8 de set de 2017

ACM Neto frequentava o ‘bunker’ do Geddel?

Na manhã desta sexta-feira (8), a Polícia Federal prendeu o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), um dos principais chefões do golpe dos corruptos que alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer. A decisão foi tomada após a confirmação de que as suas digitais foram encontradas no “bunker” em Salvador que escondia R$ 51 milhões em dinheiro vivo. O falso moralista, que esbravejava pela “ética” nas marchas pelo impeachment de Dilma Rousseff, foi levado da capital baiana para Brasília e será trancafiado no presídio da Papuda. Além dele, também foi preso Gustavo Ferraz, ex-assessor de Geddel Vieira e homem de confiança do demo ACM Neto, que atualmente ocupa o cargo de diretor da Defesa Civil na prefeitura de Salvador.

As prisões fazem parte de mais uma fase da Operação Cui Bono, que investiga o desvio de recursos da Caixa Econômica Federal, da qual Geddel Vieira foi vice-presidente. Na terça-feira (5), a Polícia Federal encontrou, durante a chamada operação Tesouro Perdido, malas e caixas de dinheiro que totalizaram mais de R$ 51 milhões. Na ocasião, a PF ainda cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de Marluce Quadros Vieira Lima, mãe do picareta. Assustada, ela reagiu: “O meu filho não é bandido, é doente”. Diante do flagrante, alguns veículos da mídia chapa-branca até tentaram aliviar a barra do líder golpista, apresentando-o como “suposto” dono da grana encontrada no apartamento utilizado como “bunker”.

A situação se complicou quando o proprietário do imóvel, o empresário Sílvio Antônio Cabral da Silveira, confirmou que havia emprestado o imóvel ao ex-ministro peemedebista. Em depoimento prestado nesta semana, ele informou que o apartamento foi solicitado sob alegação de que Geddel Vieira pretendia guardar no local os pertences do pai, o ex-deputado federal Afrísio Vieira Lima, morto no ano passado. Ele também disse à polícia que Geddel Vieira seria um velho “conhecido” e que, por isso, não houve contrato de aluguel. “O empréstimo teria sido no fio do bigode", relatou o superintendente da PF na Bahia, Daniel Madruga. O comparsa ainda afirmou não saber que o imóvel estava sendo usado para guardar caixas e malas com dinheiro.

Cadê as imagens das câmeras de segurança do prédio?

O depoimento, porém, não convenceu. O empresário é um dos responsáveis pela empreiteira Silveira Empreendimentos, com forte atuação em Salvador. A empresa participou da construção do Residencial José da Silva Azi, prédio onde foi encontrado o dinheiro. Sua esposa, Ana Vitória Silveira, é uma das sócias do empreendimento. O casal também já foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurou desvio de grana da Ebal, a estatal baiana responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo. Sílvio Silveira responde a uma ação penal e a uma ação civil por sua ligação com o esquema de corrupção. A Silveira Empreendimentos ainda firmou um contrato com o Ministério da Integração Nacional, na época em que era chefiado pelo peemedebista. Ou seja: eles não são meros “conhecidos”.

As prisões de Geddel Vieira e de Gustavo Ferraz também complicam a vida do prefeito ACM Neto, que adora posar de vestal da ética. A Polícia Federal requisitou as imagens das câmeras de segurança do edifício e promete divulgar quem frequentava o bunker. “Levantamentos estão sendo feitos para tentar identificar quem eram as pessoas que acessavam o apartamento”, prometeu o superintendente da PF, Daniel Madruga. Gustavo Ferraz era homem de confiança do demo; já o “boca de jacaré”, como é conhecido Geddel Vieira, era um dos principais aliados do prefeito do DEM. Até agora o falante ACM Neto está em constrangedor silêncio. Mais sujeira pode vir à tona. A conferir!

Altamiro Borges
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Janot denuncia a cúpula do PMDB no Senado por organização criminosa

Foram acusados nomes de peso do partido, como Edison Lobão, Jáder Barbalho, Renan Calheiros, Romero Jucá, Valdir Raupp e José Sarney.




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É preciso recuperar a Democracia para lavar a alma


Na aula pública realizada pela presidenta legítima do Brasil Dilma Rousseff, em Chapecó, em evento organizado por três instituições universitárias, os motivos do golpe parlamentar foram explicitados. Não há mais dúvida de que a implantação do projeto neoliberal, a destruição de direitos e o enquadramento geopolítico do país, embaçando suas relações multilaterais, foram as verdadeiras causas. E que o uso de um ambiente político de crise política agravou a crise econômica, e que a aplicação de métodos sexistas e misóginos tiveram como intenção desqualificar Dilma como mandatária. A democracia é a única saída, afirma a ex-presidenta em sua caminhada.

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Técio Lins e Silva: "Eu não posso conviver com essa categoria de advogados delacionistas"

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Xadrez de Janot, o Asmodeu trapalhão


“Entre um burro a um canalha, não passa o fio de uma navalha” (Millor Fernandes)

Ninguém imaginaria, anos atrás, que, indicado Procurador Geral da República, um burocrata mediano, especializado nas pequenas demandas corporativas do Ministério Público Federal, se constituiria – por omissão e por iniciativas empurradas pelo medo – no grande anjo vingador, o Asmodeu capaz de decretar a morte das instituições brasileiras para punir os pobres pelos anos de dissipação e corrupção dos poderosos.

Na defesa do regime democrático, principal missão do MPF, o PGR Rodrigo Janot falhou vergonhosamente, contribuindo por omissão e ação para um golpe de Estado, em uma falta total de compromisso com a República.

Agora, a divulgação, pela PGR, de cópias de mensagens do celular de uma advogada brasiliense, insinuando corrupção para diversos desembargadores do Superior Tribunal de Justiça e um Ministro do STF, Gilmar Mendes, é o terremoto final a derrubar as últimas estacas da institucionalidade brasileira.

Assim como em relação à economia e à política, em lugar do trabalho profissional de investigar a corrupção e limpar o país, resguardando as instituições, o mesmo trabalho de desmonte, de jogar a bomba na mídia despertar suspeitas generalizadas, promover um curto-circuito geral no sistema de informações.

É o preço da imaturidade institucional brasileira. Só um país institucionalmente débil aceitaria passivamente a indicação de um procurador medíocre para o alto cargo de Procurador Geral da República; advogados ou juízes deslumbrados para os altos cargos de Ministro do Supremo Tribunal Federal. E, sobre eles, se jogasse o supremo desafio de abrir a caixa de Pandora da corrupção brasileira sem destruir completamente a economia e as instituições brasileiras.

O que se tem, agora, na grande tragédia brasileira.

Peça 1 – o poder Judiciário

Pelos diálogos publicados pela Veja, trata-se de uma filha típica da alta aristocracia brasiliense, arrotando ligações íntimas com o Poder e se dispondo ao trabalho sujo.

Pelo teor dos diálogos, tem-se duas possibilidades. A primeira, da compra efetiva de votos de desembargadores. A segunda, o golpe da “taxa de sucesso”, muito comum em Brasília. O sujeito se apresenta como intermediário do desembargador e pede um pagamento para conseguir o voto favorável. Há 50% de possibilidade de se adivinhar a sentença: ou o juiz votará a favor ou contra. Votando a favor, o falsário embolsa o dinheiro e o juiz fica sob suspeita.

Quais dos casos vazados se enquadram na primeira hipótese; quais os da segunda hipótese?

Houvesse um PGR maduro, esse material seria utilizado para abrir investigações sigilosas, nas quais se levantariam as provas contra os culpados e se inocentariam os inocentes. Afinal, é o MPF que possui poderes constitucionais para investigar, não a revista Veja.

No país da Lava Jato, o primeiro tribunal é o da mídia, com resultados previsíveis: destrói os honestos, pela mera exposição da suspeita; fortalece os criminosos, por estarem no mesmo balaio dos honestos.

Um dos implicados nas conversas, desembargador João Otávio Noronha, corregedor do Conselho Nacional de Justiça. Há um ano, ao tomar posse no cargo de corregedor, fez um discurso duro contra a república dos procuradores.


"Lemos todos os dias nos jornais a censura a quem vota a favor ou contra determinado investigado. Não se pode um juiz ser refém do Ministério Público, da Polícia Federal, de quem quer que seja. O magistrado existe para garantir os direitos fundamentais", disse o ministro. Segundo ele, o seu papel no CNJ é "de proteger, é de blindar a magistratura das influências externas, fazer com que o juiz exerça a magistratura na mais plena liberdade, fazer com que juiz não tenha medo da mídia, mídia que se tornou um poder".

Nas conversas divulgadas pela PGR para Veja, a advogado insinua a cumplicidade de Noronha. A reportagem constata que a demanda da JBS não foi atendida. Pouco importa, Noronha está exposto definitivamente ao julgamento público.

Na outra ponta, surgem as indicações óbvias da influência de Gilmar Mendes na captação de patrocínios para o IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), através de Dalide Correa, seu braço direito na instituição. Como disse Gilmar sobre a relação Miller-Janot, os patrocínios ao IDP por parte de empresas interessadas em votos favoráveis de Gilmar, nem segredo de carochinha são: fatos públicos, documentados. Mas o bravo MPF prefere investigar as flores recebidas pela sra. Gilmar.

Como fica, agora? A irresponsabilidade de Janot joga uma bomba de hidrogênio no colo de sua sucessora, Raquel Dodge. Ela não terá a tranquilidade para uma investigação séria e profissional, como é de seu estilo. Cada passo será acompanhado pela mídia e sujeita a toda sorte de pressão por parte dos tribunais.

Conseguiu-se, com o vazamento, colocar todos os tribunais superiores sob suspeita.

Peça 2 – a mídia e o Executivo

Na edição em que noticia a descoberta de R$ 51 milhões em dinheiro vivo de Geddel Vieira Lima, o Globo divulga vídeo em que, nas passeatas do impeachment, ele deblatera contra a corrupção. Obviamente a reportagem deixa de relatar que a Globo foi a madrinha da entrega do poder nacional ao mais deslavado esquema de corrupção política da história, comandado pelo próprio presidente da República, Michel Temer.

Como fica agora? Os bandidos de dentro do bunker, podendo utilizar a artilharia pesada das Medidas Provisórias, das negociatas em todas as linhas. E o nosso Asmodeu da selva, dando flechadas a torto e a direito, inclusive, no próprio pé.

