4 de set de 2017

Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras #13 04/09/2017 | A Casan será privatizada?


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Veja afirma que Lava Jato ocultou documento da Receita... E estrondoso silêncio


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Como Temer operava no Porto de Santos, segundo ele mesmo e sindicalistas

ACM: “As coisas morais nunca foram o forte do senhor Temer”
Desde que seu nome apareceu como beneficiário de propinas que empresas que operavam no Porto de Santos teriam desembolsado em troca de favores, Michel Temer, o vice-presidente que após o golpe do impeachment exerce interinamente a Presidência da República, tenta defender o indefensável.

Ele repete, com insistência, a tese de que jamais influenciou nas indicações políticas da Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP), a estatal encarregada da administração do maior porto brasileiro. Mas seu próprio discurso coloca isto em xeque.

Temer insiste que as indicações para a diretoria do porto de Santos não tinham suas digitais. Quando muito, admitiu que encaminhava nomes sugeridos e aprovados pela bancada do PMDB paulista, sobre a qual ele sempre exerceu influência.

Mas, em março de 2001, ao defender-se na tribuna da Câmara dos Deputados das acusações de receber 50% das propinas pagas por empresas que atuavam – algumas continuam atuando – no porto de Santos, ele acabou por mostrar seu poder e sua influência no porto.

A acusação foi feita por Érika Santos, estudante de psicologia e ex-companheira de Marcelo de Azeredo, indicado por Temer para presidir a CODESP entre junho de 1995 e maio de 1998. Como mostrou o DCM na reportagem Por que Temer negou-se a dar explicações à PF sobre caso de propina em Santos, os problemas de alcova do casal acabaram por revelar as tenebrosas transações que aconteciam na administração portuária em Santos, como as propinas que se destinariam a Temer.

Embora ajuizada, provavelmente, em 2000, a ação e as denúncias só se tornaram públicas em março de 2001, na reportagem “Um rolo no porto”, de Rudolfo Lago, na revista Veja.

Na tribuna, ao tentar defender-se, Temer demonstrou que sempre teve interesses na CODESP.

O que fiz eu? Assim que saiu a matéria, fui indagado, Srs. Parlamentares, pelo repórter — portanto, a revista, neste ponto, agiu com lealdade, porque antes me ouviu —, e esclareci todos os pontos. Esclareci os pontos dos desacertos do passado e esses desacertos, geradores de queixas minhas junto ao Governo, de maneira que houvesse modificações radicais, sendo que uma dessas modificações levou à Presidência da CODESP o nosso ilustre companheiro Deputado Wagner Rossi. E esta empresa, em face das minhas queixas, ao invés de ser ocupada partidariamente por vários partidos, passou a ser ocupada apenas por técnicos”. (grifo nosso)

O terminal de Libra no porto de Santos



O terminal de Libra no porto de Santos
Como admitiu, as suas queixas, portanto, levaram à substituição da diretoria da estatal. Com isso, assumiu sua presidência Wagner Rossi, ex- deputado estadual (1993/1991) e ex-deputado federal (1991/1999) pelo PMDB de São Paulo, que sempre sofreu influências de Temer.

A nomeação de Rossi ocorreu em abril de 1999, quando ele estava sem mandato eleitoral por não ter conseguido se reeleger no pleito de 1998. Logo, a queixa de Temer e a posse do peemedebista na presidência da CODESP, precederam o ajuizamento da ação na Vara de Família, onde constavam as denúncias da estudante de psicologia.

Acusações estas que, segundo o próprio Temer explicitou no discurso, ele só foi tomar conhecimento ao ser procurado pela reportagem da Veja em 2001.

Essa troca de comando na estatal que administrava o porto, promovida pela pressão que o próprio Temer confessa ter feito, também antecedeu outro episódio famoso: a briga com Antônio Carlos Magalhães, na época presidente do Senado.

Foi neste famoso bate-boca em público que ACM, com o sarcasmo que lhe era peculiar, cunhou o apelido de “mordomo de filme de terror” para o então presidente da Câmara.

Os ataques de ACM, como narraram, em junho de 1999, Andrei Meireles e Guilherme Evelin, em reportagem na revista Isto É, foram alimentados em um almoço entre ele e o então governador de São Paulo, o tucano Mario Covas. A dupla de repórteres descreveu:

“Há 15 dias, o presidente do Senado ressuscitou o movimento contra o PMDB. Foi a São Paulo e acertou durante um almoço com o governador Mário Covas (PSDB) uma estratégia para esvaziar a bola do partido. Voltou a Brasília com farta munição contra Michel Temer. Entre uma garfada e outra, Covas contou a Antônio Carlos que alguns pesos pesados do empresariado estavam revoltados com a ação dos peemedebistas na área portuária, um feudo do partido no loteamento de cargos do governo FHC.

Apadrinhados – O coordenador-geral da Ação Empresarial, Jorge Gerdau Johannpeter, chegou a enviar uma carta ao ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, em protesto contra a decisão do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB-RS), de substituir oficiais da Marinha no comando dos conselhos de autoridade portuária de Santos, Rio Grande e Paranaguá. No porto de Santos, por determinação do Planalto, o ministro teve de voltar atrás e manter no cargo o capitão-de-mar-e-guerra Francisco Luiz Gallo. “As críticas não são procedentes. As mudanças são decorrentes da privatização dos portos”, justificou Padilha em conversas com assessores.

Na avaliação de Covas e ACM, Padilha promoveu as mexidas nos portos com o propósito de ampliar o raio de atuação do PMDB no setor portuário. Denúncias de irregularidades na Companhia Docas Porto de Santos, dirigida por apadrinhados de Michel Temer, estão sob investigação do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União (TCU). Em maio, a construção do terminal II do porto de Santos foi suspensa pelo TCU por causa de aditivos contratuais com a empreiteira Andrade Gutierrez que encareceram em 141,21% o preço original da obra. “As coisas morais nunca foram o forte do senhor Temer. Se abrir um inquérito no porto de Santos, ele ficará péssimo”, disparou ACM na segunda-feira 14”.

Everandy, presidente do Sindicato dos Empregados da Administração do Porto



Everandy, presidente do Sindicato dos Empregados 
da Administração do Porto
Muitos destes processos continuam tramitando até hoje, como a ação de Improbidade Administrativa  n° 2001.61.04.002408-2, na 4ª Vara Federal de Santos, que só agora chegou à fase das alegações finais. Nela, o procurador da República Pedro Antônio Roso denunciou os ex-diretores da CODESP Marcelo de Azeredo, Luiz Alberto Costa Franco, Francisco José Baraçal Prado, José Araújo Costa, Márcio Silveira Bueno, que em 1997 assinaram o 9º Aditivo a um contrato de 1988, com a Andrade Gutierrez.

O aditivo no contrato de ampliação do Terminal de Containers do Porto de Santos, segundo Roso, inseriu a importância de R$ 144.134.316,42 a mais, resultando num total de R$ 295.106.518,32, para o valor total contratado. Ainda houve uma prorrogação do prazo contratual por mais 38 meses a contar de 31.12.97,

Quando, portanto, em 1999, Temer pressionou o governo para substituir a diretoria da CODESP colocando na presidência o peemedebista Rossi, já se falava em diversas irregularidades, mas ainda não se tinha notícias das propinas que teriam sido pagas a Temer que Erika só denunciaria em 2000.

Aliás, Azeredo já não era o presidente da estatal. Ele foi substituído, em maio de 1998, por Paulo Fernandes do Carmo. Ambos, como também ACM fez questão de frisar, eram indicações que Temer insiste dizer que não fez. Contra Carmo também circularam muitas denúncias. Uma delas partiu justamente do Capitão dos Portos de Santos, Francisco Luiz Gallo, que Eliseu Padilha quis retirar do comando do Conselho de Autoridade Portuária de Santos.

Além destes dados incontestáveis e de outros registros em arquivos de jornais, há, principalmente, a memória de santistas que passaram a maior parte de suas vidas dentro ou em torno daquela área portuária, a também desmentirem Temer.

Um deles é Everandy Cirino dos Santos, 64 anos, no porto desde 73, e há 15 anos presidente do Sindicato dos Empregados da Administração do Porto. Ele explica por que não espera mudanças no porto de Santos com o governo interino de Michel Temer:

“Em termos do porto de Santos, este governo não é novo. Não é novidade, porque o Michel Temer já no governo Fernando Henrique Cardoso detinha o poder de indicação. Indicou vários presidentes e diretores. No primeiro governo Lula ele participou também com indicação, como parte da composição PMDB/PT. Além do Michel Temer, também o Eliseu Padilha, que foi ministro dos Transportes e quando ministro tinha gestão totalmente no porto. Inclusive,  na sua gestão ele tentou privatizar a usina de Itatinga, que é histórica, fundada em 1910. Tentou privatizar a dragagem (…) Então não tem nenhuma novidade, não cria expectativa de melhora.”

