5 de set de 2017

O jornalismo geneticamente modificado

Na semana que findou a imprensa tradicional lotou de notícias positivas seus surrados jornalões e noticiários, com uma informação extraordinária: a informalidade estava combatendo o desemprego no país! Pela primeira vez na história da imprensa brasileira esta assume, com segurança, a responsabilidade e o risco de dar um atestado de imbecilidade a todos os seus leitores e declará-los mentalmente incapazes de olhar uma informação com um mínimo de lucidez. Felizmente – além das redes – uma pesquisa publicada no jornal “O Valor” (29.08), de forma solitária – mas digna – colocava as coisas nos eixos: “No segundo trimestre deste ano, o Brasil tinha 15,2 milhões de lares onde ninguém trabalhava, 2,8 milhões a mais do que no mesmo período de 2014 – um incremento de 22%. Isso significa que um, em cada cinco domicílios (21,8% do total), não tinha renda fruto do trabalho (formal ou informal)”.

Desde que o mundo é mundo, a informalidade é consequência do desemprego. A busca de espaços nas ruas, para vender produtos sem nota fiscal e a presença de crianças, nas sinaleiras – vendendo balas e pentes – sempre foi sinal de crise desesperadora e de ataque frontal ao comércio estabelecido, fonte de empregos e impostos. Só pessoas desesperadas e famílias sem rumo, buscam esta solução, para não caírem diretamente na marginalidade. Desde que o mundo é mundo, a imaginação manipulatória da imprensa tradicional não chegava a um lugar tão alto para atestar, igualmente, que galgamos depois de um avanço de 0,2% no PIB – recuperação de ínfima parte do absurdo recessivo a que estamos submetidos – “o primeiro degrau para sair do fundo do poço”. Nem a informalidade reduz o desemprego nem chegamos, ainda, ao fundo poço.

A professora e pesquisadora Concha Mateos, da Universidade Rey Juan Carlos, denomina este tipo de jornalismo de “jornalismo modificado geneticamente”. Ele – como uma sentença do Juiz Moro – seleciona premissas de maneira arbitrária, para chegar a um fim (conclusivo), previamente definido, pela ideologia dominante na pauta daquele órgão de imprensa. Assim, estes mesmos fatos apontados como positivos no contexto do Governo golpista – cujo golpe teve o apoio desta imprensa – em outro Governo não adepto das reformas “liberal-rentistas”, teriam um tratamento completamente diferente. O dado de que a informalidade aumentou seria tratado (corretamente), como consequência do aumento do desemprego, e o crescimento de 0,2% do PIB, seria apontado como um indicativo de que a recessão permanece e o crescimento pequeno é simples espasmo na economia.

O último reduto da utopia, dada a vitória do capital em todos os “fronts” (que chegou à subsunção do Estado pelo capital financeiro) é o “progressismo” da sociedade industrial. E ele está morrendo. Ele chegou ao período de crise em que a vitória “material” do capital irradiou-se como uma metástase “espiritual”, sobre todas as políticas social-democratas, para as quais a única estratégia viável – na marcha ao poder – é o reconhecimento de que é preciso “ceder em tudo, conciliar tudo com seu contrário” (Agamben): “a inteligência com a televisão e a publicidade, os trabalhadores com o capital, a liberdade de expressão com o Estado-espetáculo, o meio ambiente com o desenvolvimento industrial, a ciência com a opinião, a democracia com a máquina eleitoral, a má consciência e a abjuração com a memória e a fidelidade”. Esta morte do progressismo - que aqui se arrasta lentamente - certamente não vem de uma traição, mas decorre das consciências cansadas de lutas sem projetos definidos e da semelhança na aplicação dos mesmos, quando as diferentes facções chegam nos Governos.

Com o “progressismo” material e espiritualmente bloqueado, com os projetos de revolução sem um futuro minimamente palpável, o que resta – nestas circunstâncias – é a guerra interna no capital, pela conquista de mercados, matérias primas, mão de obra barata, água e fontes de energia, para que o processo de acumulação continue ao infinito. Como se sabe pela experiência histórica secular, na guerra, as primeiras vítimas são os pobres e os miseráveis, e os primeiros favorecidos são os fabricantes de armas e banqueiros que os financiam. Que eu esteja enganado é o meu desejo sincero, mas aqui no Brasil - ao que tudo indica -,já estamos trilhando o caminho de uma guerra civil não declarada. Contra os pobres e miseráveis, intoxicados pelo jornalismo “geneticamente modificado”.

Tarso Genro foi Governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil.
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Xadrez do canto de cisne de Janot


No início da Lava Jato, trouxe aqui algumas previsões óbvias.

A primeira, que o excesso de poder corrompe. E por corromper não se entenda apenas o crime da corrupção lato sensu, mas também a onipotência de caminhar fora das regras.

A segunda, que à medida em que for terminando a fase de glória, os destroços viriam à tona, seja para aproveitar os últimos momentos de fastígio, seja pela percepção do fim da exposição pública.

O caso recente mais notório do Ministério Público Federal foi a aposentadoria do Procurador Geral Antônio Fernando de Souza. Para preparar o pós-aposentadoria, Souza negociou com Daniel Dantas, do Banco Opportunity. Em troca da retirada de seu nome da AP 470, o “mensalão”, ganhou um enorme contrato de advocacia da Brasil Telecom, na época controlada por Dantas, que era o principal financiador do valerioduto.

O MPF preferiu varrer o caso para baixo do tapete.

Marcelo Miller, o procurador que atuou para a JBS é filho direto dessa fragilização ética do MPF.

Peça 1 – entendendo Janot

Não há nenhum elemento, até agora, que lance dúvida sobre a idoneidade de Rodrigo Janot, stricto sensu. Assim como outros colegas de MPF, a melhoria substancial de salário trouxe deslumbramento de novo rico, consumo de bens de status e esse exibicionismo boboca de se especializar em marcas de vinhos, em mencionar lojas da moda em Londres e Nova York e comprar ternos em Miami.

Quando teve início a Lava Jato, era papel do PGR impedir os excessos da parceria procuradores-mídia, que pudessem ter consequências para a estabilidade do país.

Janot cumpriu seu papel por pouco tempo.

No dia 5 de dezembro de 2014, uma capa da IstoÉ – “As articulações de Janot que podem livrar o governo” – foi o ponto de não-retorno. Ali, Janot piscou. Depois da capa, mudou o comportamento. Cada vez mais o controle da instituição passaria a ser conduzido pela tropa barra pesada da Lava Jato de Curitiba.

Depois do baque inicial, Janot relaxou e aproveitou. Passou a usufruir das delícias da onipotência, do vale-tudo sancionado pela mídia, que logrou criar o clima do “ame-o ou deixe-o” do início dos anos 70, inibindo tribunais superiores e mesmo as críticas internas da corporação do MPF.

De repente, em vez de defensores da Constituição, o que se via eram procuradores em passeatas pelo impeachment, em militância pelas redes sociais, em um desvirtuamento amplo das atribuições que lhes haviam sido conferidas, do qual o símbolo mais humilhante foi um Janot, com um sorriso apalermado, carregando o cartaz “Janot, você é a esperança do Brasil!”.

A divulgação dos áudios finais da JBS mostra o resultado final dessa leniência moral, um bom exemplo da imagem real do MPF:

Do lobista Ricardo Saud, segundo furo da Veja:

“Cara, eu vou te contar um negócio, sério mesmo. Nós somos do serviço, né? (A gente) vai acabar virando amigo desse Ministério Público, você vai ver. Nóis vai virar amigo desse Janot. Nóis vai virar funcionário desse Janot. (risos). Nós vai falar a língua deles. Você sabe o que que é?”, questiona Joesley.

“A língua… domina o país… dominar o país”, completa Saud. Na sequência, Joesley dá a deixa: “Você quer conquistar o Marcelo? Você já achou o jeito. Cê quer conquistar o Marcelo? Você já achou o jeito. É só começar a chamar esse povo de bandido. Esses vagabundo bandido, assim”.

