17 de ago de 2017

Prepotência e resignação

De exceção em exceção, as máfias fazem o que bem entendem e o povo sofre em silêncio. Caberia motivá-lo a quantos se dizem de esquerda. Fracassaram

Lula vai excitar as praças do Nordeste. O candidato invencível. Seria também milagreiro
Ensina o professor Pedro Serrano que um Estado de Exceção pode permitir-se todas e quaisquer exceções. Tal a situação em que o Brasil precipita depois do golpe de 2016. E as exceções se multiplicam, cada vez mais daninhas. Não há lei que não possa ser desrespeitada, donde o primeiro resultado é a transformação da Justiça em injustiça. A exceção implica a cínica operação de legalizar o ilegal.

Não se justifica a surpresa, diante de um golpe perpetrado pelos Três Poderes da República com o apoio incondicional da propaganda midiática encabeçada pela Globo e de policiais transformados em jagunços da casa-grande. Deu no que deu e não se enxerga a mais pálida chance de mudança, muito pelo contrário. As máfias fazem o que bem entendem.

No momento, confirmado no Planalto o presidente ilegítimo e corrupto, trata-se de manter a casa-grande no poder excepcional concedido pela nossa Idade Média pelo tempo que lhe aprouver. E lá vem a perspectiva do golpe do parlamentarismo, já premiada pelos beneplácitos da Globo e da afinadíssima dupla Michel Temer e Gilmar Mendes. O nihil obstat eclesiástico.

O Brasil já passou por isto, quando a casa-grande, então apoiada pelas Forças Armadas, pretendeu limitar o poder de João Goulart, o vice de Jânio Quadros renunciatário e seu substituto constitucional. O parlamentarismo durou dois anos, revogado finalmente por um plebiscito histórico que devolveu o País ao presidencialismo.

O parlamentarismo na marra não passou de prólogo do golpe de 1964. A manobra esboçada no momento nasce da ausência de um candidato viável da reação e as quadrilhas no poder não querem correr riscos. Certo é que alguma exceção será lançada ao atual mar de lama e o parlamentarismo parece ser a opção excogitada por enquanto.

Parlamentarismo à francesa, à italiana, à alemã? Talvez à moda da casa. Vale lembrar a noite que a Câmara dos Deputados viveu dia 2 de agosto. Espetáculo deprimente a representar o país primitivo. Com raras exceções, surgiram na arena figuras de ópera-bufa, carentes no comportamento e na lida com o vernáculo, uma grei de paus-mandados. Pergunta um leitor na seção de cartas desta edição: e seria esta a casa da democracia? Trata-se, é verdade factual, de um circo mambembe.

Tentemos imaginar o que seria o parlamentarismo interpretado por esta trupe. De saída, além do ridículo de suas encenações, o instrumento obediente às quadrilhas para perpetuar o Estado de Exceção, sem previsão quanto à duração da desgraça. A bem das máfias. E o Brasil que se moa. De volta aos tempos da colônia, súdito genuflexo, posto à venda a preço de banana.

A ditadura varguista durou menos do que aquela garantida pela casta dos quatro-estrelas. O PSDB chegou ao poder com a eleição de FHC, comprou votos para reelegê-lo. Vinha com um projeto de comandar ao menos por 20 anos. Durou menos do que os governos do PT, abatido pelo golpe de 2016, cujo objetivo era prender Lula, demolir seu partido e impor um Estado de Exceção com o propósito de durar ad infinitum. Instaurado o parlamentarismo, com estes Judiciário e Legislativo, o Executivo será como a casa-grande deseja.

Pergunto aos meus desolados botões: é pessimismo demais? Não é não, respondem, mestos. O povo mostra-se incapaz de reagir, inclinado como sempre à resignação. A história oferece explicações para tanta inércia, nada acontece por acaso. Às nossas costas a terra predada pela colonização portuguesa, três séculos de escravidão, et cetera et cetera. Resultado, desequilíbrio social monstruoso. A registrar o cuidado bem-sucedido dos donos da mansão senhorial em manter a maioria na miséria e na ignorância, embora também eles estejam muito longe do saber. O Estado de Exceção baseia-se nesta situação, que, de resto, jamais permitiu uma autêntica democracia.

Ocorre-me a importância de fortes partidos de esquerda para o progresso político e econômico de países com democracia madura. Do trabalhismo britânico ao comunismo italiano, e não são os únicos exemplos. No Brasil, a esquerda fracassou. Ou porque quem se disse de esquerda mentia, ou porque foi incompetente. Cabe a partidos, tanto de inspiração marxista quanto social-democrática ou fabiana, chegar às massas para politizá-las. Não foi o que se deu por aqui.

O povo brasileiro é doutrinado pela Globo, até as telenovelas prestam-se à obra maligna, para não falar da vulgaridade reinante no vídeo do plim-plim e outros mais. Os movimentos dos sem-terra e dos sem-teto são inegavelmente de esquerda, honra a João Pedro Stedile e Guilherme Boulos. O PT, no entanto, no poder portou-se como todos os demais. Lula e Dilma deram alguns passos significativos no sentido social, tiraram milhões de brasileiros da miséria e os incluíram na sociedade de consumo. Nem por isso os conscientizaram.

O anúncio de que Lula prepara-se a um périplo por diversas praças brasileiras convém ao País. Pelo ex-presidente tenho uma amizade incondicional e nunca deixarei de estar ao seu lado. Recordo que este roteiro esclarecedor que ele se dispõe a cumprir eu o sugeria em abril de 2015. Lula é um grande líder, e não excluiria que fosse capaz de milagres. De todo modo, volto à conclusão do editorial da semana passada: o PT não existe sem Lula, mas Lula não é o PT.

Mino Carta
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Osmar Terra, um néscio mentiroso, insustentável, falso e exagerado

Ele
Crítico da descriminalização do consumo de drogas, o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra (PMDB-RS), é autor de um projeto de lei que prevê aumento da pena para tráfico e também internação compulsória de usuários. Em um evento sobre Segurança Pública realizado no Rio de Janeiro na semana passada, ele falou sobre o assunto, mas se equivocou em alguns dados.

“Aumentou o homicídio no Uruguai depois daquela coisa maluca de o governo cuidar da maconha”

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A lei 19.172, que legaliza toda a cadeia produtiva da maconha no Uruguai, foi aprovada em dezembro de 2013, mas só entrou em vigência a partir de maio de 2014, quando seu decreto de regulamentação foi assinado pelo então presidente, José Mujica.

Se comparados o número de homicídios de todo o ano de 2014 com o de 2015, vê-se que, de fato houve, um aumento. Dados do Observatório Nacional sobre Violência e Criminalidade, órgão vinculado ao Ministério do Interior uruguaio, mostram que foram registrados 268 casos de homicídios em 2014 contra 293 em 2015.

Entre 2014 e 2015, ocorreu, portanto, um aumento de 9,5%, mas essa curva ascendente não se verificou nos anos posteriores. Em 2016, o número regrediu para 265 homicídios.



No primeiro semestre de 2017, foram computados 130 homicídios contra 140 do primeiro semestre de 2016. Uma nova queda de 7,1% na taxa deste crime. Além disso, a correlação entre a legalização e a criminalidade não foi feita pelo instituto.

Ainda vale lembrar que foi apenas no dia 19 de julho deste ano que a droga passou a ser vendida em farmácias no Uruguai. Até então, estavam vigorando duas modalidades de cultivo da cannabis previstas pela lei: os clubes de cultivadores e o cultivo doméstico, que atenderiam a cerca de 4 mil usuários.

