5 de ago de 2017

Atores da Globo no Judiciário intensificam ofensiva da facção golpista que se opõe a Temer


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Quantos Allendes devem morrer para o povo latino perder a vergonha de se defender?


Em 1973, o clima de agitação nas ruas chilenas demonstrava que algo estava para acontecer. Enormes manifestações de apoio ao governo popular de Allende eram contraste às grandes marchas organizadas por seus opositores de direita. O cenário, que culminaria em um golpe militar, alçando o ditador Pinochet ao poder, é magistralmente retratado no premiado documentário “A Batalha do Chile”, do então jovem Patricio Guzmán. E, assistindo às cenas, é impossível não fazer uma ligação com os fatos que ocorrem na Venezuela de hoje.

As gravações se iniciam no dia das eleições parlamentares chilenas, em 1973, sob o governo de Allende, eleito em 1970 pela Unidade Popular (UP), coalizão esquerdista. O país passava por uma grave crise econômica que resultava em desabastecimento e era amplamente explorada pela imprensa e pelos oposicionistas de direita do Partido Democrata Cristão (PDC) e do Partido Nacional (PN). Manifestantes da oposição saíam às ruas bradando contra o “marxismo que destruía o país”. Do outro lado, trabalhadores organizados faziam coro em defesa da UP, que, no governo, propunha reformas de base e uma verdadeira revolução popular.

Trabalhadores chilenos marcham em apoio a Salvador Allende.
O PN e o PDC não escondiam seu objetivo. Queriam, naquele dia, conquistar 2/3 das cadeiras do Parlamento, o que lhes daria poder para destituir Allende. E antes mesmo da divulgação dos resultados, a imprensa já noticiava a vitória da direita, que logo saiu às ruas em comemoração. Mas o resultado final fica aquém do esperado, a esquerdista Unidade Popular conquista mais de 43% dos votos e mela o plano da oposição. No mesmo dia, mesmo com a maioria simples conquistada, PN e PDC passam a alegar fraude eleitoral, inflando os protestos oposicionistas nas ruas, que se tornam violentos.

A partir daí, a oposição adota uma nova postura: não deixaria Allende governar. E intensifica o terrorismo comercial, criando um desabastecimento artificial cada vez maior. Em resposta, o governo fortalece as Juntas de Abastecimento e Preço (JAP), responsáveis por fiscalizar a distribuição de produtos básicos e denunciar especuladores. Tais órgãos descobrem imensas quantidades de estoque desses insumos escondidas em estabelecimentos comerciais, servindo à especulação e ao mercado negro, e os redistribuem entre a população, que forma filas imensas para compra-los.

No âmbito político, parlamentares eleitos do PN e do PDC levam à frente sua promessa de não deixar a UP governar. Usando sua maioria simples, passam a perseguir Ministros e outras autoridades do Governo, como o Ministro da Economia, responsável por gerir as JAP, que distribuíam comida para a população. Nessa caça às bruxas, sem maiores provas, conseguem destituir 2 autoridades e 7 Ministros em apenas 3 meses. A oposição só sossegaria quando, ao propor a destituição de todos os Ministros do governo, teve de lidar com uma imensa manifestação popular convocada pela CUT chilena.

Mas o boicote ao governo não parava aí. Visando a acabar com a crise de desabastecimento artificialmente criada pela oposição e pelos donos dos meios de produção, Allende expropria 49 indústrias que boicotavam a própria produção. O Congresso prontamente reage, aprovando uma reforma que invalida as expropriações e retira o direito de veto do Presidente do país. Amparado nos trabalhadores que reclamavam das práticas patronais e apoiavam a medida, Allende recorre ao Tribunal Constitucional sem sucesso.

Durante os 6 meses que antecederam o golpe, a oposição parlamentar ainda barraria vários outros projeto da UP. Sem apresentar qualquer outro plano alternativo de governo, PN e PDC barrariam a lei que puniria os crimes econômicos que causavam o desabastecimento do país, a lei que garantiria a participação de operários em fábricas e tornaria as empresas autogestionárias, a criação de dois Ministérios e o reajuste de salários.

Ao mesmo tempo, nas ruas, surgia o grupo fascista “Patria y Libertad” que, portando escudos e capacetes e contando com a participação de estudantes da Universidad Católica (os “filhos da burguesia”), agiria para causar distúrbios e criar instabilidade através da violência. Eram patrocinados por entidades patronais como a Sociedade Nacional da Agricultura e a de Fomento Fabril. Tinham o apoio de ex-agentes da CIA e do Departamento de Estado dos EUA. Aliás, o próprio governo americano já liberou documentos que confessam a participação dos EUA no golpe chileno.

Nesse cenário, os ânimos se acirram. Estudantes contrários à reforma educacional, muitos deles da Universidad Católica, juntam-se à oposição. Por outro lado, trabalhadores saem às ruas em defesa de Allende. Em 27 de abril, em um ato convocado pela CUT, ao passar em frente à sede do PDC, a multidão sofre um ataque com armas de fogo onde um trabalhador morre.

