24 de jun de 2017

Associação Nacional dos Procuradores da República age como gangues de rua

Liderança da ANPR
Nota de Associação dos Procuradores em defesa de Dallagnol é absurda e anti-democrática

O Ministério Público com as funções atuais é uma das boas conquistas da Constituição de 1988. Até aquele momento a ação do órgão era tão limitada que seus membros tinham um papel decorativo. Algo como o que o presidente ilegítimo Michel Temer reclamava ter quando não havia decidido se tornar o capitão do golpe.

Com a Constituição de 88, o órgão ganhou independência e seus membros proteção do Estado para atuar. Mesmo assim, até o governo Lula o MP ainda era tratado a pão, água e cabresto. FHC, por exemplo, ficou famoso por nomear engavetadores gerais da República. E por sufocar financeiramente o órgão.

Foi com Lula que o MP começou a se tornar mais forte e independente. Foi a partir de Lula que o primeiro da lista de votação passou a ser nomeado para Procurador Geral.

A nova história contada por alguns dos atuais procuradores, principalmente os mais novos, ignora tudo isso. Eles falam do MP como se ele fosse um ente que sempre teve superpoderes e cujo papel atual teria mais relação com a dedicação, a nobreza e a seriedade dos seus atuais membros.

E é isso que tem produzido ações ridículas como a nota que a Associação Nacional dos Procuradores da República produziu para defender um dos seus associados, Deltan Dallagnol, que foi questionado por ter palestras anunciadas por 30 a 40 mil reais num site de agenciamento.

A nota, entre outras aberrações, diz que: “atacar um Procurador da República, ademais, pelo lídimo exercício de suas funções e direitos é atacar a todos.”

Ou seja, quem vier a questionar qualquer atitude de um sacrossanto procurador pode vir a ter sobre si a mão pesada do órgão e de toda a categoria? É isso que a nota sugere?

Ou é algo ainda mais na linha das gangues de rua: mexeu com um, mexeu com todos?

Não bastasse esta frase absurda, a nota da ANPR diz que procuradores podem dar palestras e cobrar por elas sem que isso signifique qualquer constrangimento ético, o que pode ser verdade, mas que deveria ser considerado algo no mínimo constrangedor para um procurador que denuncia um ex-presidente por considerar que suas palestras foram fonte de lavagem de dinheiro.

Mas há algo ainda mais estarrecedor, a nota da Associação diz que:

“A empresa MotiveAção nunca teve qualquer vínculo com o Procurador da República Deltan Dallagnol ou autorização para divulgar suas palestras. Provocada por ele, a empresa já reconheceu o equívoco de sua conduta e pediu publicamente desculpas ao Procurador da República.”

Ou seja, assume completamente a versão de Dallagnol sem sequer fazer referência a um básico questionamento. Se a empresa MotiveAção não estava autorizada a vender ou divulgar suas palestras, como fazia na rede por 30 a 40 mil reais, por que o citado procurador não a processou?
A nota foi twittada por Dallagnol por uma quase dezena de vezes e aos pedacinhos durante o dia de ontem. O coordenador da Lava Jato a usou como habeas corpus para atacar aqueles que o criticam.

Aliás, em um outro trecho da nota há uma outra ponta de ameaça aos que ousam divergir da Operação Lava Jato.

“Há um mal disfarçado interesse dos que acusam Deltan Dallagnol, indevidamente, em transformar um ato lícito e questão corriqueira em forma de ataque e descrédito a seu trabalho como coordenador e à Força Tarefa Lava Jato. Isto é inadmissível e não será tolerado.”

O que significa “é inadmissível e não será tolerado”, pergunto. O que a Associação pretende fazer com aqueles que se opõe a forma como a Lava Jato atua e que questionam as palestras de Dallagnol? Vai processá-los? Vai orientar seus associados a persegui-los? Vai torná-los alvos de futuras operações? Como assim, o que significa “é inadmissível e não será tolerado”?

Alguns membros do MP perderam completamente a noção do seu papel e da importância do órgão como instrumento democrático.

E por isso a frase publicada hoje no Painel da Folha de S. Paulo, atribuída ao ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, deveria estar estampada em todas as salas do órgão: “Lugar de procurador não é em púlpito de igreja, palco de show ou em congressos para se vangloriar de seus feitos.”

Porque o que essa geração de meninos mimados e que não podem reger a nação, na excelente definição do músico Criolo, está fazendo não só com o MP, mas com o Brasil é algo que ainda vai ser contado.

O mexeu com um, mexeu com todos é a cereja de um bolo de arbitrariedades. Não se pode aceitar que uma categoria se ache acima do questionamento da sociedade e do direito à liberdade de expressão. E que emita notas buscando constranger quem quer que seja. Porque, amigos, quando uma associação de procuradores diz que não tolerará e que atacar um é atacar a todos, ela está exorbitando. Ela está sufocando o direitos. Ela está assumindo um papel de polícia seletiva. E isso remete a tempos outros, onde o MP não tinha liberdade para agir. Porque não havia liberdade.

Renato Rovai
No Esquerda Caviar
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Jessé Souza: “A classe média é feita de imbecil pela elite”


Jessé de Souza, professor de ciência política da UFF e autor dos livros "A tolice da inteligência brasileira" e "A radiografia do golpe", participa #aovivo do Direto da Redação conversando com Sérgio Lírio sobre a conjuntura política nacional e a campanha por Diretas Já.


