18 de ago de 2017

Desespero faz Dória partir para o xingamento puro e simples


João Doria tinha como certo, passada a metade do ano, ser o anti-Lula nacional.

Não deu certo: nas melhores pesquisas patina em torono de 10% das intenções de votos e tem isso porque o peso eleitoral do Estado de São Paulo, onde tem expressão fora dos salões das elites, dá a ele, provavelmente, algo como 30% dos votos, que são 7 ou 8% dos votos nacionais.

No resto do país, Dória inexiste e não apenas não pode deixar de lado seu turismo nacional quanto, se dependesse dele, até os ovos forneceria para ser hostilizado e virar notícia onde, de outra forma, passaria despercebido.

Está mais perto de ser comido pela selvageria bolsonarista do que de devorá-la.

Mas entrega-se desesperadamente a isso.


 Tinha prometido a mim mesmo que não faria, mas vou mandar um recadinho para o ex-presidente Lula: você, além de sem vergonha, preguiçoso, corrupto e covarde, declarou hoje que o João Doria não deveria viajar, mas administrar a cidade de São Paulo. Lula, além de tudo talvez você não saiba ler. Você é inexpressivo. Na primeira avaliação (da gestão) eu fechei com 70% de aprovação, enquanto o seu prefeito Fernando Haddad fechou com 15%”

Expor as ferraduras, deveria saber o marqueteiro Dória, não vai lhe dar nada, a não ser a chance de ser o último coxinha.

Quem tem o physique du rôle  para o papel de valentão é  Bolsonaro, Doria, e este é muito mais esperto que você, tanto que, sem 1% dos recursos empresarias de que você dispõe, o vence de “capote” em qualquer pesquisa de opinião.

Bichon Frisé não é pit-bull.

Xingar Lula em reunião de empresários não lhe dará um voto.

Mas se transformar num moleque vai tirar muitos e quem duvidar espere para ver a migração tucana à medida em que o menino brigão for se impondo como candidato do PSDB.

Ainda mais tendo de carregar a carcaça de Michel Temer.

O Doria valentão é igual ao Doria gari, uma encenação.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A fragorosa miséria moral da direita


O governo Temer anunciou que o salário mínimo diminuirá 10 reais em 2018, passando de R$ 979 para R$ 969. Cerca de 45 milhões de pessoas recebem salário mínimo no nosso país.

A expectativa é que o governo federal economize, com a redução, R$ 3 bilhões em 2018.

Este mesmo governo federal que arrancará 10 reais de quem sentirá muita falta desse dinheiro é o mesmo governo federal que perdoou uma dívida de R$ 20 bilhões do Itaú e outra de R$ 10 bilhões de ruralistas devedores da previdência.

A Globo citou, ao final da matéria sobre a redução, que o salário mínimo está distante do valor considerado como “necessário” (aspas por conta da Globo) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A Globo repetiu, para reforçar, as aspas na palavra necessário:
De acordo com o órgão, o salário mínimo “necessário” para suprir as despesas de uma família de quatro pessoas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência deveria ser de R$ 3.810,36 em julho deste ano.
Nada de novo para quem noticiou a instituição do 13º salário como algo “desastroso para o país”.

Esta mesma Globo, que parece não achar tão necessário assim o valor calculado pelo Dieese, pertence à família Marinho, detentora de, segundo a lista da Forbes de 2016, uma fortuna de algo em torno de 13 bilhões de dólares, mais de 42 bilhões de reais utilizando-se a cotação de hoje.

Uma fortuna (necessária?) conquistada graças a um monopólio inconstitucional na área das comunicações, o qual foi obtido em troca dos nojentos e vergonhosos serviços de propaganda prestados para a sanguinária ditadura militar brasileira.

O governo Temer e a Globo são dois dos expoentes da teoria econômica da direita, que consiste basicamente em tirar dos que tem pouco para garantir a fortuna dos que já tem muito. Todo o economês dos cabeças de planilha é, na verdade, um grande disfarce para a pilhagem perpetrada em cima da absoluta maioria da população.

O objetivo da direita é espoliar a população trabalhadora para que os ricaços não diminuam seu ridículo padrão de vida. Milhões podem passar fome desde que o fim de semana na mansão absurdamente cara, que fica em uma praia tornada ilegalmente particular, esteja garantido.

Chego a quase ficar com pena de almas tão mesquinhas, tão miseráveis. Quase.

Tamanha miséria moral, falta de escrúpulos e voracidade sobre a renda dos trabalhadores terá, cedo ou tarde, resposta à altura.

Pedro Breier
No Cafezinho
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Judiciário atinge o ápice do autoritarismo


Nessas últimas 24 horas, o poder judiciário brasileiro parece ter atingido o ápice do autoritarismo ao mesmo tempo em que subestima a inteligência de todos nós:

a) começando pelo alto, o ministro Luiz Fux teve a cara de pau de dizer ontem à noite que ele foi favorável ao fim do financiamento das empresas aos partidos políticos porque elas doavam recursos com vistas aos benefícios que iriam obter no futuro. Todavia, ele disse que pode mudar de ideia se as empresas deixarem claro que as doações justificam-se por questões ideológicas. O ministro abriu um novo campo temático no âmbito da teoria política, aquele que vai tratar da ideologia política das empresas numa sociedade capitalista. Que empresa poderia doar para o PT, PSOL ou PCdoB? Já sei! Talvez a loja do MST em São Paulo que vende produtos provenientes dos acampamentos do movimento. E essa gente ainda tem a ousadia de se apresentar como “vanguarda iluminista”;

b) na região intermediária, um desembargador de Goiás, Eugênio Cesário, quis suspender uma sessão no Tribunal porque a advogada estava vestida apenas com uma camiseta. O machismo, a misoginia e o autoritarismo – ou a atração – o fizeram confundir um vestido preto cavado com uma camiseta;

c) na justiça federal, um juiz resolveu atender a um pedido de um político do DEM e suspender a decisão do conselho universitário de uma universidade federal de conceder um título de doutor “honoris causa” ao ex-Presidente Lula. Com base em quê? Nem o capeta seria capaz de encontrar a resposta.