Nesse período de organização de trabalhadores em torno de sindicatos e em defesa do governo, as organizações patronais reagem. Donos de ônibus decretam greve indeterminada, enquanto operários respondem usando caminhões de suas fábricas para trabalharem. Ao mesmo tempo, as Forças Armadas enviam carta pública ao presidente para avisa-lo de que agiriam de forma autônoma se ele desrespeitasse a Constituição.

O movimento de oposição se intensificaria, então, com a greve dos trabalhadores da mina de cobre de El Teniente. Foi a primeira grande participação de um setor proletário na oposição, em uma mina que era responsável por 20% das divisas do Chile. Vale lembrar que, até hoje, a extração de cobre é a principal atividade das finanças chilenas e que, dois anos antes, em 1971, o cobre tinha sido nacionalizado pelo governo de Allende. A greve, porém, tinha adesão de uma minoria, sendo que pelo menos 60% dos mineradores continuaram trabalhando durante ela. Apesar disso, a imprensa inflava o movimento grevista e ignorava que a maioria dos mineradores apoiava o governo.

A greve não se expandiu para outras minas importantes do país e, apesar de receber apoio e adesão de comerciantes e donos de transportadoras, perdeu força e se encerrou em junho. Nas cidades os conflitos aumentavam, mas o trabalhadores organizados em torno da UP e em defesa do governo popular de Allende se somavam. Da mesma forma, as manifestações oposicionistas que partiam da PDC tinham boa adesão.

Após esgotar todas as formas de impedir que Allende governasse, com lock-outs patronais, o boicote parlamentar, o uso das mídias tradicionais para propagar desinformações e o desabastecimento artificial, a oposição finalmente lançaria mão de seu último recurso. No fim de junho, faria uma tentativa frustrada de golpe ao tentar atacar o Palácio de La Moneda. Na ocasião, as Forças Armadas ainda não tinham firmado uma posição golpista, e a tentativa falhou.

Seguiram-se mais de dois meses de uma iminente guerra civil, quando trabalhadores discutiam seriamente a hipótese de pegar em armas para defender o governo, até que a direita desse sua cartada final. Com amplo apoio das Forças Armadas, em 11 de setembro de 1973, a direita chilena bombardeia o Palácio de La Moneda, causa a morte de Allende e finalmente concretiza o golpe militar que, em poucos meses, colocaria o ditador Pinochet no poder.


Todos sabemos as consequências desse golpe, não muito diferentes das ocorridas no Brasil na mesma época. Entreguismo, endividamento, inflação e um colapso econômico ao fim do regime. Hoje, também é possível olhar para trás e perceber que confiar em instituições da democracia liberal foi um grande erro tático da Unidade Popular. Quando a primeira tentativa de golpe militar ocorreu, mostrando que tais instituições não desistiriam de minar o poder popular, Allende deveria ter seguido o conselho do povo de dissolver o Parlamento e armar os cordões e as comunas populares. Não o fez por medo de ver o radicalismo legitimar a intervenção, mas o golpe aconteceu mesmo assim.

Guardadas alguma peculiaridades, causa espanto, mesmo, as semelhanças que esse cenário pré-golpe chileno traz com o caso atual da Venezuela.

Assim como o Chile, que nacionalizou o cobre em 1971, a Venezuela também passou por um processo de nacionalização do petróleo. Ambos os países possuem, respectivamente, grandes quantidades desses produtos, e suas economias são centradas em suas explorações. Na Venezuela, essa estatização, inclusive, impulsionou a direita a uma tentativa de golpe violenta e frustrada em 2002.
Em ambos os casos, a medida atraiu a atenção do governo dos EUA, que já admitiu, por meio da liberação de documentos, a interferência da CIA no golpe chileno e, hoje, financia abertamente grupos da direita venezuelana.
A Venezuela, em 2015, viu os partidos de direita conquistarem uma maioria no Parlamento e, como no Chile de 73, essa oposição jurou publicamente, desde as eleições, que tinha o único objetivo de derrubar o presidente. Como no Chile, os venezuelanos também passam por uma grave crise econômica e de desabastecimento, para muitos, causada artificialmente pelo empresariado opositor.

Talvez inspirado nas JAP’s de Allende, Maduro criou os Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP’s) para combater o problema. Alguns desses Comitês, inclusive, já sofreram atentados pela direita onde foram queimadas toneladas de alimentos.

A situação venezuelana também se assemelha à chilena quando analisamos a organização popular nas manifestações. Nos últimos anos, na Venezuela, formaram-se grupos de direita, que as vezes utilizam até armas de fogo, para dar um tom mais violento aos protestos contra o governo, assim como fazia o “Patria y Libertad” no Chile. Por outro lado, ao exemplo chileno, há uma imensa quantidade de organizações comunais e trabalhistas dispostas a defender o bolivarianismo venezuelano.
Tanto no Chile de 73 quanto na Venezuela de hoje, a situação não é simples como a mídia tradicional tenta demonstrar.
Um país é formado por uma série de correlações de forças e, como o exemplo chileno já mostrou, nem sempre um Presidente representa o lado mais forte. Na Venezuela, a oposição tem os donos dos meios de produção, o capital financeiro e o apoio americano, e vem recusado todos os chamados ao diálogo que existiram por parte do governo.

