6 de set. de 2017

A vida dos norte-coreanos que os meios de comunicação não mostram

Consultor Internacional visitou recentemente o país e desconstrói imagem produzida pela mídia

"Pudessem, os coreanos prefeririam investir os escassos recursos do país em setores produtivos", afirma Ferreira.
Rafael Stedile
Muito se ouve falar e pouco se conhece sobre a Coreia do Norte. O país é constantemente apresentado pela maior parte dos meios de comunicação no Brasil enquanto uma ditadura belicista sob o comando de Kim Jong-Un, a quem costumam caçoar por conta de seus penteados e vestimentas, e supostamente responsável por manter um povo faminto e oprimido. 

No entanto, o relato realizado ao Brasil de Fato pelo consultor em Relações Internacionais, Rodrigo Ferreira, retrata uma outra realidade pouco conhecida pelos brasileiros do povo norte-coreano. Ferreira esteve no país no final de julho junto a uma delegação da Via Campesina (organização que aglutina um conjunto de movimentos populares do campo) e apresenta suas impressões sobre um país extremamente estigmatizado pelos meios de comunicação. Confira: 

Você esteve numa delegação em recente visita à República Democrática Popular da Coreia. Qual foi o objetivo de sua visita

Fomos a convite da Embaixada da Coreia em Brasília, em articulação com o Ministério do Comércio da Coreia e com a Associação Coreana de Ciências Sociais. O objetivo era a promoção dos laços comerciais (o Brasil é o oitavo parceiro comercial da Coreia), sobretudo em tempos de ampliação das sanções impostas ao país, pelas Nações Unidas, em decorrência do programa de desenvolvimento e testes dos mísseis balísticos intercontinentais.

Em paralelo, buscamos também uma melhor compreensão da realidade coreana, independente da visão filtrada pelos grandes meios de comunicação, com o objetivo de trazer esta realidade à militância brasileira e latino-americana, por relatos como este e pelas lentes do fotógrafo Rafael Almeida, que acompanhou a viagem.

No ocidente, todos os dias saem noticias de uma provável guerra entre a Coreia e os Estados Unidos. Como vocês viram o clima no país, nas cidades, entre a população em geral? Eles querem guerrear mesmo?

A visão que se tem no ocidente, de um estado beligerante, principalmente a partir da adoção explícita da política de Songun (priorização do setor militar) é bastante parcial. Não se comenta, ao menos suficientemente, que se trata de um território estratégico cobiçado pelos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, sobretudo pela sua capacidade de fechar o cerco à China, somando-se a bases já estabelecidas no Japão, Coreia do Sul, Guam, Taiwan, Singapura, para citar apenas algumas.

Não tivesse a liderança coreana tomado este rumo, é muito possível que encontrassem a mesma sorte de Hussein e Gadaffi, mencionando somente exemplos mais recentes de governos que não se submeteram à hegemonia americana. Em geral, a população vê o Songun e o programa nuclear como única forma de defesa possível, e não de ataque. Pudessem, prefeririam investir os escassos recursos do país em setores produtivos, mas não lhes é dada esta opção quando há dezenas de ogivas estacionadas ao outro lado da fronteira, pronto a serem disparadas.

Em uma conversa bastante aberta, em um momento de descontração em um jantar, nos foi dito que o povo coreano deseja a paz e a reunificação do país, tanto é que abominam a expressão "Coreia do Norte", pois se consideram uma só Coreia, e que tentou por muitas vezes construí-la, mas que a revolução surgiu exatamente em razão da liberação do país, e que todo coreano está disposto a dar a vida para não cair novamente em subjugação estrangeira, seja do Japão como no passado, ou agora dos Estados unidos.

Quais foram tuas impressões sobre as condições de vida da população?

A primeira impressão que se tem ao chegar é a de que o lugar parou no tempo, em algum momento nos anos 70. Os carros são modernos (em geral modelos chineses) e há alguns prédios de arquitetura mais recente, mas a impressão do todo é de certo anacronismo estético. E este é um ponto central da contrapropaganda, sobretudo na Coreia do Sul, para associá-los a um atraso econômico.

Vencida esta impressão inicial, no entanto, é importante notar que há mais dignidade na vida da população, inclusive rural, que na maioria dos países, inclusive economias centrais, hoje em crise. As cidades são limpas e o coisa pública é muito bem cuidada; com todas as limitações de recursos, os serviços básicos são gratuitos e de acesso universal; e até mesmo o problema urbano mais comum, acesso a moradia, é inexistente. Ao casar, todos recebem do governo uma residência que pode não ser luxuosa, mas é sem dúvida digna.

É preciso que se diga, boa parte da visitação, e isso ficou bastante claro, foi a hospitais modelo, escolas modelo, orfanatos modelo, que certamente ilustram onde a Coreia gostaria de chegar, mas não é a realidade de todo o país. Em dado momento, no entanto, pedimos para parar o carro em uma pequena comunidade rural, à nossa escolha, a cerca de 200 km de Pyongyang, e não há dúvidas de que o que vimos estava bem além das condições de moradia em nosso meio rural não organizado e na quase totalidade da periferia de nossas cidades.

Pudemos constatar que não há, diferentemente do que se prega na contrapropaganda ocidental, um problema grave estrutural de fome e desabastecimento. Se houve logo após do desmembramento soviético ou em decorrência de grandes cheias no meado dos anos 90, hoje estes problemas parecem estar superados, ao menos nas regiões visitadas.

Quais são os principais problemas que eles enfrentam, e qual é a aspiração da maioria da população?

O maior problema é que a autorresiliência, em um mundo globalizado, é quase impossível. Gostariam muito de não ser ameaçados, de reunificar o país por meio de um processo de paz, mas todas as vezes em que se avançou nesse sentido o processo foi sabotado pelos Estados Unidos. Não apenas isso, as sanções impostas ao país, em resposta à única alternativa que lhes é dada de resguardo à soberania nacional, são sanções desumanas. Não levam em consideração a crise humanitária que causam. Não há distinção, por exemplo, se determinada limitação a importação de ferro se refere a ligas para a fabricação de mísseis ou do conteúdo de um medicamento ou equipamento hospitalar. Isso é cruel, pois atinge diretamente a população civil apenas.

Ainda, o país tem grandes desafios em passar sua opinião ao ocidente e contrapor acusações genéricas de violações a direitos humanos. Não importa quantos vídeos de tortura aparecerem ou quantas denuncias surgirem de prisões ilegais, inclusive de menores, praticadas no ocidente, a mídia ocidental sempre dará mais destaques a denúncias contra países como a Coreia do Norte, ainda quando desacompanhada de evidências. Vencer este tipo de ataque ideológico é um grande desafio ao país.

Aqui no ocidente sempre se coloca como folclore o comportamento do presidente da Coreia e também se diz que o povo tem verdadeira adoração pelos seus dirigentes. Como você explica ou viu esse fenômeno?

A relação entre o povo e seu representante é bem diferente da nossa, nas democracias ocidentais. A adoração à liderança não é nem uma particularidade de governos de esquerda, ou da Coreia,  como faz pensar a propaganda ocidental, nem do oriente. Ainda que  se encontra no Oriente vários outros exemplos de verdadeira adoração às autoridades imperiais, como no próprio Japão, na Tailândia, etc. No ocidente, o nazismo é outro exemplo disso. Mas o culto à imagem, sobretudo de líderes em vida, toma sem dúvida proporções ainda maiores em sociedades de base confucionista, onde há uma personificação do Estado, na figura de seu líder. A relação entre governantes e governados é uma das cinco relações principais do confucionismo. Enquanto a revolução burguesa representou também uma insurreição contra a figura do monarca absolutista no ocidente, o Juche não só é uma ideologia de autoria atribuída individualmente à liderança, como prega abertamente a confusão entre Estado, Partido e Líder.

A expressão mais clara, talvez, seja o exagerado número de estátuas, fotos e nos broches que todos carregam ao peito. Há um uma adoração à imagem que talvez não encontre paralelo em outra lugar ou tempo. Um tema interessante de debate é a contradição disso com a construção do material pelo coletivo, no marxismo.

Você acha  que a população quer a reunificação com o sul? Por quê?

