26 de jul de 2017

Todo falastrão fascistoide é um covarde: a surra moral de Juca Kfouri no professor Villa

Acoelhou-se
Marco Antônio Villa confirma a regra de que todo falastrão fascistoide é um poltrão na vida real.

Juca Kfouri contou a história em seu blog.

Segundo Juca, o professor de "Histeria" Villa, cujo “forte é xingar e desinformar”, mentiu em seu programa na Jovem Pan.

“Disse que furei a greve dos jornalistas em 1979 quando, simplesmente, fui do Comando de Greve, como milhares de jornalistas podem confirmar”, escreveu o jornalista.

Juca tentou telefonar para o sujeito. Ele não deu o número. Infelizmente para o comentarista tucano, os dois se encontraram na rua.

Segue o relato:

Pedi, educadamente como não é do feitio dele, que pesquisasse a calúnia que havia cometido e a corrigisse.

Ele ficou tão atemorizado que sorriu sem graça, gaguejou e tentou minimizar a ofensa ao dizer que seu erro “não tinha importância”.

Insisti, com firmeza, mas ainda com delicadeza, que para mim era importante e que gostaria de ouvir a correção.

E despedi-me dele e da senhora que o acompanhava na Avenida Angélica.

Passadas mais de 48 horas, o vilão não se manifestou.

Corajoso à distância, revelou mais uma vez o que é: leviano e covarde.

Mas, tudo bem.

Vê-lo atemorizado como um cordeiro bastou.

Kfouri não precisou ir às vias de fato para dar uma surra moral em Villa — que vive de caluniar, sempre em altos brados, seus oponentes.

O homem acoelhou-se. Fez pior em seguida: não corrigiu a informação.

Pusilânime, Villa não tocou no assunto até hoje. Provavelmente, não voltará ao tema.

Não demora e será novamente confrontado por outros que, como Juca, foram alvos de suas agressões. O final pode não ser tão pacífico.

Sempre restará a Villa o gênio de Nelson Rodrigues, um conservador que deveria lhe servir de modelo pela civilidade, para se justificar.

“Hoje é muito difícil não ser canalha”, afirmou Nelson no conto “O Ex-Covarde”. “Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.”

É difícil para o Villa ser o Villa.

Kiko Nogueira
No DCM
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Temer abre o cofre para salvar o pescoço

Para tentar se manter no poder, peemedebista amplia o balcão das negociações fisiológicas no Congresso e escancara as privatizações

Temer e Maia disputam os dissidentes do PSB, mas em público prometem fidelidade
Michel Temer tem aproveitado os dias de baixa temperatura em Brasília, real e metafórica, para tentar desapertar a corda em volta do pescoço. Em meio ao recesso parlamentar, o peemedebista esforça-se em reordenar sua base de apoio com ofertas generosas de liberação de emendas e o estímulo ao troca-troca de partidos.

O mercado persa não se limita ao mundo político. Disposto a reafirmar sua utilidade ao poder econômico, Temer tirou da gaveta uma série de projetos de privatização e concessão em energia, mineração e petróleo e prometeu encaminhar ao Congresso uma reforma tributária nos moldes desejados pelas empresas: cortes brutais de impostos a despeito do equilíbrio das contas públicas e da distribuição de renda.

Apenas em emendas parlamentares, o Planalto empenhou 4,1 bilhões de reais neste ano, sendo 2,1 bilhões apenas em julho, segundo um levantamento da ONG Contas Abertas. A fuga do presidente do cadafalso, tudo indica, terá um alto custo, pago com “o seu, o meu, o nosso” dinheiro, para usar uma expressão cunhada pelo economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central.

As artimanhas na área política do Palácio do Planalto moveram algumas placas tectônicas em Brasília, mas não abalaram os rumos da operação salva-pescoço. Temer empenhou-se pessoalmente em atrair para o PMDB a ala de insatisfeitos do PSB.

Um grupo de parlamentares da legenda que ensaia um retorno às origens de centro-esquerda deve abandonar o barco em breve. Em princípio, a turma migraria para o DEM, agremiação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que assumirá a Presidência da República caso a denúncia contra o peemedebista seja aceita pelo Congresso em 2 de agosto.

A interferência de Temer causou atritos com pessebistas e demistas. Carlos Siqueira, presidente do PSB, acusou o ocupante do Palácio do Planalto de agir como chefe de partido: “O presidente saiu dos seus afazeres presidenciais para fazer articulações políticas, o que mostra que a preocupação dele não é com os problemas do País, mas em salvar a própria pele”.

A crítica é reforçada por Renato Casagrande, presidente da Fundação João Mangabeira e ex-governador do Espírito Santo: “Nesse episódio, assistimos a um torneio para ver quem tem menos noção das funções públicas que exerce. São práticas políticas antiquadas, sem compromisso com o Brasil”.

Chateado com as críticas, Temer adiou uma visita a Pernambuco, principal reduto político do PSB.

Com o DEM, uma de suas colunas de sustentação no Congresso, o peemedebista foi mais jeitoso. Na noite da terça-feira 18, fez questão de explicar-se ao partido durante um jantar na casa de Maia. Negou a intenção de atravessar as negociações com os dissidentes do PSB e reafirmou a confiança na legenda.
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Antes de viajar aos EUA, Janot prometia muitas flechadas. O ímpeto já não é mais o mesmo
(Foto: Evaristo Sa/AFP)
Maia, que mais cedo afirmara a pretensão de disputar a Presidência da República “em duas ou três eleições” e não agora, aparentemente aceitou as explicações de Temer. O presidente da Câmara paga o preço de sua afoiteza. Quando emergiu a delação premiada do empresário Joesley Batista, Maia ensaiou conspirar contra Temer assim como este havia feito com Dilma Rousseff.

O deputado chegou a projetar a atração de cem parlamentares para o DEM, grupo que formaria sua base de apoio em uma eleição indireta. A precipitação assustou outras legendas e deu fôlego ao atual ocupante do Palácio do Planalto.

Desde então, Maia substituiu a fome de poder por uma determinada “apatia”. Esse passo em falso, somado a um evidente recuo do procurador-geral Rodrigo Janot, despertou na oposição uma desconfiança em relação ao desfecho da votação da denúncia contra o presidente no retorno das atividades no Congresso, embora a Rede Globo mantenha a pressão e prometa, a exemplo do processo contra Dilma Rousseff, transmitir ao vivo a sessão parlamentar.

“Enquanto só o Aécio Neves pregava o impeachment da Dilma, nada de muito sério aconteceu”, relembra o deputado Carlos Zarattini, líder do PT. “O movimento só prosperou quando o Temer passou a conspirar contra a presidenta e a montar um gabinete paralelo. Não há sinais de que o Maia atue da mesma maneira neste momento. Ele deixou de se apresentar como um polo de poder.”
O governo quer vender 14 hidrelétricas sob controle da Eletrobras...
(Foto: Cadu Rolim/FotoArena)
Zarattini estranha ainda a mudança de tom de Janot. Antes de viajar aos Estados Unidos, o procurador-geral evocou uma frase de efeito que revelava sua disposição em prosseguir nas denúncias contra Temer. “Enquanto houver bambu”, afirmou, “haverá flechas”. A passagem pelo Hemisfério Norte parece ter acalmado o arqueiro-chefe do Ministério Público.Na segunda-feira 17, Janot disse que a rejeição da denúncia pelo Congresso “não seria uma surpresa” e que o MP “não tem pressa” em apresentar uma nova acusação. Em setembro, Janot será substituído no comando da PGR por Raquel Dodge.

