10 de jul de 2017

O Impeachment de Gilmar Mendes, ou a notícia que nunca houve

http://www.manchetometro.com.br/index.php/publicacoes/serie-m/2017/07/06/o-impeachment-de-gilmar-mendes-ou-a-noticia-que-ainda-nao-houve/


No dia 14 de junho de 2017, um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, foi protocolado no Senado Federal. Motivo alegado na petição: sua atuação político-partidária dentro da mais alta corte brasileira. A iniciativa foi tomada depois da divulgação, em maio, de uma ligação telefônica gravada entre o ministro e o senador afastado do PSDB, Aécio Neves. Sempre polêmico em suas decisões e pronunciamentos, o ministro nunca foi alvo da imprensa brasileira da forma como deveria, mesmo tendo sido o primeiro a quebrar uma tradição dentro do Senado, a de ser indicado por unanimidade – Gilmar recebeu 14 votos contrários à sua nomeação para o STF em 2002.

O pedido de impeachment poderia não ter significância no cotidiano do Poder Judiciário e ser tratado como mais uma iniciativa de pessoas que estavam insatisfeitas com a atuação do magistrado, não fosse por alguns detalhes que não podem passar despercebidos. O primeiro: a iniciativa do pedido não partiu de alguma parte que tenha sido afetada diretamente por uma decisão de Mendes, mas de duas “celebridades” do mundo jurídico brasileiro: o ex-procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, e o professor de Direito da Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Neves. Ambos encaminharam ao Senado o pedido de impeachment do ministro do STF, dizendo-se motivados pelas atitudes “indecorosas” de Mendes.

O segundo detalhe: em maio de 2002, quando Gilmar foi indicado para o Supremo pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, o jurista Dalmo Dallari advertiu, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, que no STF ele seria “a degradação do judiciário brasileiro”. Profético ou não, em maio de 2012, dez anos depois, Dallari declararia, segundo o blog Pragmatismo Político: “Não avisei? Naquele artigo para a Folha, eu já mostrava, com fatos, os problemas que o Judiciário brasileiro enfrentaria com o Gilmar Mendes no Supremo. Não há surpresas, pelo menos para mim”. No artigo de dez anos antes, o jurista salientou que a proteção dos direitos no Brasil estaria correndo “sério risco”, bem como o combate à corrupção e a normalidade constitucional. E pediu que o povo e a imprensa ficassem “vigilantes” para garantir o sistema democrático.

Chegamos a um ponto fundamental aqui: a mídia brasileira se furtou ao papel de vigiar o ministro, raramente colocando sob questão sua atuação polêmica. A base de dados do Manchetômetro mostra que o pedido de impeachment contra o ministro do STF não foi noticiado em manchetes, chamadas e páginas de opinião de Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, O Globo ou nas reportagens do Jornal Nacional, mesmo tendo ele sido exposto por gravação de conversa telefônica com o senador Aécio Neves — um personagem acusado de inúmeros crimes de corrupção. O mais alarmante nesta gravação é não somente o tom de intimidade entre Aécio e Gilmar, mas o fato de que o senador praticamente dá ordens ao ministro, que promete sem vacilo executá-las prontamente.

A base de dados do Manchetômetro é alimentada todos os dias com informações colhidas dos três jornais impressos e do Jornal Nacional. As notícias analisadas incluem manchetes e chamadas de primeira página, editoriais, páginas de opinião, além de todas as matérias nos blocos do telejornal global que tratam de política e economia. Em nenhum deles há referência ao pedido de impeachment do ministro. Esse é um caso clássico de retirada de pauta de um fato que em outras circunstâncias seria um acontecimento significante para ingressar na agenda midiática e ser transformado em notícia. Ou seja, é uma retirada de quadro de um acontecimento que está fora dos paradigmas dominantes de quem pode ser criminalizado e de quem é mantido “acima de qualquer suspeita”.

A imprensa, no processo de formação ativa da opinião pública, define o que deve ser publicizado e o que deve ser silenciado. A atuação da imprensa no caso impeachment de Gilmar Mendes se deu até agora pela ausência, que, contudo, não é destituída de sentido. Ao agir de tal forma, os grandes meios não somente impedem publicamente que se discuta a atuação de Gilmar, mas propriamente barram o acesso da grande massa da população à informação mais básica de que o ministro tem, neste momento, um processo de impeachment movido contra ele.

Para termos uma ideia do que aconteceu foi necessário buscar fontes alternativas. Assim, o fato grave – que merece ser investigado e que pode colocar sob suspeição o ministro responsável pelo resultado do julgamento da cassação da chapa presidencial Dilma-Temer, ocorrido entre 6 e 9 de junho no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – está agendado como notícia principal apenas em meios de comunicação fora da grande imprensa nacional. O episódio, aliás, não ficou restrito ao pedido de impeachment do magistrado. Após saber da solicitação do ex-procurador e do professor da UnB, o ministro se pronunciou em evento promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais de Pernambuco (Lide-PE), fazendo acusações generalizadas contra membros do Ministério Público e do próprio Poder Judiciário. Isso provocou uma reação da Associação do Ministério Público de Pernambuco (AMPPE), que publicou nota oficial no dia 20 de junho para “externar sua indignação” diante das declarações do ministro.

Na nota pública, a AMPPE listou uma série de ações de Mendes que mereceriam estar na pauta da mídia porque definitivamente estão impregnadas de significância que justificam a sua transformação em notícia: “A sociedade espera que o senhor ministro esclareça os seguintes fatos: a) os milhares de reais destinados pela JBS ao Instituto de Direito Público de Brasília, entidade da qual é sócio; b) as conversas não republicanas divulgadas pela imprensa com integrantes de outros Poderes; c) a flagrante incoerência registrada no recente julgamento da chapa presidencial no TSE; e d) a atuação em ações patrocinadas pelo escritório de advocacia integrado pela sua esposa”.

Esses fatos, cobrados publicamente por uma instituição que congrega promotores e procuradores de Justiça, não resistiriam aos critérios de noticiabilidade de meios de comunicação que de fato buscassem noticiar fatos sociais relevantes para a sociedade. À época de sua nomeação para o STF, inclusive, já circulava informações de que Mendes havia contratado, como procurador-geral da República, pessoal para seu cursinho de Direito. Mas a agenda midiática não se adequou aos acontecimentos e mostrou o uso seletivo de critérios e de atenção aos episódios, que em outras circunstâncias foram tão explorados pela imprensa – como as ligações telefônicas entre o ex-presidente Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff ou entre a ex-primeira dama Marisa Letícia e os seus filhos e, mais recentemente, as denúncias do dono da JBS, Joesley Batista, contra o presidente Michel Temer. Isso mostra com clareza que a mídia trata com frequência assuntos semelhantes de forma diferente, a depender das implicações políticas sobre os seus próprios interesses.

Estamos diante de mais um fato social que não se transmuta em fato jornalístico. Ora, o poder do jornalismo está na sua capacidade de projetar temas ou fatos sociais, alçando-os à condição de tópicos de discussão pública. Pesquisas indicam que há uma conexão entre as agendas jornalísticas e as preocupações dos cidadãos comuns. Mas se questões que estão direta ou indiretamente ligadas aos indivíduos acabam por fazer parte do seu universo a partir da veiculação jornalística, o contrário também é válido: o que está ausente da mídia também não habita o mundo real das pessoas. A escolha de certos temas em detrimento de outros se constitui em um mecanismo de formação da opinião pública.

Como dizia Bernard Cohen, em 1963, a imprensa “pode não conseguir dizer às pessoas como pensar, mas tem, no entanto, uma capacidade espantosa para dizer aos seus próprios leitores sobre o que pensar. O mundo parece diferente, dependendo do mapa que lhe é desenhado pelos redatores, editores e diretores do jornal que leem”.

Em recente pronunciamento, o presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, falou do “mar de mentira que nos assola, principalmente através da internet e das redes sociais”. Pois bem, foram as redes sociais que nos abasteceram com os fatos relacionados ao pedido de impeachment do ministro do STF, e não as notícias do Jornal Nacional. Para furar esse agendamento dominante, blogs de notícias e canais alternativos de mídia cumprem uma rotina narrativa diversa da grande imprensa, tentando conquistar espaço na formação da opinião pública. E foi por esses meios que pudemos construir esse ensaio, ou seja, investigando a agenda de veículos que não dominam a cena jornalística.

Fora do circuito da grande mídia, apenas no site da Folha de S. Paulo e no G1 a notícia apareceu, mas, como destacamos, não é repetida nas manchetes, chamadas de primeira página ou páginas de opinião da Folha e de O Globo, bem como no Jornal Nacional, além dos demais jornais impressos acompanhados pelo Manchetômetro. Em outras palavras, a notícia parece ter sido contida nos meios digitais, sem transmissão para os formatos impresso e televisivo das mídias que estudamos. Dar a informação em algum espaço dos sites, ainda mais sem destaque, é uma maneira de dar e de não dar uma notícia. Afinal, a divulgação de um fato por alguns minutos na televisão de maior audiência no país ou nas capas e páginas de opinião dos grandes jornais tem definitivamente um peso distinto de sua divulgação em espaços secundários desses outros veículos das mesmas empresas de comunicação.

Abaixo resumimos a cobertura do pedido de impeachment de Gilmar, em cada um dos sites em que foi noticiado.