E a mídia perdida entre atender à demanda dos leitores, de denúncias contra Temer, e ser submissa às verbas da Secom, já que a Lava Jato, com o auxílio precioso de Dilma-Levy e de Temer-Meirelles, desmontou a economia e o fôlego que havia no setor privado.

Peça 3 – a continuidade do golpe

Desde o ano passado sabia-se que Antônio Palocci já estava negociando a delação premiada com a Lava Jato. Com José Dirceu ainda preso, Palocci já tinha sido transferido para uma ala do presídio dedicada aos futuros delatores.

Repete-se o mesmo modelo de outras delações, de acordo com os manuais da “teoria do choque” adotado por várias polícias políticas. O sujeito fica detido e torturado (no caso de Palocci, a tortura moral da expectativa de prisão duradoura) até entregar os pontos. Depois, a “omertá”, a prova de sangue para garantir sua lealdade à “famiglia” Lava Jato: declarações bombásticas de fundo político, como afirmar que Lula e Emilio Odebrecht tinham um “pacto de sangue”.

Como disse Joesley Batista na conversa auto-grampeada com Ricardo Saud, para os acordos o MPF exige palavras fortes, falar de “bandidos”, “organizações criminosas” já que o grande tribunal é a mídia.

Comentando a delação de Palocci, mesmo a mídia tradicional tem divulgado a receita do bolo das delações da Lava Jato, vendo no seu comportamento o padrão típico de delação exigida pela Lava Jato. O método ilegal tornou-se carne de vaca. Todos comentam, menos os tribunais superiores, com a tranquilidade de um país que aprendeu a conviver com a ilegalidade no crime e na luta contra o crime.

A delação de Delcídio do Amaral demonstrou amplamente as leviandades que são ditas sob a pressão da tortura moral. Pouco importa se mais adiante a delação de Palocci cair no vazio, por falta de provas. Matar-se-ão dois coelhos com uma só cajadada: politicamente, a Lula; penalmente, cassando os benefícios de Palocci com a delação.

Peça 4 – os mercadores da ética

As instituições estão tão desmoralizadas que os agentes dessa barafunda, juiz e procuradores da Lava Jato, se locupletam dos frutos do trabalho em palestras regiamente pagas. E, pior, para setores potencialmente sensíveis às investigações da Lava Jato – como o financeiro. Ou então, com parentes sendo remunerados por advogados investigados pela operação, como é o caso da senhora Moro, recebendo do doleiro Tacla Duran.

Nas empresas afetadas, montou-se a maior das maracutaias legalizadas da história.

Tome-se o caso da Eletrobras. Para investigar suspeitas de corrupção que não devem chegar a poucas dezenas de milhões de reais, contratam-se escritórios de advocacia sem licitação, com honorários na casa dos 200 milhões de reais.

Na Procuradoria Geral da República explode o escândalo Marcelo Miller. E, aí, o próprio Janot torna-se vítima do clima de julgamento midiático, acusado de ter negociado antecipadamente com a JBS a delação premiada. Como se todas as delações premiadas não fossem fruto de negociações prévias, nas quais o MPF diz o que quer e o que oferece e o delator aceita ou não.

Peça 5 – quem dará a freada de arrumação?

Conferiu-se ao mais sem noção dos PGRs o maior desafio da história da instituição. Sem sua liderança moral, o MPF se tornou uma legião estrangeira, com cada procurador penal praticando tiro ao alvo a esmo, mostrando uma musculatura incompatível com a sobriedade da instituição, militando em redes sociais e passeatas pró-impeachment.

E agora? No momento em que as instituições se desfazem como os castelos de areia do deserto, em que se tomam medidas e fazem negócios que comprometerão daqui para futuras gerações, quem fará a mediação?

É o pior momento da história do país. A República foi proclamada com a estrutura parlamentarista do Império dando um ponto de apoio, retrógrado, anacrônico, mas ponto de apoio. 1930 acontece com os positivistas gaúchos e os tenentes dando as linhas mestras do novo regime e um estadista maior, como Getúlio Vargas, assumindo o leme.

1964 é um golpe de Estado clássico, no qual o voto é varrido do mapa, os que assumem implementam um modelo de país, não aceito pelas urnas mas, em todo caso, com cabeça, tronco e membros. Tinha-se um modelo.

O fim do regime militar ocorre sob os ventos da nova Constituição, permitindo um pacto político que garante a governabilidade por 25 anos.

Agora, não se tem nada. Há um assalto indiscriminado ao país do parlamento e suas leis ao mercado financeiro e suas tacadas com empresas públicas, de grandes escritórios de advocacia conseguindo contratos milionários para coibir à corrupção, a pequenos ditadores se locupletando do seu próprio trabalho.

No meio do caminho há uma pedra, as eleições de 2018.

Duas observações

A responsável maior por essa destruição do país foi a concentração da mídia nas mãos da Globo.

No único contato que tive com Rodrigo Janot, quando uma colega dele queixou-se da manipulação de entrevista que dera, ele fez um ar de malandro experimentado e me disse:

- Nós que somos experientes sabemos que não devemos dar entevista para o outro lado, não é Nassif?

O “outro lado”, obviamente, era eu.

Quando deixar a PGR, Janot será alvo de uma perseguição implacável, que certamente atropelará seus direitos. Sabe quem irá defendê-lo? O “outro lado”. Afinal, canalha Janot não é. No máximo, um Asmodeu trapalhão

Luís Nassif
No GGN
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Palocci


Palocci: fim melancólico

O papel a que se presta o ex-ministro da Fazenda, que há muito vinha progressivamente se transformando em um quadro a serviço do capital, faz lembrar os "arrependidos" dos anos 70.

Refiro-me aos presos políticos que, torturados, aceitaram colaborar com a ditadura e foram à televisão acusar suas próprias organizações dos crimes mais bárbaros, imputados pelo regime militar, proclamando-se arrependidos de seus vínculos com o "terrorismo".

Quem assim age, renuncia à própria dignidade e se atira na sarjeta da história.

Esse foi o caminho de Palocci. Subserviente ao juiz Moro e ao MPF, com a coluna vertebral quebrada após um ano de cadeia e derrotado pela perspectiva de permanecer muito tempo encarcerado, ofereceu-se como instrumento da campanha contra o ex-presidente Lula e o PT.

Tal como os renegados da resistência, sucumbe à função de porta-voz de mentiras e invenções que interessam às forças mais reacionárias, rastejando por um acordo de delação premiada.

Os "arrependidos" do passado ao menos podiam alegar, para explicar seus atos, as brutais sevícias que sofreram.

Palocci nem isso.

A traição é sempre um fim melancólico.




Palocci e suas responsabilidades

Eleitor de Lula e aliado de um projeto político que, com erros e limites que todos conhecemos, contribuiu para mudar o país como nenhum outro governo em nossa historia recente, só posso condenar o esforço de Antônio Palocci para amenizar sua pena através de uma delação premiada.

Sem ignorar o inaceitável sofrimento de quem se encontra preso há onze meses sem sentença passada em julgado, enfrentando toda carga de pressão e injustiça que essa situação representa, é bom recordar que não estamos falando de um entregador de pizza aprisionado numa delegacia mal iluminada, mas de um dos principais responsáveis pelo período de 13 anos que o PT governou o país.

Palocci foi duas vezes ministro em postos decisivos. Sentou-se com banqueiros e empresários, lideranças sindicais e donos de jornal. Explicou e negociou medidas - corretas ou não, justificáveis ou não - de interesse de um projeto político do qual se tornou um dos principais porta-vozes e formuladores. Passou a cumprir este papel a partir da Carta ao Povo Brasileiro, referência da campanha de 2002 e do horizonte geral dos governos Lula e Dilma.

Até pela condição política particular obrigatório recordar o que acontece dentro e fora da carceragem de Curitiba. Desde a semana passada, vive-se o fortalecimento de uma possível candidatura Lula em 2018 através da vitoriosa caravana por nove estados do Nordeste, já programada para se espalhar por outros pontos do país. Em queda nas pesquisas de opinião, repudiada por uma parcela importante da elite econômica que governa o país há 500 anos, a Lava Jato vive o pior momento depois que se descobriu que Joesley Batista foi capaz de produzir uma delação sob medida para preservar sua fortuna e impunidade. Na mesma semana, as malas de R$ 51 milhões de Geddel Vieira Lima, num apartamento desocupado em Salvador, escancaram o caráter seletivo das investigações sobre corrupção.

Numa conjuntura na qual, mais do que nunca, é preciso ampliar a resistência que pode preservar conquistas e direitos acumulados ao longo da história, a delação de Palocci ocorre numa encruzilhada da história brasileira.

Nos próximos meses, o TRF-4, em Porto Alegre, irá tomar uma decisão crucial sobre o direito de Lula disputar a presidência em 2018 - a denúncia do imóvel do Guarujá, a principal esperança do adversários para que seja afastado de uma disputa crucial para os rumos do país. A base jurídica para uma segunda condenação, indispensável para que Lula seja enquadrado na Ficha Limpa, é pífia: o que só reforça a importância de ações de natureza política.

Palocci está sendo chamado a dar um golpe decisivo na credibilidade de Lula. Pode alimentar uma dúvida sobre o caráter do presidente capaz de paralisar uma reação inconformada, em caso de sentença desfavorável, por parte do cidadão comum.

Também pode influenciar o Judiciário, criando uma sensação de legitimidade em torno de um tribunal chamado a tomar uma decisão que contraria os autos e tem recebido criticas duras, dentro e fora do país.

Já condenado a 12 anos, sob ameaça de enfrentar outras condenações em futuro breve, é compreensível que Palocci - como qualquer outro réu da Lava Jato - faça o possível para amenizar a injustiça de uma perseguição baseada, acima de tudo em razões políticas. Pelo papel que assumiu e representou, Palocci construiu um destino e não tem como escapar dele. É tarde demais para uma mudança de identidade por outra razão além da própria conveniência, a tal ponto que ameaça vestir o capuz de carrasco de quem sempre foi seu maior protetor.

