30 de jul de 2017

Hércules 56


Hércules 56 é um documentário de longa metragem sobre a luta armada contra o regime militar, focado no seqüestro do embaixador Charles Burke Elbrick, ocorrido na Semana da Independência de 1969. Em troca do diplomata foi exigida a divulgação de uma manifesto revolucionário e a libertação de quinze presos políticos, representantes à época de todas as tendências políticas que combatiam a ditadura. Banidos do território nacional e com a nacionalidade cassada, eles foram conduzidos ao México no avião da FAB Hércules 56.

Os personagens principais do filme são os remanescentes daquele grupo: Agonalto Pacheco, Flávio Tavares, José Dirceu, José Ibrahin, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, Mario Zanconato, Ricardo Vilas, Ricardo Zarattini e Vladimir Palmeira. Os que já faleceram estão presentes através de materiais de arquivo: Luís Travassos, Onofre Pinto, Rolando Frati, João Leonardo Rocha, Ivens Marchetti e Gregório Bezerra. Em entrevistas individuais, eles relatam as condições de atuação política no final dos anos 1960, a prisão, a libertação, a curta permanência no México e o período vivido em Cuba, terminando por avaliar a experiência da luta armada no Brasil.

Para rememorar os objetivos e detalhes do seqüestro, o seu contexto e a repercussão sobre o processo político nacional, o filme promove a reunião de Cláudio Torres, Daniel Aarão Reis e Franklin Martins, dirigentes da Dissidência da Guanabara (DI-GB), que idealizou a ação e passou então a adotar a sigla MR-8; e Manoel Cyrillo e Paulo de Tarso Venceslau, os dois únicos remanescentes da Ação Libertadora Nacional (ALN), que realizou conjuntamente a operação.

Uma terceira linha narrativa é constituída por extenso material audiovisual de época, em grande parte inédito no Brasil, pesquisado nos Estados Unidos, Cuba, França e México.

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Alarmes falsos alimentam rede de simpatizantes de Bolsonaro


Notícias falsas e comentários alarmistas de cunho islamofóbico alimentam a rede virtual de simpatizantes de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), em um ambiente similar ao da campanha que elegeu Donald Trump nos EUA.

Muitas vezes, os conteúdos giram em círculos, mesmo depois de contestados, abastecendo grupos por semanas.

Em junho, ocorreu um caso exemplar. Viralizou um áudio atribuído ao senador Magno Malta (PR-ES) – ele nega – em que o narrador anuncia "a invasão de 1,8 milhão de muçulmanos" ao país.

Seria supostamente estratégia do governo Michel Temer para agradar a ONU, "que é completamente islâmica", para obter assento permanente no Conselho de Segurança do organismo, que se define pela neutralidade política, geográfica e religiosa.

Não há sinais de "invasão" no Brasil. Segundo a Polícia Federal, 399 sírios pediram refúgio ao Brasil de janeiro a maio deste ano. Somando-se solicitações do Líbano e do Iraque, há 1.094 pedidos em 2017. A entrada é controlada.

Mas a mensagem pede "intervenção hoje". "Bem-vindos ao Brasilquistão, a nova Turquia da América Latina. Espero que Bolsonaro ganhe, pelo amor de Deus. Espero que as Forças Armadas façam algo, porque [senão] o nosso país estará destroçado", diz o narrador.

Bolsonaro está em campanha para viabilizar uma candidatura à Presidência em 2018. Desde o ano passado, quando foi batizado pelo pastor Everaldo no rio Jordão, faz acenos ao eleitorado evangélico enaltecendo Israel.

Essa agenda acabou por aproximá-lo de parte da comunidade judaica.

Terrorismo

Em um vídeo na semana passada, uma simpatizante de Bolsonaro que se identifica como Jane Silva, "pastora e presidente da Comunidade Internacional Brasil-Israel", afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "deu de presente" uma embaixada para a Palestina.



"E para quê? Para trazer o terrorismo, eles financiam o terrorismo no Brasil", disse.

O país condena o terrorismo e aprovou lei no passado que tipifica o crime. Tem como praxe doar áreas para embaixadas, como foi feito com a Palestina em 2010. Em reciprocidade, recebeu doação, em 2015, de terreno em Ramalá. A construção é custeada pelo país estrangeiro.

"O Brasil dá tudo de graça, pega o nosso arroz e manda para a Faixa de Gaza, pega o nosso dinheiro e investe numa embaixada caríssima, e nós passamos necessidades", reclama essa pastora, em possível referência à doação de R$ 25 milhões anunciada por Lula à faixa de Gaza em 2010.

Em seguida, ela mira o ministro de Relações Exteriores: "Aloysio Nunes recebe ordens no Itamaraty daqui".

O ministro entrou na rota dos ataques virtuais quando da tramitação da Lei de Migração, de sua autoria, que estabeleceu regras mais flexíveis para imigrantes.

"Embora meu Facebook tenha sido inundado com esse tipo de conteúdo falacioso, o impacto fora da rede foi mínimo: meia dúzia de gatos pingados foi às ruas protestar", afirmou à Folha.

"Os fatos desmentem o ridículo, mas é importante encontrar mecanismos capazes de frear a disseminação de notícias falsas. Porque se consolidou a ideia de que notícia falsa é a notícia com a qual não se concorda, e isso é perigosíssimo", concluiu.

Procurada, Jane Silva não respondeu à reportagem.

Viagem aos EUA

Em sua campanha à Presidência dos EUA, Trump fomentou a islamofobia ao generalizar a associação de terrorismo com muçulmanos. Bolsonaro, de sua parte, concorda com a "preocupação" do americano.

"Junto com as laranjas boas vêm as podres e podemos, mais cedo ou mais tarde, ter essa preocupação", disse o deputado sobre refugiados.

Quanto a notícias falsas e alarmistas, ele diz que "não estimula nada, cada um é responsável pela opinião que emite". Mas, na retórica, vai na mesma linha.

"Agora, eu te pergunto: se chegarem dez milhões [de refugiados] em navios, eles vão poder entrar aqui? O Brasil é muito complacente. O governo não se manifesta, o pessoal acaba ficando no Brasil."

Bolsonaro planeja percorrer cidades americanas em outubro para tratar dessa e outras agendas em comum. Diz que tem uma rede de apoiadores no país.

Para Salem Nasser, professor na Fundação Getulio Vargas que estuda o direito islâmico e sua relação com o direito internacional, o discurso conservador brasileiro contra muçulmanos demonstra "ignorância absoluta".

A comunidade islâmica brasileira é sensivelmente diferente da americana e europeia, uma vez que é formada sobretudo por sírios e libaneses, enquanto nas outras regiões há muitos africanos.

"Nossa leitura sobre o tema não é fina, não é sofisticada", afirmou Nasser. "Dá uma abertura muito grande para teorias conspiratórias."

Thais Bilenky
No fAlha
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A picaretagem nas concessões de rádio e TV

O artigo 54 da Constituição Federal não deixa qualquer margem à dúvida:

Os Deputados e Senadores não poderão:

I - desde a expedição do diploma:

a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes;

b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades constantes da alínea anterior.


Apesar desta norma constitucional explícita, vários parlamentares são proprietários ou sócios de emissoras de rádio e tevê – típicas “empresas concessionárias de serviço público”. Os governos, sempre temerosos diante do poder da ditadura da mídia, nunca fizeram nada para coibir esta flagrante ilegalidade. Nos últimos anos, porém, diante das denúncias e processos contra esta picaretagem, deputados e senadores usaram a manobra rasteira de repassar suas “concessões” para parentes, conforme descreve matéria da Folha publicada nesta quinta-feira (27). Entre os picaretas encontra-se o cambaleante Aécio Neves, o grão-tucano que a “Justiça” insiste em manter impune apesar da sua radiante carreira de crimes.

Segundo a reportagem, “deputados federais e senadores que eram sócios de emissoras de rádio ou TV repassaram as cotas de sociedade para filhos, irmãos, pais e aliados políticos. As transferências foram feitas após a instauração de inquéritos e ações civis públicas, movidos pelo Ministério Público Federal em 2015, questionando as concessões em nome de parlamentares”. A matéria, que até tenta limpar a barra dos parlamentares relativizando o que está inscrito na Constituição, cita alguns casos que estão em tramitação na Justiça. Vale conferir o nome dos denunciados e o atual quadro jurídico:

* * *

— O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) deu lugar à filha Giovana Barbalho na sociedade da Rádio Clube do Pará. Em junho, um juiz federal suspendeu as transmissões da emissora sob o argumento de que o quadro de sócios da empresa segue constituído por “outros membros da família".

— Já em Minas Gerais, o Tribunal Regional Federal entendeu que o fato de Aécio Neves transferir, em setembro de 2016, suas ações na rádio Arco Íris – 44% do capital da emissora – à irmã, Andréa Neves, anulava irregularidades na concessão, já que ele havia saído da sociedade. O MPF recorreu e ainda não há decisão.

— Entre os parlamentares que se valeram de parentes para repassar as concessões está o senador José Agripino Maia (DEM-RN), que vendeu a dois irmãos e à mãe cotas de uma rede de televisão e de emissoras de rádio no Rio Grande do Norte. ‘Essas emissoras pertenciam ao meu pai, recebi por herança. Mas houve esse questionamento, optei por vender as ações para meus irmãos e minha mãe. Não queria prejudicá-los’, afirma. O processo contra ele foi extinto.