Peça 2 – para entender os últimos vazamentos

A entrevista de Janot, ontem à noite, visou exclusivamente limpar sua barra antes da posse de sua sucessora, Raquel Dodge.

Tudo indica que infiltrou dois procuradores junto à JBS: Marcelo Miller (que depois cuidou do acordo de leniência) e Ângelo Goulart Vilela, que foi preso depois da informação de que recebia pagamento mensal da JBS.

Ocorreu o mesmo fenômeno que acomete soldados do Exército, quando colocados para combater o narcotráfico: acabam expostos à corrupção. Aliás, o pior pesadelo de Janot ainda está por vir, quando Ângelo resolver contar o que sabe sobre seu trabalho de infiltrado. Ontem, foi em vão a tentativa de Janot de esquentar a “descoberta” das novas conversas da JBS. Sua tentativa final de tentar escandalizar a mera menção a Ministros do STF pelos auto grampeados é a pá de cal em suas pretensões.

É sintomático que a Globonews tenha dedicado mais espaço à morte de Rogéria do que ao caso Janot.

Em defesa de Janot saliente-se que um dos trechos da gravação expõe as negociações da JBS com ele, mostrando que havia um jogo de pôquer não combinado entre ambos (clique aqui).

Há muitas razões para se prever um pente fino no trabalho de Janot: a própria Raquel Dodge foi vítima do jogo de Janot com a mídia.

Em um caso, havia indícios veementes de que aparelhos de escuta pudessem ter sido colocados em seu gabinete. Em outro, uma armação de Janot com setoristas do MPF, em uma reunião do Conselho Superior do Ministério Público, tentando classificar Raquel como inimiga da Lava Jato.

De qualquer forma, todos esses episódios serão reinterpretados nas próximas semanas, de acordo com as preferências políticas de cada ano, tendo como grande foco 2018.

Peça 3 – o jogo com as eleições de 2018

Há mudanças significativas entre o quadro político-jurídico do impeachment e o de agora.

O novo velho MPF

A cada dia que passa amplia-se a reação técnica interna no MPF contra a politização dos últimos anos.

No Distrito Federal, o procurador Ivan Marx devolveu credibilidade aos inquéritos, ao se limitar a analisar as provas dos autos, nas delações de Delcídio do Amaral e de insistir em analisar operações da JBS junto ao BNDES. Uma no cravo, outra na ferradura, mostrando que a missão do MPF é se ater aos autos.

Em São Paulo, uma procuradora exibicionista, frequentadora das passeatas do impeachment, assumiu o comando da Lava Jato paulista e saiu desfilando pela avenida, dando entrevistas a torto e a direito. Comprovando que, com todos seus defeitos, São Paulo não é uma província, como Curitiba, houve uma reação ao seu exibicionismo e ela acabou por se demitir, com o cargo indo para as mãos de um procurador discreto e técnico.

São sinais dos novos tempos trazidos pelo final da era Janot. Mas, também, o fim da pesada blindagem midiática da opinião média do MPF, que impedia os procuradores mais críticos de se manifestar.

Não se espere, portanto, do MPF nenhum lance a mais de corroboração às jogadas políticas.

O velho novo STF

Há um jogo extremamente delicado ocorrendo nas entranhas do STF.

Numa ponta, as estripulias de Gilmar Mendes, que desmoralizam qualquer poder. De outro o espírito de corpo da instituição que acredita que, abrir a guarda para qualquer movimento contra Gilmar, significará abrir a guarda para um efeito dominó que derrubará um a um os demais Ministros.

A preservação do STF interessa a todos os lados, inclusive aos lulistas. Afinal, a condenação de Lula pelo TRF 4 é jogo de cartas marcadas. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) dificilmente colocará a mão no fogo. Assim, a esperança de uma eleição com Lula ainda reside no STF, apesar da enorme incógnita representada por Luiz Edson Fachin.

É evidente que o legalismo de Gilmar é de última hora e visa defender os seus. Mas cria-se esse paradoxo de ter que se defender Gilmar, para preservar o STF, vendo no Supremo a esperança tênue de voltar a garantir a legalidade. E sabendo-se que, na hora crucial, chegando ao Supremo, os factoides jurídicos para boicotar a candidatura de Lula serão manobrados por Gilmar, o Ministro que desenvolveu a incrível capacidade de se tornar borboleta e voltar a ser larva a qualquer momento.

A Lava Jato

Aberta a caixa de Pandora é possível que comece a vir à tona a história oculta da Lava Jato e o papel do primeiro-amigo Carlos Zucolotto.

Na primeira metade dos 2.000, o juiz Sérgio Moro foi alvo de escutas no Paraná. Enfrentava uma quadrilha barra-pesada, chefiada por Toni Garcia, que chegou a disputar o governo do Estado. No meio do caminho desconfiou que estaria sendo grampeado e ordenou a investigação sobre os suspeitos, mas mantendo-se no caso e com pleno controle sobre as provas levantadas. O procurador era Carlos Fernando dos Santos Lima, da Lava Jato.

Terminou negociando um acordo de delação com Tony Garcia, pelo qual chegou ao advogado Roberto Bertholdo e aos arapongas. Recuperou seis minifitas com horas de gravação. Nas fitas, havia apenas grampos selecionados, de interesse dos arapongas: conversas com procuradores, desembargadores e com o primeiro-amigo Carlos Zucolotto – o mesmo que recebeu pagamentos do doleiro Tacla Duran. Qual seria o teor da conversa entre Moro e Zucolotto a despertar interesses dos arapongas?

Moro ficou até o final das investigações, apesar de parte interessada, e abriu mão das gravações, alegando que não eram relevantes para a apuração do grampo, já que o mandante havia confessado e grampeado Bertholdo. Até hoje não se sabe o teor dos grampos.

Podem ter sido conversas banais, podem ter sido conversas comprometedoras, mas não necessariamente sobre atos ilegais.

A questão é que, assim como no caso do pagamento do doleiro a Zucolotto e à senhora Moro, o conteúdo das conversas e do contrato foi mantido sob estrito sigilo.

A velha mídia escondeu o episódio do pagamento do doleiro a dona Rosângela Moro. Mas a bomba ficou guardada para uso em caso de necessidade.

O fator Globo

A Globo está atuando em duas frentes para brecar Lula.

Uma, a frente em vigor, de criminalização de Lula através da Lava Jato. Por isso é importante, neste momento, a preservação de Moro.

A segunda, é um movimento de construção de imagem do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para a apresentação de uma proposta de reforma política que jogaria as eleições para 2020.

Por isso mesmo, há um conjunto de armas na mesa, a serem utilizados pela Globo de acordo com as circunstâncias, incluindo a possibilidade de ataques aos Ministros individualmente.

Luís Nassif
No GGN
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STF recebe queixa-crime contra deputado por edição fraudulenta de frase de Jean Wyllys

Ele
A 1ª turma do STF decidiu nesta terça-feira, 5, pelo recebimento da queixa-crime do deputado Jean Wyllys contra o também deputado Eder Mauro por difamação.

Jean, em manifestação no Congresso, ao criticar as Forças Armadas, afirmou que “há imaginário impregnado, sobretudo nos agentes de segurança, de que pessoa negra e pobre é potencialmente perigosa”.

O deputado Eder (delegado de polícia) editou o vídeo com a frase e difundiu no Facebook, dando a entender que Jean afirmou que "pessoas negras e pobres são mais perigosas que as pessoas brancas".

O relator, ministro Fux, inicialmente consignou que o ato de edição, corte ou montagem tem por objetivo guiar o expectador: “A edição orientou a atribuir ao querelante fato ofensivo a sua honra (a prática do crime de racismo).”

E, assim, concluiu pelo recebimento da queixa-crime: “Ele fraudulentamente cortou a frase.” A decisão da turma foi unânime. O presidente, ministro Marco Aurélio, completou: “O mandato não dá respaldo a esse procedimento fraudulento.”

