19 de jul. de 2017

Maquiavel alertou: Moro faz o mal aos poucos e acabará na fogueira que preparou para Lula

Moro não leu Maquiavel. Ou, se leu, não entendeu
Sérgio Moro ordenou o bloqueio de 10 milhões de reais de Lula. Deixou de fora uma camionete Ford F 1000, ano 1984.

Po quê? Apenas alegou “antiguidade do veículo, sem valor representativo”.

O Banco Central, porém, encontrou somente a quantia de R$ 606 mil em quatro contas no Banco do Brasil, Caixa e Itaú.

O carro tem um toque de sadismo, vingança e aleatoriedade que o juiz da Lava Jato não admite possuir.

Veja o critério para a condenação a nove anos e meio, que muitos atribuíram a uma schadenfreude com o defeito físico de Lula.

Questionado pelos advogados de Lula, Moro respondeu:  “Ora, dosimetria da pena não é matemática, conforme já decidiu o Egrégio Supremo Tribunal Federal”.

O sequestro dos bens ocorre um dia depois de Lula confirmar sua candidatura.

O pedido foi feito foi em 4 de outubro de 2016 pelos procuradores de Curitiba, que queriam o bloquear a bagatela de 195 milhões de reais (!?!).

Esse valor foi calculado pelos dallagnois através de um percentual de até 3% em cima dos contratos da OAS nos governos petistas. Conta de chegada. Chute. PowerPoint.

Moro se queixou das “tentativas de intimidação” dos defensores de Lula. Não deveria. Sua posição institucional é superior.

A equipe de Cristiano Zanin Martins faz seu papel. As duas partes não estão no mesmo patamar. Não são antagonistas.

Ou não deveriam ser.

Moro afirmou que não expediu mandado de prisão cautelar de Lula porque isso “não deixa de envolver certos traumas”.

Segundo ele, a “prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação” (ah, o passivo-agressivo).

Sua vontade, ao que tudo indica, era outra. Inconformado, resolveu fazer a maldade aos poucos.

É um erro para o qual Maquiavel alertou. “Quando você tiver de fazer algum mal a alguém, faça-o todo de uma só vez. A dor será intensa, mas apenas uma. Já o bem, faça-o em parcelas”, escreveu o florentino.

Moro tripudia sobre seu oponente a conta gotas e dá ração aos cachorros da extrema direita em sua aliança com a mídia.

Escreveu também Maquiavel: “O príncipe deve ser lento no crer e no agir, não se alarmar por si mesmo e proceder por forma equilibrada, com prudência e humanidade, buscando evitar que a excessiva confiança o torne incauto e a demasiada desconfiança o faça intolerável.”

Nenhum país suporta uma guerra empreendida por quem deveria oferecer equilíbrio e justiça. Os cidadãos — os normais — se cansam. Os tribunais superiores se constrangem.

Nosso Savonarola acabará na fogueira que preparou para o inimigo mortal. Mas, antes disso, destruirá mais um pouco do que resta do estado de direito no Brasil.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Por que Lula?


A identificação de Lula como alvo da reação não é gratuita. Se dá pelo que ele simboliza

Sem surpresa, o País recebeu a anunciada condenação de Lula, sentença que já estava pronta antes mesmo da mal articulada denúncia do Ministério Público Federal, antes mesmo do julgamento na ‘República de Curitiba’, pois, antes de tudo, estava lavrada pelas classes dominantes – os rentistas da Avenida Paulista, as “elites” alienadas, a burguesia preconceituosa, um empresariado sem vínculos com os destinos do povo e de seu país. Uma “elite” movida pelo ódio e pela inveja que alimenta a vendeta. Denúncia, julgamento, condenação constituem uma só operação política, cujo objetivo é avançar mais um passo na consolidação do golpe em progresso iniciado com a deposição da presidenta Dilma Rousseff.

Tomado de assalto o poder, cumpriria agora destruir eleitoralmente a esquerda, numa ofensiva que lembra a ditadura instalada em 1964. Para destruir a esquerda é preciso destruir seu principal símbolo, assim como para destruir o trabalhismo caberia destruir o melhor legado de Getúlio Vargas. Não por mera coincidência, o dr. Sérgio Moro decidiu dar à luz a sentença a ele encomendada no dia seguinte em que o Senado Federal violentava a Consolidação das Leis do Trabalho.

Desinformando e formando opinião, exaltando seus apaniguados e difamando aqueles que considera seus inimigos, inimigos de classe, a grande imprensa brasileira promove o cerco político, e tece as base da ofensiva ideológica unilateral, porque produto de um monólogo. 

Essa imprensa – um oligopólio empresarial, um monopólio político-partidário-ideológico e na verdade o principal partido da direita – que exigiu e obteve a condenação de Lula (e presentemente tenta justificá-la, embora carente de argumentos) recebeu com rojões juninos a sentença encomendada, mas logo se enfureceu porque Lula recusou o cadafalso político e anunciou sua candidatura à presidência.

Ora, dizem os editoriais, os articulistas, os colaboradores, dizem os “cientistas” políticos do sistema, “Lula não pode ser candidato”, o que revela a motivação da sentença. Já há “cientistas” exigindo que o TRF-4, em Porto Alegre, confirme sem tardança a condenação, e “filósofos” anunciando que a candidatura Lula é um desserviço à democracia (ela que lidera todas as pesquisas de intenção de voto) porque “polarizaria” o debate e as eleições. Doria, não. Bolsonaro, não. Caiado, não. Alckmin tampouco polariza. 

Mas Lula, sim; por isso precisa ser defenestrado.

A “vênus de prata” já começou a campanha visando à condenação de Lula na segunda instância, e o Estadão(edição de 14 último) anuncia que o “Supremo deve manter condenação de Lula”.

Somos testemunhas da tentativa de revanche da direita brasileira. Impedir a candidatura Lula é a defesa prévia ante a ameaça de a população demolir o golpe com as eleições de 2018.

O fato de o libelo (e jamais sentença) de Moro ser obra conhecida, segredo de polichinelo, não releva seu caráter mesquinho e iníquo, ademais de sua inépcia jurídica, desnudada. Do ponto de vista do direito, a “sentença” é um mostrengo e se fundamenta em ilações, presunções, talvez “convicções”, artifícios de raciocínio em conflito com a lógica.

Contrariando o direito, que só conhece propriedade e posse, o juiz inventa a figura do “proprietário de fato”. A propriedade, segundo nosso Código Civil, se prova mediante o registro em Cartório, mas para acusar Lula se aceita que uma simples delação do proprietário real seja recebida como transferência, e como esse proprietário supostamente doador, empreiteiro respondendo a processos, é usufrutuário de falcatruas, conclui o juiz açodado que o apartamento deve ter sido dado em retribuição a alguma facilidade propiciada pelo ex-presidente, trata-se, portanto, de uma propina. E se é propina, Lula é agente passivo de corrupção.

E por tais caminhos sinuosos, mediante tal exercício de lógica pedestre, condena à cadeia o ex-presidente, para puni-lo, evidentemente, mas para punir antes de tudo com a decretação de sua inelegibilidade. É disto que se trata. Não cabe, pois, discutir a gramática processualística, simples apoio formal de uma decisão eminentemente política, e, do ponto de vista político, um golpe preventivo em face das eleições de 2018, das quais previamente e precatadamente se elimina o candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto. É preciso abater esse candidato, pelo que ele simboliza. E assim, e só assim, as eleições poderão realizar-se, disputada a presidência entre Francisco e Chico. 

Como temos insistido, às forças do atraso não bastava o impeachment de Dilma Rousseff, pois, o projeto em andamento é a implantação de um regime de exceção jurídica voltado para a desmontagem de um projeto de Estado social, mal enunciado. E um regime com tais características e com tais propósitos jamais alçaria voo dependendo do apoio popular.