A paz e a reunificação, como dito, foi sempre um sonho coreano. Em um resumo rápido sobre o processo histórico, a primeira iniciativa se deu a partir do norte, em 4 de julho e 1972, quando se assinou o programa de Paz, Independência e Reunificação. Para o norte, o término do conflito estaria condicionado a estes três fatores, o que a pressão americana sobre o governo no sul nunca permitiu que fosse possível. Veja, a questão independência propunha inclusive o respeito à diferença entre os dois regimes, em um projeto de reunificação aos moldes do modelo adotado posteriormente pela China, na reanexação de Hong Kong, de um país, dois sistemas.

Em 15 de julho de 2000, houve o primeiro encontro pós-guerra dos dois chefes de Estado, na Zona Desmilitarizada em Panmunjom, inclusive com a criação de um parque industrial conjunto (hoje desativado) e, em 4 de dezembro de 2007, a primeira visita de um presidente do sul a Pyongyang. Ocorre, a cada tentativa histórica de reaproximação, há sempre uma intervenção americana massiva no processo eleitoral para impor um governo nacionalista e conservador ao sul que boicotasse o processo.

Vale lembrar, não só a presença militar americana na Coreia do Sul  com mais de 300 mil soldados, já seria motivo suficiente para a gravidade da situação geopolítica. Mas também entre no jogo a disputa com outras potências como a China e a Rússia.

Você poderia destacar algum fato pitoresco que lhe chamou atenção na sua visita, e que possa interessar a militância do Brasil e da América Latina?

Há muitos. O sistema de tomadas de decisões coletivas por voto e até a palavra voto eram desconhecidos de uma representante do governo responsável por nossos cuidados. Em outra ocasião, ao perguntá-la o que ouvia ao fone de ouvido, mencionou que era uma música relacionada ao amor materno. Ficamos admirados, depois de tantos dias de viagem, onde todas as referências artísticas eram relacionadas à doutrinação, eis que ela emenda: “…amor de mãe, ou seja, o Partido.”

Aliás, essa onipresença da propaganda e construção ideológica é algo que impressiona. É difícil criticá-los quando o mundo ocidental desenvolveu formas tão sofisticadas de dominação cultural, mas ao mesmo tempo me questiono qual seria a opinião de Paulo Freire sobre ilustrações infantis de tanques e ogivas nucleares em jardim de infância.

Um ponto importante à nossa militância, a política isolacionista fez com que a mentalidade em relação a determinados assuntos seja comparável à nossa média nos anos 50/60. Isso se percebe sobretudo na defesa de interesses de minorias, como é o caso de assuntos relacionados a questões de gênero. Ao tratar de feminismo ou homossexualismo, por exemplo, não há muita diferença entre conversar com um coreano ou um conservador brasileiro.

Se por um lado houve grandes avanços em freiar individualismos e restabelecer o coletivo perdido com a revolução burguesa, isso se deu ao preço de absolutamente se ignorar os direitos das minorias e não a partir da construção de uma "unidade na diversidade", utilizando de um termo de nosso querido Houtart. Não houve, sequer minimamente, uma preocupação em superar o caráter extremamente patriarcal da sociedade coreana.

A Coreia já participou da Copa do Mundo de futebol no Brasil e parece que estão bem na classificação do grupo da Ásia. O futebol é também muito popular por lá? Eles ficaram perguntando de nosso futebol brasileiro?

Durante a nossa estada, a Coreia acabou se classificando para a Copa Asiática Sub-23, após ganhar contra Hong Kong, Taiwan e Laos. O futebol é o segundo esporte mais admirado no país, perdendo apenas para o vôlei. Há um campeonato nacional e escolas de ensino primário e secundário que, ao mesmo tempo, são preparatórias de jogadores, e pudemos visitar uma delas. A relação entre o esporte e o espectador, no entanto, parece diferente da nossa. No campeonato Sub-23, por exemplo, toda a torcida era de jovens universitários, saídos há poucos minutos de suas classes. Nos pareceu mais uma forma de promoção da identidade nacional e do patriotismo que uma relação expontânea com a torcida. 

A admiração pelo futebol brasileiro é uma unanimidade. Há, no entanto, menos programas de intercâmbio com clubes brasileiros do que com europeus, o que eles gostariam de melhorar.

Luiz Felipe Albuquerque
No Brasil de Fato
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Renato Rovai entrevista ex-presidente Lula


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“Janot meteu os pés pelas mãos”

Os erros que podem anular a delação da JBS resultam da chefia inconsequente do procurador-geral, diz o ex-ministro Eugênio Aragão

Aragão, crítico consistente do Estado de Exceção
Ministro da Justiça no fim do governo Dilma Rousseff, respeitado procurador de carreira, Eugênio Aragão não está entre aqueles que descobriram subitamente os excessos e equívocos da Lava Jato. Crítico contumaz das medidas de exceção encampadas pelo Ministério Público e pela Justiça, Aragão vê confirmadas suas teses no episódio da delação premiada dos executivos da JBS.

Para ele, Rodrigo Janot “meteu os pés pelas mãos” e terá muitas perguntas a responder quando deixar a chefia da Procuradoria Geral da República. O ex-ministro espera uma “gestão mais profissional” de Raquel Dodge, que assume o comando da corporação em 17 de setembro. Sob Janot, diz, o Ministério Público foi acometido por uma “doença infantil” que não salvou a democracia e quebrou a economia.

CartaCapital: Será possível salvar as provas da delação da JBS ou elas estão comprometidas?

Eugênio Aragão: Em tese, uma reavaliação da delação não implica a anulação das provas. Em tese. O que aconteceu neste caso parece, porém, uma fraude na coleta da delação. E as conversas entre o Joesley Batista e o Ricardo Saud comprometem as provas colhidas pela Procuradoria Geral da República. As conversas dão conta de um acerto entre o então procurador Marcelo Miller e os investigados antes da ida de Joesley Batista ao Palácio do Jaburu. Parece claro um método e um objetivo: o empresário agiria para colocar palavras na boca de Michel Temer. Ou seja, o Joesley atuou, sem autorização judicial, como uma longa mão do Ministério Público. É um comportamento completamente fora da hipótese aceita pela jurisprudência. A escuta ambiental ou é autorizada judicialmente ou pode ser feita por um dos interlocutores quando a gravação serve para a própria defesa. Não foi o caso. Tratou-se de dar um presente para o Ministério Público investir contra Temer. Se esse esquema se confirmar, as provas estarão definitivamente comprometidas.

Quais seriam as consequências sobre outras delações, a começar por aquela do doleiro Lúcio Funaro?

Essa delação do Funaro terá de ser analisada com muito cuidado. O Ministério Público, estamos cansados de saber, só libera os acordos quando o sujeito entrega aquilo que os procuradores desejam. Se o Funaro tiver sido induzido a confirmar as provas do Joesley, teremos uma continuidade delitiva do MP. Se ocorreu uma indução, configura-se um caso típico de improbidade administrativa. Uma ilegalidade clara. Não dá mais para considerar as provas apresentadas pelo Rodrigo Janot em delações premiadas pelo valor de face.

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Janot: o horizonte está turvo
Na noite da terça 5, Janot apresentou uma denúncia contra Lula e Dilma Rousseff baseada apenas em delações.

Essa denúncia estava pronta há muito tempo. Ele usou o momento para divulga-la em busca de se reaproximar daqueles que o criticavam, em especial a mídia. Para mim, 239 páginas configuram uma denúncia inepta. Quando é preciso contar uma longa história para dizer qual o crime, ele não existe. Denúncia bem fundamentada tem no máximo 20 páginas.

O que o senhor espera da gestão de Raquel Dodge à frente da Procuradoria Geral da República?

Mais profissionalismo. Ela conhece muito melhor o processo penal e tem atuação na área de direitos humanos. As doenças infantis que acometeram o Ministério Público durante a gestão do Janot, acredito, não se repetirão. Este gran finale é o resultado da maneira como o procurador-geral conduziu o MP. Botou os pés pela mão. Meteu-se em uma área que não conhecia. Pretendeu usar os instrumentos da Justiça para fazer política. As consequências foram trágicas. Ao dar espaço a uma garotada, sem exercer influência e liderança sobre eles, não salvou a democracia e destruiu a economia do Brasil. Agora terá muitas perguntas a responder.

