28 de jun de 2017

Delação que envolve arrecadador de campanha de tucanos enfrenta resistência do MPF

Doleiro e empresário afirmou que mostraria provas de um repasse de R$ 100 milhões em propina a Paulo Vieira, o Paulo Preto, durante a gestão de José Serra como governador de São Paulo

Assad foi preso na décima fase da Operação Lava Jato
Alvo da Operação Dragão, da Polícia Federal, o doleiro e empresário Adir Assad está preso na carceragem da PF em Curitiba desde o ano passado, sob acusação de, entre outros crimes, chefiar um esquema de empresas de fachada responsáveis por emitir notas frias para lavagem de dinheiro de propinas para empreiteiras, entre as quais a Andrade Gutierrez.

Desde a prisão, Assad, tido como operador central de desvios de obras dos governos tucanos em São Paulo, vem tentando negociar uma "colaboração premiada" na qual promete contar em detalhes e mostrar provas de um esquema criminoso na estatal paulista Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A – estatal responsável por obras viárias,), do qual fez parte Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, diretor da estatal entre 2007 e 2010, na gestão José Serra (PSDB) no governo de São Paulo.

Na tratativa com o Ministério Público Federal (MPF), Assad afirmou que mostraria provas de um repasse de R$ 100 milhões em propina a Paulo Vieira, que ele teria feito e, ainda, daria como prova detalhes sobre um imóvel onde o dinheiro em espécie era armazenado. Assad disse que o conheceu o ex diretor da Dersa há mais de 15 anos, e, foi Paulo Souza que o apresentou a representantes das maiores construtoras do País.

Paulo Vieira, conhecido como "Paulo Preto", foi apontado pelo Ministério Público de São Paulo como figura chave nas denúncias de desvio de dinheiro público no governo de José Serra, do PSDB, ganhou notoriedade durante a campanha de José Serra à Presidência por ter fugido com R$ 4 milhões em propina que seriam usados na campanha do atualmente senador tucano.

Em depoimento no Ministério Público de Curitiba, Assad admitiu ter usado sete empresas de fachada para lavar dinheiro de empreiteiras em obras viárias na capital paulista e região da Grande São Paulo, entre elas a Nova Marginal Tietê, o Rodoanel e o Complexo Jacu-Pêssego. Assad contou aos procuradores que nos contratos com a Dersa, as empreiteiras subcontratavam suas empresas, o valor das notas frias era transformado em dinheiro e as companhias indicavam os beneficiários dos recursos.

Segundo conta Assad, entre 2007 e 2012, o "noteiro" movimentou cerca de R$ 1,3 bilhão em contratos fictícios assinados com grandes construtoras.E ainda propôs aos procuradores mapear o funcionamento do sistema paralelo de finanças das construtoras, responsável por abastecer as contas de suas empresas, e de como firmas sem prestar serviços e sem ter funcionários conseguiram movimentar quantias milionárias nos bancos brasileiros.

Uma pergunta: será que o MPF também vê ameaça na delação que envolve bancos?

A relação das empresas de Assad com obras nos governos tucanos em São Paulo já apareceram nas quebras de sigilo de construtoras que respondem a processos. Os documentos mostram um pagamento de R$ 37 milhões do Consórcio Nova Tietê, liderado pela Delta Engenharia e vencedor da licitação de um dos lotes da Nova Marginal, para uma das empresas de Adir Assad.

Das empresas que executaram obras no Rodoanel, o Consórcio Rodoanel Sul 5 Engenharia, formado por OAS, Carioca Engenharia e Mendes Júnior, depositou R$ 4,6 milhões na conta da Legend Engenheiros, de Assad. O SVM, do qual a Andrade Gutierrez faz parte, pagou R$ 7,4 milhões para a Legend, entre 2009 e 2010. O consórcio atuou no Complexo Jacu-Pêssego.

Nas primeiras tratativas para fechar delação premiada, Assad delatou Paulo Vieira Souza que, além de ex-diretor da Dersa, é sabidamente ligado a políticos do PSDB. O doleiro afirma ter provas de propinas em obras tocadas há anos pelos sucessivos governadores tucanos de São Paulo. Todas já foram denunciadas pelo Ministério Público Paulista, mas o caso não andou.

Apesar disso, o depoimento do doleiro para o Ministério Público Federal de Curitiba foi avaliado como "frágil, mesmo sendo Assad considerado o operador central de desvios de recursos dessas obras.

Diante de tantos detalhes apresentados na confissão e mais a promessa de apresentar provas das acusações de corrupção nas obras tucanas, causa certa estranheza que as negociações para delação enfrentem resistência por parte do Ministério Público Federal. Afinal, "ninguém está acima da lei ou fora do seu alcance", como disse Rodrigo Janot sobre Temer.

Helena Sthephanowitz
No RBA
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A lista tríplice para PGR ou o porre do MPF

Depois de uma campanha profissional, como manda o figurino Janot na corporação, o vitorioso da eleição interna para a lista associativa, Nicolao Dino, contou com o peso do cargo de seu padrinho, o Procurador-geral da República, para tornar-se o azarão da vez.

Da lista, numa eleição espontânea, sequer constaria o nome de Nicolao, perdedor de duas eleições para o Conselho Superior. A perspectiva mais provável era Raquel Dodge e Mário Bonsaglia disputando os dois primeiros lugares e Ela Wiecko eleita para o terceiro. O número de votos recebidos por Nicolao surpreendeu até analistas mais experientes.

A pergunta que fica no ar é: o que está acontecendo com o MPF? “Flucht nach vorne” ou “escape ahead” – a fuga para frente, a saída que resta aos que se encurralaram em seus próprios erros?

O porre da “Lava Jato” está cobrando seu tributo. E a ressaca será pesada.

Não há dúvida que o timing da denúncia contra Temer – oferecida a toque de caixa à véspera do pleito, cheia de erros típicos da falta de revisão – favoreceu muito o ganhador.

Depois ainda veio aquela mensagem patética do Procurador-geral da República, pedindo união de todas e todos no Ministério Público Federal, naquilo que hiperbolicamente qualifica de “a maior investigação sobre corrupção do planeta” e chamando de “reacionários e patrimonialistas” os que ousam criticar a postura redentorista de sua gestão. Mui democrático! Tudo calculado para dar o máximo de efeito na eleição da lista tríplice associativa. A pieguice convenceu e a categoria embriagada pediu bis.

