9 de ago. de 2017

Chacina de Pau D’Arco: juiz ignora morte e ameaças

Ao recusar prorrogar a prisão temporária dos 13 policiais – onze militares e dois civis – suspeitos de assassinarem dez agricultores (entre eles, uma mulher), em 24 de maio, na Fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco, no sul do Pará, o juiz substituto na comarca, Jun Kubota, da Vara Criminal do município de Redenção (PA), ainda em estágio probatório, desprezou os riscos que a investigação e testemunhas correm com os suspeitos em liberdade. Não se preocupou, sequer, em estabelecer medidas cautelares como a proibição desses policiais circularem na região, onde moram ou trabalham testemunhas do caso, entre os quais alguns colegas de farda dos suspeitos.

Kubota, na decisão, alegou que o representante do Ministério Público, ao solicitar a prorrogação da prisão temporária que inicialmente foi decretada 10 de julho, “não apresentou, até o presente momento, fato hábil que confira plausibilidade à extrema e comprovada necessidade da prorrogação da prisão temporária, motivo pelo qual seu deferimento violaria a expressa norma de regência. Ademais, não há elementos que apontem pela inexistência de outros meios disponíveis de investigação e de que os requeridos em liberdade comprometerão a colheita de informações e indícios, vez que todos os representados foram afastados da função pública“.

Ao que parece ele ignorou que três dias antes de o titular da Vara, juiz Haroldo Silva da Fonseca, decretar a prisão temporária dos 13 policiais, entre os quais o coronel Carlos Kened Gonçalves de Souza e o tenente Rômulo Neves de Azevedo, uma das testemunhas do caso, o agricultor Rosenilton Pereira de Almeida, foi assassinado. Morreu no município de Rio Maria, a 70 km ao norte de Redenção, com quatro tiros, disparados por dois homens em uma moto. Ou seja, características típicas de execução.

A vítima, segundo informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT), liderava um grupo de camponeses que voltou a ocupar a fazenda Santa Lúcia, quinze dias antes de ser assassinado. Por isso, para o CPT e outras entidades envolvidas na questão, como a ONG Justiça Global, essa morte é tratada como a 11ª da Chacina de Pau D’Arco.
Juiz Jun Kubota
Juiz Jun Kubota
Além da execução de Rosenilton, no sul do Pará há outros relatos de tentativa de interferência nas investigações, daquela que é considerada a segunda maior chacina envolvendo conflitos agrários. Perde apenas para a de Eldorado do Carajás (19 mortos, em abril de 1996).

Até colegas de farda que estiveram na Fazenda Santa Lúcia, no dia da chacina, mas não participaram dos assassinatos, sofreram pressões. Foram visitados em suas casas por colegas suspeitos ou emissários dos mesmos na tentativa de que não depusessem. Como eles, familiares e amigos das vítimas, além de outras testemunhas, receiam, a partir de agora, por suas vidas. Na cidade, sabe-se da vigília feita na porta da Polícia Federal de Redenção para identificação dos que foram prestar depoimento na investigação.

A legislação vigente – Lei nº 7.960/1989 (que dispõe sobre prisões temporárias) e a Lei nº 8.072/1990 (de crimes hediondos) – autoriza a prorrogação das prisões temporárias para a conclusão das investigações e o possível pedido de prisão preventiva. Mas o juiz considerou que “não basta a prova da materialidade e autoria do crime, devendo ser demonstrada a necessidade da medida para fins de investigação. Da mesma forma, a gravidade dos crimes investigados também não é fundamento suficiente para a decretação da medida (de prisão)”. 



Certamente surgirá a discussão se o Ministério Público deveria ter pedido prisão preventiva dos policiais no lugar da prorrogação da prisão temporária. Criminalistas entendem que seria mais adequado. Como se verifica na definição dos dois institutos no portal do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a prisão preventiva, “sem prazo pré-definido, pode ser decretada em qualquer fase da investigação policial ou da ação penal, quando houver indícios que liguem o suspeito ao delito”.

Ela em geral é pedida para proteger o inquérito ou processo, a ordem pública ou econômica ou a aplicação da lei. É vista como necessária para evitar que réu atrapalhe o andamento do processo, por meio de ameaças a testemunhas ou destruição de provas, e impossibilite sua fuga, o que garantirá que a pena imposta pela sentença seja cumprida.

Ao mesmo tempo, porém, ela encurtaria o prazo que do MP apresentar uma denúncia. Ou seja, obrigaria uma maior agilidade dos promotores e policiais na investigação.

Muito embora já tenham indícios que permitiram pedir a prisão dos envolvidos, os promotores do caso – Alfredo Amorim e Leonardo Cardoso – dependem de mais elementos para apresentarem uma denúncia, como explicou Cardoso. Por isso, entenderam que seria razoável pedir a prorrogação da prisão temporária, ganhando mais 30 dias nas investigações.

Enterro das vítimas, foto reprodução TV Liberal 

Já temos noção de quem participou, mas o trabalho maior é individualizar ao máximo a conduta de cada um. E também não limitar a investigação aos  executores. Precisamos identificar os mandantes. Sobre eles, temos indícios, mas é preciso aprofundar a investigação para não entrar com denúncia sem justa causa“, acrescentou Cardoso.

Os dois recorreram da decisão que libertou os suspeitos tanto ao próprio juiz, com um recurso extraordinário, como ao Tribunal de Justiça, em Belém, com um mandado de segurança. Esperam reverte-la para aprofundarem as investigações. Sem a modificação da decisão, Cardoso entende que será mais difícil contar com a colaboração das testemunhas, por conta do medo.

“Temos diversas testemunhas que apenas falaram após a prisão temporária. As investigações caminharam muito após isso. A soltura dos acusados certamente afetará o nosso trabalho”, concluiu.

Marcelo Auler
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Jornal “O Dia” retirou Igreja Universal de matérias sobre Marcelo Crivella durante as eleições


A relação entre o jornal “O Dia” e o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, marcada em março deste ano pela demissão de um jornalista após a publicação de uma matéria crítica à atual gestão, teve outro episódio nebuloso. Um levantamento feito por The Intercept Brasil mostra que ao menos quatro matérias colocadas no ar desde o fim de 2015 foram atualizadas numa mesma data: 14 de setembro de 2016. Em todos os casos, o objetivo foi mesmo: retirar qualquer referência de relação entre Crivella e a Igreja Universal do Reino de Deus, da qual ele é bispo licenciado.



As alterações das reportagens do site de “O Dia” coincidiram com um período em que a campanha do primeiro turno das eleições de 2016 esquentava. Naquela época, o Ibope divulgara a segunda pesquisa da corrida pela prefeitura do Rio, consolidando Crivella na liderança, com mais de dez pontos percentuais à frente do segundo colocado. O candidato do PRB, porém, ainda tinha que lidar com um índice de rejeição de 24%, quarto maior entre os 11 postulantes ao cargo. Por e-mail, o presidente de “O Dia”, Marcos Salles, negou qualquer interferência política no conteúdo editorial do jornal.

O incômodo de Crivella em ver seu nome relacionado à Universal chegou a ser alvo de uma reportagem de “O Estado de São Paulo”, publicada durante o segundo turno das eleições cariocas. Segundo o jornal, o então candidato havia omitido no site de sua campanha o fato de ser fiel e bispo licenciado da igreja, dizendo apenas que “nunca sofreu nenhum tipo de influência de líderes religiosos”. A relação também foi muito atacada pelo seu principal adversário, Marcelo Freixo (PSOL), que chegou a questionar o opositor, durante um debate na TV Globo, sobre o “projeto político da Universal para o Rio de Janeiro”. Crivella também é sobrinho de Edir Macedo, fundador da igreja.

Palavras e frases cortadas

Os textos publicados em “O Dia” tiveram desde a simples retirada de palavras que faziam a relação entre Crivella e a Universal até o corte de frases inteiras. Para fazer o levantamento, TIB utilizou o site Web Archive, que possui o registro de mais de 302 bilhões de páginas em diversas datas, e comparou com as versões atuais que estão no ar, atualizadas em 14 de setembro do ano passado.  

No dia 7 de agosto de 2016, dias antes do início da campanha eleitoral, o jornal publicou uma entrevista com o candidato do PRB, que já aparecia no topo das pesquisas. O título era uma frase com uma provocação ao futuro adversário nas urnas Pedro Paulo (PMDB), que vinha sendo minado por acusações de agressão à ex-mulher. “Bato na trave, mas não bato em mulher”, disse Crivella, fazendo também uma referência às suas próprias tentativas anteriores mal-sucedidas de conquistar um cargo no Executivo.

Nesta reportagem, há um breve perfil de Crivella antes da sequência de perguntas e respostas. E é aí que surge a modificação. A frase original do texto dizia que “aos 58 anos, o engenheiro e bispo licenciado da Igreja Universal não mede também críticas aos gastos de R$ 14 bilhões da prefeitura carioca com a Olimpíada”. Na matéria atualizada em 14 de setembro, a expressão “bispo licenciado da Igreja Universal” simplesmente desaparece.



Uma modificação semelhante já havia sido feita na reportagem “Pré-candidato a prefeito do Rio, Marcelo Crivella vai se filiar ao PSB”, publicada originalmente em 25 de fevereiro de 2016. Atualizada no mesmo 14 de setembro, a matéria que falava sobre uma aproximação com o senador Romário – que futuramente se transformaria em rusgas – teve também a expressão “bispo licenciado da Igreja Universal” retirada, numa referência que havia sido colocada logo no primeiro parágrafo.   