Gisele Cittadino
No Bem Blogado
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No Facebook, neto de Figueiredo comemora desmonte da Uerj


Em post em seu Facebook, Paulo Figueiredo Filho, neto do ditador João Figueiredo, comemorou o desmonte das universidades públicas do Rio de Janeiro, especialmente a Universidade Estadual do Rio de Janeiro. "Sem dúvida, o maior feito do Pezão foi o de, na prática, fechar a UERJ", diz Figueiredo no post.

O texto é uma referência à situação financeira da Uerj. O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ) cortou pela metade os repasses da universidade e a Uerj tem suas atividades acadêmicas prejudicadas desde 2016. Em 2017, a universidade sequer retomou o funcionamento e pode cancelar o ano letivo. Na prática, é como se a Uerj fechasse as portas.

"Em uma tacada, conseguiu interromper a formação de jovens lacradores, fechar um centro de formação de Black Blocks e ainda matar de inanição seus professores criminosos. O impacto nas gerações futuras é imensurável. Assim, sem querer, Pezão entra para a história como o melhor governador da história recente do Rio de Janeiro. Agora é torcer para o Temer fazer o mesmo com a UFRJ", disse ele no fim do texto.

No 247
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Bateu o desespero na direita. A última “fake” é acordo Globo-Lula


Na coluna de Lauro Jardim, agora há pouco:

Circula no WhatsApp um áudio falso, atribuído a um profissional do jornalismo da Globo, dizendo-se revoltado porque a emissora passaria a atacar Michel Temer e defender Lula, com quem teria feito um acordo.

O áudio é uma fraude grosseira, mas viralizou.

Numa outra versão, o áudio é antecedido por um texto que diz que o dono da voz é Luiz Nascimento, diretor do Fantástico, que teria pedido demissão na sexta-feira, o que é falso também.

A motivação do áudio é clara, e, para a Globo não seria difícil chegar aos autores e desmascarar a fraude.

Quem conhece Luizinho, como Luiz Nascimento é chamado no meio profissional, sabe que nem a voz é dele nem o comportamento seria o seu.

E, sobretudo, que o comportamento da Globo é o inverso absoluto do que é alegado na gravação.

Como o é o de Lula, que anda batendo na Globo numa frequência e em intensidade dos melhores tempos de Leonel Brizola.

Alguém já sabe resultado assustador de pesquisas e arranja a desculpa de que “é a Globo”, na esperança que a emissora suba ainda mais os ataques a Lula.

Inútil, porque, já que lembrei Brizola, já é perceptível  o “efeito pão-de-ló”: quanto mais batem, mais cresce.

Fernando Brito
No Tijolaço



Ouça o áudio-fake:



O presidente Michel Temer ajudou a propagar um áudio falso atribuído ao diretor do Fantástico Luiz Nascimento. Na mensagem de voz, um narrador afirma que se demitiu da TV Globo devido ao alinhamento da emissora com o PT. O tom é de revolta. A suposta armação teria objetivo de levar Lula (PT) de volta à Presidência.

O caso do áudio falso já foi debelado. O jornalista Luiz Nascimento falou ao jornal O Globo que não se demitiu da emissora. Também afirma que não é o dono da voz:

“A informação disseminada no WhatsApp é totalmente falsa. Não pedi demissão, a voz não é minha e esse texto falso também não é meu. Acho lamentável – e me causa profunda indignação – que máquinas de propaganda condenáveis e protegidas por um anonimato criminoso usem as redes sociais para propagar mentiras com objetivos obviamente escusos.”
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Pré-candidato, Bolsonaro percorre o país bancado pela Câmara

Bolsonaro participa de evento do PEN, em Ribeirão Preto (SP)
Reprodução internet
Pré-candidato à Presidência da República, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tem viajado pelo país com passagens aéreas bancadas pela Câmara para participar de atividades políticas. Em um primeiro momento, a assessoria de imprensa do deputado afirmou que esses deslocamentos eram pagos por Bolsonaro do próprio bolso. Depois, confrontada com a prestação de contas da cota parlamentar a que tem direito, a assessoria do deputado afirmou que essas atividades têm relação com o exercício do mandato.

Os deputados federais têm direito a reembolso de despesas com passagens aéreas, alimentação, hospedagem e aluguel de carros, entre outras, desde que exclusivamente vinculadas ao exercício da atividade parlamentar. A cota de Bolsonaro é de R$ 35.759,97 por mês. O valor depende da unidade da federação que o deputado representa, por causa da variação do preço das passagens aéreas entre Brasília e o domicílio eleitoral.

De acordo com a prestação de contas da cota parlamentar, o gabinete de Bolsonaro emitiu, no dia 5 de julho, por exemplo, passagens para o deputado viajar de Brasília para Campo Grande (MS) e retornar para o Rio, com escala em Campinas, pela Gol. Não é possível verificar as datas dos voos. A ida custou R$ 804,64 e a volta para o Rio, R$ 915,39.