Para uma pessoa preocupada - talvez exageradamente - com o próprio conforto e a aceitação alheia nenhum destino pode ser pior do que o seu. Estamos vivendo hoje um tempo em que decisões do cotidiano se transformam em História. Quando as tragédias do dia tiverem passado, alguns de nós, inocentes e culpados, vencedores e vencidos, estarão mortos e outros, terão cabelos brancos e memórias vivas para extrair lições da vida. Será possível sentar nos bares, evocar passagens e momentos difíceis, dar risada. Mesmo nessa hora, Antônio Palocci será um nome sem direito a sair na rua, uma lembrança que envergonha aqueles que o conheceram e até foram capazes de defender o que fez e disse.

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MPF suspeita de massacre de indígenas no Amazonas

Se confirmado, este seria o segundo ato de genocídio cometido por invasores contra indígenas isolados no Vale do Javari em 2017

Foto aérea de 2012, feita pela Funai, de índios isolados que vivem na mesma região onde há relatos do massacre. Seriam eles as vítimas dessa atrocidade?
O Ministério Público Federal no Amazonas está investigando uma denúncia de que indígenas de um grupo que vive isolado na Terra Indígena Vale do Javari, incluindo mulheres e crianças, podem ter sido assassinados e esquartejados. Garimpeiros ilegais que costumam navegar pelo rio Jandiatuba, localizado dentro da terra indígena, seriam os suspeitos.

O crime, que seria mais um episódio do genocídio ao qual os povos indígenas são submetidos no Brasil, ocorreu há cerca de um mês. Não se sabe qual a etnia dos indígenas mortos, mas fontes ouvidas pela coluna afirmam que podem ser os "flecheiros", dada as descrições e a localização.

Os relatos desse massacre começaram a chegar no município amazonense de São Paulo de Olivença, na região da tríplice fronteira com o Peru e a Colômbia, em agosto, quando também os supostos assassinos passaram a mostrar materiais recolhidos de suas vítimas, como flechas e um remo. De acordo com as investigações em andamento, os assassinos ainda teriam cortado os corpos dos indígenas mortos ao meio e jogado no rio, como desova, para que afundassem, acelerando a decomposição, de forma dificultar as investigações.

O MPF está investigando o caso e realizando diligências para ouvir as testemunhas e tentar prender acusados. O procurador do MPF Pablo Luz de Bertand confirmou à coluna a denúncia do massacre no rio Jandiatuba e a existência de uma investigação em curso, mas preferiu não dar detalhes do resultado das diligências e das oitivas que estão sendo realizadas.

A atividade de garimpo nessa região é praticamente toda ilegal, com ouro ilegal extraído em invasões na Terra Indígena Vale do Javari movimentando a economia de São Paulo de Olivença. Garimpeiros constituem não apenas uma poderosa força política local, como também perigosa e violenta. E qualquer fuga nessa área é facilitada por ser uma região de fronteira. Da mesma forma, a troca do ouro por armas e cocaína ocorre com frequência.

As dragas ilegais que invadem o Vale do Javari para extrair ouro são reabastecidas periodicamente, cerca de duas vezes ao mês, com material comprado em São Paulo de Olivença. Para a alimentação dos garimpeiros, homens são contratados como caçadores nos garimpos, responsáveis por prover proteína. Dessa forma, além de destruir os rios, a atividade garimpeira ainda promove a caça ilegal e predatória dentro das terras indígenas.

As informações apuradas indicam que o massacre ocorreu justamente em uma dessas investidas de caça: caçadores encontraram um grupo de indígenas que são conhecidos como “Flecheiros”. Eles estariam coletando ovos de tracajá numa praia nas margens do rio, e os caçadores atiraram com suas armas de fogo contra os indígenas. Não se sabe quantos podem ter sido mortos, mas suspeita-se que tenham sido mais do que dez pessoas. Além de partir os corpos para desovar no rio, os assassinos teriam pego “troféus” de suas vítimas, roubando alguns dos pertences.

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Após relatos do caso chegarem ao MPF, foi desencadeada uma operação em conjunto com o Exército e o Ibama para combater a atividade garimpeira no rio Jandiatuba. Nessa operação foi confirmada a presença maciça de garimpeiros no interior dos territórios onde vivem os isolados. Pelo menos quatro das 16 dragas de garimpo foram destruídas.

A expedição conjunta de Exército, Ibama e MPF, no entanto, não conseguiu chegar até o local onde ocorreram os relatos das mortes pelos garimpeiros, por ser de difícil acesso. A notícia dessa operação foi divulgada pelo MPF nesta quarta-feira 6. “A atividade garimpeira possui alto potencial poluidor e degradador do meio ambiente e baixo retorno social. Além da poluição e degradação ambiental inerente à atividade, o garimpo está associado a condições de trabalho precárias, prostituição, tráfico de entorpecentes e vários crimes relacionados à violência”, afirmou o procurador da República Alexandre Aparizi.

O Vale do Javari concentra a maior quantidade de povos indígenas isolados do mundo. Diversas bases de fiscalização da Frente de Proteção Etnoambiental, da Funai, que deveriam proteger a região da entrada de garimpeiros, caçadores e madeireiros têm sido fechadas em razão de cortes orçamentários e da desestruturação em curso da Funai.

A base do rio Jandiatuba, que poderia ter evitado a entrada dos garimpeiros que chacinaram os “flecheiros”, foi fechada em 2014, devido a cortes no orçamento. Estudo do Inesc apontou um corte de 50% do orçamento da Funai para esse ano, com cortes de cargos e de servidores inclusive das frentes que protegem áreas de alta vulnerabilidade de contato e extermínio de povos isolados.

Das doze Frentes da Funai que existiam até pouco tempo atrás, cinco foram fechadas esse ano, expondo ainda mais povos isolados ao risco do genocídio. Problemas políticos na gestão anterior da Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato, da Funai, também podem ter contribuído para a desestruturação do sistema de proteção do Vale do Javari, inclusive resultando em um confronto entre indígenas de duas etnias.

Ainda no Vale do Javari, em julho desse ano foi denunciado por indígenas Kanamari outro massacre na mesma região, de um outro povo isolado, os  Warikama Djapar. O crime pode ter sido cometido por caçadores ilegais que invadiram a terra indígena no início do ano. Na mesma região da denúncia dos Kanamari, em dezembro de 2016 a Funai havia observado um fato incomum: malocas queimadas pelos isolados no interflúvio entre os rios Itaquai e Jutaí. Um sobrevoo identificou essa maloca queimada alguns meses antes dos Kanamari denunciarem o ataque por parte de invasores caçadores e madeireiros, o que pode ser um indicativo de que os indígenas sofreram um ataque e, por isso, possam ter posto fogo em sua própria aldeia em fuga.

Fontes ouvidas pela coluna confirmam que a queima das malocas pode ser consequência dessas invasões que o Vale do Javari está sofrendo. Os indígenas podem queimar suas casas quando ocorrem mortes dos habitantes dessas residências.


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Foto aérea de uma aldeia queimada, feita em dezembro de 2016 pela Funai, em sobrevoo, pode ser o indicativo de um massacre dos indígenas Warikama Djapar, denunciado pelos indígenas Kanamari em julho
"Povos isolados"

Os povos que se atribuem viver em isolamento voluntário, os “índios isolados”, são grupos que já tiveram no passado experiências traumáticas de contato e violência com o mundo colonial do entorno, e optaram por viver de forma autônoma na floresta, evitando assim a aproximação com outros povos indígenas contatados e o resto da "sociedade envolvente". Esse “isolamento” (coloco entre aspas por ser essa uma perspectiva colonial) reflete uma situação de vulnerabilidade epidêmica: qualquer contato pode ser uma bomba química de doenças.

O ataque e os cortes na Funai, que têm provocado o fechamento de Frentes de Proteção e de bases de fiscalização, colocam em situação de extrema vulnerabilidade e risco uma série de populações

Em 2011, no Acre, foi fechada a Base do Xinane, e em 2014 aconteceu o contato com um grupo indígena que fala uma língua Pano, o “Povo do Xinane”, ou também conhecidos como Tsapanawa. Eles relatam terem sofrido um ataque antes do contato, talvez por madeireiros ou traficantes.

Outros casos de contato recente também tiveram o relato dos indígenas de ataques ou doenças, como o dos Korubo e dos Awa Guajá, também em 2015. A Terra Indígena Araribóia, no Maranhão, onde vive um grupo Awa Guajá isolado, está invadida por madeireiros. Em Rondônia, três bases foram fechadas, no Cautário, em Mirante da Serra e em Monte Nebo, todas elas na terra Indígena Uru-Eu-Way-Wau, que tem uma grande concentração de povos em isolamento e está pressionada por madeireirtos e invasões. Também foi fechada a base no rio Purus, expondo os indígenas Suruwahá, de pouco contato, e os Hi-Merimã, isolados, a ataques de invasores e proselitismo de missionários.

Nesse contexto de ataque aos direitos indígenas, a Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC), vive uma situação de emergência orçamentária, dispondo apenas de 60% do orçamento de 2015. A desestruturação da Funai praticamente tem inviabilizado ações de proteção das terras indígenas e dos aparatos de proteção aos povos em isolamento, resultando em invasões e, como ocorreu nas duas tragédias relatadas apenas este ano no Vale do Javari.

O papel de Jucá

Em meio a esse caos, essa área específica da Funai, que deveria proteger povos que vivem no Vale do Javari da invasão de garimpeiros, enfrenta a maior pressão política desde que foi criada, em 1987: o senador Romero Jucá (PMDB-RR) estaria articulando nomeações para a área. A estratégia política de Jucá, apurou a coluna, é exonerar a atual Coordenadora da CGIIRC, que possui perfil técnico, para nomear uma indicada sua, de Roraima, que tem em seu currículo o trabalho com turismo, e não com povos indígenas. Se concretizada essa nomeação, é provável que a Funai deixe de colaborar com as investigações destes dois massacres no Vale do Javari.

Jucá foi acusado pelo líder Yanomami Davi Kopenawa de incentivar o garimpo na terra de seu povo, o que causa uma preocupação ainda maior diante da notícia deste massacre no Jandiatuba. Estas nomeações em curso estão sob a égide da Diretoria de Proteção Territorial, cuja titular, Azelene Kaingang, foi indicada pela bancada ruralista quando Osmar Serraglio era Ministro da Justiça.