Daí o golpe. À sua execução se entregou o Congresso, sem ouvidos para as vozes das ruas, surdo em face dos interesses do País e de seu povo, desapartado da representação popular, a serviço do mercado, como tonitrua, sem pejo,  o atual presidente da Câmara. 

A eliminação de Lula é, pois, a conditio sine qua non do novo sistema para manter o calendário eleitoral, pois as eleições, para serem realizadas, não poderão importar em risco. De uma forma ou de outra, trata-se de um golpe, afastando-se uma vez mais do povo o direito de escolher seus dirigentes. 

A identificação de Lula como alvo da reação não é gratuita, nem fato isolado. Lula de há muito transcendeu os limites de eventual projeto pessoal, é mais do que um ex-presidente da República, e é muito mais que fundador e presidente do PT. Independentemente de sua vontade e da vontade de seus inimigos, é, para além  de sua popularidade, o mais destacado ícone da esquerda e das forças populares brasileiras. Lula é, hoje, e em que pesem suas contradições, um símbolo, um símbolo da capacidade de nosso povo fazer-se agente de sua História. É um símbolo das possibilidades de o ser humano vencer suas circunstâncias, romper com as contingências e fazer-se ator. Simboliza apotência do povão, do povo-massa, dos “debaixo”, dos filhos da Senzala como sujeitos históricos.

Simboliza a possibilidade de o homem comum, um operário, romper com as amarras da sociedade de classes, racista e preconceituosa, e liderá-la num projeto de construção de uma sociedade em busca de menos desigualdade social. Por isso é amado e odiado. 

Símbolos assim constituem instrumentos de importância capital nos confrontos políticos por sua capacidade de emocionar e mobilizar multidões. Símbolos deste tipo não surgem como frutos do acaso nem se multiplicam facilmente, nem se constroem da noite para o dia. Emergem em circunstâncias especiais, atendendo a demandas concretas da sociedade.

São construídos ao longo de certo tempo de provação, de testes dolorosos, como ocorre com os heróis clássicos, percebidos pela comunidade como portadores de virtudes. 

O símbolo Lula não é produto do acaso, nem consequência de um projeto individual. Trata-se do fruto histórico resultante do encontro do movimento sindical com as lutas populares, construindo a primeira liderança política brasileira que emergiu do proletariado, do chão de fábrica, para a Presidência da República. Um feito de dificílima repetição, neste país aferrado ao autoritarismo conservador.

É contra esse instrumento da luta política de massa que se arma a prepotência das classes dominantes brasileiras, filhas do escravismo, incuravelmente reacionárias, incuravelmente atrasadas, presas à ideologia da Casa Grande, desapartadas dos interesses do povo e da nação, descomprometidas com o futuro do país.

Ao abater Lula, pretende a direita brasileira dizer que o povo – no caso um ex-imigrante do Nordeste profundo, sobrevivente da fome, um ex-metalúrgico, um brasileiro homem-comum, um dos nossos –, não pode ter acesso ao Olimpo reservado aos donos do poder. É um “chega prá-lá”, um “conheça o seu lugar”, um “não se atreva”, um “veja com quem está falando”.

A condenação de Lula tem o objetivo de barrar a emergência das massas, barrar os interesses da nação, barrar o avanço social, barrar o ideal de um Brasil desenvolvido e justo. Visa a barrar não o lulismo, mas todo o movimento popular brasileiro. Quer deter não apenas o PT, mas todas as organizações políticas do espectro popular (que não se enganem a esse respeito aqueles que sonham em crescer nos eventuais escombros do lulopetismo).

A defesa de Lula, a partir de agora, não é uma tarefa, apenas, de seu partido e dos seus seguidores. Ela representa, hoje, a defesa da democracia. É só a primeira batalha, pois muitas nos aguardam até 2018.

Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia
Leia Mais ►

Valério fecha com a PF delação que MP recusou. Por que?


Os jornais noticiam que a Polícia Federal “fechou” um acordo de delação premiada com o publicitário Marcos Valério, preso há cinco anos, de uma pena total de 40 anos.

O curioso é que Valério, como todo preso, quer há vários anos fazer um acordo de delação. Em fevereiro deste ano prestou uma série de depoimentos ao Ministério Público de Minas Gerais e neles, segundo os jornais, relatava propinas nos dois primeiros anos de governo de Lula (nos Correios) e no  Banco do Brasil, durante o governo FHC. Teria falado também de fartas negociatas com os tucanos de Minas (a começar por Aécio Neves) e negócios do PSDB com o Banco Rural, o mesmo acusado de praticar irregularidades com o PT.

De repente, a Polícia Federal aparece e toma para si o acordo que o MP recusou e, rapidamente, o conclui, inclusive com a transferência do preso para uma unidade prisional mais suave.

O acordo já estaria, inclusive, com o Supremo Tribunal Federal, para homologação, porque Aécio tem foro privilegiado.

Tudo é muito estranho, porque é improvável que, em três ou quatro meses, preso, Valério possa ter obtido provas que faltariam e, por isso, levaram o MP a recusar o acordo.

O que terá sido determinante para a PF em tese sobrecarregadas, fosse atrás do carequinha com uma “proposta irrecusável”?

A ressurreição de Marcos Valério, a esta altura, tem toda a ponta de missa encomendada.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Nota da defesa de Lula: Decisão de bloqueio de bens de Lula é ilegal


“É ilegal e abusiva a decisão divulgada hoje (19/07) pelo Juízo da 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba determinando o bloqueio de bens e valores do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão é de 14/07, mas foi mantida em sigilo, sem a possibilidade de acesso pela defesa — que somente dela tomou conhecimento por meio da imprensa, que mais uma vez teve acesso com primazia às decisões daquele juízo. A iniciativa partiu do Ministério Público Federal em 04/10/2016 e somente agora foi analisada. Desde então, o processo também foi mantido em sigilo. A defesa irá impugnar a decisão.

Somente a prova efetiva de risco de dilapidação patrimonial poderia justificar a medida cautelar patrimonial. O Ministério Público Federal não fez essa prova, mas o juízo aceitou o pedido mais uma vez recorrendo a mera cogitação (“sendo possível que tenha sido utilizada para financiar campanhas eleitorais e em decorrência sido consumida”).

O juízo afirmou que o bloqueio de bens e valores seria necessário para assegurar o cumprimento de reparação de “dano mínimo”, que foi calculado com base em percentual de contratos firmados pelos Consórcios CONPAR e RNEST/COONEST com a PETROBRAS. Contraditoriamente, a medida foi efetivada um dia após o próprio Juízo haver reconhecido que Lula não foi beneficiado por valores provenientes de contratos firmados pela Petrobras (Ação Penal nº 5046512-94.2016.4.04.7000) e que não recebeu efetivamente a propriedade do tríplex — afastando a real acusação feita pelo Ministério Público Federal na denúncia.

Na prática a decisão retira de Lula a disponibilidade de todos os seus bens e valores, prejudicando a sua subsistência, assim como a subsistência de sua família. É mais uma arbitrariedade dentre tantas outras já cometidas pelo mesmo juízo contra o ex-Presidente Lula.

Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins
Leia Mais ►

De Lula ao Povo brasileiro

Ricardo Stuckert
Leiam o discurso que Lula ainda não fez e provavelmente não fará, mas teria todo direito de fazê-lo.

Não fará mesmo tendo o direito, porque em país que mesmo confessando não ter condenado pelo direito jurídico, um juiz condena porque quer, a verdade é condenada à morte súbita e sumária.

Não fará porque o Brasil não é um Estado de Direito, não é um país. Diariamente o Brasil é apenas a última edição de uma capa de revista ou telejornal. O Brasil é somente uma manchete de jornal.

Os donos do Brasil são 4 ou 5 oligarcas e os donos desses oligarcas nunca virão ao Brasil. Os donos dos donos do Brasil não admitem verdade e se Lula fizer esse discurso será morto por cada uma delas.

Leia este discurso que Lula nunca fará e se encontrar uma mentira me aponte. Aguardo.