Interferência até em nota de coluna

As alterações foram ainda além no caso de uma coluna publicada em 22 de maio de 2016 pelo jornalista Paulo Capelli, cujo tema principal também era a aproximação entre Crivella e Romário. Para que a referência à igreja criada pelo tio do atual prefeito do Rio, Edir Macedo, não aparecesse mais, foi retirada uma nota inteira: “Amigos de (Hugo) Leal (deputado do PSB) dizem que o fator religioso pesou na decisão de não compor a possível chapa: ele é ligado à Igreja Católica; Crivella, à Igreja Universal do Reino de Deus”.



Da reportagem “Record denuncia família Picciani, que acusa emissora de fazer campanha“, publicada em 25 de novembro de 2015, houve a retirada de uma frase inteira que, originalmente, fechava o texto: “Ainda segundo a assessoria (de imprensa do deputado), (Jorge) Picciani e filhos ‘consideram o material veiculado uma clara demonstração de que a TV Record, ligada à Igreja Universal e ao bispo Marcelo Crivella, candidato declarado à Prefeitura do Rio no ano que vem, já iniciou a campanha eleitoral’”.



A matéria tratava de uma reportagem veiculada à época pela Rede Record que relacionava a família de Picciani a uma mineradora que forneceria brita para a Prefeitura do Rio. O presidente da Alerj disse que iria processar a emissora.

Cobertura positiva sobre o atual prefeito

Além das alterações em reportagens antigas, a própria linha editorial adotada por “O Dia” nas matérias que envolvem o atual prefeito do Rio mostra um tom bem mais positivo do que crítico.  Em junho passado, por exemplo, no meio da polêmica em torno do corte de verbas no carnaval carioca, o jornal deu destaque a uma reportagem em cima de uma pesquisa contratada pelo próprio veículo cujo título dizia que a decisão de Crivella era apoiada por 78% da população.

A pergunta principal do levantamento, realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas era: “Em São Paulo, a prefeitura destina R$ 25 por dia por crianças para as creches; em BH, R$ 20. No Rio, são R$ 10. Para destinar R$ 20 para as crianças das creches do Rio, o prefeito propôs diminuir os recursos que a prefeitura gasta com os desfiles das escolas de samba, passando de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão por escola. O sr.(a) concorda com esta diminuição?”.

Após a enchente que castigou a cidade em junho deste ano, uma das principais reportagens de “O Dia” sobre o assunto veio com o título “‘A cidade resistiu’, diz prefeito Marcelo Crivella após temporal no Rio de Janeiro”. Principal aposta para a sequência política da família, Marcelo Hodge Crivella, que agora adota o nome de Marcelo Crivella Filho, também tem periodicamente assinado uma coluna no jornal.

Prefeitura vai responder “do jeito que quiser”

Fundado na década de 1950, o jornal “O Dia” teve durante muitos anos o papel de um dos protagonistas da imprensa escrita carioca. Nos anos 1990, chegou a ter uma tiragem próxima a 500 mil exemplares aos domingos, com servidores públicos e aposentados entre os leitores fiéis. Na atual década, porém, a publicação entrou em uma grave crise, que provocou a demissão de diversos jornalistas. Em meio a atrasos de salários, profissionais chegaram a fazer uma paralisação em maio deste ano.  

Apesar da crise, o jornal pode ser um caminho para Crivella diante de uma realidade onde os outros dois grandes veículos impressos cariocas (“O Globo” e “Extra”) são controlados pelo Grupo Globo, adversário direto da Record, com histórica relação com a Igreja Universal.

Enquanto “O Dia” esconde as relações do atual prefeito com a igreja, “O Globo”, por exemplo, tem soltado constantemente reportagens que abordam o tema, como a presença de Crivella em cultos da Universal na África do Sul ou a cantoria no Senado em homenagem à igreja.

TIB enviou, na manhã desta terça (8) para a assessoria de imprensa do prefeito Marcelo Crivella as seguintes perguntas:

– O prefeito teve algum tipo de interferência, fez algum tipo de pedido para que reportagens que o relacionassem à Igreja Universal fossem editadas?

– O prefeito exerce algum tipo de influência editorial no jornal “O Dia”?

– Quanto a prefeitura gastou em publicidade em jornais impressos este ano e, deste valor, quanto foi destinado ao jornal “O Dia”?

Daniel Pereira, um dos assessores de imprensa da Prefeitura do Rio, ligou para a reportagem dizendo que havia se sentido “ofendido com as perguntas”. Em resposta ao pedido de que  enviasse as respostas por e-mail, afirmou que responderia “do jeito que quisesse”.
Por isso, a orientação que repassei à redação é que cada um deles seja tratado exclusivamente por sua atuação no Legislativo ou no Executivo e não por sua religião, como acontecia até então.
O presidente de “O Dia”, Marcos Salles, que assumiu o cargo em meados do ano passado, enviou por e-mail as seguintes respostas:

– O prefeito teve algum tipo de interferência, fez algum tipo de pedido para que reportagens que o relacionassem à Igreja Universal fossem editadas?

– Desde que assumi a presidência da empresa, determinei que não houvesse qualquer discriminação no nosso noticiário quanto à opção religiosa de qualquer político. Por isso, a orientação que repassei à redação é que cada um deles seja tratado exclusivamente por sua atuação no Legislativo ou no Executivo e não por sua religião, como acontecia até então. A imprensa nunca qualificou outros candidatos por sua opção religiosa, fazê-lo agora seria um ato discriminatório.

– O prefeito exerce algum tipo de influência editorial no jornal “O Dia”?

– Não há qualquer interferência política ou partidária no conteúdo editorial do jornal, o que inclui a figura do prefeito.

Ruben Berta
No Intercept
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Mercadante: “MEC de Temer manipula a realidade”


Após mais de um ano do governo de Michel Temer, que promove um retrocesso sem precedentes na história da educação, com autoritarismo, falta de diálogo, cortes e desmontes que vão desde a creche até a pós-graduação, novamente, a atual gestão do Ministério da Educação, de Mendonça Filho, manipula realidade. É flagrante mais uma tentativa de esconder os retrocessos e as dificuldades de gestão, procurando responsabilizar a gestão anterior pelos desmandos e total abandono da educação brasileira.

No governo da presidenta Dilma, o Plano Nacional de Educação (PNE) representou uma conquista histórica da educação brasileira e ocupava papel estratégico nas políticas de acesso, permanência e qualidade. Foi resultado de ampla participação social, aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado sem vetos.

Diferente do que afirma a atual gestão, com o PNE aprovado, as ações do MEC se pautaram pela realização de um planejamento estratégico (Portaria 822/2015), que garantiu continuidade das ações e maior efetividade ao Plano. Para isto o MEC criou um escritório de processos, responsável pelo detalhamento das ações necessárias para o êxito de cada metas e estratégia, estipulando os prazos e responsáveis pelos resultados, que foram sistematicamente monitorados durante os dois anos primeiros anos do PNE.

Um passo inédito na história do país a ser registrado é que, quando o ministro Mercadante deixou o MEC, apenas um estado e nove municípios não tinham plano de educação. Sendo que foram, em sua grande maioria, elaborados em diálogo com a sociedade e seguindo orientações de uma ação tripartite, entre o MEC, Undime e Consed, que permitiu o alinhamento das metas e a reorientação do principal instrumento de financiamento do Governo Federal aos Estados e municípios – o PAR (Plano de Ações Articuladas).

Dois anos depois do PNE aprovado, estes planos se consolidaram por meio de uma Rede de Assistência Técnica dedicada ao seu monitoramento. Quando Mercadante deixou o MEC, mais de 5 mil municípios, 23 Estados e o DF aderiram a este processo, que sem dúvida dão maior efetividade aos planos subnacionais e aderência ao Plano Nacional.

Outro passo importante foi a criação de duas instâncias fundamentais de pactuação: a Instância Permanente de Negociação Federativa (Portaria 618/2015) e o Fórum Permanente de Acompanhamento da Atualização Progressiva do Valor do Piso Salarial Nacional (Portaria 618/2015). Nos dois primeiros anos de PNE, essas instâncias foram instaladas e tiveram funcionamento regular, iniciando um novo modelo de diálogo e relacionamento do Ministério da Educação com os demais entes federativos e com os profissionais da educação, antecipando estruturas centrais do futuro Sistema Nacional de Educação.

No que diz respeito ao orçamento do MEC, em 2016, a Câmara dos Deputados, influenciada exclusivamente pelo movimento golpista, não votou a alteração do déficit fiscal, bloqueando o orçamento e não instalou nenhuma das comissões da referida casa legislativa com objetivo de criar um clima para o afastamento da presidenta Dilma Rousseff. Após a saída da presidenta, o Congresso Nacional aprovou mudança da meta, o que permitiu a restituição temporária de R$ 4,2 bilhões ao orçamento Ministério da Educação. Importante destacar que, o orçamento de 2017, que está atualmente em vigor, com grave contingenciamento na educação de R$4,6 bilhões, foi totalmente planejado e aprovado pela gestão Mendonça Filho.

Quanto ao CAQ, um dos temas de elevado custo e complexidade dentro do PNE, foi criado, em maio de 2015, por meio da Portaria nº459, o GT-CAQ. O grupo tinha a finalidade de buscar convergência e aprofundar os estudos em torno do tema do custo-aluno-qualidade. O GT trabalhou de forma intensa, realizou estudos e ouviu dezenas de especialistas e lideranças. No prazo definido pela Portaria, em setembro de 2015, encaminhou um ensaio de mecanismo possível de implementação gradual do Custo Aluno Qualidade inicial (CAQi), detalhado em um relatório de mais de cem páginas, disponível no Ministério da Educação.