O discurso moralista pequeno de Janot fez mais estragos do que reparos à combalida paisagem política do país. E os que hoje o aplaudem porque, num “grand finale”, resolveu enfrentar o golpista que deixou correr solto para derrubar uma presidenta honesta eleita por 54 milhões de brasileiras e brasileiros, se esquecem que estão empoderando um monstro. Este, com métodos policialescos de combate a organizações mafiosas, está atacando a democracia, a soberania popular e o tecido institucional. Qualquer presidente eleito terá, a partir de agora, que fazer “caramuru” ao Ministério Público, se quiser sobreviver até o final de seu mandato.

O que sobrou dessa luta encarniçada, não contra a corrupção, mas a favor da alavancagem corporativa do Ministério Público, é uma economia destruída, a falta de liderança para tirar o país do buraco e o império de uma mídia tanto oportunista, quanto golpista na defesa dos interesses de uma minoria endinheirada. E a corrupção vai bem, obrigado, porque sem mexer nas causas, apenas reprimindo seus efeitos, a bactéria que alimenta a doença vai se tornando mais resistente.

Por falar em causas, diz, nesta quarta-feira (28/06), Nicolao aos jornais que brigará por uma reforma política se nomeado procurador-geral. O óbvio ululante: o país precisa de ampla reforma política. Mas não de iniciativa de um PGR! Lá vai ele pelo mesmo caminho de Janot, se metendo onde não foi chamado.

Talvez confunda seu almejado mandato logrado com apoio corporativo com um mandato parlamentar. Quem tem que resolver sobre a reforma política são os representantes da soberania popular e não um burocrata de um órgão persecutório penal. O burocrata deve se bastar em cumprir seu dever de acusar com muito cuidado e discrição, preocupado em garantir o devido processo legal e um julgamento justo àqueles que estão em sua mira. Nada mais. E isso já é muito, pois Janot e seus acólitos não o têm conseguido.

Se numa futura gestão do PGR tivermos mais do mesmo, será, em verdade, o Ministério Público que deverá ser reformado, pois democracia nenhuma no mundo aguenta suas instituições viverem sob o porrete do direito penal.

Esse é o alto preço que os procuradores irão pagar por conta de suas etílicas andanças trôpegas. Sobreviverá na sociedade apenas o consenso de que os malfeitores – corruptos, corruptores, autoridades abusivas e arbitrárias – devem ser acusados sem exceção e o golpista Temer julgado para pagar por seu ataque à Constituição.

Mas, que tudo se faça com a dignidade própria das civilizações. E que se deixe incólume a soberania popular que pertence a nós todas e todos e não é monopólio dos acusadores.

Eugênio José Guilherme de Aragão é ex-Ministro da Justiça, Subprocurador-geral da República aposentado, Professor da Universidade de Brasília e Advogado.
No Marcelo Auler
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Rodrigo Maia entrou em pânico


O filho de Cesar Maia vai assumira Presidência. Mas até ele sabe que é muita areia para seu caminhãozinho

Ao atacar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Michel Temer mostrou todo o seu desespero. Usou a palavra ilações mais de dez vezes, mas, em momento algum, desmentiu as acusações sobre suas relações promíscuas com o empresário Joesley Batista. O usurpador Temer, agora com a pecha de corrupto, está liquidado. Seu governo é página virada. Então, o melhor a fazer é olhar para frente. De acordo com o Art. 80 da Constituição Federal, com o impedimento do vice, o presidente da Câmara assumirá a Presidência da República por trinta dias. Ao fim desse prazo, como determina o Parágrafo Primeiro do Art.81, o Congresso Nacional elegerá o novo presidente. Que pode ser qualquer cidadão(ã) brasileiro(a) com mais de 35 anos, desde que filiado(a) a partido político.

Temos, então, que o próximo presidente da República será o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). E caberá a ele, com a assessoria do STF, organizar a eleição indireta no tal prazo de 30 dias. Já houve presidentes de Câmara que assumiram a Presidência da República, como os casos de Carlos Luz e Ranieri Mazzilli, este por duas vezes — após a renúncia de Jânio e depois do golpe contra João Goulart. O exemplo de Carlos Luz, porém, é o que mais se assemelha aos dias de hoje. Após o suicídio de Getúlio Vargas e o afastamento do vice Café Filho, Luz tornou-se presidente interino do Brasil. Mas foi derrubado por um movimento liderado pelo general Henrique Lott, que o acusou de conspirar contra a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek. Carlos Luz ficou apenas três dias no cargo, de 8 a 11 de novembro de 1955. Foi substituído pelo presidente do Senado, Nereu Ramos, que passou a faixa a Juscelino em 31 de janeiro de 1956.

Até hoje, o recorde negativo no exercício da Presidência pertence a Carlos Luz. Mas pode ser batido por Rodrigo Maia. Pelas imagens que chegam de Brasília, vê-se que o filho de César Maia entrou em pânico diante da possibilidade de assumir o cargo máximo da Nação. Uma foto no jornal O Globo de hoje mostra o presidente da Câmara com olhar fixo e quase arrancando os cabelos. Sua palidez nos últimos dias também é impressionante, sem esquecer o agravamento do tique nervoso que o faz balançar a cabeça. Rodrigo sabe que não tem estofo suficiente para ocupar a Presidência da República e comandar o processo sucessório. Para agravar o quadro, tem por sogro o ex-governador Moreira Franco, que hoje é ministro e principal assessor de Michel Temer. É óbvio que Moreira Franco, apelidado por Brizola de “Gato Angorá”, vai dar seus pitacos durante a interinidade do genro. Já está dando, tanto assim que os pedidos de impeachment apresentados à Câmara foram todos engavetados.

Rodrigo Maia não está à altura do cargo e nem da crise. Não consegue esconder seu desconforto e seu despreparo para enfrentar a situação. Parece à beira de um ataque de nervos. Imaginem quando chegar a hora de organizar a eleição indireta. Não vai dar pé. Existe, porém, uma saída honrosa. Basta Rodrigo declarar-se impedido por motivo de saúde ou por figurar entre os arrolados na Operação Lava-Jato. Assim, ele sai de fininho, abre mão da sucessão e deixa o pepino para o presidente do Senado e o do Supremo Tribunal Federal, nesta ordem. Como o senador Eunício Oliveira também está na mira do MPF, é grande a possibilidade de a ministra Cármen Lúcia tornar-se presidente da República. É enorme.