Carta Maior – o blog deu destaque ao pedido de impeachment do magistrado, retomando as declarações de Dalmo Dallari após a indicação de Mendes ao STF por FHC. A notícia detalha as bases do pedido feito por Fonteles e Neves, destacando o “exercício pelo ministro de atividades político-partidárias” ao se comprometer com Aécio Neves a conversar com parlamentares para tratar da votação da Lei de Abuso de Autoridade. Carta Maior também retoma processos anteriores de pedido de impeachment contra Mendes. O primeiro, de setembro de 2016, dos juristas Celso Antônio Bandeira de Mello, Fábio Konder Comparato, Sérgio Sérvulo da Cunha, Eny Raymundo Moreira, Roberto Amaral e Álvaro Augusto Ribeiro. Em dezembro do mesmo ano, Cláudio Fonteles deu entrada em seu primeiro pedido. Ambos foram arquivados pelo senador Renan Calheiros (PMDB), à época presidente do Senado Federal. O site mostra clara oposição às atitudes do ministro.

ZH Política – o blog faz referência à entrevista dada por Fonteles à Rádio Gaúcha, na qual o ex-procurador afirma que o ministro tem atuado de forma político-partidária. O site também faz referência aos pedidos anteriores que foram arquivados, e se mostra-se crítico à atuação do ministro do STF.

Carta Capital – o site da revista destaca o pedido de impeachment, salientando a autoria do processo. Segundo o semanário, a acusação contra Mendes é de crime de responsabilidade, e seus autores, Fonteles e Neves, pedem o impeachment e a proibição do exercício de funções públicas por até oito anos. Carta Capital apresenta ainda, na mesma página, links para outras notícias vinculadas aos pedidos anteriores de afastamento do ministro. A revista demonstra posição contrária às atitudes adotadas por Mendes.

Folha de S. Paulo – apesar de não dar a notícia em matéria de primeira página ou em páginas de opinião, a Folha noticia o fato em seu site, indicando que a ação foi motivada pelas gravações da conversa telefônica entre o ministro e o senador Aécio Neves. Além do pedido de impeachment, o jornal informa que os autores da ação pretendem ingressar com duas representações contra Gilmar: uma na Procuradoria-Geral da República (PGR) e outra no STF. A notícia tem um caráter de neutralidade, sem um posicionamento contra ou a favor aos atos do magistrado.

G1 – o canal traz inúmeros detalhes do pedido, embora pertença ao Grupo Globo, que não deu destaque à ação no Jornal Nacional ou no jornal O Globo. A notícia traz a transcrição da conversa entre o ministro e o senador, que motivou o pedido de impeachment, além de trazer informações de entrevista com os autores da ação. O site é o único a fazer referência a uma tentativa de contato com Gilmar Mendes no intuito de ouvi-lo sobre o caso, mas sem sucesso. Ainda que com riqueza de dados, o G1 não tem uma posição clara acerca das ações do magistrado.

Infomoney – o site, com viés mais econômico, inicia o texto com o pronunciamento de Gilmar Mendes sobre o processo de impeachment contra ele, no evento realizado no Recife. O Infomoney traz inúmeras declarações do ministro, que se defende dizendo ter boas relações com vários políticos, afirmando ainda não ver problema em ter relações político-partidárias. O blog ressalta que Mendes foi aplaudido por empresários e advogados após a sua fala, na qual desqualificou as acusações e os acusadores, chamando-os de “falsos juristas”. Sobre Fonteles, classificou de “piada ambulante no tribunal”. O enquadramento da matéria é claramente favorável ao ministro.

Valor Econômico – no site do jornal, a notícia também destaca o pronunciamento de Gilmar Mendes no Recife, com destaque às acusações que fez aos autores do pedido de impeachment. O Valor salientou ainda a posição do ministro de não se sentir constrangido por sua relação com o senador Aécio Neves. Embora a matéria tente afetar uma posição de neutralidade, o enfoque nas acusações contra os autores do pedido de impeachment sem o correspondente detalhamento da petição feita contra o magistrado, dá um sentido em favor de Mendes.

Tijolaço – o blog traz uma análise mais crítica contra a postura de Gilmar Mendes no Recife, dizendo que o ministro “tratou a patadas” os autores do pedido de impeachment. Recorrendo a fontes alternativas, o site traz informações do Facebook do jornalista Luís Costa Pinto, com afirmações do professor Marcelo Neves acerca das declarações do magistrado a propósito da ação contra ele. Neves diz que Mendes é “useiro e vezeiro em desviar a atenção dos seus malfeitos com ataque às pessoas”. O blog vai além em sua posição contrária ao magistrado, chamando-o de “ministro Tabajara”, em alusão a termo criado por programa humorístico popular, que denota falsidade, embuste e fraude.

Considerações Finais

Poderíamos supor que os critérios que decidem se uma notícia vale a pena ser noticiada seriam sua potencial importância para o debate público, ou mesmo seus aspectos pitorescos, grotescos, incomuns e qualquer outra característica que possa atrair o interesse da audiência do meio. Não parece ter sido esse o caso, a não ser que assumamos que é do interesse da audiência do Jornal Nacional, por exemplo, que notícias negativas sobre Gilmar não sejam divulgadas. Tal suposição não se sustenta. Gilmar Mendes é certamente entre os juízes do STF aquele que tem atuação mais abertamente politizada, dando declarações públicas frequentes sobre fatos, políticos e partidos. O fato de a grande mídia brasileira, como mostra nosso estudo, ter praticado um esforço de agendamento tão intenso, para barrar a divulgação do pedido de impeachment contra ele, levanta a suspeita de sintonia entre sua agenda política e a do ministro, além de confirmar a tendência da mídia de se portar como agente político, dado que as análises do Manchetômetro têm revelado repetidamente.
Leia Mais ►

Fora Meirelles! O inimigo do Povo!


O Senhor Henrique Meirelles, Ministro da Fazenda, ex-presidente do Bank of Boston e durante vários anos presidente do Conselho da J e F (de Joesley), de onde saiu para ocupar o Ministério da Fazenda, procura, à frente de uma equipe de economistas de linha ultra neoliberal, implantar no Brasil, na Constituição e na legislação uma série de “reformas” para criar um ambiente favorável aos investidores, favorável ao que chamam de “Mercado”.

O Senhor Henrique Meirelles já declarou, de público, que se o Presidente Temer “sair” ele continua e todos os jornais repetem isto, com o apoio de economistas variados e empresários, como o Senhor Roberto Setúbal, presidente o Itaú.

Estas “reformas” são, na realidade, um verdadeiro retrocesso econômico e político e estão trazendo, e trarão, enorme sofrimento ao povo brasileiro e grande alegria ao “Mercado”.

Enquanto crucificam o povo brasileiro e em especial os mais pobres, os trabalhadores e os excluídos, o debate político fica centrado na corrupção, desviando a atenção da classe média e dos moralistas, em torno de uma verdadeira “novela” com heróis e bandidos.

Discute-se se Michel Temer levou ou não “contribuições pessoais” e se foram 500 mil ou 20 milhões, a prazo; se o Senador Aécio Neves pediu uma propina ou um empréstimo (informal!!) de 2 milhões de reais; se a JF corrompeu quem e quantos e ficaram livres de pena; se o Senhor Joesley merecia o perdão; se Sérgio Moro, juiz de primeira instancia, é ou não a principal autoridade judiciária do país, acima da Lei; se o Ministro Marco Aurélio é justo; se o Ministro Gilmar Mendes é imparcial etc etc etc.

O tema verdadeiramente importante é a tentativa das classes hegemônicas brasileiras, aqueles que declararam ao Imposto de Renda ganharem mais de 160 salários mínimos por mês (cerca de 160 mil reais) e que são cerca de 70 mil pessoas e que constituem, em seu conjunto, aquela entidade mística que os jornais e analistas chamam de “Mercado”.

O “Mercado” contra o Povo.

De um lado, o “Mercado”:

• os empresários, promotores do Pato e financiadores do MBL; exceto aqueles que já se deram conta que Meirelles é contra a indústria;

• os rentistas;

• os grandes proprietários rurais (entre eles o Senador e Ministro Blairo Maggi e o avião interceptado pela FAB);

• os grandes proprietários urbanos;

• os banqueiros (não os bancos) e seus lucros;

• os gestores de grandes empresas privadas, modestos ex-professores universitários;

• os proprietários dos meios de comunicação;

• os grandes executivos brasileiros de megaempresas multinacionais;

• os professores universitários, formados em universidades estrangeiras, em teorias próprias dos países desenvolvidos e que, mesmo lá, fracassam;

• os economistas e os jornalistas econômicos, empregados do Mercado.

De outro lado, o Povo:

• os 53 milhões de brasileiros que recebem o Bolsa Família, isto é, cuja renda mensal é inferior a 182 reais;

• as dezenas de milhões que são isentos do imposto de renda por terem renda inferior a 2.500 reais por mês.

• os 61 milhões que estão inadimplentes, com seus crediários;

• os 14 milhões de desempregados;

• os 3 milhões de crianças fora da escola;

• os mais de 11 milhões de habitantes de favelas (hoje chamadas comunidades!!);

• os subempregados;

• os 47 milhões que ganham menos de um salário mínimo por um mês;

• os milhões sem remédios e sem hospital.