Cirino continua:

“Na gestão que o Temer tinha o poder político em São Paulo foi o Wagner Rossi, foi o Marcelo de Azeredo, que inclusive tinha uma gestão péssima, e outros que agora me fogem o nome. Na gestão do Wagner Rossi foi concedida, sem licitação, a exploração do corredor de exportação para um pool de empresas. Ele também fez um acordo  de exploração sem licitação, no terminal de Conceiçãozinha. Com o Marcelo de Azeredo teve várias (irregularidades) que para enumerar é muito difícil. O que nós estranhamos é que todas as irregularidades, supostas irregularidades que vinham do governo anterior, sempre tinha uma participação ativa do PMDB do estado de São Paulo”.

Temer, por apadrinhar o presidente da CODESP no cargo, ficava com 50% das propinas pagas em troca de facilitações às empresas. Foi o que teria ocorrido com a “Libra Terminais Ltda.”, operadora portuária, arrendatária dos armazéns 35 e 37. Conforme relatou Érika, com base em documentos que ela desviou do computador do ex-companheiro, somente da Libra, naquela época, Temer teria recebido R$ 640 mil, a metade do R$ 1,280 milhão desembolsado pela empresa: a Azeredo foram destinados 25% e outros 25% a um sócio de Temer, na época tratado apenas como “Lima” e que recentemente, no Conversa Afiada, Paulo Henrique Amorim identificou como sendo o coronel reformado da PM paulista João Baptista de Lima.

Sidney Verde, técnico portuário


Sidney Verde, técnico portuário
Cirino fala deste caso também, comentando ainda o que se repete na chamada “rádio peão”:

“A Libra é o cartão de visita da gestão Temer no porto. Ganhou o terminal 35, posteriormente ganhou o 37 e hoje, ainda está em pendência jurídica com a CODESP . Está sem pagar quase R$ 2 bilhões de dívidas. A Libra continua operando no 35 e 37, com pendência judicial com a empresa. Ela (CODESP)  não deveria nem manter ela operando, porque está em inadimplência pesada. A ‘rádio peão’ do porto, as más línguas. dizem que elas (empresas beneficiadas) são contribuintes, agora eu acho que no cadastro de doação (às campanhas políticas) deve ter isso aí. Temer sempre teve uma gestão de interesse político partidário com atuação no porto”.

Também Sidney Verde, técnico portuário, há 30 anos no porto, endossa os testemunhos da atuação política que Temer tenta negar:

“No governo Fernando Henrique Cardoso, ele é quem mandava no porto. Sempre mandou no porto. Fez indicações políticas, como o presidente Marcelo de Azeredo, que passou um mês usando helicóptero a favor dele, vindo de São Paulo. Gastou uma nota, até que o sindicato interferiu”. 

Por mais que Temer tente vender a ideia de que não interferiu no Porto de Santos, fatos, documentos e testemunhos o desmentem e tornam sua “defesa” indefensável.

Ele desprezou três convites do delegado federal Cássio Luiz Guimarães Nogueira para, como testemunha, contestar todas essas denúncias no Inquérito Policial nº 5.104. Ao desprezá-los, acabou ajudando a manter viva a suspeita de se beneficiar do esquema fraudulento. Poderia ter aproveitado a oportunidade para provar que não se envolveu com o porto politicamente. Ao não fazê-lo, deixou nítida a impressão que suas digitais estão ali marcadas, como mostram documentos, notícias, processos e, principalmente, testemunhos.

Esta é a uma das reportagens da série sobre o envolvimento de Michel Temer nos escândalos do Porto de Santos e do Aeroporto de Guarulhos. É resultado de campanha de crowdfunding do DCM.


Marcelo Auler
No DCM
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A traição do Cabo Anselmo


O livro "O Massacre da Granja de São Bento", do jornalista pernambucano Luiz Felipe Campos, traz informações inéditas sobre a operação que praticamente jogou por terra as ações da guerrilha urbana no país e esmiúça o massacre de guerrilheiros traídos pelo Cabo Anselmo. É um livro que precisa ser lido, principalmente pelos mais jovens, para que tomem conhecimento do submundo da ditadura militar. É um precioso documento.

Um dos mais bem guardados segredos da ditadura militar começa a ser desvendado com a publicação do livro "O Massacre da Granja de São Bento", do jornalista pernambucano Luiz Felipe Campos, lançado na semana passada.

A obra reconstitui, por meio de documentos e relatos de personagens da época, como o agente duplo Cabo Anselmo, o "Kimble" para os órgãos de repressão, atraiu para Pernambuco o maior número possível de militantes para a emboscada executada por Fleury. O jornalista pesquisou o assunto durante cinco anos no Brasil, no Chile, no Uruguai e na Argentina e entrevistou mais de 50 pessoas para escrever o livro.

No massacre de 8 de janeiro de 1973, seis militantes da VPR foram assassinados por agentes da ditadura, por meio da colaboração direta de Cabo Anselmo: os corpos de Pauline Reichstul, Soledad Barrett (companheira do próprio Anselmo), Jarbas Pereira Marques, Eudaldo Gomes e José Manoel da Silva foram encontrados com um total de 32 tiros, sendo 14 na cabeça. Eles haviam sido presos um dia antes de os corpos serem encontrados.

A operação foi comandada pessoalmente pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury que chegou até os guerrilheiros pelas informações do agente duplo, o marinheiro José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo.

Cabo Anselmo ficou conhecido por protagonizar uma revolta de marinheiros em março de 1964 -episódio que foi um dos pretextos usados pelos militares para o golpe de Estado daquele ano. Hoje, documentos que começam a ser revelados indicam que já nessa época, Anselmo era informante dos órgãos de repressão, especialmente do DOPS paulista e do delegado Fleury.

Jurado de morte por todas as organizações guerrilheiras, ele se submeteu a uma cirurgia plástica. Por causa da Lei da Anistia, Cabo Anselmo nunca foi julgado por sua colaboração à ditadura.

Em maio de 2012, a Comissão da Anistia do Ministério da Justiça negou o pedido de reparação do ex-marinheiro. "A Comissão foi integrada exclusivamente por pessoas filiadas à ideologia marxista. Foi uma 'ação entre amigos' privilegiando os militantes e ideólogos da ditadura comunista", afirmou, na época, o Cabo Anselmo.

Hoje, Cabo Anselmo, afirma não sentir culpa pelo que fez. Mais do que isso, diz que já foi "anistiado" por Deus. "Colaborei com o Estado legal, com a pátria, com a nação, consciente de que a Ditadura do Proletariado ou qualquer ditadura é contrária à liberdade. A motivação maior foram valores cristãos incutidos na infância", afirmou Anselmo, em entrevista ao UOL.

Após o fim do trabalho para os órgãos de repressão, ele afirma ter sido ajudado durante somente quatro anos por empresários amigos, com os quais ainda mantém contato. Jurado de morte por todas as organizações guerrilheiras, ele se submeteu a uma cirurgia plástica, arranjada por Fleury.

Depois disso, Anselmo voltou a prestar serviços à repressão pelo menos uma vez. Encapuzado, palestrou para um grupo de militares sobre técnicas de guerrilha, mostra o livro. Montou também uma consultoria, na qual ajudava clientes a identificarem tendências políticas consideradas subversivas em seus funcionários.

Além desse massacre em Recife, o Cabo Anselmo entregou para a repressão e a morte praticamente todos os militantes das organizações de guerrilha urbana que conheceu durante os treinamentos em Cuba. Além disso, o simples fato de conhecer os ter contato com Anselmo era uma sentença de morte para os órgãos de repressão, que queriam a qualquer custo manter sigilo sobre o informante.

Esse foi o caso do ex-marinheiro Edgar Aquino Duarte, o Ivan, que conheci durante minha passagem pelo DOI-CODI de São Paulo, em maio de 1972. Nessa época, Ivan ficava no X -3, uma das celas da carceragem coletiva do DOI-CODI, junto com outros presos e nunca era chamado para interrogatório.