Processo relacionado: Pet 5.705

No Migalhas
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Depoimentos desmontam acusação contra Lula


Sobressai do depoimento prestado hoje (04/08) por Marcelo Odebrecht que não há qualquer relação entre os temas discutidos na Ação Penal n. 50631301172016404-70000 e a Petrobras e, ainda, que o ex-executivo não tratou de qualquer contrapartida com o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Marcelo, que é delator, negou peremptoriamente qualquer atuação em relação aos 8 contratos indicados na denúncia e ainda que tenha tratado de qualquer contrapartida em relação a esses contratos em favor de Lula.

Com esse depoimento Marcelo destrói a acusação apresentada pelo Ministério Público Federal. Lula foi acusado nesse processo porque segundo a versão do MPF ele teria recebido 2 imóveis em contrapartida por ter atendido a pedido de favorecimento de Marcelo Odebrecht em relação a esses 8 contratos firmados pela Petrobras.

O depoimento de Paulo Melo mostrou as fragilidades das declarações de Marcelo Odebrecht em relação a Lula e ao Instituto Lula.

A verdade é que Lula jamais recebeu a propriedade ou a posse de qualquer dos imóveis indicados pelo MPF, muito menos em contrapartida de qualquer atuação em contratos firmados pela Petrobras.

Mais uma vez registramos no início da audiência o cerceamento de defesa imposto ao ex-Presidente Lula. O MPF está tendo acesso a documentos que são negados à defesa de Lula. Por isso impetramos também hoje habeas corpus perante o Tribunal Regional Federal da 4a. Região objetivando reverter essa ilegalidade.

Cristiano Zanin Martins



Depoimento de Marcelo Odebrecht














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Os Marinho sabem tudo do Nuzman!

COB está para a Globo assim como a CBF...

Nuzman se dirige aos estúdios da Polícia Federal, no Rio
Os filhos do Roberto Marinho mandam tanto no COB do Nuzman, quanto mandam na CBF dos ínclitos Del Nero, Ricardo Teixeira e do sogro, o Havelange.

Os da CBF tratam do Brasileirinho e da seleção com a Globo Overseas.

O Nuzman do resto...

Quer saber da roubalheira do Nuzman?

Os filhos do Roberto Marinho podem ajudar...

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça que autorize o bloqueio de pelo menos R$ 1 bilhão dos patrimônios do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, do empresário Arthur César de Menezes Soares Filho — conhecido como "rei Arthur" por dominar os contratos de prestação de serviços com o governo do estado do Rio — e de sua sócia Eliane Pereira Cavalcante. Os três são alvos da Operação Unfairplay, da Polícia Federal (PF), que investiga o pagamento de propina a membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) em troca de votos a favor do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

"Em razão das proporções mundiais do fato em testilha, requer o MPF, em razão do dano moral causado, que o patrimônio dos representados seja bloqueado em pelo menos R$ 1 bilhão, a fim de fazer frente ao dano causado", solicitou a Procuradoria.

Os investigadores afirmam tratar-se de uma "organização criminosa, em que todos os investigados envolvidos obtiveram lucros mediante prática de corrupção, são todos responsáveis pela lesão causada aos cofres públicos" e ressaltam que "o pagamento de propina para compra de votos, na tentativa de garantir o Rio de Janeiro como cidade sede das Olimpíadas de 2016, acarretou grave dano à imagem do Brasil".

(...)

No CAf
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"Nu d'ês é bão..."

O título desta nota não contém erro ortográfico. Remete a uma das frases preferidas de Rodrigo Janot em legítimo mineirês, também disseminada como “lei da nudez": "nu d'ês é bão, no meu não!".

A frase denuncia escapismo, atitude de quem não gosta de enfrentar riscos a si. Quem a escolhe como moto de vida profissional demonstra não ser um líder, no sentido próprio da palavra, alguém que sobressai por virtudes que possam ser tomadas como exemplo a ser seguido pelos outros. Nenhuma sociedade sobreviveria regulada pela “lei da nudez" e, muito menos, uma instituição.

O episódio revelado em fragmentos na noite de ontem é mais um espécime prático de aplicação da lei da nudez. Rodrigo Janot se contorceu para explicar o inexplicável e concluir: "no meu não".

Reconheceu o óbvio: as gravações de Joesley foram fabricadas em casa, por instigação da equipe do Procurador-Geral da República e sem autorização judicial. Insistiu, porém, em que, como provas, seriam íntegras, plenamente aproveitáveis. Afinal, não seria a "suposta" molecagem de Marcelo Miller, seu ex-auxiliar, que colocaria tudo a perder. "No meu não".

Nenhum penalista, ainda que iniciante, subscreveria a ressalva sobre a integridade da escuta ilegal de Michel Temer. Escutas ambientais só são lícitas, sem autorização judicial, se forem tomadas por quem, partícipe no interlóquio, queira usá-las em defesa própria. Este é o entendimento solidamente firmado pelo STF. Não foi este o caso das gravações de Joesley.

O que se tornou público ontem foi o uso de um prospectivo delator premiado como longa manus do ministério público, clandestinamente plantado no domicílio alheio, para ali extrair informações da boca de um alvo de devassa política. Sim, porque aquilo que estava em curso quando da gravação do alvo não podia ser chamado de “investigação”. Esta pressupõe fato determinado, completado no passado. Já a devassa é a busca frenética de um fato comprometedor. É o que a Força Tarefa da Lava Jato tem feito incessantemente, em Curitiba e em Brasília. Usar um prospectivo delator premiado para essa tarefa é iniciativa do melhor estilo mafioso. Lembra cena típica de filme sobre a “Cosa Nostra”, em que um pequeno batedor de carteira com sonhos de grandeza quer entrar para a organização e é submetido a teste de valentia e lealdade: obriga-se o pobre coitado a matar um policial, para mostrar do que é capaz, como um aperitivo de sua utilidade para a organização. Joesley, ao que tudo indica, foi usado como o batedor de carteira. Foi obrigado a oferecer à Procuradoria Geral da República um aperitivo para conquistar a premiação. O aperitivo era Temer.

Ninguém no grupo da Lava Jato pode dizer que não sabia dessas práticas. Muito menos o chefão. O uso de prospectivos delatores para a escuta ambiental não autorizada tem sido recorrente. Foi assim com Bernardo, filho de Nestor Cerveró, que gravou Delcídio do Amaral; foi assim com Sérgio Machado, que gravou José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá. No caso de Delcídio, a crueldade foi requintada: após ter, este, fechado negociação com a Procuradoria Geral da República, por acordo do qual constava cláusula de sigilo por três meses, deu-se que a cláusula não foi aceita pelo relator, Ministro Teori Zavascki, por não encontrar amparo legal. Por um desses acasos da vida, a gravação de Delcídio foi tornada pública logo a seguir, impedindo o senador a voltar atrás no acordo de delação. Entre as patacoadas do acerto constava declaração do senador de que Dilma Rousseff teria, com a nomeação de Marcelo Navarro para o STJ, visado a obstar investigações contra a construtora Odebrecht. Uma hipótese sem qualquer lastro, como, agora, reconheceu a polícia federal, mas que serviu para abrir inquérito contra a Presidenta às vésperas da votação da admissibilidade do impeachment no Senado, com clara finalidade de desgastá-la perante a opinião pública.

O que causa perplexidade é o cinismo da gestão de Rodrigo Janot à frente do Ministério Público Federal, quando insiste em que sua atuação tem sido estritamente “técnica”. Façam-me rir. Já o disse alhures, o técnico é uma forma de dar roupagem de isenção a decisões que são essencialmente políticas. O direito usa a técnica como meio de legitimar essas decisões. Mas, decidir sempre é optar. O julgador opta entre, no mínimo, duas teses: a do autor e a do réu, ambas revestidas de fundamentos jurídicos e, portanto, ambas plausíveis se sustentadas com boa técnica. A independência do juiz está no intervalo entre essas teses, que tem o nome de lide. Não pode decidir fora dela, pois seria decidir “ultra petita”, como se diz no bom jargão profissional. A opção, quando não balizada por sólida jurisprudência, é algo completamente subjetivo. E o juiz faz política ao optar. Assim também o faz o ministério público quando decide, ou não, levar um caso adiante.