Uma semana depois, no dia 12 de julho, Bolsonaro chegou no aeroporto Campo Grande para uma agenda de dois dias. Ele foi recebido, como de costume, por uma multidão aos gritos de "mito", "Bolsonaro presidente da República" e "nossa bandeira nunca será vermelha", em referência ao PT, um de seus principais alvos.

O deputado fez um discurso logo depois de desembarcar.

— No que depender de mim, todo cidadão de bem terá o direito de ter uma arma de fogo em casa — afirmou ele, em seu discurso, ressaltando logo em seguida que não estava em campanha.

Essa tem sido uma preocupação de Bolsonaro para evitar eventuais punições da Justiça por propaganda eleitoral antecipada.

— Deixo claro que essa nossa viagem não tem qualquer conotação político partidária e muito menos eleitoral — disse ele, em vídeo para anunciar sua visita a Mato Grosso do Sul.

A principal agenda no estado era no dia seguinte, no município de Nioaque: a celebração dos 150 anos da retirada da Laguna, um dos episódios mais dramáticos da Guerra do Paraguai. Bolsonaro serviu de 1979 a 1981 no 9º Grupo de Artilharia de Campanha (9º GAC), uma unidade do Exército localizada em Nioaque.

No dia 5 de maio, o gabinete de Bolsonaro emitiu passagens de Brasília para Florianópolis, por R$ 571,69, e de Navegantes (SC) para o Rio, a R$ 1.179,39, pela Gol. O deputado chegou na capital de Santa Catarina no dia 18 de maio e fez palestras nos dias seguintes em Joinville, Jaraguá do Sul e Blumenau, além de conceder entrevistas.

Na mesma data, 5 de maio, foram emitidas passagens para Bolsonaro de Brasília para Londrina (PR), por R$ 568,69, e de Maringá (PR) para o Rio, a R$ 1.097,39. Os dois trechos foram comprados na Gol. O deputado fez palestras em Londrina, no dia 25 de maio, e em Maringá, no dia seguinte.

Na quinta-feira, Bolsonaro foi alvo de uma ovada durante visita a Ribeirão Preto (SP). Em vídeo divulgado em redes sociais, o político aparece dentro de uma lanchonete, cercado de apoiadores, quando uma manifestante o atinge com um ovo no ombro. Bolsonaro estava na cidade para palestra organizada pelo PEN (Partido Ecológico Nacional). Surpreso após a hostilidade, Bolsonaro deixa o local em seguida, enquanto a mulher foi contida.

Fernanda Krakovics
No O Globo
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Liberado pelo STF, Aécio obstrui a justiça no caso Valério, aponta deputado


O empresário Marcos Valério foi intimado a prestar depoimento na Polícia Federal em Belo Horizonte, nesta sexta-feira 18, após a corporação obter informações de que alvos de sua delação premiada estariam se movimentando para aliciar testemunhas apontadas por ele para comprovar suas acusações.

"Ele foi intimado em razão de informações que obtivemos de que a organização criminosa envolvida nas denúncias está tomando medidas com a finalidade de criar obstáculos para essa delação, através da cooptação de testemunhas e outras atuações", afirmou o policial Marcílio Miranda.

Segundo o deputado Rogerio Correia, o mandante é o senador Aécio Neves (PSDB-MG); "Liberado pelo STF, ele continua obstruindo a justiça com sua quadrilha, como sempre", afirma.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão de Aécio, mas o caso ainda não foi colocado em pauta pelo Supremo Tribunal Federal.

Leia, abaixo, reportagem do jornal O Tempo a respeito:

Investigados em delação de Valério tentam 'calar' testemunhas, diz PF

O empresário Marcos Valério foi intimado a prestar depoimento na Polícia Federal (PF) em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (18), após a corporação obter informações de que alvos de sua delação premiada estariam se movimentando para aliciar testemunhas apontadas por ele. 

A informação foi divulgada nesta manhã por Marcílio Miranda, delegado regional de combate ao crime organizado em Minas. "Ele foi intimado pela equipe que está fazendo a colaboração dele em razão de informações que obtivemos de que a organização criminosa envolvida nas denúncias está tomando medidas com a finalidade de criar obstáculos para essa delação, através da cooptação de testemunhas e outras atuações", afirmou o policial.

Ainda de acordo com Miranda, o depoimento será gravado, transcrito e encaminhado na segunda-feira (21) ao Supremo Tribunal Federal (STF). "Foi uma ação da contra-inteligência, que identificou que envolvidos estão se movimentando para tentar inviabilizar essa delação. Não temos previsão para acabar o depoimento", completou. 

Valério chegou à sede da PF, no bairro Gutierrez, região Oeste da capital, por volta das 9h40. Ele saiu de Sete Lagoas, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele cumpre pena na Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) da cidade, um tipo de prisão humanizada, em que os próprios presos tomam conta das chaves das celas. 

O advogado do Marcos Valério, Jean Robert Kobayashi, chegou antes de seu cliente ao local. Sem conversar com a imprensa, Kobayashi somente confirmou que o depoimento do ex-empresário faz parte de um acordo de delação premiada.

Marcos Valério foi condenado a 37 anos e cinco meses de prisão pelo envolvimento no escândalo que ficou conhecido como "Mensalão petista". O acordo de colaboração premiada foi assinado no dia 6 de julho e submetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) "devido à necessidade de homologação do acordo, por envolver autoridades com prerrogativa de foro". Ainda de acordo com a PF, na ocasião da assinatura do acordo "foi apresentada vasta documentação e prestado depoimento".