O programa econômico de Henrique Meirelles é o verdadeiro inimigo do povo! Não é a corrupção que distrai a atenção da verdadeira catástrofe que está sendo consolidada na legislação através de um Congresso que representa principalmente empresários, banqueiros, proprietários rurais, rentistas, etc.

O Mercado agora deseja colocar um presidente de imagem limpa para que, como disse o Senhor Roberto Setúbal, na Folha de São Paulo, o importante são as reformas! Não importa quem as conduza!

É preciso lutar com todas as forças contra este programa de “retrocessos” disfarçados, cinicamente, de reformas a “favor” do Povo!

Samuel Pinheiro Guimarães, Embaixador. Secretário-Geral do Itamaraty, de 2003 a 2009. Ministro para Assuntos Estratégicos, de 2009 a 2010. Liderança da Minoria, Senado Federal, de 2016 a 2017.
No Viomundo
Leia Mais ►

Patrimônio de Geddel vira matéria do Fantástico


A Rede Globo, diante da evidente bandalheira que tem subido à tona no governo Temer, resolveu ir na jugular de políticos que tradicionalmente apoiou ou, se não, ao menos calou sobre a visível promiscuidade de suas vidas públicas.

O Fantástico fez matéria neste domingo (9), onde mostra os bens do ex-ministro de Temer, Geddel Vieira Lima, que está preso sob a acusação de atrapalhar investigações e é suspeito de ter recebido R$ 20 milhões em propina.



De acordo com a reportagem, Geddel é dono de 12 fazendas de gado no sul da Bahia que juntas valem cerca de R$ 67 milhões. Só na mesma região, o ex-ministro tem três fazendas. Duas de um lado, e uma de outro. Juntas, elas somam mais de 900 hectares. De acordo com os preços praticados, elas valem, pelo menos, R$ 6 milhões.

Além disso, o político que em três décadas sempre se manteve perto do poder, em diferentes governos, conseguiu construir um patrimônio expressivo. Ele é dono também de casa na beira da praia, apartamentos de alto padrão, carros de luxo.

A reportagem, que esteve na Bahia, dá detalhes das contradições entre a declaração de bens de Geddel e o valor real de seu patrimônio, além de fazer retrospectiva da carreira do político, até a sua chegada à prisão.

No Fórum
Leia Mais ►

Israel pede um minuto de silêncio pelo Holocausto e Cuba pede um minuto de silêcio pelos Palestinos


A embaixadora de Cuba na UNESCO, Dulce María Buergo Rodríguez, pede que a organização mantenha um minuto de silêncio para os palestinos que foram perdidos como resultado da ocupação de Israel, durante uma reunião na Polônia em 4 de julho de 2017. A UNESCO condenou a ocupação israelense de Jerusalén oriental e as políticas contra os palestinos lá.

Leia Mais ►

Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras - JTT | 10/07/2017


Leia Mais ►

A censura no Brasil veste toga


Atualmente o Poder Judiciário é o principal agente das violações à liberdade de expressão no país. Sentenças judiciais impõem retirada de conteúdos, apreensão de materiais e multas para calar as vozes dissonantes e impedir a diversidade e pluralidade. Tudo isso a serviço da mídia hegemônica e da elite política e econômica.

A censura talvez seja um dos elementos mais simbólicos de um regime autoritário.

A restrição à liberdade de expressão é uma das lembranças mais duras do período em que o Brasil viveu sob a ditadura militar. Naquele momento, o censor era o Estado autoritário. Eram as forças da repressão que definiam o que podia ou não ser publicado num jornal ou revista, veiculado numa emissora de rádio ou televisão, encenado no teatro, exibido no cinema, tocado em shows ou gravado em discos. Isso para não falar da forma mais violenta de violação à liberdade de expressão: a repressão truculenta a toda forma de manifestação de pensamento e ideias, com violência nas ruas, prisões e mortes.

Por isso, para virar a página da ditadura, a Constituição Cidadã de 1988 previu, em vários artigos, a garantia do direito fundamental à liberdade de expressão, reconhecido em constituições de inúmeros outros países e em vários tratados internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 (art. 19); a Convenção para a proteção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais de 1950 (art. 102) e a Convenção Americana de Direitos Humanos – Pacto San José da Costa Rica de 1969 (art.13 ).

A transição democrática e a primeira eleição presidencial de 1989, praticamente eliminaram os casos de censura promovidas pelo Poder Executivo. A figura da censura prévia, ou seja, a necessidade de autorização para a publicação ou divulgação de qualquer natureza deixou de existir. O que passou a ocorrer foram questionamentos posteriores às publicações, geralmente via Poder Judiciário, mas ainda assim pontuais e vistos com muita cautela por juízes.

Mas, já nos primeiros anos deste século, a situação começou a se alterar com o aparecimento de uma nova variável no sistema de comunicação: a internet. Até o início do ano 2000, os meios de comunicação hegemônicos – rádio, televisão, grandes jornais e revistas – detinham o monopólio da mediação da esfera pública, o que lhes conferiu um alto grau de poder político e econômico. O maior representante deste oligopólio privado de comunicação são as Organizações Globo.

A internet e o desenvolvimento de seus inúmeros aplicativos e serviços permitiu o nascimento de milhares de novos atores sociais com a capacidade de produzir informação e opinião, criando o que até então não havia – o contraponto. O discurso único da mídia hegemônica foi rompido por setores que eram totalmente invisibilizados e silenciados: movimentos sociais, negros, mulheres, indígenas, a cultura regional e periférica. Centenas, milhares de novas vozes passaram a ser, ainda que parcialmente, ouvidas através de blogs, microblogs, redes sociais e portais não vinculados à velha mídia.

E isto é disputa de poder. Essa elite e seus veículos de comunicação não aceitam perder nem um naco do poder que lhes era exclusivo e estão utilizando de todos os expedientes para calar a “concorrência”.

Voltou à cena com mais força a cada ano o expediente da censura. Desta vez, protagonizada pelo Poder Judiciário através de processos que são movidos, na maioria dos casos, por coronéis da política, empresas de comunicação e pelo setor corporativo.

São inúmeros os casos em que juízes determinam, até mesmo liminarmente, a imposição de censura alegando a violação de algum direito individual (privacidade), ou alegando haver o censurado cometido crime de injúria, calúnia ou difamação. Julgamentos calcados em uma suposta moralidade que esconde, na verdade, um posicionamento político.

Essa situação gerou uma epidemia de censura judicial, com a apreensão de livros, jornais, revistas, periódicos ou panfletos e remoção de conteúdo na internet. Decisões que aplicam sanções pecuniárias excessivas e cujo objetivo e efeito é cercear a liberdade de expressão pela auto-censura.

Essas ações judiciais correm em processos civis e criminais contra blogueiros, jornalistas, comunicadores sociais, midialivristas, ativistas digitais, e têm promovido uma verdadeira cruzada contra a liberdade de expressão. Algumas sentenças judiciais têm imposto multas impagáveis.

Já temos, inclusive, a esdrúxula condução coercitiva ameaçando a liberdade de expressão como no caso do blogueiro Edu Guimarães, levado pela Polícia Federal a mando do juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro.

São tantos os casos que poderia trazer aqui como exemplo: as centenas de processos movidos contra blogueiros (Paulo Henrique Amorim, Luiz Nassif, Rodrigo Vianna, Luiz Carlos Azenha, Miguel do Rosário, Tarso Cabral Violin etc), muitos já condenados em última instância. Esta situação originou a parceria entre o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e a organização Artigo 19 a lançarem o manual “Fui processado, o que eu faço? Guia prático de orientação a blogueiros e internautas”.

O caso mais recente é o do blogueiro Marco Aurélio Mello, condenado por um texto de ficção, numa ação movida pelo diretor geral de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel. O Superior Tribunal de Justiça o condenou a pagar uma indenização de mais de 40 mil reais. Kamel, aliás, é autor de vários processos movidos contra blogueiros.

Outro jornalista/blogueiro processado por uma ficção é Cristian Góes. Uma crônica publicada por ele, em 2012, foi alvo de processo movido por um desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe. Foi condenado a sete meses e 16 dias de prisão (revertida em prestação de serviços à comunidade) e ao pagamento de R$ 30 mil de indenização. Cristian contesta a condenação no STF e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Este é um caso bastante emblemático no que diz respeito ao uso abusivo da legislação referente a crimes contra honra para impôr limites ilegítimos à liberdade de expressão.

E ficou ainda mais gritante depois do posicionamento do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, reconhecendo que houve censura. No entanto, ele negou seguimento à reclamação do jornalista José Cristian Góes. “Parece-me que determinações judiciais como a aqui impugnada se revelam como verdadeira forma de censura, aniquilando completamente o núcleo essencial dos direitos fundamentais de liberdade de expressão e de informação, bem como, consectariamente, fragilizando todos os demais direitos e garantias que a Constituição protege”, disse Fux. Ler o despacho aqui.

Outro caso que ficou muito conhecido foi o do blog de humor “Desculpe a nossa Falha”, dos irmãos Lino e Mário Bochini. Depois de longos sete anos censurado, fora do ar, por ação movida pela Folha de São Paulo alegando violação de direito de marca, a 4ª Turma do STJ decidiu liberar o site, no dia 21/07.