Em linhas gerais, a proposta deste primeiro GT previa a vinculação do financiamento a um Sistema Nacional de Avaliação, com dimensões que iam além dos insumos propostos inicialmente. O estabelecimento de padrões nacionais de qualidade considerava, além dos insumos, aspectos socioeconômicos do ambiente, oferta de vagas, condições e formação dos professores, entre outros.

Devido à complexidade do tema e de divergências ainda relevantes, em março de 2016, foi criada a Comissão Interinstitucional para Implementação do Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi) e o CAQ (Portaria MEC nº 142, de 16 de março de 2016). A comissão é composta por representantes do MEC, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Fórum Nacional de Educação (FNE) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

A criação desta segunda comissão foi feita em comum acordo com movimentos sociais, representantes dos trabalhadores de educação e com Fórum Nacional de Educação e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Teve, também, o objetivo de ampliar os debates e a participação social na consolidação do tema.

A Comissão Interinstitucional tem o prazo de funcionamento de no máximo dois anos de trabalho, tempo para definir a metodologia de implementação, e propor mecanismos federativos de cooperação e colaboração para implementação do CAQi e CAQ, além do levantamento de fontes de financiamento para viabilizá-los.

A Meta 20 do PNE, financiamento, determinante para quase todas as demais metas, não foi equacionado pelo Congresso Nacional. Apesar disto, tivemos um extraordinário do esforço do governo Dilma que investiu R$ 54 bilhões acima do piso constitucional para educação. No ano de 2015 o orçamento da educação representava 24% da receita da União e não apenas o piso de 18% como exige a Constituição. Aprovamos também uma nova e promissora fonte de receita, com a vinculação dos royalties e do fundo social do pré-sal para educação pública.

A gestão do então ministro Mercadante sempre foi pautada pelo diálogo democrático e pela ampla participação social. Diferente da atual gestão do governo golpista que tem esvaziado as instâncias de diálogo e participação popular, como a tentativa de desmonte do Fórum Nacional de Educação e inviabilização da sociedade civil na Conferência Nacional da Educação definida pelo próprio PNE. Outro exemplo de atitudes autoritárias e desagregadoras foi a tentativa de imposição da Medida Provisória do ensino médio, que levou a ocupação de mais de 1.000 escolas e um conflito profundo, generalizado e desnecessário.

Foram diversos os avanços e conquistas na educação ao longo dos 13 anos de governos do PT. Não podemos deixar de registrar alguns passos relevantes para aqueles que acreditam em uma educação pública com qualidade e para todos: o próprio PNE; O Pacto pela Alfabetização na Idade Certa e a Avaliação Nacional de Alfabetização; o Fundeb; o Ideb e o Sinaeb; o Pape para implementar uma busca ativa dos estudantes fora da escola; o Pibid, Parfor, a UAB e a Universidade em Rede dos Professores para formação docente; o Mais Educação e o Ensino Médio Inovador para ampliar as escolas em tempo integral, o Pronatec com mais de 9,4 milhões de matrículas em educação técnica e profissionalizante; o novo Sinaes para avaliação da educação superior; a Hora do Enem; o novo Enem, Fies, Prouni e a Lei de Cotas para democratização do acesso à educação superior com 5 milhões de novas matrículas; o Ciência Sem Fronteiras e a duplicação da oferta dos cursos de mestrado e doutorado na pós-graduação; a expansão das Universidades Federais e a criação e expansão dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, entre outras.

Todas são iniciativas criadas e implementadas nos governos Lula e Dilma, que promoveram a maior política de acesso, permanência e avanço na qualidade educacional da história do Brasil.

Ressaltamos, ainda, o aspecto mais grave da atual gestão que é o apoio do ministro Mendonça Filho à emenda constitucional 95, que estabeleceu um teto para os gastos sociais e na prática pretende congelar as verbas públicas para a educação pelos próximos 20 anos. Esta medida do governo Temer representa o fim não apenas do CAQI e CAQ, mas do próprio PNE. O retrocesso está em cada escola e universidade pública, lamentavelmente, o retrocesso generalizado é o que estamos assistindo na educação.

Assessoria de Imprensa
Aloizio Mercadante
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Globo achata salários de atores. É a crise!


No final de junho, o colunista Ricardo Feltrin postou no UOL: “Nos últimos sete anos os salários em quase todos os setores da Globo caíram muito ou sofreram mudanças trabalhistas, de forma que a emissora gastasse menos. Isso aconteceu também na dramaturgia, onde contratos nababescos e ou de longa duração são hoje uma exceção”. Especialista em mídia, ele citou um caso concreto. “De todo o setor da dramaturgia, o que sofreu o maior ‘baque’ foi a produção de ‘Malhação’. Um dos mais importantes produtos da casa, ‘Malhação’ tem um histórico de gerar muitos talentos para a Globo nos últimos 22 anos”.

“Até o início desta década, além de ser uma ótima oportunidade profissional e do status em si, trabalhar em ‘Malhação’ dava ótimos salários, que não raro eram de dois dígitos. Bom, mas esses anos dourados acabaram. Na temporada atual, segundo levantamento feito pela coluna, atrizes centrais como Gabriela Medvedovski (Keyla), Manoela Aliperti (Lica), Heslaine Vieira (Ellen), entre outras, ganham entre R$ 4.000 e R$ 4.500 mensais (por obra ou temporada). Está longe de ser um salário baixo para jovens profissionais, mas é bem menos da metade do que a Globo pagava em 2010 para o primeiro escalão de sua novelinha teen. Atores e atrizes secundários da história, porém, podem receber menos da metade disso (R$ 2.000)”.

O arrocho não atingiu somente as estrelas da Globo. “Em ‘Malhação’, os ganhos não caíram só para artistas, mas também na produção. Um diretor de cenas externas sete anos atrás ganhava até R$ 16 mil. Hoje mal chega à metade. Uma produtora em 2010 ganhava o equivalente hoje a R$ 10 mil, e era contratada. Hoje, não chega a R$ 5.000. E provavelmente ela é PJ. Houve uma mudança radical na emissora na questão trabalhista. Muitos setores que no passado eram formados por funcionários registrados em carteira hoje são ocupados por ‘unidades’ de pessoas jurídicas. Até mesmo o cachê de figurantes, que são todos terceirizados, foi achatado. Em alguns casos os figurantes recebem apenas R$ 60 por um dia inteiro de gravação”.

Efeitos da crise econômica

No final do seu artigo, Ricardo Feltrin até tentou aliviar a barrar dos filhos de Roberto Marinho – eleitos pela revista Fortune como as maiores fortunas do Brasil. “A queda nos cachês e salários nos últimos anos impressiona, mas é importante lembrar que isso decorre de ajustes do Grupo Globo ao que ele considera a realidade da economia ano após ano. A Globo não está sendo perversa. Cortar gastos é a regra em qualquer corporação. Não se trata de uma questão moral, mas de saúde financeira. Mas, de fato, chama a atenção que artistas que estão no ar em rede nacional ganhem tão pouco”.

Já no início deste mês de agosto, outras duas notinhas confirmaram as dificuldades da emissora, que são decorrentes – entre outros fatores – do agravamento da crise econômica no país que a famiglia Marinho tenta esconder dos seus telespectadores. Na terça-feira (1), o site UOL informou que “a Globo não renovou o contrato com Fernanda Souza, assim como tem feito com vários atores da emissora ao optar assinar contratos por obra. Após 18 anos e participações em mais de 10 novelas, Fernanda continua contratada apenas do Multishow, da Globosat, onde apresenta o ‘Vai Fernandinha’”.

E na quinta-feira (3), o mesmo Ricardo Feltrin relatou que a crise não afeta apenas o setor de dramaturgia. A área de esportes, que sempre rendeu muita grana à famiglia Marinho, também patina. “A Globo acaba de apresentar ao mercado publicitário a sua proposta de patrocínio para a Copa da Rússia 2018. Ela está colocando seis cotas de patrocínio ‘master’ à venda, cada uma por R$ 180 milhões (valor de tabela cheia). Se vender as seis, a emissora espera faturar cerca de R$ 1,08 bilhão. Isso representará uma queda em torno de 25% em relação ao faturamento na Copa do Mundo no Brasil... Uma das explicações possíveis para essa redução de expectativas da Globo é que ela enfrenta, como todos os negócios, a crise econômica no país”.

Outras TVs estão na UTI

Mas não é apenas a poderosa Rede Globo que sente os efeitos do agravamento da crise. Toda a mídia hegemônica, que protagonizou o golpe que alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer, achava que iria se safar das dificuldades com as benesses do governo. Além da motivação política-ideológica, ela conspirou contra a democracia por razões mercenárias. Esta manobra, porém, não deu certo e vários veículos estão afundando. Como aponta Flávio Ricco, em matéria postada no UOL, várias emissoras já estão na UTI. “A situação de algumas TVs ainda não é desesperadora, mas está bem perto disso”.

“A Band, por exemplo, sobrevive e consegue fazer frente a alguns dos seus compromissos, graças ao que arrecada com igrejas e empresas como a Avatar, uma das responsáveis pelos caça-palavras. Só o ‘MasterChef’, como produção própria e rentável, não segura. Assim como ela, a RedeTV!, Rede Brasil e outras tantas, já de algum tempo, têm sobrevivido devido ao comércio da venda de horários, prática que também contribuiu de forma bem importante para que chegassem ao estágio em que se encontram. É muito triste. Mas absolutamente coerente dizer que a televisão no Brasil, exceção feita às três principais, Globo, SBT e Record, está na UTI. E em estado muito delicado”.