Octávio Costa
No Ultrajano
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Judas Temer racha até a maçonaria


Na cavalgada pelo impeachment de Dilma Rousseff, a maior parte da maçonaria nativa - que se diz uma "sociedade secreta" - deixou de lado as catacumbas e participou ativamente da onda golpista. Várias de suas "células" reforçaram as marchas organizadas por seitas fascistas, como o Movimento Brasil Livres (MBL) e o Vem Pra Rua. Empresários maçons ajudaram a financiar a cruzada falsamente moralista. Concretizado o assalto ao poder pela quadrilha de Michel Temer, a situação parece que se embaralhou. Setores menos fundamentalistas da "sociedade secreta" agora erguem sua voz contra o Judas e suas maldades. Nesta semana, uma "célula" intitulada "Maçons Progressistas do Brasil" lançou um manifesto em apoio à greve geral marcada para sexta-feira (30) e em repúdios as contrarreformas trabalhista e previdenciária do governo ilegítimo. Vale conferir:

* * *

Os Maçons Progressistas do Brasil fazem uma convocação para que todos os trabalhadores e demais segmentos da sociedade participem das manifestações da próxima sexta-feira.

Os trabalhadores brasileiros se preparam para mais um momento histórico de luta por Diretas Já e contra as reformas Trabalhista e Previdenciária.

Durante assembleias, realizadas em diversos pontos do país, os trabalhadores confirmaram a adesão à Greve Geral, marcada para o dia 30 de junho.

Outros segmentos aderem ao movimento, participando de atos públicos e diversos tipos de protestos.

A Greve Geral é um momento histórico de luta da classe trabalhadora contra o ataque aos direitos. Nós, enquanto Maçons Progressistas, temos a obrigação de ajudar a construir, juntamente com a sociedade organizada, uma grande greve no dia 30 de junho, não só porque as categorias precisam mostrar a sua força, porque os sindicatos estão de fato mobilizados ou de acordo com as suas bases, mas, principalmente, pela responsabilidade histórica de não permitir que esse golpe se configure na sua expressão mais nociva, que é o ataque aos direitos do trabalhadores, em particular na reforma trabalhista, que joga por terra anos de história, luta e resistência da classe trabalhadora em nosso país.

Diante do agravamento da crise do governo Temer (PMDB), a expectativa é a de que a paralisação seja ainda maior do que a alcançada com a Greve Geral do dia 28 de abril.

Portanto, é chegada a hora de todos nós protestarmos e exigirmos a saída desse governo autoritário e corrupto, que tenta cinicamente acabar com os direitos mais elementares da sociedade brasileira.

Maçons Progressistas do Brasil – MPB

No Blog do Miro
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Por que os negros não apresentam programas de televisão


Em pesquisa exclusiva organizada pela Vaidapé, levantamos os dados sobre os apresentadores e apresentadoras de televisão no Brasil para quantificar o racismo nas emissoras de TV

Depois que a Vaidapé decidiu quantificar o número de apresentadores pretos no país, entramos em contato com as principais emissoras de TV da rede aberta: Cultura, SBT, Rede Globo, Rede Record, RedeTV!, Gazeta e Bandeirantes. A dificuldade em conseguir números claros fornecidos pelas empresas fez com que a gente organizasse uma pesquisa para dimensionar como é a divisão racial entre os apresentadores da televisão brasileira.

Checamos 204 programas das sete emissoras citadas que foram transmitidos entre o segundo semestre de 2016 e o primeiro de 2017. O resultado foi um levantamento de 272 apresentadores que compõem as grades de programação. Ainda que a maioria dos programas sejam exibidos em rede nacional, para os casos que variam de região para região foi adotado como padrão a programação de São Paulo. Mesmo assim, a pesquisa dá um bom panorama da televisão brasileira.


As primeiras respostas obtidas não surpreendem. Apenas 3,7% dos apresentadores são negros. Em valores absolutos, de todos os analisados, foram apenas 10 apresentadores negros contra 261 brancos. De acordo coma Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 2014, organizada pelo IBGE, 53% da população brasileira é de pretos ou pardos, grupos agregados na definição de negros.

Procuramos utilizar como critério de análise a autodeclaração dos apresentadores. Como em muitos casos foi complicado encontrar estas declarações, o critério secundário foi o de observação dos pesquisadores.

“Você é muito graciosa. Embora sendo a única negra entre as brancas, é bonita. É bonita de verdade”


– Silvio Santos, apresentador e proprietário do SBT
A emissora que apresenta maior diversidade é a RedeTV!, onde pouco mais de 9% dos apresentadores são negros. Já a a Record e o SBT são as campeões no quesito branquitude. Ambas não possuem sequer um apresentador negro figurando nos programas analisados. Na emissora de Silvio Santos, a única apresentadora negra que constava na grade de programação era a jornalista Joyce Ribeiro, que foi demitida no início deste ano.

Dois meses antes da demissão de Joyce, Silvio Santos protagonizou um caso de racismo explícito durante o Teleton de 2016. Na ocasião, o apresentador e proprietário da emissora ao entrevistar Daiane, dançarina que se apresentava no programa, afirmou: “Você é muito graciosa. Embora sendo a única negra entre as brancas, é bonita. É bonita de verdade”.

Não foi o primeiro comentário desse tipo proferido pelo dono do SBT. Também em 2016, ele havia dito a uma criança que se apresentava em um de seus programas que seu cabelo estava “chamando muita atenção”.

Além da falta de representatividade na televisão, é possível observar que apresentadores negros estão majoritariamente em programas culturais e de entretenimento. Nos casos analisados, 80% dos negros estavam em programas deste tipo e 20% protagonizavam programas de caráter religioso. Na programação jornalística, educativa e infantil não figurava nenhum apresentador negro.



Também foi possível comparar na pesquisa a média de tempo que brancos e negros ficam no ar. Em uma situação hipotética, se a grade da televisão brasileira fosse composta apenas por programas com apresentação, em 24 horas, apenas 6 minutos da grade seriam apresentados por negros.

