19 de ago. de 2017

A fascistização do PSDB por Dória


As penas voam no ninho tucano por causa da autocrítica que, sem dar nome aos bois, referiu-se à frouxidão moral de alguns moralistas do partido e ao conluio fisiológico com o “presidencialismo de cooptação”. Mas é a fascistização do partido, pela ação arrivista e o discurso odioso de João Dória, que ameaça devorar o PSDB e despojá-la do que ainda lhe resta de suas raízes democráticas. Se não quiserem ver a sigla transformada em aparelho da extrema-direita que Dória quer encarnar, FHC, Tasso Jereissati e outros fundadores devem enfrentar agora a tarefa de resgatá-la. Mais tarde será tarde.

Circulando pelo país como pré-candidato presidencial do PSDB, ninguém jamais ouviu de Doria uma proposta, um esboço de programa para tirar o país deste atoleiro para o qual foi arrastado pelo golpe e pelo governo desastroso de Temer. Como todos os fascistas, Dória é movido pela crença na força de sua individualidade e trata a política como uma guerra civil, não como campo do diálogo e da cooperação em busca do bem para todos. Se a política é guerra, o adversário tem que ser tratado como inimigo e tem que ser eliminado. Isso ele diz todos os dias sobre Lula, mas seria da mesma forma grave se fosse contra outro político do campo democrático. Sua ação política limita-se a espalhar o discurso do ódio a Lula e ao PT, dizendo coisas como “Dilma é uma anta”, ou “Lula, você, além de sem vergonha, é preguiçoso, corrupto e covarde”.

Dória está se esforçando para ser mais agressivo, mais truculento, mais bossal e mais odiento que Bolsonaro para viabilizar-se como candidato agregador das forças de extrema-direita que levaram o ex-militar ao segundo lugar nas pesquisas para a eleição presidencial. A charge de Aroeira (abaixo) sintetizou com esmero esta emulação. Se o PSDB permitir que ele seja candidato, terá contribuído para aprofundar a cisão entre os que buscam a volta à normalidade democrática e os que desejam a convulsão. E o PSDB, o que ganhará com isso além de uma triste mortalha?


Quando o PSDB surgiu de uma costela do PMDB, contra o fisiologismo e a corrupção da banda liderada por Orestes Quércia, encantou uma parte da centro-esquerda com a visão de um partido moderno e republicano. Para eleger-se, FHC justificou a aliança com o PFL dizendo que, para avançar, era preciso rebocar as forças do atraso. Suas políticas neoliberais ainda tiveram na vitória contra a inflação um neutralizante poderoso. Já com o apoio ao golpe contra a presidente Dilma Rousseff e ao governo ilegítimo de Temer o partido afastou-se da trilha democrática, enfiou uma cunha em sua própria unidade. A revelação da hipocrisia de moralistas como Aécio Neves, as evidências de que enquanto bradavam contra a corrupção dos petistas os tucanos também superfaturavam obras e enchiam os cofres com propinas de empreiteiras, liquidaram com a credibilidade da sigla. Pesquisa Datafolha realizada em junho passado mostrou que o PSDB, juntamente com o PMDB, têm a preferência de apenas 5% da população, contra 18% do PT, hoje em franca recuperação do colapso moral, graças à compreensão da população sobre o significado do golpe e à popularidade do  ex-presidente Lula, que cresce na medida em que o governo apoiado pelos tucanos afunda na rejeição.

Na vida dos partidos, todos os percalços podem ser enfrentados e superados, desde que não lhes afete a identidade e o projeto. Para ficar no campo da social-democracia, alguns dos partidos europeus com que o PSDB se identificava já desceram aos infernos e voltaram ao poder, alternando ciclos de queda e emergência. A captura do PSDB por Dória afeta a identidade do partido e seu programa. Sua candidatura selará o fim do partido, haverá racha e debandada, e uma fatura de omissão penderá sobre a biografia de lideranças históricas como Fernando Henrique Cardoso, por não terem impedido a tempo este triunfo da irracionalidade e suas consequências para a vida política nacional.

Acordem, tucanos. Dória todos os dias dá mais um passo na captura do PSDB como máquina para seu projeto pessoal, que é autoritário, fascista e irresponsável.

Tereza Cruvinel
Leia Mais ►

O triângulo amoroso de Malafaia com Doria e Alckmin e a incorreção da política

Deus é pai
Aconteceu na ExpoCristã 2017, o evento que autodenomina-se o maior mercado de produtos cristãos da América Latina (o nome é ridículo mas dá os sinais do que se pode esperar de algo assim).

Aliás, sabe aquele trecho da bíblia em que Jesus irado com os comerciantes no Templo de Salomão implorava: “Não façais da casa do meu Pai, casa de vendas, covil de ladrões”? Pois é! Dois mil anos depois e nada parece ter mudado.

Negócios à parte, estavam lá, lado a lado, Alckmin e Doria a ouvirem a “pregação” do pastor Silas Malafaia, aquele, que entre outras particularidades, está sendo investigado pela PF por suposto envolvimento no esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral.

No seu já tradicional estilo espetaculoso de ser, Malafaia não decepcionou na verborragia delirante digna somente daqueles que se orgulham em fazer do preconceito, da misoginia, da intolerância e do cinismo, o caminho feliz para a exploração da fé alheia.

Silas representa o que de pior pode haver num pretenso líder religioso. Completamente indiferente aos dogmas de sua própria religião, o que esse mercador faz é utilizar-se da fragilidade e da boa-fé de pessoas humildes para construir um sultanato empresarial que se alastra país afora sob o patrocínio inescrupuloso do submundo da política.

É nesse bojo que deve ser entendida a presença de Alckmin e Doria na tal feira a levantarem as mãos a cada espasmo mental do Malafaia.

Ambos sabem o potencial eleitoreiro do escambo que se pratica ali. Em troca de vantagens financeiras através de benefícios fiscais e outras benesses do nosso falido Estado laico, os “portadores da Palavra” estão dispostos a entregarem o seu rebanho para o sacrifício.

Ainda que Alckmin seja conhecido como o “Santo” da Odebrecht e Doria tenha obrado o milagre da multiplicação dos ovos, seus interesses em eventos dessa natureza estão voltados para questões bem mais terrenas.

E se é terreno, é com o Mala.

Alckmin e Doria até pouco tempo atrás eram como irmãos, mas Caim ronda por essa relação. Malafaia que não é de perder oportunidades, flerta com os dois para saber quem dá mais em troca das almas (votos) de seus fiéis.