O texto acima foi publicado em junho. Já nesta terça-feira (8), o mesmo colunista realçou que nem o mercenário Silvio Santos está salvo. “Consumando o que já se ensaiava, o SBT promoveu várias demissões na semana passada, reduzindo a operação de quase todas as suas produções. Entre elas, a do Ratinho. Nem a condição de vice-líder diário o desobrigou de diminuir os seus quadros, com isso criando dúvidas de como será o seu funcionamento a partir de agora. E se terá condição de manter esta posição, no instante em que passa a contar com apenas um roteirista, uma assistente e nenhum diretor de externas”.

Altamiro Borges
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Internet sob Ataque!


Manifesto da Coalizão Direitos na Rede

Diante de um cenário político de ameças constantes e crescentes às liberdades e direitos dos cidadãos e cidadãs na Internet, as entidades relacionadas abaixo decidiram juntar forças e lançar a Coalizão Direitos na Rede. Nosso objetivo é defender princípios fundamentais para a garantia de uma Internet com acesso universal, respeito à neutralidade da rede, liberdade de informação e de expressão, segurança e respeito à privacidade e aos dados pessoais, assim como assegurar mecanismos democráticos e multiparticipativos de governança.

Entre essas ameaças, destacamos uma série de ataques a direitos expressos na Constituição Federal e na Lei Geral de Telecomunicações, no que diz respeito à universalização da infraestrutura de telecomunicações que serve de suporte ao acesso à Internet, bem como aos direitos conquistados com o Marco Civil da Internet e seu regulamento, o Decreto 8.771, de abril de 2016.

O teor da Portaria 1.455, de abril de 2016, editada pelo extinto Ministério das Comunicações, que estabeleceu diretrizes para que a ANATEL promova a revisão do atual modelo de prestação dos serviços de telecomunicações. O texto minimiza obrigações de universalização e elimina o instituto da reversibilidade, relativizando a atribuição constitucional exclusiva da União de garantir o acesso às telecomunicações, e comprometendo a implantação democrática da infraestrutura de suporte de acesso à Internet;

As recorrentes violações ao Marco Civil da Internet na oferta de banda larga móvel, com a prática do zero-rating associada a franquias de dados extremamente reduzidas e ao bloqueio do acesso. A iniciativa das operadoras de telecomunicações de transferir esse modelo de negócios para a banda larga fixa, ampliando o desrespeito ao direito à não interrupção da conexão e à neutralidade da rede,nos termos do Marco Civil da Internet. Essas práticas aprofundam as desigualdades e vão de encontro ao reconhecimento do acesso à Internet como direito universal e como serviço essencial;

O relatório resultante da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Crimes Cibernéticos e suas respectivas propostas de projetos de lei que, assim como outros PLs em tramitação no Congresso Nacional, põem em risco os direitos estabelecidos pelo Marco Civil da Internet, em especial a privacidade, a liberdade de expressão e de informação nas redes. A ameaça é reforçada com a recente aprovação na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados de projeto de lei que autoriza o acesso sem ordem judicial a dados cadastrais (qualificação pessoal, endereço e filiação) pela polícia e pelo Ministério Público em qualquer investigação.

O bloqueio a sites e aplicativos com base em práticas correntes nas redes, como o compartilhamento de conteúdos e arquivos, e em decisões judiciais de primeira instância que têm afetado o acesso à informação e à liberdade de expressao de milhões de brasileiros;

O não reconhecimento da relevância da construção democrática e participativa do Projeto de Lei 5.276/2016, que trata de “dados pessoais para a garantia do livre desenvolvimento da personalidade e dignidade da pessoa natural”, secundarizando sua aprovação no Parlamento diante de outras propostas em tramitação no Legislativo e desconsiderando a maneira balanceada como, até então, o texto atende a padrões internacionais de proteção da privacidade.

A aprovação do Decreto Nº 8.789, de 29 de junho de 2016, que trata do compartilhamento de bases de dados na administração pública federal sem nenhuma consideração de privacidade ou anonimização dos dados dos cidadãos, particularmente neste contexto de ausência de uma lei de proteção de dados pessoais.

Os debates extraoficiais, noticiados pela imprensa especializada, de que se pretende enquadrar a Internet como serviço de telecomunicações, comprometendo sua governança multissetorial com a participação do Comitê Gestor da Internet no Brasil, conforme determina o Marco Civil da Internet e o Decreto 8.771, de 11 de maio de 2016.

Diante deste cenário, a Coalizão Direitos na Rede lança no VI Fórum da Internet no Brasil a campanha Internet sob Ataque, que denunciará as ameaças em curso e buscará promover um amplo debate com a sociedade brasileira sobre estes temas. A Coalizão também passará a atuar de maneira articulada para a proteção e defesa dos seguintes princípios:

1 - Acesso universal à infraestrutura de telecomunicações e ao serviço de conexão à Internet, com vistas a assegurar o caráter universal e a prestação contínua e sem limites, com qualidade dos serviços e com respeito à neutralidade da rede;

2 - Proteção da privacidade e dos dados pessoais, visando à aprovação de uma lei de proteção de dados pessoais, bem como a manutenção dos direitos estabelecidos no Marco Civil da Internet, entre outras legislações que tratam do tema. Assegurar que ninguém esteja sujeito à vigilância, interceptação de comunicações ou coleta arbitrária e ilegal de dados pessoais, nem mesmo para fins de segurança nacional.

3 - Garantia da liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento, inclusive com a manutenção das salvaguardas a intermediários estabelecidas no Marco Civil da Internet.

4 - Fortalecimento do Comitê Gestor da Internet no Brasil, preservando suas atribuições e seu caráter multissetorial, como garantia da governança multiparticipativa e democrática da Internet.

Porto Alegre, 13 de julho de 2016.

Actantes
Articulação Marco Civil Já
Artigo 19
ASL — Associação Software Livre
Casa da Cultura Digital de Porto Alegre
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
Ciranda da Comunicação Compartilhada
Coding Rights
Colaboratório de Desenvolvimento e Participação — COLAB-USP
Coletivo Digital
Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-RJ
Garoa Hacker Clube
Grupo de Estudos em Direito, Tecnologia e Inovação do Mackenzie
Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso a Informação/GPoPAI da USP
Idec — Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
Instituto Beta: Internet & Democracia

Contra os ataques do governo Temer ao Comitê Gestor da Internet no Brasil

A Coalizão Direitos na Rede vem a público repudiar e denunciar a mais recente medida da gestão Temer contra os direitos dos internautas no Brasil. De forma unilateral, o Governo Federal publicou nesta terça-feira, 8 de agosto, no Diário Oficial da União (D.O.U.), uma consulta pública visando alterações na composição, no processo de eleição e nas atribuições do Comitê Gestor da Internet (CGI.br).

Composto por representantes do governo, do setor privado, da sociedade civil e por especialistas técnicos e acadêmicos, o CGI.br é, desde sua criação, em 1995, responsável por estabelecer as normas e procedimentos para o uso e desenvolvimento da rede no Brasil. Referência internacional de governança multissetorial da Internet, o Comitê teve seu papel fortalecido após a promulgação do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) e de seu decreto regulamentador, que estabelece que cabe ao órgão definir as diretrizes para todos os temas relacionados ao setor. A partir de então, o CGI.br passou a ser alvo de disputa e grande interesse do setor privado.

Ao publicar uma consulta para alterar significativamente o modelo do Comitê Gestor de forma unilateral e sem qualquer diálogo prévio no interior do próprio CGI.br, o Governo passa por cima da lei e quebra com a multissetorialidade que marca os debates sobre a Internet e sua governança no Brasil.

A consulta não foi pauta da última reunião do CGI.br, realizada em maio, e nesta segunda-feira, véspera da publicação no D.O.U., o coordenador do Comitê, Maximiliano Martinhão, apenas enviou um e-mail à lista dos conselheiros relatando que o Governo Federal pretendia debater a questão – sem, no entanto, informar que tudo já estava pronto, em vias de publicação oficial. Vale registrar que, no próximo dia 18 de agosto, ocorre a primeira reunião da nova gestão do CGI.br, e o governo poderia ter aguardado para pautar o tema de forma democrática com os conselheiros/as. Porém, preferiu agir de forma autocrática.

Desde sua posse à frente do CGI.br, no ano passado, Martinhão – que também é Secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – tem feito declarações públicas defendendo alterações no Comitê Gestor da Internet. Já em junho de 2016, na primeira reunião que presidiu no CGI.br, após a troca no comando do Governo Federal, ele declarou que estava “recebendo demandas de pequenos provedores, de provedores de conteúdos e de investidores” para alterar a composição do órgão.

A pressão para rever a força da sociedade civil no Comitê cresceu, principalmente por parte das operadoras de telecomunicações, apoiadoras do governo. Em dezembro, durante o Fórum de Governança da Internet no México, organizado pelas Nações Unidas, um conjunto de entidades da sociedade civil de mais de 20 países manifestou preocupação e denunciou as tentativas de enfraquecimento do CGI.br por parte da gestão Temer. No primeiro semestre de 2017, o Governo manobrou para impor uma paralisação de atividades em nome de uma questionável “economia de recursos”.

Martinhão e outros integrantes da gestão Kassab/Temer também têm defendido publicamente que sejam revistas conquistas obtidas no Marco Civil da Internet, propondo a flexibilização da neutralidade de rede e criticando a necessidade de consentimento dos usuários para o tratamento de seus dados pessoais. Neste contexto, a composição multissetorial do CGI.br tem sido fundamental para a defesa dos postulados do MCI e de princípios basilares para a garantia de uma internet livre, aberta e plural.