Não se sabe se o procurador tenta despistar o alvo das denúncias ou se o ímpeto foi contido pela revelação de que o FBI teria sido acionado pelo Ministério Público brasileiro para gravar um eventual encontro entre Temer e Batista nos EUA. A ação controlada só não teria sido realizada, segundo informações vazadas na mídia, porque Temer evitou comparecer à reunião. Enviou em seu lugar o assessor Rodrigo Rocha Loures, atualmente em prisão domiciliar. Aliados do presidente pretendem explorar o episódio como uma prova de afronta à soberania nacional.

Enquanto manobra no Congresso, pune parlamentares dissidentes e premia os fiéis com cargos e emendas, Temer fia-se em indicadores inconclusivos de recuperação da economia (um saldo positivo de 9,8 mil postos de trabalho em junho e uma alta de 3% na arrecadação no mesmo mês) e anuncia ao setor privado um saldão de ativos públicos, a maioria na área de minas e energia. No fim de junho, o governo prometeu leiloar 20 mil novas áreas de mineração até 2018. A primeira oferta, de mil lotes, está prevista para dezembro.

Na segunda-feira 17, veio à tona a intenção do governo de repassar à iniciativa privada 14 usinas hoje operadas pela Eletrobras. A privatização, segundo cálculos do próprio Ministério de Minas e Energia, tende a elevar em 7% em média o custo da conta de luz. Por um motivo simples: para tornar atrativas as usinas, o preço do megawatt-hora subiria dos atuais 60 para 200 reais.

Todas as unidades postas a leilão foram amortizadas, ou seja, zeraram os pagamentos de construção e concessão. Triplicar o valor da energia, como pretende o governo, propiciará uma rentabilidade invejável aos compradores. Entre as hidrelétricas listadas estão Furnas, Chesf e Eletronorte. Somadas, as subsidiárias da Eletrobras suprem a demanda de 25 milhões de residências.

O novo pacote une-se a outra vantagem ao setor privado que custará 63 bilhões de reais aos cofres públicos. Em maio, a Medida Provisória nº 783 autorizou um vultoso programa de regularização tributária, com abatimento de 90% nos juros e 50% nas multas das dívidas de empresas com a União. Relator da MP na Câmara, o tucano Newton Cardoso Jr. achou pouco.

Elevou os descontos para 99%, além de acolher emendas que estendem os benefícios a clubes de futebol, entidades religiosas, escolas confessionais e produtores de álcool, que poderão, inclusive, usar recursos de subvenções para abater parcelas do Refis.

“É uma farra, um escárnio. Com todas as mudanças, o Estado abre mão de mais de 220 bilhões de reais, recursos que poderiam reforçar o caixa de áreas sensíveis, como saúde, educação e Previdência”, lamenta Achilles Linhares de Campos Frias, presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional.
…Além de anunciar o leião de 20 mil novas áreas de mineração
(Foto: Joao Marcos Rosa/Nitro)
É um incentivo e tanto para a inadimplência. Além dos descontos de até 99% dos juros e multas, os beneficiários poderão parcelar os débitos em 180 meses. Na prática, pagarão o valor nominal de dívidas com a União acumuladas anos antes. Dono de empresas que devem 67 milhões de reais à União, Cardoso Jr. reconhece, em seu próprio relatório, que esta é a sétima vez que o governo federal facilita a vida dos grandes devedores.“Em um país sério, um parlamentar jamais poderia relatar uma matéria na qual tem interesses pessoais, talvez fosse impedido até de votar”, observa Frias. “Esse perdão é injusto com o assalariado, que tem impostos descontados na fonte pagadora ou tributos embutidos nos produtos que consome, e também com o empresário adimplente, vítima de uma competição desleal.

Este último usa parte de seu capital para pagar os tributos. Se faltar recursos para investir na produção, vai tomar empréstimos a juros no sistema financeiro.”

Dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, obtidos pelo Sinprofaz com base na Lei de Acesso à Informação, revelam que os bancos comerciais figuram entre os maiores devedores da União. As instituições financeiras acumulam uma dívida de 124,4 bilhões de reais.

Desse montante, a maior parte dos débitos, exatos 82,6 bilhões, está em situação irregular, em razão da ausência de pagamentos parcelados, inexistência de garantia ou penhora de bens nas execuções fiscais. “O governo poderia executar a dívida desses bancos, que acumularam expressivos lucros nos últimos anos, a despeito da crise.

Em vez disso, busca restringir os gastos com saúde, educação e Previdência Social, o que abre mercado para a comercialização de planos privados”, diz Frias. “Quem paga o pato da crise é o trabalhador, e só ele.”

Desde a chegada de Temer e aliados ao poder, os direitos dos trabalhadores têm sido saqueados em nome de um suposto equilíbrio das contas públicas.

A projetada economia com o arrocho contra os trabalhadores tem sido drenada pelas corporações do Estado que produziram ou não impediram o golpe e pelos interesses privados. Desde a denúncia da PGR contra Temer, a liquidação dos ativos do Brasil e o balcão de negócios em Brasília ganharam, porém, um novo e urgente sentido: livrar o peemedebista das garras da Justiça.

O sofisma de Moro

Ao rejeitar os primeiros recursos da defesa de Lula, o juiz Sergio Moro recorreu a uma comparação descabida. Segundo o magistrado, o ex-presidente, ao negar a propriedade do apartamento triplex na praia paulista do Guarujá, age como o ex-deputado Eduardo Cunha, que não reconheceu a titularidade de contas bancárias na Suíça. “Se a titularidade fosse determinante”, anotou em despacho, “caberia a absolvição de Cunha, pois ele também afirmava como álibi que não era titular das contas no exterior.”

Há diferenças fundamentais. Cunha negou possuir as contas na Suíça, mas deixou rastros inegáveis. Além de ter assinado documentos para a abertura do registro bancário, o ex-deputado utilizou cópias do seu passaporte e da mulher, Cláudia Cruz, e comprovantes de endereço no Brasil e forneceu telefones de seu gabinete na Câmara dos Deputados para a instituição financeira.
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Moro fez uma comparação esdrúxula e incorreta
(Foto: Lula Marques/Agência PT)
Mais: Moro absolveu Cláudia Cruz por falta de provas, embora tenha ficado evidente que 1 milhão de dólares supostamente desviados por Cunha abasteceu uma outra conta da mulher. A transação financeira não foi suficiente para despertar a convicção de que Cruz sabia das falcatruas.

A falecida mulher de Lula, Marisa Letícia, não foi tratada com a mesma condescendência pelo juiz. Moro não achou necessário decretar a inocência da companheira do ex-presidente no processo do triplex.

No caso de Lula, não há um único documento ou prova da posse ou usufruto do apartamento. Para consubstanciar as 280 páginas da condenação, Moro apoiou-se em um termo de adesão do imóvel de 2004 sem a assinatura do petista. Não há um único papel a ligar o ex-presidente ao imóvel, apenas a delação premiada de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, de que o triplex teria sido reservado para Lula.Acreditar que o ex-presidente recebeu em benefício por atos corruptos um apartamento que não está em seu nome e do qual nunca usufruiu tornou-se uma questão de fé.

Na quarta-feira 19, Moro pediu o bloqueio de três imóveis, incluída a atual residência de Lula em São Bernardo do Campo, dois automóveis e 606 mil reais distribuídos em quatro contas bancárias. Na quinta 20, outros 9 milhões de reais foram bloqueados de planos de previdência privada em nome do petista e de sua empresa de palestras, a LILS.

O magistrado pretendia sequestrar 16 milhões de reais supostamente repassados pela OAS.