Como no Chile pré-golpe, políticos da direita venezuelana são donos dos principais veículos de mídia do país e, desde a vitória de Chávez, os usaram para difundir informações falsas e denunciar fraudes eleitorais que nunca existiram. Tudo indica que o interesse popular, porém, continua do lado bolivariano, que concentra, principalmente, as camadas mais pobres e de trabalhadores do país.
No Brasil, triste mesmo é acompanhar que parte da nossa esquerda não aprendeu com antigos erros e parece se amedrontar ao ouvir a primeira crítica de um grande jornalão.
Como disse Gilberto Maringoni, não há nuances na Venezuela, nem um muro em que se possa ficar em cima de modo confortável. Há, sim, a iminência de uma guerra civil e de uma intervenção externa imperialista as quais a oposição venezuelana deseja desde que se viu incapaz de retornar ao poder.

A esquerda brasileira deve se organizar em torno de projetos populares, não de espantalhos que nada constroem. Devem também reconhecer que enxergar terceiras vias onde elas não existem significa apenas dar-se o privilégio do conformismo e do distanciamento. Sua fragmentação e sua obediência a regras criadas pelo capital sempre levaram a sua derrota.

Que a morte de Allende não esteja fadada a se repetir eternamente na história latina.

Almir Felitte é advogado, graduado pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

*Artigo baseado no documentário “A Batalha do Chile”, de Patrício Guzman, e no vídeo produzido pela QuatroV.

No Justificando
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Não obstante, a Globo faturou 170% mais em publicidade no governo Temer


Não obstante as críticas que tem recebido, a receita da Globo cresceu. Na tabela abaixo, de autoria de O Cafezinho, é possível examinar em detalhes todos os números.


Os recursos da Secom federal destinados à Globo cresceram mais de 170%, na comparação entre Jan/Jun 2017 com o mesmo período de 2015.

O percentual da Globo no total das verbas da Secom em 2017 já está em 46%. Em 2015, ela foi de 22% e já havia crescido para 29% em 2016.


No Sul21
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Atrelado a Temer, PSDB se vê à beira da implosão

Sem presidenciável competitivo, partido aliou-se ao peemedebista na esperança de compor candidatura do establishment em 2018. E rachou

Nas pesquisas para 2018, nome tucano aparece só em quarto: governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ou o prefeito paulistano, João Doria
Michel Temer triunfou ao obter guarida contra investigação judicial no caso da mala de 500 mil reais em propina, mas houve quem tenha saído derrotado do episódio. Um foi o procurador-geral da República em fim de mandato, Rodrigo Janot, a preparar uma última “flechada” no presidente. O outro, o PSDB, dono de quatro ministérios, abrigo de filiados anti-Temer e à beira da implosão.

Por enquanto sem um nome competitivo para a próxima eleição presidencial, a maioria dos tucanos preferiu continuar abraçada ao enrascado peemedebista na esperança de até o ano que vem o governismo ser capaz de inventar um candidato com chances de ganhar. Um postulante para encarnar o establishment econômico fascinado pela agenda antipopular de Temer.

Em uma reunião do PSDB paulista no início de junho para discutir o apoio ao governo Temer, José Aníbal, suplente do senador José Serra (SP), explicitou o que vai pela cabeça desse grupo do PSDB. “Não queremos que no ano que vem prevaleça uma polarização salvacionista, Bolsonaro, Lula... Isso só vamos conseguir se o Brasil voltar a crescer.”

Todas as pesquisas conhecidas mostram um mesmo cenário. O ex-presidente Lula, do PT, na frente, e o deputado Jair Bolsonaro, do PSC mas de malas prontas para o PEN, em seguida. Um nome tucano aparece só em quarto, depois de Marina Silva (Rede). O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ou o prefeito paulistano, João Doria Júnior.

A eleição de 2018 foi utilizada abertamente por Temer para ter o voto tucano na sua salvação. “Se o PSDB sonha em querer ter candidato a presidente no ano que vem com sucesso, ele pode fazer esse sonho com o PMDB (…) O PSDB com seu sonho de poder, só com o PMDB”, dizia o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), recebedor de 100 mil reais do presidente na eleição de 2014.

Alas minoritárias e mais jovens do PSDB, os chamados “cabeças pretas”, não quiseram nem saber. Adotam uma postura raivosa em relação a escândalos de corrupção, identificam-se com as redes sociais e a Operação Lava Jato e parecem não se importar com a polarização Lula-Bolsonaro. Para elas, salvar o primeiro presidente acusado de praticar corrupção no cargo era demais.