Verdade seja dita, os termos contratuais foram postos às claras na presença de todos. Para se conquistar a fidelidade de Silas, uma condição deve ser especialmente observada: a política praticada pelo pretendente não deve, em hipótese alguma, ser correta.

Nas suas palavras celestiais:

“Quem quiser fazer graça na eleição para o politicamente correto, para a ideologia de gênero, casamento gay, legalização das drogas e aborto, vai embora, segue seu caminho”.

Bem, por falta de aviso não será.

Representantes da massa falida que hoje é o PSDB, Alckmin e Doria podem, e devem, ser adversários políticos na campanha presidencial de 2018.

Como dois tucanos não ocupam uma mesma vaga ao mesmo tempo, para isso já se negocia a ida do almofadinha para outra sigla de igual vocação mercantilista.

Acomodados todos, o jogo da sedução segue para as vias de fato. Malafaia aguarda de braços e bolsos abertos as melhores propostas. Ganha quem praticar a política mais incorreta.

Em se tratando desses dois, o duelo será emocionante.

Carlos Fernandes
No DCM
Leia Mais ►

Bolsonaro está levando a pior e sendo desmascarado


Há três dias minhas redes sociais estão sob ataques de fascistas tupiniquins que me insultam e me ameaçam de morte. O que eles têm em comum entre si é o culto e referência ao deputado apologista da tortura e da ditadura militar, que está na Câmara dos Deputados há 26 anos conspirando contra democracia.

Sempre que esses ataques orquestrados via WhatsApp acontecem é porque o “mito” [deles] está levando a pior e sendo desmascarado. Nos últimos três dias, o apologista do estupro  foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça a indenizar, por danos morais, a deputada Maria do Rosário e a se retratar publicamente; o Google decidiu tirar do ar a falsa notícia – FALSA NOTÍCIA – de que ele teria sido considerado “o parlamentar mais honesto do mundo”, que aparecia sempre que alguém fazia uma busca sobre ele (o Google inclusive se desculpou por ter permitido que essa mentira ficasse no ar por muito tempo); em visita a Ribeirão Preto, interior de São Paulo, para “uma palestra“, o deputado homofóbico levou uma ovada de uma estudante (o ovo tem virado um símbolo de resistência popular contra os demagogos e fascistas que deram o golpe na democracia!); e, por fim, uma matéria de O Globo denuncia que o deputado corrupto que ofendeu os quilombolas está usando dinheiro da Câmara para fazer sua pré-campanha (ou seja, além das ausências nas sessões e de sua inutilidade, o deputado está usando de maneira ilícita o dinheiro da Câmara).

Logo, não é de espantar que suas hordas na internet – boa parte desta composta de perfis fakes movidos a robôs – comecem a me atacar, e a outras pessoas progressistas, como se fôssemos os culpados de seu “mito” não se sustentar em pé.

Até mesmo uma vereadora obscura, analfabeta política, de figurino cafonérrimo e pouco produtiva de Fortaleza, fã do deputado fascista, decidiu me atacar num vídeo, na esperança de dar algum sentido a seu mandato medíocre. Eu ri.

Os fascistas tupiniquins estão assanhados também porque o que aconteceu em Charlottesville mostrou, aos brasileiros, do que eles, os fascistas tupiniquins, são capazes e a que ideias servem. Dias difíceis para eles! E que sejam mesmo. Fascistas, racistas, machistas, demagogos e homofóbicos não passarão!

Jean Wyllys
Leia Mais ►

E os 15 milhões da RBS na Zelotes?

Pimenta no dos globais


Ao ser provocado por locutor da RBS, Pimenta questiona: "E a Zelotes, vamos falar sobre os R$ 15 milhões da RBS?"

Um locutor da RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, usou o Twitter para provocar o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que acompanha o ex-Presidente Lula em viagem pelo Nordeste. Pedro Ernesto Denardin é um dos principais locutores da Rádio Gaúcha e ao comentar uma postagem feita pelo parlamentar petista indagou: “O Vacarezza não está ai?".

Pimenta respondeu lembrando ao jornalista que, embora a mídia tente vincular o ex-deputado Cândido Vacarezza ao PT, ele não está mais no Partido dos Trabalhadores. O deputado também questionou Pedro Ernesto Denardin sobre o silêncio em relação à Operação Zelotes, em que a RBS é acusada de pagar propina para abafar processos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão ligado a Receita Federal.

A Operação Zelotes foi deflagrada em março de 2015 e investiga, entre outros, um pagamento do grupo RBS de R$ 15 milhões a um escritório de advocacia de Brasília que comprava conselheiros do Carf para anular dívidas tributárias. Segundo os investigadores, o caso RBS refere-se a um processo de 2009. Após o pagamento de propina, um dos conselheiros do Carf se declarou impedido de participar do julgamento e, em junho de 2013, a afiliada da Globo saiu vitoriosa.

A PF e o Ministério Público Federal obtiveram como prova os comprovantes de transferência da conta da RBS entre setembro de 2011 e janeiro de 2012, em quatro parcelas de R$ 2.992.641,87, para a conta da SGR Consultoria Empresarial no banco Bradesco. De acordo com a PF, o esquema de sonegação fiscal pode ter movimentado R$ 19 bilhões, somado todos os 74 processos que estão sob investigação.

Essa não é a primeira vez que um jornalista do grupo RBS promove algum tipo de ataque a membros do Partido dos Trabalhadores. Em janeiro de 2016, o locutor Alexandre Fetter, do programa Pretinho Básico, da rádio Atlântida, estimulou os ouvintes a “cuspirem” na cara do ex-Presidente Lula. “Ninguém cospe no Lula, velho? Que troço desesperador, isso é desesperador. Ninguém dá uma cuspida no Lula, um sujeito desses é digno de uma cusparada”.

A inconformidade do locutor era, segundo ele mesmo, a possibilidade de que [eles, o povo] “vão votar no PT de novo”.

No CAf
Leia Mais ►

Greg News com Gregório Duvivier | Agrotóxicos


Leia Mais ►

Bolívar Lamounier, e a miséria da intelectualidade tucana


O cientista político Bolívar Lamounier permite uma boa análise de caso. Não apenas por sua história política, que se confunde com a do PSDB, mas por explicitar bem os grupos que compõem o partido.

No plano histórico, saiu da social-democracia da Constituinte para a visão simplista e preconceituosa do neoliberalismo tipo irmãos Kock, aquela que reduz o projeto de Nação a uma mera questão de corte de gastos sociais. A idade enrijeceu a alma e o espírito do sobrinho neto de Gastão Lamounier, o lírico compositor de almas.