Minhas amigas e meus amigos,

Em 1989 só não fui eleito presidente da República porque a TV-Globo divulgou na véspera do segundo turno que eu teria mandado matar minha filha Lurian na barriga da mãe dela.

Se eu tivesse sido eleito, eu governaria facilmente, porque as esquerdas representavam quase 80% do eleitorado, pois, efetivamente, a soma dos votos dos demais candidatos de esquerda ou de centro-esquerda (Leonel Brizola, Mário Covas, Roberto Freire, Ulysses Guimarães e outros) era maior que a soma de meus votos.

Em 1994, a Social Democracia de Mário Covas (o PSDB) já havia sido transformada no mais assumido neoliberalismo. O PDT de Brizola já não tinha tanta força. O PMDB não teve coragem de bancar Itamar Franco, que sucedeu Fernando Collor, destituído. Deu Fernando Henrique na cabeça.

Em 1998, candidatei-me novamente, sempre batendo na tecla de que era preciso acabar com a maracutaia. Quando eu era deputado federal, ainda no governo de José Sarney (que nos deixou uma inflação de 85% ao mês e um verdadeiro mar de corrupção e impunidade, a ponto de o povo cantar por todos os cantos do país: "Que país é esse?", "A tua piscina está cheia de ratos", "Transformam o Brasil inteiro num puteiro para ganhar mais dinheiro", "Podres Poderes"), eu já anunciava que no Congresso havia 300 picaretas.

Agora, vejam a contradição. A mesma burguesia que me endeusava porque eu clamava contra esse status quo foi a mesma burguesia que elegeu FHC, que fez a maior e mais sólida bancada de apoio ao presidente reeleito: PFL (hoje DEM), PSDB e PMDB, e suas linhas auxiliares, o chamado BAIXO CLERO (PP-PR-PTB).

Pois essa mesma burguesia que foi iludida com o falso sucesso do Plano Real e das falsas promessas do neoliberalismo que se deu conta do erro que cometeu, uma vez que não resta dúvida de que o governo de FHC deixou o seguinte legado, que eu sempre chamei e jamais deixarei de chamar de HERANÇA MALDITA: taxas de desemprego e inflação: 12,5%, taxa básica de juros: 24,5%; a dívida pública interna havia pulado de R$ 60 bilhões para R$ 660 bilhões, apesar de esse governo haver vendido uma parte do patrimônio público avaliada em mais de R$ 100 bilhões; a infraestrutura e as Forças Armadas sucateadas, a precarização da educação, da saúde e da segurança; a diáspora (mais de 1 milhão de brasileiros foram procurar emprego no exterior - o Brasil ficou famoso no mundo inteiro como exportador de prostitutas e travestis); a humilhação do Brasil diante dos banqueiros internacionais e do FMI, sem dinheiro até para importar petróleo, o dólar a R$ 3,80, a maior fuga de capitais e fraude cambial da história do Brasil (US 30 bilhões), e ninguém condenado por corrupção, porque, na época, o Procurador Geral da República (PGR) era conhecido como o Engavetador Geral da República.

Essa fraude cambial e fiscal foi delatada por seu principal operador, Alberto Youssef ao juiz federal Sérgio Moro, que acabaria arquivando o processo, deixando de punir seus autores, e ainda dando corda a esse doleiro para agir com desenvoltura na Petrobras, como se estivesse não apenas investido de uma missão especial além de se enriquecer, mas também fazer os diretores da empresa (quase todos indicados pelo PMDB, PP e PR, partidos sem os quais eu não conseguiria governar) se enriquecerem através de um esquema de corrupção que viria a desembocar na "Operação Lava-Jato", adrede criada para me desmoralizar, assim como a companheira Dilma, e, por fim, destruir o PT e entregar a Petrobras a suas concorrentes estrangeiras.

Uma trama diabólica, bem urdida. Eu digo isso porque, se esse juiz, que agora me condena, tivesse desempenhado suas funções com o devido zelo e tivesse pensado no estrago que essa operação viria a fazer na economia e na soberania do nosso país, com a perda de milhões de empregos, ele teria botado os malfeitores na cadeia, e não deixado um réu confesso livre para continuar delinquindo.

A operação "Lava-Jato" poderia ser evitada pelo Dr. Sérgio Moro, se ele tivesse sido zeloso no exercício de suas funções e não deixado o réu confesso Alberto Youssef solto, ainda mais com a missão especial de entregar a Petrobras aos privatas.

A culpa foi minha, foi do PT? Só posso afirmar que a culpa foi de quem colocou o governo de FHC e toda a sua base de apoio nos 3 poderes da República (Podres Poderes). Foi do Ministério Público e do Poder Judiciário, que deixaram os malfeitores agir impunemente.

E aí entra novamente a burguesia, porque, nos estertores do governo de FHC, o país estava à beira de uma convulsão social, daí uma das principais razões dessa gigantesca fuga de capitais. É assim que a burguesia se defende. É público e notório que bancos e empresas muitas vezes vão à falência porque seus dirigentes desviam seus recursos e os depositam nos paraísos fiscais. Cito, por exemplo as falências dos bancos Econômico, Nacional (que tinha Ayrton Senna como garoto propaganda) e Bamerindus. O rombo de R$ 23 bilhões deixado por esses 3 bancos foi coberto pelo Banco Central através do PROER.

E de onde o Banco Central tirou esses R$ 23 bilhões? Ora, tirou do Tesouro Nacional. E de onde o Tesouro Nacional tirou esse dinheiro? Ora, tomando dinheiro emprestado dos bancos Itaú, Bradesco, Citibank, Santander, HSBC, Safra e outros bancos a juros que chegaram a bater em 48%!!!

Daí o vertiginoso crescimento da dívida pública, que só não deu o calote porque a primeira coisa que fiz foi reduzir as taxas de juros. O Brasil teria quebrado. Tenho orgulho de dizer que foi graças a Lula que o Brasil não quebrou. Foi graças a vocês que me elegeram.

Fui eleito presidente da República, mas, para tanto, tive que adaptar meu discurso ao lema: "Lulinha, Paz e Amor", porque, se assim não procedesse, eu acabaria caindo no ostracismo, como o folclórico Enéas. Era por demais humilhante e indigno eu continuar sendo tratado como um cachorrinho ou gatinho da burguesia, mimado, mas sempre como um animal de estimação. Um cara admirado pela burguesia, contanto que não se elegesse presidente da República, tanto é que essa mesma burguesia descarregou seus votos em José Serra, candidato do sistema. Foi ou não foi?

Nessas condições, eu tinha que mostrar à burguesia, a todo o Brasil e ao mundo que era possível superar aquela situação dificílima, que eu podia fazer um bom governo. Mas eu não teria conseguido me desincumbir dessa gigantesca missão sem o apoio no Congresso, sem jogo de cintura. E apoio no congresso todos sabemos que não se consegue facilmente. São muitos partidos. São vários interesses em disputa. São várias correntes. lobistas atuando intensivamente nos 3 Poderes da República. São muitas traições.

Já no meu segundo ano de governo eu comecei a sentir as maiores pressões por causa do tal do "mensalão". Falaram que eu tinha comprado o Congresso para aprovar projetos de interesse do PT, mas o deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, que inventou essa história e declarou ter recebido R$ 4,5 milhões, até hoje não se dignou explicar de onde saiu e aonde foi parar esse dinheiro, e que projetos de interesse do PT seriam esses. Certo mesmo é que o senador Pedro Simon (PMDB-RS) declarou, alto e bom som, que muitos deputados e senadores foram comprados por Fernando Henrique em 1997 para mudar a Constituição e lhe possibilitar a reeleição em 1998.