A frase do ministro é insustentável por não haver dados que relacionam homicídio e uso de maconha. De acordo com o Diretor Nacional de Política do Uruguai, a política de legalização ainda não diminuiu a demanda do narcotráfico. Sua expectativa era de que, com a entrada no mercado do produto desenvolvido conforme a lei 19.172 fosse possível observar uma diminuição da demanda no mercado negro, com consequente impacto sobre a economia do tráfico.

Procurado, o ministro informou por nota que se referia “ao número recorde de sequestros e homicídios registrados no Uruguai em 2015, conforme publicado em matéria do jornal El País, em janeiro de 2016”.



“Pesquisa do Hospital das Clínicas mostrou que tem mais acidente fatal causado por maconha do que por álcool”

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A publicação intitulada “Uso de bebidas alcoólicas e outras drogas nas rodovias brasileiras e outros estudos”, fonte de informação do ministro, mostra, no capítulo dedicado aos acidentes de trânsito com vítimas fatais (página 81), que 32,1% das vítimas havia consumido álcool. Já a maconha havia sido encontrada em apenas 5% das vítimas fatais. Segundo escreveram os pesquisadores: “A maconha foi a substância de maior prevalência neste estudo – desconsiderando o álcool“.

Outra pesquisa similar realizada em 2013 pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo apontou que 1 em cada 5 vítimas de acidentes com motos na cidade de São Paulo havia consumido algum tipo de droga ou álcool antes da ocorrência. Os pesquisadores coletaram amostras de saliva de 326 acidentados e as enviaram para análise em um laboratório nos Estados Unidos. A entidade detectou a presença de álcool e de mais de 30 tipos de drogas no organismo dessas pessoas e concluiu que 7,1% dos motociclistas tinham consumido álcool antes de dirigir e que 14,2% tinham feito uso de alguma outra droga. A cocaína e a maconha foram as mais comuns, mas não se pode afirmar que, individualmente, respondem por mais acidentes do que o álcool.

Procurado, Osmar Terra disse que se baseou em parte do estudo que diz respeito apenas a vítimas de acidentes de trânsito atendidas em emergências. Segundo o ministro, o trabalho aponta que o álcool foi encontrado em 8,5% dos pacientes, enquanto a maconha em 9,3%.

A Lupa procurou o organizador e coautor da pesquisa Flavio Pechansky e ele afirmou o seguinte: “Estudos desta natureza são ‘fotografias’ e não podem contar uma história de causa e consequência. Na literatura mundial sabe-se que o álcool é o campeão quanto a risco de colisões e mortes”.



“Maconha causa esquizofrenia”

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O ministro citou três estudos como fonte desta informação. Eles mostram, no entanto, que o uso continuado da maconha é apenas um dentre vários fatores de risco para o desenvolvimento da esquizofrenia – não sua causa direta, como afirmou Osmar Terra.

Dos três estudos, dois não fazem essa conexão direta entre maconha e esquizofrenia.

A pesquisa Associação causal entre cannabis e psicoses: avaliação de evidências, de Robin Murray, afirma que “a cannabis sozinha não é suficiente nem necessária para causar doenças psicóticas”. Sugere, contudo, que sua eliminação poderia reduzir em 8% os casos desta doença.

No segundo estudo apontado pelo ministro, “A associação entre uso de cannabis e idade precoce no início da esquizofrenia e outras psicoses: meta-análise de possíveis fatores de confusão”, os pesquisadores concluem que o uso da cannabis antecipa em 32 meses o desenvolvimento de quadros psicóticos quando comparados os usuários e não usuários da droga. Mas não atestam sua causa direta.

O trabalho Cannabis e esquizofrenia: um estudo de casos tratados em Estocolmo é o único que se aproxima da frase de Terra. Diz que “o alto número de casos de esquizofrênicos que faziam uso abusivo da cannabis permite sustentar a hipótese de que a maconha pode ser um fator de risco para a esquizofrenia”. Ainda uma hipótese.

Por fim, ainda vale citar um artigo publicado no “British Journal of Psychiatry” que mostra que o consumo diário de maconha de alta potência aumenta em até seis vezes o risco de doenças psicóticas como a esquizofrenia. Tiago Reis Marques, coautor da pesquisa, ressaltou, no entanto, que a maconha “não é uma causa em si”, mas atua como um estopim para uma doença mental grave. Ou seja, a maconha não provoca esquizofrenia de forma direta, aumentaria o risco da doença nos indivíduos com predisposição genética.



“Maconha diminui o QI [quociente de inteligência]”

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O assunto é controverso na comunidade científica. Há estudos que mostram essa conexão entre maconha e QI e há outros que enxergam o oposto.

O ministro Osmar Terra apresentou dois estudos para basear sua afirmação. No primeiro deles, realizado com 1.037 pessoas aos 13 anos e depois refeito com o mesmo grupo aos 38, revelou-se um declínio neurofisiológico e problemas cognitivos entre os usuários frequentes da cannabis. Foi também feita relação de maior declínio neural conforme maior o uso da droga. Os maiores prejuízos foram notados nos usuários que começaram o uso contínuo da maconha na adolescência.

O segundo estudo citado pelo ministro associou o uso da cannabis com maior incidência de evasão escolar e menor ingresso nas universidades. No entanto, o trabalho aponta que a performance educacional mais baixa também pode ser reflexo do contexto social dos usuários e não um efeito direto da maconha sobre as habilidades cognitivas.

Pesquisadores da universidade de Duke, nos Estados Unidos, acompanharam 3 mil gêmeos por mais de uma década e disseram não ter encontrado evidências de que a maconha tenha um efeito direto sobre o declínio da inteligência. Os usuários de maconha perderam cerca de quatro pontos de QI durante o período do estudo, e seus gêmeos, que nunca haviam experimentado a droga, seguiram um padrão semelhante de declínio de inteligência, o que absolve a maconha dessa culpa e sugere a existência de outro fator responsável pela diminuição do quociente.

Outro trabalho de acompanhamento publicado pela revista científica Proceedings revelou que muitos fatores também têm sido associados ao declínio de QI. Entre eles o cigarro, o álcool, o baixo nível socioeconômico e doenças mentais.

No Lupa
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Luta Indígena






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Joel Brás Pataxó é absolvido por Júri Popular; depois de 11 anos em prisão domiciliar


Joel Brás Pataxó, após 11 anos em prisão domiciliar, está livre. Por 4 x 3, o Júri Popular da Vara Federal de Eunápolis (BA), na noite desta quarta-feira, 16, o absolveu da acusação do homicídio de um pistoleiro ocorrido em 8 de dezembro de 2002. Este foi o sexto e último processo respondido por Joel; em todos os demais ele foi declarado inocente. O Júri começou às 8h30 e só terminou por volta das 19 horas.  

“Foram anos difíceis, mas sempre acreditamos na nossa luta. Agradeço a todos os parentes, advogados. Sabemos que é sofrido, sei bem o sofrimento do meu povo. Me faz lembrar dos 500 anos, em 2000, quando fomos maltratados sobre a nossa terra. Muitos povos e lideranças sofreram e sofrem isso que eu sofri. Perdemos a liberdade, perdemos a vida, mas a nossa luta é o que temos de maior”, disse Joel após o Júri.   

José Moraes, segurança privado da Fazenda Oriente, área incidente na Terra Indígena Barra Velha, armou uma emboscada para Joel num acampamento Pataxó distante cerca de 7 km de “seu local de trabalho”. Moraes, na verdade, era um conhecido pistoleiro. Ao perceber a arapuca, o indígena agiu em legítima defesa e atirou em Moraes enquanto este sacava a arma de fogo para assassiná-lo. Joel não fugiu e se apresentou às autoridades.