Na quadra atual, ele expõe de maneira crua as divisões do partido. Ele e seu líder, Fernando Henrique Cardoso, historicamente alinhados com o Partido Democrata norte-americano, representam o elo com o pensamento dos EUA e de lideranças de mercado, como Jorge Paulo Lehman, Armínio Fraga, os herdeiros do Itaú entre outros grupos. Na mídia, os ideólogos mais ostensivos são os economistas Marcos Lisboa e Samuel Pessoa. São eles que fazem as ligações com a alta tecnocracia pública do Tribunal de Contas da União, Secretária Nacional do Tesouro, entre outros.

Os demais grupos são os fisiológicos, como Aloysio Nunes e outros Ministros, e as bandas barra pesadas de Aécio Neves e José Serra.

A entrevista de Bolívar ao Valor, tocada por dois belos entrevistadores - Ricardo Mendonça e Cristiane Agostine – é um bom raio X desse grupo que, agora que o PSDB se esfacela, se prepara para pular para outro barco. E não há barco no horizonte porque eles, com o notável distanciamento que sempre mantiveram em relação ao povo, não sabem como iniciar a construção de um mero salva-vidas.

Começa pela fé cega nas duas reformas – a da Previdência  e a trabalhista. Segue o padrão Globonews de simplificação: basta as duas reformas para o investimento retomar. Capacidade zero de analisar o quadro político, o clima de conflagração social, os impactos da PEC do Teto na miséria, na fome, na saúde e na educação e também na democracia, já que medidas dessa ordem só passam em regimes de exceção, como o atual. Como farão com as eleições de 2018? Aplicarão outro golpe parlamentar?

Bolívar repete a mantra da “equipe econômica de primeira linha”. Tomem-se esses papagaios de fraque – ele, o Ministro Luís Roberto Barroso – e peçam-lhes o nome dos membros da equipe. Com exceção do Ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central, não saberao o nome de nenhum. Mas são obedientes às ordens de repetição de slogans sobre a "equipe de alto nível".

Defende a legitimidade do governo Michel Temer, porque ele foi votado na chapa de Dilma Rousseff, logo tem a legitimidade dos votos dela. Aí se trata de um caso do militante que atropelou miseravelmente a idoneidade intelectual do cientista político.

Na sequência, endossa a tese de que a impopularidade de Temer é um trunfo, na medida em que um presidente impopular não precisa se preocupar em agradar os eleitores. Ou seja, tem a legitimidade dos votos mas, por ser impopular, não precisa da legitimidade dos eleitores para fazer as reformas. Entenderam? Eu também não. Conseguiu suplantar até Carlos Guilherme Motta, o Motinha, no desrespeito à sua própria biografia.

Enaltece as reformas de Temer e, ao mesmo tempo, desanca o Congresso – que vota a favor das reformas de Temer – admitindo que se move alimentado pela corrupção. Mais um pouco, chegará ao nível de Marco Antônio Villa.

Sobre o apoio do PSDB a Temer, a única crítica é em relação ao racha do partido. Se fosse todo a favor de Temer, sem problema, continuaria partido político.

Em sua opinião, o PSDB “é um partido paralisado, incapaz de tomar decisões porque não tem identidade. E sequer prudência e sabedoria”. Provavelmente porque não tem mais sábios. Mas, a não ser a constatação óbvia de que o partido virou uma miscelânea, não há uma conceituação mais apurada, à altura do cientista político que, em fins dos anos 80, teorizava sobre o novo agente político, a opinião pública pós-ditadura.

Mas reage energicamente quando indagado se o PSDB precisa pedir desculpas. Aí, consegue vocalizar o único discurso com que ele e outros intelectuais, como seu guru FHC, orientaram o partido: o anti-petismo.

Depois de dizer que o partido se desmilinguiu, o anti-petismo acende a única vela a iluminar essa escuridão cósmica, e o bravio Bolívar faz um chamamento à guerra: "Mas não vamos dar a mão à palmatória. Vamos repor os problemas em discussão. Fazer a fuga para frente, não para trás”. E tudo isso depois de dizer que o partido acabou.

Bolívar corre um risco grande. Se aparecer em uma reunião de neotucanos e disser seu nome, será espancado como um bolivariano,  pois essa é a única turma que os intelectuais tucanos cativaram com sua profundidade de piscina infantil e, além disso, precisa disputá-la com Bolsonaro.

Aí, a pergunta fatal: “No manifesto, o PSDB diz que nasceu para ficar longe das benesses do poder, mas perto do pulsar das ruas. Apoiar Temer é isso?”

E o que o intelectual Bolívar respondeu? Adivinharam: "A adesão ao governo Temer foi pela governabilidade, para Temer ter 40 votos e alguns ministros de prestígio. Os quatro ministros não estão lá para extrair benesses, mas para ajudar”.

Alvíssaras!

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Dilma: Sobre a matéria de “Veja”



A propósito da matéria “Investigação confirma aposentadoria irregular de Dilma”, veiculada por Veja a partir de sexta-feira, 18, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff esclarece:

1 - Veja volta a executar o velho Jornalismo de Guerra ao dar ares de escândalo à aposentadoria da presidenta eleita Dilma Rousseff. O escândalo está na perseguição que a revista promove e não na aposentadoria em si.

2 - Depois de 36 anos, 10 meses e 21 dias de serviços prestados – comprovados documentalmente – aos 68 anos de idade, Dilma Rousseff se aposentou com vencimentos pouco acima de R$ 5 mil — o teto do INSS. Ela nada recebe como ex-presidenta da República ou anistiada política. O benefício segue os rigores da lei. Tampouco se valeu de subterfúgios para o recebimento de valores indevidos ou excessivos, como ocorre com Michel Temer e ministros do governo golpista.

3 - Afastada da Presidência pelo golpe construído a partir do impeachment fraudulento, Dilma Rousseff recebeu em agosto de 2016 seu primeiro benefício como aposentada.

4 - Inicialmente, o governo golpista se recusara a reconhecer o tempo de serviço dela, com base nos efeitos da anistia. É que, além de ter sido encarcerada pela ditadura no início de 1970, Dilma Rousseff foi obrigada, a partir de 1977, a se afastar de seu trabalho, na Fundação de Economia e Estatística, por integrar a chamada lista do General Frota. Só no final dos anos 1980, foi anistiada.