Por isso, esta Coalizão – articulação que reúne pesquisadores, acadêmicos, desenvolvedores, ativistas e entidades de defesa do consumidor e da liberdade de expressão – lançou, durante o último processo eleitoral do CGI, uma plataforma pública que clamava pelo “fortalecimento do Comitê Gestor da Internet no Brasil, preservando suas atribuições e seu caráter multissetorial, como garantia da governança multiparticipativa e democrática da Internet” no país. Afinal, mudar o CGI é estratégico para os setores que querem alterar os rumos das políticas de internet até então em curso no país.

Nesse sentido, considerando o que estabelece o Marco Civil da Internet, o caráter multissetorial do CGI e também o momento político que o país atravessa – de um governo interino, de legitimidade questionável para empreender tais mudanças – a Coalizão Direitos na Rede exige o cancelamento imediato desta consulta.

É repudiável que um processo diretamente relacionado à governança da Internet seja travestido de consulta pública sem que as linhas orientadoras para sua revisão tenham sido debatidas antes, internamente, pelo próprio CGI.br. É mais um exemplo do modus operandi da gestão que ocupa o Palácio do Planalto e que tem pouco apreço por processos democráticos. Seguiremos denunciando tais ataques e buscando apoio de diferentes setores, dentro e fora do Brasil, contra o desmonte do Comitê Gestor da Internet.

8 de agosto de 2017, Coalizão Direitos na Rede

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O golpe em curso só para quando desmontar o Estado nacional

Só uma reação popular pode evitar um retorno à era pré-Vargas, do Brasil agroexportador e importador de todo o resto

Temer: hoje ele é a face da destruição do legado varguista
As atenções dos analistas se voltam para a rejeição, pela Câmara dos Deputados (a mesma que depôs Dilma Rousseff), do pedido de licença do STF para processar o ainda presidente da República. Exegetas de todos os naipes se esmeram na procura de significado nos números de votos pró e contra abertura de processo, e há os que perscrutam os astros à procura de luz para a gritante indiferença popular. Teria o povo, cansado e decepcionado, desistido do país, ou simplesmente se deu conta da inutilidade de seu empenho diante de uma partida já decidida na ausência de escolha, pois tratava-se, aquela votação, tão-só de trocar, ou não, seis por meia dúzia?

Ora, o relevante para os grupos que se apossaram do poder, cevados desde o Brasil colônia na sonegação de impostos, na corrupção e na grilagem, não é a escolha do timoneiro sem autonomia; o que os mobiliza, na verdade escancarada, é a sustentação e aprofundamento do desmonte da “Era Vargas”, o sonho da casa-grande desde a intentona de 1932, até hoje cultuada pela oligarquia paulista.

Vargas é ainda o espectro que rouba o sono da Avenida Paulista. As menções a reformas e mais isso e mais aquilo são a senha para impor o ajuste de contas e, com a revivência do passado, impedir o parto do futuro, a saber, a emergência de sociedade menos injusta e mais inclusiva, pois era esse o limite do varguismo e dos projetos do trabalhismo, apodado de "populismo de esquerda" pela sociologia paulista, que jamais dialogou com Florestan Fernandes.  

O combate à "Era Vargas", e, por extensão, ao trabalhismo de um modo geral, o que explica o ódio incontido a Jango e a Brizola, foi sempre o grande leitmotiv dos grupos exportadores, das casas de comércio importadoras e do capital financeiro imperialista. Por isso mesmo, o anti-varguismo encontraria campo fértil para sua disseminação em São Paulo, cuja industrialização ocorreu a despeito do reacionarismo das oligarquias agrárias, que, todavia, impuseram o viés conservador. 

Ali, a reorganização e politização do sindicalismo, já ao final da ditadura de 1964 e sob a égide da nascente "era Lula", teria como elemento aglutinador o combate ao "peleguismo" – termo grafado pela direita para indicar, pejorativamente, o sindicalismo herdado de Vargas e partilhado com os dirigentes comunistas, do antigo "Partidão". Para o petismo daquele então a CLT era uma arcaica tradução da Carta del lavoro, de Mussolini, e Vargas apenas um ditador. Por seu turno, o tucanato, nascido de uma costela do PMDB (de onde herdou o DNA), anunciava, pela voz de FHC, seu grande sonho: "varrer a Era Vargas".  

O primeiro grande golpe contra a "Era Vargas", pós-redemocratização de 1946, foi disparado em 1954 com a sublevação militar (Eduardo Gomes, Juarez Távora, Pena Boto) que, açulada pela direita civil (Carlos Lacerda à frente) impôs a deposição de Vargas. O antigo ditador, agora presidente eleito e democrata, se viu acossado por haver ousado atribuir ao Estado o papel de indutor do desenvolvimento, consubstanciado na criação do BNDE, da Eletrobrás e da Petrobras. Quando lhe puxaram o tapete do apoio militar, o presidente não tinha mais condições de apelar às massas, pois seu sindicalismo de cooptação deixara de ser a vanguarda dos trabalhadores.

Naquele 24 de agosto as massas, até então silentes, saíram às ruas, desorientadas, numa explosão de desespero. Mas àquela altura já era tarde, só lhe restando chorar a morte de seu líder.

Quando esse varguismo ressurge com a eleição de Juscelino Kubitschek, em 1955, a mesma direita de 1954, agora no poder,  intenta o impedimento da posse dos eleitos, enfim desarmado pela dissidência do Marechal Lott no episódio do "11 de novembro", que já faz parte da História.

Poucos anos passados, em 1961, frustrado o golpe populista de Jânio Quadros, as forças civis e militares de sempre intentaram impedir a posse do vice-presidente João Goulart. O veto a Jango repetia o discurso de 1954 e 1955. Sob a liderança do então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, as forças populares se levantaram em defesa da legalidade. A irrupção derrubou o veto a Jango mas não teve forças para evitar o golpe do parlamentarismo, traficado nas caladas da noite entre forças políticas e militares. Como sempre, a conciliação da classe dominante prevaleceu. Para assegurar a posse de Jango, impôs-se emenda parlamentarista votada às pressas, mediante a qual, despido de poderes, o herdeiro de Vargas assumiria a Presidência, mas sem condições de governar.

Em 1964, o quadro se reproduz (a História brasileira é recorrente), com desfecho consabido, e a direita obtém, com a deposição de Jango, afinal lograda, e a implantação de uma ditadura longeva, aquela que parecia ser sua definitiva vitória sobre a "Era Vargas". Entretanto, já era outro, então, o Brasil. Castello não conseguiu fazer o sucessor, e os governos militares que se sucederam restabeleceram o compromisso com o desenvolvimento, embora autocrático, e sob a égide de forte repressão que compreendeu prisão, tortura e assassinatos.

A ditadura é finalmente derrotada, mas não a persistente tentativa de aplastar a "Era Vargas", que continuava a incomodar. Depois do assalto collorido, tivemos o neoliberalismo antivarguista e antinacional dos anos FHC, afinal superados pelas eleições de Lula. 

Mas, o que era (é) o varguismo, ou pelo menos o que ele simbolizava para o País e a nação? Pinço alguns aspectos e o primeiro deles é a proteção (paternalista, se quiserem) dos trabalhadores, cuja grande marca – daí o ódio que desperta – é a Consolidação das Leis do Trabalho, editada ainda sob o Estado Novo. O varguismo pode ser identificado ainda pela opção por um desenvolvimentismo de viés industrial e tentativamente autônomo, donde a opção por políticas nacionalistas e a busca de soberania. Seus símbolos são o salário mínimo, a Previdência Social, o BNDE, o monopólio estatal do petróleo e a Petrobras, a Eletrobrás, a consolidação do CNPq e da universidade pública e, símbolo maior, nessa análise, a Cia. Siderúrgica Nacional, assegurando o aço sem o qual não se poria de pé o sonho industrialista.

E aqui se encontram o varguismo e o lulismo, malgré lui même, pois, conscientemente ou não, os governos lulistas, principalmente os dois primeiros, foram administrações programaticamente similares ao varguismo, e, por isso mesmo tão violentamente rechaçados pela oligarquia agroexportadora, mais e mais acompanhada por seitas evangélicas neopentecostais. Quais são suas características marcantes senão o desenvolvimento autônomo, a defesa da empresa nacional, a  emergência das massas, e a utilização do Estado como indutor do desenvolvimento? Essa raiz varguista decretou o fim do mandato dilmista, pela necessidade de brecar a continuidade do projeto lulista, que pode ser medido com os seguintes números: de 2001 a 2009 a renda per capita dos 10% mais ricos cresceu 1,5% ao ano, enquanto a dos 10% mais pobres aumentou à taxa anual de 6,8%.

A reação ao lulismo ou o combate anacrônico ao varguismo, objetivado a partir da deposição da presidente Dilma, não se encerra com a ruptura de 2016, pois, sua tarefa atual é cerrar as vias de seu retorno (do lulismo), amanhã, em 2018 ou quando houver eleições. Enquanto isso, remover as conquistas sociais que remontam seja ao varguismo, seja ao lulismo.

Para tal desiderato a direita não medirá esforços nem julgará meio que levem à destruição do ex-presidente e do que ele, independentemente de sua vontade, representa para o povo brasileiro, por que não há, da parte da direita (a História o demonstra sobejamente), qualquer compromisso com a democracia representativa. Isso quer dizer que as eleições até podem ser realizadas— advirtamos sempre – mas se de todo for afastada a hipótese de recidiva lulista, com Lula ou sem ele. Mas, como a principal ameaça eleitoral é o ex-presidente, torna-se fundamental removê-lo do pleito, como for dado. Se de todo revelar-se impossível deter sua candidatura (as pesquisas de opinião indicam que hoje ele teria algo como 50% das opções de voto), o golpe de mão, relembrando 1961, será ou um ‘presidencialismo mitigado’, ou o parlamentarismo pleno, já em 2018, como sem rebuços pleiteia o inquilino do Jaburu, quando, tornada irrelevante a presidência, qualquer um poderá ser eleito, até um quadro de esquerda, pois o poder ficará com o Congresso, independentemente de sua ilegitimidade. Aliás, quanto mais ilegítimo, mas dócil aos projetos da casa-grande, de quem é mero despachante.