No 247
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Frente Ampla ou Frente Popular?


O PCdoB, em seus documentos pré-congressuais, lançou a tese de Frente Ampla como ideia-força para a política de alianças que seria atualmente viável e necessária.

Conceitos se prestam a ambiguidades.

Muitos que abraçam essa tese a compreendem como unidade das correntes populares, sob hegemonia de esquerda e com claro programa de reformas estruturais, atraindo personalidades e setores que dissentam da coalizão golpista de centro-direita, a exemplo do senador Roberto Requião ou do governador Ricardo Coutinho (PSB-PB).

Para outros, trata-se da reconstrução de laços com um suposto centro democrático e de um pacto programático com alas ditas “produtivas” da burguesia brasileira, ao redor de um programa ainda ambíguo cujo princípio reitor estaria na retomada do desenvolvimento e na questão nacional, aparentemente deslocando as reformas estruturais para um plano secundário.

Quem assim pensa, por vezes prefere emitir sinais enigmáticos a argumentos claros. Por exemplo: “é falsa a contradição entre golpistas e anti-golpistas, isso estreita a compreensão do cenário político”. Não precisa de muito esforço para entender que essa chave de leitura, potencialmente, acena para a rearticulação, parcial ou completa, do esquema de alianças que prevaleceu nos governos Lula e Dilma.

O PT, em seu 6º Congresso, não definiu um conceito para a política de alianças que propõe em sua tática, até porque convivem – como no PCdoB – distintas compreensões. Mas não seria atropelo afirmar que a orientação petista caberia melhor se o enunciado fosse Frente Popular.

Quais as e eventuais diferenças?

A primeira delas é que o arco de alianças, na possível preferência petista, representa as forças progressistas, cujos recortes principais são a atitude frente ao golpe e a postura contra as reformas neoliberais. Não seria, portanto, um suposto bloco tático de centro-esquerda, mas um pacto estratégico das correntes populares, ainda que momentaneamente possa ser ampliado em hipotético segundo turno de eleições presidenciais, por exemplo.

A segunda é que a hegemonia e o programa devem estar claramente definidos. “Ampla” remete à prioridade de alargar o máximo possível as alianças, “popular” diz respeito à centralidade da classe trabalhadora e do programa de reformas estruturais.

A terceira remete à tática eleitoral, se mantidos o calendário e as regras atuais. “Ampla” infere a manutenção da equação tradicional, pela qual elege o presidente da República o bloco político, à esquerda ou à direita, que for capaz de confluir ao centro com mais eficácia e flexibilidade, conquistando o eleitor médio. “Popular” pressupõe o calculo que o cenário não é tradicional e de que vivemos crise sistêmica, não conjuntural, o que faz da identidade e da clareza programática os elementos decisivos, com a dinâmica da campanha determinada por uma lógica centrífuga, ao contrário da clássica lógica centrípeta de outras temporadas.

A quarta diferença potencial diz respeito ao risco de uma alteração estrutural dos paradigmas que determinaram a estratégia de esquerda desde o final dos anos 80. Isso poderia ser provocado, por exemplo, pela impugnação da candidatura de Lula, a ilegalização do PT, o adiamento das eleições ou a adoção do parlamentarismo. Nesse caso, a via central de aproximação do poder, a conquista eleitoral da Presidência, definida há trinta anos, estaria bloqueada. “Ampla” reporta, nessa problemática, a predominância do terreno institucional sob quaisquer condições. “Popular” embute a possibilidade de uma nova estratégia, de desobediência civil e rebelião social.

São diferenças importantes, ainda que nomes e conceitos sempre se prestem a confusões e mal-entendidos.

Breno Altman
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"Cada menino negro da Bahia que recebeu o seu diploma é o meu título de Honoris Causa"

Ex-presidente concedeu entrevista a Mario Kertész, na rádio Metrópole, em Salvador.

Foto: Ricardo Stuckert
Durante entrevista para a Rádio Metrópole, de Salvador (BA), na manhã desta sexta-feira (18), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre o início da caravana Lula Pelo Brasil, criticou a suspensão da entrega do título de Doutor Honoris Causa, que receberia hoje na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), e disse estar emocionado com o carinho do povo baiano. 

"Cada menino negro da Bahia que recebeu o seu diploma é o meu título de Honoris Causa. Já recebi o meu título pelos milhares de alunos negros que estão na universidade. E isso nenhum vereador ou juiz pode apagar", afirmou. "Se eu fosse um cara que tivesse um coração fraco, eu não sei o que teria acontecido comigo ontem. Foi muito forte, nunca vi tanto carinho e tanto afago comigo como o povo baiano demonstrou", lembrou o ex-presidente, emocionado. 

Lula falou sobre o lançamento da terceira fase do Memorial da Democracia e reforçou a importância do museu virtual. "Quero recontar a história para que o povo saiba que esse país já foi melhor, mais otimista. Que nós já tivemos mais esperança", disse. 

Durante a entrevista, Lula relembrou também as conquistas sociais dos governos petistas e disse estar preocupado com o que está acontecendo hoje no país. "Nós tiramos 36 milhões de pessoas da extrema pobreza, beneficiamos 15,6 milhões de pessoas com o Luz Para Todos, demos aumento real acima da inflação para os trabalhadores e mais de 54 milhões de pessoas foram atendidas pelo Bolsa Família. Agora, o Brasil piorou em quase todos os indicadores sociais", pontuou o ex-presidente, que citou ainda os quase 14 milhões de desempregados no país. 