5 - Por isso, Dilma Rousseff pleiteou para a sua aposentadoria o reconhecimento pelo INSS do período de anistia de aproximadamente dez anos. O governo golpista negou-lhe os efeitos da anistia com o evidente objetivo de prejudicá-la. Alegou que tentava fraudar a previdência, procurando se aposentar antes da hora. A ação foi frustrada porque Dilma Rousseff havia trabalhado por todo esse período e podia facilmente comprová-lo. Como o fez.

6 - Na sequência, o INSS apontou que uma anotação equivocada por parte de uma funcionária — sem interferência da presidenta eleita —, ensejou a concessão do benefício em agosto e não em setembro, como seria o correto. A própria autarquia avaliou, no entanto, que não houve má-fé por parte da servidora.

7 - A defesa da presidenta eleita — a cargo dos advogados Bruno Espiñera Lemos e Victor Minervino Quintiere — deixou claro que não era possível exigir de Dilma Rousseff que soubesse tratar-se de equívoco por parte do sistema do INSS. Isso porque o procedimento passou pelos devidos trâmites regimentais.

8 - Dilma Rousseff está recorrendo da devolução. A jurisprudência dos tribunais superiores considera incabível a cobrança pelo erário dos valores recebidos de boa-fé. Ela vê na atitude do governo golpista uma clara tentativa de prejudicar funcionários de carreira criando uma “falsa denúncia” para punição abusiva.

9 - A sindicância mencionada por Veja reforça a tese da defesa da ex-presidente de que não houve “intenção clara dos investigados em beneficiar Dilma Rousseff”.

10 - Veja dá cores de denúncia ao que é sanha de um governo usurpador, tomado pelo objetivo de perseguição política e de diversionismo dos escândalos de corrupção do grupo no poder. Devia era explicar as aposentadorias precoces do presidente ilegítimo e de seus associados.

11 - A revista também não cumpre a exigência fundamental do jornalismo isento, ao deixar de procurar a defesa da ex-presidente ou sua assessoria de imprensa. Não há desculpas ou explicações que justifiquem a parcialidade e o proselitismo político da revista.

12 - Esse é o retrato dos nossos tempos, em que a democracia se mantém sufocada pelos interesses inconfessáveis de uma elite insensível ao bem-estar da população e ao respeito dos direitos democráticos, como a liberdade de imprensa.

Assessoria de Imprensa
DILMA ROUSSEFF
Leia Mais ►

História Geral da Arte — Gauguin


Gauguin

O audacioso uso que Gauguin fazia de cores puras e intensas deu às suas telas uma expressividade intensamente pessoal, mas seu trabalho não encontrou receptividade na época. Hoje, entretanto, suas obras estão entre as mais procuradas por colecionadores de arte de todo o mundo.

Leia Mais ►

Sem ovo e sem povo, Doria não se cria no Nordeste


Quem precisava de alguma prova de que os ovos jogados sobre João Doria  em Salvador, além do desperdício, só serviam para chocar um cidadão que não existe eleitoralmente fora de São Paulo, deveria ler sobre a passagem do prefeito paulistano, ontem, por Fortaleza e por Recife, registrada na foto da Folha, aí em cima.

Assim como em Fortaleza, na capital pernambucana não houve manifestações contra o tucano. Por precaução foi montado um forte esquema de segurança com funcionários de uma empresa de vigilância privada e até viaturas da Polícia Militar no (centro) empresarial onde Dória foi homenageado.

O centro empresarial é dele mesmo, a sua empresa Lide, especializada em promover badalações que alimentem o ego da turma da bufunfa, com fotos e aplausos, na base do “money is beautiful” e canapés.

Não fossem os xingamentos, bravatas e grosserias contra Lula, teria passado despercebido.

Não se leu qualquer proposta dele em relação ao Nordeste, ficando apenas a memória daquela que fez, quando presidente da Embratur de Sarney, de tornar a seca atração turística.

Mas ele disse que, em 2018, ”o povo vai enterrar um mito” ao derrotar Lula no voto.

Não muito longe dali, na Bahia, o povo mostrava na rua o que vai fazer a Lula: levá-lo de volta à presidência.

Mais ou menos na mesma hora em que Dória posava, elegante e só, com a turma do dim-dim.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Lula e Doria no Nordeste: um teve dia de craque, o outro, de várzea

Doria fala para empresários no Ceará

Lula recebido em Cruz das Almas, Bahia.
Duas imagens deste 18 de agosto de 2017 mostram não apenas dois políticos, mas dois Brasis.

No mesmo dia em que Doria perde o seu quarto secretário em oito meses — Gilbeto Natalini, do Verde, deixou o cargo supostamente por não ceder a construtoras –, ele foi  a Fortaleza, Ceará, falar sobre gestão.

O que um prefeito que perdeu seu quarto secretário em oito meses têm a ensinar sobre gestão? Rodízio muito grande na equipe de primeira escalão revela que ou líder escolheu mal sua equipe, ou a convivência com ele é insuportável.

Sejam por um ou outro motivo, as trocas constantes no secretariado de Doria mostram que ele pode ser qualquer coisa, menos um gestor eficiente.

Já a outra imagem é a de Lula cercado por gente na sua chegada ao Recôncavo Baiano, onde, durante o governo do petista, foi inaugurada uma universidade.

Em uma, há um mar de gente.

Na outra imagem, mesas com pessoas convidadas pelo Lide, a organização criada por Doria para defender interesses dos empresários durante o governo de Lula — o nome disso se chama lobby — , a grande obra da vida do prefeito.

Os dois discursaram e deram entrevista.

Frases de um e de outro mostram o tamanho de cada um como político.

Lula disse que Doria o ataca porque ele, Lula, está na frente da pesquisa e usou uma metáfora futebolística: quem enfrentar o Barcelona vai tentar conter o Messi, não o Mascherano. Faz sentido, qualquer pessoa entende.

Doria respondeu de uma forma que qualquer um entende também, mas foi com canelada: “além de sem vergonha, preguiçoso, mentiroso e covarde, você é inexpressível (sic)”, disse.

Doria tentou entrar na metáfora futebolística: disse que, se Lula é Messi, ele é Neymar, que é negro e defende a seleção argentina. Não convenceu.

Na plateia de Doria, as imagens não mostram negros.

Já Lula foi a uma universidades onde negros, muitos africanos, receberam diploma universitário, muitos deles pioneiros na família com ensino superior.

Doria se comportou no Ceará como sempre: um homem mimado, que, contrariado, baixa o nível.