Sérgio Lírio
No CartaCapital
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Lula chuta Janot e Palocci de bate-pronto

Janot quer evitar ir em cana com o Miller⁠⁠⁠⁠


O Conversa Afiada reproduz do Facebook do Presidente Lula:

O Procurador-Geral da República, em atuação afoita e atabalhoada de disparo de denúncias nos últimos dias do seu mandato, decidiu considerar que a nomeação do ex-presidente Lula pela então presidenta Dilma Rousseff para a chefia de sua Casa Civil não se tratava do exercício de suas atribuições de presidenta da República na tentativa de impedir um processo injustificado de impeachment, mas obstrução de justiça.

É importante lembrar que a nomeação como ministro não interrompe processos legais, apenas os transfere para o Supremo Tribunal Federal. Ministros são investigados pelo procurador-geral da República, na época o próprio Rodrigo Janot. Assim, estranhamente, Janot considera que ser investigado por ele mesmo, e julgado pelo Supremo Tribunal Federal, sem possibilidade de recurso a outras instância, seria, estranhamente, uma forma de obstrução de justiça. A nomeação de Lula foi barrada em decisão liminar mas jamais discutida pelo plenário do Supremo.

Posteriormente o tribunal decidiu, quando da nomeação de Moreira Franco como ministro, que não havia impedimento no ato efetuado pelo presidente da República.

Essa é a denúncia apresentada pelo Procurador-Geral da República para o próprio Supremo Tribunal Federal, talvez na busca de gerar algum ruído midiático que encubra questionamentos sobre sua atuação no crepúsculo do seu mandato.

Assessoria de Imprensa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

* * *

A história que Antonio Palocci conta é contraditória com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e provas e que só se compreende dentro da situação de um homem preso e condenado em outros processos pelo juiz Sérgio Moro que busca negociar com o Ministério Público e o próprio juiz Moro um acordo de delação premiada que exige que se justifique acusações falsas e sem provas contra o ex-presidente Lula. Palocci repete o papel de réu que não só desiste de se defender como, sem o compromisso de dizer a verdade, valida as acusações do Ministério Público para obter redução de pena e que no processo do tríplex foi de Léo Pinheiro.

A acusação do Ministério Público fala que o terreno teria sido comprado com recursos desviados de contratos da Petrobrás, e só por envolver Petrobrás o caso é julgado no Paraná por Sérgio Moro. Não há nada no processo ou no depoimento de Palocci que confirme isso. Sobre a tal “planilha”, mesmo Palocci diz que era um controle interno do Marcelo Odebrecht e que “acha” que se refere a ele. Ou seja, nem Palocci conhecia a tal planilha, quanto mais Lula.

Palocci falou de uma série de reuniões onde não estava e de outras onde não haveriam testemunhas de suas conversas. Todas falas sem provas.

Marcelo por sua vez diz ter pedido que seu pai contasse para Lula e Emílio negou ter contado isso para Lula.

O réu Glauco da Costa Marques reafirmou em depoimento ser o proprietário do imóvel vizinho ao da residência do ex-presidente e ter contrato de aluguel com a família do ex-presidente, e que está recebendo o aluguel. Uma relação de locador e locatário não se confunde com propriedade oculta.

Processos fora da devida jurisdição com juiz de notória parcialidade, sentenças que não apontam nem ato de corrupção nem benefício recebido, negociações secretas de delação com réus presos que mudam versões de depoimento em busca de acordos com o juízo explicitam cada vez mais que os processos contra o ex-presidente Lula na Operação Lava Jato em Curitiba não obedecem o devido processo legal.

O Instituto Lula reafirma que jamais solicitou ou recebeu qualquer terreno da empresa Odebrecht e jamais teve qualquer outra sede que não o sobrado onde funciona no bairro do Ipiranga em residência adquirida em 1991.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirma que jamais cometeu qualquer ilícito nem antes, nem durante, nem depois de exercer dois mandatos de presidente da República eleito pela população brasileira.
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Gleisi se manifesta sobre a denúncia de Janot contra o PT


Gleisi se manifesta sobre a denúncia de Janot contra o PT e reafirma que não há provas e nem fundamento nas acusações. Ela lamentou a notória perseguição contra o partido e contra o presidente Lula: “Quando estouram escândalos envolvendo outros partidos que sempre governaram este País, inclusive PSDB e PMDB, não falam em organização criminosa. Eles se calam. São dois pesos e duas medidas.”


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Porque Joesley entregou as fitas que o comprometiam


De fonte do Ministério Público Federal, diretamente envolvida com a Lava Jato, fica-se sabendo que a existência das gravações já era conhecida há tempos.

Quando houve a entrega dos primeiros grampos, a busca feita pelo MPF capturou também gravações adicionais, possivelmente as que foram divulgadas estes dias. Os advogados da JBS pediram insistentemente que não fossem consideradas. E, aparentemente, a PGR acatou o pedido.

Com o final do mandato de Rodrigo Janot criou-se um dilema. Do lado da PGR o receio de que, entrando, a nova PGR Raquel Dodge procedesse a uma auditoria e descobrisse conteúdos comprometedores. Do lado, de Joesley, o receio de que a PGR entregasse as fitas antes da passagem do bastão. Quando a Polícia Federal botou a mão nos grampos reservados, o calco entornou.

Foi o que levou Joesley a se adiantar e entregar as gravações, com a vaga esperança de não ser acusado de esconder provas.

Com a formalização da entrega, não houve outro caminho a Janot que convocar um grupo de trabalho para uma audição de emergência. E, aí, apareceram os diálogos comprometedores sobre o x-procurador Marcello Miller.

Ou Janot já sabia do conteúdo e disfarçou, ou não sabia e se assustou. No apuro, imaginou a estratégia mais desastrada: uma coletiva para assumir o controle da narrativa do episódio, criando suspeitas que fossem mais bombásticas do que os fatos concretos envolvendo ele e Miller. E aí se enrolou todo lançando as suspeitas sobre o Supremo Tribunal Federal.

Valeu-se dos mesmos estratagemas do auge da Lava Jato, em que conseguia escandalizar até pum de delator, desde que meramente mencionasse o nome de Lula e Dilma.

Os tempos são outros. De um lado, jornais que dependem fortemente da publicidade oficial trataram de se lançar com gana sobre seu pescoço. A tentativa de um copy-paste para acelerar uma denúncia contra Lula e Dilma, visando reconquistar as manchetes, não deu certo. Apenas jornais menores, como o que se tornou O Globo, deram destaque ao factoide.

Nos seus estertores, Janot conseguiu dar uma flechada no pé. Aliás, várias flechadas.

Luís Nassif
No GGN
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A longa manus dos Marinho na capa canalha do Globo


O responsável pela capa canalha do Globo associando as malas de dinheiro no “bunker” de Geddel à denúncia de Janot contra Lula e Dilma é Ascânio Seleme, diretor de redação (com todo respeito, nome de xarope contra a tosse dos anos 40).

Evidentemente que Ascânio é apenas a longa manus de João Roberto Marinho, presidente do Conselho Editorial e dono do negócio. 

Assim como usa Moro para tentar destruir Lula, a Globo se pendurou em Janot para derrubar Michel Temer.

Os primeiros áudios de Joesley Batista saíram na coluna de Lauro Jardim.

Na segunda, dia 4, Janot se adiantou a um escândalo inevitável e admitiu que: seu auxiliar direto, Marcelo Miller, ao que tudo indica, participou de ações ilegais durante o processo de delação da JBS; Joesley Batista e Ricardo Saud, diretor da empresa, omitiram informações; o acordo de colaboração terá de ser revisto.

No auge da desmoralização da Lava Jato e do MPF, Janot tira da cartola uma releitura do powerpoint de Dallagnol e acusa Lula de ser o chefe de uma organização criminosa.

Pronto. Para a Globo, cujo compromisso é alimentar uma massa indigente, o prato a ser servido será sempre alfafa.

O editorial desta quarta é leniente com o companheiro PGR. “Janot fez bem ao suspender o acordo, e isso reforça o instituto da colaboração premiada”, lê-se.