— O filho de Agripino, o deputado federal Felipe Maia (DEM-RN), abriu mão da participação em duas rádios na qual era sócio, vendendo para primos. O senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE) e os deputados Beto Mansur (PRB-SP) e Domingos Neto (PSD-CE) também repassaram as ações de emissoras de rádio e TV para parentes. Os dois primeiros para os filhos, o segundo para o pai.

— Além da rádio de Jader e Elcione Barbalho, outras duas emissoras foram temporariamente suspensas por meio de decisão liminar. Em 2016, a AM Show, de Jardinópolis (SP), que teve o deputado federal Baleia Rossi (PMDB-SP) como sócio, foi retirada do ar.

* * *

Ainda de acordo com a reportagem, há três ações sobre o tema em tramitação no Supremo Tribunal Federal. Duas pedem a inconstitucionalidade das concessões de rádio e TV para qualquer político com cargos eletivos, não só deputados e senadores. Já outra, no extremo oposto, foi apresentada pelo usurpador Michel Temer, em dezembro de 2016, e pede na maior caradura a suspensão de todos os processos envolvendo concessões de parlamentares e das liminares que interromperam a transmissão de rádios e TVs até o julgamento final dos casos. “O pedido foi indeferido pela ministra do STF Rosa Weber, mas, devido a um recurso, o caso permanece inconcluso”.

Altamiro Borges
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Os jornais e os operários, por Antonio Gramsci

Desenho de Gianluca Costantini para o Instituto Gramsci de Turim
É a época da publicidade para as assinaturas. Os diretores e os administradores dos jornais burgueses arrumam as suas vitrines, passam uma mão de tinta na tabuleta e chamam a atenção do passante (isto é, do leitor) para a sua mercadoria. A mercadoria é aquela folha de quatro ou seis páginas que todas as manhãs ou todas as tardes vai injetar no espírito do leitor a maneira de sentir e de julgar os fatos da atualidade política que mais convém aos produtores e vendedores de papel impresso.

Iremos tentar discorrer, para os operários especialmente, sobre a importância e a gravidade daquele ato aparentemente tão inocente que consiste em escolher o jornal que se pretende assinar. É uma escolha cheia de insídias e de perigos que deveria ser feita com consciência, com critério e depois de amadurecida reflexão.

Antes de tudo, o operário deve negar decididamente qualquer solidariedade com o jornal burguês. Deveria recordar-se sempre, sempre, sempre, que o jornal burguês (qualquer que seja a sua tinta) é um instrumento de luta movido por ideias e interesses que estão em contraste com os seus. Tudo o que se publica é constantemente influenciado por uma ideia: servir à classe dominante, o que se traduz num fato: combater a classe trabalhadora. E, realmente, da primeira à última linha, o jornal burguês sente e revela esta preocupação.

Mas o pior reside nisto: em vez de pedir dinheiro à classe burguesa para subvencionar a obra de defesa feita em seu favor, o jornal burguês consegue fazer-se pagar pela própria classe trabalhadora que ele combate sempre. E a classe trabalhadora paga, pontualmente, generosamente.

Centenas de milhares de operários contribuem regularmente todos os dias com seu dinheiro para o jornal burguês, aumentando a sua potência. Por quê? Se perguntarem ao primeiro operário que encontrarem no bonde ou na rua, com a folha burguesa desdobrada à sua frente, ouvirão esta resposta: “porque preciso saber o que há de novo”. E nem sequer lhe passa pela cabeça que as notícias e os ingredientes com as quais são cozinhadas podem ser apresentados de uma forma que dirija o seu pensamento e influa no seu espírito num determinado sentido. E, no entanto, ele sabe que tal jornal é conservador, que o outro é interesseiro, que o terceiro, o quarto e o quinto estão ligados a grupos políticos que têm interesses diametralmente opostos aos seus.

Todos os dias, pois, ocorre a este mesmo operário a possibilidade de constatar pessoalmente que os jornais burgueses apresentam os fatos, mesmo os mais simples, de modo a favorecer a classe burguesa e a política burguesa em prejuízo da política e da classe operária. Estoura uma greve? Para o jornal burguês os operários nunca têm razão. Há manifestação? Os manifestantes, apenas porque são operários, são sempre os desordeiros, os partidários, os vândalos. O governo aprova uma lei? É sempre boa, útil e justa, ainda que seja o oposto. Desenvolve-se uma campanha eleitoral, política ou administrativa? Os melhores candidatos e programas são sempre os dos partidos burgueses.

E não falemos daqueles casos em que o jornal burguês ou omite ou distorce ou falsifica para enganar, iludir e manter na ignorância o público trabalhador. Apesar disto, a aquiescência culposa do operário em relação ao jornal burguês não tem limites. É preciso reagir contra ela e despertar o operário para a exata avaliação da realidade. É preciso dizer e repetir que a moeda atirada distraidamente na mão do jornaleiro é um projétil oferecido ao jornal burguês que o lançará depois, no momento oportuno, contra a massa operária.

Se os operários se convencessem desta elementaríssima verdade, aprenderiam a boicotar a imprensa burguesa, em bloco e com a mesma disciplina com que a burguesia boicota os jornais dos operários, isto é, a imprensa socialista. Não contribuam com dinheiro para a imprensa burguesa que vos é adversária: eis qual deve ser o nosso grito de guerra neste momento, caracterizado pelas campanhas de assinaturas feitas por todos os jornais burgueses. Boicotem, boicotem, boicotem.

Antonio Gramsci, no Avanti! em 1916
No Socialista Morena
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Jessé Souza: “A classe média é feita de imbecil pela elite”

Os extratos médios, diz o sociólogo, defendem de forma acrítica os interesses dos donos do poder e perpetuam uma sociedade cruel forjada na escravidão

Um deles é pato
Em agosto, o sociólogo Jessé Souza lança novo livro, A Elite do Atraso – da Escravidão à Lava Jato. De certa forma, a obra compõe uma trilogia, ao lado de A Tolice da Inteligência Brasileira, de 2015, e de A Ralé Brasileira, de 2009, um esforço de repensar a formação do País.

Neste novo estudo, o ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada aprofunda sua crítica à tese do patrimonialismo como origem de nossas mazelas e localiza na escravidão os genes de uma sociedade “sem culpa e remorso, que humilha e mata os pobres”. A mídia, a Justiça e a intelectualidade, de maneira quase unânime, afirma Souza na entrevista a seguir, estão a serviço dos donos do poder e se irmanam no objetivo de manter o povo em um estado permanente de letargia. A classe média, acrescenta, não percebe como é usada. “É feita de imbecil” pela elite.

CartaCapital: O impeachment de Dilma Rousseff, afirma o senhor, foi mais uma prova do pacto antipopular histórico que vigora no Brasil. Pode explicar?

Jessé Souza: A construção desse pacto se dá logo a partir da libertação dos escravos, em 1888. A uma ínfima elite econômica se une uma classe, que podemos chamar de média, detentora do conhecimento tido como legítimo e prestigioso. Ela também compõe a casta de privilegiados. São juízes, jornalistas, professores universitários. O capital econômico e o cultural serão as forças de reprodução do sistema no Brasil.

Em outra ponta, temos uma classe trabalhadora precarizada, próxima dos herdeiros da escravidão, secularmente abandonados. Eles se reproduzem aos trancos e barrancos, formam uma espécie de família desestruturada, sem acesso à educação formal. É majoritariamente negra, mas não só. Aos negros libertos juntaram-se, mais tarde, os migrantes nordestinos. Essa classe desprotegida herda o ódio e o desprezo antes destinados aos escravos. E pode ser identificada pela carência de acesso a serviços e direitos. Sua função na sociedade é vender a energia muscular, como animais. É ao mesmo tempo explorada e odiada.

A sociedade brasileira foi forjada à sombra da escravidão, é isso?

Exatamente. Muito se fala sobre a escravidão e pouco se reflete a respeito. A escravidão é tratada como um “nome” e não como um “conceito científico” que cria relações sociais muito específicas. Atribuiu-se muitas de nossas características à dita herança portuguesa, mas não havia escravidão em Portugal. Somos, nós brasileiros, filhos de um ambiente escravocrata, que cria um tipo de família específico, uma Justiça específica, uma economia específica. Aqui valia tomar a terra dos outros à força, para acumular capital, como acontece até hoje, e humilhar e condenar os mais frágeis ao abandono e à humilhação cotidiana.

Um modelo que se perpetua, anota o senhor no novo livro.

Sim. Como essa herança nunca foi refletida e criticada, continua sob outras máscaras. O ódio aos pobres é tão intenso que qualquer melhora na miséria gera reação violenta, apoiada pela mídia. E o tipo de rapina econômica de curto prazo que também reflete o mesmo padrão do escravismo.

Como isso influencia a interpretação do Brasil?

A recusa em confrontar o passado escravista gera uma incompreensão sobre o Brasil moderno. Incluo no problema de interpretação da realidade a tese do patrimonialismo, que tanto a direita quanto a esquerda, colonizada intelectualmente pela direita, adoram. O conceito de patrimonialismo serve para encobrir os interesses organizados no chamado mercado. Estigmatiza a política e o Estado, os “corruptos”, e estimula em contraponto a ideia de que o mercado é um poço de virtudes.

"O ódio aos pobres é intenso"

O moralismo seletivo de certos setores não exprime mais um ódio de classe do que a aversão à corrupção?

Sim. Uma parte privilegiada da sociedade passou a se sentir ameaçada pela pequena ascensão econômica desses grupos historicamente abandonados. Esse sentimento se expressava na irritação com a presença de pobres em shopping centers e nos aeroportos, que, segundo essa elite, tinham se tornado rodoviárias.