Já Lula, cuja alfabetização Doria colocou em dúvida, ao dizer que talvez ele não soubesse ler, teve um dia de estadista: ele foi o patrono da 2a. turna do Bacharelado em Humanidades, do Campus dos Malês da Universidade da Integração Nacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), em São Francisco do Conde, entidade criada em seu governo.

Doria, que quer ser o candidato da direita para enfrentar Lula, terá de aprender muito chegar à primeira divisão da política. Nesta sexta-feira, seu comportamento foi de várzea.

Joaquim de Carvalho
No DCM
Leia Mais ►

Kakay: Moro tornou nulo o processo contra Lula


Um dos mais ativos criminalistas do país - possui 18 clientes apenas na Lava Jato - Antonio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, tem uma visão dura sobre a sentença de 9 anos e meio do juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Lula.

Em entrevista à TV 247, Kakay afirma que o interrogatório do ex-presidente em Curitiba mostra que o juiz assumiu "claramente uma postura não parcial" em relação ao réu.

Analisando a manifestação de Sérgio Moro sobre o imóvel do Guarujá, onde o juiz admitiu que o apartamento "não tinha nenhuma relação com a Petrobras", ele "tornou o processo nulo", analisa o advogado. Isso porque falta a "conexão necessária" para condenar Lula em uma investigação cujo fulcro encontra-se em denúncias de corrupção na maior estatal brasileira.

Na entrevista, Kakay admite que a Lava Jato realiza uma investigação necessária contra a corrupção no país, mas denuncia seus excessos. Também elogia o esforço de Lula para dar autonomia à Polícia Federal e ao Ministério Público, lembrando passagens do governo Fernando Henrique Cardoso que demonstram a influência política sobre investigações que ameaçavam figurões ligados ao governo.

Mesmo sendo um adversário doutrinário das delações premiadas, pois considera que elas implicam na renúncia da mais importante garantia de todo Estado Direito, que é o direito de defesa, Kakay até admite que possam ser utilizadas, em situações previstas em lei. O problema na Lava Jato, denuncia, é que agora temos deleção com direito a "recall". Ele explica: quando é pego "na mentira (o delator) volta atrás e não perde o benefício".

Às vésperas de completar 60 anos, Kakay fez parte da geração que lutou contra o regime militar e agora se diz perplexo com a postura de uma grande parcela da juventude que tem ido às ruas em tempos recentes. "Minha geração saía às ruas para pedir mais liberdade. A geração atual muitas vezes sai às ruas para pedir mais prisões".

Assista à íntegra:

Leia Mais ►

“Querem me jogar na fogueira”: Roberta Luchsinger mostra certidão de nascimento do avô

Roberta Luchsinger
Transformada em celebridade instantânea depois que anunciou que faria uma doação milionária ao ex-presidente Lula, Roberta Luchsinger foi tema de uma reportagem do site JornalGGN do jornalista Luis Nassif.

No texto, ele afirma que o avô de Roberta não seria Peter Paul Luchsinger.

Nas redes sociais, a herdeira diz que o texto é mentiroso. “Se retrata, Nassif. Ficou feio pra você, um senhor da sua idade. Se dê ao respeito, amigo”, disse no Twitter. O jornalista a bloqueou.

Ao DCM, Roberta Luchsinger enviou a certidão de nascimento do parente e falou sobre o assunto.

DCM: Você diz que o Luis Nassif mentiu. Por quê?

Roberta Luchsinger: Creio que estão querendo desviar atenção da minha solidariedade ao Lula.

Seu avô morou em Porto Alegre? Por que ele saiu da Suíça para vir ao Brasil? Este é um dos pontos contestados.

Sim, ele morou por um pequeno período em Porto Alegre, associando-se aos primos na empresa Adubos Trevo. Fez isso por ter se casado com minha avó, que era brasileira.

Você tem documentos que provam que seu avô é cidadão Suíço?

Tenho e estou te enviando a certidão de nascimento dele por email. Meu avô é suíço e o Nassif poderia ter se aprofundado melhor na história dele. Inclusive na familia e sua origem.

Quando ele me procurou, eu estava chegando com minha filha de 5 anos a São Bernardo para um aniversário. Eu me ofereci para falar com ele no dia seguinte. Iria mandar fotos porque vi que ele parecia perdido e confuso e um tanto rude sobre a história. Foi uma surpresa para mim e para muitos ver algo tão agressivo como ele fez.

Acho que estão querendo desviar atenção da minha solidariedade ao Lula.

Eu atendi a mensagem do Nassif, respondi a algumas perguntas sem pé e nem cabeça, que estavam estranhas. Falava que determinada pessoa é minha tia e ele perguntava se era minha avó, coisas assim. Não sei porque ele foi absolutamente deselegante e agressivo comigo.

O que você acha que está ocorrendo?

Fui casada com um homem que fez muitos inimigos. E por defender o Protógenes, eu sempre estou exposta a isso. Agora, por defender Protógenes e também Lula, vão em breve me jogar na fogueira para ser queimada viva, assim como as bruxas na época da Inquisição (risos).

A certidão de nascimento do avô de Roberta




Vejo o diálogo sempre como melhor caminho. Como estamos vivendo momentos difíceis na defesa das nossas convicções no campo da esquerda, e por ser meu gesto ser atípico, o melhor caminho é a união e não embates.

Acredito que não será necessário entrar na seara jurídica. Como já disse ao Nassif, eu estou aqui para ajudá-lo com todas as dúvidas que ele tiver. Acho que depois que ele tiver as informações corretas, ele mesmo dará as explicações.

Você previa ataques?

Sim, previa. Fui inclusive avisada que seria perseguida por meu ato em apoio ao presidente Lula.

A Veja publicou que você tem uma dívida de R$ 232 mil no condomínio de Higienópolis. O que você tem a dizer sobre isso?

Acho que é mais um ataque, porque querem me atacar a qualquer custo para tirar o foco da minha doação ao Lula. Sei que é difícil para muitos aceitar minha decisão e opinião em relação ao Lula.

Muitos querem denegrir minha imagem, mas não vou cair nessas provocações. Meus advogados vão dar a devida resposta no tempo correto.

Pedro Zambarda
No DCM
Leia Mais ►

Erros de delegada favorecem peemedebistas na Lava Jato

Senadores e ministros do TCU estão entre possíveis favorecidos por medidas da PF
No posto mais alto da carreira de delegada da Polícia Federal, Graziela Machado da Costa e Silva foi efetivada em 2012 à Classe Especial, última categoria adquirida pelos delegados. Em três episódios polêmicos da Operação Lava Jato, é ela quem assina o arquivamento de inquéritos contra políticos ou comete erros que podem ocasionar a anulação de toda uma investigação. 