A defesa do indígena apresentou ao Júri três testemunhas: duas pessoas que estavam na BR-498, estrada que liga a BR-101 ao Monte Pascoal, onde os fatos ocorreram, e um Pataxó, que na época era adolescente e estava no acampamento cuidando da crianças quando José Moraes chegou atirando à procura de Joel – momentos depois ele encontraria o indígena e, antes de cumprir com o serviço, a morte.

Apenas uma testemunha foi levada pela acusação, realizada pela Procuradoria Federal. No entanto, o depoimento revelou não um homicídio, mas o quanto Joel era perseguido. “A única testemunha de acusação confirmou a presença de um homem com roupa camuflada, mas não a de Joel. Afirmou ainda que à época disse que era Joel porque o delegado a coagiu”, explicou o advogado do indígena, Luciano Porto.

Um ponto atacado pela acusação era que José Moraes era um funcionário da Fazenda Oriente. Depoimentos de funcionários e do gerente da antiga fazenda lançaram por terra o argumento. “Moraes era um sujeito experimentado em defender propriedades. Vivia armado, era conhecido como matador. Além disso, se dirigiu ao acampamento Pataxó para matar Joel percorrendo uma distância de 7 km”, afirma Porto.

O processo saiu da Justiça Estadual para a Federal 2007, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Já havia sido reconhecido pela Justiça não se tratar de um processo de homicídio comum. Em novembro de 2009 então começa a correr na Subseção Judiciária da Vara Federal de Eunápolis”, explica o advogado. Enquanto esteve na Justiça Estadual, o Pataxó cumpriu períodos encarcerado.

A defesa de Joel, também realizada pela advogada Michael Mary Nolan, da assessoria jurídica do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), estava otimista porque além de todas as provas, que demonstravam se tratar de um ato de legítima defesa, Joel tinha cumprido até esta quarta-feira 11 anos de prisão domiciliar, determinada em 2006 pelo STJ, num posto da Funai localizado na aldeia Barra Velha.

“Acompanho esse caso desde o início, desde 2002. Em 2006 levamos Joel pra casa. Há mais de 30 anos defendo indígenas nessas situações. Cacique Marcos Xukuru, Zé de Santa Xukuru, cacique Babau Tupinambá, que estava aqui hoje apoiando Joel. Espero, acima de tudo, que os povos indígenas consigam ter cada vez mais condições de se defender desses abusos”, declara a advogada Michael Mary Nolan.

Emocionados, os Pataxó cantaram e dançaram Toré para receber Joel após o resultado final. Conforme o indígena declarou, “o Brasil não teria dinheiro para pagar a dívida que tem com a gente. E o que exigimos são as nossas terras. Esta é uma memória a todos e todas no presente, aos indígenas do futuro. Nunca deixem de lutar pelos direitos, o tribunal de hoje foi um aprendizado pros nossos povos”, encerrou Joel.

Para Ararawã Pataxó, que discursou após o julgamento, “a absolvição de Joel acontece no mesmo dia em que conseguimos impor uma derrota ao marco temporal (leia mais aqui). Isso mostra como as lutas são as mesmas, aqui ou em qualquer canto do país. Então Joel livre é uma vitória para o movimento indígena, para a busca pelas terras de nossa gente”. 

Renato Santana, da Assessoria de Comunicação – Cimi
No Desacato
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Comissão de Relações Exteriores debaterá possível privatização de satélite brasileiro


A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) aprovou nesta quinta-feira (17) a realização de uma audiência pública para debater a possível privatização do satélite geoestacionário brasileiro, lançado recentemente, destinado a garantir comunicações militares e a estender por todo o país serviços de internet em banda larga.

Foram convidados o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato; o ministro de Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab; e o diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Juarez Quadros.

O presidente da CRE, Fernando Collor (PTC-AL), chamou de "surpreendentes para todos nós" as informações, divulgadas pelo vice-presidente do colegiado, senador Jorge Viana (PT-AC), relativas ao processo de privatização do satélite geoestacionário.

— É algo preocupante, um satélite recém-lançado que nem entrou em funcionamento, e de repente já estão tratando da privatização dele? — questionou Collor, que solicitou ainda ao governo que não tome nenhum encaminhamento relacionado a este processo enquanto a CRE não debater a proposta.

Segundo Viana, a Telebras marcou para o dia 27 de setembro o leilão, quando deverão ser entregues os envelopes das empresas interessadas no negócio. O senador ainda conseguiu aprovar um pedido de informações aos ministros Raul Jungmann (Defesa) e Gilberto Kassab questionando o processo.
Interesse nacional

Viana questiona o Ministério da Defesa sobre a existência de estudos relacionados à privatização do satélite, no que se refere às comunicações sensíveis da área militar. Ele também quer saber se o próprio processo em si já não seria "intrinsecamente lesivo" ao setor de Defesa, "já gravemente lesado por cortes orçamentários", e se é conveniente ao país abrir mão de um ativo estratégico como este.

Já para o Ministério da Ciência e Tecnologia, Viana questiona as justificativas para a privatização, se ela afetará os programas de Defesa Nacional ou políticas públicas como a expansão da banda larga, e se o próprio processo em si também não seria lesivo ao setor, "também gravemente lesado pelos cortes de orçamento".

— Não temos nenhuma informação sobre o porquê deste processo, se vai comprometer o país. Nem a assessoria militar que atua no Congresso tem essas informações que eu estou solicitando — disse Viana, para quem um processo como este precisa necessariamente ser "transparente".

Sergio Vieira
No Ag. Senado
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Carava pelo Nordeste — Lula inicia em Salvador, com Pimenta

Lula reencontra Everton Santos, o principal símbolo da campanha presidencial de 2006.

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Odebrecht só disse que perdeu chave do sistema de propina após Lula pedir acesso

Foto: Ricardo Stucker
A defesa de Lula informou nesta quinta (17) que entrou com um pedido junto ao juiz Sergio Moro para obrigar a equipe do procurador Deltan Dallagnol a revelar as mensagens trocadas com o Ministério Público suíço a respeito do sistema My Web Day, usado pela Odebrecht para registrar pagamentos de propina. Na nota, o advogado Cristiano Zanin levanta suspeitas sobre a história de que a turma de Dallagnol não teve acesso ao sistema porque a Odebrecht perdeu a chave.

De acordo com o informe, a Odebrecht e o MPF só deram a desculpa de que não têm mais acesso à íntegra do material que foi encontrado na Suíça 5 dias após a defesa de Lula pedir para conhecer as informações que constam no sistema. A estratégia de Zanin é mostrar que no My Web Day não tem nenhuma propina endereçada a Lula, ao contrário do que afirma a força-tarefa da Lava Jato.

O pedido foi apresentado no âmbito da ação penal em que Lula é acusado de receber vantagens indevidas da Odebrecht, como a comprar de um imóvel que o Instituto Lula nunca usou, e de um apartamento vizinho ao do petista, em São Bernardo do Campo (SP), que foi adquido por Glauco Costamarques, um contato de José Carlos Bumlai.

Além de acesso às comunicações trocadas entre a equipe de Dallagnol e o MP suíço, a defesa de Lula pediu para suspender audiências e reinquirir testemunhas de defesa. Isso porque os procuradores de Curitiba inseriram, de última hora, uma série de documento na ação penal que não foram submetidos ao contraditório.

Os pedidos devem ser analisados por Sergio Moro.

Abaixo, a nota completa da defesa.

Na condição de advogados do ex-Presidente Lula requeremos na data de hoje (17/08) ao Juízo da 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba, nos autos da Ação  Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000/PR, que determine ao Ministério Público Federal a apresentação de todas as correspondências trocadas com o Ministério Público da Suíça a respeito desse sistema "My Web Day" — apresentando inclusive a via eletrônica dos documentos para que sejam submetidos à perícia.