Sérgio Lírio
No Bem Blogado
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Ex-senador é condenado a mais de 27 anos de prisão por abusar de filhas de caseiro

Crianças tinham 6 e 9 anos na época do crime, praticado no ano passado. Denúncia foi feita pelo pai das meninas, que gravou cenas em celular.

Ele
O ex-deputado estadual e ex-suplente de senador Manoel Alencar Neto, mais conhecido como Nezinho Alencar, (PSB-TO), foi condenado a 27 anos e 9 meses de reclusão e a cino anos de detenção, por abusar sexualmente de duas crianças. O crime aconteceu no início do ano passado. Na época dos fatos, as vítimas tinham 6 e 9 anos. O réu também teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Ele está preso na Casa de Prisão Provisória de Guaraí.

Nezinho Alencar e a mulher foram presos no dia 23 de janeiro do ano passado durante a operação Confiar, da Polícia Federal, mas em março do mesmo ano, ele foi solto após pagar uma fiança no valor de R$ 22 mil. A mulher dele foi solta antes, no dia 4 de fevereiro. A denúncia de que o ex-senador estava envolvido no crime de abuso sexual partiu do próprio pai das crianças. Para provar o fato, o pai deixou um celular escondido em uma árvore, antes de sair para trabalhar.

Segundo o Ministério Público Estadual, autor da ação, a condenação foi baseada no vídeo e nos depoimentos das duas vítimas, dos seus pais e de seu irmão, que tinha 11 anos, na época. Segundo os relatos, os crimes aconteceram várias vezes, entre os meses de dezembro de 2015 e janeiro de 2016, sendo praticados com maior frequência contra a menina mais nova.

Nos processo, conforme o MPE, consta um vídeo de 20 minutos em que Manoel Alencar Neto pratica continuamente atos libidinosos contra as crianças. Também é registrado o momento em que o réu serve bebida alcoólica às meninas, infringindo o Estatuto da Criança e do Adolescente.

As imagens também mostram o momento em que as crianças estão sentadas no colo do suspeito. Ele coloca a mão nas partes íntimas das meninas. Conforme o MPE, o ex-senador também beijava a menina mais nova na boca e ameaçava as crianças para que não contassem sobre os abusos.

O MPE disse ainda que um segundo vídeo que foi anexado ao processo mostra a esposa do réu oferecendo dinheiro aos pais das crianças para que estes eles não levassem o caso ao conhecimento das autoridades.

Ainda segundo a promotoria, a menina de 9 anos disse em depoimento que não contou nada ao pai temendo que ele perdesse o emprego e não pudesse mais comprar comida para a família e até que fosse preso.

O MPE revelou ainda que o irmão das meninas contou que presenciou diversos abusos e que também sofreu reiterada pressão de Nezinho para que guardasse segredo sobre os fatos, mas disse que decidiu relatar os acontecimentos ao pai, que comprou um celular para registrar os abusos.

A sentença é do juiz Fábio Costa Gonzaga, da Comarca de Guaraí. A família, que levou o caso à Justiça, foi incluída no Programa Federal de Proteção a Testemunhas.

Vídeo

O caso chegou a ser exibido no Fantástico. A reportagem mostra o vídeo que o pai gravou depois que soube dos abusos. Nezinho Alecar deu a sua versão dos fatos. "Eu fui senador da República, tive uma representatividade no estado de homem renomado, agora querem me incriminar. Eu estou sendo julgado pelo que eu represento. Se eu não fosse ninguém, isso não estava no Fantástico, isso não estava em lugar nenhum".

Nezinho negou as acusações e disse que foi vítima. "Eu fui vítima de uma armadilha. Aquelas crianças estavam torpedeando, pisando, passando a mão em mim, me agarrando. E eu extremamente desacordado, não vi absolutamente nada. As imagens foram montadas. As crianças foram induzidas fazendo um verdadeiro malabarismo, foram conduzidas como atrizes para me induzir àquelas cenas".



O pai das crianças contou que, primeiro desconfiou dos abusos, depois presenciou. "Sentou debaixo do pé de manga. Aí começou a abusar das meninas e eu olhando de dentro da quarto, da janela. A minha reação? Eu peguei a espingarda, botei no rumo dele, sem ele perceber porque eu estava dentro de casa. Puxei o gatilho e pensei: 'ou eu mato ou eu não mato'? Aí abaixei a espingarda e deixei quieto. Aí fui pensar em comprar um telefone para poder pegar ele".

O pai vendeu as galinhas, comprou um celular e gravou as imagens, as quais levaram Nezinho à prisão.

No G1
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Caso que eletriza Mato Grosso envolve cunhado de Blairo Maggi, que mandou matar juiz


CASO LEOPOLDINO

PF prende Josino Guimarães e delegado Márcio Pieroni

O empresário Josino Guimarães, seu irmão Clóves Guimarães e o delegado ex-titular da Delegacia de Homicídio de Proteção à Pessoa (DHPP), Márcio Pieroni foram presos na manhã desta terça-feira pela Polícia Federal.

Eles são acusados de terem armado uma farsa para livrar Josino da acusação de ter manado matar o juiz Leopoldino Marques do Amaral, em 1999.

A prisão do trio foi decretada pelo juiz Paulo Sodré, da 7ª Vara Federal de Cuiabá. Outros dois réus, o agente prisional Gardel Lima e o detento Abadia Proença, estão com mandados de prisão expedidos.

O empresário Josino Guimarães, casado com uma irmã do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, foi preso em Rondonópolis.

Os outros foram encontrados em Cuiabá. Segundo a Polícia Federal todos estão sendo ouvidos em depoimentos e em seguida irão realizar exame no Instituto Médico Legal e depois serão transferidos para o Centro de Custódia de Cuiabá.

O trio foi condenado por tentar levar a cabo uma farsa consistente na informação de que o juiz Leopoldino Amaral estaria vivo e morando na Bolívia, no intuito de favorecer o empresário Josino Guimarães.

Porém o corpo do juiz foi encontrado no Paraguai, em sete de setembro de 1999, parcialmente carbonizado, em uma vala ao lado de uma estrada de terra batida que liga as cidades de Loreto e Concepción, atingido na cabeça por dois disparos de arma de fogo.

A suspeita é de que a morte tenha sido encomendada em razão das denúncias feitas por ele sobre um esquema de venda de sentenças que vinha sendo realizada em Mato Grosso.

A decisão do juiz foi motivada pelo fato de a condenação dos três ter sido confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1).

O Ministério Público Federal, autor dos pedidos de prisão, acusa os envolvidos de protagonizar uma farsa na tentativa de levantar suspeitas sobre a morte do juiz Leopoldino Marques do Amaral, cujo corpo foi encontrado carbonizado em 1999, no Paraguai.

O MPF também denunciou os envolvidos na suposta farsa pelos crimes de formação de quadrilha armada, denunciação caluniosa, falsidade ideológica, fraude processual, interceptação telefônica para fins não-autorizados em lei, quebra de sigilo funcional e violação de sepultura. Segundo as investigações, o grupo montou uma farsa para “provar” que Leopoldino ainda estaria vivo, livrando Josino, que deve ir a júri popular pelo crime.

Relembre o caso

O assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral é um dos crimes de maior repercussão na história de Mato Grosso. Seu corpo foi localizado no dia 7 de setembro de 1999 em Concepción, no Paraguai. Estava carbonizado e com várias perfurações de bala.

De acordo com a ação, o crime teria sido motivado pelas denúncias do magistrado sobre um esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, do qual Josino Guimarães faria parte.