A primeira página antológica é um tributo a essa parceria, ao jornalismo de guerra e à fé na imbecilidade alheia. Daqui a uma semana Miriam Leitão vem se queixar de que Bolsonaro cresce nas pesquisas.

Não se abandona um companheiro na estrada. Por isso o silêncio ensurdecedor sobre o imbroglio envolvendo a mulher de Sérgio Moro, Rosângela, e um doleiro investigado.

Você transforma esses homens em herois, eles acreditam nisso, passam a colaborar com você — e depois como explicar que tinham pés de barro?

Num debate promovido pela Globo no final de agosto, intitulado “E Agora, Brasil?”, Janot contou seus planos para quando se aposentar: escrever dois livros sobre a Lava Jato e “manter o foco no combate à corrupção no mundo corporativo”.

Na ocasião, Ascânio Seleme falou o seguinte: “Nosso papel, além de informar, é prestar serviço à comunidade. E a gente cumpre esse papel todo santo dia. Queremos levar para o nosso público informação de qualidade e, sempre que possível, exclusiva, em todas as plataformas”.

O resultado dessa mistificação? Esse lixo.


Ascânio e João Roberto Marinho entregam a Moro o prêmio “Faz Diferença”
Foto de Fabio Rossi / Agencia O Globo

Kiko Nogueira
No DCM
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O depoimento de Palocci não merece nenhuma credibilidade, diz Cristiano Zanin


O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda/Casa Civil – Governos Lula e Dilma) afirmou ao juiz federal Sérgio Moro nesta quarta-feira, 6, que a relação dos dois governos petistas foi ‘bastante movida’ a propina. Palocci foi interrogado pelo magistrado da Operação Lava Jato em ação penal sobre propinas da empreiteira.

Christiano Zanin diz que Palocci disse o que disse apenas para conseguir os benefícios de uma delação premiada. Palocci chegou com uma "cola" com as expressões que deveria usar no depoimento. E esclarece que Palocci não tinha nem sequer a obrigação de dizer a verdade.





Depoimento de Antonio Palocci









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Geddel é um homem honrado


O discurso de Marco Antônio sobre Brutus se aplica como uma luva ao ex-ministro que guardava R$ 51 milhões em malas

Corria o ano de 2011 e eu, então diretor da sucursal de Brasília, assinava a coluna “Brasil Confidencial” da revista "IstoÉ". Contava sempre com a colaboração dos colegas de redação no fechamento, para completar o número de notas. Numa dessas, Claudio Dantas me passou uma informação preciosa. Segundo ele, o deputado Geddel Vieira Lima foi derrotado na disputa pelo cargo de síndico no prédio em que passava os verões na praia de Arembepe. Perguntei se a fonte era quente e o repórter me garantiu que sim. Meses depois, o departamento jurídico da Editora Três me comunicou que Geddel entrou com queixa-crime contra a revista por difamação, alegando que a nota da coluna era mentirosa. Pedi ao Claudio que voltasse a consultar sua fonte e ele me garantiu que nada havia a corrigir. Dei o retorno para os advogados da empresa e nunca mais tive notícia sobre a tal ação. Não sei se houve um acordo ou se Geddel desistiu.

Agora, ao ver as já famosas malas de dinheiro com R$ 51 milhões, fico pensando na coluna “Brasil Confidencial”. Se foi tão zeloso com sua honra, a ponto de processar a "IstoÉ" por causa de uma notinha, imagino agora qual será a reação de Geddel Vieira Lima ao ser pego com mão na botija pela Polícia Federal. Dirá que só usava o apartamento do amigo para guardar bens de seu pai e que não sabe a origem dos milhões de reais? Vai se mostrar perplexo e indignado com a fortuna cuidadosamente acondicionada em notas de R$ 100 e R$ 50? Até ontem os advogados de Geddel nada disseram. Devem estar arrancando os cabelos para encontrar uma versão que não vá provocar uma gargalhada geral. De minha parte, para não sofrer o risco de ser novamente processado pelo ex-ministro, prefiro usar a frase de Marco Antônio sobre Brutus nos funerais de Júlio César, na célebre peça de Shakespeare. Cúmplice dos assassinos de César, Brutus era um homem honrado. Geddel Vieira Lima também é um homem honrado.

É sempre muito perigoso falar mal de políticos, mais ainda nos dias de hoje. Por mais que aprontem e cometam graves desvios, eles não aceitam críticas. E fazem de tudo para intimidar os jornalistas. Para não ficar apenas em Geddel, dou aqui outro exemplo. Em artigo no “Jornal do Brasil” , em 2001, sugeri que o Secretário da Fazenda, Tito Ryff, deixasse o governo Anthony Garotinho, que era alvo de várias denúncias. Lembrei que Tito era filho de Raul Ryff, que foi secretário de imprensa do governo João Goulart, e de Beatriz Bandeira Ryff, que dividiu cela com Olga Benário em 1936 e é citada no livro “Memórias do Cárcere”, de Graciliano Ramos. E recomendei que, em nome de seus pais, Tito pedisse demissão. Garotinho sentiu-se ofendido e me processou. Ganhou. Na sentença, o juiz não só deu direito de resposta ao governador do Rio como me proibiu de mencionar Garotinho em qualquer outro artigo, sob pena de arcar com uma multa de R$ 500 mil a cada infração. Só me restou obedecer a decisão judicial.

Se chegaram até aqui, caros leitores, que fique a lição. A exemplo de Brutus, nossos políticos são todos homens honrados.

Octávio Costa
No Ultrajano


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Justiça Federal cancela concessão de rádio ligada a Deputado Federal João Rodrigues

A 10ª Vara Federal de Porto Alegre (RS) cassou, nesta segfunda-feira (4/9), a concessão da rádio Nonoai em função do deputado federal João Rodrigues (PSD/SC) estar no quadro societário. O veículo fica localizado no município homônimo, no norte gaúcho. A decisão, da juíza federal substituta Ana Maria Wickert Theisen, levou em consideração o fato de a autorização para serviços de radiodifusão ser vedado a congressistas.

A ação, ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), apontou que 90% do capital social da Rádio pertence ao deputado catarinense. De acordo o autor, a Constituição Federal proíbe a participação de detentores de mandato eletivo como sócios de empresas prestadoras de serviço público de radiodifusão.

A Rádio e o deputado contestaram argumentando que, anterior ao ajuizamento do processo, a empresa alterou o quadro societário, tendo o congressista cedido integralmente suas cotas para terceiros. Sustentou ainda que, antes de ser parlamentar, já era dono do veículo e que seu mandato é em outro Estado.

Após avaliar o conjunto probatório apresentado nos autos, a magistrada pontuou que a Constituição proíbe que parlamentares detenham concessão de serviços de radiodifusão. De acordo com ela, a norma proibitiva serviria para garantir “a livre formação da opinião pública, afastando potenciais influências ou contaminação com o poder político”.

Ana Maria também destacou o fato das cotas da empresa terem sido repassadas para a filha do deputado. Para ela, “mantido o capital social no âmbito da família do réu, não há, pelo menos em um juízo perfunctório, a garantia de que esteja fora de seu âmbito de influência”.

A magistrada acrescentou que “democracia não consiste apenas na submissão dos governantes à aprovação em sufrágios periódicos. Sem que haja liberdade de expressão e de crítica às políticas públicas, direito à informação e ampla possibilidade de debate de todos os temas relevantes para a formação da opinião pública, não há verdadeira democracia.”

Ana Maria julgou procedente a ação determinando o cancelamento da concessão da Rádio Nonai. A União também não poderá conceder novas outorgas à empresa enquanto tiver parlamentar em seu quadro societário. Cabe recurso da sentença ao TRF4.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA Nº 5074876-67.2016.4.04.7100/RS.


No Desacato
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Fachin pede para redistribuir investigação contra Temer no Porto de Santos


O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou a relatoria e pediu para a presidente da corte, Cármen Lúcia, redistribuir a apuração preliminar aberta a partir da delação de executivos da J&F de que possa ter havido um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção na edição de um decreto mudando regras portuárias, editado pelo presidente Michel Temer.