Devo lembrar que minha reeleição, em 2006, não foi nada fácil. Na onda do tal do "mensalão" eu cheguei a perder no primeiro turno para Geraldo Alckmin, candidato da burguesia desvairada. Venci no segundo turno, fiz um ótimo governo, com aprovação de 90%. E não era só aqui no Brasil. Fui reconhecido no mundo inteiro como o presidente que tirou o Brasil do mapa da fome, que fez o Brasil ser respeitado e admirado, fui recebido com as maiores honras pelos principais líderes mundiais, recebi muitas medalhas, títulos honorários e condecorações de muitos países, muito mais do qualquer outro presidente brasileiro.

A burguesia mal acostumada teve que tirar o chapéu e me aplaudir. Mas foram apenas aplausos, porque ela, mais uma vez, em 2010, escolheu o candidato identificado com seu jeito de viver e ver as coisas. Voltou a apoiar José Serra, mas quem venceu foi a companheira Dilma. Mais uma vez os trabalhadores e as forças progressistas mostraram de que lado estão.

Pois é essa mesma burguesia que agora se diz decepcionada comigo, como se ela me houvesse apoiado algum dia, como se ela houvesse erradicado sua arrogância e seu preconceito contra os pobres. Como se os deputados e senadores que ela elegeu fossem defensores dos pobres e mais fracos. O nome disso é hipocrisia. E o retrato disso está aí para todo o mundo ver. Um governo que passou a ser denominado por um riquíssimo empresário de "a maior e mais perigosa organização criminosa do país". Tenho também muito orgulho de não fazer parte dessa organização, das "Organizações Globo" ou de quaisquer outras organizações que trabalham para se enriquecerem ilicitamente em detrimento da Nação, dos mais fracos, pobres e oprimidos

Talvez essa burguesia insensata tenha razão em me odiar, pois, se ela acha que eu roubei, que sou o maior ladrão da história do Brasil, eu deveria ter uma mansão de 1.100m² em um terreno de 29 hectares em área de propriedade da Marinha e de proteção ambiental, em praia particular no município de Paraty e outras no Jardim Paulista e nos diversos balneários do Brasil e do exterior; uma rede de rádio, televisão, revistas e jornais para imbecilizar o povo e se enriquecer às custas de verbas da propaganda oficial; fazendas de milhares de hectares ocupadas por centenas de milhares de cabeças de gado com aeroporto até mesmo para o tráfico de drogas; eu poderia ser o dono de frigoríficos, laticínios, fábricas de bebidas e de uma rede de lojas e supermercados; ter uma frota de Ferrari, Lamborghini, Rolls Royce, Mercedes, aeronaves, iates, aprtamentos na orla do Leblon, em Paris, Londres, Nova York, Montecarlo que chegam a custar R$ 1 BILHÃO; coleções de obras de arte de artistas famosos; joias, muitas joias, adegas cheias de vinhos e champagnes das melhores safras e marcas, que custam até mais de R$ 50 mil a garrafa; só comeria carnes especiais de US$ 1,000.00 o quilo; teria sempre a minha disposição cocaína de primeiríssima para cheirar à vontade; teria minas de ouro, diamante, nióbio etc; faria contrabando de armas, drogas e de tudo enfim; teria no mínimo US$ 500 milhões depositados em paraísos fiscais e outro tanto investido em ações e renda fixa; eu teria uma dívida de no mínimo R$ 1 bilhão com a Receita Federal e a Previdência Social; eu, agora viúvo, teria um harém rotativo de mulheres bonitas e badaladas, animais de estimação, um zoológico, até; eu teria um rede de jogo-do-bicho, de máquinas caça-níqueis, cassinos clandestinos; eu manteria as melhores relações com os chefões do crime organizado, apareceria sempre na revista "Caras" e outros eventos patrocinados pelas "Organizações Globo", pela FIESP, pela FEBRABAN, por Sílvio Santos, Luciano Hulk, os Mesquitas, os Civitas, os Frias e outros barões da mídia; eu seria capa da revista "The President" que é distribuída nos consultórios médicos e dentários e diversas clínicas, e por aí vai.

Se eu tivesse tudo isso, essa burguesia não pegaria no meu pé, meu nome não apareceria em cartazes e capa da revista "veja", no Jornal Nacional, com a estampa: "CONDENADO". Condenado porque um juiz entendeu que eu sou o dono do tal tríplex do Guarujá, uma coisa ridícula para quem, como eu, cobrei R$ 150 mil por conferência - e foram muitas - aqui no Brasil e no exterior, procedendo da mesma maneira como FHC e Bill Clinton. E aí eu pergunto: por que essa burguesia não pega no pé de FHC, que tem um apartamento em Paris que vale mais de 10 vezes o tal tríplex do Guarujá, e possui uma fazenda de luxo em Minas Gerais, que também vale mais de 10 vezes o tal sítio de Atibaia? Ora, ele também foi presidente da República. O instituto dele pode existir, mas, para essa burguesia e essa mídia poderosa, o Instituto Lula tem que ser destruído.

Ademais, minhas amigos e meus amigos, eu continuo morando no mesmo apartamento de pequeno burguês em São Bernardo do Campo, tomando minha cachacinha, não fico andando por aí com ternos, camisas, gravatas e sapatos de luxo, estufando o peito e falando mentiras, não mudei em nada meu jeito de ser. É bem verdade que eu gostaria que minha voz melhorasse um pouco, mas está melhorando. Já esteve pior, assim como minha imagem esteve muito ruim em consequência dessas campanhas difamatórias, mas, felizmente, eu tenho o reconhecimento, a gratidão e o respeito de grande parte do povo brasileiro, tanto é que até agora não apareceu nenhum candidato para tomar meu primeiro lugar, em qualquer pesquisa, para a presidência da República.

Posso dizer sem falsa modéstia que Lula é como massa, quanto mais batem nele mais ele cresce.

Não resta dúvida, portanto, que a burguesia narcisista só gostava de mim enquanto eu não me elegesse presidente da República.

Pura ingratidão dessa burguesia, pois fui eu quem tirou o Brasil da deplorável situação deixada por FHC. E o fiz sem luta de classes, tirando mais de 30 milhões de brasileiros da linha de miséria, promovendo 40 milhões de pobres à classe média (ou seja, à burguesia) e deixando a burguesia ainda mais rica, mas não através de renda fixa, pois eu e Dilma metemos o pé no acelerador da redução das taxas de juros sobre a dívida pública, que caíram de 24,5% para 7,25%. Mas foi aí que eu e Dilma erramos, porque a burguesia rentista ficou furiosa. Tem coisa melhor do que juros altos para quem vive de juros?

Eu e Dilma tentamos mostrar a essa burguesia que ela podia muito bem continuar ganhando muito dinheiro com o desenvolvimento industrial puxado pelo aumento do consumo interno, pelas gigantescas obras de infraestrutura, pelo fortalecimento de nossas empresas de construção pesada, pelos investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia, pelo aumento da produção de petróleo em águas profundas, pela defesa dos rios, mananciais e florestas, pela exportação de produtos industrializados e serviços, pela conquista de 6 posições no ranking do PIB mundial, pulando da 12ª para a 6ª posição , pelo fim de nosso complexo de vira-lata, pela defesa da soberania nacional, pelo reequipamento e valorização das Forças Armadas, pela demonstração de competência e capacidade de abrigar grandes eventos (Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016), pela ocupação dos territórios dominados pelo crime organizado, pela exclusão do Brasil do mapa da fome mundial, pela inclusão social, pelo extraordinário aumento do poder de compra dos brasileiros de todas as classes - repito - sem lutas de classes.

Quanta gente que nem pensava em se formar para médico, advogado, engenheiro, fazer mestrado e doutorado no exterior, viajar de avião, ter carro, moto, casa própria, comer e beber bem, ter assistência médica e dentária, água encanada, cisternas, poços artesianos, crédito farto, luz, celular e tantos outros produtos, mais transporte coletivo, segurança e uma infinidade de desejos realizados, como, também, fazer turismo no exterior sendo atendidos por gente falando português nos hotéis, lojas e restaurantes. É por isso que Lula foi, é e jamais deixará de ser o melhor presidente do Brasil. Querido pelo povo em geral, mas odiado pelas elites preconceituosas.