Há uma dança das cadeiras em marcha na Funai, com indicações políticas que preocupam servidores e lideranças indígenas por servir não aos povos indígenas, mas apos interesses de  quem indica.

Ainda para CGIIRC, a coluna apurou que está planejada a indicação de um engenheiro elétrico, sem nunca ter trabalhado com povos indígenas. Ele passou, no entanto, mais de 20 anos em uma gigante mineradora. O cargo para o qual ele está cotado é direcionado ao planejamento, orçamento e estratégia para o trabalho em campo das Frentes de Proteção.

Além disso, o deputado Edio Lopes (PR-RR), relator de um projeto de lei que visa abrir as terras indígenas para mineração, teve recentemente uma audiência com o presidente da Funai, Franklinberg Freitas. Apurei que estas articulações visam facilitar a entrada da mineração em Terras indígenas, inclusive ocupadas por povos isolados.

Ângela Amanakwa Kaxuyana, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), é representante das organizações indígenas no Conselho  da Política de Proteção e Promoção dos Direitos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato, órgão criado esse ano pela Funai, disse em entrevista repudiar o massacre e também as mudanças nessa área da Funai.

"É uma questão muito presente e um cenário muito frágil: os índios isolados estão numa região de grandes interesses das mineradoras e empreendimentos; o primeiro ataque é fazer a sociedade pensar que não existem estes povos; depois é o genocídio, puro e simples, como esse caso no Vale do Javari. Repudiamos totalmente isso."

Para ela, "as mudanças na CGIIRC são uma forma de enfraquecer a atuação. É fechar as portas para fazerem o que querem com os territórios dos índios isolados. Querem é limpar o terreno. Ele afirma que foi informada do massacre no Jandiatuba durante a XI reunião da COIAB, que aconteceu de 28 a 30 de agosto na Terra Indígena Alto rio Guamá, através de uma liderança do povo Marubo, que também vive na Terra Indígena do Vale do Javari.

Outro membro do conselho para proteção dos índios isolados da Funai, o indigenista Antenor Vaz, especialista em Políticas de Proteção para Povos Indígenas Isolados, considera “gravíssima a atual situação de falência da CGIIRC”, e adverte que massacres como esses relatados no Vale do Javari “estão ocorrendo em regiões sob a jurisdição das Frentes de Proteção.

Agora, imaginem naquelas regiões onde existem 51 informações de presença de povos indígenas isolados, nas quais a Funai nunca realizou alguma ação de proteção desses povos. O número de massacres de povos indígenas isolados deve ser ainda maior. É preciso uma ação efetiva e urgente da sociedade civil e do Ministério Público”

Felipe Milanez, Professor de Descolonização do Conhecimento, Sociedade e Ambiente na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Integra a Rede Europeia de Ecologia Política (Entitle). Escreve sobre conflitos e resistências ecológicas
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Recado do Nassif: as denúncias chegam ao Judiciário


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Funaro delata Temer e diz que ele levava propina dos esquemas de Cunha


Recém-homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), a delação do operador financeiro Lúcio Funaro deve encorpar novas denúncias contra o presidente Michel Temer (PMDB).

Conforme Funaro, o presidente cobrou e recebeu propina, fez lobby para políticos e tinha operadores em diversas áreas do governo. As informações são de reportagem da revista Veja desta 6ª feira (8.set.2017).

O doleiro afirma que nunca conversou sobre dinheiro diretamente com Temer. Mas que o presidente “sempre soube de tudo”.

Narra que Temer foi beneficiado em pelo menos 2 repasses de “conta-propina” administrada por Cunha. O primeiro teria sido de R$ 1,5 milhão, do grupo Bertin. O segundo, em 2014, de acordo com a JBS: seriam R$ 7 milhões para Temer, Cunha e o então ministro da Agricultura, Antônio Andrade.

O delator é apontado em investigações como operador de fraudes em 4 dos maiores fundos de pensão de empresas públicas do país: Funcef (Caixa), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios). O analista financeiro também foi citado nas delações da empresa JBS.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar acusações contra Temer por obstrução de Justiça. A denúncia deve ser oferecida até 17 de setembro, quando o PGR passa o cargo para Raquel Dodge.

A delação de Funaro levanta suspeitas que o presidente conhecia tentativas de compra do silêncio do operador financeiro, preso desde julho de 2016. Joesley Batista, delator da JBS, teria um pacto com Funaro: repassaria R$ 100 milhões ao operador, em caso de prisão.

Após Funaro ser detido, Joesley “procurou Michel Temer e os outros membros do PMBD” para avisar que “estava cuidando do Lúcio e que a situação estava sob controle”, disse Funaro.

O operador também relata participação de Temer em lobby para repasses à campanha. Nas eleições de 2012, Cunha teria dito a Funaro que precisava de recursos para candidatura de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo. A ordem seria do presidente.

O operador afirma que conseguiu os valores com o empresário Henrique Constantino, que receberia favores na Caixa em troca. Temer teria telefonado ao empresário “agradecendo a doação”.

Funaro cita esquema de Temer e Cunha para compra de votos no congresso durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT). O delator não detalhou quanto dinheiro repassou neste episódio.

Funaro e o PMDB

Funaro é testemunha-chave em investigações envolvendo o grupo político de Michel Temer.

Segundo o delator, o PMDB recebeu R$ 170 milhões em propinas de empresas com demandas na Caixa.

Funaro narra que ele e Cunha faziam contatos e negociavam valores com os empresários interessados em obter empréstimos do banco. O dinheiro seria liberado pelo ministro Moreira Franco (Secretaria Geral) e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso nesta 6ª feira (8.set).

A propina seria paga às empresas de Funaro. Cunha era quem definia a parte de cada um no esquema, conforme o delator.

Provas materiais

Funaro teria entregue como anexo de delação registros de trocas de mensagens de celular, de voos de seu jatinho particular, de pagamentos e extratos bancários. O material até agora publicado pela revista não inclui as supostas provas materiais.

Delcídio do Amaral também entregou farto material na sua delação (agendas de compromissos, bilhetes de avião, estratos de ligações telefônicas). No entanto, o Ministério Público pede a suspensão de seus benefícios como colaborador da Justiça.

No mesmo caso, o MP também pede a absolvição do ex-presidente Lula e de do banqueiro André Esteves por falta de provas em processo baseado na delação de Delcídio.

Planalto: delação tem ‘inconsistências’

Antes de homologar a delação, o Planalto já havia divulgado nota sobre as acusações contra o presidente Temer. O texto recorda que Funaro já fez um acordo de delação em 2005, na época da CPI dos Correios. “Qual mágica teria feito essa pessoa, que traiu a confiança da Justiça e do Ministério Público, ganhar agora credibilidade?”, afirma a nota.

Eis as possíveis acusações de Lúcio Funaro:

acusacoes-funaro


Em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal, o corretor financeiro Lúcio Funaro, operador do PMDB, revelou, entre outros crimes, propinas a parlamentares, venda de legislação e grandes esquemas de corrupção.

Funaro acusa Michel Temer de fazer lobby para políticos, cobrando repasses de caixa dois e, também, como destinatário de propina. O doleiro diz que nunca conversou sobre dinheiro diretamente com Temer, "pois essa interface era feita por Eduardo Cunha", mas declara que era informado por Cunha sobre as divisões da propina.

Ele garante que Temer "sempre soube" de todos os esquemas tocados pelo ex-deputado. "Temer participava do esquema de arrecadações de valores ilícitos dentro do PMDB. Cunha narrava as tratativas e as divisões (de propina) com Temer", diz Funaro na delação que a revista Veja teve acesso.

Temer é protagonista de dois repasses de propina na delação de Lúcio Funaro. Um deles, de R$ 1,5 milhão, veio do grupo Bertin. O segundo, em 2014, saiu de um acerto com a JBS. Funaro conta ter intermediado um pagamento de R$ 7 milhões da JBS que tinha como destinatários Temer, Cunha e o ministro da Agricultura na ocasião, Antônio Andrade. O presidente ainda teria intermediado um pagamento de R$ 5 milhões de Henrique Constantino, do Grupo Constantino, à campanha do então deputado Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo, em 2012.

Funaro aponta propina milionária paga a Eunício


Além de apontar propinas pagas a Michel Temer e de denunciar a compra de votos no golpe de 2016 (leia aqui), o corretor Lúcio Funaro também tem uma bomba reservada para o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que preside o Congresso Nacional.

Segundo Funaro, a Hypermarcas pagou R$ 1,6 milhão a Eunício pela aprovação de uma medida provisória de seu interesse.

Os recursos foram pagos à Confederal, empresa do senador, que reconhece que os serviços não foram prestados e tenta agora devolver os recursos.

O caso está sendo investigado pela Polícia Federal.

No 247
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Etiqueta

A duquesa de Noailles era conhecida na corte de Luiz XVI como “Madame la Etiquette”. Era obcecada pelo protocolo. Tanto que, quando ficou senil, começou a escrever longas cartas para a Virgem Maria discutindo questões de etiqueta no céu e ditando regras de conduta e prudência na eternidade. O padre confessor da duquesa respondia às cartas, assinando-as “Maria”. As respostas aparentemente não agradavam à velha e ela uma vez comentou a respeito da sua correspondente no Além, que não se podia esperar demais de uma camponesinha de Nazaré que, afinal, só entrara para a nobre Casa de Davi através do casamento. 

A duquesa de Noailles ficou como um exemplo extremo das pessoas que não entendem o tempo em que vivem. Certamente, o comentário que faria sobre a revolução que rugia à sua volta, se tivesse lucidez para notá-la, seria que se tratava de uma coisa de muito mau gosto. Pelas normas da duquesa, tudo se dividia entre o que era e não era de bom-tom. Um recado para a elite e a classe patronal brasileiras, que deveriam mudar seus termos de referência para não acabar como a duquesa - que, por sinal, foi guilhotinada. 

Não se sabe a opinião da duquesa de Noaille sobre outra questão protocolar francesa. O restaurante Laperouse, que fica na beira do Sena, na esquina com a Rue des Grands Augustins, tem salas particulares, usadas, há mais de século e meio, por grandes senhores e suas “petites filles”. Na parede de uma dessas salas ainda existe um espelho, todo riscado. Era na sua superfície que as meninas testavam a autenticidade dos diamantes que acabavam de receber - e, portanto, o caráter e as intenções dos seus acompanhantes. A cada arranhão daquele vidro correspondia um romance, um caso bem-sucedido ou no mínimo uma hora de amor agradecido. Tudo feito com elegância e distinção. 