O que diz a academia?


Conversamos com um dos poucos professores negros do curso de jornalismo da USP, Dennis Oliveira, doutor em comunicação social e militante do movimento negro, pra saber o que ele achava da presença mínima de negros na programação da televisão. Para ele, “é racismo e discriminação com certeza, porque hoje você tem um grande número de negros que poderia desenvolver essa função”.

“Uma das manifestações da discriminação racial é você interditar a introdução de homens e mulheres negras em posições de visibilidade”


– Dennis Oliveira, doutor em comunicação social e militante do movimento negro
A escolha de pesquisar apenas os apresentadores foi de esclarecer como se dá a divisão racial no que é, provavelmente, a função de maior protagonismo e visibilidade da televisão. Para Dennis, a discrepância nos números esclarece o preconceito institucional que vigora nas empresas. “Uma das manifestações da discriminação racial é você interditar a introdução de homens e mulheres negras em posições de visibilidade”, pontua.

O professor também reflete sobre como a TV embranquecida afeta um jovem comunicador negro, que não consegue ver quadro de referências no principal canal de comunicação utilizado pelos brasileiros. “Ele não se identifica e cria a falsa ideia de que ele não pode estar lá. Então você limita as expectativas profissionais desse jovem. Mais do que isso, vai se constituindo uma estética ariana”, conclui.

Os dados da pesquisa apontam para um racismo mais escancarado do que “velado”. Mesmo com a esmagadora presença branca, a Rede Globo, por exemplo, não enviou informações sobre seus apresentadores com a justificativa de não separar seus funcionários por raça.

O que dizem os apresentadores negros?


Para ter uma visão de dentro das emissoras, entrevistamos a Roberta Estrela D´Alva, uma das poucas apresentadores negras que está no ar em uma grande emissora. Mestre em comunicação semiótica pela PUC de São Paulo e idealizadora do “ZAP! Zona Autônoma da Palavra”, primeiro campeonato de poesias brasileiro, ela apresenta atualmente o programa “Manos e Minas” na TV Cultura.


Existe preconceito dentro da televisão brasileira? E como combater isso?

A televisão e a mídia não estão separadas de toda uma estrutura cultural dentro da qual a gente vive, que ainda é racista e machista . Então claro que, considerando historicamente a representatividade na televisão brasileira , o espaço para negros e negras é muito reduzido , ainda mais se considerarmos que mais da metade da população desse país é negra.

Ser uma mulher negra dentro da televisão brasileira, ainda mais em um programa onde também estou pautando, era um lugar de fala, um ponto de vista que está muito focado nessas questões de gênero e raça. Todos sabem que minha pauta  central no Manos e Minas desde que entrei é dar visibilidade à mulher negra.

Temos apenas dez negros apresentando programas na TV aberta, você acha que existe alguma justificativa pra isso?

Quatrocentos anos de sistema escravocrata que contaminou todas as estruturas de poder nesse país. A mídia  e a polícia se tornaram mecanismos de controle e existem para servir a um poder hegemônico. E esse poder é invariavelmente masculino, eurocêntrico e branco. Então está explicado.

Você teve alguma apresentadora negra como referência? Lembra do trabalho de alguma?

Acho que a gente tem aquela coisa inconsciente do Fantástico né?  A Glória Maria chamava a atenção por ser a única. Mas se for pra falar de gente preta na televisão, acho que fui mais influenciada pelo Mussum do que por qualquer apresentadora ou apresentador. E olha que os Trapalhões tinham piadas racistas, homofóbicas e machistas pra caramba, hein…

A televisão brasileira é racista? Você se sente representada pela programação da TV aberta?

A televisão é racista na medida em que a sociedade também é.  Eu não tenho televisão há uns 15 anos.  Assisto as coisas pela internet. Até o meu programa. Mas esses dias vi um “blackface” num desses programas de humor. É lamentável… A Angela Davis, quando veio para o Brasil, ficou em choque com as novelas, com o tanto de atrizes brancas de olhos azuis e nenhuma representatividade negra. E é chocante mesmo.


Como foi feita a pesquisa


A pesquisa foi feita a partir dos dados sobre a programação fornecidos pelo site oficial de cada emissora, considerando programas que foram exibidos no segundo semestre de 2016 e no primeiro de 2017. São considerados para essa pesquisa, apenas programas com apresentadores fixos.

Os programas reprisados e de Reality Show organizados por temporada foram considerados na pesquisa, quando não anunciado o cancelamento. Programas voltados exclusivamente para a venda de produtos, bem como eventos esportivos e de celebração religiosa transmitidos ao vivo, ainda que com apresentadores, não foram considerados.

Como citado anteriormente, quando possível, a pesquisa analisou a cor dos apresentadores com base na autodeclaração. Para os casos em que a autodeclaração não foi encontrada, o critério de avaliação se deu pela observação dos pesquisadores.

Mais resultados da pesquisa e a planilha completa do levantamento podem ser baixados clicando nos links abaixo.


Henrique Santana e Iuri Salles
No Desacato
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Renan sai e chama Temer de covarde! — assista

Governo é comandado por um presidiário!


Via Congresso em Foco:

Renan deixa liderança do PMDB, critica “postura covarde” de Temer e diz que Cunha governa



Um dos principais líderes do PMDB nos últimos anos, o senador Renan Calheiro (PMDB-AL) acaba de anunciar sua saída da liderança do PMDB no Senado. Reiterando as firmes críticas que tem feito, nos últimos meses, à gestão de Michel Temer na Presidência da República, Renan diz que o governo do colega de partido se transformou em um ambiente de chantagens, “perseguindo parlamentares que não rezam a cartilha governamental”. E foi além.

“Como continuar com um governo comandado por um presidiário como Eduardo Cunha?”, fustigou Renan, referindo-se a um dos principais aliados de Temer até ser preso, em outubro passado, por envolvimento na Operação Lava Jato. Cunha foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão, na primeira das ações a que responde na Justiça.

“Estou me libertando dessa âncora pesada e injusta”, reclamou o senador, aproveitando para reforçar os protestos contra as reformas trabalhista e previdenciária, duas das principais apostas de Temer para tentar superar a mais grave crise de sua gestão. “Não tenho a menor vocação para marionete. O governo não tem a menor credibilidade para fazer as reformas.”