Operador da Bolsa de Valores e na época sem militância política, ele foi preso em 13 de junho de 1971, em seu próprio apartamento, na Martins Fontes, 268, apto 807, São Paulo, por agentes do DOPS/SP, em operação conjunta com o DOI-CODI/SP. Esteve preso por mais de dois anos, incomunicável. Incialmente esteve preso no DOPS-SP, em cela solitária do “fundão”; em seguida foi para o DOI-CODI/SP. Foi visto pela última vez no DOPS - SP em 22 de Junho de 1973.

Meses antes de ser preso, em 1971, Edgar encontrou-se com Cabo Anselmo, que havia acabado de retornar de Cuba, e, atendendo ao pedido de Anselmo, que havia atuado com Edgar na revolta dos marinheiros, em 1964, acolheu-o em seu apartamento, sustentando-o com o salário de corretor da bolsa de valores. Por isso, foi morto e consta da lista de desaparecidos.

Morreu simplesmente por conhecer o Cabo Anselmo e saber que ele era agente infiltrado.

Durante um dos seus interrogatórios, um de seus algozes bradou: “Você mexeu com segredo de Estado. Você tem que morrer”.

Em 2012, o Ministério Público Federal denunciou à Justiça Federal em São Paulo, o coronel da reserva Carlos Brilhante Ustra, já falecido, pelo crime de sequestro qualificado, acusado de sequestrar Edgar de Aquino Duarte, em junho de 1971.

Lançar luz sobre a tenebrosa história do Anselmo José dos Santos e seus crimes é uma forma de preservar a memória dos tempos de chumbo da repressão política no Brasil, para que isso nunca mais aconteça.

Pena que os crimes do Cabo Anselmo e de outros agentes do Estado envolvidos com a repressão, a tortura, o assassinato e o desaparecimento de militantes políticos continuem impunes.

Moacyr Oliveira Filho - Moa
No Ultrajano
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As picaretagens da Lava Jato!

A todo momento, a Lava Jato usa o artifício daquele batedor de carteira que, em fuga, grita pega-ladrão, para que os transeuntes não percebam seu próprio crime. Exemplo disso é o monte de dinheiro, em praça pública, simplesmente mais uma tentativa de desviar a atenção dos brasileiros.


A mídia e a justiça tentam esconder a lama da Lava Jato. A Veja denunciou o depósito do advogado Tecla Duran na conta da mulher do Moro, Rosângela Moro e ninguém fala nada (3).

Agora, a informação da Veja traz um componente explosivo, que a revista tratou de amenizar, levantando apenas a consequência menos relevante do furo: o fato de Moro ter que se declarar impedido de julgar Duran.

Impedido moro já deveria estar, há muito, por três motivos extremamente relevantes: além de Duran, citado pela Veja, não podemos esquecer que a Mulher de Moro trabalha para o PSDB e para as multinacionais de petróleo (4).

E tudo começou com a jornalista Mônica Bergamo, talvez de forma despretensiosa, causando furor no juiz Sergio Moro:

“O advogado Carlos Zucolotto Jr. é meu amigo pessoal e lamento que o seu nome seja utilizado por um acusado foragido e em uma matéria jornalística irresponsável para denegrir-me;”

Moro está cuspindo no prato que come, pois foi esse foragido que fez um depósito polpudo na conta de sua mulher, Rosangela Moro (3). Isto segundo a Receita Federal. Não é convicção!

Monica Bergamo está calada e a mulher de Moro, sem nenhuma moral, esbraveja: “Esposa de Moro pede menos Folha, mais New York Time” (1).  

Isso mostra que Mônica Bergamo, mesmo que tenha sido de forma despretensiosa, incomodou, mexendo numa fedentina.

A sociedade começa a desconfiar de que grande parte daquele monte de dinheiro, que eles estão usando para divulgação em praça pública do filme, tenha ido para o bolso da Lava Jato. Faça as sua contas:

1 - A Lava Jato, contrariando o STF, fica com 10% dos acordos de leniência, cifra que pode atingir trezentos milhões de reais. O ministro Teori zavasçki considerou inadequado, mas morreu misteriosamente e ninguém do STF fala mais nada (2).

2 - O depósito de Duran na conta da mulher de Moro é prova inconteste de que a Lava Jato cobra propina para fechamento dos acordos de delação premiada (3).

3 - Falando nisso, a advogada Catta Preta fechou nove dos dezoito acordos firmados de delação da Lava Jato, arrecadando cerca de R$ 20 milhões, e se afastou do caso alegando ameaça de morte (5). Também ninguém investigou nada! Qual seria o percentual da Lava Jato nesses acordos?

4 - Assim como não investigam o caso do e-mail recebido pela filha de Aldemir Bendine pedindo R$ 700 mil para pagar um habeas corpus para a soltura do pai, que foi presidente do BB e da Petrobrás (6). A família Bendine pediu investigação, mas até agora nada!   

Mas, para nosso país,  o lado mais criminoso e oneroso que envolve a Petrobrás e que coloca a Lava Jato em cheque é sua omissão em relação à gestão criminosa do presidente da Petrobrás, Pedro Lalau Parente. Não sabemos quem está embolsando esse dinheiro, mas com certeza não é o Brasil nem os brasileiros. E não é pouco, é o ouro negro!

Lalau, que já é réu em ação movida por petroleiro há 16 anos, ação que o MPF e a Lava Jato empurram com a barriga, mas o fato é que Lalau deu um prejuízo na Petrobrás de R$ 5 BI, naquela época (7).  

Mesmo assim Lalau volta agora e faz pior e com a cumplicidade do MPF e a lava Jato, que sabem o que Lalau fez há 16 anos, como sabem  das atitudes criminosas de agora e nada fazem.

A omissão da Lava Jato foi denunciada formalmente, em novembro de 2016, por mim, como petroleiro e sindicalista.  Entretanto, além de continuarem se omitindo na liquidação da Empresa, ainda  me intimam, em dezembro do mesmo ano, num claro intento de barrar o lançamento do livro “A outra face do juiz Sergio Moro”,  que, entre outros esclarecimentos, traz na íntegra a denúncia ao MPF.   

Quem pediu a intimação contra mim foi o próprio juiz Sergio Moro alegando em sua própria defesa: possíveis ataques a honra do servidor público.  E até hoje o MPF não respondeu à denúncia formalizada!

No livro que tentaram impedir sem êxito a publicação estão os negócios espúrios do Lalau vendendo sem licitação ativos da Petrobrás, para quem quer e pelo preço que ele mesmo determina.


A todo momento, a Lava Jato usa o artifício daquele batedor de carteira que, em fuga, grita pega-ladrão, para que os transeuntes não percebam seu próprio crime.  Exemplo disso é o monte de dinheiro, em praça pública, simplesmente mais uma tentativa de desviar a atenção dos brasileiros.














Emanuel Cancella, OAB/RJ 75.300, ex-presidente do Sindipetro-RJ, fundador e ex diretor do Comando Nacional dos Petroleiros, da FUP e fundador e coordenador da FNP , ex-diretor Sindical e Nacional do Dieese, sendo também autor do livro “A Outra Face de Sérgio Moro” que pode ser adquirido em: http://emanuelcancella.blogspot.com.br/2017/07/a-outra-face-de-sergio-moro-pontos-de.html.

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“PSDB morreu” vira sucesso na rede. E desgraça na realidade


A entrevista do professor  José Arthur Giannotti na Folha é mais um daqueles “brilhantes raciocínios” uspianos, onde o mundo deveria ser  uma emanação de pensadores e a realidade é sempre uma porcaria da qual se deve manter um ascético distanciamento acadêmico. Esquerda, como se sabe, é algo que se encontra numa biblioteca; na rua é “populismo”.

No meio deste cascalho todo, porém, o mau-humor de Giannotti faz brotar um diamante, que está “bombando” nas redes, nos “trending topics” do Twitter:

O PSDB morreu. Quer que eu fale de defuntos? O PSDB não é mais um partido. Funcionava como um partido quando as decisões eram tomadas em bons restaurantes e todos estavam de acordo. Agora isso não há mais.

Diamante burilado, já, ao qual não falta o rebrilho dos “bons restaurantes” que fizeram às vezes de biblioteca, com os acadêmicos como livros da sabedoria.

Giannotti promoveu, com seu atestado de óbito, um momento daquele como tínhamos na ditadura, onde notícia boa, dizia-se, só se lia nos obituários dos jornais.

Mas o velho professor não diz que é herança do de cujus é esta desgraça em que vivemos, com um tipo como Temer elevado ao governo pelo tucanato, num processo em que o tucanato cevou um escroque como Eduardo Cunha.