Apesar do “final feliz”, o caso da Falha é exemplar do que representa a censura judicial movida por um meio de comunicação e acolhida e amparada pelo Judiciário: multas, custas com defesa, audiências e incontáveis transtornos que, mesmo não tendo vingado no final, levaram na prática à violação à liberdade de expressão.

A situação é tão grave que, inclusive, ministros do STF têm movido ações com características de violação à liberdade de expressão. Como fez Gilmar Mendes ao mover uma ação por danos morais contra o professor Clóvis Barros Filho, que cita uma suposta conversa entre Gilmar e Willian Bonner em seu livro Devaneios sobre a atualidade do capital. Fico pensando: Imagine como deve ser intimidador ser processado por um ministro do STF? O professor buscou um acordo. Os autores do livro e a editora se comprometeram a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais ao ministro e, além disso, foram obrigados a retirar de circulação todos os exemplares do livro ainda não vendidos que contenham o trecho e apagá-lo das próximas edições. Se isso não é censura, eu não sei o que é.

Esse processo tem se intensificado de forma preocupante, principalmente após o golpe. Desde 13 de maio de 2016 o Judiciário ganhou um aliado nas ações judiciais com a finalidade de censura: o Poder Executivo. O próprio presidente instalado do Brasil, Michel Temer, têm movido ações para retirada de conteúdos, para proibir previamente a circulação de memes sobre si – o que, convenhamos, é impossível já que o Temer é um meme andante – ou para proibir a veiculação de notícias na grande mídia, como no caso da chantagem contra a primeira-dama instalada Marcela Temer.

Diante deste cenário de escalada de violações à liberdade de expressão o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação lançou a campanha Calar Jamais!, em outubro de 2016. Nestes 9 meses de trabalho, mais de 50 denúncias foram documentadas, mostrando a triste escalada autoritária que o país vive. Mas este é apenas a ponta de um Iceberg. Certamente há centenas de casos de violações à liberdade de expressão promovidas pelo Poder Judiciário que estão submersos, sem serem denunciados e provocando o medo e a auto-censura.

Não se deixe Calar Jamais. Denuncie aqui.

Renata Mielli
No Blog do Miro
Leia Mais ►

O golpe está nu, mas Dallagnol e Moro ainda estão de bermudas


Depois do “Caso Aécio”, quem me chamou de doutrinado virou pó. Este seria o título daquilo que seria o texto de hoje, movido por mais um controvertido capítulo daquela que, não se sabe a razão, ainda chamam de Corte Suprema. Seria sobre o retorno de Aécio Neves (PSDB) ao senado, de onde, por princípio constitucional, não deveria ter saído. Pelo menos no que diz respeito à forma, devido à clara invasão de poderes. Bom lembrar que há pouco tempo, a mesa diretora do Senado ignorou ordem do ministro Marco Aurélio Melo e não afastou Renan Calheiro (PSDB), que não arredou o pé e nem foi arredado de onde estava. Sim, Marco Aurélio, que monocraticamente queria afastar Renan, mandou monocraticamente Aécio voltar, porque a decisão de afastar foi monocrática, entre outros argumentos.

Em que pese Renan, a exemplo de Aécio, seja “brasileiro nato, chefe de família, carreira elogiável”, aquele ministro não quis saber de nada. Mandou afastar o político alagoano. Mas, no dia em que seria notificado pelo meirinho de Aurélio, Renan chegou cedo ao Senado e foi direto para o seu gabinete. Jorge Viana (PT), substituto de Renan, assumiu a tribuna vazia e disse que não haveria sessão. Disse não ser hora de votar nada, pois “nós estamos vivendo uma situação absolutamente grave aqui no Congresso Nacional". A tal gravidade era a quebra do princípio constitucional da separação dos poderes. O STF, como guardião do Golpe de 2016, depois da lambança de mandar prender o senador Delcídio Amaral (PT), tomou gosto pela interferência no Poder Legislativo. Isto, sem contar que invadiu também o Poder Executivo, quando impediu monocraticamente a posse de Lula como ministro. Mas, contra o PT tudo vale e Aurélio se esqueceu disso.

O golpe escancarado já assumiu tons pornográficos. Não foi à toa que senador Romero Jucá (PMDB-RR) se referiu a palavra suruba para todos. Uma frase solta que ilustra o teatrinho imoral do golpe. As personagens não sabem bem a quem querem seduzir. Os discursos jurídicos estão fartos de indícios, ilações, perorações pseudo doutrinárias e fluem das messiânicas cabeças de Curitiba – principal usina de contorcionismo jurídicos. Por conta disso, deixando de lado o que possa ser tratado como prova naquela cidadela, o respeitável jurista Lênio Streck compara os métodos curitibanos às teorias esdrúxulas adotadas nos concursos públicos. “O juiz da causa poderá até acatá-las. Mas, com certeza, se perguntadas em concurso público, haverá a anulação das questões”. De tão estranhas e com ares de fórmulas matemáticas, Streck ironizou: ”Condeno o réu Mévio porque o Pr(A), na conjunção com o Pr(AB) deu 0,1. Isso porque a probabilidade a posteriori indicava que Pr(B-A) era inferior a Pr (B+). Perdeu. A casa caiu; a pena aplicada é de X anos”.

Na vida real, instância superior anulou sentença de Sérgio Moro, que foi baseada em disse-me-disse contra João Vaccari Neto. Um delator disse, o outro também disse, outro confirmou e, contra a lei, veio a condenação. Invalidada a sentença, mais uma peça de roupa foi tirada no striptease do golpe. Em mais um jogo de luz amarela, até o STF vem dizendo, via Gilmar Mendes, que o que vale para Lula e PT não vale para outros. Gilmar até já disse que tem que ficar claro “quem é supremo”.

Entre jogos de cenas e olhares lânguidos é preciso manter as aparências do que, com cara de show, se tentou passar para a sociedade como combate à corrupção. Moro, em seu cantinho, vestido com as cores do Tio Sam, aguarda a deixa para voltar à cena novamente. A revista Istoé, lá na coxia do golpe, até tentou facilitar o trabalho, antecipando a condenação de Lula, prevista para semana pretérita, inclusive com cálculos de pena.

Como no teatro pornô do golpe tem gente querendo roubar a cena do outro, tem sido melhor guardar holofotes e purpurinas para mais tarde. Há mais sinais de nudez no antro golpista e a TV Globo já alardeia o que chama de “fim da Farsa Jato”, com o corte de verba na PF. Mas, lá dentro da PF tem gente conversando com seus próprios botões. Dizem que a Farsa Jato, que nunca foi séria, sempre foi pega “Lula/PT e fora Dilma”, de quebra servia como boquinha de diárias para delegados fazerem “poupancinha”. Além disso, era usada para chantagear a Presidenta golpeada. O corte de verba para a PF não é único, pois a PRF também foi solapada. Mas o que significa isso diante de saúde e educação? Enquanto a mídia alimenta a Farsa Jato, cinco mil inquéritos que mexem com os pilares do sistema estão paralisados, abafados, alguns concluídos e sem denúncia. Portanto, a preocupação de Rodrigo Janot quanto ao fim do grupo da Farsa Jato também é duvidoso e isso está longe de lhe provocar “ânsia de vômito”.

Coisas de república de bananas, na qual aliados e filhotes de uma mesma cultura colonial fazem teatrinho em conluio, depois de cassar o voto do povo. O pau que bate em Chico não bate em Francisco e quem fala grosso com Maria desafina com João, pois afinal, nossos corruptos são menos corruptos, vêm de família tradicional e usam mesóclises. Por conta de tudo isso, aquela gente toda que me tratava como doutrinado, depois do caso do Aécio virou pó. Na mesma linha, as contradições nos casos Delcídio, Renan, Aécio, Temer, Dilma, Lula  mostram isso claramente. Desse modo, enquanto o enredo avança incerto para o grande público, no streaptease do golpe muitos já estão nus. Mas, com o devido respeito e perdão pela metáfora, Sérgio Moro e Deltam Dallagnol, ao que tudo indica, ainda permanecem de bermudas...

Armando Rodrigues Coelho Neto
No GGN
Leia Mais ►

Revista Nordeste: Entrevista com Lula na revista Nordeste


Jornalista Walter Santos entrevista, com exclusividade para a Revista Nordeste, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva


Leia Mais ►

Pedro Simon: ‘O perigo dessa situação são os salvadores da pátria. Eu tenho medo’

Depois que deixou Brasília, Senador se fixou no apartamento em que vive há quase 70 anos, no prédio
construído por sua família, em Porto Alegre
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Depois de 65 anos de vida política e de ficar em terceiro lugar na disputa para a reeleição no Senado, em 2014, Pedro Simon não está aposentado. Aos 87 anos, o novo projeto do ex-governador do Rio Grande do Sul, que foi senador por quatro mandatos, ministro da Agricultura, líder do governo Itamar Franco no Senado, são viagens pelo país, para falar com os jovens sobre a conjuntura política atual e o que fazer para mudá-la.

No ano passado, a sigla onde fez toda a carreira política – Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o PMDB – assumiu pela terceira vez, em 21 anos, a presidência da República, sem votos. Com o impeachment de Dilma Rousseff (PT), aceito por um peemebista na Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha), o então presidente do partido, Michel Temer, chegou ao Planalto. Cinco dias antes da histórica votação que aceitou o processo na Câmara, Simon disse em entrevista ao Jornal do Brasil que se Dilma caísse, o melhor seria Temer renunciar. Não aconteceu.