A irritação aumentou quando os pobres passaram a frequentar as universidades. Por quê? A partir desse momento, investiu-se contra uma das bases do poder de uma das alas que compõem o pacto antipopular, o acesso privilegiado, quase exclusivo, ao conhecimento formal considerado legítimo. Esse incômodo, até pouco tempo atrás, só podia ser compartilhado em uma roda de amigos. Não era de bom tom criticar a melhora de vida dos mais pobres.

Como o moralismo entra em cena?

O moralismo seletivo tem servido para atingir os principais agentes dessa pequena ascensão social, Lula e o PT. São o alvo da ira em um sistema político montado para ser corrompido, não por indivíduos, mas pelo mercado. São os grandes oligopólios e o sistema financeiro que mandam no País e que promovem a verdadeira corrupção, quantitativamente muito maior do que essa merreca exposta pela Lava Jato. O procurador-geral, Rodrigo Janot, comemora a devolução de 1 bilhão de reais aos cofres públicos com a operação. Só em juros e isenções fiscais o Brasil perde mil vezes mais.

Esse pacto antipopular pode ser rompido? O fato de os antigos representantes políticos dessa elite terem se tornado alvo da Lava Jato não fragiliza essa relação, ao menos neste momento?

Sem um pensamento articulado e novo, não. A única saída seria explicitar o papel da elite, que prospera no saque, na rapina. A classe média é feita de imbecil. Existe uma elite que a explora. Basta se pensar no custo da saúde pública. Por que é tão cara? Porque o sistema financeiro se apropriou dela. O custo da escola privada, da alimentação. A classe média está com a corda no pescoço, pois sustenta uma ínfima minoria de privilegiados, que enforca todo o resto da sociedade. A base da corrupção é uma elite econômica que compra a mídia, a Justiça, a política, e mantém o povo em um estado permanente de imbecilidade.

Qual a diferença entre a escravidão no Brasil e nos Estados Unidos?

Não há tanta diferença. Nos Estados Unidos, a parte não escravocrata dominou a porção escravocrata. No Brasil, isso jamais aconteceu. Ou seja, aqui é ainda pior. Os Estados Unidos não são, porém, exemplares. Por conta da escravidão, são extremamente desiguais e violentos. Em países de passado escravocrata, não se vê a prática da cidadania. Um pensador importante, Norbert Elias, explica a civilização europeia a partir da ruptura com a escravidão. É simples. Sem que se considere o outro humano, não se carrega culpa ou remorso. No Brasil atual prospera uma sociedade sem culpa e sem remorso, que humilha e mata os pobres.

CC: Algum dia a sociedade brasileira terá consciência das profundas desigualdades e suas consequências?

Acho difícil. Com a mídia que temos, desregulada e a serviço do dinheiro, e a falta de um padrão de comparação para quem recebe as notícias, fica muito complicado. É ridícula a nossa televisão. Aqui você tem programas de debates com convidados que falam a mesma coisa. Isso não existe em nenhum país minimamente civilizado. É difícil criar um processo de aprendizado.

CC: O senhor acredita em eleições em 2018?

Com a nossa elite, a nossa mídia, a nossa Justiça, tudo é possível. O principal fator de coesão da elite é o ódio aos pobres. Os políticos, por sua vez, viraram símbolo da rapinagem. Eles roubam mesmo, ao menos em grande parte, mas, em analogia com o narcotráfico, não passam de “aviõezinhos”. Os donos da boca de fumo são o sistema financeiro e os oligopólios. São estes que assaltam o País em grandes proporções. E somos cegos em relação a esse aspecto. A privatização do Estado é montada por esses grandes grupos. Não conseguimos perceber a atuação do chamado mercado. Fomos imbecilizados por essa mídia, que é paga pelos agentes desse mercado. Somos induzidos a acreditar que o poder público só se contrapõe aos indivíduos e não a esses interesses corporativos organizados. O poder real consegue ficar invisível no País.

O quanto as manifestações de junho de 2013, iniciadas com os protestos contra o reajuste das tarifas de ônibus em São Paulo, criaram o ambiente para a atual crise política?

Desde o início aquelas manifestações me pareceram suspeitas. Quem estava nas ruas não era o povo, era gente que sistematicamente votava contra o projeto do PT, contra a inclusão social. Comandada pela Rede Globo, a mídia logrou construir uma espécie de soberania virtual. Não existe alternativa à soberania popular. Só ela serve como base de qualquer poder legítimo. Essa mídia venal, que nunca foi emancipadora, montou um teatro, uma farsa de proporções gigantescas, em torno dessa soberania virtual.

Mas aquelas manifestações foram iniciadas por um grupo supostamente ligado a ideias progressistas...

Só no início. A mídia, especialmente a Rede Globo, se sentiu ameaçada no começo daqueles protestos. E qual foi a reação? Os meios de comunicação chamaram o seu povo para as ruas. Assistimos ao retorno da família, propriedade e tradição. Os mesmos “valores” que justificaram as passeatas a favor do golpe nos anos 60, empunhados pelos mesmos grupos que antes hostilizavam Getúlio Vargas. Esse pacto antipopular sempre buscou tornar suspeito qualquer representante das classes populares que pudesse ser levado pelo voto ao comando do Estado. Não por acaso, todos os líderes populares que chegaram ao poder foram destituídos por meio de golpes.

Sergio Lirio | CartaCapital
No DCM
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O fim da hipocrisia


A hipocrisia acabou, basta ver as pessoas se xingando diariamente nas redes sociais, se ofendendo por serem ou pensarem de modos diferentes. Isso é ruim, ou é bom, afinal? Em que rumo estamos caminhando, a que tudo isso vai nos levar?

O que é melhor, a hostilidade sincera ou a dissimulada? Num dos vários locais onde já trabalhei, cheguei a desejar que as pessoas fossem hipócritas, pois num ambiente de ofensas abertas ficava difícil se concentrar. Lembro que pensei na época, “agora entendi para que serve a hipocrisia”, pois se as pessoas falassem pelas costas, ao invés de ofender pela frente, haveria menos tumultos explícitos e constantes.

A hipocrisia é necessária ao funcionamento social, mas dificulta a evolução civilizatória, já que mascara os problemas, como se eles não existissem. O preconceito velado é o pior tipo de racismo, de homofobia, de sexismo, e de qualquer forma de preconceito sócio-econômico ou cultural, como por exemplo o choque entre a cultura sulista e a nordestina, no Brasil.

Numa sociedade sem um mínimo de hipocrisia, as pessoas poderiam se matar nas ruas, para resolver as suas diferenças, desprovidas de quaisquer máscaras de socialização e convivência entre opostos. Numa sociedade sem um mínimo de sinceridade, inclusive para nossos pensamentos maldosos e preconceituosos, nunca iriamos debater nada mais profundamente, fazendo de conta que tudo estaria bem.

Teoricamente, tanto a hipocrisia quanto as brigas sinceras são necessárias, porque cada uma tem uma função própria no processo civilizatório. Naquele lugar onde cheguei a desejar a hipocrisia, a consequência após as brigas extrapolarem os limites foi a transferência de pessoas para outros locais, pelo insuportável da convivência que impedia o trabalho. O resultado final foi surpreendente, pois após alguns anos as pessoas voltaram a conviver mas num outro patamar de relacionamento. Todos já haviam firmado sua identidade profissional e não havia mais porque brigar, se passou para a etapa de reconhecimento das diferenças.

Desagradáveis e até perigosos, quando a hostilidade foge ao controle, os conflitos são essenciais à evolução. Quando Donald Trump foi recebido por Angela Merkel e citou muros no seu discurso, a chanceler alemã falou em construir pontes ao invés de muros. Os alemães tiveram de exorcizar os próprios fantasmas do nazismo e sabem reconhecer os germes dele no discurso do Trump. Os americanos que ainda não tiveram seu Hitler ou Stalin tem agora seu líder mais belicoso e que está dividindo o país, com sua mania de superioridade explícita, o que já foi mais implícito na cultura americana. Seja no Brasil ou nos Estados Unidos, os piores debates são necessários para um aprendizado coletivo, para uma evolução cultural.