Mas a verdadeira prova de comportamento civilizado - e, pensando bem, de todos os valores da época - devia ser quando o diamante do anel não produzia nenhuma marca no espelho. Imagine a cena, a moça esfregando o falso diamante contra o espelho e este, com silenciosa eloquência, denunciando a falsidade tanto da pedra quanto do cavalheiro. Ninguém, certamente, diria uma palavra sobre o vexame. O único efeito do fiasco seria que, pelo resto da noite ficaria, entre eles, um clima que só pode ser descrito como meio assim. Eles teriam que conviver, educadamente, com a evidência de que “monsieur” era um patife.

Luís Fernando Veríssimo
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Geddel preso




Pavor no grupo de Temer: Geddel deve virar delator


A festa no Planalto com a capotagem de Joesley Batista e Rodrigo Janot durou pouco. Com a prisão de Geddel Vieira Lima, Michel Temer e seus parceiros do grupo “PMDB da Câmara” estão apavorados com a hipótese, bastante provável, de que ele venha a se tornar delator premiado. Apesar de ser truculento e agressivo no trato com os mais fracos, Geddel é conhecido pela tibieza diante das dificuldades. Este traço ficou conhecido no meio político ainda em 1993, quando ele surtou, chorou e implorou para que seu nome fosse tirado da lista dos implicados (e depois cassados) na CPI dos anões do orçamento. Escapou na pescaria negociada entre os partidos de uns peixes gordos que precisavam ser poupados. Quando foi preso pela primeira vez em julho, pela Operação Cui Bono, antes de ganhar o direito à prisão domiciliar que agora perdeu, ele chorou copiosamente declarando estar disposto a “cooperar com a Justiça no quer for preciso”. Nada contra o choro raro dos homens, quando expressam sensibilidade. O de Geddel traduz sua fraqueza, que agora deve resultar na delação de seus cúmplices no PMDB. Naquela ocasião, o Ministério Público o qualificou de “criminoso em série”.

Geddel atua no “esquema do PMDB” desde os anos 1990. Quando conquistava uma posição, o rival ACM estocava: “Geddel vai às compras”. Mas sua carreira ganhou impulso foi a partir de 2007, quando se tornou ministro da Integração Nacional no segundo governo Lula. Embora tenha fustigado o presidente e o governo petista no período anterior (2003-2006), com a reeleição de Lula a aliança com o PMDB foi sacramentada e Geddel tornou-se ministro com a bênção de Michel Temer, que presidia a Câmara. Neste cargo ele tocou várias obras de infraestrutura de alto valor no Nordeste e principalmente na Bahia, que chegaram á ordem dos R$ 500 milhões, como os projetos de irrigação do Baixio de Irecê e de Salitre, em Juazeiro, ambas na Bahia, e deu início às obras da transposição das águas do Rio São Francisco.

Ele deixou o governo para concorrer ao governo da Bahia em 2010 mas foi derrotado por Jacques Wagner, do PT. Esperneou porque o PT não o apoiou e lançou candidato próprio e ganhou a disputa. Nesta eleição, segundo colegas de partido da ala adversária, deve ter começado a torrar parte do tesouro agora descoberto. . Apesar da escaramuça local, através de Temer conseguiu ser indicado para a vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal em 2011. Dilma resistiu mas acabou cedendo à pressão de seu vice. Neste cargo, deu curso ao esquema de cobrança de propinas para a liberação de empréstimos e de recursos do FI-FGTS para empresas, conforme já relatado pelo delator Cleto Falcão e por empresários delatores, em parceria com Eduardo Cunha. Esta atuação é que foi investigada pela Cui Bono e levou à sua primeira prisão.

Deixou o cargo em 2013 para disputar o Senado em 2014 e foi derrotado por Otto Alencar, apoiado por Jacques Wagner, apesar do derrame de dinheiro na campanha. Desde então, passou a defender o rompimento do PMDB com o PT e foi um dos mais ativos conspiradores do golpe de 2016 contra Dilma. Com a posse de Temer em maio de 2016, tornou-se um dos homens mais poderosos do governo, assumindo o cargo de ministro-chefe da Secretaria de Governo. Durou seis meses no cargo. Em novembro, caiu depois que o então ministro da Cultura, Marcelo Calero, denunciou as pressões que dele sofria para que autorizasse a elevação do gabarito de um prédio na área histórica de Salvador, de 13 para 30 andares.

Temer e Geddel são unha e carne. Sua carta de demissão foi dirigida ao “fraterno amigo” que ajudou a colocar no cargo com o golpe de 2016. Seus apadrinhados continuam no governo e no Palácio. Ele tem muito a contar sobre tudo o que fizeram juntos neste anos todos. Com a delação de Lucio Funaro homologada, ele terá que oferecer mais revelações, além das que já foram feitas pelo operador do PMDB, para conseguir a delação. Tremei, palacianos. Geddel vem aí.

Tereza Cruvinel



Há 20 anos, Geddel já chantageava FHC para abafar a compra da reeleição


Preso nesta sexta-feira em Salvador, o ex-deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) é um dos corruptos mais longevos da política brasileira; há vinte anos, o Globo noticiava que ele e Michel Temer chantagearam o então presidente Fernando Henrique Cardoso para abafar investigações sobre a compra de votos para a reeleição; os peemedebistas só sossegaram quando arrancaram de FHC os ministérios dos Transportes com Eliseu Padilha e Íris Rezende

Preso nesta sexta-feira em Salvador, o ex-deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) é um dos corruptos mais longevos da política brasileira, que já havia despontado no escândalo dos anões do orçamento.

Há vinte anos, o Globo noticiava que ele e Michel Temer chantagearam o então presidente Fernando Henrique Cardoso para abafar investigações sobre a compra de votos para a reeleição.

Os peemedebistas só sossegaram quando arrancaram de FHC os ministérios dos Transportes com Eliseu Padilha e Íris Rezende.

Abaixo, texto da Reuters sobre a prisão de Geddel:

BRASÍLIA (Reuters) - O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi preso pela Polícia Federal nesta sexta-feira em Salvador e deverá ser transferido para Brasília, disse uma fonte com conhecimento do assunto.

Na semana passada a Polícia Federal apreendeu cerca de 51 milhões de reais em espécie em um apartamento na capital baiana que seria usado por Geddel, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo do presidente Michel Temer.



No dia do golpe, Geddel disse não ser bicho-papão


Pivô da maior apreensão de dinheiro sujo da história do Brasil, Geddel Vieira Lima, preso nesta manhã em Salvador (leia aqui), foi também um dos principais articuladores do golpe de 2016, que instalou Michel Temer no poder.

No dia da posse, ele disse que não poderia ser juiz da honestidade da presidente honesta e deposta Dilma Rousseff e afirmou que mantém relações próximas com Temer há mais de 30 anos.

Relembre, abaixo, alguns trechos da entrevista:

No Congresso há mais gente honesta ou desonesta?

Há honestos, desonestos, homens, mulheres, todas as crenças e convicções, é o espelho da sociedade brasileira. Como acho a maioria da sociedade é honesta, acho a maioria do Parlamento é honesta.

No primeiro governo Dilma, o senhor teve atritos com Michel Temer. Vocês se resolveram?

Minha relação com Temer é de 30 anos. Essa relação me dá absoluta liberdade de dizer o que penso. Em nenhum momento deixamos de nos falar. Ele sabe que gente como eu faz o papel que muitos deixam de fazer, que é dizer aquilo que verdadeiramente pensa e que, por vezes, alerta para alguns equívocos.

O senhor acha Dilma Rousseff uma mulher honesta?

Eu não sou juiz de honestidade, seriedade de ninguém. Julgo a gestora, isso que me cabe como eleitor. A Dilma se mostrou inepta e incapaz como gestora e absolutamente inapetente como política para ser presidente de um país com as complexidades de um país como o Brasil. A honestidade ou desonestidade dela não me cabe avaliar. Estou convencido de que ela burlou a Constituição e cometeu crime de responsabilidade fiscal e por isso está afastada pelo Senado.

O PMDB é apontado como fisiologista. Como lidar com quem for fisiologista junto ao governo?

Não concordo com essa avaliação. O PMDB ficou estigmatizado. Tem outro partidos que têm estigmas como tais. Como o PMDB muda isso? A política brasileira vive um novo momento. O início da Lava Jato é importante. Temos que mostrar que práticas vistas como normais lá atrás não é mais visto assim hoje. Rui Barbosa já dizia: "até as pedras mudam", então nós temos que mudar para que a sociedade não nos mude dessa atividade.
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História Geral da Arte — Salvador Dalí


Salvador Dalí

Salvador Dalí i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol (Figueres, 11 de maio de 1904 — Figueres, 23 de janeiro de 1989) foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica.

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Ministro Gilmar, o C Af conhece a D. Dalide

A Veja "ferrou" o Ministro Gilmar?

D. Dalide e o Ministro; D Dalide. (segunda da E para a D), a senhora Mendes, o Ministro Moreira Alves e o Ministro Gilmar Mendes
O Conversa Afiada conhece D. Dalide Barbosa Alves Corrêa desde a "CPI dos grampos", que o Conversa Afiada batizou de "CPI dos amigos do Dantas".

Porque o presidente da CPI era um financiado por Daniel Dantas, o deputado do clã do Careca, o delegado Itagiba.

Um dos acusadores mais ferozes era o então deputado Raul Jungmann, também financiado por Daniel Dantas.

(Itagiba sumiu na poeira da irrelevância. Jungmann, também: mas, quer ser governador do Rio.)

A vítima dos dois implacáveis inquisidores era o delegado Protógenes, da Operação Satiagraha.

A Satiagraha prendeu Dantas duas vezes e, mesmo depois de insofismável reportagem do jornal nacional, o Ministro Gilmar Mendes, num recesso, o soltou com dois HCs Canguru, num espaço de 48 horas!

O Conversa Afiada revelou que numa dessas sessões da tortura ao Protógenes apareceu a D. Dalide, com o crachá do STF.

Ela trabalhava no gabinete do Ministro Gilmar Mendes.