Mas política não é sempre molecagem. Ela funciona como tempero necessário para preservar as instituições e a governabilidade. Pressupõe-se de quem vai decidir que tenha equilíbrio e senso de justiça, de correção, de critério – virtudes que só se adquirem com muita experiência, ao longo de anos de atuação. Por isso, não é crível tenha o Procurador-Geral da República deixado um grupo de procuradores verdes, sem seu cabedal, rolar solto. O procurador Marcelo Miller, que, pelo que se anuncia, estaria por detrás dessa “técnica” de exigir aperitivos de prospectivos delatores premiados, com meros treze anos de casa, não pode ter agido por conta própria. As informações colhidas por sua “técnica” foram usadas não só em juízo pelo chefe da instituição, mas, também, pela instituição-corporação (hoje é difícil divisar entre ambas), para fazer seu barulho e adquirir musculatura – política (neste caso, com sentido de molecagem mesmo).

Das duas uma: ou o Procurador-Geral se revelou um grande irresponsável, deixando o barco correr enquanto gente de sua equipe pintava e bordava com falta completa de ortodoxia técnica; ou então ele era parte da trama, aquiescendo com a “técnica” de Miller. Afinal, defendia e defende com unhas e dentes a atuação do grupo da Lava Jato como íntegra e profissional. De uma forma ou de outra, terá ainda muitas explicações a dar.

Por sinal, curioso é o tratamento diferenciado dado a Marcelo Miller, se comparado com o que foi emprestado a outro colega, o Doutor Ângelo Goulart. Ângelo nunca pediu aperitivos ilícitos de prospectivos delatores; nunca plantou escutas em domicílios alheios sem autorização judicial; nunca negociou passe com escritório de advocacia para atuar em prol dos investigados depois de exonerado do ministério público. E nada se provou de concreto contra Ângelo. Disse o falastrão Joesley, na conversa plantada no Jaburu, que tinha um procurador e um juiz no bolso. Depois disse, em delação premiada - sabe-se lá instigado por quem - que Ângelo estaria a receber 50 mil reais para auxiliá-lo. Não acharam um tostão com Ângelo. Sua casa, seu carro, tudo foi revirado. Suas movimentações financeiras foram absolutamente regulares. Mas ele foi tachado de corrupto aos olhos da Nação, com direito a transmissão pelo programa dominical “Fantástico” da Rede Globo e ficou preso por mais de setenta dias sem poder contar sua versão dos fatos a ninguém. Mais recentemente, em outra entrevista, mesmo sem nenhum avanço na investigação contra Ângelo, Rodrigo Janot voltou a expô-lo como colega envolvido “em corrupção”. O que fez Ângelo? Passou uma gravação de uma audiência entre um colega e diretores da Eldorado Celulose para um advogado de Joesley Batista. A entrega da gravação nada tinha de ilícita, porque tomada de ato que deveria ser público, a bem da higidez do trato do ministério público com as partes. A gravação servia, ao que tudo indica, para convencer Joesley a aceitar fazer delação premiada para evitar a derrocada de seu império empresarial. Mal sabia Ângelo que as negociações sobre a delação já estavam em curso e adiantadas, com Marcelo Miller a sua frente.

Já Marcelo Miller, exposto nas novas gravações de Joesley, após ter abandonado o ministério público para se lançar em mais rentável carreira de advogado, defendendo o império empresarial de Joesley, recebe o benefício da dúvida. Nada de pedido de prisão. Nada de acusação de corrupção. Ele pode prestar suas declarações, sua versão, até próxima sexta feira, sem nada temer. Para os lavajateiros, a atuação de Marcelo merece ser prestigiada e honrada. Diferente de Ângelo, diretor da associação de classe, que teria se aproximado perigosamente da candidatura de Raquel Dodge ao cargo de Procuradora-Geral da República e merece ser publicamente apedrejado e ter sua reputação destroçada. “Nu d’ês é bão”.

Mas, por erro de cálculo estrutural, desabou o edifício que homiziava a política da “técnica” de Janot. Ficou exposta à curiosidade coletiva. Fez tudo errado. Confiou em quem não devia ter confiado. Omitiu-se na defesa da democracia e deixou de exercer o que a Constituição lhe atribuiu – ser "Chefe do Ministério Público da União" (art. 128). Preferiu as intrigas da politicagem interna e o discurso corporativo fácil. Revelou-se um ignorante no jogo da macropolítica. Traiu quem lhe dera a mão, não para beneficiar quem quer que seja, mas para tirar o país da polarização inaugurada com o processo do chamado “Mensalão”. Não o tirou e acirrou o conflito. Permitiu que jovens procuradores partidariamente motivados destruíssem a economia e levassem o moralismo doente ao judiciário. E nem conseguiu tratar os colegas com dignidade. Ângelo Goulart que o diga.

A "lei da nudez" falhou e não tem como salvar o do Rodrigo Janot.

Eugênio José Guilherme Aragão
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Um ano depois, consórcio do impeachment caminha para banco dos réus

Há doze meses no Planalto, Michel Temer se prepara para nova e última flecha de Janot.
Presidente lidera coalizão que tenta se salvar da maior operação anticorrupção da história


Em 31 de agosto de 2016, o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff terminava com a votação derradeira no Senado pela perda do mandato presidencial. Nesta quinta-feira, Michel Temer completa um ano como o ocupante oficial do Palácio do Planalto, mas também depende do Congresso para sobreviver no cargo. Não há dia em que Temer não precise se acertar com os fiadores da queda de Dilma para não acabar como a sua antecessora, afastado pelo Congresso – derrubado na próxima flechada do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A marca de um ano de governo efetivo é um indicador limitado do desempenho de qualquer governante. Mas o ex-presidente Itamar Franco (1930-2011) também assumiu o Planalto depois de um impeachment em um momento de crise nacional e, nesse curto período, teve disciplina e rigor para trazer estabilidade ao país e iniciar o lançamento de uma nova moeda. Embora Temer tenha governado por decreto para obter a aprovação de medidas impopulares, desde maio só conseguiu concentrar seu tempo na própria defesa das acusações de corrupção enredadas no acordo de delação premiada do empresário Joesley Batista. A entrega filmada de propina para o ex-deputado federal e ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures (PMDB), da qual Temer foi apontado como o destinatário final pela Procuradoria-Geral da República, exigiu que ele comprasse o apoio de parlamentares com barganhas orçamentárias e concessões para escapar do afastamento do mandato com a abertura de uma ação penal, a primeira apresentada contra um presidente da República na história do país. Mas a blindagem o tornou refém de uma rebelião na base aliada, que pede mais favores para salvá-lo de uma possível nova denúncia.

Rodrigo Janot tem ainda duas semanas, antes de deixar a Procuradoria-Geral, para apresentar essa segunda denúncia contra o presidente que levaria a uma nova votação da Câmara dos Deputados sobre a continuidade de Temer. E, em decorrência disso, o presidente teria que se envolver em mais uma barganha para garantir o voto favorável dos deputados. Uma das ameaças novas para o Governo é o acordo de delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, com fortes ligações com o PMDB, ainda que, por enquanto, o ministro relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, tenha pedido a Janot que retifique alguns dos pontos do acerto fechado com o réu.

Um dos responsáveis pelo pedido de impeachment protocolado na Câmara contra Dilma, o jurista Miguel Reale Júnior, se desfiliou do PSDB depois que as tramas de propina para Temer foram reveladas, em protesto à manutenção do apoio tucano ao presidente. O jurista diz que sua intenção era acabar com a "corrupção sistêmica" promovida pelo PT, mas não apoia a impunidade de Temer. Até agora, no entanto, ele não apresentou nenhum pedido de impeachment contra o presidente – já existem mais de 20 protocolados na Câmara. “Temer demonstrou que a política brasileira permite a sobrevivência de quem sabe fazer da política um balcão de negócios. Isso ele soube fazer e é lamentável que tenha tido sucesso com a compra da rejeição do processo criminal”, afirmou Reale Júnior ao El País.