Montserrat Martins é médico e bacharel em ciências jurídicas e sociais.
No Sul21
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Nunca fomos tão felizes

25/08/2010

A geração do bem-estar

Com a economia a todo vapor e os avanços sociais no país, brasileiros descobrem que nunca foram tão felizes

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1. A estudante de direito da PUC-SP Laís Pragana, 19 anos, diz que a família está tão bem que até o pai já pensa em fazer faculdade 2. A motogirl Denise Cardoso, 27 anos, jamais ganhou tanto: de um ano para o outro, sua renda passou de R$ 1,8 mil para R$ 2,8 mil 3. O executivo Sérgio Moryama, 38 anos, foi promovido porque sua empresa está quebrando recordes de vendas de planos de saúde 4. A psicóloga Rochele Mendonça, 31 anos, viajou para o Exterior pela primeira vez porque pôde parcelar as passagens em suaves prestações 5. O açougueiro José da Silva Batista, 32 anos, ganhou um aumento, comprou uma moto e agora planeja adquirir um carro 6. O frentista Adriano dos Santos, 29 anos, arranjou um emprego novo e aumentou seu salário 7. O eletricista Valdivino Coelho, 40 anos, conseguiu enfim comprar um terreno para construir a casa própria 8. A atendente de telemarketing Daniela Martinez, 18 anos, juntou dinheiro e fez uma viagem para Londres. 9. O advogado José Guilherme de Almeida, 55 anos, trocou um espaçoso apartamento no Rio de Janeiro por um imóvel maior ainda 10. A estudante de medicina em Brasília Sarah Xavier, 24 anos, bancou a faculdade com uma bolsa do ProUni. Ela é o primeiro membro da família a fazer curso superior 11. O empresário Luiz Marques dos Santos, 49 anos, ampliou sua loja de material de construção graças ao crédito farto 12. A gerente de loja Karen Pizzoni, 37 anos, comprou casa, carro e viaja todo ano para o Exterior 13. A gari Roberta Maria da Silva, 30 anos, comprou um celular para o filho de 15 anos e vai presentear a filha de 13 com um perfume caro 14. A arrumadeira Ademárcia Lopes da Silva, 33 anos, vai trabalhar com o carro próprio e construiu sua casa 15. O jardineiro Hamilton Morais de Oliveira, 42 anos, conseguiu comprar quatro motos com os R$ 900 que recebe por mês 16. O pequeno empresário Sane Leite, 37 anos, estava falido em 2003, mas agora é dono de uma revendedora de carros que emprega 12 pessoas 17. A cozinheira Govinda Lilamrta, 25 anos, tem uma filha (Nana, 5 anos) e está investindo em um curso de culinária e em aulas de inglês 18. A executiva Hercília Ícara Oliveira, 22 anos, realizou em junho um sonho de vida: foi contratada por uma multinacional

O advogado José Guilherme Costa de Almeida, 55 anos, vai mudar de casa nos próximos dias. Com os ganhos em alta, ele decidiu trocar um confortável apartamento na Glória, no Rio de Janeiro, por um imóvel ainda mais espaçoso em Santa Tereza. O pequeno empresário Sane Leite, 37 anos, estava falido em 2003. Sem um tostão no bolso, conseguiu emprego na loja de carros de um amigo. Dois anos depois, comprou o negócio. Hoje, a revendedora em Sobradinho (DF) emprega 12 pessoas e o ajuda a sustentar cinco filhos de quatro casamentos. A estudante de medicina Sarah Xavier vai se formar no final do ano na Universidade Católica de Brasília. Ela é a primeira de sua família a concluir a faculdade – alcançou o improvável graças a uma bolsa do programa ProUni. A cozinheira Govinda Lilamrta, 25 anos, conseguiu em 2010 realizar um sonho antigo: começou a estudar inglês em uma escola particular de São Paulo. “E sou eu que banco o curso”, diz. A gari Roberta Maria da Silva, 30, está orgulhosa. Depois de economizar o ano inteiro, adquiriu um celular para o filho de 15 anos e agora planeja comprar um perfume para a filha de 13. Representantes de todas as classes sociais do País, os brasileiros listados acima vivem um momento singular: eles nunca foram tão felizes. Não são os únicos. Com a economia a todo vapor, o sentimento de bem-estar poucas vezes esteve tão presente na vida nacional (em inglês, essa sensação é chamada de “feel good factor”) e a avalanche de indicadores positivos faz supor que o otimismo vai durar muito tempo.

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É consenso entre economistas que existe uma relação entre o aumento da renda das pessoas e a sensação de bem-estar. O fenômeno é observado principalmente nos países em desenvolvimento. Nas nações ricas, mais ou menos dinheiro quase não afeta a percepção de felicidade de seus habitantes – como eles já estão satisfeitos, o prazer da conquista tende a ser menor. O caso brasileiro é diferente, pois o País passou por uma transformação brutal nos últimos 15 anos. A estabilidade econômica foi o ponto de partida para que o Brasil finalmente desse início a um processo de grande mobilidade social. Um movimento capaz de tirar da linha da pobreza milhões de brasileiros, de alçar à condição de classe média um contingente enorme de trabalhadores e de proporcionar uma rápida escalada para quem já estava perto do topo. Assim, todos tiveram – e continuam tendo – oportunidade de dar prosseguimento a seus sonhos. Segundo o economista Eduardo Giannetti, autor do livro “Felicidade”, existe até um número mágico para delimitar o grau de satisfação de um país. “Estudos mostram que, quando uma nação tem PIB per capita de até US$ 10 mil, há uma forte correlação entre aumento da renda e melhoria do bem-estar coletivo”, diz. “Depois isso, essa associação perde importância.”

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De acordo com o raciocínio de Giannetti, os indicadores econômicos mostram que, num certo sentido, vivemos o ápice do bem-estar. Depois de amargar crescimentos pífios nos anos 1980 e 1990, o Brasil vai encerrar a atual década com uma impressionante disparada de 163% em sua renda per capita, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional. Para efeito de comparação, no mesmo período os ganhos dos argentinos vão crescer só 10%. Curiosamente, a renda per capita brasileira deve ultrapassar os US$ 10 mil em 2011. Ou seja, o País vai atingir no ano que vem um grau de conforto que o equipara a nações ricas. “Sem inflação alta e com crescimento econômico, as sociedades ficam mais otimistas e confiantes no futuro”, diz o cientista político Bolivar Lamounier, coautor de “A Classe Média Brasileira.”

Pesquisas confirmam a observação de Lamounier. Segundo um estudo divulgado na semana passada pela GfK, quarto maior grupo de pesquisa de mercado do mundo, o brasileiro está otimista quanto à situação econômica nos próximos cinco anos. Mais de 50% dos mil consumidores entrevistados acreditam que o futuro será ainda melhor que o presente – que já consideram ótimo. Outro levantamento recente, realizado pelo Projeto Brasilidade, constatou que a autoestima nacional nunca esteve tão elevada. “Vamos iniciar a próxima década com muita esperança”, afirma o cientista político Rodrigo Mendes Ribeiro, coordenador do estudo. Segundo ele, o “complexo de vira-lata” (expressão criada pelo escritor Nelson Rodrigues e que definia a suposta sensação de inferioridade que o brasileiro sentia em relação ao resto do mundo) é algo definitivamente deixado para trás. Em vez de desanimados e pessimistas, os brasileiros hoje são altivos e confiantes no futuro.

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Sob qualquer ângulo que se analise o momento do País, é inevitável chegar a números superlativos. De acordo com prognósticos do governo e de analistas independentes, o PIB do Brasil vai crescer entre 6,5% e 7% em 2010. Se o dado se confirmar, a expansão econômica nacional só será menor que o crescimento observado na China. Trata-se de uma performance impressionante, principalmente diante dos prognósticos apocalípticos feitos pouco tempo atrás sobre os supostos terríveis efeitos da crise global no Brasil. Basta uma espiada nos balanços de diversos setores para que se descubra a ebulição em curso no País. Um estudo da consultoria MB Associados revelou que as vendas de Natal vão movimentar R$ 98 bilhões em 2010. É o valor mais alto da história, o que vai exigir um aumento de até 60% da compra de insumos e produtos no Exterior para sustentar o aumento espetacular da demanda. No varejo como um todo, as altas vão superar a casa dos dois dígitos – percentual só acompanhado por países como China e Índia. Em nenhum lugar do planeta o uso de cartões de crédito e débito cresce como no Brasil: mais de 20% ao ano, o que revela que as pessoas estão comprando como nunca. Os exemplos se repetem em vários segmentos (leia quadro) e colocam o País na linha de frente do novo tabuleiro de forças da economia mundial. O Brasil já é o quarto maior mercado de automóveis do planeta e, em 2011, será o terceiro no ranking global de vendas de computadores, para citar apenas alguns exemplos.

Esse salto notável se deve a pessoas como a cozinheira Sandra Maria Sabino Bertoldo, 54 anos. Quando viu, pela primeira vez, uma tevê de LCD de 32 polegadas na vitrine de uma loja, Sandra decidiu que faria de tudo para comprar o aparelho. Moradora do Morro dos Prazeres, favela no centro do Rio que no início do ano foi palco de deslizamentos provocados pelas chuvas de verão, ela economizou durante quase um ano para comprar à vista e por R$ 1,5 mil a cobiçada televisão. “Valeu a pena”, diz. Típica integrante da nova classe C (leia reportagem na página 48), Sandra se enquadra num perfil clássico. De acordo com o pesquisador Renato Meirelles, diretor do instituto Data Popular, especializado em estudar os hábitos das camadas populares, a autoestima tem uma importância vital para a baixa renda. Mais do que adquirir produtos, a pessoa precisa mostrar aos vizinhos, aos amigos e aos colegas de trabalho que possui um bem de causar inveja. É por isso que as classes emergentes gastam muito e estimulam a economia mais do que qualquer outro setor da sociedade.

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Em 2010, apontam os dados do Data Popular, os integrantes da classe D vão gastar R$ 381,2 bilhões, valor que representa mais do que o dinheiro disponível para o consumo na classe A (R$ 261,1 bilhões) e na classe B (R$ 329,5 bilhões.). É fácil explicar essa conta. Como são em maior número, os membros da classe D geram maior escala financeira. “O Brasil continua sendo um país com enorme desigualdade social, mas há um dado impressionante”, diz Giannetti. “De 2003 a 2008, a renda dos 10% mais pobres aumentou 8% ao ano, enquanto os ganhos dos ricos cresceram 1,5%.” Durante muito tempo, essa equação estava invertida na lógica capitalista brasileira. Agora, o abismo social, ainda grande, está enfim sendo combatido. O principal termômetro que revela o fôlego de uma economia é o emprego. De janeiro a julho, foi criado no País 1,6 milhão de novos postos com carteira assinada, recorde para o período desde que o Ministério do Trabalho começou a fazer a contagem, há 20 anos. Em uma década, o Brasil gerou 15 milhões de empregos, o equivalente a toda a população da Holanda. Associe-se a isso o aumento gigantesco do crédito, que em oito anos acrescentou mais de R$ 1 trilhão à economia brasileira, e o cenário que se constrói é de uma nação que caminha a passos chineses.