Leopoldino afirmava que estava sofrendo ameaças de morte e, menos de um mês após as denúncias, foi encontrado morto em Concépcion, no Paraguai, próximo à fronteira com o Brasil. O caso nunca foi totalmente esclarecido.

O magistrado denunciou à CPI do Judiciário, em 1999, a distribuição de verbas para desembargadores, a contratação ilegal de parentes e a suposta existência de um esquema de vendas de sentenças na Justiça Estadual.

As investigações da Polícia Federal levaram à prisão, na época, da ex-escrevente Beatriz Árias Paniágua, como coautora do crime; do tio dela, Marcos Peralta, como autor do assassinato; e de Josino Guimarães, como mandante.

Beatriz Árias foi condenada a 12 anos de prisão em 2001. Depois de cumprir dois terços da pena, ela conseguiu o livramento condicional e deixou o Presídio Feminino Ana Maria do Couto.

Marcos Peralta, tio da ex-escrevente, foi preso em Assunção, capital do Paraguai, no fim de setembro de 2001. Ele foi apontado como o autor do assassinato.

Peralta morreu no dia 1º de março de 2005, enquanto estava preso, por complicações causadas por diabetes.

No Viomundo
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Os cachês de Henrique Meirelles foram lobby na veia


Apenas para efeito de avaliação: a não ser consultorias  geopolíticas de altíssimo nível, como as de Henry Kissinger, não existe consultoria para negócios no Brasil, pelo menos nas áreas de especialização de Henrique Meirelles, que justifique os ganhos obtidos nos últimos anos.

Meirelles nunca foi um consultor estrategista. Muito menos um executivo que se destacasse. No seu tempo no Bank Boston o máximo que chegou foi a Global President, ou seja, diretor da área internacional do banco, representado apenas por ativos no Brasil e na Argentina. 

Nunca foi um formulador de grandes engenharias societárias, nem um prospectados de novos negócios, como um André Esteves, por exemplo.

O bem de valor que poderia oferecer, para ter direito aos ganhos que acumulou, era lobby na veia. Não apenas a mera indicação sobre o caminho das pedras, mas o acesso direto às várias áreas sensíveis da economia.

Some-se o fato de que sempre foi um Ministeriável, o homem do mercado junto aos diversos governos, de Lula a Temer. O que lhe garantia uma fidelização maior dos técnicos do governo.

Luís Nassif
No GGN
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Meirelles lucrou R$ 217 milhões em 2016 com firma de consultoria

Valores se referem à distribuição de lucros de sua empresa entre 2015 e abril de 2016. Responsável pela economia brasileira, Meirelles mantinha seu dinheiro no exterior.


Homem mais poderoso da economia do país, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles recebeu, três meses antes de assumir a pasta, R$ 167 milhões em contas que ele mantinha no exterior e que foram usadas para receber pagamentos de grandes empresas, incluindo a J&F, do delator Joesley Batista.

O ministro recebeu, ainda, outros R$ 50 milhões quatro meses depois de ocupar a Fazenda.

As duas transações foram feitas para Meirelles a partir das contas da empresa de consultoria dele, cujo nome atual é HM&A. Nos dois casos, o objeto da empresa, até aquele momento, era assessorar grandes empresários, dar palestras e fazer investimentos.

As informações constam de documentos públicos produzidos pela própria empresa de Meirelles, registrados na Junta Comercial de São Paulo e obtidos pelo BuzzFeed.

Apesar de ter mantido esta fortuna fora do país quando era consultor de grandes empresas, Meirelles, agora ministro, disse em nota que "confia integralmente nas instituições financeiras brasileiras e aconselha investidores a deixar seus recursos no Brasil porque o país oferece melhores relações de risco/retorno".

Procurado, o ministro afirmou que os pagamentos foram feitos fora do país porque seus contratantes eram empresas globais.

Disse, ainda, que os R$ 167 milhões referem-se a serviços prestados nos últimos anos, mas só pagos em 2015, com valores compatíveis ao do mercado. Meirelles diz ainda que confia nas instituições brasileiras e que hoje os valores estão num fundo de investimento mantido no Brasil. A íntegra das respostas pode ser lida ao final do texto.

O caminho do dinheiro

As movimentações milionárias do ministro da Fazenda começam em 1º de fevereiro de 2016. Naquele momento, o processo de impeachment contra Dilma Rousseff já avançava e não era segredo para ninguém que Henrique Meirelles era o favorito para assumir o Ministério da Fazenda, caso Michel Temer virasse presidente.

Naquele dia, às 17h, uma reunião na empresa de Meirelles, no edifício Bachianas, na região de Alto de Pinheiros, área nobre de São Paulo, tratou da distribuição dos lucros de 2015. A economia do país teve uma forte queda em 2015, mas para Meirelles foi um período de prosperidade: lucro de R$ 215 milhões.

Desse montante, Henrique Meirelles decidiu pegar para si R$ 167 milhões. O valor era tão grande que até digitaram o número errado. Primeiro, R$ 167.955.500,00 — um ano depois, corrigiram para R$ 167.995.500,00.

A ata da reunião de 1º fevereiro de 2016, obtida pelo BuzzFeed, deixa claro que a origem do dinheiro eram contas mantidas fora do país. E que Meirelles, inclusive, pode continuar a manter esse montante no exterior.

Ou seja, o ministro da Fazenda preferia manter seu dinheiro fora do país
Ou seja, o ministro da Fazenda preferia manter seu dinheiro fora do país
Jucesp / Reprodução
Segundo a nota enviada pela assessoria de Meirelles, "em 2015, foi registrado o recebimento de rendimentos de serviços prestados ao longo de quatro anos para várias empresas, em projetos de duração variável completados em 2015", diz a nota.

Entre essas empresas, de acordo com o ministro, estão as instituições financeiras norte-americanas Lazard e KKR.

Nesse mesmo ano de 2015, Henrique Meirelles também prestou consultoria para uma das mais poderosas (e corruptas) empresas do Brasil, a J&F, que possui marcas como JBS e Friboi.

Esse grupo era controlado por Joesley Batista, aquele que gravou o presidente Michel Temer e depois fez delação. Na conversa gravada, aliás, Meirelles é citado abertamente como alguém alinhado com o presidente Temer e, ao mesmo tempo, próximo ao empresário.

Depois da delação vir à tona, Temer passou a chamar Joesley de "bandido confesso."

Procurado, o ministro não detalhou quanto recebeu de cada uma das empresas que o contrataram.

O BuzzFeed perguntou a Meirelles se entre os valores recebidos estava dinheiro da J&F. Essa foi a resposta: "É fato público que o ministro orientou a construção da plataforma digital do Banco Original e, portanto, foi remunerado pelo serviço prestado".

No dia 11 de maio, o Senado começava a sessão que varou a madrugada e selou o afastamento de Dilma Rousseff da presidência. Naquele mesmo dia, Henrique Meirelles renunciou ao cargo de presidente da sua empresa de consultoria.

No dia seguinte, seu nome foi anunciado como novo ministro da Fazenda. E continuou como sócio da empresa, embora afastado da presidência da firma.

Ueslei Marcelino / Reuters

O fundo

Mesmo no governo, Henrique Meirelles fez uma nova distribuição de lucros, em 12 de setembro de 2016, quando ocupava a pasta há quatro meses. Advogados de Meirelles se reuniram e, por procuração, definiram que fariam um balanço parcial da movimentação financeira da empresa em 2016, até 30 de abril. Era justamente o mês que antecedeu à posse na Fazenda.

O valor do lucro de apenas quatro meses do ano de 2016 foi de R$ 50 milhões. Nesse caso, a distribuição foi por meio da transferência para Meirelles da custódia de cotas da sua empresa no fundo de investimento cujo nome completo atual é: "Sagres Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado Investimento no Exterior".