O golpe em curso precisa de ser detido enquanto não conclui o projeto de desmontagem do Estado nacional, de nossa economia, de nossa soberania, de nossa ordem jurídica, e, afinal, como consequência, a desmontagem da democracia representativa, recuperada com tantos sacrifícios. 

Como detê-lo, em face de um sistema de comunicação que professa a religião do antinacional e do anti-povo, solidário, portanto, com a blitzkrieg desencadeada contra as forças populares? Apelar para a resistência de um Congresso controlado pelo que a crônica chama de baixo-clero, para significar a composição do fisiologismo com o reacionarismo? Do Judiciário, que desrespeita a Constituição e manipula o poder mediante o jogo de liminares concedidas segundo o interesse político da hora? Afinal, que esperar de um Judiciário cujo principal líder é Gilmar Mendes?

Resta-nos confiar na reação popular, na reação dos trabalhadores, na reação da universidade, na reação dos trabalhadores, na constituição de uma frente de resistência ao desmonte do Estado, dos direitos sociais e da soberania, antes que seja tarde, e voltemos à condição pré-Vargas, a de exportadores de produtos agropecuários, de minérios, de petróleo, e a de importadores de tudo.

Se não redescobrirmos o caminho das ruas, a direita, que mede a reação popular, continuará avançando e certamente não se contentará com a condenação de Lula.

Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-presidente do PSB. Autor de Socialismo, morte e ressurreição (ed. Vozes)
No CartaCapital
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A propaganda enganosa do PSDB pedindo “desculpas”




O teaser da propaganda do PSDB pedindo “desculpas” não é enganosa apenas pela contradição em termos.

Afinal, se o problema é fazer parte de um governo corrupto em que eles mesmos meteram o Brasil em conluio com o PMDB, basta tirar os ministros e sair. Mas aí, como sabemos, é pedir demais.

O buraco é mais fundo.

Ao longo do meio minuto do vídeo, os tucanos admitem que erraram, mas não revelam no quê.

Enfileiram, ao contrário, os “acertos”. E, mesmo aí, apresenta-se uma coleção de falsidades.

a) não foi o PSDB que criou o Plano Real, e sim o governo Itamar Franco.

b) a anistia aconteceu em 1979 e a campanha das Diretas Já em 1984. O PSDB foi criado apenas em 1988.

Se o mea culpa fosse para valer, Aécio Neves entraria falando sobre a Lista de Furnas, a censura em Minas, o golpe que fomentou ao perder a eleição, as malas de dinheiro do Joesley, a amizade com o Gilmar.

Informaria sua mudança para Trinidad e Tobago e sua saída da vida pública em nome da democracia: “Foi mal, pessoal”.

Em resumo, é a propaganda mais sincera que o PSDB já fez em sua história: só contém mentiras.

Kiko Nogueira
No DCM
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História Geral da Arte — Bosch


Bosch

Jeroen van Aeken, cujo pseudónimo é Hieronymus Bosch, e também conhecido como Jeroen Bosch ('s-Hertogenbosch, c. 1450 — 9 de Agosto de 1516), foi um pintor e gravador Holandês dos séculos XV e XVI.

Muitos dos seus trabalhos retratam cenas de pecado e tentação, recorrendo à utilização de figuras simbólicas complexas, originais, imaginativas e caricaturais, muitas das quais eram obscuras mesmo no seu tempo.

Pintores alemães como Martin Schongauer, Matthias Grünewald e Albrecht Dürer influenciaram a obra de Bosch. Apesar de ter sido quase contemporâneo de Jan van Eyck, seu estilo era completamente diferente.

Especula-se que sua obra terá sido uma das fontes do movimento surrealista do século XX, que teve mestres como Max Ernst e Salvador Dalí.

Pieter Brueghel, o Velho foi influenciado pela arte de Bosch e produziu vários quadros em um estilo semelhante.

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Informativo Paralelo #49 — Povos originários, o maior dos genocídios


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O esquema dos tucanos - Veja a desenvoltura de Marconi Perillo, de Goiás, para pedir propina


Assista ao vídeo, conheça os esquema de Marconi Perillo (PSDB-GO) para pedir propina e negociar esquemas de corrupção com empresários e assessores.


Paulo Pimenta
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Circulação dos jornalões está despencando

Banca de jornal em São Paulo encontra muitas utilidades para os jornais - menos a leitura...
Em decorrência da explosão da internet e da perda de credibilidade, entre outros fatores, os jornalões seguem rumo à extinção ou à total irrelevância. Neste sábado (5), o jornalista Fernando Rodrigues divulgou novos dados sobre esta tendência que parece irreversível. Segundo informa, “a maioria dos principais títulos da mídia tradicional impressa teve resultados ruins no 1º semestre de 2017. De janeiro a junho, quase todos os maiores jornais diários e revistas semanais reduziram a circulação”. Em seu site, Poder-360, ele reuniu os últimos números do IVC (Instituto Verificador de Circulação).

A Folha de S.Paulo, que já chegou a ter mais de um milhão de exemplares nos anos de 1980, em junho passado distribuiu para as bancas e assinantes apenas 133.994. Em janeiro, a circulação foi de 141.888 exemplares – redução de 5,6% em seis meses. Com mais esta queda, a Folha consolidou a perda do título de maior jornal do país para O Globo. Em junho, o diário da famiglia Marinho colocou em circulação 142.351 exemplares. Mesmo assim, o impresso carioca também sofreu retração – em janeiro, ele computava 150.400 exemplares (queda 5,4% no período).

Já o Estadão, terceiro diário mais tradicional do país, caminha para a falência. Em junho, foram apenas 117.333 exemplares – contra 123.236 em janeiro. Outros veículos que ainda fazem a cabeça do brasileiro, como o Correio Braziliense e o Valor, hoje estão quase mortos. A circulação do primeiro, que se jacta de influir nas decisões do parlamento em Brasília, foi de 28.934 jornais em junho; já o segundo, dedicado à cloaca empresarial, imprimiu 31.545 exemplares. A decadência destes veículos fica ainda mais acentuada quando se compara a atual circulação com os números de 2015. “Jornais que ultrapassavam 200 mil exemplares impressos por dia, em média, agora vendem menos de 150 mil”, constata Fernando Rodrigues.

Queda na receita de publicidade

Para complicar ainda mais este quadro, os barões da mídia não têm conseguido encontrar respostas para a grave crise do seu modelo de negócios. Durante algum tempo, eles difundiram a ideia de que compensariam a queda das vendas dos impressos com a adoção das versões digitais. O resultado, porém, é frustrante. O Globo, que chegou a ter mais de 150 mil assinantes digitais no final do ano passado, em junho contabilizou apenas 98 mil. No mesmo período, os outros veículos permaneceram estagnados na internet. E neste terreno a busca por lucros é ainda mais difícil. Os anúncios publicitários valem menos e tem a forte concorrência das poderosas empresas de tecnologia, como o Google e o Facebook.

Segundo artigo do Washington Post, publicado na quarta-feira passada (2), o poder destas corporações é crescente. “Google e Facebook reportaram alta forte em suas receitas no segundo trimestre, devido em parte ao domínio impressionante que exercem sobre o mercado de publicidade digital... O Google deve responder por quase 41% do mercado de publicidade na internet dos Estados Unidos, que movimentará US$ 83 bilhões neste ano, de acordo com estimativas do grupo de pesquisa eMarketer. O Facebook terá fatia pouco inferior à metade da detida pelo rival, com cerca de 20% do mercado”. O relato sobre a situação dos EUA não deve ser muito diferente sobre a realidade já em curso no Brasil.

Já uma reportagem publicada pela agência Reuters mostra que o Facebook frustrou os jornalões também na plataforma do celular – outra aposta da mídia tradicional. “O Facebook superou as estimativas para lucro e receita trimestral, alavancados pelos ganhos com anúncios para celular. Segundo balanço da empresa divulgado nesta quarta-feira [26 de julho], cerca de 2 bilhões de pessoas usaram a rede social mensalmente no trimestre encerrado em junho, alta de 17% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A receita com anúncios para dispositivos móveis representou 87% da receita total de publicidade da companhia, que totalizou US$ 9,16 bilhões (R$ 28,9 bilhões)”.

Ainda de acordo com a Reuters, “o Facebook espera gerar US$ 36,29 bilhões em receita líquida com publicidade digital neste ano, um salto de 35% em relação a 2016, de acordo com a eMarketer. O lucro líquido atribuído aos acionistas aumentou para US$ 3,89 bilhões, ou US$ 1,32 por ação, no segundo trimestre, ante US$ 2,28 bilhões, ou US$ 0,78 por ação, um ano antes. A receita total cresceu 44,8%, para US$ 9,32 bilhões”. Ou seja: se já está difícil a situação dos jornalões tradicionais, com queda de tiragem e redução dos lucros em publicidade, a tendência é o quadro piorar ainda mais nos próximos anos.

Altamiro Borges
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Sérgio Sirotsky, da RBS, pai de jovem que atropelou três em SC, emite nota: “Confiamos nas autoridades”


O pai de Sérgio Orlandini Sirotsky, de 21 anos, um dos motoristas que atropelaram em sequência quatro pessoas na madrugada de domingo em Florianópolis, se manifestou por meio de nota à imprensa.