Um ano depois do impeachment, o grupo que articulou a derrubada de Dilma conseguiu escapar até agora da abertura de ações penais, por lentidão do Supremo Tribunal Federal, embora alguns já estejam denunciados pela Procuradoria-Geral da República e caminhem para o banco dos réus por esquemas revelados na Operação Lava Jato e em outras investigações. A exceção ocorre para quem perdeu o foro privilegiado. Ironicamente, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) demonstrou que não existe sorte sem azar. Foi dele a participação mais importante na queda de Dilma, quando reagiu ao avanço da Operação Lava Jato e permitiu a abertura do processo de impeachment como presidente da Câmara dos Deputados. Mas também foi ele o primeiro político do consórcio que derrubou Dilma a ser alcançado pela Justiça. Pouco depois de iniciar o impeachment, foram localizadas suas contas bancárias no exterior, o que deu início à cassação de seu mandato no Congresso e abriu caminho para que ele fosse preso e condenado a 15 anos de prisão. Hoje, cumpre pena no Complexo Médico Penal de Pinhais, no Paraná.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), um dos articuladores da queda de Dilma, é investigado em inquéritos, mas ainda não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República e se beneficia da lentidão com um jogo duplo – segura pedidos de impeachment contra Temer, mas se apresenta nos bastidores como um nome desimpedido para ocupar o Palácio do Planalto caso Temer seja afastado. Ele é o articulador mais bem posicionado no condomínio do impeachment.

Ministérios foram distribuídos aos líderes partidários da aliança que derrubou a petista. Mas a formação original do Governo Temer se desfez conforme se apresentaram denúncias contra os titulares das pastas. Dos valetes de Temer transformados em ministros, dois já foram presos e respondem a processos – Geddel Vieira Lima (PMDB), hoje em prisão domiciliar, e Henrique Eduardo Alves (PMDB), detido no Rio Grande do Norte. O senador Romero Jucá (PMDB) foi a primeira baixa da guarda ministerial, mas virou líder do governo no Senado e já acumulou três ações penais desde o impeachment.

Também caminha para o banco dos réus o círculo mais íntimo de aliados do presidente, considerado a “quadrilha de Temer” por Rodrigo Janot. Esse grupo é investigado pelo crime de formação de organização criminosa e reúne os ministros Moreira Franco, Eliseu Padilha e o ex-assessor presidencial José Yunes. Todos foram artífices decisivos da queda de Dilma e da blindagem de Temer no Congresso, mas também se dirigem para o mesmo ostracismo em que vive a ex-presidente (livre, até agora, de ações penais).

Ainda assim, Temer se beneficia do silêncio das ruas e da condescendência dos movimentos como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem pra Rua, que promoveram várias manifestações para tirar Dilma do Planalto. A historiadora Céli Regina Jardim Pinto, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e autora do livro A Banalidade da Corrupção: uma forma de governar o Brasil, avalia que Temer se beneficiou de protestos minguados contra seu Governo, mesmo depois de denúncias de corrupção, porque só havia forças com aglutinação suficiente para retirar o PT da Presidência da República. “Os manifestantes não apoiavam Temer ou um novo projeto. Queriam apenas acabar com o PT. Mas pessoas que fizeram campanha para tirar Dilma estão muito assustadas com o que fizeram, porque Temer só se preocupa em se salvar”, afirma a historiadora.

Sustentáculo de Temer perante a classe empresarial, a recuperação da economia não deslanchou, mas trouxe alguma confiança do mercado. Só que a melhora da atividade foi prejudicada pelo custo de sobrevivência do presidente no Congresso, que teve de detonar o ajuste fiscal para fazer concessões a parlamentares e se manter no cargo. Essa falta de resultados logo motivou críticas de economistas que, no início do governo Temer, tinham alguma boa expectativa. "Com a remoção de Dilma havia chance de mudar rumos. Mas comecei a perceber pouco tempo depois o oportunismo. Na discussão do teto dos gastos públicos vi pela primeira vez como críticas construtivas nunca seriam aceitas pelo governo Temer, o que é uma coisa grave", afirma a economista Monica de Bolle, professora da Universidade Johns Hopkins. "Não há dúvida que não estaríamos em situação tão ruim quanto estamos se não fosse a necessidade de Temer e de outros políticos de se defenderem a qualquer custo das acusações contra eles, sejam elas fundamentadas ou não", acrescenta.

Na fila da salvação econômica, a situação de Temer é exatamente oposta à de Itamar Franco com o mesmo tempo de governo, avalia o economista Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda com o presidente que substituiu Fernando Collor de Mello. Isso porque Temer até conseguiu destravar rápido uma agenda de mudanças, com a aprovação de um teto para os gastos públicos e uma reforma trabalhista, mas esse programa reformista acabou estagnado pela necessidade de blindagem ao presidente no Congresso contra as denúncias de Janot. Itamar, ao contrário de Temer, demorou a deslanchar, a formar uma equipe capaz de lançar um novo programa econômico, mas em um ano já tinha iniciado a implantação do Plano Real e a estabilização do país. “Temer começou melhor, mas a partir de certo momento ficou absolutamente comprometido com essas acusações de corrupção. E Itamar era um homem acima de qualquer suspeita. Essa é a grande superioridade dele sobre o Temer. Itamar não era tão articulado com as lideranças políticas como Temer é, mas talvez por isso Temer seja tão vulnerável”, avalia Ricupero.

O sapateado reformista de Temer escondeu seu verdadeiro perigo. “Ele tinha todas as condições para, mesmo impopular, ter méritos reconhecidos. No plano econômico, houve algumas vantagens. Mas, no plano político, foi sem dúvida desastroso e demonstrou que continuou com as mesmas práticas que sempre caracterizaram o PMDB”, critica Reale Júnior.

Antes da trama da JBS, Temer já tinha se livrado de investigações por propinas da Odebrecht e da Engevix, porque os casos ocorreram antes do exercício do mandato presidencial e, portanto, ficam imunes a investigações até a saída dele do Palácio do Planalto. “O lobo perde o pelo, mas não perde o vício”, critica Reale Júnior, em referência ao presidente. Mas a batida da Operação Lava Jato na porta de Temer é um perigo atemporal.

Daniel Haidar
No El País
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Cristiano Zanin Martins na Jovem Pan


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História Geral da Arte — Renoir


Renoir

Pierre-Auguste Renoir (Limoges, 25 de fevereiro de 1841 — Cagnes-sur-Mer, 3 de dezembro de 1919) foi um pintor francês impressionista. Desde o princípio sua obra foi influenciada pelo sensualismo e pela elegância do rococó, embora não faltasse um pouco da delicadeza de seu ofício anterior como decorador de porcelana.

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Dallagnol e o power point do juiz Moro


É intrigante o aumento do silêncio do juiz Sérgio Moro e dos procuradores da Lava Jato.

O silêncio deles é diretamente proporcional ao surgimento das novas revelações sobre os vínculos de Carlos Zucolotto Júnior e de Rosângela Moro com Rodrigo Tacla Durán, ex-funcionário da Odebrecht e foragido da justiça.

O juiz midiático e os não menos espalhafatosos procuradores da Lava Jato, sempre muito loquazes e garbosos frente às câmeras, os microfones e os púlpitos nos quais proferem suas rentáveis palestras, curiosamente parecem acometidos por uma síndrome de comedimento verbal.

Depois que Tacla Durán denunciou a proposta de suborno de Zucolotto Júnior – seriam US$ 5 milhões em troca de favorecimento em acordo de delação a ser firmado com a força-tarefa da Lava Jato – Moro e os procuradores se pronunciaram numa única ocasião, através de notas oficiais intencionalmente genéricas.

Assim mesmo, se manifestaram sem a ira e a indignação habitual com que reagem sempre e quando questionados. Além disso, espantosamente não anunciaram processos judiciais contra TaclaDurán, o que seria esperável caso se sentissem vítimas de crimes de calúnia, injúria e difamação.