“Alguns partidos, em clara contradição, dizem que Temer é inocente mas Lula e Dilma tem todos os pecados do mundo, já outros fazem o inverso”, afirmou o deputado Daniel Coelho (PE), um dos “cabeças pretas”, a uma rádio do seu estado na quinta-feira 3. “É uma esquizofrenia na política brasileira e uma falta de coerência sem limite”, disse, “o PSDB está completamente perdido”.

Era possível enxergar a perdição antes mesmo da vitória de Temer. Desde o estouro do escândalo JBS-Friboi, o PSDB fez várias reuniões para tomar uma decisão sobre ficar ou sair do governo, mas jamais conseguiu um consenso. Dias antes da votação, seu vice-presidente, Alberto Goldman, dizia que o partido sairia “profundamente ferido” da episódio, pois prevalecia o cada um por si.

Resultado: dos 47 deputados tucanos, 22 votaram a favor de Temer, 21 contra e 4 faltaram à sessão. Três curiosidades a apimentar o racha. O autor do relatório pró-Temer posto em votação é tucano, Paulo Abi-Ackel (MG). O chefe da articulação política do governo, também, Antonio Imbassahy (BA). Mas o líder da bancada, Ricardo Tripoli (SP), mandou votar contra o relatório e o presidente.

O grosso dos votos anti-Temer saiu da bancada paulista, a de Trípoli. Dos 12 eleitos por São Paulo, 11 queriam degolar o presidente. Um deputado mineiro estava preocupado. Para ele, o placar paulista seria visto por Temer como obra de Alckmin. O perigo, segundo o mineiro preocupado, é o governador ser isolado politicamente pelo presidente e, por tabela, o PSDB inteiro, como vingança.

Esfacelado, o PSDB corre o risco de sumir, ou no mínimo de encolher. Daniel Coelho, por exemplo, comenta nos bastidores da Câmara que o PSDB pode sofrer o que aconteceu com o PMDB. O tucanato nasceu de uma costela peemedebista em 1988, por razões “éticas”. Pela cabeça do deputado preocupado citado acima já passam cogitações de novos habitats partidários.

Sem candidato presidenciável viável, destroçado internamente e atrelado a um governo impopular e com a pecha de corrupto, o PSDB caminha para a implosão.

André Barrocal
No CartaCapital
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Caráter público da magistratura permite que jornalistas critiquem decisões de juiz


As críticas feitas pela imprensa são protegidas constitucionalmente, principalmente quando direcionadas a pessoas públicas. Nessa classificação entram políticos e servidores públicos, como magistrados. Esse entendimento, já pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, foi usado pela 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para absolver o jornalista Ricardo Boechat em uma ação movida por uma juíza do Rio de Janeiro.

A decisão foi tomada por maioria (4 votos a 1) na ação apresentada por Elizabeth Louro, juíza da 4ª Vara do Júri do Rio de Janeiro, depois que Boechat a criticou em seu programana Rádio Bandeirantes. Em 2011, o jornalista repudiou a decisão da magistrada de liberar um homem que degolou uma mulher de 21 anos. Ouça o comentário:



Boechat, representado na ação pelos advogados Lourival José dos Santos e Anderson Fernando Luizeto de Souza, afirmou que a impunidade no Brasil também é culpa das “figuras de toga”, pois aplicação das leis é feita de “maneira fria pelo magistrado”. Em entrevista ao jornalista, Elizabeth Louro justificou que a prisão preventiva só poderia ser decretada se o réu pudesse atrapalhar o processo.

A juíza detalhou que o nível de crueldade do crime é um fator isolado, que não é considerado para definir a necessidade da medida, e destacou que havia suspeitas de que o crime teria sido passional. “Caso você degole alguém covardemente, não se preocupe com a lei, com o caráter, o clamor público ou com a crueldade ou requinte de violência do seu crime, porque a juíza Elizabeth Louro o deixará preso apenas por 44 dias. É o preço de uma vida, segundo o elevado conhecimento jurídico da juíza”, rebateu Boechat.

A juíza, então, explicou ao jornalista que a responsabilidade dela é “zelar que o direito fundamental dos réus sejam preservados enquanto estiverem sendo processados”. Em resposta, o jornalista disse que essa afirmação mostrava que a magistrada é “muito preocupada em preservar os direitos desse assassino”. E complementou: “Se fosse uma filha minha, essa senhora estaria cuspindo na minha cara. Gostaria de perguntar para a senhora: se fosse sua filha, a senhora repetiria esse discurso absolutamente absurdo que acabamos de ouvir?”

Críticas por exposição

O relator do caso na 7ª Câmara Cível do TJ-RJ, desembargador Luciano Saboia Rinaldi de Carvalho, entendeu que a manifestação de Boechat, embora contundente, não caracterizou abuso de direito por conta da função pública exercida pela autora da ação. Esse contexto, segundo o relator, faz com que o fato seja classificado como direito de crítica à decisão judicial, que está dentro da liberdade de imprensa.