Para Lula, o ódio da elite contra o povo é o principal responsável pelo desmonte das políticas sociais no Brasil. "Esse país tem uma elite política que nunca acreditou que o negro pudesse ser doutor. Mostramos para o povo que tem um degrau a mais para ele subir. E agora estão tirando esse degrau. Se eu for candidato, serei candidato para ganhar. Se não for, serei o cabo eleitoral mais valioso desse país". 

Sobre a crise na Venezuela, o ex-presidente disse ser contra a ingerência dos EUA no país porque defende o autogerenciamento dos povos. "Que o Trump resolva os problemas dos americanos, ele que não venha perturbar a América Latina", reforçou.  

Lava Jato

O ex-presidente voltou a criticar a perseguição jurídica e midiática que sofre diariamente e disse que a Lava Jato está virando um partido político, que tem espaço garantido na televisão. "Construíram uma mentira, dizendo que o PT era uma organização criminosa e o Lula era o chefe. O que está em julgamento é o meu governo. Se eles estão lidando com políticos que roubaram, é problema deles. Comigo, eles têm que provar. A minha inocência eu já provei". 

Esperança

Ao final da entrevista, Lula afirmou que, se voltar em 2018, voltará mais forte e com mais experiência. "Eles sabem que sou capaz de envolver toda a sociedade brasileira e resolver o problema do país.Tenho consciência do que fiz no Brasil e o que precisa ser feito. Eu sou capaz de unificar o povo brasileiro e a gente recuperar o país", finalizou. 

Veja como foi a entrevista na íntegra: 

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Lula discursa no lançamento da terceira fase do Memorial da Democracia, em Salvador


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Sargento da Aeronáutica ameça Maria do Rosário: “Eu vou grampear seu telefone na Polícia Civil, puta de bandido”

O sargento Aldimar Torres da Silva 
(reprodução do Facebook)
A deputada Maria do Rosário protocolou nesta sexta-feira (18), na sede do departamento de Polícia Federal em Brasília, pedido de investigação das ameaças que vem recebendo por meio do WhatsApp.

Os ataques começaram na última terça feira (15), quando o STJ indeferiu o recurso de Jair Bolsonaro, condenado a pagar-lhe R$ 10 mil por dizer que ela não merece ser estuprada por ser ‘muito feia’.

A prática dos seguidores de Bolsonaro é incluir o número da deputada em grupos de WhatsApp, abarrotados de correligionários do candidato da extrema direita.


O pedido de investigação protocolado na PF
Os bandos geralmente têm nomes como “Bolsonaro presidente 2018”. A partir daí, xingamento e intimidações começam a ser direcionados a Maria do Rosário em mensagens de texto e áudios.

Um dos autores é o sargento da Força Aérea Brasileira Aldimar Torres da Silva. Segundo seu Facebook, ele está lotado no Sétimo Comando Aéreo Regional, em Manaus.

O Portal da Transparência traz informações sobre ele.


Em seu “recado” à parlamentar, Aldimar a chama de “puta de bandido”, “desgraçada do inferno”, entre outros qualificativos.

“Com autorização de juiz ou sem, eu vou grampear seu telefone na Polícia Civil na área de inteligência. Eu vou rasgar você no meio”, continua.

“Os dois contatos que você não sabe quem é e nunca vai saber na sua vida… do Eduardo Bolsonaro está (sic) nesse grupo e vai entrar em contato com você. Eu quero que você vá tomar lá dentro”.

Etc.

Confira abaixo:



Kiko Nogueira
No DCM
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História Geral da Arte — Frida Kahlo


Frida Kahlo

Fragmentos de um documentário sobre a vida e obra da pintora mexicana Frida Kahlo, e sua tortuosa relação com o muralista Diego Rivera.

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Ricardo Boechat não deve indenizar juíza por criticar decisão

TJ/RJ considerou que crítica jornalística, mesmo severa, representa um direito inserido na amplitude da liberdade de expressão e informação.

“Em uma sociedade democrática, o direito de criticar as decisões judiciais - dentro ou fora dos autos - é emanação da garantia constitucional da livre manifestação do pensamento e da publicidade de todos os julgamentos (CF, art. 93, IX).”

Por maioria, a 7ª câmara Cível do TJ/RJ reformou sentença e negou pedido de uma juíza que pretendia ser indenizada por Ricardo Boechat. O jornalista, em programa de rádio da Bandnews/FM, teceu críticas contundentes à decisão da magistrada no 4º Tribunal do Júri, que negou pedido de prisão preventiva de acusado pelo crime de homicídio qualificado.