Em maio deste ano, depois do escândalo da divulgação de gravações entre o presidente e o empresário Joesley Batista, do grupo de investimentos J&F, dono da JBS, Simon voltou a falar em uma renúncia do colega de partido. Agora, já não fala mais. Apesar do discurso de que o Brasil vive um momento único com investigações como as da Operação Lava Jato, para o futuro imediato da cadeira da presidência, ele admite não saber mais o que pensar ou dizer.

O ex-senador recebeu o Sul21 no apartamento onde mora há quase 70 anos, no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, no edifício que foi construído por sua família. O senador, a esposa e dois cachorros de estimação ocupam o terceiro andar, enquanto no térreo suas irmãs conduzem uma loja de vestidos. A casa fica ao lado da Igreja São Sebastião, onde é frequentador assíduo das missas. Na sala de estar, a mesa de centro guarda parte das 128 publicações que já assinou na vida. Uma das mais recentes, lançada pelo Senado Federal, tem como título O Papa Francisco, Marina Silva, os Black Blocs e a Petrobras.

Nesta entrevista, Simon fala sobre a conjuntura nacional, a situação de Michel Temer, o cenário político de 2018 e o que faria se ainda estivesse no Senado:

‘Nós hoje temos condições de mudar o Brasil. Só que tem pessoas de todos os
partidos se reunindo para fazer um baita de um acórdão’
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Sul21: Falando com a experiência de alguém que tem 65 anos de mandatos e vida política, como o senhor analisa a conjuntura política nacional neste momento?

Pedro Simon: Eu vivi várias crises, mas com toda a sinceridade eu digo que o momento que estamos vivendo é diferente de tudo o que já aconteceu. Falar em crise no Brasil, falar em golpe, falar em ditadura, falar em problemas sociais, é uma coisa que é quase rotina. A diferença do que estamos vivendo agora, de tudo o que já vivemos, é que pela primeira vez o Brasil está sendo passado a limpo. Isso nunca tinha acontecido. Derrubaram o Getúlio, diziam horrores, nunca apuraram nada. Veio 64, a ditadura derrubou e disse horrores do presidente Jango, ficaram 21 anos, 6 presidentes nomeados, não aconteceu nada. Nós, das ‘diretas, já’, derrubamos a ditadura, restabelecemos a democracia e estamos lá há 20 anos, mas não se apurou nada. Agora não. Agora as coisas estão acontecendo. Quando você ouviu falar que um general foi pra cadeia? Que um empresário foi pra cadeia? Que um senador foi pra cadeia? Um Ministro da Fazenda foi pra cadeia?

Alguns setores das maiores legendas, como PT, PSDB e PMDB, têm criticado a atuação do Judiciário e a condução da Operação Lava Jato. Como o senhor vê isso?

Estão criticando porque a Operação Lava Jato está apurando. Nunca vi político A, B ou C criticar os juízes do tribunal, porque eles nunca foram pra cadeia. Estão criticando porque agora as coisas estão sendo apuradas. Hoje, uma grande mudança que aconteceu no Brasil, por isso que essas coisas estão acontecendo, é que condenado em segunda instância vai para a cadeia. No Brasil, ao contrário do mundo inteiro, o cidadão é processado, Justiça condena, ele recorre, fica em liberdade e recorre pro Tribunal, vai pra Junta, fica em liberdade quatro vezes, seis vezes, três ou quatro anos, recorre sempre e está sendo solto. Hoje, condenado uma vez, recorre solto, condenado pela segunda vez, pode recorrer à vontade, vai pra cadeia. Nós hoje temos condições de mudar o Brasil. Só que tem pessoas de todos os partidos se reunindo para fazer um baita de um acórdão. Vamos perdoar todo mundo e não se fala mais nada. ‘Foi Caixa Dois, foi uma coisa sem querer, não tem importância’. O PMDB está liberado, o Lula está liberado, o Aécio está liberado, o presidente está liberado. Esse é o perigo que tem e é por isso que eu tenho andado pelo Brasil. Tenho falado com os jovens, dizendo: vocês têm que ir pra rua, vocês têm que acompanhar as coisas que estão acontecendo.

O senhor citou esse possível acordo entre os partidos, se fala que estariam articulando um manifesto em crítica à condução do Judiciário. O senhor acha que é possível um acordo entre PT, PMDB e PSDB em um momento como este?

Possível é. E nós temos que ser radicalmente contra isso. Eu lembro na África do Sul, quando terminou o apartheid, o [Nelson] Mandela anistiou o presidente da República, os ingleses foram postos pra rua, ele fez um grande entendimento, uma espécie de perdão, mas foi o seguinte: todos foram condenados. Os que roubaram, que mataram, que torturaram foram condenados. O crime cometido é reconhecido e é imputado. Se isso não acontecer no Brasil, não sei mais o que vai acontecer. O que aconteceu na Petrobras foi um fiasco, o que está acontecendo agora no Rio de Janeiro, dessa roubalheira das passagens de ônibus, é tudo pobre, gente humilde pagando para os políticos que tiram do aumento das passagens. Essas coisas não podem continuar. Os políticos de todos os partidos só têm uma saída agora, que é buscar a verdade. O Olívio aqui no Rio Grande do Sul, o Tarso aqui no Rio Grande do Sul são reconhecidos porque têm respeito. Dizem que tem que refundar o PT, mas não é só isso. Tem que refundar o PMDB, tem que fazer muita coisa, tem que fazer uma nova vida partidária. Essas pessoas que eu estou citando, que tem em todos os partidos, é que devem se reunir e buscar um entendimento.
‘Sempre pensei que o Temer poderia dar um gesto de grande importância’,
diz sobre renúncia
Foto: Guilherme Santos/Sul21
O que o senhor acha de termos um Congresso Nacional que segue conduzindo normalmente votações, ao mesmo tempo em que temos o primeiro presidente a ser acusado criminalmente ainda no poder?

Eu acho que estamos vivendo uma hora muito delicada, realmente. Essas reformas, por exemplo, acho que são importantes, são necessárias.Mas acho que ser votada meio a toque de caixa não é o ideal. Acho que a gente tinha que ter mais tempo para discutir, para debater, para analisar. Repare que não é só no Brasil, é no mundo inteiro. Na Grécia, foi um escândalo a votação. Na Espanha, também. Em Paris, os socialistas que sempre estavam no governo desapareceram do mapa, perderam a eleição por causa dessa questão. Nós vamos ter que discutir, vamos ter que votar, mas com essa confusão que estamos vivendo, misturar uma coisa com a outra, realmente não sei se é a melhor solução.

Poucos dias antes da votação do impeachment na Câmara dos Deputados, o senhor deu uma entrevista dizendo que Temer deveria renunciar caso o afastamento de Dilma se concretizasse.

Eu pensava isso. Sempre pensei que o Temer poderia dar um gesto de grande importância. O Dr. Getúlio Vargas era presidente da República e estava na iminência… Quer dizer, quando os militares se insurgiram ou ele ia para uma guerra civil ou aceitava ser derrotado. Ele disse que não queria ver um mar de sangue, como deixou na carta-testamento, e também não queria seus inimigos ocupando. Suicidou-se. Não quis renunciar. O Dr. João Goulart não se suicidou, mas saiu do governo porque não quis ter uma guerra. Eu acho que uma hora dessas é uma hora delicada, muito delicada. Agora, [Temer] estava na posição dele, não aceitou. Não sei como vamos sair, com toda a sinceridade. A sensação que acho que eu sinto é que essa é uma posição de responsabilidade pessoal. [Agora, com o processo de Temer] não existe essa questão voto partidário, do partido, é votar de acordo com sua consciência. Eu não posso dizer como é, como não é, porque ficou meio óbvio que o Procurador da República pegou uma questão pessoal com o presidente. Foi uma coisa muito estranha que o auxiliar dele (ex-procurador, Marcelo Miller), que estava fazendo a delação desse grupo JBS, de repente renuncia um cargo vitalício e vai trabalhar com os caras que ele estava acusando. Ficou uma coisa muito estranha.

Mas quando o senhor defendia a saída de Temer antes, era por uma questão de lealdade política?

Eu estou dizendo que agora os deputados têm que votar de acordo com a consciência deles. Antes do impeachment ser concretizado, poderiam partir para um grande entendimento e a Carmen Lúcia (presidente do STF) assumir o governo. Uma pessoa imparcial, um grande nome, está acima do bem e do mal. O presidente da Câmara não assumiria, o presidente do Senado não assumiria, ela assumiria para fazer um grande entendimento nacional. Essa era a tese que eu defendia. Agora, isso tinha que ser feito antes de entrar com a ação.

Tendo em vista as gravações que vieram à tona em maio, o senhor acha que Temer deveria ter renunciado? 

Essa situação não estou sabendo bem como ela está. De repente aparece que o cidadão foi lá, pegou os R$ 500 mil e fizeram entendimento que são R$ 500 mil por semana, durante 20 anos! Isso não existe. Durante 20 anos, toda semana um cidadão pegar R$ 500 mil e entregar para o outro. Onde é que está isso? É novelesco. Por isso eu digo que cada deputado deve receber a denúncia e votar de acordo com sua consciência.
Sobre acordos em nome da governabilidade: ‘Essa é a grande desgraça do Brasil. E vem sendo.
Vem acontecendo como aconteceu sempre, isso é rotina’
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Uma das coisas que tem ajudado Temer é o fato de ter controle do Congresso, através de  acordos com deputados e senadores, em uma espécie de “balcão de negócios”. Vale a pena manter um governo dessa forma?