Seus atos já foram confrontados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e também criticados pelo ex-relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro falecido Teori Zavascki. O GGN fez um levantamento destes casos e situações que ocasionaram o arquivamento de apurações contra políticos, em casos de falta de indícios que feriram imagens por tempo injustificadamente prolongado, e outros que mesmo com o avanço de provas foram engavetados.

Pelo posto que ocupa, seu nome apareceu pontualmente e em poucas situações desde o início das apurações da Polícia Federal nos crimes relacionados à Petrobras. A fim de verificar quando ingressou na carreira, o GGN acessou os dados da Transparência para servidores civis e militares do Ministério da Justiça. No sistema, foi possível identificar que integra a PF desde outubro de 2002, chegando ao atual cargo em 2012. 

Como delegada de Classe Especial, ela tem a atribuição de, além das já previstas nos cargos inferiores, também instruir e orientar policiais e servidores administrativos da PF em suas atividades e atuar em situações diplomáticas. Para se chegar à este nível, o Decreto nº 7014 de 2009 estipula que o servidor precisaria cumprir um mínimo de 13 anos de carreira: três anos para ser promovido da terceira à segunda classe, cinco para atingir a primeira e mais cinco para a classe especial.

ARQUIVAMENTOS

A primeira das aparições da delegada envolve três senadores em duas situações opostas: contra dois deles foi empenhado mais de um ano para vasculhar indícios e nada foi encontrado, chegando-se ao arquivamento dos casos; e um terceiro, avanço com significativas coletas de indícios, mas o mesmo fim pelo engavetamento. 

Em junho de 2015, Graziela envia ao Supremo Tribunal Federal um documento apontando haver "elementos iniciais suficientes" que confirguram crimes de corrupção envolvendo as campanhas de três senadores, a partir dos levantamentos da Operação Lava Jato. As miras foram os parlamentares Humberto Costa (PE), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

"Informação policial compilou alguns dados de doações eleitorais que denotam a relevância e protuberância dos valores despendidos por empresas privadas, especialmente as contratadas pela Petrobrás". As suspeitas sobre os senadores petistas partiram das delações do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa que narrou ter repassado R$ 1 milhão à campanha de Costa por meio de doação eleitoral e, nos mesmos moldes, à campanha de Lindbergh Farias.

Já contra o peemedebista, as acusações partiram do executivo Othon Zanoide de Morais, do Grupo Queiroz Galvão, de que Valdir Raupp teria recebido R$ 500 mil por empresas beneficiadas no esquema de carteis junto à Petrobras. Neste caso, houve um avanço nas diligências: além dos depoimentos, os investigadores já haviam levantado material de doações eleitorais, faltando apenas analisar os documentos.

Com as informações, Teori autorizou o prosseguimento das investigações até final de agosto daquele ano. Os casos seguiram separadamente e somente um ano depois, Graziela Machado indicia Valdir Raupp:

"Reunindo desde a tomada de diversas declarações, análise de passagens aéreas, vínculos societários e familiares, cruzamento de extratos telefônicos dos envolvidos, foi possível confirmar a implicação do Senador Valdir Raupp e de Maria Cléia Santos, assessora do senador, feita pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, assim como revelar a participação de Pedro Roberto Rocha, também responsável pela assinatura dos recibos eleitorais das doações promovidas pela Queiroz Galvão", disse a delegada, em documento ao STF.

Imediatamente após tomar conhecimento, a defesa de Raupp ressaltou que o STF não havia autorizado o indiciamento do parlamentar, o que estava vetado, colocando em risco todas as diligências. Zavascki confirmou o alerta do advogado e, em despacho, suspendeu a investigação contra o peemedebista e fez duras críticas à delegada:

"Esse ato [indiciamento], pelo menos neste juízo inicial, estaria usurpando a competência deste Tribunal, pois compete exclusivamente ao relator a supervisão judicial de inquérito que tramita nesta Corte, incluindo a autorização de indiciamento de pessoas com prerrogativa de foro. (...) Conforme indica a jurisprudência, é inviável indiciamento promovido pela autoridade policial em face de parlamentar investigado no âmbito desta Corte", disse Zavascki, em junho de 2016.

Com o petista Humberto Costa, foi preciso passar mais de um ano para a delegada concluir que "esgotadas as diligências vislumbradas por esta autoridade policial, não foi possível apontar indícios suficientes de autoria e materialidade e corroborar as assertivas do colaborador Paulo Roberto Costa". 

O ex-diretor de serviços da Petrobras, Paulo Roberto Costa, havia mencionado que o empresário Mário Beltrão, próximo do senador, o procurou em 2010 para pedir doações à campanha de Costa. O dinheiro teria partido da empresa White Martins, interessada em contratos relacionados às obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Mas os delegados não encontraram nenhuma prova de que o pedido do amigo do parlamentar envolveu qualquer tipo de compromisso de irregularidades junto à Petrobras. 

Assim, após as buscas, restou "um panorama de dúvidas sobre as reais tratativas" das reuniões do suposto repasse e que os contratos sequer foram executados. Por isso, a investigação foi arquivada.

Se no caso de Humberto Costa foi necessário pouco mais de um ano para concluir pela falta de ilícitos, a delegada levou um ano e meio para arquivar as suspeitas sobre Lindbergh Farias (PT-RJ). Após os 18 meses de apurações, só restaram dúvidas às acusações de que o senador teria pedido R$ 2 milhões a Paulo Roberto Costa, em 2010.

"Os resultados das diligências realizadas, conquanto não infirmem as mencionadas declarações, não foram capazes de reforçá-las, persistindo até mesmo dúvidas em relação a circunstâncias essenciais dos fatos aqui versados, tais como o local da primeira reunião entre o investigado e o ex-diretor da petrolífera e a suposta pessoa que teria repassado os dois milhões de reais", informou o procurador-geral, Rodrigo Janot, após arquivo enviado por Graziela Machado da Costa e Silva ao Supremo.

Já no caso contra Valdir Raupp, o cenário era outro: os investigadores encontraram indícios, registros de encontros para acerto de repasses, conversas e telefonemas entre os investigados, anotações em agenda. Tais elementos, apresentados ainda no início das apurações, já foram considerados pelo relator Edson Fachin, em março deste ano, como "suficientes para aceitar a denúncia".