Ele destacou em seu voto que o STJ tem jurisprudência sobre tema, entendendo que, se o caso envolve pessoa com vida pública, a proteção à privacidade é menor em relação ao direito de crítica por causa do cargo ou da posição social do criticado. “Apesar do tom passional da matéria, não houve qualquer ofensa pessoal à magistrada que, inclusive, se propôs a justificar sua decisão em entrevista espontaneamente concedida à emissora, não havendo que se falar em ilegalidade na utilização de trechos dessa manifestação na reportagem.”

A decisão mencionou ainda o REsp 1.297.787. Nesse caso, o STJ definiu que magistrados e agentes políticos têm seu direito à privacidade “abrandado ante o direito de crítica jornalística”. “Em uma sociedade democrática, o direito de criticar as decisões judiciais — dentro ou fora dos autos — é emanação da garantia constitucional da livre manifestação do pensamento e da publicidade de todos os julgamentos (CF, art. 93, IX)”, finalizou.

Clique aqui para ler a decisão.

Apelação Cível 0333810-02.2011.8.19.0001

No Conjur
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Greg News com Gregório Duvivier | Aborto


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A História do Brasil por Bóris Fausto - 5 — Período Democrático


Série narrada pelo historiador Bóris Fausto e que, por meio de documentos e imagens de arquivo, traça um panorama político, social e econômico do País, desde os tempos coloniais até os dias atuais. A série é composta, ainda, de entrevistas com algumas personalidades que ajudaram a escrever essa história.

Documentário 5: Período Democrático



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Em homenagem ao diretor de jornalismo da Globo que diz que “não faz campanha”, eis como funciona a campanha contra Lula

FHC, Kamel e Bonner em 2002
Ali Kamel tem uma missão cruel na Globo: mandar cartas para jornais defendendo do indefensável o lugar onde trabalha e, por extensão, seus patrões.

Em maio, respondeu um artigo alegando que a Globo “não tem lado”.

Hoje, o diretor de jornalismo da emissora rebate o colunista Nelson de Sá, que escreve que a Globo perdeu a “queda de braço” com Michel Temer.

Segundo Ali Kamel, a Globo “cobriu a crise política iniciada com as acusações contra o presidente Temer, sem nada esconder, com isenção, como fez com as denúncias que envolveram os ex-presidentes Lula e Dilma”.

Isso é “uma prova de que não protege ninguém”.

O almoço de Rodrigo Maia com o diretor institucional do grupo foi algo “rotineiro”. Nelson “insinuou uma conspiração inexistente”. Kamel não deu o nome do executivo, mas é Paulo Tonet.

A reunião tinha mais cinco políticos. Não foi assunto para nenhum daqueles colunistas da GloboNews que noticiam qualquer coisa.

O final é um clássico instantâneo.

O interesse do “país vem em primeiro lugar”. O arremate: “A Globo faz jornalismo, não faz campanha, nem contra nem a favor. Em respeito ao público.”

Daqui a 50 anos vem um pedido de desculpas. Se bobear, escrito pelo próprio Kamel, se ele ainda estiver vivo e na Globo. Está trabalhando para isso.

Nem ele acredita no que está falando, mas em homenagem a essa empulhação postamos novamente o texto de Willy Delvalle sobre as técnicas de manipulação da Globo contra seu alvo predileto.

1 – DESQUALIFICAÇÃO DE UM LADO

No dia da condenação de Lula, uma reportagem dos noticiários da Globo repercutia a sentença com parlamentares petistas. Antes da presidente do partido falar, a repórter se referia a Gleisi Hoffmann como “ré na Lava-Jato”. O mesmo foi feito com o senador Humberto Costa, “investigado na Lava Jato”. A mensagem que fica é que são corruptos defendendo um corrupto.

O problema não é citar o histórico judicial de um político. Problemático é fazer isso só quando se trata do PT. No caso da direita, não se faz o mesmo a todo tempo. Na mesma reportagem em que Gleisi é chamada de “ré na Lava Jato”, por exemplo, Paulo Bauer, que já foi condenado por improbidade administrativa em Santa Catarina e gravado falando de um esquema de contratação de funcionários fantasmas, é citado apenas como “senador pelo PSDB”.

O mesmo tratamento é dado à senadora Ana Amélia (PP), indicada pelo marido na década de 1980 para ocupar um cargo comissionado em Brasília e acusada anos mais tarde de ocultar uma propriedade rural. No vídeo, ela defende que “a lei é para todos”.

2 – FALSA UNANIMIDADE

Uma grande comunidade de juristas criticou a sentença contra Lula, alegando inexistência de provas, assim como a denúncia apresentada no ano passado pelo procurador Deltan Dallagnol. As críticas quase não apareceram no rádio ou TV. É como se ninguém sério fosse contra a conduta adotada pelos magistrados de Curitiba, só o PT.