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É a fartura de crédito que faz com que brasileiros como o pequeno empresário paulista Luiz Marques dos Santos, dono de uma loja de material de construção, consiga ampliar seus negócios. “Há dez anos, eu pedia R$ 100 mil para o banco e conseguia no máximo R$ 20 mil.” Hoje em dia, diz ele, você pede R$ 100 mil e a instituição oferece R$ 200 mil. O crédito ajudou Santos a subir na vida e a migrar da classe média emergente para a B. Ascensão semelhante viveu a corretora de imóveis Graça Vieira, 34 anos. De salto alto, vestido social e bolsa de marca na mão, Graça fez o que até outro dia era impensável para ela. Entrou na concessionária, escolheu o carro, assinou o cheque à vista, finalizou a compra e, não fosse a burocracia do Detran, teria saído dirigindo. “Eu nunca pensei que poderia comprar um carro à vista”, afirma. O ano de 2009 foi para ela o melhor de toda a sua vida profissional. Em um único negócio, vendeu nove apartamentos de alto valor em Brasília e, quando recebeu sua gratificação, comprou o imóvel próprio. “Estou mais do que realizada”, afirma.

O Brasil já viveu outras fases de pujança que resultaram no aumento da sensação de bem-estar de seus habitantes. O desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek no final da década de 50 gerou imenso otimismo em relação ao futuro. Na década de 70, o milagre econômico proporcionou idêntica sensação. Nos dois casos, a euforia durou pouco. Desta vez será diferente? Impossível dizer com certeza, mas é inegável que o País vive um período inédito de solidez econômica. “Com acertos do câmbio e da carga tributária, o Brasil pode crescer entre 5% e 6% ao ano por um bom período”, diz Antônio Correa de Lacerda, professor da PUC-SP e ex-presidente do Conselho Federal de Economia. “Nos próximos seis anos, nossa indústria deve crescer o equivalente aos últimos 15”, afirma Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador da Rio Bravo Investimentos. Ou seja, o País caminha para ingressar num círculo virtuoso. Segundo Franco, isso é reflexo também do amadurecimento das próprias empresas. O centenário capitalismo nacional, forjado pelo Estado, começou a ser substituído nos últimos anos por um modelo mais pujante, protagonizado pelo setor privado. Empresas melhores e sadias contratam mais, investem mais, geram maior riqueza.

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É o dinheiro, portanto, que traz felicidade para as pessoas? A questão é complexa e desperta acaloradas discussões. “A conquista de um determinado objetivo leva ao bem-estar, e não propriamente à felicidade”, diz o filósofo Roberto Romano, professor de filosofia da Unicamp. “O que se costuma chamar de felicidade envolve dois aspectos”, diz Ubirajara Calmon de Carvalho, professor do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília. De um lado, diz Carvalho, está o aspecto subjetivo. Para determinada pessoa, ser feliz é conquistar um amor. Para outra, é não ter preocupações. No caso do executivo Douglas Delamar, 39 anos, poucas coisas o tornam tão satisfeito quanto reunir um grupo de amigos para jogar uma partida de golfe. Em sua empresa, a Embrase, especializada em segurança patrimonial, negócios são fechados em meio a tacadas realizadas nos principais campos do Estado de São Paulo. “Muitas vezes, encerramos uma reunião às 10 horas da manhã, pegamos o helicóptero e vamos jogar golfe com nossos clientes. É algo absolutamente maravilhoso.” Ou seja, não existem regras para ser feliz – depende de cada um. O professor Carvalho acrescenta: “Já o aspecto objetivo da felicidade envolve a conquista de determinado bem.” É aí que entram os milhões de brasileiros que melhoraram de vida nos últimos anos. E que nunca foram tão felizes.

Amauri Segalla e Luiza Villaméa
Do IstoÉ
No Esquerda Caviar
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Curso - Estudos Latino-Americanos - Módulo III - Aula 4


Aula com Roberta Traspadini, do Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), na Pós-Graduação em Serviço Social. Tema: Questão agrária, Imperialismo e Dependência.



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Em defesa da Venezuela

Os desacertos de um governo democrático se resolvem pela via democrática, que será mais consistente quanto menor seja a interferência externa


A Venezuela vive um dos momentos mais críticos de sua história. Acompanho de maneira crítica e solidária a Revolução Bolivariana desde o início. As conquistas sociais das últimas décadas são indiscutíveis. Para comprovar, basta consultar o último relatório da ONU de 2016 sobre a evolução do Índice de Desenvolvimento Humano.

Diz o relatório: "O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Venezuela de 2015 foi de 0.767 - o que colocou o país na categoria de alto desenvolvimento humano - posicionando-o no 71º lugar entre 188 países e territórios. Tal classificação é compartilhada com a Turquia." De 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0.634 a 0.767, um aumento de 20,9%. Entre 1990 e 2015, a expectativa de vida no nascimento aumentou para 4,6 anos, o período médio de escolaridade aumentou para 4,8 anos e o período de escolaridade média geral aumentou para 3,8 anos.A renda nacional bruta per capita aumentou cerca de 5,4% entre 1990 e 2015. Nota-se que estes progressos foram obtidos na democracia, interrompida somente durante a tentativa de golpe de Estado em 2002 e protagonizada pela oposição com o apoio ativo dos Estados Unidos.

A morte prematura de Hugo Chávez em 2013 e a queda do preço do petróleo em 2014 causaram uma comoção profunda nos processos de transformação social que estava em curso. A liderança carismática de Chávez não possuía um sucessor, a vitória de Nicolás Maduro nas eleições seguintes se deu com uma pequena margem de diferença, o novo presidente não estava preparado para as complexas tarefas do governo e a oposição (muito dividida internamente) percebeu que seu momento tinha chegado. Novamente foi apoiada pelos Estados Unidos, sobretudo quando, em 2015, e novamente em 2017, o presidente Obama considerou a Venezuela como uma “ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos”, uma declaração que foi considerada exagerada, se não ridícula, mas que, como explicou posteriormente, tinha uma lógica (de acordo com o ponto de vista dos Estados Unidos, claro).

A situação passou a piorar, até que, em dezembro de 2015, a oposição conquistou a maioria na Assembleia Nacional. O Tribunal Supremo de Justiça suspendeu quatro deputados, alegando fraude eleitoral, a Assembleia Nacional desobedeceu. A partir daí, a confrontação institucional se agravou e foi progressivamente se espalhando pelas ruas, alimentada também pela grave crise econômica e de abastecimento que eclodiu no país. Mais de cem mortos, uma situação caótica.

No entanto, o presidente Maduro tomou a iniciativa de convocar uma Assembleia Constituinte, a ser eleita no dia 30 de julho, e os Estados Unidos ameaçam com mais sanções se as eleições acontecerem. Sabe-se que esta iniciativa busca superar a obstrução da Assembleia Nacional dominada pela oposição.

No último dia 26 de maio, assinei um manifesto elaborado por intelectuais e políticos venezuelanos de diferentes tendências políticas, solicitando que os partidos e os grupos sociais em conflito interrompessem a violência praticada nas ruas e iniciassem um debate que permitisse encontrar uma saída não violenta, democrática e sem a intervenção dos Estados Unidos. Decidi então não voltar a me pronunciar sobre a crise venezuelana.

Por que o faço hoje? Porque estou assustado com a parcialidade da comunicação europeia, incluindo a portuguesa, sobre a crise na Venezuela, uma distorção a qual recorrem todos os meios de comunicação para demonizar um governo eleito legitimamente, causar um incêndio social e político e legitimar uma intervenção estrangeira de consequências incalculáveis.

A imprensa espanhola beira a pós-verdade, divulgando notícias falsas sobre a posição do governo português. Me pronuncio movido pelo bom senso e pelo equilíbrio que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, demonstrou sobre o tema. A história recente mostra que as sanções econômicas afetam mais aos cidadãos inocentes do que aos governos.

Basta lembrar das mais de 500 mil crianças que, segundo o relatório das Nações Unidas de 1995, morreram no Iraque como resultado das sanções impostas depois da Guerra do Golfo. Recordemos também que na Venezuela vivem meio milhão de portugueses ou lusodescendentes. A história recente também ensina que nenhuma democracia sai fortalecida de uma intervenção estrangeira.

Os desacertos de um governo democrático se resolvem pela via democrática, que será mais consistente quanto menor seja a interferência externa. O governo da Revolução Bolivariana é um governo eleito democraticamente. Ao longo de muitas eleições durante os últimos vinte anos, nunca deu sinais de não respeitar os resultados eleitorais. Perdeu eleições e pode voltar a perder a próxima, e seria condenável somente se não respeitasse os resultados.

Mas não se pode negar que o presidente Maduro tem legitimidade constitucional para convocar a Assembleia Constituinte. Evidentemente que os venezuelanos (incluindo muitos chavistas críticos) podem, legitimamente, questionar sua ocasião, sobretudo considerando que dispõem da Constituição de 1999, promovida pelo presidente Chávez, e dispõem de meios democráticos para manifestar este questionamento no próximo domingo. Mas nada justifica o clima de insurreição que a oposição tem radicalizado nas últimas semanas, cujo objetivo não é corrigir os erros da Revolução Bolivariana, mas decretar seu fim e impor as receitas neoliberais (como está ocorrendo no Brasil e na Argentina), com tudo que representará para a maioria pobre da Venezuela.