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A falsa saída do Príncipe falido

O ódio despertado foi tão grande e o movimento foi tão esfuziantemente celebrado, que o processo fugiu dos objetivos previstos pela elite dirigente


Nos estudos que realizou sobre a obra de Maquiavel, Gramsci identificou no partido político moderno a “consciência que opera a necessidade histórica, como protagonista de um drama histórico real e efetivo”.

Ele é um organismo, não um “herói pessoal”.

Não depreciou, porém, da figura do líder, do dirigente, “uma força que não pode ser destruída”, na qual o organismo vivo do partido encontra — às vezes — uma expressão “mítica”.

Assim, para Gramsci – por diferentes motivos e através das formas diversas destes “organismos” – Lenin, De Gaulle, Churchill, Getúlio, Perón encarnariam — como figuras míticas – a expressão política do “Príncipe” moderno (o organismo): os condutores de massas que foram, no seu tempo histórico, extraídos das tragédias e brilhos dos turbilhões sociais.

Por este raciocínio não é difícil concluir porque o grande movimento liberal-reformista (na verdade liberal-rentista), centrou sua força destruidora na figura de Lula que, com seus governos, alterou modestamente a hierarquia das desigualdades no país e através da força normativa e política do Estado, distribuiu renda e colocou na mesa da democracia, os que não tinham voz nem vez.

Nas grandes negociações políticas de Estado, que geram políticas públicas de coesão social e dignidade mínima, apareceram as classes populares com a sua presença incômoda.

Mas o ódio despertado foi tão grande e o movimento foi tão esfuziantemente celebrado, pelos moralistas bem intencionados e pelos que se escondem no moralismo para se corromperem mais tranquilamente, que o processo fugiu dos objetivos previstos pela elite dirigente.

Na verdade, a inércia da burocracia do Estado, tornada força política sem controle, substituiu o “Príncipe” moderno e capturou a classe média que forma suas idéias sobre o mundo no Jornal Nacional.

Os partidos fragmentados, as lideranças sem projetos, os militantes sem causa unitária era tudo que o país precisava para morrer por mais cinquenta anos.

Lembrei-me do Príncipe, de Maquiavel, por dois motivos.

Primeiro, porque os nossos “Príncipes” modernos, os partidos, foram substituídos por Promotores, Juízes, Policiais, que incensados ou combatidos – conforme o caso – pelo oligopólio da mídia que comanda, compõem a pauta política da nação.

Prendem e arrebentam, justa ou injustamente, mas preenchem a crise do Estado com a revelação de mediocridades fascistas que se sucedem e logo são substituídos – como celebridades – pelo próximo corrupto ou pelo próximo delator.

Segundo, lembrei-me do “Príncipe”, porque o “príncipe dos sociólogos” (FHC), abandonou o seu antigo feudo e se lançou na campanha das diretas, esvaziando a seriedade unitária da proposta.

Todos sabemos que o que ele quer, efetivamente – ao lançar a isca da soberania popular – é fazer uma transição do golpismo corrupto e corruptor, que ele promoveu, para uma tutoria menos indecente do Estado, tentando tentar blindar, no crepúsculo, a sua biografia de enganos.

A proposta de FHC, na verdade, visa promover um acordo do golpismo político, que lhe cooptou, com os que promovem as reformas liberais. e assim formar qualquer Governo que cumpra esta tarefa.

O que ele menos quer é eleições diretas e soberania popular.

O grande problema desta grande estratégia, na conjuntura atual, é que sequer existem interlocutores legitimados para acordarem, seja um novo contrato social, seja um pacto político de transição para um futuro, ainda que incerto, porém mais democrático.

E quando não existem interlocutores legitimados que representem forças organizadas e operem protagonimos “reais e efetivos”, os aventureiros tomam conta dos “dramas históricos”.

E os protagonistas, de quem nos falava Gramsci, não se tornam nem farsantes nem apenas trágicos.

São os medíocres que não aguentam o primeiro tranco do mercado.


Tarso Genro foi Governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil
No Carta Maior
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Biruta moral do país, contraditório e perdido, FHC só é coerente em relação à picaretagem de Doria

Eles
No mundo civilizado, existe a figura do elder statesman, que o dicionário Collins define como “pessoa de idade, experiente e eminente, especialmente um político, cujo conselho é freqüentemente procurado”.

No Brasil, nós temos Fernando Henrique Cardoso, um ex-presidente da República especializado em metralhar opiniões contraditórias de cima do muro, espécie de biruta moral que muda de ideia ao sabor do vento.

Desde meados de maio, ele já sugeriu a renúncia de Temer, depois recuou. Um dia ligou para ele, no outro se encontrou, no seguinte falou que falta legitimidade a seu governo.

Sua posição, na tarde deste sábado, é a seguinte: “Ele podia chamar as forças políticas e antecipar a eleição para daqui a oito, nove meses. Isso para ter legitimidade”.

Amanhã será diferente. Tudo publicado na imprensa, que repercute qualquer coisa de FHC — menos, obviamente, a verdade.