(...)

Na sessão plenária de ontem, o senador alagoano não poupou críticas ao governo, que afirmou ser “influenciado por um presidiário de Curitiba”, em referência ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso desde outubro na capital paranaense e condenado a mais de 15 anos de prisão. Era a tréplica do alagoano, que rebatia a manifestação de Romero Jucá (PMDB-RR).

(...)

No CAf
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Lista tríplice da PGR empareda Temer

O vice-procurador-geral eleitoral Nicolao Dino foi o mais votado pelos colegas para assumir a Procuradoria-Geral da República (PGR), em substituição a Rodrigo Janot. Uma lista tríplice, com o nome de Dino e dos outros dois membros do Ministério Público mais lembrados na eleição desta terça-feira (27), será entregue ao presidente Michel Temer (PMDB) pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Raquel Dodge e Mario Bonsaglia integram a lista de sugestões, e também são cotados para assumir a PGR em setembro.

A "vitória" de Nicolao Dino foi considerada uma surpresa, e uma derrota para os aliados de Temer. Afinal, ele pertence à mesma ala de Rodrigo Janot, atual procurador-geral, que trava uma disputa histórica com o presidente golpista devido às denúncias da operação Lava Jato. Raquel Dodge era considerada a candidata favorita, além de ser a preferida das lideranças do PMDB.

Se decidir nomeá-la como chefe da PGR, Temer precisaria romper com uma tradição democrática: desde o primeiro governo Lula (PT), o presidente escolhe para o cargo o candidato mais votado entre os colegas do Ministério Público, como forma de ampliar a autonomia do procurador-geral. É o que sugerem os membros da base governista desde antes da votação. Michel Temer, porém, quando assumiu a Presidência da República, em maio de 2016, adiantou que escolheria para o cargo o candidato mais votado da lista.

Além de comandar a PGR, o sucessor de Rodrigo Janot será presidente do Conselho Nacional do Ministério Público até 2019. O mandato pode ser estendido até 2021, caso o futuro presidente da República concorde com a renovação.

Perfis

Mario Luiz Bonsaglia é membro do MPF desde 1991. Ex-integrante do Conselho Superior do Ministério Público, também foi selecionado para a Lista Tríplice em 2015. Bonsaglia defende a proposta de limitar em 10% o número de procuradores cedidos em cada área de atuação, mas considera que a norma não deve ser aplicada à Lava Jato. Segundo ele, cada vez mais procuradores devem se juntar às investigações da Lava Jato, dada a importância excepcional da operação.

Nicolao Dino também entrou no MPF em 1991. Vice-procurador geral eleitoral e muito próximo de Janot, ele foi favorável à cassação da chapa Dilma-Temer, e em março pediu ao TSE que declare a ex-presidenta inelegível pelos próximos oito anos. Nicolao Dino é irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), suspeito de receber dinheiro da Odebrecht via caixa 2, segundo informações fornecidas no acordo de delação da empreiteira. Entusiasta da Lava Jato, pondera que é necessário“rever, refletir e eventualmente corrigir os rumos”.

A família Dino é adversária histórica da família Sarney no Maranhão. Caso siga a sugestão dos colegas de Ministério Público, Temer poderia abrir margem para a prisão de José Sarnet (PMDB), ex-presidente da República, alvo de diversas denúncias de corrupção e um dos caciques do partido. Segundo informações da revista Veja e do Portal 247, a divergência entre Dino e Sarney deve influenciar na decisão de Temer.

Raquel Elias Ferreira Dodge é mestre em Direito pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e ingressou no MPF em 1987.

Conflito

A nomeação de Raquel Dodge para a PGR seria uma das medidas mais polêmicas do governo Temer, e pode ser encarada como uma tentativa explícita de frear a operação Lava Jato. Em abril deste ano, ela chegou a ser criticada por Rodrigo Janot por tentar "afetar a Lava Jato" ao propor a limitação do número de procuradores por área no Ministério Público.

Nicolao Dino recebeu 621 votos, contra 587 de Dodge e 564 de Bonsaglia. Após a indicação de Temer, o candidato escolhido será submetido a uma sabatina no Senado Federal e precisará ser aprovado pela maioria dos parlamentares.

Daniel Giovanaz
No Blog do Miro
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Moro vai fazer com Lula o que fez com o Vaccari


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Informativo Paralelo — Greve Geral


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PSDB gastou milhões em robots nas Redes durante a eleição e após os cedeu a grupos fascistas para o Golpe


Um estudo divulgado pela Universidade de Oxford, Reino Unido, detalha ao longo de 38 páginas como a política brasileira foi influenciada por bots na internet. Caso não saiba, bots são programas ou dispositivos que agem de maneira autônoma na internet — por exemplo, existem bots de contas falsas nas redes sociais, um dos pontos-chave nessa pesquisa.

Revoltados On Line e Vem Pra Rua receberam bots do PSDB

Chamado de “Propaganda computacional no Brasil: Bots sociais durante as eleições”, o estudo mostra alguns dados: o PSDB gastou cerca de R$ 10 milhões em bots em Facebook, Twitter e WhatsApp durante a corrida eleitoral de Aécio Neves no final de 2014. Após a derrota para Dilma Roussef, os bots do PSDB continuaram agindo, porém foram reprogramados para divulgar o conteúdo de páginas como “Revoltados ON LINE” e “Vem Pra Rua”. No caso, o estudo diz que o Revoltados ON LINE contava com 16 milhões de bots do PSDB, enquanto o Vem Pra Rua tinha 4 milhões.

Na mesma época da corrida eleitoral, o PT também utilizou bots pró-Dilma Rousseff na internet. Contudo, “em uma escala muito menor”. Enquanto os bots do PSDB alcançavam cerca de 80 milhões de pessoas, os bots do PT ficavam nos 22 milhões. O estudo ainda comenta que, após o fim das eleições, os bots comprados pelo PT foram encerrados em sua maioria — e algumas contas apenas replicavam programas do governo.