"Os indícios apontados convergem então para a possível prática do crime de corrupção passiva majorada pelo denunciado Raupp e ao menos na condição de participe por Paulo Rocha e Maria Cleia", havia destacado o ministro do STF, quando tornou Raupp réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo recebimento de R$ 500 mil de propina, na forma de doação oficial à campanha ao Senado, em 2010.

Após ter acesso aos levantamentos feitos pela PF, enviados ainda em junho de 2016, a Procuradoria-Geral da República denunciou que Valdir Raupp pediu ajuda ao ex-diretor da Petrobras para obter as doações, feitas por intermédio do lobista Fernado baiano. O doleiro Alberto Yousseff teria acertado com uma assessora do senador que a doação viria pela construtora Queiroz Galvão, que mantinha contratos com a estatal.

Mas a conclusão da PF mudou completamente com o novo relatório, enviado nesta semana ao Supremo: "Não foram colhidos elementos suficientes no sentido de que a atuação do senador foi precedida ou sucedida da solicitação de vantagens indevidas, configurando o crime de corrupção passiva", disse Graziela Machado, manifestando apenas que "o lobby" de Raupp pode ser "moral e eticamente questionável", abandonando os indícios anteriormente coletados. 

NÃO QUISERAM 'ESTANCAR A SANGRIA'

Foi em julho deste ano que a delegada Graziela Machado da Costa e Silva teve seu nome estampado nas principais manchetes, após assinar relatório concluindo que os peemedebistas José Sarney, Romero Jucá e Renan Calheiros não tentaram obstruir a Operação Lava Jato e "estancar a sangria", conforme diálogo deles mesmos em grampo de Sérgio Machado.

O objetivo do documento era indicar que a delação do ex-diretor da Transpetro, Sérgio Machado, estava desqualificada. Para ela, a estratégia de Machado de oferecer como prova os diálogos gravados entre os caciques do PMDB não comprovavam a prática de crimes de obstrução e contra administração da Justiça e teria sido feita apenas para o investigado - Sérgio Machado - se ver livre da prisão.

"Tem-se no caso presente que as conversas estabelecidas entre Sérgio Machado e seus interlocutores, limitaram-se à esfera pré-executória, ou seja, não passaram de meras cogitações (...) É preciso mais. Concluo que, no que concerne ao objeto deste inquérito, a colaboração que embasou o presente pedido de instrução mostrou-se ineficaz", entendeu Graziela, sugerindo a anulação do acordo de colaboração premiada do ex-diretor da Transpetro.

"No que concerne ao objeto deste inquérito, a colaboração que embasou o presente pedido de instauração mostrou-se ineficaz, não apenas quanto à demonstração da existência dos crimes ventilados, bem como quanto aos próprios meios de prova ofertados, resumidos estes a diálogos gravados nos quais é presente o caráter instigador do colaborador quanto às falas que ora se incriminam", completou.

Entretanto, as 59 páginas do relatório de Graziela miram na suposta tentativa dos peemedebistas em suas conversas e encontros de não remeter o caso de Sérgio Machado ao juiz da Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro. A delegada, entretanto, não faz a análise de "estancar a sangria" com o que realmente estava sendo discutido pelos políticos: a queda da então presidente Dilma Rousseff.

"Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria", é a íntegra da famosa frase de Romero Jucá. Com ou sem a intenção, a delegada não fez a análise sob este ponto de vista e focou na tentativa de persuasão dos peemedebistas de pressionarem Teori Zavascki, então relator da Lava Jato, a não enviar a investigação de Sérgio Machado a Moro.

Como resultado, a delegada do maior posto da Polícia Federal concluiu que não houve tentativa e estancar a sangria da Operação Lava Jato por José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá.

ERROS AMEAÇAM SOBREVIVÊNCIA DE INQUÉRITO

O último caso polêmico por medida tomada por Graziela Machado da Costa e Silva foi similar ao primeiro: desde junho de 2015, a Polícia Federal analisa o esquema de corrupção passiva para favorecer a empreiteira UTC nas obras da usina de Angra 3. Agora, aparentes erros de peritos da PF podem colocar em risco toda a investigação. 

As suspeitas recaem contra o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro, o ministro Aroldo Cedraz e seu filho, advogado Tiago Cedraz, além dos senadores Edison Lobão (PMDB-MA), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR). 

Apesar de ter início há mais de dois anos, o último relatório dos delegados foi enviado em julho ao Supremo Tribunal Federal (STF): assinado por Graziela Machado da Costa e Silva, o material estava pronto para o preparo da denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Se não fosse pelos erros.

O dono da UTC, Ricardo Pessoa, narrou que Tiago Cedraz pediu R$ 1 milhão ao ministro Raimundo Carreiro, do TCU, que era relator do processo relacionado à Angra 3 no Tribunal. Depois do repasse, o contrato de Angra 3 no Tribunal "fluiu", disse o empreiteiro. Além de Pessoa, delatores da Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht confirmaram os ilícitos. 

Neste caso, Renan e Jucá teriam recebido doação eleitoral em 2014 como propina desde que Edison Lobão, então ministro de Minas e Energia e liderança do PMDB, garantisse o consórcio da UTC como vencedora da licitação das obras de montagem eletromecânica da Usina de Angra 3.

"Ficou claro que os senadores foram remunerados pela representatividade dentro do PMDB e deste no Ministério de Minas Energia, ao qual estava vinculada a Eletronuclear, a quem o consórcio liderado pela empresa de Ricardo Pessoa havia firmado contrato para execução de obras da Usina Nuclear de Angra 3", apontava Graziela.

Entretanto, o relatório da PF trouxe como meios de provas telefonemas entre os envolvidos, para comprovar a intenso contato entre os investigados para os acordos, sobretudo em datas próximas da votação do TCU. Erros grosseiros foram identificados nas análises dessas chamadas telefônicas, atribuídas a pessoas das quais não correspondiam os equipamentos.

Apesar de seguir defendendo as conclusões do relatório, os diversos erros cometidos levaram à conclusão de mais de 14 mil registros de telefonemas entre investigados, de forma equivocada. A PF deverá, agora, recalcular e reanalisar as comunicações entre os investigados, o que além de atrasar o andamento do inquérito traz riscos à confiança das apurações e, consequentemente, à sobrevivência do inquérito contra os peemedebistas e ministros do TCU.

Patrícia Faermann
No GGN
Leia Mais ►

Gilmar Mendes na berlinda. E agora Cámem Lúcia?