O MPF afirmou que não teve acesso a "cópia integral" do sistema a despeito de um dos colaboradores do Grupo Odebrecht ter declarado em proposta de delação estar na posse da chave correspondente e somente ter se retratado dessa afirmação 5 dias após a defesa ter requerido o acesso ao "My Web Day".

A defesa também pediu na mesma petição a suspensão dos interrogatórios marcados para o mês de setembro a fim de submeter ao contraditório papéis que foram juntados em 03/08 pelo Ministério Público, após a realização de 34 audiências e a oitiva de 97
testemunhas.

O MPF promoveu a juntada tardia de papéis ao processo, impedindo que a defesa pudesse indagar às testemunhas sobre esse material. Há necessidade de dar oportunidade para que as testemunhas indicadas pela defesa sejam reinquiridas. A juntada desses papéis também não foi acompanhada de qualquer indicação de origem e devem ser objeto de uma perícia.

No GGN
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Pesquisa DataPoder mostra rejeição a Temer e ao Congresso


A pesquisa DataPoder360 de agosto indica forte rejeição a políticos, a partidos, ao Congresso e à administração do presidente Michel Temer (PMDB).

Três em cada 4 brasileiros avaliam Temer negativamente. Apenas 5% acham que a gestão do peemedebista é positiva.

O percentual é semelhante ao captado no levantamento anterior, de julho de 2017, quando 76% rejeitaram o governo. Na ocasião, apenas 7% dos entrevistados avaliavam positivamente a administração Temer.

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A pesquisa do DataPoder360 foi realizada por telefone (com ligações para aparelhos fixos e celulares) de 12 a 14 de agosto. Foram feitas 2.088 entrevistas em 197 cidades. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. Em alguns cenários, o total dos percentuais pode não ser 100% por causa do arredondamento dos resultados.

Leia todos as pesquisas anteriores aqui.

O descontentamento não é direcionado apenas ao Poder Executivo. O DataPoder360 tem avaliado mensalmente a opinião dos brasileiros sobre o trabalho do Congresso.

Em agosto, o percentual de entrevistados que acha o Legislativo péssimo é de 35%, um crescimento de 7 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Para 31%, o trabalho do Congresso é ruim. No total, a rejeição a senadores e deputados é de 66%. A avaliação positiva caiu de 11%, em julho, para 4%, em agosto.

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A maioria dos entrevistados acha que a Câmara errou ao não autorizar análise sobre abertura de processo contra Michel Temer por corrupção. No início de agosto, a maioria dos deputados rejeitou a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente.

Para 77% dos entrevistados, os deputados deveriam ter admitido que a denúncia fosse analisada. Outros 15% acham que o assunto está resolvido e é preciso olhar para frente.

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Rejeição a partidos tradicionais

A pesquisa mostra que em agosto a rejeição ao PT diminuiu 7 pontos percentuais e ficou menor do que o percentual negativo atribuído ao PSDB. Em julho, 56% dos eleitores não votariam de jeito nenhum em candidatos petistas. Neste mês, o percentual caiu para 49%, enquanto a rejeição aos tucanos é de 54% – em julho, era de 51%.


O PSDB tem o voto cativo de 4%, que dizem que votariam hoje com certeza em candidatos tucanos. O eleitorado fiel do PT é 5 vezes maior: 21% afirmam que votariam com certeza em petistas.

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DataPoder360 avalia mensalmente as siglas PMDB, PSDB e PT. São os 3 partidos que têm se revezado no Planalto desde a redemocratização, em 1985 – com exceção do período presidido por Fernando Collor, de 1990 a 1992, então filiado ao extinto PRN.

A opinião sobre o PMDB está contemplada na pesquisa de avaliação de governo, que tem o peemedebista Michel Temer como chefe.

No Poder360
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Os riscos de uma eleição sem Lula


Muitos entendem uma eleição como sinônimo de “processo eleitoral”. Na verdade, dentro do momento sócio-político de uma eleição ocorre, também, um processo eleitoral, mas as coisas não são iguais.

Uma eleição é a refundação ritualística do pacto social gerador de um Estado democrático. É pela representação de um “passado presente” que a sociedade reconstrói e fortalece os laços de respeito e aceitação às regras estabelecidas desde aqueles que já não estão mais entre nós. A eleição é também um júbilo histórico, em que se reafirma que um grupo de pessoas (no nosso caso, mais de 200 milhões) têm mais coisas em comum do que atritos e diversidades.

Em nosso país, as eleições foram, historicamente, momentos de embate entre elites (como na República Velha) sem nenhuma participação popular ou simulacros de participação com o objetivo de validar regimes autoritários (como no Regime de 64-85). Os breves momentos democráticos (eleições de 34, 45, 55 e depois nos anos 90 em diante) acabaram sendo insuficientes para criar uma cultura de respeito e aceitação ao resultado das urnas. Neste sentido nossa “golpecracia” ainda se vale de frases como “o povo não sabe votar” e tenta mesmo, de todas as formas, tutorar o povo nas urnas.

A mais recente forma de “ensinar” o povo a não fazer “bobagem” é a Lei da Ficha Limpa que, ainda que se tenha por meritória a sua instituição, é flagrantemente antidemocrática. Entregar, por exemplo, a tribunais que não são eleitos (homens que não têm nenhuma relação com qualquer forma de representação) a possibilidade de ceifar nomes em que o povo pode votar é de uma violência impressionante. A Lei da Ficha Limpa, mesmo vil da forma que é, ainda é menos invasiva da seara eleitoral do que as tais “medidas contra a corrupção” escritas pelo braço autoritário do judiciário de Curitiba. E muito menos do que os sistemas que estão sendo implantados por uma câmara golpista (que já deu inúmeras provas de que não tem respeito algum pela soberania popular) e por Temer.

Desde o golpe sobre Dilma Rousseff, a grande preocupação é afastar a população das instâncias decisórias. Isto dito abertamente por diversos membros do parlamento, incluindo o presidente te da Câmara, para quem o parlamento “não precisa ouvir o povo pois, não é um órgão carimbador dos interesses da população”. A aceitação tácita, através de um silêncio desrespeitoso, do STF dos procedimentos do golpe demonstra aquilo que a ciência política vem afirmando: instituições não garantem democracia. Aquele caríssimo órgão que se intitula “guardião da constituição” nunca – como instituição – se colocou contra quaisquer golpes no Brasil. Pelo contrário, a história do STF é ser guardião e legitimador do autoritarismo de ocasião. Foi assim em 64, foi assim com Collor (quando levou mais de 20 anos para decidir sobre os crimes a ele imputados), com Dilma e isto só para falar dos momentos-chave mais recentes. Se lembrarmos de Olga Benário, dos ministros afastados pelo golpe de 64, os diversos processos de Habeas Corpus que chegaram durante a ditadura e tantos outros exemplos, o STF seria historicamente a fachada institucional do autoritarismo do poder “de fato”, sempre disposto a entregar a legitimidade das togas a quem exercesse, mesmo que ilegalmente, a força.

Se a manutenção de Temer representa um crime continuado por parte do STF, eis que claras todas as evidências sobre a ilegalidade do processo, desde sua abertura até a consecução final, uma eleição sem Lula não seria uma eleição. A cada dia que passa e o STF não desfaz o crime que foi o impeachment, ele é conivente com o empobrecimento da população, com a má gestão de Temer sobre o Estado e torna ilegítimas todas as ações do Estado. Afinal, um ato nulo (nulidade absoluta) torna nulos os atos e efeitos produzidos a partir de si. O problema é que um país que não vai fazer a passagem de faixa de um presidente eleito para outro, não pode permitir que o novo eleito o seja pelo afastamento imoral de algum candidato. Trocando em miúdos, a democracia brasileira que já não terá Dilma Rousseff entregando a faixa em 2018, não resistirá à entrega a um eleito numa eleição sem Lula. Sob pena de este simulacro de democracia, que representa a desfaçatez histórica das nossas elites, servir tão somente para romper de forma definitiva com qualquer forma de legítimo uso do poder.