Eu acho um absurdo, sou contra isso. Mas é isso que existe no Brasil desde os dias do (José) Sarney. Quer dizer, é uma política de resultado. Um governo onde o presidente é resultado da coligação, porque ele faz acordo com os deputados e “toma lá, dá cá”. Só te digo o seguinte: é o que está acontecendo? É. Mas no Lula era assim. No Fernando Henrique era assim. No Sarney era assim. Eu te dou o ministério tal e tu vota comigo. Essa é a grande desgraça do Brasil. E vem sendo. Vem acontecendo como aconteceu sempre, isso é rotina. Por isso que eu digo, o deputado não é nem o partido, essa matéria é de consciência, não é fidelidade partidária.

As investigações recentes mostram que as relações entre poder público e empreiteiras já vêm de muito tempo, desde a ditadura militar. Como alguém que esteve por 65 anos na política nacional, o senhor concorda com isso?

Sempre teve esse caminho, sempre foi por esse caminho. Tem uma coisa que ainda não apareceu que é o problema do sistema financeiro do Brasil. Os grandes bancos, as grandes instituições, ainda não se chegou lá. Não sei nem se ainda vai chegar lá, mas é uma realidade triste do nosso país. Ninguém pode atirar pedra, porque é culpa dos nossos governos.

O senhor percebia esse lobby das empreiteiras presentes dentro do Senado?

Eu te digo que sim. Posso mostrar aqui (busca o livro Impunidade veste Colarinho Branco, de sua autoria, publicado pelo Senado Federal). Esse livro todo eu falo sobre esse problema no Brasil de os caras roubarem e não acontecer nada.

É difícil, então, alguém que está lá dentro não conhecer um esquema de corrupção?

É difícil. O problema do Brasil é o seguinte: a gente não queria punir, abria o processo o cara era condenado, daí entra em juízo, mas ele nunca era condenado. Agora está sendo, mudou tudo. E descobriram a delação premiada. O que é a delação premiada? É um absurdo, esse cara [Joesley] está se revelando um grande ladrão, um grande vigarista.
‘Desde essa época, eu fui marginalizado pelo partido atual.
Marginalizado no sentido que eu não quis fazer [parte]’
Foto: Guilherme Santos/Sul21
O que o senhor acha da delação premiada?

Eu reconheço que é uma arma usada no mundo inteiro. Se não é esse cara contar tudo, quando é que tu ia saber? Nunca. Ele ia morrer com aquilo. Só que no Brasil está sendo meio exagerado, porque o cara está virando heroi. Mas está aparecendo. Hoje, as coisas estão acontecendo.

Como o senhor define Michel Temer?

Eu fui do MDB do Dr. Ulysses [Guimarães], do Tancredo [Neves], do Teotônio [Vilela], do [Miguel] Arraes, do Mário Covas. Eu era de um MDB que era diferente. Era… Houve um determinado momento que essa turma… Ganhou o [Orestes] Quércia e ganhou um outro grupo, que está hoje no partido. Desde essa época, eu fui marginalizado pelo partido atual. Marginalizado no sentido que eu não quis fazer [parte]. Eles fizeram a minha geração sair e eu saí junto com ela. Aquele nosso MDB era um, esse MDB é outro. Infelizmente, as coisas foram conduzidas para essa situação. Fizeram um PSDB com gente que era do MDB, com [Franco] Montoro, Covas, [José] Richa, gente significativa. Mas eles estão vivendo uma situação que, se tu vai ver as acusações do PSDB são mais ou menos iguais às do PMDB.

Mas como o senhor definiria nas suas palavras quem é Michel Temer?

O que eu estou dizendo pra ti é que ele veio nesse grupo do PMDB que entrou quando nós saímos. Dr. Ulysses saiu, eu saí, Tancredo morreu. Surgiu o Sarney, surgiu Renan [Calheiros], surgiu Michel Temer, essa turma. Esses caras que estão lá. Eu não convivi. Nem dentro do partido, muito menos dentro do governo. Não tive nenhuma convivência. Pelo contrário, eu tive uma luta interna ali, porque eu queria candidatura própria do PMDB. Tanto quando eles apoiaram o Fernando Henrique, como quando apoiaram o Lula.
‘O problema não é esse governar junto, porque o governo é essa coisa de coalizão.
Quer dizer, não tem um grande governo político, um esquema’
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Essa é uma crítica que se faz, que não importa quem governa, o PMDB governa junto.

Isso é verdade. É errado. O problema não é esse governar junto, porque o governo é essa coisa de coalizão. Quer dizer, não tem um grande governo político, um esquema. Tem países que são presidencialistas, os Estados Unidos são presidencialistas, mas é um partido que está no governo. No Brasil, não. Aqui é uma coligação onde todo mundo que está no governo vai comprar apoio. Esse apoio não é em torno de programas e ideias, mas em troca de ministérios, de colocar um filho na Petrobras, é um absurdo.

O senhor acha que Michel Temer consegue chegar até o final do mandato?

Eu não sei te responder. Acho que a situação hoje, em primeiro lugar, a gente é obrigado a reconhecer que, mesmo que a gente critique, o governo está tentando arrumar o Brasil, modificar, acertar e está conseguindo alguma coisa. O mundo vive uma crise e desde o segundo governo da Dilma, o Brasil entrou nela. O Lula pegou o país em uma fase positiva. Agora, o mundo está em crise e nós estamos junto. Nós temos que fazer força para um grande entendimento nacional.

O senhor acha que ele deve ficar até o final?

Olha, eu digo o seguinte, se houvesse o grande entendimento, se a presidente do Supremo tivesse assumido, nós saíamos sem sermos derrotados ou vencidos, mas numa grande fórmula de entendimento, numa espécie de projeto de Moncloa, que aconteceu na Espanha. Como não foi feito, não dá para dizer o que vai acontecer. Não sei.

No caso de uma saída de Temer, o senhor então acha que a melhor solução são eleições indiretas?

Não tem como fazer diretas. Elas poderiam ser boas, ser positivas, mas não vejo possibilidade. Acho muito difícil.

Falando do Rio Grande do Sul. O senhor disse que se afastou do grupo do PMDB que hoje é governo, mas o PMDB gaúcho tem sido um aliado forte do presidente Michel Temer. Eliseu Padilha, Osmar Terra, mesmo o governador José Ivo Sartori tem uma relação próxima com ele, sendo o primeiro a recebê-lo logo depois da divulgação da carta em que Temer dizia ser “decorativo”. Como o senhor vê isso?

Simon: O Sartori pegou o Estado em uma situação muito difícil. Ele está tendo a coragem de ver essas coisas e tentar resolver, tentar fazer. Por outro lado, o PMDB do Rio Grande do Sul não tem tido participação na condução nacional. As coisas estão acontecendo…

Mesmo com a proximidade de nomes como Eliseu Padilha a Temer?

Eu estou dizendo, a direção para onde foi. Agora, essas pessoas já tinham ligação, que estão participando do governo. Acho que é o trabalho deles, não tenho o que dizer. Agora, o governo do Estado não. Sartori não tem nenhuma participação no governo federal.

O senhor não avalia o PMDB gaúcho como uma âncora do atual governo federal?

Não, não. O Sartori até falou agora, quando fez o programa dele de TV: o MDB do Rio Grande é diferente, nós somos diferentes. Agora, não [há como fazer] nessa altura uma guerra. Mas a gente se respeita. Isso foi feito lá e nós aqui.

No ano passado surgiu a ideia de voltar a usar o nome MDB para retomar o passado histórico do partido. O senhor acha que isso é possível?

Pode até ser possível. Tem um grupo já dizendo que é o antigo Iepes (Instituto de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais), que foi um grupo social dentro do MDB, do André Forster, que teve um desempenho realmente fabuloso. Agora, nessa altura, isso fica muito pequeno porque o problema é o partido em si. Nós hoje temos que mudar a legislação partidária. Não pode ter mais de 20 partidos no Congresso Nacional. Essa cláusula do desempenho é que vai determinar. Partido existe, continua existindo, mas para funcionar tem que ter na eleição um percentual. Se não fez 3%, continua, mas não atua.
‘Se hoje você perguntar que nome está aí, não tem ninguém. Um nome que o povo olha…Está tudo igual’
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Como o senhor vê o cenário para as eleições de 2018, a partir das pesquisas que tem aparecido?

Isso é piada. O que aconteceu na França. De repente, um jovem de 39 anos, que nunca foi nada, apresentou uma proposta, criou um partido um ano antes, sem história, sem biografia, sem nome e ganhou, fez 60% dos deputados. O Partido Socialista que era o grande, que vinha dominando, perdeu de uma hora para outra. Agora, o Brasil tem esse perigo, como foi o Collor. Derrubou ditadura, “diretas, já”, uma maravilha e ele elege um Collor da vida. Foi o maior erro da nossa vida. Agora, o capitão aquele, o Bolsonaro (PSC), está crescendo a cada dia.

O que o senhor acha da figura dele? Há duas semanas Jair Bolsonaro esteve em Porto Alegre e foi recepcionado por centenas de pessoas.