E olhem que, ao final de 2012, as taxas de inflação, de desemprego e do dólar também haviam caído para 4,5%, 4,5% e R$ 1,70 e o salário mínimo já tinha tido um aumento real de mais de 50%!!!

Mas nossa mensagem não foi captada pela velha burguesia mal acostumada, soberba, ingrata e preconceituosa. E digo mais: em nenhum momento em minha carreira política eu contei com o apoio dessa burguesia, que eu sempre chamei "as elites". Se as elites estão decepcionadas, quem as decepcionou foram seus candidatos. Não fui eu, não foi Dilma, não foi o PT. A prova está aí. Eles estão aí no poder fazendo essa desgraceira toda, expondo nosso país à mais deplorável ridicularização internacional e deixando toda Nação em estado de letargia, de tão envergonhada que está.

Mas, afinal, o que é a burguesia mal acostumada? 1) o dentista, o médico, o profissional liberal, enfim, que cobra, por exemplo, R$ 500,00 por um serviço, com recibo e R$ 400,00 sem recibo; 2) a pessoa que vende ou compra um imóvel por R$ 1 milhão, mas declara que foi por R$ 300 mil; 3) vende veículo, obras de arte, bois e outros bens por R$ 100 mil e declara por R$ 40 mil; 4) o receptador de mercadorias oriundas de roubos de carga e outros roubos ou do contrabando; 5) o burguês e a burguesa que consomem os produtos vendidos pelos traficantes e piratas; 6) que sempre arranjam um jeito de sonegar imposto e à Previdência Social; 7) o burguês mal educado que suja as ruas, não respeita os sinais de trânsito, dirige embriagado, provoca acidentes até fatais; 8) o patrão que não assina a carteira de trabalho de todos os seus empregados, nem cumpre as normas de segurança e salubridade, chegando mesmo a esgotar-lhes as energias; 9) os egoístas que apoiam o fim do Imposto Sindical (uma merreca se comparado ao que se gasta com juros de até 480%, drogas, cigarros, remédios, planos de saúde, jogos, assinatura de jornais, revistas e televisão que fazem a cabeça da burguesia que encheu as ruas de verde e amarelo e fizeram o panelaço para derrubar uma presidenta eleita pelo povo e que não botou as tropas nas ruas para impedir essas manifestações.

Foi por tudo isso que a burguesia se deixou enganar a partir das manifestações de junho de 2013, quando o Brasil começou a andar para trás. Atribuir as causas desse retrocesso ao tal do mensalão e ao tal do petrolão é pura demagogia, é conversa fiada para tentar enganar o povo. Ainda bem que o povo lúcido e calejado sempre desconfia dessa conversa fiada, principalmente quando ela vem da mídia poderosa e venal.

As causas principais do retrocesso foram, em ordem crescente, a queda, em tempo recorde, do preço do barril do petróleo, articulada pelos Estados Unidos para quebrar o BRICS, de US$ 115.00 para US$ 35.00, o aperto sobre os sonegadores e a redução das taxas de juros. Aí a companheira Dilma comprou briga com muita gente, como se já não bastassem a demissão dos corruptos da Petrobras, a denúncia contra a espionagem do Planalto pelos Estados Unidos, a redução das verbas de propaganda oficial, sua rejeição aos conchavos com o PMDB liderado por Eduardo Cunha, Geddel e o presidente interino, que viria a dar-lhe uma punhalada pelas costas logo depois de viajar aos Estados Unidos, onde certamente foi buscar apoio e receber as últimas instruções para executar O GOLPE.

E não se pode esquecer que o governo da companheira Dilma deixou US$ 370 bilhões de reservas cambiais, fato este que nunca visto antes história deste país. No entanto, essa dinheirama fica parada, rendendo nada e depositada nos bancos internacionais, enquanto o Brasil vai destruindo seu parque industrial, asfixiando a indústria de construção pesada, interrompendo as obras do PAC, deixando mais de 14 milhões de desempregados, fatiando a Petrobrás, oferecendo à venda todas as suas empresas e riquezas naturais a preço de banana, e voltando a ser um mero exportador de produtos primários, e, pior ainda, destruindo impiedosamente a Floresta Amazônica.

A dívida pública cavalga celeremente em direção ao calote. Impagável ela já está. A burguesia rentista treme de medo.

Neste momento tão crítico em que o Brasil sofre um acelerado processo de "siriolibanização", trava-se uma guerra de bastidores entre Michel Temer e Rodrigo Maia para se definir qual dos dois vai ficar com a Presidência, na mais escancarada aplicação da velha prática do "é dando que se recebe", o famoso "toma lá, dá cá".

Michel Temer investe mais de R$ 15 bilhões no mercado pronto para se livrar de uma condenação penal, enquanto Rodrigo Maia investe muito mais no mercado futuro, lembrando um croupier: "FAÇAM SUAS APOSTAS".

Até o PSB, que foi o partido que mais cresceu no governo do PT e que tinha no saudoso Eduardo Campos um nome forte como candidato a presidente da República, com o meu apoio, o apoio de Dilma e de todo o PT e das forças progressistas, agora está rachado, uma ala querendo debandar para o DEM de Rodrigo Maia e a outra, para o PMDB de Temer, que, por sua vez, ainda fica perdendo tempo e se arriscando com PSDB, que só o aceita se ele cumprir as ordens do neoliberalismo escravocata da FIESP e da FEBRABAN, enfim, da casa grande, e esmagando a senzala.

Melhor seria que o presidente interino reconhecesse publicamente sua traição aos 54,5 milhões de eleitores e à própria presidenta Dilma; melhor será que ele se livre das más companhias e cumpra as promessas de campanha da chapa Dilma-Temer. Somente assim ele poderá evitar a consumação de uma tragédia nacional que pode levar nosso país a ter o mesmo destino da Síria, um país despedaçado, ensanguentado, com mais de 3 milhões de refugiados, grande parte deles oriunda da própria burguesia. Não é isso que eu desejo para a burguesia temerária, mas ela está trabalhando para que isso aconteça.

E como eu sou um homem de paz, não vou pregar manifestações que resultem em pancadaria, uso das Forças Armadas para reprimir o povo. Mas tenho todo o direito, como ex-presidente e candidato a presidente em 2018, de procurar soluções para nosso país voltar a ser o que era em 2012 e continuar crescendo e progredindo, incluindo mais gente na sociedade civilizada, ordeira, pacífica e próspera.

Não posso, portanto, aceitar passivamente ser excluído do processo eleitoral, tampouco ser comparado com Eduardo Cunha, como o juiz federal Sérgio Moro agora está me comparando, pois em sua sentença que me condenou a 9 anos e meio de prisão ele se contradisse ao escrever: "Este juízo jamais afirmou, na sentença ou em lugar algum, que os valores obtidos pela Construtora OAS nos contratos com a Petrobras foram usados para pagamento da vantagem indevida para o ex-Presidente". Preciso de melhor defesa do que esta que me é feita pelo próprio Dr. Moro?

Por último, porém não de menor importância, eu jamais acusaria o Dr. Sérgio Moro ou quaisquer outros magistrados federais de obterem vantagens ilícitas em troca de patrocínios de bancos e empresas privadas de encontros de magistrados federais em resorts deste país, ou pelo fato de o pai de Sérgio Moro ser fundador do PSDB em Maringá, ou por sua digníssima esposa, que é advogada, ser assessora do governo do Paraná (PSDB) no Congresso Nacional, nem mesmo por ela também trabalhar para um escritório advocatício naquela cidade paranaense que presta serviços à Shell, concorrente da Petrobras.

Mnha consciência continua e continuará tranquila e com o inabalável e profundo sentimento de que tudo o que tenho feito em minha vida tem sido em prol da inclusão social, na elevação do Brasil ao concerto das grandes potências do planeta, da erradicação do preconceito, do ódio e do complexo de vira-lata. Não aceito nem jamais aceitarei entrar para história como malfeitor ou traidor do meu país, de meus compatriotas. Tenho todo o direito de me defender.