3 – ASSOCIAÇÃO DESPROPORCIONAL

No dia da condenação, William Waack, apresentador e editor do Jornal da Globo, abriu o noticiário comemorando a sentença, dizendo que representava um feito contra os “poderosos”. Não mencionou que os processos contra os típicos representantes das elites andam bem mais devagar e com menos rigor, como no caso de Aécio Neves, Michel Temer, os presidentes das duas casas no Congresso, Geddel Vieira Lima e por aí vai…

A revista Veja, em capa recente, coloca Aécio, Lula e Temer na imagem de um mesmo barco. Ignora que a robustez das acusações contra Aécio e Temer é flagrantemente muito maior do que em relação a Lula.

4 – DISTANCIAMENTO SELETIVO

Na hora de ler o posicionamento do PT à sentença de Moro, o repórter no Jornal Nacional diz: “segundo o partido, trata-se de uma medida equivocada, arbitrária e absolutamente ilegal. Afirma ainda que o processo foi conduzido por um juiz parcial, que segundo o PT, presta contas aos meios de comunicação e àqueles que não aceitam a trajetória de sucesso de Lula na presidência”.

Na segunda frase, utiliza-se novamente “segundo o PT”, sendo que o início da frase já introduzido pelo verbo “afirma”, cujo sujeito é o Partido dos Trabalhadores. Isto é, já foi dito que quem fala é o partido. Então, qual a necessidade de reafirmar essa informação num intervalo de tempo tão curto?

5 – ASSUMIR O DISCURSO DA PROCURADORIA COMO VERDADE

Reportagem do G1 ilustra uma postura recorrente em parte da grande imprensa brasileira: “A acusação é pela ocultação da propriedade de uma cobertura triplex em Guarujá, no litoral paulista, recebida como propina da empreiteira OAS, em troca de favores na Petrobras”. O trecho dá como verdade que houve ocultação da propriedade.

A imprensa internacional sempre menciona “de acordo com a procuradoria, …”.

6 – ASSUMIR O DISCURSO DO JUIZ COMO VERDADE

Ainda na abertura do Jornal Nacional do dia 12 de julho de 2017, William Bonner diz: “Moro analisa provas documentais, periciais e testemunhais”. E mais à frente: “Sérgio Moro analisa minuciosamente as provas documentais, periciais e testemunhais para concluir: ‘o ex-presidente Lula é culpado dos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro’”.

O apresentador chama de “provas” aquilo que parte da comunidade jurídica entende como “indícios”. Ao dizer que Moro “analisa minuciosamente” as chamadas provas, Bonner defende a atuação do magistrado, o que, numa concessão pública e em tempos de tanta desconfiança e polarização, não é uma postura “prudente”.

7 – ASSUMIR O DISCURSO DOS DELATORES COMO VERDADE

“Na sentença, o juiz Sergio Moro também cita o depoimento do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, que confirmou que o triplex foi reservado à família de Lula em 2009, que a OAS não poderia vender o imóvel e que a diferença de preço do imóvel e o custo das reformas seriam abatidos das dívidas de propinas do Grupo OAS com o PT, ligado ao esquema da Petrobras.”

O trecho de reportagem do G1 traz um problema também recorrente na conduta de parte da mídia brasileira. Usar verbos como “confessar” e “confirmar” denotam verdade, o que não sabemos estar havendo ou não na palavra dos delatores.

No ano passado, por exemplo, o delator Otávio Azevedo, da empresa Andrade Gutierrez, afirmou que havia depositado um cheque no valor de R$ 1 milhão como propina à campanha de Dilma Rousseff, discurso que foi desmontado quando a defesa dela apresentou um comprovante de que o cheque foi, na verdade, depositado para Michel Temer.

Sendo assim, quando se trata da palavra de um delator, é mais prudente usar os verbos “dizer” e “afirmar”.

8 – APONTAR CONTRADIÇÕES

Quando Lula prestou depoimento a Moro, William Bonner frisou que, em um determinado momento, o juiz Sérgio Moro percebeu uma contradição de Lula.

No entanto, não menciona contradições de outro tipo, como a de que o delator Léo Pinheiro, da OAS, primeiro inocentou Lula e obteve vasta condenação. E que só depois de mudar de discurso, obteve acordo de delação premiada e redução da pena.

9 – ESCONDER QUE OUTROS PARTIDOS DE ESQUERDA CONDENARAM A DECISÃO

Quando só petistas são ouvidos para criticar a condenação de Lula, esconde-se que outros partidos, inclusive críticos ao PT, também são contrários. Exemplo foi o comunicado do PSOL, que pouco ou nada repercutiu na grande imprensa. A posição do partido foi publicada no mesmo dia.

10 – ASSOCIAÇÃO VISUAL

A imagem de um esgoto por onde escorre dinheiro como plano de fundo para a imagem de quem é acusado já é uma condenação implícita, a exemplo do que sempre fazem os noticiários da TV Globo. Não sabemos e não importa se uma pessoa é inocente ou culpada, mas a prática dos jornais da emissora é colocar a imagem do acusado sobre a do dinheiro sujo. Assim, desrespeita-se o princípio constitucional de presunção de inocência. O que há é a presunção de culpa. Assim, basta ser investigado para ser automática e imediatamente condenado.