No final de junho, no mesmo dia em que ofereceu a primeira denúncia contra Temer por corrupção passiva, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a abertura de um novo inquérito contra o presidente e seu ex-assessor especial Rodrigo Rocha Loures para investigar a suspeita de pagamento de propina a ambos para edição do decreto que interessava à empresa Rodrimar S/A.

Segundo Janot, interceptações de conversas telefônicas, autorizadas pelo STF, indicaram que Rocha Loures teria atuado no governo para editar o decreto a fim de prorrogar os contratos de concessão e arrendamento portuários, o que era defendido pela Rodrimar. Na ocasião, o procurador-geral disse ter havido indícios de cometimento de crimes nos diálogos, porque a edição do decreto por Temer contemplou, ao menos em parte, os interesses da empresa.

Antes de fazer uma avaliação se abriria inquérito, Fachin pediu a opinião do chefe do Ministério Público Federal sobre se essa apuração preliminar ficaria com ele mesmo ou com o ministro Marco Aurélio Mello, que relatou um inquérito arquivado contra Temer em 2011 sob suspeita de pagamento de propina na Companhia Docas do Estado de São Paulo.

Janot manifestou-se no sentido de que não haveria necessidade de os autos ficarem sob a relatoria de Marco Aurélio porque, apesar de também se referir a decretos de portos, os fatos eram distintos.

Fachin, então, decidiu pedir a redistribuição da apuração preliminar - chamada de petição - por entender que não haveria motivos para que ele permanecesse como relator do caso.

"À luz dessas ponderações, submeto a questão à consideração da eminente presidente deste Supremo Tribunal Federal, a ministra Cármen Lúcia, anotando que somente após a definição com relação à competência é que se procederá o exame do pleito de instauração de inquérito formulado na cota ministerial", decidiu Fachin, em despacho desta terça-feira.

No 247
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Em áudio, Joesley diz que mandou advogado transar com profissional responsável por delação da JBS no MPF


Num trecho dos áudios entre Joesley Batista e Ricardo Saud, o empresário diz que mandou o advogado Francisco de Assis e Silva transar com uma das profissionais envolvidas na negociação com o MPF.

— Eu já falei para o Francisco: “Você tem até domingo que vem para comer a (…)”. Senão, eu vou comer o Francisco. É trabalho, viu! Vou te dar até domingo que vem. Senão, eu vou fazer o serviço.

Ele continua:

— Não é fetiche, não, velho, um de nós tem que botar ela na cama. Eu já arrumei um veador pra dar para quem a gente precisar. Sério, já tenho contratado um. É o seguinte, ou vai no amor, ou vai na… É serviço, cara. Vamos ver o que cada um está precisando.


No Falando Verdades
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A íntegra da denúncia por organização criminosa contra a cúpula do PT

Rodrigo Janot atribui ao ex-presidente Lula a liderança do esquema. Para Lula, denúncia é "ação política"


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou na terça-feira 5 ao Supremo Tribunal Federal uma denúncia por organização criminosa contra o núcleo político do PT, incluindo os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Além deles, podem responder pelo crime os ex-ministros Antonio Palocci, Guido Mantega, Gleisi Hoffmann, Paulo Bernardo Silva, Edinho da Silva e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Segundo a denúncia, os crimes teriam sido praticados pelo menos desde meados de 2002 até 12 de maio de 2016, voltados especialmente para o recebimento de propina no valor de 1,485 bilhão de reais, por meio da utilização de órgãos públicos como a Petrobras, o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG).

Segundo Janot, os integrantes do PT formavam um "subnúcleo" de uma quadrilha que contava ainda com integrantes do PP e do PMDB, este dividido entre dois outros núcleo, um da Câmara e outro do Senado. Janot afirma que, por meio da "negociação espúria de cargos públicos", os denunciados contribuíram para recebimento de propina nos valores de, pelo menos, 390 milhões de reais para o núcleo político do PP, 864 milhões de reais ao PMDB do Senado e 350 milhões de reais ao PMDB da Câmara.

Para o PGR, não havia entre os integrantes do PT, do PP e do PMDB uma relação de subordinação e hierarquia, mas de interesses comuns, marcada por uma certa autonomia.

Outro lado

Em nota, a defesa do ex-presidente Lula classificou a denúncia da PGR como uma ação política e “sem qualquer fundamento”.

O advogado de João Vaccari, Luiz Flávio D'Urso, disse que a denúncia é “surpreendente” e “totalmente improcedente”, e afirmou que o ex-tesoureiro do PT sempre depositou as doações legais na conta bancária partidária com recibo e prestação de contas às autoridades competentes, “tudo dentro da lei e com absoluta transparência”.

O advogado de Guido Mantega, Fábio Tofic, disse que causa estranheza a PGR oferecer denúncia baseada nas palavras de delatores, sem uma verificação mínima, no mesmo dia em que vem à tona o que chamou de “desfaçatez dos delatores, pela própria procuradoria".

Em nota, o ex-coordenador financeiro da campanha de Dilma em 2014, Edinho Silva, afirma que sempre agiu de forma ética e legal e que não tem dúvidas de que todos os fatos serão esclarecidos.

A assessoria da ex-presidente Dilma Rousseff afirmou que denúncia não tem fundamento e que foi apresentada sem provas ou indicios da materialidade do crime. A defesa de Palocci disse que só vai se manifestar nos autos do processo.

A senadora Gleisi Hoffmann declarou que a denúncia busca criminalizar a política e o Partido dos Trabalhadores, e a defesa de Paulo Bernado informou que sequer tinha conhecimento que existia uma investigação para apurar as supostas condutas.

Leia a denúncia na íntegra:



No CartaCapital
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História Geral da Arte — Rossetti


Rossetti

A obra profundamente simbólica de Rossetti, de uma beleza ao mesmo tempo pueril e erótica, é considerada um dos maiores feitos artísticos do século XIX por sua originalidade e pela influência exercida nos simbolistas.

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Lula em entrevista ao 247


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Geddel, o político dos R$ 51 milhões, declara fazendas a preço de banana


Doze imóveis rurais do ministro somam mais de 9 mil hectares, mas foram declarados por R$ 801 mil, cerca de R$ 89 o hectare; ele divide as fazendas com dois irmãos

Em 2014, o ex-deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima – hoje em prisão domiciliar – declarou possuir 9.045 hectares em 12 fazendas no sudoeste da Bahia, nos municípios de Ibicuí, Itapebi, Itapetinga, Itarantim, Macarani e Potiraguá. Valor total? R$ 801 mil. A maioria dos imóveis foi adquirida no fim dos anos 90 e é dividida com os irmãos, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e Afrísio Vieira Lima Filho, diretor legislativo da Câmara.

Definido como criminoso em série pelo Ministério Público Federal, o pecuarista Geddel foi acusado de crimes financeiros, que teriam sido praticados quando era vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal. Nesta terça-feira (05/09) a Polícia Federal encontrou R$ 51 milhões em um apartamento do político em Salvador.

O programa Fantástico, da Globo, visitou em julho as fazendas do ministro. Segundo a reportagem, as terras valem hoje cerca de R$ 67 milhões, 84 vezes mais que o valor declarado à Justiça Eleitoral. Na matemática do político, cada hectare custa R$ 89.



Confira as fazendas declaradas por Geddel:


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Recado do Nassif: as trapalhadas de Janot


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O mapa do 'tesouro perdido' de 51 milhões atribuído a Geddel

A maior apreensão de dinheiro vivo da história da PF baseou-se em desvios relatados por delator e em ligação telefônica

Funaro diz que pagou 20 milhões em espécie a Geddel, um possível indício da origem do "tesouro"
Foram 14 horas e sete máquinas para contar 51 milhões de reais em espécie, a maior apreensão em dinheiro vivo da história da Polícia Federal. O "tesouro perdido" encontrado em um imóvel atribuído a Geddel Vieira Lima vem sendo escavado desde o início das investigações contra o ex-ministro e braço direito de Michel Temer.

O esquema envolvendo desvios na Caixa Econômica Federal, possível origem de parte da bolada recorde, deve ser um dos temas principais da delação ainda não homologada de Lúcio Funaro, operador do PMDB ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha.