O que deve preocupar os defensores da democracia, ainda que isto não preocupe os meios de comunicação globais que tomaram partido pela oposição, é a forma como os candidatos estão sendo selecionados. Se, como se suspeita, os aparatos burocráticos do Governo sequestraram o impulso participativo das classes populares, o objetivo da Assembleia Constituinte de ampliar democraticamente a força política da base social de apoio à revolução estará frustrado.

Para compreender por que provavelmente não haverá uma saída não violenta à crise da Venezuela, é conveniente saber o que está em jogo no plano geoestratégico mundial. O que está em jogo são as maiores reservas de petróleo do mundo. Qualquer país, por mais democrático que seja, que possua este recurso estratégico e não o torne acessível às multinacionais, em sua maioria norteamericanas, está sob a mira de uma intervenção imperial.

A ameaça à segurança nacional sobre a qual falam os presidentes dos Estados Unidos, não está somente no acesso ao petróleo, mas também no fato de que o comércio mundial de petróleo se organiza em dólares estadunidenses, o verdadeiro núcleo do poder dos Estados Unidos, já que nenhum outro país tem o privilégio de imprimir as notas que considere sem que isso afete significativamente seu valor monetário.

Por esta razão, o Iraque foi invadido e o Oriente Médio e a Líbia foram arrasados (neste último caso, com a cumplicidade ativa de França de Sarkozy). Pelo mesmo motivo, houve ingerência, hoje documentada, na crise brasileira, pois a exploração das jazidas petrolíferas do pré-sal estava nas mãos dos brasileiros. Pela mesma razão, o Irã voltou a estar em perigo. Do mesmo modo, a Revolução Bolivariana tem que cair sem ter a oportunidade de corrigir democraticamente os erros graves que seus dirigentes cometeram nos últimos anos.

Sem intervenção externa, estou seguro de que a Venezuela saberia encontrar uma solução não violenta e democrática. Infelizmente, o que está em curso é usar todos os meios disponíveis para colocar os pobres contra o chavismo, a base social da Revolução Bolivariana e aqueles que mais se beneficiaram dela. E, paralelamente, provocar uma ruptura nas Forças Armadas e um consequente golpe militar que derrube Maduro. A política exterior da Europa (se fosse possível falar em tal) poderia constituir uma força moderadora se, no entanto, não tivesse perdido a alma.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático aposentado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
No Opera Mundi
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Moro – o óbvio


Ninguém acusa o juiz Moro de ser sofisticado em seus raciocínios – é certo. Tampouco a entrevista concedida ao autodenominado de “grupo internacional de jornalismo colaborativo Investiga Lava Jato” poderá ser utilizada como prova de sua força argumentativa.

E, diga-se de passagem, igualmente, o que a Folha traz na sua edição de 30 de julho de 2017 não mostra que os jornalistas do tal grupo tenham feito qualquer força para tirar do juiz declarações que demonstrassem o contrário.

A bem da verdade, quando se espreme o conteúdo da entrevista, mais uma vez, está lá o juiz Moro se justificando de suas decisões.

Tal qual quando é questionado sobre as provas utilizadas na condenação do ex-presidente Lula.  Moro inicia afirmando que tudo está na sentença e que não fará comentários. E, em seguida, comenta. Melhor teria feito se ficasse em uma afirmação do tipo: “tudo que tinha para ser dito está nos autos”.

Isso porque Moro se sai com a explicação da “arma fumegante” para o uso de provas circunstanciais. Qualquer um que já tenha visto um filme americano sobre tribunais – os americanos adoram esses filmes – já ouviu essa explicação da boca do ator que faz o papel do promotor. Não da boca do que faz o papel do juiz, no entanto.

“Para ficar num exemplo clássico: uma testemunha que viu um homicídio. É uma prova direta. Uma prova indireta é alguém que não viu o homicídio, mas viu alguém deixando o local do crime com uma arma fumegando”.

Não, mesmo nos filmes, a explicação é mais profunda. Se alguém viu o assassinato ou se alguém viu uma pessoa com uma arma fumegante, trata-se de prova testemunhal. Qualquer júri de cinema consideraria que a testemunha “alega que viu”. E que somente isso não é prova suficiente para condenação. Afinal, é jargão dos tribunais chamar a prova testemunhal de “a prostitutas das provas”.  Motivos óbvios.

A alegação cinematográfica é de que se alguém é pego segurando uma arma fumegante junto ao cadáver de uma pessoa morta a tiros, isso por si só não é prova suficiente. Poderia tratar-se de um transeunte que, ao ver o cadáver e a arma junto a ele, cometeu a imprudência de apanhar e segurar a arma. Momento em que foi pego. Mas se essa pessoa, além de estar segurando a arma fumegante junto ao cadáver, era inimigo da vítima, isso é prova. Prova circunstancial, mas prova.

Pois bem, ninguém perguntou ao juiz Moro onde está a arma fumegante com as impressões digitais do Lula. Muito menos ele esclareceu tal paradeiro, nos autos ou na entrevista.

Quando questionado sobre seus métodos e acordos em relação às delações premiadas que chegaram a ser classificados como “direito penal de Curitiba”, com “normas que não têm a ver com a lei” pelo ministro Gilmar Mendes – insuspeito de qualquer traço de petismo, o juiz Moro poderia ter citado Maquiavel: fins nobres, tais quais o combate à corrupção, justificam- se por si próprios, não cabendo se questionar a nobreza dos meios utilizados para atingi-los.

Afinal, temos prisioneiros preventivos que nada delataram e por isso estão cumprindo pena há mais de dois anos e delatores réus confessos virtualmente perdoados.

Citando Maquiavel, Moro faria bela figura.

Moro, porém, preferiu a analogia com os resultados imprevisíveis do futebol que se diz ser uma “caixinha de surpresa” e alegou: “direito não é uma ciência exata”.

Interessante também outra analogia. Essa o juiz Moro faz entre a prisão de Eduardo Cunha – aliás, preso com fartura de provas obtidas pelo Ministério Público…  da Suíça –  e as queixas de falta de isenção da Lava Jato:

“… apesar das críticas de que há uma intensidade maior em relação a agentes do PT, temos preso e condenado um ex-presidente da Câmara [Eduardo Cunha], que era tido como inimigo do PT”.

Não. A isenção da Lava-Jato não se estabelece apenas por ela ter preso integrantes do PT, do PMBD e de outros partidos políticos. Mas sua seletividade sim, haja vista, ninguém do PSDB estar preso. Apesar dos “carecas”, “santos” e “mineirinhos”.

Eis aí outra vez Maquiavel: “aos amigos os favores, aos inimigos a fria letra da lei”.

Quando questionado sobre a divulgação dos grampos envolvendo a presidente Dilma, Moro saiu-se com uma inaudita análise constitucional de defesa da democracia liberal.

Que não se tente entender a profundidade do raciocínio “morino” que considera constitucional um juiz de primeira instância divulgar na imprensa gravações que envolvem a Presidência da República e que foram feitas ilegalmente – já que colhidas após o término da autorização judicial dada para a escuta de um investigado que, por óbvio, não era a presidente.

Basta que se entenda o que se resume em sua alegação da constitucionalidade dessa divulgação: as pessoas tinham direito de saber a respeito do conteúdo daqueles diálogos”.

Não sei em que artigo da Constituição Moro se baseou para afirmar tal direito de cidadania. No artigo 5º da Constituição, com certeza não. Até porque é de lá que se extrai que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas” e de que “é inviolável o sigilo… das comunicações telefônicas, salvo por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer”.

Mas, caso um dia, tal direito me seja acessível, gostaria de conhecer o que Moro disse em sorrisos ao pé do ouvido de Aécio Neves, quando daquela já clássica foto entre os dois.

E digo mais: “as pessoas tinham direito de saber a respeito do conteúdo daqueles diálogos”.

Sergio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia
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O que está em jogo na Venezuela neste domingo




Você que mora no Brasil, país que tem presidente que não foi eleito, ministros dos partidos que perderam as eleições, sim, você mesmo, a Globo te ensinou a chamar de ditadura o país onde o presidente eleito está chamando uma constituinte popular.

Os venezuelanos votam neste domingo para eleger uma Assembleia Nacional Constituinte, que tem como missão elaborar uma nova Constituição para o país. A eleição ocorre em um momento de grande instabilidade política e econômica na Venezuela.

A Constituição em vigor é de 1999, primeiro ano do governo de Hugo Chávez, e criou a base do governo chavista.

Segundo o presidente Nicolás Maduro, é a única via para restaurar a paz no país. Já a oposição teme que a Constituinte torne o governo mais autoritário e permita o alongamento do mandato de Maduro.

Veja abaixo os principais pontos que estão em jogo neste domingo:

1- Eleição visa escolher uma Assembleia para elaborar uma nova Constituição

A Assembleia Nacional Constituinte é, na prática, um parlamento temporário, criado com o propósito específico de elaborar uma nova Constituição. Nesse caso, será formada por 545 representantes.

A forma de eleição dos membros dessa Constituinte tem características próprias. Dois terços serão escolhidos por todos os eleitores. Serão dois representantes para cada capital de Estado e um para cada um dos demais municípios venezuelanos. Assim, uma cidade com 100 mil habitantes terá a mesma representação de uma cidade de 10 mil habitantes.