11 –  POUCA VISIBILIDADE ÀS PESQUISAS DE ELEITORADO

Diversas pesquisas eleitorais vêm sendo realizadas, apontando Lula como o líder das intenções de voto para as eleições do ano que vem. A baixa visibilidade que as pesquisas encontram em parte da imprensa, principalmente na TV Globo, contribui para a tese de que é esse o verdadeiro motivo pelo qual Lula está sendo condenado.

Kiko Nogueira
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Um dos fenômenos mais impactantes do processo histórico vivido pelo país neste momento, é a extensão, profundidade e complexidade alcançadas pelo amplo esquema de contrainformação fascista montado nos últimos anos.

Voltado para atingir não apenas o público geral, mas também segmentos específicos da opinião pública, como a juventude, as igrejas (católicas e evangélicas) os ruralistas e os empresários urbanos, ele tem operado, desde 2013, praticamente sem contestação.

Na ausência de planejamento tático, estratégia, determinação ou articulação, a esquerda, que poderia servir de alternativa a esse discurso, reage, junto com o campo nacionalista e democrático, de uma forma tão lamentável e errática, que as derrotas vão se sucedendo, umas sobre as outras, com grande rapidez e facilidade, como ocorreu com o golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016.

Não há no Brasil uma frente pela democracia. 

Não existe, no país, um comitê estratégico de comunicação, que pudesse, ao menos em parte, suprir a ausência dessa frente, ou transformar-se no seu braço mais atuante, em defesa da Verdade, da Liberdade, do Estado de Direito e da Constituição.

Nem uma coordenação jurídica nacionalista e desenvolvimentista, que possa restabelecer minimamente a justiça e fazer frente  ao verdadeiro tsunami de calúnias produzido de forma mendaz pelo sistema de manipulação entreguista e fascista, em seus moinhos, ininterruptamente ligados, de ódio, mentira e hipocrisia.

E nem sequer grupos de monitoramento dignos desse nome, para ao menos mapear o que está ocorrendo nesse contexto, na internet e nos meios tradicionais de comunicação.

A cada 24 horas, no âmbito econômico e no institucional,  da desculpa da busca de austeridade - agora ridicularizada pelos mais de 3 bilhões em emendas parlamentares aprovados pelo governo - que disfarça e justifica a entrega da nação aos estrangeiros, à suposta defesa da honestidade que justifica, por meio do discurso de combate à corrupção, a destruição do Brasil, de programas e projetos, no valor de centenas de bilhões de reais, são gerados, livre e maciçamente - na mídia, nos organismos de controle, justiça e segurança da República, nos intestinos de uma plutoburocracia sem nenhuma visão geopolítica ou um mínimo de sensibilidade estratégica para com a dimensão e a história do país que está odiosa e irresponsavelmente arrebentando - centenas de ataques (milhares, se somarmos as redes sociais) ao Estado, à Democracia e à Política.

Às principais  empresas nacionais e aos nossos bancos públicos - que poderiam nos servir de instrumento para enfrentar a crise em que nos meteram a propaganda, a conspiração e a sabotagem golpista desde a época da Copa do Mundo - distorcendo descaradamente a verdade, invertendo a realidade dos fatos, criando mitos tão mendazes quanto absurdos.

Disseminam-se, como sementes de ódio que brotam assim que atingem o solo - e tivéssemos sido tomados por um cego, orgásmico e orgiático viralatismo - falsos paradigmas que estão chegando - pela constante repetição, no incansável "pós venda" da "pós-verdade" - a milhões de brasileiros, nos mais diferentes nichos da sociedade e regiões do país, cumprindo sua missão de enfraquecer e destruir o Estado, desnacionalizar a economia e nossos principais  instrumentos de desenvolvimento, e de ajudar a entregar, quem sabe definitivamente, o país ao fascismo, com embrulho de presente e tudo, nas próximas eleições.

Para fazer isso, a  aliança entre direita "light", o anticomunismo tosco e anacrônico e o entreguismo mais abjeto, que encontraram no território brasileiro, nos últimos anos, um campo fértil, adubado com o preconceito e a ignorância, não utilizam apenas a mídia de massa - a ponta mais visível do iceberg que está afundando o país.

Mas também os mais insidiosos métodos ew instrumentos, desenvolvendo estratégias específicas para cada tipo de público, por meio de instituições ligadas a interesses estrangeiros, vide as ligações entre o MBL e os irmãos Koch, por exemplo.

Há palestras e cursos de formação de "liderança" promovidos e financiados por consulados e embaixadas estrangeiras, de países que nos espionaram ainda nesta década.

Há "seminários" organizados por institutos e fundações de "defesa" da "justiça" e da "democracia", que não apenas levam nossos jovens para  outros países, facilitando por meio de "bolsas" suas viagens e estudos, como depois também promovem e premiam, com plaquinhas, diplomas, medalhas, espelhinhos, festinhas, diplomas e miçangas e palestras remuneradas, sua fiel, abjeta e prestimosa "cooperação", quando alcançam algum poder em suas carreiras.