O mapa do "Tesouro Perdido", nome dado pelos investigadores à ação, baseou-se em uma denúncia telefônica e em pesquisas de campo. De acordo com a busca e apreensão autorizada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, a polícia suspeitava que o ex-ministro Geddel, apontado por Joesley Batista como interlocutor de Temer após a prisão de Cunha, guardava "possíveis provas" de ilícitos em um imóvel na rua Barão de Loreto, em Salvador.

Segundo o despacho, o Núcleo de Inteligência da PF teria recebido a denúncia por telefone, em que foi relatada a utilização por Geddel de um apartamento no 2º andar do Edifício Residencial José da Silva Azi "para guardar caixas com documentos". Em conversa com moradores do local, os investigadores foram informados que um pessoa usou o imóvel para guardar "pertences do pai" do ex-ministro. O pai de Geddel morreu no início de 2016.

A origem do valor ainda precisa ser esclarecida, mas há relatos que podem ajudar a explicar parte desta quantia. Segundo as investigações da ação Cui Bono, que deu origem à ação Tesouro Perdido, Geddel teria recebido cerca de 20 milhões de reais em propina quando ocupava o cargo de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, entre 2011 e 2013. Pelos pagamentos, o ex-ministro de Temer aprovava a liberação de recursos da caixa e do Fundo de Investimento do FGTS, controlado pelo banco.

No mandado judicial, datado de 30 de agosto, consta que "há fundadas razões de que no supracitado imóvel existam elementos probatórios da prática dos crimes relacionados na manipulação de créditos e recursos realizadas na Caixa Econômica Federal".

Em depoimento à PF em junho deste ano, Lúcio Funaro deu sua versão sobre o desvio de 20 milhões de reais no banco. O operador contou que duas vice-presidências da Caixa estavam sob influência de Geddel: a de Fundos do Governo e Loterias (Vifug) e a de Pessoa Jurídica. A primeira chegou a ser comandada por Fábio Cleto, que viabilizou, segundo Funaro, desvios no FI-FGTS que teriam beneficiado a chapa vencedora nas eleições de 2014, negócio supostamente orientado por Michel Temer.

Os 20 milhões pagos em espécie a Geddel no esquema, narrou o operador, foram resultado de liberações de créditos do banco para empresas do grupo J&F, de Joesley Batista. Segundo o depoimento de Funaro, foi ele próprio quem apresentou Geddel a Joesley.

Em novo depoimento, desta vez à Procuradoria da República em Brasília, Funaro relatou ter entregue "malas ou sacolas de dinheiro" a Geddel. Em duas viagens que fez à Bahia, uma para Trancoso e outra para Barra de São Miguel, o operador declara ter feito rápidas paradas em Salvador para entregar malas ou sacolas de dinheiro para o ex-ministro de Temer.

A informação veio a público após o Ministério Público utilizá-las para embasar um novo pedido de prisão contra Geddel. Uma possível relação entre esses pagamentos e as malas e caixas de dinheiro encontrados nesta terça-feira 5 ainda não foram esclarecidos.

Compra de Silêncio de Cunha e Funaro

A relação entre Geddel, Funaro e Joesley Baptista não se resume aos desvios na Caixa para beneficiar a J&F. O trio protagoniza também uma das principais acusações presentes na delação da JBS, agora sob risco de ser anulada.

Apontado por Joesley como interlocutor do empresário com Temer até ser afastado do governo, Geddel foi preso no âmbito da Operação Cui Buono no início de julho. O Ministério Público alegou na ocasião que o ex-ministro estaria tentando obstruir as investigações que apuram irregularidades na liberação de recursos da Caixa. O ex-ministro foi libertado em seguida e cumpre prisão domiciliar.

Segundo os procuradores responsáveis pela ação, o objetivo de Geddel seria evitar que Cunha e o próprio Lúcio Funaro firmassem acordo de colaboração com o MPF. Para isso, disseram os investigadores, o ex-ministro tem atuado no sentido de "assegurar que ambos recebam vantagens ilícitas, além de 'monitorar' o comportamento do doleiro (Funaro) para constrangê-lo a não fechar o acordo".

Os investigadores basearam-se em mensagens enviadas recentemente, entre maio e junho, por Geddel à esposa de Funaro. O doleiro teria entregado à polícia diversas reproduções de conversas com o ex-ministro, identificado pelo codinome de "carainho". Nos diálogos, diz o MPF, Geddel sonda a mulher de Funaro sobre a disposição do doleiro em assinar um acordo de colaboração.

Em sua delação, Joesley afirmou que vinha recebendo sinais claros "de que era importante manter financeiramente as famílias" de Cunha e Funaro. Os sinais teriam vindo "inicialmente através de Geddel", em referência ao ex-ministro chefe da Secretaria de Governo.

O Dono da JBS decidiu então procurar Temer diretamente a partir do momento em que Geddel passou a ser investigado por tentar influenciar o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero a liberar uma obra de seu interesse pessoal em Salvador. No encontro em 7 de março, Temer falou "tem que manter isso, viu" em resposta ao relato de Joesley sobre os pagamentos mensais à dupla.

De acordo com Joesley, Funaro recebia uma mesada de 400 mil reais por mês, enquanto Cunha foi beneficiado com 5 milhões de um saldo de propina a receber por atuar em favor da JBS em uma desoneração fiscal do setor de frango.

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Governadores Beto Richa (PSDB-PR) e Raimundo Colombo (PSD-SC) são citados nos áudios da JBS


Na conversa gravada involuntariamente com os advogados Francisco de Assis e Ricardo Saud, o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, orienta os dois subordinados a se aproximarem do então procurador Marcelo Miller para, a partir daí, chegarem ao procurador-geral, Rodrigo Janot.

A aproximação poderia abrir caminho para um futuro acordo de delação premiada, inclusive com a concessão de imunidade aos colaboradores. No período, vários advogados vinham tentando negociar colaboração em nome de alguns clientes, mas sempre esbarravam na fila de interessados nos mesmos benefícios que se formava às portas do grupo de trabalho da Lava-Jato na PGR.

Na conversa, os três falam também sobre uma tentativa de gravar uma conversa com o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo para, a partir daí, obter confissões dele sobre supostas irregularidades relacionadas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles acreditavam que, se tivessem munição contra ministros da mais alta Corte do país, também teriam mais chances de obter um acordo de delação mais vantajoso. A ideia demonstrar interesse na contratação do ex-ministro e, em seguida, gravar a conversa. Mas a estratégia não deu resultados. Cardozo teria rejeitado o jogo de sedução.

Ouça seguir os principais trechos da gravação dividida em cinco partes. Na sequência, leia trechos da transcrição dos diálogos.


TRECHOS TRANSCRITOS

Joesley Batista e Ricardo Saud conversam sobre a possibilidade de terem perdido uma gravação relacionada a suposto encontro com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Saud menciona suposta doação de R$ 40 milhões ao político.

Saud comenta conversa com o ex-ministro José Eduardo Cardozo, chamado de Zé Eduardo, sobre lei de organização criminosa. Joesley Fala sobre a advogada Fernanda Tórtima: "Ela surtou porque sabe que se nós entregarmos o Zé, nós "entrega" o Supremo"..."eu falei pro Marcelo...vc quer pegar o Supremo, pega o Zé".

Joesley orienta Ricardo Saud a falar com alguém: "Primeira coisa, eu não vou ser preso, diretor não vai ser preso...ninguém vai ser preso".

Joesley fala para Ricardo Saud falar isso numa reunião, e na sequência falar: "Marcelo, ninguém vai ser preso".

Joesley: "Nós vamos ser amigos deles, vamos virar funcionário desse Janot". Dá dica de como Ricardo deve agir para "conquistar" Marcelo.

Leia a transcrição da primeira parte

Joesley: Você já imaginou se nós chama o Marcelo, assim Marcelo.... vc vai passar pelo... nós damo um papel pro Marcelo (...) a eu, ricardo, (...) hã? Não, não é (...) ... não, nós tinha que dar o .... o Marcelo... o o de advogado... ó você vai ser o advogado que vai arrumar as notas... arrumar o esquema das notas tal... (...) tem nota... ó nós vamo trazer aqui ó... o Marcelo que trabalha conosco... trabalha há muitos anos... meu amigo de infância... é da...