O fundo era administrado pelo banco Citibank e atualmente é pelo Bradesco.

A posição de Meirelles nesse fundo é relevante. Segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), eram apenas três cotistas naquele mês — duas pessoas jurídicas e uma pessoa física, que possuía 68% do patrimônio. O fundo, aliás, tinha como patrimônio líquido R$ 77 milhões em setembro de 2016.


Naquele mês, de acordo com a CVM, a composição dos investimentos era cotas em outros fundos, operações na Bolsa de Valores e renda fixa.

Há ainda títulos do Tesouro que, naquele mês, representavam 65% do fundo. A maior parte (47% do fundo) é atrelada à taxa Selic. Essa taxa está em queda desde que Temer assumiu a presidência. Isso não significa que o fundo de Meirelles tem rentabilidade negativa — apenas que o ritmo de crescimento destes títulos desacelerou.

Outra parte do fundo, 17%, estava em títulos do tesouro vinculados à inflação. A rentabilidade de curto prazo desses papeis pode oscilar muito, para mais ou para menos, numa modalidade chamada marcação a mercado. Não é possível, contudo, afirmar se houve valorização desses títulos específicos do fundo porque isso depende da taxa inicial da compra.

Meirelles diz que não interfere no fundo. "Os recursos são administrados por gestor independente sem interferência do ministro, figura conhecida como blind trust, para evitar conflitos de interesse", diz a nota.

Consultor de empresários

Foi só em outubro de 2016, cinco meses após entrar para o governo, que Henrique Meirelles deixou oficialmente de ter uma empresa de consultoria para megaempresários. O objeto da HM&A passou a ser administrar bens, alugar e comprar imóveis, além de fazer investimentos.

O BuzzFeed questionou porque essa mudança aconteceu só quando Meirelles já estava no ministério, mas não houve resposta.


Os dados da empresa de Meirelles mostram que o patrimônio do ministro segue crescendo. Só em 2016 o capital próprio da empresa rendeu, de juros, R$ 3 milhões. O dinheiro foi direto para a conta do ministro da Fazenda.

O documento deixa em aberto em qual conta: "mantidas em instituições financeiras nacionais ou estrangeiras, no Brasil ou no exterior".

A íntegra das resposta do ministro Henrique Meirelles:


1 - Por que, em fevereiro de 2016, Henrique Meirelles decidiu receber de lucros R$ 167 milhões referente ao ano de 2015?

É frequente a distribuição de dividendos neste período por empresas. Em 2015, foi registrado o recebimento de rendimentos de serviços prestados ao longo de quatro anos para várias empresas, em projetos de duração variável completados em 2015.

2 - Há alguma relação com o processo de impeachment e a possibilidade de assumir a Fazenda?

Nenhuma. Não existia o convite naquele momento.

3 - Os documentos são categóricos em afirmar que os valores foram recebidos e mantidos no exterior. Quem pagava o ministro fora do país? Por que esses pagamentos foram feitos fora do país?

Os pagamentos foram feitos por serviços prestados à empresas globais. Foi conveniência destas empresas globais pagar fora do país.

4 - Por que o ministro mantinha os valores fora do país? O ministro não confiava nas instituições financeiras brasileiras? O ministro, enquanto investidor, sugere a outros investidores deixar fora do país?

O ministro confia integralmente nas instituições financeiras brasileiras. O ministro aconselha investidores a deixar seus recursos no Brasil porque o país oferece melhores relações de risco/retorno. Os recursos são administrados por gestor independente sem interferência do ministro, figura conhecida como blind trust, para evitar conflitos de interesse.

5 - O ministro declarou esse dinheiro fora do país no Imposto de Renda?

Os valores foram declarados no imposto de renda e pagos os impostos municipais e federais. Além disso, foram declarados às demais autoridades competentes.

6 - Ao receber esses R$ 167 milhões em lucro, o ministro manteve esse montante em contas fora do país? Ou trouxe para o país?

Veja resposta da pergunta 4.

7 - Para quem o ministro prestou serviços em 2015 que justificasse esses R$ 167 mi?

Durante anos, o ministro prestou serviço para uma série de empresas, como Lazard, J&F, KKR, etc, além de participar de diversos conselhos. O ministro foi presidente de grande instituição global e manteve o padrão de rendimentos consistente com sua experiência.

8 - Há, nesse montante, valores recebidos em razão dos serviços prestados para a J&F?

É fato público que o ministro orientou a construção da plataforma digital do Banco Original e, portanto, foi remunerado pelo serviço prestado.

9 - Por que, em setembro de 2016, o ministro resolveu fazer uma nova distribuição de lucros, sobre o período de janeiro a 30 abril de 2016?

Exatamente porque foi encerrado um balanço em abril, para deixar claro e transparente o corte em relação ao período anterior à nomeção para o Ministério, como recomenda a ética pública.

10 - Há alguma relação com o fato de ter assumido a Fazenda dias depois?

A explicação está na resposta anterior.

11 - Para quem o ministro prestou serviços nesse período?

Já respondido na pergunta 7.

12 - Por que essa distribuição de lucros, no valor de R$ 50 milhões, foi feita mediante a transferência de cotas do fundo Sagres Multimercado para a pessoa física do ministro?

Veja resposta à pergunta 4.

13 - Desde quando o ministro ou sua empresa é cotista?

Como já repetido, o fundo é administrado por um gestor de recursos independente.

14 - O ministro continua cotista deste fundo? Se não, quando saiu? Por quê?

Veja resposta à pergunta 4.

15 - Segundo dados oficiais da CVM, o fundo tinha, naquele setembro de 2016, apenas uma pessoa física como cotista, com 76% do patrimônio. O ministro, por ter um peso tão grande no fundo, tinha alguma ingerência nas decisões de investimento do fundo?

Veja resposta à pergunta 4.

16 - O ministro vê algum tipo de conflito de interesse em ser cotista de um fundo administrado pelo Bradesco?

Veja resposta à pergunta 4.

17 - O ministro vê algum tipo de conflito de interesse em ser cotista de um fundo com operações na Bolsa e com títulos do Tesouro?

Não. Conforme já foi dito, o fundo é totalmente administrado por um gestor independente.

18 - Por que o ministro não tem investimentos em bancos públicos?

Veja resposta à pergunta 4.

Filipe Coutinho
No BuzzFeed
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A corrupção do BankBoston. Meirelles sabia?

E no propinoduto do Joesley? Ele não estava dentro ou por dentro?

O chefe dele puxa para o outro lado da bochecha 
Lula Marques/Agência PT)
Na sexta-feira passada (21), o juiz Vallisney Oliveira acolheu a denúncia movida pelo Ministério Público Federal no âmbito da ofuscada Operação Zelotes contra o BankBoston, que já foi presidido por Henrique Meirelles, atual czar da economia do covil golpista de Michel Temer. Segundo a denúncia, o poderosa instituição internacional pagou cerca de R$ 25 milhões a uma organização criminosa para obter vantagens em processos que tramitavam no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Segundo o despacho do juiz, “foram verificados diversos atos de corrupção, gestão fraudulenta, desvio de dinheiro da instituição financeira e lavagem de dinheiro relacionados a casos de compensação, encerramento ou revisão de autos de infração/créditos tributários em favor do BankBoston/Itaú, mediante a intervenção da organização criminosa”.