É uma figura folclórica. Ele defende os militares na base da ditadura, agora que tem esse grupo atrás dele, ele está mudando. Já está vendendo uma imagem diferente. É um perigo. Ele tem um eleitorado de extrema-direita. Mas eu acho que quem está aparecendo mais é o prefeito de São Paulo (João Doria, PSDB). Esse sim…

O que o senhor acha dessas figuras que se vendem como anti-políticos?

São duas coisas diferentes. O prefeito de São Paulo é um intelectual, um empresário, jovem, nunca esteve na política, mas de repente se elege prefeito e está fazendo uma administração positiva. Esse pode vir com uma badalação e pode crescer. O perigo dessa situação são os salvadores da pátria. Eu tenho medo. Se hoje você perguntar que nome está aí, não tem ninguém. Um nome que o povo olha… Está tudo igual.

Em 2014, o senhor apoiou a candidatura de Marina Silva. Acha que ela é uma possibilidade?

Ela é um nome, um grande nome. Eu quis dizer no sentido dos políticos que estão aí, na crista da onda. Ela duas vezes quase chegou lá. A nossa presidenta tinha 15 minutos de televisão, a Marina tinha dois. Ela demoliu com a Marina. Tudo o que ela fez são coisas que ela dizia que a Marina ia fazer.

O senhor apoiaria ela novamente?

Com muito carinho, apoiaria ela. Quando eu falei que não tinha um grande nome é desses que estão na crista da onda.
‘[A criminalização] faz parte do momento que estamos vivendo.
Há uma criminalização generalizada. Agora, vamos ter que parar e dar tempo ao tempo’
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Como são essas conversas que o senhor está levando pelo país?

Eu vou chamado nas universidades, pelos jovens, a gurizada. E ficamos um tempo discutindo. Eles perguntam, cobram de mim, eu cobro deles e vamos analisando a situação toda. Eu mostro pra eles que, hoje, eles estão numa situação muito mais importante do que no passado. Vocês hoje estão com a faca e o queijo na mão. Hoje veio tudo para fora, sabemos do quintal de todo mundo. Vocês têm que tomar posição, avançar, dizer o que querem.

Hoje, também se fala em momento de criminalização da política. O que pode trazer as pessoas de volta para ela?

Por isso que eu com os meus 87 anos, 65 de política, sou político. O que eu tenho hoje? Eu sou o Pedro Simon, mas tenho menos do que tinha 60 anos atrás. Eu fui ministro, senador, governador e hoje estou aqui. Tenho minha consciência tranquila. Agora, cobre isso de todos os caras. [A criminalização] faz parte do momento que estamos vivendo. Há uma criminalização generalizada. Vamos ter que parar e dar tempo ao tempo. Por exemplo, o Olívio Dutra. É um cara do PT, mas é um cara simples, temos que tirar o chapéu pra ele, é um cara digno, correto, decente. Tarso Genro, a mesma coisa. Agora, o governador de Minas Gerais [Fernando Pimentel] é do PT, mas é um ladrão vigarista. Do PMDB, o governador do Rio de Janeiro, [Luiz Fernando Pezão] também é um ladrão vigarista.

Em 2014, o senhor se candidatou mais uma vez para o Senado, mas não conseguiu a reeleição. O que faria se estivesse lá neste momento?

Estaria batalhando. Como Senador da República, eu estaria convocando o pessoal para fazer as coisas que eu estou fazendo agora.

E em relação às reformas, como o senhor votaria?

Eu estaria em uma posição de luta, quanto ao contexto geral que nós estamos vivendo. Acho que o troço está muito agitado. É uma coisa muito séria para votar nessa correria toda. Deveriam delimitar.

E no impeachment, como teria votado?

Não posso responder. Mas eu fiquei magoado com a Dilma. Ela demitiu ministros, mas daí disseram “fora, Dilma”, “chega da Dilma” e ela acabou caindo nesse troço que foi muito ruim.

O senhor acha que ela foi traída?

Não é que foi traída. É que a Dilma… O Lula se enganou muito. Ele vendeu ela como uma grande e ela pegou uma fama de extraordinária. E ela não é. Ela é uma pessoa direita, não vejo nada dela, na atuação dela, não vejo ela em nada dessas coisas que aconteceram, mas ao mesmo tempo, roubaram, fizeram o diabo e ela não fez nada. Ela era Presidente da República.
‘Eu nunca me acovardei, nunca me apequenei. Peguei as posições políticas mais difíceis. Acho difícil alguém que tenha vivido uma época política tão ingrata’
Foto: Guilherme Santos/Sul21
O senhor tem alguma mágoa da política?

Não… Tenho das coisas. Eu vejo os generais que foram presidentes, foram uma piada. Nunca fizeram nada. Depois nós tínhamos Ulysses, Tancredo, Teotônio, Arraes, Brizola, nomes e mais nomes. Foi ganhar o Collor que era um zero à esquerda. Morreu Tancredo para assumir o Sarney, que era um homem da ditadura. Ganhou o Collor numa eleição que tinha Lula, Covas, Brizola. O Lula foi um cara bom. O Lula tinha tudo para acertar. Coisa impressionante. Perdeu uma eleição, duas, três eleições, manteve a firmeza, a dignidade, a garra dele. Foi ganhar a quarta, assumiu, fez os programas sociais. Quando está com tudo, esses empreiteiros, esses caras aí, por um vinho de mil dólares a garrafa, avião a jato para fazer uma palestra, o cara se levou por isso. Se levou por isso, rapaz! Que coisa fantástica, não dá pra acreditar. Não tem explicação. Quando está no auge, não precisava de nada. Que coisa, que coisa. Eu tenho ódio não é do Lula, um coitado. Tenho ódio desses caras que estavam em volta, esses caras… Eu fazia parte das reuniões. O Lula me convidou para ser ministro do primeiro governo dele. Jantou lá em casa, ele e o José Dirceu. Ficou um tempo lá e queria que eu fosse ministro. Eu disse pra ele que não. Disse que não tinha lógica, que eu não ia nem ajudar. Ia ajudar mais no Senado. Eu disse que no Senado podia fazer o que eu fiz com o Itamar [Franco]. Eu fui líder do governo do Itamar, ajudei uma barbaridade. E ele topou.

O que o senhor acha da possibilidade de Lula ser presidente outra vez?

Se ficar ele ou alguém que sair desse imbróglio, que está metido nessa coisa, esse quadro vai ficar. Acho que ele entende também, mas a candidatura é uma maneira de mostrar que ficou vítima. Sinceramente, acho que a candidatura dele não é uma boa nem pra ele, nem para nós.

Olhando para trás, toda a caminhada política que o senhor fez, acha que valeu a pena?

Eu nunca me acovardei, nunca me apequenei. Peguei as posições políticas mais difíceis. Acho difícil alguém que tenha vivido uma época política tão ingrata, de tanta rispidez, como a que nós vivemos. Mas valeu a pena. Valeu sim. Vivemos quadros históricos. A época do MDB, a resistência democrática. Nós éramos um grupo que o governo eram os militares, a Igreja fechado do lado do governo, a grande imprensa, os grandes empresários e nós éramos um punhadozinho. Quando dissemos não para o governo, para a luta armada que o Brizola queria fazer, dizíamos que íamos lutar com as nossas forças dentro da democracia e os caras riam de nós. Fomos devagarinho, povo na rua e diretas já, fomos indo, crescendo e o que ninguém acreditava aconteceu. Os militares foram para a caserna e nós fizemos a eleição, sem disparar um tiro. Isso eu vi. Para depois o Tancredo filho da mãe morrer e não levar o Sarney junto. Deixou o Sarney aí e ainda entra o Collor.

Fernanda Canofre
No Sul21
Leia Mais ►

Que diferença faz trocar Temer por Maia?

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/que-diferenca-vai-fazer-se-trocar-temer-por-maia/2017/07/09/

Respondendo à pergunta do título: nenhuma.

Sei que não é nada animador mais uma vez tratar deste assunto, mas depois de ler o noticiário do fim de semana vi que tão cedo não teremos outro.

Só se fala disso, como se este fosse o único tema relevante para a vida dos brasileiros, capaz de nos dar alguma esperança de sairmos do fundo do poço.

Ao contrário, esta nova troca de guarda na Presidência da República não vai mudar nada.

Na reta final da disputa entre Dilma e Aécio na eleição de 2014, previ aqui mesmo neste blog: "Ganhe quem ganhar, quem vai mandar é o velho PMDB".

E quem vai continuar mandando é o PMDB aliado ao Centrão, o baixo clero que se tornou hegemônico na política nacional, tanto faz quem seja o presidente.

Não se governa o Brasil sem o PMDB, mostraram todos os governos pós-redemocratização. E é quase impossível governar com ele sem colocar em risco os cofres públicos.

As mesmas forças político-midiáticos-empresariais que defenderam a troca de Dilma por Temer para "combater a corrupção e salvar a economia" mobilizam-se agora para tirar Temer e escalar Maia para o seu lugar.

A única diferença é que as panelas silenciaram nas varandas, os marchadeiros sumiram das ruas e já não há mais guerra entre coxinhas e mortadelas, que se recolheram às redes sociais nos mesmos lamentos sobre este beco sem saída.

"O `mercado´abandonou Temer", resume Elio Gaspari em sua coluna de domingo, dando o jogo por jogado.