No Luíz Müller Blog
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Rezaram a missa sem o corpo presente


“A explosão de vontade popular que o Partido dos Trabalhadores prometia ficou apenas na vontade. (...) Lula ficou muito aquém da expectativa. Esse malogro relativo complica bastante o futuro dessa legenda; se todo o carisma do líder metalúrgico não lhe trouxe o suporte que se esperava em São Paulo, como será a organização nos demais estados, onde não há Lulas disponíveis?”
O texto acima foi veiculado na Folha de São Paulo no dia 16 de novembro de 1982. Lula ficou em terceiro colocado, com pouco mais de 10% para o governo do estado. O PT fez 8 deputados federais e 12 estaduais no Brasil inteiro. Nenhum governador, nenhum senador. Os comentaristas políticos afirmavam que seria uma legenda “natimorta”. Se em dois anos que teve para se organizar o PT não tinha colhido bons frutos, a verdade é que nada ali indicava – segundo a mídia – que o partido “vingaria”.

Em 1989, Lula recebeu quase 12 milhões de votos para a presidência, fazendo pouco mais de 17% do total. Em 1994, Lula recebia 17 milhões de votos (27% do total) e em 1998 – antes de FHC liberar a crise do real – Lula recebia 21,5 milhões de votos perfazendo quase 32% do total do eleitorado. O PT, que havia recebido 3,1 milhão de votos para governador em 1986, recebeu 5,3 milhões em 1990 (elegendo seu primeiro senador) e em 1994 recebia 6,7 milhões de votos para governador, elegendo os dois primeiro governadores da sigla.

Para um partido que tinha “o futuro bastante complicado” sem “Lulas disponíveis” pelo país, o crescimento era homogêneo, tanto Lula quanto do PT amalhavam votos de forma semelhante. Em 1994, a bancada federal do PT era composta de 5 senadores (um eleito em 1990 e 4 em 1994) e cincoenta deputados federais. Nas eleições de 1998, dominadas pela polêmica emenda da reeleição, o partido faria apenas 59 deputados federais, três senadores e três governadores. O modelo do partido “amador”, na terminologia de André Singer, parecia esgotado. Em 1997, José Dirceu era eleito de forma indireta para a presidência do PT, e com ele surge o chamado “partido profissional”.

Nas eleições de 2002, o partido faria 91 deputados federais, crescendo mais de 70% e Lula seria eleito presidente com 39,5 milhões de votos no primeiro turno e 52,7 no segundo. Em 2001, o PT tinha cerca de quinhentos mil filiados. Qualquer análise séria destes números deve levar em conta a nova gestão feita por Dirceu, mas também o absoluto fracasso do segundo governo de FHC e seu receituário neoliberal. O PT havia crescido suas bases até o máximo que o convencimento oral e a manutenção do “partido-raiz” conseguiram até 1998. O salto dado em 2002 é certamente maior do que o PT. A classe média, cansada e empobrecida, não comprou mais o discurso engomado do PSDB. Lula por seu turno, deixou de usar camisa polo vermelha e figurar como um líder sindical, para vestir terno e gravata. O famoso “lulinha paz e amor”.

De 2002 a 2014, entretanto, durante o momento mais alto da Era Lula e depois o primeiro governo Dilma, o número de deputados federais que o PT elegeu caiu constantemente. Foram 83 em 2006, 73 em 2010 e apenas 70 em 2014. O PMDB mantinha-se como a maior bancada no plano Federal. Já nos municípios, o PT ameaçava seriamente o controle do PMDB. Em 2012 o PT governava 37 milhões de pessoas em termos municipais, batendo pela primeira vez na história da República pós-64 o PMDB, embora fosse apenas o terceiro partido em número de prefeituras. Para um partido que nunca havia feito mais do 5% dos votos totais nas eleições municipais este era um indício perigoso para o fisiologismo do PMDB.

Em 2006, em função do mensalão muitos declararam o Partido dos Trabalhadores “morto”. Inclusive há versões sobre análises internas da oposição à Lula, de que seria melhor evitar o impeachment e deixa-lo “sangrar”. Em 2006, após o primeiro ataque midiático-jurídico ao PT Lula se reelegia com 46,5 milhões de votos no primeiro turno (mais do que na eleição anterior) e 52,2 milhões no segundo turno. O aumento do número de votos supera o crescimento do número total de votantes, mostrando que Lula e o PT ganhavam votos em meio à crise. Ainda, o partido passava de 411 prefeitos eleitos em 2004 para 564 eleitos em 2008 e atingiria o auge de 635 em 2012.

A pergunta que se deve fazer é, este aumento do PT durante o período de crise é efetivamente “PT”? Penso que não. O tamanho de um partido de matriz rígida ideológica é sempre pequeno. O PSOL padece deste problema. Para crescer e amealhar espaços efetivos no sistema federal é preciso aumentar o conjunto de pressupostos ideológicos aceitos como válidos. Alguns dirão que o PT “aumentou demais” o seu conjunto, mas penso que aqui jogou ainda o papel da classe média, embalada pelo crescimento da economia. Em 2010, Dilma faria 47,6 milhões de votos no primeiro turno (mais que Lula em 2006) e 55,7 milhões no segundo turno. No início de 2013, Dilma atingia 79% de aprovação, em 19/3, segundo o IBOPE. O índice era maior que Lula e FHC em seus primeiros mandatos.

Em 2013, começa o ataque ao PT e ao governo Dilma. Primeiro as chamadas “Jornadas de Junho” e, em seguida a campanha presidencial do PSDB coloca em movimento as ferramentas das redes sociais. A economia já dava sinais de retração, seja pelo custo da crise internacional e o recuo das demandas de China e União Européia (nossos dois maiores compradores), seja pela fim do “superciclo” das commodities, o que se vê é que o orçamento brasileiro passa a diminuir. Logo em seguida, em 2014, temos a criação dos grupos protofascistas no Brasil (MBL e assemelhados), hoje se sabe que com financiamento internacional e de partidos como PSDB e PMDB. E recrudesce a Lava a Jato com a tática de Sérgio Moro dos vazamentos para “ganhar o apoio da população”, como ele indicaria em artigo escrito em 2004.

Mesmo com forte ataque midiático, jurídico e social (com os movimentos de internet direcionados pela histeria comunista) o PT faria nas eleições de 2014 seu maior número de governadores, cinco. O número de filiados em 2015 crescia mais de 80% em relação a 2014 e era o maior registrado entre os partidos no Brasil. O partido que tinha cerca de 840 mil filiados em 2005, vai atingir quase 1 milhão e seiscentos mil em 2014, aumentando ainda mais este número nos anos seguintes.