Há centenas de sites  sofisticados, sem fontes de financiamento claras, e também empresas de "consultoria" e  "research" que, a pretexto de prestar  informações ao mercado e a investidores, fazem o mais descarado proselitismo político e antinacional.

Isso, sem serem incomodadas  ou impedidas, na maioria das vezes,  nem pelas autoridades, nem por quem está sendo por elas impiedosa e constantemente caluniado.

Usando, para pescar otários no oceano dos brasileiros comuns, maciças - e caríssimas - campanhas de mídia dirigida, que, por sua extensão e capilaridade, devem envolver, principalmente na internet, milhões de reais.

Ora, todo mundo com um mínimo de conhecimento histórico sabe que, desde o início dos tempos, a mentira e o medo são as duas principais muletas do fascismo.

Que as utiliza para percorrer a trilha, pavimentada pela desinformação e a ignorância,  que costuma conduzí-lo ao poder, aonde finalmente calçará, sem abandoná-las como apoio para equilibrar-se, as pesadas botas do terror e do autoritarismo.

Quando na oposição, a falsidade e o preconceito servem ao fascismo para incentivar o golpismo.

Quando na situação, para impedir que ascendam novamente ao poder forças que possam se opor a ele.

Em fevereiro de 2015, denunciamos, em um texto para o qual recomendaríamos novamente a leitura, publicado na "Revista do Brasil", com o título de "O "FIM" DO BRASIL", a realização, na linha do "tenho medo", lembram-se? - de uma ampla campanha de mídia, dirigida principalmente para os meios empresariais, disfarçada como a venda de relatório de conjuntura, que afirmava - dentro da estratégia de  disseminação e justificação do golpismo - que o Brasil iria "quebrar" naquele ano.

Por trás dela, estava uma empresa de "consultoria" cuja principal missão tem sido, nos últimos anos, a de explorar e apoiar abertamente o anticomunismo e o antipetismo no Brasil, adotando o sensacionalismo mais vulgar e o mais descarado terrorismo econômico, mesma estratégia que adota  em outros "mercados", como Portugal, por exemplo.

Não apenas negando as eventuais conquistas que o país obteve na última década, mas, principalmente, assustando um público ignorante em economia, suscetível e contaminado ideologicamente pelo discurso conservador, privatista, entreguista e antibrasileiro vigente.

Ameaçando-os com a perspectiva da volta ao poder de um governo nacionalista, capaz de recolocar o país, por meio de um programa desenvolvimentista, em uma situação minimamente soberana e digna diante do mundo.

Agora, com a mesma estratégia, já denunciada, entre  outros, por Fernando Brito, Tereza Cruvinel e Denise Assis - a de apresentar um discurso escarradamente político, em sua forma e consequências, como peça de propaganda de uma pseudo "análise exclusiva" - essa mesma empresa, a EMPIRICUS - sócia do site Antagonista e já processada pela CVM e o MP de São Paulo - está promovendo outra campanha milionária, que, no lugar de "O FIM DO BRASIL" traz como apelo o alerta "A AMEAÇA QUE PODE ARRUINAR COM O PATRIMÔNIO DE SUA FAMÍLIA".

Usando como principal gancho o retorno de Lula - que tirou o Brasil da decima-terceira economia do mundo e levou para sexta, hoje, ainda, nona posição, pagou a dívida com o FMI, triplicou o PIB, e multiplicou por 10, para 340 bilhões de dólares, as reservas internacionais - à Presidência da República e defendendo, em outra peça de propaganda, a condenação definitiva do ex-presidente como um fator de melhora da situação para os investidores.

Em homenagem a Goering (Goebbels era mais sofisticado) vale a pena ler, na íntegra, o fac-símile dessa pilantragem:


Agora, resta saber o que o PT poderia fazer a respeito disso.

O leitor escolha, nas alternativas abaixo, como nas provas do Ministério Público:

a) Chamar alguns economistas sérios e incentivar a montagem de uma consultoria para concorrer - ao menos institucionalmente - com a Empiricus, que possa finalmente explicar aos investidores - e a parte da opinião pública - o que realmente ocorreu com a economia  brasileira desde 2002.

b) Mandar alguém fazer um estudo criterioso dos "relatórios" da EMPIRICUS nos últimos anos e mostrar que, entre os alegados 1.6 milhão de "leitores" que a seguem, muita gente jogou dinheiro fora - como no caso das ações da Petrobras - ao se deixar contaminar ideologicamente e indo atrás da conversa fiada deles.   

c) Processar - como já fez no passado - essa pseudo consultoria junto ao TSE por propaganda (ou contra informação) eleitoral antecipada.

d) Não fazer absolutamente nada, porque trata-se  de um caso típico de liberdade de expressão, ou porque "isso não vem ao caso", como diz certo  juiz "imparcial" de Curitiba.
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