De acordo com a decisão, apesar do tom passional da matéria, contudo, os desembargadores entenderam que não houve qualquer ofensa pessoal à magistrada que, inclusive, se propôs a justificar sua decisão em entrevista espontaneamente concedida à emissora, “não havendo que se falar em ilegalidade na utilização de trechos dessa manifestação na reportagem”.
“A crítica jornalística, mesmo severa, representa um direito inserido na amplitude da liberdade de expressão e informação, o que não autoriza a ofensa pessoal, mediante emprego de expressões injuriosas, isto por violação do princípio da dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III), em abuso de direito, que sujeita o ofensor à reparação moral da vítima.”
Relator, o desembargador Luciano Saboia Rinaldi de Carvalho pontuou que, apesar das críticas, não restou evidenciado abuso no direito de informar que enseje reparação moral, pois, ao longo de toda a narrativa do jornalista, não houve qualquer imputação com natureza de calúnia, difamação ou injúria.
“Com efeito, não houve falsa imputação de crime, imputação de fato ofensivo à reputação ou, ainda, ofensa pessoal. De fato, a decisão judicial foi longa e severamente questionada durante programa capitaneado pelo referido jornalista, mas em momento algum foi ultrapassada a fronteira que separa o lícito ou ilícito.”
O escritório Lourival J. Santos – Advogados representou Boechat no caso.
  • Processo: 0333810-02.2011.8.19.0001

No Migalhas
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PSDB edita programa e tira tucano de briga entre senadores


Ataídes Oliveira (PSDB-TO) aparecia enquanto o locutor criticava a postura de congressistas. Foi retirado.


O PSDB editou trecho de propaganda que foi veiculada na televisão nesta 5ª feira (17) para omitir a imagens de um de seus senadores. Ataídes Oliveira (PSDB-TO) aparecia enquanto o locutor criticava a postura de congressistas.

Segundo o PSDB, o vídeo divulgado era uma peça inicial, que ainda poderia ser editada. Segundo apurou o Poder360, tratava-se da versão definitiva. Diante das reclamações, foi retirada a imagem de Ataídes Oliveira em situação derrogatória durante a propaganda.

Após a divulgação do vídeo, houve forte reação de deputados e de senadores que não concordaram com o teor do programa. Os governadores da legenda também ficaram insatisfeitos por não terem sido consultados. Para diminuir os danos, o PSDB deflagrou uma operação, por meio de assessores, para dizer que a versão divulgada era apenas preliminar.

A narração, entretanto, foi mantida: “É chocante o que tem acontecido no Senado. Portanto, não lamentamos por um ou por outro, lamentamos pela mensagem que os políticos acabam passando para o país“, diz o locutor.

As cenas com a presença do senador tucano são de 23 de maio. A CAE (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado tentava votar a reforma trabalhista quando houve um tumulto entre os senadores. O momento de maior tensão foi entre o senador Ataídes, a favor da votação da matéria, e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), contrário.

Assista imagens da confusão envolvendo o senador tucano:



Desconforto

A peça criou desconforto entre os tucanos. Parte da bancada do PSDB reagiu mal a forte autocrítica feita pelo partido.

“Não acredito que alguém possa ver nisso alguma acusação ao presidente (Michel) Temer. Ele nem é citado. É puro delírio de quem está vendo fantasma em tudo quanto é lugar, talvez por estar dormindo mal”, disse o presidente interino do partido, senador Tasso Jereissati (CE).

No Forum
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Militantes anti-Lula são presos com arma em Salvador

Ex-presidente Lula chega a Salvador na abertura da caravana pelo Nordeste
Cinco militantes anti-Lula foram detidos pela Polícia Militar da Bahia na noite desta quinta-feira (17) após um deles sacar uma arma durante chegada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Salvador.

Adjalbas Pereira (que se identificou para a Folhacomo sendo policial) foi detido, segundo o major responsável pela segurança do ato. E será submetido a exame para confirmar se havia atirado para o alto no momento em que a van de Lula passava diante da calçada onde os cinco carregavam faixas em favor de intervenção militar no Brasil.

Lula chegou a Salvador às 16h30. E pegou metrô para chegar à Arena Fonte Nova. No trem, viajou na cabine.

Assista ao momento da confusão:


Pixuleco é destruído em Salvador, o povo não cai mas na narrativa coxinha de que o Lula é ladrão

No meio do caminho, um grupo exibia faixas contra o ex-presidente. Policiais cercaram os manifestantes para que não houvesse confronto com apoiadores de Lula.

Segundo os policiais, um deles sacou a arma. Pereira e Marcelo Vasconcelos (que se identificou como blogueiro) já haviam discutido com petistas horas antes, dentro da estação onde Lula era aguardado.

Diante da Arena Fonte Nova, um manifestante de apelido Jarrão também foi detido sob acusação de porte de armas.

Ele e cerca de 30 manifestantes anti-Lula faziam um protesto em frente ao estádio. Diante de um boneco gigante do "pixuleko", um repetia em um carro de som que todos de vermelho eram vagabundos. O boneco foi destruído até a dentadas. Um policial deu três tiros para o alto.

Na confusão, um dirigente do Sindicato dos Petroleiros também foi detido. Jairo Batista foi encaminhado para a Central de Flagrantes da polícia.
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Aragão: não, o nazismo não é de esquerda!

Procurador cai na mentira das redes sociais


O Conversa Afiada reproduz texto de Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça do governo Dilma (ela acertou por último...):

Sobre a ignorância do ódio tacanho-fascista

Conta-se numa anedota que um oriental, ao embarcar num avião, pediu licença a um passageiro sentado na poltrona do corredor, para sentar-se a seu lado. O homem do corredor levantou-se com mau humor e deixou o oriental passar. Quando ambos estavam sentados, o sujeito de maus bofes resmungou... "odeio japoneses", no que o oriental cutucou: "mas por que?". E continuou o do corredor: "porque vocês destruíram uma esquadra americana em Pearl Harbor!". O oriental então disse: "mas eu não sou japonês! Sou coreano!". E o mal humorado retrucou: "japonês, coreano... tudo a mesma m...!". O oriental olhou de soslaio para o cartão de embarque que seu vizinho bronqueado segurava na mão e leu parte de seu sobrenome: "-berg". E então disse: "também odeio vocês!". E o vizinho perguntou com ar debochado: "mas por que?". E o oriental saiu-se com essa: "vocês afundaram o Titanic!". O sujeito do corredor caiu na gargalhada e, apontando para seu cartão de embarque, disse: "Seu ignorante! Meu nome é Grinberg, não sou nenhum iceberg!". O oriental não se fez de rogado e disparou: "Grinberg, iceberg... tudo a mesma m...!!!".