Não lembrou, também, que o último ovinho do ninho é oco, uma espécie de “Kinder-Ovo” de onde sai um espertalhão que quer se fazer de Macron, embora sua alma-mater não seja a Sorbonne, mas Miami.

Veja o que se tornaram os “sábios”: uns bocós aos quais qualquer Aécio ou Doria passa a perna.

Nem diz que Jair Bolsonaro, caricatura de 64, surgiu na esteira do processo de histeria de autoproclamados social-democratas que sequer tem coragem de abrir a boca contra ele, de tanto que a tem ocupada como o “viva Moro e morra Lula”.

Está bem, professor, o PSDB morreu. Mas não se pode deixar de dizer que empestiou o ambiente  deste país e precisa ser enterrado, antes que, além disso, nos legue um zumbi.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Site de paródia “Falha” impõe derrota histórica à Folha


Conforme palavras de um internauta amigo, os juízes do STJ deram, em 53 páginas, uma surra de vara nas pretensões totalitárias e imperiais da Folha de São Paulo.

Viva a Falha!

Viva a paródia!

Viva o humor e a liberdade!

Abaixo, a íntegra do Acordão, para registro histórico.



No Cafezinho
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Paraná afunda na lama. Richa segue impune!


O rico Estado do Paraná, sede da midiática Lava-Jato, segue produzindo escândalos de corrupção. Mas parece que “não vem ao caso” para o juiz Sergio Moro, que mantém sua obsessão doentia contra o ex-presidente Lula. Na semana passada, o dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, preso por integrar um esquema de desvio de R$ 20 milhões da Secretaria Estadual de Educação, acusou o governador Beto Richa (PSDB) e o presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano, de receberam propinas. O “justiceiro”, que troca afagos com influentes tucanos – como o “ético” Aécio Neves – nada comentou sobre a grave denúncia. Já a mídia chapa-branca, nutrida com milhões em publicidade oficial, noticiou o caso, mas logo abafou o escândalo.

Segundo as investigações da chamada Operação Quadro Negro, o esquema criminoso garfou recursos que seriam aplicados na construção de escolas no Estado. Em sua delação premiada, Eduardo Lopes afirmou que o dinheiro desviado serviu para bancar as campanhas eleitorais de Beto Richa. Ele revelou que a fraude contou com a ajuda direta do ex-diretor da Secretaria da Educação, Maurício Fanini, que se dizia amigo pessoal do governador tucano. A equipe chefiada por ele era responsável por produzir relatórios sobre o andamento das obras contratadas junto à Construtora Valor. Em matéria postada neste sábado (2), o Jornal do Brasil deu mais detalhes sobre a descarada falcatrua:

* * *

Segundo o empresário, os dois esperavam levantar R$ 32 milhões para o governador com contratos que a Valor fechou com o poder público. Souza contou aos investigadores que, entre abril e setembro de 2014, ele fazia os repasses diretamente a Fanini, na sala dele, no prédio da Superintendência de Educação. O empresário disse que entrava por uma porta lateral e Fanini dizia ‘banheiro’. Então, o dono da Valor ia até o vaso sanitário e pegava a mochila, que enchia de dinheiro. Ele afirmou que, em dado momento, perguntou a Fanini se o dinheiro realmente estava indo para a campanha de Richa. O ex-diretor teria dito que sim. Com a sequência das operações entre os dois, o volume de dinheiro começou a ficar muito alto.

Conforme o relato de Souza, ele e Fanini começaram a se preocupar e pensaram em uma alternativa que consideraram mais segura. Souza conta que passou a entregar o dinheiro com caixas de vinho. Ele diz que, das 12 garrafas, tirava 10 e preenchia o espaço aberto com o dinheiro... Para dar garantias ao empresário, Fanini sempre afirmava ser amigo pessoal de Beto Richa. Em novembro de 2014, o ex-diretor da Secretaria da Educação contou que viajaria com o governador. Ambos levariam as suas mulheres para passear no Caribe, no México, e em Miami, nos Estados Unidos. Fotos dessa viagem fazem parte de uma ação ligada às investigações da Operação Quadro Negro.

No depoimento, Souza disse que começou a pagar uma mesada de R$ 100 mil para o governador. Em janeiro de 2015, Fanini o chamou para dizer que teve uma reunião com Richa e ficou acertado que precisariam levantar a quantia. Segundo o delator, o ex-diretor da Secretaria afirmou que o dinheiro ajudaria a financiar a campanha de 2018 de Beto Richa ao Senado; do irmão dele, Pepe Richa, para deputado federal; e do filho do governador, Marcelo Richa, para deputado estadual. Souza afirma que concordou com a proposta e começou a fazer os repasses no mesmo mês da reunião. Os pagamentos seguiram, pelo menos, até junho de 2015, quando Fanini foi exonerado do cargo, pouco antes da descoberta das fraudes na Secretaria da Educação.


* * *

Os esquemas do “ministro” da Saúde

O grão-tucano Beto Richa não é o único falso moralista acusado de corrupção no Paraná. Ainda de acordo com o dono da Construtora Valor, Ricardo Barros (PP), “ministro” da Saúde do covil golpista de Michel Temer, também estaria metido no esquema. “Um caso de pagamento de propina para a compra de cargo no governo do Estado do Paraná, revelado pelo delator Eduardo Lopes de Souza, envolve o ministro Ricardo Barros e sua esposa, a vice-governadora paranaense Cida Borghetti... Segundo o delator, ele negociou, diretamente com Ricardo Barros, a compra de um cargo no governo do Paraná pelo valor de R$ 15 mil mensais. Os pagamentos foram feitos, de acordo com Eduardo, a Juliano Borguetti, irmão da vice-governadora, cunhado do ministro e ex-vereador em Curitiba”, descreve o Jornal do Brasil.

“O relator contou que pagou três parcelas de R$ 15 mil por três meses e que Juliano Borghetti buscava o dinheiro com ele na empresa. Segundo os investigadores da Operação Quadro Negro, o vereador foi preso, em dezembro de 2015, justamente por ter recebido três cheques da Construtora Valor de R$ 15 mil cada... Ricardo Barros e Juliano admitiram os pagamentos que o último recebeu, mas negaram que tenham sido relativos à compra de cargo na vice-governadoria. Eles afirmaram que foi pelo fato de Juliano Borghetti ter trabalhado por três meses na construtora”. Será que a turma de justiceiros da “República do Paraná”, chefiadas pelo juiz Sergio Moro, acredita nas explicações do tucano Beto Richa e do velhaco Ricardo Barros?

Altamiro Borges
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História Geral da Arte — Rembrandt


Rembrandt

Há quem diga que a habilidade de Rembrandt como retratista nunca foi superada, e talvez sua famosa série de auto-retratos seja a melhor demonstração de sua genialidade. Sua produção foi prodigiosa, e dominou com maestria todos os gêneros de pintura, incluindo retratos, paisagens e imagens religiosas.

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O tridente

Como resistir, se a primeira coisa que ela disse para ele foi: ‘Posso arruinar a sua vida?’

Deu o que falar, um homem maduro (ou “podre”, como diria a mulher, quando pediu o divórcio) como ele namorando uma menininha. Mas como resistir, se a primeira coisa que a menininha disse para ele foi:

– Posso arruinar a sua vida?

Não “quer me namorar?”, ou “topas?” ou “tem horas aí, tio?”, mas:

– Posso arruinar a sua vida?

Ele teve que pensar muito numa resposta, quase um minuto. No fim disse:

– Arruinar, como?

E ela:

– A escolha é sua. Paramos por aqui, ou continuamos. Você diz “não” e eu vou embora, ou você diz “sim” e eu arruíno a sua vida.

Ela tinha o quê? Dezessete anos. Talvez menos. 

– Arruína, como?

– Ruína completa. Escândalo. Você sai de casa. Nós vamos morar juntos. Em um mês ou dois, eu provavelmente deixo você. Você vai atrás de mim, dá vexame. Talvez até me mate. Ou eu mato você. Mas pense no que seria esse mês, ou dois...

Ele pensou em dizer “isso é uma brincadeira?” Pensou em dizer “não faça isso com um velho”. Pensou em dizer “por que eu?”. Só não pensou em dizer “não”, para ela não ir embora. Os olhos dela eram de um castanho esverdeado. Ela insistiu:

– E então?

– Começando quando?

– Quando você quiser. Por mim, já começou.