Mais do que nas ruas, no Congresso ou nos tribunais, era ali que Michel Temer garantia sua sustentação e agora Cesar Maia busca apoio para ocupar o lugar dele.

"Tranquilíssimo", respondeu o presidente Temer quando lhe perguntaram como se sentia diante da puxada de tapete, antes de embarcar de volta da Alemanha ao Brasil neste sábado.

Deve ser o único brasileiro que pode dizer isso em meio ao caos social que vai tomando conta do país, enquanto a violência foge de qualquer controle, a fome e a miséria se alastram e os serviços públicos entram em colapso por falta de recursos.

E segue o jogo.
Leia Mais ►

Tornozeleira não monitora Rocha Loures



Leia Mais ►

IstoÉ abandona Temer e pula pra canoa de Maia


Às vésperas da votação da admissibilidade da denúncia por corrupção passiva contra Michel Temer, as capas desta semana das revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro anunciam que a empresa parece ter abandonado o barco do governo Temer.

O desencanto com o Brasil é o tema de capa da revista IstoÉ desta semana. “Imagem de felicidade que sempre esteve associada ao brasileiro contrasta com a apatia e desencanto do momento atual”, diz a matéria, assinada por Barbara Libório.

Do mesmo grupo da semanal, a IstoÉ Dinheiro traz críticas à gestão. “Com uma dificuldade cada vez maior para fechar as contas neste ano, o governo avalia uma nova rodada de alta de impostos.”

O tom destoa do conteúdo trazido nas capas depois do impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. No início do ano, por exemplo, quando as publicações traçavam um cenário extremamente positivo, de retomada econômica.

 

Pelos números levantados em maio deste ano pelo blog O Cafezinho, a IstoÉ foi o veículo de comunicação que teve o maior aumento em verbas de publicidade do governo federal no último ano, com 1.384% de acréscimo em relação ao ano anterior. Bom lembrar que a IstoÉ concedeu a Temer o título de “Homem do Ano” em 2016 e fez a cerimônia na qual Sergio Moro e Aécio Neves sentaram-se juntos e trocaram sorrisos e gentilezas.

No Fórum
Leia Mais ►

A mídia pressiona, mas parecer de Zveiter é só um round


É só um round, porque é previsível que haja pedido de vista do relatório de Sérgio Zveiter sobre a admissibilidade da denúncia da Procuradoria geral da República contra Michel temer por corrupção passiva, seja qual for o seu parecer, que a mídia dá como favas contadas que será contra Temer.

E é provável que seja, mesmo, porque Zveiter, como ele próprio disse ao UOL, diz que não ficará “na lama”.  Zveiter não tem razões – ao menos das publicáveis – para dar parecer diferente e é improvável que vá dissentir dos ventos que lhe vem das antigas relações familiares com a Globo.

Um voto pelo acatamento da denúncia terá, porém, consequências inevitáveis.

Será um forte influenciador, para o bem e para o mal, da votação da reforma trabalhista no Senado, redobrando os esforços do Governo para ter uma “vitória” que supostamente contrabalanceie a derrota na CCJ da Câmara e criará ânimo entre a oposição.

Apressará o desembarque dos tucanos, que chegaram, literalmente, à obscenidade de uma situação de amante infiel assumida: “não gosto deste velho safado, mas quero ficar com sua reforma antipovo”.

Testará a verdade da suposta “precificação” no mercado da queda de Temer e a alegada tranquilidade com a ascensão de Rodrigo Maia, que pode ter festejos iniciais mas, já na composição de governo, começará a expor os flancos ao mesmo processo de ataque que sofreu Michel Temer.

Salvo por um colapso de Temer, que não parece propenso a jogar a toalha, será um longo e desgastante processo, no qual Sérgio Moro tentará dar um consolo à direita com a divulgação de uma sentença condenatória diante de Lula.

Serão (mais) dias de crise para um país que está se deteriorando perigosamente.

E que, embora digam o contrário, está perdendo todos os tanques de lastro que o impedem de afundar ainda mais.

Como não é raro acontecer, não há mais paz na quadrilha depois que põem a mão em seu butim.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Bomba! A foto oficial do G-19!


Isso! Um pouquinho mais para a Direita!



No CAf
Leia Mais ►

Depois de troca na PGR, vem aí mudança no comando da PF

Provável governo interino de Rodrigo Maia deverá começar com ‘alívio’ para os políticos

Provável governo interino de Rodrigo Maia deverá começar com ‘alívio’ para os políticos
A indicação feita por Michel Temer para substituir Rodrigo Janot no comando da Procuradoria Geral da República (PGR) deu pistas de que a Operação Lava Jato poderá dar algum alívio aos políticos em Brasília, pelas circunstâncias em que aconteceu a escolha. Agora vem aí outra mexida dos sonhos dos políticos encrencados, a troca de comando na Polícia Federal (PF).

Leandro Daiello, segundo mais longevo diretor-geral da PF, tem tomado providências que parecem preparar o terreno para sua substituição, como nomeação de amigos para novos e cobiçados postos. E faz isso ao mesmo tempo em que a PF anuncia uma decisão capaz de desidratar a Lava Jato, o fim da força-tarefa dedicada à Operação em Curitiba, motivo de críticas do Ministério Público.

No dia 4 de julho, o Diário Oficial da União pulicou a nomeação de quatro policiais ligados a Daiello para o cargo de adido policial em embaixadas. Marcelo Salvio Rezende, atual chefe da PF no Amazonas, irá para a Espanha. Marcello Diniz Cordeiro, diretor em Pernambuco, irá para a África do Sul. Kandy Takahashi, chefe no Rio Grande do Norte de 2012 a 2016, irá ao México. E Leonardo Soares Cavalcante Lima, chefe da assessoria de comunicação da PF, irá para a França.

Ir para alguma embaixada era o desejo do próprio Daiello, quando deixar o comando da PF. No fim do governo Dilma Rousseff, ele chegou a combinar sua transferência para a Europa mas a petista foi deposta antes que a mudança na chefia da PF pudesse se consumar.

Os nomeados foram escolhidos por Daiello, mas a formalização da transferência dependeu de atos formais assinados pelo presidente Michel Temer, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, e o chanceler Aloysio Nunes Ferreira. Sinal de negociação do delegado com o Palácio do Planalto, portanto.

O fim da força-tarefa da PF em Curitiba pode ter sido uma moeda usada na negociação. O anúncio da desativação ocorreu dois dias depois das nomeações dos amigos de Daiello.

Para todos os efeitos, a força-tarefa será unificada com um outro grupo especial incômodo para o governo, o da Operação Carne Fraca, desmanteladora de esquemas de corrupção na fiscalização de frigoríficos.

Essa unificação, segundo a PF, permitiria “priorizar ainda mais as investigaçõs de maior potencial de dano ao erário”. Dentro da PF, há quem desconfie da explicação dada. Era ruim e improdutivo ter quatro delegados dedicados exclusivamente à Lava Jato?, pergunta-se um delegado. Mudanças desse tipo só ocorrem se o trabalho não anda bem - ou por conveniência​.

Há mais razões suspeitar de um acertozinho entre Daiello e o Planalto. O escrivão que era o cérebro de organização de todas as apreensões de documentos, papeladas etc em Curitiba, um policial lotado em Florianópolis e atuante na Lava Jato desde o início, também foi substituído.

Em fevereiro, CartaCapital já havia mostrado como estava em curso um silencioso desmonte do grupo especial da PF na Lava Jato em Curitiba. Desmanche devidamente comandado por Daiello. Policiais de destaque estavam sendo removidos para outras paragens. Erika Marena foi mandada para Santa Catarina. Marcio Anselmo, para o Espírito Santo.

Há mais razões para suspeitas de um acordo entre Daiello e o governo. Na PF, há quem diga que o orçamento para pagar diárias a policiais em ação e para combustível usados em operações não passa de agosto. E nada de Daiello incomodar o governo em busca de mais recursos.

A presidente do sindicato dos delegados em São Paulo, Tania Pereira, reclamou publicamente da situação financeira da corporação em uma entrevista à Globonews. A decisão da PF, tomado no fim de junho, de cancelar a emissão de passaportes é um indicativo de como anda a situação do cofre por lá.

A cereja do bolo das negociações de Daiello com o governo seria indicar seu próprio sucessor. Em Brasília, comenta-se que seu escolhido é Luiz Pontel de Souza, atual diretor de gestão de pessoal da PF. Mas há quem diga que o todo-poderoso ministro-chefe do GSI, general Sergio Etchegoyen, tem outro candidato, Rogerio Galloro, atual diretor-executivo da corporação.

Daiello já fez várias reuniões com seu superior hierárquico, o ministro Torquato Jardim, desde a posse deste em 31 de maio, para discutir sua situação e a da PF. Uma delas ocorreu inclusive em um sábado, 24 de junho. Sinais de iminente troca no comando da PF.

Rodrigo Janot substituído na PGR a partir de setembro por Raquel Dodge, indicada por Michel Temer sem ser líder da lista tríplice eleita procuradores, a PF prestes a ter novo chefe… O provável governo interino de Rodrigo Maia tem tudo para começar com mais tranquilidade para os político governistas. Apesar de o próprio “Botafogo” estar em maus lençois na Lava Jato.

André Barrocal
Leia Mais ►