O empresário, um dos donos da RBS, se diz triste e pede desculpas “aos jovens atingidos e a seus familiares”.

O condutor se apresentaria nesta terça-feira à polícia, mas sua defesa negocia nova data.

Sirotsky também declara confiar que “o caso será tratado com serenidade e responsabilidade pelas autoridades competentes”.
Em 2010, seu filho foi denunciado pelo estupro de uma adolescente de 13 anos, caso abafado pela mídia brasileira.

Veja a íntegra da nota:
Lamento profundamente o acidente ocorrido no domingo (6), em Jurerê, envolvendo veículo conduzido por meu filho Sérgio Orlandini Sirotsky.

Como pai, estou muito triste e peço desculpas aos jovens atingidos e a seus familiares, a quem vamos oferecer todo o apoio e solidariedade para que possam se restabelecer com saúde e retomar suas vidas. Os contatos com os familiares estão acontecendo na tarde desta terça-feira.

Está sendo muito difícil para nossa família enfrentar este momento, que nenhum pai gostaria de viver. Confiamos que o caso será tratado com serenidade e responsabilidade pelas autoridades competentes.

Meu filho tem 21 anos, e é responsável por seus atos. Estamos tomando providências para tratar de nosso filho, que também precisa de ajuda.

Sérgio Sirotsky

DCM



Estadão retira menção à RBS de matéria sobre herdeiro do grupo que atropelou três pessoas e fugiu

Eis o corajoso Estadão mudando o título de uma reportagem sobre Sérgio Orlandini Sirotsky, filho do diretor da RBS em Santa Catarina, que atropelou três pessoas e fugiu:





A mesma matéria, depois de uma ligação para a direção.



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Dono de posto denuncia delegado Marcio Anselmo!

"Ele disse que me envolveria com o narcotráfico..."

O delegado Anselmo é um veterano do Banestado
O delegado Márcio Anselmo é da categoria dos delegados da Polícia (sic) Federal (sic) que apoiou o candidato Aécio gângster e Mineirinho: Aécio, o queridinho dos operadores da Lava Jato.

O delegado Anselmo - mostrou a Carta Capital - é suspeito de forjar provas.

O delegado Anselmo honra jornalistas com processos judiciais - que perderá, irremediavelmente.

O delegado Anselmo faz parte da equipe que investigou o Banestado, onde se destacaram ele, o Imparcial Moro de Curitiba, o Procurador Santos Lima - e o doleiro Youssef, que dela se beneficiou, como se beneficiou da Lava Jato...

(Essa turma de funcionários públicos tem uma certa queda pelo Youssef: se necessário lhe concederá uma terceira delação premiada?)

Outro notável membro da equipe de delegados da Lava Jato é o inesquecível Moscardi Grillo, responsável pela criminosa operação Carne Fraca - estará ele ainda em atividade?

(Grilo é outro que processa jornalistas...)

O delegado Anselmo se inscreve, agora, num dos capítulos sinistros da gênese da Lava Jato:



"Fui ameaçado pela PF para fazer delação", diz dono do 'posto da Lava Jato'

O doleiro Carlos Habib Chater foi o primeiro preso da Operação Lava Jato, após busca e apreensão no seu posto de combustíveis em 2014. O dono do Posto da Torre, localizado em Brasília, cumpriu um ano e sete meses de prisão em regime fechado e ficou um ano no semiaberto. Chater optou por não fazer delação premiada, mas afirma em entrevista ao UOL ter sido "ameaçado" pelo ex-chefe da Polícia Federal, Márcio Anselmo, para delatar.

"Ele disse que me envolveria com o narcotráfico, que eu ficaria mais de 20 anos na cadeia, que me livraria [da prisão] em uma semana caso eu dissesse quem eram os agentes público ou os políticos que recebiam [propina] aqui [no Posto da Torre]", conta. Procurado pelo UOL, o delegado Márcio Anselmo não se manifestou sobre as acusações de Chater (veja mais informações abaixo).

A PF apontou o Posto da Torre como o "caixa eletrônico da propina". O estabelecimento começou a ser investigado em 2008, após suspeita de lavagem de dinheiro do ex-deputado José Janene (morto em 2010). Chater nega ilícitos.

Ele cumpre pena em liberdade desde outubro, quando voltou a administrar o 'Posto da Lava Jato', como ficou conhecido. O empresário recusa a alcunha de doleiro, mas reconhece ter operado ilegalmente na conversão de moedas na década de 1980.

A Polícia Federal interceptou conversas dele com o doleiro Alberto Youssef sobre suposta lavagem de dinheiro. Chater exalta o "amigo", mas nega ter operado propina de Youssef.

Leia abaixo a entrevista de Chater ao UOL:

Nos anos 1990, o senhor foi investigado por operações ilegais de câmbio e lavagem de dinheiro. A acusação voltou com a Lava Jato. Por quê?

[Risos] Eu tenho que dar risada, porque até hoje eles não conseguiram mostrar onde houve a lavagem de dinheiro. Nem na lavanderia nem na casa de câmbio. Inclusive, essa questão de doleiro é porque, no Brasil, depois que você ganha uma pecha ninguém tira. Eu não fazia câmbio há simplesmente 20 anos. Em 1991, quanto tive o problema, isso a mídia também não coloca, eu era credenciado pelo Banco Central [para ter casa de câmbio]. O BC simplesmente retirou o credenciamento sem nunca ter me avisado. Aí me prenderam em flagrante, quando eu estava exercendo uma atividade que imaginava lícita. Isso também ninguém nunca colocou [na imprensa]. Tanto é que eu não tive uma condenação. Fui absolvido [na verdade, prescreveu]. O BC até hoje nunca apresentou qualquer assinatura que eu tivesse ciência de que tinha sido descredenciado.

Por que o BC lhe prejudicaria?

Foi uma questão muito mais política do que técnica. Na época envolvia o ex-senador Romeu Tuma [morto em 2010], que era conhecido da família. Havia um problema dentro da Polícia Federal e acharam por bem que o compadre do Tuma, que era meu pai, talvez deveria pagar o pato por uma briga política.

Como explica a acusação da PF de que 375 contas suas teriam movimentado ilegalmente R$ 10,8 milhões entre 2007 e 2014?

Como eles podem ter provado que eu lavei tanto dinheiro, se fui condenado por uma lavagem de R$ 460 mil numa das sentenças? Numa lavagem de US$ 120 mil [convertidos nos R$ 460 mil] que só o juízo de primeira instância localizou e criou o mecanismo para dizer que foi lavagem. Cadê o restante do dinheiro? Cadê essas lavagens, onde estão? Por que talvez a mídia não foca um pouco mais nessas questões de pegar um processo e perder um pouco mais tempo para dar uma analisada? Acho que é uma questão até interessante.

Mas o juiz Sérgio Moro o condenou no total a 9 anos e 9 meses, pena confirmada em 2ª instância.

Foi uma condenação completamente injusta. Acho que o Brasil está combatendo ilegalidades com outras ilegalidades. Mas cumpri o que tinha de cumprir [1 ano e 7 meses em regime fechado e 1 ano no semiaberto]. Agora é olhar para frente.

A Lava Jato exagera, é isso que quer dizer?

Eu entendo a sanha por Justiça. Mas não devemos, como se diz por aí, fazer Justiça com as próprias mãos. Eu acho que a Lava Jato, em princípio, começou com esse foco. Tive duas sentenças condenatórias: uma de 5 anos e 6 meses; outra de 4 anos e 9 meses. Não sei qual das duas foi corrigida no tribunal [de 2ª instância] e reduzida em 3 meses. Eu gostaria de saber quem vai pagar esses três meses que eu fiquei a mais. Mas aí não tem quem cobre isso, nem a mídia [risos].

Se sente injustiçado?

O juiz Sérgio Moro conseguiu me manter numa prisão preventiva por 570 dias. Essa é a nossa Justiça.

A PF chamou seu posto 'caixa eletrônico da propina'. Políticos buscavam dinheiro lá?

Eles não conseguiram apontar nem comprovar nenhum político que tenha recebido aqui. O que acontecia, isso está nos autos, [é que] eu tinha operações de crédito com o senhor Alberto Youssef. Eu tomava dinheiro emprestado [do Youssef] e, na hora de devolver, ele ou indicava algumas contas ou pessoas que vinham aqui receber. Para onde ia esse dinheiro eu não posso lhe dizer. O que eu posso afirmar é que não conheço nenhum desses políticos envolvidos. Agora, se esse dinheiro foi para algum político, foi por intermédio de algum motorista ou coisa assim. Eu nunca entreguei e nenhum político disse que recebeu de mim. Nem a polícia nem o Ministério Público provaram que eu tenha tido contato com qualquer político.

Posto da Torre, na região central de Brasília, onde teve início a Operação Lava Jato em 2014 
(Créditos: Pedro Ladeira/Folhapress)

Isso não era lavar dinheiro para o Youssef?

O senhor Alberto Youssef, quando eu saldava minhas dívidas com ele, ou me indicava contas para eu depositar o dinheiro que era dele ou pedia que em entregasse para algumas pessoas. Ele indicava: 'Vai chegar uma pessoa chamada João da Silva, por exemplo. Por favor, entregue a ele R$ 50 mil reais num envelope do dinheiro que você está me devolvendo'. Se houve alguma lavagem, ela foi feita do senhor Alberto para trás. Não no Posto da Torre.

Mas o ex-gerente do posto, Ediel Viana da Silva, disse à PF ter visto políticos pegando dinheiro vivo. Como explica isso?