O escândalo não ganhou as manchetes dos jornalões e nem foi motivo de comentários ácidos na tevê – talvez porque a mídia privada esteja hoje totalmente associada ao setor financeiro, dependendo dos seus empréstimos e anúncios publicitários. As poucas notinhas que saíram sobre o caso também evitaram citar o nome de Henrique Meirelles. A revista Época, por exemplo, até mencionou alguns dos envolvidos nesta operação em matéria sem maior destaque postada nesta segunda-feira (24). Ela destaca que os pagamentos das propinas “ocorreram entre 2006 e 2015, beneficiando o grupo criminoso que atuava no Carf, composto à época de conselheiros do próprio órgão, como José Ricardo da Silva e outros funcionários”.

Ela ainda registra que “o ex-diretor jurídico do BankBoston, Walcris Rosito, tornou-se réu sob suspeita de gestão fraudulenta e desvio de recursos da instituição financeira. O juiz Vallisney Oliveira também tornou réus outros dez suspeitos de operarem irregularidades relacionadas ao BankBoston e seus processos no Carf, órgão recursal para multas da Receita Federal. Em seu despacho, Vallisney aponta que Rosito, segundo a denúncia, “seria o responsável pelo pagamento de valores milionários com base em percentual das exonerações de créditos tributários e, inclusive, beneficiário de parte desses valores, lesando a instituição bancária, o Fisco e o sistema financeiro”. Nenhuma lembrança de que Henrique Meirelles presidiu o BankBoston!

Já o jornalista Rubens Valente, autor do imperdível livro “Operação Banqueiro”, revela na Folha que o esquema mafioso “teria causado prejuízo de R$ 509 milhões à União, valor relativo a autuações da Receita que deixou de ser recolhido pelo banco”. Ele lembra que “operando no Brasil desde os anos 40, o BankBoston teve as suas operações compradas em 2006 pelo Banco Itaú, que dois anos depois incorporou o Unibanco, formando o atual Itaú Unibanco”. Apesar deste histórico, ele também evita citar Henrique Meirelles. Vale lembrar que o atual “ministro” da Fazenda não foi um mero funcionário do banco – que agora foi pego com a boca na botija, mas que já deve ter cometido vários outros crimes financeiros. Basta um clique no Wikipédia:

“Sua carreira se iniciou em 1974 no BankBoston onde trabalhou por 28 anos com atuação nacional e internacional. Em 1984, por indicação de um membro do conselho do BankBoston, Meirelles cursou o Advanced Management Program (AMP) pela Harvard Business School, um curso que prepara executivos que assumirão a presidência de grandes corporações... Em junho do mesmo ano, com seu retorno ao Brasil, Meirelles foi nomeado presidente do BankBoston no país, cargo que ocupou por 12 anos. Em 1996, Meirelles mudou-se para Boston, nos Estados Unidos, e assumiu o cargo de Presidente e COO do BankBoston mundial. Ele ocupou o cargo até 1999. Em 1999, o BankBoston Corp fundiu-se com o Fleet Financial Group formando o Fleet Boston Financial onde assumiu a presidência”.

Altamiro Borges

Em tempo: Em tempo: lembrar que o açougueiro foi o manda-chuva do banco Original, do Joesley, e vai dizer que não sabia de nada.

Em tempo2: Original é aquele banco da jornalista e cozinheira Ana Paula Padrão. Que, porém não deve receber uma fração do cachê do Bial na Fiat e no Bradesco e da Fátima e da Poeta na Friboi... Questão de estilo... - PHA

No CAf
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Golpes: o adiamento das eleições ameaça como conspiração ou bode na sala

Temer, quando era vice e conspirava para ser presidente
Fernanda Carvalho/O Tempo/Folhapress
Um ”diretor de investimentos de um conglomerado brasileiro”, ouvido pela repórter Angela Bittencourt, disse o que pode ser resumido na abertura da coluna publicada no jornal ”Valor”: ”A eleição presidencial de 2018 poderá minar o esforço empreendido até agora para aprovar reformas estruturais com o objetivo de promover uma recuperação econômica, capaz de minimizar os efeitos inquestionáveis da Operação Lava Jato sobre a atividade”.

O executivo de nome não revelado pontificou, sobre postulantes ao Planalto: ”Questionado sobre candidatos que poderão despertar confiança nos investidores, nosso interlocutor apontou personalidades filiadas ao PSDB: João Doria, prefeito de São Paulo, e Geraldo Alckmin, governador do Estado. ‘O PSDB é um atestado de qualidade de política econômica. Qualquer candidato do partido seria recebido dessa forma”’.

Acrescentou: ”De Marina à direita, todos serão vistos como bons candidatos, e ela mesma pode surpreender sendo bem assessorada. O PMDB está fazendo uma política econômica exemplar, mas não parece haver condição de o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se fazer candidato. Ele seria o ideal por sua credibilidade, experiência e acertos da atual gestão”.

O executivo não gosta de Dilma nem de Ciro. Calou sobre Lula, mas se subentende que o petista não é ”visto como bom candidato”.

Mais do que aos eventuais estragos a serem provocados por um governo eleito em outubro de 2018, a voz anônima do ”mercado” se refere à eleição em si. O título da coluna é ”Eleições podem impor retrocesso às reformas”.

O diretor de investimentos parece insinuar que o melhor para o país, a fim de impedir o tal retrocesso nas tais reformas, seria mudar a data do pleito. Não antecipando-o, consagrando as diretas já, e sim adiando-o.

Por mais esdrúxulo que pareça — e é mesmo —, postergar ou cancelar o pronunciamento dos cidadãos nas urnas é patifaria conhecida da história republicana.

A eleição presidencial prevista para 1938 não ocorreu. Em novembro de 1937, Getúlio Vargas e seus sócios militares deram um golpe de Estado que instaurou a ditadura do Estado Novo. As diretas só viriam a vingar em dezembro de 1945.

Em julho de 1964, a escolha do presidente marcada para outubro de 1965 foi adiada para 1966. A medida constituiu um dos primeiros golpes dentro do golpe de autoria da ditadura recém-instaurada. Em 1965, o governo liquidou as diretas, que só retornariam em 1989.

Muita gente, do Executivo ao Legislativo, adoraria escapar ao escrutínio popular. Seu problema é transformar desejo em movimento político capaz — o que não lhe favorece — de contrariar aliados que pretendem concorrer no ano que vem e, sobretudo, de despertar a ira cidadã.

Por enquanto, o adiamento das eleições não passa de vontade de alguns que não têm coragem de se manifestar publicamente. No máximo, dão a entender, sob a proteção do anonimato.

Michel Temer pode aproveitar para colocar um bode na sala. Isto é, comprometer-se com a eleição de outubro de 2018 desde que lhe permitam estender seu mandato até o fim daquele ano. O chefe do governo zumbi, para combater o adiamento, exigiria sua permanência no cargo. O adiamento viraria um bode na sala, contra as diretas já.

Como conspiração ou bode na sala, as insinuações de adiamento eleitoral ameaçam a democracia tão maltratada.

Na democracia, presidente se elege no voto.

Como Temer é ilegítimo, no voto mais imediato possível.

Mário Magalhães
No Bem Blogado
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Filosofia — Quando Nietzsche chorou


O filme é baseado no romance de Irvin Yalom e conta a história de um encontro fictício entre o filósofo alemão Friedrich Nietzsche e o médico Josef Breuer, professor de Sigmund Freud. Nietzsche é ainda um filósofo desconhecido, pobre e com tendência suicidas. Breuer é procurado por Lou Salome (Kather Winnick), amiga de Nietzsche, com quem teve um relacionamento atribulado. Ela está empenhada em curá-lo de sua depressão e desespero, assim pede ao médico que o trate com sua controversa técnica da “terapia através da fala”. O tratamento vira uma verdadeira aula de psicanalise, onde os dois terão que mergulhar em si próprios, num difícil processo de auto-conhecimento. Trata-se de uma oportunidade para conhecer melhor o pensamento e alguns posicionamentos de Friedrich Nietzsche.