E, supostamente, supostamente, como diria a "Fel-lha", "soprava" perguntas mortíferas ao deputado Itagiba.

Veja o vídeo comprometedor:



Em busca da precisão​ histórica, o Conversa Afiada não sossegou enquanto não apurou as atribuições republicanas de D. Dalide, durante a inquisição:

Quem são as funcionárias do STF que davam instruções a Itagiba?

9/abril/2009 12:32

Duas funcionárias do STF, com crachá e tudo, tiveram papel importante ontem na sessão da CPI dos Amigos de Dantas.

Primeiro, mandavam mensagens SMS para o deputado serrista Marcelo Lunus Itagiba.

Depois, o deputado serrista se levantou da mesa que presidia e se encontrou com elas no corredor contíguo à sala da sessão.

Quem são essas funcionárias?

O que faziam lá?

Davam que instruções?

Estavam como pessoa física, ou como funcionárias do Supremo Tribunal Federal?

Se estavam como pessoa física, por que portavam crachá do STF?

O Conversa Afiada encaminhou essas perguntas ao assessor de imprensa da presidência do STF, Renato Parente, e aguarda resposta.

Paulo Henrique Amorim



Conversa Afiada insiste em conhecer a posição do STF sobre a funcionária Dalide

14/abril/2009 18:53

Diante dos comentários dos navegantes Stanley Burburinho, Placido Figueira e Rivaldo, o Conversa Afiada quer saber se a funcionária Dalide é de fato a mesma Dalide Barbosa Alves Corrêa mencionada por eles.

Encaminhamos essa pergunta à assessoria de imprensa do STF e à própria funcionária para que ela possa dar a versão dela sobre a reportagem transcrita no e-mail abaixo:

Paulo, abaixo uma matéria do JB de 2001 acusa a Sra. Dalide Alves Correia, Assessora do Gilmar Medes no STF de ter pedido propina contra a CEF quando ela era Superitendente da própria CEF.

Mais abaixo, um requerimento do Dep. Babá pedindo investigação:

* * *

Quarta-feira, 29 de Agosto de 2001


Acusação de cobrança de comissão ilegal foi registrada em cartório de Brasília e envolve funcionários do banco estatal

MAURÍCIO LIMA

BRASÍLIA - Dois depoimentos desconcertantes estão tirando o sono da diretoria da Caixa Econômica Federal (CEF). Registrados no 3° Ofício de Notas de Brasília, os depoimentos acusam o diretor Henrique Costabile e a superintendente nacional jurídica da Caixa Econômica, Dalide Alves Corrêa, de pedir propinas para aprovar o pagamento de uma ação contra a própria Caixa. Os autores da denúncia são o advogado Gerardo Gualberto Queiroz e o empresário Milton Gatti. Eles afirmam que Dalide pediu R$ 3,9 milhões de comissão e Costabile outros R$ 5 milhões.

De acordo com a denúncia, Costabile receberia a comissão através de uma firma chamada Projecon, Projetos e Consultoria, com sede em Brasília. Seu representante na empresa seria o empresário Jackson Guedes, o encarregado de receber os R$ 5 milhões. A superintendente Dalide Corrêa teria um esquema parecido. O pagamento para Dalide teria que ser feito através de Celso Renato DÁvila, advogado que já foi sócio do ex-ministro da Justiça, Maurício Corrêa.

Encontro - O pedido de propina teria acontecido no dia 12 de julho de 2000, numa casa do Lago Sul, bairro nobre de Brasília. O pedido não teria sido aceito e a negociação, abandonada. ”Essa é uma acusação leviana de quem se sentiu prejudicado porque a Caixa não quis pagar o que não deveria”, diz Dalide Corrêa, há 20 anos na Caixa.

O caso foi parar na Justiça. A ação judicial é uma intrincada questão entre a Caixa Econômica Federal e a cooperativa de garimpeiros de Serra Pelada. (…)




(Do Sr. Babá)

Solicita informações ao Ministro da Fazenda, Sr. Antônio Palocci, a respeito da nomeação do Sr. Henrique Costabile, para exercer o cargo de Diretor Presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados – SERPRO, visto que o Sr. Costabile fora denunciado por atos de corrupção em 2001 e 2002. Solicitamos informações sobre a veracidade destas denúncias, e quais os critérios escolhidos para realizar essa nomeação.

(…)

JUSTIFICATIVA

No Jornal do Brasil Online, Caderno de Economia, do dia 29 de Agosto de 2001, consta um denúncia contra o recém nomeado Diretor Presidente do SERPRO, Henrique Costabile. “Dois depoimentos desconcertantes estão tirando o sono da diretoria da Caixa Econômica Federal (CEF). Registrados no 3° Oficio de Notas de Brasília, os depoimentos acusam o diretor Henrique Costabile e a superintendente nacional jurídica da Caixa Econômica, Dalide Alves Corrêa, de pedir propinas para aprovar o pagamento de uma ação contra a própria Caixa. Os autores da denúncia são o advogado Gerardo Gualberto Queiroz e o empresário Milton Gatti. Eles afirmam que Daliede pediu R$ 3,9 milhões de comissão e Costábile outros R$ 5 milhões” afirma o Jornal do Brasil, em parte de uma extensa nota sobre o tema.

Esta denúncia, reproduzida pela FOLHA BANCÁRIA de setembro de 2001, voltou à tona quando a Assembléia Legislativa do Estado do Pará (notícia da Agência Fenae) “encaminhou correspondência a Emílio Carazzai, presidente da Caixa, em outubro do ano passado, com pedido para que seja feita rigorosa apuração das denúncias de corrupção envolvendo o diretor de Tecnologia, Materiais e Retaguarda de Agências da Caixa, Henrique Costábile, e a superintendente jurídica da empresa, Dalide Alves Corrêa”.

(…)

Sala de Sessões, de Junho de 2003.

Deputado Babá PT/PA



Comentário meu – Stanley:

Para se pensar:

1 - Lembram que tinha uma mulher com os advogados do Dantas em um restaurante de Brasília?

2 – Se tudo se confirmar, já dá para se desconfiar onde foi feito o Power Point do Itagiba?

Abs
Stanley Burburinho.



Como foi o diálogo de Itagiba com a funcionária do Supremo

14/abril/2009 20:05

Dialogo com uma testemunha do encontro do presidente da CPI dos Amigos de Dantas, o deputado serrista Marcelo Lunus Itagiba, com uma funcionária do Supremo Tribunal Federal:

- Ela estava com o crachá do Supremo?
- Eu olhei, achei aquilo esquisito. Perguntei: ‘quem é essa mulher?’ Aí, me disseram: ‘É uma mulher do Supremo”. Cheguei mais perto e vi: ela estava mesmo de crachá.
- Ela tinha com ela outra pessoa com o crachá do Supremo?
- Não pude ver. Do meu ângulo, só dava para ver ela e o Itagiba.
- Onde foi isso?
- Do lado de fora da sala da sessão. Perto do banheiro, das escadas. Estava vazio, eles puderam conversar à vontade.
- Quem falava, ele ou ela?
- Ela. Ele ouvia mais do que falava.
- E o que ela dizia pra ele?
- Aperta, faz pressão.
- Sobre quem? Sobre o Protógenes ou foi quando o Protógenes falou do De Sanctis?
- Não, era para fazer pressão sobre o Protógenes. - E o que mais ela dizia?
- Aperta que ele vai acabar cedendo.
- Quanto tempo durou a conversa?
- Uns cinco, seis minutos.
- E quando acabou a conversa?
- Eles voltaram lá para dentro.
- E ela ficou quieta?
- Não, ela mandou perguntas para ele com o celular.
- E ele fez as perguntas que ela mandou?
- Ah, isso eu não sei.

Paulo Henrique Amorim



Exmo Sr Ministro do STF: o sr. mandou uma funcionária dar instrução ao Itagiba?

15/abril/2009 14:21

O Conversa Afiada não consegue obter da assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal uma informação sobre a funcionária do Supremo, com crachá, que assistiu ao depoimento do ínclito delegado Protógenes Queiroz na CPI dos Grampos e deu instruções ao presidente da CPI, o deputado serrista Marcelo Lunus Itagiba.

Diante disso, com o intuito de esclarecer os amigos navegantes deste portal, enviamos a cada um dos ministros do Supremo um e-mail com a pergunta:

Foi o senhor quem mandou uma funcionária do Supremo à CPI dos Grampos dar instruções ao presidente da dita CPI?

Atenciosamente,
Paulo Henrique Amorim

Veja os ministros que receberam o e-mail do Conversa Afiada e seus respectivos endereços eletrônicos:

Gilmar Mendes - mgilmar@stf.gov.br
Celso de Mello - mcelso@stf.gov.br
Marco Aurélio de Mello - marcoaurelio@stf.gov.br
Cezar Peluso - carlak@stf.gov.br
Carlos Ayres Britto - gcarlosbritto@stf.gov.br
Joaquim Barbosa - gabminjoaquim@stf.gov.br
Eros Grau - gaberosgrau@stf.gov.br
Ricardo Levandowski - gabinete-lewandowski@stf.gov.br
Carmen Lúcia - anavt@stf.gov.br
Menezes Direito - alexandrew@stf.gov.br
Ellen Gracie - ellengracie@stf.gov.br



Apareceu a funcionária com crachá do Supremo e que foi à CPI dos Grampos

24/abril/2009 11:44

Uma simpática amiga navegante enviou ao Conversa Afiada as imagens da funcionária do Supremo, com crachá do Supremo, que passava SMSs ao presidente da CPI dos Grampos (o deputado serrista Marcelo Lunus Itagiba) e, depois, lhe deu instruções numa conversa no corredor.