Lula hoje é o único interlocutor admitido como válido para grande parte da população. Lula é o centro de gravidade do país e não chegou aí por acaso. É figura constante no cenário brasileiro há quarenta anos, diariamente. Uma eleição, pois, sem Lula não é eleição, mas meramente um processo eleitoral viciado e ilegítimo. Vencer Lula num pleito transparente, igualitário e correto emprestará a QUALQUER candidato a legitimidade mesma que tem Dilma e não tem Temer. E por não ter Temer, sofremos interna e externamente. O resultado da inação criminosa do STF é sermos párias internacionais, cuja interpretação que fazem do Brasil é a do uso casuístico das leis para atender os “mais fortes” em detrimento de todo o resto. O país do “jeitinho” sendo homologado pela prática de uma surdez oportunística de onze juízes.

Mais perigosa ainda é a não compreensão que Lula representa o fim da polarização e não sua continuidade. Lula, no Brasil de hoje, é centro. Longe das figuras proto-fascista da direita e de uma esquerda histriônica que se radicaliza na ideia da consecução de uma “vingança de classe”. A retirada de Lula de um pleito em 2018 não apenas retirará a legitimidade (interna e externa) desta eleição, mas o espaço deixado por Lula será preenchido por discursos radicais, sejam de direita ou esquerda. Sem Lula, os índices de desconfiança na democracia e na política (que estão em mais de 80%) darão espaços para o autoritarismo em meio ao marasmo da diminuição da participação.

Os dados mostram que a crise brasileira é essencialmente política. E um processo eleitoral, entendido como ilegítimo pela maioria da população, fará este estado de crise se manter e aprofundar até 2022, indiferente ao que os juízes do TSE – sem legitimidade representativa por excelência – possam vir a dizer. É preciso parar com a errada noção de que leis, juízes e sentenças emprestam legitimidade à política. É exatamente o contrário. É da política, dos processos de participação e inclusão, que emergem toda a legitimidade de que goza o judiciário, seus membros e suas decisões. Se não for das urnas, será das armas, mas o judiciário tem sempre e tão somente uma legitimidade emprestada.

Lula é toda a eleição de 2018. Que o povo lhe dê novo mandato ou que alguém lhe vença é tudo o que o Brasil precisa para recompor-se. Se o STF, por inação protocolar, misoginia ou covardia política não é capaz de reestabelecer Dilma como legítima presidenta, que não erre novamente ao permitir uma eleição mutilada e sem legitimidade em 2018. O povo já reconhece o custo econômico de um judiciário inativo, se aperceber-se também de sua inutilidade política Suas Excelências poderão acordar, um dia, tendo apenas um pequenino martelo de madeira para se defenderem. Já aconteceu antes na história. Inúmeras vezes.

Fernando Horta
No GGN
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Lula lidera em todas as regiões do Brasil


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Só esta semana, João Doria já esteve fora de São Paulo duas vezes em pleno expediente

Como o historiador reaça Marco Antonio Villa não fiscaliza mais a agenda do prefeito como fazia com o petista Fernando Haddad, o site foi verificar se o "João Trabalhador" está de fato pegando no batente

Doria, que não está em campanha, é recebido em Palmas, no Tocantins.
Foto: reprodução facebook
Já que o historiador reaça Marco Antonio Villa não fiscaliza mais a agenda do prefeito como fazia com o petista Fernando Haddad, o site foi verificar se o “João Trabalhador”, como o atual “gestor” da capital paulista se autodenomina, está de fato pegando no batente.

Surpresa: entre segunda-feira e hoje, quarta-feira, o tucano João Doria deixou São Paulo nas mãos sabe-se lá de quem (do vice Bruno Covas? Da primeira-dama Bia Doria? Da sorte?) e passou o dia inteiro em duas outras capitais do país. Na segunda, esteve em Palmas, no Tocantins. Lá, teve intensa programação e inclusive atividade político-partidária em pleno expediente, o que é no mínimo imoral. E olha que Doria diz que “não é político”. Imagina se fosse…


Hoje, quarta-feira, João Doria passou o dia bem longe dos semáforos pifados e do aumento das mortes por atropelamento em São Paulo: estava em Natal, no Rio Grande do Norte, recebendo o título de “cidadão natalense”, a contragosto da população da capital.


Após receber ovadas em Salvador, onde também esteve na semana passada, a organização do evento tentou esconder Doria em um teatro dentro de um shopping, mas o prefeito não conseguiu fugir de protestos contra a sua presença.



Na sexta-feira, 18, o prefeito de São Paulo vai estar não na Praça da Sé, ou na Lapa, ou na Mooca, mas em Recife. Oficialmente, vai à capital pernambucana receber homenagem do LIDE-Pernambuco, empresa que ele mesmo fundou. Já está previsto que o prefeito itinerante também estará em Vila Velha (ES), Campina Grande (PB), Aracaju (SE), Fortaleza (CE) e Belém (PA).

Quem será que está bancando as viagens de Doria pelo Brasil? Se ele fosse do PT, certamente o Ministério Público de São Paulo estaria mais interessado em obter respostas. E o Villa, então?

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Desmonte é com Temer: Governador do PT vai dar salário mínimo para estudantes universitários

Enquanto o governo Temer promove o maior desmonte das universidades já visto na história do país, o governador Camilo Santana, do Ceará, vai no caminho contrário e regulamenta bolsas para estudantes da rede pública que ingressarem no ensino superior


O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), anunciou na última terça-feira (15) que sancionou uma lei que vai pagar um salário mínimo (R$937) a estudantes da rede pública que ingressarem no ensino superior.

Santana deu a notícia em um bate papo com internautas através de uma transmissão em seu Facebook. De acordo com o governador, para receber o benefício, o estudante deve ter cursado todo o Ensino Médio em escolas públicas, ser membro do programa Bolsa Família e ter conseguido uma média de pelo menos 560 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Esta é uma importante conquista para a educação do nosso estado. Estou muito feliz com este momento. Quero dizer a todos os alunos do Ceará que não desistam do sonho do curso superior”, disse o petista.

A iniciativa vai na contramão das políticas de austeridade do governo Temer que vêm causando, como efeito, um verdadeiro desmonte das universidades no país. Os cortes de verbas do governo do peemedebista vem ameaçando até mesmo o funcionamento da maior parte das universidades brasileiras, a exemplo da UERJ que teve, inclusive, as aulas suspensas. Outras, como a USP, vivenciam constantemente paralisações de professores e funcionários que há anos não têm reajuste salarial.

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História Geral da Arte — Friedrich


Friedrich

Caspar David Friedrich é conhecido como o maior pintor romântico de paisagens. Ao adicionar elementos de profundo teor simbolista às suas obras, Friedrich rompeu com a tradição acadêmica que prezava, acima de tudo, a representação fiel do que era visto.

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Quem são os extremistas de direita dos EUA?

As manifestações e violência na Virgínia colocaram em foco os grupos ultradireitistas americanos; crença na supremacia branca, antissemitismo, homofobia e intolerância política são alguns dos pontos que os unem

Nos EUA, símbolos como a suástica não são proibidos
Em primeiro plano, protestavam contra a retirada de um monumento ao controverso general da Guerra Civil Americana (1861-1865) Robert E. Lee, que liderava as tropas do Sul escravagista. No entanto, por mais distintas que fossem suas raízes e estilos, na passeata na cidade em Virgínia o foco comum dos direitistas era a "identidade branca" dos Estados Unidos.