Essa piada vem a propósito da parvoíce do Sr. Ailton Benedito, procurador da república em Goiás, que, repetindo bordão ignorante da ultradireita tupiniquim nas redes virtuais, quis lembrar que nacional-socialistas se autodenominavam "socialistas". Sugeriu, com isso, que as atrocidades do NSDAP poderiam ser colocadas à conta da esquerda. Confundiu "Grinberg" com "iceberg" ou coreano com japonês. Se o Sr. Ailton lesse um pouquinho de história - e estou aqui falando apenas dos clássicos sobre o Terceiro Reich, como Joachim Fest, Jan Kershaw, Richard J. Evans e até, quiçá, a autobiografia de Albert Speer - ficaria enrubescido com a tolice que disse.

O nazismo, assim como o fascismo, não é propriamente uma ideologia, mas muito mais uma prática política de ódio alimentado por sopinhas de letras, bobagens que só impressionam quem está fora de si de desespero, à procura de um culpado por sua miséria. É que essa turma sabe fazer: mobilizar a bronca com discurso populista, para dar aos perdedores a sensação de unidade, de pertinência a um grupo, seja social, seja étnico, seja religioso. Colocam-nos na condição de vítimas de uma injustiça, em que suas qualidades superiores são ignoradas em benefício de um grupo de aproveitadores de menor valor. Com esse nivelamento dinâmico, fascistas e nazistas controlam as massas enfurecidas para seu projeto de poder.

O partido de Adolf Hitler surgiu de uma agremiação bávara obscura chamada inicialmente "Deutsche Arbeiterpartei" (DAP), Partido Alemão dos Trabalhadores. Reunia-se num galpão, juntando desempregados e subempregados, revoltados com a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial. Grande parte de seus membros eram militantes dos Freikorps, ex-soldados que se viram traídos pelos movimentos de esquerda sindical que, com greves, teriam inviabilizado a vitória, que para esses perdedores sociais era certa na frente de batalha. Alimentavam-se, como o Sr. Ailton Benedito, do mais tosco ódio a socialistas e comunistas, acusando-os de terem dado uma "facada nas costas" dos patriotas. Essa versão da derrota pela traição na frente doméstica ficou conhecida como a "Dolchstoß-Legende", ou a lenda da facada.

Ocorre que, ao longo dos anos, com o intenso trabalho de recrutamento de apoiadores nas ruas entre desempregados e desamparados da miséria social dos anos vinte e trinta do século passado, liderado pessoalmente por Adolf Hitler, o partido, principalmente sua tendência mais rasteira e violenta, com a "Sturmabteilung" (SA) à frente, achou por bem adicionar a expressão "nacional-socialista" ao nome da agremiação. Passou a chamar-se então "Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei" (Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores - ou dos Trabalhadores Alemães) - NSDAP. O objetivo dessa mudança não era em absoluto sinal de simpatia ao marxismo ou à social-democracia, como a tosquice de certa direita ignorante tupiniquim pretende, mas o esforço de competir com os partidos de esquerda na conquista da simpatia dos desafortunados da sociedade no abismo. Em outras palavras, o uso da expressão "socialismo" não passava de um estratagema de propaganda enganosa.

Com a consolidação do poder nazista depois de 30 de janeiro de 1933, a SA, sob o comando de Ernst Röhm, a parte mais barulhenta do partido, composta precisamente por perdedores sociais, começou a mostrar insatisfação com alianças que a cúpula do NSDAP passou a fazer com a nata da burguesia industrial, em detrimento de seus ideais originais, e passou a insistir em mais ênfase no "socialista" naquilo que chamavam de "doutrina" do nacional-socialismo. O resultado foi a "noite das facas longas" (Nacht der langen Messer), episódio ocorrido na noite do 30 de junho para 1° de julho de 1934, quando a SS ("Schutzstaffel" ou comando de segurança) guarda pretoriana de Hitler, com o próprio a sua frente, assassinou todo o comando da SA, Ernst Röhm incluído entre as vítimas. Mas nem por isso a expressão "nacional-socialista" foi retirada do nome do partido.

Logo, Sr. Ailton Benedito, antes de falar asneiras e difundi-las pela internet, se instrua um pouco. Pega mal tanta ignorância confiante. Não pense que no Brasil só tem cego e que seu estrabismo intelectual o torna rei. O Sr. não passa de um burocratazinho pretensioso, mal instruído e cheio de bronca para dar. O Brasil – e o MPF em especial – merece coisa melhor.
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O caso da falsa herdeira do banqueiro suíço


A imprensa se esbaldou com uma verdadeira história de princesa com pitadas políticas. Roberta Luchsinger, neta de um banqueiro suíço, sócio do Credit Suisse, um dos maiores bancos do planeta, decidiu doar R$ 500 mil a Lula, para compensá-lo do bloqueio imposto por Sérgio Moro.