Autor: Boanerges de Castro

P. S. - Assistam ao meu vídeo "O Pixuleco e o Patinho".

Leia Mais ►

O golpe do parlamentarismo


Os políticos que defendem a adoção do parlamentarismo querem dar um golpe para continuar no poder sem votos. É o que afirma o historiador Luiz Felipe de Alencastro, professor emérito da Universidade Paris-Sorbonne.

"É surpreendente que esta ideia volte sempre de modo oportunista, em momentos de crise e na véspera de eleições presidenciais", critica.

"Os brasileiros já rejeitaram o parlamentarismo em dois plebiscitos, em 1963 e 1993. Adotá-lo agora seria um golpe, uma forma de subtração da soberania popular", acrescenta Alencastro, que hoje leciona na Escola de Economia da FGV-SP.

Nesta terça, a Folha noticiou uma articulação do senador José Serra e do ministro Gilmar Mendes para mudar o sistema de governo do país. A ideia é apoiada pelo presidente Michel Temer, que já defendeu a adoção do parlamentarismo a partir de 2022.

Com a mudança, o Brasil deixaria de ser governado por um presidente eleito pelo voto direto. A chefia do governo caberia a um primeiro-ministro escolhido de forma indireta.

Para Alencastro, a proposta está sendo ressuscitada porque a centro-direita ainda não encontrou um candidato viável ao Planalto. "O motivo é o medo da eleição direta", afirma.

"Os tucanos perderam as últimas quatro disputas no sistema atual. O próprio Serra foi derrotado duas vezes", lembra o historiador. Ele observa que o PSDB nasceu parlamentarista, mas deixou a bandeira de lado após a primeira eleição de FHC.

Em artigo publicado na "Ilustríssima" em 2015, Alencastro criticou os deputados e senadores que descrevem o parlamentarismo como uma panaceia capaz de resolver todas as crises. Ele argumentou que o sistema atual precisa ser aperfeiçoado, mas garantiu ao país o mais longo período democrático de sua história.

Dois anos depois, o professor encerra a conversa com uma provocação: "Quem iria escolher o nosso primeiro-ministro, este Congresso? Está louco..."

Bernardo Mello Franco
No fAlha
Leia Mais ►

O ódio não é à corrupção. Mas ao PT e à ralé!



Leia Mais ►

A grande celebração bárbara do impeachment


Regras sociais são uma construção da civilização. São elas que impedem que desavenças sejam resolvidas com a morte de um dos contendores, que pessoas sejam agredidas em locais públicos, que famílias consigam conviver com diferenças internas.

Comparem-se os hábitos de crianças, adolescentes e adultos. A música é uma forma de interação social. Na periferia, os ambientes que cultivam a música são menos propensos a quebra-paus do que os sem música.

Em um ambiente social, presencial, pessoas que não se bicam cruzam, mas se respeitam. Cada qual ocupa seu espaço, com seu círculo, sem maiores problemas. Quem ousa manifestar irritação pública, é censurado por olhares ou gestos dos demais presentes.

Essas regras sociais vão sendo aprimoradas na medida em que as sociedades se civilizam. É mais fácil um quebra pau em um boteco de periferia do que em um restaurante do centro. Eram mais usuais assassinatos políticos nos anos 20 do que agora.

Não que haja mais civilizados no centro, ou na atualidade, mas as regras sociais conseguem domar seus instintos mais primários, a besta que habita cada um de nós é domesticada por um conjunto de regras e de leis.

Com o advento das redes sociais, quebraram-se essas regras.

No escurinho do seu quarto, o sujeito passou a se julgar com liberdade para quebrar todas as regras, botar para fora seus instintos mais selvagens. Na outra ponta, os que se escandalizam tiram o time de campo, bloqueiam seu perfil, deixam de interagir; e os que apoiam, veem saudá-lo. Cria-se, então, um padrão que facilita a organização de alcateias por todo o espectro das redes.

Tornam-se, então, membros de uma sociedade livre, como eram as sociedades pré-históricas, sem o jugo das regras sociais, das hierarquias sociais, do respeito ao próximo e às leis, sem as limitações do politicamente correto. Na liberdade das redes, colocam-se para fora os vícios privados. Pode-se agredir, assassinar moralmente os adversários, cometer adultérios, cultivar a pornografia, blasfemar, o que der na telha, livre como um adolescente que descobre a liberdade.

O fuzuê do impeachment

Agora, transporte esse quadro para o campo da institucionalidade. E relembre as cenas dantescas do impeachment, sob a ótica libertária-selvagem das redes sociais.

Mesmo em uma democracia imperfeita, as regras constitucionais garantem um funcionamento relativamente harmônico das instituições.

É vedado ao magistrado (ou ao procurador) manifestar-se fora dos autos, explicitar preferências partidárias, comportar-se fora dos limites da Constituição e das leis. Se são visceralmente contrários a determinado partido, as normas legais impedem sua manifestação dentro ou fora dos autos.

É vedado ao Congresso formar maiorias e tomar atitudes que afrontem a Constituição. É vedado ao Supremo Tribunal Federal invadir atribuições do Congresso, mas é sua obrigação colocar freios, quando o Congresso atropela o que é vedado pela Constituição.

Na campanha do impeachment, observou-se, nas instituições, o mesmo fenômeno das redes sociais. O espetáculo dantesco do fim dos limites sociais na Internet tomou conta do país e das instituições, com a euforia embriagadora proporcionada pelo golpe. Um espetáculo animalesco envolveu empresários, procuradores e juízes desfilando nas ruas suas posições políticas, Ministros do Supremo respondendo com um riso abobalhado às manifestações de fãs em shoppings, frequentadores de restaurantes agredindo adversários, um Procurador Geral empunhando uma placa salvacionista, outro Ministro comportando-se como hater de rede social, defendendo o Estado de Exceção, e simbolicamente de braços dados com espectros que lotavam as passeatas com seus gritos guturais.

Em tudo lembrou as grandes celebrações dionisíacas da antiguidade, não a celebração da política, mas os bacanais, os porres épicos, pornográficos de bárbaros empunhando taças de vinho com o líquido escorrendo pela boca, arrancando nacos de carne da Constituição, babando saliva e sangue

Foi a grande Noite de São Bartolomeu, em que tudo foi permitido.

Procuradores saíram à caça de recalcitrantes, podendo os mesmos serem alunos de uma escola ocupada, universitários discutindo política, técnicos liberando financiamentos à exportação de serviços, da mesma maneira que cães de guerra atiçados pelo comando “isca.. isca...”, para susto de procuradores e ministros mais responsáveis, que viam a instituição tomada de assalto pelos seus próprios haters.

Essa será a imagem que, até o fim dos meus dias, estará indelevelmente em minha memória, o enorme bacanal que fizeram com a Justiça e o país. Passarão os meses, os anos, em algum momento as nuvens carregadas da barbárie serão afastadas do horizonte por um novo vento reparador e civilizatório. Mas as imagens de um Celso de Mello fazendo selfie no shopping, de Janot com um ar apalermado carregando um cartaz de salvador do pátria, Barroso com seu sorriso angelical de sílfide conduzindo a barca de Caronte, pessoas aparentemente corretas, que se comportavam de acordo com as regras, autoridades que deveriam ser referenciais, de repente tomadas pelo espírito das trevas, que acometem caráteres mais fracos, todas essas imagens têm um cunho simbólico mais forte do que a menina do Exorcista e sempre servirão de alerta quando, no futuro, se ousar formar qualquer nova maioria.

Mesmo que seja para castigar os que faltaram com seu dever constitucional.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Informativo Paralelo # 44 — Transparência e Participação Popular


Leia Mais ►

Depois de prejudicar imagem de Haddad por 2 anos, delação da UTC é desmentida


A campanha de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo pelo PT, em 2012, não recebeu caixa 2 da UTC, ao contrário do que alegou o empresário Ricardo Pessoa em delação premiada, em meados de 2015.