Segundo dados fornecidos por Kessler, o movimento Unity and Security for America defendia a união das seguintes organizações:

Ku Klux Klan

Em reação ao movimento de direitos civis dos afro-americanos, voltou a se formar na década de 1960 a Ku Klux Klan (KKK), que aparecera pela primeira vez em 1865. O grupo é responsável por numerosas atrocidades e assassinatos. Hoje, calcula-se que conte entre 5 mil e 8 mil integrantes.

Da passeata em Charlottesville participou também David Duke, um dos mais destacados neonazistas americanos e ex-líder da KKK. Após os distúrbios que mataram uma mulher e feriram mais de 20 outras pessoas, ele instou o presidente Donald Trump a "dar uma boa olhada no espelho e se lembrar que os americanos brancos é que o colocaram na presidência, não os esquerdistas radicais".

Críticos condenam o chefe de Estado republicano a não ter se distanciado o suficiente do agitador ultradireitista Duke durante sua campanha eleitoral.

Supremacistas brancos

Adeptos da "White Supremacy" estão convencidos de que existe uma raça branca, e se empregam o termo como sinônimo para grupos humanos de determinada cor de pele, origem ou associação.

Supremacistas brancos como os das Aryan Nations creem fanaticamente na superioridade biológica daqueles de origem europeia, estando convencidos de que, numa sociedade multiétnica como a dos EUA, os brancos estão no topo da hierarquia.

Em Charlottesville também estavam representados os supremacistas da organização Vanguard America, reconhecíveis por seus escudos negros com armas cruzadas brancas.

Alt Right

O movimento Direita Alternativa é relativamente novo na cena radical. Baseado na ideologia racista, ele instiga contra a esquerda política e as minorias. Richard Spencer, diretor do think tank extremista National Policy Institute" (NPI), é considerado o mentor da Alt Right. Em 2010 ele fundou a revista Alternative Right, cunhando assim o nome do movimento.

Alguns contam entre os porta-vozes da direita alternativa o veículo de opinião populista de direita Breitbart, que durante vários anos foi dirigido pelo estrategista-chefe de Trump, Steve Bannon.

A Alt Right está intimamente entrelaçada com supremacistas e nacionalistas, porém costuma se apresentar de forma mais discreta. Alguns apontam também conexões com o ultradireitista Movimento Identitário da Europa.

Nacionalistas

Os nacionalistas americanos são próximos aos supremacistas, porém se distinguem por um componente ideológico importante: eles repudiam a ideia de uma sociedade multiétnica, almejando a um Estado unicamente branco.

Neonazistas

Os neonazistas dos EUA adotaram sua ideologia e simbolismo dos nacional-socialistas alemães. Adolf Hitler é seu visionário, modelo e herói. Eles agitam contra judeus, não brancos, homossexuais e portadores de deficiência. No fim dos anos 1960 foi fundado um partido nazista americano, porém sem sucesso. O Movimento Nacional-Socialista (NSM) é considerado a maior organização neonazista do país.

Especialistas em extremismo de direita atribuem aos neonazistas americanos contatos estreitos com a Alemanha. Assim, o hoje morto líder William Pierce teria circulado frequentemente nos meios do Partido Nacional-Democrata da Alemanha (NPD) e falado em suas reuniões.

Ao contrário da Alemanha, nos EUA símbolos nazistas como a cruz suástica, a saudação hitlerista e o uniforme marrom nazista não são proibidos, estando protegidos em nome da liberdade de opinião.

Neoconfederados

Os neoconfederados evocam o "Velho Sul". Sob a bandeira confederada, querem o retorno ao espírito e à vida nos estados sulistas antes da Guerra Civil Americana. Considerando-se vítimas do Norte, que aboliu a escravidão, eles se caracterizam pela postura antidemocrática, homófoba e racista. Embora sua conexão histórica os distinga de outros ultradireitistas, há pontos de coincidência com os supremacistas.

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Lutar contra a fascistização da vida

A miséria da política
Lembro como se fosse hoje aquela passeata, em Florianópolis, em 20 de junho de 2013. Era o auge dos protestos contra a corrupção - início da batalha contra o governo petista - e a capital catarinense viu saírem às ruas pessoas que sempre jogaram pedra nos manifestantes tradicionais. O protesto juntou mais de 30 mil almas, coisa nunca vista. A RBS, rede catarinense filiada a Globo, transmitia ao vivo, e saudava a iniciativa. Estranhamente não chamava ninguém de “baderneiro”, nem se ouvia o estridente mantra da garantia do “ir e vir”. Naqueles dias, a classe dominante dava sua bênção para a ocupação das ruas, a Globo chamava ao civismo e as pessoas acorreram aos borbotões.

Eu lá estava com os companheiros de sempre. E, aturdida, via as pessoas manifestarem seu ódio contra os militantes de partidos políticos e movimentos sociais. Ou seja, nós. A passeata virou uma batalha, na qual jovens vestindo camiseta – doada por partidos de direita – com inscrições contra a corrupção berravam: “sem partido, sem partido”, e enfrentavam os militantes que se agrupavam com suas bandeiras. Exigiam, de forma violenta, que fossem baixadas as bandeiras partidárias e que a passeata seguisse como uma gosma informe. Uma falsa gosma, pois como disse, os partidos de direita estavam ali, distribuindo camisetas e insuflando a massa contra os partidários da esquerda. Apenas não carregavam bandeiras, porque nunca o fizeram. Eles agem nas sombras.

Aproximei-me de umas jovens “encamisetadas”, que gritavam alucinadas, com olhos em brasa, contra as bandeiras de partidos de esquerda. E perguntei:

- Por que vocês são contra os partidos?

- Hã? É porque é sem partido, ora!

- Sim, mas por quê?

- É sem partido e pronto. Não fazemos política. Tu tem partido? – inquiriram e me encararam, agressivamente.

Naquele dia, uma massa furiosa nos atacou e obrigou que os grupos embandeirados se descolassem da passeata, seguindo na frente. Escancarava-se a luta de classes e o ovo do fascismo que tomou conta do país estava posto.

Lembro que comentei com vários companheiros sobre o que estava começando ali. No dizer de Adorno, o fascismo é um vírus que existe latente, em cada um. Diz ele que dadas as condições, ele brota, forte, e se espalha incontrolavelmente. Eu via aquilo na passeata. Um ódio irracional na massa, mas extremamente racionalizado nas direções políticas da direita. Um processo de construção de um consenso que foi crescendo, se consolidando e acabou no impedimento da presidenta Dilma. Jogada de mestre.

As atitudes fascistas também se consolidaram e estão a todo vapor. Uma delas é a proposta da “Escola sem Partido”, exatamente igual ao esquema das passeatas de junho. Sem partido de esquerda, porque os de direita poderão agir. Não querem que se fale de Marx, mas poderão incensar Hayeck. Então, como assim, sem partido? Mas, a massa desinformada não captura essa sutileza. Para ela, o mal é o socialismo, o comunismo, o velho discurso de volta outra vez.

Voltaremos a viver os terrores do fascismo cotidiano, com os nossos vizinhos denunciando-nos como comunistas, ou então colegas de trabalho, resolvendo questões pessoais com denúncias anônimas sobre nossas atividades de “doutrinação”. E a justiça, que é da classe dominante, agirá, confiscando nossos computadores e acusando de “comunistas”, como se sonhar e lutar por um mundo melhor fosse crime.

Pois essas são coisas que já estão acontecendo em todo o território nacional. Aqui em Santa Catarina vivemos o drama da professora Marlene de Fáveri, acusada por uma aluna de fazer proselitismo de gênero, seja lá o que isso seja.