Carlos Zucolotto sequer se pronunciou. Decerto ele se sentiu dispensado de prestar contas à sociedade, diante do gesto de solidariedade do juiz Moro, que estranhamente se incumbiu de defendê-lo. Em nota oficial, Moro declarou: “O advogado Carlos Zucolotto Jr. é advogado sério e competente, atua na área trabalhista e não atua na área criminal. ... O advogado Carlos Zucolotto Jr. é meu amigo pessoal e lamento que o seu nome seja utilizado por um acusado foragido e em uma matéria jornalística irresponsável para denegrir-me”.

Rosângela é esposa de Moro, e Zucolotto o “amigo pessoal” e padrinho de casamento da Rosângela com o juiz Moro.

Rosângela e Zucolotto tiveram sociedade no escritório de advocacia que representava o escritório de Tacla Durán no Paraná, e eles receberam honorários por isso, como comprova o levantamento da Receita Federal.

O escritório de Rodrigo Tacla Durán, sabia-se já em 2015, quando a Receita Federal levantou as informações sobre o trabalho prestado por Zucolotto e Rosângela Moro [coincidentemente, Rosângela se desligou do escritório de Zucolotto na época em que o mesmo entrou no radar de investigação da PF e Receita Federal], era dedicado às falcatruas de corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

O mínimo que se esperaria de Moro e dos procuradores da Lava Jato seria o compromisso com o esclarecimento cabal dos fatos, para afastar quaisquer dúvidas sobre fatos que tem o potencial de escândalo da proporção de uma hecatombe.

O pregador religioso e procurador Deltan Dallagnol – que, aliás, sumiu desde que foram revelados detalhes dos seus investimentos no programa Minha Casa Minha Vida e no setor de palestras milionárias – bem que poderia dedicar seu recolhimento no ostracismo temporário para desenhar o power point do juiz Sérgio Moro.

Se fossem aplicados os mesmos critérios do Sérgio Moro e dos procuradores da Lava Jato, este assunto seria tratado como um mega-escândalo, com conduções coercitivas, coletivas à imprensa, acobertamento do STF, cobertura integral no Jornal Nacional etc.

Jeferson Miola
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O que zé Cardozo sabe sobre o Supremo?

Diálogo sórdido implica ex-Ministro da Justiça!

zé teve encontros reservados com ministros do STF. Por exemplo, com o Ministro Gilmar Mendes
O Conversa Afiada selecionou do "Globo Overseas" trechos da sórdida gravação de Francisco de Assis e Ricardo Saud, da JBS, a propósito de patranhas com o Procurador Marcelo Miller, que trabalhou na sala ao lado e em função de confiança do Procurador (sic) da República (sic) Rodrigo Janot, o que quer matar a delação do Joesley, como mataram a Satiagraha e a Castelo de Areia.

Os trechos a seguir reproduzidos implicam de forma inequívoca o ministro zé da Justiça que, de forma voluntária ou sob o comando da Lei, tem que dizer o que sabe sobre Ministros do Supremo:

Leia aqui os principais trechos dos diálogos que podem anular a delação da JBS

(...) JB: O Renan, Ze Eduardo ... ele ficou enlouquecido com Ze Eduardo

RS: ele acha que o Ze Eduardo é o melhor caminho pra chegar no Supremo

JB: ele te falou isso? que que ele te falou?

RS: não... nós con... eu contando lá do Ciro, das coisas e tal

JB: que que cê falou pra ele?

RS: ai nós ouvimo a fita e tal

JB: não, que que cê falou pra ele?

RS: não, eu falei pra ele ó... conversa lá foi assim, assim

JB: assim o que, me fala

RS: não... como... nós chegamos lá, começamos conversar... o Joesley foi falando com ele... perguntamo as coisas, que que tinha feito... ele falou da lei e tal... (parte inaudível) você não tinha me falado da lei (parte inaudível) entendeu na hora da lei, falou que outubro foi aprovado uma lei assim assim negócio de narcotráfico ai... eu não sabia, mudaram a lei lá passou pra outra coisa.... ele (parte inaudível) lembrei que (parte inaudível) que em abril começou a Lava Jato... "ah ele falou dessa lei", mas essa lei (parte inaudível) filho da puta do Godoy... mas essa lei é narcotráfico, não é nada com Joesley não... falei ah eu não sei, ai Joesley tentou me explicar lá, eu não sei, eu vou ler depois, ah ai.. ai nós falamos... eu falei ó, inclusive lá nós conversamos, porra veio.... cara falou que tem cinco... cinco... Ministros do Supremo na mão dele... Inclusive muitos conversado e outros, não é só palavreado não, escrito tal... ele falou "cinco ele não tem não... ele tem... ah só se eles, só se eles contam Lewandowski até hoje"... ele falou, falei ah dai eu não sei, não deu nome não... Mas se contar Lewandowski pode ser sim... (parte inaudível) falou assim lá pra mim "mas ele tinha essa intimidade com a Dilma?"... "intimidade? eu vou te contar, eu achei que os três tavam fazendo suruba" ... porque ele falou da Carmen Lúcia, (parte inaudível) da Carmen Lúcia que vai lá falar do (parte inaudível) com a Dilma e tal, os três juntos, tal tal tal.... "ah então ele tem mesmo essa intimidade?"... (parte inaudível) os cara... falei não é mentira não.. foi tô falando (parte inaudível) contei pra ele, falamos do escritório, falamos da conta...

JB: Que escritório? Que escritório?

RS: do Marco Aurélio.. (parte inaudível) falou do dinheiro?... não.. "não né Ricardo"... (parte inaudível) ... "mas e ai, que que a Dilma falou?" ... (parte inaudível) não, não (parte inaudível) nada disso.. ai se viu a Carmen Lúcia lá e tal... a última indicação e tal... ai eu contei pra ele, falei (parte inaudível)... ai mudou o assunto ... "falando sério? tá se falando disso?" ... suruba dos três e tal... "não, isso eu quero ouvir"... ai (parte inaudível) o trem ... nós falando de putaria ... "esse cara é louco..."

JB: ai cê mostrou a fita?

RS: não... (parte inaudível) fomo mostrando (parte inaudível)...

JB: isso

RS: ai ele falou "isso dá cadeia... eles prendem Ze Eduardo amanhã... eles prendem amanhã... melhor não... melhor não...".... (parte inaudível) eles prendem amanhã...

JB: eles o Supremo...

RS: é (parte inaudível) ... ai ... deixa eu ver de novo... "ai ocê também... (parte inaudível) suruba ai... se não fala isso mais não... vou te orientar ocê não fala isso mais nunca... cê falar que a Presidente da República, Presidente do Supremo ele tá fazendo suuu... vc tem noção do que vc falou?" ... ele me deu uma dura tão grande... "vc tem noção do que vc falou? Presidente do Brasil, Presidente do Supremo e Ministro da Justiça fazendo suruba... (parte inaudível) bota lá, (parte inaudível) esse ai nós temos que tirar... temo que usar (parte inaudível) Ze Eduardo, (parte inaudível) pressionar o Ze Eduardo pra ele contar quem é o cara do Supremo..." ah meu Deus, depois disso tal... ficamo conversando... (parte inaudível) Joesley faz o que quiser aquele trem (parte inaudível) "então vamos esquecer aquele trem da briga do do Gilmar... e vamo nesses três Ministro do Supremo"...

JB: como... esquecer a briga?

RS: o trem do Gilmar que virou briga lá entre ele e a... (parte inaudível) vamo esquecer isso e vamo pegar os três... eu falei (parte inaudível) Marcelo ocê é inteligente demais, vc tá largando um amigo quer três... "não, mas não é isso"... agora, ele (parte inaudível), ele tá ficando meu amigo e tal achando (parte inaudível) ... quando ele mandou eu digitar tudo lá pra ele (parte inaudível) trem e tal pá pá pá... (parte inaudível) pode escrever o que você quiser ai, que eu conserto depois ... eu tô metendo o cacete... escrevendo o que eu to pensando (parte inaudível)... eles são esperto... uma (parte inaudível)

JB: isso... é .. ele faz assim.. (parte inaudível risada) ... (parte inaudível) Ze

RS: (parte inaudível) vc vai ver, ele vai pra cima docê na hora... vamos escutar terça feira (parte inaudível) ... ele vai pra cima docê na hora... na hora (parte inaudível)

JB: (parte inaudível) ainda... tem da restituição... tem da restituição

RS: entregar esse do Ze Eduardo (parte inaudível) esse trem da putaria no Jornal Nacional

JB: A Carmem Lúcia...