A verdade é que ele não sabe para onde ir. Apoiou o golpe, viu no que deu e agora é um senhor perdido na multidão que tenta se livrar da responsabilidade.

Se não é ouvido e respeitado nem em seu partido, como esperar reação diferente de quem não é colega?

A única manifestação sincera e coerente de Fernando Henrique é com relação a João Doria Junior. Ali o desprezo é figadal, genuíno, sem meias palavras.

O velho nunca escondeu que não gosta de seu menino sessentão, vaidoso como ele. Fez campanha para Andrea Matarazzo, da turma de Serra, que não ganha eleição para síndico, para ser candidato tucano em SP.

“Se você for um gestor, não vai inspirar nada. Tem que ser líder”, declarou há alguns meses.

Numa palestra a empresários da área médica em São Paulo, FCH voltou a carga e lembrou que Doria não fez nada.

“Isto aqui [o celular] está no meu bolso, não na minha alma. O mundo hoje tem isso aqui na alma. O prefeito de São Paulo está fazendo algum sucesso porque ele manipula isso aqui o dia inteiro. Ele mudou alguma coisa? Eu ainda não vi. Mas [mexer] aqui ele sabe”, disse.

Doria, constrangido por ser criticado publicamente por seu ídolo, respondeu no dia seguinte que “ele está precisando sair um pouco de seu apartamento e visitar São Paulo”.

FHC tem toda razão: Doria é uma fraude completa, um marqueteiro que carregou para a prefeitura as práticas nebulosas de sua empresa de lobbies.

Seu grande feito, até agora, foi dispersar a cracolândia. Virou presidenciável porque a direita precisa de um antilula mais limpinho que Bolsonaro.

Mas não é isso que incomoda FHC. Não é o risco que uma empulhação como JD representa para o Brasil.

O problema é que Doria é o espelho dele. É o seu legado. Naqueles litros de botox está estampado seu fracasso. Dói.

Com o trio corrupto Serra-Alckmin-Aécio na draga, sobrou no colo de Fernando Henrique Cardoso um playboy destemperado — e que, o pior, aparece na mídia amiga tanto quanto ele.


Kiko Nogueira
No DCM
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É a hora de realizar as eleições que nos foram tiradas em 1984


Em abril de 1984, o governo militar definhava a olhos vistos. O general João Figueiredo, que dizia preferir o cheiro de cavalo ao do povo, já estava condenado ao esquecimento da história, como viria a postular, desnecessariamente, depois.

O que restava em frangalhos de um poder que jamais foi legítimo tampouco legal, eram os próprios militares, que cercaram Brasília para evitar uma concentração popular, e uma base parlamentar que desidratava rapidamente, a despeito das manobras e dos pacotes feitos para mantê-la. Ainda assim, a proposta das Diretas-Já não conseguiu o quórum suficiente para emendar o paradoxo da ditadura constitucional.

A frustração foi imensa.

Mesmo com o boicote da mídia, em especial da Rede Globo que disfarçara o primeiro comício como aniversário de São Paulo, escondia os outros o tanto quanto podia, o movimento popular crescia para todos os lados e se impregnava nas mais diversas veias. Trabalhadores e estudantes, artistas, esportistas e até empresários; políticos improváveis dividiam o mesmo palanque, aparentemente na luta comum.

Aparentemente, porque quando a emenda Dante de Oliveira foi rejeitada, a parte mais expressiva dos políticos lançou-se numa conciliação com os dejetos que pretendiam abandonar o navio da ditadura, antes que ele enfim tombasse. O povo foi instado a esperar em casa. E assim fez, enquanto se disputava o Colégio Eleitoral.


O que pareceu ser uma vitória da moderação, do consenso e da maturidade, revelou-se nosso maior pecado.

A Nova República nasceu desfigurada na insólita reunião daqueles que lutavam pela democracia com aqueles que mantiveram a vela içada do barco repressor o tempo todo. A ironia do destino não nos permitiu nem mesmo que o líder da oposição confiável, Tancredo Neves, pudesse exercer o primeiro governo civil, que acabou ficando a cargo do ex-presidente do partido da ditadura, que, por acaso, também militara contra a emenda das Diretas. Era José Sarney, recém ingresso no PMDB.

Ao desperdiçar o movimento popular, bailamos na curva.

A conciliação tornou-se o leitmotiv dos governos, desfigurando os próprios partidos. Progressistas e conservadores dividiram administrações amorfas, com algumas certas prevalências alternadas. O resultado desse aliancismo sem fronteiras foi que abrimos mão de conhecer – e de julgar - os crimes contra a humanidade praticados nos anos de chumbo, para não melindrar os seus autores; governos se tornaram reféns do fisiologismo, quando não da pura corrupção; a política paulatinamente foi sendo escanteada no jogo partidário.

Outro governo definha agora, talvez a olhos mais vistos ainda do que no fim da ditadura.

Imerso em acusações pesadas o suficiente para justificar uma denúncia criminal que não tardará; sem legitimidade popular e instaurado por um enviesado processo de impeachment, levado a efeito sem crime nem responsabilidade. Tudo indica que Temer, tirante os processos criminais, não terá um destino muito diferente de João Figueiredo no imaginário popular.