Começou no carro dele, àquela tarde mesmo. Foi quando ele notou a pequena tatuagem que ela tinha na parte interna da coxa. Um tridente. Perguntou o que era aquilo. Ela disse:

– Nós todas temos uma igual.

– “Nós” quem?

Ela apenas sorriu.

– Vocês são o quê? Um clube? Uma irmandade? Uma seita? 

Ela só sorrindo.

– As menininhas que arruínam vidas, é isso?

Ela deu uma risada. Depois prendeu a cabeça dele entre suas coxas tostadas. 

Foram vistos. Naquela noite, a mulher dele já sabia. No dia seguinte, todo o mundo sabia. Foi um escândalo. A mulher pediu divórcio, em seguida. Ele não se enxergava, não? A menina podia ser sua filha! 

Ele foi morar com a menina. Largou o trabalho, largou tudo. Quando não estava com a menina no apartamento que lhe comprara estava por perto, controlando a vida dela, louco de medo de ser traído, desconfiando até de entregador de pizza.

No fim, ela declarou que iria deixá-lo. Quando viu, ele estava no chão, agarrado aos pés dela, implorando para que ela não fosse embora. Ela foi. Pisou na cabeça dele antes de sair.

Hoje, ele é uma ruína. Bebe, tem problemas circulatórios, mas, como largou o emprego, não tem dinheiro para se tratar. Uma ruína. Tinha durado pouco mais de um mês. Mas que mês e pouco, pensa ele, às vezes, e sorri com a lembrança. Que mês e pouco. E até hoje ele não sabe o que significa aquele tridente que ela tinha tatuado na parte interna da coxa. Que todas elas têm.

Luís Fernando Veríssimo
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Escola Sem Partido ameaça ensino de ciência nas escolas


O movimento Escola Sem Partido pode se tornar um perigoso instrumento para ameaçar o ensino de ciência nas escolas e deve ser repelido. O alerta é da Sociedade Brasileira de Física, que lançou um manifesto, aprovado por seu Conselho e sua Diretoria, em favor de um ensino pleno, sem restrições ao conhecimento ou à liberdade de expressão.

acontece 31082017

Para a organização de físicos, a suposta tentativa de eliminar posicionamentos ideológicos nas escolas constitui uma ideologia, e uma que lança “um forte olhar de desconfiança sobre a figura do professor, propondo censura por parte dos estudantes e pais com o objetivo de restringir conteúdo e metodologia em sala de aula”.

De acordo com a manifestação da SBF, o movimento pode levar a situações inaceitáveis em termos educacionais, como restrição ao ensino da teoria da evolução das espécies, à perspectiva de gênero e a temas afins ao multiculturalismo. “O que nos garante que uma teoria tal como a do Big Bang não possa ser vetada futuramente em escolas, por contradizer valores religiosos, que obviamente devem ser respeitados, mas que não podem se impor sobre outras formas de ver o mundo?”, subscrevem os físicos.

“Nos posicionamos totalmente contra iniciativas que possam vir a reprimir a discussão e liberdade de expressão, valores fundamentais numa democracia e imperativos para o desenvolvimento de qualquer nação.”

A seguir, leia a íntegra do manifesto aprovado pela SBF.

Manifesto em Favor de um Ensino Pleno sem Restrições de Conhecimento ou Liberdade de Expressão

Uma sociedade justa e plenamente desenvolvida é aquela que preza e defende a liberdade de pensamento e de investigação crítica. Para tal, o conhecimento acumulado pela humanidade ao longo dos séculos, em todas as áreas – ciência, cultura, filosofia, sociedade – e sob as suas mais variadas vertentes, deve ser apresentado e discutido em todos os distintos níveis de formação de nossos estudantes. Da mesma forma, a sociedade para evoluir precisa também permitir que as fronteiras do conhecimento avancem, com novas indagações podendo ser livremente formuladas e investigadas, e os resultados de tais avanços sendo finalmente disponibilizados a todo cidadão, seja nas instituições de ensino, seja nas instituições de pesquisa, seja no âmbito da sociedade civil.

Na defesa da pluralidade e da liberdade de expressão, a Sociedade Brasileira de Física vê na proposta para a educação básica do movimento Escola Sem Partido (http://www.escolasempartido.org/) um retrocesso a esses ideais de pleno progresso do pensamento humano. Uma ideologia, qualquer que seja sua origem, que lance um forte olhar de desconfiança sobre a figura do professor, propondo censura por parte dos estudantes e pais com o objetivo de restringir conteúdo e metodologia em sala de aula, colide frontalmente com a possibilidade de franco desenvolvimento intelectual de nossos jovens.

Entre diferentes propostas, o programa Escola sem Partido deseja aprovar um projeto de lei que torna obrigatório a afixação em todas as salas de aula do ensino fundamental e médio um cartaz com seis “Deveres do Professor”. Talvez oportuno lembrar que durante o século XX certos regimes totalitários adotaram esta mesma prática de propaganda coercitiva, principalmente em ambientes frequentados por jovens.

Embora alguns destes itens apresentem ideias corretas, de que o professor não pode, em sala de aula, tentar impor sua visão pessoal dos fatos, outros claramente têm carater censor, tentando vetar o livre debate de ideias. É fundamental que o professor possa apresentar todos os lados e incentivar diferentes pensamentos, refletindo a diversidade da complexa sociedade à nossa volta. O Escola sem Partido, pelo contrário, propõe que a pedagogia da confiança e do diálogo crítico sejam substituídas pelo estabelecimento de restrições de quais ideias devam ser discutidas. Esta visão de ensino pode levar a uma parcialidade extremamente negativa para a sociedade como um todo.

Infelizmente, projetos de lei restritivos e pouco democráticos vem sendo propostos, alguns já aprovados, nas câmaras municipais, estaduais e federal. Por exemplo, o projeto de lei federal (http://www.programaescolasempartido.org/pl-federal) propõe a criação um canal de denúncia direto entre os alunos e as Secretarias de Educação, que receberia denúncias anônimas e as passaria para o Ministério Público. Inúmeros casos de denúncia e processo contra professores da rede básica vem acontecendo pelo país. É fundamental que alunos e pais tenham o direito e canais apropriados para denunciar eventuais práticas equivocadas de educadores em sala de aula. Por outro lado, é fundamental que o professor tenha total condição de se defender e de explicar perante a comunidade sobre sua postura enquanto educador. A denúncia anônima cria um veículo de mão única, inclusive impossibilitando que eventuais denúncias falsas ou descabidas sejam igualmente punidas, única forma de evitar abusos por parte de delatores.

É nesse contexto que também vem surgindo denúncias no âmbito de universidades. A recente denúncia do MP de Minas Gerais contra o grupo de estudos da Faculdade de Educação da UFMG é um destes exemplos. A negativa de abertura de processo (https://pedlowski.files.wordpress.com/2017/07/representac3a7c3a3o-ufmg.pdf) por procurador da República, com base na autonomia universitária prevista na Constituição de 1988, não é garantia que outros processos indevidos possam ser abertos e eventualmente levados à frente.

Dada a preocupante situação da sociedade brasileira atual, de intolerância e falta de diálogo, uma proposta defendendo que a formação de seus jovens seja ditada por um pensamento único e restritivo, além disso criando um ambiente de “denúncias”, pode tanto agravar nossas profundas diferenças sociais bem como gerar falhas enormes na formação básica de nossas futuras gerações.

Numa situação extrema, sofremos o risco de ver a teoria da evolução, a perspectiva de gênero, ou temas afins com o multiculturalismo serem vetados nas escolas. O que nos garante que uma teoria tal como a do Big Bang não possa ser vetada futuramente em escolas, por contradizer valores religiosos, que obviamente devem ser respeitados, mas que não podem se impor sobre outras formas de ver o mundo? Experiências anteriores na história da humanidade apontam que um debate dessa natureza deve ser acompanhado por todos os que se interessam pelo desenvolvimento de uma sociedade livre para exercer o pensamento, a expressão e a troca de ideias.

Assim, nos posicionamos totalmente contra iniciativas que possam vir a reprimir a discussão e liberdade de expressão, valores fundamentais numa democracia e imperativos para o desenvolvimento de qualquer nação.