RS: tem que ouvir procê ver... o Ze não nega xxxxx

(parte inaudível)

RS: corrupção não veio... não é só corrupção não..

JB: a sociedade... a sociedade...

(parte inaudível)

RS: (parte inaudível) Marco Aurélio (parte inaudível) ouvi a fita.... (parte inaudível) eu não lembrava o nome... (parte inaudível) bonita gostosa, não sei se era do Rio, de Brasília tal ... será que o Ze não comia essa mulher não... era uma advogada famosa... (parte inaudível) um ciúme desgraçado...começa a falar lá quem é essa, quem é

JB: Cê tá falando... a Fernanda... isso... certeza o o Francisco... o Francisco já falava o seguinte... A Fernanda dá pro Ze...

RS: (parte inaudível) surtou (parte inaudível) demais

JB: nããooo... surtou por causa do Ze, surtou por causa do Ze... não... surtou por causa do Ze e porque sabe que se nós entregar o Ze, nós entrega o Supremo... eu falei pro, eu falei pro Marcelo, falei Marcelo, cê quer pegar o Supremo? qué, pega o Ze... seguinte.. guarda o Ze, o Ze entrega o Supremo...

RS: O Ze não aguenta (parte inaudível)

JB: não, que isso... não aguenta meia hora

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- (01:48:00) JB: "Eles (MPF?) vão dissolver o Supremo...eu vou entregar o Executivo e você vai entregar o Zé, o Zé vai entregar um....(não fala)...vou ligar e chamar ele e falar...o Zé seguinte vc precisa trabalhar com a gente, nós precisamos organizar o Supremo, a única chance que a gente tem de sobreviver...vc tem quem? como é cada um? qual a influência que vc nesse? Como é que a gente grampeia? o Zé vai entregar tudo...a gente vai falar de 2 só, nós só vai entregar o Judiciário e o executivo, a ODB moeu o legislativo, nós vamos moer...

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JB: "Vamos ver, vamos devagar".

Ricardo: "A não ser que o Zé entregue o Supremo inteiro".

JB: "O Zé vai entregar... B é isso, o C é isso...por onde a gente chega, bota tudo na conta do Zé...nós só vamos precisar falar de duas coisas"

Ricardo:" entrega o Zé (inaudível)....Marco Aurélio..." JB: "e oh tchau..."

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Ricardo: (inaudível)...mandei uma mensagem de propósito, só pra ver...(inaudível)...vamos marcar terça-feira, por causa disso..disso. Eu fiz 11 páginas...eu sozinho (inaudível). Agora a Fernanda, ela tem interesse....(inaudível). Sabe qual é o problema? O Marcelo é a primeira causa dele...é a única da vida dele. A Fernanda tem umas 3/4

JB: Alguém tem que ajeitar ela. Que é o que eu falei com o Francisco

Ricardo: (inaudível) por causa do Zé....

JB: Ela não tá falando que é o Zé, ela tá falando que é o Gilmar...q não sei quem...é porra nenhuma...eu já falei...Francisco, Ricardinho

Ricardo: (inaudível)...ele até acha que o Francisco tá dando em cima da Fernanda, que ele gosta muito da Fernanda, mas o episódio da briga dele com a Fernanda...houve a briga dele com a Fernanda, vc não falou nada com ele aquele dia...(inaudível) ele ficou constrangido...

Em tempo: o "Marco Aurélio" dessa "suruba" será o sócio do zé?

No CAf
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Delação da JBS: entenda a reviravolta no caso

Janot vai investigar o acordo firmado com Joesley Batista. Em fim de mandato, o caso pode enfraquecer o PGR, que estava prestes a denunciar Temer

Joesley Batista deixa a sede da Superintendência da Polícia Federal após prestar depoimento, em agosto
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fez na noite de segunda-feira 5 um pronunciamento às pressas no qual anunciou uma nova investigação a respeito das atividades de Joesley Batista, um dos donos da holding J&F, proprietária da JBS, e de Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva, executivos da empresa. Ambos realizaram acordos de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República que embasaram, por exemplo, a denúncia por corrupção contra o presidente da República, Michel Temer.

A nova investigação não anula as provas entregues pelos delatores, mas cria um novo debate político a respeito da legitimidade das delações. Entenda o caso.

O que Janot anunciou na segunda-feira 5?

Janot determinou a abertura de um procedimento administrativo para revisar os acordos de delação de Joesley Batista, Saud e Assis e Silva. Os três integram o grupo de sete executivos da J&F que firmaram acordo de delação premiada.

Por que só agora Janot pediu essa nova investigação?

Porque avaliou que a última leva de documentos entregues pelos delatores traz indícios que precisam de investigação. Esse material foi entregue em 31 de agosto, último dia do prazo de 120 dias, a partir da homologação da delação, para que os colaboradores entregassem elementos de provas sobre os depoimentos prestados em abril.

E por que será realizada uma nova investigação?

Porque nos áudios entregues pela J&F há um áudio com "cerca de quatro horas de duração", segundo a PGR, que traz uma conversa entre Joesley e Saud com "elementos que necessitam ser esclarecidos".

Há mesmo ministros do STF citados?

Sim, mas ainda não se sabe quantos, quais e qual o eventual grau de gravidade das citações. Em seu site oficial, a PGR afirmou que na conversa entre Saud e Joesley há "meras elucubrações, sem qualquer respaldo fático, inclusive envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a própria Procuradoria-Geral da República", mas destaca os tais "elementos" que precisam de esclarecimento.

No despacho enviado por Janot ao STF, no entanto, o PGR fala de "trechos no áudio que indicam a omissão dolosa de crimes praticados pelos colaboradores, terceiros e outras autoridades, envolvendo inclusive o Supremo Tribunal Federal.

E Janot citou algum elemento concreto que exige investigação?

Apenas um. É o caso do ex-procurador da República Marcelo Miller, que integrou a força-tarefa da Lava Jato em Brasília e, depois, foi trabalhar no escritório Trench, Rossi e Watanabe, contratado pela J&F para negociar com as autoridades o acordo de leniência da companhia, uma espécie de delação premiada para empresas.

Segundo Janot, o áudio dá a entender que Miller estaria auxiliando na confecção de propostas de colaboração para serem fechadas com a PGR, o que poderia configurar crime de improbidade administrativa.

E como vai se dar essa investigação?

Janot determinou que até a sexta-feira 8 Joesley Batista, Saud e Assis e Silva prestem novos depoimento à PGR, em Brasília, para esclarecer as dúvidas dos investigadores. Eles também deverão apresentar o equipamento no qual a gravação foi feito, bem como os dispositivos onde os áudios estavam armazenados.

Marcelo Miller foi intimado a comparecer à PGR, também até sexta-feira 8, para prestar depoimento sobre sua atuação. O escritório Trench, Rossi e Watanabe, para o qual Miller trabalhou após deixar a PGR, deverá apresentar informações sobre a demissão de Marcelo Miller e de Esther Miriam Flesch, outra advogada da banca e que foi recentemente desligada da sociedade.

O áudio é público?

Por enquanto, não. Em seu despacho, Janot encaminha o áudio ao relator da Lava Jato no STF, o ministro Edson Fachin, e afirma que é ele quem deve decidir "sobre sua publicidade ou não, considerando que, embora a Pet 7003 [a ação que envolve a J&F] seja pública, o mencionado áudio, além de apresentar supostos crimes, também revela diálogos da intimidade dos interlocutores e de terceiros". Fachin ainda não se pronunciou.

E a delação premiada da J&F pode ser anulada?