Já o terço restante dos representantes da Assembleia Constituinte será escolhido por setores sociais indicados pelo governo: aposentados, indígenas, empresários, camponeses, estudantes, pessoas com deficiência, trabalhadores.

"A Assembleia Constituinte não vai nascer do voto universal, mas sim de grupos sociais inventados para essa ocasião", afirmou à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Andrés Caleca, que presidiu o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela na época da Constituinte de Chávez.

"Privilegiam-se os municípios rurais, que é onde está o maior apoio restante ao chavismo", afirma Carmen Beatriz Fernández, professora de Comunicação Política da Universidade de Navarra.

Já Maripili Hernández, ex-ministra de Chávez, discorda: "As pessoas com deficiência que participarem da (Assembleia Constituinte) vão fazer propostas que vão beneficiar não só as pessoas deficientes chavistas. Estou segura que um empresário chavista e um opositor têm interesses comuns".

2- Constituição em vigor já é chavista

A atual Carta Magna da venezuelana é de 1999, primeiro dos 14 anos do governo de Hugo Chávez. É a "Constituição da República Bolivariana da Venezuela", considerada a pedra fundamental do chavismo. Tem "o fim supremo de refundar a República" e está fundamentada na doutrina de Simón Bolívar.

Chávez costumava carregar um exemplar da Constituição consigo e exibi-lo em discursos públicos. Seu governo mandou distribuir no país milhares de cópias em formato de livro de bolso, e estimulou que os venezuelanos conhecessem o texto e o utilizassem para defender seus direitos - grande parte da Constituição é dedicada a listar e detalhar os direitos da população.

"O Estado tem como fim essencial a defesa e desenvolvimento da pessoa e respeito a sua dignidade, o exercício democrático da vontade popular, a construção de uma sociedade justa e amante da paz, a promoção da prosperidade e bem-estar do povo e a garantia de cumprimento dos princípios, direitos e deveres consagrados nessa Constituição", diz o terceiro artigo da Carta de 1999.

A Constituição Bolivariana foi elaborada por uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita por voto universal. Antes de convocar a votação para a Assembleia Constituinte, porém, Chávez convocou um plebiscito para saber se os venezuelanos aprovavam a ideia. O resultado foi favorável: 88% apoiaram. É diferente do que fez Maduro, que chamou a eleição para a Constituinte por decreto.

A votação para a Constituinte no governo Chávez resultou em ampla maioria governista. Quando a Constituição ficou pronta, houve um novo referendo para dizer sim ou não à nova Carta. Novamente, a maioria concordou (71%).

3- Por que Maduro quer uma nova Constituição?

Foi no começo de maio que Maduro convocou eleições para eleger a nova Assembleia Constituinte, em meio a uma profunda crise política e econômica e com o país mergulhado em grandes protestos.

"Ativo o poder constituinte para que o povo tome todo o poder da pátria", afirmou. "Convoco uma Constituinte cidadã, de trabalhadores, comunal, campesina, uma Constituinte feminista, da juventude, dos estudantes, uma Constituinte indígena, mas sobretudo uma Constituinte profundamente trabalhadora, decisivamente trabalhadora, profundamente comunal."

O presidente venezuelano alegou que a elaboração de uma nova Constituição seria "a única via para convocar a soberania plena do povo e criar as bases da regeneração da paz da República".

No decreto de convocação, Maduro declara que um dos propósitos da Constituinte é defender "os sagrados direitos e avanços sociais conquistados" pela revolução bolivariana. Também pretende reconhecer a organização popular em conselhos comunais e missões sociais.

O decreto também fala de ampliar as competências do sistema de Justiça, para "erradicar a impunidade" dos "delitos contra a pátria", como a "promoção de ódio social e a ingerência estrangeira". A oposição teme que isso seja usado para sufocar os adversários do governo.

4- Oposição planeja boicotar a eleição para a Constituinte

A oposição venezuelana decidiu não participar da eleição, argumentando que se trata de uma fraude. Afirma que, ao contrário de 1999, não houve um plebiscito para saber se a população aprova ou não a elaboração de uma nova Constituição. Critica também as regras de votação, que teriam sido desenhadas para dar maioria ao chavismo.

O temor é que uma nova Constituição torne o governo mais autoritário, crie regras que persigam a oposição e prolongue o mandato de Maduro. Novas eleições presidenciais estão previstas para o final de 2018. Já as eleições regionais e municipais deveriam ter ocorrido no final de 2016, mas continuam pendentes.

Também há críticas de que a criação de uma Assembleia Constituinte teria o intento de marginalizar o poder legislativo, que é controlado pela oposição. Em 1999, por exemplo, o Congresso foi fechado por seis meses, enquanto a nova Constituição era elaborada.

"O objetivo final desta Constituinte é acabar com os poderes públicos desafetos do governo e instaurar na Venezuela uma ditadura", critica Andrés Caleca.

Por isso, sem a participação dos opositores, a expectativa é de que o resultado das urnas seja extremamente pró-governo.

Em lugar de uma Assembleia Constituinte, os opositores do governo de Maduro pedem que sejam realizadas eleições gerais antecipadas - para escolha de representantes de todos os níveis de governo, desde o federal até o municipal.

Demandam também a restituição dos poderes do Legislativo (em março, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela emitiu sentença assumindo os poderes da Assembleia Nacional). Por fim, pedem a liberação de presos políticos.

5- Venezuela está mergulhada em profunda crise política e econômica

As manifestações na Venezuela contra o governo de Maduro se acentuaram em março, quando o Tribunal Supremo de Justiça retirou do Congresso - de maioria opositora - o poder de legislar. Desde então, o país já contabilizou mais de 100 mortos em protestos.

O país está dividido entre os simpatizantes das políticas chavistas e os opositores. De acordo com pesquisas de opinião, a popularidade do governo de Maduro, iniciado em 2013, está em queda.

Além disso, a Venezuela vive uma prolongada crise econômica. A queda dos preços do petróleo, que representa mais de 90% da renda do país, tem reduzido os recursos do Estado e agravado a escassez de alimentos e produtos de primeira necessidade.

No BBC



Na Venezuela, para entender o voto

Em Caracas na condição de observador internacional das eleições para a Assembleia Constituinte Venezuelana, o juiz do Trabalho Jônatas Andrade encontra-se na posição ideal par debater uma novidades do processo - o voto setorial, que irá escolher 1/3 dos parlamentares. Professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), diretor de Direitos Humanos da Amatra 8, especialista em Economia pela Unicamp, ele também recebeu o Premio Nacional de Direitos Humanos em 2012, Jônatas deu a seguinte entrevista por escrito ao 247:

No Brasil, onde o descrédito do Congresso chega a um patamar escandaloso, a proposta de candidatos setoriais para a Constituinte da Venezuela chama a atenção. Claro que existem argumentos a favor e contra. Dá para explicar como a coisa funciona, em termos práticos? Quem elege quem, de que forma?

A democracia se encontra em cheque no mundo inteiro precisamente por inobservância do seu princípio fundamental: "governo do povo, para o povo, pelo povo!" Na Quinta República Venezuelana estamos assistindo constantemente um exercício prático de busca e observância deste princípio democrático por excelência. Um desses exercícios é o voto setorial que corresponde a 1/3 dos constituintes.

O que vem a ser o voto setorial? Como funciona na prática?

O voto setorial consiste na contemplação de novos sujeitos sociais exsurgidos após a Constituição Bolivariana de 1999. São indígenas, camponeses, pessoas com deficiência, estratos antes invisibilizados e em processo de afirmação e proteção, ora ameaçados pelo retrocesso social tão presente em vários lugares, inclusive no Brasil. Cito o exemplo das Pessoas com Deficiência, cujo marco legal é de 2007 e que antecede a iniciativa brasileira similar em oito anos.

Como fica o voto universal, uma pessoa, um voto?

O voto universal está contemplado pela eleição territorial que ocupará os outros dois terços da Assembleia Nacional Constituinte. O em processo de emancipação, lançando sobre a Constituinte o olhar de minorias secularmente oprimidas. Cada eleitor vota em um constituinte territorial e um constituinte setorial. Mesmo setores já emancipados também são contemplados, tais como os empresários e a administração pública.

Qual o sentido dessa mudança?

É necessário ressaltar que ela resulta de um pensar sobre a organização do próprio Estado, tendente sempre a eliminar o "gap" entre sociedade política e sociedade civil. No sábio dizer do jurista Luiz Moreira em apresentação ao chanceler Samuel Moncada, em 28 de julho, "é perfeitamente possível a ocorrência do Estado de Direito divorciado da Democracia. A Assembleia Nacional Constituinte venezuelana persegue a eliminação deste divórcio, aumentando a participação do povo, fonte originária do poder!" O voto setorial, a nosso humilde sentir, tenta evitar o retrocesso desses setores a invisibilidade.

Por que esse projeto pode funcionar para valer?

Não somente o voto setorial é fundamental para a eliminação do "gap" mencionado (entre sistema político e sociedade) , mas integra toda a engenharia constitucional que contempla cinco poderes republicanos (Executivo, Legislativo, Judicial, Cidadão e Eleitoral), especialmente o Poder Eleitoral pensado e executado permanentemente para manter sintonizadas as sociedade civil e sociedade política.

A visão convencional, no Brasil e em outros países, diz que não há solução real para o divórcio entre o eleitor e seus representantes.