Só agora, 2 anos depois do escândalo, é que a Polícia Federal ouviu o dono da gráfica acusado de ter sido o destinatário final de aproximadamente R$ 2,6 milhões pagos pela UTC em favor do PT. O montante ajudou a pagar a campanha de candidatos a vereador e prefeito em cidades pequenas, mas não inflou o caixa da campanha de Haddad.

A informação foi revelada pelo empresário e ex-deputado estadual Francisco Carlos de Souza (PT), em depoimento à PF, em junho passado, após a operação Cifra Oculta ter sido deflagrada para investigar de Haddad havia se beneficiado dos recursos repassados pela UTC.

Segundo a Folha desta quarta (19), Chicão, como é conhecido o dono da gráfica LWC, reconheceu que recebeu caixa 2 da UTC como pagamento por serviços prestados a candidatos do PT em 2012. Contudo, os recursos não estão ligados a Haddad. O ex-prefeito, aliás, sempre negou que tenha recebido qualquer recurso da UTC, já que a empreiteira teve interesses contrariados em seu governo.

Segundo o dono da gráfica, a UTC teria feito os pagamentos a ele após orientação de Edinho Silva. Na delação, Ricardo Pessoa disse que fez repasses não a pedido de Edinho, mas de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.

Após a eleição, o partido devia à LWC cerca de R$ 3 milhões. A UTC aceitou quitar, em dinheiro vivo, cerca de R$ 2,6 milhões. O doleiro Alberto Youssef teria ajudado a operacionalizar as transferências.

À PF, o ex-deputado petista ainda disse que sua gráfica prestou serviços para a campanha de Haddad, na ordem dos R$ 350 mil. Porém, o pagamento - não vinculado à UTC - teria sido feito de acordo com as regras eleitorais. Há registro disso na Justiça Eleitoral.

Em nota, Haddad reafirmou que "nunca fez nenhum sentido, e não era crível, que uma empreiteira assumidamente corrupta que teve todos os seus interesses (notadamente os da construção do túnel da avenida Roberto Marinho) contrariados, tivesse agido da forma alardeada em sua delação".

"Embora tardiamente depois de evidentes prejuízos à imagem do ex-prefeito, o depoimento do empresário Francisco de Souza resgata a verdade", acrescentou o ex-prefeito, em resposta à Folha.

Edinho Silva, hoje prefeito de Araraquara (SP), afirmou "desconhecer dívidas do PT de São Paulo relacionadas à campanha de 2012" bem como as contratações citadas por Souza.

No GGN
Leia Mais ►

Notícias do lado de lá: quando a farinha é pouca, o pirão é na faca


A direita brasileira não sabe para onde vai, sabe apenas como está indo: aos tapas.

Vera Magalhães, no Estadão, uma colunista que transita muito à vontade entre os tucanos, diz que Alckmin pretende abater João Dória a golpes de prévias, certo de que o collorzinho que criou não poderá sequer disputar com ele, de tantas juras de fidelidade que fez.

Os termos são, como se pode ver, sutis: Após queda de Aécio, Alckmin quer prévias para escantear Doria e Alckmin acha que o pupilo manter-se-á fiel, embora apenas por não ter por onde ir.

Salvo se… Bem, é preciso saber se a “turma da bufunfa” concordará em apoiar uma aventura com partidecos.

A diáspora tucana tem outras portas, diz a colunista, tem outras portas de saída. Para José Serra, a do PSD de Gilberto Kassab, que, dão conta outras notas de jornal, deixa a porteira aberta para Henrique Meirelles, que poderia ser candidato embalado por um sucesso econômico até a eleição.  As chances são tão grandes quanto as do Atlético Goianiense no Brasileirão de Futebol.

Outro guru da direita, Merval Pereira, diz em O Globo que nas bandas governistas, onde o PSDB virou migalha, corre entre sorrisos falsos a disputa entre Temer, Rodrigo Maia e Marina Silva pelos retalhos do PSB.

A parcela governista do partido leiloa-se politicamente (e certamente mais que isso) entre o atual presidente e o suposto próximo, o presidente da Câmara.

Maia, como retratado pelo cartunista Chico Caruso na capa do jornal, mostra as armas que tem.

Os dois, porém, têm o mesmo problema: não são perspectivas para 2018. Embora, para muitos, mais valha um cargo na mão do que alguns no terreno da imaginação.

Fora daí, no mundo real, existe Lula e passou a existir Bolsonaro.

As máquinas partidárias, se olhassem para 89 veriam o que ocorreu a Ulisses Guimarães e a Aureliano Chaves – ambos infinitamente superior ao plantel que têm hoje PSDB, PMDB e DEM – no processo eleitoral.

E quando a realidade política e institucional impede a realidade eleitoral, uma das duas acaba por ruir.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

O jantar de Temer e Maia foi para mostrar que, entre golpistas, um vive de olho no outro

Roberto e Erasmo discutem o repertório do novo disco, “Satan is Real”
Mantenha seus amigos perto de você e seus inimigos mais perto ainda.

A frase de Lao Tsé roubada por Coppola no “Poderoso Chefão” explica o jantar de Rodrigo Maia e Michel Temer na residência oficial do presidente da Câmara.

Os dois golpistas padecem da desconfiança com que os golpistas são tratados e, quando estão juntos, andam com as costas na parede para evitar surpresas.

Ambos tentam atrair dissidentes do PSB para seus respectivos partidos.

Havia uma negociação antiga para eles ingressarem no DEM, mas ela emperrou. Quando cresceu a possibilidade de Maia virar presidente, voltou a ganhar força.

Temer reagiu e teve reunião com os mesmos políticos, vendendo a possibilidade de filiação ao PMDB e sabe Deus mais o quê.

Maia teria ficado irritado com o que considerou afoiteza do chefe e concorrente.

É evidente que, entre dois conspiradores dissimulados, o assunto do encontro não seria esse.

“Foi uma conversa entre bons amigos e homens públicos exemplares”, jurou o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, do PSDB.

“O que existe é muito ruído, em que se tenta jogar um contra outros. Mas a maturidade dos dois não vai permitir prejudicar a relação entre eles”, afirmou o líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), também presente.

O que importa é a simbologia da reunião, não o que se falou entre garfadas e goles de vinho caro pagos por você. 

A tentativa foi a de retratar a união entre dois líderes, a lealdade de um para com outro, a tal “maturidade” de que falou o ilustre deputado.

Na realidade, vêem-se dois sujeitos que são protagonistas de um golpe, numa terra de ninguém, paus mandados do “mercado” que não precisam de votos, deixando claro que um sabe o que o outro fez no verão passado.

Vão continuar brigando pelos pessebistas até que um deles faça a oferta mais irresistível e leve o prostíbulo de brinde.

Os restos eles atiram para o Brasil.

Kiko Nogueira
No DCM




Leia Mais ►

Quebra do sigilo telefônico de Cunha revela contatos com integrantes do STJ, TCU e CNJ

MP considera dados relevantes para as investigações em curso contra o ex-deputado, que negocia uma delação premiada


Relatório inédito da Procuradoria-Geral da República sobre a quebra do sigilo telefônico do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) detectou conversas com autoridades do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal de Contas da União (TCU) e Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A análise, que está sob sigilo, abrangeu o período de 2012 a 2014 e foi autorizada pela Justiça Federal do Rio Grande do Norte para trazer elementos às investigações em curso no estado. Os dados foram considerados relevantes pelos investigadores porque mostram o trânsito de Cunha com autoridades do Judiciário.