No ano de 2014 ocorre um fato que é cabal para o impeachment e o acirramento da campanha de criminalização do PT. Ao mesmo tempo que se discutia no judiciário a proibição do financiamento de campanha por meio de empresas, José Dirceu, José Genoíno e outros políticos do PT conseguiam levantar imensas somas em doações espontâneas e individuais para fazer frente às multas impostas pela justiça. Gilmar Mendes, o representante da oposição no STF naquele momento, perde a compostura diversas vezes, pois via que o PT teria como financiar suas campanhas sem as empresas (o “partido amador”, lembram?), já a elite não. O desespero toma conta de Gilmar, que não só vota contra o fim do financiamento como pede “vistas” ao processo para que a lei não valesse para as eleições de 2016.

Diante de toda a crise política, da lava a jato, da crise econômica, das traições do PMDB e do custo midiático do constante ataque, nas eleições de 2016 o PT ganha apenas 255 prefeitos e faz 2812 vereadores, pouco mais da metade do que fez em 2012 (5181). Parte dos analistas políticos, da mídia e dos intelectuais “ex-esquerda” vestiram preto e sorriam felizes no velório do PT. Vociferavam o fim do partido com felicidade semelhante ao espanto com que receberam a notícia desta semana, de que o PT era o partido mais preferido pela população e que crescia o número de simpatizantes. Vários intelectuais postaram-se a fazer verdadeiras ginásticas retóricas que envolviam desde “compra de apoio por cargos” até a velha “falta de memória do povo”. Tristes pessoas.

A verdade é que a campanha colocada em prática desde 2013 fez desembarcar do projeto nacional petista a classe média que o tinha alçado à presidência em 2002. Mas o custo desta campanha é imenso, seja para o Brasil seja o custo individual, e esta classe média já percebe que a economia do projeto neoliberal vai lhe colocar de novo em 1998. Ainda, estão evidentes os abusos contra Lula (e também contra Vaccari, condenado por Moro a 15 anos, preso por quase dois e depois absolvido no segundo grau!). Isto tudo ajuda na recuperação dos índices do PT, mas o principal ponto é sua militância.

Em toda a turbulência, o militante do PT tem se mantido fiel. Não precisou trocar de candidato nem apagar fotos correndo, conforme provas robustas iam sendo apresentadas na mídia contra PSDB e PMDB. Lula é sem dúvida o grande nome para 2018, mas não subestimem o maior partido de massas de esquerda da América Latina. Tampouco imaginem que a classe média é completamente manipulável. Quando começa a faltar comida na mesa não adianta vídeo no youtube, pastor entregando panfleto anticomunista ou palestra motivacional de “empreendedorismo”. A verdade é que alguns fizeram um velório sem corpo. Riram antes da hora e agora não sabem explicar o motivo do crescimento do PT. Desconfio, pela ética dos comentaristas, que vai acabar terminando no “povo”. Vão voltar a dizer que o povo é “burro” e “sem memória”. Tudo fazem para conseguir uma “democracia sem povo”, uma democracia “mais limpinha e cheirosa”. As máscaras caem mais rápido do que eles conseguem recolocá-las.

Fernando Horta
No GGN
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Temer abandonou qualquer compromisso com os fatos

  • 1) Baleia Rossi (PMDB-SP)
  • 2) Lelo Coimbra (PMDB-ES)
  • 3) Carlos Marun (PMDB-MS)
  • 4) Toninho Pinheiro (PP-MG)
  • 5) Ricardo Izar (PP-SP)
  • 6) Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)
  • 7) Paulo Bauer (PSDB-SC)
  • 8) André Moura (PSC-SE)
  • 9) Rachel Queiroz (PSD-MG)
  • 10) Elcione Barbalho (PMDB-PA)
  • 11) Julio Lopes (PP-RJ)
  • 12) Darcisio Perondi (PMDB-RS)
  • 13) Eliseu Padilha (ministro-chefe da Casa Civil)
  • 14) Simão Sessim (PP-RJ)
  • 15) Luis Carlos Heinze (PP-RS)
Michel Temer recorreu a um truque antigo para reagir à denúncia por suposta prática de corrupção. Em vez de se defender, o presidente atacou o acusador. Ele subiu o tom contra o procurador-geral da República e classificou a peça entregue ao Supremo como "uma ficção".

A denúncia tem fragilidades, mas é Temer quem parece ter abandonado qualquer compromisso com os fatos. Nesta terça, ele começou o discurso agradecendo o "apoio extremamente espontâneo" dos parlamentares que estavam no Planalto. A tropa havia sido convocada minutos antes, em mensagens disparadas por celular.

O presidente apresentou duas versões distintas para a encrenca em que se meteu. Primeiro insinuou, sem apresentar provas, que o procurador Rodrigo Janot teria recebido propina para denunciá-lo. Depois disse que o dono da JBS o acusou no "desespero de se safar da cadeia".

Temer cometeu erros surpreendentes para quem se gaba de conhecer as leis. Chamou o áudio de Joesley Batista de "prova ilícita", apesar de o STF já ter autorizado o uso de conversas gravadas por um dos participantes. E acusou um ex-assessor de Janot de violar a quarentena, regra que inexiste para procuradores.

O presidente pareceu indeciso sobre o que pensa do empresário que o acusou. Ao justificar o encontro noturno no Jaburu, exaltou Joesley como o "maior produtor de proteína animal do país". Ao rebater a delação, voltou a chamá-lo de "bandido".

Numa tentativa de demonstrar que terá apoio para barrar a denúncia na Câmara, o presidente se cercou de deputados ao discursar. Pode ter sido uma ideia razoável, mas ele cochilou na seleção do elenco.

Do seu lado direito estava André Moura, réu em três ações penais e investigado por suspeita de homicídio. Do esquerdo, Raquel Muniz, mulher de um ex-prefeito preso sob acusação de corrupção. Logo atrás dela despontava Júlio Lopes, delatado na Lava Jato e citado nas investigações do esquema de Sérgio Cabral.

Bernardo Mello Franco
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Luciana Genro e Janaína Paschoal são a mesma pessoa

Luciana Paschoal e o Jesus de pau
Circula na internet uma montagem de Luciana Genro com o Jesus de pau de Janaína Paschoal.