Acabar o governo pode até ser questão de semanas. Mas o principal é saber o que colocar em seu lugar.

Uma conciliação por cima, indústria, mercado e mídia dando suporte ao grande consenso, com permissão para a fisiologia, desde que modernize –ou seja, destrua- o legado da Constituição de 1988? Ou uma eleição direta que aufira legitimidade para comandar o processo das reformas, a começar pela da política?

Usar a Constituição para violentá-la é apenas cinismo; a Constituição de 1988 nasceu no dia em que as eleições diretas foram rejeitadas por um parlamento espúrio, mescla de eleitos e biônicos, títere de um governo que se notabilizou, sobretudo, por não parlamentar.

A Constituição veio para devolver as eleições ao povo, não mantê-las dentro de um recinto ao qual ele é, metafórica e literalmente, impedido de entrar.

O constituinte previu eleições indiretas no final de gestão para evitar que a tentação da antecipação do pleito pudesse servir de estímulo para golpes que abreviassem mandatos populares. Jamais para que um golpe fosse consolidado.

A ideia de que é possível governar sem política, que sustenta as ambições dos candidatos-da-lei, notabilizados pelo discurso impregnado de um moralismo exacerbado, cada vez menos veraz; ou que, enfim, um salvador da pátria embalado pelo melhor marketing nos levará à redenção, jamais foram soluções efetivas.

É preciso pautar as diferenças e permitir que o povo faça as suas escolhas. Deixar que um Congresso desconectado da vontade popular possa redesenhar a Constituição para expurgar o estado democrático que a forjou, atendendo interesses empresariais, é tão corrupto quanto direcionar licitações ou superfaturar contratos.

Nós não precisamos das reformas na tempestade perfeita do poder sem povo, para chegar nas eleições. Nós precisamos das eleições justamente para saber se –e como- queremos as reformas.

Nosso débito com a história pode, enfim, ser pago. O momento é de realizar as eleições diretas que o Congresso rejeitou em 1984.

E não de fazer um acordo que mantenha o povo, de novo e sempre, afastado do exercício da democracia, quando mais sua presença se faz necessária.

Marcelo Semer é Juiz de Direito em SP e membro da Associação Juízes para Democracia. Junto a Rubens Casara, Márcio Sotelo Felippe, Patrick Mariano e Giane Ambrósio Álvares participa da coluna Contra Correntes, que escreve todo sábado para o Justificando.
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A vergonha de ser brasileiro


A aprovação de Temer é a pior de um ocupante da presidência desde 1989, diz o DataFolha. Apenas 7%, percentual que, diante do que é esse desgoverno, me parece assustadoramente alto. Mais de três quartos dos entrevistados acham que ele devia renunciar; mais de quatro quintos querem impeachment e eleições diretas.

A Folha destacou outro dado na capa: a "vergonha de ser brasileiro" cresceu de 34% para 47% dos entrevistados. Essa é uma informação que me intriga. Como eu responderia a uma questão assim?

Lembro de um exemplo que costumo usar em sala de aula, quando vou discutir os problemas dos índices baseados em proxies e também dos surveys de opinião pública. Hans-Dieter Klingemann, apoiando-se no World Values Survey, mede o apoio à comunidade política (isto é, se as pessoas julgam que o Estado e a comunidade nacional imaginada à qual pertencem se sobrepõem adequadamente) a partir das respostas a duas perguntas: o quanto o entrevistado se sente orgulhoso de seu país e se estaria disposto a lutar por ele numa guerra.

As duas questões parecem misturar apoio à comunidade política com certo tipo de nacionalismo. Eu, por exemplo, não tenho nenhum desacordo com as fronteiras nacionais brasileiras - não defendo a separação de uma região ou estado, por exemplo, tampouco a anexação de qualquer território. Nem por isso estou oferecendo apoio a priori para qualquer guerra hipotética, só porque é "o meu país". Não torço nem pela seleção de futebol!

E eu tenho orgulho ou vergonha de ser brasileiro? Como não ter orgulho de ser da terra de Pixinguinha, Cartola e Villa-Lobos, sem falar do queijo minas, da feijoada e da paçoca? Por outro lado, como não ter vergonha não só da elite política nos três poderes, mas também da nossa fraca, fraquíssima capacidade de reação?

Em suma, é uma questão que aplaina múltiplas dimensões e que tenta apreender um sentimento complexo e multifacetado numa escala simples. É muitíssimo discutível se a resposta a ela diz alguma coisa e ainda mais se pode servir de indicador para outro tipo de julgamento.




http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/temer-faz-crescer-vergonha-de-ser-brasileiro/2017/06/24/

Temer faz crescer vergonha de ser brasileiro

"A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparecem" (Antonio Gramsci).

Quase metade da população (47%) tem vergonha de ser brasileiro: este é o dado mais dramático da nova pesquisa Datafolha sobre o governo Michel Temer. Em dezembro, este índice era de 27%.

Nem precisava fazer pesquisa. Basta andar pelas ruas e ver a cara das pessoas.

Certamente, contribuiu para este sentimento de vergonha o festival de vexames promovido por Temer na fracassada viagem à Europa. Nunca se viu nada igual na diplomacia brasileira.