E ontem na cidade de Abelardo Luz, no oeste do estado, dois trabalhadores do Instituto Federal de Educação, Ricardo Velho e Maicon Fontanive, foram denunciados, sabe-se lá se por um colega ou quem, de serem agentes do Movimento Sem-Terra dentro da escola. Seus computadores e celulares foram apreendidos pela polícia federal, com o beneplácito da justiça local, é claro. Eles foram afastados de suas funções públicas e foi quebrado o sigilo de correspondência eletrônica feita com a reitora Sônia Regina de Souza Fernandes. Ora, o MST é uma organização clandestina, por acaso? Não foi justamente esse movimento social de massa o grande responsável para que fosse criada a escola federal naquela cidade? Não foi a luta dos trabalhadores sem-terra que permitiu que centenas de jovens pudessem ter acesso ao ensino técnico de qualidade na região? Que crime pode haver, então, as ligações que por ventura alguns trabalhadores da escola tenham com o movimento? Pois, então, o que é isso? O acirramento da luta de classes.

Eu vivi a ditadura militar, como criança e adolescente, e lembro muito bem o terror que viviam as famílias que tinham qualquer posição crítica ao regime. Os vizinhos vigiavam e acusavam anonimamente, muitas vezes se aproveitando da denúncia de “comunista” para vinganças pessoais. Era um tempo de vigilância e de medo. Não se podia pensar. Só dizer sim, sim, sim, ao regime. Nas escolas, tínhamos educação moral e cívica, com a doutrina do terror. Isso podia, já falar de algum autor crítico, jamais. Era doutrinação. E é disso que se trata a Escola sem Partido.

Mas, no covil dos fascistas, são os comunistas, os críticos, os diferentes, e qualquer outro inimigo, mesmo pessoal, os que devem ser perseguidos. Nós já passamos por isso. E não foi bom. Nem para as pessoas, nem para o país. Apenas o pequeno grupo que comanda é que se dá bem, enquanto a vida da maioria fica gris. Há que botar freio a essa fascistização da vida. Ou ela se espalhará como rastilho de pólvora, no fundamentalismo do terror. É hora de juntar forças, mulheres, negros, índios, trans, trabalhadores formais, informais, homossexuais, enfim, todos os oprimidos pelo capital e pelo patriarcado. Essa luta é de todos nós.

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
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Torcedor é preso por fazer injúrias raciais à família de jogador: “Tudo macaco”

O torcedor foi reconhecido pelas vítimas e encaminhado por policias do Gepe para o Juizado Especial Criminal (Jecrim) do estádio. Lá, ficou se lamentando: “vocês vão foder minha vida”.


Mais um caso de racismo no futebol. No jogo desta quarta-feira (16) entre Flamengo e Botafogo, um torcedor do Botafogo, identificado como André Luis Moreira dos Santos, foi detido pela Polícia Militar no Estádio Nilton Santos por injúrias raciais a familiares do atacante Vinicius Junior.



Ele acompanhava a partida no Setor Leste Inferior, quando fez ofensas a tios do jogador do Flamengo. Ele fazia sinais apontando para o braço e gritava “tudo macaco”. Os familiares do jogador estavam em um camarote no Setor Leste. Perto do local, dirigentes rubro-negros acompanharam a cena.

O torcedor foi reconhecido pelas vítimas e encaminhado por policias do Gepe para o Juizado Especial Criminal (Jecrim) do estádio. Lá, ficou se lamentando: “vocês vão foder minha vida”. O botafoguense deixou o estádio por volta de 4h da madrugada. Ele foi encaminhado à Cidade da Polícia.

O ato foi recriminado pelos próprios torcedores do Botafogo presentes na Leste Inferior, que cobraram o torcedor responsável pelas injúrias raciais.

Por ser detido em flagrante, ele foi ouvido no próprio Jecrim por um juiz, que dirá se ele seguirá preso. Outras oito pessoas foram detidas por confusões no estádio, mas foram liberadas.

O Flamengo usou uma rede social para condenar a manifestação de racismo contra a família de Vinicius Jr.: ‘Racismo, aqui, não’.


A legislação brasileira prevê dois tipos de crimes relacionados à discriminação por raça: a injúria racial, que está no artigo 140 do Código Penal, parágrafo 3º, e o racismo, previsto na Lei 7.716/1989. Segundo o site do Conselho Nacional de Justiça, a injúria racial consiste em ofender a honra de alguém, em geral com uso de palavras depreciativas referentes à raça ou cor, e prevê pena de um a três anos de prisão, alem de multa. Já o racismo, considerado crime inafiançável e imprescritível, implica em conduta discrimiatória dirigida a determinado grupo ou coletividade.

O Rubro-Negro e o Alvinegro empataram por 0 a 0, na noite desta quarta, no Nilton Santos. Na próxima semana, os times decidem no Maracanã uma vaga na decisão da Copa do Brasil.

No Forum
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Denúncia! Irmão do governador do AM ameaça diretora do Igam que fez denúncia de superfaturamento

David Almeida

O irmão do governador David Almeida (PSD), Daniel Almeida, teve uma conversa gravada com a diretora do Instituto Gente Amazônica (Igam), Maria Lima, em que passa a ameaçá-la por ter denunciado o superfaturamento no valor do contrato de R$ 8,4 milhões, feito pela Secretaria de Saúde do Estado (SUSAM) com o Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (IMED) para realização de cirurgias eletivas.  A notícia e áudio do dialogo foram divulgados nesta quarta-feira (16) pelo Portal do Holanda.

Em tom furioso, o irmão do governador tenta intimidar a diretoria do Igam. Daniel Almeida reclama que o secretário Vander Alves estaria lhe dando pressão, após a denuncia ganhar a Imprensa. Depois o irmão de David Almeida passa a xingar Maria com palavras obscenas, de toda ordem.



Confira abaixo a integra do áudio:

Maria: Oi, Daniel...

Daniel:O que tá acontecendo? Essa situação aí que foi exposta nos jornais...?

Maria: O Vander (Alves, secretário de Estado da Saúde) quer brincar com coisas sérias. Eu tentei conversar...

Daniel: Pô, Maria, isso é motivo para você fazer isso?

Maria: É! É motivo sim. Isso não se faz. Nós temos a população morrendo e o cara ta superfaturando R$ 10 mil por cirurgia. Você acha certo isso?

Daniel: Não, Maria...

Maria: Não, Daniel. Estão superfaturando sim, me desculpe. Eu conversei com ele, tenho conversas dele...

Daniel: Mas Maria, isso é conversa para você ter comigo, não expor meu irmão (David Almeida).

Maria: Não. Não estou expondo o David. Nem conheço o David. Como vou expor uma pessoa que eu nem conheço?

Daniel: Mas o governo é do meu irmão.

Maria: O David tem que chamar o Vander e resolver essa situação, porque o Vander está arrogante, mentindo para o seu irmão, porque eu acredito realmente que o seu irmão não sabe disso, nem você.

Daniel: Mana, mas você me colocou numa situação difícil, Maria.

Maria: Mas Daniel, você não fez nada de errado, meu amor. Porque difícil?

Daniel: Eu que te levei lá, Maria.

Maria: Meu amor, eu fui lá não só por você, mas por várias pessoas.

Daniel: O Vander me ligou aqui agoniado...

Maria: E se ele não parar de emitir notas mentirosas vai piorar. Outra coisa, lá na Seduc o Mario foi querer proibir a minha entrada. A sua irmã apareceu lá para proibir tudo do IGAM. Isso não se faz, Daniel. É um direito do Instituto não compactuar com coisa desse tipo.

Daniel: Ei, Maria...Maria, o que tu espera fazendo isso contra o Governo?