Saud: (...) Goiás

Joesley: é... (...) infância lá de Goiás... seguinte ó

Saud: vamos fazer homenagem pro coiso, como é que ele chama... (parte inaudível) amigo nosso lá

Joesley: é isso, Romaninho. Isso ... é o Romano ... amigo de infância de (...) estudou comigo em Brasília e tal... ele é advogado... seguinte, queria dizer negócio de... ele infartava

Saud: (...) ué ele voa no cara.. (parte inaudível) .. ele sai ali (parte inaudível)

(...)

Joesley: O Renan, Ze Eduardo ... ele ficou enlouquecido com Ze Eduardo

Saud: Ele acha que o Ze Eduardo é o melhor caminho pra chegar no Supremo

Joesley: Ele te falou isso? Que que ele te falou?

(...)

Saud: Não... como... nós chegamos lá, começamos conversar... o Joesley foi falando com ele... perguntamo as coisas, que que tinha feito... ele falou da lei e tal... (parte inaudível) Você não tinha me falado da lei (parte inaudível) entendeu na hora da lei, falou que outubro foi aprovado uma lei assim assim negócio de narcotráfico ai... eu não sabia, mudaram a lei lá passou pra outra coisa.... ele (parte inaudível) lembrei que (parte inaudível) que em abril começou a Lava Jato... "ah ele falou dessa lei", mas essa lei (parte inaudível) filho da puta do Godoy... mas essa lei é narcotráfico, não é nada com Joesley não... falei ah eu não sei, ai Joesley tentou me explicar lá, eu não sei, eu vou ler depois, ah ai.. ai nós falamos... eu falei ó, inclusive lá nós conversamos, porra veio.... cara falou que tem cinco... cinco... Ministros do Supremo na mão dele... Inclusive muitos conversado e outros, não é só palavreado não, escrito tal... ele falou "cinco ele não tem não... ele tem... ah só se eles, só se eles contam Lewandowski até hoje"... ele falou, falei ah dai eu não sei, não deu nome não... Mas se contar Lewandowski pode ser sim... (parte inaudível) falou assim lá pra mim "mas ele tinha essa intimidade com a Dilma?"... "intimidade? eu vou te contar, eu achei que os três tavam fazendo suruba" ... porque ele falou da Carmen Lúcia, (parte inaudível) da Carmen Lúcia que vai lá falar do (parte inaudível) com a Dilma e tal, os três juntos, tal tal tal.... "ah então ele tem mesmo essa intimidade?"... (parte inaudível) os cara... falei não é mentira não.. foi tô falando (parte inaudível) contei pra ele, falamos do escritório, falamos da conta...

Joesley: Que escritório? Que escritório?

Saud: do Marco Aurélio.. (parte inaudível) falou do dinheiro?... não.. "não né Ricardo"... (parte inaudível) ... "mas e ai, que que a Dilma falou?" ... (parte inaudível) não, não (parte inaudível) nada disso.. ai se viu a Carmen Lúcia lá e tal... a última indicação e tal... ai eu contei pra ele, falei (parte inaudível)... ai mudou o assunto ... "falando sério? tá se falando disso?" ... suruba dos três e tal... "não, isso eu quero ouvir"... ai (parte inaudível) o trem ... nós falando de putaria ... "esse cara é louco..."

Joesley: ai cê mostrou a fita?

Saud: não... (parte inaudível) fomo mostrando (parte inaudível)...

Joesley: isso

Saud: ai ele falou "isso dá cadeia... eles prendem Ze Eduardo amanhã... eles prendem amanhã... melhor não... melhor não...".... (parte inaudível) eles prendem amanhã...

Joesley: eles o Supremo...

Saud: é (parte inaudível) ... ai ... deixa eu ver de novo... "ai ocê também... (parte inaudível) suruba ai... se não fala isso mais não... vou te orientar ocê não fala isso mais nunca... cê falar que a Presidente da República, Presidente do Supremo ele tá fazendo .. vc tem noção do que vc falou?" ... ele me deu uma dura tão grande... "vc tem noção do que vc falou? Presidente do Brasil, Presidente do Supremo e Ministro da Justiça fazendo suruba... (parte inaudível) bota lá, (parte inaudível) esse ai nós temos que tirar... temo que usar (parte inaudível) Ze Eduardo, (parte inaudível) pressionar o Ze Eduardo pra ele contar quem é o cara do Supremo..." ah meu Deus, depois disso tal... ficamo conversando... (parte inaudível) Joesley faz o que quiser aquele trem (parte inaudível) "então vamos esquecer aquele trem da briga do do Gilmar... e vamo nesses três Ministro do Supremo"...

Joesley: como... esquecer a briga?

Saud: o trem do Gilmar que virou briga lá entre ele e a... (parte inaudível) vamo esquecer isso e vamo pegar os três... eu falei (parte inaudível) Marcelo ocê é inteligente demais, vc tá largando um amigo quer três... "não, mas não é isso"... agora, ele (parte inaudível), ele tá ficando meu amigo e tal achando (parte inaudível) ... quando ele mandou eu digitar tudo lá pra ele (parte inaudível) trem e tal pá pá pá... (parte inaudível) pode escrever o que você quiser ai, que eu conserto depois ... eu tô metendo o cacete... escrevendo o que eu to pensando (parte inaudível)... eles são esperto... uma (parte inaudível).

Joesley: isso... é .. ele faz assim.. (parte inaudível risada) ... (parte inaudível) Ze

Saud: (parte inaudível) vc vai ver, ele vai pra cima docê na hora... vamos escutar terça feira (parte inaudível) ... ele vai pra cima docê na hora... na hora (parte inaudível)

Saud: vc me deve um bônus do caralho...eu tava fechando um (inaudível) com Marcelo meu chefe".

(...)

Saud: Ele (?) tava fazendo a soma sabendo que vc deu dinheiro para o PT" "Ele (?) escreveu lá 15 para o PRB".

Ricardo Saud comenta que disseram que ele "ficava puto" de dar dinheiro para políticos "pq não sabia de nada" "nós fizemos uma conta lá de deu 170".


Saud: Marcelo tá me doutrinando tanto.. (trechos inaudíveis) q com a consciência mais tranquila".

Joesley: Eles (MPF?) vão dissolver o Supremo...eu vou entregar o Executivo e você vai entregar o Zé, o Zé vai entregar um....(não fala)...vou ligar e chamar ele e falar...o Zé seguinte vc precisa trabalhar com a gente, nós precisamos organizar o Supremo, a única chance que a gente tem de sobreviver...vc tem quem? como é cada um? qual a influência que vc nesse? Como é que a gente grampeia? o Zé vai entregar tudo...a gente vai falar de 2 só, nós só vai entregar o Judiciário e o executivo, a Odebrecht moeu o legislativo, nós vamos moer...

Saud: Vai deixar pra cumprir depois" (parece falar sobre as condições impostas pelo acordo de colaboração)

Joesley: Não, tem que se um tchau e não voltar aqui mais nunca...n tem negócio de vir depois...nós vamos fazer um serviço tão bem feito que não vai precisar chamar nóis...tá tdo gravado ai"

Ricardo: "Essa parte o Marcelo tá....(inaudível)...

Joesley: Vamos ver, vamos devagar".

Saud: A não ser que o Zé entregue o Supremo inteiro".

Joesley: O Zé vai entregar... B é isso, o C é isso...por onde a gente chega, bota tudo na conta do Zé...nós só vamos precisar falar de duas coisas"

Joesley: Por isso que eu quero nós dois 100% alinhado com o Marcelo...nós dois temos que operar o Marcelo direitinho pra chegar no Janot...eu acho...é oq falei com a Fernanda...nós nunca podemos ser o primeiro, nós temos que ser o último, nós temos que ser a tampa do caixão...Fernanda, nós nunca vamos ser quem vai dar o primeiro tiro, nós vamos o último...vai ser que vai bater o prego da tampa".

Saud: Ela tá entendo?

Joesley: Nós fomos intensos pra fazer, temos que intensos pra terminar".