Quando [Ediel] percebeu que ficaria [preso] mais tempo do que deveria, ele tentou uma delação. Ele estava preso comigo na mesma cela no Presídio de São José dos Pinhais e o retiraram para fazer a famigerada delação premiada. Ele ficou na [sede da] PF [em Curitiba] por alguns meses e, no final, o Ministério Público não teve como acatar a delação dele porque não havia nenhum tipo de prova que corroborasse com o que estava dizendo. O que aconteceu com o senhor Ediel, que é um mentiroso, é que quando começou a ouvir o nome dos políticos escolheu um ou dois, que eu não sei quem são, para dizer que tiveram reuniões comigo e logo depois começou a sair dinheiro. Mentira. O dinheiro começou a sair muito antes dele trabalhar comigo. Ele inventou uma história, não conseguiu provar e a delação não foi homologada. Foi o desespero de um cara que estava preso. Esse é o modus operandi da Lava Jato: minar o cara que está lá dentro para falar até o que ele não fez, quando ele vislumbra a possibilidade de sair da cadeia. Infelizmente, a delação premiada como está no Brasil é um tiro no pé, porque está se combatendo uma ilegalidade com outra ilegalidade. O povo brasileiro está batendo palmas para isso. Não estou dizendo que a delação é ilegal, mas a maneira ou as condições que se colocam os presos. Repito: eu fiquei 500 e tantos dias preso numa preventiva sem ser julgado. Isso é um estupro.

O que significa esse 'o dinheiro saía'. Saía para onde e por quê?

Eu sempre tive operações [financeiras] com o senhor Alberto [Youssef], muito antes de conhecer o senhor Ediel.

O senhor era operador do Yousseff?

Não. Nós sempre fomos amigos. Eu conhecia o Beto como um cara que sempre operou o mercado de ações. Volta e meia, quando eu 'tinha uma dor de barriga' [financeira], eu recorria ao Alberto e ele me mandava dinheiro e nunca me cobrava. Por isso, eu sou completamente revoltado com essa situação de lavagem de dinheiro. Quem é que lava dinheiro sem cobrar? Se fosse para lavar dinheiro do senhor Alberto, eu teria que cobrar alguma coisa. É a lógica. Ninguém vai lavar dinheiro por lavar, para fazer bonito para alguém. Mas isso não é levado em consideração pelo juiz de primeira instância [Sérgio Moro].

O doleiro Alberto Youssef 
(Créditos: Alan Marques/Folhapress)

Por que Youssef lhe emprestaria dinheiro sem contrapartida?

A minha relação com ele era pessoal e se tornou comercial por algumas vezes. Nós éramos, antes de qualquer questão comercial, amigos. Nunca houve uma reunião em que fosse definida uma decisão para lavar dinheiro. Inclusive, eu sequer pagava juros a ele porque era uma questão de amizade. Agora, só um idiota para acreditar que eu lavaria dinheiro sem cobrar nada. O senhor Alberto Youssef, que é um delator - e parte-se do princípio de que ele não pode mentir, omitir, faltar com a verdade -, colocou isso para o juiz de primeira instância [Moro], que simplesmente não levou em consideração quando me julgou. Pois bem, se eu fui julgado por lavagem de dinheiro e o proprietário do dinheiro, que é o senhor Alberto Youssef, disse em juízo que me emprestava dinheiro e eu devolvia, ou seja, se havia lavagem houve dele para trás, das duas uma: ou ele mentiu e toda a delação dele devia ser descartada; ou ele falou a verdade e o juiz de primeira instância não levou em consideração.

Mas por que Moro faria isso, se Youssef confessou crimes?

Talvez, eu vou lhe dizer, o que tenha acontecido: como é que pode ser absolvido o cidadão que deu origem à Operação Lava Jato? Talvez isso tenha pesado e talvez eles tenham achado que uma eventual absolvição fragilizaria a Lava Jato. Essa é a minha revolta com a Justiça no Brasil. Ele como delator não podia mentir nem omitir, e disse a verdade: 'Eu emprestava dinheiro para o senhor Carlos Habib [Chater] e quando ele me devolvia, eu [Youssef] determinava as contas ou os portadores que lá iam para liquidar a operação comigo". Portanto, ele falou a verdade. Eu sou muito agradecido. Infelizmente, a verdade dele serve para condenar, mas não para inocentar.

Usou a casa de câmbio ValorTur nessas operações?

A casa de câmbio operou por muito pouco tempo. Não existe nenhuma operação irregular na casa de câmbio. Inclusive, o movimento era ridículo porque ela era uma casa nova. Mas para fazer barulho, a Polícia Federal utilizou essa falácia que até hoje não provaram. Nem vão provar, porque nunca existiu.

O senhor diz que não é doleiro, mas fazia operação em dólar. Isso não é ser doleiro?

Eu não fazia operação de câmbio há muitos anos. Há muitos anos...

Mas então o que fazia a sua casa de câmbio?

A casa de câmbio fazia operações legais. O doleiro é tido como operador ilegal. Basta ver o inquérito e o processo, eu não fui condenado em nenhum momento por operação ilegal.

O senhor em algum momento foi doleiro?

Eu fui doleiro antes de 1991. Antes de eu ser credenciado pelo Banco Central. Na época sequer ventilavam que haveria qualquer tipo de autorização do BC, fora [a dada] aos bancos, para fazer operação. Isso era muito normal nas décadas de 80 e 90. Todo mundo era doleiro. Até o ascensorista do Hotel Nacional. Quem compra e vende dólar sem autorização do Banco Central é doleiro. Inclusive vários policiais federais e delegados da PF já fizeram operações na época. O Brasil precisa acabar um pouco com a hipocrisia e tentar ver a realidade dos fatos para entender o que acontecia nas décadas de 80 e 90 e o que acontece hoje.

A PF apontou pelo menos uma operação de câmbio para lavar dinheiro de um traficante. Isso ocorreu?

O que houve foi uma operação que eu fiz para um senhor, que estava viajando e disse que viria uma pessoa para receber esse dinheiro, isso está nos autos. A pessoa que veio receber esse dinheiro eu sequer conhecia. Por telefone, essa pessoa entrou em contato na época para marcar um horário para vir receber. Essa pessoa era envolvida com o tráfico, em princípio. Eu não sei se era ou não era. Isso quem diz é a Polícia Federal. A casa de câmbio não tem nada a ver com isso. Talvez esteja havendo uma confusão na interpretação ou até mesmo a PF possa ter induzido a população e até mesmo jornalistas a acreditarem nisso. Mas o que houve foi exatamente isso: eu, por não saber exatamente, do que se tratava emiti cheques do posto. Que idiota seria eu de emitir cheques do posto para um traficante de drogas?

Por que fez essa operação?

Era um amigo meu, um libanês, que pediu para eu resgatar um dinheiro dele aqui [no Brasil] e repassar para ele mesmo, em dinheiro vivo. Só que essa pessoa viajou para o Líbano e mandou um portador. E esse portador, diz a Polícia Federal, era envolvido com drogas. Eu não conheço, nunca vi esse portador. Fui conhecê-lo dentro do camburão quando eu cheguei em Curitiba e fui para a Polícia Federal, porque quando essa pessoa esteve no posto para receber eu não estava. Mas chegamos ao cúmulo de eu ser condenado por uma operação de US$ 120 mil [ou R$ 460 mil] por lavagem de dinheiro para o tráfico. Eu não sei o que é o tráfico. Eu não conhecia essa pessoa. Mas a PF, mesmo sabendo que eu não conhecia essa pessoa, porque ela me monitorou e pegou conversas e conversas, me ameaçou dizendo que se eu não entregasse os políticos e os agentes públicos seria indiciado por tráfico de drogas. Mesmo assim ele não conseguiu, porque seria uma coisa esdrúxula.

Ameaça para fazer delação?

Como o delegado Márcio Anselmo [responsável pela Lava Jato até o início de 2017] viu que eu não faria delação e não teria quem entregar, depois de várias tentativas, de insistências, de ameaças, ele disse que mandaria para o presídio. No dia seguinte eu fui para o presídio [de São José dos Pinhais].

Explique que tipo de ameaça.

[O delegado] disse que me envolveria com o narcotráfico, que eu ficaria mais de 20 anos na cadeia e ele me livraria em uma semana, caso eu dissesse quem eram os agentes públicos ou os políticos que recebiam [propina] aqui [no Posto da Torre]. Eu disse a ele que, em primeiro lugar, eu fui monitorado por 8 meses oficialmente - mas fora da questão oficial com certeza fui monitorado por muito mais tempo -, e ele não teria indício de tráfico de droga. Inclusive, dentro das celas da Polícia Federal nós localizamos uma escuta ambiental, que na época o juiz disse que não tinham autorização de colocar. Existe muitas coisas que aconteceram nos bastidores dessa operação que eu diria ilegais, imorais, que ninguém sabe ou que pelo menos ninguém quer dar ouvidos.

Nota da redação: O delegado Márcio Anselmo foi procurado pelo UOL para se manifestar sobre a acusação. Foi lhe enviado um e-mail no seu endereço pessoal, ao qual ele respondeu se dizendo disposto a dar entrevista. Mas pediu para formalizar o pedido na assessoria de imprensa da PF em Curitiba, que repassou a demanda para a regional do Espírito Santo. Ao final de segunda-feira (7), contudo, a assessoria capixaba da PF pediu para procurar novamente a de Curitiba. A unidade paranaense foi procurada novamente, mas não se manifestou até fechamento da reportagem.

Por que não denunciou para corregedoria da PF?

Quando nós localizamos a escuta ilegal ambiental que estava nas celas, abriram uma sindicância e quem estava cuidando era o delegado responsável pelas investigações da Operação Lava Jato. Isso é uma piada, né?

No CAf
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