. Ela dizia assim ao Itagiba: aperta ele, aperta que ele cede.
. Ele é o Protógenes.
. Está lá a funcionária do “aperta ele”.
. É loura.
. Passa um SMS.
. E tem o crachá do Supremo.
. Aparentemente, no crachá, aparece o nome 'Dalide', que coincide com o de uma funcionária do Supremo para assuntos parlamentares.
. Pergunta-se, de novo?
. Quem mandou ela lá?
. Para fazer o quê?
. Foi em missão oficial?
. Ou foi em caráter pessoal, mas com crachá do Supremo?
. O Conversa Afiada vai, de novo, submeter essas perguntas pueris à assessoria de imprensa do Supremo.
. Antes, uma funcionária da dita assessoria disse, no telefone, que o Supremo não mandou ninguém lá.
. Mas, se recusou a dar essa informação por escrito.
. O Conversa Afiada vai repetir aos outros ministros (o Ministro Ayres Brito já respondeu que ele não mandou nenhum funcionário ao Supremo) a mesma pergunta: foi o senhor quem mandou essa funcionária loura, de nome, aparentemente Dalide, à CPI dos Grampos?
. O senhor considera uma manifestação de “compostura” mandar uma funcionária do Supremo para passar informações e instruções ao presidente de uma CPI?



Nessa histórica sexta-feira 8/set/2017, a insuspeita Veja, o detrito sólido de maré baixa, traz de novo a D. Dalide ao noticiário.

O Conversa Afiada, de novo, se restringe a buscar a precisão e ​a acuidade dos fatos, sem qualquer julgamento de valor.

À Veja:



O que a JBS não contou

Mensagens de WhatsApp obtidas por VEJA sugerem que a JBS negociava sentenças - e uma testemunha acusa a empresa de tentar subornar juízes de tribunais superiores em Brasília

RODRIGO RANGEL E DANIEL PEREIRA

No fim da tarde de quarta-feira, na véspera do feriado da Independência, o Ministério Público Federal recebeu mais uma bomba em seu setor de protocolo: centenas de documentos, na forma de áudios, e-mails e mensagens de WhatsApp, que sugerem que a JBS, ao contrário do que contou em sua delação, tentou, de maneira sistemática, comprar decisões em tribunais superiores em Brasília. São dezenas de conversas mantidas entre o diretor jurídico da JBS, Francisco de Assis e Silva, e uma advogada que trabalha para a empresa, Renata Gerusa Prado de Araújo. Na troca de mensagens, os dois traçam estratégias para obter decisões favoráveis a empresas do grupo - seja por meio de ''pagamentos em espécie'', como eles próprios definem, seja por meio de tráfico de influência - em processos sob relatoria de uma desembargadora federal, Maria do Carmo Cardoso, que vem a ser a mãe da própria Renata, e de pelo menos três ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ): Napoleão Maia, Mauro Campbell e João Otávio Noronha. Francisco e Renata também conversam sobre arestas que deveriam ser aparadas com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, a voz mais ativa contra o que considera abusos nas investigações da Lava-Jato (leia os diálogos ao longo das páginas desta reportagem).

Em sua delação, Francisco recusou-se a entregar aos investigadores a senha que daria acesso às mensagens em seu celular. Sob a alegação de que havia ali conversas entre advogado e cliente, cujo sigilo tem cobertura legal, Francisco obteve uma decisão judicial que impediu os investigadores de acessar o conteúdo do aparelho. Quem levou o acervo ao Ministério Público foi o empresário Pedro Bettim Jacobi, ex-marido da advogada Renata Araújo, que está num processo litigioso de separação. Ele forneceu aos procuradores dados do celular e de um HD da ex-mulher que considerava comprometedores. ''Eles tinham uma relação criminosa, antiga e ramificada, que visava à compra de decisões'', disse Jacobi a VEJA.

A advogada Renata Araújo não faz parte do primeiro time da advocacia nacional. Pelo contrário, toca um escritório acanhado em Brasília que, a não ser pelos contatos privilegiados nos gabinetes dos tribunais, em nada se assemelha às grandes bancas acostumadas a trabalhar com processos multimilionários que tramitam na capital. Sua especialidade, diz seu ex-marido, é ''atuar nos bastidores''. Nos e-mails e mensagens trocados com Francisco, fica claro que Renata raramente faz sustentação oral nos julgamentos ou produz peças jurídicas para a empresa.

Sua função é procurar quem decide e apresentar o que, no meio jurídico, se conhece como ''embargos auriculares''. Uma tarefa relativamente facilitada pelas suas amizades. Ela cresceu em meio a famílias de expoentes dos tribunais brasilienses, amigos de sua mãe, Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1 ª Região. Recentemente, a desembargadora ofereceu um jantar do qual participaram, entre outros, Gilmar Mendes e Raquel Dodge, a futura procuradora-geral da República. Renata, é claro, estava entre os convivas.

Embora as mensagens e áudios não incluam diálogos com os próprios magistrados, nem tragam indícios definitivos de que receberam ou deixaram de receber os valores mencionados, sobram evidências de que a JBS tentava fazer valer no Judiciário as mesmas táticas agressivas - e clandestinas - que usava para obter facilidades no meio político. O assédio aos ministros, seja diretamente, seja por meio de interlocutores próximos, é uma prática recorrente. Em um dos casos cujo desenrolar é descrito em minúcias nas mensagens, aparece o ministro Napoleão Maia. No STJ, Napoleão Maia era o relator de recursos da JBS contra uma decisão da Justiça de Mato Grosso que bloqueou 73 milhões de reais das contas do grupo e de um de seus diretores. O bloqueio havia sido determinado após a descoberta de um acerto firmado à base de propina com o governo de Mato Grosso, que concedeu benefícios fiscais milionários ao frigorífico. Nas conversas com Francisco, Renata se gaba de ser muito próxima de Napoleão - e ambos planejam usar essa proximidade para conseguir o que queriam.

Ela combina jantares com o ministro, com quem costumava trocar e-mails elogiosos (em um deles, após receber uma foto da advogada, Napoleão envia um poema que tinha acabado de escrever para ela). Com as idas e vindas do processo e a demora da decisão, Francisco se mostra irritado. ''Ele (Napoleão Maia) quer participação nos honorários'', escreve o diretor da JBS, sem que se saiba se é uma informação ou uma dedução. Na sequência, ele ataca o ministro - ''roleiro'' - e explica o significado da expressão: ''Sujeito que faz rolo. Pede dinheiro para fazer as coisas''. Procurado por VEJA, Francisco amenizou a acusação. Disse que falara da boca para fora. ''É coisa da minha cabeça'', afirmou. Nesse processo, a JBS conseguiu pelo menos uma decisão favorável do ministro. Ainda em 2015, ele autorizou o desbloqueio das contas de um executivo da empresa, mas outros pleitos não foram atendidos. Por sua assessoria, o ministro Napoleão Maia disse que recebeu Renata Araújo para tratar de um processo da JBS em que ela tinha procuração para atuar.

Em outro caso, Francisco diz que precisava com urgência de uma liminar em um processo a cargo do ministro Mauro Campbell, também do STJ. À pergunta do chefe sobre suas ligações com o gabinete do ministro, Renata responde que conhece Campbell ''muuuuito bem''. Ela e Francisco, então, combinam a estratégia. Renata menciona uma reunião com um interlocutor não identificado que os ajudaria a resolver o processo ao custo de 1, 5 milhão de reais. Mais adiante, os dois se referem a um certo ''Dudu'', que cuidaria de tudo. Um mês depois, Francisco avisa Renata: ''Dudu falhou. Não saiu a cautelar''. A advogada fica indignada: ''Fdp. Ele não pode se comprometer comigo e fazer isso''. ''Prejuízo'', acrescenta Francisco.

O ministro Campbell negara o pedido da JBS. A VEJA, Campbell afirmou já ter frequentado a casa da mãe de Renata, mas ressaltou que não recebeu a advogada em audiência antes de prof e rir sua decisão. Além de ''Dudu'', há menções nas mensagens a outros nomes de intermediários, inclusive de funcionários do STJ que vendem facilidades nos processos. Um deles, identificado como William, afirma não ver a hora de a parceria com Renata render os frutos esperados: ''Precisando de $$$'', escreve. Em outra ação de interesse da JBS, contra a massa falida do Banco Santos, Renata diz a Francisco que queria contar com os préstimos de uma amiga, a advogada Anna Carolina Noronha, chamada por ela de Ninna, e discute os valores do serviço. Ninna é filha do então relator do processo, o ministro João Otávio Noronha, atual corregedor nacional de Justiça. Apesar das movimentações da dupla Renata-Francisco, a decisão não saiu conforme queria o diretor da JBS. O ministro Noronha negou o pedido em abril de 2016.

A VEJA, Noronha disse conhecer a advogada, mas negou ter ciência de qualquer ''parceria'' entre ela e sua filha. ''A Ninna tem os processos dela e não se mete com a Renata'', disse o ministro. Em maio deste ano, logo depois de a delação premiada da JBS ganhar a praça pública, Renata se movimentou para tentar ''apaziguar'' um problema que, segundo ela, estava inquietando alguns de seus parceiros na cúpula do Judiciário. O temor era que Francisco e os irmãos Batista tivessem contado assuntos relacionados aos tribunais. Em uma conversa gravada por seu ex-marido, à qual VEJA também teve acesso, Renata relata um pedido feito à mãe dela por Dalide Corrêa, então braço-direito do ministro Gilmar Mendes, para que procurasse a JBS. Dalide estaria preocupada com a possibilidade de a delação implicá-la e também ao ministro Gilmar. Sem dar detalhes, Renata menciona mensagens de conteúdo supostamente comprometedor trocadas entre Dalide e Francisco por meio de um aplicativo de celular. Francisco, àquela altura já alçado à condição de delator, havia copiado essas mensagens - e Dalide temia que fossem entregues à Procuradoria. ''A Dalide ferrou o Gilmar'', diz a advogada, gabando-se de que a partir dali funcionaria como um canal avançado entre os delatores da JBS e integrantes do Judiciário. E, claro, cobraria caro por isso. Procurada, Dalide Corrêa admitiu que conhecia pessoalmente Francisco e Joesley e reconheceu que o diretor da JBS, com quem negociava patrocínios para o instituto privado do ministro Gilmar Mendes, guardou conversas travadas com ela. Negou, porém, ter pedido à advogada que procurasse a cúpula da empresa para ''apaziguar'' a relação. O ministro Gilmar Mendes disse que nem sequer conhece Renata Araújo.