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Informativo Paralelo # 46 — Direito de se manifestar


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Marcos Valério diz que tesoureiro de Aécio pagou empréstimo fraudulento da SMP&B


O operador Marcos Valério Fernandes disse em acordo de colaboração premiada assinado com a Polícia Federal (PF) que o tesoureiro de campanhas de Aécio Neves (PSDB-MG), Oswaldo Borges da Costa, quitou em 2005 um empréstimo fraudulento da SMP&B com o Banco Rural, descoberto durante as investigações da CPI dos Correios.

Borges da Costa já foi mencionado por delatores da Odebrecht como responsável pela coleta de valores para campanhas de Aécio e, na época do empréstimo, era presidente da Codemig, empresa de economia mista responsável pelas principais concessões públicas e obras do governo estadual.

O empréstimo citado agora por Valério — no valor de R$ 707 mil — foi assinado em 2004, na época em que a SMP&B era agência de publicidade do governo mineiro, na gestão Aécio. Seria tratado como uma transação privada qualquer, não fosse por um detalhe: seus avalistas foram o então secretário de governo e braço direito do governador, Danilo de Castro, e o presidente da Assembleia Legislativa de Minas à época, Mauri Torres (PSDB).

Na colaboração assinada com a PF, Valério contou que depois de entrar nas contas da sua agência, os recursos teriam sido sacados em dinheiro vivo e repassados aos políticos que avalizaram o empréstimo, mesmo modelo adotado no mensalão federal e que beneficiou o PT nos primeiros anos do governo Lula.

A descoberta do contrato com DNA tucano durante a CPMI dos Correios, em 2005, obrigou os envolvidos a buscarem uma forma de viabilizar a quitação do empréstimo, segundo Valério. Em setembro daquele ano, Oswaldo Borges teria entregue os valores destinados a este propósito a Ramon Hollerbach, sócio de Valério condenado no processo do mensalão do PT a 27 anos de prisão.

Em 2007, quando empréstimo era tratado como suspeito, o então ministro do STF Joaquim Barbosa encaminhou um pedido de investigação do caso ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O então Procurador-Geral de Justiça de Minas, Jarbas Soares, restringiu a apuração à tomada de depoimento de funcionários do governo estadual, que atestaram a lisura da licitação vencida à época pela agência de Valério e Ramon. O MP não realizou perícias nas contas da SMP&B.

O laudo 376/2006 da Polícia Federal mostra que à semelhança do que foi descoberto durante as investigações do mensalão petista, a maior parte do dinheiro do empréstimo avalizado pelos políticos tucanos (R$ 563,5 mil de R$ 707 mil) foi sacada na boca do caixa por emissários da SMP&B, sob a justificativa de “pagamento de fornecedores” da agência.

Lucros distribuídos

As semelhanças com o caso petista não param por aqui. No caso tucano, o Banco Rural não exigiu dos avalistas do empréstimo comprovação de renda ou bens para lastrear o empréstimo. O banco também deixou de identificar quem realizou os saques ao informá-los ao Banco Central (Bacen). Tal conduta descumpre normas do Bacen e ajudou a condenar dirigentes do Rural no julgamento do mensalão no STF, em 2012.

Os documentos mostram que após tomar o empréstimo, a SMP&B apresentou balanço à Junta Comercial de Minas, em março de 2005, sem contabilizar a operação de R$ 707 mil. Seis meses depois, já sob impacto do escândalo do mensalão, Valério retificou seus livros contábeis incluindo a operação e informando que R$ 630 mil do total creditado à empresa teria sido objeto de “lucros distribuídos” ao sócio Ramon Hollerbach e a Renilda Santiago, mulher de Valério. Agora, ele diz que o dinheiro foi, na verdade, entregue aos políticos que avalizaram a operação.

A omissão dos empréstimos nos registros contábeis também ocorreu em relação aos empréstimos tomados para irrigar o PT. No caso petista, o tesoureiro Delúbio Soares e o então presidente do partido José Genoino foram avalistas de operações para empresas de Valério, consideradas em 2012 pelo STF como forjadas para dissimular desvio e distribuição de recursos a aliados.

Em depoimentos, Mauri Torres e Danilo de Castro explicaram a participação como avalistas do empréstimo como um pedido trivial de Ramon Hollerbach, durante um almoço em Belo Horizonte. “Seria usado para cobrir despesas da empresa, que estaria em dificuldades financeiras”, disse Mauri, à PF. “Houve uma reunião e, num ato quase sem sentido, foi proposto a ambos assinarem um empréstimo para atender interesses pessoais do declarante”, repetiu Hollerbach. Em ofícios praticamente idênticos enviados ao procurador-geral mineiro durante a apuração do caso, anos depois, eles disseram que deram o aval na condição de “cidadãos comuns”, em “ato da vida civil” sem vinculação com o cargo que ocupavam.

O escândalo do mensalão, em 2005, levou à exclusão dos nomes de Castro e Torres do contrato do Rural, a pedido dos dois. O banco não contestou a exclusão dos avalistas, o que chamou a atenção da PF.

Castro ocupou o cargo de secretário de Governo durante os 12 anos da administração tucana em Minas, entre 2003 e 2014, nos governos Aécio e de Antônio Anastasia (PSDB). Torres permaneceu presidente da Assembleia no primeiro mandato de Aécio (2003-2006) e foi líder do governo no segundo (2007-2010). Eleito deputado novamente em 2011, renunciou para virar conselheiro do Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG), cargo que ocupa até os dias atuais.

Credibilidade questionada

O Globo perguntou ao senador Aécio Neves, por meio de sua assessoria, se ele autorizou Oswaldo Borges a quitar o empréstimo para a SMP&B e o que ele fez em relação a Danilo de Castro quando soube que seu secretário de Estado era avalista de um empréstimo suspeito. Em nota, sua assessoria informou que as questões “não têm qualquer relação com o senador”, pois “trata-se de uma transação privada, que nada tem a ver com a atividade pública dos citados”.

O advogado de Ramon Hollerbach, Estevão Melo, informou que seu cliente “nunca teve atribuições financeiras na SMP&B”, por isso nunca teria recebido recursos de Oswaldo Borges. Segundo ele, Valério era o responsável pelas finanças e “nunca mencionou que a SMP&B quitou a dívida com recursos de terceiros”.

Para Melo, o delator é uma pessoa de “credibilidade duvidosa”, que desde o julgamento da Ação Penal 470 “vem tentando negociar acordos de colaboração, sempre com insucesso”. O advogado criticou a transferência de Valério para a a Apac de Sete Lagoas, “quando havia mais de duzentos presos na sua frente”, enquanto outros condenados do mensalão “se submeteram à regular jurisdição do STF para obter as transferência”.

“A homologação de uma colaboração premiada não iria trazer benefícios à Justiça e nem esclarecimentos à sociedade, mas apenas vantagens ao pretenso delator”, acredita Melo.

O advogado Sânzio Baioneta Nogueira, que defende tanto Mauri Torres quanto Danilo de Castro, disse que a acusação de Valério é “fantasiosa” e uma “inverdade”. Para ele, os fatos noticiados pelo delator foram objeto de apuração do Ministério Público que, “acertadamente, não vislumbrou qualquer irregularidade” por parte de seus clientes.