Imediatamente o juiz Felipe Albertini Nani Viaro, da 26ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, exercitando uma militância política indevida, exigiu que a socialite pagasse, antes, uma dívida com um marceneiro.

Nem foi preciso esse bate-bumbo do juiz. A história da socialite correu o Brasil.

Época a descreveu como neta do banqueiro suíço Peter Paul Arnold Luchsinger. Veja a tratou como uma bilionária excêntrica, nascida em Miraí, a cidade imortalizada pelo samba “A professorinha”, de Ataulfo Alves.  A Folha teceu loas à herdeira bilionária que recheou uma mala da marca Rimowa de objetos que o ex-presidente poderá transformar em dinheiro.

Apesar da quase homonímia com o banqueiro suíço, se parente for, seu avô é distante, com as raízes fixadas no Brasil no século 19. Provavelmente o primo suíço não deve ter a menor ideia sobre o lado brasileiro.

A família Luchsinger

Segundo os registros de um dos membros da família, que levantou uma genealogia meticulosa, os  Luchsinger ou Luxinger são oriundos da região de Cantão de Glarus, distrito de Engi na Suiça.

Embarcaram no porto de Hamburgo em 1855 no navio América com destino à Fazenda Nova Olinda, em Ubatuba. Eram 109 pessoas, das quais 38 foram transferidas para o Espírito Santo.

Parte da família radicou-se no Rio Grande do Sul, com alguns descendentes fundando o Adubos Trevo, de saudosa memória.

A árvore de Roberta fixou-se no Rio de Janeiro, através do avô Roberto Pedro Paulo, uma pessoa de classe média, que se casou com Cecília, um dos sete filhos do outrora poderoso coronel Afonso Alves Pereira, de Miraí, que aumentou sua fortuna casando-se com Maria Dinah Sarmento, filha do industrial Severiano de Morais Sarmento.

Cecília e Roberto Pedro Paulo tiveram dois filhos.

A filha Bárbara, tia de Roberta, casou-se com um bem-sucedido financista, Roger Ian Wright, sócio do Banco Garantia. Faleceu tragicamente no acidente da TAM. A mãe de Bárbara não resistiu à tragédia e morreu dias depois.

O segundo filho, Roberto Pereira Luchsinger, casou-se com Maria Ângela Caçula Moreira e veio morar em Miraí, em uma chácara do sogro. Do casamento, nasceu Roberta.

Sempre foi atrevida, a ponto de, ainda estudante, ser proibida pelo juiz de entrar no fórum da cidade de Miraí. Depois, formou-se em direito, pensou em fazer concurso para o Ministério Público, chocou a família tendo um caso com o ex-delegado Protógenes Queiroz, que andava na crista da onda, com quem teve uma filha.


Foi um caso retumbante, conforme o título da matéria da revista IstoÉ: “Protógenes e a banqueira” E o subtítulo: “Famoso pela caça ao banqueiro Daniel Dantas, o delegado deputado está prestes a se casar com a herdeira do segundo maior banco da Suíça”.

“Pode-se dizer que é a união da rainha com o plebeu. Eles se amam e não há nenhum interesse por trás disso”, garantiu a amiga Eulália.

Quando saiu a notícia de que Protógenes havia se casado com uma herdeira do Credit Suisse, Miraí riu à vontade. Já sabiam das fantasias que a conterrâneo sempre desenvolveu.

Uma das filhas de Roberta é criada em Miraí pela família.

E o avô Roberto Pedro Paulo, suposto acionista do Credit Suisse?

Com a morte da filha e da esposa, Roberto Pedro Paulo Luchsinger – que não deve ser confundido com o banqueiro Peter Paul Luchsinger – acabou se mudando para Miraí, para ficar perto do filho Roberto.

Em julho passado, na mesma Miraí, morreu, e, seguramente, sem nenhuma ação do Credit Suisse, tal sua situação financeira precária, conforme descrita por amigos da família.

Teve que ser enterrado com a urna que a prefeitura disponibiliza para indigentes.

Luís Nassif
No GGN
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Procurador que livrou Temer reclama da Câmara


Figura frequente e banalizada da mídia, o procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima retorna em entrevista ao Valor Econômico. Nela, admite que irá se aposentar e trabalhar com “complience”, que a advocacia norte-americana transformou no negócio do momento.

Depois, põe-se a analisar a situação do presidente Michel Temer e a decisão da Câmara de não autorizar a abertura das investigações. Defende as delações premiadas, sustentando que não houve banalização das denúncias.

Segundo ele, “o certo mesmo de qualquer acusação é que seja recebida e o Judiciário enfrente o mérito. Se é verdade ou não é verdade o fato relatado pela acusação, é o juiz que tem de dizer. E eles [os deputados] não deixaram isso acontecer”.

Trata-se de uma hipocrisia. O objetivo da Lava Jato nunca foi Temer. Ele surgiu por conta de uma delação imprevista da JBS.

Aqui no GGN, no “Xadrez de como a Lava Jato protegeu Michel Temer”, mostramos como, na investigação sobre a Eletronuclear, os procuradores fugiram do tema central: o papel de Temer, controlando o Almirante Othon através de seu preposto, coronel Lima.

Em nenhum momento, a Lava Jato cuidou de ouvir Lima, e a AF Consult, a empresa que fez parte da tramoia para burlar a licitação. E isso porque a intenção dos bravos procuradores jamais foi a de punir culpados ou identificar os grandes operadores, mas apenas derrubar o governo Dilma.

Luís Nassif
No GGN
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