Membros do MPF no Rio traçaram a ampla rede de interligações entre Mendes, sua esposa e os empresários de ônibus que ele quis beneficiar.
Na semana em que a ministra Cármem Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), foi à rádio Jovem Pan e deixou claro que o Judiciário, dos três poderes, é o que mais exemplo precisa dar, ela se depara com uma situação inusitada.

Procuradores da República da primeira e segunda instância do Rio de Janeiro encaminharam a Rodrigo Janot, procurador-geral da República, extenso material demonstrando que o ministro Gilmar Mendes feriu leis e códigos ao conceder Habeas Corpus para Jacob Barata Filho e Lélis Marcos Teixeira.

Os dois estão entre os principais controladores do sistema de ônibus fluminense e, segundo os procuradores, são “empresários com atuação marcante no núcleo econômico de organização criminosa que atuou por quase dez anos no Estado, subjugando as instituições e princípios republicanos, e que detêm poder e meios para continuarem delinquindo em prejuízo da ordem pública e da higidez da instrução criminal”.

No entendimento do Ministério Público Federal do Rio, há motivos de sobra para que o próprio ministro Mendes se considerasse impedido de julgar nesses casos. Como ele não se autoafastou dos processos, os procuradores encaminharam pedido a Janot para que ajuíze uma exceção de suspeição e/ou impedimento do mesmo. Dizem que isso é necessário para “garantir um juízo natural sobre o qual não paire qualquer  dúvida de imparcialidade, e em respeito aos jurisdicionados e à instituição do Supremo Tribunal Federal”.

Independentemente do que acha o MPF, o ministro Gilmar Mendes se sente acima de tudo e de todos e, nesta sexta-feira (18/08) concedeu novo Habeas Corpus ao empresário Jacob Barata: “A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que, uma vez concedida a ordem de habeas corpus, eventuais decisões ulteriores que, por via oblíqua, buscam burlar seu cumprimento, são direta e prontamente controláveis pela corte”, fez consta de sua decisão. Com isso, aumentou o abacaxi que seus colegas da corte terão que descascar, a começar por Cármem Lúcia.

Cármen Lúcia na Jovem Pan: "precisamos acabar com os privilégios". (Foto: reprodução)
Cármen Lúcia na Jovem Pan: “precisamos acabar com os privilégios”
Além da questão legal, sem dúvida, o Supremo irá se deparar também com a questão ética, de um dos seus membros julgar causas do interesse de pessoas de suas relações ou de seus familiares, com os quais há, inclusive, interesses comerciais em jogo. Isso ocorre justo na semana em que a presidente do STF, na entrevista à rádio paulista deixou claro a posição que defende:
a ética não é uma escolha, é uma imposição. Os valores que compõem o sistema ético, inclusive o sistema jurídico, precisam ser cumpridos por que se cuidam de deveres“.
Ela foi além. Após questionar se é possível “continuarmos convivendo e alterando, transformando – porque nosso tempo não é de reforma, é de transformação -, sem absoluto respeito à ética?”, falou da resistência a essas transformações por parte dos privilegiados, que querem manter tudo como está:
O que nós precisamos é justamente acabar com os privilégios e transformar isso aqui em uma República verdadeira. Não apenas de papel, mas uma República na vida de cada um de nós”.
No celular de barata Folho, o contato da esposa de Gilmar Mendes, Guiomar. (Reprodução)
No celular de Barata Filho,
o contato da esposa de Gilmar Mendes, Guiomar.
Na documentação encaminhada ao PGR, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro afirmam que “no tocante ao acusado Jacob Barata Filho, há fatos que denotam a sua estreita relação com o Ministro Gilmar Mendes, haja vista a quantidade de vínculos sociais e profissionais. Alguns destes fatos atingem também o outro réu, Lélis Marcos Teixeira“.

Eles se encontram presos por conta da Operação Ponto Final, na qual respondem a dois processos. Também foram denunciados nas Operações Calicute e Eficiência. Na quinta-feira, Mendes concedeu liminar em Habeas Corpus para soltá-los. No celular de Barata Filho consta o contato da esposa do ministro, Guiomar, como mostra a foto ao lado. Há ainda o fato de ela trabalhar no escritório de Sérgio Bermudes que vem d efendendo interesses das empresas de Barata Filho, nos processo que bloquearam bens das mesmas.

Os dois só permanecem presos por conta de prisões decretadas pelo juiz da 7ª Vara Federal, Marcelo Bretas, em  outros processos que respondem. Ao contestarem a decisão do ministro do STF, os procuradores afirmam em nota:
“A aplicação de um processo penal em que se entende não ser cabível a prisão preventiva para um acusado de pagar quase R$ 150 milhões de propina a um ex-governador e que tentou fugir do país com um documento sigiloso fundamental da investigação, definitivamente não é a aplicação de uma lei que se espera seja igual para todos.

A apreensão dos Procuradores sobreleva diante de contexto em que o prolator das referidas decisões é cônjuge de integrante do escritório de advocacia que patrocina, em processos criminais da Operação Ponto Final, os interesses de pessoas jurídicas diretamente vinculadas aos beneficiários das ordens concedidas o que, à luz do art. 252, I, do Código de Processo Penal, e do art. 144, VIII, do Código de Processo Civil, aplicável com base no art. 3º do Código de Processo Penal, deveria determinar o autoafastamento do Ministro Gilmar Mendes da causa”.
Veja abaixo os dois documentos encaminhados pelo MPF-RJ ao procurador-geral da República:


Documentos mostram ligação de Mendes com os presos


Marcelo Auler
Leia Mais ►

Hino nacional brasileiro seria plágio?


De Niccolo Paganini - Sonata Nº 1 for Violin and Guitar...


... Ou do Pe. José Maurício Munes Garcia? 

O resultado das pesquisas do musicólogo Sérgio Dias é claro: o tema do Hino Nacional Brasileiro é um plágio de uma obra do Padre José Maurício Nunes Garcia (1765-1830)! Os primeiros compassos da melodia podem ser prontamente identificados no Responsório Sétimo de "Matinas de Nossa Sra. da Conceição", registrado em CD no VI Festival de Música de Juiz de Fora (1995).

Francisco Manoel da Silva foi aluno do Pe. José Maurício, o que explica a ligação das obras.O Padre foi o mais importante compositor brasileiro do período colonial. Toda sua trajetória como músico e compositor deu-se no Rio de Janeiro, onde nasceu. Apesar de influenciado pelos compositores mineiros que o antecederam, seu estilo tornou-se mais operístico a partir de 1808, para agradar a capela real portuguesa.



Leia Mais ►