A aprovação do governo Temer caiu para 7%, a mais baixa desde José Sarney (também vice promovido a presidente, também do PMDB). Dilma Rousseff tinha 8% quando foi caiu no ano passado.

A rejeição do presidente chegou a 69% e 72% dos brasileiros querem a sua renúncia.

De volta ao Brasil neste sábado, só más notícias o aguardam.

Na mesma hora em que Temer embarcava no avião presidencial em Oslo, na Noruega, depois de tomar uma esculhambada da primeira ministra Erna Solberg, em Brasília o ministro relator Edson Fachin despachava a ordem para a remessa imediata do relatório da Polícia Federal sobre a gravação de Joesley Batista para a Procuradoria Geral da República.

No começo da próxima semana, chega à Câmara a denúncia contra o presidente pelos crimes de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa. É a primeira vez que isto acontece na história republicana.

No Congresso, a base aliada está conflagrada com as retaliações contra os dissidentes e a nova ameaça do PSDB de desembarcar do governo. As reformas emperraram e devem ficar para o segundo semestre.

O fato concreto é que Temer chega ao final da semana sem as mínimas condições políticas e morais para continuar no governo.

Os números da pesquisa apenas confirmam esta patética realidade: 76% querem a renúncia de Temer e 81% defendem o seu impeachment.

Agora é tudo só uma questão de tempo, o interregno de que fala Gramsci.

Enquanto isso, só nos resta curtir as festas juninas.

Vida que segue.
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'Carta branca' do Dep Eduardo Fraga para negociar propina no DF

Conversa foi gravada em 2009, quando ele era secretário da gestão Arruda, e obtida pela TV Globo com exclusividade. Deputado foi denunciado pelo MP e aguarda julgamento; defesa nega.

Ele
Gravações obtidas pela Justiça em um inquérito contra o deputado federal Alberto Fraga (DEMo-DF) mostram ex-assessores do político cobrando propina de uma cooperativa de micro-ônibus no Distrito Federal. Os interlocutores dizem, nos áudios, que estavam agindo a mando de Fraga, que foi secretário de Transporte do governo José Roberto Arruda. A defesa do parlamentar nega (veja o que diz o advogado ao final da reportagem).

Alberto Fraga falou pela primeira vez, nesta sexta-feira (23) sobre os áudios (veja vídeo abaixo). O deputado negou que tenha recebido propina e disse que ele próprio fez algumas das gravações quando soube da existência do suposto esquema. Quando perguntado por que não denunciou o caso às autoridades, ele respondeu:

"Se eu cometi o crime foi de prevaricação e não de propina, como o MP tá dizendo."



As gravações

As conversas ocorreram ao vivo, e foram captadas por um gravador ambiental. O primeiro encontro, segundo a denúncia do Ministério Público, ocorreu em um hotel no Setor Hoteleiro Sul. O bate-papo envolve o ex-secretário-adjunto de Fraga, Júlio Urnau, o ex-presidente da cooperativa Coopatag Josenildo dos Santos – responsável pela gravação – e o ex-tesoureiro da entidade Aécio Fábio.

Segundo o MP, o ex-assessor de Fraga José Geraldo de Oliveira Mello foi apresentado ao grupo como "o assessor de assuntos sujos do governo Arruda". Logo no começo do diálogo, José Geraldo explica que é responsável por conduzir o processo da Coopatag no governo.

"Tá centralizado em mim o poder de negociar. A competência pra negociar com você, [somos] eu e o Júlio", afirma.

José Geraldo orienta os representantes da cooperativa a passar uma ideia de desconhecimento sobre a tramitação do processo citado. Enquanto isso, eles teriam a garantia de informações privilegiadas na pasta.

"Se alguém te perguntar: 'como é que tá teu processo na secretaria?'. 'Ah, não sei, tá meio confuso e tal', tá? Vai acertar comigo. E o que que acontece? eu vou te passando, vou te municiando as informações", explica o ex-assessor de Fraga.

Em seguida, o então secretário-adjunto Júlio Arnau afirma que estava ali, naquela conversa, com "carta branca" de Alberto Fraga. Pouco tempo depois, anuncia-se o esquema de propina: a Coopatag teria de pagar R$ 600 mil para assumir um lote de 50 micro-ônibus.

Júlio Urnau: Eu vim aqui com uma carta branca. Porque o Fraga me autorizou a fazer isso, senão eu também não vinha.

Josenildo dos Santos: Hum hum. Tá.

José Geraldo: Cê num viu que o homem ligou pra ele, ainda?

Josenildo: Ah, entendi, entendi, entendi.

Júlio: Entendeu, então, que quando ele me ligou agora à tarde: "E aí, alguma novidade?"

[...]

Júlio: O Fraga é isso mesmo, 'seiscentos pau'. É aquilo que eu te falei.

Josenildo: Hum hum.

Júlio: Tá? Duzentos, duzentos e duzentos.

Segundo o Ministério Público, o valor chegou a ser pago em três parcelas, como citado no áudio. Os repasses foram feitos no Aeroporto JK, no Zoológico e no Núcleo Bandeirante. Em gravações divulgadas nesta quinta (22) pela TV Globo, Fraga questiona os interlocutores sobre o valor dos repasses (veja vídeo).