No Bem Blogado
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Greg não é tão News

O programa de Gregório Duvivier na HBO é um alento, mas erra ao se abster de criticar certos setores reacionários, em especial os meios de comunicação

Greg News, um contraponto na tevê
A comparação é uma das principais ferramentas da cognição humana, talvez a mais fundamental, como conjecturaram alguns filósofos. Vejamos os EUA, nosso objeto predileto de comparação. Pois bem, lá, como aqui, há no poder um presidente de direita e impopular. Lá como aqui há um sentimento de grande alienação da população frente à representação política, isto é, uma certa esclerose da democracia representativa.

É claro que precisamos fazer a ressalva de que Donald Trump, apesar de não ter obtido a maioria dos votos, foi legalmente eleito, enquanto Michel Temer usurpou o poder por meio de um golpe institucional. Mas não é isso que me prende hoje, mas outro aspecto que difere na comparação enquanto vários outros permanecem similares: o lugar da mídia.

Nos EUA, o presidente de direita se elegeu em campanha contra a maior parte dos meios de comunicação e governa em oposição aberta a eles. No Brasil, o golpe institucional foi dado sob os auspícios da mídia, que organizou e insuflou a campanha em prol do impeachment de Dilma Rousseff e sustentou, e em parte ainda sustenta, o presidente altamente ilegítimo que a substituiu.
Lá os gringos têm the liberal media, aqui temos uma mídia neoliberal e historicamente aliada a tentativas de supressão do regime democrático, repressão dos movimentos sociais e combate aberto a partidos de esquerda.

Nos EUA, além do jornalismo mainstream, bastante mais crítico e plural do que o brasileiro, há uma miríade de programas de entretenimento e comédia que têm a política como objeto. Também neste caso, a diferença entre os países continua. Ou seja, o posicionamento político da área jornalística se reflete no entretenimento. Danilo Gentili, Rafinha Bastos, Marcelo Tas, Tom Cavalcanti, integrantes do Casseta e Planeta e do Pânico na TV, Band News FM, Jovem Pan, são todos de direita. Misturam em doses diversas antifeminismo, machismo, elitismo, discurso antipolítica, antipetismo e ataques frequentes a Lula, com não poderia deixar de ser.

Até muito recentemente, o humor político no País era ou despolitizado ou de direita, até que a HBO brasileira resolveu produzir o Greg News, programa que imita o jornalismo político de maneira jocosa e altamente crítica ao mesmo tempo. Greg News é transplante de Last Week Tonight, também da HBO, que é capitaneado pelo frenético e extremamente competente humorista inglês John Oliver, e foi vencedor do Emmy de melhor roteiro para série de variedade de 2016, entre outros prêmios.

Semana após semana, Oliver dedica meia hora de seu show a examinar criticamente temas complexos como saúde pública, indústria farmacêutica, lixo atômico, educação sexual etc.. Como não poderia deixar de ser, a ridicularizar Trump em quase todos os seus atos. O nível de jornalismo investigativo praticado por Oliver e sua equipe é impressionante, particularmente se levarmos em conta o fato de tratar-se de um programa de comédia. Gregório Duvivier, o humorista do Porta dos Fundos à frente de Greg News, tenta fazer o mesmo, seguir o modelo que deu certo “lá fora”. Mas será que consegue?

De cara dá para perceber que o nível do jornalismo investigativo praticado pela equipe de Duvivier é muito menos intenso do que o do congênere gringo. Mas não é isso que quero sublinhar, mas uma certa captura do programa brasileiro pelo que eu chamaria de "coxismo de esquerda".

É claro que faz parte da pegada humorística fazer troça de gregos e troianos. Como a inclinação de Greg News é à esquerda, este campo recebe eventuais cutucadas enquanto sua antípoda política é de fato objeto preferencial do sarcasmo. Até aí nada mais refrescante no cenário midiático nacional. Mas Duvivier é bem parcial quando o assunto é cutucar a esquerda. Ridiculariza generosamente Dilma e Lula, mas ao falar sobre os avanços sociais da última década utiliza como sujeito da frase um “nós” genérico, omitindo os principais agentes políticos desse avanço.

Fala do acordo pretérito entre PT e PMDB, que sustentou por bastante tempo os governos Lula, Dilma e Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro, como uma grande armação em que todos eram praticamente iguais, sem se dar conta de que os avanços sociais que acabara de elogiar foram conquistados com o apoio dessa aliança e que a saída do PMDB dela lançou o partido à direita e jogou o sistema político nacional no esgoto. Todo mundo perdeu com isso. Mas o "coxismo" acha que quando a política perde, a sociedade ganha, ou ao menos, na sua versão de esquerda, alguns pequenos partidos políticos que se imaginam mais radicais.

Os sinais estão todos lá. Duvivier quer fazer um programa nacional, mas com uma perspectiva assaz paroquial: a do PSOL carioca. A brincadeira final da edição de Greg News sobre partidos, com Marcelo Freixo fazendo o papel de si mesmo em uma propaganda eleitoral fictícia, a despeito da intenção humorística, chega a ser constrangedora. Não dá para sequer saber se é piada. Mas lá está Freixo, um político profissional, fazendo troça de seu próprio metier. Será que Freixo se imagina um tipo especial de político, ou é somente amigo do apresentador?

O mais preocupante do "coxismo" que caracteriza o PSOL carioca é, além da postura antipolítica generalizada e o antipetismo epidérmico, uma intensa aversão a criticar uma das piores mazelas do cenário político brasileiro: a mídia, acima de tudo a Rede Globo.

Duvivier passa a quase meia hora de seu programa sobre partidos a falar de financiamento de campanha, propaganda eleitoral etc., mas não tem uma palavra sequer para a mídia. Ele acusa os partidos por se coligarem usando o tempo de tevê como moeda de troca, mas esquece de defender a importância crucial do horário eleitoral gratuito, por sinal, seriamente prejudicado pela redução recentemente imposta por Eduardo Cunha.

Ele se indigna contra o financiamento público de campanhas, como se ele fosse um assalto dos políticos aos cofres públicos, sem perceber que se pouco ou nenhum dinheiro é dado aos partidos, os ricos terão multiplicadas ainda mais as suas chances de eleger candidatos. É a mesma lógica do velho moralismo "coxinha" que preconiza a extinção do salário dos representantes: fórmula mais certa para eleger ricos não poderia ser pensada. O programa se declara a favor dos partidos e da política representativa, mas a sua aversão moralista de classe média a quase tudo que a política é, na realidade, indisfarçável.

Nos EUA, John Oliver, Stephen Colbert, Seth Meyers, Bill Maher e tantos outros se fartam de sacanear a mídia de direita, particularmente a Fox News. Enquanto isso, aqui no Brasil, crítica alguma é feita aos veículos que não parta de canais alternativos.

A HBO ousa ao levar ao ar Greg News, mas nem ela nem Duvivier parecem ter coragem de criticar a Rede Globo, as manipulações do Jornal Nacional, os comentaristas ridículos e ridiculamente reacionários da Globo News, do Jornal da Globo, isso para não falar de outros meios e jornalistas igualmente perniciosos. Ao mesmo tempo, é preciso ter claro que esse canal por assinatura bastante caro é assistido por uma minoria de brasileiros de classe média alta: a mesma parcela da nossa sociedade que bateu panelas contra o PT e cujos filhos, alguns deles, engrossam as fileiras do PSOL.

Greg News é mais do que bem-vindo nesse cenário de devastação da  mídia brasileira. Mas para de fato termos um movimento vibrante de sátira política de esquerda, é preciso que programas desse tipo saiam dos canais exclusivos dos pacotes mais caros da tevê a cabo e apareçam em meios de maior alcance popular, e que, acima de tudo, se libertem do ranço moralista e elitista que o PSOL carioca representa tão bem.

João Feres Júnior, Professor de Ciência Política do IESP-UERJ, o antigo Iuperj. Coordenador do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), que abriga o site Manchetômetro (http://www.manchetometro.com.br) e o boletim semanal Congresso em Notas (http://congressoemnotas.tumblr.com)
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Escritório de doleiro alegou sigilo profissional para negar à Receita informações sobre contrato com Rosângela Moro

Eles e a planilha.
Depois que a coluna Radar, da Veja, informou que o Ministério Público omitiu da investigação da Lava Jato documentos que mostravam a relação profissional de Rosângela Moro com o escritório de advocacia de Rodrigo Tacla Durán, começam a surgir outros dados que dão clareza a fatos que são suspeitos.

No mínimo,  reforçam os argumentos de que Sergio Moro não tem isenção para conduzir os processos da Lava Jato.

O escritório de Tacla Durán foi investigado pela unidade da Receita Federal em São José do Rio Preto, em procedimento de fiscalização conduzido pelos auditores Rogério César Ferreira e Paulo Cesar Martinasso.