Renata e Francisco não são neófitos em suspeitas que envolvem o mercado paralelo dos tribunais. A advogada é investigada em um inquérito em curso no STF por participação na compra de um habeas-corpus concedido pelo ministro Sebastião Reis, do STJ, a um acusado de roubo de cargas. Também estão sob investigação o próprio Reis e uma irmã da advogada, Lenisa, que à época do episódio trabalhava no gabinete do ministro. Assim como Renata, Francisco tem antecedentes pouco ortodoxos na área. Em junho, VEJA revelou que, no início deste ano, ele se reuniu em um hangar do Aeroporto de Congonhas com advogados para discutir a compra de sentenças de um juiz federal de Brasília responsável por processos que investigam a JBS. No encontro, segundo os advogados, Francisco ofereceu 80 milhões de reais. Ele nega e diz que a proposta indecorosa partiu dos advogados. A VEJA, Renata se recusou a informar em quais processos atua para a holding da JBS, alegando sigilo profissional, disse conhecer pessoalmente os ministros Napoleão Maia e João Otávio Noronha e negou a acusação de que mercadeja sentenças judiciais, classificando-a de ''leviana''. Sobre seu ex-marido, autor da representação ao MP, ela declarou: ''Há um inquérito que apura crimes graves cometidos por essa pessoa''.

Só uma apuração detalhada do material agora em poder do Ministério Público poderá esclarecer se as maquinações da JBS resultaram em compra de sentença e pagamento de suborno, pois os detalhes ainda são obscuros. Mas o conjunto das mensagens evidencia que a JBS tinha segredos na sua relação com o Judiciário que não foram nem mencionados pelos delatores. E mais um argumento para cancelar os benefícios da delação.



''PAGAMENTO EM ESPECIE''
MINISTRO MAURO CAMPBELL

Neste diálogo, Francisco de Assis, diretor da JBS, aciona a advogada Renata Araújo para obter uma liminar com o ministro Mauro Campbell, do STJ. Seis dias depois, Renata menciona o acerto feito com um interlocutor não identificado: 500 000 reais para a medida cautelar (MC) e 1 milhão de reais para o recurso especial (Resp). O interlocutor teria pedido que o valor fosse pago na forma de "honorários" à própria advogada, que depois o repassaria. A irregularidade está na forma de remuneração: "agamento em espécie". O ministro Mauro Campbell negou o pedido da JBS.




''PRECISO DA PROPOSTA DA NINNA''
MINISTRO JOÃO OTÁVIO NORONHA

Neste diálogo, o diretor da JBS pede ajuda à advogada Renata Araújo para tratar de um litígio com o finado Banco Santos. O relator do caso era João Otávio Noronha, do STJ. O dado grave está no fato de que a advogada articula a contratação da filha do ministro, Anna Carolina Noronha, "Ninna", por um pró-labore e 1% em caso de êxito. O diálogo não esclarece se "Ninna" aceitou a tarefa. Quatro meses depois, o ministro negou o pedido da JBS. O processo foi redistribuído.





"O QUE É ROLEIRO?"
MINISTRO NAPOLEÃO MAIA

Aqui, a advogada Renata trata com o diretor da JBS de um processo a cargo do ministro Napoleão Maia, do STJ, com quem demonstra ter alguma intimidade. Oito dias depois, o diretor da JBS parece discutir com a advogada sobre pagamento e diz que Maia "quer participação nos honorários". Ele conclui dizendo que o ministro é um "raleiro" e explica: "Faz rolo. Pede dinheiro para fazer as coisas". Mas não dá nenhum elemento que confirme sua avaliação.




''A DALIDE FERROU O GILMAR''
GILMAR MENDES

Em conversa gravada por seu então marido, Pedro Bettim Jacobi, a advogada Renata Araújo relata os apelos que diz ter recebido de Dalide Corrêa, à época braço-direito do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), assim que veio a público a delação da JBS. No diálogo, fica a impressão de que Dalide queria evitar a divulgação de algo supostamente comprometedor para ela e para o ministro. Renata, por sua vez, diz que vai tirar proveito da situação para extrair mais dinheiro da JBS.




''MEDO E SER ASSASSINADO''
FRANCISCO DE ASSIS

Às vésperas do anúncio da delação da JBS, o diretor da empresa avisa à advogada Renata Araújo que o cerco policial está se fechando sobre ele. E pede que ela elimine um misterioso "item 4", que nenhum dos dois explica o que é. Em seguida, o diretor da JBS conta que está com medo de ser assassinado e mandou a família para os EUA.




"'PICANHAS' E DINHEIRO EM CASH"

Durante um ano o empresário Pedro Bettim Jacobi, de 40 anos, administrou o escritório de advocacia da ex-mulher, Renata Araújo. Sem experiência na área jurídica, ele diz que cuidava das contas e dos contratos da empresa, uma banca pouco conhecida, sediada em um prédio modesto na região central de Brasília. Aos poucos, conta, foi percebendo que havia algo estranho nas atividades do escritório. Especialmente quando o assunto era dinheiro - e quando sua ex-mulher, filha de uma desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, se movia para obter decisões nas cortes da capital. Jacobi diz que, embora pequeno, o escritório reunia clientes de peso, como o gigante JBS, e costumava realizar transações financeiras vultosas, muitas vezes em dinheiro vivo.

A parceria do casal acabou com o fim do casamento, em junho deste ano. Desde então, os dois travam uma renhida disputa judicial. Na separação, Jacobi ficou com mais de 1 terabyte de arquivos que conteriam provas cabais das tais atividades ilícitas da banca. São cópias de contratos, movimentações bancárias, gravações e mensagens trocadas entre Renata Araújo e seus clientes. O material, entregue à procuradoria e ao qual VEJA teve acesso, está no centro da pendenga. Ela diz que ele roubou os arquivos. Ele diz que foi ela que, bem antes da separação, temendo virar alvo da Lava-Jato, lhe entregou um disco rígido com todos os registros para que fosse guardado em lugar seguro.

Na entrevista a seguir, Jacobi acusa a ex-mulher de comprar decisões judiciais para a JBS e afirma que, a partir do acordo de colaboração premiada firmado pelos executivos da companhia, ela passou a atuar nos bastidores para garantir que as excelências com quem costumava lidar não fossem delatadas.

VEJA: Por que o senhor decidiu trazer essa história a público?

Essas informações foram entregues a mim em um HD, em março ou abril, pela própria Renata. Ela queria que eu escondesse o material por medo da LavaJato. Eu guardei o HD. Depois de um tempo, fiz cópia das informações e dei uma olhada no que tinha lá. Vi que realmente aparentavam ser indícios de muitos crimes.

VEJA: Quais indícios?

Havia muito pagamento em dinheiro. Em muitas ocasiões, Renata atuava sem contrato. Ela fazia lobby. E, às vezes, alguns lobbies com processos que estavam com a mãe dela ou com conhecidos, inclusive em tribunais superiores. Ela tinha relação com os filhos de ministros também. Era esse o meio em que ela vivia.

VEJA: Quando o senhor fala que Renata fazia lobby, o que isso significa exatamente?

Ela negocia decisões. Pelos indícios que entreguei ao Ministério Público, fica claro que ela vendia decisões ou tinha o caminho para obtê-las, contatando o próprio ministro ou pessoas próximas. As mensagens com o diretor da JBS mostram que os dois estão acertando a compra de decisões iudiciais, mencionando nomes de ministros do STJ, valores e estratégias para que os ministros escolhidos e seus prepostos recebessem as propinas e votassem favoravelmente os processos de interesse da JBS. Eles tinham uma relação criminosa, antiga e ramificada, que visava à compra de decisões.

VEJA: O senhor tem provas de que ela repassava parte do dinheiro a ministros dos tribunais?

Ela me dizia que repassava, as mensagens deixam isso claro, mas não sei dizer quem recebia.

VEJA: Como se dava isso?

Houve várias operações. Em alguns casos, ela conseguia as decisões por meio de troca de favores, prática muito comum entre filhos de ministros e de desembargadores em Brasília. Uns aiudam aos outros. Em outros casos, era com dinheiro. Muitas vezes, dinheiro em cash. Saía a decisão e, depois de um tempo, o dinheiro era creditado na conta. Aí, usavam os funcionários do escritório, como a secretária e o motorista, para sacar e entregar o dinheiro.

VEJA: Que tipo de serviço ela prestava para a JBS?

Era lobby, compra de decisão.

VEJA: No período em que o senhor diz ter participado das atividades do escritório, quanto foi pago pela JBS?

Acredito que entre 3 milhões e 4 milhões de reais no período de um ano, por dentro e por fora. Mas Renata tinha um saldo muito grande para acertar, de 22 milhões de reais, com a JBS.

VEJA: Quais são as evidências de que ela era o contato informal da JBS com ministros de tribunais superiores em Brasília?

Os arquivos mostram isso. Toda vez que precisavam de alguma coisa, ligavam. Depois da delação premiada da JBS, ela foi acionada para aparar arestas com o Judiciário. Ministros temiam que a JBS tivesse incluído o Judiciário na delação. E aí ela passa a ver a oportunidade de atuar como elo nesse processo pós-delação. Queria ganhar mais dinheiro com isso, e aproveitar para receber os 22 milhões de reais que a JBS lhe devia, de processos anteriores em que ela já tinha feito o lobby e ainda não tinha recebido.

VEJA: O senhor pode citar um exemplo de atuação nesse período pós-delação?

A Dalide (Dalide Barbosa Alves Corrêa, até recentemente braço direito do ministro Gilmar Mendes) entrou em contato com a Maria do Carmo, mãe da Renata, e marcou uma reunião para dizer que estava muito preocupada porque o Francisco, da JBS, tinha o registro de uma conversa com ela. Nessa conversa, ocorrida depois da delação, havia algo muito comprometedor não só para a própria Dalide, como também para o ministro Gilmar Mendes.

VEJA: O senhor disse que Renata e o diretor da JBS usavam o termo ''picanhas'' para falar de propina. Como sabe disso?

A Renata comentou que, no fim do ano, normalmente a JBS mandava um avião a Brasília trazendo "picanhas". Eu falei: ''Picanha?". Ela falou: "É dinheiro". Trazem dinheiro para entregar como presente. Entregavam para o pessoal. Ela falou que normalmente era 1 milhão de reais. Palavras da Renata. Parece óbvio. É muito difícil de acreditar que, nessas circunstâncias, em que são discutidos nomes de ministros, pagamentos, propinas, a JBS se disporia a usar um jato particular para levar uma picanha de 50 reais como agradecimento de um favor.
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