A denúncia

A operação Régin foi deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil do DF em 2011. Citados no inquérito, Fraga, Urnau e o ex-assessor José Geraldo de Oliveira Melo são acusados por organização criminosa e concussão – quando um agente público exige vantagem própria para realizar uma contratação.

Segundo o inquérito, o grupo chegou a receber mais de R$ 800 mil de uma única cooperativa, a Coopatag. Na época, a entidade conseguiu uma decisão judicial para retornar à licitação, depois de ser considerada "inabilitada" para o contrato. Mesmo com a sentença em mãos, a Coopatag teve de pagar propina para voltar a concorrer, diz o MP.

De acordo com as investigações, a Coopatag só voltou para a disputa da licitação quando a primeira parte do valor já tinha sido paga.

A denúncia contra Fraga foi apresentada ao Tribunal de Justiça do DF em 2011. Em 2014, quando ele foi eleito deputado federal e ganhou foro privilegiado, o processo "subiu" para o Supremo Tribunal Federal. A ação penal está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, mas ainda não foi julgada.

Fraga já prestou depoimento ao STF sobre o caso. Questionado sobre as providências que tomou ao saber do suposto esquema de propina, ele respondeu que exonerou Júlio Urnau e José Geraldo, e ironizou as informações do MP sobre a divisão do dinheiro.

"Essa é até motivo de piada, que eu, além de corrupto, então sou burro. Se eu sou o secretário, peço R$ 800 mil, eu até achava que eram R$ 600 mil, aí pra mim era R$ 150 mil e pros dois extorquidores era o resto do dinheiro? Quer dizer que nem partilha eu sei fazer?"

O que dizem os advogados de defesa

O advogado de Fraga no processo, Everardo Alves Ribeiro, afirma que as gravações não tratam de propina. Segundo ele, os áudios mostram o atual deputado federal indignado com as suspeitas de que o secretário-adjunto Urnau estivesse recebendo dinheiro das cooperativas.

"Ele, indignado e ao mesmo tempo em tom jocoso, chega a fazer essa afirmação. Mas não para denotar que estaria participanto de vantagem ilícita, e sim por indignação. [No sentido] De 'como eu, secretário, entraria num esquema de corrupção para um subordinado ganhar mais que eu?'. É absurda a ilação, até por isso", declarou à TV Globo.

A defesa de Júlio Urnau negou o envolvimento dele em cobrança de propina.

O G1 e o DFTV não localizaram a defesa de José Geraldo Oliveira Melo. Até a publicação desta reportagem, também não conseguimos falar com o ex-governador José Roberto Arruda.
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Dois raios caem, sim, no mesmo lugar

Conselho de Ética arquiva caso de Aécio, que terá inquérito relatado pelo estafeta Gilmar


Quem disse que um raio não cai duas vezes em um mesmo lugar?

Na mira de nove inquéritos no Supremo Tribunal Federal, o senador afastado Aécio Neves recebeu a singela notícia de que o presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto (PMDB-PI), decidiu numa simples canetada arquivar o pedido de abertura de inquérito contra o Mineirinho feito pelo senador Randolfe Rodrigues e os deputados Ivan Valente e Alessandro Molon.

Mais que isso, Alberto defendeu Aécio: “O que fizeram com ele foi uma grande injustiça”.

Para recorrer da decisão ao plenário do Conselho, Randolfe busca ao menos cinco assinaturas de integrantes do órgão. Já garantiu as de Lasier Martins (PDS-RS) e José Pimentel (PT-CE).

Tem de conseguir mais três entre estes aqui: Pedro Chaves (PSC-MS), Airton Sandoval (PMDB-SP), David Alcolumbre (DEM-AP), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Eduardo Amorim (PSDB-SE), Gladson Cameli (PP-AC), Acir Gurgacz (PDT-RO), João Capiberibe (PSB-AP), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), Telmário Mota (PTB-RR) e Romero Jucá (PMDB-RR).

Como se sabe, Jucá — ele mesmo alvo de oito inquéritos — entrou para o Conselho de Ética em 30 de maio deste ano. Para estancar a sangria.

Será uma corrida contra Randolfe e o tempo. Partidários de Aécio gostariam de enterrar o caso de vez. Temem que o assunto esteja vivo quando a primeira turma do STF decidir se coloca ou não o tucano em prisão domiciliar.

Com Aécio usando tornozeleira eletrônica, seria muito mais constrangedora qualquer decisão pelo arquivamento tomada pelo plenário, com transmissão ao vivo.

Como se o tucano não tivesse razões para celebrar a surpresa da sexta-feira à tarde, a bolinha do STF — que não é viciada — sorteou Gilmar Mendes para relatar um, talvez dois dos inquéritos abertos no tribunal contra Aécio relacionados à delação da empreiteira Odebrecht.

Em qualquer lugar do mundo, Gilmar se declararia impedido, já que foi flagrado por escuta da Polícia Federal prestando serviços como se fosse um reles estafeta de Aécio.

Na ligação, reproduzida abaixo, Aécio pede a Gilmar que faça sua militância partidária convencendo o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) a votar favoravelmente ao projeto de lei do abuso de autoridade.



No Viomundo
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Perícia da PF coloca a Folha em xeque: o que o jornal queria quando contratou e divulgou um laudo fajuto?