No âmbito de suas atribuições, a Receita Federal investiga sonegação de tributos, mas esta pode ser apenas uma consequência da lavagem de dinheiro, que é o que efetivamente o escritório de Tacla Durán fazia.

Na relação, que acompanha o ofício assinado por Flávia Tacla Durán, irmã de Rodrigo, aparece o nome de Rosângela, de Carlos Zucolotto Júnior e do escritório de Zucolotto. Também aparece o advogado Leonardo Guilherme dos Santos Lima, que tem o mesmo sobrenome do procurador da república Carlos Fernando dos Santos Lima.

Flávia não informa detalhes sobre o trabalho realizado pelos advogados para os quais fez pagamentos. Para justificar o não atendimento dessa exigência da Receita, ela apresenta o resultado de uma consulta que fez ao presidente da OAB de São Paulo, Marcos da Costa.

“Conforme verificado na apresentação das presentes informações e documentos requisitados, o presente escritório de advocacia encontra-se devidamente inscrito em seu órgão de regulamentação profissional, sob número 13.242 e, portanto, submetido ao Regime do Estatuto da Advocacia (Lei número 8.906/94), razão pela qual, nos termos do instruído pela Ordem dos Advogados do Brasil, através do referido despacho proferido em 27/07/2015, do presidente da OAB – seccional de São Paulo, Dr. Marcos da Costa, ora acostado em sua íntegra, nos abstemos de apresentar o conteúdo completo dos trabalhos que pressupõe sigilo profissional”, escreve Flávia Tacla Durán.

O submundo que une Tacla Durán a advogados próximos de Sergio Moro começou a ser revelado pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, com a informação de que o advogado Rodrigo Tacla Durán, começou a escrever um livro em que pretende contar que o amigo de Moro, o advogado Carlos Zucolotto Júnior, lhe tentou vender facilidades na Lava Jato. Para trocar a prisão em regime fechado por prisão domiciliar, com tornozeleira, teria que fazer pagamentos por fora.

Agora, com o furo de Maurício Lima, do Radar, o cerco ficou mais próximo — a própria esposa do juiz aparece na relação do escritório que apareceu na Lava Jato como operadora de caixa 2 e lavagem de dinheiro para empreiteiras, entre as quais a Odebrecht. Em 2016, Moro determinou a prisão de Tacla Durán, quando este estava na Espanha, mas não conseguiu trazê-lo para o Brasil, pois a Espanha negou a extradição.

Rodrigo Durán é colaborador da justiça nos Estados Unidos e também na Espanha. Em entrevista ao jornal El País, Durán diz que a Odebrecht, uma das empresas para as quais fazia lavagem de dinheiro, pagou em propina pelo menos quatro vezes mais do que revelou no acordo de delação premiada homologado no Brasil.

Sergio Moro assinou dois mandados de prisão preventiva contra Durán, atendendo a pedido do Ministério Público Federal, que o acusava de celebrar contratos de fachada com empreiteiras para gerar caixa 2. O procurador da república Júlio Motta Noronha, que deu entrevista para falar da 36a. Operação de Lava Jato, em que as prisões de Durán foram decretadas, explicou assim a razão do pedido:

“Rodrigo Tacla Duran foi responsável por lavar dezenas de milhões de reais por meio de empresas controladas por ele, como a Econocell do Brasil, TWC Participações e Tacla Duran Sociedade de Advogados. Diversos envolvidos na Operação Lava Jato se valeram das empresas de Duran para gerar dinheiro e realizar o pagamento de propinas”, afirmou o procurador da República Julio Motta Noronha, da força-tarefa da Lava Jato.

Um gigante desses na lavagem de dinheiro (na prática, doleiro) teria que tipo de relação profissional com Rosângela Moro e também com Carlos Zucolotto Júnior? A respeito deste, logo que se revelou o que agora ganha dimensão de escândalo de grandes proporções, Moro veio a público para tentar minimizar os efeitos da informação de venda de facilidades na Lava Jato.

Diante da impossibilidade de negar o relacionamento entre o amigo e o réu, Moro disse:

“A partir das perguntas efetuadas, o sr. Carlos Zucolotto, consultado, informou que foi contratado para extração de cópias de processo de execução fiscal por pessoa talvez ligada a Rodrigo Tacla Duran em razão do sobrenome (Flávia Tacla Duran) e por valores módicos”, diz Moro.

Quem acredita que Zucolotto foi contratado para ir ao fórum e fazer xerox de processo acredita em tudo. O mesmo raciocínio vale para Rosângela.

Será que a esposa do juiz apareceu na relação de pagamentos de um escritório que faz lavagem de dinheiro para fazer serviços que, a rigor, poderiam ser feitos por um estagiário?

Se o que se pretende é passar o Brasil a limpo, chegou a hora de investigar fatos que comprometem Sergio Moro.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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FHC, entre o cinismo e o delírio


FHC, presidente de honra e oráculo do PSDB, exibe sintomas claros de alguém em desconexão com a realidade.

No artigo Uma candidatura agregadora [O Estado de SP, 3/9/2017], seu raciocínio oscila entre o cinismo e o delírio.

O partido dele, o PSDB, é co-autor do golpe de 2016 que derrubou Dilma, e sócio-fundador do “governo de ladrões” [cleptocracia, no grego] liderado pelo conspirador e golpista Michel Temer.

A despeito disso e das cenas escatológicas de corrupção da quadrilha que assaltou o poder, porém, FHC rememora o nascimento do PSDB como oposição às “práticas de conduta reprováveis” do PMDB [sic], e critica o que chama de “presidencialismo de cooptação” – justamente aquele do qual seu partido é o principal avalista e beneficiário.

Dono de um cinismo imbatível, FHC preconiza que “O importante agora será constituir um pólo democrático e popular que olhe para as eleições de 2018 com visão de futuro”.

Para ele, o PSDB não deve abandonar o governo de ladrões antes de 2018: “Se existirem divergências mais profundas e substantivas, que sejam explicitadas antes de um eventual ‘desembarque’ ”.

Na sua visão, o PSDB deve continuar dando sustentação a Temer porque “É inegável que houve avanços nas áreas econômicas e nas da educação, da habitação e da infraestrutura, assim como na política externa”.

São hilárias tantas baboseiras escritas pelo “príncipe dos sociólogos” num artigo tão breve; é difícil crer que até mesmo os peessedebistas mais fanáticos e sectários possam levá-lo a sério.

Não é crível que alguém que defendeu o congelamento dos gastos sociais pelos próximos 20 anos para transferir fortunas monumentais ao sistema financeiro, causando o extermínio da população pobre, escreva que “a bandeira da igualdade ganha enorme força diante da desigualdade gritante prevalecente e deverá implicar em mais e melhor educação, saúde e segurança.

Soa falso FHC proclamar que A moralidade pública e privada é um requisito para que as pessoas possam voltar a crer nos que governam”, quando o presidente do seu partido, Aécio Neves, continua presidindo o PSDB [licenciado, porém de fato], mesmo depois de ser flagrado recebendo R$ 2 milhões em propinas para repassar ao proprietário do helicóptero apreendido com 455 kg de pasta-base de cocaína [escândalo nunca investigado e apurado pela PF e MP tucanos].

Com esta trajetória cínica e delirante, FHC mancha sua biografia e perde o respeito formal e protocolar como ex-presidente do país, por mais nefasto que tenha sido do ponto de vista nacional e popular.

Não há inconveniente em se debater uma candidatura futura – ou “agregadora”, como defende FHC – desde que se debata isso com honestidade e seriedade.

FHC, contudo, com oportunismo quer dar um salto em direção ao futuro para escamotear as responsabilidades do tempo presente, pelas quais ele e seu partido devem responder:

– foram perpetradores da farsa do impeachment para derrubar ilegalmente a Presidente Dilma através do parecer do senador tucano Antonio Anastasia, das Minas Gerais de Aécio Neves;

– os parlamentares tucanos foram relatores da reforma trabalhista que viabilizou o pacto de dominação escravocrata no Brasil [Ricardo Ferraço/ES no Senado e Rogério Marinho/RN na Câmara];

– o senador tucano José Serra/SP foi autor da Lei que permitiu a entrega da exploração das áreas do petróleo de águas profundas [pré-sal] para as petroleiras estrangeiras;

– o deputado tucano Paulo Abi-Ackel, das Minas Gerais do Aécio Neves, elaborou o parecer que impediu o STF de julgar Michel Temer flagrado cometendo crime de corrupção no Palácio Jaburu;

– no Itamaraty, os tucanos atuam como cônsules dos EUA na América do Sul, defendendo os interesses norte-americanos em detrimento da integração regional e da inserção soberana do Brasil no mundo.

