mais apropriado para sintetizar a natureza deste grupelho fascistoide.

É hora de reagirmos. E uma boa forma de começar é apoiando o ato de repúdio à decisão covarde do Santander: https://www.facebook.com/events/905454412938548/?hc_location=ufi

Ou então teremos que nos acostumar à ideia de um país que tem, como norte cultural, a "sensibilidade" de pessoas que enxergam em Alexandre Frota um exemplo de artista.

* * *

[1] https://noticias.uol.com.br/…/maquina-de-partidos-foi-utili…

[2] http://politica.estadao.com.br/…/geral,lideres-do-mbl-entra…

[3] http://f.i.uol.com.br/folha/colunas/images/1625721.jpeg

[4] https://theintercept.com/…/fernando-holiday-do-mbl-quer-ap…/

[5] https://educacao.uol.com.br/…/mbl-tenta-desocupar-colegios-…

[6] http://paranaportal.uol.com.br/…/pm-impede-desocupacao-de-…/

[7] https://jornalistaslivres.org/…/mbl-ataca-secundaristas-co…/

[8] http://politica.estadao.com.br/…/geral,protesto-diante-da-c…

[9] https://www.youtube.com/watch?v=V4E0yXQeI2Y

[10] http://veja.abril.com.br/…/apos-protesto-do-mbl-santander-…/# (sim, linkei a VEJA, que o MBL conseguiu chocar com esta ação pavorosa)

[11] http://zh.clicrbs.com.br/…/queermuseu-mostra-e-cancelada-ap…

[12] http://veja.abril.com.br/…/justica-proibe-protestos-em-aco…/ (sim, de novo a VEJA, acreditem o não)

[13] https://www.facebook.com/SantanderCultural/posts/732513686954201

[14] http://zh.clicrbs.com.br/…/nao-entendo-que-isso-seja-arte-d…

[15] http://www1.folha.uol.com.br/…/1820495-um-dos-fundadores-e-…

[16] https://www.letras.mus.br/bonde-do-role/1165116/

Pablo Villaça
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Fascistas do MBL abortam exposição de arte

Os fedelhos do Movimento Brasil Livre (MBL) dizem que não são fascistas, mas apenas defensores do receituário ultraliberal de desmonte do Estado, da nação e do trabalho. Mas, na verdade, eles são fascistas da pior espécie, como demonstraram nas marchas golpistas pelo impeachment de Dilma Rousseff, aliando-se a torturadores e saudosos da ditadura, ou nas várias provocações realizadas nas escolas ocupadas por secundaristas. Nos últimos dias, estes fascistas mirins deram mais uma prova da sua intolerância e agressividade. Eles promoveram uma campanha de ataques a uma exposição de arte que estava em cartaz desde meados de agosto no Santander Cultural, em Porto Alegre.

O ataque foi tão virulento que acovardou o banco. Segundo reportagem do jornal gaúcho Zero Hora postada neste domingo (10), o Santander decidiu suspender a exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, que ficaria em cartaz até 8 de outubro. “Foi a reação da instituição ao movimento de protesto de entidades e pessoas que avaliaram a mostra como ofensiva, por razões que vão de ‘blasfêmia’ no uso de símbolos católicos à difusão de ‘pedofilia’ e ‘zoofilia’ em alguns dos trabalhos expostos. As reações contrárias à Queermuseu ganharam corpo nos últimos dias, com manifestações nas redes sociais de grupos como o MBL e constrangimentos presenciais dirigidos aos visitantes”.

Em sua página no Facebook, o MBL chegou a reproduzir um texto com o título “Santander Cultural promove pornografia e até pedofilia com base na Lei de Incentivo à Cultura”. Ao longo do feriadão, diferentes perfis de pessoas e entidades alinhadas ao sinistro movimento e às seitas religiosas engrossaram o protesto virtual, que pediu o fechamento da mostra e até pregou um boicote ao banco. Os gestos de intolerância fascista não cessaram. “Os frequentadores do Santander Cultural relataram nas redes sociais que foram alvo no sábado de agressões verbais dirigidas por pessoas que faziam registros em vídeo da exposição e criticavam seu conteúdo. Pelo menos uma agência do banco nas imediações do prédio que abrigava a exposição, na Praça da Alfândega, foi pichada com frases como ‘Banco Santander apoia a pedofilia’ e "são anticristãos [sic]", descreve o jornal.

A pressão fascista surtiu efeito. “Diante do acirramento dos ânimos, que exigiu intervenções pontuais dos seguranças do local, o Santander optou pelo prematuro encerramento da exposição. A nota oficial do Santander diz: ‘Nos últimos dias, recebemos diversas manifestações críticas. Pedimos sinceras desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra”. A suspensão, porém, gerou protestos. O responsável pela curadoria da exposição Queermuseu, Gaudêncio Fidelis, criticou a covardia do banco. “A decisão foi unilateral do Santander. Não fui consultado em nenhum momento sobre isso, e ninguém do Santander entrou em contato comigo. Fiquei sabendo do cancelamento por um grupo de Whatsapp”.

Um dos artistas com obra na exposição, o porto-alegrense Sandro Ka, também ficou indignado. “É lamentável que essa onda conservadora, motivada por posições equivocadas e ignorantes, tenha forçado uma instituição cultural a tomar essa posição de fechamento de uma exposição que traz uma temática importante para se pensar o mundo hoje. É nas relações de poder entre grupos hegemônicos e grupos vulneráveis que a heteronorma se afirma da pior forma possível. Todos perdemos com isso”, afirmou ao Zero Hora. Já entidades ligadas ao movimento LGBT convocaram um protesto contra a censura na próxima terça-feira (12), em frente ao Santander Cultural, "em defesa da liberdade de expressão artística, das liberdades democráticas e contra os retrocessos políticos que limitam o exercício de cidadania da população LGBT”.

Altamiro Borges
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O Itinerário de um desastre

O inesquecível Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer). Em 1995 o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu uma amostra pública do seu compromisso com o capital financeiro.


Nenhum governo teve mídia tão favorável quanto o de FHC, o que não deixa de ser surpreendente, visto que em seus dois mandatos ele realizou uma extraordinária obra de demolição, de fazer inveja a Átila e a Gêngis Khan. Vale a pena relembrar algumas das passagens de um governo que deixou uma pesada herança para seu sucessor.

1994 e 1998

O dinheiro secreto das campanhas: Denúncias que não puderam ser apuradas, graças à providenciais operações “abafa”, apontaram que tanto em 1994 como em 1998 as campanhas de Fernando Henrique Cardoso foram abastecidas por um caudaloso esquema de caixa-dois.

Em 1994, pelo menos R$ 5 milhões não apareceram na prestação de contas entregue ao TSE. E em 1998, teriam passado pela contabilidade paralela nada menos que R$ 10,1 milhões.

A farra do Proer?

O inesquecível Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer). Em 1995 o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu uma amostra pública do seu compromisso com o capital financeiro. Na calada de uma madrugada de um sábado de novembro, assinou uma medida provisória instituindo o Proer.

Um programa de salvação dos bancos que injetou 1% do PIB no sistema financeiro. Um dinheiro que abandonou o sofrido Tesouro Nacional, para abastecer cofres privados. A começar pelo Banco Nacional, então pertencente a família Magalhães Pinto, da qual um de seus filhos era agregado. Não é mesmo FHC?

Cepal

O Proer demonstrou em 1996, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB.

Mas para economistas da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais.

E agora, FHC, você ainda vem aqui querendo dizer o que…?

Maria Fernanda Arruda
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