De rabo preso com quem?
Se é autêntica e sem edição a gravação que Joesley Batista fez da conversa com Michel Temer, como apontou a perícia da Polícia Federal, a pergunta inevitável é: qual foi o propósito da Folha de S. Paulo quando noticiou em manchete o resultado de uma perícia particular que ela mesma contratou que apontava edição do áudio?

O laudo da Folha foi divulgado dois dias depois da revelação da gravação de Joesley, no auge da repercussão do caso. “Áudio de Joesley entregue à Procuradoria tem cortes, diz perícia”, destacava a manchete do jornal, que Temer usou para se defender, num pronunciamento à Nação:

— Registro que eu li hoje notícia do jornal ‘Folha de São Paulo’ de que perícia constatou que houve edição no áudio de minha conversa com o senhor Joesley Batista. Essa gravação clandestina foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos. Incluído no inquérito sem a devida e adequada averiguação, levou muitas pessoas ao engano induzido e trouxe grave crise ao Brasil.

Logo o trabalho do perito contratado pela Folha ficou desacreditado: ele fez em um dia estudo que um profissional minimamente sério levaria semanas. Usou equipamento de baixa qualidade, produziu um texto com erros de português e soube-se que inflava o currículo com informações não verídicas. Não era apenas perito, era também corretor de imóveis.

Michel Temer e Joesley eram até então os únicos que sabiam da veracidade da gravação. Mas Temer, ancorado na Folha, partiu para o ataque. Nos dias seguintes, avançou no seu projeto de reforma trabalhista e previdenciária na Câmara dos Deputados.

Se ajudou decisivamente Michel Temer, numa situação difícil, a perícia da Folha produziu outro resultado: evidenciou que a grande (ou velha) imprensa já não marchava unida, como fez na cobertura que levou ao golpe de 2016.

Nitidamente era possível ver Globo de um lado, Folha, Estadão e Bandeirantes de outro. Essa divisão continua, situação que remete a um trecho do livro A Radiografia do Golpe, do sociólogo Jessé Souza, que usa uma imagem de filme para definir o que aconteceria depois da violência institucional que legitimou a queda de Dilma:

“Como todo espectador de filme de gângster sabe muito bem, é fácil juntar aventureiros para assaltar um banco. Difícil é dividir o saque depois. Esse é precisamente o momento que estamos vivendo agora. O que fazer com o butim do assalto à soberania popular?”

Fácil de entender, difícil de aceitar.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Barrocal descreve a quadrilha

Eles estão no poder porque a Globo e o PiG quiseram!

"A história de um presidente ilegítimo (como demonstra a Datafalha ​- PHA) acusado de corrupção pela PF (e breve pelo Janot - PHA) e líder na última década do assalto ao poder por um grupo (ou quadrilha - PHA) do PMDB"
Assim começa a reportagem de André Barrocal na Carta Capital que está nas bancas.

A quadrilha, segundo a reportagem de Barrocal, se compõe de:

‣ Henrique Alves

‣ Eduardo Cunha

‣ Gatinho angorá

‣ Geddel boca de jacaré

‣ Eliseu Padilha, o Primo

‣ e Rodrigo Loures, o da mala

(Ao longo de recente trabalho, Barrocal mostrou também o papel decisivo de um certo Coronel Lima, cumplice do MT desde o porto de Santos.)

Diz Barrocal:
"A liberaçao de grana dependia de 'caixinha' paga pelos tomadores, decidida antes por Moreira Franco e depois por Fabio Cleto, apadrinhado de Cunha"

"Cunha, Padilha, Geddel... todos conseguiram aumentar bastante as suas fortunas com 'arrecadações de campanha'."

"Em 2014, o patrimônio declarado por Temer engordou em relação ao pleito anterior, sem contar 20 milhões para ajudar amigos"

Foi para dar o Poder a esses gângsters que o PiG derrubou uma presidenta honesta!

Em nome do combate à corrupção, como dizia o Mineirinho.

Tucano tão bandido quanto os do PMDB!

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Milton Santos - o mais importante geógrafo do Brasil


Milton Santos (1926-2001). Em 1994 recebeu o Prêmio Vautrin Lud - equivalente ao Nobel da Geografia.

"O espaço dividido", de 1979, é hoje considerado um clássico mundial, onde desenvolve uma teoria sobre o desenvolvimento urbano nos países subdesenvolvidos.

As suas concepções sobre globalização, esboçadas antes que este conceito ganhasse o mundo, advertia para a possibilidade de gerar o fim da cultura, da produção original do conhecimento - conceitos depois desenvolvidos por outros.

"Por uma Outra Globalização", livro escrito por Milton Santos dois anos antes de morrer, é referência hoje em cursos de graduação e pós-graduação em universidades brasileiras. Traz uma abordagem crítica sobre o processo perverso de globalização actual na lógica do capital, apresentado como um pensamento único. Na visão do autor, esse processo, tal como está configurado, transforma o «consumo» em ideologia de vida, fazendo de cidadãos meros consumidores, massifica e padroniza a cultura e concentra a riqueza nas mãos de poucos.

Apesar de ter se graduado em Direito, Milton destacou-se por seus trabalhos em diversas áreas da geografia, em especial nos estudos de urbanização do Terceiro Mundo. Foi um dos grandes nomes da renovação da geografia no Brasil ocorrida na década de 1970.