Esse é um problema político não apenas brasileiro, mas problema mundial: o divórcio. A diferença é que na Venezuela se pensa e se busca a reconciliação há 18 anos. Trata-se da 21ª eleição da Quinta República.

Qual a importância da economia neste debate?

Há, por evidente, uma crise política e econômica na Venezuela como de resto ocorre em todo mundo. Mas aqui a questão se agudiza por haver um claro confronto entre o sistema hegemônico e a organização da sociedade, em torno do exercício do poder. O confronto envolve a livre disposição sobre os recursos naturais venezuelanos, especialmente uma das maiores reservas petrolíferas do mundo.

Quais as opções neste conflito, numa hora em que ele se mostra cada vez mais agudo?

Agudizado o processo, importa à sociedade mergulhar novamente na fonte de todo o poder secular: o povo! Mergulhar buscando autorização e autoridade para levar adiante o processo de legítimo exercício do poder pelo povo, para o povo e pelo povo. Há uma opção: capitular diante da pressão (midiática, política, econômica, social, etc...) do sistema hegemônico, capitaneado pelos Estados Unidos, declaradamente assumida.

Como se pode resumir a eleição para a Constituinte?

O povo venezuelano chegou à encruzilhada capital de seu destino. A eleição de 30 de julho apontará o caminho!

Paulo Moreira Leite
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A direita está “se achando”!


Os efeitos do golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff, e entregou a República a uma trupe encalacradas com denúncias criminais, que promove o desmonte das políticas sociais e a venda de ativos importantes do país, fez a chamada direita se achar. Prova disto ocorreu, neste sábado (29/7), no Bourbon Convention Ibirapuera Hotel, em São Paulo, onde realizaram o I Fórum Nacional da Direita e Conservadorismo do Brasil.

Patrocinado pela Fundação Jânio Quadros, ligada ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), o fórum foi uma iniciativa de José Levy Fidelix da Cruz. Fundador e presidente do PRTB, ele é um político que concorreu a quase todos os cargos, sem jamais se eleger. Ainda assim, tinha pretensão de provocar uma grande mudança, como anunciava o cartaz prevendo que:
“A partir desta data o Brasil vai ficar mais à direita”.
O encontro, sem dúvida, resulta da maciça campanha contra partidos de esquerda, em especial o PT, promovida a partir da Operação Lava Jato, com o apoio da mídia tradicional. Não, por outro motivo, quem andou no saguão do hotel, logo se convenceu e relatou ao Blog:
“É uma festa, aonde são louvados Moro e Dallagnol. Eles não estão presentes, mas é como se estivessem”.
Quem duvidasse da influência da turma do juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol nos organizadores e participantes do encontro bastava rodar pelas bancadas que vendiam livros e verificar o que se oferecia.
Entre os títulos à disposição, livros enaltecendo a Lava Jato, Moro e Dallagnol, e outros falando mal dos governos petistas.
Entre os títulos à disposição, livros enaltecendo a Lava Jato, Moro e Dallagnol, e outros falando mal
dos governos petistas.
Estavam ali: Lava Jato, de Vladimir Netto; A Luta Contra a Corrupção, do próprio Dallagnol; Operação Lava Lula, de Adib Abdouni; A Década Perdida, de Marco Antônio Villa; Ascensão e Queda de Dilma Rousseff, de Jorge Bastos Moreno; Mãos Limpas e Lava Jato, de Rodrigo Chemin; Sérgio Moro, de Joice Hasselmann.Este e outros títulos que endeusam a chamada República de Curitiba, o capitalismo, a direita brasileira e enxovalham petistas e a esquerda.

Não apenas os livros mostravam a influência da Operação Lava Jato nesta tentativa de fazer crescer a direita no país.

Uma tentativa, registre-se, que nesse caso partiu de um partido político que participou das últimas cinco eleições para a Câmara Federal e ao longo de todo este tempo teve representantes eleitos em uma única legislatura – a 54ª (2011-2015).

Essa bancada foi composta por apenas dois deputados federais, um do Rio de Janeiro e outro do Amapá.

O próprio Levy Fidelix, que já tramitou por quatro partidos diferentes – PL (1986/88); PTR (1988/93); PTRB (1993/94) e, finalmente, PRTB (desde 1994) – participou de diversas eleições e nunca conquistou qualquer cargo. Suas votações sempre foram pífias. Disputou para deputado estadual por São Paulo (1986) e conquistou 735 votos; deputado federal (1988), obteve 541 votos; prefeitura da capital paulista (1996) quando recebeu 3.608 votos; governador de São Paulo (1998), atingindo 14.406 sufrágios; novamente a governador (2002) tendo ainda menos votos: 8.654; em 2004, a vereador na Capital quando conquistou apenas 3.382 eleitores; em 2006, em nova tentativa de chegar à Câmara Federal por São Paulo, recebeu somente 5.518 sufrágios.

Por duas vezes concorreu à presidência da República e jamais passou da 7ª colocação: em 2010, teve 57.960 votos; em 2014, o resultado foi um pouco melhor conquistando a confiança de 446 878 eleitores.
Mas há um fator que chama a atenção. Entre 2011 e 2013, mesmo com apenas dois deputados federais, o PRTB recebeu, a título de Fundo Partidário, R$ 4.962.343,83.

As palestras do encontro
As palestras do encontro
Os debates do Fórum deste sábado girariam em torno de temas bem favoráveis ao conservadorismo que tenta se impor na sociedade neste período nebuloso da política brasileira.

Abrangiam do “liberalismo econômico e conservadorismo no Brasil” a “Fabianismo, Gramscismo e foro de São Paulo no poder político dos últimos 30 anos”. Mas passavam também por questões chaves como “Aparelhamento ideológico, político e partidário do sistema educacional” e a discussão da “Vulnerabilidade do processo eleitoral, urnas eletrônicas e pesquisas inconfiáveis”.

Um deles chamava mais a atenção, parecendo ser uma bandeira do grupo: “Segurança Nacional e a Participação das Forças Armadas no momento atual brasileiro”.

Se os livros oferecidos já demonstravam a influência do público alvo pela Operação Lava Jato e seus operadores, a lista de palestrantes – que segundo Levy, nada cobraram – era de tradicionais adeptos da cruzada antipetista que surgiu no país pela “República de Curitiba”.

Estavam anunciados – e o blog não sabe se todos compareceram, por não ter ido conferir:  o general de brigada Paulo Chagas, um anticomunista ferrenho que preside o grupo “Terrorismo Nunca Mais” (Ternuma); Luiz Philippe de Orleans e Bragança, descendente da família imperial, é um dos líderes e fundador do movimento liberal Acorda Brasil, que foi favorável ao impeachment de Dilma; a jogadora de vôlei, Ana Paula Henkel; a procuradora do Distrito Federal, Beatriz Kicis, tradicional ativista da direita; a jornalista paranaense Joice Hasselmann, defensora intransigente de Sérgio Moro, de quem escreveu uma biografia. Ela foi condenada a indenizar a filha do jornalista Luis Nassif por acusá-la de participar de protestos em Nova Iorque sem que Luiza Aguirre Nassif estivesse lá.

Estavam anunciados ainda Miguel Nagib, fundador do movimento escola sem partido; Jorge Luiz Izar, coordenador do Movimento Vem Pra Rua; Maria Aparecida Cortiz, e Amilcar Brunazo Filho, dois nomes que levantam suspeitas sobre as urnas eletrônicas brasileiras: Márcio Coutinho, presidente do PRTB no Maranhão, esteve envolvido na campanha a governador de Edinho Lobão e chegou a ser acusado de representar o pai dele, o ex-ministro Edson Lobão, na Diamond – uma holding nas Ilhas Cayman, conhecido paraíso fiscal no Caribe.

Na hora do mais badalado palestrante, Olavo de Carvalho, o Youtube registrou 161 espectadores.
Na hora do mais badalado palestrante, Olavo de Carvalho, o Youtube registrou 166 espectadores.
Também foram divulgados os nomes dos coronéis Gerson Chagas e Cesário Lage, e ainda de Jairo Glikson, Claudia Castro, Allan dos Santos, Meire Lopes, Luiz Antônio Nabhan Garcia, Ricardo Augusto Felício, Thomaz Korontai.

Mas o ponto forte seria o escritor e ativista de direita Olavo Carvalho, através de vídeo conferência no final do encontro.

Não se sabe as condições exigidas para a inscrição dos participantes, porém não devem ter sido muitas, pois foi transmitido pelo Youtube. Prática adotada pelos organizadores para tentar atingir um amplo público Pelo jeito, ficou na tentativa.

Tal expectativa é difícil conferir à distância, mas não parece ter sido atingida. Houve momento em que o Youtube registrou 2.084 assistentes ao vivo. Número muito aquém dos milhares de espectadores que Levy anunciou nas convocações que fez para o Fórum pelo site do seu partido.

De qualquer forma, trata-se de uma quantidade bem maior daqueles que se dispuseram, às 19h30min, ouvir a estrela principal do encontro: o escritor e ativista da direita que os tem como um perfeito porta-voz do conservadorismo, Olavo de Carvalho. Ao falar, segundo registros do próprio Youtube, sua audiência se limitava a 166 pessoas, como mostra a ilustração acima.

Ou seja, a prevalecer esses dados disponibilizados pelo próprio Youtube, a extrema direita que queria se fazer ouvir neste sábado, não conseguiu o público desejado. Dificilmente o dia 29 de julho será visto como a data em que o Brasil deu um “direita volver”. Mas estão se movimentando. Só não podem se achar como pretendiam.

Marcelo Auler
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