Sobre Castro, ele disse considerar “lamentável que um criminoso confesso, conhecido nacionalmente por todos os órgãos de persecução penal, venha a denegrir levianamente a imagem de um homem com 40 anos de vida pública e carreira ilibada”. Sobre Mauri, disse que ele “possui total consciência de retidão que sempre acompanhou sua atuação profissional”.

A defesa de Oswaldo Borges da Costa informou não ser possível se manifestar sobre o caso, na medida em que não conhece o teor das declarações de Valério e nem é possível saber se elas terão validade jurídica, ou seja, se serão homologadas pelo STF.

Thiago Herdy
No O Globo
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Y que Viva Zapata!

http://www.maurosantayana.com/2017/07/y-que-viva-zapata.html


Com autonomia, e 3.8 bilhões de orçamento, a Procuradoria-Geral da República acaba de triplicar a verba da Operação Lava Jato e de aumentar seus salários em 16% - mesmo aumento obtido no ano passado - em um efeito cascata que fará com que passem a ganhar mais que o salário oficial de um ministro do Supremo, e que pode se estender a procuradores de todos os estados do país.

Muito embora já haja impolutos cavaleiros da justiça recebendo, benefícios somados, mais de 100.000 reais por mês, logo, muito acima do limite máximo permitido constitucionalmente, equivalente ao salário do presidente da República.

Fora as palestras feitas por alguns deles, cujo valor pode atingir - assim como ocorre com gente que pode ser condenada por isso, como é o caso de Lula - dezenas de milhares de reais.

Enquanto isso, com cada vez menos poder e autonomia, neste novo país parido nos vagidos do golpe de 2016 - agora nem sindicatos existem mais para defender o trabalhador e prestar-lhe assistência médica ou jurídica - a chusma que ganha salário mínimo e não tem papai para pagar cursinho para passar em concursos eventualmente fraudados, teve que contentar-se com 6,47% de reajuste e vai ter que dar adeus à política de aumento real adotada pelo PT nos últimos 15 anos.

Daqui em diante, reajuste no mínimo só se for equivalente à inflação, que deve ser de menos de zero, já que oficialmente - e oficiosamente, vide a mídia - os preços estão diminuindo - alguém viu? Onde? Será que foi nos postos de gasolina? - no Brasil.
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Cantor na festa de um ano da gestão Temer, Sérgio Reis é o líder em emendas pagas pelo governo

Quando o presidente Michel Temer comemorou um ano de gestão, no último 13 de maio, um grupo de políticos, entre eles deputados e ministros, festejou com ele em um refinado restaurante italiano de Brasília, o Trattoria do Rosário. Na ocasião, a voz rouca do cantor e deputado Sérgio Reis (PRB/SP) entoou o clássico sertanejo “O menino da porteira” para aplausos do presidente. Na Câmara, o deputado também anda tendo motivos para comemorar: ele foi o que mais teve emendas pagas este ano pelo governo. Foram R$ 8,4 milhões no total, segundo levantamento feito por The Intercept Brasil com base nos dados do site Siga Brasil.



Um ranking feito por TIB mostra que os dez deputados com mais emendas pagas em 2017 receberam um total de R$ 72,5 milhões. A maioria deles é intimamente alinhado às pautas do governo e defende categoricamente Temer pelos corredores do Congresso Nacional. Ainda de acordo com o levantamento, só em 2017 já foram liberados cerca de R$ 1,5 bilhão de reais a 737 deputados com e sem mandato.

Na liderança da lista, Sérgio Reis teve um total de sete emendas pagas pelo governo neste ano. Em fevereiro, houve um pagamento de R$ 252.607,99 destinado a apoio e manutenção de unidades de saúde para o estado de São Paulo. Para o mesmo fim, outras quatro emendas totalizando R$ 2.965.541,91 foram liberadas em março. Em junho, o valor das emendas do deputado cresce, e o governo paga mais duas que, somadas, chegam a R$ 5.188.383,49 também para a área da saúde. Ao todo, nos seis primeiros meses deste ano, o total foi de exatos R$ 8.406.533,39 executados.

O governo vem sofrendo duras críticas pela liberação desenfreada de grandes recursos no mês mais grave da crise política, quando o Planalto se via ameaçado: ou atendia aos interesses dos deputados ou poderia não conseguir maioria para rejeitar a denúncia de corrupção contra o presidente, com votação prevista para a próxima semana, em 2 de agosto.

As emendas parlamentares individuais são dotações inseridas no Orçamento da União que abastecem os redutos eleitorais dos parlamentares com recursos para obras públicas. Em ano pré-eleitoral, são essenciais para que os políticos beneficiem suas bases nos estados. TIB mostrou recentemente que até o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso no complexo de Pinhais, em Curitiba, também foi agraciado com a liberação de recursos de mais de R$ 1,6 milhão.

Para quem a banda toca, afinal?

Apesar de todo o agrado por parte do governo e mesmo já tendo elogiado Temer num passado recente, o cantor tem se aproximado muito nos últimos tempos do aspirante ao Planalto Álvaro Dias (PV-PR), árduo crítico da atual gestão, que chegou a pedir a renúncia do presidente após a divulgação das gravações comprometedoras feitas pelo dono da JBS, Joesley Batista. Sérgio Reis figura como “indeciso” no site 342agora, criado para acompanhar o posicionamento dos congressistas sobre a continuidade da denúncia criminal contra Temer.

A reportagem entrou em contato com o deputado Sérgio Reis para entender a aplicação dos recursos, mas o deputado ainda não se manifestou.


Entre os dez deputados mais bem pagos com emendas parlamentares em 2017, a maioria faz parte da tropa de choque de Temer. Em segundo lugar, está o líder do PMDB na Câmara Baleia Rossi (SP), com R$ 7.660.534,74. Em seguida, Alexandre Serfiotis (PMDB-RJ), que recebeu R$ 7.553.345,51. Partiu de Rossi a iniciativa de que o PMDB fechasse questão contra a continuidade da denúncia contra Temer. Ele também sugeriu que Zveiter fosse retirado da CCJ após apresentação do parecer contra Temer.

Os deputados Laerte Bessa (PR/DF) e Paulo Maluf (PP/SP), membros da CCJ e que votaram contra o andamento da denúncia de corrupção contra Temer, receberam respectivamente R$ 7.039.886 e R$ 6.768.072, ocupando os sétimo e oitavo lugares do ranking. De acordo com o 342agora, todos se manifestaram contrários à continuidade da investigação contra Temer.

Coube a Paulo Maluf contar sobre as qualidades até então desconhecidas de Temer aos presentes que acompanham a sessão na CCJ.  “Conheço Temer há 35 anos e, em 35 anos de convivência, não dá para a gente se enganar. Temer é um homem honesto, probo, correto e decente que está sendo acusado de maneira absolutamente imprópria”, profetizou.



O cargo que Bessa ocupou na CCJ era anteriormente de Jorginho Melo (PR/SC), retirado pelo partido por ter uma posição favorável à continuidade da denúncia. Manobras, promessa de cargos e liberação de emendas a aliados ajudaram o governo a garantir uma vitória montada na artificialidade parlamentar.

Bessa entrou na comissão sem nem sequer saber o nome dos colegas: se enrolou para citar o sobrenome do relator, Sérgio Zveiter, chamando-o de “Velter”, e do deputado Wadih Damous (PT/RJ) de “Uadi Vadus”. “Não é muito estranho uma denúncia nessa hora em que o Brasil começa a ver uma luz no fim do túnel?”, questionou, mostrando por que foi escalado para a CCJ.

Foto em destaque: Sérgio Reis canta ao lado de sua mulher Angela Marcia, durante sessão solene no plenário da Câmara em 2015.

George Marques
No Intercept
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