Janaína e Luciana se encontraram nos extremos e se descobriram a mesma pessoa.

Uma à direita e a outra à esquerda, ambas têm uma obsessão invencível por Lula que as une e as apequena irremediavelmente.

Nos últimos dias, com as denúncias de Janot contra Michel Temer, o ladrão que sequestrou o Brasil com sua corriola, a musa do impeachment concentrava sua indignação nos petistas. 

“Para o país, seria muito bom que Temer saísse logo. Mantê-lo só fortalece Lula, que confortavelmente sai do foco. Ninguém percebe isso?”, escreveu no Twitter, onde mora.

Luciana aproveitou o pronunciamento de Michel e bateu na velha tecla: “Não foi Deus que te colocou na Presidência, Temer. Foi Lula que te escolheu como vice da Dilma e Cunha que abriu a porta para o impeachment”.

Michel foi indicado pelo PMDB para a vice presidência na chapa com 84,8% dos votos dos convencionais. Poderia ter sido barrado? Talvez. Dilma e Lula o apoiaram. Dava para governar sem o PMDB? São outros quinhentos. 

O oportunismo de Luciana é emblemático de um estilo político do pensar pequeno. Faz sentido esse tipo de cotovelada a essa altura?

O ódio de Luciana Genro a Lula e Dilma pode ter uma explicação psicológica na transferência da raiva que ela sente pelo pai,  Tarso.

Como seu doppelganger Janaína, ela idolatra a Lava Jato. Já disse que tem “vibração com a investigação”, sabe-se lá o que isso signifique.

Quando da coercitiva de Lula, frisou que o ex-presidente  “foi tratado com dignidade pelos policiais, algo que não acontece com os mais pobres”, numa justificativa pueril para a arbitrariedade (se os mais pobres são maltratados por policiais, Lula também deveria ser).

Em sua cegueira, Luciana ama, ou finge amar, a República de Curitiba — que a despreza como uma bruxa bolivariana e quer queimá-la na fogueira.

Ela prefere destruir Lula a combater a direita. Você nunca verá essa ferocidade incessante, por exemplo, contra a Globo. Para isso, falta-lhe coragem.

Uma coisa é cavar, legitimamente, um espaço à esquerda num cenário dominado pelo PT e seu pragmatismo há décadas e que precisa de alternativas.

Outra é atacar de maneira desleal e estúpida um líder popular no momento em que despontam, do lado lá, um Bolsonaro, um Doria e o obscurantismo.

Michel Temer e o conservadorismo brasileiros podem ficar sossegados. Enquanto houver Janaína Paschoal e Luciana Genro, os banheiros do Ibirapuera continuarão limpos.



Kiko Nogueira
No DCM
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A roleta suspeita dos sorteios do Supremo




Vamos a uma análise probabilística, tão ao gosto dos procuradores midiáticos.

Para avaliarmos a extraordinária coincidência dos processos de José Serra e Aloysio Nunes caírem com o Ministro Gilmar Mendes e o de José Serra com Alexandre de Moraes, o roteiro é o seguinte:

O STF (Supremo Tribunal Federal) tem 11 Ministros:

1.     Ministro Roberto Barroso

2.     Ministro Marco Aurélio

3.     Ministro Luiz Fux

4.     Ministra Rosa Weber

5.     Ministro Alexandre De Moraes

6.     Ministro Gilmar Mendes - Presidente

7.     Ministro Celso De Mello

8.     Ministro Ricardo Lewandowski

9.     Ministra Cármen Lúcia

10.  Ministro Dias Toffoli

11.  Ministro Edson Fachin

O Ministro Fachin decidiu sortear os processos pelos demais Ministros da casa. Do sorteio saem ele (que vai sortear) e a presidente do STF Carmen Lúcia.

Restam 9 Ministros:

1.     Ministro Roberto Barroso

2.     Ministro Marco Aurélio

3.     Ministro Luiz Fux

4.     Ministra Rosa Weber

5.  Ministro Alexandre De Moraes

6.     Ministro Gilmar Mendes

7.     Ministro Celso De Mello

8. Ministro Ricardo Lewandowski

9.     Ministro Dias Toffoli

Três processos são sorteados. Há dois Ministros propensos a tratar com generosidade os políticos do PSDB: Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Gilmar não poderia ficar com o processo de Aécio, pois poderia ser arguida sua suspeição pelas conversas gravadas. Portanto, o único Ministro disposto a analisar o caso Aécio com boa vontade (para com o réu) seria Alexandre de Moraes:

·      Ou 1 em 9

·      Que significa 1/9 avos

·      Que significa 11,11% de probabilidade.

Sobram então, 8 Ministros para analisar o caso Serra-Aloysio.

1.     Ministro Roberto Barroso

2.     Ministro Marco Aurélio

3.     Ministro Luiz Fux

4.     Ministra Rosa Weber

5.     Ministro Gilmar Mendes

6.     Ministro Celso De Mello

7.     Ministro Ricardo Lewandowski

8.     Ministro Dias Toffoli

Brasília inteira sabe das relações de Gilmar com José Serra e, por tabela, com Aloysio Nunes. Mas como não foi explicitada em nenhuma gravação., Gilmar se arrisca a não ser considerado impedido. Dos 8 restantes, ele seria a única certeza de não condenação de Serra e Aloysio.

A probabilidade de sair com Gilmar é de 1/8 ou 12,5% de probabilidade.

A primeira probabilidade foi de 11,11%; a segunda, de 12,5%.

E qual seria a probabilidade somada de Aécio sair com Alexandre e Serra/Aloysio sair com Gilmar?

Seria de 1 / (8x9) = 1,39% 

Não é a primeira vez que os tribunais superiores mostram um sistema de sorteios sob suspeição. Para os que reclamam de azar pelo fato de todos os processos sensíveis saírem com Gilmar – que, em todas as hipóteses, pende para um lado só – não maldigam a má sorte. Quem explica isso é a probabilidade. E a falta de discernimento de presidentes de tribunais de permitirem a mancha da suspeição sobre sua seara.

Luís Nassif
No GGN
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O faz-de-conta: FHC e eleições, Palocci e delação, Moro condena, R. Teixeira ameaça...


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