Leia a transcrição da segunda parte

Joesley: Eu acho que eu sei o que o Ministério Público tá fazendo, eu acho que eu sei o que o Anselmo tá fazendo. Ai o Anselmo faz as peripécias dele tudo, eu olho para ele e falo assim. Chefe, é o seguinte, eu to entendendo. Engraçado... Eu não to conseguindo me fazer entender.

Saud: Então, tá.

Joesley: É o seguinte: nós não vamos ser presos. Ponto.

Saud: Tá...(ininteligível)

(...)

Joesley: Mas é necessário isso. Isso é bom. Isso faz parte... Construir a história... Mas não vai ser... É o subliminar... Eu posso estar totalmente enganado. E eu acho que eles podem nao estar fazendo isso orquestradamente. Agora, eu acho que eles tao fazendo isso achando que nós não estamos entendendo, mas eu to entendendo. Quem não está entendendo, tem pânico. Eu to entendendo. Nao tem pânico não. O Wesley nao entende isso. Ninguém entende isso. Eu, Joesley, posso estar completamente num Lalaland, eu não.. Eu to vendo tudo e to em paz. Eu to achando que ta tudo certinho. Que é a reação...

Saud : (ininteligível)

Joesley : Mas não é isso que eu to falando. Eu não to falando disso. Eu nao consigo me fazer entender. Seria a reação natural... Pensa você no lugar do Janot. Senta na cadeira do Janot.

Joesley : O Janot sabe tudo. A turma já falou pro Janot.

Saud : Você acha que o Marcelo já falou pro Janot?

Joesley : Não. Não é o Marcelo. O...

Saud : Anselmo.

Joesley : Anselmo e o Anselmo falou pro Pellela, falou pro nao sei o que lá, que falou pro Janot. O Janot tá sabendo... Aí o Janot, espertão, que que o Janot falou? Bota pra fuder, bota pra fuder. Poe pressão neles, para eles entregarem tudo, mas não mexe com eles. Não vamo fude, dá pânico neles, mas nao mexe com eles.

Saud: Se está combinado, por que não está combinado com a gente?

Joesley: Porque não pode ser combinado... Não pode ser combinado... Você não pode entender isso... Eu entendo. Eu não devia estar entendendo. Ninguém tá entendendo... Por isso que eu to dizendo... Eu tenho a pretensão, que eu posso estar completamente errado. Eu tenho a pretensão de achar que eu to entendendo. Eu acho que eu entendo o que as pessoas acham. Em condição normal de pressão e temperatura, eles estão fazendo o que é previsível deles fazerem. Pensa você no lugar deles. Eles são espertão. O que você fariam? Toca pressão nesse povo! Mas não mexe com eles... Eu to falando assim...

(...)

Joesley: Eu tenho a pretensão de achar que eu sei o que as pessoas estão falando, e o que as pessoas estão pensando. Eu reajo muito mais pelo que eu acho que você está pensando do que o que você ta falando.

Saud: Ta certo. Deixa eu falar uma coisa... O Marcelo deu uma (ininteligível) para nós... É isso? Ele falou pro Janot que nós temos muito mais para entregar?(ininteligível)

Joesley:Vamo lá. Vamo dar um passo atrás. Na minha cabeça. O Marcelo é do MPF. Ponto. O Marcelo tem linha direta com o Janot. Quando eu falo o Janot, é Janot, Pellela... Tudo a mesma coisa.

Saud: Eu não te falei? Olha a mensagem?

Joesley: Janot, Pellela, qual o nome daquele outro? Que a...

Saud: Eu sei... Janot, Pellela...

Joesley: E o outro lá. Ricardo, nós somos jóia da coroa deles. O Marcelo já descobriu e já falou com o Janot: Ô Janot, nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos e ele ja entendeu isso. A Fernanda surtou por que? Porque a Fernanda entendeu que nós somos muito mais e nós podemos muito mais... Aí até a Fernanda perdeu o controle. Aí até a Fernanda falou, calma. Supremo, não. Calma. Vai fuder meus amigos, vai... Só para, Ricardinho, eu não vou conseguir te explicar... Ricardinho, confia nimim. É o seguinte, vamo conversando tudo. Nós vamos tocar esse negócio. Nós vamos sair lá na frente. Nós vamos sair amigos de todo mundo. E nós não vamos ser presos. Pronto. E nós vamos salvar a empresa.

(...)

Saud: Se nós tivéssemos feito delação lá atrás... Nós tínhamos delatado os fiscais (ininteligível) o Eduardo Cunha, aceito delação do Eduardo Cunha... O Marcelo falou que ele ta forçando que ele quer fazer.

Joesley: Ele não. O Lúcio.

Saud: Eduardo Cunha. O Marcelo me contou que eles estão pressionando (ininteligível) vai fazer. Sai o Lucio, sai do Eduardo...(ininteligível) não sei o que a gente ganha, porque o desgaste se nós vamos fazer de todo jeito...

Joesley: É que não depende só da gente.

Saud: Ô Joesley, depende de quem? Depende o caralho.Você consegue a hora que você quiser falar com o Janot. Tá certo que o Marcelo não consegue amanhã falar com o Janot (ininteligível) Que hora que ce falou isso pro Marcelo? Que horas que você falou pro Marcelo que você quer falar com o Janot?

Joesley : (ininteligível)

Saud: (...) Você não falou para ele. (ininteligível) Você ta mentindo. Falou para a Fernanda. Você nunca falou para ele... (ininteligível) Você já falou isso para ele? Ô Marcelo, vem cá, vamos levar nós dois lá para falar com o Janot. Fala isso para ele terça feira para você ver.

(...)

Saud: Sem mostrar essa nova que você fez com o Rodrigo, ele já tinha te levado você para o Janot. Só o Zé Eduardo... Porque a primeira que você tinha do (ininteligível) com o Rodrigo... (ininteligível) Não quer saber se Francisco, de ninguém. Eles não conversaram nada comigo. (ininteligível) Sabe? Ele se enquadrou. (ininteligível) Disse que faz parte. Eu acho que o caminho para chegar até o Janot não é ele.

Joesley: É ele.

Saud: Mas você passa tudo pro Janot?

Joesley: Como é?

Saud: Eu falei: você passa tudo pro Janot, né? Do que está acontecendo aqui.. Ele disse: Não, não. Não vou te mentir não. Não passou não. É um amigo meu comum. É um amigo meu comum.

Joesley: Um amigo?

Saud: Meu comum. Comum do Janot. Eu falei, você passa tudo pro Janot? Ele falou, não. É um amigo meu comum.

(...)

Saud: É um amigo comum, que é dono desse escritório que o Janot vai trabalhar depois junto com o Marcelo. Eu entendi agora. O Marcelo saiu antes. Tem um outro saindo, um tal de Christian. E o Janot não vai concorrer, ele vai sair, e vai vir advogar junto com ele e esse Christian nesse escritório. Então o escritório vai ser ele, esse christian, ele e o Janot.

Joesley: Caralho, mas então voce ta me confirmando que tudo que nós estamos falando ele corre no banheiro e manda pro Janot. Ou para alguém que fala com o Janot.

Saud: Porque o Janot vai trabalhar com ele.

Joesley: Lógico.

Saud: Fala que vai voltar como Procurador da República é mentira. O Janot vai sair e vai para esse mesmo escritório que ele ta indo, o mesmo escritório (ininteligível). Ele, esse Christian...

(...)

Saud: Tudo que não precisar tocar no tipo de assunto... A gente preserva todos os nossos... como chama... consumidores... nosso mercado... nós preservamos todos os supermercados... compradores. Todos os nossos compradores. E a gente salva uns quatro ou cinco amigos. Andrea, Durval... Porque de outro jeito, não tem jeito de contar a história sem os caras... Eu acho que pelos mais fortes... (ininteligível) A questão é ter que jogar esses amigos tudo no fogo. Os governador, coitadinhos... Beto Richa... Pegou tudo em dinheiro no (ininteligível)... Foi eu aquele (ininteligível) entregar pro Beto... Beto Richa... Colombo... Fomos eu e o... entregar para o...

Joesley: Gavazoni.

Saud: Gavazoni. (ininteligível) Eu fui lá umas quatro vezes e o Florisvaldo umas três. Até me chamou atenção... Quem não sabe que o Guanabara ajudava vocês... (ininteligível)

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