Cunha manteve sete contatos telefônicos – entre telefonemas e mensagens de texto – com um celular do gabinete do ministro do STJ Benedito Gonçalves – que, assim como o ex-parlamentar, também é do Rio de Janeiro. Em relação ao TCU, o ex-deputado manteve 32 contatos telefônicos por mensagem de texto com Bruno Dantas, sendo sete contatos depois que ele se tornou ministro da Corte – antes, Dantas era consultor legislativo no Senado. Cunha ainda fez oito contatos telefônicos com José Múcio Monteiro,outro ministro do TCU, e 15 contatos com um servidor do órgão chamado Wilson Carlos Ferreira Valente. Em relação ao CNJ, de acordo com o relatório, Cunha manteve 11 contatos telefônicos com o advogado Emmanoel Pereira, na época conselheiro do órgão. Ele também é filho do atual vice-presidente do TST, Emmanoel Pereira.

O gabinete do ministro Benedito Gonçalves informou que ele está de férias e que, por isso, não foi possível contatá-lo para comentar. O ministro Bruno Dantas afirmou que não tinha amizade com Cunha e que os contatos ocorreram durante o processo de aprovação de sua indicação ao TCU, que ficou parada por três meses na Câmara. Dantas disse ainda que trocou o número de celular ao assumir o cargo de ministro e que o telefone antigo ficava desligado e era acionado eventualmente por sua secretária para ver se havia recados relevantes.

José Múcio afirmou que Cunha costumava entrar em contato para conversas protocolares ou para pedir que recebesse algum aliado seu. O escritório de Emmanoel Pereira informou que, nesse período, ele foi indicado pelos líderes partidários para ser o representante da Câmara no CNJ e, por isso, manteve esses contatos. Procurado, o TCU ainda não respondeu sobre os contatos com o servidor Wilson Valente.

Em nota, a defesa de Eduardo Cunha disse que não teve acesso ao teor das ligações para poder comentar, mas não vê ilícito algum em manter contato telefônico com qualquer pessoa.

Aguirre Talento
No Época
Leia Mais ►

Janot tem bambu para até 4 denúncias contra Temer


Embora tenha declarado não ter pressa em apresentar novas denúncias contra Michel Temer, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem bambu estocado para apresentar até quatro, e não apenas mais duas denúncias contra Temer antes de 17 de setembro, quando deixa o cargo. Se a votação da primeira denúncia em plenário fosse hoje, Temer escaparia. Mas os deputados da base que livraram a cara dele na CCJ andaram dizendo, antes do recesso, pelos corredores e cafés da Câmara, que receberam emendas apenas para votar contra a primeira denúncia, a de corrupção passiva, não tendo compromisso com outros pedidos de licença que venham a tramitar no segundo semestre.

As duas novas denúncias mais comentadas e esperadas seriam por obstrução da justiça e participação em organização criminosa. A primeira seria decorrente da conversa escabrosa entre Temer e Joesley Batista, em que confabulam sobre manobras para driblar investigações da Lava Jato, tendo Temer inclusive ouvido, em silêncio concordante, as confissões do empresário de que estava aliciando um procurador e um juiz. A outra, sobre participação em organização criminosa, seria embasada no conjunto de revelações sobre a atuação do chamado “PMDB da Câmara”. Temer, em muitas delações, é apontado como o verdadeiro líder do grupo, composto ainda por Eduardo Cunha, Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima e Moreira Franco.

Mas duas outras denúncias, por corrupção passiva, podem ser apresentadas por Janot, conforme advertiu em sua intervenção durante a votação na CCJ o deputado Rubem Pereira Júnior (PC do B-MA). Elas poderão ser embasadas por Janot em dois inquéritos que o ministro relator da Lava Jato no STF, Luiz Fachin, desmembrou do processo relacionado ao caso JBS. Uma seria relacionada a suposto favorecimento à empresa portuária Rodrimar. Quando o executivo da JBS Ricardo Saud combinava propinas com o preposto de Temer, Rocha Loures, num café paulistano, lá apareceu Ricardo Mesquita, da Rodrimar, que também iria acertar alguns ponteiros com Loures. Os três falam de Temer, e Mesquita registrou que ele estaria ajudando muito seu grupo. Depois, em outro encontro, Loures diz a Saud que Mesquita e Temer são muito amigos e até o sugere como possível intermediador da propina que ele próprio acabaria recebendo naquela mala. Foi nesta conversa que revelou o impedimentos de outros dois intermediadores, José Yunes e o coronel Lima.

Temer, de fato, irá em seguida (maio) assinar o famoso “decreto dos portos”, de numero 9048, que promoveu várias alterações na regulamentação do setor. Como disse o site do Planalto: “Entre as principais mudanças estão a ampliação dos prazos contratuais e liberdade para a realização de prorrogações de contratos, simplificação de processos de autorizações e ampliações de terminais de uso privado. A expectativa do governo é que o tempo para autorização de novos terminais caia de três anos para 180 dias.” A Rodrimar teve sua concessão em Santos prorrogada. O texto permite prorrogações por mais 35 anos, até o limite de 70 anos, sem licitação.

Mas pouco antes, sem saber que estava sendo gravado pela Lava Jato, Loures trata mais de uma vez com Temer sobre a assinatura do decreto e depois reporta-se ao homem da Rodrimar por telefone, dando notícias do assunto. O decreto seria assinado e haveria um ato de lançamento da medida.

Loures e Ricardo Mesquista têm a seguinte conversa (grampeada) sobre o decreto.

- Ricardo: É isso aí, você é o pai da criança, entendeu?  

- Loures: É... A ideia é que se o governo for tomar uma decisão, nessa ou naquela direção...

- Ricardo: Tenha que ser valorizado, valorizado, né?

Qual foi a “valorização” não se sabe mas a Lava Jato prosseguiu nas investigações e Janot pode ter bambu estocado.  Esta seria uma terceira denúncia de contra Temer por corrupção passiva.

A quarta envolveria a empresa do coronel Lima, dono da Argeplan, de notabilíssimas ligações com Temer. A ele a JBS entregou uma propina de R$1 milhão, na sede da sua empresa, segundo Florisvaldo Caetano, contador da empresa dos Batista. Esse valor, segundo a delação de Ricardo Saud, era parte dos  R$ 15 milhões doados pela JBS na campanha de 2014,  que o PT repassou para o PMDB,  e que Temer reservou para si. Foi isso que levou Saud a dizer que nunca vira alguém roubar do próprio partido.

Lima, entretanto, aparece em muitos negócios obscuros que sempre têm um ponto de intersecção com Temer, tais como a “venda” de um contrato de R$ 162 milhões obtido pela Argeplan na usina de Angra Três (Eletronuclear) para a Engevix, que teria contado com a mediação de Temer, e muitas obras de infraestrutura em vários pontos do país, tais como pontes, estradas, ferrovias. O jornalista Marcelo Auler dissecou a relação Temer-Lima numa grande e consistente reportagem. A parte do inquérito da PGR que trata das relações entre Temer e o coronel foi também desmembrada por Fachin. O deputado Rubens Pereira Júnior diz que as investigações prosseguem, autorizadas pelo STF,  e que, segundo interlocutores do Ministério Público, Janot pode se basear nelas para  apresentar a quarta denúncia contra Temer. 

Janot, um bom jogador, diz que não tem pressa porque deve estar neste momento afiando as pontas de suas flechas de bambu. Se apresentar pelo menos mais uma denúncia, Temer terá que remontar o balcão de compra de votos para barrar um segundo pedido de licença do STF à Câmara. O país? Continuará sangrando, ora bolas.

Tereza Cruvinel
Leia Mais ►

Grupo de Pesquisa: A Experiência dos Africanos e seus Descendentes no Brasil


O grupo de pesquisa “A Experiência dos Africanos e seus Descendentes no Brasil”, formado por profissionais de diferentes Universidade, surgiu com o intuito de confrontar a ideia de que quase não houve escravidão na região sul do nosso país. Para expor, discutir e promover estudos em torno da temática, o grupo realiza um encontro bianual, chamado "Escravidão e Liberdade".

Leia Mais ►