[isso tudo sem mencionar a atuação dos tucanos no Judiciário – Gilmar, Dallagnol, Moro, PF etc]

FHC e os tucanos carregarão à eternidade a marca de sangue nas mãos pelo golpe do qual foram veículo para a concretização da influência e dos interesses estrangeiros no país.

Se tivesse um milímetro de honestidade intelectual e política, FHC deveria pedir desculpas ao povo brasileiro, ao invés de proclamar idéias delirantes e desconexas no debate público.

Quem começa ler o artigo do FHC fica com a impressão de que ele vai concluí-lo propondo a expulsão do Aécio Neves do PSDB, a saída do PSDB do governo de ladrões chefiado pelo Temer, a retirada do apoio para a destruição da previdência social.

Mas não, FHC não faz isso; por isso sua credibilidade é nula.

Jeferson Miola
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A chacina de Pau D'Arco no Pará




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Escândalo no MT expõe influência e conexões de Gimar Mendes

Eles
Embora não tenha sido citado pelo ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) no acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o nome do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ser um dos mais mencionados nos bastidores da política local. Poucos se sentem à vontade para falar abertamente sobre ele. Mas autoridades do meio político, do Ministério Público e do Judiciário passaram os últimos dias listando episódios questionáveis do governo Silval que se aproximam do magistrado.

Classificada como "monstruosa" pelo também ministro do STF Luiz Fux, que dias atrás a homologou, a delação de Silval provocou um terremoto político no Estado de proporções inéditas. A confissão de dezenas de esquemas de corrupção envolveu o ministro da Agricultura e ex-governador, Blairo Maggi (PP), o atual governador, Pedro Taques (PSDB), dois dos três senadores locais, deputados e ex-deputados federais, representante do tribunal de contas e todos os deputados estaduais da legislatura anterior, entre eles o atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB).

O aspecto mais chamativo foram os vídeos gravados de forma escondida por Silval mostrando parlamentares de diversos partidos, um após o outro, recebendo maços de dinheiro dentro do uma repartição. Segundo o delator, era um "mensalinho", uma tradição na relação com os representantes da Assembleia para garantir apoio às matérias de interesse da gestão e evitar investigações contra o seu governo corrupto.

Um dos episódios envolvendo o nome de Gilmar lembrado na semana passada foi o da inusitada aquisição por parte do governo Silval de uma faculdade particular criada pelo ministro, uma irmã e outros três sócios no fim dos anos 90. A União de Ensino Superior de Diamantino (Uned) foi montada no pequeno município de Diamantino, região central do Mato Grosso, cidade natal do magistrado e onde seu pai e um irmão já foram prefeitos.

Conforme mostrou uma reportagem da agência "Pública" em junho, a estatização da faculdade é alvo de inquérito civil no Ministério Público Estadual, que apura as circunstâncias da operação. Na época da criação, um dos parceiros de Gilmar na empreitada foi o pecuarista Marcos Antônio Tozzatti, ex-assessor e atual sócio do ministro Eliseu Padilha (PMDB) numa fazenda de gado e, junto com ele, alvo de investigação por crime ambiental.

A Uned operou 13 anos enfrentando dificuldades por causa da inadimplência. Até que em 2013 Silval resolveu comprá-la. Para isso, mobilizou os deputados estaduais que precisaram aprovar uma norma para dar autonomia para a Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat) realizar a aquisição.

Na época, a Assembleia era comandada pelo notório José Riva (PSD), que responde por mais de uma centena de processos e ganhou fama como "o maior ficha suja do país". Ao custo de quase R$ 8 milhões, a faculdade particular virou pública e deixou de cobrar mensalidade. Aumentou o número de alunos, mas vive até hoje em situação precária, sem concurso e com professores improvisados.

Não há evidência de que Gilmar tenha participado das negociações. Ele saiu do negócio anos antes da transferência. Na cerimônia de inauguração da unidade estatizada, porém, o ministro do STF apareceu em Diamantino ao lado de Silval e de Riva. O campus foi batizado com o nome de seu pai, Francisco Ferreira Mendes.

No mesmo ano da estatização, Silval agraciou Gilmar com a medalha de honra ao mérito do Estado. Conforme registrado na ocasião, o ministro agradeceu afirmando que era "amigo de muitos anos" do agora delator, figura com quem costumava ter "conversas muito proveitosas".

Hoje, a expectativa no Estado é que Riva faça delação. A informação de que ele estaria negociando para isso foi confirmada por uma autoridade que pediu para não ter o nome identificado.

Um segundo episódio com instituição de ensino também associa Gilmar aos investigados. Em 2012, Riva decidiu promover um concurso para contratação de 430 servidores para a Assembleia. A Casa tinha 1,4 mil funcionários - a maioria comissionados - e não fazia concurso há duas décadas. Para surpresa de muitos, a empresa selecionada para realizar o certame foi o Instituto Brasiliense de Direito Privado (IDP), escola que tem Gilmar como sócio.

O IDP foi criado na mesma época da Uned. Diferentemente da faculdade de Diamantino, cresceu e continua tendo Gilmar como sócio. Sua contratação para realização de concurso gerou desconfiança e passou a ser publicamente criticada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

Entre outras coisas, diziam que o IDP não tinha experiência anterior alguma nesse tipo de atividade e acusavam o instituto de ter preparado um edital com vícios que favoreciam comissionados já instalados na Casa. Mencionavam ainda erros primários do edital, como especificar uma norma do Mato Grosso do Sul inexistente no Mato Grosso. A desconfiança era de que se tratava de uma operação capitaneada por Riva para garantir a perpetuação de aliados na Assembleia.

Em julho de 2013, o concurso foi cancelado. O substituto de Riva na presidência da Assembleia, Romildo Júnior (PMDB), concordou que havia "situação de insegurança". Embora não admita as acusações que eram feitas pela OAB e pelo MCCE, o IPD concordou que teria dificuldade para tocar o certame, já que a demanda por inscrições, 50 mil, ficou muito acima do que havia sido estimado no contrato, 17 mil.

O Valor não conseguiu falar diretamente com Gilmar Mendes, em viagem no exterior. O IDP afirmou que a contratação e posterior cancelamento do serviço não resultaram em prejuízo para o Estado. Sua remuneração seria feita a partir da receita com inscrições. Os pagamentos que já haviam sido realizados foram devolvidos aos interessados, informou. O concurso acabou sendo feito depois pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Assim como ocorreu recentemente no julgamento do habeas corpus que tirou o empresário Jacob Barata Filho da cadeia no Rio, a isenção de Gilmar para decidir também foi questionada em 2015 quando o caso José Riva chegou ao STF.

O ex-deputado estava preso havia quatro meses sob a acusação de desvio de mais de R$ 60 milhões em concorrências fraudulentas. Seu advogado, Rodrigo Mudrovitsch, é professor do IDP e já havia sido defensor do próprio Gilmar. O magistrado não se declarou impedido. Na segunda turma, Teori Zavascki e Cármen Lúcia votaram pela manutenção da prisão. Gilmar defendeu o habeas corpus e foi acompanhado por Dias Toffoli. Como Celso de Mello havia faltado, o empate favoreceu o réu.

Dias depois, a juíza da 7ª Vara Criminal do Mato Grosso, Selma Arruda, determinou nova prisão de Riva. Fez isso com base em outro processo e novos indícios que, no seu entender, justificavam a medida preventiva. Gilmar chamou o caso para si e mandou soltá-lo imediatamente. Assim como fez recentemente com o juiz Marcelo Bretas, do Rio, interpretou a segunda decisão de Selma como uma afronta à sua autoridade.

Selma é a juíza que atuou desde o início no gigantesco caso que agora teve seu desfecho com a delação de Silval. Trata-se de uma investigação que começou em 2015 para apurar corrupção na concessão de benefícios fiscais. Como o tempo, foi se desdobrando em várias outras, quase tudo confirmado agora pelo ex-governador. Até outro dia, Selma era chamada no Estado de "Sergio Moro de saia". Quando Gilmar censurou Bretas, uma autoridade do meio jurídico cuiabano afirmou que o juiz carioca poderia passar a ser chamado de "Selma Arruda de terno e gravata".

Ricardo Mendonça
No Valor
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