Maria: Qualquer um que assuma, amigo, que venha querer superfaturar na saúde ...Todo mundo está morrendo no interior, não vou aceitar. Vou (denunciar) quantas vezes forem necessárias.

Daniel: É um governo de três meses...

Maria: Sim, mas por isso é que vão superfaturar em R$ 10 mil cada cirurgia, Daniel? Sendo que uma proposta cobrou R$ 1,1 mil. Justifica isso? Eu não vou ser omissa, Daniel. Esse pecado eu não vou levar para mim. Eu tentei conversar com o Vander várias vezes a respeito disso. Ele enganou um grupo de médicos. Ele fez 22 reuniões.

Daniel: Os outros governos fecharam as portas para você.

Maria: Fecharam as portas porque eu denunciei e vou denunciar quantos governos for, Daniel. Eu não vivo de governo, meu amor. O Instituto não sobrevive de governo.

Daniel: Maria, mas o que você fez foi sujeira.

Maria: Não foi sujeira, não. Epa! Sujeira quem fez foi o Vander. De quem vocês têm que ir para cima é do Vander, não é de mim, não. Eu não to mentindo.

Daniel: Se tu não precisava do governo porque tu me procurou, cara?

Maria: Eu procurei porque os projetos de saúde....o governo não é casa privada, não, Daniel. O governo é órgão público.

Daniel: Porque tu me procurou?

Maria: Procurei você, procurei o secretário (de Saúde), vários órgãos competentes, que tem que receber a população e os institutos. Sou uma mulher trabalhadora, responsável, lícita. Não quero que a população pague por erros...

Daniel: Você é uma mau-caráter.

Maria: Mau-caráter são vocês. Você me respeite.

Daniel: (inaudível)

Maria: Vocês que são mau-caráter, bandidos. Roubando a população, superfaturando e ligando para o meu celular me ameaçando. Isso vai ter consequência, Daniel.

Daniel: Sua puta...

Maria: Tchau, passar bem. Vai, fale mais que eu estou gravando.

Daniel: Vai te fuder, sua vagabunda.

Maria: Fale mais...

Daniel: Vagabunda e mentirosa.

Maria: Vagabundo é você, seu bandido. Bandidos, vão todos para a cadeia. Continua que vai para a mídia.
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Com quatro ministros no governo, tucanos dizem que Temer faz governo de cooptação


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Ressentimento

Abraham Lincoln escolheu o general Ulysses S. Grant para comandar as tropas da União contra os Estados rebeldes do Sul, na última fase da Guerra Civil americana, porque Grant não tinha “medo da matemática”. Os números que não assustariam Grant, segundo Lincoln, eram os de mortos e feridos, numa das guerras mais ferozes da História. Grant não decepcionou Lincoln e arrasou com o inimigo sem dó, com baixas terríveis dos dois lados. 

A guerra da secessão deles acabou oficialmente em 1865, com a derrota dos rebeldes, mas é só andar pelo sul dos Estados Unidos para duvidar da história oficial. Veem-se bandeiras da confederação sulista que enfrentou o Norte por todos os lados, comemorando uma vitória que não houve ou uma derrota gloriosa. Há toda uma cultura de ressentimento que mais de 150 anos não apagaram, e nota-se isso em tudo, do sotaque sulista deliberadamente carregado à música caipira e à exaltação de heróis e mártires como o general Robert E. Lee, comandante das tropas do Sul na guerra, cuja estátua em Charlottesville, ameaçada de vir abaixo, foi o pretexto para a manifestação fascista da semana passada, numa explosão de ressentimento.

A guerra aconteceu por uma causa nobre, na superfície: a abolição da escravatura. Teve outras causas, no fundo. Foi uma guerra entre interesses econômicos, o Norte do país em vias de se industrializar contra um modelo agropastoril que dependia do trabalho escravo para subsistir. Foi uma guerra de costumes, um Norte desenvolvendo-se com o trabalho e a influência liberal de imigrantes contra a aristocracia reacionária do Sul. E galvanizando essas diferenças, o ressentimento herdado por uma guerra perdida.

Implicância.

É implicância minha, eu sei, mas não entendo por que no Brasil “Juan” se pronuncia “Ruan”, como no espanhol. Existem falsos castelhanos, todos “Ruans” sem razão, no nosso futebol. São Juans de batismo, mas “Ruans” para narradores e comentaristas. Se “Ruan” é o certo, por que não “Rorge”, “Rair” ou até “Rosé”? Era o que eu queria dizer. Obrigado. Um abraço nos meus familiares.

Luís Fernando Veríssimo
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A palavra 'supremacistas' é filhote da atenuação de aparências

O sentimento antinegros nos Estados Unidos não precisa de mais do que a tolerância mal disfarçada que o ampara.

Mesmo depois que Rosa Parks tornou-se uma das maiores presenças do século 20, com a pura e emocionante atitude de sentar-se na área reservada aos brancos em um ônibus, quase vazio.

Com a recusa a ceder o lugar, sem gesto algum de desafio, sem sequer uma palavra grosseira, a um branco imperativo, a simples e heroica humanidade de Rosa Parks obrigou o presidente dos Estados Unidos, general Eisenhower, ao ato esquecido desde Lincoln de mandar ao Alabama tropas em defesa da igualdade entre seres humanos do seu país. Era 1955, há apenas 62 anos.

Kennedy, o sucessor, precisou tomar medidas de igual dureza. O movimento de defesa dos negros acirrou-se, criou grandes personagens da ação pacífica, sonhou com a igualdade pelas armas. Um a um, seus maiores líderes, pacifistas ou não, foram morrendo a bala. De lá para cá, a maioria dos Estados fez concessões importantes. Sem, no entanto, neutralizar a hipótese de que o faziam mais pela imagem desses Estados e do próprio país.

Com leitores/espectadores em todos os segmentos da população e, talvez mais preciosos, anunciantes suscetíveis, a imprensa e a TV influentes não se aplicaram, jamais, em esforços consequentes contra o "apartheid" e suas violências, físicas, psicológicas e morais.

Mudar as evidências negativas da "grande democracia" foi, de fato, o programa nacional, deliberado ou intuído, das instituições e núcleos de atividade pública como a TV, o cinema, a política.

Criada na universidade e injetada no jornalismo, a palavra "supremacistas" é filhote da atenuação de aparências. Supremacismo é, porém, termo aplicável a muitas condições e atividades. Na cabeça brasileira, até ao futebol, a ser visto forçadamente como o superior no mundo, mesmo quando a inferioridade é humilhante.

O sentimento e a ação antinegros nos Estados Unidos são mais do que supremacistas. Seu nome é racismo. Continua sendo e será enquanto exista. Palavra sem máscara. Nome específico, direto, preciso. Consagrado por seu caráter repulsivo, pelo tempo, por quem o porta e por quem o sofre.

Não há razão para acobertar o racismo, prática e nome, com um subterfúgio que só presta serviço aos racistas, de repente maquiados pela dubiedade de supremacistas. Se supremacismo retrata ódios brancos aos negros, alguém seria capaz de dizer que Hitler e o nazismo eram apenas supremacistas por seu ódio aos judeus?

A palavra supremacistas tem, para os racistas e o governo dos Estados Unidos, a mesma finalidade que militares, alguns integrantes do Supremo Tribunal Federal e parte dos meios de comunicação extraíram da palavra "excessos": nome (e justificativa) da tortura e dos assassinatos políticos nos quartéis.

Em estádios, hoje, torcedores que ofendem jogadores negros são reconhecidos, com unanimidade, como racistas. Porque racismo é racismo onde quer que se manifeste.

Supremacismo, além do mais, é palavra antijornalística – pela imprecisão, quando a precisão é possível; pela utilidade deformadora; e por sua hipocrisia.

Janio de Freitas
No fAlha
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