Milton Santos foi um dos intelectuais mais decisvos do Brasil e o mais importante geógrafo. Escreveu mais de 40 livros.

Nos últimos anos de vida, seu trabalho mostrava uma clara preocupação com a Globalização. Crítico dos processos econômicos que excluíam as nações mais pobres.

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BIBLIOGRAFIA ESSENCIAL:

SANTOS, Milton. A cidade nos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira S.A., 1965.
SANTOS, Milton. Geografía y economía urbanas en los países subdesarrollados. Barcelona: Oikos-Tau S.A. Ediciones, 1973.
SANTOS, Milton. Sociedade e espaço: a formação social como teoria e como método. Boletim Paulista de Geografia, São Paulo: AGB, 1977, p. 81- 99.
SANTOS, Milton. Por uma Geografia nova. São Paulo: Hucitec-Edusp, 1978.
SANTOS, Milton. O trabalho do geógrafo no Terceiro Mundo. SP: Hucitec, 1978.
SANTOS, Milton. Pobreza urbana. São Paulo/Recife: Hucitec/UFPE/CNPV, 1978.
SANTOS, Milton. Economia espacial: críticas e alternativas. SP: Hucitec, 1979.
SANTOS, Milton. Espaço e sociedade. Petrópolis: Vozes, 1979.
SANTOS, Milton. O espaço dividido. Os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979 (Coleção Ciências Sociais).
SANTOS, Milton. A urbanização desigual. Petrópolis: Vozes, 1980.
SANTOS, Milton. Manual de Geografia urbana. São Paulo: Hucitec, 1981.
SANTOS, Milton. Pensando o espaço do homem. São Paulo: Hucitec, 1982.
SANTOS, Milton. Ensaios sobre a urbanização latino-americana. SP: Hucitec, 1982.
SANTOS, Milton. Espaço e Método. São Paulo: Nobel, 1985.
SANTOS, Milton. O meio técnico-científico e a redefinição da urbanização brasileira. Projeto de pesquisa apresentado ao CNPq, 1986 (datilografado).
SANTOS, Milton. Aspectos geográficos do Período Técnico-Científico no estado de São Paulo. Projeto de pesquisa apresentado à Fapesp, maio 1986 (datilografado).
SANTOS, Milton. A região concentrada e os circuitos produtivos. Texto apresentado como parte do relatório de pesquisa do projeto O Centro Nacional: Crise Mundial e Redefinição da Região Polarizada, 1986 (datilografado).
SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel, 1987.
SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. Paulo: Hucitec, 1988.
SANTOS, Milton. O Período Técnico-Científico e os estudos geográficos: problemas da urbanização brasileira. Projeto de pesquisa apresentado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), mar. 1989 (datilografado).
SANTOS, Milton. Metrópole corporativa fragmentada: o caso de São Paulo. São Paulo: Nobel/Secretaria de Estado da Cultura, 1990.
SANTOS, Milton. A urbanização brasileira. São Paulo: Hucitec, 1993.
SANTOS, Milton. Por uma economia política da cidade. SP: Hucitec /Educ, 1994.
SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo. São Paulo: Editora Hucitec, 1994.
SANTOS, Milton; SOUZA, Maria Adélia A.(org.). A construção do espaço. São Paulo: Nobel, 1986.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização - do pensamento único à consciência universal. São Paulo: Editora Record, 2000.

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Participam deste programa a professora da UFBA Maria Auxiliadora da Silva, o cineasta Silvio Tendler e o professor Pedro Cunca Bocayuva.

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Globalização Milton Santos - O mundo global visto do lado de cá


O mundo global visto do lado de cá, documentário do cineasta brasileiro Sílvio Tendler, discute os problemas da globalização sob a perspectiva das periferias (seja o terceiro mundo, seja comunidades carentes). O filme é conduzido por uma entrevista com o geógrafo e intelectual baiano Milton Santos, gravada quatro meses antes de sua morte.

O cineasta conheceu Milton Santos em 1995, e desde então tinha planos para filmar o geógrafo. Os anos foram passando e, somente em 2001, Tendler realizou o que seria a última entrevista de Milton (que viria a morrer cinco meses depois). Baseado nesse primeiro ponto de partida o documentário procura explicar, ou até mesmo elucidar, essa tal Globalização da qual tanto ouvimos falar.

O documentário percorre algumas trilhas desses caminhos apontados por Milton, vemos movimentos na Bolívia, na França, México e chegamos ao Brasil, na periferia de Brasília. Em Ceilândia, a câmera nos mostra pessoas dispostas a mudar as manchetes dos jornais que só falam da comunidade para retratar a violência local. Adirley Queiroz, ex-jogador de futebol, hoje cineasta, estudou os textos de Milton e procura novos caminhos para fugir do 'sistema' ou do Globaritarismo -- termo criado por Milton Santos para designar a nova ordem mundial.

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Entrevista com Milton Santos


Entrevista concedida em 10 de julho de 1995 ao programa Jô Soares Onze e Meia.

Milton Almeida dos Santos (Brotas de Macaúbas, BA, 3 de maio de 1926 — São Paulo, SP, 24 de junho de 2001)

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