Não. Segundo a PGR, uma eventual revisão do acordo não implica nulidade de provas já produzidas em investigações. Pode haver, no entanto, reflexos na "premiação" da delação, inclusive com a perda total dos benefícios.

Janot estava prestes a denunciar Temer novamente. E agora?

Em tese, nada muda, e o PGR ainda pode denunciar o presidente da República. Ocorre que o caso, ainda que tornado público pelo próprio Janot, enfraquece o procurador politicamente. Isso porque desde o início do escândalo, Temer construiu sua defesa atacando a credibilidade de Joesley Batista e salientando o papel de Marcelo Miller, o qual Janot, inicialmente, disse não ser ilegal.

Na China, onde participa de encontro dos BRICS, Temer disse que recebeu as notícias sobre a delação de Joesley "com serenidade".

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Lama nas delações: o fim que conspurca os meios


Se há algo que contamina todas as operações Lava Jato – de Curitiba a Brasília, passando pela filial carioca, nunca será tão bem expresso quanto na entrevista do submoro juiz Marcelo Bretas, gerente da Lava Jato no Rio:

 “O combate à corrupção faz os meus olhos brilharem”.

Próprio de sentimentos irracionais – paixão, cobiça, desejo – o brilho dá a volúpia e retira a serenidade do olhar e faz com que seu campo de visão se estreite ao ponto de quase ser só aquilo que busca, deixando o caminho próprios a tropeços e, como parece ser o caso agora, tombos estrepitosos.

Desde o início, a Lava Jato tornou-se, para o juiz Sérgio Moro e para os procuradores de Curitiba, uma poderosa ferramenta de prestígio, afirmação de poder e realização de objetivos ideológicos (francamente, seria impróprio chamá-los de filosóficos).

Veja friamente: quando é que um juiz e promotores de província (e seu séquito de meganhas) poderiam monopolizar diariamente as manchetes de toda a mídia nacional, ameaçarem um governo, impedir que se eleja um próximo, tudo isso mergulhando em flashes, troféus, capas de revista, palestras e até ganharem um filme, nauseantemente promovido com dinheiros misteriosos?

Já no (sem trocadilho) início deste processo, o Procurador Geral da  República, em lugar de exercer o papel de moderador da ação de seus subordinados, contendo-os no que é legítimo conter – a autopromoção e o abuso das suas funções – reagiu com um “eu também quero”.  Isso se materializou na cena ridícula de segurar, ainda em março de 2015, o  cartaz “Janot, você é a esperança do Brasil”, oferecido por um grupelho de moralistas ensandecidos.

Francamente, Bolsonaro e bolsominions não teriam protagonizado cena mais expressiva de messianismo e vaidade.

O “autogrampo” dos delatores Joesley Batista e Ricardo Saud registra apenas um dos muitos diálogos abjetos que se deram em todo este processo de delação. Os outros, apenas, não foram gravados.

Uma “delação simultânea” de 77 executivos da Odebrecht, afinal, é um ato de vontade individual dos delatores ou um imenso negócio corporativo que, todos sabem, envolveu prêmios milionários a seus participantes, garantias  de estabilidade na bem-pagas posições que ocupam?

E menos mal a “verdade” comprada a dinheiro e impunidade parcial ou total do que aquela adquirida pelo abjeto método do “acusa que te solto” francamente utilizado nas “alongadas prisões de Curitiba”, para servir-me da expressão usada no plenário do Supremo por Gilmar Mendes.

No estado de Direito fala-se muito no “devido processo legal”. O processo legal, quando conduzido com os olhos brilhantes, tomados do prazer punitivo e/ou da ambição e da ideologia  de seus condutores escorrega para o que é, ao olhar sereno, claramente indevido.

E se é indevido, não é um processo legal.

Os donos da pureza e da verdade no Brasil, tão senhores se creem, transformaram as instituições judiciais e parajudiciais (Polícia e Ministério Público) em simples ferramentas de seus projetos pessoais e político-ideológicos, onde os fins (é, os fins, os que fazem os olhos brilharem) justificam os meios.

E assim cegados, tornam-se eles próprios meros instrumentos e interesses econômicos e políticos  que, como farão agora a Janot, jogam logo fora o bagaço espremido das vaidades.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O áudio da conversa de Joesley que levou Janot a levantar suspeita sobre a delação da JBS


A Veja teve acesso às conversas que os delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud entregaram à procuradoria-geral da República na última quinta-feira à noite.

Diz a revista:

Neles, os dois delatores, aparentemente sem notar que estão eles próprios se gravando, falam, entre outros temas, sobre como se aproximar do procurador-geral Rodrigo Janot por meio do agora ex-procurador Marcelo Miller e sobre a exigência de eles não serem presos após fecharem os acordos de delação premiada. Em um dos pontos mais sensíveis do áudio, possivelmente gravado no dia 17 de março, Joesley e Ricardo Saud afirmam que Fernanda, possivelmente a advogada Fernanda Tórtima, “surtou” porque, a depender dos rumos da delação e de qual autoridade citassem em depoimento, os dois poderiam “entregar” o Supremo, em referência a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os delatores também analisam que, ao decidirem delatar, têm de “ser a tampa do caixão” na política brasileira.

“Por isso que eu quero nós dois 100% alinhado com o Marcelo…nós dois temos que operar o Marcelo direitinho pra chegar no Janot…eu acho…é o que falei com a Fernanda [possivelmente Fernanda Tórtima, advogada]…nós nunca podemos ser o primeiro, nós temos que ser o último, nós temos que ser a tampa do caixão…Fernanda, nós nunca vamos ser quem vai dar o primeiro tiro, nós vamos o último…vai ser que vai bater o prego da tampa”, diz Joesley Batista em um dos trechos da gravação. “Nós fomos intensos pra fazer, temos que intensos pra terminar”, completa o empresário.







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Joesley cita quatro ministros e implode STF


O áudio de quatro horas entregue por delatores da JBS à Procuradoria Geral da República, e que segundo Rodrigo Janot, chefe da PGR, contém fatos "gravíssimos" envolvendo um procurador da República e o Supremo Tribunal Federal, deixariam em situação constrangedora quatro ministros da Corte.

A informação é de uma fonte cuja identidade não foi reveleada e que teve "acesso ao áudio", segundo reportagem do site da revista Veja. A conversa de quatro horas entre Joesley Batista e Ricardo Saud "traz menções comprometedoras a quatro ministros do Supremo Tribunal Federal", diz a reportagem.

Os ministros são citados em situações que denotam "diferentes níveis de gravidade", ainda de acordo com a fonte. Algumas seriam consideradas banais, mas "ruins" para a imagem dos ministros. Uma delas se destaca por enredar um dos onze ministros da corte em um episódio que parece "mais comprometedor".

Janot submeteu o áudio ao Supremo, que decidirá se ele deverá ou não se tornar público. A decisão caberá ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte.

Confira aqui a íntegra do despacho de Janot ao STF.



Joesley tentou gravar Cardozo para implodir STF


O empresário Joesley Batista, da JBS, aparentemente foi orientado pelo ex-procurador Marcelo Miller a gravar o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo a fim de tentar obter informações que pudessem comprometer ministros do Supremo Tribunal Federal.

Segundo informações da jornalista Mônica Bergamo, o áudio entre Joesley e o ex-executivo da J&F Ricardo Saud, entregue à PGR e que segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contém "fatos gravíssimos", cita ainda uma aproximação entre a presidente deposta Dilma Rousseff e presidente do Supremo, Cármen Lúcia.

A ideia era atrair Cardozo para uma conversa em que os dois fingiriam interesse em contratá-lo para serviços advocatícios, e dependendo do conteúdo final, entregariam o áudio à Procuradoria Geral da República.

"Os executivos da JBS entendiam que os procuradores tinham grande desejo de que as investigações alcançassem o STF", escreve a colunista da Folha. O encontro efetivamente ocorreu, segundo ela, mas ex-ministro não caiu na armadilha: teria feito apenas declarações genéricas sobre os ministros e recusado pagamentos fora das vias regulares.

No 247
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